"A LUTA DE UM POVO, UM POVO EM LUTA!"

Agência de Notícias Nova Colômbia (em espanhol)

Este material pode ser reproduzido livremente, desde que citada a fonte.

A violência do Governo Colombiano não soluciona os problemas do Povo, especialmente os problemas dos camponeses.

Pelo contrário, os agrava.


segunda-feira, 2 de março de 2015

Coluna semanal do sociólogo James Petras


A ideia dos Estados Unidos É não assinar um acordo. A principal meta é desarmar as FARC”.
MAB: Existem muitos temas e queremos tentar abarcar o maior número possivel deles. Assim, podemos começar pela Venezuela.

JP: A questão da Venezuela é muito clara. Os Estados Unidos aumentaram os esforços para tombar o governo utilizando todos os mecanismos disponíveis, inclusive a força, a violência de rua, as mobilizações das grandes empresas comerciais para provocar o desabastecimento. E também a propaganda midiática, onde toda a imprensa está atuando em conjunto com os Estados Unidos, acusando o governo de autoritarismo porque começou a prender os golpistas que atuam em vários cargos, inclusive o prefeito de Caracas, o senhor Antonio Ledesma, que assinou um documento público fazendo uma chamada para derrubar o governo.

Esta política surte efeito porque está aproveitando a crise econômica com a queda do preço do petróleo para criar uma imagem de um país deteriorado e um presidente incompetente.

Por fim, o governo começou pelo menos a tomar algumas medidas para estabilizar a Economia, mas são muito duras. Por exemplo, a desvalorização aumentou o custo de vida para as pessoas comuns.

Também estão tomando medidas fortes utilizando o controle dos aparatos estatais, a fim de castigar os que estão tentando destruir a democracia. E esta intervenção governamental recebe muitos aplausos da grande maioria do povo que está contra a impunidade da oposição, que faz o que faz pensando que não pode ser castigada.

Agora, com as últimas intervenções de Maduro se tem mais confiança que o governo está à altura de tomar medidas, para proteger a democracia e o direito do governo de governar.


MAB: Como você vê a reação nos outros países da América Latina e no mundo em geral frente a isto que ocorre na Venezuela?

JP: Todas as organizações internacionais, sem exceção, particularmente as da América Latina, apoiam as medidas do governo, inclusive a necessidade de tomar medidas policiais contra os golpistas. Se alguém tentar analisar, por exemplo, os vários grupos, grupos não alinhados que representam mais de 100 países, respaldam o governo e denunciam o golpismo norte-americano. Porém, isso não aparece em nenhum meio de comunicação, nem na BBC, nem no New York Times que apresentam a opinião do mundo e das organizações latino-americanas. Simplesmente apresentam o assunto como uma repressão do governo sem uma razão.

A guerra propagandística é muito forte e tenta demonizar o governo para justificar e defender os golpistas, para que estes tenham as mãos livres. E a oposição internacional ao golpismo é muito importante, porque mostra que o governo de Maduro, diplomaticamente não está isolado. Neste momento, o golpismo norte-americano não tem nenhuma ressonância na América Latina, porém segue adiante. Obama, como um louco violento, pensa que tudo pode ser resolvido com a força.

Assim como fizeram na Ucrânia, organizaram um golpe. Querem repetir, agora na Venezuela, o mesmo processo de propagandear contra o governo, demonizar e, depois, lançarem-se com mãos livres a atacar o governo e tomar o controle do poder.


MAB: Fala-se de ‘golpe brando’ na Venezuela e na Argentina. É possível classificá-los assim?

JP: Começam brandos. Ou seja, utilizam a legalidade para influenciar a opinião pública, organizam marchas supostamente pacíficas, mas, de repente, encontram outra oportunidade de lançarem-se com medidas econômicas de desabastecimento, especulação, pressões de empréstimos e tudo mais, para enfraquecer o governo com medidas econômicas.

Então, primeiro protestos legais, depois medidas econômicas e, posteriormente, visam formar uma aliança com setores militares para tomar o poder. Por isso, não se pode separar as medidas brandas da trajetória violenta.

É um processo, então, não se pode terminar o debate dizendo que é um ‘golpe brando’. Porque ‘um golpe brando’ tem os mesmos efeitos que um golpe duro. Ou seja, vão reverter as mudanças sociais, as medidas progressistas, a independência da política exterior e voltar ao que podemos chamar de ditadura do capital, do capital selvagem, que pode resultar em um retrocesso de tudo o que o povo ganhou nos últimos anos.


MAB: Neste marco, Petras, soube-se esta semana que os EUA nomearam um representante para sentar-se à mesa das negociações de paz da Colômbia, que ocorre em Havana. E os EUA designaram, a pedido do governo da Colômbia, um enviado especial, Bernard Aronson.

JP: Sim, Bernard Aronson tem uma trajetória muito sinistra. No passado, esteve envolvido de muitas formas no apoio ao neoliberalismo, aos governantes autoritários na América Central, como padrinho dos chamados “tratados de paz”.

