"A LUTA DE UM POVO, UM POVO EM LUTA!"

Agência de Notícias Nova Colômbia (em espanhol)

Este material pode ser reproduzido livremente, desde que citada a fonte.

A violência do Governo Colombiano não soluciona os problemas do Povo, especialmente os problemas dos camponeses.

Pelo contrário, os agrava.


quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Palestina e América Latina

Por Ignacio Klich – Revista Debate (Argentina)

A visita ao Brasil de Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), em sua luta por globalizar o reconhecimento do direito da Palestina por suas terras ocupadas por Israel desde a guerra de 1967, confirmou a importância que a América Latina dá a essa questão. Os reconhecimentos obtidos até aqui são vistos por Abbas como um incentivo à reabertura da estancada negociação com Israel, desde que o premier Benjamin Netanyahu concorde em suspender a construção de novas edificações nestas áreas.

A participação na posse da presidente Dilma Rousseff permitiu ao titular da ANP agradecer a presidentes e outros representantes sulamericanos em Brasília e somar Costa Rica, Cuba, Nicarágua e Venezuela na relação dos países que reconheceram a Palestina. Cronologicamente, os primeiros foram Brasil, Argentina, Bolívia e Equador. Depois, foi a vez do Uruguai. Abbas convidou outros países a seguirem esse exemplo.

Além disso, a visita serviu para colocar a pedra fundamental da futura embaixada da Palestina em Brasília. Embora o Itamaraty tenha permitido em 1975 que a diplomacia palestina enviasse um representante ao Brasil, ainda sob o governo militar, e tenha precedido a Argentina no reconhecimento, a missão palestina em Buenos Aires tem sede própria há tempos. Ela foi concedida quando a Argentina tinha um alinhamento funcional com Washington durante o governo de Carlos Menem, e foi acompanhada pela rua Palestina, cruzando a avenida Estado de Israel, um símbolo portenho da convivência palestino-israelense. A delegação internacional logo obteve o estatuto de embaixada

Em 1947, a maioria da representação latino-americana na Assembleia Geral das Nações Unidas apoiou a divisão da Palestina, que, sob mandato britânico, existia há um quarto de século. A ONU acreditava que com o surgimento de Israel e de um Estado palestino se superaria a violenta contradição entre as aspirações nacionais judias e as dos árabes. Somente Cuba foi contra a proposta. Argentina, Chile, Colômbia, El Salvador, Honduras e México se abstiveram. Dado o apoio que Israel foi recolhendo na região a partir desse momento – maior que o obtido em outras regiões em desenvolvimento do mundo – não é estranho, então, que sua diplomacia esteja incomodada com os recentes êxitos palestinos na região.

Em uma tentativa de minimizar essas conquistas, porta vozes oficiais e alguns comentaristas procuram desqualificar esses reconhecimentos, equiparados automaticamente com uma desqualificação de Israel.

Segundo uma nota publicada em um jornal israelense, os países latino-americanos que reconheceram recentemente a Palestina teriam feito isso porque “lutam contra a hegemonia estadunidense, sem interesse algum em Israel”. Essa caracterização exclui aqueles governos mais ou menos sensíveis aos interesses de Washington, entre eles os do Cone Sul, com repetidas expressões favoráveis a Israel.

Em 1947, o plano de partição contou, entre outros apoios, com o voto positivo do outrora representante uruguaio na ONU, Enrique Rodríguez Fabregat, posterior integrante do grupo fundador da Frente Ampla. Antes de sua morte, em 1976, o diplomata revisou sua posição. Apesar de que, em 1956, a associação israelense com a guerra das potências coloniais (Inglaterra e França) contra o Egito começou a desencantá-lo, Rodríguez Fabregat, sem abdicar de seu apoio à criação de Israel, concluiu que a divisão não havia levado em conta os palestinos como deveria.

Apesar dos custos que teve ao assumir o nacionalismo palestino para concretizar suas postergadas aspirações, e apesar das terras perdidas e dos novos refugiados que surgiram após as guerras árabe-israelenses, está longe ser casual que o mundo árabe tenha sido refratário à solução dos dois estados, aprovada pela Organização de Libertação da Palestina em 1988, e pela Liga Árabe em 2002.

Resta saber os resultados de tal aceitação; entre eles, a delimitação dos dois estados. A ONU havia outorgado a Israel 55% da Palestina, fração que Israel ampliou de fato nas guerras de 1948-49 e em 1967. Por ser mais antigo, maior teria sido o provável desencanto de um Rodríguez Fabregat progressista, dada a crescente virada à direita de Israel desde 1977, ano em que o direitista Likud desbancou os trabalhistas como favoritos do eleitorado para formar o governo. A mais recente expulsão de cidadãos palestinos de Israel e a caça às bruxas movida contra ativistas de direitos humanos também compõem esse cenário.

Por outro lado, esse desencanto talvez permita explicar a aceitação do presidente uruguaio José Mujica, em setembro de 2010, de um prêmio da Organização Sionista e do município de Jerusalém, cujo titular é um dos principais promotores oficiais israelenses da questionada atividade de construção de casas em territórios em disputa. E, dois meses mais tarde, seu vice chanceler anunciaria o reconhecimento uruguaio da Palestina.
Novos apoios

Antes de voltar a Ramallah, Abbas tinha a esperança de que, no curto prazo, Chile e Paraguai poderiam se integrar à lista de mais de cem países que já reconheceram a Palestina. A quase uma semana de seu encontro com o presidente Sebastián Piñera, o Chile formalizou esse reconhecimento, deixando para outra ocasião a manifestação sobre as fronteiras entre Israel e Palestina. Identificar os limites do Estado palestino como os do período que antecedeu a guerra de 1967 – com efeito, parte das linhas de armistício de 1949 – significa reconhecer que a primeira expansão israelense é irreversível.

Junto com as expressões contrárias a esses reconhecimentos por parte do Departamento de Estado em Washington, a chancelaria israelense procurou, sem sucesso, contrapor as gestões palestinas. Nada ilustra melhor tal ineficácia do que o par de conversações telefônicas mantidas por Netanyahu com Piñera antes do reconhecimento chileno. Fontes chilenas também vaticinaram que Peru e El Salvador reconhecerão a Palestina em breve.

A chancelaria israelense teme que esse reconhecimento seja fomentado em Lima, em fevereiro, durante a III Cúpula América do Sul-Países Árabes (ASPA), diálogo iniciado pelo Brasil em 2005, como parte de seu interesse em ocupar um assento permanente no Conselho de Segurança ampliado das Nações Unidas.

A situação deixaria a Colômbia, cuja chanceler já manifestou sua resistência a fazer tal coisa sem um acordo de paz palestino-israelense, como o único membro da ASPA a persistir em sua negativa durante 2011, enquanto a diplomacia palestina gestiona apoios em El Salvador, Guatemala, Honduras e México.

Por seu turno, Abbas previu que ninguém poderá antecipar o resultado de uma larga paralisação das negociações de paz. Para um parceiro trabalhista de Netanyahu, o ministro da Indústria e Comércio, Benjamin Bem Eliezer, essa estagnação pode determinar que Washington reconheça a Palestina, mediante negociações que delimitem ambos Estados, definindo também a repartição de Jerusalém e o tema dos refugiados. Um documento da União Europeia recomendou em dezembro último tratar Jerusalém oriental como a capital palestina. Embora Bem Eliezer não tenha falado em datas, uma ocasião para Washington poderia ser setembro próximo, quando se completa um ano do início de negociações por um acordo de paz, suspensas pela decisão de israelense de seguir construindo em territórios ocupados. Com ou seu reeleição de Barack Obama, o reconhecimento estadunidense pode ser mais fácil de imaginar depois das próximas eleições presidenciais – em sua ante sala os apoios de Israel tentam maximizar sua influência –, acompanhados, logo em seguida, da retirada de suas tropas do Iraque e do Afeganistão.

(*) Ignacio Klich é historiador, organizador de “Árabes e judeus na América Latina”, Século XXI, Editora Iberoamericana, Buenos Aires, 2006.

Tradução: Marco Aurélio Weissheimer

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

O que está em causa

Depois de décadas de “ajuda ao desenvolvimento” por parte do Banco Mundial e do FMI, um sexto da população mundial vive com menos de 77 centavos por dia. O que vai acontecer a Portugal (no seguimento do que aconteceu à Grécia e à Irlanda e irá acontecer à Espanha, e talvez não fique por aí) aconteceu já a muitos países em desenvolvimento. A intervenção do FMI teve sempre o mesmo objetivo: canalizar o máximo possível do rendimento do país para o pagamento da dívida. A “solução da crise” pode bem ser a eclosão da mais grave crise social dos últimos oitenta anos. O artigo é de Boaventura de Sousa Santos.

Boaventura de Sousa Santos

Portugal é um pequeno barco num mar agitado. Exigem-se bons timoneiros mas se o mar for excessivamente agitado não há barco que resista, mesmo num país que séculos atrás andou à descoberta do mundo em cascas de noz. A diferença entre então e agora é que o Adamastor era um capricho da natureza, depois da borrasca era certa a bonança e só isso tornava “realista” o grito de confiança nacionalista, do “Aqui ao leme sou
mais que eu…”.

Hoje, o Adamastor é um sistema financeiro global, controlado por um punhado de grandes investidores institucionais e instituições satélites (Banco Mundial, FMI, agências de avaliação de risco) que têm o poder de distribuir as borrascas e as bonanças a seu bel-prazer, ou seja, borrascas para a grande maioria da população do mundo, bonanças para eles próprios. Só isso explica que os 500 indivíduos mais ricos do mundo tenham uma riqueza igual à da dos 40 países mais pobres do mundo, com uma população de 416 milhões de habitantes. Depois de décadas de “ajuda ao desenvolvimento” por parte do BM e do FMI, um sexto da população mundial vive com menos de 77 cêntimos por dia.

O que vai acontecer a Portugal (no seguimento do que aconteceu à Grécia e à Irlanda e irá acontecer à Espanha, e talvez não fique por aí) aconteceu já a muitos países em desenvolvimento. Alguns resistiram às “ajudas” devido à força de líderes políticos nacionalistas (caso da Índia), outros rebelaram-se pressionados pelos protestos sociais (Argentina) e forçaram a reestruturação da dívida. Sendo diversas as causas dos problemas enfrentados pelos diferentes países, a intervenção do FMI teve sempre o mesmo objetivo: canalizar o máximo possível do rendimento do país para o pagamento da dívida. No nosso contexto, o que chamamos “nervosismo dos mercados” é um conjunto de especuladores financeiros, alguns com fortes ligações a bancos europeus, dominados pela vertigem de ganhar rios de dinheiro apostando na bancarrota do nosso país e ganhando tanto mais quanto mais provável for esse desfecho.

E se Portugal não puder pagar? Bem, isso é um problema de médio prazo (pode ser semanas ou meses). Depois se verá, mas uma coisa é certa: “as justas expectativas dos credores não podem ser defraudadas”. Longe de poder ser acalmado, este “nervosismo” é alimentado pelas agências de notação: baixam a nota do país para forçar o Governo a tomar certas medidas restritivas (sempre contra o bem-estar das populações); as medidas são tomadas, mas como tornam mais difícil a recuperação econômica do país (que permitiria pagar a dívida), a nota volta a baixar. E assim sucessivamente até a “solução da crise”, que pode bem ser a eclosão da mais grave crise social dos últimos oitenta anos.

