"A LUTA DE UM POVO, UM POVO EM LUTA!"

Agência de Notícias Nova Colômbia (em espanhol)

Este material pode ser reproduzido livremente, desde que citada a fonte.

A violência do Governo Colombiano não soluciona os problemas do Povo, especialmente os problemas dos camponeses.

Pelo contrário, os agrava.


terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Equador: quatro lições de uma vitória esmagadora


Por Atilio A. Boron

A esmagadora vitória de Rafael Correa, com uma porcentagem de votos e uma diferença entre ele e seu mais imediato concorrente que bem gostariam de obter Obama, Hollande e Rajoy, deixa algumas lições que é bom recapitular:
Primeira, e a mais óbvia, a ratificação do mandato popular para continuar pelo caminho traçado mas, como disse Correa em sua entrevista coletiva à imprensa, avançando mais rápida e profundamente. O presidente reeleito sabe que os próximos quatro anos serão cruciais para assegurar a irreversibilidade das reformas que, ao cabo de 10 anos de gestão, será concluída com a refundação de um Equador melhor, mais justo e mais sustentável. Na coletiva de imprensa já aludida, ele disse textualmente: "Ou mudamos agora o país ou não o mudamos mais”. O projeto de criar uma ordem social baseada no socialismo do sumak kawsay, o "bem viver” dos nossos povos originários, exige atuar com rapidez e determinação. Mas, isso é sabido pela e pelo imperialismo; e, por isso, se pode prever que vão redobrar seus esforços para impedir a consolidação do processo da "Revolução Cidadã”.
Segunda lição: que se um governo obedece ao mandato popular e produz políticas públicas que beneficiam as grandes maiorias nacionais –que afinal de contas se trata da democracia–, a lealdade do eleitorado pode ocorrer com certeza. A manipulação das oligarquias midiáticas, a conspiração das classes dominantes e os estratagemas do imperialismo se esfarelam contra o muro da fidelidade popular.
Terceira, e como corolário da anterior, o esmagador triunfo de Correa demonstra que a tese conformista tão comum dentro do pensamento político convencional, a saber: que "o poder desgasta”, só é válida na democracia quando o poder se exerce em beneficio das minorias endinheiradas ou quando os processos de transformação social perdem densidade, titubeiam e terminam por deter-se. Quando, ao contrário, se governa tendo em vista o bem-estar das vítimas do sistema, acontece o que aconteceu ontem no Equador: enquanto na eleição presidencial de 2009, Correa ganhou no primeiro turno com 51% dos votos, ontem o fez – com a contagem existente no momento de escrever esta matéria (25% dos votos escrutinados) -, com 57%. Em lugar de "desgaste”, consolidação e crescimento do poder residual.
Quarta e última: com esta eleição se supera a paralisia de decisões gerada por uma Assembleia (Congresso) Nacional que se opôs intransigentemente a algumas das mais importantes iniciativas propostas por Correa. Ainda que haja até agora poucas cifras disponíveis a respeito, não há dúvidas de que a Aliança País (partido governista) terá a maioria absoluta dos parlamentares e com chances de alcançar uma representação parlamentar que chegue a uma maioria qualificada de dois terços.
Conclusão: os tempos mudaram. A ratificação plebiscitária dum presidente que iniciou um formidável processo de mudanças sociais e econômicas dentro do Equador, que protagoniza a integração latino-americana, que incorporou seu país à ALBA (Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América), que pôs fim à presença estadunidense na base (militar) de Manta, que realizou uma exemplar auditoria da dívida externa reduzindo significativamente seu montante, que outorga asilo a Julian Assange e que retira o Equador do Ciadi (Centro Internacional para Arbitragem de Disputas sobre Investimentos, criado sob a égide do Banco Mundial), não é algo que se veja todos os dias. Felicitações Rafael Correa, saúde Equador!

Tradução: Jadson Oliveira – Adital.

Atilio A. Boron é diretor do PLED - Programa Latino-americano de Educação à Distância em Ciências Sociais.

Retornou Chávez!!!

Mais de dois meses depois de viajar para Havana (Cuba) para se submeter a um tratamento contra o câncer, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, retornou ao país na madrugada desta segunda-feira (18).

Em seu perfil no Twitter, Chávez confirmou o retorno à Venezuela. "Chegamos de novo à pátria venezuelana. Obrigado, meu Deus! Obrigado, povo amado! Aqui vamos continuar o tratamento", escreveu por volta das 6h (horário de Brasília).

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Equador celebra a grande vitória: “LHES GANHAMOS EM GUANGO!"

Por Alexis Ponce*
LHES GANHAMOS EM GUANGO!
Nosso Presidente Rafael Correa, PAIS, o Povo Equatoriano e a Revolução Cidadã vencemos a todos os opositores, em uníssono. Ainda que tenham se unificado, não conseguiram sequer os 40% dos votos.
Agora, a radicalizar o processo revolucionário. Como acaba de dizer Rafael: uma revolução pacífica, radical, rápida e profunda.
Rafael dedicou o triunfo arrasador a Hugo Chávez, presidente da Venezuela.
Rafael se transforma num dos líderes revolucionários de América Latina.
As esquerdas sectárias e ortodoxas, as ONGs e o indigenismo etnocentrista: as mais tristes perdedoras: nem 3% de votos na Nação. Até por Lucio, Alvaro Noboa e o PRE foram superadas.


