"A LUTA DE UM POVO, UM POVO EM LUTA!"

Agência de Notícias Nova Colômbia (em espanhol)

Este material pode ser reproduzido livremente, desde que citada a fonte.

A violência do Governo Colombiano não soluciona os problemas do Povo, especialmente os problemas dos camponeses.

Pelo contrário, os agrava.


domingo, 12 de abril de 2015

Santos: “Se tiver que desistir do processo de paz, desisto”



Por Horacio Duque Giraldo
O presidente Santos expõe uma chantagem à Mesa de Havana para evadir da negociação de mais de 40 temas pendentes e sai agora com a “genial” ideia de abandonar os diálogos e seus importantes avanços. Voltou à ideia da paz como claudicação. Má coisa. Está em campanha para prefeitos e governadores.
Não obstante que, em recente entrevista no El País de Madri (http://bit.ly/1M0LSMe), o senhor Santos reconheceu que não era conveniente fixar datas para a firma de um Acordo entre o governo e as Farc para pôr termo ao prolongado conflito social e armado nacional, depois de anteriormente ter fixado termos peremptórios para a firma de um pacto, alguns movimentos recentes presidenciais indicam que a ideia da “pax express”, como uma rendição da resistência campesina revolucionária, não tem sido descartada pelas esferas oficiais e pelo bloco de poder oligárquico dominante.
Ordenou os eventos.
O anúncio da visita do Papa Francisco à Colômbia nos próximos meses com sua mensagem de reconciliação e apoio aos diálogos de paz, especificamente no tema de justiça e ressarcimento estatal de milhões de vítimas da guerra; o rechaço do governo nacional às sanções gringas à Venezuela como uma manobra intervencionista, em vésperas da Cúpula do Panamá (http://bit.ly/1GEG0bI); e as denúncias contra o Procurador Ordoñez, quem pretendeu manipular o processo de paz com fins puramente eleitorais são ações plausíveis que reforçam o sentido político das conversações e acordos em matéria de paz conquistados em Havana. Pouca oposição e questionamento produzem estas decisões.
Porém, o que resulta incoerente, inconsequente, para dizer o menos, é que, no tópico seguido, Santos, muito astutamente, saia a expor uma chantagem na Mesa de havana dizendo que ‘Se, ao final, tiver que correr, corro’. (http://bit.ly/1Pg2pjI).
Santos insistiu em que sua principal aposta é acabar com o conflito armado através da via do diálogo, porém advertiu que se as Farc, de cujos membros disse que por algumas de suas atitudes parecem “bestas” [sic], não aceitam esta “oportunidade histórica” [a mesma de Mora Rangel, o do crime de Jaime Garzón] para finalizar a guerra, pois, não tem inconveniente em romper as negociações. Se, ao final, tiver que correr, corro, simples assim, explicou que, tendo que acabar com os diálogos, o faria com “a consciência tranquila” [coisa que duvido] por ter tentado pôr ponto final a uma confrontação que dura mais de 50 anos dessangrando o pais.
Absurda posição que reflete o emperramento político e a sem saída em que se encontra Santos. Se lhe esgotou a imaginação quando à vista está a proposta de convocar uma Assembleia Constituinte que aprofunde as saídas à aguda crise orgânica da qual padece o regime político das elites tradicionais, alheias aos interesses populares majoritários.
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quinta-feira, 9 de abril de 2015

Papa anuncia visita à Colômbia e dá novo ânimo aos acordos de paz


Os colombianos e colombianos estão animados o anúncio da visita do Papa Francisco ao país no próximo ano. Em uma carta recente de duas páginas ao povo colombiano, o Sumo Pontífice fala sobre o conflito armado colombiano e sobre a necessidade de que se atenda às vítimas. Analistas afirmam que o anúncio do Papa dá novo fôlego aos diálogos de paz entre o governo e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), que devem chegar ao fim pouco antes da visita de Francisco.

