"A LUTA DE UM POVO, UM POVO EM LUTA!"

Agência de Notícias Nova Colômbia (em espanhol)

Este material pode ser reproduzido livremente, desde que citada a fonte.

A violência do Governo Colombiano não soluciona os problemas do Povo, especialmente os problemas dos camponeses.

Pelo contrário, os agrava.


quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Lula registra em cartório os oito anos que "fizeram bem ao país"

A fala da artesã cearense, Maria do Socorro Nascimento, emocionou o presidente Luis Inácio Lula da Silva na cerimônia de registro em cartório do balanço dos oito anos do atual governo, na manhã desta quarta-feira (15), no Palácio do Planalto. A artesã contou como as ações do governo federal mudaram sua vida, permitindo que ela montasse o seu próprio negócio.
"Nós pobres brasileiros lhe damos o título de herói vencedor", disse ela em seu discurso articulado, que surpreendeu à platéia de mais de 700 pessoas, formada por ministros, governadores, parlamentares e demais autoridades. O presidente Lula fez um longo discurso – parte improvisada, em que predominou a emoção e o humor; e parte lida, na qual mostrou com números e dados os êxitos dos seus oito anos de governo.

"Esta prestação de contas é menos para engrandecer o que nós fizemos e mais dar uma fotografia à sociedade brasileira, para que ela vendo o que foi feito, ela perceba também o que não foi feito e o que precisa ser feito. Sobretudo a nossa querida presidente (Dilma Rousseff), que ao ler o subproduto do trabalho dela, muita coisa aqui teve a coordenação da companheira Dilma, ela possa lembrar de coisas que poderiam ter sido feitas e que esquecemos de fazer, e que ela pode fazer", afirmou o presidente em seu discurso.

Lula disse ainda, brincando, que “isso vai estar disponível, disponível... o WikiLeaks não vai precisar entrar clandestinamente, ele vai ter à disposição as coisas que nós fizemos, inclusive as coisas do Itamaraty. Ou seja, não vai ter vazamento do WikiLeaks, porque nós vamos vazar antes, está bem?”

O governador da Bahia, Jacques Wagner, que fez a saudação a Lula, usou o jargão do Presidente para declarar que "Nunca antes na história desse país", um Presidente da República deixa o cargo com índice tão alto de aprovação.

Contribuição do PcdoB
Para o presidente do PCdoB, Renato Rabelo, presente à solenidade, Lula pode fazer esse balanço do governo, que é um fato inédito, porque é um governo de muitos êxitos e a prova maior do êxito é o apoio popular. Ele lembrou que as pesquisas mostram que 84% da população brasileira avalia o governo Lula como bom e ótimo.

"Esse é um testemunho eloquente do êxito do governo dele. Nenhum outro na história recente teve um respaldo tão grande quanto o presidente Lula", destacou Renato Rabelo, lembrando ainda que Lula projetou o Brasil no contexto mundial, que se tornou mais conhecido e respeitado, chegando a ser referência.

E acrescenta que "o PCdoB é parte integrante do governo, desde o primeiro mandato, e foi uma força que junto com o PT esforçou-se para que se chegasse a isso". Para o dirigente comunista, a grande questão era que, ao se chegar ao poder, desse certo. "Agora que deu certo e até se pode eleger sua sucessora, mostra que a esquerda e as forças democráticas sabem governar e bem", avalia Rabelo.

"Nós demos contribuição grande para a primeira vitória – de levar um operário ao governo", lembra o presidente do Partido, destacando ainda como outra grande contribuição a permanência de Lula no governo. Ele conta que "quando (Lula) viveu a crise mais aguda, até com ameaça de impeachment, o PCdoB mobilizou forças populares e a eleição de Aldo Rebelo à Presidência da Câmara deu grande contribuição para sustar a crise."

"Esses êxitos todos que hoje se celebram, nós somos parte importante, porque demos nossa contribuição desde o início da luta de Lula à Presidência da República", disse ainda Renato Rabelo, lembrando que no último Congresso do Partido, no ano passado, ele (Lula) disse que ia agradecer ao PCdoB e relatou toda essa trajetória do Partido em seu governo.

Elogios a Dilma

A presidente eleita, Dilma Roussefs, também presente ao evento, foi igualmente elogiada pelos oradores. Jacques Wagner disse que ela quebrou o preconceito de que uma mulher não poderia ser presidente da República e que "fará tão bem quanto o senhor", dirigindo-se a Lula.

A artesã Maria do Socorro disse, com relação ao novo governo, que "a nossa esperança não vai morrer porque sabemos que Dilma vai continuar a fazer o trabalho do senhor". Segundo Socorro, foi graças aos programas de governo do presidente Lula que ela tem uma história de sucesso para contar. Ela disse que venceu o medo de se endividar e já está no quinto empréstimo do Agroamigo, programa de financiamento do Banco do Nordeste do Brasil (BNB) para expandir o seu negócio. E deu de presente ao presidente um móbile de barro de sua fabricação.

Para o governador Jacques Wagner, foi um orgulho participar do governo Lula. "Nós sabemos que é tudo uma construção coletiva, mas não há exército sem comandante", destacando que os oito anos de governo representam 80 anos pelos números da inclusão social e transformação de todo o Brasil em grande mercado de massa. O governador baiano falou sobre o futuro do presidente Lula depois que deixar o cargo. "Não sabemos qual o papel que o senhor jogará, mas pela inquietude em ajudar o povo do mundo inteiro, comandará projeto para desenvolver a auto-estima, o respeito e a cidadania".

Dados para avaliação

Entre a fala dos convidados e a do presidente Lula, que encerrou o evento, todos os ministros assinaram o livro das ações dos oito anos do governo em cada uma de suas áreas. Um tabelião oficial fez o registro em um livro que tem o objetivo de comparar as medidas previstas no programa de governo do presidente Lula ou em compromissos assumidos ao longo dos dois mandatos presidenciais com as efetivas realizações conseguidas pelo governo federal sob seu comando.

O livro foi dividido por tema, onde cada ministério ficou responsável por elaborar o balanço de sua respectiva competência, a partir de uma estrutura comum: uma breve informação acerca da situação do país em janeiro de 2003; os desafios encontrados pela administração que então assumia; os compromissos assumidos durante a campanha eleitoral; a relação completa e detalhada das ações e realizações empreendidas até o final de 2010; e a relação dos principais indicadores de resultado.

Além do livro, houve a divulgação de uma mídia com tabelas contendo as ações de políticas públicas com dados de atendimento anual por estado, planilhas com a relação das obras, fotos, documentos e relatórios complementares. Também foi lançado o portal que trará os conteúdos divulgados no evento e detalhamentos das ações de governo. Os arquivos digitais em formato PDF também estão disponíveis na internet.

De Brasília
Márcia Xavier
(com apoio de Vermelho)

Obrigado, Lula

Por Frei Betto, em Adital

Quanta esperança refletida na euforia que contaminou a Esplanada dos Ministérios no dia de sua posse! Decorridos oito anos, eis que a aprovação de seu governo alcança o admirável índice de 84% que o consideram ótimo e bom. Apenas 3% o reprovam.

O Brasil mudou para melhor. Cerca de 20 milhões de pessoas, graças ao Bolsa Família e outros programas sociais, saíram da miséria, e 30 milhões ingressaram na classe média. Ainda temos outros 30 milhões sobrevivendo sob o espectro da fome e quem sabe o Fome Zero, com seu caráter emancipatório, a tivesse erradicado se o seu governo não o trocasse pelo Bolsa Família, de caráter compensatório, e que até hoje não encontrou a porta de saída para as famílias beneficiárias.

Você resgatou o papel do Estado como indutor do desenvolvimento e, através dos programas sociais e da Previdência, promoveu a distribuição de renda que aqueceu o mercado interno de consumo. O BNDES tornou as grandes empresas brasileiras competitivas no mercado internacional. Tomara que no governo Dilma seja possível destinar recursos também a empreendimentos de pequeno e médio porte e favorecer nossas pesquisas em ciência e tecnologia.

Enquanto os países metropolitanos, afetados pela crise financeira, enxugam a liquidez do mercado e travam o aumento de salários, você ampliou o acesso ao crédito (R$ 1 trilhão disponíveis), aumentou o salário mínimo acima da inflação, manteve sob controle os preços da cesta básica e desonerou eletrodomésticos e carros. Hoje, 72% dos domicílios brasileiros possuem geladeira, televisor, fogão, máquina de lavar, embora 52% ainda careçam de saneamento básico.

Seu governo multiplicou o emprego formal, sobretudo no Nordeste, cuja perfil social sofre substancial mudança para melhor. Hoje, numa população de 190 milhões, 105 milhões são trabalhadores, dos quais 59,6% possuem carteira assinada. É verdade que, a muitos, falta melhor qualificação profissional. Contudo, avançou-se: 43,1% completaram o ensino médio e 11,1% o ensino superior.

Na política externa o Brasil afirmou-se como soberano e independente, livrando-se da órbita usamericana, rechaçando a ALCA proposta pela Casa Branca, apoiando a UNASUL e empenhando-se na unidade latino-americana e caribenha. Graças à sua vontade política, nosso país mira com simpatia a ascensão de novos governantes democrático-populares na América Latina; condena o bloqueio dos EUA a Cuba e defende a autodeterminação deste país; investe em países da África; estreita relações com o mundo árabe; e denuncia a hipocrisia de se querer impedir o acesso do Irã ao urânio enriquecido, enquanto países vizinhos a ele, como Israel, dispõem de artefatos nucleares.

Seu governo, Lula, incutiu autoestima no povo brasileiro e, hoje, é admirado em todo o mundo. Poderia ter sido melhor se houvesse realizado reformas estruturais, como a agrária, a política e a tributária; determinado a abertura dos arquivos da ditadura em poder das Forças Armadas; duplicado o investimento em educação, saúde e cultura.

Nunca antes na história deste país um governo respaldou sua Polícia Federal para levar à cadeia dois governadores; prender políticos e empresários corruptos; combater com rigor o narcotráfico. Pena que o Plano Nacional dos Direitos Humanos 3 -quase um plágio dos 1 e 2 do governo FHC- tenha sido escanteado por preconceitos e covardia de ministros que o aprovaram previamente e não tiveram a honradez de defendê-lo quando escutaram protestos de vozes conservadoras.

Espero que o governo Dilma complemente o que faltou ao seu: a federalização dos crimes contra os direitos humanos; uma agenda mais agressiva em defesa da preservação ambiental, em especial da Amazônia; a melhoria do nosso sistema de saúde, tão deficiente que obriga 40 milhões de brasileiros a dependerem de planos de empresas privadas; a reforma das redes de ensino público municipais e estaduais.

Seu governo ousou criar, no ensino superior, o sistema de cotas; o ProUni e o ENEM; a ampliação do número de escolas técnicas; maior atenção às universidades federais. Mas é preciso que o governo Dilma cumpra o preceito constitucional de investir 8% do PIB em educação.

Obrigado, Lula, por jamais criminalizar movimentos sociais; preservar áreas indígenas como Raposa Serra do Sol; trazer Luz para Todos. Sim, sei que você não fez mais do que a obrigação. Para isso foi eleito. Mas considerando os demais governantes de nossa história republicana, tão reféns da elite e com nojo do "cheiro de povo", como um deles confessou, há que reconhecer os avanços e méritos de sua administração.