Abraços a toda a Pátria Grande!  

* Alexis Ponce, Militante de PAIS
Assessor Governamental do meu companheiro lutador secretário Nacional da Água, Walter Solis. Defensor dos DDHH. Analista internacional.
----------------------------------Agência de Notícias Nova Colômbia, ANNCOL
Web:
www.anncol.eu, Redacción: editar@anncol.eu,YouTube: http://www.youtube.com/user/anncol4?feature=mhee
(No Equador, quando se ganha de goleada e contra todos os contendores, se diz um termo castiço, nosso, em uníssono: em guango!)



Atilio Borón: “Com Correa, Equador vai continuar mudando para melhor”


entrevista exclusiva concedida ao Portal Vermelho
Por Érika Cecon

Portal Vermelho: O que está em jogo para a América Latina nas eleições do Equador?  
Atílio Boron: Está em jogo a continuidade de um processo de transformações como nunca houve no Equador. Esta não é mais uma eleição, é um momento em que se ratifica um rumo de grandes transformações que mudaram definitivamente a história do país, portanto os setores do establishment econômico, político e ideológico estão procurando, por todos os meios, evitar que este caminho seja ratificado. Este é um processo que interessa também aos demais países latino-americanos, porque tem uma exemplaridade muito importante.

Demonstra que se o país tiver uma vocação firme, de avançar por um caminho de grandes transformações, como fizeram no Equador, esse avanço é possível. Acredito que esta seja uma eleição muito esperançosa para os povos latino-americanos, onde sempre nos disseram que éramos países frágeis, subdesenvolvidos tínhamos que, simplesmente, aceitar as regras que os Estados Unidos ou que as agências internacionais impunham.

Este homem [Rafael Correa] não aceitou essas regras: suprimiu a base militar em Manta, não aceitou as políticas do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional (FMI), não pagou a dívida externa, fez uma auditoria e pagou somente o que tinha que pagar. O país teve um avanço econômico muito importante e um avanço social realmente extraordinário. Se Correa perder as eleições seria o início de um retrocesso em cadeia em toda a região, com consequências muito negativas; mas se ganhar vai dar mais fôlego aos governos que na América Latina irão avançar por um caminho mais radical, como está transitando Correa.

Quais avanços (econômicos, sociais , culturais) que o Equador teve durante o governo de Rafael Correa?
 
AB: No aspecto social ele fez um enorme investimento na educação e também regulando. Um problema sério que temos na América Latina, que no Chile é gravíssimo, são as universidades privadas. No Chile houve uma série de demandas de jovens que tinham sido prejudicados pelas universidades privadas que não respondiam a nenhum critério acadêmico. A resposta do Ministro de Educação foi dizer para os estudantes “Vão queixar-se na agência de proteção ao consumidor”. Imagina o que isso significa como ideologia, de que a educação é uma mercadoria.

No Equador aconteceu o mesmo e Correa, quando começou o problema, não deixou que chegasse até o final, disse para as universidades que elas tinham que responder aos padrões de excelência acadêmica do ministério; estabeleceu um prazo de dois anos para que se adaptassem e durante este período não poderiam admitir nenhum aluno. As universidades não cumpriram, continuaram enganando os alunos, fazendo publicidade; os estudantes se inscreveram, pagaram e no fim do prazo Correa fechou estas universidades, iniciou um processo judicial contra os donos, obrigou a devolverem o dinheiro para todos os estudantes e, ainda por cima, os ameaçou de prisão por fraude.

Esta é a diferença entre Correa e [Sebastián ] Piñera; o presidente equatoriano demonstra a importância de regular as universidades privadas, que na Argentina e no Brasil continuam sendo muito desreguladas. Temos universidades que são mais tecnicistas do que universidades, onde não há investigação, não há professores em período integral, não há bolsas para os alunos, não há boas bibliotecas, não há laboratórios, mas diante da oferta insuficiente das universidades públicas estas universidades [privadas] se aproveitam. No Equador esta prática não existe mais.

Correa fez um enorme esforço em investimento na educação: multiplicou por várias vezes o orçamento em todos os níveis, criou escolas especiais de caráter bilíngue para que se aprenda o espanhol e o quéchua, fez um programa enorme de livros, alimentação e uniforme escolar. Não há pretexto para que uma criança não frequente a escola no Equador.

A saúde neste país era para os ricos, os pobres não tinham acesso, Correa sem avisar a ninguém, nem seus colaboradores, em uma manhã qualquer vai a um hospital público, em Quito ou no interior, para ver o que está acontecendo e se vê uma fila pergunta: “Por que esta fila?”. A partir daí, imediatamente se produz um alvoroço. Normalmente quando ele vai não estão nem o diretor, nem o chefe dos médicos. Então ele demite todos, contrata outras pessoas e resolve. Os indicadores de saúde melhoraram, dramaticamente.

As pessoas têm melhor educação, saúde, salários. Por exemplo, aqui há uma ideia que é o salário digno, que não é o salário mínimo; No Equador o salário mínimo não basta, tem o salário digno que permite cobrir todas as necessidades básicas, que o mínimo não consegue. As empresas só podem repartir seus lucros uma vez que todos os trabalhadores estejam recebendo o salário digno, o que é um enorme benefício para quem antes não tinha nenhum marco legal, nenhum apoio, nada. Isso explica a enorme popularidade de Correa.

