"A LUTA DE UM POVO, UM POVO EM LUTA!"

Agência de Notícias Nova Colômbia (em espanhol)

Este material pode ser reproduzido livremente, desde que citada a fonte.

A violência do Governo Colombiano não soluciona os problemas do Povo, especialmente os problemas dos camponeses.

Pelo contrário, os agrava.


terça-feira, 12 de outubro de 2010

AS ARMAS NUCLEARES E A SOBREVIVÊNCIA DO HOMO SAPIENS

Reflexões do companheiro Fidel

(SEGUNDA E ÚLTIMA PARTE)

Ontem, quinta feira, o professor emérito da Universidade de Ottawa, Michel Chossudovsky, foi convidado a comparecer no programa “Mesa Redonda” da televisão nacional de Cuba, no qual participou juntamente com Osvaldo Martínez, diretor do Centro de Investigações da Economia Mundial.

Como é lógico, escutei com especial interesse suas intervenções. Falou em espanhol e demonstrou domínio total sobre os temas que aborda. É escrupuloso com o significado das palavras, e inclusive frases feitas em inglês para expressar com exatidão determinada idéia, que não têm termos equivalentes no espanhol.

Expressou que, nos Estados Unidos, foi criada uma crise sistêmica da qual não pode escapar. Tentam resolver a crise com medidas que foram as causas da mesma. Explicou que nesse país todas as categorias sociais empobreceram, o qual afeta ainda mais os trabalhadores e as camadas médias do que a classe rica. O governo dos Estados Unidos exige medidas de austeridade a nível planetário, e aplica “remédios” e “receitas” que foram a causa da crise, ante a necessidade de financiar os gastos militares e resgatar os bancos.

Ratificou que desde 2003 se vem preparando a guerra contra o Irã e também ameaça à Rússia, China, Coeria do Norte, Síria, Líbano e outros países dessa ampla região.

Foi enérgico na crítica a justificar a introdução das chamadas mini-niuk entre as armas nucleares táticas, e a doutrtina, intensamente divulgada, que precedeu sua introdução, tentando fazer crer que não danavam os civis (safe for the surround civilian population, em inglês, como explicou ele). Com ironia expressou que entre as mini-niuk havia bombas que oscilavam entre um terço e seis vezes o poder da que destruiu Hiroshima.

A seguir, continuou com a síntese da intervenção do acadêmico Chossudovsky na presença de estudantes e professores da Faculdade de Economia da Universidade de Havana:

“…quero mencionar una coisa que é muito importante […] essa guerra não é uma guerra que gera empregos […]. É certo que a Segunda Guerra Mundial sim gerou empregos; na Alemanha, sob o regime nazista […]. É simplesmente uma observação factual. […] o mesmo nos Estados Unidos no início da Segunda Guerra Mundial, que para eles começou no ano 1941, foram criados empregos e isso foi a saída da grande depressão sob a presidência de Roosevelt. Porém essa guerra (refere-se a uma Terceira Guerra) não é do mesmo tipo, é uma guerra de alta tecnologia, não é uma guerra de montagem de material militar. A guerra do Vietnã gerou emprego e a guerra da Coréia também. Essa guerra é uma guerra caracterizada por um sistema de armamentos que é muito sofisticado e que vai mais utilizando uma mão-de-obra maiormente científica, engenheiros e similares…”

“…qualquer estudante no primeiro ano sabe que se são impostas medidas de austeridade a nível nacional e mundial, que é o caso do que foi proposto nas reuniões do G-20 e também sob o patrocínio do banco Internacional Settlements, que representa os bancos centrais, que existe una espécie de consenso aí de que para solucionar a crise têm que ser implementadas medidas de austeridade, mas é bem sabido que as medidas de austeridade não são uma solução, mas sim uma causa da crise que, à medida que vai encurtando orçamento, encurtando gasto, encurtando crédito ao setor de pequena e mediana empresa, ao mesmo tempo, aumentam os níveis de desemprego, esmagando o salário, que é o caso na maior parte dos países europeus.”

“Na Espanha e Portugal têm taxas de desemprego que ultrapassam o 20% oficialmente e a questão fundamental aí é que a solução que se propõe, não só a nível nacional, senão em todos os países do mundo, ditada por esse consenso neoliberal, é que há que implementar medidas austeras …”

“…mas a estagnação da economia civil devido, primeiramente, à transferência de riquezas, não somente nos últimos anos, podemos dizer desde o início dos anos oitenta, quando começou a chamada época de políticas neoliberais levando também à estagnação da economia civil […] se falamos dos Estados Unidos, são medidas que foram implementadas ao final do governo de Bill Clinton […] Lei de modernização dos serviços financeiros, porém criaram um sistema financeiro que não se regulamenta, que está metido em atos, digamos, semi-ilegais. Em certa medida é a criminalização do aparelho financeiro, e a palavra não é dita por mim, são muitos os analistas, inclusive, do Wall Street Journal que fazem referência à criminalização, porque nos últimos anos houve fraude financeira, e aqueles que cometeram essa fraude agora não são tocados.”

“…uma crise econômica que, na minha opinião, é a mais grave da história, não existem precedentes, nem sequer os anos 30, que era uma crise muito localizada, não era uma crise global como tal, havia dinâmica em diferentes países e regiões do mundo.”

“…a guerra financeira está muito ligada à guerra no campo militar, inclusive existem vínculos entre o Banco Mundial e o Pentágono. […] antigos ministros de Defesa dos Estados Unidos que passam a ser presidentes do Banco Mundial […] a nova ordem mundial funciona por mecanismos de manipulação financeira […] mudanças de regime, desestabilização de governos e operações militares de diferente tipo […] o capitalismo tem instituições, tanto no campo civil como no campo militar, que operam conjuntamente, isso é muito importante, e por trás de isto estão os intelectuais, estão os thinks tanks de Washington, estão os clubes secretos das elites […] esse processo de guerra que ameaça a humanidade é importante a todos os níveis da sociedade.”

“…a guerra já é classificada como ato criminal, é o convênio de Nuremberg quem o diz […] É o supremo ato criminal. A guerra é um crime contra a paz. […] temos indicações de que esta crise econômica levou à concentração da riqueza em poucos anos e à centralização do poder econômico sem precedente na história […] esta crise não é algo espontâneo, como é apresentada na economia neoliberal, é o resultado da manipulação, da planificação e, finalmente, ao mesmo tempo existe esse componente militar.”

Com essas palavras concluiu Chossudovsky sua intervenção e expressou sua disposição para responder as perguntas: “…vou deixar a questão da resistência e como reverter esse processo para o debate com vocês”, disse.

Os estudantes fizeram perguntas inteligentes e sérias. Delas são escolhidas apenas as idéias centrais.

“Mediador.- Acho que percebo o sentimento de todos os presentes, ao agradecer ao doutor Michel Chossudovsky pela excelente conferência ministrada, a qual nos permitiu tomar ainda mais consciência sobre as causas e conseqüências dos perigos reais que hoje ameaçam a humanidade…”

“…vamos começar com as perguntas que o auditório deseja fazer ao nosso convidado .”

“Um estudante.- …gostaríamos de conhecer […] sua visão sobre o otimismo com que tem sido apresentado na mídia a situação da crise atual na América Latina, qual a sua opinião a respeito das possibilidades de enfrentar esta crise na região…”

“Muito obrigado”

“Michel Chossudovsky.- O Caribe está identificado como uma região extraordinariamente rica também em petróleo e gás, e não é simplesmente a Venezuela e a Colômbia, certamente existem reservas que eles conhecem porque as empresas petroleiras possuem informação que não é divulgada; o que se sabe é que essa região e imensamente rica.

“A situação no Haiti também está ligada a um projeto de conquista de recursos […] a situação humanitária que existe […] permite ao capital ter acesso a recursos minerais e a possíveis recursos petrolíferos nessa região. […] não digo que essa é a única razão para a militarização dessa região. A outra é o narcotráfico.”

“…existem objetivos geográficos, geopolíticos, de recursos […] mas o narcotráfico também, porque é uma fonte muito importante de lucros para o capital.”

“…os dois eixos do comércio mundial do narcotráfico são, por um lado o Afeganistão e o Paquistão, que é o comércio de heroína; e pelo outro a Colômbia, o Peru e a Bolívia. O traslado passa pelo Haiti e por outros países do Caribe para o mercado norte-americano. […] o Afeganistão é um país imensamente rico, gera anualmente por volta de 200 000 milhões de dólares em receitas produto da exportação de heroína, pelo menos essa foi a estimativa que eu fiz; desde que as forças dos Estados Unidos entraram no Afeganistão a produção de heroína aumentou 30 vezes. Bom, esse é um parêntese sobre a questão.

“A militarização dessa região, e as ações realizadas no Equador, potência petroleira; na Venezuela, potência petroleira; no México também potência petroleira. Todos são países que têm uma função estratégica dentro do quadro geopolítico económico dos Estados Unidos.”

“Um estudante.- Sou estudante da Faculdade de Economia…”

“Minha pergunta é a seguinte: A globalização da maneira foi vendida, que foi apresentada pelos chamados países desenvolvidos, é atualmente viável ou existem outras alternativas, como é o caso dos esquemas de integração?

“Muito obrigado.”

“Michel Chossudovsky.- Certamente não é viável.

A globalização, da maneira em que é definida pelos centros de poder, não é viável. Possivelmente é viable para um setor, uma minoria social que se enriquece, contudo leva ao empobrecimento, e já o temos muito bem documentado. Faz parte de um processo que tem afetado os países em desenvolvimento nos últimos 30 anos, e você pode ver as conseqüências nos países vizinhos, o empobrecimento que existe no Brasil, no México, no Peru produto desse modelo destruidor. [“…] muitos países apresentaram um modelo de desenvolvimento diferente, é o caso da Iugoslávia.”

“…A Iugoslávia tinha um sistema socialista, economia de mercado, economia mista com um alto nível de vida, serviços sociais, de educação, e, o que foi que aconteceu com ela? Desde o começo dos anos oitenta destruiu-se completamente e se fragmentou em quanto países, em meia dúzia de países. Por que? Porque a Iugoslávia tinha um modelo, uma alternativa que não era conveniente.”

“…podemos ver as experiências da América Latina: o Chile foi a formulação de uma alternativa, pero que foi motivo de um golpe militar e de um processo de desestabilização que foi levado a cabo pelos serviços de inteligência dos Estados Unidos, por sabotagens, por embargos e tal; porque eu vivi esse golpe.

“São muitos os exemplos: a Tanzânia, na África; a Argélia, muitos países experimentaram; a Indonésia, nos anos sessenta houve um processo também muito importante […] Em 1965 um golpe militar, apoiado novamente pela CIA, morreram mais de 500 000 pessoas em assassinatos programados e foi imposto um regime militar, que respondia aos interesses dos Estados Unidos.”

“…temos que confeccionar um modelo de sociedade alternativa econômica ao capitalismo mundial, podemos fazê-lo; porém todas as alternativas, inclusive o modelo cubano, são alvos de sabotagem, de embargo, de medidas de desestabilização, de assassinatos. Essa é a verdade.”

“…o Iraque não é um país socialista, é um país com certa autonomia, tem um Estado que não deseja ser manipulado; eles nem sequer aceitam o capitalismo que não seja o seu. Esse é o mundo agora, há países capitalistas que são inimigos dos Estados Unidos; a China é capitalista em certa forma, também a Rússia, mas não lhe convêm sua forma de capitalismo, e eles querem desestabilizar ou destruir pela via militar qualquer tentativa contra a hegemonia econômica, geopolítica dos Estados Unidos e seus aliados.”

“Um professor.- Excelente sua apresentação, sua conferência. Antes eu tinha medo da guerra, depois de escutá-lo, realmente, meu sentimento é de terror; porém lhe pergunto o seguinte.

“Atualmente ainda existem norte-americanos que não conheceram a guerra do Vietnã. Então o sentido da minha pergunta é o seguinte: O senhor acha que poderá ser feita alguma coisa capaz de criar consciência no povo norte-americano para evitar um fato que terá, se acontece finalmente, magnitudes realmente imprevisíveis, econômicas, políticas e sociais?”

“Michel Chossudovsky.- Essa é nossa principal preocupação. Em nosso sítio Global Research mais da metade de nossos leitores são dos Estados Unidos, e eu diria que a maioria dos autores também. A questão acabar com a mentira da mídia, levar a cabo uma guerra contra as fontes de mentiras; porque se o povo dos Estados Unidos sabe a verdade, o poder, a legitimidade de seus dirigentes cai de um dia para outro; e o que existe nos Estados Unidos são meios de comunicação, tanto a televisão como a imprensa escrita e também a Internet, que transmitem uma visão tremendamente distorcida.”

“…porém com esses discursos inquisitórios eles aceitam a falsidade, aceitam a mentira, e uma vez que a mentira vira verdade, a gente não pode, realmente, reflexionar, o debate termina. Faz parte de uma propaganda de guerra para todos os níveis da sociedade, que o rosto dessa guerra não deve ser conhecido. Segundo nossas estimativas o número de mortos civis no Iraque é de 2 milhões, segundo fontes muito reconhecidas, como a Johns Hopkins School of Public Health, são 2 milhões de mortos civis desde que entraram em 2003; são 4 milhões de mortos no Congo; a quarta parte da população da Coréia morreu por bombardeios durante a guerra da Coréia. Essas realidades são bem conhecidas, mas não publicamente. […] existe a censura, mais que censura uma manipulação da informação. […] temos que enfrentar a mídia, isso é fundamental; temos que estabelecer redes anti-guerra em todos os municípios dos Estados Unidos, do Canadá, do mundo todo; temos que realizar debates, ganhar em conhecimento, porque temos uma população inteligente, porém sob a pressão persistente do conformismo a uma autoridade que lhes leva a verdade, mas essa verdade é mentira.”

“…vou me esforçar para responder mais brevemente, porém as perguntas são muito contundentes e algumas vezes não pode ser assim.”

“Uma estudante.- Interessa-me saber se é viável ou não, se é possível ou não conseguir uma mudança tecnológica a favor de tecnologias limpas, capazes de travar a crise tecnológica de estes momentos.”