Qualquer cidadão com as naturais luzes da vida, perguntará, como é
possível tanta irracionalidade? Viveremos em democracia? As várias
declarações da ONU sobre os direitos humanos são letra morta? Teremos
cometidos erros tão graves que a expiação não se contenta com os anéis e
exige os dedos, se não mesmo as mãos? Ninguém tem uma resposta clara
para estas questões mas um reputado economista (Prêmio Nobel da
Economia em 2001), que conhece bem o anunciado visitante, FMI,
escreveu a respeito deste o seguinte:

“as medidas impostas pelo FMI falharam mais vezes do que as em que tiveram êxito…Depois da crise asiática de 1997, as políticas do FMI agravaram as crises na Indonésia e na Tailândia. Em muitos países, levaram à fome e à confrontação social; e mesmo quando os resultados não foram tão sombrios e conseguiram promover algum crescimento depois de algum tempo, frequentemente os benefícios foram desproporcionadamente para os de cima, deixando os de baixo mais pobres que antes. O que me espantou foi que estas políticas não fossem questionadas por quem tomava as decisões…Subjacente aos problemas do FMI e de outras instituições económicas internacionais é o problema de governação: quem decide o que fazem?”
(Joseph Stiglitz, Globalization and its Discontents, 2002)

Haverá alternativa? Deixo este tema para a próxima crônica.

(*) Boaventura de Sousa Santos é sociólogo e professor catedrático da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (Portugal).

sábado, 15 de janeiro de 2011

O conflito na Colômbia se agrava

O presidente Juan Manuel Santos não aceita o diálogo proposto pelo Chefe da insurgência das FARC; prefere que os soldados morram ou fiquem mutilados na guerra, sem lhe importar a dor de seus familiares.

A seguir o boletim dos combates do 07 ao 11 de janeiro de 2011

07/01: Atribuem às FARC a retenção de um pecuarista em Pitalito, Huila.

http://www.elpais.com.co

07/01: Duros choques entre as FARC e os paramilitares no estado do Meta.

http://www.caracol.com.co

08/01: Assalto das FARC a um barreira militar perto de San Vicente del Caguán, estado do Caquetá: 1 suboficial e 2 militares mortos, 1 suboficial e 3 militares feridos.

http://www.elmundo.com

09/01: Emboscada das FARC à Polícia perto de Santo Augustino, estado do Huila, fica danificado o veículo usado pelos policiais.

http://www.eluniversal.com.co

09/01: Comandante em Chefe das FARC, Alfonso Cano, anuncia em um dvid publicado por ANNCOL: “No 2011 redobraremos atividades em todo sentido”.

http://spanish.china.org.cn

09/01: Soldados da V Brigada do Exército entram em campo minado pelas FARC entre Pradera e Florida, estado do Valle: pelo menos 3 militares ficaram feridos, dos quais 2 de gravedade.

http://www.caracol.com.co

11/01: Detida pressunta miliciana da V Frente das FARC em área rural do município de Corinto, estado do Cauca.

www.elpais.com.co

¿Você sabia que 7.5 milhões de colombianos são deslocados por meio violentos por parte do Estado? Desses, 4.5 milhões estão dentro do país e 3 milhões nos países froterizos.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Cuba rumo a mudanças

Por Frei Betto*, no Brasil de Fato

Cuba marcou para abril deste ano o VI Congresso do Partido Comunista. Isso significa mudanças profundas no país. Um documento preliminar – Projeto de Orientações da Política Econômica e Social –, divulgado em novembro, agora é debatido pela população.

A situação econômica cubana é crítica, agravada por fatores externos: crise econômica mundial, que reduziu as vias de financiamento externo; redução do preço das exportações em 15%; recrudescimento do bloqueio econômico imposto pela Casa Branca. Hoje, o principal “produto” de exportação de Cuba é a prestação de serviços, em especial na área da saúde.

Fatores climáticos influem também na deterioração da economia: 16 furacões, entre 1998 e 2008, causaram prejuízos no valor de 20,5 bilhões de dólares (metade do PIB), e foram consideráveis as perdas em decorrência das secas de 2003, 2005 e nos dois últimos anos.

Some-se a isso a dívida externa, a baixa eficiência laboral, a descapitalização da base produtiva e da infraestrutura, e o envelhecimento populacional, agravado pelo reduzido índice de natalidade.

Como saída para a crise, o documento propõe o fim da libreta de abastecimento, cujos produtos são subsidiados, compensado por aumento salarial; cultivar terras ociosas (a ociosidade atinge 50% das terras agricultáveis); reestruturar o sistema de empregos, de modo a reduzir o paternalismo estatal e ampliar o leque de iniciativas não estatais; aplicar política salarial mais rigorosa, eliminando subsídios pessoais excessivos.

Prevê-se ainda diminuir a dependência de produtos importados e diversificar as exportação de bens e serviços; buscar novas fontes de financiamento para recapitalizar o sistema produtivo do país; abrir-se ao capital estrangeiro; e eliminar a dupla moeda. Hoje, os cubanos dispõem de pesos e, os turistas, de CUC, o peso conversível. São necessários 24 pesos para se adquirir 1 CUC, cotado a US$ 1,25.

Apesar das dificuldades, aos 11 milhões de cubanos o Estado assegura os três direitos fundamentais: alimentação, saúde e educação. Cuba não intenciona retornar ao capitalismo. O documento enfatiza que “só o socialismo é capaz de vencer as dificuldades e preservar as conquistas da Revolução, pois a atualização do modelo econômico primará pela planificação e não pelo mercado.”

Cuba é uma nação que se destaca pela solidariedade internacional. De 1961 a 2009 diplomaram-se na ilha, gratuitamente, 55.188 jovens de 35 países, dos quais 31.528 de nível universitário. Hoje, há 29.894 bolsistas estrangeiros em diferentes especialidades, dos quais 8.283 cursando a Escola Latino-Americana de Medicina (inclusive centenas de brasileiros, que ainda não tiveram seus diplomas revalidados em nosso país).

Prestam serviço, em 25 países, 1.082 educadores cubanos. O método de alfabetização de Yo si, puedo, já habilitou à leitura 4.900.967 adultos de 28 países e erradicou o analfabetismo na Venezuela, na Nicarágua e na Bolívia. (Inclusive ensinou Tiririca a ler).

Na área da saúde, Cuba atua em 78 países, com 37.667 colaboradores, dos quais 16.421 são médicos. A Operação Milagro, iniciada em 2004, já atendeu gratuitamente, em quase toda a América Latina, cerca de 2 milhões de pacientes com problemas oftalmológicos, como catarata.

Cuba caminha no rumo do modelo chinês? Em discurso na Central de Trabalhadores de Cuba, em novembro, Raúl Castro afirmou: “Não estamos copiando nenhum país”. Deixou claro que se busca um caminho “autônomo, ajustado a nossas características, sem renunciar minimamente à construção do socialismo”.

Cuba está convencida de que a completa estatização da economia é inviável. Daí a proposta de manter empresas estatais ao lado de outras de capital misto, bem como modalidades diversas de iniciativas não estatais, como cooperativas, terras arrendadas e prestação de serviços por conta própria.

Para se evitar a corrupção em contratos com o exterior, Cuba aplicará este princípio: quem decide não negocia e quem negocia não decide.

Com as futuras reformas, mais de 1 milhão de cubanos devem perder seus empregos na estrutura estatal. Um duplo desafio se impõe à Revolução: a requalificação profissional dos desempregados, a fim de se evitar a contravenção, o narcotráfico e a economia paralela, e o incremento da emulação ideológica, em especial dos jovens, de modo a evitar que a Revolução se torne um fato do passado e de manter a prevalência dos valores subjetivos sobre a mercantilização dos costumes incutida pelo neoliberalismo.

Entre furacões e sabotagens, a Revolução cubana resiste há 53 anos. Seu maior mérito é o de assegurar condições dignas de vida a 11 milhões de habitantes da ilha e não medir esforços na solidariedade aos povos mais pobres do mundo.

As reformas anunciadas significam maior democratização do socialismo. O Estado deixa de ser o grande provedor para se tornar o principal indutor do desenvolvimento. E convoca os cidadãos a serem os protagonistas de um socialismo com a cara do século XXI.

* Frei Betto é escritor, autor de “Cartas da Prisão” (Agir), entre outros livros.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Brasil terá laboratório em alto-mar para garantir direitos

O Brasil tem uma ambiciosa proposta de fincar um laboratório oceanográfico na mais remota fronteira marítima do país e, com isso, garantir o domínio territorial sobre uma área em que as riquezas naturais escondidas vão além do petróleo na camada do pré-sal. No limite da plataforma continental, a 350 milhas náuticas (648 quilômetros) da costa, o potencial de reservas minerais é imensurável

Com a implantação de um centro de pesquisas em alto-mar e o investimento em satélites, embarcações de patrulhamento e submarinos, a estratégia que vem sendo esboçada reservadamente pelo governo Dilma Rousseff é no sentido de afastar investidas de estrangeiros, como americanos, russos, alemães e japoneses, nos cobiçados mares do Atlântico Sul.

O instrumento de pesquisa, cujo projeto envolve os ministérios da Defesa, da Ciência e Tecnologia, do Meio Ambiente e investidores privados brasileiros, passará a ser usado para marcar a presença do Brasil dentro e fora das 200 milhas (370 quilômetros) hoje delimitadas. É o mesmo espírito que move a ocupação de pesquisadores do minúsculo arquipélago de São Pedro e São Paulo, a 1.010 quilômetros de Natal (RN). Os cientistas atualmente se revezam a cada 15 dias no arquipélago.

A localização e o projeto da plataforma fixa que dará suporte ao laboratório ainda estão em fase de elaboração. A determinação de custos e de prazo para a construção do equipamento é a próxima etapa, e a ideia é formalizar um consórcio com a participação do governo, da Petrobras e de parceiros da industrial nacional para custear o projeto. Além das pesquisas direcionadas à segurança ambiental, ao desenvolvimento de tecnologia naval e à biotecnologia, já há entendimento para que o laboratório tenha um observatório submarino, cujas imagens estariam disponíveis ao público pela internet.

Exploração brasileira tem respaldo das Nações Unidas

No limite de 200 milhas mar a dentro, entra na pauta de prioridades a descoberta de petróleo no pré-sal. Os mais preocupados citam a volta da Quarta Frota dos Estados Unidos, país atento ao fortalecimento de uma frota militar na região. Um oficial da Marinha lembra a "incrível coincidência" entre o anúncio do petróleo na camada pré-sal e a decisão dos americanos de deslocar para o Caribe a Quarta Frota - divisão da Marinha americana responsável por operações no Atlântico Sul.

O faturamento potencial das reservas do pré-sal, considerando as atuais estimativas de 40 bilhões de barris, com o preço médio unitário de US$100, alcançaria US$4 trilhões. A ideia, segundo revelou ao GLOBO alto funcionário do governo, é "cravar os pés brasileiros" em um eldorado cuja soberania nacional pode ser questionada no futuro. A autoridade lembra que, nos limites oceânicos, prevalece a ocupação permanente para fins de domínio territorial.

Vamos pegar o limite da área de disputa, antes de outros. Eles vêm aqui com a Quarta Frota e nós vamos com o laboratório marítimo, muito mais simpático - afirma.

O Brasil já conquistou, junto às Nações Unidas, respaldo para explorar científica e comercialmente uma vasta área oceânica, que alcança 350 milhas náuticas, entre a fronteira com a Guiana Francesa e a divisa com o Uruguai. E disputa outros três trechos estratégicos, um ao sul e outro ao norte das reservas do pré-sal, inclusive na ainda misteriosa costa do extremo sul do país. O terceiro ponto segue em direção ao Mar do Caribe.