O cardeal Pietro Parolín, secretário de Estado do Vaticano, afirma em nota que o Papa é consciente da importância crucial do momento atual no país sul-americano e que chama os "colaboradores da obra da paz” a seguirem trabalhando em favor da justiça, da fraternidade, da solidariedade, do diálogo e do entendimento, "que são os fundamentos da construção de uma sociedade renovada”.
Parolín afirma ainda que a construção da paz é um processo complexo, que não se esgota em espaços ou planos de corta duração. "É preciso arriscar-se a cimentar a paz a partir das vítimas, com um compromisso permanente para que se restaure a sua dignidade, se reconheça sua dor e se repare o dano sofrido. A paz deve ser forjada a partir daqueles que vivem na marginalidade e na pobreza extrema, daqueles que não são incluídos na sociedade”.
O secretário de Estado propõe ainda que é preciso transformar cada paróquia e cada instituição em um hospital de campo, "em um lugar seguro no qual se possa reencontrar quem sofre atrocidades e violência. (...). Que aqueles que atuaram de forma violenta possam reconhecer as dolorosas consequências de suas ações”.
O arcebispo de Tunja e presidente da Conferência Episcopal da Colômbia (CEC), Luis Augusto Castro Quiroga, já anunciou que no próximo mês de maio os bispos que fazem parte da Comissão Permanente se reunirão para definir os detalhes da visita do Papa. Ao se referir à "politização” da visita de Francisco, monsenhor Castro Quiroga assegura que todos os colombianos estão polarizados em torno dos instrumentos para conquistar a paz, mas adverte que o Papa Francisco não deve tomar parte para ver quem quer ou não a paz, mas estimular sua conquista na Colômbia.
O presidente colombiano, Juan Manuel Santos, já chegou a declarar à imprensa que a visita do Papa Francisco seria um "reconhecimento ao processo de paz", iniciado há dois anos e meio, em Havana, Cuba. Santos afirma que Francisco tem apoiado o processo de paz desde o princípio. "Desde quando o visitei pela primeira vez, ele me disse: siga firme e não fraqueje”.
O convite da Colômbia ao Papa argentino foi feita pelos bispos da Colômbia através do cardeal Rubén Salazar, poucos dias depois da sua eleição como máximo hierarca da Igreja Católica, em março de 2013. Como ocorreu durante as duas visitas papais anteriores – a primeira, de Paulo VI, em 1968, e a segunda, de João Pablo II, em 1986 – se espera que a visita de Francisco provoque uma ampla mobilização,uma vez que a Colômbia é um país majoritariamente católico e que o Papa conta também com o apreço de muitos não fiéis.


Com apoio de Adital

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Os meios de desinformação colombianos


Integrante da Subcomissão Técnica das FARC-EP.
É comum num país como o nosso que os grandes meios de comunicação, sejam com cobertura nacional, regional ou estadual, estejam em sua maioria em mãos do poder econômico; privatizados, a serviço dos interesses dessa oligarquia que detém o poder desde há mais de 200 anos, dedicados a propagar as ideias da classe dominante, para garantir que o povo não chegue a pensar diferente.
É por isso que num país como o nosso os meios de comunicação falados, escritos e televisivos estão concentrados nos grandes poderes econômicos, nacionais e estrangeiros, para difundir o que seus donos e diretores ordenem.
Se algum de seus repórteres ou colunistas decide publicar algo que não esteja de acordo com sua linha editorial, é chamado a atenção ou despedido de seu serviço; enviado a engrossar os cordões de desemprego. Para a grande mídia, os bons comunicadores são aqueles que diariamente lançam dardos contra o povo, os que 24 horas por dia estão pensando em como enganar as maiorias do país; aqueles que em troca de um salário se dedicam a falar mal da oposição armada ou civil.
É assim como alguns comunicadores ultimamente se enfureceram contra as conversações que têm lugar em Havana, Cuba, onde se buscam alternativas distintas à guerra para o conflito que afeta nossa pátria.
O mesmo se vê quando esses meios [de comunicação] abordam a situação de Venezuela. Desconhecem que a república irmã conta com um governo legítimo, eleito democraticamente com amplo respaldo das maiorias. Se busca com essa campanha desprestigiar e desestabilizar um governo constitucional, ao tempo em que se cala a verdade sobre os graves problemas dos quais padece o povo colombiano. Não se reconhece que em Colômbia há problemas superiores de desigualdade, que o povo não tem direito à educação, à saúde, moradia, acesso à terra para os a querem trabalhar; que há corrupção, que é uma das piores formas de violência, arbitrariedades contra os que protestam etc. Se isso que a mídia mostra sobre a situação de Venezuela fosse verdade, nos perguntamos: Por que em Venezuela há 5 milhões de colombianos vivendo e não se dá o caso contrário?
A democratização dos meios de comunicação é um requisito indispensável para alcançar a verdadeira paz com justiça social. Romper esse monopólio para poder ter uns meios de comunicação verdadeiramente a serviço das maiorias; que difundam a história do povo com caráter educativo, sem desvirtuar a cultura de nossos ancestrais; com uma programação educativa sem ingerências externas; programas sobre a saúde, do agro, cuidado do meio ambiente; que trabalhem pela convivência e não se dediquem a atiçar ódios; comprometidos com valores como a solidariedade, a fraternidade; que contribuam para mudar a mentalidade egoísta do capitalismo pela de uma sociedade que deseja viver em paz, com justiça social, democracia e soberania; uma paz onde caibamos todos sem distinções de nenhuma classe, vermelhos, azuis, negros, brancos, mestiços, índios, afros, com todas as particularidades e costumes de todos os estados.
Nossa tarefa e a de todos é a luta pela democratização dos meios de comunicação com uma imprensa a serviço da sociedade em seu conjunto.
A objetividade na informação ajuda a que a notícia chegue com imparcialidade às mentes dos que estamos pendentes do acontecer diário de nossa pátria martirizada.


