"A LUTA DE UM POVO, UM POVO EM LUTA!"

Agência de Notícias Nova Colômbia (em espanhol)

Este material pode ser reproduzido livremente, desde que citada a fonte.

A violência do Governo Colombiano não soluciona os problemas do Povo, especialmente os problemas dos camponeses.

Pelo contrário, os agrava.


terça-feira, 20 de julho de 2010

Comunista colombiano corre risco de morte

O secretário-geral do Partido Comunista da Colômbia, o vereador de Bogotá e membro do Comitê Executivo do Pólo Democrático Alternativo (PDA), o antropólogo Jaime Caycedo Turriago, denunciou um plano criminoso para assassiná-lo. À frente do complô estaria "El Diablo", um tenente de Salvatore Mancuso, chefe das quadrilhas criminosas dos paramilitares da Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC), atualmente extraditado para os Estados Unidos.
Segundo o presidente Alvaro Uribe, esses grupos estão desmobilizados, mas, na verdade, continuam a cometer crimes e atentados em toda a Colômbia, em conivência com o exército e os serviços de inteligência do DAS, dependentes da Presidência da República.

O dirigente salientou que foi criado um "grupo especial" para matar um conjunto de membros da esquerda e, em particular, os membros do Polo Democrático na capital, e que ele integra a "lista negra". E acrescentou: "as obscuras intenções desses desconhecidos são as de assassinar-me, em resposta às acusações comprovadas que fiz sobre a presença de grupos paramilitares em pelo menos metade das localidades de Bogotá".

Segundo o vereador, o grupo responsável por cometer o homicídio armazenou na cidade "cerca de 700 armas de longo alcance", e levantou o dinheiro necessário para financiar os atentados. Toda a informação foi apresentada por escrito ante a Procuradoria-Geral, à espera de uma investigação "rápida e profunda" que permita desarticular os destacamentos paramilitares.

A denúncia pública é observado com grande preocupação, já que, em menos de três meses, já foram assassinados sete membros do Polo Democrático no país, incluindo o veredaor do PDA do município de Cantón de San Pablo, departamento do Chocó, Rengifo Matínez.

Além disso, o próprio Caycedo é um dos sobreviventes do extermínio da União Patriótica (UP), partido criado em 1985 no âmbito do (fracassado) processo de paz, do governo de então com as FARC, e que viu encurtada a vida de mais de quatro mil dos seus seguidores, incluindo diversos candidatos presidenciais, por ataques por forças paramilitares e de agentes do Estado.

Assim estabeleceram as autoridades judiciárias nacionais e organizações internacionais, como a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH). Este último organismo emitiu, há mais de 15 anos, medidas cautelares para garantir a sobrevivência física do dirigente hoje novamente ameaçado.

O próprio Caycedo foi vítima de um ataque criminoso, do qual conseguiu escapar. Por outro lado, a senadora do PDA, Gloria Inés Ramírez Ríos (que tivemos a oportunidade de conhecer no nosso país, pois integrou, com o sr. Carlos Gaviria, a delegação colombiana para o XIV Encontro do Foro de São Paulo, em maio de 2008, em Montevidéu) falou de forma detalhada e firme ante as autoridades de seu país sobre "a situação de risco de do vereador de Bogotá, Jaime Caycedo, que tem sido vítima de atos criminosos que atentam gravemente contra sua vida e integridade pessoal".

O registro inclui um relato detalhado do que aconteceu em 19 de agosto de 2008, quando o líder se encontrava na sede do Partido Comunista Colombiano e foi seguido até sua casa por três carros e uma motocicleta, cujas placas foram anotadas, fato que foi comunicado ao Ministério Público, e que não teve qualquer explicação oficial.

Em 9 de junho de 2009, houve outra denúncia ante a Procuradoria, porque o nome do vereador apareceu entre os que foram vítimas das interceptações ilegais de comunicação por parte da DAS (as chamadas "cruzadas", que geraram um escândalo de grandes proporções porque a espionagem abarcava políticos da oposição, juízes e dirigentes sociais).

Em 7 de dezembro de 2009, ele relatou pela primeira vez a preparação da lista negra que o incluía. Em, 15 de janeiro de 2010, informou ao procurador que foi seguido e os seus movimentos registrados a partir de um veículo cuja placa registrou. Em 22 de abril, entraram à força na sua residência duas pessoas com uniforme da polícia, sem distintivos nem nomes, dizendo que estavam realizando uma inspeção.

O proprietário do imóvel se negou e, com a ajuda dos vizinhos, os impediu de atuar, diante do que os uniformizados fugiram em uma motocicleta, cuja placa dianteira estava coberta. Tudo isso foi denunciado, sem que houvesse resultado algum.

"Isso mostra de maneira inequívoca que, contra o vereador Jaime Caycedo há um plano sinistro que ameaça seriamente a sua vida e integridade pessoal, pelo que responsabilizamos o governo pelo que possa vir a acontecer", escreve na sua conclusão a senadora Glória Inés, sublinhando que estes fatos "integram a campanha do regime contra a oposição"

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Reflexões do companheiro Fidel

A OUTRA TRAGÉDIA

NA minha reunião com os economistas do Centro de Pesquisas da Economia Mundial (CIEM), terça-feira 13 de julho, falei-lhes do excelente documentário do diretor francês Yann Arthus-Bertrand, com a participação das mais preclaras e bem informadas personalidades internacionais, acerca de outro terrível perigo para a espécie humana que está acontecendo perante os nossos olhos: a destruição do meio ambiente.

O documentário afirma de forma clara e lapidária:

"Na grande aventura da vida na Terra, cada espécie tem um papel que desempenhar, cada espécie tem seu lugar. Nenhuma é inútil ou prejudicial, todas se equilibram. E eis onde você, homo sapiens, humano inteligente, entra na história. Beneficia de um fabuloso legado de quatro bilhões de anos, provido pela Terra. Apenas você tem 200 mil anos, mas já fez mudar a face do mundo."
"A invenção da agricultura mudou a nossa história. Há menos de 10 mil anos disso."
"A agricultura foi a nossa primeira grande revolução. Resultou nos primeiros excedentes e deu origem às cidades e às civilizações. As lembranças de milhares de anos à procura de comida esvairam. Tendo feito do grão a levedura da vida, multiplicamos o número de variedades e aprendemos a adaptá-las a nossos solos e climas. Somos como todas as espécies na Terra. A nossa principal preocupação diária é a de nos alimentarmos. Quando o solo resulta menos generoso e a água se torna escassa somos capazes de fazer esforços prodigiosos para tirar da terra o suficiente para continuarmos vivos."

"Metade da humanidade cultiva o solo; mais de três quartas partes o faz com as mãos."
"Energia pura. A energia do sol, apanhada durante milhões de anos por milhões de plantas há mais de 100 milhões de anos. É carvão. É gás. Mas sobretudo é petróleo."
"Nos últimos 60 anos, a população da Terra quase triplicou. E mais de dois bilhões de pessoas foram viver para as cidades."

"Nova York. A primeira megalópole do mundo é o ícone da exploração da energia que fornece a Terra ao engenho humano. A mão-de-obra de milhões de imigrantes, a energia do carvão, o indispensável poder do petróleo. Os Estados Unidos foram os primeiros em aproveitarem o fenomenal e revolucionário poder do ‘ouro negro’. Nos campos, as máquinas substituíram os homens. Um litro de petróleo gera tanta energia como cem pares de mãos em 24 horas."
"Produzem suficiente grão para alimentar dois bilhões de pessoas. Porém, muito desse grão não é usado para alimentar pessoas. Aqui e em outras nações industrializadas é transformado em comida para o gado ou em biocombustível."

"Tão longe como alcança a vista, fertilizante abaixo, plástico acima. As estufas de Almeria, Espanha, são a horta da Europa. Uma cidade de vegetais de tamanho uniforme espera cada dia centenas de caminhões que os levam para os supermercados do continente. Enquanto mais desenvolvido for um país, mais carne consumirão seus habitantes. Como pode ser satisfeita a procura mundial sem recorrer às fazendas de gado, semelhantes a um campo de concentração? Cada vez mais rápido. Como o ciclo de vida do gado que pode não ter visto nunca uma pradaria."

"Nestas unidades de comida, lotadas de milhões de cabeças de gado, não cresce nem uma fibra de pastagem. Uma frota de caminhões traz de cada canto do país toneladas de grão, alimento de soja, e grânulos de proteína que se converterão em toneladas de carne. O resultado é que se necessitam 100 litros de água para produzir um quilo de batatas, 4 mil litros para um quilo de arroz e 13 mil litros para um quilo de carne bovina. Sem falarmos do petróleo queimado no processo de produção e no transporte.

"Sabemos que o fim do petróleo barato é iminente, mas nos recusamos a acreditar nisso."
"Los Ángeles. Nesta cidade que se espalha ao longo de mais de
cem quilómetros, o número de carros é quase o mesmo que o número de habitantes."
"O dia não parece mais do que um pálido reflexo das noites, que convertem a cidade em um céu estrelado." "Em todas as partes as máquinas cavam, extraem e arrancam da terra os cacos de estrelas enterradas em suas profundezas, desde a sua criação... Minérios."

"…Os 80% desta riqueza mineral é consumida por 20% da população mundial. Antes do final deste século, a mineração excessiva terá acabado com quase a totalidade das reservas do planeta."
"Desde 1950, o volume de comércio internacional se incrementou 15 vezes; e 90% do comércio transita por mar. Quinhentos milhões de contêineres são transportados cada ano, enviados para os maiores centros de consumo…"

"Desde 1950, a captura de peixes se quintuplicou, de 18 para 100 milhões de toneladas métricas por ano. Milhares de navios-fábrica estão esvaziando os oceanos. Três quartas partes das zonas de pesca estão esgotadas, acabadas ou em perigo de ser."
"Quinhentos milhões de humanos moram nas terras desérticas do mundo, mais do que toda a população conjunta da Europa."

"Israel converteu o deserto em terra arável. Ainda que agora essas fazendas sejam irrigadas pelo sistema de gota a gota, o consumo de água continua aumentando junto das exportações."
"O outrora poderoso rio Jordão é agora apenas um riacho; sua água voou para os supermercados de todo o mundo em caixas de frutas e vegetais."

"A Índia está em perigo de ser o país que mais sofrerá pela falta de água no século vindouro. A irrigação maciça alimentou a sua população crescente e nos últimos 50 anos, foram escavados 21 milhões de poços."

"A Las Vegas foi construída no deserto. Ali moram milhões de pessoas. A cada mês seguem chegando aos milhares. Seus habitantes estão entre os maiores consumidores de água do mundo."
"Palm Springs é outra cidade do deserto com vegetação tropical e luxuosos campos de golfe. Quanto tempo mais continuará prosperando esta miragem? A Terra não pode suportar isso."
"O Rio Colorado, que leva água para estas cidades, é um desses rios que já não chega ao mar."
"A escassez de água poderia afetar dois bilhões de pessoas antes de 2025."
"Toda a matéria viva está ligada: água, ar, terra, árvores."

"As florestas primitivas fornecem um hábitat para três quartas partes da biodiversidade do planeta, isto é, de toda a vida na Terra."
"…em apenas 40 anos, a maior floresta tropical do mundo, a do Amazonas, teve sua superfície reduzida em cerca de 20%; nela surgiram fazendas de criação de gado ou fazendas de soja; 95% dessa soja é usada para alimentar gado e aves de curral na Europa e na Ásia. Assim, uma floresta é transformada em carne."

"Mais de dois bilhões de pessoas, quase um terço da população mundial, ainda depende do carvão. No Haiti, um dos países mais pobres do mundo, o carvão é um dos principais bens de consumo da população."

