"A LUTA DE UM POVO, UM POVO EM LUTA!"

Agência de Notícias Nova Colômbia (em espanhol)

Este material pode ser reproduzido livremente, desde que citada a fonte.

A violência do Governo Colombiano não soluciona os problemas do Povo, especialmente os problemas dos camponeses.

Pelo contrário, os agrava.


sexta-feira, 8 de março de 2013

A morte de um revolucionário de Nuestra América

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7-3-2013

 
Por Renán Vega Cantor
Tradução: Joaquim Lisboa Neto
A morte não é verdade quando se cumpriu bem a obra da vida”
José Martí
A terça-feira 5 de março de 2013 ficará na história deste continente como o dia em que faleceu o comandante Hugo Chávez Frías, presidente constitucional da Venezuela, um revolucionário dignamente integral de Nuestra América, cuja imagem, ideal e projeto já formam parte da legendária constelação de lutadores anti-imperialistas e anticapitalistas deste lado do planeta.
Nesta hora de profunda dor para os lutadores do mundo, é necessário recordar o caráter revolucionário da vida e obra deste líder da Venezuela, com independência das incertezas políticas que o futuro imediato lhe depare a este país e a toda América Latina, pelo precoce desaparecimento físico deste notável personagem.
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Sem pretender ser exaustivo em momentos em que a tristeza nubla o pensamento, basta mencionar algumas de suas contribuições revolucionárias. Para começar, a figura e o projeto de Hugo Chávez emergiram quando o neoliberalismo – isto é, o capitalismo realmente existente – se vangloriava vaidoso por Nuestra América e pelo mundo, sem desafios nem obstáculos à vista, enceguecido pelas falácias do “fim da história” e do “choque de civilizações”, propagados pelo imperialismo estadunidense e seus súditos locais. Este neoliberalismo vinha acompanhado da retórica da globalização, como uma suposta realidade irreversível ante a qual nada se podia fazer e à qual deviam se submeter os países, o que significava na prática aceitar o domínio das Empresas Transnacionais e suportar como algo normal o saqueio dos recursos naturais.
Eram os momentos de embriaguez, euforia e esplendor da “nova ordem mundial”, que havia sido proclamada por George Bush pai, logo após a Primeira Guerra do Golfo [1990-1991] e a dissolução da União Soviética [1991] e que havia conduzido nos Estados Unidos ao apogeu da “nova economia” durante o governo de Bill Clinton [1993-2001], e a supor que essa efêmera prosperidade especulativa, baseada na bolha punto.com, ia ser eterna.
Pois bem, para o imperialismo, essa embriaguez se converteu numa amarga ressaca quando na Venezuela se começaram a produzir notáveis mudanças a partir de 1998, ano em que Hugo Chávez ganhou as eleições e convocou uma Assembleia Constituinte que pôs fim ao domínio partidarista do punto fijismo e questionou o modelo neoliberal que havia afundado na miséria a maior parte dos venezuelanos. A primeira contribuição revolucionária de Hugo Chávez se apóia, então, em ter nadado contra a corrente, em instantes em que ninguém se atrevia a fazê-lo, e todos aceitavam como evidente o fundamentalismo de mercado, a globalização e o Consenso de Washington. Questionar o neoliberalismo e embarcar num projeto diferente, visto em perspectiva histórica, se converteu num feito revolucionário porque rompeu águas em meio à aceitação submissa da ordem existente. Isso supôs, na prática, que desde Venezuela se impulsionaram propostas encaminhadas, por exemplo, a reorganizar a Organização de Países Exportadores de Petróleo [OPEP], o que envolveu a recuperação do preço do cru para os países petroleiros, algo que até esse momento se considerava como herético, porque supostamente os preços das matérias-primas não poderiam subir, porque assim o determinava o “mercado”.
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Em segundo lugar, e acompanhando ao anterior, o discurso e a prática de Hugo Chávez assumiram uma postura anti-imperialista, porque rapidamente se evidenciou que os Estados Unidos – em concordância com sua vocação histórica de considerar nosso continente como seu “pátio traseiro” – não tolera nenhuma política nacionalista, soberana e independente e está disposto a fazer tudo o que seja para liquidar os líderes e governos que se atrevam a questionar sua hegemonia. E, efetivamente, na medida em que o projeto bolivariano na Venezuela projetava uma recuperação da soberania nacional e energética e propunha políticas redistributivas de tipo interno, imediatamente os interesses coligados das classes dominantes locais e dos Estados Unidos começaram a operar para impedir a consolidação desse projeto, como se evidenciou durante estes 15 anos, porém cujos fatos mais evidentes foram o fracassado golpe de Estado de 2002 e a paralisação petroleira de PDVSA, entre fins do mesmo ano e inícios de 2003.
O anti-imperialismo de Chávez se manifestou nos mais diversos cenários onde, diferentemente de todos os sipaios pró-estadunidenses [como os da União Europeia ou da América Latina], falou claro e chamou ao pão, pão, e ao vinho, vinho. Foi dos poucos que, no mundo, se atreveu a criticar os crimes imperialistas em Iraque e Afeganistão, assim como as ações genocidas de Israel contra os palestinos ou contra o Líbano, um feito notável em meio à aceitação desses crimes por parte da maior parte dos governos latino-americanos. Porém, o mais significativo, quanto a conquistas desta luta anti-imperialista, se manifestou no enterro do projeto imperial da ALCA, que feneceu em 2004 nas terras de Argentina, e que não pôde ser imposto ao continente na forma original, como havia sido concebido pelos Estados Unidos, que buscava ter um mercado aberto à sua disposição para seus investimentos, que cobriria desde o norte do México até a Patagônia. O fracasso da ALCA está diretamente relacionado com a decisiva atuação de Hugo Chávez, quem se encarregou não só de denunciá-la, como também em propor outras formas de integração para o continente.
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Justamente, este é um terceiro aporte revolucionário de Hugo Chávez, porque recuperou o legado integracionista de Simón Bolívar, José Martí, José Artigas, César Augusto Sandino e outros lutadores de Nuestra América. Esses projetos de integração, que antes eram simples ideias, começaram a converter-se em realidade [como a ALBA e o MERCOSUL] graças à decisiva participação do governo bolivariano da Venezuela e a seu propósito de buscar outros caminhos diferentes à falsa integração neoliberal hegemonizada pelos Estados Unidos. Evidentemente, isto se baseou na atualização do ideal bolivariano de uma pátria grande, na qual os povos se ajudem mutuamente, algo que Chávez fez efetivo com o estabelecimento de mecanismos comerciais solidários, como os que efetuou com Cuba e com outros países do Caribe. Se poderá dizer que essa integração está engatinhando e que não avançou tanto como devia, porém esse fato certo não pode ignorar que no continente latino-americano se voltou a falar de um tema tabu para as classes dominantes de cada país, que é o da integração mais além dos Estados Unidos e sem os Estados Unidos.