Em infraestrutura também investiu muito. Há dez anos este país quase não tinha estradas. Hoje em dia fizeram mais de dez mil quilômetros de rodovias, de primeiro nível, conectando cidades que antes se demorava oito horas para chegar e hoje se leva duas horas. Também fez uma série de pontes que permitiram aproximar as comunidades.

Além de ser um político carismático, Correa é um grande administrador. Na América Latina temos políticos com enorme popularidade, mas entregam a administração para secretários da fazenda, ministros da economia, já o mandatário equatoriano concentra essa administração em suas mãos e é muito rigoroso. As políticas sociais, econômicas, o esforço pela integração, por buscar uma maneira de proteger a natureza não tem precedentes neste país.

Como Correa age em relação ao movimento indígena e à mineração?
 
AB: Posso assegurar que há uma diferença muito grande entre a base indígena e camponesa e a liderança destas organizações. As direções têm um rechaço muito forte a Correa e as bases o apoiam. É um pouco o que ocorria com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no Brasil, onde havia um setor da direção do MST que era anti-Lula e a base do movimento a favor. O que estamos vendo é que o comando se organizou politicamente e a porcentagem de votos que está obtendo é inferior a 5% em um país onde a população indígena equivale a 40%. Algo parecido à eleição presidencial anterior onde as organizações indígenas apoiaram um candidato que obteve 2% dos votos e Correa obteve mais de 50%.

Os críticos de Correa têm um discurso muito demagógico, porque dizem que não se deve explorar a natureza nas regiões controladas pelos indígenas, mas se fizerem isso como fazer para levar a estas áreas hospitais, escolas e serviços sociais? Evo Morales defende a exploração dos recursos naturais, pois senão de onde sairia o investimento? Quem vai dar o dinheiro ao Equador para que faça todos estes enormes programas sociais? Os Estados Unidos? Brasil, Argentina, Índia? Quem? Ninguém vai dar, então acredito que há uma proposta falsa de alguns autores que fazem a crítica ao extrativismo, que não respondem a duas questões: É preciso mudar o padrão de consumo; os EUA consomem anualmente 270 quilos de papel por pessoa (no Brasil não chega a 50) e a solução que propõem é reduzir o consumo nos países desenvolvidos. Não falam de uma revolução socialista, anticapitalista, sua proposta fica como engodo. Para reduzir o consumismo do capitalismo avançado é necessária uma revolução anticapitalista e as pessoas que criticam o extrativismo jamais falam do tema da revolução; a segunda coisa que não falam é que ignoram a dinâmica demográfica dos nossos países.

O Equador tem hoje cerca de 15 milhões de habitantes aproximadamente, mas vai ter 28 dentro de 25 anos. Então o que faremos? Se não explorarmos mais os recursos, como fazer? Os equatorianos não vão poder comer, porque têm que semear mais para colher mais e a agricultura é uma forma de transformar e de atacar a “madre tierra”. Não vamos ser hipócritas pensando que os antigos egípcios ou os povos originários não atacavam a natureza. Não existe maneira de não atacar a natureza, o que se deve fazer é evitar que esses ataques sejam ataques mortais, temos que ser conscientes de que mesmo uma agricultura camponesa, como existe no Brasil, implica um ataque à natureza. Este segundo problema também não falam, porque não são críticas sérias. Não falam nem da revolução nem do que significa a necessidade de enfrentar demandas sociais de uma população que dentro de 30 anos vai ser o dobro.

O Brasil tem uma dinâmica demográfica menor do que o Equador, mas dentro de 40 anos vão ser provavelmente cerca de 300 milhões e o que será feito? Cruzar os braços e não tocar na natureza? Isso é inviável, é condenar os pobres do país e serem eternamente pobres. Não podemos concordar com isso.

Com base no que está sendo feito, qual a sua projeção para o futuro?
 
AB:Acredito que com maioria parlamentar Correa vai poder aprofundar essas políticas, vai poder avançar com um pouco mais de tranquilidade em matéria de reestruturação econômica. Ele está interessado em industrializar a economia, em ter um controle monetário, que não existe porque a moeda é o dólar.

O presidente não pode governar o país do ponto de vista econômico, não pode emitir mais dinheiro, pois depende do que os Estados Unidos fazem. Acredito que ele vai buscar uma solução para ter mais autonomia monetária, vai avançar de todas as maneiras no plano de infraestrutura e interconexão das diferentes regiões do Equador e integrar tudo. Eu penso que o Equador vai continuar avançando do ponto de vista educacional, já que Correa tem muito claro que o avanço na educação é fundamental para construir uma sociedade melhor.

Existem alguns obstáculos financeiros, mas com um parlamento que joga a favor do projeto poderá ter maiores recursos para o investimento e fortalecer muito a integração na América Latina. Ele é um homem com grande ideário latino-americano, além de defender firmemente suas opções políticas: fechou a base aérea estadunidense em Manta, renegociou a dívida externa e teve a enorme valentia de outorgar asilo diplomático a Julian Assange, que é algo que outros países maiores poderiam ter feito mais facilmente, mas não o fizeram. Acredito que ele vai avançar neste caminho, mudando o Equador para melhor, pois tem ideias muito claras e uma grande força de vontade.