A questão é que, quando o pré-sal estiver a pleno vapor, o Brasil estará entre os maiores fornecedores de petróleo do mundo, podendo chegar ao nível do Oriente Médio. Passará também a ser um ator relevante no setor de energia. Assim, exercerá influência sobre as nações produtoras e terá de negociar pesadamente com os grandes consumidores, onde se inserem os americanos.

- Estamos trabalhando sobre um cenário de 30, 40 anos. Nossa preocupação, no caso do pré-sal, não é com uma ameaça imediata. Não importa o que aconteça no futuro, temos de estar preparados para a adversidade - esclareceu uma fonte da área militar.

Em outra frente, o Brasil se prepara para disputar novos espaços para entrar firme em mineração no solo oceânico, na área fora do pré-sal e após as 200 milhas, entre a África e a América do Sul. As Nações Unidas trabalham em uma normatização para a exploração dos solos marinhos na faixa entre os dois continentes, hoje ocupada por embarcações da Rússia, do Japão e da Alemanha.

- A América do Sul e a África podem interferir nas decisões da ONU sobre o Atlântico Sul - diz essa fonte.

Um das preocupações é que, com a autorização dada aos países para explorar minérios, serão montadas estruturas no caminho das rotas marítimas comerciais brasileiras, o que provocará aumento de custo e obrigará navios a desviarem o curso. Mais um item a encarecer o frete.

- O Atlântico Sul é a região do oceano menos estudada do planeta e 92% do nosso comércio exterior passam por lá. Essa base científica é fundamental e vale a pena, não importa o custo - avalia Jorge Ramalho, especialista em relações internacionais da Universidade de Brasília (UnB).

Plataforma será patrulhada por submarino nuclear

No ano passado, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, iniciou uma ofensiva junto aos países da Costa Oeste da África, para que seja deslanchada uma ação conjunta que beneficie os dois continentes na negociação no âmbito da ONU. Jobim ofereceu a Marinha brasileira para ajudar os africanos a mapearem sua plataforma continental e estabelecer seus próprios limites.

Para assegurar o controle da plataforma brasileira, serão usados um submarino convencional e um submarino nuclear, que pode ficar meses submerso com uma velocidade maior. Também serão comprados mais navios de patrulha oceânica e construído um sistema de satélite para monitorar a chamada Amazônia Azul.

Por: Helena ™ .

Fonte: Os amigos da presidente Dilma

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Saudação do fim de ano do Comandante das FARC-EP

Camaradas do Secretariado do Estado Maior Central, Estados Maiores de Blocos e Frentes, Comandos Conjuntos, Comandos de Colunas, Companhias, Guerrilhas e Esquadras, Guerrilheiras e Guerrilheiros, integrantes das Milícias bolivarianas, companheiros do PC3 (Partido Comunista Colombiano Clandestino) e Movimento Bolivariano, recebam um cálido saúdo revolucionário, junto a meus melhores desejos por um Ano Novo de muitos êxitos.

Ao despedir o ano que termina e saudar o 2011 envio através de todos vocês uma mensagem solidária aos milhões de colombianos que nesta época de intensas chuvas têm sido vítimas das inundações e deslizamentos de terra, como conseqüência direta da inclemente, desmedida e irracional exploração capitalista de nossas riquezas naturais, da destinação descontrolada de imensas áreas para cria extensiva de gado, que aceleram a erosão da terra e, conseqüência, também, da ausência de planejamento, descaso e corrupção que caracterizam a gestão da administração pública na Colômbia.

Saúdo o povo que suporta sobre seus ombros o peso da crise secular de nossa sociedade, gerada pela dependência neocolonial de Washington, pelo terror do Estado, pelas estratégias neoliberais do regime, pela estrutura latifundiária de nossos campos e a corrupção que envenena os costumes políticos, paralisa o progresso e aumenta os problemas sociais.

Dos inúmeros aspectos de primeira ordem que deverá abordar Colômbia no 2011, reclamo especial atenção para dois projetos de lei que tramitam atualmente no Parlamento, relacionados, um com a Reparação das Vítimas da Violência que sofre o país desde há mais de 62 anos e, o outro sobre a propriedade e usufruto da terra. São temas independentes, vertebrais, digamos assim, duas caras das mesma moeda na historia recente da Colômbia, muito densos para seu tratamento, mas essenciais para um futuro de reconciliação e democracia.

Os dois temas necessitam, e por isso o devemos lutar, bases e manejo sérios, para que com eles se possa contribuir de verdade à solução do conflito. O primeiro passo a se dar deve ser o reconhecimento taxativo dos partidos tradicionais e do Estado, de sua responsabilidade com relação à confrontação que nos açoita desde 1948, dinamizada posteriormente durante a guerra fria, com a inserção da doutrina da Segurança Nacional como concepção de Estado na Colômbia.

Um reconhecimento tal, facilitaria um processo de reconciliação baseado na verdade.

O segundo ponto é sobre uma Reforma Agrária. Merece ser abordada com urgência urgentíssima a devolução das terras usurpadas durante todos esses anos a seus verdadeiros donos: os camponeses, os povos indígenas e comunidades negras; isto é imperioso, mas todo esse processo seria inútil sem a decisão de liquidar o latifúndio que cresce, ainda hoje, como um câncer.

Segundo um estudo do Instituto Geográfico Agustín Codazzi e de CORPOICA do ano 2001, fazendas de mais de 500 hectares correspondiam ao 0.4% dos proprietários que controlavam o 61.2% das terra cultiváveis, em um processo de progressiva e infame concentração que vem de anos atrás e que continua na atualidade.

Uma Lei de Terras moderna com visão estratégica, que serva de suporte para a paz, deverá incluir apoio econômico, tecnologia, estradas, pontos de venda e, por acima de todo, deve harmonizar o social, o territorial, o cultural, e o ambiental.

Esses dois projetos de Lei têm um condicionante essencial na sua elaboração, analise, discussão, aprovação e aplicação concreta: a participação com todo seu protagonismo e capacidade decisória dos setores afetados, o povo que tem sofrido em carne própria a violência do Estado, do paramilitarismo e do latifúndio.
Hoje, e uma ilusão vã pensar que um Parlamento como o atual de tanta e tão reconhecida herança e representação narcoparamilitar aprove uma Lei de Terras e outra de Reparação de Vítimas, que favoreça em justiça os setores populares.

Como esses dois aspectos estão na raiz do conflito colombiano, para sua solução é evidente que se precisa de um cenário realmente democrático e amplamente representativo que segure o touro pelos cifres e projete uma solução definitiva.

Junto a esses dois pontos, outros temas reclamarão no 2011 prioridade no debate nacional como o inexorável desmascaramento do regime delinqüêncial, mafioso e entreguista de Álvaro Uribe, o terrorismo do Estado, as concessões mineradoras às grandes transnacionais, o aquecimento global, o TLC, a decrescente qualidade de vida dos trabalhadores colombianos, sob a estratégia neoliberal em andamento, o desemprego, a instabilidade dos trabalhadores no seu emprego, a humilhante precariedade dos salários, a corrupção, a reconstrução de moradias, economias e povoados arrasados pelas chuvas na presente temporada; aspectos todos que têm de por meio o debate eleitoral para prefeitos e governadores.

Em todos esses análises e mobilizações participaremos vigorosamente com a Plataforma Bolivariana como farol da torre, buscando que a unidade e organização do povo afiance suas lutas reivindicativas, as potêncie, lhes possibilite ganhar confiança na sua força independente, ao mesmo tempo, que apreende de sua própria experiência.

Em todas essas jornadas seremos referentes ou protagonistas desde a clandestinidade ou desde a trincheira. Não deixaremos um só instante de lutar pela solução política do conflito, pelos princípios, pelas certezas que nos motivam, porque somos revolucionários que amamos a paz. As condições para obter a justiça social, a democracia, a soberania e o Socialismo, foram impostas pelo Estado, não foram escolhidas por nós.

Entendemos que nosso dia após dia faz parte do compromisso e concepção da vida, de nossos ideais políticos, de nossa ética e convicções. Não nos queixamos. Por isso, e enquanto não encontremos entre todos os caminhos da reconciliação e da convivência democrática, continuaremos desenvolvendo a guerra de guerrilhas intensamente para resistir à agressão, participar dinamicamente nas lutas políticas e sociais, e para abri-lhe caminhos ao Poder Popular e à Nova Colômbia.

Não em vão temos resistido nos últimos doze anos a mais grande ofensiva imperial em América Latina, contra uma força revolucionária, com mais razões, realidades sociopolíticas, ideologia, moral revolucionária e esforços, que recursos econômicos. Assim doa aos nossos detractores.

Com as bandierias da Troca em alta, saúdo todos os prisioneiros de guerra, aos presos políticos, meu abraço solidário e combativo a todos e, em especial a esse símbolo da dignidade fariana que é Simón Trinidad, extraditado por um bandido mafioso e, condenado em um juízo político sujo nos Estados Unidos; nosso afeto coletivo para ele por ter dado a conhecer ao mundo quão sólida é a moral que nos cimenta.

Saúdo as camaradas prisioneiras que enfrentam com dignidade e altivez revolucionária as continuas provocações e humilhações de que são objeto por não ceder à asquerosa chantagem oficial nem às ofertas rasteiras de algumas ONG's de avultadas contas bancárias e reacionários pensamentos. A condição guerrilheira fariana não tem preço, só gera compromisso, orgulho e a imensa satisfação de viver em pé com a frente em alta, agindo com transparência e entrega à luta por uma nova sociedade.

Saúdo os familiares de nossos presos tão esquecidos pelos meios de comunicação, saúdo os guerrilheiros, milicianos, combatentes bolivarianos e lutadores populares que se repõem de suas feridas ou que têm sido mutilados ou ficado inválidos, produto dos impactos dos sofisticados arsenais oficiais da última tecnologia que estão aprovados, sim, pelo Direito Internacional Humanitário.

No 2011 redobraremos atividades em todo sentido com a força que nos proporcionam nossas convicções, o cuidado que nos impõe a experiência e o enorme alento de todos os Camaradas caídos e o de Manuel, Jacobo, Raúl, Iván, Jorge Briceño (Mono Jojoy), esse furacão de verdades e compromissos revolucionários, esse titã pleno de conseqüência em seu pensamento e prática como combatente bolivariano.

A todos, o saúdo convocatório das FARC-EP para avançar o ano que estamos iniciando na solução política do conflito, a justiça social, a soberania nacional e a plena participação democrática do povo na construção de seu destino.

Êxitos no 2011, forte aperto de mãos e até a Vitória

Alfonso Cano

Montanhas da Colômbia.

sábado, 8 de janeiro de 2011

A luta de classes política nos Estados Unidos

Por Jeffrey Sachs* -

Fonte: SinPermiso

Os Estados Unidos estão em rota de colisão consigo mesmo. O acordo firmado em dezembro entre o presidente Barack Obama e os republicanos no Congresso para manter os cortes de impostos iniciados há uma década pelo presidente George W. Bush está sendo saudado como o começo de um novo consenso bipartidário. Creio, ao contrário, que é uma falsa trégua naquilo que será uma batalha campal pela alma da política estadunidense.