"Nas colinas do Haiti, apenas resta 2% das florestas…"
"Cada semana, mais de um milhão de pessoas aumenta a população das cidades do mundo. Um humano em cada seis mora agora em um ambiente precário, insalubre e superpovoado, sem acesso às necessidades diárias como água, esgotos, eletricidade. A fome alastra-se de novo. Afeta quase um bilhão de pessoas. Pelo planeta todo os pobres lutam por sobreviver, enquanto continuamos escavando à procura de recursos sem os quais já não podemos viver."

"As nossas atividades libertam volumes gigantescos de bióxido de carbono. Sem darmos por isso, molécula a molécula, temos afetado o equilíbrio climático da terra."
"A coberta gelada do Ártico está se derretendo sob o efeito do aquecimento global. Essa calota perdeu 40% de sua espessura em 40 anos. No verão, sua superfície se encolhe ano após ano. Em 2030, poderia desaparecer durante os meses do verão. Há quem diga que em 2015."

"Para 2050, uma quarta parte das espécies terrestres poderia estar ameaçada pela extinção."
"…como a Groenlândia aquece rapidamente, a água doce do continente todo flui para a água salgada dos oceanos."

"O gelo da Groenlândia contém 20% de toda a água doce do planeta. Caso derreter, o nível do mar subirá em cerca de sete metros. A atmosfera do nosso planeta é um tudo indivisível. É um bem de que todos partilhamos."

"Na Groenlândia estão a aparecer lagos na paisagem. A camada de gelo se está derretendo a uma velocidade que nem os cientistas mais pessimistas previam há dez anos. Esses rios alimentados por geleiras se estão unindo mais e mais e emergindo à superfície. Achava-se que a água ficaria congelada nas profundezas do gelo. Antes pelo contrário, flui sob o gelo, levando o córtex de gelo rumo ao mar, onde se quebra convertendo-se em iceberg."

"A expansão da água ao se aquecer causou, só no século XX, uma elevação de 20 centímetros. Tudo se torna instável. Os recifes de coral são extremamente sensíveis à mais mínima mudança na temperatura da água; por volta de 30% deles já sumiu. São um elo essencial na cadeia das espécies."

"Se o nível do mar continuar subindo mais e mais rápido, o que farão as grandes cidades, como Tóquio, a cidade mais povoada do mundo?"

"…na Sibéria, e em muitas partes do mundo, há tanto frio que o solo está constantemente congelado. É conhecido como permafrost. Sob esta superfície descansa uma bomba de tempo climática: metano, um gás de efeito estufa vinte vezes mais poderoso do que o bióxido de carbono. Se o permafrost se derreter, a libertação de metano poderá fazer com que o efeito estufa saia de controlo, com consequências que ninguém pode prever."

"Os 20% da população do mundo consome 80% dos seus recursos."
"O mundo investe doze vezes mais em despesas militares do que em ajuda aos países em desenvolvimento."
"Cinco mil pessoas morrem diariamente ao beberem água contaminada; um bilhão de pessoas não tem acesso à água potável."
"Cerca de um bilhão tem fome."
"Mais de 50% do grão comercializado no mundo é usado para alimento animal ou biocombustíveis."
"As espécies estão morrendo mil vezes mais rápido do que o ritmo natural."
"Três quartas partes das zonas de pesca estão esgotadas, diminuídas ou em descenso perigoso."
"A temperatura média nos últimos 15 anos foi a mais alta jamais registada."

"A camada de gelo é 40% mais delgada do que há 40 anos atrás."
Nos últimos minutos do documentário, o diretor Yann Arthus-Bertrand, amolece a linguagem para elogiar alguns fatos positivos de países aos quais, sem ânimo de ofender nem magoar, viu-se no dever de mencionar.

Suas palavras finais foram:

"É tempo de estarmos todos juntos. O que é importante não é o que se foi, mas o que permanece. Ainda temos metade das florestas do mundo, milhares de rios, lagos e geleiras e milhares de espécies com sucesso.
Hoje sabemos que as soluções estão aqui. Todos temos o poder para mudar. Então, o que estamos esperando?
Depende de nós escrever o que é o seguinte. Juntos."
O tema que vem ocupando a maior parte dos meus esforços: o iminente perigo de uma guerra que seria a última da pré-história da nossa espécie, ao qual dediquei nove Reflexões desde 1º de Junho, constitui um problema que se agrava por dia.
Como é lógico, os 99,9 % das pessoas têm a esperança de que predomine um elementar senso comum.
Infelizmente, devido a todos os elementos da realidade que percebo, não vejo a mais mínima possibilidade de que assim seja.
Portanto, julgo que seria muito mais prático que os nossos povos se preparem para encarar essa realidade. Nisso consistirá a nossa única esperança.
Os iranianos têm feito precisamente isso, como nós fizemos em outubro de 1962, em que optamos por desaparecer antes que deixar cair nossas bandeiras.
Foi ontem como hoje, por desígnios do azar, não méritos da inteligência ou da história individual de qualquer um de nós.

As notícias que chegam cada dia procedentes do Irã, não se afastam um milímetro da posição assinalada por eles de manterem seus justos direitos à paz e ao desenvolvimento, com um elemento novo: já conseguiram produzir 20 quilos de urânio enriquecido ao 20%, suficientes para construir um engenho nuclear, o que enlouquece ainda mais aqueles que há um bom tempo adotaram a decisão de os atacar. Isso o examinei sexta-feira, dia 16, com os nossos embaixadores.
Nem Obama poderia alterá-la, nem mostrou em momento algum a decisão de o fazer.

Fidel Castro Ruz

A esquerda e o Brasil

Por Emir Sader

Atribui-se a um importante ex-ministro da ditadura militar a afirmação de que "melhor que um dia o PT ganhe, fracasse e aí vamos ter tranquilidade para dirigir o país".

Independentemente de que ele continue a pensar isso hoje ou não, o certo é que fez muito bem para o Brasil o PT ter chegado ao governo através de Lula. Não fracassou, ao contrário, mostrou extraordinária capacidade para governar e reverter a tendência estrutural mais grave que o Brasil arrastava ao longo dos séculos - a injustiça, a desigualdade, a exclusão social, marca profunda da forma que nossa história havia assumido desde a colonização, passando pela escravidão, pelos governos oligárquicos, pela ditadura militar e pelo neoliberalismo.

Ao contrário dos maus augúrios, foi construído o governo de maior credibilidade e apoio popular, de maior credibilidade internacional, de maior capacidade de dirigir o Estado brasileiro, protegendo a economia
dos ataques especulativos, retomando o desenvolvimento econômico, no marco de um processo de distribuição de renda e de afirmação de direitos sociais, que nunca o Brasil havia conhecido, fortalecendo e não enfraquecendo a democracia.

Para a esquerda, governar significa, antes de tudo, desnaturalizar as injustiças, sobrepor os direitos ao mercado, fazer do Estado instrumento das grandes maiorias tradicionalmente postergadas, afirmar nossa soberania no plano externo e fazer dela alavanca para a soberania no plano interno. É não aceitar a redução do Estado a instrumento do mercado, é não aceitar a subordinação do país aos interesses das grandes potências que sempre nos submeteram ao atraso e a marginalidade, é buscar dar voz aos setores populares e não aceitar que a "opinião pública" seja formada pelas elites econômicas.

Ao governar, a esquerda não apenas não levou o Brasil à crise e a situações de insegurança e de instabilidade, como, ao contrário, soube conduzir o país frente a pior crise econômica internacional - que ainda afeta profundamente países do centro do capitalismo e os que, na periferia, seguiram subordinados ao comando das potências que geraram a crise.

Soube acumular reservas que servem como colchão externo e interno frente a situações de crise. Soube combinar desenvolvimento com aumento de salários, sem colocar em risco a estabilidade monetária. Soube fortalecer o Estado, para consolidar sua presença democrática, conquistando mais legitimidade para o Estado brasileiro que qualquer outro governo anterior.

O governo também faz bem à esquerda, recorda que seus objetivos dependem da construção de alternativas de governo da sociedade como um todo, da sua capacidade de construir blocos de forças com capacidade hegemônica na sociedade. Que as alianças tem que ser feitas para fortalecer os temas estratégicos do governo. Que tem que se governar para o conjunto do pais, com prioridade para os que representam as maiorias e sempre foram relegados. Que todo projeto vencedor, triunfa porque unifica a grande maioria, porque se transforma em projeto nacional, para ser hegemônico.

Um país que parecia ser destinado a ser governado pelas elites minoritárias, que o produziram e reproduziram como o país mais injusto, mais desigual, do continente mais injusto e desigual, de repente vê criar-se em seu seio uma sensibilidade maioritariamente progressista, que privilegia as políticas sociais e não o ajuste fiscal, um país justo e solidário e não egoísta e mercantil. Bom para a esquerda e bom para o Brasil.

Não há saída para a Colômbia fora da política e da democracia




Por Gilberto Maringoni, em Carta Maior
Mergulhada em um cenário de violência política há quase cinco décadas, a Colômbia elegeu, no último dia 20 de junho, Juan Manuel dos Santos à presidência da República, em segundo turno, com 69% dos votos válidos.

Candidato apoiado pelo atual presidente, Álvaro Uribe, Santos foi seu Ministro da Defesa, um dos articuladores da escalada bélica contra a guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) e ativo defensor do acordo militar que possibilitou a instalação e a ampliação de bases norteamericanas no país.

A disputa presidencial envolveu ainda Antanás Mockus, ex-prefeito de Bogotá, pelo Partido Verde, que obteve 27,5% dos sufrágios. No primeiro turno, participou ainda Gustavo Petro, senador e ex-guerrilheiro, pelo Pólo Democrático, uma coalizão de partidos de esquerda, obtendo 9,5% da preferência dos eleitores.

Sob a gestão de Uribe, a Colômbia tornou-se, juntamente com o México, o maior sustentáculo da política do governo de George W. Bush na América Latina. Além das bases e de um aumento expressivo em seu orçamento militar, vários grupos paramilitares agem com a complacência oficial no combate à oposição armada.

Para avaliar o quadro político do país, Carta Maior entrevistou Carlos Lozano. Membro da Junta Nacional do Pólo Democrático, integrante do Comitê Central do Partido Comunista Colombiano e editor do semanário Voz, órgão oficial da agremiação, Lozano, 62 anos, comenta os resultados eleitorais, a influência dos EUA e relaciona o poder oficial com os meios de comunicação em seu país. A seguir, os principais trechos da conversa.

Carta Maior: Qual é a situação política, após a vitória de Juan Manuel dos Santos?

Carlos Lozano: As eleições parlamentares e presidenciais foram realizadas sob características que marcam nosso país há décadas: um forte apoio oficial aos candidatos governistas. Praticamente todos os recursos do Estado foram colocados a serviço dos partidos ligados ao presidente Álvaro Uribe.

É o caso, por exemplo, dos programas assistenciais. Eles aglutinam milhões de pessoas. A lei proíbe sua utilização com objetivos eleitorais. Mas houve denúncias, ao longo de toda a campanha. Os beneficiários foram coagidos a apoiar candidaturas oficiais, sob pena de perder sua cobertura. Temos notícias também de proselitismo armado, por parte de paramilitares, sobretudo em regiões rurais, pressionando os camponeses para que votassem em Santos.

CM: Como foi a atuação dos partidos de oposição?

CL: O traço importante dessas eleições é que as pesquisas eleitorais trataram de criar uma aparente polarização entre Juan Manuel dos Santos e Antanás Mockus. Algumas sondagens chegaram a apontar Mockus na dianteira.

Dois ou três dias antes do primeiro turno, havia um empate técnico, que não se materializou nas urnas. A intenção era muito clara: tirar de cena outras forças, em especial a esquerda, representada pelo Pólo Democrático.

No segundo turno, o Pólo propôs a Mockus um acordo de quatro pontos para apoiá-lo. Era algo perfeitamente factível. Mockus não aceitou, alegando, de forma sectária, desejar disputar com suas próprias forças, sem a necessidade de aliados. Aí está o resultado.