Então, está lá para garantir que não haja nenhuma concessão consequente por parte do governo para as FARC; quer assegurar que as FARC vão se subordinar à política imperialista na América Central, como em El Salvador, na Guatemala. Não é nenhuma figura neutra. É um partidário da militarização da Colômbia, da repressão à insurgência popular e, também, busca aprofundar o livre comercio e os tratados bilaterais entre Wall Street e Bogotá.

Aronson é um personagem sinistro e não podemos nos iludir que os EUA estão como ‘observadores’. Estão atuando nas negociações em Havana, assegurando que o governo faça o mínimo de concessões. E a linha dos EUA é, simplesmente, não assinar um pacto, mas fazer com que os dirigentes guerrilheiros sejam presos supostamente pelos crimes de guerra. Enquanto isso, os milhares de oficiais, civis, o ex-presidente (Álvaro) Uribe – que são os verdadeiros culpados, os assassinos políticos – são os principais aliados de Aronson.


MAB: Sim, tanto Aronson quanto Roberta Jacobson e John Kerry pediram às FARC e ao ELN que demonstrem seu valor renunciando à violência para sempre, eliminando-os.

JP: Sim, desarmá-los e matá-los. Eu acredito que é a trajetória.

Uma vez que estejam desarmados, vão sofrer a forte repressão. A ideia de desarmar as FARC é a principal meta, não é nenhum acordo. E os acordos assinados são irrelevantes porque uma vez que o governo desarme as FARC, uma vez que comece a controlar o território, vai continuar com a repressão política favorecendo a minoria, as grandes empresas petroleiras e de carvão. E deixar toda a retórica de paz e os acordos para trás.


MAB: A imprensa diz, com base nos comunicados do Exército da Colômbia, que ontem mataram 3 guerrilheiros no sul do país, na Colômbia.

JP: Sim, diariamente ocorre algum ataque nas comunidades progressistas no campo. Tanto as comunidades indígenas como as de camponeses vêm sofrendo muitas invasões. Além das muitas vítimas da guerrilha, existem as da Marcha Patriótica e de outras organizações populares.

No ano passado, mais de quatro dezenas de ativistas de direitos humanos sofreram ataques, assassinatos, encarceramentos.

Então, a guerra na Colômbia continua, apesar das conversações de paz em Havana. Existe uma tática dupla aqui: falar de paz em Havana e continuar a guerra na Colômbia.


MAB: E todos estes temas que estamos abordando referem-se às relações dos EUA com a América Latina, Venezuela, Argentina, Colômbia.

Hoje, lemos que aumenta a presença militar dos EUA no Peru, que passa de 125 soldados para 3.200
.

JP: A militarização está em marcha, por varias razões.

Primeiro, o outro lado da moeda é que o Peru arde agora com muitas mobilizações populares, protestos, tanto no campo, como nas comunidades, frente à mineração em larga escala, como nas cidades. E frente às mobilizações populares, os EUA estão fortalecendo a mão repressiva do governo de Humala.

Os processos de direitização na América Latina e a repressão estão em ascensão. Podemos vê-los, por exemplo, na mobilização supostamente em memoria de Nisman, na Argentina. Podemos vê-los nas campanhas de desestabilização na Venezuela. Podemos vê-los na militarização da Colômbia.

Eu acredito que a explosão dos escândalos no Brasil é outro fator detonante de recuperação da direita.

De toda forma é uma extensão da militarização global dos EUA com a intervenção na Síria, com a extensão de drones utilizados no Iêmen, a volta de tropas ao Afeganistão. Tudo é uma nova onda direitizante de Obama, que quer impor o poder norte-americano a partir da força e violência, não a partir de negociações de paz.

Eu acredito que o terror global dos EUA provoca o terror individual em seu próprio país.


MAB: Esta semana muda a Presidência do Uruguai. Sai José Mujica e assume Tabaré Vázquez.

JP: Sim, existe um discurso de Mujica que me parece interessante e gostaria de comentá-lo.

Mujica disse uma coisa que é verdade, porém em jogo. Disse que “a geração espontânea não cria sociedades justas” e cito textualmente: “é preciso vontade humana organizada para esta transformação”. Certo.

Porém, que tipo de política deve ter a organização humana visando uma transformação? Obviamente, a Frente Ampla é uma organização, porém ninguém pode dizer que durante a presidência de Mujica tivemos uma transformação. A única transformação foi que entregaram a metade do território produtivo aos grandes investidores estrangeiros, que formam os consórcios agrícolas.

Então, Mujica disse verdades como a que o espontaneísmo não chega a alcançar transformações, porém tampouco elas são obtidas pelas organizações políticas que seguem a linha neoliberal de sua Presidência.


MAB: É certo e acrescento que Joe Biden, como representante do governo dos EUA, chega esta semana para a posse.

JP: É um louco, cada vez que abre a boca caem pérolas de merda. Por exemplo, de qualquer forma tenta intervir na política e causa escândalos, porque diz coisas que são espontâneas, sem pensar nas consequências. Em Washington é considerado um palhaço, somente o mandam a viagens ao exterior para evitar escândalos domésticos.