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Em quarto lugar, Chávez voltou a pôr sobre o tapete de discussão e reflexão o horizonte do socialismo, porque se atreveu a propor, contra as correntes dominantes, inclusive no seio de uma esquerda temente e submissa ao capitalismo, que era necessário construir outro tipo de sociedade, diferente da de hoje imperante em nível mundial. A esse projeto ele denominou de o “socialismo do século XXI”, com o qual resgatou uma palavra que havia sido esquecida no mundo após o colapso da URSS nos inícios da década dos 1990 e quando se pensava que esse assunto havia desaparecido de qualquer agenda política, ante o que se considerava como um irreversível triunfo do capitalismo.
Ainda que se alegue que nem na Venezuela nem em outros países da região se tenha avançado na construção de tal socialismo, não se pode desconhecer a importância de voltar a perguntar-se, como o fez o falecido presidente venezuelano, se o capitalismo é eterno e imodificável e se as lutas que contra ele se empreendam não podem projetar outro tipo de sociedade. Isto faz parte do abc de qualquer programa revolucionário anticapitalista desde o século XIX, que se acreditava sepultado, porém que na Venezuela foi recuperado e novamente aparece no imaginário de importantes lutadores e pensadores anticapitalistas da América e do mundo. Na raiz desta recuperação conceitual de tipo político, setores da esquerda voltaram a falar em voz alta e sem temores da necessidade de construir outra ordem, que vá mais além do capitalismo, que aprenda das experiências negativas do século XX, sem renegar o caráter igualitário e democrático de um projeto anticapitalista.
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Em quinto lugar, socialismo quer dizer, em sentido profundo, lutar pela igualdade – que não é sinônimo de homogeneização e erradicação das diferenças –, uma palavra que quase havia desaparecido da conceitualização política e inclusive do léxico corrente, e que foi substituída por um vocábulo que tem sido intoxicado pelo neoliberalismo – via Banco Mundial –, que é o de equidade. Este termo, nesta lógica mercantil, não tem nada a ver com a igualdade, senão que é o reconhecimento das desigualdades como algo natural, em nome do qual se afirma que se devem proporcionar iguais oportunidades na competição – entre um gerente de uma multinacional e um trabalhador assalariado, para assinalar um caso, para que ambos concorram nas mesmas condições para ocupar um lugar na classe executiva de um avião transcontinental. Como encarnação de um projeto socialista, Chávez enfrentou a desigualdade na Venezuela, com resultados positivos quanto à diminuição da pobreza nesse país, por ter permitido o acesso à educação, à saúde, ao lazer e à cultura importantes setores da população, antes excluídos de todos esses direitos.
Com suas políticas redistributivas, Chávez voltou a evidenciar a importância do Estado como um ator fundamental da sociedade, o que levou a impulsionar o gasto público na direção das maiorias sociais, em momentos em que os países europeus, onde tanto se presumia de haver construído sociedades de bem-estar mais ou menos igualitárias, assumem a fundo o projeto neoliberal e aumentam as desigualdades, ao tempo em que privatizam a saúde e a educação.
A luta pela igualdade levou a que na Venezuela importantes setores da população, até há pouco tempo subjugados por sua condição de classe e de “raça”, tenham adquirido consciência de seus direitos, de sua força coletiva e de seu poder de decisão, já que foram os suportes essenciais dos 14 triunfos eleitorais de Hugo Chávez, e os que impediram que se consolidasse o golpe de Estado de abril de 2002. Daí o grande carisma e ascendência de Chávez entre esses setores invisíveis e esquecidos pelo capitalismo periférico venezuelano, que nos últimos anos – desde o caracazo de 1989 – emergiram como o sujeito social mais importante da história contemporânea desse país. E daí também o ódio visceral que contra eles manifestam as classes dominantes e as classes médias da Venezuela e do resto do mundo, porque finalmente o que não se aceita e se despreza é que os pobres, os cafuzos, os afros, os indígenas, as mulheres pobres tenham direitos e se proclamem como iguais aos “brancos” pró-imperialistas.
Este mesmo fato explica essa grande onda internacional de racismo desfechada contra o comandante Hugo Chávez na autodenominada “imprensa livre” do mundo, na qual se incluem a rádio, a televisão e os meios impressos, que nos últimos 15 anos bateram todos os recordes de sevícia desinformativa, de mentiras e intrigas, quando de falar de Venezuela e de seu presidente se trata. Esta campanha forma parte já da história universal da infâmia, na qual sicários e criminosos, com microfone e com processador de palavras, recorreram a todas as mentiras para enlamear a vida de Chávez e para qualificá-lo como “ditador”, “tirano” e outros epítetos, entre os quais aparecem denominações racistas, que não vamos recordar aqui, por sua baixeza moral.
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Hugo Chávez foi um personagem notável na política venezuelana e latino-americana por seu carisma, sua influência popular, sua capacidade discursiva, sua vivacidade, sua originalidade, sua inventiva, seus dotes histriônicos, porém, sobretudo por atuar como um educador e pedagogo prático. Este é outro de seus aportes revolucionários, que já se evidenciou desde quando participou num mal-sucedido golpe de Estado contra o regime neoliberal de Carlos Andrés Pérez em 1992, porque as palavras pronunciadas no momento de render-se tiveram grande impacto na população, e fizeram-no conhecido ante a Venezuela e o mundo. Desse momento adiante, as milhares de reuniões, assembleias, conversas e conferências nas quais participou se converteram em eventos de tipo educativo, que conferiram um caráter revolucionário a sua ação e a sua palavra, isto é, foram dardos contundentes contra as evidências estabelecidas como verdades inquestionáveis sobre o capitalismo, o neoliberalismo e a globalização.
Para entender este assunto, é bom recordar que os políticos contemporâneos se desempenham como se fossem bonecos amestrados, como os apresentadores de televisão, que se limitam a repetir sempre o mesmo discurso, frio, aborrecido, sem alma e sem vida, sem abandonar o roteiro preestabelecido e entoando sempre seu insuportável vocabulário neoliberal. Chávez rompeu com tudo isso ao empregar uma linguagem simples, descomplicada, direta, sem usar eufemismos e atrevendo-se a chamar os criminosos por seu nome [como fez com George Bush na ONU ou com um ex-presidente colombiano ao qual qualificou, como o que é, de mafioso], porque se baseava na máxima atribuída a José Gervasio Artigas, e que lhe agradava citar, “com a verdade nem ofendo nem temo”.
Porém, há outra contribuição revolucionária de Hugo Chávez em suas alocuções e conferências: a reivindicação da leitura. Isto é importante recordar num momento em que ninguém lê nada, começando pelos presidentes e funcionários governamentais – ou acaso alguém com dois dedos além do nariz crê seriamente que alguma vez leram um livro personagens tão “cultos” como Carlos Menem, Álvaro Uribe Vélez, Juan Manuel Santos, José María Aznar, Juan Carlos de Bourbón, George Bush ou Mariano Rajoy?–. Nas conversações e encontros que Chávez realizava, costumava citar e fazer alusões a autores diversos da tradição socialista e revolucionária de Nuestra América e do mundo, e vale recordar suas menções a Eduardo Galeano, István Mészaros, León Trotsky, Noam Chomsky, entre alguns. E, ao mesmo tempo que em suas conversas mencionava livros e autores, também anunciava a necessidade de difundi-los, coisa que efetivamente se fez, porque na Venezuela se tem editado milhões de exemplares a baixos preços de clássicos do pensamento revolucionário universal.
  