Mockus representa realmente um setor não contaminado pelo clientelismo e pela corrupção. Porém, é um setor mais à direita. Na prefeitura de Bogotá, Mockus agiu como um neoliberal e não representava uma alternativa real. Mesmo assim, queríamos derrotar o pior, que era a continuidade do uribismo. Com a recusa de Mockus, resolvemos não votar e não respaldar nenhum dos dois candidatos.

CM: O que é o uribismo?

CL: É uma corrente de ultradireita, que cresceu nos últimos anos, com suporte nos tradicionais Partidos Liberal e Conservador. Esta corrente está vinculada aos interesses dos Estados Unidos e do militarismo, com forte influência de oficiais que passaram pela Escola das Américas. É um anacronismo, mas segue existindo aqui.

O governo alega estar construindo uma “segurança democrática” que gerará confiança e estabilidade para os investimentos internacionais. Por isso, o governo de Uribe, mais do que qualquer outro da América latina, vem estimulando os tratados de livre comércio, em especial com os Estados Unidos, com a Europa e com o Canadá.

CM: Uribe é realmente popular?

CL: Há que se levar em conta a precariedade da democracia colombiana. Além disso, não podemos desconsiderar a existência de um setor importante da população, não apenas os mais ricos, que respalda o governo. Isso inclui camadas médias e setores populares.

O apoio existe, mas não é tão grande como eles alegam. Nas eleições houve 55% de abstenção, pois o voto aqui não é obrigatório. Assim, Juan Manuel dos Santos teve a maioria da minoria, dos 45% que votaram, cerca de 30% do total de eleitores. Nas duas eleições vencidas por Uribe, a abstenção também foi semelhante.

CM: Que impacto eleitoral tiveram os acordos militares com os Estados Unidos, firmados no ano passado?

CL: Há um setor importante do país que apóia tudo isso. O governo difunde a idéia de que as bases estadunidenses trarão paz ao país pela via da guerra, pela derrota militar da guerrilha. Nós, da esquerda, sempre colocamos a necessidade de uma solução negociada e política para o conflito. A direita e o governo alegam que as propostas de diálogo fracassaram e que os gringos resolverão o problema.

CM: Há o argumento de que as bases trarão investimentos e desenvolvimento ao país...

CL: É verdade. A campanha publicitária oficial e os meios de comunicação argumentam que as bases melhorarão as condições de infraestrutura de cidades próximas a elas, que haverá mais lojas, mais restaurantes e mais comércio. Sabemos que as coisas não serão assim.

CM: Há diferenças entre o Plano Colômbia, firmado no governo Clinton (1992-2000), e as bases?

CL: Sim. O Plano Colômbia tinha como objetivo alegado combater o narcotráfico. Começou há cerca de 14 anos, com investimentos de cinco bilhões de dólares. Neste ano, o montante caiu para US$ 400 milhões e em 2011 serão apenas US$ 340 milhões. O governo dos EUA resolveu concentrar todos os seus investimentos nas bases militares. Elas agora são sete, mas podem se ampliar, de acordo com convênio.

Atualmente, o argumento não é apenas combater o narcotráfico, mas atacar o “terrorismo” e dar segurança ao país. Ou seja, um critério muito genérico, pois com segurança do país pode estar subentendida a existência de uma ameaça externa. Isso preocupa a Unasul. Quem ameaça a Colômbia? Há o argumento de que, com as diferenças que o governo tem com Chávez, ele estaria ameaçando o nosso país. É um caminho perigoso.

CM: Há conexão com a reativação da IV Frota dos EUA no Atlântico Sul?

CL: Claro. O projeto é estacionar a IV Frota na base de Malambo, em Barranquilla. Trata-se da principal cidade colombiana na costa do Caribe.

CM: Qual é a relação do uribismo com os meios de comunicação.?

CL: Os grandes meio de comunicação são de propriedade de poderosos grupos econômicos nacionais e internacionais, em estreita relação com o governo. Além disso, Juan Manuel dos Santos integra a família proprietária do jornal El Tiempo, que completará cem anos em 2011. É o mais influente no país e o grupo possui, além do jornal, um canal de televisão em Bogotá e editoras de livros e revistas. É um monopólio.

A família teve um Presidente da República, Eduardo Santos, entre 1938 e 1942. Com a crise econômica, venderam parte das ações ao grupo espanhol Planeta, ligado ao PP, Partido Popular, do ex-Primeiro Ministro José Maria Aznar.

O grupo Planeta deve também ganhar a licitação para o terceiro canal de TV privado que temos aqui. É o único concorrente, algo incrível. Com isso tudo, a tendência política na Colômbia trafega num sentido contrário ao que vem ocorrendo na América Latina, onde a direita perdeu postos importantes.

CM: Como o sr. Avalia a gestão Uribe do ponto de vista social?

CL: O investimento social é mínimo. O governo apresentou uma reforma trabalhista, supostamente para se gerar empregos. O que estamos vendo, pelas últimas estatísticas, é um aumento do desemprego para 12,5% da população economicamente ativa.

A saúde foi privatizada. Eliminaram as cirurgias de alto risco do sistema público. No país, 35% do orçamento público vai para o combate à guerrilha e 25% destina-se aos pagamentos dos serviços da dívida pública.

O principal programa de Uribe foi a “segurança democrática”. Com isso, em 2002, ele assegurou derrotar a guerrilha em 90 dias. As FARC tiveram muitas baixas, mas seguem atuando. Assim, a “segurança democrática” fracassou.

Uribe também buscou um acordo com os paramilitares, para desmobilizá-los. Haveria uma pena máxima de oito anos, independentemente dos crimes, para aqueles que se entregassem. Acabam de condenar os primeiros. São réus confessos de terem cometidos entre 120 e 150 assassinatos. E pegaram oito anos de cárcere!

Mesmo assim, os paramilitares também seguem atuando. Segundo a Corporação Arco-Íris, uma ONG de defesa de direitos humanos, há cerca de oito mil deles em ação. A “segurança democrática” é um fracasso, assim como a política social do governo.

CM: Qual é a saída para a questão da guerrilha?

CL: Há oito anos defendemos uma saída política. Quando falo em fracasso militar, estou me referindo também à guerrilha. O governo não conseguiu derrotá-la e esta não logrou conquistar o poder pela via militar. Então há um fracasso neste caminho. São necessárias mudanças mínimas neste país, para que a guerrilha possa se incorporar à vida democrática.

Fonte: Carta Maior

sábado, 17 de julho de 2010

A esquerda ganha quando soma, une

Postado por Emir Sader às 06:37

Fidel foi sempre quem mais bateu nessa tecla. Contra os dogmatismos, os sectarismos, os isolacionismos, ele sempre reiterou que “a arte da política é a arte de unificar”, que a esquerda triunfou quando soube ganhar setores mais amplos, quando unificou, quando soube desenvolver políticas de alianças.

Foi assim que os bolcheviques se tornaram maioria, ao apelar aos camponeses para que tomassem as terras, realizando seu sonho secular de terra própria, mesmo se isso parecia estar em contradição com os interesses do proletariado urbano, que se propunha a socializar os meios de produção. Foi assim na China, com a aliança com setores do empresariado nacional, para expulsar o invasor japonês e realizar a revolução agrária. Foi assim em Cuba, quando Fidel soube unificar a todas as forças antibatistianas para derrubar a ditadura. Foi assim na Nicarágua, com a frente antisomozista organizada pelo sandinismo.

Como se trata de políticas de alianças,é preciso perguntar-nos sobre os limites dessas alianças e como se conquista hegemonia nessas alianças.
A arte da construção da uma estratégia hegemônica está, em primeiro lugar, em organizar solidamente as forças próprias, aquelas interessadas profundamente no projeto de transformações da sociedade. No nosso caso, de superação do neoliberalismo e de construção de uma sociedade justa, solidária, democrática e soberana.

O segundo passo é o de construir alianças com forças próximas, no nosso caso, com setores médios da sociedade, que tem diferenças com a grande massa popular, mas que podem somar-se ao novo bloco hegemônico, conforme as plataformas que se consiga elaborar.

Organizadas as forças próprias, somadas as aliadas, se trata de neutralizar as forças que não se somariam ao nosso campo, buscando isolar ao máximo as forças adversárias. Essa a arquitetura que pode permitir a vitória da esquerda, a organização do campo popular e a constituição de um novo bloco de forças no poder.

O sectarismo, o dogmatismo são caminhos de derrota segura. Afincar-se nos princípios, sem enfrentar os obstáculos para construir uma força vitoriosa, é ficar de bem consigo mesmo – “não trair os princípios”, defender a teoria contra a realidade -, centrar a ação na luta ideológica e não nas necessidades de construção política de uma alternativa vitoriosa. O isolamento e a derrota dessas vias no Brasil é a confirmação dessa tese.

Em uma aliança se perde a hegemonia quando se cede o essencial ao aliado, na verdade um inimigo a que se converte quem concede. FHC aliou-se ao então PFL, não para impor o programa do seu partido, mas para realizar o programa da direita – o neoliberal. Nessa aliança se impôs a hegemonia neoliberal. Uma força que se pretendia social democrata realizou um programa originalmente contraposto à sua natureza.

Lula fez uma aliança ampla – não apenas com o PMDB e outros partidos -, mas também com o capital financeiro, mediante a Carta aos brasileiros, o Meirelles no Banco Central e a manutenção do ajuste fiscal e do superávit fiscal, conforme as orientações levadas a cabo por Palocci. Neutralizou forças adversárias, que ameaçavam desestabilizar a economia, mediante ataque especulativo que já havia dobrado o valor do dólar durante a campanha eleitoral.

Ao longo do tempo, com as transformações operadas no governo, a hegemonia do projeto original do Lula foi se impondo. O tema do desenvolvimento passou a ser central, com um modelo intrinsecamente vinculado à distribuição de renda, ao mesmo tempo que a reinserção internacional se consolidou, privilegiando alianças com os governos progressistas da América Latina e com as principais forças do Sul do mundo. O Estado, por sua vez, voltou a ter um papel de indutor do desenvolvimento e de garantia das extensão das políticas sociais.

Os aliados políticos e econômicos continuaram a ter força e a ocupar espaços dentro do governo. A maioria parlamentar do PMDB ficou representada na política do agro negócio, os interesses do setor privado de comunicações, assim como os das FFAA – em três ministérios importantes no governo. Da mesma formal, a centralidade do capital financeiro no neoliberalismo garantiu uma independência de fato do Banco Central.

Esses espaços enfraqueceram a hegemonia do projeto original, mas permitiram sua imposição no essencial. O agronegócio teve contrapontos no Ministério de Desenvolvimento Agrário, a política de comunicações em iniciativas como a TV Brasil e a Conferencia Nacional de Comunicações, as FFAA no Plano Nacional dos Direitos Humanos, o Banco Central em ações indutoras sobre a taxa de juros e no papel determinante que políticas com o PAC, o Minha casa, minha vida.

As fronteiras das alianças e a questão da hegemonia provocaram tensões permanentes, pelos equilíbrios instáveis que provocam essas convivências. Mas, como se sabe, sem maioria no Congresso, o governo quase caiu em 2005. A aliança com o PMDB – com as contrapartidas dos ministérios mencionados – foi o preço a pagar para a estabilidade política do governo.

Um dos problemas originários do governo Lula foi que ele triunfou depois de uma década de ofensiva contra o movimento popular, que passou a uma situação de refluxo, tendo como um dos resultados a minoria parlamentar e de governos estaduais com que o governo Lula teve que conviver, mesmo depois da reeleição de 2006.

Por isso uma das disputas mais importantes este ano é o da correlação de forças no Parlamento, para garantir para um governo Dilma uma maioria de esquerda no Congresso, com dependência menor ali e na composição do governo. Assim se disputam os limites das alianças e a hegemonia.

Diferença fundamental na política de alianças de FHC e de Lula é a questão da hegemonia, da política levada adiante. A prioridade das políticas sociais – que muda a face da sociedade brasileira –, a nova inserção internacional do Brasil, o papel do Estado e das políticas de desenvolvimento – dão o caráter do governo Lula. As alianças devem viabilizar sua centralidade. A correlação de forças das alianças está em jogo nas eleições parlamentares deste ano.