“Michel Chossudovsky.- Sim, é verdade que também é uma questão fundamental em nossas sociedades, porém as realidades ambientais são distorcidas cedendo aos interesses econômicos, que são os principais atores da destruição do meio ambiente.”

“…o desastre da British Petroleum no Golfo do México. Existe uma cumplicidade por parte do Estado norte-americano, isto é, Washington, em esconder a realidade do que aconteceu. A fauna, a vida no mar em toda a região costeira dos Estados Unidos e ainda mais estão ameaçadas . Essa realidade é bem conhecida.

“E também é significativo, para estabelecer a conexão desse acontecimento, dessa crise ambiental com a guerra, que a British Petroleum está metida no Oriente Médio e no projeto militar, em contrariedade, por um lado, e é a responsável pela pior crise ambiental na história do continente.”

“Uma professora.- O senhor analisou brevemente a economia dos Estados Unidos. […] esta economia continua a ser a economia que define a dinâmica da economia mundial. […] minha pergunta visa conhecer suas considerações a respeito de se continuará a ser quem defina a dinâmica da economia internacional […] ou países como a China, ou os chamados emergentes, podem passar a exercer o papel que desempenham atualmente os Estados Unidos.”

“Michel Chossudovsky.- Olha, a chamada dinâmica da economia, a liderança que têm os Estados Unidos desde o ponto de vista econômico não se baseia em sua capacidade produtiva […] nos últimos 30 anos quase toda a economia industrial vai se fechando, não mais montagem, a produção é pouca, existe uma economia de serviços, a propriedade intelectual é controlada; é uma economia de renda, é uma economia onde a maior parte do consumo é produzido na China.”

“…a economia dos Estados Unidos é maior do que a chinesa; porém é uma economia maior do que a chinesa, mas não produz, e o PIB é, como sabemos perfeitamente, é um medidor do valor acrescentado, o fato é que nos Estados Unidos grande parte do PIB é resultado da importação de procedência chinesa.

“O mecanismo é muito simples: importas uma camisa produzida — estou mencionando preços que se correspondem mais ou menos com o real —, uma dúzia de camisas de boa qualidade são 36 dólares. Esses são dados dos anos noventa, agora é menor. […] uma boa camisa custa três dólares na fábrica; chega aos Estados Unidos e custa 30, 40, 50, e qual o aumento do PIB dos Estados Unidos? É trinta menos três, são 27 dólares que se acrescentam ao PIB sem produção […] Pode existir crescimento sem produção, porque é a característica de um Estado de uma economia imperial onde a produção tem lugar em suas colônias ou em suas semicolônias.”

“…a ficção dessa primeira economia mundial está baseada no fato do poder militar […] isso é o principal. […] As forças produtivas dos Estados Unidos são débeis demais e podemos constatá-lo nas bancarrotas de empresas, no desemprego, et cétera.”

“Um estudante.- …gostaria de reconhecer sua postura, para nós é pouco usual ver alguém de sua procedência criticar com tanta força o sistema capitalista como o senhor fez, acho que isso é algo que leva um reconhecimento implícito.”

“Desde a postura marxista se crê que é uma crise sistêmica e não conjuntural.”

“ Segundo a sua opinião qual seria a capacidade real da opinião pública mundial e de esta consciência que poderia ser criada no povo norte-americano para impedir um conflito de caráter nuclear levando em conta a forte pressão que exercem os pequenos círculos de poder dos quais se fala nos últimos tempos?”

“Michel Chossudovsky.- …é uma crise sistêmica, mas não pode ser categorizada com pautas estabelecidas em El Capital, a metodologia marxista se dá para entender, porque isso baseia-se em conflitos sociais; porém temos uma arquitetura muito diferente à existente na metade do século XIX […] como economistas não podemos formalizá-lo estritamente com um modelo, temos que ver o caráter institucional, os vínculos entre atividades financeiras por um lado, operações encobertas.”

“…A CIA é uma entidade em Wall Street, uma das principais; […] tem Joint Venture com um número importante de entidades financeiras. […] como a CIA tem a capacidade de prever os acontecimentos, pode operar no mercado especulativo…”

“…a caracterização dessa crise sistêmica é muito importante, porém temos que formalizar o funcionamento do capitalismo, seu âmbito institucional, suas entidades secretas, as operações encobertas, tanto nos mercados financeiros como no campo geopolítico, a função dos militares, as decisões nos thinks tanks de Washington, as entidades do Estado e também identificar quais os atores.”

“Acho que a segunda pergunta é bem parecida com as anteriores, a necessidade de mudar a opinião pública; contudo respondo que temos que acabar com o consenso que sustenta esse sistema que é uma mentira. […] existem diferentes linhas de conduta nos países capitalistas, gente militante que costuma dizer: ‘vamos fazer um pedido, por favor, presidente Obama, se puder deixe de fazer a guerra ao Afeganistão’, o enviam à Internet, ‘por favor, assina, vamos a redigir uma carta ao senhor Obama, etcétera’; isso não dá, porque seria uma aceitação do consenso, uma aceitação do Presidente que é um dos fatores, e temos que acabar com essa inquisição.”

“…fala-se da Inquisição espanhola, historicamente era uma coisa completamente louca; mas é ainda mais alucinante dizer: estamos combatendo Bin Laden e tem que nos apoiar e se não o faz você é terrorista.”

“Há duas semanas o FBI invadiu a residência e prendeu militantes anti-guerreristas e acusou-os de estar a trabalhar com Bin Laden. Aparece nos jornais dos Estados Unidos, e em fim, é um bocado a dinâmica de fazer com que mude a opinião pública, é uma dialética, temos que reverter e acabar com o discurso que sustenta e dá legitimidade à guerra e ao projeto. E a mentira, por exemplo, a dizer: A crise acabou.”

“Tu lês o Wald Street Journal, lês o diário e diz: ‘A crise acaba em janeiro de 2011’, ninguém lhe responde, e os economistas tampouco. Esse ritual de aceitar, porque a gente não aceita por falta de conhecimento, aceita-o porque é algo que todos aceitam e temos que destruir esse ritual de aceitação do consenso vindo do poder político e também dos mercados financeiros.”

“Uma estudante.- Um desenvolvimento sustentável, que para mim é totalmente incompatível com a guerra, porque não há nada mais destruidor de toda a humanidade que todas as últimas, não a que pode se desencadear, senão todas as últimas levadas a cabo pelos Estados Unidos.”

“…insistem-nos em que tem que haver um desenvolvimento humano, que deve os ser ainda mais protagonistas nas localidades, nos territórios. Estou com vontade de conhecer sua valoração sobre este discurso, quão objetivo é para nossos países?”

“Michel Chossudovsky.- Concordo com o objetivo real do desenvolvimento sustentável, não obstante temos que ver um pouco o jogo de palavras detrás desse objetivo. Esse objetivo foi formulado por umas quantas organizações do meio ambiente, como Greenpeace, WWF, […] não estou criticando estas organizações, mas se vocês vêem as várias cimeiras realizadas no âmbito meio ambiente, o Fórum Social Mundial, as cimeiras populares do G-7, por exemplo, do G-20, quase nunca fala-se do impacto da guerra sobre o meio ambiente; eles apresentam seus trabalhos, a poluição na cidade, o aquecimento do planeta, porém no que diz respeito a estas cimeiras, as ONG do Ocidente não falam da guerra e não falam do impacto da guerra sobre o meio ambiente, algo que é fundamental.”

“Participei das cimeiras sociais até 1999, e a partir do momento em que falei da guerra da Iugoslávia não fui convidado de novo. Será possível falar da guerra num workshop, em um lugar qualquer, e a guerra não fazer parte do debate sobre ‘Outro mundo é possível’; não, este mundialismo que tem caracterizado os movimentos sociais, não os critico, acho que em estes grupos existe gente muito boa, porém há uma dinâmica e também na cúspide de estas organizações algo que não se corresponde. […] não podemos ter um movimento anti-globalização focalizando apenas alguns aspectos, sem levar em conta o quadro geopolítico […] os Estados Unidos e seus aliados... em guerra durante grande parte de uma época, que chamamos o período da pós-guerra, quer dizer, o último meio século, está caracterizado por operações militares, guerras, intervenções por parte dos Estados Unidos e seus aliados, e isto, segundo a minha experiência, não tem sido motivo de debate e intercâmbio nos diferentes fóruns mundiais onde o desenvolvimento sustentável é apresentado como uma linha de conduta.”

Com estas palavras concluiu sua intervenção na Universidade de Havana, que foi entusiasticamente aplaudida pelos estudantes da escola de Economia, seus professores e outras pessoas que encheram o teatro “Manuel Sanguily” esse día.

Ainda antes de algum encontro meu com o professor Chossudovsky, teve lugar de maneira espontânea uma grande coincidência, relacionada não só com os riscos de um conflito que, de forma inevitável, viraria em contenda nuclear global, mas também na necessidade de mobilizar a opinião mundial perante esse dramático perigo.

Além das armas nucleares, estão as armas cibernéticas. Outro fruto da tecnologia que, transferida à esfera militar, ameaça em se converter em mais outro grave problema para o mundo.

As Forças Armadas dos Estados Unidos possuem por volta de 15 mil redes de comunicação e sete milhões de computadores, como foi informado pela jornalista Rosa Miriam Elizalde no sítio web CubaDebate.

Também expressou que “Keith Alexander ― general de quatro estrelas ―, quem comparou os ataques cibernéticos com as armas de destruição em massa, asseverou que os Estados Unidos prevêem a aplicação ofensiva de este novo conceito de guerra sem levar em conta a opinião de seus aliados no mundo. Inclusive, poderiam atacar redes aliadas sem alerta prévia, se consideram que de alguma delas poderia ser gerado ou foi gerado um ataque.”

Rogo aos leitores que me desculpem pelo extenso das duas partes desta Reflexão. Não havia outra forma de fazê-la mais breve sem sacrificar o conteúdo.

Permitam-me expressar, não me esqueci que hoje se comemora o 43º aniversário da morte do Che, e há dois dias o 34º do brutal assassinato ianque dos compatriotas cubanos e de outros passageiros de nosso avião civil em Barbados.

Glória eterna para eles!



Fidel Castro Ruz

8 de Outubro de 2010

12 de outubro – Dia de Resistência e Luta dos Povos Originários

Por Elaine Tavares.

O dia 12 de outubro marca um momento importante na vida dos povos desta parte do mundo. Foi neste dia, no longínquo 1492, que Cristóvão Colombo aportou numa pequena ilha do Caribe, achando que havia chegado às Índias. Ele e seus homens não vieram em paz. Tudo o que queriam era o ouro e não respeitaram coisa alguma no caminho. Com eles chegaram também a violência, o genocídio, a destruição, coisas típicas do capitalismo nascente. As terras novas foram invadidas por hordas de europeus em busca de riqueza e aos povos originários foi dada como opção a escravidão ou a morte. Mas, entre os que aqui já viviam desde há milênios, assomou outra proposta: resistir e lutar!

Muitas foram as batalhas contra o branco invasor, até com algumas vitórias, como a famosa “noite triste” (para os espanhóis e não para os originários), em 30 de junho de 1520, quando os guerreiros mexicas imprimiram uma fragorosa derrota a Hernán Cortéz. Ou, para lembrar as lutas dos povos de Pindorama (Brasil), a Confederação dos Tamoios em 1556, chefiada pela valente nação Tupinambá contra os portugueses, que obrigou a libertação de todos os escravos. Mas, ao fim, os povos de Abya Yala não puderam vencer as armas de fogo, tecnologia que não conheciam. Assim, pouco a pouco, todas as terras desta parte do continente foram sendo invadidas e as gentes autóctones que não aceitavam a integração à força, ou eram mortas ou obrigadas a viver em reservas, como bichos exóticos. Por longos tempos Portugal e Espanha saquearam as riquezas do novo continente. Muito do ouro e da madeira nobre que se vê nos castelos e igrejas da Europa foram tirados daqui. Até mesmo a tão aclamada revolução industrial só foi possível por conta do ouro e da prata que os ingleses levavam de Portugal e Espanha, os quais, por sua vez, roubavam de Abya Yala.

E desta forma foi se formando a riqueza européia enquanto os povos da agora chamada América Latina seguiram na periferia, praticamente a margem das benesses do desenvolvimento, que só se fazia possível por conta das riquezas saqueadas. Os tempos passaram e as gentes originárias foram elaborando sua resistência na quietude das planuras, na solidão das montanhas. Por isso, quando todos imaginavam que o extermínio já estava consumado e nada mais restava além dos “reservados exóticos”, os povos originários reaparecem com força total, lutando com unhas e dentes para preservar aquilo que consideram sagrado: a terra, a água, as floresta, enfim, o ambiente, como um espaço bendito de tudo aquilo que vive.

Para os povos autóctones o chamado “desenvolvimento”, para além das bugigangas modernizantes que podem ter melhorado a vida de todos no cotidiano da vida urbana, trouxe principalmente a destruição. Observando como o capitalismo organizava a vida das gentes ao longo de todos estes anos de dominação, os originários compreenderam que isso era ruim e não lhes servia. Nesse sentido eles propõem outro conceito, nascido de suas próprias entranhas, do conhecimento e do contato que eles sempre mantiveram com as forças da natureza: o bom viver. Esta é uma forma de organizar a vida que pressupõe elementos esquecidos e abandonados pelos homens e mulheres “modernos”, mergulhados no modo de produção capitalista. As propostas do bom viver são a de um desenvolvimento capaz de servir às gentes e a natureza, em harmonia, o que por si só já descarta o modo de produção capitalista, no qual para que um viva, outro tenha de morrer. O bem viver não comporta o acúmulo de riquezas, pois tudo o que há sobre a terra e que os seres humanos produzem juntos deve ser repartido. No bem viver o centro de tudo é a vida comunitária, esta é a que deve ser preservada e conservada.

