"A LUTA DE UM POVO, UM POVO EM LUTA!"

Agência de Notícias Nova Colômbia (em espanhol)

Este material pode ser reproduzido livremente, desde que citada a fonte.

A violência do Governo Colombiano não soluciona os problemas do Povo, especialmente os problemas dos camponeses.

Pelo contrário, os agrava.


terça-feira, 15 de junho de 2010

JUAN MANUEL SANTOS, O CORRUPTO




ANNCOL

Em 06 de fevereiro de 2009, às nove horas da manhã no Palácio Presidencial, se entregava ao presidente Álvaro Uribe, um envelope contendo as provas do favorecimento indevido através de contratos do Ministério da Defesa desde o ano de 2006, de muitos milhões de dólares, para uma única pessoa, chamada Felipe Jaramillo.

Meia hora depois, as pessoas que entregaram o dossiê ao presidente, solicitaram uma audiência com o czar anticorrupção. Minutos depois, explicavam a Oscar Ortiz e a uma advogada do programa presidencial de Modernização, eficiência, transparência e combate à corrupção, um relato detalhado de como o ministro de Defesa, Juan Manuel Santos, aplicou uma série de armadilhas e subterfúgios para favorecer os seus amigos em processos de licitação. (Em um esboço biográfico de Santos, publicado em um dos portais de internet do Ministério da Defesa, o então ministro disse que seus melhores amigos eram Jaramillo, Felipe Lopez, diretor da revista Semana, e o advogado Carlos Urrutia Valenzuela).

Na segunda-feira 09 de fevereiro, às 8 horas da manhã, os cidadãos estavam entregando essas mesmas provas a uma jornalista da Revista Semana e, segundo uma conversa por telefone, as provas estavam sendo recebidas, via Internet, na sala da redação do New Herald de Miami. pelo jornalista Gerardo Reyes e posteriormente publicadas ("O ex-ministro está sendo investigado por favorecimento" por: Gerardo Reyes). A jornalista de Semana, disse que as evidências eram contundentes e muito graves contra Juan Manuel Santos, mas que infelizmente ela era uma simples funcionária que recebeu ordens diretas da direção da revista para arquivar as denuncias. Por sua vez, o presidente Uribe peremptoriamente ordenou ao ‘czar anticorrupção’ para deixar isso quieto.

O deputado liberal Juan Manuel Galán disse ao El Nuevo Herald que estava-se preparando para convocar a Santos para um debate para que respondesse por seus atos nos contratos celebrados com a empresa de Jaramillo, o que acabou não acontecendo.

Não acredita? - 11 evidências físicas:

Os documentos que chegaram à mesa do presidente da República e que, infelizmente, deu a ordem para deixar de lado são os seguintes:

1. Um relatório do Comitê Técnico da Indústria Militar (INDUMIL) mostra que, em 2005, as pistolas SIG Sauer representadas por Felipe Jaramillo, foram eliminadas de um processo do Fundo Rotativo da Polícia Nacional, por não cumprir com o protocolo de testes da ficha técnica exigidos nas especificações. SIG Sauer teve 0 pontos em 1000.

2. Um despacho do ministro da Defesa que ordena a compra de mais de 150.000 pistolas da Sig Sauer, sem licitação pública e sem se submeter à Lei de Contratos da Colômbia, favorecendo diretamente ao seu amigo Felipe Jaramillo. Anexo à prova há uma explicação que demonstra que este tipo de compras não podem ser observadas nem sofrer auditoria por ninguém, muito menos vigiadas por organismos de controlo do Estado colombiano. As compras são feitas através da Embaixada dos EUA por meio de uma figura chamada LOA / FMSN, negociações de governo para governo.

Enquanto uma pistola 9 milímetros no mercado internacional custaria cerca de US$ 250, o ministro adquire as pistolas SIG Sauer bem acima de US$ 500 com um custo adicional: que a Embaixada americana cobra uma percentagem pela gestão de administração de recursos, o que implica uma sobrecarga de mais de 5%. Outro fator negativo dessa negociação é que a Embaixada americana pode demorar até dois anos para entregar o material (neste caso as armas) e não é responsável pelos fundos provenientes do Orçamento Nacional, ou seja, não leva em conta a taxa de cambio do dólar frente ao peso colombiano nem dá qualquer explicação.

3. Um despacho do Ministro da Defesa para juntar os orçamentos do Ministério da Defesa dos anos 2007, 2008, 2009 e 2010 (Vigências Futuras) de tal forma que executou em dois anos os orçamentos de quatro anos, favorecendo diretamente a Felipe Jaramillo com contratos milionários em dólares.

4. A prova de como o ministro ordenou comprar, por intermédio da Embaixada Americana, Fuzis Francotiro diretamente com Felipe Jaramillo.

5. A prova de como o ministro ordenou a compra, através da Embaixada Americana, diretamente com Felipe Jaramillo os FLIR (N.T: sensores de visão frontal infravermelha) que a Força Aérea e a Aviação do Exército requereram. Foi anexada a carta de um General que protestava esta compra alegando que o equipamento era de má qualidade e a carta do Secretário-Geral Neira dizendo que, por despacho do ministro, não se levasse em conta os comentários do General.

6. A prova de como o ministro ordenou a compra de helicópteros, representados por Felipe Jaramillo, apesar de que as aeronaves da concorrência terem passado nas provas, enquanto que os representados por Felipe Jaramillo se recusaram a fazer os testes do protocolo.

7. A prova de como o ministro ordenou a compra de aviões cujo representante era Felipe Jaramillo, mesmo estes sendo muito mais caros que os da concorrência.

8. A prova de como o ministro ordenou a compra de veículos blindados norteamericanos representados por Felipe Jaramillo, rejeitando os blindados coreanos que foram aprovados nos testes.

9. A prova de como o ministro ordenou a compra de mísseis israelenses, cuja negociação foi feita por Felipe Jaramillo.

10. A prova de como o ministro ordenou a compra de plataformas que, segundo peritos qualificados, não servem para nada, mas que são plataformas inteligentes representadas por Felipe Jaramillo.

Todas estas provas foram publicadas pelo New Herald


INFORMAÇÃO CONFIDENCIAL

Os seguintes dados que devem se conhecidos, não serão publicados na investigação do New Herald, porque não há provas documentais e testemunhas que sabem sobre os fatos não se pronunciarão, pois isso afetaria as ações interpostas nos tribunais internacionais da França. São eles:

O representante da empresa espanhola que vinha trabalhando a venda de aviões para a Força Aérea, quando estava quase fechando o negócio com o Ministério da Defesa e portanto, próximo de ganhar uma excelente comissão, recebeu uma visita, em Bogotá, de um dos Altos executivos dessa empresa espanhola que lhe entregou 400 mil dólares e o comunicou que, a partir daquela data, não mais representava a empresa.

Diante da surpresa da notícia, exigiu que se lhe explicasse a razão pela qual ele foi desautorizado do negócio, se o seu trabalho fora impecável.

O executivo lhe informou de que houve uma reunião com o Vice-Ministro da Defesa e que, por instruções de Juan Manuel Santos, a ordem fora contundente: O Ministério da Defesa iria comprar o avião, somente se Felipe Jaramillo fosse o negociador.

Na corrente de corrupção intervêm um grupo de Congressistas dos EUA, amigos de Juan Manuel Santos, que defendem os interesses das empresas representadas por Felipe Jaramillo. El New Herald está investigando a relação desses políticos norteamericanos com a venda de armas para a Colômbia.

Dentro da Embaixada dos EUA há diversos funcionários militares que facilitam todo o processo dos pedidos de Governo para Governo de Juan Manuel Santos. Felipe Jaramillo contrata os serviços de um bordel de prestígio, em Bogotá, que atende regularmente a esses funcionários norteamericanos.

Há um funcionário de INDUMIL que todo os meses passa nos escritórios de Felipe Jaramillo, em Bogotá, cobrando uma comissão. Seu trabalho consiste em informa a Felipe Jaramillo sobre toda a correspondência que chega e sai do escritório do Coronel Villarreal.

Entre os vários generais e coronéis das Forças Armadas é amplamente conhecida a forma de trabalho de Jaramillo. Ele não promete comissões por contratos futuros. Ele paga as milionárias comissões adiantadas, mesmo antes da publicação das licitações, quando a compra não é de governo para governo.


REFLEXÃO

- Se formos avaliar isso, dentro de um contexto de democracia, chama-se CORRUPÇÃO!! Uso indevido de informações reservadas com finalidade de lucro; modificação da proposta de licitação para favorecimento de terceiros; abuso de autoridade. Esse é o que quer ser presidente nos próximos quatro anos?

O que teria feito um dirigente honesto, com mais de sessenta bilhões de pesos (que foram pagos por estes contratos superfaturados) investidos em saúde e educação?

- Considere o seguinte: Se Juan Manuel Santos foi capaz de manipular tudo isso, tendo a autoridade de "ministro da defesa", imagine então como presidente.

- Pode ser que se tenha uma clara perspectiva do plano de governo que Juan Manuel Santos possa oferecer, projetado (para uns poucos) e CAMUFLADO com uma fachada de "CONTINUIDADE DA SEGURANÇA DEMOCRÁTICA”.

- Já é sabido que Santos é capaz de aplacar a mídia e as altas esferas para que estes assuntos não saiam à tona. Será que é capaz de fazer o mesmo com este meio de comunicação?

NÃO VOTE EM GENTE DESONESTA. NÃO DE MAIS PODER AOS CORRUPTOS, ABSTENÇÃO ATIVA E COMBATIVA É A PALVRA DE ORDEM.


Leia mais em New Herald, clicando nos links abaixo:
http://www.radiosantafe.com/2009/05/25/juan-manuel-santos-rectifica-al-nuevo-herald-de-miami/
http://www.elnuevoherald.com/2009/06/13/v-fullstory/474396/la-verdad-escabrosa-de-los-falsos.html
"El Chucky" Santos se enreda: Investigan por favoritismo a ex ministro de Defensa

Reflexões do Companheiro Fidelo Castro

O golpe arteiro à espreita

TERÇA-FEIRA, 8 de junho, escrevi a Reflexão "No limiar da tragédia" em horas do meio-dia, mais tarde vi o programa televisivo "Mesa-Redonda" de Randy Alonso, que se divulga normalmente às 18h30.

Nesse dia, destacados e prestigiosos intelectuais cubanos que participavam da Mesa, perante as agudas perguntas do diretor, responderam com eloquentes palavras que respeitavam grandemente minhas opiniões, mas que não acreditavam que haveria razão para que o Irã recusasse a possível decisão — já conhecida — que adotaria o Conselho de Segurança na manhã de 9 de junho, em Nova Iorque — sem dúvida alguma combinada entre os líderes das cinco potências com direito ao veto: os Estados Unidos, a Inglaterra e a França, com os da Rússia e da China.

Nesse instante, expressei às pessoas próximas que costumam acompanhar-me: "Lamento imenso não ter podido finalizar minha Reflexão expressando que ninguém desejava mais que eu estar enganado!", mas era já tarde, não podia retrasar seu envio ao site CubaDebate e ao jornal Granma.

No dia seguinte, às 10h, conhecendo que essa era a hora da reunião, pensei em sintonizar a CNN em espanhol, que com certeza daria notícias do debate no Conselho de Segurança. Pude assim escutar as palavras com que o presidente do Conselho apresentava um projeto de resolução, promovido dias antes pelos Estados Unidos, apoiado pela França, Grã-Bretanha e Alemanha.

Falaram também vários representantes dos principais membros envolvidos no projeto. A representante dos Estados Unidos explicou por que seu país aprovava isso, com o pretexto já sabido de sancionar o Irã por ter violado os princípios do Tratado de Não-Proliferação Nuclear. Por sua vez, o representante da Turquia, um de cujos navios foi vítima do brutal ataque das forças elites de Israel, que transportadas em helicópteros assaltaram na madrugada de 31 de maio a frotilha que levava alimentos para o milhão e meio de palestinos sitiados num fragmento de sua própria Pátria, manifestou a intenção de seu governo de se opor a novas sanções ao Irã.