Foi um governo em permanente disputa, com duas etapas claramente delineadas (Veja-se o artigo de Nelson Barbosa no livro “Brasil, entre o passado e o futuro”, organizado pelo Marco Aurélio Garcia e por mim, publicado pela Boitempo e pela Perseu Abramo.), com o ajuste fiscal predominando na primeira, o desenvolvimento econômico e social na segunda. A coordenação do governo realizada pela Dilma representou exatamente essa segunda fase, de que o seu governo deve ser continuação. O que não significava que as tensões apontadas não permaneçam. Mas elas podem ser enfrentadas numa correlação de forças mais favorável à esquerda e em um marco de uma nova grande derrota da direita, que abre espaço para um avanço estratégico do projeto de construção de uma sociedade justa, solidária, democrática e soberana.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

O grito de Independência, um grito de batalha

"Aqui não haverá tiranos nem anarquia enquanto eu respire de espada em mãos"
Simón Bolívar.

Estamos em marcha pela dignidade da pátria. A Batalha pela independência não terminou e entrou já em sua etapa decisiva.

Não podemos proclamarmos livres quando a política de dominação de um império nos subjuga e nos submete com a cumplicidade apátrida das oligarquias e, nos aprisionam as desumanas correntes da escravidão neoliberal.

Um país ocupado militarmente não é independente. Não podemos declararmos soberanos quando a força militar de uma potência estrangeira enche de bases o território pátrio, pisoteia a dignidade e a bandeira dos EUA ondeia sobre nossa América sua ameaça e espólio.
Mas, sim podemos declararmos povo em luta pela liberdade!

Estamos já em batalha. Com a certeza de Bolívar, "todos os povos do mundo que tem lutado pela liberdade têm exterminado por fim seus tiranos". A justa causa dos povos não pode ser derrotada. A espada de batalha do Libertador, agora em mãos do povo, abrirá os caminhos da esperança e triunfará na contenda da definitiva emancipação.

Estendamos hoje a insígnia com es três cores do bicentenário como símbolo de luta e homenagem aos libertadores que sonharam a Grande Nação de Repúblicas, escudo de nosso destino, aos que nos deram pátria pensando na humanidade e se sacrificaram nos campos de batalha para dignificar os homens e mulheres americanos.

Como duzentos anos atrás "em Bolívar está a emancipação". Essa certeza espalhada sobre o céu de América pelo prócer Camilo Torres, deve ser a divisa de nossa campanha na alvorada de Socialismo e Pátria Grande que ilumina o Continente e a América Insular. A colheita amorosa dos libertadores concebida para os povos não pode ser usurpada nem um minuto a mais pelos herdeiros de Satander e sua perfidia; deve ser desfrutada pelos destinatários originais. O sangue dos libertadores não abonou os campos de batalha para fazer mais ricos aos ricos nem facilitar novas correntes coloniais, mas para redimir o soberano que é o povo.

Rendemos tributo nesta comemoração ao inca Tupac Amaru, ao comuneiro José Antonio Galán, ao negro José Leonardo Chirinos e a todos os esquartejados pela criminal opressão da coroa espanhola. Honra à jovem Policarpa Salavarrieta arcabuzada pelos terroristas pacificadores encabeçados por o general espanhol Paulo Morillo. Glória eterna a Francisco José de Calas, Camilo Torres Tenório, a Francisco Carbonel e, a todos aqueles que supliciados nos patíbulos nos mostraram com seu exemplo o caminho da liberdade.

Aos precursores de nossa independência, Miranda, Nariño e Espejo, nosso reconhecimento eterno. Desenterremos esses grandes patriotas, tirando-os das covas comuns do esquecimento nas quais foram confinados pela mentirosa historiografia dos que desviaram o rumo da pátria, para que continuem na batalha.

Ainda ressoava o eco da vitória de Ayacuho quando entalhou a contra-revolução na ambição sem medida da oligarquia crioula pelo poder político ilimitado. Ela encontrou na Doutrina Monroe intriga e alento permanente para dividir o território e despedaçar a obra legislativa bolivariana que mandava colocar o interesse comum por encima do particular.

Tal como o prognosticou o Libertador, não tardaram em buscar um novo amo. Atacaram a concepção bolivariana da unidade de povos em uma Grande Nação, apoiados no sofisma da Doutrina Monroe. Ela foi seu ponto de apóio para assaltar o poder e lograr seu miserável sonho de substituir os vireis na opressão. Essa Doutrina era o disfarce da avaricia do Destino Manifesto, que jamais pensou enfrentar a armada colonial britânica nem a Santa Aliança que projetava restaurar em América o predomínio do trono espanhol, mas anexar repúblicas, saquear recursos e, submeter os povos politicamente.

Traíram a grandeza trocando a possibilidade do surgimento de um novo poder continental que fosse equilíbrio do universo e esperança da humanidade pela submissão a uma potência estrangeira. Só lhes interessava assaltar o poder político com a ajuda externa para acrescentar suas fortunas pessoais e pôr-as a salvo da revolução social. Dóceis a seu novo amo desmobilizaram, por conveniência recíproca, o Exército Libertador, único garante da independência e as conquistas sociais, força dissuasiva ao mesmo tempo, das ambições neocoloniais do governo de Washington.

Os codiciosos e agressivos líderes no Norte, inspirados sempre no cálculo aritmético, possuídos pela ambição de erigir sua prosperidade sobre a base do espólio dos povos do sul, não podiam tolerar a implantação do plano estratégico de Bolívar no Congresso de Panamá que contemplava a formação de uma liga perpétua das nações antes colônias espanholas, presidida por uma autoridade política permanente, com um exército unificado concebido para a defesa e para a campanha da libertação das ilhas de Cuba e Porto Rico, consideradas por Washington, apêndices de seu espaço continental. Lhes mortificava a idéia do Libertador de fazer efetiva a cidadania hispanoamericana entre povos irmãos, o estabelecimento de um poder político inimigo da escravidão, e sobretudo, o propósito de impulsionar um regime de comércio preferencial que fizera prevalecer a cláusula de nação mais favorecida para as repúblicas irmãs coligadas.
Todas essa medidas pensada pelo Libertador Simón Bolívar para preservar a independência e a dignidade das nações hispanoamericanas se interponham como fortificação inexpugnável frente às insólitas pretensões do Destino Manifesto, inventado pelos fundadores do império para auto-legitimar o espólio.

Por isso enviaram a instrução perversa a seus ministros na Colômbia, México e Perú, de estimular as rivalidades entre nossas repúblicas, o espírito chauvinista, desatar a espionagem, a conspiração e a intriga, minar o prestígio do Libertador e, por isso, foi Bolívar o alvo de seus iracundos ataques.

Eliminar a figura política do Libertador, sua poderosa influencia em América Latina foi sua obsessão até causar sua morte física e o eclipse transitório de seu projeto político e social.
Todas as desgraças e misérias de Nossa América tem essa origem. "Os Estados Unidos parecem destinados pela providência para encher a América de misérias em nome da liberdade", tinha profetizado Simón Bolívar.

A revolução ficou inconclusa desde 1830 pela ação predadora da banda de excludentes crioulos comandada pelo governo de Washington.

"Toda revolução - dizia o Libertador - tem três etapas: a da guerra, a reformadora e a da organização. A primeira pertence ao passado; foi obra dos soldados. A segunda, a cobrimos com o Congresso de Cúcuta e o governo de Bogotá. A terceira, será abordada por mim em Panamá".
Esse é o ponto de partida para retomar a obra da independência e a revolução. A 200 anos de iniciada a gesta independentista o projeto de Bolívar segue assombrosamente vigente, como se houvesse sido concebido para os tempos de hoje. O povo que pode, o povo que constrói, tem a palavra. E desta vez Bolívar é o povo empunhando sua espada com a irredutível determinação de lutar pela concretização de seu grande sonho.

Mas, o só grito de independência não é suficiente; ficou demonstrado pela explosão simultânea de gritos que estremeceram o Continente e, que foram calados rapidamente pelas sanguinárias forças punitivas da coroa. Nenhum povo pode obter sua liberdade se carece de força própria. Desta vez, o novo grito de independência, deve ser o grito de todos, o grito dos excluídos, reforçado pela mobilização decidida, com a luta multiforme, com as armas da unidade, da inteligência e da força. É esta a hora de todos os povos. Eles têm combatido e combatem hoje, são eles os que aportam milhares de heróis destacados ou anônimos. Foi o povo a força viva do Exército bolivariano que derrotou o regime colonial na América do Sul e, será protagonista do triunfo inevitável da revolução política e social.

Há uma espiral ascendendo rumo à liberdade. A luta dos patriotas do século XIX tem um fio condutor, uma articulação com a dos patriotas do século XXI. Aqueles lutaram em um agitado contexto de crise do mundo colonial. Iniciava-se a consolidação do sistema capitalista com o saqueio e a escravidão de povos, mas, ao mesmo tempo, a invasão napoleônica a Espanha estimulava em Hispanoamérica a ruptura radical com o regime colonial. A luta dos patriotas do Século XXI pela definitiva independência, não só está ligada à derrota do sistema capitalista e à dominação imperial, senão que exige a superação desse sistema decadente e a chegada de uma nova era de justiça: A do Socialismo e da Pátria Grande. A atual crise estrutural do capitalismo é o toque do clarim que anuncia ao povo que está na ora de se lançar à batalha definitiva pela emancipação.

Washington está preocupado com Bolívar, ainda, vivo e palpitante nos anseios de justiça dos povos, na vigência de seu pensamento e projeto político e social, no reencontro dos excluídos com a historia verdadeira que lhes diz que foram eles, sua dignidade, o objetivo principal do projeto originário de nação.

Como o império enxerga na consciência dos povos um obstáculo ao espólio, então, recorre à força e à movimentação de seu poderio militar para negar por meio da violência o a dissuasão, o que exigem o senso comum e a justiça. Não nascemos para ser vassalos de ninguém, nem pátio traseiro de potência alguma. A América do Sul é nossa porque nascemos nela. Temos direito à dignidade humana e a construir o modelo de sociedade que nos leve a construir nossa felicidade.
O que nos importa que EUA espalhe suas bases militares no Caribe e no Continente, se estamos dispostos a ser livres. Como diria Bolívar à meio da efervescência independentista da Sociedade Patriótica: "ponhamos sem temor a pedra fundamental da liberdade suramericana; vacilar é sucumbir".

Enfrentemos com o escudo da dignidade latinoamericana e caribenha as incessantes agressões e desrespeitos do monstro do norte, fundido esse escudo no mais duro e resistente aço da unidade. "Porque a divisão é a que nos está matando", devemos destruí-la. A dispersão e ausência de unidade são as responsáveis pelo tremendo abismo que nos separa de nosso destino de Grande Nação, de potência de humanidade e liberdade. Rompamos as correntes mentais e culturais que mantém presa a consciência coletiva. Nosso dever é desconhecer o escravizante canto de sereia do império e, escutar a palavra amorosa do pai e Libertador, que nos diz, que "unidos seremos fortes e mereceremos respeito"; divididos e isolados, pereceremos". A unidade é nossa força e nossa esperança.

Rechacemos com decoro pátrio as bases e avançados operativos militares do exército dos EUA na Colômbia. Castiguemos com o repúdio coletivo os governantes vassalos, de colônia, que permitiram o ultraje e que emprestaram o território como base de agressão ianque contra os povos do Continente; os apátridas que têm ajoelhado por 200 anos nossa dignidade ante a águia imperial e, que têm cravado o punhal da política neoliberal e do Fundo Monetário Internacional no coração da Colômbia; os desavergonhados peões do império que emprestam seu sentimento escravo para impedir em nome de Washington a incontestável ola bolivariana que percorre o Continente.