Talvez para as pessoas acostumadas ao modo de viver ocidental, capitalista, seja praticamente impossível compreender o significado real do sumak kawsai (o bom viver), porque suas mentes e corpos já estão acostumados a acreditar que a melhor vida possível é essa que está aí, com a competição, o desenvolvimento predador, o egoísmo, o individualismo. Mas, nunca é tarde para se debruçar sobre essa proposta que emerge das profundezas da vida originária. E, que fique bem claro. Não se trata de voltar ao passado, renegando todos os avanços da humanidade. Não. Até porque cada avanço diz respeito a toda a comunidade humana. Nenhum invento, nenhum conhecimento dito “moderno” foi criado a partir do nada. Tudo é fruto da comunidade, seja na herança do saber, seja no financiamento, seja no alto preço que pagam os da periferia para que o centro cresça e produza riqueza. Tudo está interligado. Tudo é conquista comunitária, embora o sistema insista em fazer crer que são pessoas isoladas, ou países específicos, os que logram fazer caminhar o conhecimento.

O que as gentes originárias colocam na grande mesa do saber humano é uma proposta de vida que está ao alcance de todos, autóctones ou não. Equilíbrio, solidariedade, cooperação, respeito, justiça comunitária, alteridade, interação com a Pachamama, sacralidade da vida mesma, como ressalta Dussel. É uma proposta radical, revolucionária, que exige a “desconexão”, tal qual já propôs Samir Amin. Adentrar ao modo de vida do bem viver significa uma ruptura completa com o modelo capitalista. É um desafio abissal, que exige compromisso e desapego. Exige a destruição de todos os valores do mundo moderno e a aceitação de um jeito de viver comunitário absolutamente desconhecido para a maioria das gentes.

É por isso que neste 12 de outubro, em todas as parte de Abya Yala, os povos originários estarão celebrando e apontando caminhos. Celebram, não a conquista de Colombo, porque, afinal, nunca se deixaram vencer. Celebram a resistência. É certo que por algum tempo, premidos pela força bruta, aquietaram seus corpos, mas, lá dentro, vibrava, acesa, a chama do que chamam de bom viver. No escuro de suas choças, eles chamavam seu nome e esse desejo seguiu andando pelas cordilheiras, pelos caminhos. Na escuridão da noite destes 500 anos, eles acendiam fogueiras, davam pago à Pachamama, reverenciavam seus deuses. Agora, estão aí, à luz, cada dia mais fortes, reivindicando seu comunitário jeito de viver, autonomia e autodeterminação.

É tempo de aprendermos com eles.

Assim, o 12 de outubro, que é visto pelo colonizado como o Dia do Descobrimento ou, pelos bem intencionados como o Dia da Raça, é, na visão do originários o Dia da Resistência, o Dia da Luta, a hora de fazer ecoar por todos os cantos da terra essa boa nova: as gentes autóctones estão vivas, estão crescendo, dizem a sua palavra e propõem mudanças. É chegada a hora do bom viver!

Fonte: desacato.info

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

O império por dentro (Primeira parte)

Por Fidel Castro

Assombra-me a ignorância generalizada em torno de problemas vitais para a existência da humanidade, em uma época em que esta conta com fabulosos meios de comunicação que não eram sequer imagináveis há 100 anos, alguns tão recentes como a Internet.

Há apenas três semanas foi publicada a notícia da pronta distribuição de um espetacular livro de Bob Woodward, jornalista do Washington Post, cujos artigos em co-autoria com Carl Bernstein, há 38 anos, deitaram a perder o governo de Nixon por atos de espionagem contra o Partido Democrata em junho de 1972, que originaram o escândalo de Watergate, por violações de leis que a sociedade norte-americana não podia dar-se o luxo de ignorar.

Comuniquei-me com nosso "embaixador em Washington", como qualifico Jorge Bolaños, chefe do Escritório de Interesses de Cuba na capital dos Estados Unidos, e lhe pedi que me enviasse pelo menos dois exemplares do anunciado livro quando aparecesse nas livrarias. Bolaños enviou quatro exemplares.

O texto, claro, está em inglês; como é habitual, passará muito tempo até que mais de 500 milhões de pessoas no mundo capazes de falar ou compreender o espanhol, incluídos os imigrantes latino-americanos nos Estados Unidos, possam lê-lo nesse idioma.

Comuniquei-me com uma de nossas melhores tradutoras de inglês, pedindo-lhe um esforço especial para sintetizar o conteúdo do mesmo. O volumoso exemplar nesse idioma, intitulado As guerras de Obama, tem 33 capítulos e 420 páginas.

Devo assinalar que em apenas três dias me entregou uma síntese dos 33 capítulos, em 99 páginas com letra de corpo 18.

Cumprirei o dever de transmitir o conteúdo desse livro, utilizando textualmente as palavras diáfanas e precisas que a especialista de nosso serviço de tradução do idioma inglês me enviou. Empregarei para isso o espaço das Reflexões durante vários dias.

Não seria possível entender nada da atual política dos Estados Unidos se se ignora o conteúdo desse livro de Woodward, que é possuidor de mais de um Prêmio Pulitzer; claro que ele não tem a mais mínima intenção de liquidar o império.

Nosso país será o primeiro do mundo a conhecer de forma articulada o conteúdo essencial desse livro. Como se sabe, em Cuba todos os cidadãos possuem altos níveis de escolaridade e é o país com mais alto índice de jovens matriculados nas universidades.

Nossa principal força não está nas armas; está nas ideias.


"Capítulo 1:


"Dois dias depois de ser eleito presidente, Obama convoca o diretor nacional de inteligência, Mike McConnell, para uma reunião em Chicago com o objetivo de conhecer detalhes sobre as mais secretas operações de inteligência do amplo sistema de espionagem dos Estados Unidos. Outros funcionários participariam do encontro, mas McConnell esclareceu que tinha orientações do ex-presidente Bush de não revelar esta informação relacionada com os espiões, as novas técnicas de infiltração da Al Qaeda, as guerras no Iraque e no Afeganistão e a proteção da nação, a ninguém mais que não fosse o presidente eleito.


"Michael J. Morell, chefe do Departamento de Análises da CIA, e McConnell se sentaram a sós com Obama em um quarto de segurança. Informaram, entre outros temas, que a principal ameaça para os Estados Unidos provinha do Paquistão, e que esta era a prioridade nº 1 da DNI. Se os Estados Unidos se retirassem, a Índia e o Paquistão ocupariam o vazio de poder no Afeganistão. O melhor era que Obama buscasse a paz entre esses dois países. Bush tinhaordenado os ataques de aviões não tripulados contra os acampamentos no Paquistão e instruiu que se notificasse esse país de maneira "concomitante", quer dizer, enquanto o ataque se produzia ou, para maior segurança, uns minutos depois."


Recomendamos aos lectores ir retendo os nomes de cada uma das personalidades mencionadas, assim como as teorias elaboradas para justificar os fatos incríveis que levam a cabo.


" A Al Qaeda recrutava pessoas de 35 países cujos passaportes não necessitavam de visto para entrar nos Estados Unidos, e isso era uma grande preocupação. Informaram a Obama as palavras chaves para os ataques dos aviões não tripulados (Sylvan-Magnólia), só conhecidas pelas pessoas com o mais alto nível de acesso aos temas de segurança, entre as quais se encontrava agora o novo presidente.


"Os principais êxitos provinham das fontes humanas, os espiões no terreno, que indicavam à CIA para onde devia olhar, onde devia caçar e onde matar. Os espiõles eram os verdadeiros secredos que Obama levaria consigo de agora em diante. A CIA era muito cuidadosa com suas fontes.


"Cada uma tinha um nome em senha, como, por exemplo, Moonrise. Quando muitas pessoas sabiam dele ou dela ou de seus êxitos, se liquidava. O oficial à frente do caso informava que Moonrise tinha feito o sacrifício máximo, mas a pessoa em questão não havia morrido realmente. Somente seu código mudava e agora a CIA teria outra fonte chamada Soothing Star, a mesma pessoa com um novo nome.


"Um segredo importante que nunca tinha sido reportado nos meios de comunicação nem em nenhuma outra parte era a existência de um exército escondido de 3 mil homens no Afeganistão, cujo objetivo era matar ou capturar os talibãs e às vezes adentrar nas zonas tribais para pacificá-las e obter apoio.


"McConnell y Morell se referiram ao programa nuclear iraniano. Sabia-se que eles tratavam de obter a arma nuclear e que havia instalações ocultas. McConnell disse estar seguro de que o Irã obteria una arma nuclear tipo fusil, provavelmente primitiva, mas que pudessem detoná-la no deserto com um grande efeito e que em sua opinião isto ocorreria entre os anos de 2010 e 2015.


"Outra grande ameaça era a Coreia dol Norte, que tinha suficiente material para fabricar seis bombas. Os coreanos iam conversar, iam mentir, iam ameaçar retirar-se depois iam tratar de renegociar.


"Os chineses tinham pirateado os computadores da campanha de Obama no verão de 2008 e os de McCain, e tinham recolhido arquivos e documentos a uma velocidade assombrosa. McConnell disse que os Estados Unidos eram vulneráveis aos ataques cibernéticos."


De imediato, o livro de Woodward reflete a primeira reação de Obama diante do enredo e da complexidade da situação criada pela guerra antiterrorista desencadeada por Bush.


"Obama comentou com um de seus mais próximos assessores que tinha herdado um mundo que podia explodir a qualquer momento em mais de seis formas diferentes, e que contava com meios poderosos mas limitados para evitá-lo. Obama reconheceu que, depois das eleições, todos os problemas do mundo eram vistos como sua própria responsabilidade e que as pessoas diziam:¨Você é a pessoa mais poderosa do mundo. Por que não faz algo a respeito?¨


"Capítulo 2


"John Podesta, ex-chefe de gabinete de Bill Clinton, estava convencido de que a política devia ser desenhada, organizada e monitorada através de um sistema centralizado na Casa Branca. Mas Obama tinha em mente outra pessoa para o cargo: Rahm Emmanuel, que se converteu no nº 3 da Casa Branca. Ambos eram de Chicago mas não se conheciam bem.


"Obama, em sua condição de candidato presidencial, tinha dito a David Petraeus no Iraque que lhe pedisse tudo quanto necessitasse se finalmente se convertesse em comandante em chefe do exército. Obama estava preparado para dizer “não” ao que tinha dito ¨sim¨.


"Petraeus quase redefiniu o conceito de guerra em um novo manual de sua autoria (Counterinsurgency Field Manual) que pôs em prática no Iraque. Sua ideia principal era que os Estados Unidos não podiam sair da guerra. Tinham que proteger e ganhar a população, viver entre eles, para que um governo estável e competente pudesse prosperar. O novo soldado, segundo ele, devia ser um trabalhador social, um planificador físico, um antropólogo e um psicólogo.


"Petraeus tinha poucos hobbies (não pescava, não caçava, não jogava golfe). Podia passar por um homem de 35 anos. Podia correr 5 milhas em cerca de 30 minutos. Obteve o título de doutor na Universidade de Princeton. Seu pai morreu e ele decidiu permanecer no Iraque para supervisionar a guerra. Os iraquianos o chamam del Rei Davi. Alguns de seus colegas o chamam A Lenda do Iraque. Mas a presidência de Obama iria mudar o status de Petraeus.


"Capítulo 3


"O novo diretor da CIA, Mike Hayden, viaja a Nova Iorque para discutir com o presidente do Paquistão, Asif Ali Zardari, sobre os ataques dos aviões não tripulados ´Predator´ no interior desse país. A grande lição aprendida na Segunda Guerra Mundial e no Vietnã era que os ataques aéreos, inclusive os bombardeios maciços, não podem ganhar uma guerra.


"Os meios de imprensa paquistaneses se preocupavam pelo número de vítimas civis. Mas a morte acidental de paquistaneses era apenas parte da história.


"Em uma reunião que Hayden manteve com o presidente paquistanês, este último lhe disse: ´Mate os principais. Os danos colaterais preocupam a vocês, estadunidenses. A mim não me preocupam´. Zardari dava assim sinal verde à CIA e Hayden agradeceu seu apoio.


"Em uma de suas longas conversações, Obama abordou o tema de Hillary Clinton com David Axelrod, seu principal assessor político e o mais próximo dele. Este lhe perguntava a Obama como podia confiar em Hillary. Obama respondeu. "Creio conhecê-la bem. Se é parte da equipe, será fiel". Ela se manteve ao lado de seu esposo durante o escândalo de Mônica Lewinsky e Obama ficou impressionado por sua resistência. Ele necessitava de alguém com a estatura suficiente para converter-se em um ator principal na cena internacional.


"A Clinton não estava convencida de que esse posto seria dela. Não existia nenhuma reserva de confiança entre a equipe dela e a dele.


"Vieram depois os problemas com seu esposo e os contribuintes de fortes somas para sua biblioteca presidencial, sua fundação e a Iniciativa Global Clinton. Os advogados de Obama disseram que essas empresas não podiam aceitar dinheiro se Hillary fosse nomeada secretária de Estado. Ela reconhecia que isto era um grande obstáculo mas que não mandaria Bill viver em uma cova durante quatro ou oito anos.´Não vou dizer-lhe que cancele as operações que tem em 26 países e que estão salvando vidas´, disse ela. ´Não vale a pena´. Podesta lhe prometeu que trabalhariam nisso.


"Preparou-se um discurso em que ela agradecia a Obama, por telefone, por tê-la tido em conta para o cargo, mas Podesta se encarregou de que ambos não pudessem conectar-se.


"O ´não´ de Hillary se transformava e um ´talvez´. Marke Penn, o principal estrategista de sua campanha, pensava que se permanecesse no Departamento de Estado durante oito anos, estaria na melhor posição para se candidatar a presidenta novamente. Estaria com apenas 69 anos, a mesma idade de Reagan quando assumiu o poder."


"Capítulo 4


"James L. Jones, um general aposentado, considerava que o governo de Bush era assombrosamente desorganizado e penosamente pouco sério no que se refere à paz no Oriente Médio. Jones disse que o Conselho de Segurança de Bush carecia de pessoal e era disfuncional, e que o assessor para a segurança nacional tinha que aplicar medidas para garantir um avanço razoável na conquista dos objetivos.


"Um setor demasiado amplo da política estava em piloto automático e o assessor de segurança nacional tinha que encontrar a forma de obter resultados sem ter que controlar em detalhes o que os diferentes departamentos y agências deviam fazer. Obama perguntava como se devia conseguir isso. Convença seus subordinados de que a visão deles é a sua, recomendava Jones. [...] Obama decidiu que Jones fosse seu assessor para a segurança nacional."


