"A LUTA DE UM POVO, UM POVO EM LUTA!"

Agência de Notícias Nova Colômbia (em espanhol)

Este material pode ser reproduzido livremente, desde que citada a fonte.

A violência do Governo Colombiano não soluciona os problemas do Povo, especialmente os problemas dos camponeses.

Pelo contrário, os agrava.


sexta-feira, 19 de novembro de 2010

EUA aumentam operações clandestinas contra Venezuela

O artigo é de Eva Golinger*.

Segundo o informe anual de 2010 do Escritório de Iniciativas para uma Transição (OTI) da Agência Internacional de Desenvolvimento dos Estados Unidos (USAID) sobre suas operações na Venezuela, 9,29 milhões de dólares foram investidos esse ano em esforços para apoiar os objetivos da política exterior norte-americana e promover a democracia neste país sul americano. Esta cifra representa um aumento de quase dois milhões de dólares em relação ao ano passado, quando esse mesmo escritório de transição financiou atividades políticas contra o governo de Hugo Chávez com 7,45 milhões de dólares.

A OTI é uma divisão da USAID dedicada a apoiar objetivos da política exterior dos EUA através da promoção da democracia (segundo sua avaliação) em países que se encontram em crise. A OTI fornece assistência rápida, flexível e de curto prazo para transições políticas e de estabilização. Ainda que a OTI seja, tradicionalmente, um mecanismo de curto prazo para injetar milhões de dólares em fundos líquidos que influem sobre a situação política de países estrategicamente importantes para Washington, o caso da Venezuela é diferente. A OTI abriu sua sede nesse país em 2002 e a mantém até hoje, apesar de não contar com a devida autorização do governo da Venezuela. Na verdade, é o único escritório que a USAID mantém durante tanto tempo em algum país.

AS OPERAÇÕES CLANDESTINAS DA OTI

Em nota oficial com a data de 22 de janeiro de 2002, o presidente da OTI, Russel Porter, revela como e por que a USAID chegou à Venezuela. Dias antes, em 04 de janeiro, o escritório de Assuntos Andinos do Departamento de Estado pediu a OTI para estabelecer um programa para a Venezuela. Estava claro que havia uma preocupação crescente sobre a saúde política do país. Solicitaram à OTI que oferecesse programas e assistência para fortalecer os elementos democráticos (sic) que estavam sob a mira do governo de Chávez.

Porter visitou a Venezuela em 18 de janeiro de 2002 e logo comentou: “Para preservar a democracia, é necessário um apoio imediato para a mídia independente e para a sociedade civil. Uma das grandes debilidades da Venezuela é a falta de uma sociedade civil vibrante". A National Endowment for Democracy (NED) tem um programa de 900 mil dólares na Venezuela que apóia o Instituto Democrata (NDI), o Instituto Republicano Internacional (IRI) e o Centro de Solidariedade Laboral (três institutos quase governamentais norte americanos) para fortalecer os partidos políticos e os sindicatos (a CTV). Este programa é útil, porém não é suficiente. Alem do que não é flexível e nem trabalha com novos grupos ou grupos não tradicionais. E também lhe falta um componente de meios de comunicação.

Desde então, a OTI marca a sua presença na Venezuela enviando milhões de dólares por ano para manter vivo o conflito no país. Segundo o último informe anual de 2010, a OTI atua a partir da Embaixada dos Estados Unidos e é parte de um esforço maior para promover a democracia naquele país.

O principal investimento dos 9 milhões de dólares em 2010 foi durante a campanha eleitoral da oposição para as eleições legislativas de 26 de setembro passado. A USAID trabalha com vários associados da sociedade civil oferecendo assistência técnica para os partidos políticos, apoio técnico para os trabalhadores em direitos humanos e apoiando esforços para fortalecer a sociedade civil. Na Venezuela, sabe-se que ‘sociedade civil’ é o outro nome com que se identifica a oposição ao governo de Hugo Chávez.

Os partidos políticos e as organizações financiadas pela USAID têm sido documentados através de uma grande investigação realizada por esta escritora e incluem grupos como Súmate, Ciudadania Activa, Radar de Los Barrios, Primero Justicia, Um Nuevo Tiempo, Acción Democrática, Copei, Futuro Presente, Voluntad Popular, Universidad Católica Andros Bello, Universidad Metropolitana, Sinergia, Cedice, CTV, Fedecamaras, Espacio Publico, Instituto Prensa y Sociedad, Voto Joven entre tantos que têm se dedicado à desestabilização do país.

UM FLUXO SECRETO DE DINHEIRO

Não obstante, o atual abastecimento de dinheiro da USAID/OTI a grupos e partidos políticos venezuelanos é mantido em segredo. Quando abriu suas operações em 2002, a OTI contratou a empresa estadunidense Development Alternatives Inc. (DAÍ) um dos maiores prestadores de serviços ao Departamento de Estado, da USAID e do Pentágono em nível mundial. Essa empresa, a DAÍ, operava uma empresa no El Rosal – o Wall Street de Caracas – de onde distribuía fundos milionários a organizações venezuelanas através de pequenos convênios não superiores a 100 mil dólares cada um.

De 2002 a 2010 mais de 600 desses pequenos convênios foram entregues por esse escritório a grupos da oposição venezuelana para seguirem alimentando o conflito no país e apoiando os esforços para provocar a saída do poder do presidente Hugo Chávez.

Em finais de 2009, a empresa DAÍ começou a ter graves problemas com suas operações no Afeganistão, quando foram assassinados cinco de seus empregados por supostos militantes do Talibã durante um ataque com explosivos na cidade de Gardez em 15 de novembro. Alguns dias antes, um de seus empregados havia sido detido em Cuba e acusado de espionagem e subversão pela distribuição ilegal de componentes de satélite a grupos contra-revolucionários.

Quando escrevi um artigo publicado em 30 de dezembro de 2009, e agentes da CIA mortos no Afeganistão trabalhavam para uma empresa de fachada ativa na Venezuela e em Cuba, evidenciava-se o vínculo operacional da DAÍ no Afeganistão, em Cuba e na Venezuela e sua natureza suspeita, o próprio presidente e chefe executivo da empresa, Jim Boomgard, me contatou e alertou-me (melhor dizer ameaçou-me) que se continuasse a escrever o que escrevia, eu seria responsabilizada por qualquer coisa que se passasse com seus empregados em nível mundial.

Contudo, o senhor Boomgard, que disse não saber muito sobre as operações de sua empresa na Venezuela, conseguiu entender que o que faziam na Venezuela não valia tanto como o que faziam no Afeganistão. Semanas depois de sua entrevista comigo, o DAÍ, misteriosamente, fechou seu escritório em Caracas.

Entrementes, a OTI continua suas operações na Venezuela e mesmo tendo outros sócios norte americanos que manejam uma parte de seus fundos multimilionários, como IRI, NDI, Freedon House e a Fundación Panamericana Del Desarrollo (Fupad), não existe transparência sobre o fluxo de dinheiro de suas contrapartidas venezuelanas.

Um informe da Fundação para as Relações Internacionais e Diálogo Exterior (FRIDE) sobre a promoção da democracia na Venezuela, com data de maio de 2010, explica que grande parte do dinheiro vindo do exterior, mais de 50 milhões de dólares esse ano, segundo eles e que financia a grupos políticos de oposição na Venezuela, entra no país de forma ilícita em dólares ou euros e se transforma em dinheiro venezuelano no mercado negro (Assim que denunciei essas atividades ilegais baseadas no informe mencionado, o FRIDE desapareceu com o texto original e publicou um novo em que abandonava qualquer referência ao mecanismo de entrega de dinheiro externo a grupos venezuelanos).

Se o DAÍ já não atua na Venezuela realizando pequenos convênios com organizações opositoras com dinheiro estadunidense, o que cabe indagar é como chegam esses milhões de dólares a tais grupos e através de qual mecanismo? Segundo a USAID, suas operações estariam agora se realizando através da Embaixada dos Estados Unidos? Esta embaixada está entregando dinheiro diretamente a grupos de oposição venezuelanos?

O informe anual USAID/OTI de 2010 diz, especificamente, que seus esforços já estão dirigidos a um evento próximo: as eleições presidenciais de 2012 na Venezuela. Seguirão aumentando os milhões de dólares para a subversão e a desestabilização do país, incrementando a clandestinidade de suas operações na Venezuela, se o governo não tomar medidas concretas para impedir tal fato.

OPERAÇÕES PSICOLÓGICAS

Washington usa vários mecanismos de ingerência para tingir seus objetivos. As operações psicológicas são operações planificadas para transmitir informação seletiva e indicadores para públicos estrangeiros e com isso influir sobre suas emoções, motivos, racionalidade objetiva e – ultimamente – sobre o comportamento de governos, organizações, grupos e indivíduos, segundo o Pentágono.

No orçamento do Departamento de Defesa para 2011, há uma solicitação nova para operações psicológicas para o Comando Sul, que é quem coordena todas as missões militares dos Estados Unidos na América Latina. Em particular, tal solicitação fala de um programa de voz de operações psicológicas, o que se entende como rádio ou alguma outra transmissão de áudio que apóie esse objetivo.

Segundo a explicação contida no orçamento, a execução de operações psicológicas (PSYOP) inclui a investigação sobre audiências estrangeiras, desenvolvendo, produzindo e disseminando produtos (programas) para influir sobre essas audiências, bem como a condução de avaliações para determinar a eficácia das atividades de operações psicológicas. Essas atividades podem incluir a manutenção de várias páginas da web e o monitoramento de meios técnicos e eletrônicos.

O orçamento completo para as operações psicológicas durante o ano de 2011 é de 384.8 (trezentos e oitenta e quatro milhões e oitocentos mil) dólares, que inclui 201.8 (duzentos e um milhões e oitocentos mil) dólares para a divisão de operações psicológicas e o estabelecimento, pela primeira vez, de um programa de operações psicológicas com o uso da voz para o Comando Sul.

Este programa de operações psicológicas é totalmente distinto de iniciativas como A Voz da América, por exemplo, que é um programa do Departamento de Estado e da agência estatal Board Broadcasting Governors (BBG) que manejam a propaganda dos EUA em nível mundial. Na verdade, o orçamento da BBG para o ano de 2011 é de 768.8 milhões de dólares e inclui um programa de cinco dias a cada semana, em espanhol, para a televisão venezuelana.

O aumento das operações psicológicas dirigidos à Venezuela e a América Latina evidencia uma ampliação da agressão norte americana para com essa região. É preciso lembrar que, desde o ano de 2006, a Direção Nacional de Inteligência dos EUA desempenha uma missão especial de inteligência para a Venezuela e Cuba. Somente quatro dessas missões especiais existem no mundo: uma para o Irã, outra para a Coréia do Norte, uma terceira para o Afeganistão e o Paquistão e a quarta para Venezuela e Cuba. Essa missão recebe uma parte importante do orçamento de mais de 80 bilhões de dólares que emprega a Direção Nacional de Inteligência, entidade que coordena as 16 agências de inteligência em Washington.