A CNN, no espaço que dispunha para notícias, apresentou várias imagens de mãos erguidas, na medida em que expressavam com gestos visíveis sua posição, entre elas, a do representante do Líbano, país que se absteve durante a votação.

A presença serena dos membros do Conselho de Segurança que votaram contra a Resolução se expressou com a direita firme de uma mão de mulher, a representante do Brasil, que tinha exposto antes com tom seguro as razões pelas quais sua Pátria se opunha ao acordo.

Faltava ainda um monte de notícias sobre o tema; sintonizei a Telesur, que durante horas satisfez a incontável necessidade de informação.
O presidente Lula da Silva expressou na cidade de Natal, ao nordeste do país, duas frases lapidárias: que as sanções aprovadas eram impostas por "aqueles que acreditam na força e não no diálogo", e que a reunião do Conselho de Segurança "poderia ter servido para discutir o desarme dos que têm armas atômicas".

Nada de raro teria que tanto Israel quanto os Estados Unidos e seus estreitos aliados com direito ao veto no Conselho de Segurança, França e Grã-Bretanha, queiram aproveitar o enorme interesse que desperta o Mundial de Futebol para tranquilizar a opinião internacional, indignada pela criminosa conduta das tropas elites israelenses na Faixa de Gaza.

É, portanto, muito provável que o golpe arteiro se dilate algumas semanas, e inclusive, seja esquecido pela maioria das pessoas nos dias mais calorosos do verão boreal. Haveria que observar o cinismo com que os líderes israelenses responderão as entrevistas de imprensa nos próximos dias, onde serão bombardeados com perguntas. Oportunamente, eles irão elevando o rigor de suas exigências antes de apertar o gatilho. Anseiam repetir a história de Mossadegh em 1953, ou levar o Irã à idade de pedra, uma ameaça da qual gosta o poderoso império em seus tratos com o Paquistão.

O ódio do Estado de Israel contra os palestinos é tal, que não hesitaria em enviar o milhão e meio de homens, mulheres e crianças desse país aos crematórios nos que foram exterminados pelos nazistas milhões de judeus de todas as idades.

A suástica do Führer pareceria ser hoje a bandeira de Israel. Esta opinião não nasce do ódio, mas sim do sentimento dum país que se solidarizou e prestou albergue aos judeus quando nos dias difíceis da Segunda Guerra Mundial, o governo pró-ianque de Batista tentou enviar de retorno à Europa um navio carregado deles, que escapavam da França, Bélgica e Holanda, por causa da perseguição nazista.

Conheci muitos membros da inúmera comunidade judaica radicada em Cuba, quando triunfou a Revolução; visitei-os e falei com eles várias vezes. Nunca os expulsamos de nosso país. As diferenças com muitos deles surgiram por ocasião das leis revolucionárias que afetaram interesses econômicos e, por outro lado, a sociedade de consumo atraia muitos, frente aos sacrifícios que implicava a Revolução. Outros permaneceram em nossa Pátria e, prestaram valiosos serviços a Cuba.

Uma etapa nova e tenebrosa abre-se para o mundo.

Ontem, às 0h44 falou Obama sobre o acordo do Conselho de Segurança.

Eis algumas notas do que expressou o presidente, tomadas da CNN em espanhol.

"Hoje, o Conselho de Segurança da ONU votou por maioria a favor de uma sanção contra o Irã por seus repetidos descumprimentos…".

"Esta resolução é a sanção mais forte que enfrenta o governo iraniano e envia uma mensagem inequívoca sobre o compromisso da comunidade internacional de frear a expansão das armas nucleares."
"Por anos, o governo iraniano descumpriu suas obrigações recolhidas no Tratado de Não-Proliferação Nuclear."

"Enquanto os líderes iranianos se escondem por trás de retórica, suas ações os comprometeram".

"De fato, quando tomei posse há 16 meses, a intransigência iraniana era forte".

"Oferecemos-lhes perspectivas dum melhor futuro se cumpria suas obrigações internacionais".

"Aqui não há duplo padrão".

"O Irã violou suas obrigações sob as resoluções do Conselho de Segurança para suspender o enriquecimento de urânio".

"Por isso, estas medidas tão severas".

"São as mais rigorosas que tenha enfrentado o Irã".

"Isto demonstra a visão partilhada de que no Oriente Médio a ninguém convêm desenvolver estas armas".

Estas frases que selecionei de seu breve discurso são mais que suficientes para demonstrar quão fraca, débil e injustificável é a política do poderoso império.

O próprio Obama admitiu em seu discurso na universidade islâmica de Al-Azhar, no Cairo, que "em meio da Guerra Fria, os Estados Unidos desempenharam um papel na derrubada dum governo iraniano eleito democraticamente", apesar de que não disse quando nem com que propósitos. É possível que nem sequer se lembrasse como o levaram a cabo contra Mossadegh em 1953, para instalar no governo a dinastia de Reza Pahlevi, o xá do Irã, ao qual armaram até os dentes, como seu principal gendarme nessa região do Oriente Médio, onde o sátrapa acumulou uma imensa fortuna, derivada das riquezas petroleiras desse país.

Naquela época o Estado de Israel não possuía uma só arma nuclear. O império tinha um enorme e incontrastável poder nuclear. Então, os Estados Unidos pensaram na arriscada ideia de criar em Israel um gendarme no Oriente Médio, que hoje ameaça uma parte considerável da população mundial e é capaz de atuar com a independência e o fanatismo que o caracterizam.

Fidel Castro Ruz
10 de junho de 2010
11h59.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Convenção do PT homenageia mulher: “Pode ser presidenta”





“Para o Brasil seguir mudando”. A frase marcou a convenção nacional do PT, neste domingo (13), em Brasília, que aprovou o nome de Dilma Roussef à Presidência da República, e Michel Temer como candidato à vice. O evento fez uma homenagem às mulheres. Elas animaram a platéia, ganharam espaço no palco e nos vídeos representando a luta das mulheres na história – antiga e atual. As bandeiras lilases – cor do movimento feminista – tomaram o lugar das tradicionais bandeiras vermelhas.


“Mulher pode ser Presidenta da República”, disse a candidata à platéia, repetindo a frase que havia dito a uma menina, de nome Vitória, que havia encontrado em um aeroporto e perguntara a ela se mulher pode ser Presidenta da República. Dilma quer que, depois dela, toda menina posso dizer, assim como dizem os meninos: “Quando crescer, eu quero ser Presidenta da República”.

A candidata destacou, em seu discurso, que o sucesso do Governo Lula, ao qual dará continuidade, reside no fato de ter sido o primeiro que governou para todos.

“Historicamente, todos os presidentes governaram para um terço da população. Para muitos deles, o resto era resto, era peso, carga, estorvo”, denunciou, e perguntou: “Como é possível arrumar a casa, deixando dois terços dos filhos ao relento?” Para ela, governar para todos e todas as brasileiras demonstrou ser o impulso para fazer crescer o Brasil. Incluir os mais necessitados era o avanço do crescimento do país.”

Novos caminhos

Ela disse que, seguindo as instruções do Presidente, o Governo Lula começou fazendo o necessário, depois o possível e quando menos esperávamos estávamos realizando o impossível, destacando o pagamento da dívida externa. Segundo ela, o Governo Lula abriu novos caminhos, derrubando antigos tabus, como o de que era impossível governar para todos os brasileiros.

Dilma revezou, em seu discurso, palavras elogiosas ao Governo Lula e os compromissos com a complementação das ações. “Depois desse grande homem, o país pode ser governado por uma mulher, que fará crescer o Brasil de Lula com alma e coração de mulher.”

“Podemos e devemos fazer mais e melhor, mas não é só querer ou dizer que vai fazer, é preciso conhecer o Brasil, conhecer o governo e saber o que fazer. Aquelas que sabem fazer são aquelas que farão. Governar para todos e todas e acreditar no Brasil e no povo brasileiro que vamos erradicar a miséria e transformar o Brasil em um país com uma vigorosa classe média”, prometeu a candidata.

O evento, em um espaço de eventos, no Setor de Clube Sul, em Brasília, começou com uma hora de atraso – um pouco depois das 11 horas. O presidente nacional do PCdoB, Renato Rabelo, aliado histórico do PT, esteve presente à convenção, assim como os demais presidentes dos partidos aliados:

Alfredo Nascimento, do PR; Manoel Dias, do PDT; Mário Negromonte, do PP; Michel Temer, do PMDB; Eduardo Campos, do PSB e José Eduardo Dutra, do PT. Após a entrada de todos eles e do vice-presidente José Alencar, chegaram o Presidente Lula e dona Marisa Letícia. A candidata, a última a entrar, vestia vermelho, como Lula e Marisa. Lula ficou entre as duas mulheres.

Dilma no lugar de Lula

O Presidente Lula, ao ser chamado para falar, foi aclamado pela platéia. Ele fez a conta dos dias da campanha e do tempo que falta para deixar o governo e lembrou que “essa é primeira eleição que o meu nome não vai estar naquela cédula, eu mudei de nome e vou botar Dilma naquela cédula”, afirmou.

Antes da fala da candidata, Dutra comandou a votação pela aprovação do nome de Dilma presidente e Temer vice-presidente da República. O presidente do PT foi o primeiro a falar no evento. Ele destacou a capacidade do PT de fechar uma ampla aliança de partidos que levará a candidatura de Dilma à vitória.

Dutra, a exemplo do Presidente Lula, alertou que a campanha não será fácil, mas tem tudo para sair vitoriosa. E, usando a fala do principal opositor, o candidato tucano José Serra, que declarou à imprensa que com ele (Serra), o Brasil não terá surpresa, disse: “Não teria surpresa porque conhece o fracasso do governo que ele participou”, fazendo o comparativo entre a política neoliberal de crise e desemprego do PSDB com o projeto do Governo Lula, que conciliou crescimento econômico com distribuição de renda e fez com que 50 milhões de pessoas saíssem da pobreza.

“Eles estão aperreados”

Dutra encerrou sua fala – curta – puxando o jingle que ajudou a eleger Marcelo Déda governador de Sergipe, adaptando-o para a candidatura Dilma: “Eita que eles estão aperreados/ Eita que eles estão aperreados/É Dilma prá todo lado”. E ainda recitou a poesia de Pablo Neruda sobre as mulheres, em que o poeta chileno destaca que “(elas) não levam ‘não’ como resposta quando sabem que existe melhor solução”, encerrando seu discurso.

Michel Temer, o segundo a falar, fez um discurso curto. Ele disse que a aliança de tantos partidos não é um ajuntamento de pessoas, é um ajuntamento de ideias baseado nas ideias do Presidente Lula que nos seus oito anos de governo fez com que todos prosperassem. E anunciou que o PMDB vai entrar com alma na campanha.

Ao fim de cada discurso, foi apresentado vídeo com a história das mulheres na história.

Homenagem às mulheres

Após a execução do Hino nacional, foi apresentado um vídeo que destacava a luta das mulheres que construíram o Brasil: desde Maria Quitéria, passando por Nise Floresta, até Pagú. “Na vida sempre de pé/ Na história sempre presente”, dizia o vídeo ao final da apresentação.

Após a entrada das autoridades, várias mulheres, que foram alvo de homenagem, foram chamadas ao placo. Representantes de vários estados e áreas de atuação – movimento de mulheres, direitos humanos, campo, trabalho - como a feminista Rose Marie Muraro e Maria da Penha, que deu nome a lei de combate à violência doméstica, fizeram companhia à candidata. A economista Maria da Conceição Tavares não pode comparecer, mas enviou carta que foi lida no evento.

As mulheres assumiram também a condução do evento. Antes de começar, elas animavam a platéia. Cumprimentavam quem chegava com “Bom Dilma” e cantavam os refrões dos jingles:

“Lula tá com ela/ Eu também tô/ Veja como o Brasil já mudou” ou “O Brasil novo/ O Brasil do povo/ Que Lula começou/ Vai seguir com a Dilma/ Com a nossa força/ Com o nosso amor”

No telão aparecia o anúncio: Convenção Nacional do PT - Uma celebração à mulher brasileira”. Nos adeisvos que os congressistas ostentavam no peito estava escrito “Pátria Mãe/ Pátria Mulher”.