A quimera do capitalismo "amável"

Publicado por Unidad y Resistencia na segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

TEODORO SANTANA
Imagine que, por uma desgraça, você sofra de uma grave enfermidade. E que então um médico lhe explique, claramente, que você necessita de uma cirurgia e de quimioterapia. Outro médico lhe diz que bastam uns calmantes e prescreve que você continue com sua “vida normal”. O primeiro e sua terapia serão, sem dúvida, mais desagradáveis para você, porém o curarão. O segundo lhe será apresentado com “melhor estampa”, mas o levará para a tumba.

Diante da brutal crise do capitalismo – e não dos capitalistas – e diante das ferozes políticas de cortes e ajustes, é mais sedutora a ideia de “voltar à normalidade”, aos “bons velhos tempos”, que a implantação de medidas radicais, ações difíceis e coletivas que cortem o mal pela raiz. Ao final das contas, bate em todos nós a esperança de que aconteça algo, de que venha alguém, que solucione as coisas e reverta a nossa situação para uma mais suportável.

Nesses momentos, sempre aparecem os curandeiros, os “mágicos”, os que oferecem soluções que não exijam sacrifícios, mas imposições de mãos, de ervas mágicas, de poções milagrosas. O que for para não ter de recorrer á cirurgia.

Daí a proliferação daqueles que nos oferecem soluções benignas, facilmente aceitáveis, à crise capitalista. Bastaria, segundo estes simpáticos taumaturgos, voltar ao “Estado de Bem-estar”, ao “Estado [capitalista] Democrático e Social de Direito”, quintessência de todas as bondades. Com alguns comprimidos fiscais e uns retoques na legislação trabalhista, o problema está solucionado. Tudo isso ingerido com infusões puramente eleitoreiras, porque, em sua cabeça, não cabe outra forma de administrar a solução que não seja a estritamente “legal”.

Para não ganhar poderosos inimigos e para não ter que brigar com o “senso comum” burguês, não ocorre aos nossos moderadíssimos ilusionistas iniciarem um tratamento que possa atacar a essência do capitalismo. Nacionalização dos bancos? Não, por Deus! Sair da trama imperialista UE-OTAN-euro? Deixe de radicalismos! Descolonização das Canárias? Nem que não fossem europeus!

O que estes aprendizes de bruxos querem não é acabar com o capitalismo, só retrocedê-lo a sua forma mais “amável”. Por isso falam de um programa de “mínimos” (isto é, que não perturbe ninguém). E claro, o mínimo é não tocar a dominação capitalista. Não é como se fossem uns “vermelhos de merda”.

O problema é que não enxergam – ou não querem enxergar – que o sistema capitalista, que entrou em uma fase histórica de quebra de suas potências imperialistas centrais, não pode voltar a ser “amável”, ainda que queira. Os cortes e os ajustes não são fruto do capricho ou da maldade intrínseca dos grandes capitalistas e de seus partidos lacaios, os quais atingiram o limite dos trabalhadores.

O que ocorre é que, simplesmente, tendo o capitalismo chegado a este ponto, é impossível que ele sobreviva a não ser aumentando o máximo possível – e até o impossível – a taxa de mais valia. Não pode permitir que se estanque nem que se retroceda. E para ele, a única coisa a ser feita é tirar o dinheiro de nossos salários, reduzindo tanto os diretos (o que nos pagam pelas folhas de pagamento) como os indiretos (saúde, educação, auxílio desemprego, pensões, serviços sociais, etc).

Por mais que falemos de que, em vez de ajuste, se faça “investimentos para o crescimento”, tal coisa é impossível se não se dispõe de capital. Já quiseram os próprios capitalistas poder entrar em uma fase de crescimento. Porém, ela não é possível se só se dispõe do capital público, isto é, da parte do capital proveniente dos impostos – por mais “justos” ou “progressivos” que sejam -: é preciso dispor de todo o capital. E isso significa que é preciso expropriar todo seu capital (e de seus meios de produção) aos capitalistas.

Claro que estes – e seus servidores – não vão consentir pacificamente. Como ocorreu sempre na história, vão atirar com toda a artilharia – literalmente – contra quem pretenda tal “atentado” contra seus sacrossantos “direitos”, contra suas leis, contra sua Constituição, contra seu “Estado de Direito”.

E nossos modernos feiticeiros reformistas não estão conseguindo resolver a tremenda bagunça. Por Deus, se só querem ganhar umas eleições, não se metam em uma guerra! Programa de “mínimos”, por favor, que estes ferrados comunistas – “radicais”, “dogmáticos”, “antigos” – nos querem meter em apuros!

Nem um maldito caso faria a estes eternos fracassados curandeiros do capitalismo, se não fosse porque sua “medicina”, levantar falsas expectativas entre a classe operária e os setores populares, afastando-os da verdadeira solução. Por fim, a tendência humana é a de preferir saídas fáceis, ainda que sejam ilusórias, a soluções difíceis, complicadas e dramáticas.

Desgraçadamente, nós, / que queríamos preparar o caminho o para a amabilidade / não pudemos ser amáveis”, escrevia Bertolt Brecht. Sim, todos nós gostaríamos de um caminho afável. Porém, temos o doloroso dever de explicar ao paciente, às nossas irmãs e irmãos, às trabalhadoras e aos trabalhadores, que não existem soluções fáceis. E também o dever inevitável de prepará-los e organizá-los para a revolução.