Deus permita que, o quanto antes, você consiga desencarnar-se da presidência e voltar a ser um cidadão militante em prol do Brasil e de um mundo melhor.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Mensagem aos participantes do 17º Festival Mundial da Juventude e dos Estudantes na África do Sul

Autor: Companheiro Fidel Castro

Companheiras e companheiros:

É muito grato para mim e uma grande honra aceder ao pedido que me fizeram de lhes transmitir uma mensagem por ocasião do 17º Festival Mundial da Juventude e dos Estudantes, que tem lugar na Pátria de Nelson Mandela, símbolo vivente da luta contra o odioso sistema do apartheid.

Cuba foi sede de dois festivais mundiais: do 11º, em 1978, e do 14º, em 1997.

Pela primeira vez, o Festival não se realizava na Europa, senão num país deste hemisfério.
A decisão foi tomada pela 9ª Assembléia da Federação Mundial de Juventudes Democráticas que teve lugar em Varna, Bulgária, no final de 1974.

Eram tempos diferentes: o mundo enfrentava sérios problemas, porém menos dramáticos. Os jovens mais progressistas lutavam pelo direito de todos os seres humanos a uma vida digna; pelo velho sonho dos maiores pensadores de nossa espécie, quando era evidente que a ciência, a tecnologia, a produtividade do trabalho e o desenvolvimento da consciência o tornavam possível.
Num curto espaço de tempo, a globalização se acelerou, as comunicações atingiram níveis impensáveis, os meios para promover a educação, a saúde e a cultura se multiplicaram. Os nossos sonhos não eram infundados. Sob esse espírito, realizou-se o 11º Festival Mundial da Juventude e dos Estudantes, do qual o nosso povo tamém participou.

No Conselho Geral da Federação Mundial de Juventudes Democráticas, efetuado precisamente na heroica África do Sul no início de outubro de 1995, foi aprovada a realização do 14º Festival em Havana, do qual participaram mais de 12 mil delegados de 132 países. O nosso país fazia 37 anos que estava travando a batalha política e ideológica contra o império e seu desumano bloqueio econômico.

Até a década de 1980, não só existiam a República Popular da China, a República Popular Democrática da Coreia, Vietnã, Laos e Kampuchea, que suportaram guerras de genocídio e os crimes dos ianques, mas também o bloco socialista da Europa e a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, um enorme Estado multinacional de 22.402.200 quilômetros quadrados, com enormes recursos de terra agrícola, florestas, petróleo, gás, minérios e outros. Diante da superpotência imperialista, com mais de 800 bases militares em todo o planeta, erguia-se a superpotência socialista.

A desintegração da URSS, quer sejam quais forem os erros cometidos em certo ou noutro momento da história, significou um duro golpe no movimento progressista do mundo. Os ianques se mobilizaram às pressas e estenderam as bases militares e o uso de instalações construídas pela URSS para cercar ainda mais com sua maquinaria de guerra a Fedração Russa, que ainda continua sendo uma grande potência. O aventureirismo militar dos Estados Unidos e seus aliados da OTAN se incrementou na Europa e Ásia. Desataram a guerra de Kosovo e desintegraram a Sérvia.

Em nosso hemisfério, ainda antes da desintegração da URSS, invadiram em 1965 a República Dominicana; bombardearam e intervieram com forças mercenárias na Nicarágua; invadiram com suas tropas regulares Granada, Panamá e Haiti; promoveram sangrentos golpes militares no Chile, Argentina e Uruguai e apoiaram a brutal repressão de Stroessner no Paraguai.

Além disso, criaram a Escola das Américas, onde não só treinavam milhares de oficiais latino-americanos em conspirações e golpes de Estado, mas também prepararam muitos em doutrinas de ódio e práticas sofisticadas de tortura, enquanto se mostravam perante o mundo como paladinos “dos direitos humanos e da democracia”.

Na primeira década deste século, a superpotência imperialista parece que transbordou seu próprio curso. Os sangrentos acontecimento de 11 de setembro de 2001, onde o World Trade Center de Nova York desabou — episódio dramático onde morreram ao redor de 3 mil pessoas — e o ataque posterior ao Pentágono, veio mesmo a calhar para o inescrupuloso aventureiro George. W. Bush em sua chamada guerra contra o terror, que constitui, simplesmente, uma escalada perigosa na brutal política que os Estados Unidos vinham aplicando em nosso planeta.

Ficou bem clara a vergonhosa cumplicidade dos países da OTAN com guerra tão repudiável. Essa organização bélica proclamou recentemente seu propósito de intervir em qualquer país do mundo onde achar que os seus interesses, os dos Estados Unidos, estejam ameaçados.

O monopólio dos meios de comunicação social, nas mãos das grandes transnacionais capitalistas, foi utilizado pelo imperialismo para criar mentiras, reflexos condicionados e desenvolver instintos egoístas. Enquanto os jovens e os estudantes iam rumo à África do Sul para lutarem por um mundo de paz, dignidade e justiça, na Gra-Bretanha os estudantes universitários e seus professores travavam uma batalha campal contra os fortes e bem armados corpos repressivos que, em cima de garbosos cavalos, os atacavam. Talvez nunca na história se viu tamanho espetáculo da “democracia” capitalista. Os partidos neoliberais governantes, desempenhando seu papel de gendarme da oligarquia e traindo suas promessas eleitorais, aprovaram medidas no Parlamento que aumentavam para US$14 mil anuais o custo dos estudos universitários. O pior foi o descaramento com que os parlamentares neoliberais afirmaram que “o mercado resolvia esse problema”. Apenas os ricos tinham direito aos diplomas universitários.

Há uns dias, o atual secretário de Defesa dos Estados Unidos, Robert Gates, comentando os segredos divulgados pelo site WikiLeaks, declarou: “Acontece que os governos tratam com os EUA porque lhes convém, não porque gostem de nós, não porque confiem em nós, e não porque acreditem que sabemos guardar segredos. Alguns governos tratam conosco porque temem de nós, alguns porque nos respeitam, a maioria, porque precisa de nós. O nosso país ainda é essencialmente, como foi dito antes, a nação indispensável”.

Muitas pessoas inteligentes e bem informadas tem certeza de que o império ianque, como todos os que o precederam, entrou na etapa final e que os sinais são irrebatíveis. Um artigo publicado no website TomDispatch, traduzido do inglés pelo site Rebelión, coloca quatro hipóteses a respeito do curso dos acontecimentos nos Estados Unidos, e em todas elas figura a guerra mundial como uma das posibilidades, embora não exclua outra provável saída. Acrescenta que, definitivamente, esse país perderá a supremacia nas exportações globais de mercadorias e, em menos de 15 anos, perderia a supremacia na inovação tecnológica e a funcção privilegiada do dólar como moeda de reserva. Cita que, neste ano, a China já atingiu 12%, sobre 11% dos Estados Unidos, na exportação mundial de mercadorias, e referiu-se ao lançamento por parte do ministro da Defesa da China, em outubro passado, do super-computador Tianhe-1A, tão poderoso que, como expressou um especialista norte-americano, “liquida o computador n.o 1” existente nos Estados Unidos.

Os nossos queridos compatriotas, quando chegaram à África do Sul, entre as primeiras atividades realizadas, prestaram merecido tributo aos combatentes internacionalistas que entregaram suas vidas na luta a favor da África.

Há 12 anos, nossa missão médica presta serviços ao povo haitiano. Hoje, fá-lo com a cooperação de médicos internacionalistas graduados na Escola Latino-Americana de Medicina — ELAM. Ali lutam também pela África combatendo a epidemia da cólera, que é a doença da pobreza, a fim de impedir que se alastre por esse continente, onde, bem como na América Latina, existe muita pobreza. Com a experiência adquirida, nossos médicos reduziram consideravelmente a taxa de letalidade. Muito perto da África do Sul, no Zimbábue, em agosto de 2008, “de súbito” houve um surto dessa epidemia segundo o jornal Herald de Harare. Robert Mugabe acusou os governos dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha de introduzirem a doença no país.

Como prova da falta de escrúpulos ianques, é bom salientar que o governo dos Estados Unidos entregou armas nucleares ao regime do apartheid, que os racistas estiveram a ponto de usar contra as tropas cubanas e angolanas, que depois da vitória de Cuito Cuanavale avançavam rumo ao sul, onde o comando cubano, suspeitando esse perigo, tomou as providências e táticas pertinentes que lhe conferiam o domínio absoluto do ar. Se tivessem usado tais armas, não teriam obtido a vitória. Contudo, é legítimo perguntar: que teria ocorrido se os sul-africanos tivessem usado as armas nucleares contra as forças cubanas e angolanas? Qual teria sido a reação internacional? Como teriam justificado aquele ato de barbárie? Como teria reagido a URSS? Essas são perguntas que devemos nos fazer.

Quando os racistas entregaram o governo a Nelson Mandela não lhe disseram uma única palavra, nem que fizeram com aquelas armas. A investigação e denúncia de tais fatos seria neste momento um grande serviço ao mundo. Exorto-os, queridos compatriotas, a exporem este tema no Festival Mundial da Juventude e dos Estudantes.


Pátria ou Morte!

Venceremos!

(Com apoio do Consulado Geral de Cuba em São Paulo)

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Carta das FARC-EP à Senadora Piedad Córdoba

Senadora Piedad Córdoba.

Bogotá.

Cordiais Saudações.

Impulsionados pelo mais justificado imperativo ético nos dirigimos à senhora para expressá-lhe, nesse momento crucial de sua vida política, nossa solidariedade incondicional diante do brutal atropelo da Procuradoria Geral da Nação, contra seu esforço humanitário pela paz da Colômbia.

A decisão do Procurador Alejandro Ordóñez é uma armação jurídica e política da pior espécie, cuja origem está na pressão enfermiça, o ódio e a retaliação do ex-presidente Uribe, por acima de toda dúvida, chefe, até agora, impune, do paramilitarismo e da para-política na Colômbia.

O país nacional não pode permitir que prospere a absurda criminalização da busca da solução política do conflito. Ordóñez atua contra o direito. É mais prevaricador que Procurador. Ao inabilitar por 18 anos à Senadora, pretendendo sua morte política, não só ultrapassa seus limites, usurpando funções próprias do Conselho de Estado; ademais, sustenta sua miserável decisão nos supostos dados de um computador, que não podem constituir prova jurídica, porque foram manipulados pela Polícia, violando-se assim a cadeia de custódia.

Neste caso não há direito à defesa nem ao devido processo. Ninguém tem vencido em juízo a Piedad Córdoba. Constitui um paradoxo que os funcionários delinquentes que a espiavam para incriminar sua luta pela paz, agora fujam para outros países para burlar a ação da justiça.

A atuação do "Prevaricador Geral" que converte em delito a luta pela paz, evidencia-o como mandadeiro torpe e incauto. A Senadora Córdoba não só atuava com o aval do Executivo; ela tem atuado dentro do marco da Constituição, que consagra como direito e dever, a busca da paz.