De Brasília
Márcia Xavier

Fonte: vermelho.org

sexta-feira, 11 de junho de 2010

BRASIL SOBERANO VENCE COALIZÃO VIRA-LATA

EM VEZ DE HERDAR DÍVIDAS, NOVAS GERAÇÕES GANHAM UMA POUPANÇA DE ATÉ 50 BILHÕES DE BARRIS DE PETRÓLEO

Senado aprova capitalização da Petrobrás de até US$ 25 bi e consagra modelo soberano de exploração das jazidas do pré-sal, contra a vontade de Serra e das petroleiras internacionais. Coalizão demotucana lutou até o fim para adiar votação na expectativa de reverter o quadro político, pós-eleições.

Marco regulador aprovado institui sistema de partilha e garante à Petrobras o papel de operador único de jazidas gigantescas que podem conter até 50 bilhões de barris, segundo a Agencia Nacional de Petróleo.

Estatal brasileira terá, no mínimo, 30% em cada área. Novo regime inclui, ademais, a possibilidade de cessão direta à Petrobras de até 100% de novos campos, sem licitação. É a pá de cal no sonho privatizante dos interesses aglutinados em torno da candidatura demotucana. Aprovado ainda o Fundo Social formado pela capitalização de receitas e royalties vinculados a investimentos em educação, ciência, tecnologia, meio ambiente, combate à pobreza e à desigualdade.

Dia 10 de junho de 2010: pela primeira vez, um governo lega às gerações futuras um passaporte de emancipação econômica e social, em vez de dívidas e alienação do patrimônio público.
(Carta Maior; 11-06)

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Sindicalistas denunciam bases militares estrangeiras dos EUA na Colômbia e em Honduras

Escrito por Gonzalo Berrón e Alexandre Praça

O movimento sindical das Américas assinalou a presença de bases militares norte-americanas na Colômbia e Honduras representam um obstáculo à paz regional. O alerta foi feito durante a Assemblea Geral da Organização dos Estados Americanos (OEA) celebrada em Lima, Peru.

A delegação da Confederação Sindical das Américas (CSA) e do Conselho Sindical de Assessoramento Técnico (COSATE) recomendou à OEA que estabeleça um programa de desmilitarização estrangeira e a suspensão de novas bases militares na região. Sugere, além disso, que se estabeleça um cronograma para a retirada das bases.

A demanda sindical foi feita no domingo (6) durante o diálogo dos chefes de delegação dos países membros da OEA e os representantes dos trabalhadores. A 40ª Assembleia Geral da organização ocorre sob o lema 'Paz, cooperação e segurança nas Américas'.
Os líderes operários também se preocupam com a situação de violência antissindical na Colômbia e Guatemala. Em 2010, 28 dirigentes e ativistas foram assassinados na Colômbia. A Guatemala soma 42 assassinatos nos últimos dois anos. Nenhum dos criminosos foi sentenciado ou mesmo identificado.

A dirigente Hortensia Gómez, do Movimento Sindical, Indígena y Campesino Guatemalteco, denunciou o alto grau de impunidade, violência e perseguição aos sindicalistas em seus país. Hortensia declarou que as mulheres são ainda mais discriminadas. Por outro lado, Víctor Pardo, da Confederação de Trabalhadores de Colômbia, indicou que os direitos humanos deveriam ser parte fundamental da análise da OEA, “para além dos slogans”, comentou.

A declaração sindical enviada ao encontro da OEA reafirma que “o aprofundamento da pobreza e das desigualdades tem sido o caldo de cultura para o surgimento de fenômenos violentos” nas sociedades da América Latina. Contra essa realidade, os sindicatos exigem políticas públicas inclusivas e respeito aos direitos humanos por parte dos Estados.

Finalmente, os sindicalistas apontaram que a situação em Honduras segue sendo extremamente grave. O quadro se agravou desde a posse do governo de Porfírio Lobo com a escalada de assassinatos de jornalistas, camponeses, sindicalistas e defensores dos direitos humanos. “Além da violência e da ilegitimidade do governo golpista e seu herdeiro no poder, prolonga a instabilidade do país o da região. Isto deve ser condenado explicitamente pela OEA mantendo a suspensão de Honduras”, afirma a declaração.

O secretário geral da OEA, José Miguel Insulza, afirmou na reunião que o respeito aos direitos dos trabalhadores é um "aspecto fundamental da democracia" no continente americano. Um espaço de conversação entre a OEA e os trabalhadores ou seus representantes sindicais, insistiu, "nos parece fundamental".

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Dilma e as armas da crítica

Muito antes que Lula anunciasse Dilma como sua possível candidata a sucessora, no ano passado, a mídia brasileira em seu conjunto já nutria e estampava uma notável antipatia pela figura da ex-ministra. Com o anúncio, a antipatia subiu de tom e tornou-se pauta obrigatória. Muitos adjetivos negativos já foram atirados sobre ela. Provavelmente, a tentativa mais grave de demolição da imagem da candidata foi aquela em que era acusada de terrorismo por ter pertencido a um dos movimentos que levantou-se em armas contra a ditadura militar. O artigo é de Beto Almeida.

Beto Almeida

A Folha de São Paulo chegou mesmo a publicar ficha falsificada da ex-presa política. Seus autores deverão responder perante a lei pela grosseira e criminosa adulteração. Pelas pesquisas disponíveis, a desqualificação editorializada de pouco adiantou já que Dilma é o nome que mais cresceu entre os presidenciáveis. É quando cabe sugerir longa e profunda reflexão sobre a força da razão e das idéias necessárias historicamente. É quando cabe comprovar se estamos diante de um momento da história de nosso país em que as armas da crítica encontram condições concretas para aprofundar um processo de transformação social que está em curso.

Quando a Folha de São Paulo tentou escandalizar a sociedade “denunciando” que Dilma Roussef havia pego em armas contra a ditadura, o que , na sua visão, a inabilitaria para concorrer ao cargo de presidente da república, talvez não imaginasse que a resposta viria com a forma simples e objetiva do raciocínio de Lula sobre a história. O presidente comparou Dilma a Nelson Mandela, libertador da África do Sul do regime cruel e desumano do apartheid. Ambos pertenceram a movimentos que, nas condições históricas adversas e sem quaisquer possibilidades para atuar politicamente, lançaram mão de ações armadas para derrubar regimes despóticos, ditatoriais, tirânicos, violadores dos direitos humanos, praticantes de execuções e torturas físicas contra os adversários políticos.

Acuados, perseguidos, verificando o assassinato de companheiros patriotas que aspiravam a libertação de seus países, muitos então jovens como Mandela e Dilma, lançaram-se à luta política mais radical. Proibidos de exercerem as armas da crítica, lançaram-se à critica das armas, para tomar a frase inapagável de Karl Marx. E pagaram caro por isso, sendo ambos presos e torturados.

Não se sabe quantas milhares ou milhões de vezes a tal acusação - lastreada numa montagem desinformativa publicada pelo jornal paulista - circulou e ainda circula pela internet. Sabe-se apenas que a ausência de critérios éticos que levaram os seus autores a tal ponto não os impedirá de novas e talvez mais absurdas iniciativas para demolir a candidatura que tanto prejudica poderosos interesses.

Essa desconstrução da imagem da ex-ministra conduz a uma analogia com a senha golpista que Lacerda lançou contra Vargas. Desconcertado e desesperado diante da popularidade do gaúcho de São Borja, Lacerda sentenciou o que ouvia nos porões mais fétidos da conspiração oligárquica: ”Vargas não pode ser candidato. Se o for, não pode vencer as eleições. Se as vencer, não pode tomar posse no cargo. Se tomar, não pode governar!” A senha golpista foi levada ao pé da letra pouco tempo após Vargas ter sancionado a criação da Petrobrás e a lei para criar a Eletrobrás. Se Vargas saiu da vida para entrar na história, é nela que devemos buscar aprender de suas preciosas lições. Para ter elementos que fortaleçam a argumentação dos que querem fazer andar adiante a roda da História. Para nos dar mais condições de usar as poderosas armas da crítica, de modo a assegurar que este país siga seu curso de transformação social progressista e democrática.

Dilma, Mandela e Vargas
Mas, que poderá haver de comum entre Vargas, Mandela e Dilma? Lula já indicou as similaridades entre os dois últimos, que não havia ocorrido aos mais diplomados sociólogos. Vargas entra na equação porque também pegou em armas, levantou o povo brasileiro contra a oligarquia e a dependência ao capital estrangeiro. Historiadores contam que em apenas um dia mais de 30 mil brasileiros apresentaram-se como voluntários, em Porto Alegre, para receber armas e marchar sob a liderança de Vargas rumo ao Rio de Janeiro! Vargas pegou em armas, mais do que isto, armou o povo brasileiro! E como resultado da Revolução de 30 surgem os direitos sociais, as leis trabalhistas, o direito de voto feminino, a licença maternidade, a reforma educacional, a universidade brasileira, além das medidas estratégicas como a nacionalização do sub-solo, preparando o terreno para a nacionalização do petróleo, a criação da Rádio Nacional, a nacionalização dos seguros, a previdência social etc. Estes são alguns dos resultados históricos concretos do gesto de Vargas de pegar em armas e de armar o povo brasileiro. Por isso ele ainda é, e para todo o sempre, tão odiado pelas oligarquias.

Vargas havia passado das armas da crítica para a crítica das armas. Havia até mesmo convidado Luis Carlos Prestes que já havia liderado uma épica rebelião também configurada como crítica das armas, a inapagável Coluna Prestes. O stalinismo frustrou a aliança de Vargas e Prestes. Talvez os prazos históricos tivessem sido outros no Brasil. Talvez...

Assim como talvez, se os clamorosos apelos de Tancredo Neves naquela dramática madrugada de 24 de agosto de 1954, no Palácio do Catete, para que Vargas lhe desse poderes para organizar a resistência armada contra o golpismo, inclusive organizando a resistência popular armada, o que já era uma experiência concreta na relação de Vargas com as forças populares, talvez, voltamos a dizer, o tiro que explodiu o coração do presidente da república tivesse encontrado pontaria histórica mais precisa e mais necessária. Tancredo também apelara para que o presidente alvo de conspiração golpista armada pelo capital estrangeiro passasse das armas da crítica - a legítima defesa democrática - para as crítica das armas, com o pleno respaldo popular e da história. Aquele agosto de 54 apenas adiou a tragédia de 64, quando as oligarquias, como sempre ocorre na história, passam das armas da crítica anti-democrática - inclusive a manipulação mais grosseira da imprensa que implorava o golpe militar, e muitos editorialistas do golpismo ainda estão em atividade hoje - para a crítica das armas. Instala-se a ditadura armada contra um povo desarmado.

Quantas vezes na história povos pacíficos, esmagados, oprimidos, não tiveram outra alternativa a não ser, pela coragem de seus filhos mais prenhes de liderança, a de organizar a rebelião em nome das causas mais sagradas de uma Nação??? Ignoram os que querem colar o rótulo de terrorismo sobre os lutadores do povo brasileiro, que a nossa história é rica em preciosas páginas de insubordinação contra situações tirânicas? Não, eles não ignoram, o que querem é que nós não nos lembremos da nossa própria história, de nossos heróis, de nossos mártires! Impossível.

Comecemos por recordar o alferes Tiradentes que lá nas Minas alterosas de dignidade e de amor à liberdade organizou a rebelião republicana contra a decrépita Coroa Portuguesa. “Por aqui passava um homem e como o povo se ria, liberdade e igualdade, a todos dizia”. Talvez naquela madrugada de 24 de agosto de 1954 o mineiro Tancredo Neves também se encorajasse da lembrança de Tiradentes, o herói ensandecido de amor pela liberdade, que já havia organizado uma das mais marcantes tentativas de passagem das armas críticas à critica das armas. Zumbi havia tentado antes. Em Guararapes também “aprendeu-se a liberdade, entre flechas e tacapes, facas, fuzis e canhões, brasileiros irmanados”, relembra o monumental samba de Martinho da Vila. Versão poética da crítica das armas.....