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Sem esgotar o assunto nesta nota, tais são alguns dos principais aportes revolucionários de Hugo Chávez, cuja figura e realizações já formam parte da história do continente e, sobretudo, da história dos esquecidos e dos vencidos. Chávez, como o proclamava sabiamente José Martí, foi um homem de seu tempo e de todos os tempos, porque soube encarnar no momento adequado um projeto antineoliberal e anti-imperialista para enfrentar o que se concebia como inatacável em seu país e no continente. Ele soube entender as necessidades mais sentidas do povo venezuelano, empobrecido e humilhado pelo capitalismo neoliberal e, nesse esforço por afrontar a miséria que esse sistema gera, fez contribuições reais ao ideário anticapitalista do mundo. Como alguma vez disse Jorge Plekhanov, ao analisar o papel do indivíduo na história: “Um grande homem, o é não porque suas particularidades individuais imprimam uma fisionomia individual aos grandes acontecimentos históricos, mas sim porque está dotado de particularidades que lhe convertem no indivíduo mais capaz de servir às grandes necessidades sociais de sua época”. E isso se aplica cabalmente ao caso de Chávez, que serviu às necessidades sociais não só do povo venezuelano como também dos povos de todo o continente.
Certamente, Chávez foi, como todos nós, um ser humano de carne e osso, com suas próprias contradições e limitações, tanto em suas formulações como em suas realizações práticas. É elementar que os revolucionários são seres humanos e não deuses, em razão do que acertam e se equivocam, porém justamente são revolucionários, porque maiores são seus acertos que seus erros, porque estão convencidos da importância de lutar contra a ordem estabelecida, em troca do qual dão tudo, até a própria vida, e porque com sua luta deixam um esplendor de exemplo e dignidade, que os engrandece ante seus contemporâneos e serve de legado a outras gerações. Chávez foi um formidável revolucionário – um vocábulo que não tem nada a ver com as capelas de iluminados de todas as seitas de esquerda –, que brindou mais aportes reais à luta por outra sociedade que centenas de doutrinados puristas, que, tanto hoje como ontem, o qualificaram como “populista”, “caudilho” ou coisas pelo estilo.
E seu caráter de revolucionário fica evidenciado nestes momentos se nos fixamos em quem são os que choram por ele e os que se alegram por sua morte. Choram-no os pobres de seu país e muitos pobres de outros lugares do mundo. Choram os que entendem o que significa a perda de um valioso líder da esquerda internacional. Choram-no os que na Venezuela e em outros países sentiram o que significa a solidariedade, em instantes em que se impôs como se fosse parte da natureza humana o egoísmo e o individualismo neoliberal. Estes são os que nos importam, enquanto as bestas carniceiras da morte [encabeçadas pelo Partido Republicano dos Estados Unidos] se lambem de felicidade pela morte de um perigoso inimigo, como o expressam sem estardalhaço, através de seus pornográficos meios de incomunicação, chamem-se El País, Clarín, El Tiempo, CNN, Caracol, RCN ou como seja.
Chávez já é um patrimônio dos revolucionários do mundo e seu nome permanecerá na memória não somente do povo venezuelano, mas também dos povos de Nuestra América e isto deve orgulhar aos revolucionários, por dolorosa e dura que seja sua partida, e pelas difíceis e incertas que sejam as lutas que se avizinham. Enquanto isso, todos os seus detratores e seus inimigos do capitalismo e do imperialismo, entre esses muitos pigmeus morais e insignificantes indivíduos que se desempenham como presidentes de muitos países – representantes incondicionais dos exploradores e das classes dominantes – não ficarão sequer no cesto de lixo da história e mais rápido do que previsto serão esquecidos.
Porque, como disse com intensidade César Vallejo em seu vibrante poema Masa, que parafraseamos: “Não morras comandante, te queremos tanto”, e cujo belo texto é uma alegoria da maneira como a memória do revolucionário Hugo Chávez permanecerá em Nuestra América:
Ao fim da batalha,
e morto o combatente, veio para ele um homem
e lhe disse: “Não morras, te amo tanto!”
Porém o cadáver, ai!, seguiu morrendo.
Dois dele se aproximaram e repetiram:
Não nos deixes! Coragem! Volte à vida!”
Porém o cadáver, ai!, seguiu morrendo.
Acorreram a ele vinte, cem, mil, quinhentos mil,
clamando: “Tanto amor, e não poder nada contra a morte!”
Porém o cadáver, ai!, seguiu morrendo.
Cercaram-no milhões de indivíduos,
com uma súplica comum: “Fica, irmão!”
Porém o cadáver, ai!, seguiu morrendo.
Então, todos os homens da Terra
cercaram-no; viu-lhes, o cadáver, triste, emocionado;
incorpora-se lentamente
abraçou o primeiro homem; lançou-se a andar...