Tradução: Partido Comunista Brasileiro (PCB)

Aviões Drones já mataram milhares, mas Obama não está nem aí


Relatórios da Agência de Jornalismo Investigativo Britânica (BIJ, na sigla em inglês) mostram que "no mínimo 2.629 pessoas foram mortas até agora por ataques de drones da CIA no Paquistão". Apesar disso, o presidente Barack Obama decidiu indicar John Brennan, um defensor dos drones e das técnicas de tortura, para o comando da agência de inteligência. A análise é de Amy Goodman, do Democracy Now

Amy Goodman - Democracy Now

John Brennan e John Kiriakou trabalharam juntos anos atrás, mas suas carreiras divergiram dramaticamente. Brennan está agora no caminho para assumir a direção da CIA, enquanto Kiriakou está no da prisão. O destino de cada um foi e está sendo ajustado pela assim chamada "guerra ao terror", que provocou condenações ao redor do globo durante a gestão do presidente George W. Bush.

É verdade que o presidente Barack Obama renomeou, em vão, esta guerra como "operações de contingência no além-mar", mas, ao invés de reduzir as práticas de ódio características de seu predecessor, Obama as aumentou.

A promoção de Brennan e a acusação de Kiriakou demonstram como os recentes excessos do governo americano não são aberrações transitórias, mas a criação de uma assustadora nova "normalidade", em que ataques de drones (aviões não-tripulados), vigilância ilegal, assassinato e detenção indefinida são conduzidos por arrogância e impunidade, protegidos pelo mistério e fora do alcance da lei.

John Kiriakou passou 14 anos como analista e oficial da CIA. Em 2002, levou seu grupo até Abu Zubaydah, acusado de ser membro de grande importância da Al Qaeda. Kiriakou foi o primeiro a confirmar publicamente o uso de simulação de afogamento pela CIA, numa entrevista com Brian Ross, da ABC, em 2007.

Ele contou: "Naquela época, eu sentia que a simulação de afogamento era algo que precisávamos fazer... Eu acho que mudei de ideia, e penso que essas simulações são coisas que não devíamos cogitar". Kiriakou ainda disse que tais "técnicas aprimoradas de interrogação" são imorais, e teria declinado o convite para ser treinado para usá-las.

Desde a entrevista, tornou-se público que Zubaydah foi "afogado" pelo menos 83 vezes, e como resultado não houve nenhuma informação útil. O suspeito permanece preso em Guantanamo, sem acusações.

Por sua vez, Kiriakou logo vai começar a cumprir seus 30 meses de prisão, mas não por trazer à tona tais simulações de afogamento. Ele foi condenado por expor o nome de um interrogador oficial da CIA para um jornalista, com informações que o próprio interrogador postou num website disponível publicamente.

Enquanto isso, John Brennan, conselheiro de contra-terrorismo há tempos de Obama, espera a confirmação do Senado para se tornar o novo diretor da CIA. Eu perguntei recentemente para Kiriakou o que pensava sobre Brennan. Respondeu ele:

"Eu conheço John Brennan desde 1990. Trabalhei duas vezes diretamente para ele, e acho que ele é uma terrível escolha para liderar a agência. Penso que está na hora de a CIA superar a feiúra do regime pós 11 de Setembro, e precisamos de alguém que vá respeitar a Constituição e que não se conforme ao legado da tortura. Acho que a indicação de Brennan pelo presidente Obama passa a mensagem errada para todos os americanos".

Obama já tinha considerado Brennan para o cargo em 2008. Brennan, então, retirou sua nomeação, sob uma chuva de críticas pelo suporte que deu à era Bush em políticas de tortura, quando esteve em várias posições de importância na inteligência, incluindo a chefia do Centro Nacional Contra-Terrorismo (NCC, na sigla em inglês).

Quanta diferença quatro anos fazem. Com a morte de Osama Bin Laden para mostrar ao público, Obama se vê imune às críticas feitas ao contra-terrorismo. John Brennan é posto como responsável pela notória "lista de mortes" que Obama acredita ter tido o direito de executar a qualquer momento, em qualquer lugar do planeta, como parte de suas "operações de contingência".

Isto inclui a morte de cidadãos americanos, sem nenhuma acusação, julgamento ou sequer processo. Ataques de drones é uma maneira como esses assassinatos são feitos. Anwar al-Awlaki, cidadão americano, foi morto no Iemêm por um ataque de avião não-tripulado, e então, duas semanas depois, seu filho de 16 anos, Abdulrahman al-Awlaki, foi morto da mesma maneira.

Eu perguntei ao coronel Lawrence Wilkerson, que serviu como chefe de departamento do secretário de Estado na gestão de Colin Powell, de 2002 a 2005, sobre o que ele achava de Brennan, e ele me disse:
"O que está acontecendo com estes ataques de drones pelo mundo afora está, hoje, na minha opinião, tão mal desenvolvida quanto muitas das coisas que nós condenamos, agora sabendo de suas consequências, no governo de George W. Bush. Estamos criando mais inimigos do que matando, estamos violando leis internacionais. Estamos até mesmo matando cidadãos americanos sem processos devidos e termos um procurador-geral que diz que o processo devido não inclui necessariamente um processo legal. Estas são palavras realmente assustadoras".

Enquanto Kiriakou vai parar para a prisão por revelar um nome, a Agência de Jornalismo Investigativo Britânica (BIJ, na sigla em inglês) está lançando um projeto chamado "Naming the Dead" ("Dando nome aos Mortos", em tradução livre), esperando assim "identificar quanto for possível aqueles que morreram nos ataques americanos de drones no Paquistão, entre civis ou militares".

