"A LUTA DE UM POVO, UM POVO EM LUTA!"

Agência de Notícias Nova Colômbia (em espanhol)

Este material pode ser reproduzido livremente, desde que citada a fonte.

A violência do Governo Colombiano não soluciona os problemas do Povo, especialmente os problemas dos camponeses.

Pelo contrário, os agrava.


sábado, 13 de novembro de 2010

O QUE É TERRORISMO DE ESTADO NA COLÔMBIA



Azalea Robles
Rebelión.org


Saquear, eliminar os descontentes e continuar saqueando.


Para entender a realidade colombiana, muito falsificada pela mídia, deve-se compreender duas premissas fundamentais: por um lado uma realidade de profunda desigualdade social e, correlativa a ela, conhecer de que forma a resposta estatal diante das reivindicações populares é de terror. A história da Colômbia está definida pela pilhagem dos seus recursos: pelo Terrorismo de Estado para manter um status quo de injustiça social. O Estado colombiano facilita a pilhagem dos recursos naturais e humanos da Colômbia: é o garante dos interesses das multinacionais e da oligarquia. Portanto, todo aquele que reivindica por justiça social é assassinado, e vilas inteiras são arrasadas com a finalidade de esvaziar as terras de grande interesse econômico: eliminação sistemática das demandas sociais, políticas, econômicas, ecológicas...

Uma situação dramática que os grandes meios de comunicação de massas sistematicamente ocultam ou falsificam. Agora essa falsa mídia que fazer crer que o governo de Santos é mais moderado, mas nada está mais longe da realidade. Apenas dois dados: nos primeiros 75 dias do seu mandato, foram assassinados 22 defensores de direitos humanos (1), e foram violentadas e assassinadas 3 crianças pelo exército, no que faz parte da prática do terrorismo de Estado (2). O extermínio da oposição, a belicosidade e o empobrecimento continuam a se intensificar com Santos, como pode se evidenciar pelos bombardeios maciços, os desaparecimentos forçados, os aprisionamentos políticos e as Leis lesivas que promovem mais privatizações e deslocamentos massivos de populações, como é o caso de "Lei de Terras", apresentada como A panacéia pela mídia e, embora seja "uma lei sem consulta que coloca vidas em risco e legaliza o despojo" (3).
Os números são importantes porque permitem dar uma dimensão do que é um dos piores genocídios da história contemporânea da humanidade, um genocídio silencioso.

A seguir mostramos o quadro do que é, em números, o Terrorismo de Estado na Colômbia.

O terrorismo de Estado na Colômbia é:

“Somente nos últimos três anos, desapareceram mais de 38.255 pessoas pelas mãos do Terrorismo de Estado na Colômbia...Estima-se atualmente em 250.000 pessoas desaparecidas (seqüestradas ou torturadas) sob a lógica de “dissuadir as reivindicações pelo terror” (O Estado busca que o terror perdure quando um corpo desaparece, pois prolonga a angustia nos sobreviventes) (1).
* A eliminação física de todo um partido político, a União Patriótica (UP), mais de 5.000 pessoas da UP assassinadas pelo Estado (2).

* Mais de 2.704 sindicalistas assassinados, 60% do total de sindicalistas assassinados em todo o mundo são mortos na Colômbia pelas ferramentas do terrorismo de Estado (3).

Na Colômbia, a situação de injustiça social é esmagadora e, a cada dia, se alarga a brecha entre ricos e pobres, sendo a repressão estatal busca calar o descontentamento natural diante desta dramática situação.

Da população da Colômbia 68% vive na pobreza e na indigência. A concentração da riqueza é escandalosa: A Colômbia é o 11º país maior desigualdade social do mundo (colocação n°. 11 do coeficiente GINI de desigualdade), e é o país mais desigual das Américas. Dizemos que existem, segundo os números mais conservadores, 8 milhões de indigentes e 20 milhões de pobres (4). Anualmente, morrem mais de 20 mil crianças menores de 5 anos de desnutrição aguda (dados da UNICEF). De cada 100 mulheres grávidas deslocadas, 80 sofrem de desnutrição crônica (5). Simultaneamente, e correlativo a esta miséria, um único banqueiro, Sarmiento Angulo, controla 42% do crédito nacional e declarou lucros de 1,250 bilhões de dólares no último bimestre de 2009. (6)

* Terrorismo de Estado é o deslocamento de populações em beneficio do grande capital: mais de 4,5 milhão de pessoas foram deslocadas de suas terras pelos massacres dos militares e paramilitares dentro da Estratégia Estatal de "terra arrasada" para esvaziar a população das áreas rurais e assim oferecer as terras de alto interesse econômico às multinacionais sem que haja reivindicações nem moradores...(7).

* 10 milhões de hectares foram roubados assim das vítimas e estas deslocadas. Essas mesmas terras foram oferecidas para as multinacionais, ao grande latifúndio e a novos chefes paramilitares. O escândalo do "agroingresso seguro” serviu para consolidar este roubo (8).

* Terrorismo de Estado é: A maior vala comum da América Latina, uma descoberta dantesca que, entretanto, ainda não levou ao repúdio internacional que merece o regime colombiano: mais de 2.000 ossadas de desaparecidos pela força Omega do “Plano Colômbia” (9).

* Terrorismo de Estado é: A utilização de uma Ferramenta Paramilitar para injetar o Terror na população, a fim de silenciá-la, docilizá-la e deslocá-la. Uma ferramenta de horror que prática violações em massa, esquartejamentos com motosserra, empalações e outras formas de terror de dar arrepios. Um relatório do Escritório de Justiça e Paz, de fevereiro de 2010, indicava que os paramilitares asseguram ter cometido 30.470 assassinatos em 15 anos... E o drama se vislumbra ainda mais dantesco...Vários paramilitares têm testemunhado sobre o caráter estratégico da Estrutura Paramilitar para o próprio Estado colombiano, e deram dezenas de nomes de generais, empresários, multinacionais, políticos, todos promotores do paramilitarismo... e ainda não veio a merecida condenação internacional ao Estado colombiano que, impune, continua impune com tais práticas genocidas (10).

* Milhares de valas comuns contendo milhares de cadáveres de colombianos massacrados pelo paramilitarismo de Estado colombiano: os paramilitares deram algumas coordenadas das valas para assim ser amparar na “Lei de Justiça e Paz", lei que foi criada sob a direção de um dos maiores promotores do paramilitarismo: Álvaro Uribe Vélez. É uma lei que lhes proporciona impunidade se mostrarem “arrependimento”. Em abril de 2007, quando terminava o primeiro ano de busca de valas comuns, a promotoria recebeu 3.710 denuncias de áreas onde podiam ser localizadas, mas a maioria não pode ser explorada, segundo o Estado, por "falta de recursos...” As famílias de milhares vítimas esperam pelos testes de DNA nas ossadas encontradas, mas o Estado justifica sua inoperância alegando "falta de recursos" e “estouro do orçamento”, mas para patrocinar militares e paramilitares os recursos aparecem na hora.

* Terrorismo de Estado é: Fornos crematórios e criações de jacarés da Ferramenta Paramilitar do Estado e das multinacionais... Onde os paramilitares fizeram desaparecer a milhares de pessoas... (11).

* Milhares de assassinatos, incluindo o escândalo dos "falsos positivos": os militares sequestram jovens, são disfarçados como guerrilheiros e assassinados para assim apresentá-los como “guerrilheiros mortos em combate". Os meios de comunicação de massa se encarregam de difundir a mentira, visto que na Colômbia, os meios de comunicação de massa dão como verdade o que suas fontes militares dizem. Isto é feito pelos militares para "mostrar os resultados" da sua guerra contra insurgente e também para assassinar os civis que incomodam. A cobertura mediática dos mortos que são tidos como guerrilheiros é absolutamente macabra na Colômbia: mostram-se os corpos alinhados, seminus... Para, dessa maneira, moldar a opinião pública na desumanização dos guerrilheiros. A diretiva N°. 029, do Ministério da Defesa, fomenta os “falsos positivos” (12).

* Mais de 7.500 presos políticos, muitos deles vítimas de armações jurídicas, uma prática comum contra ativistas dos movimentos sociais (13).

* Centenas de auto-atentados, outro tipo de "falsos positivos" por parte das forças policiais e militares que já colocaram bombas na própria cidade de Bogotá para assim poder criar a base para armações mediáticas de desprestigio contra as guerrilhas. Estes auto-atentados foram preconizados pelo DAS, o Departamento Administrativo de Segurança, como consta de documentos (14).

* As violações dos direitos humanos tem sido aprofundadas no que se evidencia como um país ocupado: na Colômbia existe uma numerosa presença de militares dos EUA e mercenários israelenses; foram implantadas sete bases militares dos EUA, sendo que o Estado colombiano concedeu aos ‘marines’ total imunidade para todos os crimes que cometerem na Colômbia. Já existem vários casos de violentadas por ‘marines’, que estão em total impunidade, pois ‘marines’ têm "carta branca" para violentar, torturar e assassinar na Colômbia (15).

A violência é a ofensiva do grande capital, na sua ânsia de não perder a Colômbia como valioso "armazém de recursos", por isso implantaram e mantiveram essa aberração que hoje é o Estado colombiano.

Se não fosse pela “ajuda” descomunal dos EUA e da UE esse Estado criminoso teria deixado de existir a muitos anos, não teria endividado o povo colombiano para manter os gastos militares e, não contaria com a sua Estratégia Paramilitar de Terrorismo de Estado. Sem seus apoios militares e mediáticos, o Estado colombiano não poderia ter cometido tanta barbárie; e o povo colombiano teria conseguido a sua verdadeira independência, sua emancipação de tanta inveja, morte e dor.

Notas do texto:
(1) http://www.rebelion.org/noticia.php?id=115826&titular=denuncian-el-asesinato-de-22-defensores-de-derechos-humanos-en-los-primeros-75-d%EDas-de-
(2) http://www.rebelion.org/noticia.php?id=115823&titular=el-estado-colombiano-secuestra-viola-y-asesina-a-ni%F1os-en-arauca-
(3) http://www.rebelion.org/noticia.php?id=115829&titular=%22ley-de-tierras-de-santos-es-una-ley-inconsulta-que-pone-vidas-en-riesgo-y-
NOTAS DO QUADRO:
(1) http://www.telesurtv.net/noticias/secciones/nota/71765-NN/colombia-registra-mas-de-38-mil-personas-desaparecidas-en-tres-anos/
O crime de Estado de desaparecimento forçado da "democracia" na Colômbia, há muito tempo ultrapassou os números dramáticos da ditadura na Argentina: só nos últimos três anos, o Terrorismo de Estado desapareceu com 38.255 pessoas (números de fevereiro de 2010 da medicina legal e da promotoria), para uma estimativa total para os últimos 20 anos de 250.000 pessoas desaparecidas... As estimativas do desaparecimento forçado são minimizadas pelo Estado (o agressor), entretanto teve de admitir, pelo menos, 50 mil desaparecidos.

