"A LUTA DE UM POVO, UM POVO EM LUTA!"

Agência de Notícias Nova Colômbia (em espanhol)

Este material pode ser reproduzido livremente, desde que citada a fonte.

A violência do Governo Colombiano não soluciona os problemas do Povo, especialmente os problemas dos camponeses.

Pelo contrário, os agrava.


segunda-feira, 17 de maio de 2010

PRIMEIRO DE MAIO, DIA DO TRABALHO.

"Proletários de todos os países, uni-vos" Carlos Marx e Federico Engels.

Há mais de 162 anos, os maiores pensadores e ideólogos da classe proletária, Marx e Engels, unidos por uma amizade sem precedentes na historia humana, convidavam através do Manifesto Comunista à unidade, fraternidade e solidariedade entre os explorados do mundo. Esses dois gigantes do pensamento e incansáveis operários da inteligência armaram ideologicamente o proletariado, criaram-lhe consciência de classe e, o mais importante, descobriram cientificamente sua missão histórico-universal transformadora de sepultar a burguesia como classe e, sobre sua tumba edificar uma sociedade sem classes, na qual o homem deixe de ser “lobo do homem”.

Desde então, essa verdade científica vem se abrindo passo a empurrões através dos intrincados fenômenos sociais, mas nunca antes como hoje, essa grande verdade se havia volto tão evidente e tangível, ante a incapacidade física e moral da burguesia de seguir administrando nossa Casa Planeta, onde a irracionalidade da ganância e o insaciável apetite de lucro, assentados na propriedade privada sobre os meios de produção social, têm ocasionado uma profunda crise de caráter sistêmica, como as crises econômica, alimentar, energética e climática, cuja coincidência no tempo e lugar têm todas as espécies vivas, incluída a espécie humana, ao bordo de sua desaparição, onde a célebre frase de Rosa Luxemburgo: “Socialismo ou barbárie” tem passado por modificações, adquirindo um caráter muito mais catastrófico, onde o Socialismo deixa já de ser uma opção como alternativa política, para se converter em uma necessidade como única forma de preservar a vida sobre a Mãe Terra, de tal maneira que todas as espécies vivas estão sob o inequívoco dilema de: “Socialismo ou Morte”; “Socialismo ou destruição total”; “Socialismo ou desaparição de todos os seres vivos que atualmente habitam na Terra”.

A Cúpula Climática realizada em Dinamarca marcada pelo egoísmo burguês e a aberta contradição entre as leis objetivas do desenvolvimento e a própria existência do Capitalismo como Sistema, deixou claro que o destino de nosso Planeta não pode estar em mãos de quem como classe já têm cumprido seu papel histórico e têm posto a humanidade e o Planeta ao borde de sua completa desaparição, mas em mãos dos povos e das forças progressistas do mundo, que encarnam o novo, o desenvolvimento, o futuro e a vida mesma como ficou demonstrado na recente Cúpula do 21 de abril em Cochabamba (Bolívia) sobre o Cambio Climático e os direitos da Mãe Terra, promovida pelas organizações sociais e liderada pelo presidente Evo Morales e os indígenas, com participação de 35 países.

Neste 1º de Maio e sob esse contexto mundial, as FARC-EP saúdam a classe operária colombiana e todos os trabalhadores, quem têm a particular e transcendental tarefa de se organizar sob a divisa do momento: a unidade, para reconquistar nas ruas seus históricos direitos conquistados em longas e cruentas jornadas de luta e, pisoteados por Uribe; como têm sido a eliminação da Prima do mês de junho para os aposentados, o mesmo que a Prima de antiguidade; o aumento da idade para se aposentar e, lógico, o aumento do número de semanas de cotização para poder se aposentar; por haver acabado com a estabilidade operária; pelo fechamento de hospitais; pelo aumento das tarifas dos serviços públicos; por eliminar centenas de empregos; por aumentar o IVA e sua ampliação a vários artigos de primeira necessidade, por aumentar o impostos indiretos, entre eles o 4 por mil; pelo permanente, sob qualquer pretexto, aumento do preço da gasolina; pelo desavergonhado intento (já foi derrubado pela Corte Suprema) e, sob o guarda-chuvas da "Emergência Social", através de 16 decretos, impor um serviço de saúde desumano e, abertamente classista, onde desapareceria a tutela para os tratamentos de alto custo e que os pacientes deveriam pagar com suas poupanças, benefícios trabalhistas e patrimônio; se desqualificava os profissionais da Saúde e se mercantilizava ainda mas os serviços.

Hoje há 22 grupos paramilitares com aproximadamente 11.000 homens em armas; o mesmo número que havia no ano 2002, quando recebeu o mandato Uribe Vélez. Dessa forma a "Segurança Democrática” pode se resumir como a guerra total contra o povo, caracterizada pela “Constante violação dos direitos humanos, as diárias infrações contra o Direito Internacional Humanitário, a criminalização, perseguição..." e escutas telefônicas ilegais contra a oposição política, pessoas que estão no exílio e, o deslocamento forçoso.

Nunca antes para um povo uma noite de tortura havia sido tão triste e longa, nem a negação da vida em todas suas expressões tão prolongada, como durante os 8 anos de Segurança Democrática", onde cerca de 20 milhões de compatriotas se encontram na pobreza, 9 milhões na miséria absoluta, 4 milhões de descolados forçosos, onde 1.250 pessoas, em sua maioria mulheres e meninos são em média enxotadas de suas terras cada 24 horas; 8.000 desaparecidos; entre 1998 e 2008 foram assassinados 1.362 indígenas; 1300 compatriotas assassinados a sangue frio nos "falsos positivos" pela Força Pública, entre os anos 2002 e 2009 cumprindo ordens do ministro da defesa Juan Manuel Santos; entre o 2002 e 2009 mais de 479 sindicalistas foram assassinados.

Durante o atual governo do crime, para-política, narcotráfico, máfia e corrupção, as instituições estatais, salvo algumas exceções, têm-se degradado tanto, que já nem fedem, e os funcionários parecem ser a reencarnação viva do Monstro da Casa de Nari: 133 congressistas e ex-congressistas têm sido investigados pelos seus nexos com paramilitares; também, são investigados por delitos graves como assassinato e desaparições forçosas 14 governadores, 7 ex-deputados e 35 ex-prefeitos, a grande maioria deles, milita no partido do atual presidente da República.

A obsessão por desprestigiar a Corte Suprema está inspirada no instinto de conservação de Uribe e todos seus amigos mais próximos, implicados no paramilitarismo e crimes de lesa humanidade, o mesmo que o terror que lhes dá, de que o futuro presidente seja alguém que não tenha vínculos com a moto-serra, a parapolítica, o narcotráfico nem a corrupção, porque de antemão esse novo hóspede da Casa de Nariño permitirá que se investiguem todas as matanças, crimes e corrupções planejados na Casa Presidencial, como é o caso Tasmania e o complô contra la Corte, onde, ademais do Presidente, estão implicados Santiago e Mario Uribe (Irmão e primo irmão respectivamente de Uribe); a Yidis política, o misterioso assassinato de Francisco Villalba, único paramilitar testemunha e participante da matança de El Aro (Antioquia), quem acusava diretamente ao Primeiro Mandatário de ter dado a ordem, em presença de Carlos Castaño, Mancuso e Santiago Uribe, quando o Presidente era governador de Antioquia.

A imposição de um modelo econômico (o modelo Neoliberal) que destrói a biodiversidade, que generaliza e aprofunda a pobreza ao tempo que concentra a riqueza em poucas mãos, privilegiando o capital especulativo e usurário, o que explica que em Colômbia com um crescimento do 1,9 % no ano 2009, com uma cifra de desemprego superior a 14,6%, das mais altas na América Latina, o 52% da população ocupada na economia do “camelô”, os bancos e o sistema financeiro reportaram utilidades superiores aos 8,6 bilhões de pesos, donde Julio Mario Santo Domingo ganhou 2 bilhões de dólares e Luis Carlos Sarmiento Angulo 3.2 bilhões, o mesmo ano (2009) onde todo o mundo obteve perdas por causa da crise do sistema financeiro mundial. Quanta razão tinha Balzac quando afirmou: “Em toda grande riqueza há mais de um crime”.

Todas nossas riquezas naturais têm sido entregues à veracidade do capital estrangeiro, sob contratos dolosos. As empresas mais lucrativas do país têm sido rifadas a preço de galinha fraca e outras privatizadas como Telecom e Granahorrar. Todo está sendo vendido, até o ar que respiramos. O roubo de Agro Ingresso Seguro é um monumento à corrupção e Carimagua uma perversidade e uma burla cruel contra os deslocados. As escutas letefônicas ilegais são um atentado ao Estado de Direito e uma expressão mais de um Estado policial. O novo Congresso, fruto do coronelismo, a compra de votos, intimidação e fraude está integrado em sua grande maioria por indivíduos vinculados ao paramilitarismo e ao narcotráfico, afiliados ao uribismo e presságio da prolongação de tempestades de sangre e corrupção.

Nunca antes, com nenhum governo, por entreguista que houvesse sido, se pisoteou tanto nossa soberania, como com o apátrida Álvaro Uribe Vélez, onde Colômbia praticamente tem sido anexada aos EUA em qualidade de colônia, onde com 7 bases militares gringas em suas próprias entranhas, tem perdido identidade por ausência de soberania, enquanto o ianque invasor goza de impunidade para praticar suas aberrações sexuais, como sucedeu com a menina de 12 anos violada no estado de Tolima, e descarregar seus instintos criminais sob os efeitos das drogas, enquanto os entreguistas e vende-pátria de ultradireita, vassalos sem qualificativos, se curvam e ficam de joelhos para beijar a bota do ianque, orgulhosos de ter sido selecionados pelo amo para a desonra.

É urgente que o povo saque da Casa de Nariño seus atuais e desprezíveis inquilinos para pôr fim a seus censuráveis métodos mafiosos, suas práticas criminais e suas condutas corruptas.

A saúde de nossa Pátria reclama um governo de unidade, pluripartidista, de reconciliação e reconstrução nacional, que pela via política solucione o conflito social e armado que vive a nação, que faça da Colômbia um país livre e soberano, onde a justiça social seja o farol da torre que ilumine a trilha rumo ao Socialismo, sem explorados nem exploradores.

¡Viva o Dia Internacional do Trabalho!

¡Viva a Pátria Grande e o Socialismo!

¡Viva o Bicentenário de nossa primeira Independência!


Secretariado do Estado Maior Central, FARC-EP

Abril 30 de 2010, montanhas de Colômbia

domingo, 16 de maio de 2010

Dilma Rousseff passou a liderar pesquisas no Brasil com 38%


A candidata do PT está em primeiro lugar na preferência sobre o candidato presidencial do PSDB, José Serra. Pesquisas indicam que, se esta tendência for mantida, Dilma Rousseff ganharia a eleição no segundo turno com 40 por cento.

Fonte: TeleSur.net


A candidata à presidência do Brasil, Dilma Rousseff, de acordo com uma pesquisa publicada neste sábado nesse país latinoamericano,se encontra no primeiro lugar das preferências, com 38 por cento, sobre o seu adversário, o opositor José Serra.

A sondagem coloca a Rousseff, candidata do Partido dos Trabalhadores (PT), com três pontos percentuais a mais da intenção de voto dos brasileiros do que Serra, do Partido Social Democrata (PSDB), que obteve 35 por cento de apoio popular.

A pesquisa, realizada pelo instituto Vox Populi e divulgada no sábado pelo jornal Correio Braziliense no seu site de internet, coloca também à candidata do Partido Verde, Marina Silva, no terceiro lugar da preferência, com 7 por cento, tendo em vista as eleições que se realizarão em Outubro.

Neste domingo, Marina Silva, ex-ministra do Meio Ambiente, será oficialmente declarada candidata numa reunião da cúpula Verde no Rio de Janeiro.

Segundo a pesquisa, se a tendência for mantida, a candidata governista Rousseff seria eleita à presidência de seu país com 40 por cento dos votos em um hipotético segundo turno, que se realizaria se nenhum candidato obtiver maioria absoluta.

No mês passado, Serra, ex-governador de São Paulo, tinha 34 por cento de apoio contra 31 por cento da ex-Ministra da Presidência, segundo o mesmo instituto.

No entanto, o instituto que realizou a pesquisa revelou que Rousseff mantém o apoio na região nordeste do Brasil, com 44 por cento, e na Amazônia, com 41 por cento.

Enquanto isso, Serra, é o favorito no sul do país com 44 por cento e ambos os candidatos estão tecnicamente empatados na região mais populosa do país (sudeste).