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Equipe ANNCOL - Brasil 

terça-feira, 7 de abril de 2015

China, Banco do BRICS e a infraestrutura brasileira



Por José Augusto Valente
No início deste mês (1/4), a Petrobras fechou com o Banco de Desenvolvimento da China um empréstimo de US$ 3,5 bilhões, para reforçar o caixa da companhia.

No dia 27/3, A Secretaria de Imprensa da Presidência da República informou que “O governo brasileiro aceitou o convite da República Popular da China para participar como membro-fundador do Asian Infrastructure Investiment Bank (AIIB), que tem como objetivo garantir financiamento para projetos de infraestrutura na região da Ásia”.

No ano passado, os países do bloco dos BRICS (Brasil, Russia, India, China e África do Sul) anunciaram a criação de um banco voltado para o financiamento de projetos de infraestrutura em países emergentes.

O Novo Banco de Desenvolvimento (NBD) foi criado com capital inicial de US$ 50 bilhões – com autorização para chegar até US$ 100 bilhões – e financiará projetos de infraestrutura também em outras nações que não façam parte do BRICS.

O fundo dos BRICS terá US$ 100 bilhões. A China ficará responsável por US$ 41 bilhões deste total. Brasil, Índia e Rússia, por US$ 18 bilhões cada, e África do Sul, por US$ 5 bilhões.

Esses fatos mostram como foi importante para o Brasil participar dos BRICS, para ter um contraponto adequado à força do FMI e suas políticas neoliberais. Até o governo alemão já demonstrou interesse em participar desse NBD!

A infraestrutura brasileira ainda é insuficiente em várias áreas. Não é para menos! A partir de 2002, a corrente de comércio exterior quase quintuplicou, passando de cerca de US$ 100 bilhões em 2002 para cerca de US$ 480 bilhões em 2011. A partir daí, o ritmo diminuiu mas continua crescente.

Os principais gargalos são as ferrovias para o transporte de grãos, além de eclusas hidroviárias nas regiões Norte e Centro-Oeste. É preciso reduzir a presença dos caminhões ao papel no qual ele é mais eficiente. O de alimentação do sistema ferroviário, hidroviário e marítimo.

Em relação às Ferrovias, o 11o Balanço do PAC2 (Dez/14) mostrou que, no período 2011/2014, foram concluídos 1.088 km, entrando em operac%u027a%u003o 855 km da Ferrovia Norte-Sul (FNS), de Palmas/ TO a Ana%u001polis/GO, e a extensa%u003o de 247 km da Ferronorte, entre Alto Araguaia/MT e Rondono%u001polis/MT. Estavam em andamento mais 2.677 km, como a Extensa%u003o Sul da Ferrovia Norte-Sul, de Ouro Verde/GO a Estrela d’Oeste/ SP, com 77% realizados, e o trecho da Ferrovia de Integrac%u027a%u003o Oeste-Leste, de Caetite%u001/BA a Ana%u001polis/GO, com 61% realizados. Além desses, foram realizados 945 km da Ferrovia Nova Transnordestina.