O enganoso termo da "FARC-política" foi uma invenção do criminoso paramilitar que foi presidente da República durante oito anos, como desesperado recurso para desviar a atenção sobre sua responsabilidade penal no caso da para-política.

O processo da parapolítica está referido aos votos e a proselitismo armado de grupos paramilitares a favor de umas candidaturas ao Congresso da República. O chefe paramilitar, Salvatore Mancuso, se ufanou em seu momento de que sua facção tinha logrado eleger mais do 30% dos congressistas colombianos. O paramilitarismo também contribuiu a eleger o presidente da República em duas oportunidades, através de pressões, fraudes eleitorais e financiamento em dólares.

Não pode haver processo de FARC-política porque nunca orientamos o povo a votar por Piedad Córdoba. Não participamos em debates eleitorais desde que la intransigência oligárquica do país massacrara a União Patriótica.

No intercâmbio epistolar mantido com a Senadora em torno à solução política do conflito, sempre manifestamos que um possível acordo de paz caso surja na mesa de conversações FARC-Governo deve ser referendado por uma Assembléia Nacional Constituinte, que lhe dei força constitucional, ao fim de que se assegure por essa via, a aclimatação da paz.

No Manifesto das FARC, documento no qual apresentamos a Plataforma Bolivariana pela Nova Colômbia, convidamos o país a trabalhar pela construção de uma alternativa política rumo à paz, propósito que hoje reiteramos.

A sanção contra Piedad Córdoba é imoral, injusta e, ditada pelos mais rasteiros interesses políticos. O país nacional, que enjoado do guerrerismo do Estado, anseia a paz, deve oferecer à Senadora a mais firme solidariedade e caminhar junto com ela de forma resoluta em pró da paz com justiça social. Se persiste a injustiça, ninguém poderá impedir que se levante na Colômbia um poderoso movimento pela paz liderado por seus filhos e filhas mais preclaros.

Como um gesto de humanidade e de desagravo à Senadora da paz, liberaremos os seguintes cinco prisioneiros de guerra: Maior da Polícia Guillermo Solórzano, Cabo do Exército Salín Sanmiguel, Infante de Marinha Henry López Martínez, e, os presidentes das Câmaras Municipais de São José del Guaviare, Marcos Vaquero e de Garzón (Estado do Huila) Armando Cuña, esses dois últimos investigados pelas FARC por corrupção.

A decisão está tomada e a data dependerá das garantias que ofereça o governo para que a Senadora Córdoba possa receber essas pessoas a serem liberadas.

Continuamos sem descanso na nossa luta pela Troca de prisioneiros de guerra. Não abandonaremos nosso propósito de buscar a liberação de Simón Trinidad -arquiteto do decoro e da firmeza do revolucionário fariano- e, o retorno de nossas e nossos combatentes, desde os cárceres do regime e do império aos acampamentos insurgentes. Para todas e todos eles nossa mensagem de alento e esperança.

Senadora Piedad Córdoba: compartilhamos com a senhora e com a imensa maioria de nossos compatriotas que a guerra não pode ser o futuro da Colômbia.

Secretariado do Estado Maior Central das FARC-EP

Montanhas da Colômbia, dezembro de 2010

Ato pela liberdade de Julian Assange

http://liberdadeparaassange.noblogs.org/ | CMI Brasil apoia Wikileaks e Julian Assange. | É impossível parar Wikileaks! | Por dentro do Wikileaks: a democracia passa pela transparência radical | Wikileaks mais uma vez desafia o Império | [Wikileaks] A velha mídia, como sempre, tenta tirar o foco do que é importante. | Wikileaks publica mais de 90 mil registros sobre a guerra no Afeganistão | Expor a verdade não é ilegal, a guerra que é!
complemente essa matéria

Um passo corajoso na direção da paz

O Brasil anunciou o reconhecimento de um Estado palestino nas fronteiras existentes antes da Guerra dos Seis Dias de junho de 1967. O reconhecimento do estado da Palestina é a melhor maneira de tirar do estancamento as negociações de paz, buscar a estabilidade na região e aliviar a crise humanitária por que passa boa parte do povo palestino. Ao mesmo tempo Brasília condena quaisquer atos terroristas, praticados sob qualquer pretexto. O artigo é de Max Altman.

Max Altman

Em resposta a um pedido feito pelo presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, o Brasil anunciou o reconhecimento de um Estado palestino nas fronteiras existentes antes da Guerra dos Seis Dias de junho de 1967. Trata-se da concretização da legítima aspiração do povo palestino a um Estado coeso, seguro, democrático e economicamente viável, coexistindo em paz com Israel. A iniciativa do governo Lula abre caminho e favorece as imprescindíveis negociações entre Israel e os palestinos a fim de que se alcance concessões mútuas sobre outras questões centrais do conflito. O reconhecimento do estado da Palestina é a melhor maneira de tirar do estancamento as negociações de paz, buscar a estabilidade na região e aliviar a crise humanitária por que passa boa parte do povo palestino. Ao mesmo tempo Brasília condena quaisquer atos terroristas, praticados sob qualquer pretexto.

Com uma vitória militar arrasadora na Guerra dos Seis Dias, Israel ampliou seu território, muito além do estabelecido pela Partilha da Palestina, em 1948. Já em novembro de 1967, o Conselho de Segurança da ONU votou a célebre resolução 242 que determina “que a efetivação dos princípios da Carta das Nações Unidas requer o estabelecimento de uma paz justa e duradoura no Oriente Médio que inclua a aplicação dos dois seguintes princípios:

1. Evacuação das forças armadas israelenses dos territórios ocupados no
conflito recente;

2. Encerramento de todas as reivindicações ou estados de beligerância e respeito pelo reconhecimento da soberania, integridade territorial e independência política de cada Estado da região e de seu direito a viver em paz dentro das fronteiras seguras e reconhecidas, livres de ameaças ou de atos de força.

Afirma ainda a necessidade de: a - Garantia de liberdade de navegação através das águas internacionais da área; b - Conseguir um acordo justo para o problema dos refugiados; c - Garantir a inviolabilidade territorial e independência política de cada Estado da região, através de medidas que incluam a criação de zonas desmilitarizadas.

Esta resolução jamais foi respeitada por Israel sempre contando com o apoio de Washington. Levantaram-se questões semânticas - o texto não dizia evacuação de “todos” os territórios ocupados – e depois infindáveis obstáculos geoestratégicos e de diversas outras ordens. Israel argumenta agora que o reconhecimento do Brasil viola o chamado “Acordo de Oslo 2” firmado entre o israelense Itzhak Rabin e o palestino Yasser Arafat em 28 de setembro de 1995, que prevê que o status final da Cisjordânia só poderá ser definido por meio de negociações diretas, portanto qualquer ação unilateral estaria vedada. Contudo, a história registra que poucas semanas depois da assinatura desse acordo em 4 de novembro de 1995, Rabin foi assassinado. Líderes de partidos de direita, incluído muitos membros do Knesset (Parlamento), foram acusados de incitação selvagem que levaram ao acontecimento.

As eleições de 1996 deram vitória ao partido de direita Likud, e Benjamin Netanyahu assumiu como primeiro-ministro, propondo-se a torpedear o Acordo de Oslo. O resultado do pleito trouxe de volta ao poder governantes que não estavam dispostos a continuar fazendo concessões em nome da paz. Em agosto de 1996, o governo anulou o decreto que proibia a expansão dos assentamentos judaicos na Cisjordânia.

A ocupação dos territórios palestinos já leva 43 anos. Só para citar um exemplo histórico, a Alemanha, responsável pela hecatombe da Segunda Guerra Mundial que vitimou dezenas de milhões de soldados e civis, que provocou no Holocausto o extermínio de 6 milhões de judeus, ocupada, após a sua capitulação pelas forças dos países Aliados, recuperou sua independência e integridade territorial 4 anos depois, em maio de 1949 – República Federal Alemã, e em outubro de 1949 – República Democrática Alemã. Já em 1990, após a que do Muro de Berlim houve a reunificação.

Muitos países que mantêm relações intensas com Israel reconhecem a Palestina bem como a esmagadora maioria dos países representados na OBU. A iniciativa brasileira é consentânea com a postura histórica e a disposição inalterada de contribuir com o processo de paz, estando em consonância com as resoluções das Nações Unidas que exigem o fim da ocupação dos territórios palestinos e a construção de um Estado independente dentro de fronteiras reconhecidas, aquelas anteriores à Guerra dos Seis Dias. É a defesa do princípio de “Dois Estados”

Posição histórica nesse sentido também é a do Partido dos Trabalhadores. Em meados dos anos 1990, membro do coletivo da Secretaria de Relações Internacionais, respeitando criteriosamente as teses defendidas pelo Partido, ajudamos a fundar, organizar e dirigir o Movimento Shalom Salam Paz. Esse movimento congregava brasileiros de ascendência judaica, sionistas e não sionistas, de esquerda e centro-esquerda, brasileiros de ascendência árabe, moderados e menos moderados, os de ascendência palestina e todos aqueles dispostos a lutar por uma paz justa e duradoura no Oriente Médio e em particular, entre Israel e os palestinos.

Foi extremamente difícil conciliar as posições, houve pressão das Federações judaica e árabe e do consulado de Israel, porém conseguiu-se aprovar os pontos básicos: desocupação dos territórios palestinos ocupados com a Guerra de 1967; respeito à Resolução 242 das Nações Unidas com o reconhecimento pelos palestinos do Estado de Israel com fronteiras demarcadas, reconhecidas internacionalmente, seguras e definitivas; criação do Estado palestino, laico e viável; estabelecimento de Jerusalém leste e oeste como capital de ambas as nações; reconhecimento do direito de retorno dentro de limites a serem acordados; direito de acesso à água definidos em acordo binacional; facilidade do direito de ir e vir e do comércio binacional.

Forças internacionais sob a égide da ONU garantiriam o cumprimento das decisões. O Shalom Salam Paz levou essas idéias a dezenas de faculdades e colégios, a diversas instituições, deu dezenas de entrevistas a jornais, rádios e televisões, participou de debates, esteve presente nos Fóruns Sociais Mundiais. O Partido dos Trabalhadores tem relações de camaradagem com partidos e organizações de esquerda, de centro-esquerda e progressistas de todo o mundo, inclusive de Israel. As pontes que deseja construir e manter devem ser alicerçadas em princípios comuns, de soberania, de auto-determinação dos povos, de relações fraternais entre povos e nações, de solução pacífica e justa para os confrontos internacionais.

Uma diabólica espiral de sangue e dor, com raros interregnos, tomou conta da região nas últimas décadas. Guerras convencionais, ações terroristas e retaliações terroristas sem fim e com teor cada vez mais cruel e aterrador atingindo pessoas inocentes, governos árabes massacrando palestinos, assassinato de Rabin, negociações de paz torpedeadas ao sabor de interesses estratégicos e de poder, massacre de Munique e chacina de Jenin, intifada um e dois.

Desde 1948, os palestinos estão condenados a viver submetidos a uma revoltante humilhação. Perderam suas terras, perderam a liberdade e nunca puderam formar e organizar seu Estado. Hoje o cerco se estreitou e se tornou cruel. Sem permissão, não têm acesso à agua, a alimentos, a medicamentos. Não têm empregos nem vida econômica normal. Não podem ir de Gaza à Cisjordania, seus dois pedaços de terra. Não lhes permitem circular extra-muros sem passar por vexaminosos controles. Gaza se transformou numa prisão quando seus habitantes votaram em quem seus vizinhos acharam que não deveriam ter votado.