(*) Renán Vega Cantor é historiador. Professor titular da Universidad Pedagógica Nacional, de Bogotá, Colômbia.  Autor e compilador dos livros Marx y el siglo XXI (2 volúmenes), Editorial Pensamiento Crítico, Bogotá, 1998-1999; Gente muy Rebelde, (4 volúmenes), Editorial Pensamiento Crítico, Bogotá, 2002; Neoliberalismo: mito y realidad; El Caos Planetario, Ediciones Herramienta, 1999; entre outros. Prêmio Libertador, Venezuela, 2008.  






Delegação das FARC-EP. Glória eterna à memoria do Comandane Hugo Chávez Frías.



Havana, República de Cuba. 06 de março de 2013


 
Como ontem ao Padre Libertador, hoje lhe tem sido a vez do Comandante Presidente Hugo Chávez de empreender o caminho da eternidade, com suas últimas auroras junto ao mar Caribe azul e prata, agitada sua alma pelas grandes tempestades do compromisso que desde cedo assumiu por libertar a América Nossa de todas suas correntes que ainda a aprisionam. Com seu propósito de sempre, o propósito bolivariano da unidade de nossos povos em condições de justiça e dignidade, o Comandante Chávez tem tomado o sendeiro da imortalidade.



Com esperança e fé absoluta no sucesso de tão magno propósito, o Padre da Revolução Bolivariana, entregado plenamente ao seu povo e à sua causa, mas lá da profunda congoxa que impõe sua ausência física, nos deixa seu exemplo de amor, de vida decorosa e abnegada; nos deixa um caminho aberto rumo aos desafios da dignificação humana, que deveremos seguir construindo com os insumos de seu pensamento e todas as esperanças renovadas na possibilidade real de uma revolução que nos permita a justiça social e a liberdade.


As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, Exército do Povo, tendo-lo presente, vivo em nossos corações lhe dizemos:

Chávez nosso que estás no povo, bendito seja teu nome entre o sonhos perenes da emancipação humana.

Hugo santo dos morros pobres, sagrado polem da justiça plena; nas mãos infinitas do tempo tem-se vertido tua presencia imensa de amor imarcesível.


Obrigado por ter sido, obrigado por ter existido, obrigado por estar ai junto ao Padre Libertador velando para sempre, agora com tua imensa presencia de alvorada mestiça, a comunião de um povo novamente esperançado na possibilidade certa de um mundo sem correntes.



Océano de bondade para pobres, nas vozes dos humildes teu nome imortal se multiplica, eternizando tua marcha triunfal pelos cantos todos da nossa terra dignificada.


Comandante Chávez: o vermelho clamor da multitude que te chora e ama, te alça sublime em suas asas de relámpago até a inesgotável luz das galaxias e, com o ouro terno do milho maduro, se enche de tua glória a pátria dos subjugados.



Prócer primeiro da definitiva independência, tua missão de tempestade agitando o firmamento, tem colmado de renovada esperança e para sempre a historia da luta da América Nossa. E o palpitar de tua constância, alenta e dá brio ao nosso compromisso de entrega absoluta à causa comum da Pátria Grande no Socialismo.

¡Viveremos e venceremos!

Hasta siempre, Comandante Chávez.

Delegação de Paz das FARC-EP

quinta-feira, 7 de março de 2013

50 verdades sobre Hugo Chávez e a Revolução Bolivariana

Razões pelas quais o chefe de Estado venezuelano marcou para sempre a história da América Latina


O presidente Hugo Chávez, que faleceu no dia 5 de março de 2013, vítima de câncer, aos 58 anos, marcou para sempre a história da Venezuela e da América Latina.

1. Jamais, na história da América Latina, um líder político alcançou uma legitimidade democrática tão incontestável. Desde sua chegada ao poder em 1999, houve 16 eleições na Venezuela. Hugo Chávez ganhou 15, entre as quais a última, no dia 7 de outubro de 2012. Sempre derrotou seus rivais com uma diferença de 10 a 20 pontos percentuais.

2. Todas as instâncias internacionais, desde a União Europeia até a Organização dos Estados Americanos, passando pela União de Nações Sul-Americanas e pelo Centro Carter, mostraram-se unânimes ao reconhecer a transparência das eleições.

3. Jimmy Carter, ex-presidente dos Estados Unidos, inclusive declarou que o sistema eleitoral da Venezuela era “o melhor do mundo”.

4. A universalização do acesso à educação, implementada em 1998, teve resultados excepcionais. Cerca de 1,5 milhão de venezuelanos aprenderam a ler e a escrever graças à campanha de alfabetização denominada Missão Robinson I.

5. Em dezembro de 2005, a Unesco decretou que o analfabetismo na Venezuela havia sido erradicado.

6. O número de crianças na escola passou de 6 milhões em 1998 para 13 milhões em 2011, e a taxa de escolarização agora é de 93,2%.

7. A Missão Robinson II foi lançada para levar a população a alcançar o nível secundário. Assim, a taxa de escolarização no ensino secundário passou de 53,6% em 2000 para 73,3% em 2011.

8. As Missões Ribas e Sucre permitiram que dezenas de milhares de jovens adultos chegassem ao Ensino Superior. Assim, o número de estudantes passou de 895.000 em 2000 para 2,3 milhões em 2011, com a criação de novas universidades.

9. Em relação à saúde, foi criado o Sistema Nacional Público para garantir o acesso gratuito à atenção médica para todos os venezuelanos. Entre 2005 e 2012, foram criados 7.873 centros médicos na Venezuela.

10. O número de médicos passou de 20 por 100 mil habitantes, em 1999, para 80 em 2010, ou seja, um aumento de 400%.

11. A Missão Bairro Adentro I permitiu a realização de 534 milhões de consultas médicas. Cerca de 17 milhões de pessoas puderam ser atendidas, enquanto que, em 1998, menos de 3 milhões de pessoas tinham acesso regular à saúde. Foram salvas 1,7 milhão de vidas entre 2003 e 2011.

12. A taxa de mortalidade infantil passou de 19,1 a cada mil, em 1999, para 10 a cada mil em 2012, ou seja, uma redução de 49%.

13. A expectativa de vida passou de 72,2 anos em 1999 para 74,3 anos em 2011.


14. Graças à Operação Milagre, lançada em 2004, 1,5 milhão de venezuelanos vítimas de catarata ou outras enfermidades oculares recuperaram a visão.

15.  De 1999 a 2011, a taxa de pobreza passou de 42,8% para 26,5%, e a taxa de extrema pobreza passou de 16,6% em 1999 para 7% em 2011.