Do mesmo modo que ocorre em muitos países, os conflitos sobre a moral pública e a estratégia nacional se reduzem a questões envolvendo dinheiro. Nos Estados Unidos, isso é mais certo do que nunca. O país tem um déficit orçamentário anual ao redor de US$ 1 trilhão, que pode aumentar ainda mais como resultado de um novo acordo tributário. Esse nível de endividamento anual é demasiadamente alto. É preciso reduzi-lo, mas como?

O problema é a política corrupta e a perda de moral cívica dos EUA. Um partido político, o Republicano, aposta em pouco mais do que reduzir os impostos, objetivo que coloca acima de qualquer outro. Os democratas têm um leque mais amplo de interesses, como o apoio ao serviço de saúde, a educação, a formação e a infraestrutura. Mas, como os republicanos, também estão interessados em presentear com profusão cortes de impostos para seus grandes contribuintes de campanha, entre os quais predominam os estadunidenses ricos.

O resultado é um paradoxo perigoso. O déficit orçamentário dos EUA é enorme e insustentável. Os pobres são espremidos pelos cortes nos programas sociais e um mercado de trabalho fraco. Um em cada oito estadunidenses depende de cartões de alimentação para comer. No entanto, apesar deste quadro, um partido político quer acabar com as receitas tributárias por completo, e o outro se vê arrastado facilmente, contra seus melhores instintos, na tentativa de manter contentes seus contribuintes ricos.

Este frenesi de cortes de impostos vem, incrivelmente, depois de três décadas de um regime tributário de elite nos EUA, que favoreceu os ricos e poderosos. Desde que Ronald Reagan assumiu a presidência em 1981, o sistema orçamentário dos Estados Unidos se orientou para apoiar a acumulação de uma imensa riqueza no topo da pirâmide da distribuição de renda. Surpreendentemente, o 1% mais rico dos lares estadunidenses tem agora um valor mais alto que o dos 90% que estão abaixo. A receita anual dos 12 mil lares mais ricos é maior que o dos 24 milhões de lares mais pobres.

O verdadeiro jogo do Partido Republicano é tratar de fixar em seu lugar essa vantagem de receitas e riquezas. Temem, corretamente, que cedo ou tarde todo o mundo comece a exigir que o déficit orçamentário seja atacado, em parte, elevando os impostos para os ricos. Depois de tudo o que ocorreu, os ricos vivem melhor do que nunca, enquanto que o resto da sociedade estadunidense está sofrendo. Tem todo sentido aplicar mais impostos aos mais ricos.

Os republicanos se propõem a evitar isso a qualquer custo. Até aqui tiveram êxito. Mas querem fazer com que sua vitória tática – que propõe o reestabelecimento das taxas tributárias anteriores a Bush por dois anos – seja seguida por uma vitória de longo prazo na próxima primavera. Seus líderes no Congresso já estão dizendo que vão cortar o gasto público a fim de começar a reduzir o déficit.

Ironicamente, há um âmbito onde certamente se justifica fazer grandes cortes orçamentários: as forças armadas. Mas esse é o tema que a maioria dos republicanos não vai tocar. Querem cortar o orçamento não mediante o fim da inútil guerra no Afeganistão e a eliminação dos sistemas de armas desnecessários, mas sim cortando recursos da educação, da saúde e de outros benefícios da classe pobre e trabalhadora.

Ao final, não creio que o consigam. No momento, a maioria dos estadunidenses parece estar de acordo com os argumentos republicanos de que é melhor diminuir o déficit orçamentário mediante cortes de gastos ao invés de aumento de impostos. No entanto, quando chegar a hora de fazer propostas orçamentárias reais, haverá uma reação cada vez maior.

Prevejo que, empurrados contra a parede, os estadunidenses pobres e da classe trabalhadora começarão a se manifestar por justiça social.
Isso pode levar tempo. O nível de corrupção política nos Estados Unidos é assombroso. Agora tudo gira em torno do dinheiro para as campanhas eleitorais que se tornaram incrivelmente caras. As eleições da metade do mandato tiveram um custo estimado de US$ 4,5 bilhões, e a maior parte desse dinheiro veio de grandes empresas e contribuintes ricos. Estas forças poderosas, muitas das quais operando de forma anônima sob as leis dos EUA, trabalham sem descanso para defender aqueles que se encontram no topo da pirâmide da riqueza.

Mas não nos equivoquemos: ambos partidos estão implicados. Já se fala que Obama vai arrecadar US$ 1 bilhão ou mais para sua campanha de reeleição. Esta soma não virá dos pobres.

O problema para os ricos é que, tirando os gastos militares, não há mais espaço para cortar o orçamento do que em áreas de apoio básico para a classe pobre e trabalhadora. Os EUA realmente vão cortar os auxílios de saúde e as aposentadorias? O orçamento será equilibrado reduzindo-se o gasto em educação, no momento que os estudantes dos EUA já estão sendo superados por seus colegas da Ásia? Os EUA vão, de fato, permitir que sua infraestrutura pública siga se deteriorando? Os ricos tratarão de impulsionar esse programa, mas ao final fracassarão.

Obama chegou a poder com a promessa de mudança. Até agora não fez nenhuma. Seu governo está cheio de banqueiros de Wall Street. Seus altos funcionários acabam indo se unir aos bancos, como fez recentemente seu diretor de orçamento, Peter Orszag. Está sempre disposto a atender os interesses dos ricos e poderosos, sem traçar uma linha na areia, sem limites ao “toma lá, dá cá”.

Se isso seguir assim, surgirá um terceiro partido, comprometido com a limpeza da política estadunidense e a restauração de uma medida de decência e justiça. Isso também levará um tempo. O sistema político está profundamente ligado aos dois partidos no poder. No entanto, o tempo da mudança virá. Os republicanos acreditam que têm a vantagem e podem seguir pervertendo o sistema para favorecer os ricos. Creio que os acontecimentos futuros demonstrarão o quanto estão equivocados.

(*) Jeffrey Sachs é professor de Economia e Diretor do Earth Institute da Universidade de Columbia. Também é assessor especial do secretário geral das Nações Unidas sobre as Metas de Desenvolvimento do Milênio.

Traduzido do inglês para www.project-syndicate.org por David Meléndes Tormen.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

“Retratos em um mar de mentiras”: Luz sobre conflito colombiano

Cloves Geraldo *

Filme de estréia do diretor colombiano Carlos Gaviria mostra o confronto armado em seu país e as consequências para seu povo

A realidade colombiana muitas vezes escapa àqueles que se interessam pelos rumos da América Latina. Por isto é salutar quando surgem filmes como “Retratos em um mar de mentiras”, exibido no Cine Latino – Mostra de Cinema Latino-Americano, realizado em Belo Horizonte, de 10 a 16 de dezembro, com curadoria e produção de Eduardo Garretto Cerqueira. Filme de estréia do colombiano Carlos Gaviria, lança luzes sobre a tragédia de um povo espremido entre as oligarquias e os interesses dos EUA.

Nada no filme é gratuito ou discursivo. Garivia usa a história de Marina (Paola Baldión Fischer), maltratada pela tia, para traçar um perfil da Colômbia hoje. Como visto seguidamente nos aglomerados brasileiros, durante uma tempestade parte do barraco onde mora com o avô desce a montanha levando-o junto. O que se segue não são condolências, ela, sem saber, começa a ser vítima da ganância da tia pela terra que pertencia ao velho. Numa artimanha com o primo espertalhão, Jairo (Julián Román), ela é obrigada a viajar às pressas com ele para localizar a escritura da propriedade no interior.

Se o motivo é torpe, o que vem a seguir mostra uma realidade para além do imaginado pelo espectador interessado na recente história colombiana. Gaviria põe os personagens na estrada desvendá-la. Num carro caindo aos pedaços, Jairo lança mão da artimanha usada com suas “modelos”, quando as fotografa em seu “estúdio”, para conquistar a prima. Só que Marina, às vezes muda, se fecha desconfiada daquele súbito interesse. Ele lhe diz apenas que tem um trabalho a executar. Mas na estrada, compreende o quanto será difícil executar o plano determinado pela tia, pois Marina não lhe abre o segredo.

Milícias expulsam
famílias de sua terras

A câmera de Gaviria, em grandes planos que captam a geografia acidentada, montanhosa, entranhada na selva amazônica, vai delimitando espaços e antecipando as armadilhas. Registra lugares paupérrimos, ambulantes de beira de estrada, retirantes com seus pertences, numa verdadeira diáspora. Mostra sem retoques um país destruído, em guerra, ocupado por paramilitares, exército e as Farcs (Forças Armadas Revolucionárias da Colombia). Quando eles param para comer ou para consertar ou abastecer o carro, a miséria se lhes apresenta devastadora. Cada trabalhador aprendeu a viver segundo as circunstâncias. Tudo aquilo não mais choca Marina, como se verá ao longo da narrativa, ela já é vítima desse processo. Às vezes se esquece de tudo, noutras flash espocam em sua mente, trazendo cruéis lembranças.

Jairo, sempre pensando em ludibriá-la, não entende o que se passa com ela. Acha apenas que lhe esconde o que pretende. Ela, porém, é o retrato do povo colombiano – expulso de sua terra, foi morar nos morros de Bogotá, faminto, sem trabalho ou perspectivas de futuro. Numa sequência que bem ilustra a situação do interior do país, Jairo para o carro numa cidade onde o comércio é feito ao ar livre - verdadeira feira do salve-se quem puder. Mas ele ainda encontra tempo de fotografar passantes e de enervar Marina com suas investidas, ainda que ela já estivesse apaixonada.

O interesse amoroso, entretanto, é um fio sem maiores conseqüências. Gaviria está mais interessado, usando a estrada (road movie), em flagrar uma realidade não conhecida pelo espectador. Mas não se restringe a isto, como na cena do banho de Marina. Ele a mostra sensual, e mais astuta do que imagina Jairo. É capaz de reagir aos ataques dele e dos que buscam se apropriar do que ela possui com inteligência e perspicácia. E, além disso, Gavíria, via Jairo, lamenta o que acontece a seu país, dizendo que rico e belo não é concebível que esteja naquela situação.

Segundo denuncia Gaviria nos créditos de encerramento, cerca de 4,5 milhões de colombianos já foram expulsos de suas terras e de suas cidades. E o país está destroçado. Ele não avança para as raízes dessa destruição. Toma partido quando registra no terço final do filme como os paramilitares, as milícias e os aproveitadores locais agem. Estes se aproveitam do falastrão Jairo, depois de serem por ele fotografados, para forçar a ele e a Marina lhes entregar a escritura da terra deixada pelo avô. E ela em meio ao tiroteio relembra o ataque dos paramilitares que executaram seus pais, do qual sobreviveram apenas ela, ainda garota, e o avô.

Embora complexo, é um filme de fácil assimilação. Gaviria dotou-o de ação, de drama, de contexto político, para manter o espectador aceso. No entanto, é difícil ficar indiferente ao que sua câmera registra. É quase como se fosse um documentário. Diferente do tratamento dado ao conflito pelo também colombiano Luis Alberto Restrepo em “A Paixão de Gabriel”. Neste o centro da narrativa é o padre do título homônimo. Neste a Igreja, a guerrilha, as milícias e o exército ditam os rumos da história.

Em seu filme, Gaviria prefere cuidar das vítimas, com um final alegórico, a exemplo de Mahamat-Saleh Haroun, em “O Homem que grita”. E lança um pouco de luz sobre a tragédia de seu povo.

“Retratos em um mar de mentiras”. Drama. Colômbia. 2009. 90 minutos. Roteiro/direção: Carlos Gaviria. Elenco: Paola Baldión Fischer, Julián Román.