Estão em projeto as ligações Lucas do Rio Verde (MT)/Vilhena (RO), o prolongamento da Ferrovia Norte-Sul de Açailândia (MA)/Barcarena (PA), as conexões Nova Transnordestina/Norte-Sul em Estreito (MA) e Integração Leste-Oeste, de Barreiras (BA) à Figueirópolis, na Norte-Sul.

Há também necessidade de eclusas na hidrovia Teles Pires-Tapajós, especialmente.

Na área de portos, ainda neste ano, deverão ser licitadas 159 áreas para arrendamento dentro do porto organizado. Aguarda-se apenas a liberação do TCU.

Pois bem, esse conjunto de necessidades exigirá um volume significativo de recursos, sendo que na área de portos todos provenientes das empresas com contrato de arrendamento e concessão.

Em relação a ferrovias, haverá aporte de recursos do tesouro, devido à mudança no marco regulatório. Neste caso, a Valec compra a capacidade das ferrovias dos concessionários que construirão e/ou operarão as respectivas malhas ferroviárias e vende o direito de passagem aos operadores logísticos que quiserem utilizá-la.

Assim, o Novo Banco de Desenvolvimento poderá emprestar ao governo brasileiro os recursos necessários para pagar a construção e operação das novas ferrovias, em condições mais favoráveis, especialmente em termos de juros e períodos de amortização.

No passado, o governo utilizava prioritariamente recursos do Banco Mundial para investimentos em infraestrutura de transportes. Com o advento do Novo Banco do BRICS, abre-se uma possibilidade que poderá ser mais adequada para as atuais e futuras necessidades de investimento em infraestrutura logística, com peso menos significativo para o tesouro.

Finalmente, no âmbito da Petrobras, além dos empréstimos, a China poderá auxiliar na aceleração da produção de navios-sonda, em seus estaleiros.

Como se vê, são muitas as possibilidades decorrentes desse alinhamento do Brasil com os grandes economias de países emergentes.

Venezuela, essa estranha ameaça que oferece calefação gratuita aos pobres dos EUA


As comunidades indígenas e os refúgios de indigentes de 25 estados, mais o Distrito de Columbia dos Estados Unidos, são receptores do Programa Venezuela-Citgo de Combustível de Calefação, isto é, as famílias pobres da metade dos estados desse país recebem grátis energia para enfrentar a crítica situação de pobreza que os expõe à inclemência das baixas temperaturas que no inverno acossam a nação do norte.
O Programa Venezuela-Citgo de Combustível de Calefação foi a resposta solidária do Comandante Chávez para brindar ajuda às famílias afetadas em 2005 pelos furacões Katrina e Rita, os quais ocasionaram escassez e subida do custo do combustível para calefação.
Nesse momento, setembro de 2005, os residentes do bairro Bronx, de Nova Iorque, atendendo ao espírito humanista, solidário e não mercantil da Revolução Bolivariana, aproveitaram a visita do Presidente de Venezuela, Hugo Chávez, para comunicar-lhe sobre a penosa situação de pobreza e abandono em que se encontravam as famílias afetadas pelos fenômenos climatológicos.
Um mês depois, após a proposta de Chávez de brindar combustível de calefação, é quando, a 27 de outubro de 2005, membros do Congresso dos EUA remetem carta aberta solicitando às empresas petroleiras ajuda para as famílias de baixos recursos afetadas pelos altos preços do combustível.
Ainda assim, nenhuma empresa transnacional petroleira com sede nesse país acatou a petição da instância parlamentar. Só Pdvsa-Citgo respondeu ao chamado.
É assim como Pdvsa-Citgo exercita a tarefa de dar combustível de calefação com a finalidade de melhorar a qualidade de vida de famílias de baixa renda e indigentes atendidos por instituições sociais nos EUA, mediante o fornecimento gratuito de combustível durante o inverno.
Com a ação, Pdvsa-Citgo mostrava ante o mundo e fundamentalmente frente à opinião pública dos EUA o claro perfil de empresa comprometida com o ideal bolivariano de alcançar a maior soma de felicidade possível para os homens e as mulheres do planeta, em alinhamento com os princípios de solidariedade que guiam a Revolução Bolivariana e que se encontram plasmados na Constituição da República Bolivariana de Venezuela.
O Programa emprega como método de ajuda a concessão a cada família beneficiada de 100 galões gratuitos, o qual lhes permite uma poupança de aproximadamente 387 dólares.
O resultado produzido desde 2005 até 2014 aponta que nesses 9 anos de execução se beneficiou uma média de 140 mil lares.
Ademais, o Programa atendeu com combustível de calefação a 261 comunidades indígenas e 245 refúgios. – Ciudad CCS
Tradução de Joaquim Lisboa Neto
Tomado de Resumen Latinoamericano



segunda-feira, 6 de abril de 2015

Por que a hostilidade crescente contra a Globo?