16. Na classificação do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), a Venezuela passou do posto 83 no ano 2000 (0,656) ao 73° lugar em 2011 (0,735), e entrou na categoria das nações com o IDH elevado.

17. O coeficiente Gini, que permite calcular a desigualdade em um país, passou de 0,46 em 1999 para 0,39 em 2011.

18. Segundo o PNUD, a Venezuela ostenta o coeficiente Gini mais baixo da América Latina, e é o país da região onde há menos desigualdade.

19. A taxa de desnutrição infantil reduziu 40% desde 1999.

20. Em 1999, 82% da população tinha acesso a água potável. Agora, são 95%.

21. Durante a presidência de Chávez, os gastos sociais aumentaram 60,6%.

22. Antes de 1999, apenas 387 mil idosos recebiam aposentadoria. Agora são 2,1 milhões.

23. Desde 1999, foram construídas 700 mil moradias na Venezuela.

24. Desde 1999, o governo entregou mais de um milhão de hectares de terras aos povos originários do país.

25. A reforma agrária permitiu que dezenas de milhares de agricultores fossem donos de suas terras. No total, foram distribuídos mais de 3 milhões de hectares.
26. Em 1999, a Venezuela produzia 51% dos alimentos que consumia. Em 2012, a produção é de 71%, enquanto que o consumo de alimentos aumentou 81% desde 1999. Se o consumo em 2012 fosse semelhante ao de 1999, a Venezuela produziria 140% dos alimentos consumidos em nível nacional.

27. Desde 1999, a taxa de calorias consumidas pelos venezuelanos aumentou 50%, graças à Missão Alimentação, que criou uma cadeia de distribuição de 22.000 mercados de alimentos (MERCAL, Casa da Alimentação, Rede PDVAL), onde os produtos são subsidiados, em média, 30%. O consumo de carne aumentou 75% desde 1999.
28. Cinco milhões de crianças agora recebem alimentação gratuita por meio do Programa de Alimentação Escolar. Em 1999, eram 250 mil.

29. A taxa de desnutrição passou de 21% em 1998 para menos de 3% em 2012.

30. Segundo a FAO, a Venezuela é o país da América Latina e do Caribe mais avançado na erradicação da fome.

31. A nacionalização da empresa de petróleo PDVSA, em 2003, permitiu que a Venezuela recuperasse sua soberania energética.

32. A nacionalização dos setores elétricos e de telecomunicação (CANTV e Eletricidade de Caracas) permitiu pôr fim a situações de monopólio e universalizar o acesso a esses serviços.

33. Desde 1999, foram criadas mais de 50.000 cooperativas em todos os setores da economia.

34. A taxa de desemprego passou de 15,2% em 1998 para 6,4% em 2012, com a criação de mais de 4 milhões de postos de trabalho.

35. O salário mínimo passou de 100 bolívares (16 dólares) em 1998 para 247,52 bolívares (330 dólares) em 2012, ou seja, um aumento de mais de 2.000%. Trata-se do salário mínimo mais elevado da América Latina.

36. Em 1999, 65% da população economicamente ativa recebia um salário mínimo. Em 2012, apenas 21,1% dos trabalhadores têm este nível salarial.

37. Os adultos com certa idade que nunca trabalharam dispõem de uma renda de proteção equivalente a 60% do salário mínimo.

38. As mulheres desprotegidas, assim como as pessoas incapazes, recebem uma ajuda equivalente a 70% do salário mínimo.

39. A jornada de trabalho foi reduzida a 6 horas diárias e a 36 horas semanais sem diminuição do salário.

40. A dívida pública passou de 45% do PIB em 1998 a 20% em 2011. A Venezuela se retirou do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial, pagando antecipadamente todas as suas dívidas.

41. Em 2012, a taxa de crescimento da Venezuela foi de 5,5%, uma das mais elevadas do mundo.

42. O PIB por habitante passou de 4.100 dólares em 1999 para 10.810 dólares em 2011.

43. Segundo o relatório anual World Happiness de 2012, a Venezuela é o segundo país mais feliz da América Latina, atrás da Costa Rica, e o 19° em nível mundial, à frente da Espanha e da Alemanha.

44. A Venezuela oferece um apoio direto ao continente americano mais alto que os Estados Unidos. Em 2007, Chávez ofereceu mais de 8,8 bilhões de dólares em doações, financiamentos e ajuda energética, contra apenas 3 bilhões da administração Bush.

45. Pela primeira vez em sua história, a Venezuela dispõe de seus próprios satélites (Bolívar e Miranda) e é agora soberana no campo da tecnologia espacial. Há internet e telecomunicações em todo o território.

46. A criação da Petrocaribe, em 2005, permitiu que 18 países da América Latina e do Caribe, ou seja, 90 milhões de pessoas, adquirissem petróleo subsidiado em cerca de 40% a 60%, assegurando seu abastecimento energético.

47. A Venezuela também oferece ajuda às comunidades desfavorecidas dos Estados Unidos, proporcionando-lhes combustíveis com tarifas subsidiadas.

48. A criação da Alba (Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América), em 2004, entre Cuba e Venezuela, assentou as bases de uma aliança integradora baseada na cooperação e na reciprocidade, agrupando oito países membros, e que coloca o ser humano no centro do projeto de sociedade, com o objetivo de lutar contra a pobreza e a exclusão social.

49. Hugo Chávez está na origem da criação, em 2011, da Celac (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos), agrupando, pela primeira vez, as 33 nações da região, que assim se emancipam da tutela dos Estados Unidos e do Canadá.

50. Hugo Chávez desempenhou um papel chave no processo de paz na Colômbia. Segundo o presidente Juan Manuel Santos, "se avançamos em um projeto sólido de paz, com progressos claros e concretos, progressos jamais alcançados antes com as FARC, é também graças à dedicação e ao compromisso de Chávez e do governo da Venezuela".

quarta-feira, 6 de março de 2013

A demonização do Presidente Hugo Chávez

Por Eduardo Galeano



Hugo Chávez é um demônio. Por quê? Porque alfabetizou 2 milhões de venezuelanos que não sabiam ler nem escrever, mesmo vivendo em um país detentor da riqueza natural mais importante do mundo, o petróleo.


Eu morei nesse país alguns anos e conheci muito bem o que ele era. O chamavam de “Venezuela Saudita” por causa do petróleo. Havia 2 milhões de crianças que não podiam ir à escola porque não tinham documentos… Então, chegou um governo, esse governo diabólico, demoníaco, que faz coisas elementares, como dizer: “As crianças devem ser aceitas nas escolas com ou sem documentos”.