Nos últimos meses, o candidato do PSDB era o favorito dos brasileiros com uma vantagem de entre 5 e 7 pontos de diferença diante da candidata do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

No mês passado, o Instituto Sensus, divulgou um empate entre Rousseff e Serra, fato que foi denunciado pelo PSDB perante as autoridades eleitorais, sob suspeita de manipulação.

A pesquisa realizada pela Vox Populi foi aplicada em 117 cidades do país entre os dias 8 e 13 de maio e tem uma margem de erro de 2,2 por cento.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

O anacrônico Serra


A declaração de José Serra sobre o Mercosul é um sintoma de que o arcebispado tucano está vivendo numa espécie peculiar de alienação delirante, que pode tornar-se delituosa, pois, com a vitória, vai certamente trazer vários danos ao país.

Flávio Aguiar
Carta Maior


As declarações do candidato Serra, menosprezando o Mercosul, fazendo a apologia dos tratados de livre-comércio, foram logo “corrigidas” com a entrevista, dias depois, à sempre prestimosa Folha de S. Paulo, dizendo que ele desejava apenas que ele fosse “flexibilizado”.

Mas a “correção” não adiantou. O que ficou no ar foi a margem de ressentimento que os sucessos no exterior do governo Lula provocaram nos arcebispados e na ceia dos cardeais do tucanato. Tudo bem. Mas houve algo mais grave. Aquele menosprezo (terá escapado, terá sido um ato falho, ou apenas um sôfrego buscar de agrado por parte de sua platéia?) foi a prova provada do anacronismo mental em que vive o tucanato e seu candidato.

Se fosse apenas uma nostalgia do “circuito Elisabeth Arden” da política externa brasileira, como até eu mesmo já escrevi que era, podia-se discordar, mas entender. Porém é algo pior. Essa declaração é um sintoma de que o arcebispado tucano está vivendo numa espécie peculiar de alienação delirante, que pode tornar-se delituosa, pois, com a vitória, vai certamente trazer vários danos ao país.

A declaração de Serra supõe o retorno a um mundo fantasmagórico que não existe mais. O mundo das negociações internacionais tornou-se hoje muito mais complexo do que sonha a vã filosofia da direita brasileira. Houve tempo em que a mídia conservadora no Brasil martelava que tudo o que cheirasse a esquerdismo era “coisa do passado”; que a nossa “Constituição cidadã” (isso era escrito com solene desprezo) era um entrave ao nosso “progresso”. Hoje, ela não consegue mais esconder que a direita brasileira deixou de ser “moderna”, se é que um dia ela o foi.

A ascensão de Serra ao Planalto provocaria uma perda de oportunidades e negócios, de afirmação e de respeito, no plano internacional, como poucas vezes se terá visto um país fazer. E o pior é que o arcebispado tucano (com os demos na sua cola) acha que isso lhe daria prestígio pelo mundo afora, pois para eles é claro que o Brasil ter um nordestino de origem humilde como presidente só pode ser motivo de vergonha e ofensa aos seus brios.

Na verdade ninguém mais hoje leva a sério a postura subserviente que essa perspectiva traz consigo, de fazer o beija-mão como aproximação dos centros de poder internacionais. Claro que haveria sorrisos e tapinhas das costas caso a direita consiga vencer as eleições em outubro. Mas tão logo seus próceres virassem as costas os sorrisos se transformariam em sonoras gargalhadas e os tapinhas cordiais, em gestos de desprezo.

Na América Latina o Brasil voltaria, potencialmente, ao tempo em que enviou tropas para conter uma revolta popular na República Dominicana (1965), ao lado dos fuzileiros navais norte-americanos. Com essa regressão poderíamos de fato dar adeus à qualquer pretensão de ter uma cadeira permanente no Conselho de Segurança. Rússia, China e França jamais permitirão que um aliado automático do governo norte-americano se ponha nessa posição. Nem mesmo o Reino Unido se permitiria cometer tal loucura. Perderíamos o espaço conquistado no G-20, na OMC sem nada ganhar em troca, só o reiterado desprezo do quase finado G-8. Porque faz parte do prestígio brasileiro no exterior o fato de que ele fala em nome das demais nações perante os sete países mais industrializados do mundo e a Rússia.

O Brasil hoje ocupa uma posição de liderança no mundo; deixamos de fazer parte apenas da problemática, somos parte também da solucionática, e uma parte vital. Voltaríamos para o canto, de costas para a parede, e com a carocha de burro enfiada na cabeça. Enquanto isso, na ceia dos cardeais tucanos, haveria regozijo e brindes: teríamos voltado à nossa condição antiga de “povinho sem futuro” representado por uma elite capaz de tudo para manter sua auto-imagem de “civilizada” em “terra de selvagens”.

Vade retro!

Flávio Aguiar é correspondente internacional da Carta Maior em Berlim.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Mockus: o pós-uribismo

Por Emir Sader

Uribe parecia um candidato imbatível, que triunfaria no primeiro turno, tendo no segundo lugar um candidato do seu aliado Partido Conservador, Noemi Sanin. A festa seria completa, barba cabelo e bigode, como se costuma dizer.

Uribe tinha conseguido mudar a constituição colombiana, há quatro anos, que não incluía a reeleição, baseado no apoio que nenhum outro presidente tinha conseguido, com um governo centrado na “segurança democrática”, que consistia na tentativa de resolução militar do conflito com as guerrilhas, apelando para tudo nesse enfrentamento, desde os grupos paramilitares até operações cruéis e impiedosas do Exército, com total apoio dos EUA. Seu apoio chegou a estar acima dos 80%.

Quando a Justiça rejeitou a demanda de Uribe para tentar uma segunda reeleição, o jogo parecia alterar-se apenas um pouco. Juan Manuel Santos, seu ex-ministro de Defesa, seu delfim preferido, imediatamente assumiu o cargo de continuador do uribismo. Já naquele momento as pesquisas apontavam para uma vitória de Santos, mas agora no segundo turno, enfrentando a candidata do Partido Conservador, também da base governista.

A oposição se desgarrava entre uma série de candidatos com níveis baixos de apoio, pela própria fragmentação. O Pólo Democrático, que havia deslocado a bipolaridade tradicional entre liberais e conservadores, chegando em segundo lugar quatro anos antes, com Carlos Gaviria, tinha tido um resultado inesperado nas prévias internas, quando ele foi derrotado por Gustavo Petros, um candidato mais moderado, proclive a aliança com outros partidos de oposição. O certo é que Petros esteve longe de galvanizar o voto de esquerda, tornando-se apenas um entre outros tantos candidatos opositores, em maior ou menor grau.

De repente começou a mudar a preferência do eleitorado, revelando como, liberado da liderança de Uribe e sua chantagem da “segurança democrática”, os colombianos foram se dando conta que já não seria necessário manter a prioridade da luta contra a violência – na visão redutiva do governo, da violência guerrilheira.

Uribe havia perdido as eleições nas principais cidades – Bogotá, Cali, Medellin – nas eleições de novembro de 2007, porque o eleitorado vota por critérios de políticas sociais, em nível local. Mas no cenário político nacional Uribe mantinha um apoio amplo, até essa circunstância recente.

Antonas Mockus tinha sido um folclórico prefeito de Bogotá, reitor da principal universidade publica da Colombia, uniu-se a outros bom ex-prefeitos, usou a sigla verde – que apenas serve para simbolizar que representaria algo novo, sem nenhum conteúdo ecológico especifico – e, depois de não ter tido um resultado positivo nas eleições parlamentares, de repente começou a se diferenciar dos outros candidatos e a catalizar o voto do cansaço de Uribe. Propôs a outro candidato moderado retirar sua candidatura e somar-se a ele como candidato a vice e pareceu ganhar mais fôlego que os outros. É como se, dado que a “segurança democrática” já se incorporou ao consenso nacional, queriam isso e algo mais, que Santos não oferece, porque se apresenta como a continuidade dura e pura de Uribe, acreditando que esse era o caminho seguro de vitória.

Mockus rapidamente chegou ao empate técnico e superou Santos, particularmente no segundo turno, em que parece canalizar definitivamente o voto que quer virar a página do uribismo que, de qualquer maneira, remete a um tempo de violências, escândalos, chantagens, narcotráfico, que os colombianos parecem querer superar.

Mockus diz que manterá a política de “segurança democrática”, que não negociará com as Farc enquanto mantenham seqüestrados – recusando assim a proposta da senadora Piedad Cordoba de passar das liberações unilaterais das Farc aos intercâmbios humanitários de prisioneiros dos dois lados -, mas que colocará a ênfase na legalidade, no combate aos excessos que caracterizaram o governo Uribe.

Pode-se imaginar que acenará também com a normalização das relações com os países da região – especialmente com o Equador e com a Venezuela, propiciando o desafogo das dificuldades econômicas que a suspensão das compras de Caracas produziu na economia colombina – além de buscar aprofundar as relações com outros países, em particular com o Brasil.

Dificilmente tocará nas bases militares norteamericanas. Tampouco pode-se prever uma virada nas relações econômicas externas privilegiadas, transferindo-as dos EUA para os processos de integração regional. Ao contrário, é mais provável que, buscando limpar a imagem suja da Colômbia em termos de direitos humanos, trate de preencher os requerimentos que o Congresso norteamericano, dominado pelos democratas, demandam para assinar um Tratado de Livre Comércio com os EUA.

De qualquer forma, quaisquer que sejam os elementos de mudança e de continuidade, será positiva a provável derrota de Uribe e de seu candidato. Sairá de cena o personagem cujo governo mais ameaça a convivência pacifica e a construção de processos de integração política regional. Piñera perderá seu aliado privilegiado e os EUA o sonho de construção de um pólo duro, com o Chile, o Peru e a Colômbia, para se contrapor àquele da integração regional, composto pelo Brasil, pela Argentina, pelo Uruguai, pelo Paraguai, pela Venezuela, pela Bolívia e pelo Equador. A Colômbia poderá começar a sair do pesadelo que se abateu sobre o país nas últimas décadas.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

“Sou um rebelde permanente diante de todas as injustiças”

Entrevista com Adolfo Pérez Esquivel (foto)

-Cada pessoa é sujeito de direitos próprios enquanto pessoa. Você lutou pelos direitos humanos nos anos da ditadura. Como está a situação hoje?

Os direitos humanos não são somente aqueles pelos quais lutamos na ditadura. São também os econômicos, sociais e culturais. São os direitos à educação, ao trabalho e à informação. São os da chamada “terceira geração”, em que, por exemplo, se fala do direito a um meio ambiente [saudável]. Em suma, os direitos humanos são integrais e indivisíveis. Como a democracia é inseparável dos direitos humanos.

-Todos falam de direitos humanos, mas a realidade muitas vezes é diferente.

É certo. Há governos que assinaram, mas que não ratificaram os acordos. Por exemplo, os Estados Unidos, que até agora não ratificaram a Convenção sobre os Direitos da Criança [da ONU].

-Como pode ser que uma grande potência que se assume defensora da democracia se oponha?

Isto vai muito além da vontade pessoa de Obama. É a política dos Estados Unidos que impõe sua própria vontade ao resto do mundo. Mas tudo isto pode terminar, porque nenhuma sociedade é estática. Como os direitos humanos, que são uma dinâmica permanente da vida. Uma declaração não é letra morta. É uma dinâmica na sociedade e na consciência. Creio que nos próximos anos veremos mudanças fundamentais. Hoje há um esvaziamento de valores e conteúdos, mas não devemos desesperar.

-Você é Prêmio Nobel da Paz, assim como Obama. O que sentiu quando soube que o presidente norte-americano havia recebido esse prêmio?

Fiquei surpreso, mas lhe enviei uma carta de felicitações. Escrevi a Obama dizendo que me havia surpreendido com sua designação, mas que agora, como Prêmio Nobel, deveria ser coerente, trabalhando e lutando pela paz. Mas, lamentavelmente, Obama sofreu uma metamorfose. Cada dia se mimetiza mais com [o ex-presidente norte-americano] George W. Bush. Não é possível que instale sete bases militares na Colômbia, que esteja de acordo com a reativação da 4ª Frota do Exército, que mande 30.000 soldados ao Afeganistão para uma guerra perdida, acrescentando morte e dor à vida daquela gente. Inclusive à dos soldados dos Estados Unidos e da OTAN que voltam mortos ou imprestáveis para o resto da vida.
Estas são as guerras dos países ricos contra os países empobrecidos. São guerras econômicas e pela apropriação dos recursos naturais. Se esta é a política dos Estados Unidos, não tem nada a ver com a paz. Creio que a paz é outra coisa. A paz é um projeto de vida; Obama tem um projeto de morte.

-Por que, então, o Comitê Nobel norueguês outorgou o Prêmio Nobel da Paz a Obama?