O Padre Roma, organizou as crítica das armas configurada na Revolução Pernambucana de 1817. Pagou com a vida. Seu filho, o General Abreu e Lima, foi obrigado à tortura mais cruel: assistir o fuzilamento de seu próprio pai, ordenado pelo bárbaro Conde D’Arcos. Imbuiu-se de uma indignação tão infinita e inesgotável que tornou-se herói da Gran-Colômbia, lutando ao lado de Simom Bolíviar, derrotando o colonialismo espanhol. Quando volta ao Brasil, incorpora-se novamente na tarefa de exercer as armas da crítica e sua passagem à crítica das armas, quando novamente é punido pela participação na Revolução Praieira. Na sua ausência, o Frei Caneca já tinha também pago com a própria vida pela legítima rebeldia republicana contra o colonialismo português. Brizola também,na célebre Campanha da Legalidade, também foi obrigado a passar das armas da crítica ä crítica das armas, para impedir a volta do voto de bico de pena ou de ponta de baineta. Ou seja, temos tanta história! Pobre do país ou de povo que não produza rebeldes dispostos a entregar sua própria vida pelas causas mais nobres de uma nação. Acerta Lula quando afirma que Dilma é criticada pelas suas qualidades....

Na nossa irmã Angola, o poeta e médico Agostinho Neto mesmo preservando a delicadeza de seus versos, pegou em armas e liderou a luta de seu povo armado contra o cruel colonialismo português. Tão cruel que ensina nos livros de história que os angolanos tinham rabos....Em Moçambique, outro poeta, o enfermeiro Samora Machel, também incorporou armas à sua dignidade e poesia, e organizou a luta armada de seu povo, por meio da Frelimo, para conquistar a independência do país.

Outras célebres personalidades do mundo também foram conduzidas , por implacáveis condições da história, a realizar esta dialética passagem das armas da crítica à crítica das armas. Miterrand , presidente da França, e sua Danielle, também pegaram em armas contra a ocupação nazista. Sandro Pertini também lutou com armas nas mãos contra os nazistas que ocuparam e esmagaram a Itália. Depois, lastreado por sua dignidade, tornou-se presidente da república. Nem é preciso lembrar do poeta vietnamita Ho Chi Min, do professor Mao Tsé Tung, do auto-didata León Trotsky, este organizador do Exército Vermelho, capaz de resistir ao cerco de onze exércitos estrangeiros simultaneamente.

Desarmamento unilateral
Quando Serra agride o presidente boliviano Evo Morales, que já tem na sua biografia o reconhecimento da Unesco por ter erradicado o analfabetismo na pobre Bolívia, soma-se ao coro dos desesperados barões da mídia naquele país que chamam o mandatário de “narco-presidente”. O curioso é que o governo da dupla FHC-Serra promoveu o mais perigoso processo de desarmamento da capacidade de defesa do Brasil de que se tem notícia. Mais que isso, a lei que instituía, após advertência, o tiro de interceptação, a chamada lei do abate, para ser usada contra aeronaves que adentravam ilegalmente o território brasileiro, não foi sancionada. A argumentação do governo de então era de que poder-se-ia atentar contra a vida de inocentes. Assim, aviões do tráfico de armas e de drogas podiam entrar com facilidade pelas nossas fronteiras sem que os militares brasileiras tivessem autorização legal para atuar.Sabendo disso, o tráfico atuava com ampla liberdade.... Duvidava-se, nos círculos governamentais tucanos, que os aviões trouxessem drogas ou armas. Será que traziam jujubas?

O sucateamento da capacidade de defesa organizado pela devastação neoliberal era pura e simplesmente desarmamento unilateral em favor de países que seguem ocupando posições estratégicas no planeta, com base em prioridade orçamentária inequívoca às suas respectivas indústrias bélicas. Fica claro aqui o lamentável sentido histórico dos que querem criticar a rebeldia que a ex-ministra teve na juventude diante de uma tirania implacável. Onde estavam estes “patriotas” que calaram-se diante do desmonte da indústria bélica nacional? Quem cala consente. Onde esconderam sua vergonhosa omissão quando um país com esta enormidade de costa e este potencial hidroviário teve sua indústria naval demolida? E a omissão conivente destes patrioteiros ante a demolição do sistema ferroviário? E o que dizer da magnitude do crime histórico de lesa pátria que significou a privatização da Embraer, sem contar o que a medida representou em redução unilateral e subordinada da capacidade nacional de defesa? Desarme que tem alcance de crime de lesa-pátria e que corresponde oferecer vantagens excepcionais ao'poder externo imperial, que , a cada dia, demonstra pretender novas e mais expansiva intervencoes militares.....

Em jogo, a reconstrução
É certo que as políticas do governo da dupla FHC-Serra que ampliaram perigosamente as vulnerabilidades externas do Brasil, começaram a ser revertidas firmemente no governo da dupla Lula-Dilma, a começar pela instituição de uma Estratégia Nacional de Defesa, que vai mais além do que algumas medidas militares. Avança na coordenação entre uma concepção de desenvolvimento coordenada com defesa, industrialização e soberania, sem descuidar do reposicionamento das forças militares seja fisicamente, no território brasileiro, seja no conteúdo doutrinário pelo o que passa ser estudado nas academias militares, onde também são estudados textos dos vietnamitas Ho Chi Min e Giap, entre outros. Além disso, vale citar a reconstrução da indústria naval brasileira e novo impulso para o programa nuclear iniciado na Era Vargas, destacando sua respectiva importância para a soberania nacional. E, também, o apoio determinante do Brasil para a criação do Conselho Sul-Americano de Defesa, em sintonia lógica e coerente com o processo de integração da região, hoje em curso. Em contrapartida, o governo da dupla FHC-Serra apoiou a anexação das economias latino-americanas aos EUA que se tentava implantar pela ALCA, devidamente enterrado pelo governo da dupla Lula-Dilma. Para os que insistem em buscar meios de afirmar que não há grandes diferenças entre os dois principais candidatos, creio que aqui temos algumas diferenças abissais.

Certamente, tempos eleitorais são períodos em que as oligarquias mais revelam sua inépcia para o convívio com as práticas democráticas. Elas preferem a imposição e o esmagamento das forças populares. Normalmente, em termos históricos, isto ocorre recorrendo à crítica das armas, por meios reiteradamente ilegais. Ditaduras e mais ditaduras andaram pelas páginas da história. Hoje, temos uma quadra do tempo em que, apesar da brutal desigualdade no acesso aos meios de comunicação, as forças populares encontram certas condições para exercer as armas da crítica. Seja pela voz de um presidente que usa legitimamente de sua popularidade para demolir mitos e falsificações midiáticas, seja pelo acúmulo da luta que as forças progressistas alcançaram, dando início a um processo de transformação que deve e pode ser aprofundado em favor dos mais empobrecidos.

Beto Almeida, Jornalista, Presidente da TV Cidade Livre

domingo, 6 de junho de 2010

O segundo turno das eleições na Colômbia

Alberto Pinzón Sánchez
ANNCOL


No final de 2000, quando Álvaro Uribe, de mão dada com Mancuso e Castaño, começou sua "Marcha parda" desde sua fazenda Ubérrimo até a presidência da Colômbia, o poder imperial dos Estágios Unidos dominado pelo "conservador" Partido Republicano, tinha acabado de eleger George Bush como seu presidente, que aliado com o Inglês Tony Blair e o espanhol Aznar, estava se preparando para ir para a ofensiva Internacional (em todos os aspectos), com o slogan genocida da guerra contra o terrorismo ou melhor, de sangue pelo petróleo.

Na Colômbia, o presidente Pastrana preparava as condições da ascensão de Uribe, reformando e reequipando as Forças Armadas colombianas, sob o esquema totalmente norteamericano do Plano Colômbia e enganava o povo colombiano com negociações simuladas com a guerrilha com o modelo falido de "negociar no meio da guerra", o que supõe necessariamente seu fracasso e lhe permitiu, durante todo o tempo, chantagear as regociações: “Se o processo de negociação for rompido, dizia ele, tiro o status político que outorguei às FARC, os declaro terroristas e, em breve, serão derrotados política e militarmente”.

Paralelamente, o Partido Liberal, liderado pelo ‘coronel’ antioquenho Luis Guillermo Vélez (mais tarde fundador do Partido da U), juntamente com o energúmeno cacique liberal Vargas Lleras, começavam uma ofensiva política na mídia e no parlamento colombiano, com o objetivo de romper a famosa zona Del El Caguán, sendo apoiados militarmente em todos os pontos limites dessa zona pelas “unidades delta” do Exército Nacional recentemente remodeladas e muito bem apoiadas por seus respectivos paramilitares.

A ruptura das negociações não demorou, e Uribe Vélez, bem assessorado internacionalmente (inclusive pelo renegado salvadorenho Joaquin Villalobos, professor de guerra contrainsurgente na Inglaterra), começou seu golpe de opinião para a tomada completa do poder. O candidato liberal, Serpa Uribe, que Uribe Vélez enfrentou no segundo turno, confiando na lealdade dos chefões e caciques liberais do seu partido, mas acima de tudo, confiando, como costumava disser, na “imperfeita” democracia colombiana; não chegou a avaliar, ou talvez sim (só ele sabe), a combinação perfeita do proselitismo armado paramilitar mais fraude eleitoral, o que daria a Uribe Vélez a credencial de presidente dos colombianos.

Logo veio o manto protetor de Bush, Blair e Aznar para a democracia colombiana, que havia acabado de eleger um homem providencial para derrotar o terrorismo na Colômbia e a chuva de dólares em investimentos, empréstimos, privatizações, etc, começaram a cair do céu da Colômbia junto com o glifosato aperfeiçoado e as bombas em cacho. “Nossa baixas serão igual a zero, disse o Pentágono, enquanto que as do inimigo serão milhares”, e assim a verdade, como de costume, se tornou a primeira vítima da guerra contra o chamado narcoterrorismo colombiano.

Hoje, após 10 longos e cruentos anos, o panorama externo da Colômbia se moveu um pouco e no interior mudou completamente: No exterior, o império norteamericano já não está mais na ofensiva; Econômica, política e ambientalmente, enfrenta uma prolongada e profunda crise financeira internacional, que hoje estende-se até a Grécia, que golpeou e questionou seriamente a sua hegemonia mundial. Também tem sido vítima de uma estranha e catastrófica revanche da natureza, derivada de suas enormes reservas submarinas de petróleo construídas no Golfo do México, que têm contribuído para o agravamento social. E militarmente, o “piece of cake”, o pedaço de bolo, que supunham ser a guerra nos paises da Ásia Central (Curdistão, Iraque, Afeganistão, Beluchistão, Paquistão e Irã), está engasgado perigosamente.

Internamente, na Colômbia, assistimos ao enorme desastre (em todos os aspectos possíveis), mas, principalmente, na legalidade e legitimidade do regime da Segurança Democrática de Uribe Vélez, e ao nó de contradições sociais e políticas nos altos escalões do poder trazidas para a superfície após da decisão do tribunal constitucional adversa ao seu terceiro mandato, que formalmente iniciou a atual campanha presidencial. Tampouco estão na ofensiva, nem política, nem econômica, nem socialmente. A iniciativa parece agora estar nas mãos das classes médias golpeadas que pedem a legalidade, e dos trabalhadores que exigem trabalho e saúde nas ruas e estradas da Colômbia.

E o relatório da Cruz Vermelha Internacional, publicado no passado 26 de abril em Genebra por Christophe Beney, sobre o conflito social e militar colombiano; mostra que tampouco têm a iniciativa militarmente: “O que vemos hoje, talvez entre o final de 2009 e início de 2010, é que as FARC, como grupo guerrilheiro, se adaptam de forma dinâmica e novamente tem uma capacidade, como temos visto nestes dois ou três meses, para continuar sendo um protagonista importante no conflito armado”.