A Palestina hoje é muito menor que a que sobrou da Guerra dos Seis Dias. Colônias são assentadas em suas terras e atrás vêm os soldados corrigindo a fronteira. Se os assentamentos não são suficientes, que se erga um muro comendo mais pedaços de terra. Se olharmos comparativamente os mapas vemos que pouca Palestina restou.

Sabemos que a atual composição do eleitorado israelense levou ao governo líderes que abraçam a solução de confronto e não reconhecimento de “Dois Estados” laicos e democráticos. Se de um lado, moralmente, não pode um povo que ao longo da história sofreu o que sofreu impor a outro povo sofrimentos que tem de sofrer, de outro, só a pressão dos povos e da comunidade internacional poderá levar as partes a uma séria mesa de negociações. Geograficamente – e isto é ineludível – Israel é território do Oriente Médio, tendo como vizinhos em todas as direções países árabes.

Não é possível sentar-se o tempo todo sobre a ponta da baioneta, ao preço de transformar a nação numa simples fortaleza. Inexoravelmente, vai ter de conviver no futuro, e pacificamente, com seus vizinhos.
Contudo, a comunidade internacional deve abandonar os discursos vazios, as declarações ardilosas, a indiferença, as manifestações altissonantes, comportamentos ambíguos que servem de amparo à impunidade. Que os países árabes deixem de lavar as mãos. Que países europeus, que durante séculos costumavam praticar a caça aos judeus e há décadas passaram a cobrar essa dívida histórica dos palestinos, ponham de lado a hipocrisia de derramar umas tantas lágrimas enquanto celebram secretamente outro lance de mestre. E que os Estados Unidos deixem a parcialidade e ajudem a construir a paz justa entre Israel e palestinos, que seguramente servirá para estendê-la a outros rincões da mesma região.

(*) Max Altman é jornalista

Julian Assange, falou com exclusividade ao Opera Mundi

Em entrevista, Assange nega acusações e diz que 'é fascinante ver os tentáculos da elite americana corrupta'

O fundador do site Wikileaks, Julian Assange, falou com exclusividade ao Opera Mundi nesta segunda-feira (06/12). Assange não escondeu a irritação com o congelamento de sua conta bancária na Suíça, por estar registrada em um endereço local, apesar de ele não morar mais no país europeu e com outras ações tomadas contra a organização desde o lançamento de documentos sigilosos de embaixadas dos Estados Unidos.

Ele se preparava para se apresentar à polícia britânica, o que aconteceu na manhã de hoje (07/12) em Londres. Assange é acusado de crimes sexuais na Suécia. A acusação não é clara, mas inclui a prática de sexo desprotegido com duas mulheres, na mesma época em dava uma palestra em Estocolmo. Desde o dia 18 de novembro, a justiça sueca expediu mandado de prisão com o objetivo de interrogá-lo por "suspeitas razoáveis de estupro, agressão sexual e coerção". O fundador do Wikileaks deve ser ouvido ainda hoje num tribunal de Westminster, na região central de Londres, onde será decidido se ele será extraditado à Suécia.

Nesse momento, quais acusações pesam sobre você?
São muitas as acusações. A mais séria é que eu e o nosso pessoal praticamos espionagem contra os EUA. Isso é falso. Também a famosa alegação de "estupro" na Suécia. Ela é falsa e vai acabar se extinguindo quando os fatos reais vierem à tona, mas até lá está sendo usada para atacar nossa reputação.

Sobre essa acusação de espionagem, há algum processo judicial correndo?
Não. É uma investigação formal envolvendo os diretores do FBI, da CIA e o advogado-geral norte-americano. A Austrália, meu país, também está conduzindo uma investigação do mesmo tipo - em que se junta todo o governo - e ao mesmo tempo estão asssessorando os EUA. Uma da fontes alegadas para essa investigação, Bradley Manning [militar acusado de ser a fonte do Wikileaks], está preso em confinamento solitário em uma cela na prisão no estado da Virginia, nos EUA. Ele pode pegar até 52 anos de prisão se for condenado por todas as acusações, que incluem espionagem.

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Qual a diferença entre o que faz o Wikileaks e espionagem?
O Wikileaks recebe material de "whistle-blowers" (pessoas que denunciam algo errado nas organizações onde trabalham) e jornalistas e os entrega ao público. Nos acusar de espionagem quer dizer que nós teriamos que trabalhar ativamente para adquirir o material e o repassar a um estrangeiro.

No caso da Suécia, o que as mulheres alegam?
Elas dizem que houve sexo consensual. O caso chegou a ser arquivado por 12 horas quando a procuradora-geral em Estocolmo, Eva Finne, leu os depoimentos. Depois foi reaberto, após uma articulação política. Todo esse caso é bastante perturbador. Agora, eles acabaram de congelar minha conta em um banco na Suíça, nosso fundo para pagar minha defesa.

Com base em quê?
Eles estão alegando que eu os coloco em risco. Mas não têm nada que sugira isso, e de qualquer forma isso é falso.

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E qual é a sua opinião sobre o congelamento de transferêcias de dinheiro pela empresa PayPal, e o fato de que a Amazon retirou o site do ar? Como você vê essas ações?
É fascinante ver os tentáculos da elite norte-americana corrupta. De certo modo, observar essa reação é tão importante quanto ver o material que publicamos. A Paypal e a Amazon congelaram nossas contas por razões políticas. Com o Paypal, 70 mil euros foram congelados. Com o nosso fundo de defesa, cerca de 31 mil euros.

O que eles alegam?
Eles dizem que estamos fazendo "atividades ilegais", o que é, claro, uma inverdade. Mas estão ecoando as acusações de Hillary Clinton [secretária de Estado norte-americana] sobre como publicamos documentos que podem causar transtornos aos EUA. Mesmo assim, o líder do comitê de segurança nacional no Senado disse com muito orgulho que ele havia ligado para a Amazon e exigido o fechamento no site.

O que o Wikileaks está fazendo para se defender do congelamento das doações?
Nós perdemos 100 mil euros somente nesta semana como resultado do congelamento dos pagamentos. Temos outras contas em bancos - na Islândia e Suécia, por exemplo, que o público pode usar. Estão em um site. Também aceitamos cartões de crédito.

O que mais o Wikileaks está fazendo para se defender?
Nós estamos contando com a diversidade e o apoio de boas pessoas. Temos mais de 350 sites pelo mundo que reproduzem nosso conteúdo. Precisamos disso mais do que nunca.


*Natália Viana é jornalista e colaboradora do Opera Mundi


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terça-feira, 7 de dezembro de 2010

No Brasil, de prisioneira a Presidente

Por Lally Weymouth

Tradução de Paula Marcondes e Josi Paz, revisão de Idelber Avelar.

Ter sido uma presa política lhe dá mais empatia com outros presos políticos?

Sem dúvida. Por ter experimentado a condição de presa política, tenho um compromisso histórico com todos aqueles que foram ou são prisioneiros somente por expressarem suas visões, sua opinião pública, suas próprias opiniões.

Então, isso afetará sua política em relação ao Irã, por exemplo? Por que o Brasil apóia um país que permite o apedrejamento de pessoas, que prende jornalistas?

Acredito que é necessário fazermos uma diferenciação no [que queremos dizer quando nos referimos ao Irã]. Eu considero [importante] a estratégia de construir a paz no Oriente Médio. O que vemos no Oriente Médio é a falência de uma política – de uma política de guerra. Estamos falando do Afeganistão e do desastre que foi a invasão ao Iraque. Não conseguimos construir a paz, nem resolver os problemas do Iraque. Hoje, o Iraque está em guerra civil. Todos os dias, morrem soldados dos dois lados. Tentar trazer a paz e não entrar em guerra é o melhor caminho.

[Mas] eu não endosso o apedrejamento. Eu não concordo com práticas que possuem características medievais [quando se trata de] mulheres. Não há nuances; não faço concessões nesse assunto.

O Brasil se absteve em votar na recente resolução sobre os direitos humanos na ONU .

Eu não sou Presidente do Brasil [hoje], mas eu me sentiria desconfortável, como mulher eleita Presidente, não dizendo nada contra o apedrejamento. Minha posição não vai mudar quando eu assumir o cargo. Eu não concordo com a forma em que o Brasil votou. Não é minha posição.

Muitos norte-americanos sentiram empatia pelo povo iraquiano que se rebelou nas ruas. Por isso me pergunto se sua posição sobre o Irã seria diferente daquela do seu atual Presidente, que possui boa relação com o regime iraquiano.

O Presidente Lula tem seu próprio histórico. Ele é um presidente que defendeu os direitos humanos, um presidente que sempre apoiou a construção da paz.

Como a Sra. vê a relação do Brasil com os EUA? Como gostaria de vê-la evoluir?

Considero a relação com os EUA muito importante para o Brasil. Tentarei estreitar os laços. Eu admirei muito a eleição do Presidente Obama. Acredito que os EUA revelaram uma grande capacidade de mostrar que são uma grande nação, e isso surpreendeu o mundo. Pode ser muito difícil ser capaz de eleger um Presidente negro nos os EUA - como era muito difícil eleger uma mulher Presidente do Brasil.

Eu acredito que os EUA têm uma grande contribuição a dar ao mundo. E, acima de tudo, acredito que o Brasil e os EUA têm um papel a cumprir juntos no mundo. Por exemplo, temos um grande potencial para trabalhar juntos na África, porque na África podemos construir uma parceria para disponibilizar tecnologias agrícolas, produção de biocombustíveis e ajuda humanitária em todos os campos.

Também acredito que, neste momento de grande instabilidade por causa da crise global, é fundamental que encontremos formas que garantam a recuperação das economias dos países desenvolvidos, porque isso é fundamental para a estabilidade do mundo. Nenhum de nós no Brasil ficará confortável se os EUA mantiverem altos índices de desemprego. A recuperação dos EUA é importante para o Brasil porque os EUA têm um mercado consumidor fantástico. Hoje, o maior superávit comercial dos EUA é com o Brasil.

A Sra. culpa o afrouxamento monetário[quantitative easing] por isso?

O afrouxamento monetário é um fato que nos preocupa muito, porque significa uma política de desvalorização do dólar que tem efeitos sobre o nosso comércio exterior e também na desvalorização da nossas reservas de divisas, que são em dólares. Para nós, uma política de dólar fraco não é compatível com o papel que os EUA têm, já que a moeda dos EUA serve como reserva internacional. E uma política sistemática de desvalorização do dólar pode provocar reações de protecionismo, que nunca é uma boa política a ser seguida.

Quando a Sra. planeja visitar os EUA? Sei que foi convidada para antes de sua posse, em 1º de janeiro, mas não podia ir.

Eu não estou aceitando os convites que recebo. Não estou visitando países estrangeiros. Tenho que montar o meu governo. Tenho 37 ministros para nomear. Estou planejando visitar o Presidente Barack Obama nos primeiros dias após minha posse, se ele me receber.