Palestra de Piedad Córdoba em Madri, maio de 2010 "Há 250.000 desaparecidos na Colômbia nos últimos anos”:

http://www.rebelion.org/noticia.php?id=106344&titular=%22hay-250.000-desaparecidos-en-colombia-en-los-%FAltimos-a%F1os%22-

http://www.rebelion.org/noticia.php?id=104558&titular=piedad-c%F3rdoba-denuncia-la-pasividad-internacional-y-pide-que-se-condicione-el-tlc-con-europa-

Colômbia: Segundo Congresso Mundial de Desaparecimentos Forçados:

http://www.youtube.com/watch?v=YNQgkbV12tU
http://www.kaosenlared.net/noticia/celebrado-ii-congreso-mundial-desaparicion-forzada-colombia-sos-desapa

Desaparecimentos, crime do Terrorismo de Estado na Colômbia:

http://justiciaypazcolombia.com/50-000-personas-desaparecidas-en

(2) União Patriótica, 5000 militantes exterminados: Genocídio político, crime de Estado: http://www.rebelion.org/noticia.php?id=103227

O plano do Estado e da CIA para exterminar a UP, foi denominado “Baile Rojo” (Dança Vermelha). Documentário de Yesid Campos sobre o genocídio político da União Patriótica:

http://video.google.com/videoplay?docid=8981304868098159223&ei=PpiKS7CINMag-Ab6tKD0BA&q=el+baile+rojo
(3) www.cut.org.co 2.704 sindicalistas assassinados. Representa 60% do total de sindicalistas assassinados no mundo, são assassinados na Colômbia pelas ferramentas do terrorismo de Estado. O recorde mundial em assassinatos de sindicalistas pertence à Colômbia:
www.kaosenlared.net/noticia/colombia-record-mundial-asesinatos-sindicalistas-terrorismo-estado .
(4) O estudo da Missão para a Integração do Emprego (MESEP), Pobreza e Desigualdade 2009, contabilizou oito milhões de colombianos em situação de indigência e 20 milhões de pobres. Nas áreas rurais, 65% dos lares são considerados pobres e 33% vivem na indigência.

http://www.abpnoticias.com/index.php?option=com_content&task=view&id=2446&Itemid=90
http://www.elcolombiano.com/BancoConocimiento/I/informe_sobre_pobreza_e_indigencia/informe_sobre_pobreza_e_indigencia.asp

(5) Anualmente, na Colômbia morrem mais de 20 mil crianças menores de cinco anos por desnutrição aguda; de cada 100 gestantes deslocadas, 80 sofrem de desnutrição crônica, UNICEF:

http://www.elcolombiano.com/BancoConocimiento/D/desnutricion_infantil_que_no_deja_crecer_/desnutricion_infantil_que_no_deja_crecer_.asp

http://colombia.indymedia.org/news/2009/09/106455.php

Colômbia, pobre entre os pobres: http://alainet.org/active/33960〈=es

(6) Sarmiento Angulo, o empresário mais rico da Colômbia, juntamente com um punhado de oligarcas, entre os quais se destacam Ardila Lule e Santo Domingo, é o maior promotor da nefasta "segurança democrática" do governo Uribe, e, coincidentemente, para cada uma das suas sugestões, Uribe sempre obedeceu em tempo recorde de 24 horas, tal como o fez quando Sarmiento Angulo sugeriu que "o imposto para financiar a segurança democrática" fosse permanente e estendido a todos os colombianos: http://www.lasillavacia.com/historia/1717

http://noticieroconfidencial.com/?p=11

Colômbia: Crescem os lucros e benefícios das grandes empresas
http://www.desdeabajo.info/index.php/actualidad/colombia/4850-colombia-crecen-las-ganancias-y-los-beneficios-de-las-grandes-empresas.html

Modelo neoliberal e desigualdade na Colômbia:
http://www.desdeabajo.info/index.php/fondo-editorial/vertices-colombianos/5779-crisis-del-modelo-neoliberal-y-desigualdad-en-colombia-dos-decadas-de-politicas-publicas.html

http://www.portafolio.com.co/economia/finanzas/ARTICULO-WEB-NOTA_INTERIOR_PORTA-7480367.html

Publicado em 15 de fevereiro de 2010: Lucros do setor financeiro chegaram a $8,5 bilhões. http://www.elespectador.com/articulo187857-ganancias-del-sector-financiero-llegaron-85-billones

(7) MOVICE, Movimento Nacional de Vítimas de Crimes de Estado: 4,5 milhões de deslocados, 2009:
http://www.movimientodevictimas.org/index.php?option=com_content&task=view&id=278&Itemid=64

(8) MOVICE: 10 milhões de hectares despojadas aos campesinos, cifras 2009:
http://www.movimientodevictimas.org/index.php?option=com_content&task=view&id=274&Itemid=69

(9) A maior vala comum da América Latina, uma descoberta dantesca que, entretanto ainda não levou ao repudio internacional que o regime colombiano merece: mais de 2000 cadáveres de desaparecidos pela força Omega do "Plano Colômbia". O exército enterrava ali desaparecidos desde 2005:
http://www.publico.es/internacional/288773/aparece/colombia/fosa/comun/cadaveres

http://www.rebelion.org/noticia.php?id=99507

(10) Emprego de uma Ferramenta Paramilitar para injetar o Terror na população.
Relatório da Procuradoria de Justiça e Paz, fevereiro 2010; paramilitares asseguram ter cometido 30.470 assassinatos em uns 15 anos:
http://www.telesurtv.net/noticias/secciones/nota/66984-NN/ex-paramilitares-colombianos-reconocen-haber-cometido-cerca-de--30-mil-500-asesinatos/

Testemunhos de paramilitares, de sobreviventes e os resultados das equipes forenses mostram que a Estratégia paramilitar do Estado desenhou um método para esquartejar seres humanos: dando "cursos" utilizando pessoas vivas levadas até os campos de treinamento. Francisco Villalba, o paramilitar que liderou em campo a barbárie de El Aro (departamento de Antioquia), em que torturaram e massacraram a 15 pessoas durante 5 dias, revela detalhes sobre esses "cursos": "Pessoas levadas em caminhão, vivas, amarradas (...) Eram divididas em grupos de cinco (...), as instruções eram arrancar-lhes os braços, a cabeça..., enfim, esquartejá-las vivas (...). Eles saíam chorando do caminhão e pediam para a gente que não lhes fizéssemos nada, que tinham família”.

http://www.eltiempo.com/archivo/documento/CMS-3525024

... "Cursos de Esquartejamento" para treinar paramilitares em sua função mais específica: difundir o terror na população, a fim de "dissuadir pelo terror" e conseguir deslocar de suas terras os sobreviventes que tinham presenciado os massacres.

Assim se expressava o paramilitar ‘H.H’, referindo-se ao exército da Colômbia: "Nós éramos ilegais e eles são mais culpados do que nós, porque eles representam o Estado e tinham a obrigação de proteger essas comunidades mas nós éramos utilizados. Cometemos muitos homicídios e temos que responder, mas eles também devem responder... ".

'H.H' revela vínculos com Byron Carvajal e Rito Alejo del Río:

http://www.elespectador.com/noticias/judicial/articulo116951-alias-hh-revela-vinculos-de-auc-byron-carvajal-y-rito-alejo-del-rio

‘H.H’ confessa mais de 3.000 assassinatos; será extraditado para não divulgar os nomes dos autores intelectuais: http://www.kaosenlared.net/noticia/paramilitar-confiesa-mas-3000-asesinatos-sera-extraditado-para-callar-

Estratégia Estatal Paramilitar esquarteja os homossexuais. Denuncia em video: http://www.youtube.com/watch?v=ZfLqZ2q0zBk&feature=player_embedded http://www.kaosenlared.net/noticia/colombia-estrategia-estatal-paramilitar-descuartiza-homosexuales-video

(11) «Na Colômbia tem-se utilizado fornos crematórios para desaparecer rastros de pessoas assassinadas ou para queimar pessoas vivas. Eram levadas pelos paramilitares a mando do Exército e polícia». Senadora Piedad Córdoba: http://www.piedadcordoba.net/piedadparalapaz/modules.php?name=News&file=article&sid=3345&mode=thread&order=0&thold=0

http://www.elespectador.com/noticias/paz/articulo197845-piedad-cordoba-denuncio-hornos-crematorios-paras-desaparecer-cadaveres-d

Paramilitar Mancuso reafirma que ‘cremaram' vítimas para diminuir estatísticas: http://www.elespectador.com/noticias/judicial/articulo138469-mancuso-reitera-cremaron-victimas-bajar-estadisticas

Estado Colombiano imita crimes nazistas: Paramilitares e Fornos Crematórios... http://www.kaosenlared.net/noticia/estado-colombiano-emula-crimenes-nazis-paramilitares-hornos-crematorio

http://bloguerosrevolucion.ning.com/profiles/blogs/viaje-a-los-hornos-crematorios

http://carlosmora.wordpress.com/2009/05/22/hornos-crematorios-principal-arma-de-guerra-de-paramilitares-en-colombia/

(12) http://www.falsos-positivos.blogspot.com/

Evidências fotográficas de “falsos positivos”:

http://www.youtube.com/watch?v=VuSBNcNsdMU&feature=player_embedded

(13) O regime colombiano mantém encarcerados 7.500 presos políticos: http://www.arlac.be/A2009/2009/Tlaxcala.htm . Campanha européia 2009-2011 pela liberação dos presos políticos na Colômbia. São 7.500, na sua maioria presos de opinião e ativistas sociais. As associações e pessoas do mundo que quiserem apoiar a campanha pela liberatação dos presos políticos na Colômbia, são bem vindas. Para assinar clique no link: http://www.tlaxcala.es/detail_campagne.asp?lg=es&ref_campagne=14

(14) Centenas de auto-atentados que foram preconizados pelo DAS, Departamento Administrativo de Segurança, como consta em documentos desclassificados. DAS, polícia secreta implicada em armações judiciais e em atentados com explosivos, segundo testemunhas e documentos apreendidos do próprio DAS: http://www.kaosenlared.net/noticia/poner-bombas-servicios-publicos-no-chuzada-denunciar-escandalo-das-rea

http://www.rpasur.com/ElmayorescandalodeespionajedelahistoriadelDAS.html DAS, a polícia secreta: http://www.youtube.com/watch?v=VfnkGqy4-tE&feature=player_embedded (15) Bases militares dos EUA na Colômbia: perigo regional e aprofundamento do genocídio; violações sexuais e impunidade http://www.rebelion.org/noticia.php?id=99720 “(…)privilégios, exceções e imunidades outorgadas ao pessoal administrativo y técnico de uma missão diplomática", conforme o pacto militar que os Estados Unidos assinou com o governo Colombiano.

http://www.youtube.com/watch?v=Vugt0NbRlys&feature=player_embedded

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

FARC-EP saúda eleição de Dilma à Presidência do Brasil

Compatriota

DILMA ROUSSEFF

Presidenta eleita do Brasil

Desde as montanhas da Colômbia, nosso saúdo cordial, bolivariano, com anseios de Pátria Grande.

Permita-nos juntarmos à justificada alegria do grande povo de Luis Carlos Prestes, ante o fato de ter, pela primeira vez na história do Brasil, uma presidenta; uma mulher sempre ligada à luta pela justiça.

Presidenta Dilma, para você, nosso aplauso e reconhecimento.

Sua exaltação à presidência da República Federativa, somada à sua pública convicção da necessidade de uma saída política ao conflito interno da Colômbia, tem centuplicado nossa esperança na possibilidade de alcançar a paz pela via do diálogo e da justiça social.