* Jornalista e cineasta, dirigiu os documentários "TerraMãe", "O Mestre do Cidadão" e "Paulão, lider popular". Escreveu novelas infantis, "Os Grilos" e "Também os Galos não Cantam".
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Com apoio do portal vermelho

Por que Washington odeia Hugo Chávez?



Mike Whitney
Global Research


No final de novembro, a Venezuela foi atingida por chuvas torrenciais e inundações que deixaram 35 mortos e cerca de 130 mil pessoas desabrigadas. Se George Bush fosse presidente, em vez de Hugo Chávez, os desabrigados teriam sido submetidos sob a mira de uma arma para campos de prisão preventiva – como o Superdome - como aconteceu depois do furacão Katrina. Mas não assim que Chávez trabalha. O presidente venezuelano apressou-se a "permitir" que a lei que lhe deu poderes especiais para prestar ajuda de emergência e habitação para as vítimas das enchentes. Chávez, em seguida, limpou o palácio presidencial e o transformou em moradia para 60 pessoas, que é equivalente transformar a Casa Branca em um abrigo de desabrigados. As vítimas de desastres estão sendo alimentadas e cuidadas pelo Estado até que possam retornar aos seus lares e voltar ao trabalho.

Os detalhes dos esforços de Chávez tem sido omitidos pela mídia dos EUA, donde é regularmente demonizado como um "homem forte de esquerda" ou um "ditador". A mídia se recusa a reconhecer que Chávez tem reduzido a desigualdade de renda, erradicou o analfabetismo, melhorou as condições da saúde para todos os venezuelanos, a redução da desigualdade e aumento do nível de vida. Enquanto Bush e Obama ampliaram suas guerras no estrangeiro e diminuíram os impostos para os ricos, Chávez estava ocupado melhorando a vida dos pobres e necessitados, e ao mesmo tempo se defendia da última onda de agressão dos EUA.

Washington despreza Chávez porque ele não está disposto a entregar os vastos recursos da Venezuela para as elites empresariais e banqueiros. É por isso que o governo Bush tentou derrubar Chávez em uma fracassada tentativa de golpe de estado em 2002, e por isso o ‘fala mansa’ Obama continua a lançar ataques encobertos contra Chávez. Washington quer uma mudança de regime para poder colocar um fantoche que abra mão das reservas da Venezuela para as grandes empresas petrolíferas e transformar a vida dos trabalhadores num inferno.

Wikileaks divulgou recentemente documentos que mostram que a administração Obama intensificou a sua interferência nos assuntos internos da Venezuela. A seguir, um trecho de um post recente da advogada e escritora, Eva Golinger:

"Em um documento secreto escrito pelo atual Secretário de Estado Adjunto para Assuntos do Hemisfério Ocidental, Craig Kelly, e enviado pela Embaixada dos EUA em Santiago, em junho de 2007, o Secretário de Estado, a CIA e Comando Sul do Pentágono, juntamente com uma série de outras embaixadas dos EUA na região, Kelly propôs “seis áreas principais de ação para o governo dos EUA (USG) para limitar a influência de Chávez” e “reafirmar a liderança dos EUA na região”.

Kelly, que desempenhou o papel principal de “mediador” durante o golpe de Estado em Honduras no ano passado, contra o presidente Manuel Zelaya, o presidente Hugo Chávez é descrito como “inimigo” no seu relatório.

“Conheça o inimigo: Precisamos entender melhor como Chávez pensa e o que pretende... Para se opor eficientemente à ameaça que representa, é necessário conhecer melhor seus objetivos e como ele pretende levar a cabo isso. Isto exige uma melhor inteligência em todos os nossos países”. Na mesma nota, Kelly admite que o presidente Chávez é “um inimigo formidável”, mas acrescenta “que, sem duvida, se pode tomar”. (Wikileaks: documentos confirmam os planos dos EUA contra a Venezuela, Eva Golinger, Postais da Revolução).

As mensagens do Departamento de Estado mostram que Washington tem financiado grupos anti-Chávez na Venezuela por meio de organizações não-governamentais (ONGs) que afirmam estar trabalhando pelas liberdades civis, os direitos humanos e a promoção da democracia. Esses grupos se escondem por trás de uma fachada de legitimidade, mas seu verdadeiro objetivo é derrubar o governo democraticamente eleito de Chávez. Obama apóia este tipo de subversão como o mesmo entusiasmo que Bush. A única diferença é que o time de Obama é mais discreto. Pode-se ver mais detalhes sobre o caminho do dinheiro no seguinte post de Golinger:

"Na Venezuela, os EUA tem apoiado grupos anti-Chávez por mais de oito anos, incluindo aqueles que realizaram o golpe de Estado contra o presidente Chávez, em abril de 2002. Desde então, o financiamento tem aumentado significativamente. Um relatório de avaliação de Maio de 2010, sobre a ajuda externa aos grupos políticos na Venezuela, encomendado pelo National Endowment for Democracy, constatou que mais de $ 40 milhões de dólares por ano é distribuído para os grupos anti-Chávez, a maioria proveniente de agências dos EUA”.

A Venezuela se destaca como o país latinoamericano onde o NED tem investido mais recursos nos grupos de oposição durante 2009, com $ 1.818.473 dólares, mais do dobro do ano anterior.... Allen Weinstein, um dos fundadores do NED, revelou certa vez no Washington Post que “O que fazemos hoje era feito de forma clandestina, há 25 anos pela CIA...” (America's Covert "Civil Society Operations": US Interference in Venezuela Keeps Growing", Eva Golinger, Global Research).

Na segunda-feira, o governo Obama revogou o visto de embaixador da Venezuela em Washington, em represália à não aceitação, por parte de Chávez, do candidato a embaixador norteamericano em Caracas, Larry Palmer. Palmer tem sido um crítico ferrenho de Chávez, dizendo que havia uma relação clara entre os membros do governo Chávez e as guerrilhas de esquerda na vizinha Colômbia. É uma forma indireta de acusar a Chávez de terrorismo. Pior ainda, os antecedentes de Palmer e sua história pessoal sugerem que sua nomeação poderia representar uma ameaça à segurança nacional na Venezuela. Considere os comentários de James Suggett de Venezuelanalysis on Axis of Logic:

"Veja a história de Palmer, em colaboração com os oligarcas apoiados pelos EUA na República Dominicana, Uruguai, Paraguai, Coréia do Sul, Honduras e Serra Leoa, para ‘promover o Tratado de Livre Comércio (NAFTA)’. “Assim como a classe dominante dos EUA nomeou um afroamericano, Barack Obama, para substituir George W. Bush, com todo o resto intacto, Obama, por sua vez, nomeia Palmer para substituir Patrick Duddy, que estava envolvido na tentativa de golpe contra Chávez em 2002 e um inimigo dos venezuelanos durante seu mandato como embaixador dos EUA na Venezuela ". (http://axisoflogic.com/artman/publish/printer_60511.shtml)

A Venezuela já está cheia de espiões dos EUA e sabotadores. Eles não precisam de qualquer ajuda dos agentes que trabalham dentro da embaixada. Chávez fez bem em não aceitar Palmer.

A nomeação de Palmer é apenas "mais do mesmo", mais interferências, mais subversão, mais problemas de decisão. O Departamento de Estado foi, em grande parte, responsável por todas as chamadas revoluções de “cores codificados” na Ucrânia, Líbano, Geórgia, Quirguistão, etc, as quais foram pré-fabricadas, feitas para a TV, eventos que colocaram os interesses dos capitalistas ricos contra os do Governo eleito. Agora, a tropa de Hillary quer tentar de a mesma estratégia na Venezuela. Tudo depende de Chávez para detê-los, por isso ele é empurrado por meio de leis para “regular, controlar ou proibir o financiamento estrangeiro das atividades políticas”. É a única maneira de se defender contra a ingerência dos EUA e proteger a soberania da Venezuela.

Chávez também está usando seus novos poderes para reformar o setor financeiro. Abaixo temos um trecho de um artigo intitulado "A Assembléia Nacional da Venezuela aprova Lei que transforma o Sistema Bancária em um serviço público":

"A Assembléia Nacional da Venezuela aprovou na última sexta-feira, uma nova legislação que define o setor bancário como uma industria ‘do serviço público’, exigindo dos bancos na Venezuela que passem a contribuir mais para os programas sociais, os esforços de construção de moradias e outras necessidades sociais ao mesmo tempo em que a intervenção governamental mais fácil quando os bancos deixarem de atender às prioridades nacionais...”.

“A nova lei protege o patrimônio dos clientes dos bancos em caso de irregularidades por parte dos proprietários... e estabelece que a Superintendência de Bancos deve ter em conta o melhor interesse dos clientes dos bancos - e não apenas os acionistas - quanto à tomada de decisões que afetam as operações de um banco".

Então, porque Obama não faz a mesma coisa? Será que ele também tem medo de uma mudança real ou ele é apenas um lacaio de Wall Street? E continua...:

"Na tentativa de controlar a especulação, a lei limita a quantidade de crédito que podem ser disponibilizados para os indivíduos ou entidades privadas, fazendo com que 20% do montante do capital de um banco possa estar disponível para o crédito. A lei também limita a formação de recursos para grupos financeiros e os bancos estão proibidos de ter participação em corretoras e companhias de seguros”.

A lei também estabelece que 5% dos lucros, sem os impostos, de todos os bancos serão dedicados exclusivamente aos projetos elaborados pelos conselhos comunitários. 10% do capital dos bancos também deve ser colocado em um fundo para pagar salários e pensões em caso de falência.

Segundo números de 2009, fornecidos pela Softline Consultores, 5% do lucro, sem os impostos, no setor bancário da Venezuela no ano passado significaria umc adicional de 314 milhões de Bolivares, ou 73,1 milhões dólares, para programas sociais que atendam as necessidades da maioria mais pobre na Venezuela (http:/ / venezuelanalysis.com/news/5880)

"Controle de especulação? Agora há uma idéia nova. Naturalmente, os líderes da oposição estão chamando as novas leis de “um ataque à liberdade econômica”, mas isso é besteira. Chávez apenas está protegendo o público das práticas predatórias dos banqueiros sedentos de sangue. A maioria dos norteamericanos querem que Obama faça o mesmo.

Segundo o Wall Street Journal, “Chávez, no passado, ameaçou expropriar os grandes bancos se não aumentassem os empréstimos aos pequenos empresários e compradores em potencial, desta vez, está aumentando a pressão pública para mostrar a sua preocupação com a falta de moradias para 28 milhões de habitantes da Venezuela”.

Caracas sofre de um déficit habitacional enorme que ficou muito pior devido às inundações. Dezenas de milhares de pessoas precisam de abrigo agora, por isso Chávez está pressionando os bancos para ajudarem. Naturalmente, os bancos não querem ajudar aqueles que, chorosamente, pedem ajuda. Mas Chávez ignorou suas queixas e os ‘notificou’. De fato, na terça-feira, emitiu a seguinte advertência:

“Qualquer deslize de um banco e será expropriado, quer seja o Banco Provincial, o Banesco ou o Banco Nacional de Crédito”.

Bravo, Hugo. Na Venezuela de Chávez as necessidades básicas dos trabalhadores têm preferência sobre as especulações e lucros dos banqueiros. Não admira por que Washington o odeia!