Então a Sra. convidará o Presidente Obama para vir ao Brasil?

Nós já o convidamos informalmente, durante a reunião do G-20.

Há preocupações na comunidade empresarial dos EUA sobre se o Brasil continuará o caminho econômico definido pelo Presidente Lula.

Não há dúvida sobre isso. Por quê? Porque para nós foi uma grande conquista do nosso país. Não é uma conquista de uma única administração - é uma conquista do Estado brasileiro, do povo de nosso país. O fato de que conseguimos controlar a inflação, ter um regime de câmbio flexível e ter a consolidação fiscal de forma que, hoje, estamos entre os países com a menor relação dívida / PIB do mundo. Além disso, temos um déficit não muito significativo. Não quero me gabar, mas temos um déficit de 2,2 por cento. Pretendemos, nos próximos quatro anos, reduzir a proporção dívida / PIB para garantir essa estabilidade inflacionária.

A Sra. disse publicamente que gostaria de ver as taxas de juro caírem. A Sra. irá cortar o orçamento ou reduzir o aumento anual de gastos do governo?

Não há como cortar as taxas de juros a menos que você reduza seu déficit fiscal. Somos muito cautelosos. Temos um objetivo em mente: que as nossas taxas de juros sejam convergentes com as taxas de juros internacionais. Para conseguir chegar lá, um dos pontos mais importantes é a redução da dívida pública. Outra questão importante é melhorar a competitividade de nossos setores agrícola e de manufatura. Também é muito importante que o Brasil racionalize seu sistema fiscal.

Se a Sra. quer baixar as taxas de juros, a Sra. tem que cortar os gastos ou aumentar a economia doméstica.

Você não pode se esquecer do crescimento econômico. Você tem que combinar muitas coisas.

Qual é seu plano?

Meu plano é continuar a trajetória que seguimos até aqui. Conseguimos reduzir nossa dívida de 60% para 42%. Nosso objetivo é atingir 30% do PIB. Eu preciso racionalizar os meus gastos e, ao mesmo tempo, ter um aumento do PIB, que leve o país adiante.

Então o que a Sra. quer dizer com "racionalizar gastos"?

Não estamos em uma recessão aqui. Nós não temos que cortar os gastos do governo. Nós vamos cortar despesas, mas vamos continuar a crescer.

Estamos seguindo um caminho muito especial. Este é um momento no qual o país está crescendo. Temos estabilidade macroeconômica e, ao mesmo tempo, muito orgulho do fato de que conseguimos reduzir a extrema pobreza no Brasil.

Trouxemos 36 milhões de pessoas para a classe média. Tiramos 28 milhões da pobreza extrema. Como conseguimos isso? Políticas de transferência de renda. O Bolsa Família é um dos maiores exemplos.

Explique como funciona o Bolsa Família.

Pagamos um estipêndio, que é uma renda para os pobres. Eles recebem um cartão e sacam o dinheiro, mas têm duas obrigações a cumprir: colocar seus filhos na escola e provar que eles comparecem a 80% das aulas. Ao mesmo tempo, as crianças também devem receber todas as vacinas e passar por uma avaliação médica quando recebem as vacinas. Esse foi um fator, mas não foi o único.

Criamos 15 milhões de novos empregos durante a administração do Presidente Lula. Este ano, já criamos 2 milhões de novos empregos.

A Sra. é tão próxima do Presidente Lula. Será mesmo diferente ou apenas uma continuação da administração dele?

Eu acredito que minha administração será diferente da do Presidente Lula. O governo do Presidente Lula, do qual fiz parte, construiu uma base a partir da qual vou avançar. Não vou repetir a administração dele porque a situação no país hoje é muito melhor do que era em 2002.

Eu tenho os programas governamentais em andamento, que ajudei a desenvolver, como o chamado Minha Casa, Minha Vida, que é um programa de habitação.

Meus desafios são outros. Vou ter que solucionar questões como a qualidade da saúde pública no Brasil. Vou ter que criar soluções para problemas de segurança pública.

O Brasil passou por mais de 30 anos sem investir em infra-estrutura em uma quantidade suficiente. O governo do Presidente Lula começou a mudar isso. Eu tenho que resolver as questões rodoviárias no Brasil, as ferrovias, as estradas, os portos e os aeroportos.

Mas há uma boa notícia: descobrimos petróleo em águas profundas.

A Sra. está sugerindo que essa descoberta irá financiar a infra-estrutura?

Criamos um Fundo Social [no qual] alguns dos recursos do governo oriundos da descoberta do petróleo serão investidos em educação, saúde, ciência e tecnologia.

A Sra. tem que preparar o pais para a Copa do Mundo e para as Olimpíadas.

Sim, mas eu também tenho outro compromisso, que é acabar com a pobreza absoluta no Brasil. Nós ainda temos 14 milhões na pobreza. Esse é meu maior desafio.

Todos os empresários que conheci em São Paulo disseram que precisam estar muito preparados para as reuniões com a Sra., porque a Sra. conhece bem a maioria dos projetos.

Sim, é verdade. Eu acho que é uma característica feminina. Nós apreciamos os detalhes. Eles, não.

O que significa, para a Sra., ser a primeira mulher Presidente do Brasil?

Até eu acho incrível.

Quando a Sra. decidiu que queria ser Presidente?

Foi um processo. Não há uma data. Comecei a trabalhar com o Presidente Lula e ele começou a dar algumas dicas sobre eu vir a ser indicada à presidência, mas ele não foi claro no começo. Foi uma grande honra para mim, mas eu não estava esperando.

A partir do momento que ficou claro para mim que eu seria indicada, dois anos atrás, eu sabia que tínhamos criado as condições adequadas para tornar possível a vitória nas eleições. O Presidente Lula teve uma excelente administração e o povo brasileiro reconheceu e admitiu isso. Somos uma administração diferente - nós ouvimos o povo.

A Sra. recentemente lutou contra o câncer.

Sim, mas acredito que consegui lidar bem com isso. As pessoas têm que saber que o câncer pode ser curado. Quanto mais cedo você descobre, melhores suas possibilidades de cura. É por isso que a prevenção é importante. . . .

Acredito que o Brasil estava preparado para eleger uma mulher. Por quê? Porque as mulheres brasileiras conquistaram isso. Eu não cheguei aqui sozinha, só pelos meus méritos. Somos a maioria neste país.


PS: Original em inglês aqui. Todos os textos d'O Biscoito Fino e a Massa estão licenciados em Creative Commons. Ou seja, você pode reproduzi-los à vontade, desde que com correta atribuição de autoria (ou de tradução, conforme o caso). e link para a fonte.

Fonte: Assessoria de Imprensa

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Videos Inéditos de Simón Trinidad desde la cárcel en EEUU


--
"Do Império brutal já se sente o final,
com os braços da América toda,
aos povos a paz e a felicidade,
socialista o futuro será"

(do hino das FARC-EP)


http://www.youtube.com/user/bolivarsomostodos

http://www.youtube.com/user/bolivarsomostodos


quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Uribe é denunciado na Colômbia por crimes de lesa humanidade

O ex-presidente colombiano Álvaro Uribe foi denunciado penalmente perante a Comissão de Investigação e Acusação da Câmara de Representantes por crimes de lesa humanidade.
A demanda foi interposta por um grupo de 35 pessoas e organizações não governamentais, vítimas de espionagem ilegal por parte do Departamento Administrativo de Segurança (DAS, policía secreta) durante o governo de Uribe (2002-2010).

Na denúncia, as vítimas do DAS alegam que o sucedido nessa controvertida instituição seguiu diretrizes desde a Presidência contra mais de 300 pessoas e com pleno conhecimento dol ex- mandatário.

Assim o demonstram a coerência entre os discursos presidenciais de Uribe que atacavam aqueles que ao mesmo tempo estavam sendo objeto de perseguições ilegais, grampos telefônicos sem ordem judicial, ameaças e campanhas de desprestígio. A isso se somam as atividades de inteligência e contra-insurgência do DAS.

Para os denunciantes, é claro que os crímes cometidos pela polícia secreta, subordinada diretamente ao presidente, constituem perseguição política e tortura psicológica, delitos considerados como de lesa humanidade.

"Fomos submetidos a espionagem e a tortura psicológica e todas as provas apontam para Álvaro Uribe como autor”, afirmou o diretor do semanário “Voz”, Carlos Lozano, vítima de perseguições e grampos telefônicos.

Por seu turno, a jornalista Claudia Julieta Duque sustentou que a tortura psicológica foi extensiva às famílias.

Na atualidade, Uribe está sendo investigado preliminarmente por essa comissão há várias semanas devido ao escândalo pela espionagem de magistrados, oposicionistas, ex-funcionários, políticos, jornalistas e ativistas de organizações defensoras dos direitos humanos.
Sin embargo, los denunciantes consideran que dicha investigación se adelanta a espaldas del país y de las víctimas, y desconoce las pruebas existentes en distintos procesos disciplinarios y penales en torno al caso.

"São muitas as provas de que o ex-presidente Uribe cometeu delitos”, sublinhou o diretor de “Voz”, Lozano.

Entre os que assinam a denúncia, além das pessoas já mencionadas, encontram-se Clara López, presidente do partido oposicionista Polo Democrático Alternativo; a ex-senadora liberal Piedad Córdoba e o deputado Iván Cepeda.

También figuram entre os denunciantes o jornalista Hollman Morris; o ex-magistrado e ex- candidato presidencial Jaime Araújo Rentaría; membros de organizações como a Ordem dos Advogados, José Alvear Restrepo, e a Consultoria para os Direitos Humanos.

Fonte: Prensa Latina

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Megavazamento de documentos deixa exposta a diplomacia dos EUA

Um gigantesco vazamento de documentos sigilosos americanos, que começaram a ser divulgados ontem, expôs práticas condenáveis de Washington, revelou segredos sobre aliados e deve prejudicar a relação dos EUA com vários países. O governo americano criticou o vazamento e diz que ele coloca em risco a vida de muitas pessoas.

A notícia é do jornal Valor, 29-11-2010.

Os documentos mostram, por exemplo, que o governo dos EUA ordenou que dirigentes da ONU fossem espionados. E confirmam que países árabes pressionam para que os EUA ataquem o Irã e destruam o seu programa nuclear.

O vazamento de cerca de 250 mil documentos sigilosos, em geral comunicações entre o Departamento de Estado e as embaixadas americanas pelo mundo, é inédito e possivelmente constitui o maior fiasco da história da diplomacia americana. O ministro das Relações Exteriores da Itália, Franco Frattini, disse tratar-se de um 11 de setembro diplomático, comparando o impacto do vazamento aos atentados terroristas de 2001.

Os documentos foram copiados por um militar americano, que os repassou à ONG Wikileaks, com sede na Suécia, que se dedica a divulgar documentos confidenciais. A ONG os repassou, para que fossem analisados, aos jornais "The New York Times" (EUA), "The Guardian" (Reino Unido), "Le Monde" (França) e "El País" (Espanha), e à revista alemã "Der Spiegel". Só esses veículos tiveram acesso ao conjunto dos documentos. E começaram a divulgá-los ontem.