"Jones se surpreendeu de que Obama o nomeara para este cargo de tanta responsabilidade e que confiara em alguém que conhecia pouco. Jones pensava que tudo se baseava nas relações pessoais, e ele não mantinha tais relações com Obama."


"Em 26 de novembro Bush convocou uma das últimas reuniões do Conselho de Segurança Nacional para analisar um informe muito secreto sobre a guerra no Afeganistão, elaborado pelo tenente-general do Exército Douglas Lute, conhecido como o Czar da Guerra. O informe concluiu dizendo que os Estados Unidos não poderiam manter-se no Afeganistão a menos que se resolvessem três grandes problemas: melhorar a governabilidade, diminuir a corrupção e eliminar os santuários dos talibãs no Afeganistão."


Agora vem outro surpreendente episódio, atrás do qual estava a mão do governo dos Estados Unidos, demonstrando o risco de que nos falou hipoteticamente o autor da teoria do "Inverno Nuclear". Bastaria – disse-nos - uma guerra entre o Paquistão e a Índia, os dois países que menos possuem armas atômicas no Grupo dos 8 que pertencem ao "Clube Nuclear". O que se revela no livro "As guerras de Obama", demonstra que qualquer irresponsabilidade da política dos Estados Unidos pode conduzir à catástrofe.


"Condoleezza Rice no se sentiu satisfeita com o informe. Bush decidiu que no ia torná-lo público. Posteriormente, 10 pessoas armadas começaram a vagar pela cidade indiana de Mumbai, criando um espetáculo de caos violência transmitido ao vivo pela televisão durante 60 horas. Seis cidadãos estadunidenses morreram. A operação foi organizada por um grupo conhecido pela sigla L e T, que significa o Exército dos Puros, e estava sendo financiado pela agência de inteligência do Paquistão. Bush queria evitar tensões entre a Índia e o Paquistão. A base de seu mandato era tolerância zero para os terroristas e seus aliados. O FBI se horrorizou ao ver que uma operação de baixo custo com o uso da alta tecnologia tinha paralisado a cidade de Mumbai. As cidades estadunidenses tinham o mesmo grau de vulnerabilidade. Um funcionário do FBI expressou: ´Mumbai mudou tudo´.


"Capítulo 5


"Ao assumir o cargo de diretor da CIA, Hayden tinha herdado uma organização que, segundo ele, padecia da ´síndrome da criança golpeada´.


"Obama o havia convocado para uma reunião de informação sobre as operações secretas. Hayden considerou que esta era a oportunidade de provar quão graves eram as ameaças e quão seriamente a CIA as considerava. Referiu-se a 14 operações altamente secretas, cujo objetivo era levar a cabo operações clandestinas e letais contra o terrorismo, impedir que o Irã desenvolvesse armas nucleares, dissuadir a Coreia do Norte de não fabricar mais armas nucleares, levar a cabo operações contra a proliferação em outros países, operar de maneira independente ou em apoio aos Estados Unidos no Afeganistão, aplicar una série de operações letais e outros programas no Iraque, apoiar os esforços clandestinos em nome de deter o genocídio na região sudanesa de Darfur, dar à Turquia informação de inteligência para que impeça que o Partido dos Trabalhadores do Curdistão estabeleçam um enclave separatista dentro da Turquia.


"Em 5 de janeiro de 2009 Hayden se inteira, por um artigo publicado pela versão on-line do diário The Washington Post, que tinha sido substituído como diretor da CIA e em seu lugar tinham nomeado Leon Panetta. Hayden considerava que ser substituído por um político era uma humilhação pessoal. Panetta possui habilidades para construir relações pessoais. Hayden, en seu encontro com Panetta, o adverte: 1) Você é o comandante da nação na guerra global contra o terrorismo; 2) Conta com o melhor pessoal do governo federal; 3) Li alguns de seus artigos; não volte a utilizar as palavras CIA e tortura no mesmo parágrafo. A tortura é uma felonia. Pode não te agradar, mas não digas nunca que existe tortura. Legalmente a CIA não torturou ninguém. McConnell advertiu Panetta: ´Tens que entender a batalha que vais ter que travar com a CIA, porque eles te veem como se fosses o inimigo.´


"Capítulo 6


"Obama pede a Biden que viaje ao Afeganistão e ao Paquistão antes de sua investidura como presidente e lhe pede que leve consigo um republicano. Lindsey Graham, da Carolina do Sul, foi o escolhido.


"Biden le disse oficialmente ao presidente paquistanês qual era a ideia de Obama: O Afeganistão seria sua guerra; em breve enviaria mais tropas, mas para isso necessitava trabalhar em conjunto com o Paquistão.


"Zardari, por sua parte reconheceu não ter tanta experiência como sua falecida esposa, Benazir Bhutto, mas que sua missão não era diferente, e necessitava que os Estados Unidos o ajudassem a ganhar um apoio suficiente no plano interno; que existia muito anti-americanismo no país".


"Biden o advertiu que para isso era necessário que Zardari deixasse de jogar nos dois lados, pois a CIA pensava que havia muita informação de inteligência que estava sendo utilizada para alertar os acampamentos dos terroristas contra os ataques dos aviões não tripulados.


"Biden e Graham partiram para Cabul. Depois das eleições de 2004 as relações de Karzai com os Estados Unidos tinham se tornado muito voláteis. Com frequência criticava os estadunidenses pelo número de vítimas civis. As evidências de corrupção em seu governo e em sua família exacerbavam as tensões com os Estados Unidos.


"Biden advertiu Karzai que não estava interessado em tornar sua vida difícil, mas que dependia dele em grande medida o êxito dos Estados Unidos.


"Karzai convocou vários membros de seu gabinete para que informassem diretamente a Biden e a Graham o que estavam fazendo. Disseram a Karzai que Obama queria ajudar, mas que essa ideia de pegar o telefone e ligar ao presidente Obama, como ele fazia com Bush, já não ia ocorrer mais. Biden criticou Karzai por sua incapacidade de governar todo o país, sua negativa a percorrer o país para criar consenso entre as diferentes tribos, as casas suntuosas dos funcionários afegãos próximas ao palácio presidencial, sem dúvida pagas pelos Estados Unidos. ´Você é apenas o prefeito de Cabul´, disse Biden a Karzai.


"Karzai os criticou pelo alto número de vítimas civis e Biden se comprometeu a minimizá-las, mas o advertiu que tinha que estar com eles nessa guerra; que se não fosse uma guerra para eles, os Estados Unidos não enviariam mais soldados. Karzai respondeu que não estava fazendo nenhuma crítica, mas dando-lhes a conhecer que havia um problema.


"Biden sugeriu tratar o assunto em particular, não em uma coletiva de imprensa e Karzai não estava de acordo. As vítimas civis eram um problema público e Biden o havia denegrido diante dos membros de seu gabinete. Karzai advertiu que o povo afegão não ia tolerar isso; que os afegãos deviam ser seus aliados, não suas vítimas. O embaixador William Word interveio para dizer que a conversação tinha sido útil mas que demonstrava que existiam frustrações de ambas as partes.


"Biden se entrevistou com David McKiernan, o chefe das tropas estadunidenses no Afeganistão, que lhe disse que para ganhar essa guerra era necessário o envio dos 30 mil efetivos ainda pendentes desde o governo de Bush. Biden indagou acerca da Al Qaeda e David lhe respondeu que não tinha visto nem um só árabe em dois anos ali. Isso confirmava as suspeitas de Biden: a Al Qaeda, motivo principal dessa guerra, era um problema paquistanês.


"Biden recomendou a Obama tomar distância de Karzai. Graham confessou: ´Sr. presidente, estamos perdendo esta guerra.´Graham estava convencido de que era impossível ganhar a guerra no Afeganistão se perdia a guerra no Iraque.


"Capítulo 7


"A cerimônia de posse de Obama em 20 de janeiro esteve a ponto de ser suspensa. Informação de inteligência confiável indicava que um grupo de extremistas somalis planejava atacar Obama com explosivos. Entretanto, toda a atenção se concentrava no discurso de Obama e no que ele diria.


"O general Petraeus se encontrava novamente no Afganistão.


"Obama convocou uma reunião de seu grupo nacional de segurança em 21 de janeiro. A decisão chave era nomear Petraeus para a chefia do Comando Central. Obama pediu que lhe propusessem três opções acerca da guerra no Iraque. Ordenou que se fizesse um estudo em 60 dias para saber ´como íamos chegar aonde queríamos chegar´. Uma das opções a ter em conta, por solicitação do presidente, era a retirada das tropas em um período de 16 meses.

]
"Uma equipe de 80 pessoas começou a estudar a situação do Afeganistão. Foram analisados os interrogatórios aos prisioneiros, os relatórios do campo de batalha, os registros financeiros, a propaganda e os comunicados emitidos pelos talibãs.


"Ao Petraeus perguntar o que tinha sido encontrado, Derek Harvey, da Agência de Inteligência para a Defesa, respondeu que a situação era como a de um cego ajudando outro cego a caminhar; que os Estados Unidos tinham um grande desconhecimento acerca da insurgência afegã, quem era o inimigo e onde estava, como eles viam esta guerra e quais eram suas motivações. Sabia-se muito pouco acerca do inimigo para traçar uma estratégia que conduzisse à vitória. Harvey tratava de revolucionar a obtenção de informação de inteligência e se dedicou por inteiro a isso. Ele era de opinião de que a guerra podia ser ganha, mas que o governo dos Estados Unidos ia ter que fazer grandes compromissos durante muitos anos; que talvez não iam ter muita aceitação entre os eleitores. ´Eu creio que a guerra no Afeganistão pode ser feita, mas não pode ser vendida’, expresó Harvey.


"Obama anunciou que o envio de novos efetivos teria que ser anunciado como parte de uma nova estratégia. Petraeus indicou que os objetivos no seriam alcançados sem uma maior quantidade de tropas, que não podia ser contada somente com os ataques dos aviões não tripulados. Petraeus insistiu no envio dos 30 mil efetivos. Obama perguntou se era necessário enviar todas essas tropas de uma só vez e advertiu que era necessário antes contar com uma estratégia e que o presidente necessitava que propusessem a ele as decisões a tomar. O presidente parecia entender que esta guerra não seria ganha em um ou dois anos. O presidente saiu da reunião para cumprir outros compromissos sem ter tomado nenhuma decisão a respeito."



Fidel Castro Ruz

10 de outubro de 2010

18h00
Continuará


Prensa Latina

domingo, 10 de outubro de 2010

A falta que faz um jornal popular

Por Beto Almeida*

Até mesmo argumentos utilizados na eleição passada pelo conhecido sociólogo Hélio Jaguaribe indicando que os votos que elegeram Lula possuíam um significado inferior em relação aos votos do candidato derrotado, estes sim, e só estes, como que por encanto, dotados de uma dimensão de nação, constavam do artigo que causou a demissão.

Por desdobramento, o presidente Lula que promoveu recuperação significativa do salário mínimo, expandiu a classe média, reduziu robustamente os milhões de famintos, recupera a Petrobrás e a indústria naval, sob reconhecimento internacional expressivo, não teria sido eleito - segundo esta teoria esdrúxula - por votos com plena legitimidade.

Democracia X “democracia”

Mais surpreendente do que ver quem se encontra entre os insinuadores de tal interpretação que, por paralelo, remonta aos critérios da eleição a “bico de pena”, é a assustadora complementaridade e identidade que estes conceitos possuem com a nova “teoria da democracia” exalada pela Casa Branca, segundo a qual, não basta que um governo seja eleito pelo voto democrático para conferir-lhe legitimidade. Para o novo critério de democracia que vem do norte, depende de como estes governos eleitos governem ou qual concepção de democracia apliquem para serem, em definitivo, considerados ou não democráticos.

Os exemplos estão por aí. Se um governo decide assumir plena soberania sobre o seu território, como o governo do Equador, que recuperou o controle sobre a Base Militar de Manta, antes administrada por contingentes norte-americanos, este comportamento não permite que lhe seja conferido o rótulo de democrático. Ou quando um governo eleito democraticamente pelo voto direto - o que não ocorre nos EUA - decide nacionalizar suas fontes de recursos naturais, como o faz o governo da Bolívia, isso também configuraria comportamento não democrático, coincidentemente, por contrariar os interesses vitais de empresas norte-americanas em várias partes do mundo.

O modelo de representação política dos EUA, mesmo com históricos altos graus de abstenção, de cadastros eleitorais em que se fazem assepsia dos eleitores negros, pobres, asiáticos e ex-presidiários, da bilionária dependência de esquemas financeiros para que alguém seja candidato e do impenetrável controle de uma mídia dominada por anunciantes vinculados à indústria bélica, nada disso pode ser questionado do ponto de vista democrático. Nem mesmo o histórico de vinculações da Casa Branca na supressão dos regimes democráticos em várias partes do mundo ao longo de décadas. Lá sim, existiria o modelo de democracia.

O voto de pobre vale menos?

A psicanalista Maria Rita Kell ousou revelar murmúrios indignados que podem estar povoando os ambientes das oligarquias midiáticas diante da impossibilidade de impedir que herdeiros de ex-escravos possam exercer seu direito a voto. Sobretudo depois de estarem gradativamente recuperando o seu direito de trabalhar com carteira assinada, de serem reconhecidos pelo estado por meio de um programa social que lhes retira e aos seus filhos do corredor da pena de morte pela fome.

O Brasil acaba de ser reconhecido pela FAO com um dos países que mais contribuem na atualidade para a redução da fome. Mas, do lado de cá, sociólogos, um tanto envergonhados é bem verdade, querem insinuar que os votos destes que escapam da pena de morte da fome não teriam legitimidade. E quem revela este pensamento merece a pura e simples sentença da demissão. Decidida no mesmo ambiente em que floresceu e germinou com desenvoltura a discricionária e cruel idéia de um ex-diretor do jornal mencionado, que sentiu-se no direito de matar uma jovem jornalista porque, afinal, ela teria cometido a gravíssima falta de pretender.....terminar o namoro.