Estamos seguros que a nova presidência do Brasil jogará papel determinante na aclimatão da paz regional e na irrmandade dos povos do Continente.

De você, atenciosamente,

Secretariado do Estado Maior Central das FARC-EP

Montanhas da Colômbia, Novembro 1 de 2010

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Não à extradição, não à criminalização!

ANNCOL

Publicamos denúncia e alerta do comitê executivo do Movimento Continental Bolivariano. Os tentáculos dos gorilas colombianos devem ser amputados com a denúncia e o protesto em massa no mundo inteiro.

Leiamos:

Com surpresa recebemos a notícia da detenção no Chile do desenhista gráfico Manuel Olate Céspedes, militante do Partidão Comunista do Chile, membro do Movimento Continental Bolivariano e representante do Movimento de solidariedade pela paz na Colômbia, o qual foi detido no seu domicílio em Santiago pela sua suposta vinculação com a guerrilha colombiana FARC-EP, depois da ordem da Ministra da Corte Suprema Margarita Herreros, que acolheu uma solicitação de detenção enviada pela justiça Colombiana.

Conforme a notícia se espalha nossa perplexidade aumenta, já que desde as declarações dos diferentes atores, são ventiladas cada vez com mais vivacidade as notáveis contradições no processo de detenção e inculpação de Manuel. Por um lado, nas primeiras horas, foi dito que Olate foi detido em função de uma solicitação de extradição do governo colombiano. Mais adiante, o presidente da Colômbia enquanto manifestava seu júbilo pela detenção do chileno, declarou que nos próximos dois meses se formalizará o pedido de extradição.

Depois das declarações de Santos as informações mudaram, em função de assinalar que Olate foi detido após uma ordem de detenção emitida pelo Ministério Público Colombiano. É necessário esclarecer que Manuel Olate se encontrava fora do Chile até o dia 13 de Outubro e que até esse momento não pesava nenhuma ordem contra o mesmo, de maneira que não foi detido ao retornar ao país. Deduz-se assim que, apesar de não ser acusado de delito algum, o Governo Chileno informou de sua entrada no Chile, e em seguida a Colômbia solicitou sua detenção.

Por outro lado, as notícias no Chile não são menos confusas; de um lado, informam que um funcionário judicial foi notificar Olate de sua detenção e pedido de extradição por parte da justiça colombiana, apesar de a Colômbia ainda não ter solicitado tal extradição, isto segundo o que foi dito pelo próprio Juan Manuel Santos. Destacamos que, ainda assim, na terça-feira a juíza analisará a situação judicial de Manuel e que ainda hoje pedirá provas à justiça colombiana que assegurem sua detenção e possível extradição.

Diante disto, cabe perguntar: Com base em que Manuel Olate foi privado de sua liberdade? Diante de tal confusão não é difícil inferir que depois da detenção do chileno, percebe-se uma atitude colaboracionista do governo chileno, o qual se presta à internacionalização do conflito colombiano para o resto da América, organizando assim a perseguição de todos aqueles que se levantam contra a posição guerrista do governo, e a ferrenha determinação de extermínio físico e político de todos aqueles que defendem a idéia de uma saída política ao conflito, como fica demonstrado no assassinato de mais de 20 ativistas de direitos humanos na Colômbia nos poucos 75 primeiros dias do governo de Santos, nas arbitrárias acusações feitas contra a Senadora Piedad Córdoba, uma das principais impulsionadoras dos acordos para a Paz e que hoje se encontra inabilitada e judicialmente perseguida, e na saída do país do cabo Mocayo, ex-prisioneiro de guerra das FARC, libertado unilateralmente durante este ano, que teve de abandonar a Colômbia depois das constantes ameaças de morte e amedrontamentos pelo seu compromisso com a causa da Paz e contra a política de enfrentamento armado como saída à guerra que castigou por mais de 50 anos a Colômbia.

No Chile, é de conhecimento público o compromisso do Partido Comunista com uma saída política e pacífica ao conflito colombiano, e assim se tem manifestado em numerosas ocasiões apoiando as iniciativas que aprofundem esta busca de Paz , entendendo que esta passa pela manifestação de vontades políticas reais, tendentes a restituir as garantias políticas e sociais de todos os colombianos, assegurando a inviolabilidade de seus direitos fundamentais, o respeito às posições divergentes e o retrocesso das políticas de criminalização do movimento popular e de direitos humanos, as quais sob o pretexto da luta contra o terrorismo, se transformaram em uma política de estado, que tem sua forma mais perversa nos chamados “Falsos positivos”.

O compromisso político de Manuel Olate se encaixa na prática solidária, prática que o levou a visitar em 2008 o acampamento do extinto comandante das FARC-EP Raúl Reyes, por conta da realização de uma entrevista, a qual foi publicada posteriormente no Semanário “El Siglo”. Essa entrevista foi realizada apenas alguns dias antes do bombardeio em território equatoriano do acampamento de Reyes, onde o exército colombiano teria encontrado provas fotográficas que dariam conta da presença recente de Olate no lugar; presença que de fato seria posteriormente divulgada, dada a iminente publicação da entrevista ao comandante das FARC, em um meio de comunicação chileno de cobertura nacional.

É necessário assinalar que dias antes de sua detenção, Manuel, juntamente com seu advogado se encontrava pronto para apresentar ações judiciais para esclarecer sua situação legal no Chile, já que, desde os acontecimentos de Sucumbios foi, de forma sistemática e reiteradamente, condenado pela imprensa, sem que existisse até esse momento nada contra ele, confiando na solidez de sua inocência, já que não é responsável por nenhuma das acusações que arbitrariamente e sem sustento legal lhe são atribuídas. Quanto às acusações feitas pela justiça colombiana, estas se baseiam na suposta aparição de um pseudônimo, atribuído a Olate, nos e-mails do computador de Raúl Reyes (está comprovado e reconhecido que são documentos no formato Word, portanto não se trata de provas jurídicas) e que isto, segundo eles, teria um caráter incriminátorio. O fato de não se tratar de e-mails não é um detalhe, já que isto desabilita estes arquivos como documentos probatórios. É preciso destacar que a isto se soma o fato de que o oficial colombiano a cargo dos supostos computadores de Reyes, declarou sob juramento que não existiam tais correios propriamente ditos, além de que não tinha sido cumprida a corrente de custódia dos computadores e que, portanto, não havia forma de provar que estes não tinham sido manipulados.

Diante da detenção de Manuel Olate, o Movimento Continental Bolivariano expressa sua solidariedade e preocupação pela detenção arbitrária de um de nossos responsáveis no Chile, que é a nova vítima da perseguição e criminalização da solidariedade internacionalista.

Solicitamos às autoridades no Chile que deixem Manuel em liberdade e que não o extraditem, já que não existem garantias jurídicas que possam dar lugar a um julgamento justo e conforme o devido processo na Colômbia, tendo em vista tratar-se de uma acusação sem sustento jurídico que não justifica sua detenção e sua possível extradição.

Fazemos um chamado às organizações e dirigentes políticos e sociais nacionais e internacionais para que se mobilizem pela libertação de Manuel Olate, rejeitando desde já a idéia de sua possível extradição, já que, como se assinalou em reiteradas ocasiões na Colômbia, não existem as condições mínimas para um processo justo que garanta o respeito a seus direitos fundamentais como dão conta os mais de 7.500 presos políticos desse país.

Declaramo-nos em estado de alerta e mobilização permanente.

LIBERDADE A TODOS OS PRESOS POLITICOS DO CONTINENTE!

LIBERDADE PARA MANUEL OLATE!

Caracas, 30 de Outubro de 2010

Direção Executiva

Movimento Continental Bolivariano
****
Tradução: Valeria Lima
Com apoio do PCB

terça-feira, 9 de novembro de 2010

A VERGONHA DO NAZISTA PIÑEIRA

ANNCOL


"O governo chileno está preocupado com possíveis ligações entre comunistas chilenos e organizações e terroristas como as FARC", publicam com grande alarde noticioso os meios de comunicação colombianos ligados ao uribosantismo.

Mas, em contrapartida, essa mesma falsimedia tem ocultado deliberadamente, ou seja, tem "desinformado" os colombianos, sobre o sujo incidente com o homem mais rico do Chile que se tornou presidente dessa nação, Sebastián Piñera, em 25 de outubro passado, na sua recente e ignorada visita à Alemanha, quando no auge do seu fanatismo nazista escreveu, com o maior cinismo, no livro de convidados ilustres e para o espanto do presidente alemão, o slogan nazista:

"Deutschland Über Alles" (Alemanha acima de tudo), slogan com o qual Hitler iniciou a Segunda Guerra Mundial e o holocausto de 60 milhões de pessoas.

Razão pela qual o governo alemão teve que arrancar a folha do livro com essa grave ofensa diplomática, e ignorar a saudação que o nazista Piñera tinha escrito. Dias depois, o "ariano e louro" Piñera, (ver foto) teve que pedir desculpas ao governo e ao povo alemão, dizendo que ele havia aprendido a frase no Colégio Verbo Divino, com os mesmos professores que ensinaram a seu amigo intimo, o já falecido Augusto Pinochet .

Desta forma dá para entender a vergonhosa campanha de difamação e calunia empreendidas pelo governo chileno contra o Partido Comunista do Chile, que sempre se opôs ao nazifascimo pinochetista e que agora o nazista Piñeira quer reviver, montado (Über) por cima da crista publicitária do resgate "tecnológico" dos mineiros sepultados no deserto, façanha em que nada teve a ver o governo chileno que quer se apoderar oportunisticamente desse triunfo da tecnologia humana.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Comunicação e democracia

O presente artigo, de autoria do jornalista Aram Aharonian, professor de pós-graduação uruguaio-venezuelano, fundador da Telesul e diretor da revista Questão e do Observatório Latino-americano de Comunicação e Democracia (ULAC), é uma excelente contribuição para o bom combate ao latifúndio midiático e suas perversas implicação no nosso cotidiano. Há três décadas, lembra Aram, “para impor um modelo econômico e político se recorreu às forças armadas, com o saldo de milhares e milhares de mortos, desaparecidos, torturados. Hoje os meios de comunicação de massa levam o bombardeio da mensagem hegemônica diretamente à sala de nossa casa, a nossa cozinha e dormitórios, durante 24 horas por dia”. Um dos palestrantes do evento sobre democratização, promovido pela Confederação Sindical dos Trabalhadores das Américas (CSA), o veterano jornalista defende que “se deve passar da imprensa-propaganda a produzir comunicação, e isso somente se logra com capacitação e profissionalização. Para dentro, uma comunicação útil e formadora não somente em temáticas reivindicatórias, para fora uma nova imagem de sindicalismo, como ator político e social, de classe, euma recuperação de valores como a igualdade, a solidariedade, a justiça, o esforço coletivos, frente aos valores neoliberais como o individualismo e a mercantilização dos próprios valores…”

Boa leitura!