No material revelado até agora, há poucas menções à América Latina. O caso mais curioso é a missão, atribuída à embaixada americana em Assunção, de reunir dados físicos sobre os candidatos nas últimas eleições presidenciais no país, em 2008. O despacho pede informações sobre quatro candidatos, incluindo o atual presidente Fernando Lugo. São solicitados dados biométricos, impressões digitais, scanner da íris e até amostra de DNA. Não se sabe se os dados foram obtidos e enviados.

Esse caso ilustra como o serviço diplomático americano costuma ser solicitado por Washington a extrapolar suas funções e atuar no limite da espionagem. O Departamento de Estado reagiu a essas revelações e afirmou: "Nossos diplomatas são só isso, diplomatas."

As principais citações ao Brasil, nos documento divulgados, dizem respeito à preocupação com possível atividade de terroristas islâmicos na região da Tríplice Fronteira, com Argentina e Paraguai. Segundo o Wikileaks, há cerca de 3 mil despachos originados do Brasil, sendo 1.947 de Brasília e 786 de São Paulo. O país também é citado pela relação com o venezuelano Hugo Chávez. Num despacho da França, um assessor do presidente Nicolas Sarkozy chama Chávez de louco e diz que nem o Brasil consegue mais apoiá-lo.

O "El País" promete divulgar hoje detalhes sobre as suspeitas que a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, desperta em Washington, "ao ponto de a secretária de Estado [Hillary Clinton] chegar a pedir informações sobre o estado de saúde mental" de Cristina.

Os despachos vazados, classificados como confidenciais e secretos (ainda não saiu nada "top secret") pelo governo americano, dizem respeito principalmente aos governos Bush e Obama. Mas há documentos anteriores.

O jornal espanhol diz que há menção a casos de corrupção em escala planetária, que poderiam envolver líderes estrangeiros.

Além disso, há avaliações de líderes estrangeiros que devem causar constrangimento aos EUA. A primeira-ministra alemã, Angela Merkel, é descrita num despacho da embaixada americana em Berlim como sendo avessa ao risco e "raramente criativa". Já o premiê italiano, Silvio Berlusconi, é tratado como um testa-de-ferro do premiê russo, Vladimir Putin, e há menção a suas "festas selvagens". Berlusconi está acuado na Itália por vários escândalos envolvendo festas com garotas de programa.

Uma das práticas mais embaraçosas reveladas pelos documentos indicam a determinação de Hillary Clinton para que altos funcionários da ONU, inclusive o secretário-geral Ban Ki-moon, fossem espionados por diplomatas americanas nas Nações Unidas. Pede-se que sejam levantados dados pessoais desses funcionários, como número de plano de milhagem de companhias aéreas, modelo de aparelhos celulares e operadoras de telefonia que eles usam (o que sugere a possibilidade de grampo).

Outra revelação embaraçosa diz respeito à pressão de líderes árabes para que os EUA ataquem o Irã e destruam o programa nuclear iraniano, considerado pelos árabes como ameaça à segurança regional. Despachos citam a insistência do rei Adbullah, da Arábia Saudita, em "cortar a cabeça da serpente". Nenhum governo árabe admite isso em público, até porque isso significaria se alinhar com Israel.

Mas documentos revelam ainda a hesitação americana. O secretário de Defesa, Robert Gates, é citado ao dizer que um ataque ao Irã apenas atrasaria de um a três anos o programa nuclear iraniano.

Já a embaixada americana em Pequim relata ter obtido de um informante a confirmação de que a direção do Partido Comunista ordenou um ataque a computadores nos EUA, inclusive de órgãos do governo. O governo chinês nega.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Reflexão de Fidel sobre Evo: "Nunca um discurso foi tão oportuno"

Há momentos na história que exigem um discurso, ainda que tão breve quanto “Alea jacta est”, de Júlio César quando atravessou o Rubicão. Teve que atravessá-lo nesse dia, justamente quando os ministros da defesa dos Estados soberanos do Hemisfério Ocidental estavam reunidos na cidade de Santa Cruz, onde os ianques têm encorajado o separatismo e a desintegração da Bolívia.

Era segunda-feira e as agências de notícias estavam dedicadas à divulgação e comentários sobre a reunião da Otan [Organização dos países do Tratado Atlântico Norte] em Lisboa, onde essa instituição belicosa, em linguagem arrogante e rude, proclamou seu direito de intervir em qualquer parte do mundo onde sentirem ameaçados os seus interesses.

Ignorava-se por completo o destino de milhares de milhões de pessoas, e as verdadeiras causas da pobreza e do sofrimento da maioria dos habitantes do planeta. O cinismo da Otan merecia uma resposta, e ela veio na voz de um índio aymara da Bolívia, no coração da América do Sul, onde uma civilização mais humana floresceu antes que a conquista, o colonialismo, o desenvolvimento capitalista e o imperialismo impusessem a lei da força bruta, com base no poder das armas e das tecnologias desenvolvidas.

Evo Morales, presidente do país, eleito pela grande maioria do seu povo, com argumentos, dados e realizações irrefutáveis, talvez até mesmo sem conhecer o infame documento da Otan, deu resposta à política que o governo dos EUA pratica historicamente com os povos da América Latina e no Caribe.

A política de poder, expressa através de guerras, crimes, violações da Constituição e das leis; envolvimento de oficiais das forças armadas em conspirações, golpes de Estado, crimes políticos que foram usados para derrubar governos progressistas e instalar regimes de força aos quais sistematicamente oferecem apoio político, militar e da mídia.

Nunca um discurso foi tão oportuno.

Usando muitas vezes as formas expressivas de sua língua aymara, disse verdades que passarão à história.

Tentarei sintetizar, utilizando suas próprias palavras e frases, o que ele disse:

"Obrigado".

"É uma grande satisfação em receber em Santa Cruz de la Sierra os ministros e ministras de Defesa da América, Santa Cruz, terra de Ignacio Warnes, Juan Manuel José Vaca, homens rebeldes de 1810, que lutaram e deram suas vidas pela independência da nossa querida Bolívia".

"Homens como Andrés Ibáñez, Atahuallpa Tumpa, irmão indígenas que durante a república lutaram pela sua autonomia e pela igualdade dos povos em nossa terra".

"Bem-vindos à Bolívia, terra de Tupac Katari, terra de Bartolina Sisa, de Simon Bolívar e de tantos homens que deram a sua luta por 200 anos pela independência da Bolívia e de muitos países na América".

"A América Latina vive [...] profundas transformações democráticas nos últimos anos, buscando a igualdade e a dignidade dos povos ...".

"... seguindo os passos de Antonio José de Sucre, Simón Bolívar, de vários líderes indígenas, mestiços, crioulos, que viveram há 200 anos".

"Há exatamente uma semana atrás, celebramos o bicentenário do Exército da Bolívia: em 14 novembro de 1810, índios, mestiços e criollos se organizaram militarmente para lutar contra a dominação espanhola ...".

"Nos últimos anos a América Latina retoma essa decisão de se libertar, como uma segunda libertação, não só social ou cultural, mas econômica e financeira, dos povos da América Latina".

"... esta IX Conferência de Ministros da Defesa debate gênero e multiculturalidade nas forças armadas, democracia, paz e segurança nas Américas, desastres naturais, assistência humanitária e o papel das forças armadas, um temário acertado, uma agenda bem colocada para discutir a esperança do povo, não apenas da América, mas do mundo ".

"Em 1985 [...] só tinham o direito de ser eleito ou eleger autoridades quem tinha dinheiro, quem tinha profissão e quem falava espanhol ou castelhano".

"Menos de 10 por cento da população da Bolívia poderia, portanto, participar sendo eleita ou elegendo autoridades, e mais de 90 por cento não tinham direito [...] tem havido diferentes processos [...] algumas reformas, mas no ano de 2009, pela primeira vez com a participação do povo boliviano, uma nova Constituição do Estado Plurinacional foi aprovada pelo povo boliviano".

"... Nesta nova Constituição, é claro, entram os setores mais marginalizados [...] que não tinham o direito de ser eleito ou eleger as autoridades do Estado da República da Bolívia".

"Tivemos que gastar mais de 180 anos para fazer mudanças profundas e incorporar esses setores historicamente marginalizados na Bolívia e, espero estar enganado, mas acho que é o único país, não só na América, mas o mundo, que tem 50 por cento de mulheres ministras e 50 por cento de homens."

"É claro que, além das regras, da Constituição [...] sinto que o mais importante é a decisão política de incorporar os setores mais abandonados; após a Constituição aprovada pelo povo boliviano em 2009, agora os mais marginalizados, os mais desprezados, os que eram considerados como animais, que era o movimento indígena, têm sua representação na Assembléia Legislativa Plurinacional, bem como nas assembléias departamentais".

"Algo importante, para os movimentos indígenas que não têm muita população foram criados distritos especiais para a presença de irmãos indígenas de regiões montanhosas, dos vales, do leste da Bolívia".

"Os distritos uninominais também permitem os irmãos indígenas terem sua representação na Assembléia Legislativa Plurinacional ...".

"Desta forma, permitimos que a presença destes irmãos indígenas que estavam abandonados, condenados ao extermínio".

"... Isso não havia antes ...".

"... Quando eu era muito jovem, como líder sindical, muitas vezes me opus às forças armadas e, quando chego à presidência, eu percebo que boa parte das forças armadas vêm das comunidades rurais do vale em especial ..."

"Quero dizer a vocês, queridos ministros, ministras, que nunca houve participação como agora. Anteriormente apenas a cor da pele determinava a hierarquia da sociedade, agora, um índio, agora o dirigente de um sindicato, um intelectual, um profissional, um líder empresarial, um militar, um general, democraticamente qualquer um pode ser presidente, antes não havia essa possibilidade, de mudar tanto a Bolívia e a nossa Constituição”.

"Quando esta conferência debate apenas segurança, democracia e paz... rever a história, alterar a legislação, é muito emocionante para mim, é um prazer revisar não só por revisar, mas mudar a democracia na América Latina, a segurança, a paz, na América ou o mundo”.

"Se falarmos da democracia na história da Bolívia, no passado havia apenas uma democracia pactuada, não havia nenhum partido que poderia ganhar com mais do que 50 por cento dos votos, como diz a Constituição do Estado Plurinacional ...".

"... Na Bolívia, até 2005, desde 1952, dos anos 50, só havia democracias pactuadas, os partidos venciam com 20 por cento, com 30 por cento ...".

"Um partido que ocupasse o terceiro lugar poderia ser presidente, a depender das alianças e da distribuição dos ministérios, este tipo de aliança era alinhada com o embaixador dos EUA. Nossas compatriotas irmãs, irmãos bolivianos, devem se lembrar, por exemplo de 2002, quando não houve um vencedor com mais de 50 por cento - o partido que obteve mais votos ganhou com 21 por cento - e lá estava o ex-embaixador dos EUA, Manuel Rocha, juntando, unindo os partidos neoliberais para que pudessem governar, e os governos não duraram, não agüentaram”.

"Esse tipo de democracia, felizmente, graças à consciência do povo boliviano, superamos, não temos mais uma democracia pactuada, mas uma democracia legítima a partir sentimento povo boliviano, que acompanha um pensamento, um sentimento que vem do sofrimento dos povos expresso em um programa do governo".