Mike Whitney é um colaborador freqüente do Global Research. Global Research artigos por Mike Whitney

Veja o artigo original em: http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=22602

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

EUA queriam que Brasil ajudasse a espionar Chávez



Fonte: cartacapitalwikileaks.wordpress.com/Carta


Um telegrama secreto publicado hoje pelo WikiLeaks revela que em 2005 o embaixador americano propôs ao governo brasileiro “compartilhar inteligência” sobre o presidente da Venezuela Hugo Chávez.

A proposta foi feita durante uma reunião em 14 de março de 2005 entre John Danilovich e o ex-ministro das relações exteriores Celso Amorim. O embaixador abre a conversa dizendo que o governo americano se preocupa com a retórica e as ações de Chávez e o considera como uma “ameaça à região”. E prossegue: “Ele pediu que o ministro do exterior Amorim considere institucionalizar uma parceria política mais intensa entre o governo brasileiro e o americano em relação a Chávez, e assinar um acordo de compartilhamento de inteligência”.

Segundo o telegrama, Amorim foi direto ao rejeitar a aliança contra o venezuelano: “Não vemos Chávez como uma ameaça” teria dito, antes de defender a “maneira democrática” como o venezuelano fora eleito e o seu apoio popular. “Nós temos que trabalhar com ele e não queremos fazer nada que estrague nossa relação”.

Lula sugeriu a Chávez “baixar o tom”

O chanceler teria explicado que a relação entre os dois países é “sensível” e que o Brasil não podia fazer nada que pudesse minar sua “credibilidade” perante Chávez, já que buscava “influenciá-lo em uma posição mais positiva”.

Um exemplo, segundo Amorim: Lula teria sugerido a Chávez, em uma reunião no Uruguai, que ele “baixasse o tom da sua retórica”.

Em outra ocasião, Lula teria persuadido o líder venezuelano a não nadar em uma praia chilena que ele queria reivindicar para a Bolívia perante a imprensa local. A Bolívia mantém uma disputa com o Chile sobre a sua antiga saída para o Pacífico, perdida para o país vizinho em 1879.

Apesar de rejeitar a proposta americana, Amorim teria dito que o governo gostaria de aumentar o diálogo sobre Chávez com os EUA e que se interessava em obter “qualquer inteligência” que os americanos quisessem fornecer.

No telegrama, Danilovich afirma que Amorim não “comprou” a ideia de que Chávez é uma ameaça à região e deve ser tratado como tal.

“A rejeição seca a compartilhar inteligência foi balanceada pela sua vontade de aumentar a colaboração conosco no nível político com relação à Venezuela, e nós devemos buscar maneiras de explorar essa abertura para defender nosso argumento de que o Chávez representa um perigo”.

“Fornecer mais informações detalhadas ao governo brasileiro sobre direitos humanos e ações repressivas dentro da Venezuela, bem como quaisquer informações sobre o que aprontam grupos apoiados pelo presidente da Venezuela em outros países (mesmo que signifique oferecer informações de inteligência unilateralmente) pode ser parte dessa colaboração política”.

Na mesma reunião, Amorim disse que Lula mantinha contato direto com Evo Morales, então líder da oposição, para convencê-lo a manter uma linha democrática. Amorim também se comprometeu a manter a “linguagem” do Conselho de Segurança da ONU na resolução da I Cúpula América do Sul - Países Árabes em 10 e 11 de maio de 2005.

sábado, 1 de janeiro de 2011

Em 2010, as Forças Armadas da Colômbia tiveram mais baixas do que os EUA no Afeganistão



Roberto Romero
Fonte: Rebelion.org


Em 24 de dezembro, as festas não trouxeram boas notícias para a paz na Colômbia. Naquele dia, o presidente Santos, em uma saudação às forças armadas na base de Tolemaida, reconheceu que nos últimos dez meses, o Estado somava mais de 2.500 baixas na luta contra a insurgência.

"A cobra esta encurralada e a derrotaremos em 2011", disse ele se referindo às Farc.

Certamente uma cobra rara, que é capaz de infligir semelhantes danos às forças do governo após oito anos de ofensiva em toda a linha.

O anúncio provocou desconforto nas lideranças militares, a tal ponto que a página web oficial do exército e a da Presidência da República foi postada uma resenha do discurso, mas censurando os reveladores números do confronto que, entretanto, foram divulgados pelos noticiários televisivos.

No entanto, os dados do palácio presidencial não diziam nada de novo. Em meados de novembro, a Corporação Nuevo Arco Iris, em um extenso e completo relatório da guerra interna, fez um balanço das perdas oficiais. O relatório foi escondido pela mídia.

"As baixas da Força Pública, entre mortos e feridos, no ano de 2010 (dez meses) subiram para quase 2.500. O número já ultrapassa o registrado em 2002, quando se registraram 2.236 e em 2009, ano em que houve 2.320 baixas", segundo o relatório com base em fontes judiciais. Até agora, em 2010, um total de 69 estruturas das FARC apresentaram ações armadas, 184 municípios registraram ações militares desta guerrilha, segundo citava o documento de Arco-Iris e que o presidente Santos deu toda a razão.

Isso significa que, nesses 300 dias, as Farc causaram 250 baixas à Força Pública por cada mês: mais de oito vítimas por dia, uma a cada três horas. Entre essas, 450 mortos, isto é 1,5 por dia.

O citado centro de estudos sublinhou que "em 2010 ocorreram um grande número de combates: mais de 400. Um combate, entendido como uma ação militar de choque entre duas estruturas inimigas por mais de 120 minutos, mostram que as Farc ainda mantêm uma forte capacidade bélica em várias regiões do país".

Comparado com a luta dos EUA e de 26 outras nações contra o povo do Afeganistão os números são particularmente avassaladores: em todo o ano de 2010, os norteamericanos e seus aliados sofreram 709 baixas, enquanto na Colômbia esse número passou de 2.500 em dez meses. (Veja http://icasualties.org/oef/ ).

Ninguém pode se alegrar com semelhantes números da morte que demonstram a escalada do conflito. Todos os colombianos devem sentir dor pelos caídos nesta longa e inútil guerra, mas com novas chamadas para prolongá-la e prometendo o extermínio total do inimigo, apenas se colherá mais dor e sofrimento para o povo colombiano.

Está na de que Santos torne realidade suas palavras quando assumiu a presidência há quatro meses, "Não joguei ao mar a chave da solução política do conflito armado". Os duros fatos da confrontação assim lhe exigem.

Farc-ep: 2000 – 2010, Uma década resistindo ao feroz embate dos planos imperiais



ANNCOL


Os fatos desmentem o último relatório de Arco-Iris. Este parece mais com uma análise da inteligência militar na boca de um desmobilizado. Equivoca-se de cabo a rabo. Com fins divisionistas, a suposta presença marginal das FARC em 250 regiões do país e a incapacidade do EMBO para assimilar a copiada estrátegia balcanica de bombardear primeiro para depois entrar para “dominar o terreno”. Agora, para frenesi e contentamento da cúpula militar: 3.500 baixas na guerrilha.

Lembrem-se. As Farc, pela sua estrutura e modus operandii, trabalham com planos discutidos em seus órgãos de direção e executados por todos os seus militantes.

Presença. Em toda a geografia da Colômbia. PCCC e seus Movimentos Bolivarianos trabalham com seus planos e meios.

Saibam que nas planícies orientais e para o sul foram enterrados o Plano Colômbia, Patriota I e II, Sodoma...e os que vierem. Esse é o mérito dos que morreram sacrificando suas vidas. Jorge Briceño, sentado ao lado de Manuel, Reyes, Che, orgulhoso de seu trabalho revolucionário em sua passagem na terra, combatendo contra uma poderosa máquina militar com assessores gringos.

O que é isso?

Simplesmente a mais estrondosa derrota infligida à ocupação norteamericana do nosso território e aos seus lacaios crioulos.

Vejamos agora os noticiarios deles, os das mentiras classificadas. As centenas de mortos, que por vezes, não podem encobrir despreocupadamente:

18/12: Ataque das FARC contra o Exército perto do municipio de Barrancas, em La Guajira: um soldado morto e sete feridos.
http://www.diariodelnorte.net

18/12: Em combates entre o Exército e as FARC em Arauca, um soldado profissional morreu.
http://www.vanguardia.com

19/12: Militar da Nona Brigada do Exército caem em campo minado das FARC perto da localidade de Puerto Rico, departamento de Caquetá: 5 soldados mortos e 2 feridos.
http://www.radiosantafe.com

19/12: A guerrilha executa dois policiais na estrada Sandoná-Ancuya, no ocidente do departamento de Nariño.
http://www.caracol.com.co

20/12: As FARC se infiltraram na Força Aérea Colombiana e na Base de Apiay, onde foi preso um militar acusado de colaborar com a guerrilha.
http://www.elfinanciero.com.mx

20/12: Guerrilheiros das FARC atacam com explosivos um posto policial em São Vicente del Caguán.
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É urgente acabar com este mar de sangue, a única saída é uma solução política para o conflito social, político e armado.

Ajude-nos a alcançar a paz, envie esta mensagem para todos seus amigos e contatos.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Herenças Atávicas

Por Emiliano Jose

A contingência da passagem de ano sempre nos leva a algum tipo de balanço, e o ano de 2010 não será fácil de esquecer. Pelo fato simbólico da eleição de uma mulher para a presidência da República. E pela circunstância de que a assunção dessa mulher à condição de principal protagonista da cena política fez emergir preconceitos atávicos que muitos de nós, quem sabe ingenuamente, imaginávamos sepultados definitivamente.

As mudanças não são fáceis de serem aceitas. E uma mulher na presidência da República no Brasil se, num primeiro momento, poderia parecer um acontecimento quase banal, era um fato novo, muito novo, inédito, e representava quase um novo marco civilizatório. Tão forte que provocou reações que muitos de nós não imaginávamos possível. A eleição do presidente operário em 2002 provocou uma avalanche de preconceitos da elite brasileira, que foram solenemente ignorados pelo nosso povo. Lula termina seu mandato com um recorde de aprovação: 83%.

Dilma foi um tsunami tão forte quanto Lula. E um tsunami que provocou a recuperação, parcial que seja, dos valores de uma sociedade patriarcal, misógina, homofóbica, autoritária e elitista. A parte da sociedade que assumiu esses valores de modo militante recusa conquistas já consagradas pelas sociedades democráticas avançadas. E o fez abraçando-se a religiões, pretendendo que o Estado brasileiro deixasse de ser laico, e se rendesse a princípios que contrariam os avanços da ciência e dos direitos à saúde, e atacando principalmente o direito das mulheres.

Tudo por causa de uma mulher. Tudo contra uma mulher. Tudo tendo um significado político, evidentemente. Mas um significado político que se entrelaça com revelações culturais profundas, a evidenciar que o ovo da serpente do pensamento conservador ultradireitista não desapareceu da cena brasileira. E seria ilusório, creio, imaginar que tivesse desaparecido. Não foi ocasional que a campanha adversária tenha ressuscitado e valorizado até a famosa Tradição, Família e Propriedade (TFP) para afirmar suas posições. Ou que igrejas tenham retornado a posições de 1964.

A raiva contra a mulher ficou manifesta na discussão desonesta sobre o aborto. Como se a questão fosse ser apenas contra ou a favor do aborto, e não a discussão sobre o direito à saúde das mulheres, a assistência às mulheres vítimas de abortos clandestinos, normalmente mulheres pobres. Estima-se que morrem mais de 500 mulheres por ano no Brasil devido aos abortos clandestinos.