Em todo caso, de uma forma ou de outra, representa a política imperialista. Porém, no caso da visita ao Uruguai, quer assegurar que Vázquez seguirá a linha de sua campanha eleitoral, que foi a conciliação com o Pentágono e o Departamento de Estado, ao invés de evitar qualquer aprofundamento nas relações com a Venezuela, Argentina ou outros países do MERCOSUL. Querem que Tabaré Vázquez aprofunde sua dependência e vínculos carnais com Obama.

MAB: Está sendo veiculado que as conversações entre o Irã e o grupo dos 5+1 estão concluindo. O que você sabe sobre isso?

JP: É evidente, (dizem) todos os ex-diplomatas, que o Irã não tem programas de armas nucleares. Segundo, as concessões feitas pelo Irã são substanciais enquanto os compromisos recíprocos dos EUA são mínimos. Por exemplo, suspender as sanções para os EUA é um processo que pode se prolongar por dez anos.

O Irã é um país muito pacífico, que busca conciliar com os EUA e está disposto a pagar o preço para acabar com as sanções e evitar a agressão de Israel. Agora, inclusive em Israel, alguns setores oficialistas reconhecem que a campanha de (Benjamin) Netanyahu de atropelar as negociações tem um efeito bumerangue. Para os EUA, um acordo com o Irã significa colaborar contra o ISIS e os grupos agressivos, contra a insurgência violenta. Para os EUA isso tem muito valor porque permite fortalecer sua hegemonia no Iraque e na Síria. Então, Israel agora tem que se cuidar, pois está provocando a ira da Casa Branca por conta da intromissão. Daí, vem Netanyahu dirigir a palavra ante o Congresso. Isso gerou oposição entre os ultrassionistas aqui, que estão preocupados com a intromissão de Netanyahu que soa muito mal para a maioria da população. Inclusive os mais fieis a Israel do Partido Democrata estão anunciando que não vão assistir à conferência.

Então, as perspectivas devem ser muito factíveis para um acordo com Irã-EUA, porém nunca se sabe porque os sionistas seguem tendo muita força.


MAB: Resta algum tema que você tenha interesse em comentar?

JP: Sim, poderíamos comentar algo sobre a Grécia.

Como disse em edições passadas, o SYRIZA tem uma política de ambiguidade, um discurso radical, porém sempre tornou posições conciliadoras.

O pacto de sexta-feira passada é terrível, significa a continuidade da supervisão de Bruxelas sobre a política da Grécia. Ou seja, o SYRIZA se submeteu à soberania norte-americana e à diretriz de Bruxelas.

Em segundo lugar, aceitou impor reformas neoliberais sobre o país. O SYRIZA fala de lutar contra a evasão fiscal, porém Bruxelas insiste nas privatizações.

Hoje em dia, percebo que um grande setor do SYRIZA está contra esse acordó e vai provocar um conflito interno pela indignidade que Alexis Tsipras e seu Ministro da Fazenda aceitaram.

Creio que a luta interna agora na Grécia vai se intensificar, pela capitulação do SYRIZA ante as exigências de Bruxelas.


Tradução: Partido Comunista Brasileiro (PCB)