"... Um programa de dignificação dos bolivianos, um programa que busca a igualdade dos bolivianos e bolivianas, um programa que recupera seus recursos naturais, um programa que permite que os serviços básicos sejam um direito humano...".

"... Quando alguns dos nossos adversários - como vocês, em cada país, têm a sua oposição – nos dizem um governo totalitário, um governo autoritário, um governo ditador, que culpa eu tenho se esse programa de governo proposto por um partido tem mais de dois terços em diferentes estruturas do Estado Plurinacional? Só não pude ganhar a prefeitura da cidade de Santa Cruz”.

"Quanto ao nosso prefeito, o respeitamos. Nos ganharam, mas eu cumprimento o senhor prefeito pelas ações que ele fez na semana passada para combater o ágio, a especulação [...] Felicidades, meu respeito, senhor prefeito ...".

"E alguns dizem que temos pensamento único, não há pensamento único, só um programa trabalhado com diferentes setores sociais, encabeçados pelos movimentos sociais tradicionais e de trabalhadores consegue esse apoio para mudar a Bolívia”.

"Mas o que nós enfrentamos no caminho, se falamos de democracia, foi conspiração, golpe de Estado, tentativa de golpe de Estado em 2008 [...], cujo coordenador foi o ex-embaixador dos EUA”.

"Eu estava revendo algo da história [...]sobre o golpe de Estado de 1964, quando o presidente era o tenente-coronel Gualberto Villarroel, que disse, como presidente: ‘não sou inimigo dos ricos, mas eu sou mais amigo dos pobres’, o militar patriota foi o primeiro presidente que convocou um congresso indígena”.

"Outro presidente, Germain Bush, disse que não chegou à presidência para servir aos capitalistas. Um militar”.

"O primeiro presidente que nacionalizou os recursos naturais foi um outro oficial, David Toro. Eu estou falando de 1937 ou 38 [...] em 1946 ele foi atacado, ele foi assassinado no palácio".

"... a ofensiva concentrou-se no Palacio Quemado, que fica na mira da rua Illimani, da esquina Bolívar, da Rua do Comércio, da polícia, da parte de trás do edifício de La Salle e da construção Kersul, onde fica o consulado dos Estados Unidos".

"... o fogo vinha do edifício Kersul, do consulado dos EUA, contra o militar patriota que garantiu o primeiro congresso indígena... do consulado dos Estados Unidos, metralharam, atirando para acabar com a vida de um militar, há documentos que relatam”.

"... A história se repete, eu tive que enfrentar um embaixador organizando, planejando acabar meu mandato anti-democraticamente, e eu sinto que isso se repete em todo o mundo”.

"Mas um companheiro, um compatriota nosso, vítima de muitos golpes militares, me disse, ‘presidente Evo, cuidado com a embaixada dos Estados Unidos, houve golpes de Estado em toda a América Latina’, e me disse que só não há um golpe nos Estados Unidos porque não há embaixada dos Estados Unidos. Realmente chego a entender que a história não ouve a verdade dos golpes de Estado”.

"... Nós, os países que enfrentamos tentativas de golpe em 2002 na Venezuela, em 2008 na Bolívia, em 2009 em Honduras e em 2010 no Equador, temos que reconhecer, compatriotas latino-americanos ou da América, que os Estados Unidos venceram em Honduras, que consolidaram o golpe, o império dos EUA ganhou, mas também o povo da América, na Venezuela, na Bolívia e no Equador, venceu. [...] O que será no futuro, nós veremos no futuro".

"... Esta avaliação interna deve ser uma discussão aprofundada dos ministros da Defesa para garantir a democracia [...] meus antepassados, meu povo, têm sido permanentemente vítimas de golpes de Estado, golpes sangrentos, não porque assim queriam os militares, as forças armadas, mas por decisões políticas internas e externas para acabar com os governos revolucionários, com os governos que partem do povo, assim é a história da América Latina".

"... Nós temos o direito de pautar como garantir a democracia em cada país, mas sem golpes ou tentativas de golpes”.

"Queríamos que esta conferência de ministros e ministros da Defesa garantisse uma verdadeira democracia dos povos, respeitando as nossas diferenças de região para região, de segmento para segmento”.

"Mas quando falamos de paz, eu pergunto como pode haver paz se há bases militares. E posso falar disso com algum conhecimento, porque eu tenho sido vítima de tais bases militares dos EUA, a pretexto de combater o tráfico de drogas”.

"Quando eu era um soldado raso das Forças Armadas de 1978, os oficiais e suboficiais me ensinaram a defender a pátria, as Forças Armadas têm que defender a pátria, os militares não podem permitir que qualquer militar estrangeiro uniformizado e armado permaneça na Bolívia”.

"... Quando eu me tornei líder, pessoalmente, testemunho que não só a DEA [Departamento Antidrogas dos EUA] uniformizada e armada conduzia as Forças Armadas ou a Polícia Nacional, mas também, com sua metralhadora, sob o pretexto do combate ao tráfico de drogas, combatia os movimentos sociais, perseguia com seus aviões as marchas de Santa Cruz, de Cochabamba, de Oruro, e não podiam nos encontrar nem com seus aviões, e diziam que eram marchas fantasmas... que marchar fantasmas! Chegavam milhares de companheiros trazendo reivindicações e buscando a dignidade e a soberania do nossos povos".
"... estou convencido de que, se nossos povos lutam por essa dignidade, por essa soberania, não se pode deixar fazer essas coisas com bases militares ou intervenções militares. Todos nós, por menores que sejamos, os países chamados subdesenvolvidos, países em via de desenvolvimento, temos soberania. Além do mais, quando eu estava no parlamento, tentaram me fazer aprovar a imunidade para os membros da embaixada dos EUA”.

"O que é imunidade?,Que os funcionários da embaixada dos EUA, incluindo o DEA, se cometerem um crime não serão julgados de acordo com as leis bolivianas, era uma carta aberta para matar, ferir, como fizeram na minha região."

"... A paz é a filha legítima da igualdade, da dignidade, da justiça social, se não há dignidade, se não há igualdade, se não há justiça social, não podemos garantir a paz, de onde se vai garantir? Porque há povos que se rebelam porque há injustiça".

"... ouvi o nosso secretário-geral das Nações Unidas falar sobre doutrinas, as doutrinas que conhecemos na Bolívia são doutrinas anti-comunistas de intervir militarmente nos centros de mineração, porque os movimentos sociais, os centros mineiros, eram os grandes revolucionários da transformação da Bolívia”.

"Nas décadas de 50, 60, acusavam-nos de comunistas, de “vermelhos” aos dirigentes sindicais do setor de mineração, e éramos presos, exilados, processados, massacrados. Esse tempo passou, e neste momento já não podem acusar-nos de vermelhos ou comunistas, todos têm direito de pensar diferente”.

"Se para um país, para uma região, a solução é o comunismo, tudo bem, se para outro país é o socialismo, tudo bem, para outro país, o capitalismo, tudo bem, é a decisão democrática de um país”.

"Mas agora que nós ganhamos essa luta, que não podem mais justificar uma doutrina anti-comunista para calar as pessoas, para mudar de presidente, para mudar os governos, vêm com outra doutrina, a guerra contra as drogas”.

"É claro que é obrigação de nós todos o combate às drogas [...] a Bolívia não é a cultura da droga, a Bolívia não é a cultura da cocaína, mas de onde vem a cocaína? Do mercado de países desenvolvidos, que não é de responsabilidade do governo nacional, que no entanto é forçado a combater".

"... Por trás da luta contra o tráfico de drogas não podem haver interesses geopolíticos, pois a pretexto de combater o tráfico de drogas, demonizam os movimentos sociais, criminalizam os movimentos sociais, confundem coca com cocaína, confundem o produtor de folha de coca com o traficante, ou o consumo legal da folha de coca com a dependência das drogas”.

"Por que não lutaram contra a coca antes, no século passado, se a coca faz mal, os europeus foram os primeiros proprietários a explorar a folha de coca, provavelmente faziam também cocaína”.

"Os governos dos Estados Unidos antes davam certificados de reconhecimento para os melhores produtores de folha de coca, por quê? Para que esse produtor de folha de coca pudesse atender aos mineiros, que exploravam o estanho. A intenção era levar esse estanho para os Estados Unidos”.

"... O mundo sabe, você sabe, a chamada guerra contra as drogas fracassou. Há que se mudar essas políticas, é claro. Uma nova política, por exemplo, para acabar com o sigilo bancário, ou os grandes traficantes, os peixes grandes do narcotráfico, andam carregado seu dinheiro na mochila, viajando de avião, não, circulam nos bancos. Por que não pôr fim ao sigilo bancário para acabar com a droga, para controlar o traficante de drogas?”.

"Por que não cada país defender a entrada de drogas no seu próprio país? Com as tecnologias de radar, eu sinto que há capacidade de controlar. Mas não podemos controlar, isso é somente um pretexto, o de combater tráfico de drogas, para que se apliquem políticas de controle sobre todos, especialmente voltadas para tomar os recursos naturais para as corporações transnacionais. "

"... O ex-embaixador dos Estados Unidos, Manuel Rocha, disse: ‘não votem em Evo Morales, Evo Morales é o Bin Laden andino e os cocaleiros, os talibans’”.

"Isso é, caros ministros, ministras da Defesa, vocês que concordam com esse tipo de doutrina estão neste momento reunidos com o Bin Laden andino e meus companheiros dos movimentos sociais, os talibans, segundo tais acusações e tergiversações".

"... Agora que já não podem sustentar essas teses e doutrinas anti-comunistas e anti-terroristas, há uma nova doutrina que ouvimos há dias, e aproveito esta oportunidade para informar ao meu povo através dos meios de comunicação”.

"Em 17 de novembro, em uma reunião de alguns latino-americanos e alguns congressistas dos EUA, nos Estados Unidos, em um fórum que se chamou ‘o perigo dos Andes, as ameaças à democracia, aos direitos humanos e à segurança norte-americana’...”.

"...a congressista Ileana Ros-Lehtinen, disse: ‘nos últimos anos temos observado com preocupação os esforços de diversos governantes na região, como Hugo Chávez na Venezuela, Evo Morales na Bolívia, Daniel Ortega na Nicarágua, Rafael Correa no Equador, para consolidar seu poder a qualquer custo necessário. Os membros da aliança Alba, com Chávez na cabeça, um após o outro, manipulam o sistema democrático nos seus países para servir aos seus próprios objetivos autocráticos”.

"É o caso de dizer a essa congressista que não vencemos, como nos Estados Unidos, com uma diferença de um por cento, dois por cento; aqui ganhamos com mais do que 50, ou 60 por cento, e em algumas regiões mais de 80 por cento, isso que é uma verdadeira democracia”.
"Disse sobre a agenda de Daniel Ortega, da agenda de coca impulsionada pelo presidente Evo Morales, que é uma aliança que está nascendo com o Irã e a Rússia, sobre o Rafael Correa e as reformas constitucionais de conteúdo duvidoso, anti-americano”.

"... A Bolívia sob minha direção tem acordos, alianças com o mundo inteiro, ninguém vai proibir o nosso direito, nós somos a cultura do diálogo".