A marcha patriótica bicentenária avança já. Como dizia Bolívar: "o impulso da revolução está dado, já ninguém o poderá deter (...) O exemplo da liberdade é sedutor e, aquele da liberdade doméstica é imperioso e arrebatador (...) Devemos triunfar pelo caminho da revolução e não por outro (...) A lei da repartição de bens é para toda Colômbia"

Começou a mobilização dos povos. Estamos nessa batalha. Com a espada do Grande Herói triunfará a independência definitiva, a Partia Grande e o Socialismo.

Secretariado do Estado Maior Central das FARC-EP
Montanhas da Colômbia julho 15 de 2010
Ano do bicentenário do grito de independência.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Um Brasil sem analfabetos

Por Emir Sáder

O Brasil teve uma expansão significativa dos direitos sociais da grande maioria da sua população nos últimos anos, extensão do sistema educacional, porém persistem entre 10 e 13 milhões de analfabetos – sobretudo de terceira idade – e grande quantidade de analfabetos funcionais – que aprenderam a ler mas que, sem prática posterior, são incapazes de ler e responder uma carta.
E, ao mesmo tempo, dispomos do melhor método de alfabetização – o método Paulo Freire - que, ao mesmo tempo que permite o aprendizado da leitura e da escrita, favorece a consciência social das pessoas.

Até mesmo países de nível de renda muito mais baixo do que o nosso, como a Bolívia, valendo-se de um método muito eficaz, mas menos elaborado, como o método cubano, terminaram com o analfabetismo, segundo constatação da Unesco. A Bolívia, que tem uma grande complexidade cultural e lingüística, porque a massa da população fala aymara, quéchua, guarani, castelhano e outros muitos dialetos.
Não podemos permitir que milhões de brasileiros não saibam ler e, não apenas, estejam impedidos de orientar-se minimamente como um cidadão deve fazê-lo para informações básicas, mas também impedidos de conhecer a cultura brasileira – aquilo que o Brasil produz de melhor. Impedidos de conhecer Jorge Amado, Graciliano Ramos, Machado de Assis, Lima Barreto, Carlos Drummond de Andrade, Vinicius de Morais, Guimarães Rosa – apenas para citar alguns. Todos têm todo o direito de não gostar de autores, mas devem ter todo o direito de conhecer, de ter acesso ao que de melhor o Brasil produz.

Um mutirão, organizado pelo Ministério da Educação, de que participem ativamente as entidades estudantis, as centrais sindicais, os movimentos sociais e culturais, que comece pela elaboração de método adequado aos da terceira idade e que mobilize centenas de milhares de jovens e militantes de todos os setores da população, poderá elevar o Brasil nos próximos quatro a anos a “país livre do analfabetismo”. Seremos um pouco mais democráticos, menos injustos, mais cultos. Além de preparar-nos melhor para produzir uma cultura muito mais plural, diversificada, reflexo da sociedade brasileira realmente existente e não produto do país que as elites gostariam que o Brasil continuasse sendo. Um Brasil para todos significa um Brasil sem analfabetismo.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Como as AUC tomaram o Norte de Santander na Colômbia






Fonte: Verdade Abierta


Em poucos lugares do país, como no Norte de Santander, as Autodefesas Unidas da Colômbia conseguiram articular de forma clara e contundente seu projeto de tomar todos os níveis do poder.
Este foi o panorama apresentado pelo oitavo promotor da Unidade de Justiça e Paz, Leonardo Cabana, no julgamento contra o ex-chefe da Frente Fronteiras do Bloco Catatumbo das AUC, Jorge Iván Laverde, vulgo “Iguana”.

No departamento fronteiriço, o Iguana, foi o homem que aplicou com vontade as ordens de Salvatore Mancuso e dos irmãos Castaño (Carlos e Vicente): combater a guerrilha por quaisquer meios e impor uma domínio férreo sobre toda a população nortesantanderista.

Para a promotoria ficou claro que “não eram comandantes intermediários os que colaboraram com as AUC, eram os encarregados de proteger os cidadãos no mais alto grau”. Na rede de funcionários que, supostamente ajudaram na criação do paramilitarismo, estão ex-comandantes do Exército, o coronel da Polícia na ativa, William Montezuma, ex-diretores da Procuradoria regional, ex-diretores da filial do DAS, altos funcionários do INPEC, governadores, senadores e prefeitos.

No julgamento contra o 'Iguana', que foi o principal comandante da Frente Fronteiras do Bloco Catatumbo, o promotor Cabana mostrou a importância de reconstruir as instituições no Departamento de Norte de Santander para obter uma verdadeira reparação para as vitimas dos ‘paras’.
Segundo o procurador, entre 1999 e 2004, período em que o Bloco Catatumbo cometeu crimes, os paramilitares chegaram a ser cúmplices dos mais altos escalões do Departamento, o que deixou um elevado nível de desconfiança entre os habitantes da região fronteiriça.


As supostas ligações do Coronel da Polícia William Montezuma

Uma das instituições que os paramilitares conseguiram infiltrar no Norte de Santander foi a polícia.

O coronel William Montezuma, naquela época major e diretor local da SIJIN, segundo a promotoria era uma ficha chave das autodefesas. Segundo vários relatos de desmobilizados, o oficial lhes fornecia informações, dizia como estavam indo as investigações judiciais contra eles e os advertia sobre operações policiais com antecedência.
No depoimento de Fevereiro de 2010, Albeiro Valderrama, vulgo “Pedras Brancas”, que foi comandante em Pamplona, disse que os paramilitares assassinaram a Maria Ruth Granados e seus dois filhos em 2003 por informações que, supostamente, foram repassadas pelo então major Montezuma.

O desmobilizado disse que ele viu o oficial reunido com Carlos Enrique Rojas Mora, vulgo “Gato”, o ex-comandante político do Bloco Catatumbo, no restaurante Laura de Cúcuta, onde o oficial disse que as vítimas eram supostas colaboradoras da guerrilha.

Em outro depoimento, José Mauricio Moncada Contreras, vulgo “Mocoseco”, arrecadador do bloco, confirmou a versão de “Pedras Brancas” e disse que, 15 dias após o assassinato, ele e “Gato” entregaram 10 milhões de pesos ao coronel Montezuma pela informação e colaboração.
Atualmente, o coronel Montezuma é Comandante da Polícia do departamento de Nariño.

Os laços com o Exército

A promotoria assegurou também que havia ligações entre o Bloco Catatumbo e alguns oficiais do Exército.

Em 1999, os irmãos Castaño e Salvatore Mancuso tomaram a decisão de criar um novo bloco das AUC no departamento, que supostamente tinha uma forte presença guerrilheira além de ser um departamento fronteiriço que tem óbvios interesses para a organização criminosa.

Quando o “Iguana” chegou ao departamento, junto com mais cinco paramilitares, já existia um grupo paramilitar em Cúcuta: “Los Polleros”. Supostamente, este grupo teve uma ponte com o Coronel (R) Victor Hugo Matamoros que, naquele então, era comandante do Batalhão Mecanizado Maza.

O “Iguana” disse, em depoimento revelado na audiência, que “em 1999 todas as ações que fizemos foram graças a Matamoros, que coordenava, pois para onde íamos a força pública nunca entrava. Mantínhamos uma ou duas horas de enfrentamentos e ninguém se fazia presente”.

A promotoria demonstrou que vários membros do Batalhão Maza também faziam parte dos Polleros e acabaram engrossando as fileiras do Bloco Catatumbo.

O coronel Matamoros, desde 2008, esta preso por seu suposto envolvimento no massacre de La Gabarra, onde seis camponeses foram mortos em maio de 1999.

Outro oficial superior que, supostamente, ajudou os paramilitares a tomar o departamento a sangue e fogo, foi o major(R) Mauricio Llorente, comandante do Batalhão de Contraguerrilhas 46 Heróis de Saraguro, baseado em Tibú.

O major Llorente, que foi condenado em 1997 a 40 anos de prisão pela sua participação nos massacres de La Gabarra e Tibú, contou à procuradoria que facilitou a passagem de vários caminhões que carregavam os paramilitares que assassinaram a mais de 30 camponeses. Além disso, o oficial ordenou a vários dos seus homens que guiassem os paramilitares para os seus objetivos.

A esta declaração acrescenta-se o testemunho de Giovanno Velázquez, vulgo “Bryan”, um ex-soldado do Batalhão de Heróis de Saraguro, que assegurou diante da procuradoria que o coronel Matamoros e o major Llorente o mandaram a Córdoba para organizar, juntamente com os irmãos Castaño, a chegada dos paramilitares ao Norte de Santander.

O tenente Leonardo Rodrigues foi outro militar que colaborou com os paramilitares. Em 2002, juntou-se às autodefesas, onde ganhou a alcunha de “Andrés Bolívar”, um dos chefes de finanças do Bloco Catatumbo.

A promotoria também disse que membros do exército prestaram-se para coordenar 'falsos positivos’ com os homens de o “Iguana”. Um dos casos mais claros é o de “La Churca”, que foi apresentado pelos militares como um "para" morto após um enfrentamento.

No entanto, o “Iguana” e Carlos Andres Palencia, em depoimentos informais, aceitaram que eles o assassinaram porque ‘La Churca’ teria se embebedado e matado uma jovem em um bazar. A vitima resultou ser filha de um vereador de Cúcuta.

No dia seguinte, o Exército disse ao jornal La Opinión que “La Churca” tinha sido morto depois de “fazer um operativo de inteligência, com um plano envolvente para capturá-lo, mas “La Churca”, ao se ver cercado, abriu fogo contra os militares”.


As fugas do Inpec

A procuradoria de Justiça e Paz também disse que o Inpec, no Norte de Santander, também foi infiltrado pelo Bloco Catatumbo de o “Iguana”.

Em novembro de 2000, a Procuradoria capturou o “Iguana” em Cúcuta, quando este era apontado pelas autoridades como o líder dos paramilitares na região. No entanto, poucos dias depois, o “Iguana” conseguiu escapar da Clínica Los Samanes, onde supostamente foi hospitalizado para uma cirurgia de apêndice.

A procuradoria conseguiu provar que, quando se soube da captura, os irmãos Castaño enviaram um dos seus homens de confiança para Cúcuta, Lorenzo González Quinchía, vulgo “Yuda”, para resgatar o “Iguana” da prisão.

Segundo a procuradoria, González Quinchía hoje é um próspero empresário Da mineração no departamento de Chocó mas, de acordo com vários desmobilizados, ele era o homem dos irmãos Castaño que ia a cada bloco das AUC para verificar se estava tudo em ordem. Ver artigo do jornal La Opinion de Cúcuta: El eslabón perdido de la historia paramilitar en Colombia (O elo perdido da história paramilitar na Colômbia).

Segundo o “Iguano”, González Quinchía supostamente se reuniu com Mario Arévalo Perdomo, diretor da Prisão Modelo de Cúcuta e Hernán Darío Mejía Petrocelli, subdiretor da penitenciaria, para organizar sua fuga. Poucos dias depois González Quinchía fui se encontrar com o “Iguano” em um dos pátios da prisão, onde contou o plano de fuga.

Os ‘paras’ voltaram a recorrer à ajuda dos dois funcionários do Inpec quando capturaram Omar Yesid López Alarcón, vulgo “Gustavo 18”, comandante urbano. O “Iguano” disse, em depoimento informal, que as Autodefesas entregaram a Arévalo e Mejía Petrocelli 180 milhões de pesos para facilitar a fuga de “Gustavo 18”, que saiu da prisão Modelo de Cúcuta escondido em uma lata de lixo.

Para estas fugas a promotoria também acredita que os paramilitares tiveram a ajuda da polícia, visto que a guarda dos presos era da sua responsabilidade.


A procuradora dos paramilitares

Outra instituição que, segundo os argumentos do Procurador Cabana, foi ‘capturada’ pelo Bloco Catatumbo foi a Direção Regional da Procuradoria que, supostamente, investigava, processava e capturava os paramilitares, mas que na realidade era aliado deles.