Monteiro Lobato desprezado

Quando o senador Suplicy sobe à tribuna e solicita à direção do centenário jornal que reverta a demissão de Kell - que para nossa sorte não corre risco de vida e poderá nos iluminar com novas análises corajosas se encontrar espaços de publicação - embora bem intencionado, pode ser que não conheça episódio marcante da história deste diário. Décadas atrás, o escritor Monteiro Lobato, aflito com a incultura e particularmente com contingente de iletrados, solicita aos donos deste diário que o veículo fosse utilizado de modo militante e compromissado na luta para vencer o vergonhoso quadro de milhões e milhões de analfabetos no país.

Após muito pensar, um dos proprietários responde ao criador do Sítio do Pica-pau Amarelo, provavelmente com o mesmo tom com que hoje condenam o voto dos pobres a uma espécie de sub-voto: “Ô Lobato, mas se todo mundo aprender a ler...quem é que vai pegar no cabo da enxada?”. A proposta de Monteiro Lobato foi recusada. O pluralismo da psicanalista Kell, condenado. Veremos o que ocorrerá com relação à solicitação do senador...

Apesar da evidente ausência de pluralismo na mídia brasileira, de sua crônica incapacidade para cumprir minimamente a Constituição Federal, do indevassável controle de algumas poucas famílias sobre a indústria da informação no Brasil, ainda assim, há gente que se preocupa não com este controle já existente do mercado cartelizado sobre os veículos de comunicação, mas com uma mera proposta de regulamentação da Constituição, colocando-a em sintonia com a tendência mundial que registra regulação crescente da comunicação como único caminho para assegurar-lhe pluralismo, diversidade, bem como caráter educativo, civilizatório e informativo nos seus conteúdos.

Comunicação é estratégica

O problema , no entanto, é que anos e anos de alerta e argumentação junto aos segmentos progressistas para que considerem a comunicação como algo estratégico, parece surtir pouco efeito organizativo. Só eventualmente, em momentos decisivos da política, este debate retorna ao cenário central da conjuntura, mas , quase sempre, limitado à reclamação indignada que, embora justa, termina por não colocar na mesa das iniciativas centrais das políticas progressistas, a necessidade de se construir alternativas concretas.

Publicaram que o Brasil não tinha petróleo

Tantas vezes muitos de nós já escrevemos e reiteramos aqui mesmo e em outras tribunas sobre o que representou o Jornal Última Hora, criado sob estímulo de Vargas, ele mesmo alvo de intensa campanha de desmoralização e destruição de imagem, na época intitulada “mar de lama”. Com a imensa popularidade que possuía, seja por ter criado a Petrobrás, o salário mínimo, os direitos trabalhistas, a licença maternidade, a siderúrgica de Volta Redonda, a Rádio Nacional, a Rádio Mauá, o Instituto Nacional do Cinema Educativo, o BNDES, etc, Vargas percebia que se dependesse da imprensa da época, o Brasil nunca teria petróleo, o salário mínimo e os direitos trabalhistas não passavam de privilégios descabidos, que a única linha editorial verdadeira e aceitável era a deposição do presidente.

Ou seja, será que magnatas da comunicação que chegaram ao ponto de bradar que o Brasil não possuía petróleo, podem ser sensibilizados e corrigir-se? O argumento ainda é válido para hoje. Como disse Giordano Bruno quando as fogueiras da Inquisição estavam sendo acesas “Que ingenuidade a minha, pedir ao poder para reformar o poder”

Hora de recriar um jornal popular

Será que as forças progressistas não devem pretender construir seus próprios meios de comunicação? Assim como o PT já revisou grande parte dos preconceitos que tinha contra Vargas e também quanto à política de alianças, não terá também chegada a hora de revisar uma linha política segundo a qual jornais de partido ou de segmentos não se justificam mais na política moderna e que o recomendável é a interlocução por meio da própria mídia dos grandes capitalistas?

A julgar pelo tom indignado e os exemplos que o presidente Lula apresenta contra a manipulação desinformativa sobre a sua gestão e sobre sua candidata, talvez tenha chegado o momento de se usar o imenso capital de popularidade para organização de um jornal popular, nacionalista, de circulação diária, massiva.

E, além disso, amparado em uma Fundação para o Jornalismo Público, dotada de uma faculdade capaz de gerar uma nova linguagem jornalística, para abrir uma nova cultura de jornalismo condizente com os novos tempos vividos pelo país. Um tempo em que milhões e milhões saem dos grotões físicos e sociais, iniciam-se no exercício de certos direitos e no consumo de bens indispensáveis, mas não dispõem ainda do direito de ler um jornal que retrate a marcha das mudanças que o Brasil está experimentando e da própria mudança que suas vidas vem registrando, sob o ponto de vista civilizatório.

Sinais de mudança no jornalismo no mundo

Basta que olhemos com mais atenção o mundo. Registra-se tendência de regulação no campo das comunicações para assegurar a diversidade, a pluralidade, o humanismo e o padrão civilizatório desta indústria. E se olharmos mais em volta de nós, perceberíamos vários países com um grau de pluralismo jornalístico invejável diante do monolitismo estreito e hostil às mudanças que vivenciamos na sociedade brasileira.

Na Argentina, há o jornal “Página 12”; no México , há o diário “La Jornada”; na Bolívia, o jornal “Cambio” ainda não completou um ano de vida, mas já é o recordista de vendagem, junto com o tradicional “La Razón”, que tem 70 anos de vida e, por fim, nasceu o “Correo del Orinoco”, do qual foi redator o brasileiro Abreu e Lima, que lutou junto a Bolívar na Independência frente ao imperialismo espanhol.

Toda vez que nos indignarmos com os fartos e incorrigíveis exemplos de jornalismo precário da imprensa brasileiro, será que não deveríamos também, para além da crítica, nos perguntar sinceramente por que não criamos o nosso próprio jornal popular? Não seria essa a crítica mais conseqüente a esta torrente de facciosismo que estamos a enfrentar? Na história do Jornal Última Hora está uma parte das respostas.

* Beto Almeida é jornalista.

O artigo foi extraído do sítio Pátria Latina

sábado, 9 de outubro de 2010

O MUNDO RELEMBRA CHE GUEVARA APÓS 43 ANOS DO SEU DESAPARECIMENTO NA BOLIVIA



Além de político, Ernesto Che Guevara foi escritor, jornalista e médico, e ocupou vários cargos em Cuba, principalmente na área econômica. Na área diplomática, foi responsável por várias missões internacionais.
Fonte: teleSUR

Fonte: teleSUR


Em 8 de outubro de 1967, o revolucionário argentino e guerrilheiro Ernesto Che Guevara, foi capturado pelo exército boliviano e aprisionado em um centro de estudos na localidade de La Higuera (Bolívia Oriental) e posteriormente executado. Até os dias de hoje, o mundo relembra o comandante.

Che, como era conhecido o médico argentino, foi lembrado pelos governos e povos do mundo, após 43 anos de sua captura e partida.

Guevara se encontrava na Bolívia junto do grupo que liderava para atingir seu ideal de justiça social, que defendeu ao longo de toda sua vida.

No final dos anos 60, o país andino era governado por uma ditadura militar chefiada pelo general René Barrientos, que havia chegado ao poder pela força.

O comandante se instalou, com um grupo integrado por cubanos, bolivianos, peruanos e argentinos, em uma região montanhosa do país sulamericano, muito próxima ao rio Ñancahuazú (sudeste da Bolívia). Uma única mulher fazia parte do grupo: Tania.

O tempo passado nas selvas bolivianas levou o Che a escrever grandes histórias. Depois de deixar Cuba e deslocar-se pelo Congo, por todos os lados lutou pelo movimento revolucionário. Convencido de que o povo era o único capaz de derrotar o império.

A Bolívia era um país estratégico para o Comandante Guevara, onde criou a guerrilha para irradiar a sua influência para os países da América do Sul.

Em vista de que o Che já era um modelo para jovens de todo o mundo, os militares bolivianos, aconselhados pela Agência Central de Inteligência (CIA), quiseram destruir o mito revolucionário e a única maneira foi assassinando-o.

O Che foi ferido na perna e, após ser capturado, foi aprisionado em uma escola em La Higuera, e fuzilado no dia seguinte, depois de meses de combates.

Ernesto Che Guevara deixou um vasto legado político e seu ideal socialista de unidade regional que ainda prevalece em todo o continente latinoamericano e se faz sentir no resto do mundo.

O líder guerrilheiro argentino transformou-se no símbolo da rebeldia e da esperança dos povos por um futuro de justiça e equidade. Foi um exemplo de humildade e humanismo.

Com o líder da Revolução cubana, Fidel Castro, Che foi bem sucedido em seu esforço de libertar à maior das Grandes Antilhas dos domínios da injustiça social e deram lugar a uma nova estrutura política do progresso nesse país.

Neste dia, uma série de atividades foram organizadas em Cuba e em outros países ao redor do mundo para relembrar o combatente argentino, incluindo a exibição de documentários em escolas e sindicatos, lançamento de livros, concertos e uma exposição de reconhecidos artistas naquele país.

Na última quinta-feira foi lançado o livro "O pensamento político de Ernesto Guevara”, da pesquisadora cubana Maria del Carmen Ariet, que estuda, analisar e aprecia com interessante senso histórico as origens da formação, desenvolvimento e integridade do pensamento de Guevara.

Camilo Guevara, filho do herói revolucionário, anunciou a realização de um documentário sobre a vida de seu pai, para mostrar ao mundo as muitas faces do homem, sob o título: Che, um homem novo.

“Tentamos apresentar não somente episódios da vida política e revolucionária, mas também a obra do Che, além da sua intimidade", disse Camilo Guevara em entrevista exclusiva com teleSUR.

Informou também que o trabalho de pesquisa compila o esforço de seu pai para mudar o mundo e exalta o seu lado mais humano como pai de família e marido.

“O Che foi um homem excepcional, para mim é a pessoa que reuniu os valores mais positivos que até ele chegaram e os devolveu a tempo de uma forma muito original, por isso continuará no tempo e será atemporal”, finalizou Camilo Guevara.

Lula+Dilma x FHC+Serra

O tema central das eleições deste ano, protagonizado pelos dois blocos de forças que têm ocupado o campo político, remete a dois projetos de país. Um, posto em prática quando os tucanos-demistas tiveram dois mandatos e o apoio total do grande empresariado, do capital internacional e da velha mídia, para realizar o governo que lhes parecia o melhor para o Brasil. O outro, realizado nestes oito anos, pelo governo Lula, que conta com o maior apoio popular que qualquer governo chegou a ter e a maior hostilidade da velha mídia.

Depois de esconder FHC e seu governo, parece que a oposição se arriscará a aceitar a comparação dos anos tucanos com os anos petistas.

Inicialmente os tucanos criticavam o governo Lula e suas políticas sociais como “esmolas” que compravam a consciência dos mais pobres. Quando se deram conta – especialmente depois da derrota em 2006, quando acreditavam que tinha o governo Lula contra as cordas – que a realidade social do país tinha mudado, passaram à cantilena de que os aspectos positivos do governo Lula tinham sido conquistados por eles: tanto a política econômica, como a social – esta supostamente iniciada por Ruth Cardoso.

Nunca se atreveram a tentar provar isso na prática. Na realidade, o Brasil que saiu do governo FHC era mais desigual, mais injusto, mais concentrador de renda e de poder. Além de que havia produzido três crises ao fragilizar a economia, a última das quais foi profunda e prolongada, da qual o Brasil só saiu no governo Lula. Por essa razão, também, no final do seu governo FHC, mesmo contando com toda a imprensa a seu favor, tinha 50,9% de rejeição.

Quando o programa do PT do final do ano passado fez a comparação entre os resultados dos dois governos, veio o pânico nas hostes oposicionistas, sobre o que os esperava na campanha eleitoral. Enquanto um FHC desmoralizado bradava pela necessidade dos tucanos aceitarem a comparação, estes fugiram da raia, e esconderam ao tucano do seu programa eleitoral – ao qual levaram a imagem positiva de Lula.

Agora veremos que mágica conseguem fazer para resgatar FHC, se é que realmente vão fazê-lo. A comparação é tudo o que a campanha da Dilma quer. Ela foi a coordenadora do governo, que teve um sucesso ininterrupto de 5 anos, conquistando 80% de aprovação e apenas 4% de rejeição para Lula. Dilma representa a continuidade e ao aprofundamento das transformações iniciadas nesses 8 anos, que pela primeira vez diminuíram a desigualdade no Brasil.

Esse o grande embate ao que a oposição tenta fugir, buscar outras vias de fazer campanha – com a sórdida utilização de pastores evangélicos explorando os sentimentos conservadores de setores da população – que não a confrontação política. Mas esse é o grande tema. Não porque remeta ao passado, mas porque representa hoje, o mesmo enfrentamento de blocos de forças com os mesmos interesses diferenciados que levaram o Brasil a ser mais injusto na década de 90 e a avançar significativamente na superação das injustiças e das desigualdades na primeira década deste século.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Primeiro Encontro internacional pelo Direito Universal dos povos à rebelião.

Caracas 7, 8 e 9 de outubro. Dia do Guerrilheiro Heróico.

O imperialismo dos EUA tem aumentado seu persistente, multilateral e multifacético contra-ataque contra os povos de Nossa América e contra suas mais recentes conquistas dentro do processo político continental rumo à Segunda e Definitiva Independência, no contexto de sua agressiva política de guerra e conquista a escala mundial e de seus terríveis expressões contra os povos de Palestina, Iraque e Afeganistão.

Nos últimos tempos têm sido crescentes e abusivos seus intervencionismo militar na Colômbia, Haiti e Costa Rica, seus planos de agressão contra Venezuela e seus compromissos com a política de terror dos regimes hondurenho e colombiano, contando com a cumplicidade do imperialismo européio e, muito particularmente, com o Estado de Israel.

A partir de diversos pronunciamentos sobre a pertinência o não da insurgência armada dos povos no marco dessa contra-ofensiva imperial e convencidos da necessidade de reconhecer o direito a todas as formas de resistência e rebelião, -como também todas as variantes da luta para se contrapor ao terror, a guerra e a opressão- o Movimento Continental Bolivariano tem decidido aportar a esse debate, convocando o "Primeiro Encontro Internacional pelo Direito Universal dos povos à rebelião".