Os relatórios da BIJ mostram que "no mínimo 2.629 pessoas foram mortas até agora por ataques de drones da CIA no Paquistão". John Brennan deveria responder sobre cada um deles.

Tradução: Caio Sarack/ pagina da Patria latina, Brasilia.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Entrega unilaterla por partre das FARC do soldado Josué Álvarez Meneses.

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O soldado Josué Álvarez, prisioneiro de guerra em poder das FARC desde o mês de janeiro, capturado em combate, foi entrgue foi a Piedad Córdoba, ativista política, Defensora dos Direitos Humanos e dirigente tanto do Movimento Colombianas e Colombianos pela Paz quanto da Marcha Patriótica e aos representantes do Comitê da Cruz Vermelha Internacional. O soldado revelou que foi bem tratado por parte dos guerrilheiros.

Convite a Narciso Isa Conde.

(foto: Comandante Iván, Narciso e o Comandante Santrich)


Havana, Cuba, 10 de fevereiro de 2013

Companheiro
NARCISO ISA CONDE
Santo Domingo

Em nome da Delegação de Paz das FARC-EP que dialoga com o governo da Colômbia, na cidade de Havana, nossa saudação com afeto, pleno de sntimentos e sonhos irmanados em Bolívar e Caamaño.

Prezado companheiro, o estamos convidando a uma reunião aqui em Havana, relacionada com o tema da solucção política do conflito social e armado que padece Colômbia.

Esperamos sua resposta positiva.

Cordialmente,

IVÁN MÁRQUEZ

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Resposta de Narciso Isa Conde ao convite feito pelo Comandante Iván Márquez
Com beneplácito recebo o convite que me fizera o Comandante Iván Márquez, chefe da Delegação de Paz das FARC em Havana, Cuba, para conversar sobre a saída política ao conflito social armado que se pôs em cena na Colômbia nos últimos 50 anos.
Em nossa opinião, nesses diálogos, as FARC não só têm exibido uma firmeza exemplar como também uma contundente capacidade propositiva e uma precisa e inequívoca vocação de paz, centradas no propósito de arrancar de raiz a causa do conflito armado e abrir as comportas de um novo modelo econômico, social, político e cultural nesse país irmão. Algo que, lamentavelmente – apesar das positivas aproximações temáticas entre as partes – não tem podido exibir o governo colombiano, inutilmente empenhado em obrigar as forças insurgentes a uma simples e inaceitável rendição; condicionado por seus interesses de classe e pelo poder que permanentemente desdobra nesse país a extrema direita guerreirista, neoliberal e latifundiária, com respaldo dos super falcões estadunidenses.
Aos que exigem entrega unilateral das armas em poder das forças revolucionárias, há que dizer-lhes que elas não foram a causa da guerra, mas sim a resposta obrigada à violência social, econômica, cultural, política, militar e paramilitar imposta desde o Estado. E são, ademais, a garantia desses diálogos de paz e, obrigatoriamente, das mudanças sociais e políticas demandadas cada vez com mais força pela sociedade colombiana, sem as quais não haverá paz.
Vou a Havana com o respaldo do Movimento Caamañista-MC e da Esquerda Revolucionária-IR, portando, mensagens de estímulo para os/as camaradas das FARC; a todas as luzes empenhados/as a fundo nessas conversações – e mais além delas – na construção de uma paz digna, impregnada de participação popular, soberania nacional e justiça social.
Saio amanhã, quinta-feira 14, dia do amor e da fraternidade, para ser partícipe desse nobre esforço pró-paz das FARC-EP, num momento crucial dessas conversações; não é nova nossa militante solidariedade com o anseio de bem-estar e felicidade coletiva do povo colombiano, porém agora necessariamente se renova, atualiza e fortalece.
Têm variado – e esperamos que variem mais ainda para o bem – as circunstâncias políticas nesse país irmão, pelo que vamos com a esperança de que haverá lugar para um frutífero intercâmbio de alcance continental e mundial, o qual procurarei informar em detalhes ao país dominicano na próxima semana, depois de meu retorno da heroica Cuba, no próximo domingo 17 de fevereiro.



        NARCISO ISA CONDE




sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Movimento de Mulheres Camponesas realiza encontro nacional