Ante tudo, devemos assumir que o tema dos meios de comunicação tem a ver com o presente e o futuro de nossas democracias, sobre la democracia não somente nos países subdesenvolvidos mas também nas nações industrializadas, que vivem hoje a grave crise do capitalismo.
Hoje em dia um tipo de ditadura midiática tenta suplantar à ditadura militar das décadas passadas na América Latina. São os grandes grupos econômicos corporativos que dominam o latifúndio midiático, que criam imaginários coletivos virtuais e decidem quem tem ou não a palavra, quem é o protagonista e quem é o antagonista, enquanto tenta que as grandes maiorias sigam afônicas e invisíveis, sem voz nem imagem.

Atualmente os meios de comunicação comerciais são os publicistas dos produtos de suas megaempresas: lhe oferecem una enorme audiência às empresas para impor suas marcas. O que se busca é conseguir consumidores ou cordeirinhos políticos e/ou religiosos, não formar cidadãos.

Neste mundo, dizia Saramago, há uma única palavra tabu, da que não se pode falar nem sobre a que não se pode discutir: democracia. A democracia segue instalada como sistema formal, sem apropriação cidadã, razão pela qual sua institucionalidade é precária. Construir democracia é construir cidadania, empoderar aos pobres, dar voz e imagem às grandes maiorias transformadas em ninguém, postergadas e ocultadas durante séculos. Com informação lixo somente se garante uma democracia-lixeira.

Há três décadas, para impor um modelo econômico e político se recorreu às forças armadas, com o saldo de milhares e milhares de mortos, desaparecidos, torturados. Hoje os meios de comunicação de massa levam o bombardeio da mensagem hegemônica diretamente à sala de nossa casa, a nossa cozinha e dormitórios, durante 24 horas por dia.
Das novas formas de poder surgidas recentemente, uma das principais é a dos meios de comunicação de massas, por seu alcance mundial e sua capacidade de influir na opinião pública, concentração de poder que limita a liberdade individual. Sob a ilusão dos mecanismos coercitivos (igreja, escola, exército, sindicatos, família) estão em crise, o controle social, manejado pelos meios comerciais, pelo contrário, se acrescenta.

Os meios de comunicação da oligarquía tem ocupado um protagonismo cada vez maior no debate público (além do óbvio desafio de mediação que se supõe devam cumprir) e praticamente passaram a ocupar o espaço deixado pelo descalabro (que eles incitaram) dos partidos políticos tradicionais. E com uma afinada orquestração a nivel internacional.

Esta descomunal sintonia de vozes e imagens, resultante do virtual consenso dos poderes midiáticos – a mensagem hegemónica tem se concentrado de maneira particular em gerar dúvidas sobre o sentido, oportunidade e viabilidade dos processos endógenos e os de integração.
A resposta desde estes governos tem sido, em geral, reativa e limitada à propaganda e ao apoio aos meios públicos, que foram saqueados e privatizados durante os anos neoliberais. Não resta dúvidas da importância disso, porém é insuficiente, porque fica limitada às conjunturais prioridades governamentais.

É fácil cair presa do otimismo ingênuo. Por isso é necessário reconhecer a tarefa pendente de superar a dispersão, para que este conjunto de esforços adquira um peso específico ao compasso do movimento contra-hegemônico que se projeta por este outro mundo possível (e também imprescindível). Aqueles que durante anos temos militado na concepção da comunicação alternativa e popular não temos sabido fazer bem nossas tarefas. Vamos perdendo – por goleada– a batalha das ideias, conceitualmente e no campo de batalha.

Na última década, com os ventos de mudança que modificaram significativamente o cenário político na América Latina, em maior ou menor medida os diversos países tem procurado afirmar sua autonomia a respeito do chamado Consenso de Washington, ao mesmo tempo em que tem reativado a alternativa histórica da integração.

Atormentado pela crise econômica e política mais grave de sua história, o poderio estadunidense se vem fragilizando, o que, no entanto, não impede que trate a todo custo de retomar o controle de seu “quintal”. Para isso, acentua as tradicinais pressões bilaterais, reativa movimentos de guerra (ampliação de bases militares, deslocamento da IV Frota, etc.), propicia operações de desestabilização midiático-psicológicas (terroristas) contra governos considerados “inimigos” (golpe de Estado em Honduras , e tentativa no Equador, após os frustrados na Venezuela e na Bolívia), multiplica os fundos de “ajuda” aos setores opositores destes governos e um longo etcétera.

Tudo isto, sob os parâmetros cada vez mais afinados da chamada guerra de baixa intensidade (ou de quarta geração) que basicamente aponta a ganhar os corações e as mentes da população.
Virou moda falar da necessidade de retirar as cercas dos latifúndios midiáticos e do chamado terrorismo midiático. E muitas vezes isto não passa de consignas ou, pior ainda, de lamentos, que incluem declarações instando a modificar legislações, sem estabelecer com precisão os objetivos que se buscam. Não temos podido passar da etapa de resistência ao neoliberalismo, à de construção de novos paradigmas e novas sociedades. Em geral, seguimos paralisados pela “síndrome do encurralado”.

Nosso principal problema, de latino-americanos, é que temos estado cegos de nós mesmos: sempre nos vendo com olhos estrangeiros. E o seguimos fazendo desde governos e desde os movimentos sociais, copiando formas e conteúdos. Recitamos “sul”, declamamos “integração”, porém a realidade é que nós sequer nos conhecemos.

Por isso dentro desta luta está a necessidade de que os programas de integração regional (Unasul, Mercosul, Alba, etc) incorporem à comunidade como um de seus elementos constitutivos e constituintes, e situem a comunicação, cenário da disputa de sentidos entre modelos de sociedade, como um tema fundamental em suas agendas.

É fundamental reivindicar e fazer realidade o sentido etimológico da comunição, que implica diálogo, interação, intercâmbio, para construir acordos comuns, consensos, entre as partes implicadas no processo, sem que isso signifique unanimidade.

Se deve lutar pela recuperação de nossos Estados, para que desde aí se criem políticas públicas que garantam os processos de participação dos povos com suas diversidades, saberes e expressões organizativas, impedindo monopólios e oligopólios e regulando a ação dos que exercem a comunicação como negócio e não como serviço público e direito social.

Existem fortes resistências, especialmente nos países desenvolvidos e no establishment de nossos países, para enfocar o tema em sua verdadeira dimensão, porque não interessa repensar os meios na sociedade midiática, já que isso exige refletir sobre a democratização da comunicação e a própria democracia.

Os conglomerados midiáticos reacionam corporativamente para evitar um debate público sobre o papel dos meios no exercício da cidadania e preferem sustituí-lo por uma espécie de discussão privada no âmbito profissional e/ou académico, de costas à cidadanía, em busca de soluções técnicas cosméticas.

Devemos ter claro que viemos sendo treinados para pensar que comunicação alternativa significa comunicação marginal. Porém hoje devemos mudar estes paradigmas e assumir que a única forma de planejarmos a batalha das ideias, é com uma estratégia comunicacional massiva, que seja realmente alternativa ao bombardeio constante, hegemônico, que nos chega desde o Norte e se instala no Sul.

Para além do suporte utilizado, os chamados meios alternativos –ou talvez seja melhor chamá-los de populares- se movem numa faixa de modalidades segundo contemplem maior ou menor participação dos cidadãos, maior ou menor democracia em seu funcionamento e tipo de relação com elementos potencialmente manipuladores, como a publicidade e as administrações.
Todavía em muitos países de nossa América se criminaliza a chamada imprensa alternativa e sobre tudo às rádios e televisoras comunitárias, independentes, camponesas, indígenas. Por isso, a construção de uma comunicação contra- hegemônica é tarefa de todos - Estados, pessoas e organizações sociais -, desde baixo. Porque desde cima, o único que se pode construir... é um poço.

Doze temas a levar em conta

Há vários temas a ter em conta para analisar a realidade comunicacional de nossas novas ou renovadas democracias:

1) Nosso principal problema é que temos estado cegos de nós mesmos: siempre nos temos visto com olhos estrangeiros. E o seguimos fazendo: copiando formas e conteúdos. Recitamos “sul”, declamamos “integração”, porém a realidade é que sequer nos conhecemos.

Para começar a ver-nos com nossos próprios olhos é necessário visibilizar às grandes maiorias, à pluralidade e diversidade de nossas nações e regiões, recuperar nossa memória, nossas tradições. Porque um povo que não sabe de onde vem, difícilmente sabe aonde ir, e, assim, o destino sempre lhe será imposto desde fora

2) É necessária a mudança de paradigmas. Temos sido treinados para pensar que imprensa alternativa significa comunicação marginal. Hoje sabemos que a única forma de propor a batalha das ideias é com uma estratégia comunicacional massiva, que seja realmente alternativa ao bombardeio constante, hegemônico, que nos chega desde o Norte.

Temos sido treinados para crer na imparcialidade e na objetividade: sim devemos ser objetivos (não entendido como neutros) porém nunca imparciais. O jornalismo é propaganda objetiva, quer dizer, com checagem de fontes. Sem este último requisito estaríamos ante uma simples propaganda em sentido amplo ou outro tipo de relato.

Os meios comunitários são um passo no caminho à democratização, porém, por si mesmos não são suficientes. Podemos ter centenas de meios comunitários, porém se 90% da audiência e dos meios está controlada por uma estrutura monopólica dos meios corporativos comerciais, pouco será o que teremos avançado na direção da democratização.

3) Precisamos ter consciência de que a batalha contra o terrorismo midiático é parte da guerra cultural, da batalha das ideias. É uma guerra que não se esgota em palavras de ordem, mas para a qual há que se preparar adequadamente, e abandonarmos o voluntarismo. Para isso devemos nos apropriar da tecnologia, aprender a usá-la melhor –ou tão bem - como o inimigo e, sobretudo, ter claro para que queremos estas armas, a fim de que, definitivamente, não se somem ao arsenal hegemônico contra os nossos próprios povos. Capacitação e profissionalização são as palavras de ordem e por isso devem ser democratizados os programas de formação em comunicação em todos os níveis, incluindo mudanças curriculares nas universidades para ajustá-los às realidades da região e para fortalecer a integração e a unidade.

4) Há mais de 25 anos o informe Mc Bride da UNESCO sublinhava a necessidade de tomar medidas jurídicas eficazes para: a) limitar a concentração e a monopolização; b) conseguir que as empresas transnacionais acatem os critérios e as condições específicas definidos na legislação e na política de desenvolvimento nacionais; c) inverter a tendência à redução do número de responsáveis quando está aumentando a eficácia da comunicação e a dimensão do público; d) reduzir a influência da publicidade sobre a redação e os programas de radiodifusão; e e) aperfeiçoar os modelos que permitem fortalecer a independência e a autonomia dos órgaãos de informação em matéria de gestão e de política de redação, independentemente que sejam privados ou públicos. Este diagnóstico, lamentavelmente, se mantém três décadas depois.

5) Os direitos humanos não podem existir sem a liberdade de palavra, de imprensa, de informação, de expressão. A transformação destas liberdades em um direito individual ou coletivo mais amplo a comunicar é um princípio evolutivo no processo de democratização.

6) É fundamental a proteção e o fomento da pluralidade de opiniões e da diversidade cultural e lingüística, a democratização dos meios de comunicação, e a defesa e divulgação dos bens comuns de conhecimento mundial, como parte do domínio público.

A variedade de culturas e idiomas que se conservam ou transmitem através da tradição oral ou de diversos meios de expressão, nutrem as sociedades da informação e a comunicação e contribuem para o acervo do conhecimento que é a herança do ser humano e a origem da criação de toda nova descoberta.