No entanto, a classe dominante na Colômbia (muito bem caracterizada) não está derrotada, pois mantém intactos todos os grandes recursos de poder para controlar seu entusiasmo momentâneo, e enfrentar os iludidos ou ingênuos com boas intenções (ainda não se sabe), como aqueles que em 2002 acreditaram em outro triunfo eleitoral simples, e em uma entrega tranquila do poder por Uribe para um eleito distinto do seu escolhido Juan Manuel Santos. Os jesuítas, mestres nestas matérias, dissem que “o caminho para o inferno está cheio de boas intenções”

Apesar de ter os olhos bem abertos, os sonhadores não querem ver que a estratégia política e eleitoral da oligarquia é exatamente como nas fraudulentas eleições anteriores, ao construir um cenário virtual para um segundo turno eleitoral, tal qual como estão fazendo com a guerra mediática de pesquisas que, todos os dias, nos mostram. Após o primeiro turno das eleições e após repartir o rico botim da redistribuição dos votos, vem a verdadeira sondagem das sondagens das caixinhas de papelão chamadas urnas.

Por exemplo, Naomi, como já foi acordado na convenção conservadora realizada recentemente, vai se retirar deixando o clone Arias como chefe do Partido Conservador com toda sua clientela eleitoral e burocrática, para aderir a Chuck Santos. O energúmeno Vargas Lleras, juntamente com Pardo, que sem dúvida, sabem como contar o vil metal sem o qual passa-se mal, finalmente vai fazer o mesmo com suas máquinas eleitorais bem lubrificadas. Enquanto que a chamada onda verde do estupefato Mokus (ou o perfeito idiota lituano-americano como foi descrito pelo “gremlin” Apuleyo Mendoza), que não possui máquina eleitoral, nem funcionários dos registros eleitorais ao seu serviço; também depois das reposições monetárias recebidas pelos votos obtidos, receberá a adesão de certos membros de outros partidos “compatíveis” com a sua ideologia neoliberal, aprisionados como estão, na dinâmica do voto útil imposta pela polarização favorável aos dominantes, mas que são suficientes para ganhar.

Não acredito (mas também não o descarto) que um atentado como os de Pardo Leal, Jaramillo ou Galán, da tirar do caminho o “cavalo sem capacidade de Uribe”. Primeiro porque seu neoliberalismo é funcional para um grupo “legalista de última hora” da oligarquia ( Hommes, patronato antioquenho, Fadul, Peñalosa, entre outros). Segundo, pelas razões expostas acima, de que as coisas mudaram dentro e fora da Colômbia e já não estão mais na ofensiva para cobrir uma ação desse tipo. E terceiro, porque para derrotar a aliança fascista Uribe-Santos e restabelecer um mínimo de legalidade ou legitimidade na Colômbia, é preciso “algo mais” do que uma onda verde de opinião legalista. Ferramenta política que ainda não apareceu, refundida na bobeira insípida de uma polarização eleitoreira emocional sem conteúdo, na qual os dominantes tem tudo para ganhar.

sábado, 5 de junho de 2010

Como os EUA preparam uma guerra mundial nuclear

"Não encontrei outra opção a não ser escrever duas reflexões sobre o Irã e a Coreia, que explicam o perigo iminente de guerra com o emprego da arma nuclear. Por sua vez, já expressei a opinião de que um desses problemas podia ser emendado se a China decidia vetar a resolução promovida pelos EUA no Conselho de Segurança das Nações Unidas." (Fidel)

Por Fidel Castro, no Granma


O outro depende de fatores que escapam a toda possibilidade de controle, devido à conduta fanática do Estado de Israel, convertido pelos EUA em sua condição atual de forte potência nuclear, que não aceita ser controlada pela superpotência.

Quando teve lugar a primeira intervenção dos EUA para esmagar a Revolução Islâmica, em junho de 1953, em defesa de seus interesses e dos de seu grande aliado, o Reino Unido, que levou ao poder Mohammad Reza Pahlevi, Israel era um pequeno Estado que ainda não se tinha apoderado de quase todo o território palestino, parte da Síria e não pouco da vizinha Jordânia, defendida até essa altura pela Legião Árabe, da qual não resta vestígio algum.

Hoje, as centenas de mísseis com ogivas nucleares, apoiados pelos aviões mais modernos, fornecidos pelos EUA, ameaçam a segurança de todos os Estados da região, árabes e não árabes, muçulmanos e não muçulmanos, que estão ao alcance do amplo raio de ação de seus projéteis, que podem cair a poucos metros de seus alvos.

No domingo passado, 30 de maio, quando escrevi a Reflexão "O império e a droga", ainda não tinha acontecido o brutal ataque contra a frota que transportava suprimentos, medicamentos e artigos de primeira necessidade para o milhão e meio de palestinos sitiado em um pequeno fragmento daquilo que foi sua própria Pátria durante milhares de anos.

A imensa maioria das pessoas investe seu tempo e luta para enfrentar as necessidades que lhes são impostas pela vida — entre elas o alimento, o direito ao divertimento e ao estudo, e outros problemas vitais dos familiares mais próximos —; sem pararem para buscar informação sobre o que acontece no planeta. A gente os vê em qualquer parte com expressões de nobreza e confiantes em que outros serão os encarregados de solucionar os problemas que os afligem. São capazes de se alegrarem e sorrirem. Desta maneira alegram aqueles que temos o privilégio de observar com equanimidade as realidades que ameaçam a todos.

O estranhíssimo invento de que a Coreia do Norte tinha afundado a corveta sul-coreana Cheonan — desenhada com tecnologia avançada, dotada de amplo sistema de sonar e sensores acústicos submarinos —, em águas localizadas em frente a suas costas, a culpava do desumano fato onde morreram 40 marinheiros sul-coreanos e dezenas receberam ferimentos.

Não era fácil para mim desentranhar o problema. Por um lado, não tinha a forma de explicar que um governo qualquer tivesse a possibilidade, mesmo que desfrutasse de autoridade, de usar mecanismos de comando para dar a ordem de torpedear uma nave insígnia. Por outro lado, jamais acreditei na versão de que Kim Jong Il tinha dado essa ordem.

Carecia de elementos de juízo para poder chegar a uma conclusão, mas estava certo de que a China vetaria um projeto de resolução do Conselho da Segurança que sancionasse a Coreia do Norte. Ao mesmo tempo não tinha nenhuma dúvida de que os EUA não podem evitar o uso da arma nuclear por parte do governo incontrolável de Israel.

Em horas avançadas do dia 1 de junho já se recebiam informações do que realmente aconteceu.

Às 22h30, escutei o conteúdo de uma análise intensa do jornalista Walter Martinez, que elabora Dossier, programa estelar da televisão venezuelana. Ele chegou à conclusão de que os EUA fizeram com que cada uma das partes da Coreia acreditasse naquilo que cada uma delas afirmava da outra, com o objetivo de resolver o problema da devolução do território ocupado pela base de Okinawa, que o novo líder do Japão exigia, como porta-voz das ânsias do país. Seu partido obteve um enorme respaldo nas eleições, devido à promessa que fez de conseguir a retirada da base militar ali instalada, punhal cravado há mais de 65 anos no coração do Japão, hoje um país desenvolvido e rico.

Através da Global Research, são conhecidos os detalhes verdadeiramente assombrosos do acontecido, graças ao artigo de Wayne Madsen, jornalista pesquisador que trabalha em Washington DC, quem divulgou informação de fontes de inteligência no site Wayne Madsen Report.

Essas fontes — afirmou — “suspeitam que o ataque contra a corveta de guerra antissubmarinos Cheonan, da armada sul-coreana, foi um ataque de bandeira falsa feito para que parecesse vindo da Coreia do Norte."
"Um dos propósitos principais para o aumento das tensões na península coreana era aplicar pressão sobre o primeiro-ministro japonês Yukio Hatoyama para que mudasse a política sobre a saída de Okinawa da base do corpo de fuzileiros navais dos EUA. Hatoyama admitiu que as tensões pelo afundamento da Cheonan influíram bastante em sua decisão de permitir que os fuzileiros navais dos EUA permanecessem em Okinawa. A decisão de Hatoyama provocou a divisão no governo da coligação de centro-esquerda, um fato saudado em Washington, pela ameaça do líder do Partido Social Democrata, Mizuho Fukushima, de abandonar a coligação, devido à mudança de atitude sobre Okinawa.

"A Cheonan foi afundada perto da ilha Baengnyeong, um lugar do extremo ocidental afastado da costa sul-coreana, mas em frente da costa norte-coreana. A ilha está altamente militarizada e dentro do alcance do fogo de artilharia das defesas costeiras norte-coreanas, no outro lado de um estreito canal.

"A Cheonan, uma corveta de guerra antissubmarinos, tinha sonar de tecnologia avançada, e, além do mais, operava em águas com amplos sistemas de sonar, hidrofone, e de sensores acústicos submarinos. Não existe evidência sul-coreana de sonar ou de áudio de um torpedo, submarino ou mini-submarino na área. Visto que não há quase navegação no canal, o mar estava silencioso no momento do afundamento.

"Contudo, na ilha Baengnyeong existe uma base de inteligência militar estadunidense-sul-coreana e SEALS (forças especiais) da Armada dos EUA operam a partir dela. Além disso, no setor havia quatro navios da armada dos EUA, parte do Exército Foal Eagle EUA-Coreia do Sul, durante o afundamento da Cheonan. Uma investigação dos vestígios metálicos e químicos do torpedo suspeito demonstra que é de produção alemã.

"Existem suspeitas de que os SEALS da Armada dos EUA mantêm uma amostra de torpedos europeus com fins de denegação plausível para ataques de bandeira falsa. Ademais, Berlim não vende torpedos à Coreia do Norte; contudo, a Alemanha mantém com Israel um programa de estreita cooperação no desenvolvimento conjunto de submarinos e armas submarinas.

"A presença do USNS Salvor, um dos participantes no Foal Eagle, muito próximo da ilha Baengnyeong durante o afundamento da corveta sul-coreana, também suscita perguntas.

"O Salvor, navio civil de salvamento da Armada, que participou em actividades de colocação de minas pelos marines tailandeses, no Golfo da Tailândia, em 2006, esteve presente num lugar próximo ao momento da explosão, com um complemento de 12 mergulhadores de águas profundas.

"Pequim, satisfeita com a asseveração de inocência de Kim Jong Il da Coreia do Norte depois de uma viagem urgente de comboio de Pyongyang até Pequim, suspeita então do papel da Armada dos EUA no afundamento da Cheonan, associada às suspeitas particulares a respeito do papel desempenhado pelo Salvor. As suspeitas são as seguintes:

"1. O Salvor participava de uma operação de instalação de minas no leito marinho; noutras palavras, colocava minas antissubmarinas disparadas horizontalmente no fundo do mar.

"2. O Salvor realizava inspeção de rotina e manutenção de minas no leito marinho, e colocando-as em um modo eletrônico ativo — disparo por gatilho sensível — como parte do programa de inspeção.

"3. Um mergulhador dos SEALS colocou uma mina magnética na Cheonan, como parte de um programa clandestino com a intenção de influenciar na opinião pública na Coreia do Sul, no Japão e na China.

"As tensões na península coreana eclipsaram convenientemente todos os outros pontos da agenda nas visitas da secretária de Estado Hillary Clinton a Pequim e Seul."


Desse modo, de maneira assombrosamente fácil, os EUA conseguiram resolver um importante problema: arrasar o governo de Unidade Nacional do Partido Democrata de Yukio Hatoyama, mas a grande custo:

1. Ofenderam profundamente seus aliados da Coreia do Sul

2. Destaque para a habilidade e rapidez com que atuou seu adversário Kim Jong Il.

3. Fez ressaltar o prestígio da potência China, cujo presidente com total autoridade moral, agiu pessoalmente e enviou os principais líderes da China conversarem com o imperador Akihito, com o primeiro-ministro e outras personalidades eminentes do Japão.