(*) EVA GOLINGER é advogada e especialista em analisar documentos desclassificados pelo Departamento de Estado dos EUA, relativos a atividades na América Latina, em especial na Venezuela.
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Traduzido do espanhol por Izaías Almada.
Fonte: http://aporrea.org.tiburon/n169169.html


Lula diz que pretende trabalhar pelo fortalecimento da esquerda

"Quando deixar a Presidência, me tornarei um outro homem, com muito mais experiência, mais sabedor do que é preciso ser feito, e vou trabalhar para formar uma força mais forte e homogênea que represente melhor a esquerda brasileira"

Declarou que acredita que a relação que manteve com os partidos durante os oito anos de mandato contribuiu para aumentar a confiança em seu trabalho. E, por conta disso, disse que se empenhará nessa união das esquerdas.

"Eu sei que essa coisas são mais fácies de falar do que fazer, mas eu vou ter disponibilidade para fazer".

Recentemente, Lula defendeu a formação de uma espécie de "frente ampla" reunindo os partidos de esquerda brasileiros.


(Com informações do Portal Vermelho)


quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Exército boliviano se declara socialista e antiimperialista

O Exército Boliviano, que celebrou no último domingo (14) seus 200 anos de criação, se declarou "socialista'', "antiimperialista'' e "anticapitalista''. O comandante nacional do Exército, general Antonio Cueto, afirmou que a Constituição promulgada em 2009 "dá lugar a que o Exército surja como uma instituição socialista, comunitária''.

"Nos declaramos antiimperialistas, porque na Bolívia não deve existir nenhum poder externo que se imponha, queremos e devemos atuar com soberania e viver com dignidade. Também nos declaramos anticapitalistas porque este sistema está destruindo a mão terra'', afirmou durante um ato pelo bicentenário do Exército. Essa instituição assume como ano de criação 1810, quando começaram as revoluções independentistas no atual território boliviano contra a coroa espanhola.

Cueto criticou os "governos neoliberais'' bolivianos que "fizeram um pacto com o sistema capitalista, buscando a destruição das Forças Armadas'' do país, "com planos que diminuíam progressivamente sua capacidade operativa''. Ratificou que o Estado boliviano "é pacifista'', mas também se reserva "o legítimo direito à defensa'' de seu território e agregou que os militares ‘‘não irão permitir sob nenhuma circunstância a instalação de bases estrangeiras'' em seu território.

Por sua vez, o presidente Evo Morales pediu aos militares que estejam preparados para defender a soberania da Bolívia, ante a possibilidade de que "qualquer império'' tente ‘‘intervir militarmente''em seu país, como o fizeram há 200 anos para "combater o domínio espanhol''.

"A história demonstra que o Exército nasce com uma posição antiimperialista porque combateu o império europeu desde 1810'', afirmou Morales, ao destacar que o ‘‘nacionalismo militar'' das Forças Armadas não foi "importado nem imposto'', mas que nasceu em seguida à luta da Guerra do Chaco travada contra o Paraguai entre 1932 e 1935.

Ao ato assistiram os comandantes dos Exércitos do Chile, Juan Miguel Fuente-Alba e do Equador, Patrício Cáceres, além de delegações militares da Argentina, Brasil, Chile e Peru. O Exército boliviano ratificou seu compromisso com o ‘‘processo de mudança'' levado adiante pelo governo.

Fonte: EFE

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Revolução cubana se move criticamente sobre si mesma

Em 2011 se completarão 30 anos da minha primeira visita a Cuba. Eu trabalhava no Brasil com o método de Paulo Freire. Queria trazer a Cuba essa contribuição, estava convencido da importância política da metodologia da educação popular. Quando cheguei, havia preconceitos não só para com esta metodologia, mas também em relação à figura de Freire. Seu primeiro livro tinha causado certo receio entre os companheiros do Partido Comunista de Cuba.

Por Frei Betto*

Um marxista cristão, soava então contraditório: o marxismo era considerado uma fé e não se podia ter duas.

Então propus em Havana um Encontro Latino-Americano de Educação Popular. Os cubanos prepararam tudo; mas no encontro não havia nem um cubano. Dois anos depois, consegui que a Casa das Américas organizasse um segundo encontro. Vários cubanos compareceram como meros assistentes, diziam que em Cuba tudo era educação popular e não havia necessidade de ter uma equipe para isso. No terceiro encontro, a participação cubana já foi ativa. Assim surgiu a equipe do Centro Martin Luther King.

Mas Paulo Freire não é o primeiro latino-americano a falar dessa metodologia. Para fazer justiça com a história, o primeiro que praticou educação popular foi José Martí. Martí dizia que era necessário levar os professores aos campos. E com eles, a ternura que faz falta aos homens. Seguramente o Che tinha lido essa frase quando disse que havia que endurecer, mas sem perder a ternura. Para Martí, “popular” não o era no sentido de pobre, mas de povo. A distinção rígida que se aplicava na Europa entre classe operária e burguesia, não se aplicava à América Latina. A luta aqui era entre aqueles que lutavam pela justiça e aqueles que tentavam manter a injustiça. Tudo não se explica por origem de classe. Se todos os pobres fossem revolucionários, não haveria capitalismo na América Latina.

Talvez vocês não saibam que é um fato biológico que as águias podem viver 70 anos no máximo. Mas quando chegam aos 30 ou 40, propendem à morte porque suas garras e seu bico já não são fortes para destruir as carnes com que se alimentam. E quando sentem que podem morrer, voam para o alto de uma montanha e arrancam as próprias garras e o bico. Esperam meses ali, até que voltem a nascer. Assim vivem outros 30 ou 40 anos mais. Hoje, a águia é Cuba. Digo-o porque acabo de ler os Lineamentos para o 6º Congresso do Partido Comunista: a Revolução Cubana tem a capacidade de mover-se criticamente sobre si mesma para sair adiante. Suas redes de educação popular têm muita importância nisso.

Assisti muito de perto a queda do Muro (de Berlim) e hoje muitos se perguntam: como é possível que depois de 70 anos de socialismo, a Rússia seja um país conhecido pela extrema corrupção? Algo não funcionou: o socialismo cometeu ali o erro de construir uma casa nova sem saber fazer novos habitantes. Não se fazem homens e mulheres automaticamente. Os que nascem numa sociedade socialista, não nascem necessariamente socialistas. Todo bebê é um capitalista exemplar: só pensa en si mesmo. O socialismo é o homem político do amor. E o amor é uma produção cultural. Seu objetivo final é criar uma comunidade amorosa entre si e o mundo. Às vezes olvidamos um princípio marxista. Eu, frade, fui professor de marxismo e não é a única contradição de minha vida. O ser humano não é mecânico. Há duas coisas que não podem ser previstas matematicamente: o movimento dos átomos e o comportamento humano.

O trabalho político deve ir para cada um dos homens. Por isso a Revolução Cubana resiste, porque não é uma peruca que vai de cima para baixo, mas um cabelo que cresce de baixo para cima. Aqui houve uma revolução de caráter eminentemente popular. A vitória estratégica, de Fidel, não fala de educação popular; mas se fez.

Termino com uma parábola: havia um homem muito formado ideologicamente, poderoso em seu sistema; mas muito infeliz. Saiu pelo mundo na busca da felicidade. Chegou a um país árabe – onde se dão sempre as boas lendas – e quis comprá-la em seus mercados. Disseram-lhe que essa mercadoria não existia, mas por um jovem soube de uma tenda no deserto onde podia encontrá-la. Saiu em sua caravana de camelos, atravessou o deserto e viu a tenda com um cartaz que dizia: “aqui se encontra a felicidade”. Disse à vendedora: “diga-me quanto custa”. E ela respondeu: “não, senhor, aqui não vendemos felicidade, aqui a damos gratuitamente”. E lhe trouxe uma pequena caixa de fósforos com três pequenas sementes: a semente da solidariedade, a da generosidade e a do companheirismo. “Cultive-as – disse – e será feliz”. Muito obrigado.

*Versão das palavras pronunciadas por Frei Betto no contexto do 4º Encontro Nacional de Educadoras e Educadores Populares, em Havana, em 10 de novembro de 2010.

Fonte: CubaDebate

Colônia, Monarquia, República: pactos de elite na história brasileira

Por Emir Sader


Tivemos a proclamação da República mais de seis décadas depois da independência, porque esta nos levou de Colônia à Monarquia pelas mãos do monarca português, que ainda nos ofendeu, com as palavras – que repetíamos burocraticamente na escola- “antes que algum aventureiro o faça”. Aventureiros éramos nós, algum outro Tiradentes, ou algum Bolívar, Artigas, Sucre, San Martin O´Higgins, que lideraram revoluções de independência nos seus países, expulsando os colonizadores em processos articulados dos países da região.

Foi o primeiro pacto de elite da nossa história, em que as elites mudam a forma da dominação, para imprimir continuidade a ela, sob outra forma política. Neste caso, impôs-se a monarquia. Tivemos dois monarcas descendentes da família imperial portuguesa, ao invés da República, construindo estados nacionais independentes, expulsando os colonizadores ao invés do “jeitinho” da conciliação.

Como sempre acontece com os pactos de elite, o povo é quem paga o seu preço. Enquanto nos outros países do continente, as guerras de independência terminaram imediatamente com a escravidão, esta se prolongou no Brasil, fazendo com que fossemos o último país a terminar com ela, prolongando-a por várias décadas mais. Nesse intervalo de tempo foi proclamada a Lei de Terras, de 1850, que legalizou – mediante a grilagem, aquela falcatrua em que o documento forjado é deixado na gaveta e o cocô do grilo faz parecer um documento antigo – todas as terras nas mãos dos latifundiários. Assim, quando finalmente terminou a escravidão, não havia terras para os escravos, que se tornaram livres, mas pobres, submetidos à exploração dos donos fajutos das terras.

Dessa forma, a questão colonial se articulou com a questão racial e com a questão agrária. Esse pacto de elite responde pelo prolongado poder do latifúndio e pela discriminação contra a primeira geração de trabalhadores no Brasil, os negros que, trazidos à força da África vieram para produzir riquezas para a nobreza européia como classe inferior. Desqualificava-se ao mesmo tempo o negro e o trabalho.

A República foi proclamada como um golpe militar, que a população assistiu “bestializada”, segundo um cronista da época, sem entender do que se tratava – o segundo grande pacto de elite, que marginalizou o povo das grandes transformações históricas.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

SEJA COMO POSADA CARRILES



O jogo ‘Call of Duty: Black Ops’ convida a ser um mercenário anti-cubano

Ingo Niebel
Rebelião.org


Novamente, é possível atirar em Fidel e todos os cubanos que defenderam sua pátria contra os invasores da Baía dos Porcos. Para ter o comandante na mira e para obter, novamente, a licença para massacra a muito mais gente, não só em Cuba, mas em todo o mundo, é necessário ter um computador ou uma console como o Playstation ou Xbox. A preparação mental para se tornar em um assassino em massa, tipo Luis Posada Carriles, é de responsabilidade da empresa estadunidense Activision Publishing e vem na forma de seu novo vídeo game "Call of Duty: Black Ops", que desde o dia 09 de novembro de 2010 está à venda em todo o mundo.