7) A digitalização por si mesma não significa a democratização do espectro televisivo ou radioelétrico, se não se muda o sistema de concessões de frequências. A implementação destas mudanças não depende somente de reconversões tecnológicas, mas principalmente de decisões políticas. Por isso é necessário assegurar o acesso e utilização universal das tecnologias da informação.

8) O espectro radioelétrico é um patrimônio da humanidade e os Estados são soberanos em sua administração, em função do interesses nacional e geral. É uma falacia a ideia de que são proprietárias do espaço radioelétrico as empresas, nacionais ou trasnacionais, que têm a concessão de uma frequência. Diante disso , é necessário lutar para que o espaço radioeléctrico se divida em três partes: uma para o estado, outra para os meios comerciais e uma para os movimentos sociais, as universidades, os sindicatos, para isso que chamamos o espaço público.

9) A luta pela democratização passa pela reconstrução do espaço público, que foi privatizado e esvaziado durante décadas na ofensiva neoliberal. O espaço público é aquele que reúne os meios estatais, regionais, educativos, universitários, legislativos e comunitários, e que aposta não à formação de consumidores ou cordeirinhos políticos ou religiosos, mas que contribui à formação de uma cidadania e identidade comum latino-americana.

10) A comunicação é fator articulador chave para o reencontro e a solidariedade de nossas nacionalidades, que implica no reconhecimento de um destino comum por cima de rivalidades reais ou forjadas.

Por isso se torna indispenável formular uma estratégia de cooperação específica entre os povos para os âmbitos da informação, comunicação, cultura e conhecimento, contemplando acordos para potencializar as redes regionais de informação e comunicação pública e cidadãs, com um sentido de equidade em a respeito dos meios de comunicação.

11) É cada vez mais necessária a auditoría social dos meios comerciais (e talvez também dos estatais) de comunicação social, que se converteram no principal poder, por cima dos outros três clássicos – executivo, legislativo e judiciário. É necessária a criação do quinto poder, o do cidadão, para fiscalizar os quatro anteriores.

12) Para ostentar políticas de comunicação adequadas, os movimentos sociais e sindicais devem ter claro para que os querem, assumir quem são os destinatários das mensagens e capacitar-se tecnológica e profissionalmente para criar conteúdos com formas e vocabulários que visibilizem os trabalhadores, suas vidas, suas memórias, com especial atenção às mulheres como atrizes. Os sindicatos são reativos aos acontecimentos a nível social ou político, porém em general carecem de uma proposta (de solução).

Se deve passar da imprensa-propaganda a produzir comunicação, e isso somente se logra com capacitação e profissionalização. Para dentro, uma comunicação útil e formadora não somente em temáticas reivindicatórias, para fora uma nova imagem de sindicalismo, como ator político e social, de classe, euma recuperação de valores como a igualdade, a solidariedade, a justiça, o esforço coletivos, frente aos valores neoliberais como o consumismo, o individualismo, a mercantilização dos próprios valores…

Os sindicatos devem e podem exercer uma nova liderança intelectual e política e têm todo o direito (e até a obrigação) de usar todas as plataformas comunicacionais: dos cartazes às redes sociais, a rádio e a televisão. O uso das tecnologías permite aos trabalhadores superar o anonimato e o desconhecimento de muitas realidades sociais. Há novas técnicas, como o protesto virtual, o videossindicalismo, o ciberativismo, a formação online e a informação digital, que estão à ordem do dia no cardápio que debe ser proposto.

13) De nada serve ter meios novos, novas emisoras de rádio e televisão, se não tivermos novos conteúdos, se seguimos copiando as formas hegemônicas. De nada servem se não acreditamos na necessidade de nos vernos com nossos próprios olhos. Porque lançar meios novos para repetir a mensagem do inimigo, é ser cúmplice do inimigo. Temos de trabalhar para criar fábricas de conteúdo, que nutram a rádios e televisoras do Sul. Se não, estaremos condenados a ver as comédias enlatadas e Walt Disney pelo resto dos nossos dias…

Grandeza de ânimo: o exemplo de Dilma (foto)


Quem dá o exemplo é Dilma Rousseff, a candidata eleita Presidente do Brasil. Em seu discurso de domingo à noite, logo após a publicação dos resultados, disse textualmente: “ Dirijo-me também aos partidos de oposição e aos setores da sociedade que não estiveram conosco nesta caminhada. Estendo minha mão a eles.” Estas palavras têm mais força do que todas as injúrias e difamações que a candidata recebeu durante a campanha. Tornam ainda mais expressiva sua vitória.

O artigo é de Dom Demétrio Valentini*



A hora é de magnanimidade. O momento é de respeitar, relevar, e perdoar. Todos convidados para a grandeza de ânimo.


Publicados os resultados das eleições, urge festejar a democracia. Por mais frágil que tenha se mostrado durante a campanha, ela acabou se fortalecendo com esta eleição. Podemos fortificá-la mais ainda, se soubermos levar adiante as muitas lições que esta campanha nos deixa.


Quem dá o exemplo é Dilma Rousseff, a candidata eleita Presidente do Brasil. Em seu discurso de domingo à noite, logo após a publicação dos resultados, disse textualmente: “ Dirijo-me também aos partidos de oposição e aos setores da sociedade que não estiveram conosco nesta caminhada. Estendo minha mão a eles.”


Estas palavras têm mais força do que todas as injúrias e difamações que a candidata recebeu durante a campanha. Tornam ainda mais expressiva sua vitória.


A nobre atitude do perdão, precisa vir acompanhada da lúcida constatação dos fatos, e dos desafios que eles nos apresentam.


Na verdade, a candidata Dilma Rousseff precisou enfrentar uma avalanche enorme de obstáculos, desencadeados sobretudo pela carga de preconceitos, cuja virulência surpreendeu, e mostrou quanto a sociedade brasileira ainda está impregnada de resíduos tóxicos da ditadura militar.


O fato de uma candidata ter sido vítima da truculência do regime ditatorial, em vez de servir de oportunidade para lavar a honra de todos os que foram presos arbitrariamente pela ditadura, acabou dando o pretexto para muitos se acharem no direito de vestirem a carapuça de torturadores, e descarregarem sobre a candidata o ódio destilado nos porões do regime militar.


Esta pesada constatação nos coloca um grande desafio. Muitos assim pensam e fazem sem terem culpa das motivações equivocadas que movem seus preconceitos. Não sabem o que foi a ditadura militar. A anistia foi pactuada. Mas de novo se comprova que ela não pode prescindir da memória histórica, que precisa ser cultivada e trabalhada, para que toda a sociedade, conscientemente, erradique no seu nascedouro as sementes da ditadura, que foram plantadas com eficácia pelo regime militar. Caso contrário, elas continuam germinando, e produzindo seus frutos maléficos. A Escola precisa ensinar a verdadeira história da ditadura militar.


Este trabalho só pode ser feito com sucesso, se vier acompanhado da garantia do perdão e da superação de todo e qualquer tipo de vingança. De novo, as circunstâncias apelam para a grandeza de ânimo, que não significa timidez ou subserviência.


O exercício da cidadania, em tempos de campanha eleitoral, precisa levar em conta as circunstâncias de cada um. O que se pede de todos é o voto. Mas existe largo espaço de atuação, visando fornecer critérios para o discernimento dos eleitores.


Atendendo ao apelo de minha consciência, também procurei dar minha pequena contribuição. Agradeço as milhares de manifestações, públicas ou particulares, que expressaram sua concordância com as ponderações que fui fazendo cada semana, ao longo da campanha. Agradeço também aos que sensatamente ponderaram suas divergências, às quais procurei responder com respeito e atenção.

Por outro lado, recebi também algumas furiosas contestações, e alguns ataques de caráter pessoal, carregados de ódio, e revestidos da presunção de seus autores de se julgarem os justiceiros da ira divina, para condenarem ao inferno todos os seus desafetos.


Pela exorbitância de suas acusações, devo avisá-los que mereceram destino menos solene que o inferno. De modo que ainda podem contar com meu perdão.


Além do mais, não me preocupo com julgamentos humanos. Como Davi, também prefiro mil vezes cair nas mãos de Deus, do que ser julgado pela justiça humana.


Mas o resultado dessas eleições nos convida a tirar muitas outras lições, que, estas sim, nos motivam a deixar de lado condenações ou represálias, e contribuir com tudo o que estiver ao nosso alcance para levar em frente a nobre tarefa de construirmos juntos um Brasil justo e solidário.


(*) Bispo diocesano de Jales


domingo, 7 de novembro de 2010

Uribe vai responder sobre vínculos com paramilitares nos EUA

O ex-presidente colombiano, Álvaro Uribe, deverá se apresentar no dia 22 de novembro diante de uma corte de Washington, para que testemunhe sobre o caso da companhia estadunidense Drummond, empresa que é investigada por um suposto acordo de financiamento com paramilitares que culminou no país sul-americano.
A citação foi lançada a Uribe pela estudante de direito, Charity Ryerson, durante uma das aulas que ensina política na Universidade de Georgetown.

Este tipo de notificações, ato ter contato físico com o citado, o obrigam a fazer presente na corte federal dos Estados Unidos, de acordo com a legislação deste país.

O ex-presidente Álvaro Uribe agora tem a obrigação de se apresentar nos escritórios de Washington da empresa Conrad & Shcerer, que lidera o caso contra a Drummond na corte de Birghmington, Alabama (sudeste).

A denúncia contra a companhia foi realizada por Cláudia Balcero Giraldo, uma vítima do paramilitarismo colombiano, na corte do distrito de Columbia, em Washington.

O advogado da vítima, Terru Collingsworth, assinalou no comunicado de imprensa que "o presidente Uribe tem conhecimento direto de vários temas chave neste caso".

Collingsworth acrescentou que Uribe tem "conhecimento da quantidade de cooperação direta entre as Forças Militares e as (paramilitares) Auto-defesas Unidas da Colômbia (AUC), particularmente, nas áreas da província de César (nordeste) onde operava a Drummond".

Em 2009 cerca de 500 familiares de pessoas que foram assassinadas por paramilitares, denunciaram a empresa estadunidense Drummond Company Inc. por "apoiar crimes de guerra", segundo disse no texto Collingsworth.

Fonte: TeleSur

sábado, 6 de novembro de 2010

Congresso colombiano destituiu senadora Piedad Córdoba

O Congresso da Colômbia destituiu a senadora Piedad Córdoba, após a Procuradoria considerar que ela teria mantido "ligações" com a guerrilha das Farcs (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), enquanto atuava como mediadora autorizada pelo governo nas negociações para libertação de reféns.

A decisão foi anunciada no fim da tarde desta quinta-feira (4/11) pelo presidente do Congresso, Armando Benedetti. Ele afirmou que decidiu "tornar efetiva a destituição". Piedad, senadora do Partido Liberal, é uma das principais incentivadoras do acordo humanitário entre governo e guerrilha e já participou da libertação unilateral de 12 sequestrados nos últimos anos.

Em setembro deste ano, o governo anunciou que ela seria afastada do cargo por 18 anos e considerou que a senadora passou informações à guerrilha e "extrapolou" suas funções quando participou da mediação. Ela nega as acusações.