Com o objetivo de debater a situação da mulher camponesa diante da opressão e da discriminação e contra todas as formas de violência, o Movimento de Mulheres Camponesas do Brasil (MMC) irá realizar no Parque da Cidade em Brasília dos dias 18 a 21 de fevereiro o 1° Encontro Nacional do Movimento de Mulheres Camponesas do Brasil.
Para as 3000 camponesas esperadas para o evento estão previstas intervenções culturais, mostra de produção das mulheres camponesas e plenárias que debaterão a produção de alimentos saudáveis, o combate à violência contra as mulheres e o feminismo, além de uma mobilização contra a violência a ser realizada no encerramento do encontro, no dia 21 de fevereiro.
Segundo Letícia Pereira, militante e relações públicas do MMC, a mulher camponesa da atualidade ainda sofre com a supressão dos direitos trabalhistas, que preveem o trabalho com carteira assinada, remuneração de acordo com a atividade exercida, férias e licença maternidade. "Pretendemos com o encontro enfatizar o assunto dos direitos previdenciário e trabalhista e discutir políticas públicas que favoreçam a produção de alimentos saudáveis e a comercialização dos produtos feitos pelas camponesas, gerando renda e autonomia financeira para as mesmas”, afirma.
Já estão confirmadas as presenças de Organizações de Mulheres Internacionais dos países de Cuba (Federação de Mulheres Cubanas), Honduras (Conselho para o Desenvolvimento Integral das Mulheres Camponesas), Colômbia (Federação Nacional Sindical Unitária Agropecuária), Venezuela (Frente Nacional Campesina Ezequiel Zamoura), Chile (Associação Nacional de Mulheres Rurais e Indígenas), Paraguai (Coordenadora Nacional de Organizações de Mulheres Trabalhadoras Rurais e Indígenas), República Dominicana (Confederação Nacional de Mulheres do Campo), Itália (Universidade de Verona) e África (União Nacional de Camponeses de Moçambique e uma articuladora de organizações de camponeses da África do Sul - TCOE).
O Movimento das Mulheres Camponesas é o resultado da articulação de vários movimentos sociais femininos do campo. O movimento defende as trabalhadoras do campo no que diz respeito à igualdade de direitos, produção agroecológica de alimentos, valorização e valoração do trabalho, garantia de geração de renda e autonomia para as famílias do campo, dentre outros. Ele pode ser melhor conhecido, bem como a programação do Encontro Nacional em http://www.mmcbrasil.com.br/




Liberados os dois policiais detidos pelas FARC-EP

 
Os policiais colombianos Víctor Alfonso Gnozález de 20 años y Cristian Camilo de 21, foram liberados hoje, sexta feira 15 de fevereiro pelas FRAC-EP, prisioneiros de guerra desde o mês de janeoiro passado. Participaram da entrega o Movimento Colombianas e Colombianos pela Paz, O Comitê da Cruz Vermhelha Internacional.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Carta ao Cardeal Rubén Salazar, Presidente da COnferência dos Bispos da Colômbia

Monsenhor
RUBÉN SALAZAR

Conferência Episcopal
Bogotá

Apreciado Cardenal

Inteirados da marcha nacional de oração que projeta a igreja em respaldo ao processo de paz, queremos expressar-lhe, em nome da Delegação de Paz que dialoga com o governo em Havana, nossa aprovação frente a esta iniciativa da hierarquia católica.
Desde logo, apreciamos a persistente pregação dos bispos desde os púlpitos em prol do fim do conflito armado e seu esclarecimento ao presidente da República sobre a necessidade de humanizar a guerra ante a negativa incompreensível a um acordo em torno de um cessar bilateral de fogos.
De acordo, não é uma atitude humana nem cristã interpor obstáculos como o fazem certos opositores cheios de ódio e sem razão, a um processo que nos tem preenchido de esperanças. Como bem o aclara você, “uma guerra não se termina com o extermínio do inimigo, se termina com um tratado. Pretender o contrário é um sem sentido, em particular porque todos a temos sofrido e temos feridas abertas”.
Queremos reiterar-lhe, monsenhor, que viemos a Havana em busca da paz para a Colômbia, sobre a base, como o expuseram ao presidente Santos os 86 bispos congregados, de reduzir as desigualdades sociais que perduram no país.
Muito comedidamente, lhes estendemos aos bispos, desde Havana, nosso convite a conversar sobre a guerra e a paz, e as ideias que possam levar-nos a uma solução menos cruenta a este longo conflito social e armado que os colombianos enfrentam. Pela paz, temos que fazer até o impossível.
Cordial saudação.

Iván Márquez
Chefe da Delegação de Paz das FARC-EP


terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Honra para sempre aos mártires do Alto Sinú




Fonte: farc-ep.co
– 08/02/2013


Na madrugada do dia 31 de janeiro, no cânion do rio Esmeralda, Alto Sinú, município de Tierralta, departameto de Córdoba, seis combatentes guerrilheiros foram massacrados enquanto dormiam, sem ter combate, pela ação da aviação governamental. Entre os seis guerrilheiros assassinados encontrava-se o corpo do inquebrantável comandante Urabá Jacobo Arango, chefe do 5º Frente, integrante da Direção do Bloco Iván Rios e do Estado Maior Central das FARC-EP.

O governo, seus comandantes militares e os manipuladores da opinião do conglomerado midiático, festejaram com regozijo e morbidez sobre o sangue das vitimas e acrescentaram ameaças de aniquilação da resistência armada, quando poucas horas antes uivavam condenando as baixas em combate ( combates terrestres e em igualdade de condições) de outros colombianos integrantes das forças armadas governamentais, depois de reiniciarem-se as hostilidades que as FARC-EP tinham suspendido por sessenta dias, como compromisso na busca de um ambiente propicio para a paz.  

Nossos mortos, os homenageados, os choramos, acompanhados da solidariedade dessa imensa massa de colombianos que nos acompanham neste empenho pela paz com justiça social. Conhecemos a infâmia e soberania que caracterizam a oligarquia colombiana e todo o seu aparato de terror, portanto, sabemos que onde abaixarmos a guarda não terão clemência, mas isso não nos assusta, claramente conhecemos a nossa responsabilidade moral com as esperanças libertadoras dos oprimidos. E, abraçados a este imperativo, caiu assassinado o comandante Jacobr Arango e seus cinco camaradas.