Que os jogadores assumam o papel do mercenário "Alex Mason" não é de estranhar já que o Norte continua a professar a idéia do neoliberalismo que durante a última década tem privatizado até a guerra. À medida que o jogo progride devem-se executar várias "missões", ambientadas na década dos 60, durante a Guerra Fria, e das quais o seu avatar Mason se relembra durante sessões de tortura que passa a sofrer. (Se estas foram ordenadas pelo ex-presidente George W. Bush ou se são o resultado da política belicosa da Casa Branca não é revelado pela propaganda). É claro que o jogo oferece a possibilidade de matar sozinho ou em grupo com outros assassinos virtuais, especialmente quando os "agentes cubanos" estão em seus calcanhares. Como na vida real, um jogador pode se inscrever em uma lista, com suas habilidades, para ser cadastrado para futuras operações conjuntas.

Por fim, para que a realidade conquiste a virtualidade e para que esta se torne uma realidade, a empresa conta com a assessoria de ex-militares dos EUA.

Eis aqui o ponto onde o jogo deixa de ser algo de mau gosto e se transforma em uma arma de guerra psicológica que precede qualquer ação bélica.


A arte de atingir o cérebro desde a tela

A guerra dos EUA contra Cuba (e outros paises) não é algo virtual, é história, presente e futuro ao mesmo tempo. Os métodos mudam, mas não os objetivos: Trata-se de acabar com aqueles modelos de sociedade que oferecem uma alternativa viável ao capitalismo e ao domínio dos EUA. (Convêm lembrar que isso se aplica também à União Européia e Israel).

Que a nova edição do vídeo game faça ênfase especial nas "Black Ops", as famosas operações encobertas, pode ser interpretado como uma necessidade de mercado para colocar e vender um novo produto. Das edições anteriores venderam-se 55 milhões de cópias, gerando uma receita de 3,0 bilhões de dólares. Mas também pode ser parte de uma nova campanha psicológica para cooptar futuros assassinos de alugel, preparados para ir a Cuba ou a qualquer outro lugar para matar.

Esse cenário deixa de ser uma visão bastante pessimista e torna-se realista quando se leva em conta o resultado de uma investigação da Universidade de Tübingen (Alemanha). Já em 2004, o Dr. Klaus Mathiak descobriu que um videogame violento ativa aquela parte do cérebro dos jogadores do sexo masculino conhecida como Córtex Cingulado Anterior. "Esta parte está associada às agressões procedentes de cenários menos fictícios e com a supressão de sentimentos positivos como a empatia", diz o pesquisador. "Chama a atenção que as respostas dos seus jogadores correspondem às coordenadas de uma agressão real", cita a revista britânica The Economist em sua edição de 28 de outubro de 2004.


De virtualidade para a realidade: Operação Balboa

Portanto, devemos nos preocupar quando se promove com muito barulho esse novo tipo de vídeo game. Não é o primeiro de seu tipo. Em 2008 surgiu "Conflict: Denied Ops" (Conflito: Operações Negadas), no qual dois agentes do governo de Washington atuam na Venezuela, onde "rebeldes" derrubaram um executivo "pró-ocidente” e ameaçavam os EUA com armas nucleares. Foi precedido pelo jogo "Mercenaries 2: Word in Flames” (Mercenários: O Mundo em Chamas). Em um dos cenários o assassino pago tem que viajar para a República Bolivariana, onde, segundo a propaganda do jogo, “um tirano sedento de poder, se intromete no fornecimento de petróleo o que provoca uma invasão e transforma a Venezuela em uma zona de guerra". A Washington real considera o país caribenho como um fornecedor estratégico de petróleo. Também em 2005 foi publicada uma nova versão de "Rainbow" (Arco-íris), baseada nos romances do versátil autor, escritor e propagandista neo-conservador Tom Clancy. Seu cenário se desenrola em 2007, quando os EUA estão em profunda crise causada por um bloqueio de petróleo. A situação atinge o seu clímax com atentados dirigidos contra os interesses de Washington. "Também a Venezuela, que fornece petróleo para os EUA, se torna um alvo destes ataques", determina o jogo em que o grupo militar de elite "Rainbow" deve salvar os EUA.

Os três cenários relativos à Venezuela correspondiam na época ao muito verídico "jogo de guerra", que, sob o nome de "Operação Balboa", militares estadunidenses, espanhóis e venezuelanos realizaram nos computadores do Comando Supremo da Força Aérea Espanhola em maio de 2001. Em 11 de abril de 2002 ocorreu o golpe de Estado contra o presidente venezuelano, Hugo Chávez, que poderia ter resultado em uma situação político-militar semelhante à Operação Balboa.


Lavagem cerebral holiywoodiana

Os vídeo games são destinados principalmente para os jovens do norte mas, para alcançar as gerações mais velhas, os generais da guerra psicológica utilizam, principalmente, as produções de cinema de Hollywood.

No início de 2010 estreou o filme "Avatar", no qual o protagonista, certamente um ex-fuzileiro naval dos EUA, lamenta-se de ter perdido a capacidade de locomoção na Venezuela que, segundo as suas palavras “é a coisa mais parecida ao inferno”. Em 2003, o diretor do filme de ação "Bad Boys II", Michael Bay, teve a idéia de localizar o final de seu filme em Cuba. Ao longo do filme foi inserida a mensagem contínua de que a ilha é um centro de narcotráfico. Seus dois personagens principais, dois detetives, interpretado por Will Smith e Martin Lawrene, juntam-se a mercenários ianques e elementos anticubanos, para entrar clandestinamente em Cuba com um helicóptero. O script condena à morte os habitantes da ilha por ser narcotraficantes sob as ordens de um tal "Hector Juan Carlos Tapia" ou por resistir aos invasores da polícia de Miami. A cena final ocorre em um campo minado que circunda a base norteamericana de Guantánamo. Sua mensagem virtual é a seguinte: A invasão de Cuba, é possível.

E aqui o círculo se fecha com "Call of Duty".

domingo, 14 de novembro de 2010

Brasil lança desafios e ameaças para os gigantes

Por: Beto Almeida:

Num curtíssimo espaço de tempo, dois membros do governo Lula atacaram firmemente dois esteios do sistema capitalista global, em sua fase imperialista: a Otan e o dólar como padrão internacional.

Nelson Jobim, ministro da Defesa, criticou a pretensão da Otan de arvorar-se a intervir também no Atlântico Sul desconhecendo o status jurídico de países como o Brasil que tem 350 milhas de sua plataforma continental sob sua soberania. Já Meirelles, presidente do Banco Central, seguindo o ministro Guido Mantega, atacou a permanência do dólar como moeda padrão internacional, defendendo a ideia de uma nova moeda de referência.

O curioso é que os dois ministros – Meirelles também tem status de ministro – são membros do PMDB e tidos como da cota conservadora do governo Lula. Seriam sinais do novo curso que o Brasil terá que enfrentar na Era Dilma ou da profundidade da crise do capitalismo global, expressa agora com a superemissão de US$ 600 bilhões pelos EUA o que se constitui em verdadeira guerra de demolição e rapina da das economias da periferia? Ou ambas as hipóteses?

Para se ter uma ideia da importância de ambos os posicionamentos, vale dizer, começando pelo lado monetário, que ideia semelhante é defendida hoje pelo Presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, que durante anos vem denunciando a ditatorial emissão de dólar sem lastro pelos EUA como verdadeiros atos de delinqüência e banditismo internacionais.

No mesmo discurso, perante a ONU, ele também defendeu que entidade adotasse para o próximo ano o slogan “Energia Nuclear pra Todos, Armas Nucleares para Ninguém”. Evidentemente, poucos deram ouvidos e a mídia, controladíssima pelo capital, sequer registrou.

Já o agudo enfrentamento de Nelson Jobim às pretensões intervencionistas dos EUA e da Otan nos mares do Atlântico Sul foi acompanhado da defesa de que o Brasil e o subcontinente construam “uma aparato dissuasório voltado para as ameaças extrarregionais que lhes permitam dizer não quando for preciso dizer não”. Claro está, com a Marinha brasileira desarmada como está hoje – embora em fase de recuperação e reequipamento, reconheça-se – de nada adiantaria dizer não se não se pode assegurar com os meios concretos a defesa política da soberania.

Como no tópico monetário, outro dirigente que também defendeu a constituição de uma Organização do Tratado do Atlântico Sul, foi o líder líbio Muamar Kadafi, ao participar da Reunião de Cúpula América Latina – África, realizada na Venezuela no início deste ano. A defesa da criação de uma Otas pelo dirigente líbio foi acompanhada de argumentação realista baseada no crescente intervencionismo dos países imperiais pelo mundo afora em busca dos recursos naturais que lhes permitam superar a crise que se agrava, evidentemente se agrava. Ele mesmo teve sua filha de um ano e meio morta em bombardeio ordenado desde Washington por Bill Clinton.

Fortalecimento da aliança do sul

De fato, as duas situações configuram um processo mundial que tende ao tensionamento e recomenda o fortalecimento das alianças dos povos e países que buscam assegurar sua soberania, sua independência e o direito escolher seus próprios destinos. A superemissão de dólar – papel pintado na expressão do cientista brasileiro Bautista Vidal – tem efeitos devastadores para a produção e o trabalho das nações. Na visão do ministro da economia da Argentina, cuja presidenta Cristina anunciou que reagirá à tentativa de destruição de sua moeda e de sua economia, a super emissão de dólares “é como se o trabalho dos argentinos, a sua produção, não valessem nada”.

As duas iniciativas do campo do império, uma monetária, outra na esfera da doutrina militar, ambas com desdobramentos que relativizam e enfraquecem a soberania dos países e dos povos, indicam, por outra parte, o acerto de algumas das medidas adotadas pelo governo Lula buscando, de vários modos, um curso de distanciamento do dólar. Já está em prática, por exemplo, o comércio bilateral Brasil-Argentina aposentando o dólar como mediação e referência, o que representa concretamente economia na operação de troca.

Da mesma forma, o apoio brasileiro à formação do Banco Sul, que, em razão da persistência da crise econômica nos EUA, necessita de uma vigorosa aceleração em suas operações, também é uma decisão que o panorama internacional permite registrar como acertada. Além disso, a projetada criação de uma nova moeda no âmbito da UNASUR deveria ser fortemente priorizada, assim como estão fazendo os países da ALBA, que fundaram a moeda Sucre e já acumulam um expressivo volume de suas operações de troca nesta nova base monetária, sem qualquer intermediação da declinante e questionada moeda norte-americana.

Não seria prudente imaginar que o campo monetário esteja totalmente distanciado do aspecto militar. São duas operações de alto valor estratégico para os países imperiais, que não distinguem economia da guerra. Talvez reconhecendo a razão dos que qualificam a economia dos EUA diretamente como uma economia de guerra, o colunista do jornal Washington Post David Brooker sustentou, provavelmente ecoando sinistros murmúrios dos gabinetes do Pentágono, que “uma guerra contra o Irã dinamizaria a economia dos EUA”.

Disse que esta seria a solução para os problemas políticos de Barak Obama. E nem se ruborizou.... Entre o conselho deste jornalista e a discussão de uma nova doutrina para a Otan abarcar também o Atlântico Sul e a emissão de US$ 600 bilhões, há toda uma linha de reorganização para uma nova fase em que o cenário mundial registra o despontar de um conjunto de países emergentes buscando uma articulação em novas bases, rediscutindo os pilares do sistema mundial.