Após a decisão, Piedad foi substituída pelo senador liberal Lidio Arturo García - ex-representante pelo departamento Bolívar (Norte) -, que tomou posse já na quinta-feira. "Admiro Piedad porque ela faz coisas a que ninguém se atreve. É lamentável o que ocorreu a ela", disse García, lamentando entrar no legislativo desta forma.

Piedad Córdoba pediu ao governo do presidente colombiano Juan Manuel Santos que reforce seu esquema de segurança, pois teme por sua vida, especialmente após perder o mandato. "Há gente de muito alto nível, que não é deste governo, mas que vem do anterior (do presidente Alvaro Uribe), que tem muito interesse em me matar", disse Córdoba à imprensa.

"O fato de sair do Senado me coloca em uma condição de ainda mais risco, de maior vulnerabilidade", declarou. Córdoba facilitou, a partir de 2008, a libertação de 14 reféns das Farc, alguns com a ajuda do presidente venezuelano, Hugo Chávez.

Segundo a Procuradoria, ela teria "aconselhado o grupo subversivo sobre o envio de vídeos de reféns e sobre a entrega de provas de vida dos reféns a governos estrangeiros". Córdoba, que ainda pode apelar ao Conselho de Estado, já disse que levará seu caso à Comissão Interamericana de Direitos Humanos.

Há duas semanas, um grupo de ex-reféns das Farc pediu a revisão do caso Córdoba, ao destacar "seu trabalho humanitário e seu firme compromisso em busca da liberdade dos ex-reféns e dos que permanecem sequestrados na selva colombiana".

Entre os ex-reféns que pediram por Córdoba estão os ex-congressistas Luis Eladio Pérez, Jorge Géchem, Consuelo González e Orlando Beltrán, o ex-governador Alan Jara e o ex-deputado estadual Sigifredo López.

"Não vamos deixar sozinhas as famílias e, se este caso chegar ao cárcere, do cárcere, minha voz se levantará soberana e forte para insistir na necessidade da humanização" do conflito armado colombiano, prometeu a agora ex-senadora.

Piedad iniciou seu trabalho no Congresso das Colômbia no ano de 1992, quando foi eleita deputada. Porteriormente, a partir do ano de 1994, tornou-se senadora. Ela encabeça a organização Colombianos e Colombianas pela Paz, que tenta impulsionar um diálogo em busca da paz com a guerrilha


Fonte: vermelho.org

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

O pós-Lula é Dilma

Por Emir Sader


Os brasileiros decidiram que depois do Lula querem a continuação e o aprofundamento do seu governo. Preferiram a Dilma – a coordenadora e responsável central pelo desempenho ascendente dos últimos 5 anos do governo, que desemboca no recorde de 83% de apoio e 3% de rejeição – para sucedê-lo.

O dilema colocado pelas eleições brasileiras era a definição sobre se o governo Lula seria um parênteses na longa história de dominação das elites no país ou se se constitui numa ponte para sair definitivamente do modelo
herdado e construir um Brasil solidário, justo e soberano.

Triunfou esta via, pelo voto majoritário dos brasileiros, prioritariamente os dos beneficiários das politicas sociais que caracterizam o governo de Lula: os mais pobres, os que vivem nas regiões tradicionalmente mais pobres – o norte e o nordeste do Brasil.

Foi um voto claramente direcionado pela prioridade do social que caracterizou centralmente o governo Lula. No país mais desigual do continente mais desigual, a maior transformação que o Brasil viveu nestes oito anos foi a diminuição da desigualdade, da injustiça, como resultado das políticas sociais do governo. Nunca havia acontecido, seja em democracia ou em ditadura, em ciclos expansivos ou recessivos da economia. Aconteceu agora, de forma contundente, transferindo para o centro da pirâmide de grupos na distribuição de renda, a maioria dos brasileiros.

Esse foi o fator decisivo para que, mesmo tendo praticamente toda a imprensa, em bloco, militantemente, contra seu governo e sua candidata, Lula e Dilma saíram vencedores.

A oposição, derrotada na comparação dos dois governos, buscou um atalho para chegar por outra via aos setores da população: a questão do aborto, valendo-se dos preconceitos reinantes e da ação de religiosos.

Conseguiram um sucesso efêmero, que levou a eleição para o segundo turno, mas uma vez que a politica voltou ao centro da campanha, a comparação entre os dois governos e a condenação das privatizações levaram à vitória da Dilma.

Que representa não apenas a eleição da primeira mulher presidente da república, mas também de uma militante da resistência contra a ditadura, presa e torturada pelo regime militar. Que representa o primeiro presidente que consegue eleger seu sucessor.

Depois da reeleição de Evo Morales e de Pepe Mujica sucedendo a Tabaré Vazquez, o Brasil se soma ao grupo de países que reafirmam o caminho da integração regional e não do TLC com os EUA, da prioridade das politicas sociais em relação ao ajuste fiscal, com Dilma sucedendo a Lula.

O povo brasileiro decidiu, em meio a fortes pressões do monopólio privado da mídia e de forças obscurantistas, que o pós-Lula terá na presidência do Brasil aquela que Lula escolheu para sucedê-lo, para continuar e aprofundar as transformações que tem feito o Brasil ser um país mais justo, solidário e soberano.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Os governos do mundo parabenizam Dilma. Outros vem os recursos da Amazônia se distanciarem.

Telesur / ANNCOL


Varios governos ao redor do mundo expressaram as suas felicitações à presidente eleita do Brasil, Dilma Roussef, pela conquista que obteve, com mais de 55 milhões de votos no segundo turno das eleições presidenciais no país sul-americano neste último domingo.

Relutante e, especialmente, Washington e seus rabos na Europa. É a "realidade diplomática" dissimulada de ligações e cartas de 'parabéns' e ‘beneplacito’. Por dentro chorando a cada vez mais distante pretensão de se apoderar da Amazônia.

Roussef, a primeira mulher a ser presidente do Brasil, obteve 56,05 por cento dos votos válidos com os quais se impôs diante do candidato do opositor Partido Social Democratico Brasileiro (PSDB), que obteve 43,95 por cento dos sufrágios.

As primeiras mensagens de felicitações para a eleita mandatária chegaram da França, Argentina e Portugal, seguidas por gestos semelhantes dos governos da Venezuela e El Salvador.

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, disse em suas congratulações para Roussef, que a eleição da presidente representa um reconhecimento do povo brasileiro para com a administração do chefe de Estado, Luiz Inácio Lula da Silva.

"Esta vitória demonstra o reconhecimento do povo brasileiro para o importante trabalho que ela tem desenvolvido com o Presidente Lula para tornar o Brasil um país moderno e mais justo", escreveu Sarkozy para Roussef.

Por sua vez, o Presidente de Portugual, Aníbal Cavaco Silva, emitiu um comunicado oficial no qual, além de parabenizar a Roussef pela vitória nas eleições, considerou que o futuro governo brasileiro contribuirá para aprofundar o que considerou como uma relação bilateral estratégica.

"Temos certeza de que ele, durante o mandato de Dilma, terá se dará a oportunidade de aprofundar nossas relações e nossa parceria estratégica. Ela pode ter certeza de que nós temos um forte compromisso neste sentido", afirma o texto oficial do governo português.

Além disso, também atráves de um comunicado, a presidente da Argentina, Cristina Fernandez, disse que, "tem o prazer de parabenizar a senhora Dilma Rousseff pela triunfo popular obtido no domingo, durante o segundo turno eleitoral, que a consagra como a primeira mulher Chefe de Estado da República Federativa do Brasil".

Fernandez também telefonou para Dilma Rousseff para dar as boas-vindas ao "clube das companheiras de gênero", assim como se comunicou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para felicitá-lo pelo desempenho eleitoral do Partido dos Trabalhadores (PT) e agradeceu-lhe a papel desempenhado pelo Brasil na América Latina.

Também o presidente venezuelano, Hugo Chávez, enviou suas felicitações a Roussef, quando mais de 96 por cento das urnas já tinham sido apuradas.

Durante seu programa dominical Alô Presidente, Chávez disse que a nova presidente brasileira “é uma mulher patriota, de têmpera, que travou duras batalhas por seu país", ao mesmo tempo em que pidiu aplausos para Lula da Silva, que entregará a presidência do seu país em primeiro de janeiro de 2011.

"Bem-vinda a este clube, Dilma Rousseff", acrescentou o chefe de Estado venezuelano. Chávez, ao parabenizar a nova presidente do Brasil, após ler um comunicado os dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral brasileiro.

O chefe de Estado venezuelano enviou um beijo para a presidente eleita e citou a publicação onde se destaca o anúncio “com 130 milhões de votos apurados, o que representa 96,03 por cento do total".

"Você chegou até aqui, Dilma. Você vem de longe, companheira, eu te conheço. Sabemos de onde vens: das batalhas pelo Brasil, a duras batalhas", disse ele.

Da mesma forma, o presidente de El Salvador, Mauricio Funes, manifestou suas congratulações a Roussef pessoalmente, através de um telefonema.

Funes expressou sua "alegria com a vitória" da representante do PT e felicitou o povo brasileiro por uma "nova amostra de maturidade democrática".

"Quero expressar a minha alegria e a do meu governo pelo triunfo de um projeto que recebeu o apoio esmagador da maioria dos cidadãos. Hoje foi concluída uma jornada inesquecível para o povo brasileiro, que elegeu, pela primeira vez em sua história, uma mulher para dirigir os destinos desta grande nação", destaca um comunicado da Presidência de El Salvador.

Espera-se que representantes de outras nações expressem seu júbilo para com a mandatária brasileira eleita, cujo país detém um papel fundamental na comunidade internacional, dada a sua condição de potência emergente.

Quem é Dilma, a carta que Lula tirou da manga

Por Tereza Cruvine
da Empresa Brasileira de Informaçãol

Dilma Vana Rousseff já teve muitas vidas, muitos nomes e muitos projetos de vida. O que ela nunca imaginou é que seria a primeira mulher brasileira a conquistar, pelo voto, o mais alto cargo da República, até agora ocupado só por homens. Ela foi eleita presidente com 55,5 milhões de votos, correspondentes a 56,01% dos votos válidos, derrotando José Serra, do PSDB, que teve 43,606 milhões de votos, ou 43,99% do total de votos válidos (com 99,56% das urnas apuradas).

Muita gente, dentro e fora do governo, também achava que isso seria impossível: embora a política tenha marcado toda a sua vida, Dilma nunca havia disputado antes uma eleição.

“Dilma não tem jogo de cintura eleitoral”, “Dilma é durona e carrancuda”, “Dilma é uma técnica sem carisma”. “Dilma não tem trânsito entre os partidos e os políticos”. Tudo isso e muito mais foi dito sobre a então ministra-chefe da Casa Civil, quando, ainda em 2008, começou a circular a notícia de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pensava nela como candidata a sua sucessão.

No segundo mandato, a aprovação do governo e a popularidade do presidente Lula alcançaram índices inéditos, e isso foi possível porque, depois de ajustar as contas públicas no primeiro mandato, a política econômica, combinada com a política de distribuição de renda e os programas sociais, começou a produzir excelentes resultados: a economia crescia, gerava mais empregos, a renda dos mais pobres aumentava, a desigualdade diminuía, o país se tornava melhor internamente e mais respeitado lá fora. Na era Lula, cerca de 28 milhões de pessoas deixaram a pobreza extrema e ascenderam socialmente.