Segundo disse o Procurador Cabanas , Ana Maria Flórez Silva, Diretora da Procuradoria para o Norte de Santander e Arauca; Magali Yaneth Moreno Vera, assistente da Procuradora e Carlos Pinzón, do CTI, “faziam parte, diretamente, da organização e mantinham comunicação constante com o Frente Fronteiras ao qual informavam sobre os encaminhamentos”.

O “Iguano” informou, num depoimento, que o “Gato” andava nos automóveis da Procuradoria em Cúcuta, também afirmou que vários assassinatos foram cometidos por informações prestadas pela diretora da instituição, que os paramilitares apelidaram de “Batgirl”.

Os desmobilizados acrescentou que Magali Moreno, a assistente da procuradora, avisava aos paramilitares sobre operações contra eles e quem ia ser capturado. Por este motivo, de acordo com o promotor, o detetive do CTI, Carlos Pinzón, foi assassinado junto com sua noiva, Carolina Osma, por homens do “Iguano”, porque os paramilitares consideravam que ele colaborava com a guerrilha.

Albeiro Valderrama, vulgo “Pedras Brancas”, um dos comandantes em Cucuta e Pamplona, disse que coordenou com a Procuradoria para preparar um 'falso positivo'. Segundo ele contou, a procuradora Flórez disse-lhe que estavam pressionando para mostrar resultados contra as autodefesas.

Por isso, segundo o “Iguano”, seus homens embebedaram dois jovens e os deixaram em uma casa, onde também deixaram documentos, explosivos e uma pistola, que tinha sido usada para assassinar mais de 10 pessoas na região.

Algumas horas mais tarde, a procuradoria vasculhou a casa e prendeu os jovens que depois foram apresentados como os comandantes Diomedes e Escorpião, das AUC. Os dois foram condenados a 40 anos de prisão pela arma que as autoridades encontraram e, atualmente, ainda estão na cadeia à espera de uma revisão do processo.

A promotoria também mostrou uma conversa telefônica entre Magali Moreno, conhecida pelos paramilitares como “Perla” e Carlos Enrique Rojas Mora, o “Gato”. Na gravação, a funcionária adverte o paramilitar para que tomasse cuidado, pois estava para começar uma operação antidrogas a partir de Bogotá.

Para estas ligações, Ana Maria Flórez e Magali Moreno foram condenadas, em 2007, a mais de 11 anos de prisão.


O DAS e Rito Alejo del Río

Outra instituição permeada pelo “Iguano” foi o DAS. Ele também contou como se encontrou com o general (r) Rito Alejo del Río.

Jorge Enrique Diaz, que foi diretor regional do DAS e Viterbo Galvis Mogollón, subdiretor regional, colaboraram ativamente com o Bloco Catatumbo. Segundo a Procuradoria, o alto funcionário passou para as AUC informação sobre várias vítimas, como o advogado Jairo Ernesto Obregon Sabogal e Carlos Salvador Bernal, defensor dos direitos humanos assassinado em Cúcuta em 01 de abril de 2004.

O “Iguano”, disse que Diaz “era mais autodefesas do que DAS”. O paramilitar apontou o detetive Efrain Morales, vulgo “El Compadre”, de tê-los ajudado.

Ex-chefe paramilitar também relembrou que uma vez se reuniu com Jorge Diaz e o general (R) Rito Alejo del Río, ao qual já conhecia desde quando delinquia em Urabá. Segundo o “Iguano”, Diaz informou-o que Raúl Reyes estava escondido em Rubio, uma cidade no estado de Táchira, Venezuela, e que queriam que os paramilitares fizessem uma operação para assassiná-lo no país vizinho.

Carlos Andres Palencia, vulgo “Visaje”, comandante urbano da Frente Fronteiras, disse, em depoimento espontâneo, que em uma reunião Diaz lhe entregou uma lista com os nomes do advogado Jairo Ernesto Obregón Sabogal e de Carlos Eduardo Caicedo, ex-candidato a prefeito de Cúcuta, que foram assassinados pela organização criminosa.

Em 2005, o cadáver Díaz foi encontrado em Mérida, Venezuela. O “Iguano” admitiu que ele foi o mandante.


Os Políticos da Frente Fronteiras


A ficha política das AUC no Norte de Santander foi, segundo o “Iguano”, Ricardo Elcure Chacón, ao qual o “Iguano” teria entregado 200 milhões de pesos para a campanha política para governador. Em contrapartida os paramilitares ganhariam cinco por cento de todos os contratos do governo do departamento.

Em 2009 Elcure, do Partido Colômbia Democrática de Mario Uribe, foi condenado a seis anos de prisão por seu envolvimento na “parapolítica”.

Para o prefeito de Cúcuta, o “Iguano” disse que apoiou a Ramiro Suárez Corzo, do Partido Colômbia Viva. Suárez foi prefeito entre 2004 e 2007, mas em 7 de setembro daquele ano foi preso acusado de ser o suposto autor intelectual do assassinato do ex-assessor da Prefeitura, Alfredo Enrique Flórez.

No entanto, Suárez foi libertado em abril de 2009, mas as investigações contra o ex-prefeito por “parapolítica’ continuam.

Todas as informações contidas no artigo estão apoiadas em depoimentos espontâneos e investigações entregues pela procuradoria na audiência de reparação de Ivan Laverde, vulgo “Iguano”, ao Tribunal Superior de Bogotá. A justiça terá de estabelecer e investigar a veracidade das provas apresentadas pela procuradoria.


http://www.verdadabierta.com/index.php?option=com_content&id=2547




segunda-feira, 12 de julho de 2010

Mujica defende reforma do Estado no Uruguai

Publicado originalmente no La República, de Montevidéu.

O presidente do Uruguai, José Mujica, voltou a insistir na necessidade de reformas para poder alcançar um Estado “vigoroso, forte e puro músculo”, entre outras coisas, como forma de garantir a necessária distribuição da riqueza no país. No programa “Fala o Presidente”, transmitido pela emissora M24, o mandatário disse que não será fácil implantar o “sentido de pertencimento” entre os funcionários públicos que deverão compreender que “a honra de trabalhar no Estado reside no fato deste trabalho estar ligado à sorte geral de toda a nação”.

Na parte central do programa, Mujica voltou a se referir à necessária transformação do Estado. Ele disse que, quando fala destes temas, “algumas pessoas se sentem ofendidas ou agredidas. O problema não é de caráter pessoal e muito menos é com os funcionários públicos, que não são outra coisa do que a conseqüência de uma hipertrofia muito maior e mais genérica, que anda de mãos dadas com nossa própria história, com a nossa própria construção nacional”.

“Há gente que sonha com leis, que acredita que as mudanças em uma sociedade necessitam de uma avalanche de leis; e não é que as leis não tenham importância, para além da que têm, e ai dos homens se não existirem garantias de direito que em alguma medida nos regrem, nos regulem, nos ordenem, nos imponham limites.”

Neste contexto, Mujica anunciou que o Conselho de Ministros iniciou a discussão de “mudanças fundamentais” que, no fundo, modificam a forma de encarar filosoficamente a função pública.

“Há mais de 500 grupos econômicos neste mundo que superam amplamente o PIB de estados como o Uruguai e tantos outros. Ninguém vota nestes grupos, eles não têm hino ainda que possam ter bandeira, não ocupam um assento nas Nações Unidos, mas têm poder”, disse Mujica.

“Qual é o futuro de governos como os nossos? Teremos que nos ocupar pura e exclusivamente de atapetar o ingresso de grandes investimentos que venham de fora, às vezes tratando-os melhor do que os que estão aqui? E como vamos enfrentar esse fenomenal poder nas sombras, que é real e que pesa mais que qualquer Estado?”, perguntou.

“Somente tendo estados vigorosos e fortes, somente tendo estados puro músculo, que coloquem limites, cuidem do terreno, estabeleçam as regras e garantam que a imensa multiplicidade de pequenas realizações e de pequenas empresas, que são em última instância as que terminam distribuindo a riqueza, as que compartilham, que geram uma imensidão de postos de trabalho, ainda que não sejam as que manuseiem as maiores quantidades de valores, estejam amparadas, possam subsistir, possam existir; e a única garantia é que existam estados fortes, vigorosos, que não renunciem a sua prerrogativa, mas que não sejam um peso para a nação, mas exatamente o contrário, que sejam um incentivo para a nação”.

Mujica disse ainda que “é por isso que inevitavelmente devem existir estados fortes que obriguem a convivência mediada e equilibrada, e que não pode haver esse tipo de convivência se a sociedade não reparte sua riqueza. E não alcançamos isso multiplicando os pães e enchendo os vasos porque a prática está demonstrando que o excesso por si só não garante nada”. Ele assinalou que, nos últimos anos, vimos países onde a economia cresceu e, ao mesmo tempo, a pobreza também cresceu”.

Para o presidente, “é preciso se dar conta de que para ter um estado forte e com músculos, é preciso ter um Estado que esteja a léguas de ser um Estado burocrático. É um compromisso de caráter central. Entenderemos esse compromisso? Poderemos colocá-lo acima de visões setoriais? Nós todos colocaremos a celeste (camisa da seleção uruguaia)? Este é o grande desafio que tempos pela frente”, sustentou.

Mujica defende que “a grande missão do Estado é servir, empurrar, ser um burro de arranque para a esperança de toda a nação. Não estados que sugam, mas sim estados que impulsionam, que ajudam, que multiplicam a energia criadora do povo”. “Se não temos um pensamento orientador, a realidade nos levará para qualquer parte, sofreremos a história, construindo apenas uma historieta”, acrescentou.

Por esta razão, iniciou-se esta discussão no Conselho de Ministros, “que paradoxalmente, pelos trilhos em que anda, nos leva a elaborar algumas novas leis, mas que, muito mais do que isso, teremos que devastar um conjunto de leis que se transformaram em travas e não em garantias”. “É preciso multiplicar as garantias e não as travas. Mas a realidade mais profunda é iniciar um processo que significa uma longa luta para mudar a nós mesmos. Não temos que atribuir a ninguém as dificuldades que nós mesmos temos que vencer, pois são nossas. Temos que assumir, temos que ter sentido de responsabilidade, não devemos suavizar, mas isso não significa nos odiar, nem nos desprezar, nem nos antagonizar, mas sim significa a tentativa de superarmos a nós mesmos”, enfatizou.

“É preciso ter em mente que não será simples e que a primeira discussão deverá ser feita com os trabalhadores. E que, se os trabalhadores não entendem, é impossível caminhar. E que não se convence ninguém a força. Por isso esse processo será muito árduo e ele está apenas no início, mas toda a abertura que estamos praticando é para que algumas questões centrais se transformem em um acervo da nação e não em um acervo meramente partidário”.

Tradução: Katarina Peixoto
Fonte: Carta Maior

A felicidade impossível

Por Fidel Castro

Prometi que seria o homem “mais feliz do mundo se estivesse equivocado” e, infelizmente a minha felicidade durou muito pouco. Ainda não acabou a Copa do Mundo. Ainda faltam seis dias para a partida final.

Que extraordinária oportunidade perderá, possivelmente, o império ianque e o estado fascista de Israel para manter as mentes da grande maioria das pessoas no mundo afastadas de seus problemas fundamentais!

Quem teria notado os sinistros planos do império com relação ao Irã e seus brutos pretextos para agredí-lo? Ao mesmo tempo, eu me pergunto: o que fazem, pela primeira vez, os navios de guerra Israelenses nos mares do Golfo Pérsico, do estreito de Ormuz e das áreas marítimas do Irã?

É possível imaginar que dali marcharão os porta-aviões nucleares ianques e os navios de guerra de Israel, com o rabo entre as pernas, quando forem cumpridas as exigências contidas na Resolução 1.929, de 9 junho 2010, adotada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, que mantém a autorização para a inspeção de navios e aeronaves iranianos, com a possibilidade de levá-la a cabo em território de qualquer estado e que, neste momento, permite fazê-lo inclusive em navios em alto mar?