E as que não morrem, seriam o caso de colocá-las todas na cadeia?

Impossível. Ora, ora, tudo próprio de uma sociedade hipócrita, farisaica, que não olha para sua própria face. O próprio Serra, como ministro da Saúde, tinha posição mais humana. Mas, na campanha, preferiu abraçar as teses do medievo trevoso, só abrandadas quando foi revelado o aborto feito por sua própria mulher, revelação feita por algumas alunas de Mônica Serra.

As teses contra os homossexuais só perderam força quando perceberam o impacto eleitoral negativo. Mas, como conseqüência disso, temos assistido cenas freqüentes e deploráveis de ataques a homossexuais. A raiva contra os nordestinos, que revisitava o arianismo, surgiu com vigor logo que se revelou a vitória de Dilma. Para que não nos enganemos, o pensamento foi expresso especialmente por uma parcela da nossa juventude.

Não creio que devamos tratar esses acontecimentos como secundários. Nem com raiva. Com indignação, sim, sem dúvida. Mas, também, com a compreensão de que há ainda uma longa marcha para a mudança de mentalidade de nossa sociedade. Quem viveu bem mais de três séculos sob a escravidão não pode esperar que o espectro da Casa Grande tenha desaparecido. Esse espectro, aqui e ali, ressurge, e muitas vezes, com força.

E especialmente quando uma mulher resolve confrontar toda essa cultura, ao se pôr como principal mandatária do País. É verdade que a maioria da sociedade brasileira optou pela continuidade de um projeto transformador. No entanto, a luta por uma nova sociedade, livre de preconceitos, de discriminações, de racismos, continua mais que atual. Feliz 2011.


Carta do coletivo do Programa de Alfabetização Cubano "Sim, eu posso" para a cidade espanhola de Sevilha



Rebelião


Caros educadores cubanos:

Chegamos ao 49º aniversário da conclusão da vossa gloriosa Campanha Nacional de Alfabetização sitiados em um mundo conturbado e convulso, onde a hegemonia das grandes potências ocidentais advoga, a todo instante, por sua arrogante e egoísta política de imposição dos seus interesses a qualquer custo.

Em 2009, os gastos militares subiram para 1,531 bilhões de dólares, quando as Nações Unidas pede aos países desenvolvidos um financiamento de 11 bilhões de dólares para cobrir os gastos dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM ) e o valor não ultrapassou 50%.

O abismo das desigualdades está cada vez mais profundo, o número de pessoas com passam fome no mundo subiu para o recorde de 1,020 bilhões e o número de analfabetos se elevou para 796 milhões.

Essa radiografia global tem permitido ao povo cubano o engrandecimento diante de situações adversas, pois enquanto as grandes potências procuram restaurar uma suposta "paz" no mundo, gerando guerras, mortes, fome e miséria, Cuba continua a dar lições de combate à pobreza, fome, doenças e analfabetismo em escala mundial.

O desenvolvimento educacional cubano, após a conclusão da Campanha Nacional de Alfabetização, em 22 de dezembro de 1961, permitiu tal proeza. Somente com a implementação do novo programa cubano de alfabetização "Sim, eu posso", em 30 países, Cuba contribuiu para tirar da escuridão da ignorância a cinco milhões de pessoas, vários milhares pertencentes ao chamado Primeiro Mundo, como a Nova Zelândia, Canadá e Espanha.

Também fruto do altruísta e solidário trabalho dos educadores cubanos é a graduação, neste ano letivo, de 30 mil 478 técnicos e profissionais de 125 países que estudaram nas instituições de ensino cubanas.

Para todo o trabalho realizado, ao coletivo do Programa de Alfabetização Cubano "Sim, eu posso" da cidade de Sevilha, Espanha, podemos dizer: Obrigado educadores cubanos, obrigado por essa grandeza humana, obrigado pela solidariedade desmedida e mil vezes obrigado por demonstrar que um mundo melhor é possível.

Onde quer que estejam, recebam nossos mais calorosos parabéns por este grandioso "Dia do Educador" e o total apoio pela firmeza e lealdade às suas idéias, seus princípios e convicções.

Até a vitória sempre!

Equipe do Programa Cubano de
Alfabetização para Sevilha
"Sim, eu posso"
Sevilha, 22 de dezembro de 2010.

COLÔMBIA: COM A ÁGUA PELO PESCOÇO



ANNCOL

Um verdadeiro dilúvio inundou extensas áreas da Colômbia, causando uma enorme catástrofe ambiental. A natureza está entregando a conta para a oligarquia colombiana vende pátria, pelos 1,6 milhões de hectares de floresta destruídas entre 2002 e 2010, ou seja, durante todo o governo dos uribistas, que foram convertidos em "deserto verde" de 400.000 hectares de palmeiras para extração de óleo e o restante 1,2 milhões em plantações de cana de açúcar e fazendas de gado como a "El Uriberrimo”, que terminaram fortalecendo o latifúndio narcoparamilitar do uribosantismo governante na Colômbia.

Mas não é só isso. Também 4 milhões de trabalhadores agrícolas e camponeses pobres foram despojados de cerca de 4 milhões de hectares já cultivados, e foram deslocados pelos paramilitares narcotraficantes para a selva, onde passaram a derrubar a floresta para formar pastos e roças para sobreviver, ou migrar para as grandes cidades e engrossar os cinturões de miséria e construir favelas na borda de córregos que são os mais afetados pelas chuvas. O caso de Medellín-Itagui é um exemplo claro do que afirma ANNCOL.

A tudo isto devem ser acrescentados os milhões de hectares de floresta e de cerrado cultivados ou semi-cultivados, aos quais o U.S.Army-colombiano declarou a guerra química, sob o pretexto da guerra contra as drogas, depois de todos esses anos do Plano Colômbia, as tem pulverizando extensamente com glifosato, transformando-as em outro deserto sem vida que não pode reter a água.

O dilúvio sobre a Colômbia também fez flutuar nas águas mais um escândalo de corrupção do uribosantismo que, durante estes 8 longos anos de governo, transformou as conhecidas ‘Corporações Regiões’ em outro ninho de ratos e corruptos da máfia uribista. Hoje, a oligarquia vende pátria colombiana tem literalmente a água no pescoço e já não pode esfregar as mãos, como sempre fazem quando uma catástrofe ambiental atinge a ilha de Cuba, e exclamar extasiados: Agora, sim chegou o fim do comunismo de Castro!

Pelo contrário, parece que a natureza, na sua justa vingança, desta vez deixou os oligarcas e seus aliados gringos nus. Por isso ANNCOL pergunta: De onde eles vão arrumar o dinheiro para financiar os 5% do PIB que o exército EUA-colombiano consome na sua infrutífera guerra contrainsurgente?

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Lula defende diálogo com Irã e critica "tutela da paz" dos EUA

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou nesta segunda-feira (20) que não haverá paz no Oriente Médio enquanto os Estados Unidos atuarem como “tutor” na região. Ele defendeu a política externa brasileira e a maior participação de outros países na negociação. Lula participou nesta tarde em Brasília de uma cerimônia de apresentação de generais recém promovidos nas Forças Armadas. "Não haverá paz no Oriente Médio enquanto os Estados Unidos forem tutor da paz. É preciso envolver outros países para negociar. Não é questão dos Estados Unidos, mas é de saber quem pode conversar", afirmou o presidente. Atualmente, os EUA tentam mediar um acordo entre Israel e palestinos que até agora não surtiu nenhum efeito. “É preciso distensionar a mesa de negociação”, comentou o presidente.

Lula defendeu a política externa brasileira e a relação com o Irã. Ele destacou que dez dias antes de viajar para o Irã recebeu uma carta do presidente norte-americano Barack Obama com “condições” sobre o programa nuclear iraniano.

Segundo Lula, todas as condições foram aceitas pelo presidente Mahmoud Ahamadinejad. Mesmo assim, o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) aplicou sanções àquele país. “As condições aceitas pelo Armadinejad eram exatamente as mesmas propostas pelo Obama. Mesmo assim, os países do Conselho de Segurança da ONU resolveram punir o Irã”, disse Lula.

Na visão de Lula, as sanções ocorreram porque a negociação foi conduzida por Brasil e Turquia e não pelos países do Conselho de Segurança. “A única explicação é de que era preciso punir o Irã porque o Brasil e a Turquia tinham se metido em seara de país desenvolvido”, comentou.

Para ele, o Conselho de Segurança da ONU não pode ser “um clube de amigos”, mas sim uma “instituição ativa”, da qual façam parte outros países. Lula tem defendido um papel mais atuante do Brasil no processo de pacificação do Oriente Médio. Em maio, visitou o Irã para tentar mediar um acordo em relação ao programa nuclear da República Islâmica.

Sem pedir licença

O presidente rebateu ainda as críticas que recebeu pela relação com o Irã. Segundo Lula, as pessoas que recomendaram que o Brasil não se “metesse” no tema preferiam ser tratadas de forma “subalterna” e “inferior”. “O Brasil não tem de pedir licença para fazer o que acredita que tem de ser feito”, disse.

Lula contou ainda que, uma vez, no primeiro ano de mandato, em um evento na França com vários líderes internacionais, quando o então presidente norte-americano, George W. Bush, chegou, todos se levantaram, uma deferência que não tinha sido feita a nenhum outro líder. "Eu segurei no Celso Amorim (ministro das Relações Exteriores) e disse: ninguém levantou quando a gente chegou, por que vamos levantar agora? Então o Bush veio e sentou conosco".

Para Lula, a história mostra que a "subserviência não leva a lugar nenhum". "O ser humano não gosta de lambe-botas, gosta de quem quer ser tratado com igualdade".

Lula também disse que, há poucos dias de deixar o governo, encontra o povo brasileiro com uma autoestima nunca antes vista. E falou sobre as grandes obras que deixará, como a das hidrelétricas de Santo Antônio, Jirau e Belo Monte. “As três maiores do mundo”, disse Lula. E citou também as obras em ferrovias.

Outro projeto destacado por Lula foi a transposição do Rio São Francisco. “Levaremos água para o maior semiárido habitado do planeta Terra”. E brincou com as críticas que recebeu no início do mandato quando resolveu adquirir um avião novo para as viagens presidenciais. “Quando compramos o avião, vocês sabem o que passamos. Comprei o avião para não passar vergonha. Disseram que o avião era meu. Chamaram de aerolula. Agora, vai ser o aerodilma”, comentou.

O presidente destacou as ações do governo na área do ministério da Defesa, como o auxílio das tropas nas operações em morros do Rio de Janeiro e a atuação dos militares no Haiti. Lula terminou a fala agradecendo o tratamento “respeitoso” e “leal” que teve das Forças Armadas.
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Com apoio de Portal Vermelho

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

COLÔMBIA 1928: O MASSACRE DAS BANANEIRAS



Por: Hernando Calvo Ospina
Fonte: diplomatique.fr-monde: http://www.monde-diplomatique.fr / ca ...


Colômbia, dezembro 1928


Não foi só a imaginação do colombiano Gabriel García Márquez, Prêmio Nobel de Literatura. Não. O que narrou sobre isso em sua obra-prima "Cem Anos de Solidão" é a absoluta e triste verdade. A matança e a repressão dos trabalhadores começou na madrugada de 06 de dezembro de 1928, e só parou cerca de três semanas depois. Foi nas plantações de banana da United Fruit Company, na região do Caribe colombiano. Estes foram os primeiros passos do terrorismo de Estado na Colômbia...