Mas esse paraíso político foi precedido de um inferno zodiacal. No primeiro mandato esses resultados ainda não haviam aparecido. Além de ter feito um ajuste fiscal necessário, mas que atrasou a retomada do crescimento, o governo enfrentou escândalos que minaram a popularidade de Lula e do PT.

Os nomes fortes do partido, que poderiam ter sido alternativas sucessórias para 2011, foram todos queimados nas crises do primeiro mandato. José Dirceu, ex-chefe da Casa Civil, foi cassado no escândalo do mensalão, e o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci foi alvejado pela quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo.

Na substituição de Dirceu, Lula surpreendeu a todos ao descartar quadros políticos do PT e dos partidos aliados e convidar Dilma, então ministra de Minas e Energia, de perfil eminentemente técnico. Lula pediu-lhe um choque de gestão na Casa Civil e uma atuação mais gerencial e menos política. Era exatamente o que ela sabia fazer.

Mas esta não foi a primeira vez que Lula surpreendeu com o nome de Dilma. Ele a conhecera no Rio Grande do Sul, como secretária de Minas e Energia do governo do petista Olívio Dutra. Na montagem do primeiro ministério, em 2002, ele desautorizou um acordo já fechado por seu coordenador político José Dirceu com o PMDB e entregou a ela a pasta de Minas e Energia.

Ali, Dilma trabalhou duro para evitar um novo apagão elétrico, como o que houvera no governo de Fernando Henrique, desenvolveu o Programa Luz para Todos, planejou a construção de novas hidrelétricas e a diversificação da matriz energética brasileira. Essa dinâmica é que Lula queria na Casa Civil. E Dilma não o decepcionou. Passou a coordenar as ações de todo o governo e ganhou fama de durona. “Até parece que vivemos cercadas por homens meigos e delicados”, ironizou Dilma na época.

A ministra havia brigado pela redução do superávit fiscal para que sobrassem mais recursos para investimentos em obras de infraestrutura, que criam as bases para o crescimento de longo prazo, aquecem a economia e geram empregos. No final do primeiro mandato, já havia dinheiro para isso e ela elaborou o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), pedido por Lula.

O programa foi lançado em janeiro de 2007, nos primeiros dias do segundo mandato. O PAC previa investimentos de R$ 500 bilhões em quatro anos, em grandes obras de infraestrutura, como portos, ferrovias e hidrelétricas, gastos com obras em favelas e o financiamento habitacional maciço, como o programa Minha Casa, Minha Vida.

Foi na inauguração de obras de saneamento e habitação numa favela do Rio de Janeiro, o Complexo do Alemão, no dia 7 de março de 2008, que Lula começou a escolher sua sucessora. "A Dilma é uma espécie de mãe do PAC. É ela que cobra, junto com o Marcio Fortes [ministro das Cidades], se as obras estão andando e agora vocês também vão ver o que é ser cobrado pela Dilma."

Em recente entrevista à TV Brasil Internacional, Lula nos contou, no intervalo da gravação, que naquele dia começou a amadurecer a ideia de que Dilma poderia ser a candidata que ele não tinha para a sucessão que se aproximava. A oposição tinha dois nomes fortes, Aécio Neves e José Serra, ambos já provados nas urnas.

Dilma não tinha experiência eleitoral, mas representava uma novidade. Era mulher, pensava o presidente. Se conseguisse transferir para ela uma parte de sua imensa popularidade, poderia elegê-la.

Ela surpreendeu-se com a confidência, mas não recusou a ideia. Dilma sabia de todas as dificuldades que seu nome enfrentaria, inclusive dentro do PT. Lula tratou disso com os dirigentes do partido. Dilma não era mesmo um quadro histórico, mas o partido também não tinha outro nome. Quem tinha a força era Lula e sua indicação foi prontamente aceita. O PT a escolheu oficialmente em fevereiro deste ano. Dilma deixou o governo, juntamente com dez ministros, em 31 de março para enfrentar a aventura eleitoral.

Muitos nomes, muitas Dilmas

Mas quem é esta mulher que, tendo pensando em ser bombeira ou trapezista, tendo enfrentado a prisão e a tortura por causa de suas idéias políticas, mas nunca tendo disputado uma eleição, torna-se a primeira presidente do Brasil?

Embora não tivesse mesmo disputado qualquer eleição antes, a política sempre foi o motor da vida de Dilma. Sua atuação começou no movimento estudantil, no segundo grau e depois na universidade, combatendo a ditadura militar. A militância a levará para a clandestinidade e para a prisão. Enfrentará a tortura nos porões do Dops (Departamento de Ordem Política e Social) e três anos de reclusão no Presídio Tiradentes.

Tudo começou em Belo Horizonte, onde ela nasceu em 14 de dezembro de 1947. Seu pai, Pedro Rousseff, foi um imigrante búlgaro. Chegou ao Brasil nos anos 30, casou-se com uma professora chamada Dilma e tiveram três filhos, formando uma típica família de classe média.

Dilma, a mais velha, estudou primeiro num colégio de freiras tradicional, o Sion, onde tomou gosto pelos livros, principalmente os de literatura. Há pouco tempo, ficou sabendo que só ela e mais três colegas do Sion seguiram carreiras profissionais. As outras tornaram-se donas de casa, como era o costume.

No ano de 1964, em que os militares derrubaram o presidente João Goulart, dando início à ditadura, Dilma entrou para o Colégio Estadual Central, foco da agitação estudantil secundarista da capital mineira. Três anos depois passa no vestibular para economia, na UFMG, e ingressa na organização esquerdista Polop, tornando-se uma líder estudantil importante, culta e combativa.

Nesse tempo aconteceram coisas importantes na vida de Dilma. Conquistou amigos que tem até hoje, como o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel, e o hoje deputado José Aníbal, do PSDB. Namorou com Cláudio Galeno e com ele teve um casamento que durou pouco. A vida agitada e o mergulho que foi obrigada a dar na clandestinidade não ajudaram.

Nessa época, a Polop se transforma em Colina (Comando de Libertação Nacional), que irá se fundir com a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), formando a VAR-Palmares. A VAR-Palmares fez algumas ações armadas contra a ditadura, mas Dilma, que atuava em estratégia e planejamento, não participou de nenhuma delas. Na campanha, entretanto, essa passagem de sua vida foi muito explorada.

Na clandestinidade, como mandavam os manuais de segurança, Dilma usou vários codinomes. Chamou-se Luiza, Wanda, Marina, Estela, Maria e Lúcia. Separa-se de Galeno, que vai para o exílio, e conhece Carlos Franklin de Araújo, que vem a ser seu segundo marido e pai de sua filha Paula.

Em 1970, Dilma é presa e brutalmente torturada durante várias semanas. Depois é condenada a três anos de reclusão, tempo em que passou sobretudo no Presídio Tiradentes, onde o marido Carlos Araújo também cumpria pena em outra ala. Três anos depois, após serem libertados, constroem uma vida juntos no Rio Grande do Sul, onde nasce Paula, que no final do primeiro turno, dará a Dilma seu primeiro neto, Gabriel.

Em Porto Alegre, já em liberdade, Dilma consegue terminar o curso de economia e a seguir cursa o mestrado. Atua, com o marido, nos movimentos pela anistia e pela redemocratização. Ajudam a fundar no estado o PDT de Leonel Brizola.

Em 1986, o pedetista Alceu Collares elege-se prefeito de Porto Alegre e convida Dilma para ocupar a Secretaria Municipal de Fazenda. Collares elege-se governador em 1990 e ela se torna secretária estadual de Minas, Energia e Comunicação.

O governo de Collares era fruto de uma aliança entre o PDT e o PT, que se romperá em 1994. Dilma faz então a opção pelo PT, filiando-se ao partido. Outra aliança que se rompe nessa época é a matrimonial. Separa-se do marido Carlos Araújo, embora preservem grande amizade e cumplicidade até hoje. Foi como secretária de Minas e Energia que Dilma conheceu Lula e despertou seu interesse, valendo-lhe, mais tarde, a nomeação para a pasta de Minas e Energia.

Um câncer no caminho

A caminhada para a Presidência não foi fácil. Com a candidatura já definida por Lula e aceita pelo PT, Dilma descobre, no inicio de 2009, que tinha um câncer linfático. O anúncio da doença, no dia 25 de abril, foi uma decisão corajosa.

No primeiro momento, a candidatura foi dada como inviável. Ela poderia não vencer a doença e, mesmo que vencesse, o eleitorado poderia rejeitar seu nome, temendo o pior. Os médicos garantem chances de cura superiores a 90%. Dilma faz sessões de quimioterapia, perde o cabelo e usa peruca por uns tempos, sem interromper a rotina de trabalho na Casa Civil. No final do ano, os médicos a declaram curada.

No final de 2009, a sua saúde vai bem e a popularidade do presidente, melhor ainda. Dilma volta a um hospital, mas agora para cuidar da imagem. O conselho fora de Lula. Ela faz uma plástica e reaparece em público, em 2010, com a fisionomia mais jovem e descansada. Está começando a batalha eleitoral.

Mas ela começa em desvantagem. Em fevereiro deste ano, tinha uma média de 28% de preferência e José Serra, do PSDB, sempre mais de 40%. O primeiro empate acontece em maio deste ano, mas surge um fator inesperado – o crescimento da candidatura de Marina Silva, que trocara o PT pelo PV.

A campanha começa para valer em agosto e o presidente Lula entra em campo, garantindo a transferência de votos de que muita gente duvidava. Em 15 de maio deste ano, o instituto Vox Populi divulga a primeira pesquisa em que Dilma, com 38%, ultrapassa José Serra, com 35%.

Diferentes institutos apontam a vitória de Dilma no primeiro turno de 3 de outubro por mais de 50% dos votos, mas ela obtém apenas 47% dos votos. Os analistas apontam duas causas para o segundo turno. O crescimento da candidata Marina Silva, do PV, e uma forte onda de boatos, inclusive pela internet, acusando Dilma de ser a favor do aborto e do casamento entre homossexuais. Ela perde milhões de eleitores entre católicos e evangélicos.

No segundo turno, a campanha é agressiva, os candidatos sobem o tom nos debates e o presidente Lula volta à arena eleitoral. Mas desta vez ela alcança a maioria necessária e torna-se a primeira presidente eleita do Brasi.

Fonte: vermelho.org

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Primeiro discurso da presidente eleita Dilma Rousseff


Primeiro de novembro de 2010

Minhas amigas e meus amigos de todo o Brasil,

É imensa a minha alegria de estar aqui. Recebi hoje de milhões de brasileiras e brasileiros a missão mais importante de minha vida. Este fato, para além de minha pessoa, é uma demonstração do avanço democrático do nosso país: pela primeira vez uma mulher presidirá o Brasil. Já registro portanto aqui meu primeiro compromisso após a eleição: honrar as mulheres brasileiras, para que este fato, até hoje inédito, se transforme num evento natural. E que ele possa se repetir e se ampliar nas empresas, nas instituições civis, nas entidades representativas de toda nossa sociedade.