"...sem parceiros estáveis, democráticos, não pode haver segurança regional. Os Estados Unidos também buscam segurança nacional, e como tal, agora mais que nunca é hora da América decidir entre apoiar os seus inimigos ou enfraquecer os seus inimigos. Por isso, agora é a hora para o Organização dos Estados Americanos absolver o seu legado de duplos padrões e, finalmente, fazer cumprir a todos os Estados-Membros seus princípios e obrigações da Carta Democrática Interamericana, deverá também rever a Carta Interamericana”.

"O segundo congressista (está falando de Connie Mack, e explica as suas ideias com estas palavras), eu tenho toda a redação, toda a intervenção, mas para ganhar tempo, para resumir, reproduzo a declaração que diz: ‘eu quero fazer algumas observações, nos últimos seis anos como membro do Congresso, francamente, eu vi as duas administrações: o governo republicano e o governo democrata”.

"Nessa linha, eu creio que essa ideia que ambas as administrações têm tido em relação a Hugo Chávez, são: a de não intervir, de sentar e deixá-lo implodir a si mesmo, e outro pensamento é que, talvez, Hugo Chávez esteja louco’, e ele disse: ‘eu não caio em nenhuma dessas noções, eu não acho que Hugo Chávez esteja louco, e não acho que o enfoque de que o deixemos que se imploda vai funcionar, Hugo Chávez é uma ameaça à liberdade e à democracia na América Latina e ao redor do mundo".

"...Isto é o que mais me preocupa, espero que ao nos tornarmos a próxima maioria no próximo Congresso, como presidente do subcomitê façamos exatamente isso, nos encarreguemos de Chávez. Derrotar politicamente ou fisicamente".

Em seguida Evo diz:

"Eu diria que esse congressista Connie Mack já é um assassino confesso ou um conspirador confesso do companheiro irmão presidente da Venezuela, Hugo Chávez”.

"Se algo acontecer com a vida de Hugo Chávez é da exclusiva responsabilidade desse congressista dos Estados Unidos, ele disse publicamente e está por escrito na mídia e em seu discurso".

"Camarada, irmão secretário-geral da OEA, você tem que expulsar a Venezuela, o Equador e a Bolívia, e um outro lugar, disse o congressista, a Nicarágua, e aplicar sanções. O que significa? Um bloqueio econômico como o de Cuba, seguramente".

"Penso que é a isso a que se referem as sanções, então como podem alguns países da América garantir a segurança, a paz, quando há as abordagens assim de alguns parlamentares, alguns latino-americanos?”.

"Eu estava verificando por qual motivo, por que Cuba foi expulsa em 1962. Por ser leninista, marxista e comunista, expulsaram Cuba da OEA. Agora a nova doutrina é uma doutrina anti-Alba e os seus países organizados. Cumprimentamos Fidel, cumprimentamos Chávez, e outros presidentes, por construírem um instrumento como a Alba, um instrumento de integração, de solidariedade, solidariedade incondicional, que partilha em vez de competir, que pratica políticas de complementaridade e não de competição”.

"... Nessa concorrência só se beneficiam pequenos grupos e não as maiorias que têm expectativas em seus presidentes”.

"Dentro dessa política de concorrência e não de complementaridade, nem o capitalismo é mais uma solução para o capitalismo, por isso há crise financeira”.

"... A nova doutrina não é como antes, quando vinham as doutrinas da escola do Panamá e o comando Sul entregava aos nossos militares; eles acabaram com isso por causa das lutas dos povos. Agora não há a escola das Américas, então o que há ? A nova doutrina é implementada por meio de operações conjuntas das forças especiais ".

"... Eu admiro alguns de meus oficiais militares que relataram em detalhes sobre os treinamentos que fazem a cada ano numa base rotativa nos diferentes países da América. Para o quê? Para ensiná-los como acabar com tais países revolucionários, países que estão fazendo mudanças democráticas profundas, treinamentos inclusive para praticar ou ensinar aos franco atiradores que matem os líderes”.

"...Com grande indignação eu havia visto algumas imagens dessas operações conjuntas das forças especiais que vão rodando em cada povo. É claro que a Bolívia não está mais envolvida e não estará envolvida enquanto eu for presidente, deste tipo de operações conjuntas que atacam a democracia”.

"... Para o movimento indígena [...] este planeta, ou a Mãe Terra, que chamam de Pachamama, pode existir sem o ser humano, mas o ser humano não podem viver sem o planeta, a Pachamama".

“... o capitalismo não é a propriedade privada, porque às vezes tentam confundir e nos dizem que o presidente Evo questiona o capitalismo, que vai tirar nossas casas, nossos carros. Não, a propriedade privada está garantida”.


“... a nova Constituição garantirá uma economia plural, e essa economia plural garantirá a propriedade privada, garantirá a propriedade comunal, estatal, de todos os setores sociais, mas quando falamos de capitalismo estamos falando deste desenvolvimento irracional, irresponsável, ilimitado”.

“Nossos companheiros já não encontram água na Amazônia. Quando começamos a perfurar em alguma região, a água encontra-se em uma profundidade cada vez maior, e pouca água. E quando não garantimos água por causa de seca, justamente produto do aquecimento global, essa família fica abandonada à sua sorte. São milhares, milhões no mundo. São migrantes climáticos”.

“Isso não vamos resolver com a participação das Forças Armadas, não podemos resolver com a participação dos ministros da Defesa e nem com cooperação. É um tema estrutural de caráter rmundial”.

“... consideramos que para resolver, a médio e longo prazo, a melhor solução para acabar com os desastres naturais é acabar com o capitalismo, substituindo essas políticas de exagerada industrialização.
“Claro que todos os países querem se industrializar, industrialização para a vida, para o ser humano e não uma industrialização para acabar com a vida, com os seres humanos. Há doutrinas que proclamam e promovem a guerra, e isso tem que terminar. E, sim, temos que acabar com essas grandes indústrias de armamentos que acabam com a vida”.
“...eu sei que muitos ministros trazem a mensagem de seus presidentes, de seus governos, de seus povos, mas sejamos responsáveis com a vida. E ser responsável com a vida é ser responsável com o planeta ou com Pachamama, com a Mãe Terra, e ser responsável com a Mãe Terra, planeta ou Pachamama é respeitar os direitos da Mãe Terra”.

“... oxalá a América possa encabeçar, mediante vocês, ministras e ministros de Defesa, a garantia dos direitos da Mãe Terra, a garantia dos direitos humanos, da vida, da humanidade, não somente para a América, mas para o mundo. Sinto que temos uma grande responsabilidade nessa conjuntura.


“Quero saudar a participação de nossas Forças Armadas, e também quero ser sincero com vocês, eu tinha muito medo, em 2005, 2006, quando cheguei à Presidência, se as Forças Armadas me acompanhariam ou não nesse processo”.

“... as Forças Armadas participaram de trabalhos sociais, nas mudanças estruturais, recuperando as minas, apoiando as políticas de recuperação dos recursos naturais, essas Forças Armadas agora são queridas pelo povo boliviano”.

“... o povo sente que tem Forças Armadas para o povo. Agora felizmente temos duas estruturas importantes no Estado Plurinacional: os movimentos sociais que defendem seus recursos naturais e as Forças Armadas, também defendendo os recursos naturais. Se voltarmos a 1810, claro, as Forças Armadas nasceram defendendo os recursos naturais, a identidade, a soberania de nosso povo. Só em alguns momentos fizeram um mau uso de nossas Forças Armadas, não por culpa dos comandantes, e sim pelos interesses oligárquicos ou estranhos a nosso povo, que evidentemente nos fizeram muito mal.”

“... com a imposição de políticas ‘pelo alto’ e de fora, que vinham do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial, privatizações, desnacionalização de empresas públicas”.

"...Dos lucros do solo [...] ficavam 18 por cento para os bolivianos e 82 por cento iam para as empresas transnacionais.

"Em primeiro de maio de 2006, através de um decreto presidencial, em primeiro lugar decidimos o controle do Estado dos nossos recursos naturais, segundo, convencidos de que quem investe tem o direito de recuperar o seu investimento, e tem o direito de ter lucros, dissemos que agora eles poderiam ter 18 por cento do lucro e ainda assim recuperar o seu investimento, pois isso os técnicos me demostraram, e em maio de 2006, 82 por cento ficaram sendo dos bolivianos e 18 por cento para as empresas que transnacionais investidoras, ou seja, fizemos a nacionalização respeitando os investimentos".

Evo concluiu seu discurso, fornecendo dados irrefutáveis sobre os resultados econômicos obtidos pela revolução.
"Antes, o produto interno bruto de US $ 9 bilhões em 2005. Em 2010, tivemos 18,5 bilhões de dólares americanos de Produto Interno Bruto”.

"... Com o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional, o rendimento médio por pessoa era de mil dólares por ano [...] no nosso governo, é de 1 900 dólares".

"... Em 2005 a Bolívia foi o penúltimo país em reservas internacionais, agora temos melhorado, a Bolívia tinha reservas internacionais de US $ 1,7 bilhões, agora, este ano, temos 9,3 bilhões de dólares ..."

"... Quando o governo dependia dos Estados Unidos não poderia mesmo erradicar o analfabetismo. Através da cooperação incondicional de Cuba, especialmente, e também da Venezuela, há dois anos atrás declaramos a Bolívia território livre do analfabetismo, depois de quase 200 anos”.

"Em troca desta colaboração de Cuba o que nos pedem? Nada, isso se chama solidariedade, compartilhar o pouco que temos e não compartilhar o que nos sobra, isso eu aprendi com o companheiro Fidel, e lhe tenho grande admiração."

Por pura modéstia, Evo não mencionou os avanços colossais obtidos pelo povo boliviano em matéria de saúde. Somente no campo da oftalmologia, cerca de 500 mil bolivianos fizeram cirurgias oculares, os serviços de saúde chegam a todos os bolivianos e cerca de 5 mil especialistas em Medicina Geral Integral estão se formando e em breve irão receber o seu diploma. Este país irmão latino-americano tem todas as razões para se sentir orgulhoso.

Evo conclui:

"...Sem o Fundo Monetário Internacional, ou seja, sem a imposição de políticas econômicas de privatização, de leilões, pudemos melhorar a vida democrática, sem depender dos Estados Unidos, melhoramos a nossa democracia na América Latina, esse é o resultado de cinco anos de mandato como presidente".

"Claro que eu não quero negar que a Bolívia ainda necessita de cooperação, a Bolívia ainda precisa de empréstimos internacionais, de cooperação internacional, cumprimento os países que colaboraram na Europa, América Latina, que oferecem facilidade de crédito, porque estamos em um processo de profunda transformação ..."

"... Que os povos tenham o direito de decidir por si próprios sobre a sua democracia, sua segurança. Enquanto houver atitudes intervencionistas, sob qualquer pretexto [...] certamente vai demorar a libertação dos povos, e mais cedo ou mais tarde o povo, como estamos vendo, vai se rebelar”.

"Por isso estou convencido da rebelião à revolução, da revolução à descolonização...".

Após o discurso de Evo, apenas 48 horas depois, caiu como um raio o discurso de Chávez. As luzes da rebelião estavam iluminando os céus da nossa América.

Fidel Castro Ruz


Fuente Cubadebate