Francamente não sei. Para dizer a verdade, também não sei por que o deram para mim. Creio que também no meu caso se equivocaram. Porque eu sou um rebelde permanente diante de todas as injustiças. Sim, um rebelde, mas na esperança.

-Mas a eleição de Obama gerou muitas esperanças, sobretudo fora dos Estados Unidos.

Creio que Obama chegou ao governo, mas não ao poder. Uma coisa é o que Obama possa querer como pessoa, e outra, bem diferente, o que possa fazer como chefe de uma potência que lhe impõe condições. É escravo de alguns centros de poder: o complexo militar norte-americano, o Pentágono, a CIA, as grandes empresas multinacionais.

-Você sempre insiste muito no papel que as empresas multinacionais têm na situação mundial.

As multinacionais não têm fronteiras e se movem no mundo em função do saque dos recursos dos povos. A ONU lançou um alarme sobre a soberania alimentar. De acordo com a FAO, todos os dias 35.000 crianças morrem de fome. Como se chama isso? Este é o desafio que devemos enfrentar. As grandes multinacionais trabalham na monocultura. Mas a natureza nunca criou monoculturas, mas diversidade para produzir o equilíbrio. Estão destruindo uma criação de Deus. Só semeando a semente da solidariedade e do trabalho se pode produzir a paz e a vida.

-Você é um rebelde de base cristã...

Sim, eu tenho uma base cristã, que para mim é fundamental. Minha fonte é o Evangelho. Eu cresci com os franciscanos. E sigo muito essa espiritualidade, assim como a de Charles de Foucauld.

-Frequentemente se diz que a Igreja sempre está com o poder. Você concorda com essa afirmação?

Não, não a Igreja, mas a hierarquia, e também não toda. Olhe as paredes deste escritório... Ali está Evaristo Arns, arcebispo [emérito] de São Paulo. Aqui está a foto de Mons. Enrique Angelelli, um mártir, assassinado pela ditadura militar argentina. Pensemos em uma figura como Mons. Óscar Romero...
Eu sou um homem de meditação e oração. Para mim, a ação deve ter um fundo transcendente. Há valores e princípios. Todas as pessoas são irmãos ou irmãs, mesmo que sejam meus inimigos. Quando se diz “ama também o teu inimigo”, o que se está dizendo? Não fazer mal a ele, mas tratar de transformar o coração dele.
Eu sou um sobrevivente e a única coisa que me sustentou naqueles momentos foi a fé. Quando, depois de 32 dias em um calabouço imundo (porque não entrava nem luz nem nada), abriram a porta, vi escrito na parede o que um prisioneiro anterior havia escrito com seu próprio sangue: “Deus não mata”. Este é um testemunho de profunda fé.

-Como foi sua prisão durante a ditadura?

Estive 14 meses preso e depois em liberdade vigiada. No dia 5 de maio de 1977 me prenderam [em Buenos Aires] e, algemado, me colocaram em um avião da morte que voou algumas horas sobre o Rio da Prata e o mar. Por fim, decidiram não me jogar por causa das fortes pressões internacionais. Devo agradecer a Deus por ainda estar aqui para trabalhar e dar testemunho. Como não se pode ter fé? Para mim a fé é vida.

-Apesar de tudo, você fala sempre de esperança.

Porque, apesar de tudo, temos a capacidade de transformar a realidade. E esta é a esperança.
Como presidente da Academia Internacional de Ciências Ambientais de Veneza, o que pensar da recente Conferência Internacional sobre Mudanças Climáticas de Copenhague?
Creio que a única coisa que se obteve em Copenhague foi que não se aprovou nada. Compreendeu-se que é uma guerra entre os países pobres ou empobrecidos e os países ricos, que querem se apropriar dos recursos e que por isto metem os exércitos, as forças multinacionais, a Organização Mundial do Comércio, o Fundo Monetário Internacional, o Banco Mundial... Isto é trágico.
Através da Academia de Ciências Ambientais de Veneza, da qual sou presidente, propusemos a constituição do Tribunal Penal Internacional para o Meio Ambiente e um Observatório Internacional do comportamento ambiental das empresas multinacionais que são as principais responsáveis pela destruição do meio ambiente. Pense nas empresas mineradoras e nas de soja. Pense nas empresas poluidoras do Norte que são enviadas à América Latina, Ásia e África. São as multinacionais que se apropriam das sementes e se um camponês quiser usá-las é acusado de criminoso.

-E aqui, onde vê esperança?

Por exemplo, no movimento de camponeses sem terra da América Latina, que também está se difundindo pela África e Ásia, tratando desta maneira de estabelecer vínculos Sul-Sul. Estes camponeses querem a terra para trabalhá-la, não para explorá-la; para produzir vida, não morte. Ao contrário das multinacionais, que estão destruindo para ganhar mais em pouco tempo. Outra coisa em que é preciso prestar muita atenção é o movimento dos indígenas, que estão recuperando a memória [coletiva] e a língua e que estão se organizando. Outro elemento importante são os movimentos das mulheres, que estão avançando em todos os campos com sua sensibilidade, com seu modo de pensar diferente.

terça-feira, 11 de maio de 2010

La Esmeralda: “Nem tão dama nem tão branca”



(Regata Bicentenária: Velas América do Sul 2010)

Por: Daniel Retamal M(*)
Data da publicação: 11/05/10
Fonte: Aporrea.org

O Navio insígnia da Marinha chilena “Esmeralda” mais conhecido como “Dama Branca” é o segundo maior veleiro do mundo, e no âmbito da comemoração do Bicentenário da Declaração de Independência de alguns países da América, está percorrendo, junto com outros 10 veleiros latinoamericanos (Argentina, Brasil, Colômbia, Equador, Estados Unidos, México, Peru, República Dominicana, Uruguai e Venezuela) e três europeus (Espanha, Holanda e Portugal), os principais portos do nosso continente na chamada “Regata Bicentenário: Velas América do Sul 2010", com previsão para ancorar no porto de La Guaira, no próximo dia 29 de maio.

O golpe de Estado perpetrado pelo imperialismo norteamericano contra o governo constitucional do Presidente Salvador Allende também alterou a rota do tão emblemático representante naval.

A partir do golpe de Estado, o navio-escola “Esmeralda”, centro de formação para os jovens futuros oficiais da Marinha do Chile, foi transformado em um símbolo de impunidade.

Após o golpe de Estado de 11 de setembro de 1973, no porto de Valparaíso, a Marinha utilizou como locais de detenção, interrogatório e tortura os navios “Lebu”, “Maipo” e o navio-escola “Esmeralda”. De acordo com os registros fornecidos à “Comissão contra a Tortura” da Quinta Região (Valparaíso), pelo o navio-escola “Esmeralda” passaram cerca de 500 presos políticos, mil pelo “Maipo” e quatro mil pelo “Lebu”, navio cedido pela Companhia Sul-Americana de Vapores (empresa de propriedade do falecido empresário Ricardo Claro).

O macabro papel desempenhado pelo navio-escola “Esmeralda”, como centro de detenção e tortura no porto de Valparaíso, foi claramente demonstrado pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA (Relatório 24/OCT/74), a Anistia Internacional (Relatório AMR 22/32/80), o Senado dos EUA (Resolução 361-16/JUN/86) e o Relatório da Comissão Nacional da Verdade e Reconciliação do Chile (Terceira Parte, Seção 2 f.2).

Os testemunhos de que o navio-escola “Esmeralda”, foi efetivamente utilizado como uma câmara de tortura flutuante são múltiplos e coincidentes. Entre eles, destacam-se o do advogado chileno Luis Vega, que reside em Israel, o do ex-funcionário do Instituto Nacional do Desenvolvimento Agropecuário, Claudio Correa, que reside na Inglaterra, e o do professor universitário e ex-prefeito de Valparaíso, Sergio Vuscovic, que atualmente vive no Chile.

De acordo com o relatório da Comissão Nacional da Verdade e Reconciliação (Relatório Rettig), no caso do navio-escola “Esmeralda”, as investigações permitiram comprovar que uma unidade especializada da Marinha foi instalada nele, a fim de interrogar os detidos que se encontravam no navio e os que eram trazidos de outros locais de reclusão. Os métodos de “persuasão” utilizados nestes interrogatórios incluíam maus tratos e tortura.

Embora o número de prisioneiros a bordo do navio-escola “Esmeralda” varie de acordo com os testemunhos, como eles eram transferidos de um navio para outro, à medida que iam sendo interrogados, mas, segundo indicado pelo Senado dos EUA em 1986, nas dependências do “navio-escola” chegou a ter 112, entre os quais, segundo evidências disponíveis, em determinado momento houve umas 40 mulheres prisioneiras que foram submetidos a todos os tipos de abuso, tortura, humilhações e estupro.

Entre as centenas de detidos destaca-se o que aconteceu com o jovem sacerdote chileno/britânico, Miguel Woodward, profundamente comprometido com a Igreja dos pobres através da Teologia da Libertação.

Em 16 de setembro de 1973, Woodward foi detido e, segundo testemunhos recolhidos no processo judicial aberto em 2002, foi brutalmente torturado nas instalações deste navio até que seus órgãos internos arrebentaram. Seis dias depois de sua prisão foi visto agonizando no convés.
O caso do padre Woodward está devidamente incluído nas investigações do juiz espanhol Baltasar Garzón da Audiência Nacional da Espanha, Sumário 19/97-J, contra Augusto Pinochet e outros, pelos delitos de genocídio e terrorismo internacional, conspiração para assassinato, seqüestro, tortura e desaparecimentos (datado de 03/Nov/98, Antecedente Décimo).

Os restos mortais de Woodward nunca foram entregues e, em 25 de setembro, foi sepultado pela própria Marinha em uma vala comum sobre a qual, posteriormente, foi construída uma estrada, e à sua família entregou-se um Atestado de Óbito, no qual consta como causa da morte “parada cardíaca”.

Após esses dias, o Padre Woodward, passou a engrossar a longa lista de Prisioneiros Desaparecidos do Chile.

A situação da Marinha chilena, em matéria de Direitos Humanos é mais grave do que nas outras instituições militares, é a única que se recusou a fazer um reconhecimento oficial dos crimes de lesa-humanidade cometidos, citando como argumento as responsabilidades individuais, omitindo a estrita hierarquia de comando, o que torna impossível a aplicação em massa da tortura e do assassinato de prisioneiros sem conhecimento dos superiores. Não esqueçamos que a Marinha do Chile encabeçou a insurreição fascista de 1973.

E, no ano do Bicentenário, é particularmente relevante a denúncia sobre a presença no Comitê Organizador da “Regata Internacional Bicentenária: Velas América do Sul 2010”, do ex-tenente da Marinha, engenheiro eletrônico e empresário, Santiago Lorca González, reconhecido torturador, como assessor do presidente (para o Chile), de tal Comitê, Contra-almirante José Miguel Romero.

Consultado pela Efe no início de janeiro, Lorca González disse: “Eu sou o presidente internacional do comitê organizador da toda a Regata e um almirante chileno na ativa (José Miguel Romero) preside o Comitê da Regata especificamente para o Chile”.

No dia 02 de dezembro de 2009, a Marinha do Chile suspendeu a cerimônia de apresentação da “Regata Internacional Bicentenária: Velas América do Sul 2010”, após a detenção de vários oficiais na reserva que foram processados por torturas cometidos em 1973.

A cerimônia, conduzida pelo ministro da Defesa, e para a qual foram convidados os embaixadores dos países participantes da regata, seria celebrada no navio-escola “Esmeralda”, onde se praticaram as torturas cometidas pelos oficiais da reserva detidos.

Poucas horas antes da cerimônia, que se realizaria no porto de Valparaíso, a juíza Eliana Quezada notificou a sentença aos imputados, que foram presos.

Entre eles figuram dois vice-almirantes da reserva, um capitão-de-fragata e sete suboficiais da Marinha, além de um coronel e um suboficial dos Carabineiros, ambos aposentados.

O ex-tenente Lorca Gonzalez enfrenta uma acusação de tortura apresentada por ex-marinheiros que se opuseram ao golpe de Estado em 1973, e que foram acusados de tentar se apoderar de navios para tentar resistir ao golpe de Estado em um plano elaborado, de acordo com a Marinha, pelos secretários-gerais do MIR, Miguel Enríquez; do PS, Carlos Altamirano; e do MAPU, Oscar Guillermo Garretón, e que finalmente se provou ser falsa.

O navio-escola “Esmeralda”, além de ser um navio da morte e da tortura é um símbolo de crimes sinistros cometidos contra seres humanos pelo simples “delito” de pensar diferente e em suas visitas a diferentes portos do mundo nunca será bem-vindo enquanto a Marinha do Chile não reconheça o uso criminoso que foi feito da embarcação.