A Globo passa por uma profunda crise de imagem, e que só tende a piorar, porque o seu jornalismo piora a cada dia.
Seu jornalismo torna-se cada dia mais e mais manipulador, mais e mais mentiroso.
As verdades são transformadas em mentiras, através de um processo de manipulação cada vez mais sofisticado e mais cínico.
As mentiras são transformadas em verdades aplicando-lhes, na superfície, um verniz de meia-verdade.
Uma de suas apresentadoras, Angelica, é fragorosamente vaiada ao visitar uma universidade (Unirio), no Rio de Janeiro.
Seus jornalistas, igualmente, não podem mais pisar nenhuma universidade pública sem serem recebidos por vaias.
Em São Paulo, 60 mil professores marchando nas ruas também entoam coros contra a Globo. Entendem que a Globo é contra eles, ao não dar informações honestas sobre a greve, sobre as condições de trabalho, puxando sempre a sardinha para o lado do governo estadual.
No complexo do alemão, moradores em protesto contra a polícia militar, que matou inocentes durante operação na favela, incluindo uma criança, hostilizam a equipe da Globonews.
Por que isso?
A Globo não é um político, um estadista, a quem as pessoas endereçam sua irritação em relação aos problemas econômicos do dia a dia.
A irritação com a Globo é algo bem mais profundo, bem mais consciente, bem mais politizado.
A presença da imprensa deveria ser comemorada por grevistas, manifestantes de uma comunidade, e universitários, porque seria a oportunidade de transmitir ideias à opinião pública.
Não é o que acontece.
Manifestantes, trabalhadores ou estudantes, protestam contra a Globo antes mesmo de saberem o resultado da cobertura, porque a experiência lhes ensinou que a Globo sempre vai distorcer a informação, contra o trabalhador, contra o estudante.
Blogueiros e jornalistas independentes sabem que a Globo é seu principal adversário, até porque a emissora não esconde isso.
Sempre que tem oportunidade, produz matérias para agredir e difamar jornalistas independentes.
Nos sindicatos e partidos de esquerda, cresce o entendimento de que a Globo se tornou o principal partido político da direita.
Um partido conservador que faz oposição à qualquer coisa que cheire a nacionalismo, qualquer coisa que beneficie o trabalhador ou o estudante.
A Globo sustenta o castelo de cartas da mídia corporativa brasileira. Um castelo de cartas que, por sua vez, sustenta o que existe de mais atrasado e reacionário em nosso país.
Toda a estrutura midiática nacional repousa sobre a Globo e seus milhares de tentáculos.
A Globo é o principal adversário, e admite isso, em editoriais, de uma regulamentação democrática da mídia, porque sabe que o seu monopólio seria o primeiro a ser atingido se o universo midiático deixasse de ser o ambiente selvagem de hoje, em que prevalece apenas o mais forte.
E o mais forte de hoje deve sua força ao regime ditatorial, por um lado, e a financiamentos ilegais dos Estados Unidos, de outro.
É uma força, portanto, duplamente ilegal, duplamente antidemocrática.
Ilegal por nascer do arbítrio interno, do golpe; e ilegal por violar nossa soberania, ao nascer do capital estrangeiro.
Antidemocrática por ter articulado o golpe e depois tê-lo sustentado; e antidemocrática por se posicionar contra o povo brasileiro, em benefício de minorias endinheiradas.