Os líderes políticos e a opinião mundial têm uma prova do cinismo e da falta total de escrúpulos que caracterizam a política imperial dos EUA.

Ho Chi Min (1)

Escrito por Wladimir Pomar

O Vietnã comemorou, em maio, os 120 anos do nascimento de Ho Chi Min, inclusive com a realização de um seminário internacional para discutir o seu legado. Nesse seminário, abordou, principalmente, suas contribuições nas causas da independência nacional, socialismo, paz, amizade e progresso da humanidade, cultura, ética e dignidade.

Diante dos novos desafios enfrentados pelos Vietnã, em especial pela adoção dos mecanismos de mercado para desenvolver suas forças produtivas, com todas as conseqüências que isso representa, os comunistas vietnamitas parecem empenhados em resgatar os pensamentos históricos de Ho Chi Min como uma bússola que os oriente nesse complexo processo de transição.

Quando Ho Chi Min nasceu, em 1890, o Vietnã, juntamente com o Camboja e com o Laos, fazia parte da chamada Indochina francesa. Uma parte do país, o Nam Ky (Cochinchina) estava subordinada ao regime colonial. Outra parte, o Ban Ky (Tonkin) era um semi-protetorado, enquanto o Trung Ky (Anan) era um protetorado.

Na prática, essa divisão era formal, já que a administração colonial decidia a vida do povo das três regiões, explorava suas riquezas naturais, protegia os produtos industriais franceses em sua concorrência com o artesanato local e reprimia qualquer movimento tendente a recuperar a soberania nacional.

Ho foi o terceiro filho de um homem de cultura, que não se deixara corromper, nem pelo mandarinato, nem pelas possibilidades que os colonialistas ofereciam aos colaboradores. Desse modo, cresceu num ambiente em que a cultura de seu povo, com mais de 3500 anos de história, era estudada e mantida como forma de resistência ao domínio colonial. Aos 15 anos já estava envolvido com as atividades clandestinas que parte da intelectualidade vietnamita desenvolvia contra os colonizadores.

Porém, ao contrário de alguns desses intelectuais, que pretendiam voltar-se para o Japão como contraponto ao domínio colonial, Ho Chi Min sentiu-se mais atraído pelos países ocidentais, como a França. Tais países viviam a contradição de promoverem a liberdade, a igualdade e a fraternidade, mesmo formais, em seu território, ao mesmo tempo em que praticavam a opressão e a exploração contra outros povos, proibindo-os de reivindicar qualquer uma daquelas bandeiras surgidas da revolução de 1789.

Ao terminar seus estudos, em 1908, Ho Chi Min decidiu viajar aos países ocidentais para conhecer como viviam seus povos e tirar daí ensinamentos que pudessem ajudar seus compatriotas a libertar-se do jugo colonial. Saiu do Vietnã como ajudante de cozinheiro de um navio mercante. E durante vários anos conheceu, além da França, Espanha, Portugal e Grã-Bretanha, na Europa; a Tunísia, Congo, Daomé e Senegal, na África; e os Estados Unidos, Brasil e alguns outros países das Américas.

Em cada um desses lugares, permaneceu por algum tempo. Foi cozinheiro na França, limpador de neve e atendente de hotel em Londres, ajudante de pedreiro em Nova York. Em cada uma das cidades em que viveu, mesmo por pouco tempo, fez contato com os emigrados vietnamitas, com os movimentos populares locais, com políticos e intelectuais. Com isso, descobriu a existência de movimentos anti-coloniais, lutas operárias e mobilizações sociais de diferentes tipos dentro dos países imperialistas, a exemplo das ações dos negros norte-americanos

Através dessas viagens e contatos com diferentes povos chegou à conclusão de que "embora as cores da pele fossem diferentes, havia apenas duas qualidades de pessoas sobre a Terra: os exploradores e os explorados". Isto se tornou um ponto de virada em sua visão, já que o pensamento comum dos vietnamitas era que todos os franceses eram colonialistas. Ter o povo francês, principalmente seus trabalhadores, como aliados, tornou-se parte do pensamento adquirido na experiência das viagens de Ho Chi Min.

Durante a primeira guerra mundial, Ho permaneceu na Grã-Bretanha como trabalhador manual. Mas logo que o conflito foi encerrado, resolveu voltar à França, onde se tornou restaurador de pinturas antigas. Ao mesmo tempo, desenvolvia atividades políticas com emigrados vietnamitas e mantinha contatos com os socialistas franceses. Passou a escrever artigos e panfletos sobre a opressão colonial na Indochina e acabou juntando-se ao Partido Socialista.

A ocorrência da revolução russa, em 1917, causou um forte impacto no pensamento de Ho, estimulando-o a conhecer como os russos haviam chegado a tanto. Foi em parte sob a influência desse acontecimento que ele, sob o nome de Nguyen Ai Quoc, decidiu enviar à Conferência de Versalhes a "Petição na Nação Anamita (Vietnamita). A petição foi publicada em 18 de junho de 1919 pelo jornal L’Humanité, sob o título "O direito das nações".

Nessa petição, Ho demandava que o governo francês anistiasse todos os presos políticos, reformasse o sistema judicial vietnamita, dando ao povo do país as mesmas salvaguardas dadas aos europeus, permitisse a liberdade de imprensa, opinião, associação, assembléia e ensino, substituísse o regime de decretos pelo regime da lei, e permitisse a presença de uma delegação permanente de vietnamitas no parlamento francês, para mantê-lo informado de suas aspirações.

Embora a petição não reivindicasse a independência, ela foi uma demonstração de que a luta pela independência dos povos colonizadas estava tomando corpo. A recusa pura e simples da Conferência em examinar a petição levou Ho Chi Min a chegar a outra importante conclusão: as declarações imperialistas sobre liberdade e democracia não eram senão palavras ao vento para enganar os povos oprimidos. Para conquistar a independência e a liberdade os povos tinham que contar com sua própria força.

Isso levou Ho a se voltar ainda mais para a experiência russa. Junto com ativistas do Partido Socialista Francês participou ativamente das atividades de solidariedade aos revolucionários russos contra a intervenção das potências imperialistas que pretendiam derrubar o novo poder na antiga terra dos tzares.

Em 1921, Ho Chi Min tomou conhecimento das teses de Lênin sobre as Nações e a Questão Colonial, apresentadas no segundo congresso da Internacional Comunista. Essas teses, segundo descrição do próprio Ho, o levaram a exclamar que ali estava o que ele e os povos oprimidos procuravam. "Aqui está o que nós necessitamos, aqui está o caminho de nossa libertação". Com isso, o que era uma curiosidade pela experiência da revolução russa, tornou-se uma verdade revelada e um objeto de estudo intenso.

Wladimir Pomar é escritor e analista político.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Monopólio da mídia é maior obstáculo à vitória de Dilma, opina Emir Sader

O sociólogo Emir Sader acredita que a mídia é a única opção ao alcance da oposição para tentar desestruturar o que considera ser a tendência de vitória da pré-candidata Dilma Rousseff (PT) à Presidência da República. Ele pensa que as políticas públicas adotadas na gestão atual não estão garantidos caso "a oligarquia volte ao poder", em referência à pré-candidatura de José Serra (PSDB).

"O governo Lula pode ser uma ponte para sair definitivamente do modelo ou um parênteses", opina, em entrevista à Rede Brasil Atual. "As políticas feitas pelos tucanos, seja em nível nacional, seja nos estados, são de privatização", constata. Isso quer dizer que "nenhuma conquista do governo Lula seria irreversível".

Sader é autor de diversos livros, sendo o mais recente "Brasil, entre o passado e o futuro", que discute a história da esquerda, as políticas realizadas no governo de Luiz Inácio Lula da Silva e as perspectivas para os próximos anos.

A respeito do discurso adotado por Serra no início da pré-campanha, tentando colocar-se como o mais capacitado para o "pós-Lula", o sociólogo faz um alerta: "A campanha eleitoral não é feita dizendo o que 'vou fazer', é feita do que 'o eleitorado quer que eu diga'. Senão não ganho". Na prática, isso quer dizer que a opção de tentar prometer continuidade está mais baseada nos índices de aprovação do governo Lula do que em convicções.

Entrevista

Emir Sader, sociólogo e cientista político, coordena o Laboratório de Políticas Públicas (LPP) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, onde é professor de sociologia.

Sader qualifica Serra ainda como "autoritário" e "prepotente", e faz duras críticas à mídia. "Eu diria que o obstáculo maior à vitória da Dilma é o monopólio privado dos meios de comunicação", avalia. "O fato de que todos estão alinhados com o Serra. Isso indica o fracasso absoluto da política de comunicação do governo", critica.

Confira os principais trechos da entrevista:

- As conquistas em política externa do Brasil estão garantidas para o próximo período?

"O governo Lula pode ser uma ponte para sair definitivamente do modelo ou um parênteses, se a oligarquia voltar ao poder. As políticas feitas pelos tucanos, seja em nível nacional, seja nos estados, são de privatização." Em política externa, as declarações do Serra demonstram que seria claramente uma mudança significativa (caso ele fosse eleito). Disse que o Mercosul era uma farsa, que o ingresso da Venezuela no mercado comum seria uma insensatez, que como presidente não convidaria o presidente do Irã nem visitaria o país no Oriente Médio, que o Brasil fez uma trapalhada em Honduras etc. Ele está a favor de se afrouxarem laços na integração regional e voltar a estabelecer relações privilegiadas com os Estados Unidos. Isso seria uma mudança importante também no modelo interno, que só é possível porque há soberania externa.

- A opção de priorizar relações comerciais e políticas externas com países em desenvolvimento, nas chamadas relações Sul-Sul, seria abandonada?

Nas eleições há quatro anos, quando (Felipe) Calderón foi eleito presidente do México de maneira possivelmente fraudulenta, o (Geraldo) Alckmin o saudou, dizendo que aquele é o caminho. O caminho do México é o do tratado de livre comércio, de quem retrocedeu 7% no PIB ano passado, quem foi ao Fundo Monetário Internacional, não diversificou no comércio internacional, não intensificou distribuição de renda, mercado interno e consumo popular. Quanto se retomaria o caminho é difícil imaginar, porque seria equivocado e ineficiente. O Brasil conseguiu superar a crise com rapidez pela demanda asiática – especialmente chinesa –, pelo intercâmbio regional com países sul-americanos. E também por manutenção do poder aquisitivo no mercado popular.

- Inicialmente o pré-candidato José Serra tem assumido uma postura de continuidade, de se colocar como o melhor para realizar políticas "pós-Lula". Ainda assim o senhor acredita que haveria mudanças?

"A campanha eleitoral não é feita dizendo o que 'vou fazer', é feita do que 'o eleitorado quer que eu diga'. Senão não ganho. Mais de 70% apoiam o governo Lula, portanto várias declarações são cosméticas para não se contrapor ao eleitorado." O governo Lula pode ser uma ponte para sair definitivamente do modelo. Ou um parênteses, se a oligarquia voltar ao poder. As políticas feitas pelos tucanos, seja em nível nacional, seja nos estados, são de privatização. Pode não fazer tão grosseiramente quanto antes, mas os dois bancos estaduais de São Paulo foram vendidos. O Banespa foi privatizado para o capital estrangeiro. A Nossa Caixa teria o mesmo destino, não fosse o Banco do Brasil comprar. Quem não faz políticas sociais, quem não financia programas populares, não precisa ter bancos. É mais importante fazer caixa para estrada, rodoanel, que dá mais impacto para o público. A própria prioridade das políticas sociais poderia ser questionada perfeitamente com uma mudança de governo.

- Então, por que a opção de pregar a continuidade com, no máximo, alguns aprimoramentos?