O evento será em Caracas, Venezuela, os dias 7, 8 e 9 de outubro, no marco do aniversário da caída em Bolívia do Guerrilheiro Heróico.

Esse debate resulta muito oportuno porque têm sido feitas várias exortações à insurgência colombiana no sentido de que deixe a luta revolucionária armada, se desmobilize e se desarme, pois quem assim falam vêm nela "o pretexto" tanto para a ofensiva do Império em toda América Latina quanto para ameaçar os processos progressistas de Venezuela, Equador e Bolívia. O momento atual exige de imediato um analise profundo das causas que geram e mantém a insurgência armada em qualquer parto do mundo e em particular, na Colômbia e em nosso Continente, aportando à necessária batalha de idéias, reflexões e debates que passem longe das visões simplistas e das interpretações mecanicistas.

Convidamos as organizações revolucionárias de América Latina, O Caribe e o mundo a que participem nesse intercambio de idéias, destinado a aprofundar em temas de tanta transcendência histórica e incontestável atualidade política.

Diretoria executiva do Movimento Continental Bolivariano.
cconbolivar@yahoo.es

Brasil. Eleições 2010: Manifesto

COM DILMA NO SEGUNDO TURNO
PARA O BRASIL SEGUIR MUDANDO

Os resultados da eleição do dia 3 de outubro são uma grande vitória do povo brasileiro.

Dilma Rousseff e Michel Temer obtiveram mais de 47 milhões de votos, patamar semelhante aos de Lula nos primeiros turnos das eleições de 2002 e 2006.

Os Partidos que integram a coligação vitoriosa elegeram 11 governadores e disputam o segundo turno em 10 outros estados.

Com mais de 350 deputados, sobre 513, entre aliados e coligados, o próximo Governo terá a maioria da Câmara Federal. Será também majoritário no Senado, com mais de 50 senadores. Terá, pelo menos, 734 deputados estaduais.

Estão reunidas, assim, todas as condições para a vitória definitiva em 31 de outubro.

Para tanto, é necessário clareza política e capacidade de mobilização.

A candidatura da oposição encontra-se mergulhada em contradições. Tentam atrair os verdes, mas não podem tirar o velho e conservador DEM de seu palanque. Denuncia “aparelhismos”, mas já está barganhando cargos em um possível ministério. Proclama-se democrata, mas persegue jornalistas e censura pesquisas. Seus partidários tentam sair dessa situação por meio de uma série de manobras que buscam confundir o debate político nacional. Espalham mentiras e acusações infundadas.

Mas o que está em jogo hoje no país é o confronto entre dois projetos.

De um lado, o Brasil do passado, da paralisia econômica, do gigantesco endividamento interno, mas também da dívida externa e da submissão ao FMI. O Brasil que quase foi à falência nas crises mundiais de 95, 97 e 98.

O Brasil de uma carga tributária que saltou de 27% para 35% do PIB. O Brasil dos apagões e do sucateamento da infra-estrutura. O Brasil da privataria, que torrou nossas empresas públicas por 100 bilhões de dólares e conseguiu a proeza de dobrar nossa dívida pública. E já estão anunciando novas privatizações, dentre elas a do Pré-Sal.

O Brasil do passado, do Governo FHC, que nosso adversário integrou, é o país que não soube enfrentar efetivamente a desigualdade social e não tinha vergonha de afirmar que uma parte da população brasileira era “inempregável”.

Era o Brasil do desmonte do Estado e da perseguição aos funcionários.

Era o Brasil das universidades à beira do colapso e da proibição do Governo Federal de custear escolas técnicas.

Mas, sobretudo, era o país da desesperança, de governantes de costas para seus vizinhos da América Latina, cabisbaixos diante das potências estrangeiras em cujos aeroportos se humilhavam tirando os sapatos.

Em oito anos, o Brasil começou a mudar. Uma grande transformação se iniciou e deverá continuar e aprofundar-se no Governo Dilma.

O Brasil de Lula, hoje, e o de Dilma, amanhã, é e será o país do crescimento acelerado. Mas um país que cresce porque distribui renda. Que retirou 28 milhões de homens e mulheres da pobreza. Que possibilitou a ascensão social de 36 milhões de brasileiros. Que criou mais de 14 milhões de empregos formais. Que expandiu o crédito, sobretudo para os de baixo. Que fez crescer sete vezes os recursos para a agricultura familiar. E que fez tudo isso sem inflação ou ameaça dela. O Brasil de Lula e de Dilma é o país que possui uma das mais baixas dívidas internas do mundo. Que deixou de ser devedor internacional, passando à condição de credor. Que não é mais servo do FMI. É o país que enfrentou com tranqüilidade a mais grave crise econômica mundial. Foi o último a sofrer seus efeitos e o primeiro a sair dela.

Dilma continuará a reconstruir e fortalecer o Estado e a valorizar o funcionalismo. O Brasil de Lula e de Dilma está reconstruindo aceleradamente sua infra-estrutura energética, seus portos e ferrovias. É o Brasil do PAC. O Brasil do Pré Sal. É o Brasil do Minha Casa, Minha Vida, que vai continuar enfrentando o problema da moradia, sobretudo para as famílias de baixa renda.

Nosso desenvolvimento continuará sendo ambientalmente equilibrado, como demonstram os êxitos que tivemos no combate ao desmatamento e na construção de alternativas energéticas limpas. Manteremos essa posição nos debates internacionais sobre a mudança do clima.

No Brasil de Lula e de Dilma foi aprovado o FUNDEB que propiciou melhoria salarial aos professores da educação básica. É o país onde os salários dos professores universitários tiveram considerável elevação. Onde se criaram 14 novas universidades e 124 extensões universitárias. Onde mais de 700 mil estudantes carentes foram beneficiados com as bolsas de estudo do Prouni e 214 Escolas Técnicas Federais foram criadas. Onde 40 bilhões de reais foram investidos em ciência e tecnologia. Esse Brasil continuará a desenvolver-se porque o Governo Dilma cuidará da pré-escola à pós-graduação e fará da educação de qualidade o centro de suas preocupações. O Brasil de Dilma continuará dando proteção à maternidade e protegendo, com políticas públicas, as mulheres da violência doméstica. Será o Brasil que dará prosseguimento às políticas de promoção da igualdade racial.

Os alicerces de um grande Brasil foram criados. Mais que isso, muitas das paredes desta nova casa já estão erguidas.

A obra não vai parar.

Vamos prosseguir no esforço de dar saúde de qualidade com mais UPAS, Samu, Brasil Sorridente, Médicos de Família.

Vamos continuar o grande trabalho de garantir a segurança de todos os brasileiros, com repressão ao crime organizado e controle da fronteiras, mas, sobretudo, com respeito aos direitos humanos, ações sociais e a participação da sociedade, como vem acontecendo com as UPP.

Vamos continuar a ser um país soberano, solidário com seus vizinhos. Um país que luta pela paz no mundo, pela democracia, pelo respeito aos direitos humanos. Um país que luta por uma nova ordem econômica e política mundial mais justa e equilibrada.

Os brasileiros continuarão a ter orgulho de seu país.

Mas, sobretudo queremos aprofundar nossa democracia. A grande vitória que a coligação PARA O BRASIL SEGUIR MUDANDO obteve nas eleições para o Congresso Nacional permitirá que Dilma Rousseff tenha uma sólida base de sustentação parlamentar.

Diferentemente do que ocorreu entre 1995 e 2002, a nova maioria no Congresso não é resultado de acordos pós-eleitorais. Ela é o resultado da vontade popular expressa nas urnas. Essa maioria não será instrumento para esmagar as oposições, como no passado. Queremos um Brasil unido em sua diversidade política, étnica, cultural e religiosa.

Por essa razão repudiamos aqueles que querem explorar cinicamente a religiosidade do povo brasileiro para fins eleitorais. Isso é um desrespeito às distintas confissões religiosas. Tentar introduzir o ódio entre as comunidades religiosas é um crime. Viola as melhores tradições de tolerância do povo brasileiro, que são admiradas em todo o mundo.

O Brasil republicano é um Estado laico que respeita todas as convicções religiosas. Não permitiremos que nos tentem dividir.

O Brasil de Dilma, assim como o de Lula, é e será uma terra de liberdade, onde todos poderão, sem qualquer tipo de censura, expressar suas idéias e convicções.

Será o Brasil que se ocupará de forma prioritária das crianças e dos jovens, abrindo-lhes as portas do futuro. Por essa razão dará ênfase à educação e à cultura.

Mas será também um país que cuidará de seus idosos, de suas condições de vida, de sua saúde e de sua dignidade.

Sabemos que os milhões que estiveram conosco até agora serão muitos mais amanhã.

Para dar continuidade a essa construção iniciada em 2003 convocamos todos os homens e mulheres deste país. A hora é de mobilização. É importante que nas ruas, nas escolas, nas fábricas e nos campos a voz da mudança se faça ouvir mais fortemente do que a voz do atraso, da calúnia, do preconceito, da mentira, dos privilégios.

À luta, até a vitória.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

O COMEÇO DO FIM DA “SEGURANÇA DEMOCRÁTICA”

ANNCOL


Que iludido está o ex-cadete naval, Juan Manuel Santos. Depois da custosa operação “Sodoma" ele disse que: "As Farc estão no fim do fim".

"Pelo menos oito militares ficaram feridos em um ataque das FARC com morteiros e cilindros com explosivos contra as posições do exército colombiano departamento de Cauca, informaram fontes militares", escreve a agência europeia.

A disputa militar é na Colômbia e não desde o estrangeiro, como costumam “informar” as Forças Armadas.

"A ação das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) ocorreu nos lugarejos conhecidos como Loma Alta, La Bodega, La Palma e La Cruz, municipio de Toribío, segundo um boletim da Força Aérea Colombiana (FAC)”, escreve a agência EFE, que não é agência fariana.

O pesadelo dos feridos mutilados é fatal em Forças Armadas desmoralizadas e sem comando de combate. Generais e Almirantes vestem o uniforme somente para as negociatas e bazares nos clubes do ocio e vicio de Bogotá e Cartagena.

"A FAC resgatou oito militares do Exército Nacional que ficaram feridos e foram transladados até a cidade de Cali, onde são atendidos em centros assistenciais".

Com apenas artilharia artesanal as Farc golpeiam a “Segurança Democrática”, antes de Uribe e agora de Santos. Leamos: "É o começo do fim" de um projeto fascista desenhado por Washington para destruir a luta de massas na Colômbia.

"Os ataques foram perpetrados por rebeldes da coluna móvel “Jacobo Arenas” e do Sexto Frente das FARC que usaram morteiros, cilindros e bujões carregados de explosivos”.

Dilma terá maioria parlamentar para avançar nas mudanças

A candidata favorita na disputa do segundo turno da eleição presidencial, Dilma Rousseff, poderá governar, se eleita, com uma situação parlamentar pouco comum nas relações entre os poderes executivo e legislativo no Brasil: ela terá folgada maioria na Câmara dos Deputados e no Senado. Na hipótese improvável da vitória do candidato neoliberal, o tucano José Serra, ele governaria com uma oposição parlamentar que poucos presidentes enfrentaram na história republicana.


Este é o quadro que o resultado da eleição de domingo desenha para o próximo presidente da República. A base de apoio do presidente Lula ampliou fortemente sua presença no Congresso onde, segundo alguns analistas, a bancada de esquerda cresceu, a bancada da direita encolheu e o centro ficou com o mesmo tamanho que tem na legislatura que está em fim de mandato.

No Senado, a coalizão democrática e popular elegeu 36 das 54 vagas em disputa (2/3 do total), e terá 60 mandatos (os 36, mais os senadores eleitos em 2006 e que têm mandato até 2015) na legislatura que se inicia. Na Câmara dos Deputados, conquistou 311 cadeiras (há quem fale que a bancada pró Lula/Dilma passará dos 400 deputados), enquanto a aliança conservadora e neoliberal ficou com 136 e os deputados não ligados a nenhum destes dois blocos ficaram com 66, nas contas de Antônio Augusto de Queiroz, do Diap. A coalizão de Dilma ficou com 60% dos deputados. Como está em vigor a decisão do Supremo Tribunal Federal de que o mandato pertence ao partido, lembra aquele analista, é possível prever a formação de bancadas coesas pois a tendência dos parlamentares poderá ser a de seguir com maior fidelidade as decisões dos partidos.

Dessa forma, Dilma Rousseff terá condições inéditas de aprovar mudanças constitucionais (cujo quorum é de 308 deputados federais e 49 no Senado); da mesma forma, nestas condições a nova composição do Congresso oporá resistências no mínimo trabalhosas para um presidente da coalizão neoliberal/conservadora aprovar qualquer medida no parlamento. Mesmo projetos do governo, que exigem maioria simples de 257 deputados federais e 41 senadores.

O eleitor passou uma vassoura no Congresso e escolheu novos parlamentares alinhados com o anseio de mudança e consolidação democrática que se fortalece no país desde a eleição de Lula em 2002. Nas eleições parlamentares, onde a representação desse anseio fica mais diluída entre os deputados e senadores escolhidos pois elas constituem um retrato mais diversificado da vontade popular, a renovação sempre é mais lenta do que em eleições para o executivo, onde um único nome, escolhido para a chefia do governo, galvaniza o sentimento do eleitor. Como o sistema de governo no Brasil é presidencialista, as eleições quase sempre resultam num equilibro precário, quando não no puro e simples desequilíbrio, entre estes dois poderes cuja harmonia é fundamental para a chamada governabilidade. Foi o que se viu durante os mandatos do presidente Lula quando a forte presença parlamentar da oposição chegou muitas vezes a paralisar a ação do executivo, impondo ritmos lentos para mudanças essenciais, exigindo a custosa construção de maiorias parlamentares para votações pontuais.

O Congresso eleito no domingo, num cenário de vitória de Dilma, aponta para outra direção. A oposição estará lá, expressando democraticamente a opinião e os interesses dos setores sociais que representa. Mas perdeu a capacidade de paralisar a ação do governo. Esta é uma oportunidade rara de avançar, que os brasileiros não podem desperdiçar.

A possibilidade concreta de avançar nas mudanças, que começou a ser construída no domingo com a eleição desta maioria parlamentar precisa ser completada, no dia 31, com a confirmação da vitória de Dilma Rousseff para a Presidência da República.