Os outros canais de TV também são ruins, mas a estrutura midiática, como um todo, tem a Globo como principal ponto de apoio.
Não é por outra razão que a Globo é blindada por todo o corpo midiático oficial.
Sem a oposição política da Globo, haveria condições de uma regulamentação democrática de TV e rádios no Brasil, introduzindo dispositivos para garantir a pluralidade política.
O trabalhador brasileiro não pode usar o controle remoto. Num canal temos Sheherazade incitando linchamento de jovens pobres, no outro Boris Casoy humilhando garis, no outro Arnaldo Jabor festejando “golpe democrático” em Honduras e sugerindo algo parecido no Brasil.
Em São Paulo, o sujeito que escolhe ver a TV pública, se depara com Augusto Nunes, blogueiro da Veja, apresentador do Roda Viva, entrevistando golpista bancado pela CIA estimulando manifestações contra o governo.
Com esse congresso, de fato, será difícil aprovarmos alguma mudança, mas isso ocorre justamente porque a mídia ajudou a elegê-lo.
As forças mais retrógradas do congresso, com Eduardo Cunha à frente, são os fiadores dessa mídia ainda tão poderosa, embora já tão decadente em termos de ética e moral.
Em todo o mundo desenvolvido, há pluralidade nos meios de comunicação.
Nos EUA, não há nada parecido com a Globo.
Estados e municípios tem jornais e TVs locais. Em muitos condados, há tvs públicas locais.
Fox e MSNBC, uma republicana, mais à direita, outra democrata, mais à esquerda, disputam a liderança dos canais fechados.
Na Europa, então, nem se fala.
O jornal em língua inglesa com mais audiência de internet no mundo é o The Guardian, de centro-esquerda.
Mesmo se você ler um grande jornal conservador americano ou europeu, como o Washington Post, nos EUA, ou o Le Figaro, na França, notará uma profunda diferença em relação à nossa imprensa: eles respeitam o outro; há um padrão civilizatório que eles não ultrapassam.
No último final de semana, houve eleições locais na França. A direita ganhou disparado. Na França, é assim. Há uns seis anos atrás, a esquerda tinha levado tudo. Agora é a direita que leva a melhor.
Le Figaro, jornal da direita, não trata a esquerda, contudo, como um inimigo a ser eliminado do mapa. Há respeito pelo adversário. Organizações de esquerda (partidos, sindicatos) são respeitadas.
Esses jornais, de qualquer forma, são apenas jornais: não possuem concessões públicas de rádio e tv.
Não há essa contínua tentativa de criminalizar a política, que assistimos aqui.
Não há essa excrescência que é termos um jornal privado, fortemente partidário, distribuindo prêmios a juízes em função de sua perseguição a um determinado partido.
Enfim, a nossa democracia, para se consolidar, precisará se livrar desses entulhos da ditadura.
Não tem nada a ver com socialismo ou comunismo.
A regulamentação democrática de sistemas de oligopólio e monopólio são medidas liberais, comuns e necessárias ao capitalismo.
O oligopólio asfixia a livre iniciativa, trava o empreendedorismo, sufoca a criatividade.
Um país tão rico e tão diverso acorrentado aos pés de um monstro criado na ditadura?
Nossa democracia, nossos filhos, merecem mais que isso.