Aí, caiu o mundo: isso é a prova de que Chávez é um malvado malvadíssimo. Já que ele detém essa riqueza, e com a subida do preço do petróleo graças à guerra do Iraque, ele quer usá-la para a solidariedade. Quer ajudar os países sul-americanos, e especialmente Cuba.


Cuba envia médicos, ele paga com petróleo. Mas esses médicos também foram fonte de escândalo. Dizem que os médicos venezuelanos estavam furiosos com a presença desses intrusos trabalhando nos bairros mais pobres. Na época que eu morava lá como correspondente da Prensa Latina, nunca vi um médico.


Agora sim há médicos. A presença dos médicos cubanos é outra evidência de que Chávez está na Terra só de visita, porque ele pertence ao inferno. Então, quando for ler uma notícia, você deve traduzir tudo.

O demonismo tem essa origem, para justificar a diabólica máquina da morte.
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Com apoio do PCB

Delegação de Paz FARC-EP se une à dor do mundo ante a triste notícia do falecimento do Comandante Presidente Hugo Chávez

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Havana, Cuba, 05 de março 5 de 2013 


Com profunda dor a Delegação de Paz das FARC-EP, se une à dor dos bolivarianos da Venezuela e do mundo ante a notícia triste do falecimento do Comandante Hugo Chávez.


Ninguém como o Comandante Presidente combateu tão apaixonadamente por materializar o programa social do Libertador Simón Bolívar, a unidade e a dignidade de nossos povos, a convicção de soberania e liberdade em sua mais ampla latitude.


Rendemos-lhe tributo ao extraordinário Libertador de nossa era, tomando em nossas mãos, em nossa determinação e mobilização, o ideário supremo e humanista de um mundo melhor que arrebatou sua alma e o conduziu às mais admiráveis e ensonhadoras batalhas contra os impérios que oprimem a humanidade, seguindo a trilha que sua visão estratégica nos indica.


Ao irmão povo de Venezuela, permanentemente vinculado ao nosso coração, o convocamos nesta hora lutuosa a rodear com o mais decisivo respaldo a equipe de governo, ao Vice-presidente Nicolás Maduro, que recebeu das mãos do próprio Chávez a fulgurante espada do Padre Libertador. A Venezuela tem sido, é e será bolivariana sempre.


Às Forças Armadas Bolivarianas, orgulho e esperança dos venezuelanos e dos povos do Continente, nosso chamado a defender a revolução iniciada pelo Presidente Chávez, com a mesma resolução do Libertador, que um dia nos disse que “aqui não haverá tiranos nem anarquia, enquanto eu respire com a espada na minha mão”. Irmãos do Exército Bolivariano e da Guarda Nacional, vocês têm estampado a assinatura de nossa Independência definitiva prosseguindo a obra de Bolívar e de Chávez.

Como disse Alí Pirmera, os que morrem pela vida, não podem se chamar mortos. Chávez seguirá vivo entre nós, à maneira de Bolívar, quem em seu delírio do Chimobrazo proclamara: “não há sepulcro para mim, porque sou mais poderoso que a morte”


Chávez vive no povo venezuelano e nos povos de Nossa América. A paz, a justiça social, a independência e o Socialismo são um direito da humanidade, que devemos defender, até as últimas consequências, para que nenhuma potência estrangeira nos tente sequer desonrar”

VIVEREMOS E VENCEREMOS.

Delegação de Paz das FARC-EP


terça-feira, 5 de março de 2013

Breve balanço sobre a visita dos parlamentares colombianos, integrantes do Senado e da Câmara dos Deputados.

Havana, República de Cuba. 05 de março de 2013.


Sede dos diálogos p
ela paz com justiça social para Colômbia.

COMUNICADO

A Delegação de Paz das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, Exército do Povo comunicam que:
  1. O dia 4 de março de 2013, recebemos no Palácio de Convenções, sede dos Diálogos de Paz para Colômbia, um grupo de parlamentares integrado pelos Senadores Roy Barreras (presidente da corporação), Gloria Inés Ramírez, Juan Mario Laserna, e os Deputados Federais Iván Cepeda , Alfonso Prada Guillermo Rivera.
  2. Em ambiente cordial e franco, a reunião abordou com toda atenção assuntos relacionados com a Paz de Colômbia, considerando o caráter de direito e dever de obrigatório cumprimento que ela constitui e coloca os colombianos na situação de sustentá-la empenhando máximos esforços.
  3. Se reiterou aos legisladores a disposição e determinação plenas da insurgência para persistir sobre qualquer adversidade na busca de uma solução incruenta à grave confrontação que padece Colômbia como consequência da injustiça social e da violência impostas pelo Estado através de décadas. O otimismo que as FARC-EP têm em que o atual processo de paz fructifique deriva não somente do empenho que a insurgência está colocando ao mesmo e dos grandes avanços que até agora têm-se logrado no desenvolvimento do primiero ponto da Agenda, mas, ante de tudo, no alento que dá o imenso clamor popular em favor da reconciliação nacional.
  4. As FARC-EP expressaram à delegação de congressistas sua opinião sobre a importância que reviste a vinculação de novos setores da vida nacional ao processo de paz e a trascendência que reviste esta visita, pois reflexa o apoio crescente que via logrando por sobre as campanhas adversas dos inimigos da solução dialogada do conflito
  5. Reiteramos que têm sido importantes aportes à Mesa de Diálogos, os insumos entregados como resultado das Mesas Regionais de Paz que as Delegações de Paz do Senado e Câmara desenvolveram com a população em todo o território nacional, assim como as propostas que as organizações sociais e políticas de nosso país elaboraram durante o Foro Política de Desenvolvimento Agrário Integral (enfoque territorial), no mês de dezembro de 2012 em Bogotá. Esses elementos têm sido analisados todos por nossa organização e tomados como componentes fundamentais das múltiples propostas apresentadas por nós na Mesa de Diálogos.
  6. A equipe dos legisladores compartilharam com a Delegação das FARC-EP sobre os preparativos que as Comissões de Paz do Senado e da Câmara vêm realizando para dar início a uma segunda jornada de mesas regionais de paz na que se abordará o tema das vítimas, assunto que reviste a maior importância para a insurgência e especto ao qual persistiremos em levantar nossas vozes na sua defesa. Todas as vítimas do conflito devem ser ressarcidas integralmente considerando a condição de imputável último que por ação ou por omissão tem o Estado como gerador da confrontação.
  7. O presidente de Congresso manifestou o compromisso de que o Parlamento não legislaria sobre assuntos que são matéria da Agenda de Diálogos até quando as partes chegarem a acordos concretos que deverão ser levados em conta por essa rama do poder público.
  8. As FARC-EP insistiram em que sendo a paz um anseio nacional de inapraçável cumprimento deve receber o máximo respaldo e ser protegido das pressões conjunturais de qualquer índole. A paz é superior às necessidades eleitorais e nada tem a ver com os tempos que dura uma legislatura; sua busca deve ser uma constante, sua construcção serena e sua refrendação mais idônea e legitimadora está no caminho de uma Assembléia Nacional Constituinte.
DELEGAÇÃO DE PAZ DAS FARC-EP