Para o defensor dos Direitos Humanos e Prêmio Nobel Alternativo da Paz, o Acadêmico paraguaio Martín Almada, que descobriu os arquivos da “Operação Condor” coordenada pelas ditaduras da América do Sul e pela CIA entre 1970 e 1980, esta navio que foi usado como centro de torturas durante a ditadura de Augusto Pinochet, deve ser transformado em uma “Universidade Flutuante dos Direitos Humanos”.

E como diz Patrícia Woodward, irmã do religioso assassinado, “não pode ser que este navio continue a representar o Chile internacionalmente”.

Neste ano de comemoração Bicentenária, dizemos aos nossos irmãos da América Latina e Caribe que quando visitem o navio chileno e pisem naquele convés, relembrem o que disse o nosso Pablo Neruda:

“Ainda que os passos toquem mil anos este lugar,
não apagarão o sangue dos mil que aqui caíram”.

VERDADE E JUSTIÇA: NADA MAIS, MAS NADA MENOS!!

Caracas, maio de 2010.

(*) Chilenos antifascistas na Venezuela

chilenosantifascistasvzla@gmail.com

Pobreza só será vencida quando combate à fome for prioridade na agenda política

O presidente Lula disse que o combate à pobreza só será bem sucedido, se houver decisão política de priorizá-lo na elaboração do orçamento de cada país. “Se a gente espera sobrar dinheiro do orçamento para cuidar da fome, nunca vai sobrar, porque os que têm acesso ao orçamento são gananciosos e querem todo o dinheiro para eles de não fica nada para os pobres”.

Para Lula, “se os dirigentes políticos do mundo não estiverem, cotidianamente, comprometidos com as pessoas que estão em pior situação, fica mais difícil tomar decisão em beneficio dos mais pobres”. “Somos eleitos pelos mais pobres”, afirmou o presidente, “mas quando ganhamos as eleições, quem tem acesso aos gabinetes dos dirigentes não são os mais pobres – são os mais ricos”.

Lula criticou a postura daquele tipo de político que, em eleições, diz defender pobres, mas que, uma vez eleito, esquece deles. “O problema é que, na hora de governar, o pobre sai da agenda e o rico entra – eles que determinam a politica que tem que fazer”, disse.

As declarações foram feitas na abertura da reunião Diálogo Brasil-África sobre Segurança Alimentar, Combate à Fome e Desenvolvimento Rural, no Palácio do Itamaraty, da qual participam representantes dos países africanos, ministros e especialistas. O encontro vai debater alternativas para promover a agricultura, a segurança alimentar e o desenvolvimento rural, de modo a intensificar a cooperação entre o Brasil e os países africanos.

No discurso, Lula disse que os dirigentes políticos precisam definir a segurança alimentar como questão de soberania dos povos. “Se um país tiver a arma mais poderosa e não tiver a comida de cada dia do seu povo plantada em seu território ou comprada fora, esse país não tem soberania.”

“Precisamos garantir o café da manhã, o almoço e a janta porque quem tem fome não pensa. A dor no estomago é maior do que muita gente imagina, e a pessoa que tem fome não vira revolucionário, vira submisso, pedinte, dependente. A fome não faz o guerreiro que gostaríamos que fizesse. A fome faz um ser humano subserviente e humilhado, sem força para brigar contra seus algozes, que são responsáveis pela fome”.

O presidente defendeu ainda o fortalecimento da relação do Brasil com países do hemisfério Sul e a necessidade de apoiar o desenvolvimento da África. “O século XXI tem de ser o século do renascimento africano”. Também agradeceu o prêmio Campeão do Mundo na Batalha Contra a Fome, que recebeu do Programa Alimentar Mundial (PAM), vinculado às Nações Unidas.

Reflexões do companheiro Fidel A tirania odiosa imposta ao mundo

(Extraído de CubaDebate)

NOSSA época é caracterizada por um fato que não tem precedentes: a ameaça à sobrevivência da espécie humana imposta pelo imperialismo ao mundo.

A dolorosa realidade não deveria surpreender ninguém. Aproximava-se a passos acelerados nas últimas décadas, a um ritmo difícil de imaginar.

Isso significa que Obama é responsável ou promotor dessa ameaça? Não! Demonstra simplesmente que ignora a realidade e não deseja nem poderia ultrapassá-la. Ou melhor, sonha coisas irreais em um mundo irreal. “Idéias sem palavras, palavras sem sentido”, como expressou um poeta brilhante.

Ainda que o escritor norte-americano Gay Talese, considerado um dos principais representantes do novo jornalismo garantisse, em 5 de maio –segundo informa uma agência de notícias européia– que Barack Obama encarnava a melhor história dos Estados Unidos no último século, no que poderíamos concordar em alguns aspectos, em nada altera a realidade objetiva do destino humano.

Geram-se acontecimentos como o desastre ecológico que acaba de se produzir no Golfo do México, que demonstram quão pouco podem os governos contra aqueles que controlam o capital, que tanto nos Estados Unidos como na Europa são, através da economia em nosso planeta globalizado, os que decidem o destino dos povos. Tomemos como exemplo as medidas que partem do próprio Congresso dos Estados Unidos, publicadas pela mídia mais influente desse país e da Europa, tal como foram divulgadas na internet, sem alterar uma palavra.

“Rádio e TV Martí mentem ao difundir informações sem fundamento, reconhece um relatório da Comissão das Relações Exteriores do Senado norte-americano que recomenda que ambas as estações sejam retiradas definitivamente de Miami e relocalizadas em Washington para se integrarem ‘plenamente’ ao aparelho de propaganda da Voz da América.

“Além de enganar o público” […] “ambas as emissoras usam ‘uma linguagem ofensiva e incendiária’ que as desqualifica.

“Após 18 anos Rádio e TV Martí falharam ‘em penetrar de maneira sensível na sociedade cubana ou influenciar o governo cubano’…”

“O relatório divulgado nesta segunda-feira recomenda fundir o Escritório de Transmissões para Cuba (OCB) – por suas siglas em inglês – com a Voz da América, a rádio oficial de propaganda do governo dos Estados Unidos.

“‘Problemas com o respeito das normas jornalísticas tradicionais, uma audiência minúscula, interferências radiais por parte do Governo cubano, e alegações de nepotismo e compadrio afetaram o programa desde o começo’, reconhece a Comissão presidida pelo Senador democrata John Kerry.”

“O comitê recomenda tirar urgentemente ambas as estações de Miami, sublinhando a necessidade de contratar de maneira mais equilibrada o pessoal para conseguir um ‘produto’ despolitizado e profissional, valoram os senadores.

“O relatório Kerry faz referência a Alberto Mascaró, sobrinho da esposa de Pedro Roig, diretor-geral da Rádio e TV Martí, que foi contratado – graças a seu parente– como diretor do serviço latino-americano da Voz da América.

“O documento assinala pormenorizadamente que em fevereiro de 2007, o ex-diretor da programação de TV Martí, ‘juntamente com um parente de um membro do Congresso’ confessou sua culpabilidade em uma corte federal, por ter recebido aproximadamente US$ 112 000 em comissões ilegais de parte de um empreiteiro da OCB. O ex-empregado da OCB foi sentenciado a 27 meses no cárcere e a pagar uma multa de US$ 5.000, por ter se apoderado de ‘50 por cento de todo o dinheiro pago pela TV Martí para a produção de programas pela firma Perfect Image’.”

Até aqui o artigo de Jean Guy Allard, publicado no site da Telesur.

Outro artigo, dos professores norte-americanos Paul Drain e Michele Barry, da Universidade de Stanford (Califórnia), reproduzido no síte Rebelião, informa:

“O bloqueio comercial norte-americano contra Cuba, promulgado depois que a revolução de Fidel Castro derrubasse o regime de Batista, alcança seus 50 anos em 2010. Seu objetivo explícito consistiu em ajudar o povo cubano a alcançar a democracia, mas um relatório de 2009 do Senado dos EEUU concluiu que ‘o bloqueio unilateral contra Cuba fracassou’.”

“…Apesar do bloqueio, Cuba obteve melhores avanços sanitários do que a maior parte dos países latino-americanos, comparáveis aos da maioria dos países desenvolvidos. Cuba tem a esperança média de vida mais alta (78,6 anos) e a maior densidade de médicos per capita, 59 médicos por 10.000 habitantes, bem como as taxas mais baixas de mortalidade em menores de um ano (5,0 em cada 1.000 crianças nascidas vivas), e de mortalidade infantil (7,0 a cada 1.000 crianças nascidas vivas) entre os 33 países latino-americanos e do Caribe.

“Em 2006, o governo cubano destinou US$ 355 per capita para a saúde” […] “O custo sanitário anual destinado a um cidadão dos EEUU foi nesse mesmo ano de 6 714 dólares […] Cuba também destinou menos fundos para a saúde do que a maioria dos países europeus. Porém, os baixos custos em cuidados sanitários não explicam os sucessos de Cuba, que poderiam ser atribuídos ao maior esforço na prevenção da doenças e aos cuidados sanitários primários que a Ilha esteve cultivando durante o bloqueio comercial norte-americano.

“Cuba possui um dos sistemas de cuidados sanitários primários preventivos mais avançados do mundo. Mediante a educação da população na prevenção da doença e na promoção da saúde, os cubanos dependem menos dos produtos médicos para manter sadia a população. O contrário acontece nos EUA, que dependem enormemente de provisões médicas e tecnologias para manter sadia a população, mas a um custo econômico bem elevado.”

“Cuba tem as taxas mais altas do mundo de vacinação e de partos atendidos por trabalhadores sanitários experientes. Os cuidados assistenciais dispensados nos consultórios, nas policlínicas e nos maiores hospitais regionais e nacionais são gratuitos para os pacientes…”

“Em março de 2010, o Congresso dos Estados Unidos da América apresentou um projeto de lei para fortalecer sistemas sanitários e alargar o envio de trabalhadores sanitários experientes a países em vias de desenvolvimento” […] “Cuba também continua enviando médicos a trabalhar em alguns dos países mais pobres do planeta, uma prática que se iniciou em 1961.”

“Na frente norte-americana interior, dado o recente impulso de apóio a uma reforma sanitária, existem oportunidades para aprender de Cuba válidas lições sobre como desenvolver um sistema sanitário verdadeiramente universal, que ponha ênfase nos cuidados primários. A adoção de algumas das políticas sanitárias mais bem-sucedidas de Cuba poderia ser o primeiro passo rumo a uma normalização das relações. O Congresso poderia encarregar o Instituto de Medicina que estudasse os sucessos do sistema sanitário cubano e a forma de iniciar uma nova era de cooperação entre os cientistas norte-americanos e cubanos.”

Por sua vez, o portal de notícias Tribuna Latina publicou recentemente um artigo sobre a nova Lei de Imigração em Arizona:

“Em conformidade com uma sondagem que publicam a cadeia CBS e o jornal ‘The New York Times’, 51% considera que a lei é o enfoque adequado relativamente à imigração enquanto 9% considera que se deveria ir ainda mais longe nesta matéria. Frente a eles, 36% considera que no Arizona foi-se ‘longe demais’.”

“…dois em cada três republicanos apóiam a medida” […] “ao passo que apenas 38% dos democratas se mostra em favor da lei…”

“Por outro lado, um em cada dois reconhece que é ‘bem provável’ que em conseqüência desta norma sejam apreendidas ‘pessoas de determinados grupos raciais ou étnicos com mais freqüência do que outras’ e 78% reconhece que suporá maior carga para a polícia.

“Ainda, 70% considera provável que em conseqüência desta medida se reduzirá o número de residentes ilegais e a chegada de novos imigrantes ao país…”

Quinta-feira 6 de maio de 2010, sob a manchete “Arizona: Um morto pela fome com presunções”, foi publicado um artigo da jornalista Vicky Peláez na Argenpress, que começa recordando uma frase de Franklin D. Roosevelt: “Lembre-se, lembre-se sempre, que todos nós somos descendentes de imigrantes e revolucionários.”

É um documento tão bem elaborado que não quero concluir esta Reflexão sem inclui-lo.

“As marchas multitudinárias deste 1 de maio, em repúdio à nefasta lei antiimigrante aprovada no Arizona, estremeceram toda a América do Norte. Ao mesmo tempo, milhares de estadunidenses, políticos, juristas, artistas, organizações cívicas exigiram do governo federal declarar inconstitucional a lei SB1070 que tem semelhança com leis da Alemanha nazista ou da África do Sul, nos tempos do apartheid.

“Contudo, apesar da forte pressão contra a nefasta lei, nem o governo, nem 70 por cento dos habitantes desse Estado não querem aceitar a gravidade da situação que criaram para usar os indocumentados como culpados da severa crise econômica que estão atravessando. Entretanto, pedem dinheiro a Barack Obama para pagar 15 mil polícias, estão radicalizando sua política racista. A governadora Jan Brewer declarou que ‘a imigração ilegal implica o aumento do crime e o surgimento do terrorismo no Estado’.