Compartilhar com quem?

Neste cenário, soa bastante realista o discurso do ministro Jobim que questionou o posicionamento de uma alta autoridade americana que defendeu “soberanias compartilhadas” no Atlântico, ao que o brasileiro contestou em conferência pública: “Qual é a soberania que os EUA querem compartilhar, a deles ou a nossa?”, reagiu.

É interessante como o cenário mundial duro e sombrio vai colocando questões e posicionamentos antes tidos como do âmbito da esquerda na agenda dos governos e mesmo na mesa de segmentos tidos como da cota conservadora do governo Lula. Certamente, Jobim ecoa um pensamento militar brasileiro que vem configurando uma nova doutrina de defesa. Mudanças sempre implementadas em razão do processo histórico, das experiências práticas em que os militares tiveram que analisar estrategicamente da defesa e os interesses nacionais.

Foi provavelmente o que teria levado o Brasil, durante a ditadura militar, a constituir uma indústria bélica, a desenvolver a área estatal de telecomunicações e satélites (Telebrás e Embratel), e, até mesmo, a defender a expansão do mar territorial para 200 milhas, medida esta que recebeu apoio da presidenta Dilma quando estava na prisão Tiradentes, na década de setenta, que também comemorava as vitórias da seleção canarinho na Copa do México.

Mais tarde, o curso político internacional também teria levado o Brasil a medidas como quebrar o bloqueio internacional que os países imperiais impuseram contra o Iraque na década de 70 e, também, a reconhecer o novo Governo de Agostinho Neto que, pela força das armas, chegava ao poder em Luanda.

Anos depois, o Brasil, ainda sob o governo Figueiredo, ofereceu apoio logístico e operacional à Argentina quando da Guerra das Malvinas, colocando-se, uma vez mais, em posição de distanciamento e conflito com os países do campo imperial.

Nesta oportunidade, vale lembrar, Fidel Castro chegou a oferecer tropas cubanas para lutar ao lado da Argentina, ainda sob o governo do general Galtieri. Há uma evolução no pensamento militar brasileiro, mais recentemente indicado pelo acordo de cooperação firmado entre o Exército Brasileiro e o Exército do Vietnã para técnicas de luta na selva e pelo esforço na constituição de um Conselho de Defesa da América do Sul.

Muitos que rememoram o passado não muito distante do Ministro Jobim antes do governo Lula, certamente se espantam a vê-lo defendendo o direito da Venezuela desenvolver a energia nuclear para fins pacíficos e criticando o bloqueio dos EUA contra Cuba, oportunidade em que também afirmou que “a política internacional não pode ser definida a partir da perspectiva do que convém aos EUA”.

Construção de uma nova agenda progressista

O que surpreende é que estas temáticas nem sempre são tratadas sistematicamente nos fóruns progressistas e da esquerda em geral, muito embora sejam parte integrante da agenda do governo Lula. São posições de governo. Mas, ainda assim, é com alguma dificuldade que movimentos sociais, os sindicatos e a esquerda em geral tratam destas questões, muito embora sua importância histórica seja inequívoca. Creio que era Darcy Ribeiro que dizia “falta nacionalismo na esquerda brasileira”, buscando enquadrar as questões do enfrentamento com o império como algo que deveria ter presença central na agenda das forças progressistas.

Assim como Gandhi, em luta contra o colonialismo inglês, vislumbrou em certo momento a necessidade de defender a nacionalização estratégica do sal, provavelmente seria o caso aqui também dos movimentos sociais – mantendo sua independência – incorporarem em sua agenda, por exemplo, a nacionalização do etanol e da álcool-química, que certamente terá importância ampla em futuro próximo no cenário produtivo mundial, com mencionou recentemente Dilma em entrevista ao lado de Lula.

O PT chegou a aprovar em sua Conferência Nacional a constituição de uma Empresa Pública de Energia Renovável, decisão importante, ainda que, não tenha tido a continuidade esperada, até o momento. Mas, assim como um amplo movimento cívico-militar foi decisivo para a criação da Petrobrás, agora também, com os sinais sombrios que os pólos imperiais nos enviam, seria hora decisiva para constituir uma aliança governo e sociedade, os sindicatos, o clero progressista, o movimento estudantil, os movimentos sociais, para configurar uma consistência ainda mais profunda no programa de ação do governo Lula e em sua continuidade com a presidenta Dilma.

Já há uma recuperação da Telebrás, faltando agora a da Embratel, sem o que não se pode falar em soberania em plenitude neste mundo de idade mídia, pois mesmo as comunicações militares satelitais hoje estão sujeitas a interferências de empresa de propriedade norte-americana. Os militares devem ser incoporados neste amplo debate nacional.

Voto indicou um caminho

A agenda em parte já foi construída pelo voto democrático dos brasileiros posicionando-se pela continuidade das políticas do governo Lula. Mas, a persistência da crise mundial, os sinais imperiais de inadmissíveis desejos intervencionistas na soberana plataforma brasileira, onde está o pré-sal, indicam que a agenda política do governo Dilma possivelmente necessitará de um aprofundamento programático, ampliando os vínculos com a sociedade organizada, já que os olhares de cobiça que se lançam sobre o Brasil não são nada amistosos, nem muito menos complacentes com a aplicação de políticas públicas independentes e soberanas de nossa parte, aliás como já fez o governo Lula por meio de sua política externa.

Desnecessário desenvolver longamente, mas importante relembrar sempre, uma política estratégica para o Brasil, que abarque desde a necessidade de uma renacionalização do setor de fertilizantes – esta, sim, uma medida de segurança nacional – ou de soberania energética (um problema é que se estima uma desnacionalização de 40 por cento do setor etanol, apesar da Petrobrás ter entrado em campo), todo este debate fundamental para o destino do povo brasileiro e do Brasil como nação, exige um novo modelo de comunicação.

Não há qualquer sombra de dúvida que questões tão cruciais, tão decisivas, estejam sendo tão deformadas e vulgarizadas pelo modelo midiático atual, no qual predominam os interesses vinculados e dependentes dos anunciantes controlados pelo capital externo ou de seus sócios nativos, o que impede o nosso povo compreender plenamente sua relevância.

Não são nada simples o tamanho das tarefas e a magnitude dos desafios que o Brasil enfrentará na Era Dilma. Mas, tal como ela que já suportou, resistiu e venceu as mais duras provas, assim é o povo brasileiro em seu dia a dia, capaz de identificar sob um dilúvio brutal de mentiras e desinformações onde está o caminho do progresso, da transformação e da justiça social.

Ele será capaz de dar o apoio necessário para que o Brasil tenha todos os instrumentos necessários para garantir sua soberania, desde uma defesa à altura de suas potencialidades, uma política monetária que assegure nossa independência e a aplicação das políticas sociais que retirem com urgência milhões e milhões de brasileiros do poço da miséria e da pobreza em que ainda se encontram. Um desafio para gigantes.

Fonte: Pátria Latina

sábado, 13 de novembro de 2010

O QUE É TERRORISMO DE ESTADO NA COLÔMBIA



Azalea Robles
Rebelión.org


Saquear, eliminar os descontentes e continuar saqueando.


Para entender a realidade colombiana, muito falsificada pela mídia, deve-se compreender duas premissas fundamentais: por um lado uma realidade de profunda desigualdade social e, correlativa a ela, conhecer de que forma a resposta estatal diante das reivindicações populares é de terror. A história da Colômbia está definida pela pilhagem dos seus recursos: pelo Terrorismo de Estado para manter um status quo de injustiça social. O Estado colombiano facilita a pilhagem dos recursos naturais e humanos da Colômbia: é o garante dos interesses das multinacionais e da oligarquia. Portanto, todo aquele que reivindica por justiça social é assassinado, e vilas inteiras são arrasadas com a finalidade de esvaziar as terras de grande interesse econômico: eliminação sistemática das demandas sociais, políticas, econômicas, ecológicas...

Uma situação dramática que os grandes meios de comunicação de massas sistematicamente ocultam ou falsificam. Agora essa falsa mídia que fazer crer que o governo de Santos é mais moderado, mas nada está mais longe da realidade. Apenas dois dados: nos primeiros 75 dias do seu mandato, foram assassinados 22 defensores de direitos humanos (1), e foram violentadas e assassinadas 3 crianças pelo exército, no que faz parte da prática do terrorismo de Estado (2). O extermínio da oposição, a belicosidade e o empobrecimento continuam a se intensificar com Santos, como pode se evidenciar pelos bombardeios maciços, os desaparecimentos forçados, os aprisionamentos políticos e as Leis lesivas que promovem mais privatizações e deslocamentos massivos de populações, como é o caso de "Lei de Terras", apresentada como A panacéia pela mídia e, embora seja "uma lei sem consulta que coloca vidas em risco e legaliza o despojo" (3).
Os números são importantes porque permitem dar uma dimensão do que é um dos piores genocídios da história contemporânea da humanidade, um genocídio silencioso.

A seguir mostramos o quadro do que é, em números, o Terrorismo de Estado na Colômbia.

O terrorismo de Estado na Colômbia é:

“Somente nos últimos três anos, desapareceram mais de 38.255 pessoas pelas mãos do Terrorismo de Estado na Colômbia...Estima-se atualmente em 250.000 pessoas desaparecidas (seqüestradas ou torturadas) sob a lógica de “dissuadir as reivindicações pelo terror” (O Estado busca que o terror perdure quando um corpo desaparece, pois prolonga a angustia nos sobreviventes) (1).
* A eliminação física de todo um partido político, a União Patriótica (UP), mais de 5.000 pessoas da UP assassinadas pelo Estado (2).

* Mais de 2.704 sindicalistas assassinados, 60% do total de sindicalistas assassinados em todo o mundo são mortos na Colômbia pelas ferramentas do terrorismo de Estado (3).

Na Colômbia, a situação de injustiça social é esmagadora e, a cada dia, se alarga a brecha entre ricos e pobres, sendo a repressão estatal busca calar o descontentamento natural diante desta dramática situação.

Da população da Colômbia 68% vive na pobreza e na indigência. A concentração da riqueza é escandalosa: A Colômbia é o 11º país maior desigualdade social do mundo (colocação n°. 11 do coeficiente GINI de desigualdade), e é o país mais desigual das Américas. Dizemos que existem, segundo os números mais conservadores, 8 milhões de indigentes e 20 milhões de pobres (4). Anualmente, morrem mais de 20 mil crianças menores de 5 anos de desnutrição aguda (dados da UNICEF). De cada 100 mulheres grávidas deslocadas, 80 sofrem de desnutrição crônica (5). Simultaneamente, e correlativo a esta miséria, um único banqueiro, Sarmiento Angulo, controla 42% do crédito nacional e declarou lucros de 1,250 bilhões de dólares no último bimestre de 2009. (6)

* Terrorismo de Estado é o deslocamento de populações em beneficio do grande capital: mais de 4,5 milhão de pessoas foram deslocadas de suas terras pelos massacres dos militares e paramilitares dentro da Estratégia Estatal de "terra arrasada" para esvaziar a população das áreas rurais e assim oferecer as terras de alto interesse econômico às multinacionais sem que haja reivindicações nem moradores...(7).