"Nenhuma conquista do governo Lula seria irreversível. A campanha eleitoral não é feita dizendo o que "vou fazer", é feita do que "o eleitorado quer que eu diga". Senão não ganho. Mais de 70% apoiam o governo Lula, portanto várias declarações são cosméticas para não se contrapor ao eleitorado. Talvez se esteja vendo que isso também seria um caminho de derrota, porque a sucessora normal seria a Dilma (Rousseff), mas até agora houve muito mais tentativa de buscar elementos de consenso com o governo, sem deixar claro o que se faria. Mas pelo que é feito em São Paulo... Se o Bolsa Família é tão bom, por que diminuiu aqui? Há uma série de políticas concretas que provavelmente seriam transferidas nacionalmente caso (os aliados de Serra) chegasssem a ganhar. Nenhuma conquista do governo Lula seria irreversível.

- Nas últimas semanas, Serra chegou a bater boca com alguns jornalistas. Muitos apoiadores da candidatura de Dilma sustentam que a mídia tem um comportamento de apoio incondicional ao pré-candidato tucano. Como explicar essas reações contra repórteres?

"Agora, perdendo a liderança, (Serra) vai cometer mais erros, inclusive no perfil da atitude sobre o governo Lula. Se continuar a se identificar, mais fácil a passagem de votos para a Dilma, se bater, vai estar na contramão do eleitorado. Se ficar o bicho come, se correr o bicho pega."
Ele (Serra) tem um estilo autoritário, prepotente. Basta ser colocado em situações de risco e de incerteza para se comportar assim. Sobretudo quando é questionado sobre coisas que ele acha serem inquestionáveis. "Vai continuar o Bolsa Família?" etc. Ele acha ruim, sabe que são temas agudos e acaba perdendo o controle. Mas ele é assim, eu o conheço desde o movimento estudantil, é sempre autoritário. E ainda dizem que Dilma é autoritária. Quando uma mulher tem capacidade e competência é autoritária, senão, seria frouxa. Autoritário é o Serra. O estilo que vocês estão vendo agora é o normal dele de relação, de ser um trator, impor pela força, pela reiteração."O obstáculo maior à vitória da Dilma é o monopólio privado dos meios de comunicação. O fato de que todos estão alinhados com o Serra. Isso indica o fracasso absoluto da política de comunicação do governo (...) É o instrumento que eles (oposição) têm a mão. Se vai ter eficácia ou não..."

- Agora, perdendo a liderança, vai cometer mais erros, inclusive no perfil da atitude sobre o governo Lula. Se continuar a se identificar, mais fácil a passagem de votos para a Dilma, se bater, vai estar na contramão do eleitorado. Se ficar o bicho pega, se correr o bicho pega.
Mas o senhor vê também a partidarização da mídia nas eleições?

A executiva da Folha (de S.Paulo, Maria Judith Brito, presidente da Associação Nacional de Jornais, ANJ) que assumiu que, como a oposição é fraca, eles (veículos de comunicação) assumem o papel de oposição, significa uma consciência clara do papel que estão desempenhando. Eu diria que o obstáculo maior à vitória da Dilma é o monopólio privado dos meios de comunicação. O fato de que todos estão alinhados com o Serra. Isso indica o fracasso absoluto da política de comunicação do governo. Há cinco anos é um governo com uma popularidade altíssima, sem um meio de comunicação autônomo. O Lula não fala para o povo, a imprensa escolhe o que ele vai falar. Parecem intermediários viciados no diálogo entre o presidente mais popular que o Brasil já teve e a massa, a cidadania. Vão se manter assim em ano de eleição porque é a única chance de tentar conter a provável vitória da Dilma.

- A popularidade de Lula apesar dessa intermediação da mídia não indica que esse efeito da mídia sobre a população está inócuo?

É o instrumento que eles (oposição) têm a mão. Se vai ter eficácia ou não... Qual é o modelo de política popular melhor que a do Lula que tenham a apresentar? Qual é o projeto de país mais significativo? O que têm é a possibilidade de desarticular a imagem da Dilma por meio de denúncias baixas. É o que resta. O Lula já provou que está acima de qualquer campanha. Não pega. Os argumentos do Serra são de nenhuma compreensão para o povo. Dizer que é "o governo mais patrimonialista que existiu", é o quê? "Apropria-se dos cargos"? Para o eleitorado, além de não ser claro o que isso quer dizer, fica a impressão de que, se o governo faz tudo isso mas o resultado é bom, não é um problema tão grave. A opção pode reiterar argumentos para quem já está contra. Eles não têm argumentos fortes. A comparação dos dois governos (FHC e Lula) é acachapante. A opção de apontar Serra como a melhor continuidade deixou de ser viável, porque os votos transferidos para Dilma são os que apoiam o candidato indicado por Lula. Matematicamente é uma tendência de derrota mesmo. O que está ao alcance é a mídia, e vão jogar com ele até onde puderem.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Padre Giraldo: Em fazenda da propriedade da familia de Uribe funcionava uma estrutura paramilitar



Anncol

O coordenador do banco de dados do CINEP, padre Javier Giraldo, em entrevista para La Fm, afirmou que, em 2005, na fazenda La Carolina, de propriedade da família do presidente Uribe, funcionava uma estrutura paramilitar onde diversos crimes foram cometidos.

"No meu entendimento é muito preocupante que, se essa fazenda pertencia à familia do presidente Uribe...é de extrema gravidade que ali funcionasse uma estrutura paramilitar em 2005”, disse o padre Giraldo.

Nesse sentido, o padre Giraldo disse que em várias ocasiões solicitou à justiça que se investigasse o que acontecia nesta propriedade. Não conseguiu que se chegasse ao esclarecimento dos fatos.

Segundo disse o padre Giraldo, em 2005 solicitou ao procurador Iguarán que investigasse o que ocorria nesta fazenda, porque no processo do general Rito Alejo del Rio, houve o caso de um soldado que foi convidado a participar da estrutura paramilitar que operava nesta fazenda e, por se negar, foi assassinado.

"Já tive a experiência de que a justiça não está interessada em investigar este caso... porque o sistema judiciário colombiano o tem evitado”, disse o sacerdote Javier Giraldo.

Giraldo ainda disse que foi sugestão dele que o Major(R) Meneses se encontrasse como o Prêmio Nobel Adolfo Pérez Esquivel, para dar seu depoimento sobre os supostos vínculos de Santiago Uribe, irmão do presidente Uribe, com os paramilitares do departamento de Antioquia.

"Quando entraram em contato comigo e me dizeram que havia um testemunho do que acontecia em La Carolina, recomendei que fosse apresentasse perante juristas de nível internacional, pois a justiça colombiano tem-se esquivado”, disse Giraldo.

Finalmente, o coordenador do banco de dados CINEP, o padre Javier Giraldo, descartou a possibilidade de que o depoimento do Major (R) Meneses tenha alguma relação com o governo da Venezuela.

"Não tenho dados que demonstrem que este depoimento tenha algo a ver com o governo da Venezuela... É diferente pois o Major procurou a Venezuela como primeiro refugio, mas teve procurar outro atraves de ACCNUR pois tentaram assassiná-lo no país vizinho”, disse Giraldo.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Colômbia, nós te aguardamos

Eron Bezerra *

Ainda não foi nesse último domingo de maio que o povo colombiano pode conhecer seu novo presidente. Vai ter que aguardar o segundo turno, no dia 20 de junho, para enfim conhecer qual será o papel da Colômbia nesse novo cenário geopolítico em construção.
O resultado até agora apurado contraria todas as pesquisas eleitorais, o que leva a oposição a legitimamente questionar se tal resultado não decorre de fraudes. O primeiro turno foi polarizado entre o candidato governista Juan Manuel Santos (46,58%) e o oposicionista Antanas Mockus (21,47%), os quais estavam em empate técnico até as vésperas da eleição, o que reforça essa suposição.

O segundo turno ocorrerá graças ao desempenho dos demais candidatos, o que impediu o candidato de Uribe de obter 50% + 1 dos votos válidos, conforme preconiza a legislação eleitoral colombiana e também a brasileira.

Germán Vargas Lleras, do Mudança Radical, foi o terceiro (10,14%); Gustavo Petro, do Polo Democrático Alternativo, obteve 9,16%; Noemi Sanín, do Partido Conservador Colombiano alcançou 6,14%; e Rafael Pardo, do Partido Liberal, fechou a lista com 4,37%.

O que está em discussão na Colômbia, entretanto, é muito mais do que uma mera disputa entre dois nomes, ou mesmo entre situação e oposição. O que o povo colombiano vai deliberar é se continua como satélite do governo americano e se permitirá que seu território continue sendo base de operação do exército americano para intimidar os seus vizinhos latinos ou se dirá um basta a isso e buscará o caminho já trilhado por praticamente todos os demais países da América do Sul.

O voto no governista Juan Manuel Santos significa dizer sim a essa política, a política até então levada a cabo pelo governo de Álvaro Uribe, de quem Santos era o Ministro da Defesa; o voto em Antanas Mockus, do Partido Verde, sinaliza se não uma ruptura radical com essa política, a busca de uma alternativa, baseada no diálogo em busca da paz num país dilacerado por mais de 50 anos de guerra e que, objetivamente, vive em estado de beligerância.

Para o Brasil e para nós da Amazônia em particular o resultado das eleições colombianas tem grande importância, tanto porque estamos aguardando há muito tempo pelo Colômbia nessa mesa que busca o consenso e a paz pelo diálogo e não pela força bruta que, em última análise não tem resultado em soluções que garantam a paz e a tranqüilidade aos cidadãos colombianos.

Ademais, no caso do Amazonas, temos fronteira com a Colômbia por uma enorme extensão, que vai do alto Solimões, na região de Tabatinga, até o alto rio negro, na região de São Gabriel da Cachoeira.

Os colombianos são nossos irmãos e nós os esperamos ansiosos para a busca da paz e da concórdia e de um desenvolvimento sustentado. Até 20 de junho.

* Engenheiro Agrônomo, Professor da UFAM, Deputado Estadual, Membro do CC do PCdoB, Secretário Nacional da Questão Amazônica e Indígena.

terça-feira, 1 de junho de 2010

O SIGNIFICADO DO PRIMEIRO TURNO DAS ELEIÇÕES COLOMBIANAS

ANNCOL

Uma vez passado este 30 de maio, a primeira rodada da chamada "Farsa Eleitoral", que durante 50 anos vem se realizando na Colômbia, sob o nome de "Contenda Democrática”, é necessário esclarecer várias coisas, além do triunfo da abstenção, com 51%, os 224.000 votos em branco em sinal de protesto consciente, e os 250.000 votos nulos ou não marcados.

1 - A primeira coisa que salta aos olhos é a inexplicável variação das chamadas sondagens de opinião que em menos de uma semana erraram por 26 pontos percentuais em relação a Juan Manuel Santos, o vencedor das eleições. Em 22 de maio, Santos tinha uma intenção de voto confirmado de 34%, e 7 dias depois obteve 46% dos votos. Todos os candidatos ressaltaram este monumental e incompreensível erro. E a única explicação possível é a fraude eleitoral, anunciada dias antes da eleição não só por observadores independentes nacionais e internacionais, mas pelo aquartelamento em primeiro grau das forças militares e paramilitares.

Se bem é verdade que foi Santofimio Botero, quem anunciou que na Colômbia a lei da gravidade está invertida, ou seja, "os malandros estavam caindo para cima", não tinha se apresentado uma truculência tão grande quanto o destas últimas eleições: Os espantosos escândalos de Uribe Vélez resenhados internacional, catapultaram para cima o seu beneficiado Juan Manuel Santos. Inacreditável, mas verdade!

2 – Que o fascismo narcoparamilitar colombiano pró-gringo, liderado por Uribe - Santos e a cúpula militar, tal e como ANNCOL tem repetido inúmeras vezes, não se pode SUBESTIMAR e muito menos ter a ingênua ilusão de que o vão respeitar as regras e que vão entregar o poder adquirido facilmente e menos a um “cavalo descapacitado adornado com girassóis”. Farão todo o possível e impossível para não se deixar desmontar do tigre. Hoje os colombianos acabam de comprovar esta verdade amarga: Uribe Vélez, como ministro da Defesa de Santos, não comparecerá a qualquer CPI pois estará protegido pelo Foro e a Força Militar da Colômbia e do U.S. Army, porque uma variante das eleições, como as de Lobo em Honduras, acaba de ser posta em marcha na Colômbia com a assessoria do agente da da CIA, J.J. Rendón.