“Igualar os indocumentados aos terroristas, autorizar a polícia a disparar contra pessoas só pela cor da pele, por sua vestimenta, pelo que levam nas mãos ou até pelaa forma de caminhar. Sem dúvida alguma, afetará também os 280,000 americanos nativos que vivem marginalizados e na extrema pobreza como a outras minorias, além dos hispânicos, que encontraram refúgio e trabalho nesta zona árida dos EE.UU.

“Seguindo o republicano, Pat Buchanan que diz: ‘Os Estados Unidos devem tornar mais forte a cruzada pela libertação da América do Norte das hordas bárbaras de esfomeados estrangeiros portadores de doenças exóticas’, a governadora Brewer, depois de arremeter contra jornaleiros indocumentados, operários da construção, empregadas domésticas, jardineiros, trabalhadores de limpeza, dirigiu a campanha contra os professores de origem hispânica.

“Conforme seu novo decreto, os professores com sotaque marcado não poderão ensinar nas escolas. Mas ali não conclui sua cruzada porque a ‘limpeza étnica’ em todos os tempos históricos sempre foi acompanhada da ideologia. A partir de agora os ‘estudos e projetos étnicos’ ficam abolidos nas escolas. Também proíbem o ensino de temas que possam promover ressentimento para com uma raça ou classe social. Isto implica politizar o conhecimento, convertendo os mitos criados pelo sistema norte-americano em realidade. Também significa desterrar os pensadores mais respeitados nos EUA, como Alexis de Tocqueville, o qual dizia, em 1835, que ‘o lugar onde um anglo-americano coloca sua bota fica para sempre como seu. A província de Texas ainda pertence aos mexicanos, mas dentro em breve não haverá um mexicano ali. E assim acontecerá com qualquer outro lugar’.”

“A única consciência dos racistas é o ódio e única arma para vencê-lo é a solidariedade dos homens. Este estado já foi vencido quando se negou a dar feriado o dia de Martín Luther King, o boicote foi sólido e contundente...”

Fidel Castro Ruz

7 de maio de 2010

domingo, 9 de maio de 2010

CHÁVEZ DENUNCIA MANIPULAÇÃO NA CAMPANHA DE SANTOS

Chávez reiterou sua preocupação se o candidato colombiano, Juan Manuel Santos, chegue à presidência, e afirmou que este iria se tornar uma ameaça não só para a Venezuela, mas para toda a região.

TeleSUR:


O presidente venezuelano, Hugo Chávez, denunciou nesta sexta-feira que existe na campanha do candidato do partido governista da Colômbia, Juan Manuel Santos, uma manipulação da mediática que usa a sua figura para assustar o povo.

“Começaram novamente a usar a minha figura, a de Fidel, também a de Correa, para tentar de incutir o medo ao povo colombiano e esse foi Santos”, denunciou Chávez.

O presidente explicou que através de outdoors tenta-se “prejudicar um setor e incutir o medo no povo da Colômbia”.

“Eles estão pedindo para votar para Santos, me atacando”, insistiu o líder venezuelano.

Chávez reiterou que “se o Sr. Santos for, infelizmente, eleito presidente da Colômbia, bem isso se transforma numa ameaça não só para a Venezuela mas para a metade de um continente”.

"O que nós fizemos agora com o atual governo da Colômbia é manter distância, reduzir o comércio, com um governo que, praticamente, se declarou inimigo da Venezuela”, acrescentou.

Por outro lado, denunciou que o candidato Juan Manuel Santos, ex-ministro da Defesa, “foi quem negociou as bases” militares dos EUA instaladas na Colômbia, ação que desencadeou tensões entre os dois governos desde agosto de 2009.

“Este cavalheiro na verdade é um mafioso”, disse ele sobre Santos.

“Fui o primeiro a desejar que na Colômbia haja um governo decente, que seja uma pessoa com a que se possa falar”, disse Chávez depois de afirmar que essa pessoa pode ser qualquer uma “menos o Sr. Santos”.

Também advertiu que: “Se Santos é o presidente, com maior razão nos teremos que fechar o comércio com a Colômbia, quase inteiramente”.



Por fim, lembrou que na última Cimeira da Unidade da América Latina e do Caribe, realizada em Cancún, México, teve uma altercação com o atual presidente colombiano, Álvaro Uribe, o que levou a decisão dos participantes de criar um grupo de amigos para resolver as diferenças entre ambos os governos liderados pelo presidente da República Dominicana, Leonel Fernandez.

sábado, 8 de maio de 2010

Terrorismo de Estado em nome da paz



James Petras
Rebelion.org


A primeira vítima do terrorismo de Estado costuma ser a corrupção da linguagem, a invenção de eufemismos em que as palavras significam o oposto e os slogans encobrem delitos graves: Não existe mais o consenso universal para condenar crimes contra a humanidade. Isso ocorre porque os assassinatos e matanças em massa garantem a “confiança” dos investidores, pois se despoja os indígenas de suas terras para poder explorar os minérios. Trabalhadores das empresas de petróleo desaparecem para que petróleo jorre. E a imprensa especializa em economia internacional elogia o sucesso do Presidente na “pacificação do país”.

Quando os dirigentes da Europa e América do Norte abraçam narcopresidentes, parece que os criminosos se tornaram respeitáveis e as pessoas respeitáveis criminosas.
Mas em outros países outras vozes colocaram criminosos de guerra do passado e do presente no banco dos réus. Na Argentina, os generais responsáveis pelos desaparecimentos passam seus últimos anos de vida atrás das grades. Na Espanha, Dubai e em outros países expediram-se mandados de prisão para comandantes do exército israelense. Na Malásia, Tony Blair, cúmplice da guerra genocida de Bush no Iraque, deve escapar de ser preso pelos crimes de guerra cometidos. Colômbia, EUA e Israel, os epicentros de terrorismo de Estado, estão isolados na Assembléia Geral das Nações Unidas; condenados, mas ainda não submetidos a julgamento. Seus dias de impunidade estão chegando ao fim. As guerras intermináveis, a corrupção galopante e as fraudes financeiras em grande escala (a podridão interna), estão erodindo a fachada de seu poderio militar.

Revelar as mentiras que sustentam as máquinas de matar, os escritores e intelectuais desempenham um papel crucial para acelerar este processo. Vamos começar:


As mentiras da nossa época

A doutrina da segurança democrática (nem democrática, nem para a segurança pessoal):
A corrupção da linguagem acompanha a todos e cada um dos grandes crimes políticos. O conceito de “segurança da democracia” não é exceção. No contexto colombiano atual, assassinar os dirigentes dos movimentos sociais para garantir a reeleição de um partido político composto por assassinos políticos é democrático. "Segurança" é o eufemismo para fazer referência aos cemitérios clandestinos cheio de sepulturas sem lápide sob as quais há pessoas sem nome. “A liberdade dos meios de comunicação” existe quando proclamam solenemente outra “vitória militar importante...” A matança de camponeses desarmados que cultivavam suas terras.

Os economistas são “especialistas” quando anunciam que a economia está crescendo... E somente o povo sofre. Os políticos são “estadistas” quando afirmam ser “Um junto do povo...” Exceto com os quatro milhões de despossuídos à força e os 300.000 parentes dos mortos e desaparecidos; os mortos e os despossuídos ainda têm que suportar esse Um que afirma ser o tal “junto do povo”.

Quando o presidente afirma que a guerra é paz, que a militarização é segurança e que as desigualdades são justiça social, somente aqueles que não conseguem compreender estas Verdades Oficiais devem ter medo de que alguém bata em sua porta à meia-noite.


A definição oficial de terrorista

Trata-se de uma pessoa que não consegue entender que o caminho que conduz à paz passa pelo gasto de bilhões de dólares aviões de guerra, helicópteros de combate, bases militares e em contratar assessores militares e mercenários terceirizados.
Os inimigos das negociações de paz

Segundo o Presidente, esses grupos de defesa direitos humanos, que se opõem à matança de adversários e propõem o diálogo em vez de monólogos, são os inimigos de paz; somente os monólogos garantem que exista uma “verdade oficial”, e não outra.


O preço da prosperidade

Segundo o Presidente e o Fundo Monetário Internacional (FMI), a pobreza, o desemprego e os baixos salários são o preço da democracia e da prosperidade... Mas, somente os trabalhadores e os camponeses são os que pagam o preço e os ricos são os únicos que prosperam.


Uma nova definição Soberania

Segundo o presidente, a nova definição da soberania é a de ceder território a uma potência imperialista estrangeira para que instale sete bases militares que atuem segundo o seu próprio contexto legislativo e âmbito de competências. Soberania é equivalente a ocupação estrangeira.


A nova definição de subversão

Segundo o presidente, os acordos humanitários e as iniciativas de paz são pretextos para a subversão; seus defensores sabem de antemão que o Estado não os vai aceitar. Em vez disso, desumanizar o inimigo e os defensores da paz facilita o bombardeio de aldeias subversivas, os “autênticos” inimigos da paz.


Sobre elogios e condenação

O que diz o fato de que um presidente que todos os grupos e movimentos sociais, que defendem os direitos humanos, condenam, e que toda a imprensa econômica e as instituições militares elogiam?


Um presidente com recordes mundiais

Não há dúvida de que o Presidente Uribe vai entrar no Guinness Book of Records.
O Presidente tem o apoio de mais narcodeputados do que qualquer outro Presidente ou primeiro-ministro do mundo (incluindo o Afeganistão).

O Presidente é responsável pelo deslocamento de mais pessoas (quatro milhões de refugiados), no menor tempo (oito anos) do que qualquer outro Presidente do mundo. (desbancou a Israel que conseguiu isso em meio século).
O presidente autorizou a instalação de mais bases militares dos EUA que todos os presidentes latinoamericanos juntos. O Presidente é responsável pela morte de mais militantes e dirigentes sindicais (1.500) do que qualquer outro líder mundial. Para cada primeiro lugar na categoria morte e usurpação, o Presidente Uribe merece uma nova medalha, um prêmio Ignóbil.

Mas não está sozinho. Três presidentes dos EUA, tanto democratas como republicanos (Clinton, Bush e Obama) têm fornecido armamentos e centenas de assessores militares no valor de bilhões de dólares para financiar os 30.000 membros dos narcoesquadrões da morte e de 300 mil soldados, que desempenham um papel fundamental na obtenção dos “recordes mundiais” de Uribe.

Recordemos e castiguemos os crimes contra a humanidade, do passado e do presente, mas tomemos a frente na busca do diálogo entre aqueles que estão dispostos a mantê-lo, porque constituem uma maioria que acredita na paz através da justiça.

RCR

sexta-feira, 7 de maio de 2010

General del Río, chegou a hora de falar a verdade: “o Alemão”


Verdad Abierta
Fonte: Rebelion.org


Em depoimento diante dos fiscais da Unidade de Justiça e Paz realizada em Medellín, Fredy Rendón Herrera, vulgo “Alemão” (1), ex-chefe do Bloco Paramilitar Elmer Cárdenas, das Autodefesas Camponesas de Córdoba e Urabá (ACCU), disse que comunicou ao ex-general Rito Alejo del Rio que chegou a hora de falar a verdade e de expor as relações que os paramilitares tiveram na região de Urabá com diversos setores sociais, políticos e militares no tempo em que o general foi comandante da XVII Brigada.

“General, me parece que já é tempo de que o senhor diga a verdade. Num ato de franqueza e de amizade para com o General, o senhor já não tem mais como continuar escondendo a verdade que já é conhecida em partes”, disse “Alemão” na mensagem enviada ao ex-general através de um emissário de quem não foi divulgado o nome por razões de segurança nem a data dos acontecimentos.

No cruzamento de mensagens, de acordo com o relatado dado por ‘Alemão’, parece que este ex-general do Exército comunicou-lhe que certamente a ele também chegaria a hora de dizer a verdade, ao que o ex-paramilitar reagiu celebrando a decisão e mostrou-se esperançoso de que assim fosse, “em prol de que o país conheça a verdade”.

Rito Alejo del Río, que foi chamado por diversos setores sociais e políticos como o “pacificador de Urabá”, encontra-se detido desde 5 de setembro de 2008 e foi apontado de ser, supostamente, um dos apoios mais importantes do paramilitarismo na região de Urabá desde que comandou a Brigada XVII do Exército, entre 1995 e 1997, e que o ex-militar vem negando insistentemente.

Atualmente, o ex-oficial é investigado por supostos vínculos com grupos paramilitares e por supostas violações dos direitos humanos cometidas no decorrer da Operação Gênesis, realizada entre 24 e 28 de fevereiro de 1997, no departamento de Chocó.