* 10 milhões de hectares foram roubados assim das vítimas e estas deslocadas. Essas mesmas terras foram oferecidas para as multinacionais, ao grande latifúndio e a novos chefes paramilitares. O escândalo do "agroingresso seguro” serviu para consolidar este roubo (8).

* Terrorismo de Estado é: A maior vala comum da América Latina, uma descoberta dantesca que, entretanto, ainda não levou ao repúdio internacional que merece o regime colombiano: mais de 2.000 ossadas de desaparecidos pela força Omega do “Plano Colômbia” (9).

* Terrorismo de Estado é: A utilização de uma Ferramenta Paramilitar para injetar o Terror na população, a fim de silenciá-la, docilizá-la e deslocá-la. Uma ferramenta de horror que prática violações em massa, esquartejamentos com motosserra, empalações e outras formas de terror de dar arrepios. Um relatório do Escritório de Justiça e Paz, de fevereiro de 2010, indicava que os paramilitares asseguram ter cometido 30.470 assassinatos em 15 anos... E o drama se vislumbra ainda mais dantesco...Vários paramilitares têm testemunhado sobre o caráter estratégico da Estrutura Paramilitar para o próprio Estado colombiano, e deram dezenas de nomes de generais, empresários, multinacionais, políticos, todos promotores do paramilitarismo... e ainda não veio a merecida condenação internacional ao Estado colombiano que, impune, continua impune com tais práticas genocidas (10).

* Milhares de valas comuns contendo milhares de cadáveres de colombianos massacrados pelo paramilitarismo de Estado colombiano: os paramilitares deram algumas coordenadas das valas para assim ser amparar na “Lei de Justiça e Paz", lei que foi criada sob a direção de um dos maiores promotores do paramilitarismo: Álvaro Uribe Vélez. É uma lei que lhes proporciona impunidade se mostrarem “arrependimento”. Em abril de 2007, quando terminava o primeiro ano de busca de valas comuns, a promotoria recebeu 3.710 denuncias de áreas onde podiam ser localizadas, mas a maioria não pode ser explorada, segundo o Estado, por "falta de recursos...” As famílias de milhares vítimas esperam pelos testes de DNA nas ossadas encontradas, mas o Estado justifica sua inoperância alegando "falta de recursos" e “estouro do orçamento”, mas para patrocinar militares e paramilitares os recursos aparecem na hora.

* Terrorismo de Estado é: Fornos crematórios e criações de jacarés da Ferramenta Paramilitar do Estado e das multinacionais... Onde os paramilitares fizeram desaparecer a milhares de pessoas... (11).

* Milhares de assassinatos, incluindo o escândalo dos "falsos positivos": os militares sequestram jovens, são disfarçados como guerrilheiros e assassinados para assim apresentá-los como “guerrilheiros mortos em combate". Os meios de comunicação de massa se encarregam de difundir a mentira, visto que na Colômbia, os meios de comunicação de massa dão como verdade o que suas fontes militares dizem. Isto é feito pelos militares para "mostrar os resultados" da sua guerra contra insurgente e também para assassinar os civis que incomodam. A cobertura mediática dos mortos que são tidos como guerrilheiros é absolutamente macabra na Colômbia: mostram-se os corpos alinhados, seminus... Para, dessa maneira, moldar a opinião pública na desumanização dos guerrilheiros. A diretiva N°. 029, do Ministério da Defesa, fomenta os “falsos positivos” (12).

* Mais de 7.500 presos políticos, muitos deles vítimas de armações jurídicas, uma prática comum contra ativistas dos movimentos sociais (13).

* Centenas de auto-atentados, outro tipo de "falsos positivos" por parte das forças policiais e militares que já colocaram bombas na própria cidade de Bogotá para assim poder criar a base para armações mediáticas de desprestigio contra as guerrilhas. Estes auto-atentados foram preconizados pelo DAS, o Departamento Administrativo de Segurança, como consta de documentos (14).

* As violações dos direitos humanos tem sido aprofundadas no que se evidencia como um país ocupado: na Colômbia existe uma numerosa presença de militares dos EUA e mercenários israelenses; foram implantadas sete bases militares dos EUA, sendo que o Estado colombiano concedeu aos ‘marines’ total imunidade para todos os crimes que cometerem na Colômbia. Já existem vários casos de violentadas por ‘marines’, que estão em total impunidade, pois ‘marines’ têm "carta branca" para violentar, torturar e assassinar na Colômbia (15).

A violência é a ofensiva do grande capital, na sua ânsia de não perder a Colômbia como valioso "armazém de recursos", por isso implantaram e mantiveram essa aberração que hoje é o Estado colombiano.

Se não fosse pela “ajuda” descomunal dos EUA e da UE esse Estado criminoso teria deixado de existir a muitos anos, não teria endividado o povo colombiano para manter os gastos militares e, não contaria com a sua Estratégia Paramilitar de Terrorismo de Estado. Sem seus apoios militares e mediáticos, o Estado colombiano não poderia ter cometido tanta barbárie; e o povo colombiano teria conseguido a sua verdadeira independência, sua emancipação de tanta inveja, morte e dor.

Notas do texto:
(1) http://www.rebelion.org/noticia.php?id=115826&titular=denuncian-el-asesinato-de-22-defensores-de-derechos-humanos-en-los-primeros-75-d%EDas-de-
(2) http://www.rebelion.org/noticia.php?id=115823&titular=el-estado-colombiano-secuestra-viola-y-asesina-a-ni%F1os-en-arauca-
(3) http://www.rebelion.org/noticia.php?id=115829&titular=%22ley-de-tierras-de-santos-es-una-ley-inconsulta-que-pone-vidas-en-riesgo-y-
NOTAS DO QUADRO:
(1) http://www.telesurtv.net/noticias/secciones/nota/71765-NN/colombia-registra-mas-de-38-mil-personas-desaparecidas-en-tres-anos/
O crime de Estado de desaparecimento forçado da "democracia" na Colômbia, há muito tempo ultrapassou os números dramáticos da ditadura na Argentina: só nos últimos três anos, o Terrorismo de Estado desapareceu com 38.255 pessoas (números de fevereiro de 2010 da medicina legal e da promotoria), para uma estimativa total para os últimos 20 anos de 250.000 pessoas desaparecidas... As estimativas do desaparecimento forçado são minimizadas pelo Estado (o agressor), entretanto teve de admitir, pelo menos, 50 mil desaparecidos.

Palestra de Piedad Córdoba em Madri, maio de 2010 "Há 250.000 desaparecidos na Colômbia nos últimos anos”:

http://www.rebelion.org/noticia.php?id=106344&titular=%22hay-250.000-desaparecidos-en-colombia-en-los-%FAltimos-a%F1os%22-

http://www.rebelion.org/noticia.php?id=104558&titular=piedad-c%F3rdoba-denuncia-la-pasividad-internacional-y-pide-que-se-condicione-el-tlc-con-europa-

Colômbia: Segundo Congresso Mundial de Desaparecimentos Forçados:

http://www.youtube.com/watch?v=YNQgkbV12tU
http://www.kaosenlared.net/noticia/celebrado-ii-congreso-mundial-desaparicion-forzada-colombia-sos-desapa

Desaparecimentos, crime do Terrorismo de Estado na Colômbia:

http://justiciaypazcolombia.com/50-000-personas-desaparecidas-en

(2) União Patriótica, 5000 militantes exterminados: Genocídio político, crime de Estado: http://www.rebelion.org/noticia.php?id=103227

O plano do Estado e da CIA para exterminar a UP, foi denominado “Baile Rojo” (Dança Vermelha). Documentário de Yesid Campos sobre o genocídio político da União Patriótica:

http://video.google.com/videoplay?docid=8981304868098159223&ei=PpiKS7CINMag-Ab6tKD0BA&q=el+baile+rojo
(3) www.cut.org.co 2.704 sindicalistas assassinados. Representa 60% do total de sindicalistas assassinados no mundo, são assassinados na Colômbia pelas ferramentas do terrorismo de Estado. O recorde mundial em assassinatos de sindicalistas pertence à Colômbia:
www.kaosenlared.net/noticia/colombia-record-mundial-asesinatos-sindicalistas-terrorismo-estado .
(4) O estudo da Missão para a Integração do Emprego (MESEP), Pobreza e Desigualdade 2009, contabilizou oito milhões de colombianos em situação de indigência e 20 milhões de pobres. Nas áreas rurais, 65% dos lares são considerados pobres e 33% vivem na indigência.

http://www.abpnoticias.com/index.php?option=com_content&task=view&id=2446&Itemid=90
http://www.elcolombiano.com/BancoConocimiento/I/informe_sobre_pobreza_e_indigencia/informe_sobre_pobreza_e_indigencia.asp

(5) Anualmente, na Colômbia morrem mais de 20 mil crianças menores de cinco anos por desnutrição aguda; de cada 100 gestantes deslocadas, 80 sofrem de desnutrição crônica, UNICEF:

http://www.elcolombiano.com/BancoConocimiento/D/desnutricion_infantil_que_no_deja_crecer_/desnutricion_infantil_que_no_deja_crecer_.asp

http://colombia.indymedia.org/news/2009/09/106455.php

Colômbia, pobre entre os pobres: http://alainet.org/active/33960〈=es

(6) Sarmiento Angulo, o empresário mais rico da Colômbia, juntamente com um punhado de oligarcas, entre os quais se destacam Ardila Lule e Santo Domingo, é o maior promotor da nefasta "segurança democrática" do governo Uribe, e, coincidentemente, para cada uma das suas sugestões, Uribe sempre obedeceu em tempo recorde de 24 horas, tal como o fez quando Sarmiento Angulo sugeriu que "o imposto para financiar a segurança democrática" fosse permanente e estendido a todos os colombianos: http://www.lasillavacia.com/historia/1717

http://noticieroconfidencial.com/?p=11

Colômbia: Crescem os lucros e benefícios das grandes empresas
http://www.desdeabajo.info/index.php/actualidad/colombia/4850-colombia-crecen-las-ganancias-y-los-beneficios-de-las-grandes-empresas.html

Modelo neoliberal e desigualdade na Colômbia:
http://www.desdeabajo.info/index.php/fondo-editorial/vertices-colombianos/5779-crisis-del-modelo-neoliberal-y-desigualdad-en-colombia-dos-decadas-de-politicas-publicas.html

http://www.portafolio.com.co/economia/finanzas/ARTICULO-WEB-NOTA_INTERIOR_PORTA-7480367.html

Publicado em 15 de fevereiro de 2010: Lucros do setor financeiro chegaram a $8,5 bilhões. http://www.elespectador.com/articulo187857-ganancias-del-sector-financiero-llegaron-85-billones

(7) MOVICE, Movimento Nacional de Vítimas de Crimes de Estado: 4,5 milhões de deslocados, 2009:
http://www.movimientodevictimas.org/index.php?option=com_content&task=view&id=278&Itemid=64