Palavras dirigidas ao senhor Kofi Annan



La Habana, Cuba, sede dos diálogos de paz, 27 de fevereiro de 2015
Nos reunimos novamente após termos tido a ocasião de compartilhar com você no dia de ontem sobre os avanços do processo de paz. Foi muito agradável para nós podermos intercambiar também, no dia de hoje, algumas ideias a respeito [do tema].
Senhor Annan, você, como pessoa que nasceu no Terceiro Mundo e teve as vivências da exclusão, da miséria e das injustiças das quais padecem nossos povos, pode dar testemunho sobre a natureza do direito à rebelião, da legitimidade daquela potestade inscrita na natureza humana, explicada e difundida por patriarcas e filósofos de todos os tempos, e reconhecida de maneira expressa pela Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão em 1789.
Bem está inscrito no coração sensível do gênero humano o mandato de recorrer a esse direito de direitos quando as condições históricas, de classe, de desigualdade e perseguição afligem a alma e a própria dignidade da pessoa e do cidadão. Estes fundamentos, mirando os padecimentos da Colômbia, foram os que moveram nossos fundadores, os quais, por razões de legítima defesa, se viram obrigados a empunhar as armas há mais de sessenta anos. Eles fizeram eco, de alguma maneira, daquela consideração essencial “de que os direitos humanos sejam protegidos por um regime de Direitos, a fim de que o homem não seja compelido ao supremo recurso da rebelião...”.
Nosso caso não é o de Bósnia-Herzegovina, nem o de Ruanda, nem da Iugoslávia; nem somos Sudão nem Líbia. Nada do nosso se parece com estes casos nem com as circunstâncias que levaram à invasão do Iraque, acertadamente rechaçada por você se contrapondo à posição e ao espírito guerreirista que esgrimiram para o mal, naquele momento, os Estados Unidos e o Reino Unido.
Tampouco é nosso caso o que aconteceu na Irlanda ou vem sucedendo na Síria. O nosso tem sido uma muito antiga resposta digna ao despojo que ainda continua, ao desconhecimento de direitos fundamentais, ao abuso, à necessidade da legítima defesa desde os anos sessenta em que foram atacados, para aniquilá-los, com todo o poder bélico do Estado, aqueles campesinos de Marquetalia que lavravam a terra com o único desejo de viver em paz. Transcorreu meio século e aqui seguimos, os mesmos de então porém com caras diferentes, lutando por uma mesma causa, porque não é com bombas nem metralhadora que se acalma a inconformidade que a injustiça gera.
Senhor Annan, mais além da Casa de Nariño, a realidade que existe é a de um coeficiente de Gini que marca a desigualdade e a pobreza entre os nossos: 0.53 nas cidades e 0.87 concernente à propriedade rural, para situar a Colômbia como o terceiro país mais desigual do mundo. A respeito disso, e somente para que tenha um exemplo, lhe pedimos que olhe para o Chocó, território de nosso país com população majoritariamente afrodescendente. Lá se encontram, num cenário com abundantes riquezas naturais saqueadas pelas transnacionais, homens, mulheres e crianças em sua maior parte com os pés descalços sobre o barro, vivendo como animais e também morrendo por desnutrição. Quibdó, sua capital, deixada na mão do diabo como o mais pobre bairro de Kumasi, se encontra assentada entre minas de ouro e biodiversidade, a duas horas de voo da cidade de Miami, onde faz valer sua presença o capital colombiano.
Em nosso país, o qual conta com quase cinquenta milhões de habitantes, 77% da terra estão em mãos de 13% da população. 3.6% destes últimos é dona de 30% da mesma. Os procedimentos de despojo violento do último quarto de século deslocaram a mais de 6 milhões de campesinos.
Não queremos distrai-lo com mais alusões horripilantes de desigualdade e iniquidade social. Mais bem lhe reiteramos que à Mesa de Diálogo de Havana chegamos para honrar nossa palavra empenhada no Acordo Geral de 12 de agosto de 2012, com o convencimento de que, sim, se pode alcançar a paz em termos civilizados, e de que numa guerra de mais de meio século não se pode falar de um só vitimário, nem muito menos de um só responsável, como em algumas ocasiões se pretendeu, se querendo colocar a insurgência no banco dos réus. Nossos interlocutores já começam a aceitar esta realidade histórica. E, felizmente, uma comissão que teve aos seus cuidados o estudo da origem do conflito entregou à mesa doze informes de excelentes acadêmicos que indicam que a confrontação em nosso país é tão antiga como para superar duas gerações ou mais; e que as ações violentas de muitas variadas espécies, sem restrição de meios para adiantar-se e cometer-se, em muitos casos se originaram e provêm não só das partes combatentes como também de múltiplos atores políticos e sociais, oficiais e não oficiais, que deram rédea solta a seus ódios e métodos de destruição. [Colocamos em suas mãos cópia dos doze informes da Comissão histórica do conflito e suas vítimas, que antes mencionamos.]
A propósito deste tema, vale a pena recordar que o ex-presidente César Gaviria [1990-1994], em recente escrito publicado no El Tiempo, diário de maior circulação nacional, destacou que os atores do conflito se encontram entre a população combatente e não combatente; e entre círculos da empresa privada, e funcionários públicos de diversa condição. Assinalou igualmente responsabilidades graves à classe política para finalmente indicar que até juízes se encontram comprometidos. O próprio Comissionado para a Paz, doutor Sergio Jaramillo, concordou que a responsabilidade pela enorme e cruenta contenda bélica é coletiva. E o próprio Presidente Juan Manuel Santos não esperou muito para acolher a tese do ex-presidente Gaviria. Aspiramos a que as autoridades competentes iniciem as consequentes investigações de rigor sobre estas notícias criminais conhecidas por muitos, porém até agora reconhecidas nessa dimensão por um alto dignatário de Estado.
Devemos acrescentar que, para o bem do processo, o governo nacional já aceitou a existência de presos políticos, ao aceitar revisar “a situação das pessoas privadas da liberdade, processadas ou condenadas, por pertencer ou colaborar com as FARC-EP”. Igualmente, se admitiu que se “fará as reformas e os ajustes institucionais necessários para fazer frente aos desafios da construção da paz”. Ambos pontos estão incluídos numa Agenda que de nossa parte assumimos como invariável em seus aspectos substanciais, e têm a ver com necessidades a resolver no caminho de alcançar a finalização do conflito.
Por último, devemos destacar que, buscando assumir gestos práticos que desescalem o conflito e minimizem as dores da guerra, no dia 17 de dezembro do ano passado declaramos um CESSAR UNILATERAL AO FOGO, POR TEMPO INDETERMINADO, em meio a uma contenda armada interna que não iniciamos. Solicitamos que o referido cessar-fogo fosse verificado por organismos nacionais e internacionais. O governo recusou atender nossa decisão e solicitação. Dado que você vem na qualidade de Coordenador das Operações das Forças de Paz da ONU, aproveitamos sua presença neste dia para solicitar-lhe que se sirva transmitir suas experiências aos senhores plenipotenciários do governo, sobre o valor e alcance que para a população inerme têm medidas como a que tomamos livremente. Não mais mortos que façam mais distante um acordo de paz que, como nunca antes, se mostra possível no horizonte.
Muito obrigado.