A igualdade de oportunidades para homens e mulheres é um principio essencial da democracia. Gostaria muito que os pais e mães de meninas olhassem hoje nos olhos delas, e lhes dissessem: SIM, a mulher pode!

Minha alegria é ainda maior pelo fato de que a presença de uma mulher na presidência da República se dá pelo caminho sagrado do voto, da decisão democrática do eleitor, do exercício mais elevado da cidadania. Por isso, registro aqui outro compromisso com meu país:

Valorizar a democracia em toda sua dimensão, desde o direito de opinião e expressão até os direitos essenciais da alimentação, do emprego e da renda, da moradia digna e da paz social.
Zelarei pela mais ampla e irrestrita liberdade de imprensa.
Zelarei pela mais ampla liberdade religiosa e de culto.
Zelarei pela observação criteriosa e permanente dos direitos humanos tão claramente consagrados em nossa constituição.
Zelarei, enfim, pela nossa Constituição, dever maior da presidência da República.
Nesta longa jornada que me trouxe aqui pude falar e visitar todas as nossas regiões. O que mais me deu esperanças foi a capacidade imensa do nosso povo, de agarrar uma oportunidade, por mais singela que seja, e com ela construir um mundo melhor para sua família. É simplesmente incrível a capacidade de criar e empreender do nosso povo. Por isso, reforço aqui meu compromisso fundamental: a erradicação da miséria e a criação de oportunidades para todos os brasileiros e brasileiras.

Ressalto, entretanto, que esta ambiciosa meta não será realizada pela vontade do governo. Ela é um chamado à nação, aos empresários, às igrejas, às entidades civis, às universidades, à imprensa, aos governadores, aos prefeitos e a todas as pessoas de bem.

Não podemos descansar enquanto houver brasileiros com fome, enquanto houver famílias morando nas ruas, enquanto crianças pobres estiverem abandonadas à própria sorte. A erradicação da miséria nos próximos anos é, assim, uma meta que assumo, mas para a qual peço humildemente o apoio de todos que possam ajudar o país no trabalho de superar esse abismo que ainda nos separa de ser uma nação desenvolvida.

O Brasil é uma terra generosa e sempre devolverá em dobro cada semente que for plantada com mão amorosa e olhar para o futuro. Minha convicção de assumir a meta de erradicar a miséria vem, não de uma certeza teórica, mas da experiência viva do nosso governo, no qual uma imensa mobilidade social se realizou, tornando hoje possível um sonho que sempre pareceu impossível.

Reconheço que teremos um duro trabalho para qualificar o nosso desenvolvimento econômico. Essa nova era de prosperidade criada pela genialidade do presidente Lula e pela força do povo e de nossos empreendedores encontra seu momento de maior potencial numa época em que a economia das grandes nações se encontra abalada.

No curto prazo, não contaremos com a pujança das economias desenvolvidas para impulsionar nosso crescimento. Por isso, se tornam ainda mais importantes nossas próprias políticas, nosso próprio mercado, nossa própria poupança e nossas próprias decisões econômicas.

Longe de dizer, com isso, que pretendamos fechar o país ao mundo. Muito ao contrário, continuaremos propugnando pela ampla abertura das relações comerciais e pelo fim do protecionismo dos países ricos, que impede as nações pobres de realizar plenamente suas vocações.

Mas é preciso reconhecer que teremos grandes responsabilidades num mundo que enfrenta ainda os efeitos de uma crise financeira de grandes proporções e que se socorre de mecanismos nem sempre adequados, nem sempre equilibrados, para a retomada do crescimento.

É preciso, no plano multilateral, estabelecer regras mais claras e mais cuidadosas para a retomada dos mercados de financiamento, limitando a alavancagem e a especulação desmedida, que aumentam a volatilidade dos capitais e das moedas. Atuaremos firmemente nos fóruns internacionais com este objetivo.

Cuidaremos de nossa economia com toda responsabilidade. O povo brasileiro não aceita mais a inflação como solução irresponsável para eventuais desequilíbrios. O povo brasileiro não aceita que governos gastem acima do que seja sustentável.

Por isso, faremos todos os esforços pela melhoria da qualidade do gasto público, pela simplificação e atenuação da tributação e pela qualificação dos serviços públicos. Mas recusamos as visões de ajustes que recaem sobre os programas sociais, os serviços essenciais à população e os necessários investimentos.

Sim, buscaremos o desenvolvimento de longo prazo, a taxas elevadas, social e ambientalmente sustentáveis. Para isso zelaremos pela poupança pública.

Zelaremos pela meritocracia no funcionalismo e pela excelência do serviço público. Zelarei pelo aperfeiçoamento de todos os mecanismos que liberem a capacidade empreendedora de nosso empresariado e de nosso povo. Valorizarei o Micro Empreendedor Individual, para formalizar milhões de negócios individuais ou familiares, ampliarei os limites do Supersimples e construirei modernos mecanismos de aperfeiçoamento econômico, como fez nosso governo na construção civil, no setor elétrico, na lei de recuperação de empresas, entre outros.

As agências reguladoras terão todo respaldo para atuar com determinação e autonomia, voltadas para a promoção da inovação, da saudável concorrência e da efetividade dos setores regulados.
Apresentaremos sempre com clareza nossos planos de ação governamental. Levaremos ao debate público as grandes questões nacionais. Trataremos sempre com transparência nossas metas, nossos resultados, nossas dificuldades.

Mas acima de tudo quero reafirmar nosso compromisso com a estabilidade da economia e das regras econômicas, dos contratos firmados e das conquistas estabelecidas.

Trataremos os recursos provenientes de nossas riquezas sempre com pensamento de longo prazo. Por isso trabalharei no Congresso pela aprovação do Fundo Social do Pré-Sal. Por meio dele queremos realizar muitos de nossos objetivos sociais.

Recusaremos o gasto efêmero que deixa para as futuras gerações apenas as dívidas e a desesperança.

O Fundo Social é mecanismo de poupança de longo prazo, para apoiar as atuais e futuras gerações. Ele é o mais importante fruto do novo modelo que propusemos para a exploração do pré-sal, que reserva à Nação e ao povo a parcela mais importante dessas riquezas.

Definitivamente, não alienaremos nossas riquezas para deixar ao povo só migalhas. Me comprometi nesta campanha com a qualificação da Educação e dos Serviços de Saúde. Me comprometi também com a melhoria da segurança pública. Com o combate às drogas que infelicitam nossas famílias.

Reafirmo aqui estes compromissos. Nomearei ministros e equipes de primeira qualidade para realizar esses objetivos. Mas acompanharei pessoalmente estas áreas capitais para o desenvolvimento de nosso povo.

A visão moderna do desenvolvimento econômico é aquela que valoriza o trabalhador e sua família, o cidadão e sua comunidade, oferecendo acesso a educação e saúde de qualidade. É aquela que convive com o meio ambiente sem agredí-lo e sem criar passivos maiores que as conquistas do próprio desenvolvimento.

Não pretendo me estender aqui, neste primeiro pronunciamento ao país, mas quero registrar que todos os compromissos que assumi, perseguirei de forma dedicada e carinhosa. Disse na campanha que os mais necessitados, as crianças, os jovens, as pessoas com deficiência, o trabalhador desempregado, o idoso teriam toda minha atenção. Reafirmo aqui este compromisso.

Fui eleita com uma coligação de dez partidos e com apoio de lideranças de vários outros partidos. Vou com eles construir um governo onde a capacidade profissional, a liderança e a disposição de servir ao país será o critério fundamental.

Vou valorizar os quadros profissionais da administração pública, independente de filiação partidária.

Dirijo-me também aos partidos de oposição e aos setores da sociedade que não estiveram conosco nesta caminhada. Estendo minha mão a eles. De minha parte não haverá discriminação, privilégios ou compadrio.

A partir de minha posse serei presidenta de todos os brasileiros e brasileiras, respeitando as diferenças de opinião, de crença e de orientação política.

Nosso país precisa ainda melhorar a conduta e a qualidade da política. Quero empenhar-me, junto com todos os partidos, numa reforma política que eleve os valores republicanos, avançando em nossa jovem democracia.

Ao mesmo tempo, afirmo com clareza que valorizarei a transparência na administração pública. Não haverá compromisso com o erro, o desvio e o malfeito. Serei rígida na defesa do interesse público em todos os níveis de meu governo. Os órgãos de controle e de fiscalização trabalharão com meu respaldo, sem jamais perseguir adversários ou proteger amigos.

Deixei para o final os meus agradecimentos, pois quero destacá-los. Primeiro, ao povo que me dedicou seu apoio. Serei eternamente grata pela oportunidade única de servir ao meu país no seu mais alto posto. Prometo devolver em dobro todo o carinho recebido, em todos os lugares que passei.

Mas agradeço respeitosamente também aqueles que votaram no primeiro e no segundo turno em outros candidatos ou candidatas. Eles também fizeram valer a festa da democracia.

Agradeço as lideranças partidárias que me apoiaram e comandaram esta jornada, meus assessores, minhas equipes de trabalho e todos os que dedicaram meses inteiros a esse árduo trabalho. Agradeço a imprensa brasileira e estrangeira que aqui atua e cada um de seus profissionais pela cobertura do processo eleitoral.

Não nego a vocês que, por vezes, algumas das coisas difundidas me deixaram triste. Mas quem, como eu, lutou pela democracia e pelo direito de livre opinião arriscando a vida; quem, como eu e tantos outros que não estão mais entre nós, dedicamos toda nossa juventude ao direito de expressão, nós somos naturalmente amantes da liberdade. Por isso, não carregarei nenhum ressentimento.

Disse e repito que prefiro o barulho da imprensa livre ao silencio das ditaduras. As criticas do jornalismo livre ajudam ao pais e são essenciais aos governos democráticos, apontando erros e trazendo o necessário contraditório.

Agradeço muito especialmente ao presidente Lula. Ter a honra de seu apoio, ter o privilégio de sua convivência, ter aprendido com sua imensa sabedoria, são coisas que se guarda para a vida toda. Conviver durante todos estes anos com ele me deu a exata dimensão do governante justo e do líder apaixonado por seu pais e por sua gente. A alegria que sinto pela minha vitória se mistura com a emoção da sua despedida.

Sei que um líder como Lula nunca estará longe de seu povo e de cada um de nós. Baterei muito a sua porta e, tenho certeza, que a encontrarei sempre aberta. Sei que a distância de um cargo nada significa para um homem de tamanha grandeza e generosidade. A tarefa de sucedê-lo é difícil e desafiadora. Mas saberei honrar seu legado. Saberei consolidar e avançar sua obra.

Aprendi com ele que quando se governa pensando no interesse público e nos mais necessitados uma imensa força brota do nosso povo. Uma força que leva o país para frente e ajuda a vencer os maiores desafios.

Passada a eleição agora é hora de trabalho. Passado o debate de projetos agora é hora de união. União pela educação, união pelo desenvolvimento, união pelo país. Junto comigo foram eleitos novos governadores, deputados, senadores. Ao parabenizá-los, convido a todos, independente de cor partidária, para uma ação determinada pelo futuro de nosso país.

Sempre com a convicção de que a Nação Brasileira será exatamente do tamanho daquilo que, juntos, fizermos por ela.

Muito obrigada.

Fonte: blog dos amigos do presiente Lula