Fonte: www.vermelho.org.br

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Leonardo Boff apóia aliança entre Marina e Dilma

Há dois projetos em ação: um é o neoliberal ainda vigente no mundo e no Brasil apesar da derrota de suas principais teses na crise de 2008. Esse nome visa dissimular aos olhos de todos, o caráter altamente depredador do processo de acumulação, concentrador de renda que tem como contrapartida o aumento vertiginoso das injustiças, da exclusão e da fome. José Serra representa esse ideário. O outro projeto é o da democracia social e popular do PT. Sua base social é o povo organizado e todos aqueles que pela vida afora se empenharam por um outro Brasil. Dilma Rousseff se propõe garantir e aprofundar a continuidade deste projeto. É aquí que entra a missão de Marina Silva com seus cerca de vinte milhões de votos. O artigo é de Leonardo Boff.
Leonardo Boff
O Brasil está ainda em construção. Somos inteiros mas não acabados. Nas bases e nas discussões políticas sempre se suscita a questão: que Brasil finalmente queremos?

É então que surgem os vários projetos políticos elaborados a partir de forças sociais com seus interesses econômicos e ideológicos com os quais pretendem moldar o Brasil.

Agora, no segundo turno das eleições presidenciais, tais projetos repontam com clareza. É importante o cidadão consciente dar-se conta do que está em jogo para além das palavras e promessas e se colocar criticamente a questão: qual dos projetos atende melhor às urgências das maiorias que sempre foram as “humilhadas e ofendidas” e consideradas “zeros econômicos” pelo pouco que produzem e consomem.

Essas maiorias conseguiram se organizar, criar sua consciência própria, elaborar o seu projeto de Brasil e digamos, sinceramente, chegaram a fazer de alguém de seu meio, Presidente do pais, Luiz Inácio Lula da Silva. Fou uma virada de magnitude histórica.

Há dois projetos em ação: um é o neoliberal ainda vigente no mundo e no Brasil apesar da derrota de suas principais teses na crise econômico-financeira de 2008. Esse nome visa dissimular aos olhos de todos, o caráter altamente depredador do processo de acumulação, concentrador de renda que tem como contrapartida o aumento vertiginoso das injustiças, da exclusão e da fome. Para facilitar a dominação do capital mundializado, procura-se enfraquecer o Estado, flexibilizar as legislações e privatizar os setores rentáveis dos bens públicos.

O Brasil sob o governo de Fernando Henrique Cardoso embarcou alegremente neste barco a ponto de no final de seu mandato quase afundar o Brasil. Para dar certo, ele postulou uma população menor do que aquela existente. Cresceu a multidão dos excluidos. Os pequenos ensaios de inclusão foram apenas ensaios para disfarçar as contradições inocultáveis.

Os portadores deste projeto são aqueles partidos ou coligações, encabeçados pelo PSDB que sempre estiveram no poder com seus fartos benesses. Este projeto prolonga a lógica do colonialismo, do neocolonialismo e do globocolonialismo pois sempre se atém aos ditames dos paises centrais.

José Serra, do PSDB, representa esse ideário. Por detrás dele estão o agrobusiness, o latifúndio tecnicamente moderno e ideologicamente retrógrado, parte da burguesia financeira e industrial. É o núcleo central do velho Brasil das elites que precisamos vencer pois elas sempre procuram abortar a chance de um Brasil moderno com uma democracia inclusiva.

O outro projeto é o da democracia social e popular do PT. Sua base social é o povo organizado e todos aqueles que pela vida afora se empenharam por um outro Brasil. Este projeto se constrói de baixo para cima e de dentro para fora. Que forjar uma nação autônoma, capaz de democratizar a cidadania, mobilizar a sociedade e o Estado para erradicar, a curto prazo, a fome e a pobreza, garantir um desenvolvimento social includente que diminua as desigualdades. Esse projeto quer um Brasil aberto ao diálogo com todos, visa a integração continental e pratica uma política externa autônoma, fundada no ganha-ganha e não na truculência do mais forte.

Ora, o governo Lula deu corpo a este projeto. Produziu uma inclusão social de mais de 30 milhões e uma diminuição do fosso entre ricos e pobres nunca assistido em nossa história. Representou em termos políticos uma revolução social de cunho popular pois deu novo rumo ao nosso destino. Essa virada deve ser mantida pois faz bem a todos, principalmente às grandes maiorias, pois lhes devolveu a dignidade negada.

Dilma Rousseff se propõe garantir e aprofundar a continuidade deste projeto que deu certo. Muito foi feito, mas muito falta ainda por fazer, pois a chaga social dura já há séculos e sangra.

É aquí que entra a missão de Marina Silva com seus cerca de vinte milhões de votos. Ela mostrou que há uma faceta significativa do eleitorado que quer enriquecer o projeto da democracia social e popular. Esta precisa assumir estrategicamente a questão da natureza, impedir sua devastação pelas monoculturas, ensaiar uma nova benevolência para com a Mãe Terra. Marina em sua campanha lançou esse programa. Seguramente se inclinará para o lado de onde veio, o PT, que ajudou a construir e agora a enriquecer. Cabe ao PT escutar esta voz que vem das ruas e com humildade saber abrir-se ao ambiental proposto por Marina Silva.

Sonhamos com uma democracia social, popular e ecológica que reconcilie ser humano e natureza para garantir um futuro comum feliz para nós e para a humanidade que nos olha cheia de esperança.

(*) Leonardo Boff é teólogo

terça-feira, 5 de outubro de 2010

O segundo turno e a revolução democrática no Brasil

Por Emiliano José *

O resultado do primeiro turno indica que toda a nossa militância política, a do PT e de todos os partidos aliados, teremos que ir à luta para garantir a continuidade da revolução democrática em andamento no Brasil, elegendo Dilma contra Serra. O governo Lula colocou em marcha essa revolução, depois da eleição de 2002. Não foi até agora um processo simples. Não o será daqui para frente. É, no entanto, uma revolução inédita no Brasil, e que, levada adiante, pode assegurar a construção de uma nação não só poderosa economicamente, como já o somos, como também, e sobretudo, uma nação justa, que modifique nossas tradicionais estruturas voltadas à concentração de renda e à desigualdade, ainda das maiores do mundo entre nós. Uma nação que democraticamente incorpore em profundidade a presença do povo brasileiro, que pense o desenvolvimento sempre em razão da maioria, e não voltado a atender aos interesses de uma minoria. Por tudo isso, será essencial que nos coloquemos todos em campo, insistindo na importância de levar adiante tal revolução.

Essa revolução, que será de longo curso, já quebrou alguns paradigmas. O primeiro deles, talvez, o de imaginar o glorioso dia da revolução, como muitos de nós imaginávamos acontecer, dia em que o paraíso se estabeleceria, e as estruturas antigas desmoronariam como que por encanto. Não pensávamos a longo prazo. Não pensávamos como Gramsci na guerra de posição. Imaginávamos sempre a guerra de movimento, a conquista do Palácio de Inverno. Advogávamos, muitos de nós, o corte abrupto, súbito, a tomada do poder, a ditadura do proletariado, e então, tudo se faria, com violência se fosse o caso, e sem democracia. Sob a democracia, então denominada burguesa, não seria possível promover transformações na vida do povo.

O governo Lula provou o contrário. A guerra de posição, se me permitem a metáfora, foi caminhando, e promovendo conquistas extraordinárias. E essas conquistas levaram sempre em conta as necessidades, os direitos do nosso povo, especialmente do nosso povo mais pobre. Depois de Vargas, este foi o primeiro governo a novamente pensar no povo brasileiro mais pobre, e o governo Lula, para ser verdadeiro, foi muito mais amplo no esforço de garantir a presença do povo brasileiro, e insista-se, do povo mais pobre, na dinâmica de desenvolvimento do País, à Celso Furtado, que é sempre bom lembrar os grandes pensadores, e Celso é um dos maiores deles. Aqui, a revolução democrática derrotava outro paradigma – o paradigma tecnocrático e com origem nas classes dominantes, de que era primeiro necessário crescer para depois então distribuir renda.

Vargas, para não sermos injustos, pensou um projeto de nação, e desenvolveu economicamente o País à base da idéia da inclusão dos trabalhadores urbanos, e não seria justo dizer, à FHC, que toda aquela experiência deveria ser negada sob o rótulo simplista de populismo. O governo Lula, no entanto, no leito da revolução democrática, foi muito além, e por isso incorporou à vida, à cidadania coisa de mais de 30 milhões de pessoas, retiradas da miséria absoluta, retiradas da condição do não ser. Incorporou com políticas públicas ousadas, enfrentando o apetite da grande burguesia, das classes dominantes, e até os preconceitos do esquerdismo infantil, que não aceita a melhoria das condições de vida do povo senão pelo processo do corte abrupto, como se esse corte fosse possível nas condições brasileiras. E enquanto ele não se dá, essa esquerda permanece imobilizada. A idéia, tão acalentada pela esquerda, da criação de um mercado de massas, concretizou-se sob o governo Lula, sob a revolução democrática em andamento.

Claro que essas transformações, efetivadas pelas políticas públicas em andamento, que vão do Bolsa Família à recuperação do salário mínimo, e passam pelo Luz para Todos, pelo Pronaf, pelo Prouni, para lembrar alguns aspectos dessas políticas, foram feitas à base da extraordinária coragem e determinação do presidente Lula e, também, de sua fantástica capacidade de negociação. E Lula, aqui, quebrava outro paradigma nosso, da esquerda: o de que tudo se conquista pelo confronto. Lula aprendeu, na vida sindical, e depois levou esse ensinamento para a política, que é sempre melhor uma boa negociação do que uma greve. Que a greve pela greve não interessa. Na política, nunca perdeu o rumo, nunca deixou de olhar para os mais pobres, em momento algum. Mas, soube dar um passo adiante, dois atrás, depois três adiante, tendo como objetivo a melhoria de condições de vida do nosso povo.

O governo Lula teve a coragem de colocar na agenda política brasileira as questões da luta pela igualdade racial, pela emancipação feminina, pelos direitos humanos e por um meio ambiente equilibrado, temas caros a uma esquerda renovada e democrática. Temas da revolução democrática. Recentemente, os direitos humanos, abrigados no Plano Nacional de Direitos 3, sofreram um bombardeio de setores conservadores, como se tal plano fosse apenas uma iniciativa do governo, e não resultado de uma ampla e democrática conferência nacional. E por falar nisso, outro aspecto colocado na agenda política pelo governo Lula foi o da participação popular. Contribuiu decisivamente para a realização de conferências nacionais que mobilizaram milhões de pessoas e que contribuem decisivamente para a elaboração das políticas públicas do governo. Na democracia atual, reclama-se o crescimento da participação direta. Não é mais possível pensar apenas no seu caráter representativo.

Quando falo da capacidade de negociação do presidente Lula, não desconheço sua ousadia quando necessário. Esses temas todos não são fáceis de serem apresentados à sociedade. Quando Lula vai, por exemplo, a uma conferência de LGBT, não só legitima o direito à diversidade, quanto enfrenta o pensamento conservador, que ainda tem força em nossa sociedade. Lula, mesmo que não tenha tido uma formação clássica de esquerda, foi ao longo da vida, e do governo, assumindo posições da esquerda contemporânea, tomando atitudes próprias de uma esquerda renovada. Foi ao longo do governo um extraordinário dirigente da revolução democrática em curso, que orgulhou a todos nós. Sobretudo porque, insisto, em momento algum vacilou em relação à prioridade das políticas públicas, que deveriam estar voltadas, como estiveram, para a melhoria das condições de vida do povo brasileiro.

Essa não é, como se sabe, como já disse, uma caminhada fácil. Chegar a isso exigiu muita luta. Confesso que alimentei ilusões de um debate de bom nível sobre o Brasil nessas eleições. Especialmente porque olhava para o passado de Serra, e imaginava que ele tentasse ser digno dele. Penso no passado de resistência à ditadura e de seu papel como ex-presidente da UNE. Até de sua capacidade de formulação intelectual. Enganei-me. Serra assumiu no primeiro turno posições próprias da extrema-direita, lamentavelmente. E escondeu o seu programa neoliberal, como escondeu o próprio Fernando Henrique Cardoso. Preferiu ser um udenista tardio, um Lacerda do novo milênio. Lacerda foi a tragédia, Serra a triste, melancólica farsa.

Quem sabe, no segundo turno ele consiga travar um debate de melhor nível. A mídia hegemônica, outra vez, aquela das três famílias, ou das poucas, reduzidas famílias, fez o que podia e o que não podia para desacreditar Dilma Rousseff, para apresentá-la como uma candidata sem condições, tentando sempre envolvê-la em escândalos. Dilma cresceu durante a campanha, desenvolveu sua capacidade de argumentação, enfrentou bem o seu principal adversário. Apresentou o programa da revolução democrática, baseada naquilo que foi realizado pelo governo Lula Agora é enfrentar o segundo turno com muita firmeza. Em duas eleições demonstramos nossa capacidade. E vamos também demonstrar nas deste ano.

O segundo turno permitirá uma discussão mais aprofundada do nosso projeto. Devemos dizer que a revolução democrática deve caminhar mais. Sempre e sempre com base na democracia, na participação cada vez mais consciente do nosso povo, e não apenas nas eleições, mas também nestas, sempre. Insistir que nosso projeto pretende garantir mais e mais a distribuição de renda. Combater a desigualdade social profunda que ainda nos afeta. Ir fundo na revolução educacional iniciada nos primeiros oito anos. Assegurar o desenvolvimento sustentável. Crescimento econômico a taxas altas não pode nos inebriar e nos levar a uma política que não leve em conta a importância da preservação do meio ambiente. Enfrentar de peito aberto, com firmeza e capacidade, a questão urbana brasileira, especialmente a das médias e grandes metrópoles, que condensam nossos principais problemas nos dias de hoje.