A resolução também estabelece que não se realizariam inspeções de navios iranianos sem o consentimento do Irã. Nesse caso, a negação seria objeto de análise. Outro elemento adicionado é a possibilidade de confiscar o inspecionado, se ficar confirmado que ele viola as disposições da Resolução.

Um Irã desarmado foi vítima daquela guerra cruel com o Iraque, na qual massas de Guardiões da Revolução limpavam os campos de minas avançando sobre as mesmas. Este não é o caso de hoje. Expliquei em reflexões anteriores que Mahmud Ahmadinejad foi chefe dos Guardiões da Revolução no oeste do Irã, que teve o peso principal daquela guerra.

Anos mais tarde, um governo iraquiano encorajado enviou a maior parte de seus Guarda Republicana e anexou o emirado árabe do Kuwait, rico em petróleo, que foi presa fácil. O governo iraquiano mantinha estreita amizade com Cuba, que lhe fornecia, desde os tempos em que não estava em guerra com ninguém, importantes serviços de saúde. Nosso país tentou convencê-lo a sair do Kuwait e acabar com a guerra que havia sido provocada a partir de pontos de vista errôneos.

Hoje sabemos que uma embaixadora ianque medíocre, que tinha excelentes relações com o governo do Iraque, o induziu ao erro cometido.

Bush pai atacou o seu antigo amigo chefiando uma potente coligação - com uma forte composição árabe-muçulmana-sunita, de países que abasteceram de petróleo a grande parte das nações industrializadas e ricas -, a qual avançou desde o Sul do Iraque para cortar a retirada da Guarda Republicana que se dirigia para Bagdá, e, por prudência da Infantaria de Marinha e das Forças Armadas dos Estados Unidos - sob o comando de Colin Powell, general com prestígio, e posteriormente secretário de Estado de George W. Bush -, fugiu para a capital do Iraque.

Por pura vingança, contra ela utilizaram projéteis contaminados com urânio empobrecido e, com isso, pela primeira vez, experimentaram o dano que poderiam produzir nos soldados adversários.

O Irã, que agora é ameaçado com seus exércitos pelo ar, mar e terra, de religião muçulmano-xiita, em nada é parecido à Guarda Republicana que atacou impunemente no Iraque. O império está a ponto de cometer um impagável erro sem que nada o possa impedir. Avança inexoravelmente para um sinistro destino.

A única coisa que se pode afirmar é que houve quartas-de-final na Copa Mundial do Futebol. Assim, os fãs do esporte pudemos desfrutar dos emocionantes jogos em que vimos coisas incríveis. Afirma-se que, em 36 anos, o time da Holanda não perdia em uma sexta-feira em jogos da Copa Mundial do Futebol. Apenas, graças aos computadores foi possível fazer esse cálculo.

O fato real é que o Brasil foi eliminado das quartas-de-final da Copa. Um juiz deixou o Brasil fora da Copa. Pelo menos essa foi a impressão que não deixou de repetir um excelente comentarista esportivo da televisão cubana. Depois, a FIFA declarou que era correta a decisão do árbitro. Mais tarde, o mesmo juiz deixou o Brasil com 10 jogadores em um momento decisivo, quando ainda restava mais da metade do segundo tempo do jogo. Com certeza essa não foi a intenção do árbitro.

Ontem a Argentina foi eliminada. Nos primeiros minutos, o time alemão, através do meio-campo Muller, surpreendeu à confiante defesa e ao goleiro argentino, conseguindo marcar um gol. Posteriormente, não menos de 10 vezes, os centroavantes argentinos não conseguiram marcar um gol.

Pelo contrário, o time alemão marcou outros três gols e até Ângela Merkel, chanceler da Alemanha, aplaudia com muito entusiasmo. Assim, novamente, um dos times favoritos perdeu. Dessa forma, mais de 90% dos fãs do futebol em Cuba ficaram atônitos.

A maioria esmagadora dos amantes desse esporte nem sequer sabem em que continente está localizado Uruguai. Uma final entre países europeus será a mais descolorida e anti-histórica desde que nasceu esse esporte no mundo.

No entanto, na areia internacional aconteceram fatos que não têm nada a ver com os jogos de azar e, sim, com a lógica elementar que rege os destinos do Império. Uma série de notícias foram veiculadas nos dias 1, 2 e 3 de julho.

Todas giram em torno de um fato: as grandes potências representadas no Conselho de Segurança das Nações Unidas com direito ao veto, mais a Alemanha, instaram, no dia 2 de julho, o governo do Irã a dar “uma rápida resposta” ao convite que lhe foi feito para reiniciar as negociações sobre o seu programa nuclear.

O presidente Barack Obama assinou no dia anterior uma Lei que alarga as medidas existentes contra as áreas energética e bancária do Irã e poderia punir as companhias que realizem negócios com o governo de Teerã. Quer dizer, um bloqueio rigoroso e o estrangulamento do Irã.

O presidente Mahmoud Ahmadinejad afirmou que o seu país reiniciará as conversações no fim de agosto e sublinhou que nelas devem participar países como o Brasil e a Turquia, os dois únicos membros do Conselho de Segurança que rejeitaram as sanções do passado dia 9 de junho.

Um funcionário de alto nível da União Europeia advertiu, pejorativamente, que nem o Brasil nem a Turquia serão convidados para participar nas conversações. Não falta nada mais para tirarmos as conclusões pertinentes.

Nenhuma das duas partes cederá; uma, pelo orgulho dos poderosos, e a outra, pela resistência ao jugo e pela capacidade para combater, como tem acontecido tantas vezes na história do homem. O povo do Irã, uma nação de milenares tradições culturais, sem dúvidas, vai defender-se dos agressores. É incompreensível que Obama pense seriamente que o Irã aceitará suas exigências.

O presidente daquele país e os seus líderes religiosos, inspirados na Revolução Islâmica de Ruhollah Khomeini, criador dos Guardiões da Revolução, as Forças Armadas modernas e o novo estado do Irã resistirão.

Os povos pobres do mundo, que não temos a menor culpa do colossal enredo criado pelo imperialismo - localizados neste hemisfério ao Sul dos Estados Unidos, outros situados no Oeste, no Centro e no Sul da África, e os que possam ficar ilesos da guerra nuclear no resto do planeta -apenas temos a alternativa de encarar as conseqüências da catastrófica guerra nuclear que vai estourar em brevíssimo tempo.

Infelizmente não tenho nada que retificar e me responsabilizo plenamente por tudo o que escrevi nas últimas reflexões.

Fidel Castro Ruz

sábado, 10 de julho de 2010

A PÁTRIA GRANDE

Alberto Pinzón Sánchez
Fonte: Anncol.eu



Corria o ano de 1990, e desde os EUA decretava-se, para toda a humanidade, o fim da História. Em meio à densa nuvem de poeira produzida pela queda do Muro de Berlim e à decepção, alguns Marxistas, à defensiva, abandonaram reliquias e princípios. O avassalador refluxo das massas em todo o globo impediu pensar com clareza e calma, e o desconcerto foi aproveitado pelos ideólogos do imperialismo para avançar através de uma ofensiva inimaginável, impondo através de todos os meios ao seu dispor o seu neoliberalismo globalizante.

Samuel Huntington anunciava a mais recente onda de democracia “made in EUA” e, na pátria grande, surgiram por esse salmo democratico “da mão invisível do mercado” como paradigmas neoliberais: o melindroso César com seus quatro infame Carlos: Carlos Salinas, no México; Carlos Menem, na Argentina; Carlos Andrés Pérez, na Venezuela e César ( OEA) Gaviria, da Colômbia. Cada um deles encarregado de aplicar à risca o receituário neoliberal e amarrar, para sempre, com acordos de Livre Comércio as econômias bananeiras e desmazeladas de seus países à poderosa carroça Impérial. Bem-vindos ao Futuro! Começou o sangrento desfile e aqueles que vão morrer pela exploração, balas e miséria, oh César, te saudam.

Em uníssono, os povos da Grande Pátria não foram só despojados pelos Santanderistas e traidores da pátria de todos os países, da sua História (distorcida) e do nome que os unificava e identificava diante do invasor colonial. A América espanhola do tempo da luta anticolonial de Bolívar ou “Colombeia” de Francisco Miranda, ao acrescentar o Brasil se transformou na “Iberoamerica” e, à medida que o império espanhol foi sendo substituido pelo império inglês e depois pelo norteamericano, no início do século XX, passou a ser chamada de América Latina à qual, um pouco mais tarde, foi acrescentado o Caribe”.

O que une os latinoamericanos e caribenhos: A língua, religião, economia, cultura , música ou um Estado? Nada disso lhes é comum mais. No Caribe e nas Guianas falam-se línguas germânicas (inglês e holandês) junto com linguas classificadas como latinas (castelhano, português, francês) e as línguas indígenas. Coexistem inumeras religiões “oficiais” e diversos costumes regionais, horizontes culturais muito diferentes e economias muito dispares, cujo única característica visível é que todas são atrasadas, subdesenvolvidas, ou melhor, dependentes do imperialismo e das suas instituições financeiras transnacionais. Entretanto, na ausência de uma definição melhor, e como se fosse uma fatalidade, foi aceita essa “ficção” imposta pela metrópole, da mesma forma que os imigrantes tiveram que aceitar o ódio com que foram perversamente dominados para separá-los e identificá-los como “sudacas, spaniks, cucarachas, chicanos ou latinos”.
América Latina e o Caribe. Sugestivo título para um relatório do Fundo Monetário Internacional, ou uma reunião diplomática em qualquer lugar, ou para uma canção em “spanglish” de Gloria Stefan, Ricky Martin ou Shakira, que não identifica ninguém com alguém. Como um MacDonald em Cingapura, na Polinésia, Bolívia ou Alasca, apenas identifica o “american way of life” globalizado. Assim, o equivocado termo ‘América Latina e o Caribe’, transformou-se em uma “Área de Livre Comércio” (ALCA) e foi dividida em “Regiões” para poder executar correspondentes planos geoestratégicos: México e América Central são sinônimos do Plano Puebla-Panamá. A região Andina passa a ser a ‘Iniciativa Regional Andina/Plano Colômbia’, e o Caribe como ‘Cone Sul’, em regiões separadas com um plano de integração aparte.

Durante as duas décadas posteriores, a demanda por cocaína continua a aumentar nos paraísos do consumo superdesenvolvidos e seu preço, mantido artificialmente com a incalculável quantidade de dólares norteamericanos utilizados na repressão militar da ‘War Drugs’ (guerra contra as drogas). Então, como em qualquer filme dos Intocáveis de Eliot Ness, no tempo da proibição do álcool nos os EUA, dos massacres de mafiosos e gangsters, para realizar o outro sonho americano do ‘self-made man’; foram globalizados (com a mesma lógica implacável dos MacDonalds) e se mudaram de Chicago para as cidades da América Latina e Caribe.

E a experiência dos PEPES, realizado em 1990 por Cesar (OEA ) Gaviria para unir o DEA norteamericano, o Poder do Estado colombiano, com uma mafia narcotraficante contra as máfias rivais, se generalizou na área e nas Regiões, justificando de antemão, mais repressão, mais ‘War Drugs’ e melhores preços para a mercadoria.

O México foi ‘colombializado”? Esta hipotese não é sustentável, porque na Colômbia existem duas guerras misturadas e simultâneas: A guerra Antinarcóticos e a Contrainsurgente, o que não é o caso do México. O que se observa é que a estratégia dos EUA na guerra contra as drogas para a Área de Livre Comércio não resolveu nenhum dos problemas que a criaram: As máfias surgem e reaparecem como cogumelos depois da chuva, eles se movem entre os diferentes países e regiões da “Área”. Lutam até a morte entre elas, ou com o Estado, pelo controle do mercado. Pagam pistoleiros profissionais ou “contract killer”, que na Colômbia são chamados simplesmente de sicários, para cometer massacres espetaculares ( quase cinematográficos), que ficam impunes e, finalmente, a mercadoria branca chega às ruas do Primeiro Mundo produzindo dólares verdes. Como dizia literalmente Pablo Escobar: "Enviamos -lhes o branco e trazemos o verde. São as cores do meu time de Medellín".