O detalhe das mensagens foi revelado por Rendón Herrera durante uma sessão coletiva de depoimentos realizada na semana passada, em Medellín, diante de um agente da Unidade Nacional de Justiça e Paz na qual também participaram os ex-paramilitares Julio Cesar Arce Graciano, Manuel Soto Salcedo, Diego Luis Hinestroza y Luis Muentes Mendoza, que fizeram parte da chamada Operação Cacarica, realizada em fevereiro de 1997, no departamento de Chocó, justamente nos mesmos dias em que o Exército realizava a Operação Gênesis.

De acordo com o relatado pelo ex-paramilitar, a mensagem enviada ao ex-general destacou as bondades da lei 975, conhecida como Lei de Justiça e Paz, e a classificou como “perfeita”, mas acrescentou que estava chegando a um estado em que as relações que tiveram os grupos paramilitares que operavam no Urabá antioquenho com funcionários da Força Pública, assim como com setores sociais, políticos e empresariais, teriam que vir a público.

Na sua intervenção, o ex-paramilitar destacou que entre o ex-general e ele existia uma amizade e apreço mútuo, o que fez com que lhe enviasse a referida mensagem.

O “Alemão” relatou, em diversas versões, diante dos promotores da Unidade de Justiça de Paz que conheceu o general Rito Alejo Del Rio através de Mauricio García, vulgo “Doblecero” (Duplo zero), um ex-oficial do Exército que se integrou às ACCU em meados da década de noventa e que liderou o Bloco Metro. Raúl Hasbún Mendoza, ex-chefe da frente Arlex Hurtado, das AUC (Autodefesas Unidas da Colômbia), que está pleiteando a aplicação em seu caso da Lei de Justiça e Paz, também compareceu à guarnição militar.

Tampouco é a primeira vez que Rendón Herrera envolve o general em atividades conjuntas de contrainsurgência.

Em depoimentos dados no fim do ano passado, o “Alemão” esclareceu que na Operação Gênesis, realizada entre 24 e 28 de fevereiro de 1997, foram incluídos doze guias paramilitares, todos integrantes do Bloco Chocó, com o objetivo de atacar posições de vários destacamentos da Frente 57, das FARC-EP, assentadas nesses territórios. A ordem de incluir os guias veio do chefe paramilitar Carlos Castaño Gil e foi autorizada pelo general Rito Alejo Del Rio.

O pedido feito por Rendón Herrera ao ex-general e a resposta que este deu, ao que parece positiva, contrasta com a defesa do alto oficial feita publicamente por diversas personalidades do país, que têm demonstrado gratidão em diversas ocasiões.

A mais conhecida ocorreu em 29 de abril de 1999, no Hotel Tequendama, em Bogotá, na qual participaram cerca de 1.500 pessoas, quando se fez uma homenagem a ele em resposta à sua destituição por decisão do então presidente Andrés Pastrana.
O ex-oficial foi chamado a prestar declarações quando desempenhava o cargo de comandante da Brigada XIII de Bogotá, para onde foi transferido no dia 16 de dezembro de 1997, justamente como prêmio por seus serviços em Urabá.

Durante a homenagem, o então governador de Antioquia, Álvaro Uribe Vélez, disse que: “ninguém melhor do que o general del Rio compreendeu que, para Urabá, havia chegado a hora da paz, do Estado, da Cidadania e da fé que avançou notadamente”. Uribe ainda relembrou que, ao intervir na sub-região de Urabá como governador de Antioquia, “em todas as partes estava presente o acompanhamento discreto e eficaz do General”; e, por último, o qualificou como “um bom exemplo para os soldados e policiais da Colômbia”.

Familiares das vitimas e advogados que as representam e que estiveram presentes nas audiências, tanto em Medellín como em Turbo e Riosucio (Chocó), esperam que nos próximos depoimentos para os procuradores da Unidade de Justiça e Paz, “Alemão” cumpra o prometido e conte ao país quem foram os que estiveram por trás do projeto paramilitar que se desenvolveu em Urabá antioquenho e que o ex-general Rito Alejo del Rio faça sua parte e comece a falar, para poder estabelecer as responsabilidades jurídicas daqueles que hoje estão nas sombras e respondam perante a justiça por sua cumplicidade nas centenas de crimes que foram cometidos nessa região de Antioquia.

NOTAS DE REBELION:

(1) A Corte Suprema de Justiça, acaba de negar a extradição de Fredy Rendón Herrera, vulgo ‘O Alemão’, um chefe paramilitar detido, mantendo assim sua nova linha na qual diz que rechaça a entrega aos EUA de prisioneiros envolvidos com o narcotráfico e prioriza os crimes de lesa-humanidade cometidos na Colômbia.
A Promotoria colombiana imputou a Rendón, de 36 anos, por homicídio, sequestro, tortura, recrutamento de menores de idade, porte ilegal de armas, munições e uniformes de uso exclusivo das forças armadas em, pelo menos, 11 diferentes crimes que deixaram mais de 400 vitima, entre mortos e pessoas deslocadas.
“O Alemão” e seu irmão, o chefe narcoparamilitar Daniel Rendón Herrera, vulgo “Dom Mario”, também detido, desmobilizaram-se em 2006 como parte de um processo de negociação iniciado pelo governo do presidente Álvaro Uribe com os grupos paramilitares.

(2) Ver: "Alguns crimes do General Rito Alejo del Río" pela Rede de Defensores de Direitos Humanos não institucionalizados.

(3) Ver: "Doze paramilitares foram guias do Exército na Operação Gênesis" http://www.verdadabierta.com/justicia-y-paz/2129-doce-paramilitares-fueron-guias-del-ejercito-en-la-operacion-genesis

O potencial de destruição do fascismo financeiro

Um exemplo para entender esta nova forma de socialbilidade fascista é a resposta do corretor da bolsa de valores quando lhe perguntaram o que era para ele o longo prazo: “longo prazo para mim são os próximos dez minutos”. Este espaço-tempo virtualmente instantâneo e global, combinado com a lógica de lucro especulativa que o sustenta, confere um imenso poder discricionário ao capital financeiro, praticamente incontrolável apesar de suficientemente poderoso para abalar, em segundos, a economia real ou a estabilidade política de qualquer país.

O artigo é de Boaventura Sousa Santos.

Há doze anos publiquei, a convite do Dr. Mário Soares, um pequeno texto
(Reinventar a Democracia) que, pela sua extrema atualidade, não resisto à
tentação de evocar aqui. Nele considero eu que um dos sinais da crise da
democracia é a emergência do fascismo social. Não se trata do regresso ao
fascismo do século passado. Não se trata de um regime político mas antes de um regime social. Em vez de sacrificar a democracia às exigências do
capitalismo, promove uma versão empobrecida de democracia que torna
desnecessário e mesmo inconveniente o sacrifício. Trata-se, pois, de um
fascismo pluralista e, por isso, de uma forma de fascismo que nunca existiu.

Identificava então cinco formas de sociabilidade fascista, uma das quais era o fascismo financeiro. E sobre este dizia o seguinte:

O fascismo financeiro é talvez o mais virulento. Comanda os mercados
financeiros de valores e de moedas, a especulação financeira global, um
conjunto hoje designado por economia de casino. Esta forma de fascismo social é a mais pluralista na medida em que os movimentos financeiros são o produto de decisões de investidores individuais ou institucionais espalhados por todo o mundo e, aliás, sem nada em comum senão o desejo de rentabilizar os seus valores. Por ser o fascismo mais pluralista é também o mais agressivo porque o seu espaço-tempo é o mais refratário a qualquer intervenção democrática.

Significativa, a este respeito, é a resposta do corretor da bolsa de valores
quando lhe perguntaram o que era para ele o longo prazo: “longo prazo para mim são os próximos dez minutos”. Este espaço-tempo virtualmente instantâneo e global, combinado com a lógica de lucro especulativa que o sustenta, confere um imenso poder discricionário ao capital financeiro, praticamente incontrolável apesar de suficientemente poderoso para abalar, em segundos, a economia real ou a estabilidade política de qualquer país.

A virulência do fascismo financeiro reside em que ele, sendo de todos o
mais internacional, está a servir de modelo a instituições de regulação global crescentemente importantes apesar de pouco conhecidas do público. Entre elas, as empresas de rating, as empresas internacionalmente acreditadas para avaliar a situação financeira dos Estados e os consequentes riscos e oportunidades que eles oferecem aos investidores internacionais. As notas atribuídas – que vão de AAA a D – são determinantes para as condições em que um país ou uma empresa de um país pode aceder ao crédito internacional. Quanto mais alta a nota, melhores as condições. Estas empresas têm um poder extraordinário.

Segundo o colunista do New York Times, Thomas Friedman, «o mundo do pós-guerra fria tem duas superpotências, os EUA e a agência Moody’s». Moody’s é uma dessas agências de rating, ao lado da Standard and Poor’s e Fitch Investors Services. Friedman justifica a sua afirmação acrescentando que «se é verdade que os EUA podem aniquilar um inimigo utilizando o seu arsenal militar, a agência de qualificação financeira Moody’s tem poder para estrangular financeiramente um país, atribuindo-lhe uma má nota».

Num momento em que os devedores públicos e privados entram numa
batalha mundial para atrair capitais, uma má nota pode significar o colapso
financeiro do país. Os critérios adotados pelas empresas de rating são em
grande medida arbitrários, reforçam as desigualdades no sistema mundial e dão origem a efeitos perversos: o simples rumor de uma próxima desqualificação pode provocar enorme convulsão no mercado de valores de um país. O poder discricionário destas empresas é tanto maior quanto lhes assiste a prerrogativa de atribuírem qualificações não solicitadas pelos países ou devedores visados. A virulência do fascismo financeiro reside no seu potencial de destruição, na sua capacidade para lançar no abismo da exclusão países pobres inteiros.

Escrevia isto a pensar nos países do chamado Terceiro Mundo. Não podia imaginar que o fosse recuperar a pensar em países da União Européia.


Com Agência Carta Maior

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Ahmadinejad diz que aceita mediação do Brasil para troca de combustível nuclear

O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, aceitou “em princípio” a mediação do Brasil para ressuscitar um acordo apoiado pela ONU para a troca de combustível nuclear com potências mundiais, informou a agência de notícias semioficial iraniana Fars nesta quarta-feira (5/5).

A página da presidência iraniana na internet afirmou que a notícia foi dada durante uma conversa telefônica entre Ahmadinejad e o presidente da Venezuela, Hugo Chávez.

O acordo prevê que o Irã envie seu urânio à França e Rússia, para que esses países se encarreguem de enriquecê-lo e posteriormente, utilizaria o combustível processado nos reatores iranianos. O objetivo, segundo as potências, seria o de evitar que o material se destine à fabricação de armas. O Irã nega a intenção de produzir armamento nuclear e diz que o enriquecimento de urânio tem fins pacíficos.

"Durante a conversa, Ahmadinejad anunciou que aceitava a proposta do presidente Lula e pediu para continuar em Teerã as conversas sobre aspectos técnicos", acrescentou a agência iraniana. A Fars não expôs, no entanto, os detalhes da suposta proposta de Lula, embora fontes do Brasil tenham apontado que para reduzir a desconfiança mútua, a troca nuclear poderia ocorrer em outro país, como na Turquia.

Leia também:
Entenda o processo de enriquecimento do urânio
Quem tem direito à soberania nuclear?, por Breno Altman
Lula: Não pode haver "países armados até os dentes e outros desarmados"

A ideia do acordo surgiu em negociações conduzidas em outubro do ano passado pelo órgão regulador de energia nuclear da ONU, que pedia que o Irã enviasse 1.200 quilos de seu urânio de baixo enriquecimento – o suficiente para a fabricação de uma bomba se enriquecido no patamar necessário – para França e Rússia, onde seria convertido em combustível para um reator de pesquisas em Teerã, que fabrica isótopos para o tratamento do câncer. As potências se recusaram a reescrever o acordo para atender as exigências iranianas.

Posição dos EUA
Os Estados Unidos pressionam o Conselho de Segurança da ONU para apoiar uma quarta rodada de sanções internacionais contra o Irã nas próximas semanas. O objetivo é levar o Irã a reduzir suas atividades de enriquecimento de urânio.

Alguns membros não-permanentes do Conselho de Segurança, como Brasil e Turquia, têm buscado ressuscitar o acordo de troca de combustível na tentativa de evitar a imposição de novas sanções à República Islâmica e pedem a reconstrução de um caminho de diálogo.