Deixem fazer a Paz!


Por Carlos Antonio Lozada, Integrante do Secretariado das FARC-EP
Não são casuais as coincidências nos pronunciamentos do uribismo, o Procurador e o General ® Jaime Ruiz Barrera, Presidente de ACORE, contra o processo de Havana. Coincidências não só na linguagem como também no fato de apelar para a mentira e a falsificação da realidade para sustentar a investida contra os diálogos de paz.
Claudicação frente ao terrorismo”, “desmoralização das Forças Armadas”, “acordos secretos”, “incremento dos ataques terroristas e da insegurança” etc. são parte dos bordões utilizados para confundir a opinião incauta dos colombianos, buscando criar medo e rechaço ao processo de Havana; o que, por sua vez, lhes permite camuflar seus inconfessáveis propósitos sob sonoras frases de aparente patriotismo e defesa dos sagrados interesses da nação.
Uma tática, baseada em claros propósitos casuístas dirigida a gerar emoções antes que raciocínios. A manipulação como recurso para obter o apoio a umas teses contrárias ao anseio majoritário dos colombianos de paz com justiça social.
O objetivo estratégico que buscam é fazer abortar o processo; ou em seu dano, se finalmente este consegue se consolidar, sem renunciar nunca ao propósito principal, tratar de incidir para que os conteúdos dos acordos alcançados não afetem de maneira significativa os interesses econômicos, políticos e sociais que representam.
Para ninguém é um segredo que a Agenda acordada em Havana busca desatar os principais nós que mantêm a Colômbia amarrada à concentração da terra e à marginalidade do campo, ao distanciamento abismal entre a vida urbana e rural; ao clientelismo político e à corrupção, à hegemonia política e ideológica de uma minoria autoritária, ligada por seus interesses ao grande capital transnacional.
Manter sem modificar por longo tempo esse estado de coisas, apesar dos desejos majoritários de mudança e da emergência de forças sociais e políticas que lutam por melhoras na sociedade colombiana só tem sido possível graças ao exercício sistemático da violência estatal e paraestatal por parte das elites dominantes.
O acima exposto é o que explica a origem e a persistência do conflito armado colombiano e lhe dá sua conotação econômica, política e social. Nesse sentido é ilustrativo o informe da Comissão Histórica do Conflito e suas Vítimas e é o que permite entender, por sua vez, porque certos setores da classe dominante se assustam com a perspectiva de um cessar do conflito armado que implique algumas mudanças no mundo rural e uma mínima abertura no sistema político. A conclusão é simples: Sem a guerra veem seus dias contados.
Durante os 8 anos que estiveram no poder, os setores que hoje se opõem ao processo não pouparam esforços, meios nem recursos para tratar de massacrar a resistência armada e a inconformidade civil. Como nunca antes, se uniram sob uma só vontade a classe dominante e todo o poder do Estado; ao que somaram o apoio dos EUA e a estratégia paramilitar; numa verdadeira orgia de sangue contra o povo colombiano; sem que tivessem conseguido derrotar os anseios de mudança que se aninham na alma colombiana, como não foi possível fazê-lo durante mais de 50 anos.
A conclusão é clara: Já que não puderam resolver o conflito por meio de uma guerra sem quartel, então deixem fazer a paz.
O que está em jogo é o futuro do país; enfrentar o grupo de guerreiristas é uma prioridade política que obriga por igual a todos os que vemos possível gestionar as diferenças que nos separam, pela via da confrontação democrática de ideias e de alternativas políticas. 
A culminação exitosa dos diálogos de paz não é só competência do Governo e das FARC-EP; é uma tarefa histórica de toda Colômbia. Nesse sentido são estimulantes as mobilizações que se anunciam em respaldo ao processo, porém não são suficientes. A paz, temos que conquistá-la, e esse objetivo requer a composição da mais ampla frente de unidade política, sem distinções de partido, classe social, credo religioso, etnia para poder encurralar este grupo minoritário, porém poderoso, que se empenha em manter-nos submersos no pântano da guerra.