A melhor prova da derrota destes dois termos, “América Latina e o Caribe” e “War Drug”, é a imagem de Uribe Velez, o melhor aliado latino dos EUA na Área de Livre Comércio; quando foi comunicado da espantosa massacre numa boate em Medellin-Itagui, ocorrido na semana passada na sua cidade natal, realizado “aparentemente” por Valenciano, filho de criação do narco-paramilitar Don Berna, a quem Uribe extraditou para os EUA para silenciar suas declarações incriminatórias. A única coisa que conseguiu dizer, tentando tampar com o dedo a derrubada da sua Segurança Democrática, era que todo o poder de fogo que teve à sua disposição durante oito anos como comandante geral do Exército da Colômbia, ficara reduzido ao seu telefone celular.

Com isso, como não continuar levantando o conceito bolivariano de Pátria Grande, diferenciador, anti-imperialista e Anfictiônico (leia-se bem Anfictiônico), que nos dá vida comum, História únida e um futuro permanente assegurado?

terça-feira, 6 de julho de 2010

JUAN MANUEL SANTOS TERÁ QUE DIALOGAR COM AS FARC-EP



Fonte: Anncol


A América Latina está em perigo. Não é nenhuma novidade, nós sempre estivemos, mas a América Latina é, atualmente, o paraíso terrestre dos investimentos de todos os capitais do mundo, no caso colombiano, não é pelo suposto triunfo da famosa segurança democrática, como afirma o regime mafioso, e sim por que enquanto na Colômbia e na América Latina em geral chove com a crise econômica, na Europa há um diluvio.

Os especuladores internacionais, assessorados pelos grandes escritorios de investimentos, e os administradores particulares de grandes fortunas dissem que diante do perigo que a Grecia e Espanha representam, e toda a União Europeia em geral, o melhor é olhar para a América Latina como objetivo de investimentos, e, para isso, vários são os focos do desafio, as máfias, gangues, os insurgentes e as revoltas populares, regimes corruptos, a criminalidade, entre outros. Todas estas informações, as quais ANNCOL teve acesso, permitem-nos afirmar, com uma mínimo margem de erro, que Juan Manuel Santos terá que abrir espaços para diálogar com as FARC-EP.

Assim vejamos, as famosas frases do paraco Uribe Vélez dirigidas ao capital estrangeiro sobre a confiança dos investidores, a segurança jurídica, a segurança democrática, etc. Todas elas não ecoarão nos próximos quatro anos se não forem resolvidas as questões fundamentais que a Colômbia sofre, entre elas o conflito social e armado que existe no país. Se isso não for resolvido, o capital estrangeiro sabe que a Colômbia é uma nação insegura para receber esses investimentos, eles sabem que o exército, mesmo com toda a ajuda ianque, não foi capaz de derrotar a insurgência. E, diante dessa constatação, sobram como alternativa, entre outros, Brasil e Mexico. Este último ainda deve resolver o problema do narcotrafico que lá é conhecido como ‘colombianização do Estado Azteca’.

Isso se tornou claro para nós, ao ouvir um dos gurus dos investimentos internacionais, o economista Paul MacNamara, diretor da GAM Investimentos, que afirmou enfaticamente em Genebra, que, investir em títulos da dívida pública dos países latino-americanos é atraente, porque eles tem garantia dos diferentes Estados. Mas nem todos, pois as dividas de menor riscos são as do México e Brasil, que oferecem boas possibilidades de investimentos. Os outros países não são prioridades para a carteira dos consultores de investimentos internacionais, pois sofrem problemas endêmicos .

A Colômbia apresenta algum atrativo no setor de mineração, matérias-primas que não têm valor agregado diante da ausência de tecnologia nacional e diante do entreguismo do módelo econômico ao mercado internacional, ao contrário do Brasil, que tem protegido suas empresas de capital estatal, se bem que é verdade que assinou tratados e acordos, estes foram feitos sob o princípio básico de que a indústria vem em primeiro lugar, e quem quizer fazer negócios com o Brasil deve transferir tecnologia, do contrário, não tem negócio. Tudo isso, contrário a certos países lacaios, como a Colômbia, que se colocam de joelhos e entregam as riquezas estratégicos do país aos interesses estrangeiros.

As informação que estes investidores dominam, com seus mapas cartograficos e mapas de risco, não é somente sobre os capitais offshore e/ou econômica, também é militar, e a recebem directamente do Pentágono e das várias agências de segurança norteamericanas. O fato de que o Chucky Santos tenha sido Ministro da Defesa, que teve informações diretamente da fonte, mostra que está mais bem informado do que Uribe em termos financeiros, económicos e militares como para saber que a solução política para o conflitos se impõe diante do fracasso da solução militar. As soluções militares têm pouco espaço em épocas de crise financeira estrutural do capitalismo.

Esses escritórios tiveram acesso a um recente estudo militar, do qual ANNCOL também teve conhecimento, que relata uma série de conflitos pelo mundo, incluindo Iraque, Afeganistão e Colômbia, entre outros, onde a via militar passa para um segundo plano, ao contrário dos tempos passados. Karzai, no Afeganistão, mantem conversações com todos os chefes tribais que compõem a liderança dos Talibans para procurar soluções políticas para o problema afegão. Na Colômbia, durante o mandato de Santos, a solução política terá que constar da agenda política. Disso não temos dúvida.

Santos sabe que a suposta fraqueza da insurgência é parte do marketing político, não estamos minimizando os reveses militares, estamos dizendo que Santos não aguenta nem um semestre de ataques sistemáticos da guerrilha, que modificando seus objetivos, dedica suas ações militares à infraestrutura do país: à infraestrutura elétrica, boicote à exploração de minerios, impedir a livre circulação de mercadorias, às estradas, portos e áreas-chave. A extensão do território nacional não permite ao exército da oligarquia manter um soldado ou um policial em cada metro quadrado do território, uma vez que, na guerra de guerrilhas, para impedir a circulação de mercadorias, a insurgência não precisa de 30 mil homens armados. Esses fatos explicam a estupidez de Uribe, aparecendo com o telefone celular na mão, como colaborador. Pelo que sabemos, na CPI Uribe não terá direito ao uso do celular.

Neste contexto de guerra, os peritos militares que cochicham nos ouvidos dos investidores, reconhecem o óbvio, a solução política para o conflito é mais barata.

Se Santos e a oligarquia colombiana ficarem valentes, com sua vitória eleitoral mediucre, e a sobre a suposta ausência de oposição ao seu regime de frente nacional, estarão equivocados, pois a guerrilha de hoje é um ator indiscutível para a guerra (porque ela aprendeu e assimilou os golpes) ou um intelocutor pronto para a uma solução política.

‘Amanhecerá e veremos, disse o cego’. Aqueles que pensam que Santos será uma copia de “Álvaraco” estão errados. Uribe é uma homem das montanhas de pouco valor, com dinheiro ilícito, alpinista social como todo mafioso com dinheiro. Santos é oligarca de berço e sabe quanto custa uma guerrilha ativa para o bom andamento dos negócios.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Stiglitz: “Os governos deveriam criar seus próprios bancos”

O Fundo Monetário Internacional e o setor financeiro estão repetindo velhos erros que já prejudicaram a vida de milhões de pessoas na Argentina, Indonésia, Coréia e Tailândia, entre outros países, denuncia o economista Joseph Stiglitz, prêmio Nobel de Economia. É o clássico erro daqueles que confundem a economia de uma família com a de uma nação. Se uma família não pode pagar suas dívidas, recomenda-se que gaste menos para que possa fazê-lo. Mas uma economia nacional, se corta gastos, provoca a queda da atividade econômica, ninguém investe, cai a arrecadação, aumenta o desemprego e termina-se por ficar sem dinheiro para pagar as dívidas.

“Nos Estados Unidos entregamos ao sistema financeiro 700 bilhões de dólares. Se tivéssemos investido apenas uma fração dessa quantidade na criação de um novo banco, teríamos financiado todos os empréstimos que eram necessários”, disse Joseph Stiglitz em declarações ao jornal Independent na segunda-feira. Se os bancos não emprestam, os governos deveriam criar seus próprios bancos e encomendar-lhes essa tarefa, propôs o prêmio Nobel de Economia.

Na verdade, seria possível fazer isso com muito menos: “Tomemos 100 bilhões, alavanquemos essa quantidade por um fator de dez a um (atraindo fundos do setor privado) e obteremos uma capacidade creditícia de um bilhão de dólares, mais do que a economia real necessita”, explicou Stiglitz. O problema nos EUA é que o estímulo fiscal não foi o necessário: “Consistiu em boa medida em cortes de impostos e quando se deu dinheiro aos bancos, foi para aqueles que não deviam ter recebido”. “A conseqüência de tudo isso é que não se restabeleceu a atividade creditícia. É previsível que este ano se embarguem dois ou mais milhões de casas do que no ano passado”, advertiu o economista.

Por trás dos ataques dos mercados financeiros a Grécia, primeiro, e depois contra a Espanha, o consenso parecer ser o de que os governos devem economizar, critica Stiglitz, que compara a situação atual a dos Estados Unidos durante a presidência de Herbert Hoover. Os governos, como o britânico, não só se negam a estimular a economia, como também se dedicam a cortar gastos públicos, como fez Hoover em 1929, com a conseqüência de o “crack” de Wall Street degenerou na Grande Depressão.

“Hoover acreditava que, quando se entra em recessão, aumentam os déficits, pelo que optou pelos cortes, e isso é precisamente o que querem agora os estúpidos mercados financeiros que nos meteram no meio dos problemas que enfrentamos agora”, assinalou o prêmio Nobel. Segundo Stiglitz, é o clássico erro daqueles que confundem a economia de uma família com a de uma nação. “Se uma família não pode pagar suas dívidas, recomenda-se que gaste menos para que possa fazê-lo. Mas uma economia nacional, se corta gastos, provoca a queda da atividade econômica; ninguém investe, diminui a arrecadação, aumenta o desemprego e termina-se por ficar sem dinheiro para pagar as dívidas”, explicou.

“Há muitos experimentos que demonstram isso graças a Herbert Hoover e ao Fundo Monetário Internacional”, disse ainda Stiglitz. Ele lembrou que o FMI aplicou essas receitas errôneas na Coréia, Tailândia, Argentina, Indonésia e muitos outros países em desenvolvimento nos anos 80 e 90. “Sabemos o que ocorre. As economias vão se debilitar, os investimentos cairão e se produzirá uma terrível espiral descendente”, assinalou, lembrando o que ocorreu com o Japão que experimentou uma receita similar em 1997, quando estava em vias de recuperação e acabou metido em uma nova recessão.

A resposta, enfatizou, não é reduzir o gasto público, mas sim redirecioná-lo: “Pode-se cortar o dinheiro que se gasta na guerra do Afeganistão. Pode-ser cortar várias centenas de bilhões de dólares desperdiçados no setor militar. Podem se reduzir os subsídios ao petróleo. Há muitas coisas que podem ser cortadas. E é preciso aumentar o gasto em outras áreas como a pesquisa e o desenvolvimento, a infraestrutura e a educação, todas elas áreas nas quais o governo pode obter uma boa rentabilidade de seus investimentos”.

Ainda segundo o economista, não há tampouco nenhuma razão pela qual não se pode aumentar em cerca de 40% os impostos sobre os lucros especulativos do setor imobiliário, por exemplo. Esse tipo de especulação, concluiu, não beneficia a sociedade e a terra vai seguir aí, independentemente de que a gente especule ou não. Em troca disso, poderíamos baixar o ônus que pesa sobre outras atividades como pesquisa e desenvolvimento.