(8) MOVICE: 10 milhões de hectares despojadas aos campesinos, cifras 2009:
http://www.movimientodevictimas.org/index.php?option=com_content&task=view&id=274&Itemid=69

(9) A maior vala comum da América Latina, uma descoberta dantesca que, entretanto ainda não levou ao repudio internacional que o regime colombiano merece: mais de 2000 cadáveres de desaparecidos pela força Omega do "Plano Colômbia". O exército enterrava ali desaparecidos desde 2005:
http://www.publico.es/internacional/288773/aparece/colombia/fosa/comun/cadaveres

http://www.rebelion.org/noticia.php?id=99507

(10) Emprego de uma Ferramenta Paramilitar para injetar o Terror na população.
Relatório da Procuradoria de Justiça e Paz, fevereiro 2010; paramilitares asseguram ter cometido 30.470 assassinatos em uns 15 anos:
http://www.telesurtv.net/noticias/secciones/nota/66984-NN/ex-paramilitares-colombianos-reconocen-haber-cometido-cerca-de--30-mil-500-asesinatos/

Testemunhos de paramilitares, de sobreviventes e os resultados das equipes forenses mostram que a Estratégia paramilitar do Estado desenhou um método para esquartejar seres humanos: dando "cursos" utilizando pessoas vivas levadas até os campos de treinamento. Francisco Villalba, o paramilitar que liderou em campo a barbárie de El Aro (departamento de Antioquia), em que torturaram e massacraram a 15 pessoas durante 5 dias, revela detalhes sobre esses "cursos": "Pessoas levadas em caminhão, vivas, amarradas (...) Eram divididas em grupos de cinco (...), as instruções eram arrancar-lhes os braços, a cabeça..., enfim, esquartejá-las vivas (...). Eles saíam chorando do caminhão e pediam para a gente que não lhes fizéssemos nada, que tinham família”.

http://www.eltiempo.com/archivo/documento/CMS-3525024

... "Cursos de Esquartejamento" para treinar paramilitares em sua função mais específica: difundir o terror na população, a fim de "dissuadir pelo terror" e conseguir deslocar de suas terras os sobreviventes que tinham presenciado os massacres.

Assim se expressava o paramilitar ‘H.H’, referindo-se ao exército da Colômbia: "Nós éramos ilegais e eles são mais culpados do que nós, porque eles representam o Estado e tinham a obrigação de proteger essas comunidades mas nós éramos utilizados. Cometemos muitos homicídios e temos que responder, mas eles também devem responder... ".

'H.H' revela vínculos com Byron Carvajal e Rito Alejo del Río:

http://www.elespectador.com/noticias/judicial/articulo116951-alias-hh-revela-vinculos-de-auc-byron-carvajal-y-rito-alejo-del-rio

‘H.H’ confessa mais de 3.000 assassinatos; será extraditado para não divulgar os nomes dos autores intelectuais: http://www.kaosenlared.net/noticia/paramilitar-confiesa-mas-3000-asesinatos-sera-extraditado-para-callar-

Estratégia Estatal Paramilitar esquarteja os homossexuais. Denuncia em video: http://www.youtube.com/watch?v=ZfLqZ2q0zBk&feature=player_embedded http://www.kaosenlared.net/noticia/colombia-estrategia-estatal-paramilitar-descuartiza-homosexuales-video

(11) «Na Colômbia tem-se utilizado fornos crematórios para desaparecer rastros de pessoas assassinadas ou para queimar pessoas vivas. Eram levadas pelos paramilitares a mando do Exército e polícia». Senadora Piedad Córdoba: http://www.piedadcordoba.net/piedadparalapaz/modules.php?name=News&file=article&sid=3345&mode=thread&order=0&thold=0

http://www.elespectador.com/noticias/paz/articulo197845-piedad-cordoba-denuncio-hornos-crematorios-paras-desaparecer-cadaveres-d

Paramilitar Mancuso reafirma que ‘cremaram' vítimas para diminuir estatísticas: http://www.elespectador.com/noticias/judicial/articulo138469-mancuso-reitera-cremaron-victimas-bajar-estadisticas

Estado Colombiano imita crimes nazistas: Paramilitares e Fornos Crematórios... http://www.kaosenlared.net/noticia/estado-colombiano-emula-crimenes-nazis-paramilitares-hornos-crematorio

http://bloguerosrevolucion.ning.com/profiles/blogs/viaje-a-los-hornos-crematorios

http://carlosmora.wordpress.com/2009/05/22/hornos-crematorios-principal-arma-de-guerra-de-paramilitares-en-colombia/

(12) http://www.falsos-positivos.blogspot.com/

Evidências fotográficas de “falsos positivos”:

http://www.youtube.com/watch?v=VuSBNcNsdMU&feature=player_embedded

(13) O regime colombiano mantém encarcerados 7.500 presos políticos: http://www.arlac.be/A2009/2009/Tlaxcala.htm . Campanha européia 2009-2011 pela liberação dos presos políticos na Colômbia. São 7.500, na sua maioria presos de opinião e ativistas sociais. As associações e pessoas do mundo que quiserem apoiar a campanha pela liberatação dos presos políticos na Colômbia, são bem vindas. Para assinar clique no link: http://www.tlaxcala.es/detail_campagne.asp?lg=es&ref_campagne=14

(14) Centenas de auto-atentados que foram preconizados pelo DAS, Departamento Administrativo de Segurança, como consta em documentos desclassificados. DAS, polícia secreta implicada em armações judiciais e em atentados com explosivos, segundo testemunhas e documentos apreendidos do próprio DAS: http://www.kaosenlared.net/noticia/poner-bombas-servicios-publicos-no-chuzada-denunciar-escandalo-das-rea

http://www.rpasur.com/ElmayorescandalodeespionajedelahistoriadelDAS.html DAS, a polícia secreta: http://www.youtube.com/watch?v=VfnkGqy4-tE&feature=player_embedded (15) Bases militares dos EUA na Colômbia: perigo regional e aprofundamento do genocídio; violações sexuais e impunidade http://www.rebelion.org/noticia.php?id=99720 “(…)privilégios, exceções e imunidades outorgadas ao pessoal administrativo y técnico de uma missão diplomática", conforme o pacto militar que os Estados Unidos assinou com o governo Colombiano.

http://www.youtube.com/watch?v=Vugt0NbRlys&feature=player_embedded

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

FARC-EP saúda eleição de Dilma à Presidência do Brasil

Compatriota

DILMA ROUSSEFF

Presidenta eleita do Brasil

Desde as montanhas da Colômbia, nosso saúdo cordial, bolivariano, com anseios de Pátria Grande.

Permita-nos juntarmos à justificada alegria do grande povo de Luis Carlos Prestes, ante o fato de ter, pela primeira vez na história do Brasil, uma presidenta; uma mulher sempre ligada à luta pela justiça.

Presidenta Dilma, para você, nosso aplauso e reconhecimento.

Sua exaltação à presidência da República Federativa, somada à sua pública convicção da necessidade de uma saída política ao conflito interno da Colômbia, tem centuplicado nossa esperança na possibilidade de alcançar a paz pela via do diálogo e da justiça social.

Estamos seguros que a nova presidência do Brasil jogará papel determinante na aclimatão da paz regional e na irrmandade dos povos do Continente.

De você, atenciosamente,

Secretariado do Estado Maior Central das FARC-EP

Montanhas da Colômbia, Novembro 1 de 2010

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Não à extradição, não à criminalização!

ANNCOL

Publicamos denúncia e alerta do comitê executivo do Movimento Continental Bolivariano. Os tentáculos dos gorilas colombianos devem ser amputados com a denúncia e o protesto em massa no mundo inteiro.

Leiamos:

Com surpresa recebemos a notícia da detenção no Chile do desenhista gráfico Manuel Olate Céspedes, militante do Partidão Comunista do Chile, membro do Movimento Continental Bolivariano e representante do Movimento de solidariedade pela paz na Colômbia, o qual foi detido no seu domicílio em Santiago pela sua suposta vinculação com a guerrilha colombiana FARC-EP, depois da ordem da Ministra da Corte Suprema Margarita Herreros, que acolheu uma solicitação de detenção enviada pela justiça Colombiana.

Conforme a notícia se espalha nossa perplexidade aumenta, já que desde as declarações dos diferentes atores, são ventiladas cada vez com mais vivacidade as notáveis contradições no processo de detenção e inculpação de Manuel. Por um lado, nas primeiras horas, foi dito que Olate foi detido em função de uma solicitação de extradição do governo colombiano. Mais adiante, o presidente da Colômbia enquanto manifestava seu júbilo pela detenção do chileno, declarou que nos próximos dois meses se formalizará o pedido de extradição.

Depois das declarações de Santos as informações mudaram, em função de assinalar que Olate foi detido após uma ordem de detenção emitida pelo Ministério Público Colombiano. É necessário esclarecer que Manuel Olate se encontrava fora do Chile até o dia 13 de Outubro e que até esse momento não pesava nenhuma ordem contra o mesmo, de maneira que não foi detido ao retornar ao país. Deduz-se assim que, apesar de não ser acusado de delito algum, o Governo Chileno informou de sua entrada no Chile, e em seguida a Colômbia solicitou sua detenção.

Por outro lado, as notícias no Chile não são menos confusas; de um lado, informam que um funcionário judicial foi notificar Olate de sua detenção e pedido de extradição por parte da justiça colombiana, apesar de a Colômbia ainda não ter solicitado tal extradição, isto segundo o que foi dito pelo próprio Juan Manuel Santos. Destacamos que, ainda assim, na terça-feira a juíza analisará a situação judicial de Manuel e que ainda hoje pedirá provas à justiça colombiana que assegurem sua detenção e possível extradição.

Diante disto, cabe perguntar: Com base em que Manuel Olate foi privado de sua liberdade? Diante de tal confusão não é difícil inferir que depois da detenção do chileno, percebe-se uma atitude colaboracionista do governo chileno, o qual se presta à internacionalização do conflito colombiano para o resto da América, organizando assim a perseguição de todos aqueles que se levantam contra a posição guerrista do governo, e a ferrenha determinação de extermínio físico e político de todos aqueles que defendem a idéia de uma saída política ao conflito, como fica demonstrado no assassinato de mais de 20 ativistas de direitos humanos na Colômbia nos poucos 75 primeiros dias do governo de Santos, nas arbitrárias acusações feitas contra a Senadora Piedad Córdoba, uma das principais impulsionadoras dos acordos para a Paz e que hoje se encontra inabilitada e judicialmente perseguida, e na saída do país do cabo Mocayo, ex-prisioneiro de guerra das FARC, libertado unilateralmente durante este ano, que teve de abandonar a Colômbia depois das constantes ameaças de morte e amedrontamentos pelo seu compromisso com a causa da Paz e contra a política de enfrentamento armado como saída à guerra que castigou por mais de 50 anos a Colômbia.

No Chile, é de conhecimento público o compromisso do Partido Comunista com uma saída política e pacífica ao conflito colombiano, e assim se tem manifestado em numerosas ocasiões apoiando as iniciativas que aprofundem esta busca de Paz , entendendo que esta passa pela manifestação de vontades políticas reais, tendentes a restituir as garantias políticas e sociais de todos os colombianos, assegurando a inviolabilidade de seus direitos fundamentais, o respeito às posições divergentes e o retrocesso das políticas de criminalização do movimento popular e de direitos humanos, as quais sob o pretexto da luta contra o terrorismo, se transformaram em uma política de estado, que tem sua forma mais perversa nos chamados “Falsos positivos”.