O Brasil afirma ser favorável a ressuscitar o compromisso pelo qual o Irã exportaria seu urânio para outro país em troca do combustível nuclear que o país afirma ser necessário para manter seu reator em Teerã funcionando.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva faz uma visita a Teerã a partir do dia 15 de maio.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Mockus par além dos mitos: mais guerra e privatização



Milton Caballero
Rádio Stereo Cafe
Fonte: Rebelion.org


Tal é o tamanho da crise que a Colômbia vive que muitos aderiram à campanha verde com os olhos fechados, porque acreditam que se deve fazer valer o voto útil, eleger o menos pior ou ao que consideram que, pelo menos, é ético.

A honestidade é uma regra fundamental de conduta. Neste ponto de vista há concordância geral. Mas não é suficiente. Todos os candidatos devem demonstrar a sua probidade. É o ponto de partida de qualquer campanha eleitoral decente.

A corrupção cresceu tanto no governo de Álvaro Uribe que a retidão parece ser agora a única forma de comparação dos candidatos à Presidência. No entanto, além dela deveria se ter em conta outras atitudes determinantes.

Entre outras coisas, porque em nome da transparência também se pode agir na contramão dos interesses coletivos. Por exemplo, entregar os bens públicos em detrimento do Erário sob a figura controversa da “capitalização”, assim como fez Antanas Mockus com uma parte da Companhia de Energia de Bogotá, não é consequênte.

E correr atrás de uma opção sem se importar o que seu líder propõe no fundo, além da forma, é uma decisão que pode ser cara. Não se trata de que o candidato ou seu partido se identifiquem em todos os pontos com o pensamento de cada eleitor. Mas sim nas questões fundamentais, que não se podem renunciar.

Os seguidores de Mockus vêm de duas áreas: 1ª. - uribistas que sabem que o ex-prefeito de Bogotá não representa qualquer risco para a continuidade da “segurança democrática”, e 2ª.- não uribistas, que o vêem como a única alternativa viável diante do poderio do Governo.

Os primeiros percebem a Mockus como uma alternativa diante da fadiga que lhes causa um mandato corrupto ao que, no entanto, tem acompanhado por oito anos perdoando-lhe tudo: a parapolítica, a yidispolítica, os “falsos positivos”, os escândalos do DAS, o Agro Ingresso Seguro, os privilégios para os filhos do Presidente e de tantos outros escândalos.

Para este primeiro grupo Mockus dá confiança, pois se sabe que o candidato verde dará continuidade à estratégia de confronto prolongado desenvolvida por Uribe e, além disso, é sabido que Mockus, por seu caráter neoliberal, seguira o caminho das privatizações e o fortalecimento da “confiança dos investidores”.

Isso explica a enorme simpatia que Mockus despertou nos jornalistas do estabelecimento, uribistas de primeira linha, assim como o inusitado impulso que vários dos grandes meios de comunicação estão dando a sua campanha, apoio que incide de forma determinante no seu crescimento nas pesquisas de opinião.

Os do segundo grupo, os não uribistas, sentem que Mockus é “a única forma de parar a Santos e seus falsos positivos” e desdenham a quem proponha debates para além das formas, como se não quisessem que estoure a bolha na qual parecem estar.

Este grupo inclui alguns que, na consulta interna do Polo, rejeitaram a candidatura de Carlos Gaviria e agora não hesitam em abandonar o navio ao ver que o escolhido, Gustavo Petro, ficou sem opções.


As interrogações

Assim, é importante ouvir as colocações de Mockus em relação a alguns dos assuntos medulares da realidade colombiana, pois está cercada de muitos mitos que retratam o candidato como um paradigma de mudança social que parece não ser real.

Eis algumas das perguntas que surgem sobre ele:

* O senhor gastará, assim como Uribe em 2009, 19,2 bilhões de dólares ao ano do Orçamento Nacional na “segurança democrática”, que prometeu continuar?
* O senhor privatizará 15% da Ecopetrol, a principal empresa do Estado, como proposto por Sergio Fajardo?
* Vender as entidades públicas mais produtivas é um instrumento válido para financiar a educação e outros âmbitos sociais?
* O senhor continua sendo partidário da cobrança escalonada de matriculas, como quando foi reitor da Universidade Nacional?
* O senhor continua acreditando que os decretos de Uribe sobre a saúde “são legítimos” e que a crise do setor pode ser resolvida com mais impostos?
* O aumento de impostos para todos os estratos é o caminho para resolver os problemas do país?
* Onde estão as grandes estratégias de proteção ambiental que supostamente é o forte de um Partido Verde?
* Seu apoio à reforma trabalhista de 2003, que atenta contra os direitos dos trabalhadores, ainda continua?
* Porque ficou à sombra do grupo Opção Centro, grupo amigo do senador processado Gil, e ptou por construir seu próprio partido?
* O senhor acredita mesmo que “as balas também são um recurso pedagógico”, como disse a pouco tempo?
* Por que se atemoriza diante das repreensões de Uribe e rezar para que ainda o considere “como um timoneiro firme da segurança democrática”?
* O seu firme não ao acordo humanitário se deve a isso?


1 .- Mockus e a Guerra: “um timoneiro firme”

Com relação ao conflito existente na Colômbia, por mais de 62 anos, Mockus não difere fundamentalmente da estratégia de Uribe. Como a maioria dos candidatos presidenciais, com suas nuances, apóia a estratégia de “segurança democrática” e exalta a confiança no estabelecimento.

Leiamos a avaliação que da sua posição sobre este assunto fez o presidente Uribe em 20 de junho de 2003, quando o condecorou com a Estrela da Polícia: “... encontrei no prefeito Mockus um timoneiro firme, sem vacilações nem titubeios”. [1]

Há poucos dias, Uribe caracterizou muito bem a Mockus quanto à sua forma de pensar, enquanto desenvolve uma campanha sectária e com aberta participação na política a favor do seu preferido, Juan Manuel Santos. O presidente tenta introduzir algumas dúvidas, mais de forma do que de fundo, sobre o candidato do Partido Verde.

“O prefeito Mockus tem apoiado a Força Pública em Bogotá com toda determinação, sem reserva e tem sido uma formidável combinação da pedagogia da convivência com o exercício firme da autoridade”, disse Uribe há apenas dez meses atrás.

Mockus respondeu às críticas recentemente feitas por Uribe mostrando-se surpreso, afirmando de forma submissa: “O senhor é o meu presidente, o senhor é meu presidente” e mudando o nome do programa “segurança democrática” de Uribe pelo de “legalidade democrática”. Mais uma questão de forma?

Em entrevista ao noticiário CM&, respondendo às críticas de Andrés Felipe Arias, Mockus soltou um argumento absurdo, mas sintomático sobre o conflito colombiano: “As balas também são uma ferramenta pedagógica!”. [2]

E o documento, através do qual efetivou sua aliança com Sergio Fajardo, ao identificar a violência como um dos problemas do país, não inclui nem uma palavra sequer de condena aos crimes cometidos durante o atual Governo. [3]

Tudo indica que para os uribistas que agora acompanham Mockus maciçamente, o exposto neste ponto lhes é indiferente, e é muito provável que também os não-uribistas façam vista grossa e não se importem com a sua rejeição ao acordo humanitário. Dirão que é uma questão de tática e acrescentarão que “os essencialismos são anacrônicos”.

Em termos claros e concretos, sem hesitação ou recursos anedóticos, a questão que muitos esperam que Mockus resolva é o que fará para tirar o país da guerra, se repetirá o gasto feito por Uribe em 2009 (19,2 bilhões de dólares do orçamento nacional) para o confronto. Será o mesmo caminho se eleito?


2 .- Mockus e a política: na busca de partido

A atitude do candidato diante da política foi idealizada e é apresentado como o adversário da politicagem tradicional. Para começar, devemos lembrar que, em 1998, ele foi candidato a vice-presidente de Noemi Sanín, que neste pleito é a candidata do Partido Conservador.

Mockus ainda anseia por essa aliança. “Tenho o meu lado muito conservador”, disse na entrevista a CM& citada acima, depois de reconhecer “o bom do Partido Conservador”.

Em 2006, este matemático de origem lituana, foi candidato presidencial da Aliança Social Indígena, ASI, e, no entanto, não escolheu seu vice-presidente entre as etnias nativas colombianas, como seria de esperar.

A escolhida naquela ocasião foi Maria Isabel Patiño, dirigente da Asocolflores, uma agremiação de grandes exportadores que são questionados pelo mal tratamento que os trabalhadores ligados a essa agroindústria recebem.

Sua votação em 2006 foi pequena: 146.583 votos, ou seja, 1,23% do total, enquanto Carlos Gaviria, candidato presidencial da esquerda, conseguiu 2.613.157 votos, 22% do total, percentagem semelhante à que Mockus atinge hoje nas pesquisas e pelas quais é apresentado como um fenômeno político.

Segundo a última pesquisa, feita por Ipsos-Napoleón Franco para a RCN e Semana, Mockus tem 20% de favoritismo, contra 30% do candidato direto do estabelecimento, Juan Manuel Santos, e 12% de Noemi Sanín.

Quatro anos atrás, Carlos Gaviria, com um perfil decididamente de esquerda, também despertou grande entusiasmo, que se refletiu em sua altíssima votação, maior do que a de Horacio Serpa, candidato liberal.

Também vale lembrar o contexto da participação de Gaviria: tratava-se de um confronto direto contra Uribe, que estava buscando a reeleição, com todo o poder da máquina estatal.

Não é verdade então que o favoritismo de um candidato visto como alternativo não tenha precedentes, como alegam os meios de comunicação de massas. E para voltar um pouco mais na história contemporânea, Galán, Jaramillo Ossa e Pardo Leal também despertaram expectativas inusitadas em seus momentos.

Mockus fez o seu caminho por não poucos cenários políticos, pois participou no movimento Sim Colômbia, de Noemi Sanín, fundou Visionários com Antanas, se achegou à ASI e desembarcou no Partido Opção Centro.

Com Enrique Peñalosa (apoiado por Uribe nas eleições de 2007 para a prefeitura de Bogotá), e Luis Eduardo Garzón derivou num grupo que já possuía representação na Câmara e que o exonerava da árdua tarefa de recolher assinaturas para se cadastrar.

Mas o partido Opção Center tem antecedentes: trata-se de um partido em que alguns dos seus líderes tiveram ligações com a Convergência Cidadã, uma coletividade já extinta por efeitos da parapolítica.

Vejamos como o portal La Silla Vacia apresentou, em setembro de 2009, os contatos dos “Três Tenores” com a orientação do partido centrista.

“Peñalosa, Mockus e Garzon não estavam dispostos a ‘aderir’ a este partido, e seu objetivo era entrar em condições de igualdade (para mandar). Eles também queriam esclarecer a exata medida da relação entre os dirigentes do Partido Verde Opção Centro com a Convergência Cidadã”. [4]

Segundo o mesmo portal, o partido teve origem nos ex-militantes do M-19, Héctor Elías Pineda e Carlos Ramón González, assim como em Daniel Garcia, filho de Néstor Garcia, também do M-19. “A estreita relação entre Gonzalez e outros membros com o ex-senador pelo departamento de Santander, Luis Alberto Gil, atualmente na cadeia por causa da parapolítica, e o apoio do partido às vontades de Gil em Santander criaram uma sombra sobre o partido”, diz o portal LA Silla Vacia na sua resenha.

Sobre essas sombras, ninguém voltou a se lembrar, e menor agora, quando o pequeno partido de centro em que Mockus e seus amigos se acomodaram há seis meses, perfila-se hoje como a segunda força eleitoral do país. Será que as sombras desapareceram ao calor da onda verde?


3 .- Mockus e a socio-economia: mais privatizações?

A maiores expectativas, especialmente entre os jovens, estão no campo das reformas sociais e econômicas. O acordo Mockus-Fajardo, que poderíamos supor como programa da chapa presidencial, não é nada explícito a este respeito.

Seu conteúdo é um amontoado de generalidades sem estratégias que qualquer político poderia assinar sem importar sua origem partidária ou ideológica. O que sim fica claro é a posição definitivamente neoliberal de Mockus, a mesma que aplicou nos seus mandatos de prefeito (1995-97 e 2001-03).

Partidário de aumento de impostos generalizados, sem distinção de classe. Isso é o que deixa ver no seu compromisso com Fajardo quando anuncia que pretendem “garantir o pagamento de impostos justos e adequados”. [5]

Está por se ver quão “justa e adequada” será a nova carga tributária que se implementaria em um governo seu, já que o ex-prefeito não é alheio a aceitar as exigências feitas por órgãos da banca internacional.

E a sua defesa da privatização de empresas estatais é conhecida também, com todas as sequelas em matéria de dilapidação do capital social acumulado nelas tem as decisões dessa natureza.