Colômbia: Governo e guerrilha consideram que diálogo avança

 

O Governo da Colômbia e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia-Exército do Povo (Farc-EP) decidiram destacar o avanço nas conversas de paz, o que tira dúvidas e preocupações sobre o andamento do processo.



Na sexta-feira (1º/3), ao fechar o quinto ciclo do diálogo iniciado em 19 de novembro do ano passado no Palácio de Convenções de Havana, os chefes das delegações, Humberto de la Calle pelo Governo e Ivan Marquez pela guerrilha, deram declarações otimistas em relação às conversas.

Segundo o comandante Márquez, "nunca antes um processo de paz tinha avançado tanto" na Colômbia, marcada por meio século de conflito armado e com várias tentativas frustradas de terminar as hostilidades.

Estamos construindo um acordo de enorme importância, afirmou à imprensa ao se referir ao caminho percorrido em mais de 100 dias de aproximação, processo que tem Cuba e Noruega como países garantidores  e a Venezuela e o Chile no papel de acompanhantes.

Por sua vez, o ex-vice-presidente De la Calle afirmou a jornalistas que "passaram de aproximações a acordos" no tema agrário, o primeiro dos seis pontos previstos para a mesa de conversações.

O chefe do grupo governamental estimou que se trabalha diariamente de maneira ordenada e séria para chegar ao fim do conflito.

As partes deixaram clara sua opinião sobre o andamento da mesa de diálogo no décimo-primeiro comunicado conjunto que emitem desde que foram iniciadas as conversações, ao mencionar avanços em questões como o acesso e uso da terra, a formalização da propriedade e a fronteira agrícola, entre outros.

Também destacaram a contribuição da sociedade colombiana ao processo, com suas propostas e critérios recolhidos através dos mecanismos criados pelo governo e pelas Farc-EP para a participação cidadã.

O fato de concordarem sobre o estágio das conversações tira qualquer dúvida e preocupação que possam surgir por divergências no discurso ou sobre questões como o cessar-fogo, a captura de militares, a ocupação de terras e o modelo de país que as partes defendem.

A tensão chegou a seu nível mais alto quando o presidente colombiano, Juan Manuel Santos, ameaçou interromper a mesa caso não houvesse progresso .

As Farc-EP responderam com chamados aos atores sociais a defender a busca da paz, objetivo com o qual tanto o Executivo como a guerrilha afirmaram várias vezes estar comprometidos.

Outros cenários polêmicos correspondem à insistência dos insurgentes em estabelecer um cessar- fogo bilateral, a regularização ou legalização do conflito e a incorporação ao diálogo do guerrilheiro Simon Trinidad, que cumpre nos Estados Unidos uma pena de 60 anos depois de sua extradição.

O governo descarta o cessar-fogo, por considerar que esse seria o passo final para concluir as hostilidades, nega-se a reconhecer as Farc-EP como força beligerante e não parece muito disposto a atender os pedidos relacionados a Trinidad.

As conversações de paz entram em recesso até 11 de março, período que as partes aproveitarão para trabalhar na agenda.

Além da questão da terra, o processo contempla a análise do problema do narcotráfico, a participação política, o fim em si do conflito, a atenção às vítimas e os mecanismos de verificação do que for pactuado na mesa de diálogo.

Na sexta-feira, De la Calle pediu mais resultados nas conversações sobre o assunto agrário, a fim de continuar com as discussões no restante dos pontos.

As Farc-EP pediram mais rapidez, ainda que nesta sexta-feira Marquez tenha opinado que se deve avançar no "ritmo necessário", sem pressões por fatores como a campanha presidencial na Colômbia.

Fonte: Prensa Latina e apoio de Vermelho

domingo, 3 de março de 2013

DECLARAÇÃO DA DELEGAÇÃO DE PAZ DAS FARC-EP


Terminamos este ciclo de conversações com avanços que falam bem de nossa vontade de paz, apesar das infundadas afirmações do Presidente Juan Manuel Santos num evento midiático, no passado 20 de fevereiro em San Vicente del Caguán. Avançamos, apesar da dor que nos impõe a todos os colombianos o tratamento repressivo e desproporcionado que o governo está dispensando através do ESMAD aos justos protestos dos cafezistas e cacauicultores, causando mortes, dezenas de feridos e capturados. Avançamos, apesar da surdez estatal frente às reclamações dos trabalhadores do Cerrejón e dos que se opõem à privatização da saúde e, em geral, às consequências antipopulares e antipatrióticas da política neoliberal. Para esse povo em pé de luta, nossa solidariedade; e ao governo, um Dialogue com o povo, escute-o, deixe a soberba! Com artifícios como o de San Vicente, não poderá Santos ocultar a progressiva entrega do território nacional, de nossas riquezas mineiro-energéticas, à voracidade das transnacionais. Não poderá tampar os novos planos de despojo e de estrangeirização da terra, nem o propósito vesgo de ofertar os 15 milhões de hectares de nossa altiplanura, entre os rios Guaviare e Meta, rica em petróleo, urânio, coltan e lítio; terras olhadas com olhos de agronegócios e lucros, e com os ombros encolhidos, frente ao terrível impacto sócio ambiental.