Segundo turno é outra eleição, costuma se dizer, e com razão. Não está posto que os votos dados a Marina, mesmo que eventualmente o PV venha a apoiar Serra ou que Marina também o faça, se transfiram para o candidato tucano. Seguramente, tais votos têm um claro pendor progressista, ao menos uma grande parcela deles. E penso tendem a migrar em sua maioria para a candidatura Dilma. Ou, dito de outra forma, tendem a optar pela revolução democrática em andamento no Brasil. Claro que isso pode parecer apenas expressão do meu pensamento desejoso, e de alguma forma o é. Mas, também, é parte da análise de outras situações de segundo turno.

O povo brasileiro adiou a sua decisão, quem sabe para avaliar melhor o quadro, como o fez nas duas eleições de Lula. E agora, como agiu em relação a Lula, penso, no segundo turno também elegerá Dilma para não perder tudo que conquistou ao longo dos oito anos de governo Lula. Nossa militância, no entanto, sabe que deverá estar nas ruas, defendendo com toda firmeza o nosso projeto, a revolução democrática que está mudando a vida do povo brasileiro.

(*) Jornalista, escritor, militante político, filiado ao PT.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Segundo turno: Dilma larga com 47 milhões de votos. Serra com 32,9

O resultado da eleição foi segundo turno. Faltou pouco para liquidar a eleição no primeiro turno, mas faltou.

Agora é completar o que faltou no segundo turno.

Se a maioria do eleitorado quis segundo turno, temos que respeitar a vontade do povo brasileiro, e acabar de fazer o que ficou faltando: esclarecer o que não foi esclarecido.

É hora de desintoxicar o veneno dos boatos mentirosos. Dilma e Lula sempre respeitaram, ouviram, dialogaram e negociaram com movimentos sociais, buscando consensos. Com grupos religiosos, que não deixam de ser uma forma de movimento social da sociedade organizada, também é a mesma coisa. É preciso reunir, dialogar, esclarecer, estabelecer compromissos e acabar com mal entendidos de uma vez por todas.

O segundo turno será um pouco diferente do primeiro. O "bateu, levou", pode ser aplicado, porque não há uma terceira via para correr por fora. Historicamente quando 2 candidatos brigam, muitos eleitores migram para um terceiro que corre por fora. Por isso, quando Dilma estava na frente com folga era interessante evitar a baixaria de Serra, respondendo o mínimo necessário. Quando só tem 2 na disputa, não tem para onde perder votos, e dá para responder melhor, sem perder votos.

De qualquer forma, o maior desafio é pautar a campanha para os temas políticos, com confronto dos dois projetos nacionais e suas diferenças que estão em jogo. Serra, pelo seu modus operandi, vai fugir desses temas que lhe são desfavoráveis.

Vai procurar despolitizar, desconstruir a adversária com infâmias, vai querer transformar a eleição num paredão do BBB (Big Brother Brasil).

Vai usar a imprensa para atacar na desconstrução da imagem de Dilma com difamação pelas bordas, acusando gente do PT ou do governo, soltando seus dossiês para a Folha e para a Veja, arregimentando ex-presidiários, e baixarias do gênero.

A imprensa é a artilharia. A infantaria é a internet, com sua rede de empresas pagas para fazer spam para espalhar boatos sujos, calúnias e difamação. Fizeram isso no primeiro turno. E continuarão fazendo. A campanha de Dilma tem que tratar de monitorar e reagir mais rapidamente do que no primeiro turno, tanto aos ataques da imprensa como pela internet.

A vantagem no segundo turno é que Serra não terá como se esconder, não poderá fazer perguntas pelas costas para Marina ou Plínio, nos debates. Não poderá escapar do confronto frente a frente. Não poderá esconder seu passado do que fez na constituinte, como deputado, como senador, como Ministro de FHC, como prefeito e como governador.

Dilma inicia o segundo turno com mais de 47 milhões de votos (mais do que os 46,6 milhões que Lula teve no 1º turno de 2006, apesar do eleitorado ser menor naquele ano).

Serra teve quase 33 milhões de votos (bem menos do que os 40 milhões que Alckmin teve no primeiro turno, apesar do eleitorado ser maior nesse ano).

Marina conseguiu uma excelente votação, de quase 20 milhões de votos. Bem acima das expectativas. Em termos de votação está de parabéns. Em termos políticos ainda é preciso decifrar o significado dessa vitória, e saber como ela própria vai se posicionar politicamente. De qualquer forma seus votos devem ir para Serra no caso do eleitor anti-Lula, e ir para Dilma no caso do eleitor que gosta de Lula, uma vez que se consiga desfazer os boatos que levaram muita gente a mudar o voto de Dilma para Marina.


Fonte, blog dos amigos do presidente Lula

sábado, 2 de outubro de 2010

Fidel Castro: Piedad Córdoba e a sua luta pela paz

Há três dias, foi noticiado que o Procurador Geral da Colômbia, Alejandro Ordóñez Maldonado, havia destituído e desabilitado por 18 anos para o exercício de cargos políticos a prestigiosa senadora colombiana Piedad Córdoba, por suposta promoção e colaboração com as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia).

Frente a uma medida tão inusitada e drástica contra a titular de um mandato eletivo da maior instituição legislativa do Estado, ela não tem outra alternativa senão recorrer ante o próprio Procurador Geral que criou a medida.

Era lógico que tal arbitrariedade provocasse um forte rechaço, expressado pelas mais diversas personalidades políticas, incluindo ex-prisioneiros das Farc e familiares dos que foram liberados através dos esforços da senadora, o ex-candidatos presidenciais, pessoas que ocuparam este alto cargo, outros que foram, ou são, senadores ou membros do Legislativo.

Piedad Córdoba é uma pessoa inteligente e corajosa, expositora brilhante, de ideias bem articuladas. Há poucas semanas, nos visitou, juntamente com outras figuras proeminentes, incluindo um sacerdote jesuíta de notável integridade. Vinham animados por um profundo desejo de buscar a paz para seu país e pediam a ajuda de Cuba, lembrando que, durante anos, e, a pedido do próprio governo da Colômbia, emprestamos nosso território e a nossa colaboração para as reuniões realizadas na capital do nosso país, entre representantes do governo da Colômbia e o ELN.

Não me surpreende, no entanto, a decisão tomada pelo Procurador Geral, que reflete a política oficial do país praticamente ocupado pelas tropas ianques.

Eu não gosto de falar com meias palavras e direi o que penso. Na semana passada, estava prestes a iniciar o debate geral do 65º Período de Sessão da Assembléia Geral da ONU. Durante três dias, se haviam discutido as penosas metas dos Objetivos de Desenvolvimento do Milénio, e quinta-feira, 23 de setembro, se iniciava a Assembleia Geral, com a participação de chefes de Estado e de altos representantes de cada país.

O primeiro a fazer uso da palavra seria, como de costume, o Secretário Geral da ONU e, imediatamente depois, o presidente dos Estados Unidos, país anfitrião da Organização e suposto proprietário do mundo. A sessão começava às 9 da manhã. Naturalmente, eu estava interessado em saber o que diria o ilustre Barack Obama, prêmio Nobel da Paz, assim que concluísse Ban Ki-Moon. Ingenuamente, imaginei que a CNN em Espanhol ou em Inglês iria transmitir o discurso, geralmente breve, de Obama. Dessa forma, ouvi os debates entre os candidatos a esse cargo na cidade de Las Vegas, dois anos antes.

Chegou a hora, os minutos passavam e a CNN oferecia notícias aparentemente espectaculares sobre a morte de um líder guerrilheiro colombiano. Estas eram importantes, mas não de especial transcendência. Continuava eu interessado em saber o que Obama dizia dos gravíssimos problemas que afligem o mundo.

Será que a situação do planeta está para que ambos estejam bobeando e fazendo esperar a Assembleia? Pedi que colocassem em outra televisão a CNN em Inglês e tampouco havia uma palavra sobre a Assembleia. Então, de que falava a CNN? Dava notícias, e eu esperava que concluísse as que emitia sobre a Colômbia. Mas se passaram 10, 20, 30 minutos e permanecia o mesmo.

Narrava incidentes de uma colossal batalha que estava sendo travada, ou tinha sido travada, na Colômbia, o destino do continente ia depender disso, segundo se deduzia a partir das palavras e do estilo da narração do locutor. Fotos e filmes da morte de Víctor Julio Suárez Rojas, conhecido como Jorge Briceño Suárez, ou "Mono Jojoy", foram exibidos em todas as cores. É o mais pesado golpe recebido pelas Farc, dizia o locutor, supera a queda de Manuel Marulanda e Raúl Reyes juntos. Uma ação demolidora, afirmava. Segundo se deduzia, havia acontecido um espetacular ccombate com a participação de 30 aviões de bombardeio, 27 helicópteros, batalhões completos de tropas de elite engajados em uma feroz ação bélica.

Na verdade, algo maior que as batalhas de Carabobo, Pichincha e Ayacucho juntas. Com a velha experiência nesses conflitos, não poderia imaginar semelhante batalha em uma região arborizada e apartada da Colômbia. A descomunal ação estava condimentada com imagens de todos os tipos, velhas e novas, do comandante rebelde. Para o redator de notícias da CNN, Alfonso Cano, quem substituiria Marulanda era um intelectual universitário que não gozava de apoio entre os combatentes, o verdadeiro chefe estava morto. As Farc teriam que se render.

Vamos ser claros. A notícia sobre a famosa batalha que matou o comandante das Farc - um movimento revolucionário da Colômbia que surgiu há mais de 50 anos, após a morte de Jorge Eliécer Gaitán, assassinado pela oligarquia - e a destituição de Piedad Córdoba estão muito longe de trazer a paz para a Colômbia; pelo contrário, poderiam acelerar as mudanças revolucionárias no país.

Imagino que não poucos militares colombianos estejam envergonhados com as versões grotescas da suposta batalha que matou o comandante Jorge Briceño Suárez. Primeiro, não houve combate algum. Foi um assassinato bruto e vergonhoso.

O almirante Edgar Cely, talvez embaraçado com a parte da guerra com que a autoridade oficial relatou a notícia e outras versões obscuras, disse: "Jorge Briceño, conhecido como Mono Jojoy, morreu por esmagamento,quando [...] a construção em que ele estava escondido na floresta veio em cima dele." "'O que sabemos é que ele morreu por esmagamento, seu bunker cedeu', [...] 'não é verdade que teve um tiro na cabeça'" Assim disse à Rádio Caracol, de acordo com a agência de notícias americana AP.

À operação deram um nome bíblico, "Sodoma", uma das duas cidades castigadas por seus pecados, e onde choveu fogo e enxofre. O mais grave é o que falta ser contado, o que até o gato já sabe, porque os próprios ianques têm publicado.

O governo dos EUA forneceu ao seu aliado mais de 30 bombas inteligentes. Nas botas que forneceram ao líder guerrilheiro, instalaram um GPS. Guiadas por esse instrumento, bombas programadas explodiram no acampamento onde estava Jorge Briceño. Por que não explicar ao mundo a verdade? Por que sugerem uma batalha que nunca aconteceu?

Outros fatos embaraçosos assisti na televisão. O presidente dos Estados Unidos recebeu calorosamente Uribe em Washington, e o apoiou a dar aulas sobre "democracia" em uma universidade americana. Uribe foi um dos principais criadores do paramilitarismo, sobre cujos membros cai a responsabilidade pelo aumento do tráfico de drogas e as mortes de dezenas de milhares de pessoas.

Foi com Barack Obama que Uribe assinou a entrega de sete bases militares e, virtualmente, de qualquer parte do território da Colômbia, para a instalação de homens e equipamento do exército ianque. De cemitérios clandestinos está cheio o país. Obama, por meio de Ban Ki-moon, concedeu a Uribe a imunidade, dando a ele nada menos que a vice-presidência da comissão que investiga o ataque à flotinha que levava ajuda para os palestinos sob cerco em Gaza.

Uribe, nos últimos dias de sua presidência, tinha já organizada a operação utilizando o GPS nas botas novas de que precisava o guerrilheiro colombiano. Quando o novo presidente da Colômbia foi aos Estados Unidos para falar na Assembléia Geral, sabia que a operação estava em andamento, e, ao saber da notícia do assassinato do guerrilheiro, Obama abraçou Santos calorosamente.

Me pergunto se, naquela ocasião, se falou algo do acatamento da decisão proferida pelo Senado da Colômbia, declarando ilegal a autorização de Uribe para estabelecer as bases militares ianques. Nelas se apoiou o grosseiro assassinato.

Eu critiquei as Farc. Expressei publicamente em uma reflexão o meu desacordo com a retenção de prisioneiros de guerra e os sacrifícios que estas implicavam as duras condições de vida na selva. Eu expliquei os motivos e a experiência adquirida em nossa luta.

Fui crítico das concepções estratégicas do movimento guerrilheiro colombiano. Mas jamais neguei o caráter revolucionário das Farc. Eu considerei e considero que Marulanda foi um dos guerrilheiros mais importantes da Colômbia e da América Latina. Quando muitos nomes de políticos medíocres forem esquecidos, o de Marulanda será reconhecido como um dos mais dignos e firmes lutadores pelo bem-estar dos agricultores, dos trabalhadores e dos pobres na América Latina.

O prestígio e a autoridade moral de Piedad Córdoba se multiplicaram.

Fidel Castro Ruz

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Fracassa golpe de estado no Equador Uma operação de tropas de elite da Polícia leal ao Governo, com apoio do Exército, resgatou o presidente do Equado

Uma operação de tropas de elite da Polícia leal ao Governo, com apoio do Exército, resgatou o presidente do Equador, Rafael Correa, que estava retido por homens da Polícia amotinados em uma hospital da instituição.


Já da varanda do palácio presidencial (foto), em Quito, Rafael Correa chamou de "desequilibrados" aos que tentaram o golpe de Estado e disse que este foi um dos dias mais tristes da sua vida.

"Daqui para a frente vamos virar-nos para o futuro com mais entusiasmo, esperança e convicção", disse.

Correa acabou saindo do hospital sob uma forte escolta militar, entre tiroteios de soldados legalistas e policiais amotinados.

Dois policiais morreram e 37 pessoas ficaram feridas na Operação.

A tentativa de golpe, foi uma iniciativa de policiais em motim, mas não contou com nenhum apoio institucional interno no Equador e, desde a primeira hora, foi condenada por toda a comunidade internacional.

(Com informações das Agências EFE e ANDES)