DELEGAÇÃO DE PAZ DAS FARC-EP.


-- 
Equipe ANNCOL - Brasil 

domingo, 1 de março de 2015

Povo peruano, abra os olhos


Por Gustavo Espinoza

Que os Estados Unidos têm um estratégia continental de dominação e que se dispõem a desencadear uma aventura militar contra os povos de América Latina, já foi dito por nós em diversas ocasiões.

Alguns nos levaram a sério e ratificaram uma disposição antiimperialista que agora precisa se materializar. Outros, ao contrário, guardaram silencio, talvez com a ideia de que nossa afirmação fosse exagerada e respondia ao clássico estilo de confrontação do que eles qualificam de "esquerda tradicional".
Os fatos, contudo, vão nos dando razão de maneira constante. A agressividade imperialista contra nossos países se manifesta permanentemente; e hoje se concretiza no Peru, com a autorização para o ingresso de um verdadeiro exército de ocupação integrado por cerca de quatro mil soldados, que se estabelecerão no território sob o pretexto de "combater o narcotráfico e o terrorismo".
Para situar a coisa no curto prazo, cabe mencionar que no dia 29 de janeiro passado, em uma decisão oculta, que se filtrou recentemente nas redes sociais, o Congresso da República autorizou o ingresso de tropas e pessoal armado dos Estados Unidos em território peruano, atendo a um cronograma bem preciso. E elaborado em comum acordo entre "ambas as partes".
Os partidos e forças que integram hoje o Congresso, e cada um dos parlamentares em particular, têm a obrigação de prestar contas de como opinaram e de como votaram a decisão tornada conhecida hoje.
Sabe-se, de imediato, que já de 1 a 15 de fevereiro, pisaram em solo peruano dois contingentes militares, enviados pelo Pentágono. O primeiro, integrado por 58 soldados; e o segundo por 67. Ambos permanecerão até fevereiro de 2016 na tarefa de "treinar as instituições armadas peruanas na execução de operações especiais".
Parecería que em matéria de "operações especiais" os soldados peruanos seriam como que neófitos. Carecem da experiência de combate que o exército estadunidense adquiriu depois das prolongadas guerras de Vietnam, na Península Indochina e no Oriente Medio.
Provavelmente, Afeganistão, Iraque acrescentaram tanto a bagagem militar do exército ianque que considera seu dever compartilhar com seus irmãos latino-americanos com a ideia de extender até aqui prisões clandestinas como as de Bagdad ou Guantánamo, em que a tortura e a morte constituem pão de cada dia.
Não obstante, esses efetivos, que já estão no Peru, não são nada em comparação com o que ainda desembarcará no nosso território em setembro próximo.
Desembarcarão, na nossa primavera, 3.200 soldados ianques que -pelo armamento que usam, a experiência que têm e a preparação que possuem- constituirá um verdadeiro exército de ocupação.
Desse modo estarão sendo cumpridos os acordos entre esses dois países laboriosamente trabalhados desde há alguns anos.
A execução desses planos colocará em evidência que as constantes visitas do secretario de Defesa dos Estados Unidos ao Peru, e das do chefe do Comando Sul, não eram visitas protocolares nem muito menos turísticas. Tinham um claro conteúdo bélico que já não se pode ocultar.
É legítimo perguntar-se: O que move os Estados Unidos a deslocar essa vasta operação militar em território sulamericano?
O que está a ocorrer neste continente que faz com que a primeira potência militar do planeta esteja doida para abrir fogo contra os irmãos peruanos?
Para onde apontam, realmente, os fuzis ianques que dispararão nas cordilheiras da América?
Se observamos, mesmo que a voo de passar o que ocorre nesta parte do mundo veremos que radicaliza a luta anti imperialista de nossos povos.
Que ela se expressa em demandas concretas: Respeito à independência de nossos países, vigência plena da soberania nacional, recuperação das riquezas básicas, e proteção da biodiversidade. Em um mundo em que os recursos hídricos e os produtos naturais se convertem em fortaleza de sobrevivência para a inteira humanidade.
Já faz algum tempo que Estados Unidos estão buscando a maneira de intervir militarmente na Venezuela e acabar a sangue e fogo com o projeto bolivariano liderado historicamente pelo comandante Hugo Chávez, hoje conduzido por Nicolás Maduro, encurralado por uma brutal campanha de desprestígio e violencia desatada pelas forças mais reacionárias do continente.
Pelo visto, desembarcar tropas o Peru e conseguir que isso seja admitido pacificamente pela comunidade internacional seria uma maneira de afirmar a ideia de que é normal que Estados Unidos recorram a esse tipo de procedimento na América; e que poderia repetí-lo amanhã na Venezuela ou em qualquer outro país. Brasil por exemplo.
Quem tem licença para matar pode fazer uso dela em qualquer circunstância.
Bolívia ou Equador bem poderiam recordar aquele ditado: quando ver as barbas de seu vizinho serem cortadas, ponha as tuas de molho; porque a advertência ianque se projeta também à área do altiplano, contra Evo Morales e a multicultural Bolívia; e à região mais ao norte, onde as ações do governo equatoriano de Rafael Correa não contam com o beneplácito de Washington.
O argumento que se utiliza para justificar a intervenção estadunidense é a luta contra o narcotráfico e o terrorismo. É a velha e falsa cantilena. Em 1965 ficou em voga quando a administração de Belaúnde Terry aceitou a denominada "Operação Ayacucho", que resultou em nada.
Hoje, o combate contra o narcotráfico no Peru já esta virtualmente a cargo da DEA há muitos anos. E o resultado disso é que o Peru se converteu no primeiro produtor mundial de cocaína e outras drogas. Antes da presença da DEA nunca teve tal privilégio.
Até onde irá a escalada com a "atual estratégia? Talvez até a expansão dos cultivos de droga trazendo para cá o hashis do Afeganistão, e o ópio de outras latitudes? Será que não é isso o que busca a administração estadunidense para lançar suas tropas em nosso solo no que bem podia ser um desafio para uma nova Batalha de Ayacucho?
Porém a estratégia de dominação ianque vai muito mais além: visa confrontar uns povos contra outros e aos governos que, em maior ou menos escala, desconfia.
Não há que ter muita perspicácia para intuir que por tras da "operação de espionagem" chilena contra o Peru, denunciada recentemente, seja o avesso da mão dos serviços de inteligência ianques, que facilmente poderiam armar operações com esta ou outra magnitude, até mesmo a revelia dos governos, valendo-se da infiltração dos serviços secretos que eles manipulam.
Aos povos de nosso continente corresponde atuar com firmeza e a consequência requerida em uma circunstância em que o que está em jogo é a sobrevivência do continente, agredido pela barbárie imperialista.
No início dos anos 1930, em outro contexto e também em outras condições, Augusto Cezar Sandino disse de maneira categórica: "A soberania dos Estados não se discute. Se defende com armas nas mãos".
Em algumas semanas mais os peruanos estarão evocando o 200 aniversário do fuzilamento do jovem poeta Mariano Melgar, caído em mãos do exército colonial espanhol depois da batalha de Umachiri. Será essa recordação motivo de afirmação patriótica que levará nossos jovens a levantar essa mesma bandeira?
Em todo caso, o dever de qualquer patriota é assumir seu compromisso com a história e denunciar o que constitui uma verdadeira agressão armada contra o Peru e seu povo.
Gustavo Espinoza é da equipe de colaboradores do Diálogos do Sul (DS) em Lima, Secretário geral da Associação Amigos de Mariátegui (Casa Mariátegui) e membro do Coletivo de Direção de Nuestra Bandera (www.nuestra-bandera.com).