Por isso, a União Sindical Operária, USO, dirigiu-lhe uma carta na qual o questiona sobre a proposta de seu companheiro de chapa, Sergio Fajardo, no sentido de privatizar 15% da Ecopetrol, supostamente para financiar programas de educação.

“Esta proposta, além de ser contrária aos interesses nacionais, demonstra a pouca criatividade da sua campanha, pois continua com a política de privatizações implementada pelo governo de Uribe, que teve início com a autorização da venda de 20%da Ecopetrol”, diz a USO em sua carta. [6]

Depois de relembrar que as transferências geradas pela Ecopetrol para o orçamento nacional em 2009 foram, nada mais nada menos que, 18,66 bilhões de dólares, a USO pede à dupla Mockus-Fajardo que explique “o que representaria para o país a venda de 15% adicionais de Ecopetrol, uma vez que, em termos de rentabilidade social as utilidades futuras destes 15% iriam para o bolso dos novos proprietários e não para benefício do povo colombiano”. [7]

Mockus parece não se desesperar pelas desigualdades sociais. Usando uma das muitas anedotas que normalmente responde, lembrou recentemente que ele não se importaria de pagar salários milionários para os altos executivos se estes ajudarem a gerar empregos. [8]

O candidato verde desenvolve sua campanha, em qualquer caso, mostrando-se como o defensor da legalidade, discurso com o qual se pode validar toda classe de ações, até os atropelos cometidos pelas leis aprovadas pela classe dominante, como a nefasta reforma trabalhista de 2003 (Lei 789), que Mockus não questiona nem se propõe a modificar.

Tampouco se incomodou com os decretos de emergência social emitidos por Uribe, que a Corte Constitucional declarou inexequíveis (contrários à Constituição), na noite de sexta-feira 16 de Abril. Os considerou necessários.

"Era necessário declarar a emergência e buscar novos recursos, assim como poupar recursos... No seu conjunto, a ação é legítima, é necessária", respondeu Mockus em uma entrevista dada a La W Rádio. [9]

Assim que ficou sabendo da derrubada dos decretos, Mockus solidarizou-se com o Governo e disse que o apoiava em seu propósito de levar os decretos de emergência, tão nocivos para a saúde dos colombianos, ao Congresso a fim de que sua bancada os aprove rapidamente. Será que isso corresponde ao clamor nacional?

Da sua opção pelos impostos a todo o custo não tem dúvidas. Na entrevista referida afirmou: “temos que começar a pensar de onde sairá esse dinheiro [para a saúde] e esse dinheiro sai, necessariamente, em última instância, dos impostos”. [10]

A posição diante as desigualdades e as iniquidades é a linha que marca a diferença entre a direita, que as percebe como naturais e inevitáveis, e à esquerda, que as considera criadas pelas classes dominantes e extinguíveis pela ação dos movimentos sociais.

Mockus não parece perde o sono com essas desigualdades, não as questiona na raiz, para ele simplesmente existem e algo deve ser feito para combatê-las.

E para concluir, o que responde o candidato diante denúncias como as formuladas pelo pesquisador social Aurelio Suárez Montoya, para quem “gerações de estudantes da Universidade Nacional pagam altas matriculas ou suportam a exclusão desde que Mockus inventou a cobrança escalonada”. [11]

Seria muito importante que Mockus resolvesse as questões como as levantadas neste artigo e em muitos outros, como a ausência de propostas ecológicas de uma coletividade que se denomina ‘Partido Verde’.

Esperamos que o verde não fique apenas numa apresentação simbólica, que atrai muitas pessoas aferradas a uma esperança, mas que, no entanto, não fazem perguntas porque querem acreditar em alguém, mesmo que para isso se atenham somente aos seus sentimentos e não ao seu raciocínio.


Notas

[1] Ver discurso de Álvaro Uribe:
http://www.presidencia.gov.co/prensa_new/discursos/discursos2003/junio/ascenso.htm
[2] Assim o afirmou na entrevista com Yamit Amad, diretor do noticiário televisivo CM& em 14 de abril de 2010.
[3] A União Faz a Força, acordo de união entre o Partido Verde e o movimento Compromisso Cidadão.
[4] Três Ver o artigo ‘Os Três Mosqueteiros’ até que enfim encontraram opção no Centro: http://www.lasillavacia.com/historia/4214.
[5] A União Faz a Força ...
[6] Carta Pública da União Sindical Operária, USO, 09 de abril de 2010, assinada por Germán Osman Mantilla e Isnardo Lozano Gómez, presidente e secretário-geral, respectivamente.
[7] Idem.
[8] Entrevista com Yamit Amad ...
[9] Entrevista realizada em 11 de fevereiro de 2010 para La W Rádio.
[10] Entrevista para La W ...
[11] Ver o artigo: A História Negra dos ‘Verdes’, versão virtual, Bogotá, 06 de abril de 2010.

Colômbia: O país mais perigoso do mundo para sindicalistas.

Os trabalhadores exigem a verdade!
Por Luis Alberto Vanegas (CUT)


Em 11 de abril de 2010, foi assassinado Henry Ramírez Daza, ex-presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Bebidas Alcoólicas - Sintrabecólicas. Um sicário deu-lhe um tiro na cabeça enquanto assistia televisão junto de seu filho, em sua residência da cidadela Comfenalco na capital do departamento de ElTolima. O criminoso fugiu a pé e, em posteriormente, abordou um veículo, de acordo com informações fornecidas por dirigentes do sindicato Sintrabecólicas. Henry Ramirez foi um destacado líder sindical, social e político, o último cargo que exerceu foi vereador do município de Ambalema, em El Tolima e pretendia concorrer a prefeito desta mesma cidade.

Esse fato novo acrescentasse aos 2.742 sindicalistas assassinados na Colômbia desde o ano de 1986, genocídio que o governo tenta desvirtuar e o que consegue é transformar os companheiros novamente em vitimas, ao dizer que os telefones celulares não estão relacionados com o trabalho sindical e social dos companheiros assassinados; o que o governo está procurando é desmentir que na Colômbia existe violência antisindical. Como explicar então, que nos acontecimentos de 2010, doze companheiros e companheiras deram suas vidas, entre os quais o companheiro Henry Moya, assassinado em El Tolima, organizador do Sindicato ASTRACATOL, de FENSUAGRO, Javier Cárdena Gil, da Associação de Areeiros de El Quindio, Miyer Garcés de ASOINCA, e Israel Verona de ACA Arauca, entre outros. Devemos denunciar que a crise humanitária está crescendo em meio a uma impunidade de 98% e com o envolvimento de agentes de alto nível do Estado no assassinato e na violação dos direitos humanos dos trabalhadores e sindicalistas colombianos.

Nos diversos escândalos que vêm sendo conhecidos e que vinculam o governo de Álvaro Uribe Vélez, destacamos o denunciado pelo jornal El Espectador, no dia 15 de abril, que informa como “o DAS bisbilhotou nos escritórios dos sindicalistas”.

Os fatos são narrados nos depoimento a ser apresentados no julgamento de Jorge Noguera, onde se revela uma sinistra estratégia de espiões. O jornal disse que: "um dos detetives que foi encarregado de monitorar os sindicalistas, disse ao procurador que em duas ou três ocasiões, foi incumbido de subtrair, clandestinamente, documentos dos sindicatos contendo informações sobre suas atividades... Disse que essa tarefa foi cumprida de forma eficiente com a colaboração de seguranças terceirizados... Mas outro dos detetives foi além e contou ao promotor que na Sub-diretoria de Analises da Direção Geral da DAS, nos anos 2004-2005, eram arquivados as folhas de vida de reconhecidos sindicalistas e de opositores do Executivo. Um deles foi justamente Correa de Andreis, um dos ”alvos de trabalho” do DAS. A terceiro depoimento, de um detetive subordinado à Diretoria de Inteligência, descreve que, quando fazia parte de um dos grupos especiais de inteligência, que estavam sob a coordenação do já falecido coordenador do G-3, Jaime Fernando Ovalle Olaz, em 2004, se realizaram atividades de guerra política contra várias ONG. Essas organizações sofreram interceptação de correios eletrônicos, além de ter as linhas de telefone monitoradas. Os relatórios eram entregues diretamente ao diretor da agência, Jorge Aurélio Noguera Cotes.

Agora entendemos porque o governo não fornece resultados sobre a questão da justiça e da verdade, sobre os autores intelectuais das violações aos direitos humanos contra o movimento sindical, como pode ser visto claramente no que se conhece do julgamento do ex-diretores do DAS. As ações ilegais beneficiavam aos superiores hierárquicos imediatos destes funcionários do Estado. Neste contexto, John Gossaín acaba de denunciar as diferentes operações criminosas realizadas contra juízes, sindicalistas e opositores, realizadas pelo Estado colombiano, as quais, em documentos conhecidos que provem do DAS, levam o nome de “Operação Amazônia, Risaralda, Europa, Internet , Imprensa, Arauca, Intercâmbio, Halloween e operação Transmilênio”, e este jornalista, na sua denuncia, exige que se conheça a verdade de quem ordenou esta conspiração e ação terrorista do Estado.

A profunda decomposição do regime que visa perpetuar-se a todo custo, encontrou um obstáculo na medida em que a verdade surge, Uribe começou a transição de seu mandato que termina em sete de agosto próximo, com um claro desgaste, isolamento, descrédito e a cada dia serão mais fortes as reivindicações das vítimas e das organizações atingidas, de exigir a verdade, justiça e reparação dos crimes de lesa-humanidade cometidos em nome da fascista “Segurança Democrática”.

Este cenário é ainda agravado por diversos relatórios da comunidade internacional que vem denunciado o ocorrido nos últimos oito anos. O recente relatório “Herdeiros dos Paramilitares” de Human Rights Watch, enfatiza o fracasso da chamada “Lei de Justiça e Paz” quando manifesta o aumento do número de vítimas em meio à crise vive a Colômbia, na contra mão dos relatórios preparados pelo governo, que dizem que a Colômbia é um país em desenvolvimento. A realidade mostra justamente o contrário, e o relatório destaca como o cresce o deslocamento, o tráfico de drogas, assassinatos de sindicalistas, a revitimização das vítimas das AUC, e se esconde a verdade dos mentores intelectuais dos crimes e os vínculos e financiadores do paramilitarismo. Também aponta como o Estado delegou na polícia de Carabineiros o controle dos novos grupos e que, pelo contrário, as estruturas paramilitares estão se reorganizando e recrutando novos membros, transformando essa realidade na herança que deixa Uribe após a legalizar e conceder impunidade para os agressores.

Da mesma forma, a CIDH – Comissão Interamericana de Direitos Humanos, apresentou um relatório em 2009. Diante do caso colombiano, mencionou os assassinatos extra-judiciais, reconhece que continua a se violar o direito à vida dos sindicalistas e, entre outras aspectos, nas suas conclusões, recomenda ao Estado colombiano, no item 8, adotar as medidas necessárias para proteger o trabalho dos defensores dos direitos humanos, líderes sindicais, sociais e jornalistas; prevenir a estigmatização e uso indevido de mecanismos de inteligência usados contra eles; e, remover os fatores de risco que afetam o esclarecimento dos atos de violência, fustigamento e ameaças. Esta breve resenha exemplifica as preocupações do relatório da CIDH diante da persistencia violação dos direitos humanos na Colômbia.

É no meio dessa realidade crítica que fazemos o nosso trabalho sindical, num debate desigual porque nossos agressores não se importam em utilizar a mentira de mão dada com a violência. A CUT, que sofre 87% das vítimas do movimento sindical, se prepara, em conjunto com a CTC e CTG, para participar na 99ª Conferência Anual da OIT, no mês de junho, onde exigiremos que o governo e os empresários colombianos sejam, novamente, sancionados por a Colômbia ser uma dos maiores violadores dos direitos trabalhistas e dos direitos humanos no mundo.

Isto significa derrotar o trabalho de sabotagem desenvolvido pelo ex-dirigente sindical Angelino Garzón, enquanto representante do governo de Uribe diante da OIT, e que em uma claro atuação de traidor da causa dos trabalhadores colombianos, buscou nesses cenários diplomáticos, disfarçar e esconder o drama vivido pelos sindicalismo colombiano.

Com nossa ajuda, buscamos denunciar como na Colômbia tem existiu um plano sistemático de perseguição e destruição das organizações e dirigentes sindicais por parte dos empresários, com a ação permissiva, e em muitos casos criminal, de agentes do governo em nome do Estado.


(*) Luis Alberto Vanegas é Diretor do Departamento de Direitos Humanos e Solidariedade; membro do Comitê Executivo da Central Unitária dos Trabalhadores da Colômbia (CUT).

Nota:
Mais informações na edição de abril do Jornal da CUT: http://www.cut.org.co/images/stories/file/61-informativo-cut%20nacional.pdf