Detrás da fumaceira das declarações de San Vicente está o latifúndio que nenhum governo quis tocar. Regressou o fantasma de Chicoral a impedir que se toque o sacrossanto latifúndio e a perseguir novamente aos campesinos que desterrou para as fronteiras para que não seguissem ocupando, machete em mãos, as grandes propriedades. Desde a época da Violência nos anos ’50, não têm tido paz os campesinos, se lhes arrebatou as terra e lhes expulsou com violência de seu entorno natural. O vergonhoso Pacto de Chicoral foi firmado pelas elites dos partidos tradicionais, pelos terra-tenentes e pelo Estado, jamais por Manuel Marulanda Vélez. Porém, até essas fronteiras remotas para onde foram lançados, lhes enviaram os paramilitares massacrá-los e deslocá-los novamente. Não é justo, não é justo, que agora se pretenda expulsar o restante com violência e lei.
As terras do comandante Jorge Briceño não eram as mencionadas nas fraudulentas cifras do Presidente, senão 114 milhões de hectares que tem o país, os que queria produzindo, para dignificar a vida de todos os colombianos.
Pensávamos que Juan Manuel Santos ia se referir em San Vicente aos 17 mil hectares de palma africana que o chefe paramilitar “Don Berna” transferiu ao Estado para que fossem entregues aos campesinos, seus verdadeiros donos, terras que não chegaram ainda a seus destinatários; porém, nada disse o presidente.
Pensávamos que talvez se referiria aos 14 mil hectares que o mesmo paramilitar pusera em mãos do Estado nas Planícies Orientais, com 4 mil deles semeados de palma azeiteira, a fim de que fossem restituídas a seus proprietários originais e, apesar de que isto não se tenha cumprido, nada disse o presidente.
Pensávamos que entraria duro em seu discurso a seu amigo Victor Carranza, quem recentemente celebrara com pompa e circunstância seu primeiro milhão de hectares de terra. Porém, nada disse o presidente.
É muito o que há que dizer e denunciar em torno da atual política agrária do governo. A suposta titulação e entrega de terras em Urabá é uma farsa triste. Ali, o que há é um carrossel de terras, no qual, através de possuidores de má-fé, se entregam títulos com relume midiático, porém, ao final, essas propriedades voltam às mãos de bananeiros e produtores de palma despojadores. Aos “urabenhos” lhes destinaram a tarefa de revitimizar para facilitar o despojo com aparência legal.
A entrega de terras que projetam em Urabá e Chocó os paramilitares El Alemán e Hasbún é para jogar terra à mentira da entrega de terras que está fazendo o governo em Urabá.
Em Las Tangas destinaram 192 parcelas, porém as arrendaram a preços irrisórios a umas empresas pecuaristas, que, tudo indica, são do mesmo dono.
Este governo, aparentemente, tem medo dos terra-tenentes e com esse pressuposto difunde que, se se tocam nesses interesses criminais, se despertará o demônio do paramilitarismo, como se em algum momento o houvessem desmantelado. Sua determinação é não afetar o latifúndio improdutivo, ocioso e sonegador de impostos. Pelo visto, nem sequer se lhe dará um beliscão. Agora, os latifundiários estão esperando as transnacionais para vender ou arrendar. Em lugar de castigo, receberão um prêmio.
Essa terra foi amassada com sangue campesino, massacres paramilitares, fossas comuns, mais de 5 milhões de deslocados, falsos positivos e, portanto, por que não chamarmos delinquentes e aplicar-lhes sem tantas voltas a extinção de domínio reservada aos grupos criminosos?
Um terço do território do país está em mãos dos pecuaristas... Quem são, então, os latifundiários despojadores?
Quem são os responsável pelo índice GINI de 0.87 referido à desigualdade no campo?
Que alguém do governo explique ao país como foi possível que o INCODER entregasse 315 mil hectares de terra a testas de ferro dos senhores do despojo.
Por que o INCODER tentou eliminar os abrigos indígenas coloniais?
O escândalo de Agro Ingreso Seguro pretendeu descarregar-se contra a modelo Valery Domínguez, enquanto beneficiários poderosos passavam de agacho: “O programa Agro Ingreso Seguro, criado pela lei 1113 de 2007, outorgou nos primeiros meses de 2009, sob uma linha especial de crédito, 27.600 milhões de pesos, dos quais uma só companhia, Palmeros del Pacifico Sur, recebeu mais dinheiro que todos os beneficiários em qualquer outro estado do país, pois obteve 4.321 milhões [mais de 15% do total]. De igual forma, três empresas produtoras de palma pertencentes à família Sarmiento Angulo [Palmas Pororó, Palmas Sicarare, Palmas Tamacá] receberam 3.950 milhões [14,27% do total dos créditos]. Se se somam mais dois produtores de palma – Asociación de Agricultores Palma de Caunapí e Palmar El Diamante –, os produtores de palma receberam quase 40% dos dinheiros entregues”. Não somente então é o despojo da terra, mas sim o dos recursos públicos, usurpados para entregá-los aos mais ricos, a gente como Sarmiento Angulo, ranqueado pela revista Forbes como um dos mais ricos do mundo.
Pareceria que o Alzheimer se apoderou de alguns altos funcionários do Estado, e já não sabem de onde provém nem onde está o latifúndio. Não há cadastro confiável, não há estatísticas rigorosas. Engordam terras, não tributam, tudo está na gaveta do esquecimento, resguardada pela cumplicidade. Não se pode atacar aos gamonais e caciques da terra, porque as eleições estão próximas.
Se necessita um cadastro alternativo no qual participem organizações agrárias e sociais, as vítimas, os deslocados, com vedoria internacional internacional, para não deixar que esta tarefa, tão transcendental para a paz, seja assumida pelo desprestigiado e parcializado escritório de “restituição” dos vitimários.
Que não nos venha tragar a geofagia das transnacionais. Colômbia não é de Cargill, Pacific Rubiales, Corficolombiana, Mavalle, Pajonales, Valorem, Refocosta, Riopaila, Bioenergy, Mónica, Firmenish, Amaggi, Merhav, Aliar, Anglo Gold Ashanti, Billiton, Anglo American, Xstrata, Efromovich, Eike Batista e demais usurpadores que pretendem despojar-nos o território que nos pertence a todos.
Chamamos aos colombianos, a suas organizações sociais, políticas e gremiais, as Forças Armadas com sentimento de justiça e pátria, a defender este processo de paz, esperança de reconciliação e de novo país. Reiteramos: o processo de La Habana está caminhando. A paz se constrói com a verdade pura e limpa, não com falsificações midiáticas, nem mesquinharias. Estamos dispostos a discutir com paixão, chegado o momento, o tema da participação política, da ratificação cidadã dos acordos, para que, limpado o caminho, saiamos todos ao encontro da desejada paz, da dignidade humana.
Delegação de Paz das FARC-EP