POR QUÊ A MÍDIA BRASILEIRA E O PSDB DETESTAM LULA:





Warum so viele Menschen in Brasilien nicht gerne Lula?”
Raul Longo
O rapaz perguntou no seu idioma com uma cara que me fez entender que achou nossa cerveja uma porcaria. Um alemão achar que a cerveja brasileira é ruim não é de estranhar, mas o que o Lula tinha a ver com isso? E Lula eu entendi! 

Já fiquei imaginando terem inventado que o filho do Lula é dono da maior cervejaria alemã também, mas logo a amiga me traduziu a pergunta do que o jovem alemão não consegue entender do pouco que já vai depreendendo do nosso idioma através da leitura de jornais, como costumam fazer os estrangeiros que aproveitam o turismo para ir adquirindo algum conhecimento do português.

Por que no Brasil não gostam do Lula?”

Expliquei que no Brasil muita gente gosta, sim, do Lula, mas que pela imprensa brasileira a impressão é outra pelos mais diversos motivos e enviaria para o endereço de e-mail alguns desses motivos que faz nossa Mídia odiar o Lula.

Aí encontrei uma matéria do Prof. Emir Sader que espero que a amiga consiga traduzir para o jovem alemão, mas para facilitar relacionei alguns desse motivos que fazem o Lula tão odiado por aqui:


·         Grã-Cruz da Ordem da Águia Asteca (México)7
·         Grã-Cruz da Ordem Amílcar Cabral (Cabo Verde)8
·         Grã-Cruz da Ordem Militar da Torre e Espada (Portugal); 9
·         Grã-Cruz da Ordem da Estrela Equatorial (Gabão);10
·         Grã-Cruz de Cavaleiro da Ordem do Banho Reino Unido 11
·         Grã-Cruz da Ordem de Omar Torrijos (Panamá);12
·         Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito (Argélia);13
·         Grande-Colar da Ordem da Liberdade (Portugal);14
·         Grã-Cruz da Ordem de Boyacá (Colômbia);15
·         Grão-Colar da Ordem Marechal Francisco Solano López (Paraguai);16
·         Grã-Cruz com diamantes da Ordem do Sol do Peru (Peru);19
·         Prêmio Príncipe de Astúrias (Espanha); 22
·         Prêmio Internacional Don Quixote de la Mancha (Espanha); 24
·         Medalha de Ouro "Aliança Internacional Contra a Fome", do Fundo das Nações Unidas contra a Fome;25
·         Prêmio pela paz Félix Houphouët-Boigny da UNESCO, 2008;26
·         Estadista Global entregue pelo Fórum Econômico Mundial em sua edição 2010, ocorrida em Davos – Suíça; 27
·         Prêmio L 'homme de l 'année (Homem do Ano), entregue pelo jornal Le Monde (França), edição 2009;28
·         Prêmio Personalidade do Ano de 2009, entregue pelo jornal El País (Espanha);29 30
·         Prêmio Mikhail Gorbachev;31
·         Prêmio Chatham House 2009 do Reino Unido pela a atuação de Lula na América Latina;32
·         Prêmio Norte-Sul do Conselho da Europa.34
·         XXIV Prêmio Internacional Catalunha pelas políticas sociais e econômicas em seu mandato de Presidente do Brasil.35
·         Ordem Nacional da República Benin, a mais alta condecoração beninense, na cidade de Cotonou.36
·         Doutor honoris causa pela Universidade de Coimbra (Portugal),38  pela Politécnica de Lausanne (Suíça40 , pela Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab)41 , pelo Sciences-Po (Institut d'Etudes Politiques de Paris)35 . Embora outras universidades nacionais e internacionais tenham feito diversos convites para que o então presidente recebesse a honraria, Lula recusou todos os títulos honoris causa enquanto ocupou a cadeira de chefe do estado brasileiro, passando a aceita-los apenas após deixar o cargo.37
Emir Sader: Por que eles têm medo do Lula?