O compromisso político de Manuel Olate se encaixa na prática solidária, prática que o levou a visitar em 2008 o acampamento do extinto comandante das FARC-EP Raúl Reyes, por conta da realização de uma entrevista, a qual foi publicada posteriormente no Semanário “El Siglo”. Essa entrevista foi realizada apenas alguns dias antes do bombardeio em território equatoriano do acampamento de Reyes, onde o exército colombiano teria encontrado provas fotográficas que dariam conta da presença recente de Olate no lugar; presença que de fato seria posteriormente divulgada, dada a iminente publicação da entrevista ao comandante das FARC, em um meio de comunicação chileno de cobertura nacional.

É necessário assinalar que dias antes de sua detenção, Manuel, juntamente com seu advogado se encontrava pronto para apresentar ações judiciais para esclarecer sua situação legal no Chile, já que, desde os acontecimentos de Sucumbios foi, de forma sistemática e reiteradamente, condenado pela imprensa, sem que existisse até esse momento nada contra ele, confiando na solidez de sua inocência, já que não é responsável por nenhuma das acusações que arbitrariamente e sem sustento legal lhe são atribuídas. Quanto às acusações feitas pela justiça colombiana, estas se baseiam na suposta aparição de um pseudônimo, atribuído a Olate, nos e-mails do computador de Raúl Reyes (está comprovado e reconhecido que são documentos no formato Word, portanto não se trata de provas jurídicas) e que isto, segundo eles, teria um caráter incriminátorio. O fato de não se tratar de e-mails não é um detalhe, já que isto desabilita estes arquivos como documentos probatórios. É preciso destacar que a isto se soma o fato de que o oficial colombiano a cargo dos supostos computadores de Reyes, declarou sob juramento que não existiam tais correios propriamente ditos, além de que não tinha sido cumprida a corrente de custódia dos computadores e que, portanto, não havia forma de provar que estes não tinham sido manipulados.

Diante da detenção de Manuel Olate, o Movimento Continental Bolivariano expressa sua solidariedade e preocupação pela detenção arbitrária de um de nossos responsáveis no Chile, que é a nova vítima da perseguição e criminalização da solidariedade internacionalista.

Solicitamos às autoridades no Chile que deixem Manuel em liberdade e que não o extraditem, já que não existem garantias jurídicas que possam dar lugar a um julgamento justo e conforme o devido processo na Colômbia, tendo em vista tratar-se de uma acusação sem sustento jurídico que não justifica sua detenção e sua possível extradição.

Fazemos um chamado às organizações e dirigentes políticos e sociais nacionais e internacionais para que se mobilizem pela libertação de Manuel Olate, rejeitando desde já a idéia de sua possível extradição, já que, como se assinalou em reiteradas ocasiões na Colômbia, não existem as condições mínimas para um processo justo que garanta o respeito a seus direitos fundamentais como dão conta os mais de 7.500 presos políticos desse país.

Declaramo-nos em estado de alerta e mobilização permanente.

LIBERDADE A TODOS OS PRESOS POLITICOS DO CONTINENTE!

LIBERDADE PARA MANUEL OLATE!

Caracas, 30 de Outubro de 2010

Direção Executiva

Movimento Continental Bolivariano
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Tradução: Valeria Lima
Com apoio do PCB

terça-feira, 9 de novembro de 2010

A VERGONHA DO NAZISTA PIÑEIRA

ANNCOL


"O governo chileno está preocupado com possíveis ligações entre comunistas chilenos e organizações e terroristas como as FARC", publicam com grande alarde noticioso os meios de comunicação colombianos ligados ao uribosantismo.

Mas, em contrapartida, essa mesma falsimedia tem ocultado deliberadamente, ou seja, tem "desinformado" os colombianos, sobre o sujo incidente com o homem mais rico do Chile que se tornou presidente dessa nação, Sebastián Piñera, em 25 de outubro passado, na sua recente e ignorada visita à Alemanha, quando no auge do seu fanatismo nazista escreveu, com o maior cinismo, no livro de convidados ilustres e para o espanto do presidente alemão, o slogan nazista:

"Deutschland Über Alles" (Alemanha acima de tudo), slogan com o qual Hitler iniciou a Segunda Guerra Mundial e o holocausto de 60 milhões de pessoas.

Razão pela qual o governo alemão teve que arrancar a folha do livro com essa grave ofensa diplomática, e ignorar a saudação que o nazista Piñera tinha escrito. Dias depois, o "ariano e louro" Piñera, (ver foto) teve que pedir desculpas ao governo e ao povo alemão, dizendo que ele havia aprendido a frase no Colégio Verbo Divino, com os mesmos professores que ensinaram a seu amigo intimo, o já falecido Augusto Pinochet .

Desta forma dá para entender a vergonhosa campanha de difamação e calunia empreendidas pelo governo chileno contra o Partido Comunista do Chile, que sempre se opôs ao nazifascimo pinochetista e que agora o nazista Piñeira quer reviver, montado (Über) por cima da crista publicitária do resgate "tecnológico" dos mineiros sepultados no deserto, façanha em que nada teve a ver o governo chileno que quer se apoderar oportunisticamente desse triunfo da tecnologia humana.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Comunicação e democracia

O presente artigo, de autoria do jornalista Aram Aharonian, professor de pós-graduação uruguaio-venezuelano, fundador da Telesul e diretor da revista Questão e do Observatório Latino-americano de Comunicação e Democracia (ULAC), é uma excelente contribuição para o bom combate ao latifúndio midiático e suas perversas implicação no nosso cotidiano. Há três décadas, lembra Aram, “para impor um modelo econômico e político se recorreu às forças armadas, com o saldo de milhares e milhares de mortos, desaparecidos, torturados. Hoje os meios de comunicação de massa levam o bombardeio da mensagem hegemônica diretamente à sala de nossa casa, a nossa cozinha e dormitórios, durante 24 horas por dia”. Um dos palestrantes do evento sobre democratização, promovido pela Confederação Sindical dos Trabalhadores das Américas (CSA), o veterano jornalista defende que “se deve passar da imprensa-propaganda a produzir comunicação, e isso somente se logra com capacitação e profissionalização. Para dentro, uma comunicação útil e formadora não somente em temáticas reivindicatórias, para fora uma nova imagem de sindicalismo, como ator político e social, de classe, euma recuperação de valores como a igualdade, a solidariedade, a justiça, o esforço coletivos, frente aos valores neoliberais como o individualismo e a mercantilização dos próprios valores…”

Boa leitura!

Ante tudo, devemos assumir que o tema dos meios de comunicação tem a ver com o presente e o futuro de nossas democracias, sobre la democracia não somente nos países subdesenvolvidos mas também nas nações industrializadas, que vivem hoje a grave crise do capitalismo.
Hoje em dia um tipo de ditadura midiática tenta suplantar à ditadura militar das décadas passadas na América Latina. São os grandes grupos econômicos corporativos que dominam o latifúndio midiático, que criam imaginários coletivos virtuais e decidem quem tem ou não a palavra, quem é o protagonista e quem é o antagonista, enquanto tenta que as grandes maiorias sigam afônicas e invisíveis, sem voz nem imagem.

Atualmente os meios de comunicação comerciais são os publicistas dos produtos de suas megaempresas: lhe oferecem una enorme audiência às empresas para impor suas marcas. O que se busca é conseguir consumidores ou cordeirinhos políticos e/ou religiosos, não formar cidadãos.

Neste mundo, dizia Saramago, há uma única palavra tabu, da que não se pode falar nem sobre a que não se pode discutir: democracia. A democracia segue instalada como sistema formal, sem apropriação cidadã, razão pela qual sua institucionalidade é precária. Construir democracia é construir cidadania, empoderar aos pobres, dar voz e imagem às grandes maiorias transformadas em ninguém, postergadas e ocultadas durante séculos. Com informação lixo somente se garante uma democracia-lixeira.

Há três décadas, para impor um modelo econômico e político se recorreu às forças armadas, com o saldo de milhares e milhares de mortos, desaparecidos, torturados. Hoje os meios de comunicação de massa levam o bombardeio da mensagem hegemônica diretamente à sala de nossa casa, a nossa cozinha e dormitórios, durante 24 horas por dia.
Das novas formas de poder surgidas recentemente, uma das principais é a dos meios de comunicação de massas, por seu alcance mundial e sua capacidade de influir na opinião pública, concentração de poder que limita a liberdade individual. Sob a ilusão dos mecanismos coercitivos (igreja, escola, exército, sindicatos, família) estão em crise, o controle social, manejado pelos meios comerciais, pelo contrário, se acrescenta.

Os meios de comunicação da oligarquía tem ocupado um protagonismo cada vez maior no debate público (além do óbvio desafio de mediação que se supõe devam cumprir) e praticamente passaram a ocupar o espaço deixado pelo descalabro (que eles incitaram) dos partidos políticos tradicionais. E com uma afinada orquestração a nivel internacional.

Esta descomunal sintonia de vozes e imagens, resultante do virtual consenso dos poderes midiáticos – a mensagem hegemónica tem se concentrado de maneira particular em gerar dúvidas sobre o sentido, oportunidade e viabilidade dos processos endógenos e os de integração.
A resposta desde estes governos tem sido, em geral, reativa e limitada à propaganda e ao apoio aos meios públicos, que foram saqueados e privatizados durante os anos neoliberais. Não resta dúvidas da importância disso, porém é insuficiente, porque fica limitada às conjunturais prioridades governamentais.

É fácil cair presa do otimismo ingênuo. Por isso é necessário reconhecer a tarefa pendente de superar a dispersão, para que este conjunto de esforços adquira um peso específico ao compasso do movimento contra-hegemônico que se projeta por este outro mundo possível (e também imprescindível). Aqueles que durante anos temos militado na concepção da comunicação alternativa e popular não temos sabido fazer bem nossas tarefas. Vamos perdendo – por goleada– a batalha das ideias, conceitualmente e no campo de batalha.

Na última década, com os ventos de mudança que modificaram significativamente o cenário político na América Latina, em maior ou menor medida os diversos países tem procurado afirmar sua autonomia a respeito do chamado Consenso de Washington, ao mesmo tempo em que tem reativado a alternativa histórica da integração.

Atormentado pela crise econômica e política mais grave de sua história, o poderio estadunidense se vem fragilizando, o que, no entanto, não impede que trate a todo custo de retomar o controle de seu “quintal”. Para isso, acentua as tradicinais pressões bilaterais, reativa movimentos de guerra (ampliação de bases militares, deslocamento da IV Frota, etc.), propicia operações de desestabilização midiático-psicológicas (terroristas) contra governos considerados “inimigos” (golpe de Estado em Honduras , e tentativa no Equador, após os frustrados na Venezuela e na Bolívia), multiplica os fundos de “ajuda” aos setores opositores destes governos e um longo etcétera.