Na Colômbia, com as primeiras luzes do século XX, os campos de petróleo, ouro, platina e outros metais preciosos são praticamente dados a empresas norteamericanas e inglesas. Para as sociedades dessas nações são entregues vastos territórios para a exploração, sem restrição, de bananas, cacau e borracha. Com o beneplácito do governo, os empregados destas empresas eram tratados como nos tempos coloniais.

A industrialização iniciada naqueles primeiros vinte anos deu à luz a uma burguesia urbana, e também a um setor operário que começou a reivindicar benefícios sociais. Seguindo o seu exemplo, camponeses, indígenas e artesãos, também procuraram se organizar. Estes incipientes movimentos reivindicativos deram lugar às primeiras organizações sindicais e políticas.

Esse processo organizativo embrionário recebeu um incentivo externo determinante. Em outubro de 1917, veio a Revolução de Outubro na Rússia, liderada por Vladimir Lênin, e a criação da União Soviética, que se constitui na primeira experiência de construção do socialismo. Este evento passaria a exercer uma influência decisiva sobre o pensamento político e social mundial, como tinha sido a Revolução Francesa em 1789. A Colômbia não poderia ser a exceção, menos ainda quando a palavra "socialismo" não era desconhecida em círculos da intelectualidade liberal.

Agora, a igualdade social era visto como uma possibilidade. Com base em manifestações e greves, a conquista dos direitos e concessões inimaginável alguns anos antes foram sendo alcançados, sendo que os trabalhadores petroleiros da Tropical Oil Company eram a vanguarda da luta.

Aos olhos do governo conservador, da oligarquia e da hierarquia da Igreja – o maior latifundiário do país – toda a organização e o descontentamento social eram prova da existência de uma conspiração comunista internacional para destruir suas propriedade e vidas. Sua paranóia aumenta quando, em 1926, é fundado o Partido Socialista Revolucionário, como alternativa aos partidos tradicionais, Liberal e Conservador. Apesar de um setor importante da intelectualidade liberal ser a favor de mudanças sociais, não para estabelecer o socialismo, mas para modernizar um Estado que controlava o país como um mordomo. (1)

Desde o governo, o parlamento, os púlpitos e jornais, as predicas não davam trégua contra a "subversão bolchevique". Apavorados, as lideranças conservadoras e os chefes do clero decidiram agir estrategicamente.

Em meados de 1927, o ministro da Guerra, Ignacio Rengifo, um intelectual que já havia se declarado "revolucionário", afirmou: "Protegidos no ambiente de ampla liberdade que se respira em território colombiano, não poucos cidadãos nacionais e estrangeiros, por conta própria, ou como agentes pagos do governo soviético, por todas partes fazem propaganda comunista ativa e constante". (2)

Rengifo foi o principal inspirador da Lei de Defesa Social, mais conhecida como "Lei Heróica". Promulgada em outubro de 1928, estabeleceu o tom na concretização de um contexto teórico altamente repressivo. Com ela, a Colômbia adiantou-se aos teóricos das guerras colonialistas européias e norteamericana, formulando uma doutrina destinada a combater o que é conhecido no início da década de sessenta como "inimigo interno". A Lei definia como “subversiva” as ações reivindicativas, política e social dos sindicatos e organizações populares embrionárias.

No final do século XIX, a empresa americana United Fruit Company se estabelece em Santa Marta, no Caribe colombiano. O governo não só lhe dá vastos territórios, mas também privilégios que outras empresas estrangeiras não tinham. A United começou a funcionar e a atuar na imensa região como uma república independente.

Por volta de 1927, mais de 25 000 pessoas trabalhavam nas plantações da United, com jornada de trabalho de no mínimo 12 horas. Os trabalhadores não recebiam salários em dinheiro: recebiam bônus, que somente podiam ser utilizados nas lojas da empresa, em troca de mercadorias importadas dos EUA nos navios que transportavam as bananas. Além de não ter assistência médica, os trabalhadores dormiam amontoados em barracos insalubres. Havia um sistema de empreiteiros intermediários como único vinculo trabalhista, e assim, a empresa se desonerava das obrigações básicas para com os trabalhadores. Buscando resolver esta situação, o sindicato apresentou uma pauta de reivindicações.

As negociações, que não avançavam, foram congeladas quando a Lei Heróica foi aprovada. A United rejeitou a pauta por considerá-la subversiva. Para os trabalhadores não sobrou alternativa do que a paralisação, em 12 de novembro de 1928. O slogan era: "Pelo operário e pela Colômbia". Logicamente, o movimento foi rotulado de "subversivo" pelo governo, pela igreja e imprensa. Afirmava-se que "agentes de Moscou" tinha desembarcado clandestinamente para preparar a insurreição.

A Diretoria da United exigiu ao governo a presença do exército. Imediatamente, o presidente Miguel Abadia Méndez, declarou estado de sitio na região, ordenando ao general Carlos Cortes Vargas para acabar com a "quadrilha de malfeitores". O quartel general do exército foi instalado nas dependências da empresa, onde os oficias tinham à disposição bebidas alcoólicas, cigarros, um salário, e a possibilidade de grandes orgias com prostitutas "escolhidas" na região. (3)

A prioridade era proteger a vida da direção da United, todos norteamericanos, pois corria o boato de que os trabalhadores os degolariam, assim como às suas famílias.

A situação trabalhista deteriorou-se e os trabalhadores realizaram comícios permanentes e bloquearam a linha férrea, utilizada para transportar a produção de bananas até o porto. Em 05 de dezembro, os grevistas foram convocados ao povoado de Ciénaga com o pretexto de receber o governador que, supostamente, participaria das negociações. Mas ele nunca chegou. Em seu lugar estava o general Cortés Vargas que, às 23h30, emitiu o decreto que ordenava dissolver "qualquer reunião de mais de três pessoas" e ameaçava atirar "sobre a multidão, se necessário". Mas, na madrugada do dia seis, o general Cortés já estava completamente bêbado.

Duas horas depois, o general completamente bêbado, leu o decreto sobre perturbação da ordem pública diante da multidão que estava dormindo na praça. Ao finalizar a leitura, enquanto alguns grevistas gritavam "Viva a Colômbia!", "Viva o exército!", e se recusaram a deixar a praça, ordenou que as tropas atirassem com as metralhadoras colocadas nos telhados (4). Posteriormente, o militar disse que "era imperativo fazer cumprir a lei, e foi cumprida".

Estima-se que havia cerca de cinco mil camponeses, muitos acompanhados de suas esposas e filhos, rodeados por 300 soldados.

Aqueles que não foram mortos instantaneamente foram arrematados com baionetas ou enterrados vivos em valas comuns. Nos trens da United, centenas de corpos foram enviados e levados até o mar, onde foram jogados como bananas de má qualidade. Tal como diz García Márquez em "Cem Anos de Solidão".

Foi decretada a perseguição para todos aqueles que sobreviveram, sem diferenciar se trabalhavam ou não para a United. Outras centenas de camponeses foram brutalmente espancados e encarcerados, enquanto os líderes foram rapidamente julgados em tribunais militares.

A matança durou vários dias, até que a notícia se espalhou por todo o país, apesar da censura instaurada à imprensa, e começaram as manifestações de protesto. Para a United e o governo as coisas continuavam como se nada tivesse acontecido, a ponto de o general Cortés assinar, em nome dos operários, um "acordo de trabalho".

Alguns trabalhadores se organizaram numa espécie de guerrilha e queimaram plantações, sabotaram os serviços telegráficos, elétricos e cortaram as estradas de ferro da empresa. A região ficou militarizada quase por um ano.

O general Carlos Cortés Vargas reconheceu nove mortos. O governo treze e 19 feridos. Em 16 de janeiro de 1929, o diplomata dos EUA, Jefferson Caffery, informou ao Departamento de Estado: "Tenho a honra de informar que o representante da United Fruit Company em Bogotá, ontem me disse que o número de grevistas mortos pelas forças militares colombianas passa de mil". Mas a comissão de inquérito do Congresso, liderada por Jorge Eliécer Gaitán, descobriu cemitérios clandestinos, portanto, o número de vitimas, certamente, ultrapassa as 1.500.

O militar explicou sua decisão argumentando que existia uma situação insurrecional, que poderia provocar um desembarque de tropas dos EUA para proteger os interesses da United. E ele queria evitar uma invasão da Colômbia.

O Presidente da República parabenizou o general Cortés Vargas por ter salvo o país da anarquia. Enquanto o editorial do jornal liberal El Tiempo, de 17 de dezembro, dizia: "falta investigar se não existem medidas preferíveis e mais eficazes do que as de destinar a metade do exército da República para a matança de trabalhadores”.

Durante a apresentação do inquérito parlamentar, em Setembro de 1929, Jorge Eliécer Gaitán, num inflamado discurso, apontou à oligarquia como responsável pelo massacre. Do clero, ele disse, "aqueles missionários de Cristo são fariseus que traem a sua doutrina, negligenciam seus deveres para entrar na arena das miseras lutas políticas, terrenas e interessadas”.

Gaitán constataria que se havia aplicado contra os grevistas, em prol dos interesses dos EUA, a política do "inimigo interno": "Não que eu negue que uma grande agitação de justiça social percorre, de uma ponta à outra do país, para todos os espíritos. Ela existe, mas não como fruto do comunismo, mas como uma razão vital de um povo que deseja defender-se contra a casta de políticos sem escrúpulos (...). Assim procedem as autoridades colombianas quando se trata da luta entre a ambição desmedida dos estrangeiros e da equidade das necessidades dos colombianos (...). Naturalmente, não devemos pensar que o governo exerceu qualquer pressão para reconhecer a justiça dos operários. Estes eram colombianos e a empresa era americana e, dolorosamente, sabemos que neste país o governo tem a metralha homicida e um joelho tremulo no chão diante do ouro norteamericano”. (5)

O massacre das bananeiras não resultou em qualquer responsabilidade penal ou política. O general Carlos Cortés Vargas foi promovido a diretor da Polícia Nacional. Ostentava esse cargo até quando foi destituído. Não pelo massacre das bananeiras, mas pelo assassinato de um jovem, em 8 de junho de 1929, durante um protesto de rua em Bogotá. Era um estudante da elite bogotana e filho de um amigo do presidente Abadía Méndez. A oligarquia e do alto clero ficaram indignados. Pelo mesmo motivo, também foi destituído o ministro Rengifo, o mesmo que anteriormente havia sido elogiado como o homem providencial do regime.

Desde então, demonstrou-se a assimetria moral e política do sistema que se construiria na Colômbia.



*Hernando Calvo Ospina é jornalista e escritor.

Notas:
1) Calvo Ospina, Hernando. Colômbia, a história do terrorismo de Estado . Editorial Akal. Madrid, 2008.
2) Rengifo, Ignacio. Memórias do Ministério da Guerra. Bogotá, 1927.
3) O desenvolvimento da greve e posterior repressão sofridas pelos trabalhadores, está na pesquisa realizada pelo representante liberal Jorge Eliécer Gaitán, e apresentada ao Congresso da Colômbia, em setembro de 1929.
4) Sanchez, Ricardo, História Política da Classe Operária na Colômbia , Ed. La Rosa Roja, Bogotá, 1982.
5) Gaitán, sendo um candidato presidencial, e convertido no grande inimigo da oligarquia, foi assassinado em 9 de abril de 1948, em Bogotá. Isto provocou o que é conhecido na Colômbia como "A Época da violência", que em seis anos deixou cerca de 300 mortos, quase todos os camponeses.