Emir Sader, via Carta Maior
Lula virou o diabo para a direita brasileira, comandada por seu partido: a mídia privada. Pelo que ele representa e por tê-los derrotado três vezes sucessivas nas eleições presidenciais, por se manter como o maior líder popular do Brasil, apesar dos ataques e manipulações de todo tipo que os donos da mídia – que não foram eleitos por ninguém para querer falar em nome do País – não param de maquinar contra ele.
Primeiro, ele causou medo quando surgiu como líder operário, que trazia para a luta política aos trabalhadores, reprimidos e superexplorados pela ditadura durante mais de uma década e o pânico que isso causava em um empresariado já acostumado ao arrocho salarial e à intervenção nos sindicatos.
Medo de que essa política que alimentava os superlucros das grandes empresas privadas nacionais e estrangeiras – o santo do chamado “milagre econômico” – terminasse e, com ela, a possibilidade de seguirem lucrando tanto à custa da superexploração dos trabalhadores.
Medo também de que isso tirasse as bases de sustentação da ditadura – além das outras bases, as baionetas e o terror – e eles tivessem de voltar às situações de incerteza relativa dos regimes eleitorais.
Medo que foi se acalmando conforme, na transição do fim do seu regime de ditadura militar para o restabelecimento da democracia liberal, triunfavam os conservadores. Derrotada a campanha das diretas, o Colégio Eleitoral consagrou um novo pacto de elite no Brasil, em que se misturavam o velho e o novo, promiscuamente na aliança PMDB/PFL, para dar nascimento a uma democracia que não estendia a democracia às profundas estruturas econômicas, sociais e midiáticas do país.
Sempre havia o medo de que Lula catalisasse os descontentamentos que não deixaram de existir com o fim da ditadura, porque a questão social continuava a arder no país mais desigual do continente mais desigual do mundo. Mas os processos eleitorais pareciam permitir que as elites tradicionais retomassem o controle da vida política brasileira.
Aí veio o novo medo, que chegou a pânico, quando Lula chegou ao segundo turno contra seu novo queridinho, Collor, o filhote da ditadura. E foi necessário usar todo o peso da manipulação midiática para evitar que a força popular levasse Lula à Presidência do Brasil, da ameaça de debandada geral dos empresários se Lula ganhasse, à edição forjada de debate, para tentar evitar a vitória popular.
O fracasso do Collor levou a que Roberto Marinho confessasse que eles já não elegeriam um presidente deles, teriam que buscar alguém no outro campo, para fazê-lo seu representante. Se tratava de usar de tudo para evitar que o Lula ganhasse. Foram buscar ao FHC, que se prestou a esse papel e parecia se erigir em antidoto permanente contra o Lula, a quem derrotou duas vezes.
Como, porém, não conseguem resolver os problemas do País, mas apenas adiá-los – como fizeram com o Plano Real –, o fantasma voltou, com o governo FHC também fracassando. Tentaram alternativas – Roseana Sarney, Ciro Gomes, Serra –, mas não houve jeito.
Trataram de criar o pânico sobre a possibilidade da vitória do Lula, com ataque especulativo, com a transformação do chamado “risco Brasil” para “risco Lula”, mas não houve jeito.
Alívio, quando acreditaram que a postura moderada do Lula ao assumir a Presidência significaria sua rendição à politica econômica de FHC, ao “pensamento único”, ao Consenso de Washington. Por um lado, saudavam essa postura do Lula, por outro incentivavam os setores que denunciavam uma “traição” do Lula, para buscar enfraquecer sua liderança popular. No fundo acreditavam que Lula demoraria pouco no governo, capitularia e perderia liderança popular ou colocaria suas propostas em prática e o país se tornaria ingovernável.
Quando se deram conta que Lula se consolidava, tentaram o golpe em 2005, valendo-se de acusações multiplicadas pela maior operação de marketing político que o País já conheceu – desde a ofensiva contra o Getulio, em 1954 –, buscando derrubar o Lula e sepultar por muito tempo a possibilidade de um governo de esquerda no Brasil. Colocavam em prática o que um ministro da ditadura tinha dito: Um dia o PT vai ganhar, vai fracassar e aí vamos poder governar o País sem pressão.
Chegaram a cogitar um impeachment, mas tiveram medo do Lula, de sua capacidade de mobilização popular contra eles. Recuaram e adotaram a tática de sangrar o governo, cercando-o no Parlamento e por meio da mídia, até que, inviabilizado, fosse derrotado nas eleições de 2006.
Fracassaram uma vez mais, quando o Lula convocou as mobilizações populares contra os esquemas golpistas, ao mesmo tempo que a centralidade das políticas sociais – eixo do governo Lula, que a direita não enxergava, ou subestimava e tratava de esconder – começava a dar seus frutos. Como resultado, Lula triunfou na eleições de 2006, ao contrário do que a direita programava, impondo uma nova derrota grave às elites tradicionais.
O medo passou a ser que o Brasil mudasse muito, tirando suas bases de apoio tradicionais – a começar por seus feudos políticos no nordeste –, permitindo que o Lula elegesse sua sucessora. Se refugiaram no “favoritismo” do Serra nas pesquisas – confiando, uma vez mais, na certeza do Ibope de que o Lula não elegeria sua sucessora.
Foram de novo derrotados. Acumulam derrota atrás de derrota e identificam no Lula seu grande inimigo. Ainda mais que nos últimos anos do seu segundo mandato e na campanha eleitoral, Lula identificou e apontou claramente o papel das elites tradicionais, com afirmações como a de que ele demonstrou “que se pode governar o Brasil, sem almoçar e jantar com os donos de jornal”. Quando disse que “não haverá democracia no Brasil, enquanto os políticos tiverem medo da mídia”, entre outras afirmações.
Quando, depois de seminário que trouxe experiências de regulações democráticas da mídia em várias partes insuspeitas do mundo, elaborou uma proposta de lei de marco regulatório para a mídia, que democratize a formação da opinião pública, tirando o monopólio do restrito número de famílias e empresas que controlam o setor de forma antidemocrática.
Além de tudo, Lula representa para eles o sucesso de um presidente que se tornou o líder político mais popular da história do Brasil, não proveniente dos setores tradicionais, mas um operário proveniente do nordeste, que se tornou líder sindical de base desafiando a ditadura, que perdeu um dedo na máquina – trazendo no próprio corpo inscrita a sua origem e as condições de trabalho dos operários brasileiros.
Enquanto o queridinho da direita partidária e midiática brasileira, FHC, fracassou, Lula teve êxito em todos os campos – econômico, social, cultural e de políticas internacionais –, elevando a autoestima dos brasileiros e do povo brasileiro. Lula resgatou o papel do Estado – reduzido à sua mínima expressão com Collor e FHC – para um instrumento de indução do crescimento econômico e de garantia das políticas sociais. Derrotou a proposta norte-americana da Alca – fazer a América Latina uma imensa área de livre comércio, subordinada aos interesses dos EUA –, para priorizar os projetos de integração regional e os intercâmbios com o Sul do mundo.
Lula passou a representar o Brasil, a América Latina e o Sul do mundo, na luta contra a fome, contra a guerra, contra o monopólio de poder das nações centrais do sistema. Lula mostrou que é possível diminuir a desigualdade e a pobreza, terminar com a miséria no Brasil, ao contrário do que era dito e feito pelos governos tradicionais.
Lula saiu do governo com praticamente toda a mídia tradicional contra ele, mas com mais de 80% de apoio e apenas 3% de rejeição. Elegeu sua sucessora contra o “favoritismo” do candidato da direita.
Aí acreditaram que poderiam neutralizá-lo, elogiando a Dilma como contraponto a ele, até que se rendem que não conseguem promover conflitos entre eles. Temem o retorno do Lula como presidente, mas principalmente o temem como líder político, como quem melhor vocaliza os grandes temas nacionais, apontando para a direita como obstáculo para a democratização do Brasil.
Lula representa a esquerda realmente existente no Brasil, com liderança nacional, latino-americana e mundial. Lula representa o resgate da questão social no Brasil, promovendo o acesso a bens fundamentais da maioria da população, incorporando definitivamente os pobres e o mercado interno de consumo popular à vida do país.
Lula representa o líder que não foi cooptado pela direita, pela mídia, pelas nações imperiais. Por tudo isso, eles tem medo do Lula. Por tudo isso, querem tentam desgastar sua imagem. Por isso 80% das referências ao Lula na mídia são negativas. Mas 69,8% dos brasileiros dizem que gostariam que ele volte a ser presidente do Brasil. Por isso eles têm tanto medo do Lula.