3 – Que o fascismo colombiano cumpriu plenamente com o pré-requisito de liquidar com as antigas máquinas eleitorais dos partidos Liberal e Conservador, para transferir o exercício da Política para os meios de comunicação e propaganda de sua própriedade: O jornal El Tiempo-Planeta, Caracol-Prisa, RCN, Semana e demais institutos de pesquisas, etc. Os graandes perdedores de hoje não são Noemi e Pardo, mas os democratas Pastrana e César Gaviria, os chefes dos partidos Conservador e Liberal da Colômbia.

4 - Que o milhão (mais precisamente 907.469) de "votos secretos" dos 14 parlamentares do partido narcoparamilitar (PIN), que tinham sido repudiados pelos outros candidatos diferentes de Santos, hoje já se sabe aonde foram parar e qual foi a "grata surpresa eleitoral” que deram nestas eleições.

5 – Que a chamada "Onda Verde" do anticomunista neoliberal Mokus, que aspirava a encarnar o "legalismo moralista e militarista do Santanderismo da oligarquia colombiana", nada mais foi que mais uma manipulação da mídia do seu patrocinador Rudolf Hommes e um artefato de distração, funcional à polarização eleitoral que terminou favorecendo pela sua idiotice e doença nervosa a Santos. No entanto, há um pouco mais de 3 milhões de colombianos que acreditaram conscientemente no legalismo de Mokus, que agora mastigam a amargura de sua decepção ou rebeldia, e serão um fator importante, como em Honduras, contra a legitimação da monumental fraude eleitoral que acabou de acontecer na Colômbia.

6 – Que os ingênuos "centroesquerda e socialdemocratas”, com a tristeza de perceber a sua incapacidade para derrotar essa terrível máquina Estatal movida e lubrificada com chumbo e prata; hoje têm de reconhecer que depois de todo este grande esforço e gastos de campanha, nem sequer chegaram a atingir os dois milhões e meio de votos obtidos por Carlos Gaviria em eleições anteriores. Seu chefe, o socialdemocrata Petro, com toda a arrogância que o caracteriza, ao invés de aceitar as suas falhas e fracassos políticos, suas inconsequências com as bases que afirma representar para buscar que o "estabelecimento" lhe perdoe o seu passado; resolveu botar a culpa nas uvas verdes, dizendo que "o coração dos colombianos ainda não está aberto à mudanças”. Quando na realidade é o contrário.

7 - Que, como o destacou a insurgência colombiana das FARC e do ELN, em importante comunicados, nenhum dos candidatos ofereceu soluções reais aos problemas estruturais do país, muito menos resolver definitivamente o conflito social armado na Colômbia. Pelo contrário, no lugar de mais trabalho, saúde, habitação ou educação, todos ofereceram mais Guerra Contrainsurgente Gringa.

8 - Finalmente, os governos da Venezuela e do Equador estejam advertidos de qual é a preferência do Pentágono na Colômbia, o “Israel dos Andes”, e qual é o dilema que os espera: Ou colaboram com o governo dos EUA e seu aliado colombiano na região, ou serão desestabilizados, incluindo a agressão armada.

Com estas considerações gerais, esperamos os próximos vinte dias.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

A FARSA ACOMPANHADA POR FRAUDE SE CUMPRIU



ANNCOL

Essa é a história eleitoral colombiana. Bem que as FARC tinham razão ao conclamar o povo a não votar. Definitivamente são os que melhor interpretam as armadilhas e muros da oligarquia crioula e de Washington.

Passado o primeiro turno, com fraude, compra de votos, proselitismo paramilitar e militares com aquartelamento de primeiro grau, adornado com todos os tipos de crimes contra o legítimo direito de voto cidadão que se possa imaginar, e que há mais de 50 anos vem acontecendo na Colômbia com o nome de “Contenda Democrática”.

Prepararam um bufão para rivalizar e legitimar a farsa & fraude. Um neoliberal ordinário competindo com outro neoliberal de academia. Este último, sem a máquina e maliciosamente inflado pela mídia de massas e seus institutos de pesquisas. No fim perfurado para dissimular o pressuposto no dia de ontem.

O destaque, sem tentar dizer “do afogado sobrou o chapéu”. Quinze milhões de colombianos registrados e com direito a voto não votaram. Uma perigosa massa de descontentes que não deixará dormir ao sucessor de Álvaro Uribe Vélez.

Alguns reconheceram sua inconsistência, culpando os outros, com a história da Carochinha de que as “uvas estão verdes e o coração dos colombianos ainda não está aberto às mudanças sociais”. Nem sequer divulgaram os votos da chamada consulta interna da esquerda.

Em antecipação prepararam o caminho no interior do Polo para tirar da contenda ao professor Gaviria. O desprestigiaram e o criticaram sem consideração nem reparo até que, cansado das provocações e insultos, renunciou deixando seus partidários “ao Deus dará”. A oligarquia necessitava de um personagem que fosse moldável à imagem e semelhança do pós-uribismo alheio aos interesses populares. A fé que não o conseguiram. Se Gustavo Petro tem vergonha ipso facto deveria renunciar.

Simultaneamente, intensificaram a ofensiva militar contra as Farc, com toda a tecnologia gringa, dólares do tráfico de drogas, propaganda virtual 24 horas tentando demonstrar a destruição da insurgência. A ferocidade do estabelecimento contra as libertações unilaterais está relacionada com a campanha para silenciar a verdadeira oposição no país.

Os combates das últimas semanas sugerem o justamente o contrário. Uma guerrilha disposta a enfrentar, tanto no político e no militar, o novo governo. Não importando o que Washington imponha.

A tragédia colombiana deve ser estudada e assimilada. A União Patriótica foi massacrada na década de oitenta. Um projeto revolucionário proposto pelas FARC, produto dos acordos de La Uribe, no ano de 1984. Dirigido por um destacamento de homens de probidade e de coragem. Por isso os mataram.

Só nos resta dizer: A Nova Colômbia nem se constrói no narcopalácio nem nas latrinas do congresso. As ruas e as montanhas são nossas ao ritmo do povo organizado.

Colômbia terá segundo turno entre Juan Santos e Antanas Mockus

Fonte: Portal Vermelho

As eleições presidenciais colombianas terão segundo turno entre o candidato governista Juan Manuel Santos, do Partido de Unidade Nacional, e o oposicionista Antanas Mockus, do Partido Verde. Com 99% dos votos apurados neste domingo (30), o aliado do presidente Alvaro Uribe teve o dobro de sufrágios do rival em uma votação cercada de acusações de fraude, intimidação de eleitores e até mortes

O candidato governista Juan Manuel Santos obteve 46,58% dos votos, mais que o dobro do oposicionista Antanas Mockus, que obteve 21,47% da preferência dos eleitores. As pesquisas, até as vésperas da eleição, indicavam empate entre os dois.

Germán Vargas Lleras do partido Cambio Radical aparece em terceiro com cerca de 10%, seguido do candidato esquerdista Gustavo Petro, com mais de 9% dos votos.Os partidos tradicionais sairam derrotados no pleito. A candidata do partido Conservador Noemí Sanín ficou por volta de 6%, e o Rafael Pardo, do partido Liberal, teve pouco mais de 4%.

O resultado foi confirmado matematicamente com 98,13% das urnas apuradas. Um candidato deve obter a metade mais um dos votos para chegar à Presidência. Caso contrário, será disputado um segundo turno entre os dois mais votados.

O candidato governista Juan Manuel Santos, é o herdeiro e defensor da controvertida política de Segurança Democrática da administração Uribe. Neste domingo, Santos voltou a usar seu discurso de direita contra o "terrorismo" para angariar votos.
Confrontos armados

Ex-ministro de Defesa do atual governo, Santos disse que pretende ser recordado como o presidente "que deu trabalho aos colombianos".

Já o adversário verde, Mockus, prometeu governar dentro da legalidade e combater a corrupção no país. Ele confirmou ser o preferido dos eleitores mais jovens e o favorito nos grandes centros urbanos.

Pouco antes de votar, na manhã deste domingo, Mockus, disse que os colombianos "lembrarão que pela primeira vez não votou contra e sim a favor" de um projeto.

As eleições presidenciais da Colômbia foram marcadas por confrontos armados na zona rural colombiana entre militantes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e soldados do governo que deixaram pelo menos três mortos e "impediram que muitos votassem", segundo observadores do pleito.

Mesmo com a segurança reforçada em todo o país por 340 mil homens, foram registradas 17 ações armadas, de acordo com o Movimento de Observação Eleitoral (MOE) colombiano.

"Esses ataques impediram que muitos eleitores chegassem aos centros de votação", afirmou à BBC Brasil Ariel Ávila, da direção do MOE.

Os confrontos aconteceram nos departamentos (Estados) de Cauca, Antioquia e Caquetá. Um guerrilheiro das Farc teria morrido no sudoeste do país. Nos departamentos de Meta e Bolívar, dois soldados do Exército também teriam caído em enfrentamentos.

O ministro do Interior, Fabio Valencia Cossio, disse ainda que a Polícia Nacional desativou três artefatos explosivos antes da abertura das urnas para o pleito que escolherá o sucessor do atual presidente colombiano, Álvaro Uribe.

Tranquilidade nas cidades

Nas cidades, o pleito transcorreu normalmente. Nos centros de votação em Bogotá, marcados com intenso fluxo de eleitores, era possível ver a polarização criada pelas candidaturas presidenciais e pelo polêmico governo de Álvaro Uribe.

O estudante universitário Sebastián Prieto, de 18 anos, que votou pela primeira vez neste domingo disse preferir Mockus porque o candidato "não pensa em consertar as consequências e sim as causas" dos problemas na Colômbia.

"Uribe fez coisas boas, mas com métodos muito caros para o país", afirmou Prieto à BBC Brasil ao criticar o caso dos chamados "falsos-positivos".

O caso, um dos escândalos que marcou a era Uribe, gira em torno de execuções extrajudiciais de jovens de baixa renda do campo e da cidade, assassinados e em seguida vestidos como guerrilheiros com o objetivo de inflar as estatísticas do Exército no combate aos grupos armados.

'Guerra'

A posição do comerciante German Díaz se dirigia à outro extremo. Pouco antes de votar, no centro da capital, na praça Bolívar, Diaz disse apoiar o candidato governista "porque viveu a guerra". A seu ver, o novo presidente deve continuar a política militar de combate às guerrilhas.

"Sei o que é viver no campo e ter que pagar pedágio para guerrilha, paramilitar, Exército, ver a morte de perto", disse Diaz à BBC Brasil.

A poucos metros deste centro de votação, a vendedora ambulante Bertha Gaitán, se queixava da situação do país, enquanto preparava "obleas", uma espécie de bolacha fininha recheada com doce de leite.

" A única coisa que resta aos pobres é trabalhar assim, na rua, sem segurança, sem direito à aposentadoria, nada", disse à BBC Brasil, ao criticar a gestão do presidente Uribe, que deixará o governo após oito anos.

"Uribe se cercou de mafiosos, governou para os ricos e está vendendo o país para os gringos (Estados Unidos)", afirmou a vendedora que até o meio dia não havia decidido se votaria ou não nestas eleições.

Alvo de críticas da esquerda e de organizações sociais, Uribe que se tornou o principal aliado dos Estados Unidos na região terminará seu controvertido mandato com cerca de 68% de popularidade.

Seu sucessor receberá um país mais seguro que há oitos anos, porém com 20 milhões de pobres, em uma população de 44 milhões, com 3,5 milhões de pessoas vítimas de deslocamento forçado em consequência do conflito armado, com 12% de desemprego, um dos mais altos índices da América Latina e com uma crise de credibilidade institucional, segundo analistas entrevistados pela BBC Brasil.