As comunidade empobrecidas e deslocadas de Urabá, no sul do departamento de Córdoba, do Bajo Cauca e Chocó expressam a sua dor diante da morte do indômito comandante de Urabá, ao que sempre viram protegendo-os do terror militar e paramilitar que se estabeleceu na região. A memória de Urabá o elevou ao seu maior reconhecimento pelo seu ardor ao enfrentar as hordas assassinas de Rito Alejo del Rio, Castaños e demais criminosos ao serviço dos latifundiários e multinacionais da banana, pois a sua vivencia foi generosa com as esperanças de todos os pobres que sofrem com o terror paraestatal e o despojo da terra na região.

As guerrilheiras e guerrilheiros do Bloco Iván Rios, mantemos elevado o nosso compromisso de luta e a moral mais alta ainda, como homenagem perene à memória do nosso comandante assassinado.

Honras para sempre ao comandante Jacobo Arango e aos mártires do Alto Sinú!
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Bloco Iván Ríos - FARC-EP
Febrero 2 de 2013

Do afã só fica o cansaço

Por Horacio Duque
O governo do senhor Santos e o estabelecimento dominante na Colômbia estão mostrando muito afã por terminar as conversações de paz que se adiantam em Havana com a insurgência campesina revolucionária.
Lhes agarrou o estresse e colocaram ultimato e datas peremptórias para consolidar acordos a como dê lugar. Em novembro, deve estar tudo pronto, têm dito os porta-vozes oficiais, à maneira de um gerente pós-moderno que tem tudo cronometrado e inclusive antecipado, porque os lucros são o objetivo, sem importar o bem-estar das pessoas.
Os afãs da reeleição, por outros quatro anos, do atual chefe da Casa de Nariño explicam a pressa.
Não há que recorrer às profundidades da sabedoria filosófica e suas reflexões sobre o tempo e os ritmos com os que transcorre para fazer observações sobre as complicações das velocidades e celeridades da “paz express” na qual está empenhado o atual governo, que é outra contingência política mais entre as muitas que caracterizam o Estado e o regime político que consagra o texto constitucional vigente desde 1991.
Suficiente com acorrer ao sentido comum que serve de guia à vida cotidiana de todos os mortais para entender o assunto.
Não por tanto madrugar amanhece mais cedo, diz um refrão. Outro assinala que as coisas feitas às carreiras ficam mal feitas.
Simples, assim. Melhor ir devagar e com boa letra.
Resolver o problema da violência colombiana que já completa, nesta fase, mais de meio século, não é tarefa que se possa fazer da noite pro dia. Construir a paz não é problema de um governo, mas sim assunto que o Estado tem que assumir e a sociedade política em geral de maneira metódica e ordenada para que se ofereçam as soluções sociais, econômicas, culturais e políticas adequadas à justiça social e a democracia pós-neoliberal.
Faz mal o governo e Santos em pôr a depender sua reeleição do processo de paz. Estabelecer desde já que o próximo presidente deve ser Santos é um ato antidemocrático porque, se algo caracteriza a democracia, é a incerteza e a falta de certeza nos resultados eleitorais. Estes sempre são uma incógnita, porque os cidadãos decidem de maneira soberana suas predileções políticas e presidenciais.
A paz express seria uma paz falsa, porque deixa tudo igual e a violência regressaria com outros sujeitos e maior potência até alcançar os objetivos essenciais de uma mudança real da sociedade em todos os seus âmbitos.
Se Santos não se reelege, é seu problema e resultado de sua incapacidade política, pois seu governo tem sido medíocre, toda vez que os resultados oficiais são absolutamente deploráveis. Basta com revistar a gestão para atender os desastres sociais ocasionados pelas passadas ondas invernais para confirmar empiricamente o que é a negligência e corrupção estatal. O do sul do Atlântico, o de Gramalote, o de Cali, o do Rio Cauca e o de Utica, é tudo um insulto à dignidade humana de milhões de seres humanos. Não dou outros dados e fatos que o país bem conhece.
Se Santos se reelege, ou se os que ganham a Presidência são os de “Peço a palavra”, é assunto que se deve deixar ao curso que cobrem os processos políticos; em todo caso, a paz é um tema de “longa duração” [Braudel] que o Estado deve assumir, porque é uma obrigação e um dever consagrado nas normas da Constituição e da Carta de Direitos Humanos que serve de referência à humanidade.
Termino dizendo que os processos de paz que se deram na Irlanda, África do Sul, tomaram mais de 120 meses [10 anos]. Em El Salvador foram mais de 60 meses e em Guatemala foram mais de 50 meses.
Colômbia, com um conflito de mais de 50 anos e com uma sociedade de quase 50 milhões de habitantes, não pode pretender resolver a guerra em coisa de 3 meses, como o pretendem os porta-vozes do estabelecimento oligárquico e o chefe da Casa de Nariño, empenhado em representações internacionais. Que deixem de tolices e que se tornem sérios, que isto não é um jogo de meninos nem de meninas.


Diálogos de Paz FARC-EP. O Papa Benedicto XVI apoiou sem reservas os Diálogos pela Paz

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Havana 12 de fevereiro de 2013
Comunicado

As FARC-EP não esquecem que o Vaticano apoiu sem reservas o Diálogo de Paz na Havana, Cuba. Graças ao Papa Benedicto XVI.

Nossos votos porque o novo Pontífice continue a justa senda de ajudar na busca de uma saída incruenta ao largo conflito colombiano. O direito à Paz sustentado na justiça social, democracia verdadeira e soberania, é um anseio de humanidade

Delegação de paz das FARC-EP
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