Tudo isto, sob os parâmetros cada vez mais afinados da chamada guerra de baixa intensidade (ou de quarta geração) que basicamente aponta a ganhar os corações e as mentes da população.
Virou moda falar da necessidade de retirar as cercas dos latifúndios midiáticos e do chamado terrorismo midiático. E muitas vezes isto não passa de consignas ou, pior ainda, de lamentos, que incluem declarações instando a modificar legislações, sem estabelecer com precisão os objetivos que se buscam. Não temos podido passar da etapa de resistência ao neoliberalismo, à de construção de novos paradigmas e novas sociedades. Em geral, seguimos paralisados pela “síndrome do encurralado”.

Nosso principal problema, de latino-americanos, é que temos estado cegos de nós mesmos: sempre nos vendo com olhos estrangeiros. E o seguimos fazendo desde governos e desde os movimentos sociais, copiando formas e conteúdos. Recitamos “sul”, declamamos “integração”, porém a realidade é que nós sequer nos conhecemos.

Por isso dentro desta luta está a necessidade de que os programas de integração regional (Unasul, Mercosul, Alba, etc) incorporem à comunidade como um de seus elementos constitutivos e constituintes, e situem a comunicação, cenário da disputa de sentidos entre modelos de sociedade, como um tema fundamental em suas agendas.

É fundamental reivindicar e fazer realidade o sentido etimológico da comunição, que implica diálogo, interação, intercâmbio, para construir acordos comuns, consensos, entre as partes implicadas no processo, sem que isso signifique unanimidade.

Se deve lutar pela recuperação de nossos Estados, para que desde aí se criem políticas públicas que garantam os processos de participação dos povos com suas diversidades, saberes e expressões organizativas, impedindo monopólios e oligopólios e regulando a ação dos que exercem a comunicação como negócio e não como serviço público e direito social.

Existem fortes resistências, especialmente nos países desenvolvidos e no establishment de nossos países, para enfocar o tema em sua verdadeira dimensão, porque não interessa repensar os meios na sociedade midiática, já que isso exige refletir sobre a democratização da comunicação e a própria democracia.

Os conglomerados midiáticos reacionam corporativamente para evitar um debate público sobre o papel dos meios no exercício da cidadania e preferem sustituí-lo por uma espécie de discussão privada no âmbito profissional e/ou académico, de costas à cidadanía, em busca de soluções técnicas cosméticas.

Devemos ter claro que viemos sendo treinados para pensar que comunicação alternativa significa comunicação marginal. Porém hoje devemos mudar estes paradigmas e assumir que a única forma de planejarmos a batalha das ideias, é com uma estratégia comunicacional massiva, que seja realmente alternativa ao bombardeio constante, hegemônico, que nos chega desde o Norte e se instala no Sul.

Para além do suporte utilizado, os chamados meios alternativos –ou talvez seja melhor chamá-los de populares- se movem numa faixa de modalidades segundo contemplem maior ou menor participação dos cidadãos, maior ou menor democracia em seu funcionamento e tipo de relação com elementos potencialmente manipuladores, como a publicidade e as administrações.
Todavía em muitos países de nossa América se criminaliza a chamada imprensa alternativa e sobre tudo às rádios e televisoras comunitárias, independentes, camponesas, indígenas. Por isso, a construção de uma comunicação contra- hegemônica é tarefa de todos - Estados, pessoas e organizações sociais -, desde baixo. Porque desde cima, o único que se pode construir... é um poço.

Doze temas a levar em conta

Há vários temas a ter em conta para analisar a realidade comunicacional de nossas novas ou renovadas democracias:

1) Nosso principal problema é que temos estado cegos de nós mesmos: siempre nos temos visto com olhos estrangeiros. E o seguimos fazendo: copiando formas e conteúdos. Recitamos “sul”, declamamos “integração”, porém a realidade é que sequer nos conhecemos.

Para começar a ver-nos com nossos próprios olhos é necessário visibilizar às grandes maiorias, à pluralidade e diversidade de nossas nações e regiões, recuperar nossa memória, nossas tradições. Porque um povo que não sabe de onde vem, difícilmente sabe aonde ir, e, assim, o destino sempre lhe será imposto desde fora

2) É necessária a mudança de paradigmas. Temos sido treinados para pensar que imprensa alternativa significa comunicação marginal. Hoje sabemos que a única forma de propor a batalha das ideias é com uma estratégia comunicacional massiva, que seja realmente alternativa ao bombardeio constante, hegemônico, que nos chega desde o Norte.

Temos sido treinados para crer na imparcialidade e na objetividade: sim devemos ser objetivos (não entendido como neutros) porém nunca imparciais. O jornalismo é propaganda objetiva, quer dizer, com checagem de fontes. Sem este último requisito estaríamos ante uma simples propaganda em sentido amplo ou outro tipo de relato.

Os meios comunitários são um passo no caminho à democratização, porém, por si mesmos não são suficientes. Podemos ter centenas de meios comunitários, porém se 90% da audiência e dos meios está controlada por uma estrutura monopólica dos meios corporativos comerciais, pouco será o que teremos avançado na direção da democratização.

3) Precisamos ter consciência de que a batalha contra o terrorismo midiático é parte da guerra cultural, da batalha das ideias. É uma guerra que não se esgota em palavras de ordem, mas para a qual há que se preparar adequadamente, e abandonarmos o voluntarismo. Para isso devemos nos apropriar da tecnologia, aprender a usá-la melhor –ou tão bem - como o inimigo e, sobretudo, ter claro para que queremos estas armas, a fim de que, definitivamente, não se somem ao arsenal hegemônico contra os nossos próprios povos. Capacitação e profissionalização são as palavras de ordem e por isso devem ser democratizados os programas de formação em comunicação em todos os níveis, incluindo mudanças curriculares nas universidades para ajustá-los às realidades da região e para fortalecer a integração e a unidade.

4) Há mais de 25 anos o informe Mc Bride da UNESCO sublinhava a necessidade de tomar medidas jurídicas eficazes para: a) limitar a concentração e a monopolização; b) conseguir que as empresas transnacionais acatem os critérios e as condições específicas definidos na legislação e na política de desenvolvimento nacionais; c) inverter a tendência à redução do número de responsáveis quando está aumentando a eficácia da comunicação e a dimensão do público; d) reduzir a influência da publicidade sobre a redação e os programas de radiodifusão; e e) aperfeiçoar os modelos que permitem fortalecer a independência e a autonomia dos órgaãos de informação em matéria de gestão e de política de redação, independentemente que sejam privados ou públicos. Este diagnóstico, lamentavelmente, se mantém três décadas depois.

5) Os direitos humanos não podem existir sem a liberdade de palavra, de imprensa, de informação, de expressão. A transformação destas liberdades em um direito individual ou coletivo mais amplo a comunicar é um princípio evolutivo no processo de democratização.

6) É fundamental a proteção e o fomento da pluralidade de opiniões e da diversidade cultural e lingüística, a democratização dos meios de comunicação, e a defesa e divulgação dos bens comuns de conhecimento mundial, como parte do domínio público.

A variedade de culturas e idiomas que se conservam ou transmitem através da tradição oral ou de diversos meios de expressão, nutrem as sociedades da informação e a comunicação e contribuem para o acervo do conhecimento que é a herança do ser humano e a origem da criação de toda nova descoberta.

7) A digitalização por si mesma não significa a democratização do espectro televisivo ou radioelétrico, se não se muda o sistema de concessões de frequências. A implementação destas mudanças não depende somente de reconversões tecnológicas, mas principalmente de decisões políticas. Por isso é necessário assegurar o acesso e utilização universal das tecnologias da informação.

8) O espectro radioelétrico é um patrimônio da humanidade e os Estados são soberanos em sua administração, em função do interesses nacional e geral. É uma falacia a ideia de que são proprietárias do espaço radioelétrico as empresas, nacionais ou trasnacionais, que têm a concessão de uma frequência. Diante disso , é necessário lutar para que o espaço radioeléctrico se divida em três partes: uma para o estado, outra para os meios comerciais e uma para os movimentos sociais, as universidades, os sindicatos, para isso que chamamos o espaço público.

9) A luta pela democratização passa pela reconstrução do espaço público, que foi privatizado e esvaziado durante décadas na ofensiva neoliberal. O espaço público é aquele que reúne os meios estatais, regionais, educativos, universitários, legislativos e comunitários, e que aposta não à formação de consumidores ou cordeirinhos políticos ou religiosos, mas que contribui à formação de uma cidadania e identidade comum latino-americana.

10) A comunicação é fator articulador chave para o reencontro e a solidariedade de nossas nacionalidades, que implica no reconhecimento de um destino comum por cima de rivalidades reais ou forjadas.

Por isso se torna indispenável formular uma estratégia de cooperação específica entre os povos para os âmbitos da informação, comunicação, cultura e conhecimento, contemplando acordos para potencializar as redes regionais de informação e comunicação pública e cidadãs, com um sentido de equidade em a respeito dos meios de comunicação.

11) É cada vez mais necessária a auditoría social dos meios comerciais (e talvez também dos estatais) de comunicação social, que se converteram no principal poder, por cima dos outros três clássicos – executivo, legislativo e judiciário. É necessária a criação do quinto poder, o do cidadão, para fiscalizar os quatro anteriores.

12) Para ostentar políticas de comunicação adequadas, os movimentos sociais e sindicais devem ter claro para que os querem, assumir quem são os destinatários das mensagens e capacitar-se tecnológica e profissionalmente para criar conteúdos com formas e vocabulários que visibilizem os trabalhadores, suas vidas, suas memórias, com especial atenção às mulheres como atrizes. Os sindicatos são reativos aos acontecimentos a nível social ou político, porém em general carecem de uma proposta (de solução).

Se deve passar da imprensa-propaganda a produzir comunicação, e isso somente se logra com capacitação e profissionalização. Para dentro, uma comunicação útil e formadora não somente em temáticas reivindicatórias, para fora uma nova imagem de sindicalismo, como ator político e social, de classe, euma recuperação de valores como a igualdade, a solidariedade, a justiça, o esforço coletivos, frente aos valores neoliberais como o consumismo, o individualismo, a mercantilização dos próprios valores…

Os sindicatos devem e podem exercer uma nova liderança intelectual e política e têm todo o direito (e até a obrigação) de usar todas as plataformas comunicacionais: dos cartazes às redes sociais, a rádio e a televisão. O uso das tecnologías permite aos trabalhadores superar o anonimato e o desconhecimento de muitas realidades sociais. Há novas técnicas, como o protesto virtual, o videossindicalismo, o ciberativismo, a formação online e a informação digital, que estão à ordem do dia no cardápio que debe ser proposto.

13) De nada serve ter meios novos, novas emisoras de rádio e televisão, se não tivermos novos conteúdos, se seguimos copiando as formas hegemônicas. De nada servem se não acreditamos na necessidade de nos vernos com nossos próprios olhos. Porque lançar meios novos para repetir a mensagem do inimigo, é ser cúmplice do inimigo. Temos de trabalhar para criar fábricas de conteúdo, que nutram a rádios e televisoras do Sul. Se não, estaremos condenados a ver as comédias enlatadas e Walt Disney pelo resto dos nossos dias…