Tchau Pinzón!
"A LUTA DE UM POVO, UM POVO EM LUTA!"
Agência de Notícias Nova Colômbia (em espanhol)
Este material pode ser reproduzido livremente, desde que citada a fonte.
A violência do Governo Colombiano não soluciona os problemas do Povo, especialmente os problemas dos camponeses.
Pelo contrário, os agrava.
Nove em cada dez das 570 milhões de propriedades
agrícolas no mundo são geridas por famílias, fazendo com que a
agricultura familiar
seja a forma mais predominante de agricultura e, consequentemente, um
potencial e crucial agente de mudança para alcançar a segurança
alimentar sustentável e a erradicação da fome no futuro. Os dados
fazem parte do novo relatório das Nações Unidas.
A reportagem foi publicada
por EcoDebate,
18-05-2015.
A agricultura familiar produz cerca de 80% dos
alimentos no mundo. A prevalência e a produção significam que “são
vitais para a solução do problema da fome”, que atinge mais de
800 milhões de pessoas, escreveu o Diretor-Geral da FAO, José
Graziano da Silva, na introdução do
novo relatório da FAO de 2014 sobre o Estado da Alimentação e da
Agricultura (SOFA 2014).
A agricultura familiar é também guardiã de cerca
de 75% de todos os recursos agrícolas do mundo e, portanto, é
fundamental para a melhoria da sustentabilidade ecológica e dos
recursos. Estão também entre os mais vulneráveis às consequências
do esgotamento dos recursos e às alterações climáticas.
Embora as evidências mostrem rendimentos
impressionantes em terras geridas por agricultores familiares, muitas
propriedades de menor escala são incapazes de produzir o suficiente
para garantir meios de subsistência decentes para as famílias.
A agricultura familiar é, assim, confrontada com um
triplo desafio: o aumento do rendimento agrícola para responder à
necessidade mundial de segurança
alimentar e de uma melhor nutrição; a
sustentabilidade ambiental para proteger o planeta e para garantir a
própria capacidade produtiva; e o aumento da produtividade e a
diversificação dos meios de subsistência que lhes permita sair da
pobreza e da fome. De acordo com o relatório SOFA,
todos esses desafios implicam que os agricultores familiares têm de
inovar.
“Em todos os casos, os agricultores familiares
precisam ser líderes de inovação, pois só assim podem
apropriar-se do processo e garantir que as soluções oferecidas
respondem às necessidades”, afirmou Graziano
da Silva. “A agricultura familiar é
um componente essencial dos sistemas alimentares saudáveis de que
precisamos para levar uma vida mais saudável.”
O relatório chama a atenção do setor público, das
organizações da sociedade civil e setor privado, para trabalhar com
os agricultores, no sentido de melhorar os sistemas de inovação
para a agricultura. Os sistemas de inovação agrícola incluem todas
as instituições e atores que apoiam os agricultores no
desenvolvimento e na adoção de melhores formas de trabalhar no
mundo cada vez mais complexo de hoje. A capacidade de inovação deve
ser promovida a vários níveis, com incentivos para os agricultores,
investigadores, prestadores de serviços de assessoria e cadeias de
valor integradas para interagir e criar redes e parcerias que
permitam partilhar informações, segundo o SOFA.
Os responsáveis pelas políticas devem considerar
também a diversidade da agricultura
familiar em termos de tamanho, das
tecnologias utilizadas, e da integração nos mercados, bem como as
configurações ecológicas e socioeconômicas. Essa diversidade
significa que os agricultores precisam de coisas diferentes dos
sistemas de inovação. Ainda assim, todas as explorações agrícolas
precisam de melhor governança, estabilidade macroeconômica,
infraestruturas de mercado físicas e institucionais, educação, bem
como de melhor investigação agrícola básica, de acordo com o
SOFA.
O investimento público em pesquisas agrícolas, bem
como em serviços de extensão e assessoria – que devem ser mais
participativos – devem ser incrementados para enfatizar a
intensificação sustentável e acabar com as diferenças de
rendimento e produtividade da mão-de-obra que caracterizam os
setores agrícolas em muitos países em desenvolvimento.
Embora os estudos agrícolas sejam feitos por
empresas privadas na maioria dos casos, o investimento do setor
público é indispensável para assegurar a pesquisa em áreas de
pouco interesse para o setor privado – como pesquisa básica,
culturas órfãs, ou práticas de produção sustentáveis. Essa
pesquisa constitui um bem público com muitos potenciais
beneficiários.
A agricultura
familiar é vital
O relatório da FAO
oferece um diverso conjunto de novos dados sobre a agricultura
familiar. A maioria das propriedades agrícolas familiares é
pequena. Oitenta e quatro por cento das culturas de todo o mundo têm
menos de dois hectares. No entanto, o tamanho das propriedades
agrícolas varia amplamente. De fato, as propriedades agrícolas com
mais de 50 hectares – incluindo muitas de agricultores familiares –
ocupam dois terços das terras agrícolas do mundo.
Em muitos países de elevado rendimento e de
rendimento médio superior, as grandes propriedades agrícolas,
responsáveis pela maior parte da produção agrícola, detêm também
a maior parte das terras agrícolas. Mas, na maioria dos países de
baixo rendimento e de rendimento médio inferior, as pequenas e
médias propriedades agrícolas ocupam grande parte das terras para o
cultivo e produzem a maioria dos alimentos.
As pequenas propriedades produzem uma proporção
maior de alimentos no mundo em relação à quantidade de terras de
que usufruem, já que tendem a ter rendimentos mais elevados do que
explorações agrícolas
com maiores dimensões dentro dos mesmos países e ambientes
agro-ecológicos.
No entanto, a maior produtividade da terra na
agricultura familiar implica uma menor produtividade ao nível
da mão-de-obra, o que perpetua a pobreza e impede o desenvolvimento.
Grande parte da produção mundial de alimentos envolve trabalho não
remunerado realizado por membros da família.
O relatório sublinha que é imprescindível aumentar
a produção por trabalhador, especialmente nos países de baixo
rendimento, a fim de aumentar os rendimentos agrícolas e de promover
o bem-estar econômico nas zonas rurais em geral.
Atualmente, a dimensão das propriedades agrícolas
está cada vez menor na maioria dos países em desenvolvimento, onde
muitas famílias rurais de pequenos agricultores obtêm a maior parte
do rendimento a partir de atividades não-agrícolas.
As políticas devem aumentar o acesso a fatores de
produção, como sementes e fertilizantes, bem como aos mercados e ao
crédito, de acordo com o SOFA.
Organizações de produtores eficazes e inclusivas
podem apoiar a inovação dos ccoperados, ajudando-os a ter acesso
aos mercados, e a facilitar as ligações com os outros no sistema de
inovação, além de garantir que os agricultores familiares tenham
uma voz na formulação de políticas, destaca o relatório.
Para incentivar os agricultores familiares a investir
em práticas agrícolas sustentáveis,
que muitas vezes têm elevados custos e longos períodos de
amortização, as autoridades devem procurar criar um ambiente
favorável para a inovação.
Políticas destinadas a catalisar a inovação terão
de ir além da transferência de tecnologia, de acordo com o SOFA.
Têm também de ser inclusivas e adaptadas a contextos locais, para
que os agricultores sejam proprietários da inovação, e de ter em
consideração as questões intergeracionais e de gênero, envolvendo
a juventude no futuro do setor agrícola.