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Equipe ANNCOL - Brasil

sábado, 4 de abril de 2015

Só um magnicídio poria em perigo o processo de paz: De Zubiría


Por Augusto Aponte
O integrante da Comissão Histórica crê que Constituinte é a melhor via para ratificar a paz.
Uma grande expectativa se gerou em torno da discussão entre o Governo e as Farc pelo tema de se o processo de paz é irreversível ou não.
No seio da Comissão Histórica do Conflito e suas Vítimas, criado em Havana, saiu uma voz alertando sobre o perigo que poderiam correr os acordos por uma trama que se estaria planejando entre setores inimigos dos diálogos.
Sergio Zubiría, licenciado em Filosofia e mestre em História, disse a Kienyke.com que a única coisa que faria desequilibrar o processo de paz a estas alturas é um magnicídio. “Por exemplo, um magnicídio contra os comandantes em Havana, ou o assassinato do ex-presidente Uribe, e isto não é nada descabido”, indicou.
Ainda que tenha assegurado que não quer ser uma ave de mau agouro, de Zubiría assinalou que há que tomar todas as medidas de segurança e estar alertas nesta última fase do processo de paz, que, segundo disse, é a mais difícil.
Por que é a mais difícil?
De Zubiría, quem é um dos doze integrantes da Comissão Histórica do Conflito e suas Vítimas, assinalou que como os acordos estão em sua parte final, os inimigos dos mesmos assestarão baterias contra eles. Ademais, assinalou que as discussões em Havana ficarão mais intensas porque se está debatendo o desarmamento e a reinserção, junto com a participação política.
Além disso, assinalou que, apesar das demonstrações de boa vontade de ambas as partes, o processo não tem estado isento de problemas e inconvenientes. “Há muitos elementos esperançosos, porém ao mesmo tempo vemos elementos como a ruptura da trégua, setores de extrema direita que não querem envolver-se no processo; vemos que a própria Comissão Assessora da Paz tem elementos de falta de representatividade”.
Frente a este último tema, o filósofo e historiador manifestou que “não há grêmios dos próprios terra-tenentes, não há associações campesinas, tampouco há representação de partidos políticos”.
No entanto, Sergio de Zubiría ressaltou os acordos alcançados até o momento entre o Governo e as Farc, ainda que admitiu que não se trata de uma reforma estrutural, manifestou que é um passo positivo para reconhecer a população mais vulnerável do país e repará-las.
O que se pactua em Havana no primeiro ponto não é uma reforma agrária e sim um fundo de terras para entrega gratuita aos campesinos despossuídos. Aspiramos a que seja um fundo de três a cinco milhões de hectares, para que os mais pobres voltem das cidades para o campo”, disse.
Frente ao tema da representação política no pós conflito, ressaltou que a discussão se centrou na criação de uma circunscrição especial na Câmara de Representantes para aquelas “zonas que foram as mais ensanguentadas, onde não participarão os partidos tradicionais mas sim novos movimentos sociais e campesinos, deixando por fora também as Farc. Isto abre a possibilidade de participação política a grupos que nunca chegaram ao Congresso”, disse.
A respeito de se os chefes guerrilheiros desmobilizados devem pagar cárcere, o integrante da Comissão Histórica do Conflito se mostrou em desacordo com esta tese.
Não é em todo processo de negociação que há que ir para o cárcere, está o exemplo do Nepal, Filipinas, das guerrilhas da América Central, nos que por ser um delito político, uma rebelião, não pagaram nenhum dia de cárcere; simplesmente repararam à sociedade com verdade, com reparações simbólicas. Em Colômbia, de que nos tem servido que tenha ido para o cárcere um grupo de paramilitares?, de que tem servido às vítimas? Há uma visão punitiva, vingativa, de que a única forma de fazer justiça é a retaliação”, assinalou.
Assegurou que as vítimas em Havana não pediram cárcere para os guerrilheiros e sim um cessar-fogo bilateral.
Por último, no tema de como devem ser ratificados os acordos, de Zubiría assegurou que para as reformas que o pós conflito necessita é necessário convocar uma Assembleia Nacional Constituinte.
Há que reconhecer que para ratificar os acordos em Havana há mecanismos mistos; há umas coisas que poderiam ir a referendo e outros deveriam ir a uma Assembleia Constituinte, como, por exemplo, para o caso da educação, da justiça, pois o do equilíbrio de poderes apenas são paninhos de água morna, o que se necessita é abrir um debate grande em Colômbia”, manifestou.
Comissão Histórica do Conflito e suas Vítimas
Para que foi criada esta Comissão? Sergio de Zubiría explicou como nasceu esta ideia:
Em agosto de 2014, a mesa de Havana chegou a um acordo para criar uma comissão histórica para esclarecer as raízes do conflito. Uma vez que se chegou ao acordo de seu funcionamento e das perguntas que tinha que responder, se começou a criar uma lista de intelectuais e acadêmicos que poderiam contribuir com essa comissão.
Tanto as Farc como o Governo designaram doze membros que ao término de quatro meses devia, cada um, escrever um informe de 40 páginas que respondessem as seguintes perguntas: Qual foi a origem e as causas do conflito armado? Quais são os fatores e condições da persistência do conflito? Quais têm sido os impactos maiores na população? e Quais são as responsabilidades?
Os informes foram entregues a dois relatores: o ex-reitor da Universidade Nacional Víctor Manuel Moncayo e o embaixador da Colômbia em Haia, Eduardo Pizarro León-Gómez. As duas relatorias fizeram um só informe com os doze informes entregues inicialmente, e este contou com mais de 800 páginas.
O que cada integrante da comissão tinha que fazer era ler, recopilar e estudar trabalhos investigativos já elaborados. “Eu escolhi um grupo de historiadores, escritores, sociólogos, politicólogos que já fizeram trabalhos consolidados para responder as quatro perguntas formuladas. Fiz referência a Germán Colmenares, Álvaro Tirado Mejía, Marco Palacios. Depois, o que fiz foi organizar os autores dependendo da intencionalidade das perguntas, e sistematizar teses, elaborar críticas sobre a guia”, explicou.
No entanto, o analista assinalou que esta comissão histórica não tem precedente nos processos de negociação a nível mundial, pois se compôs sem que se tenha acabado o conflito, e o que busca é dar insumos para que sejam levados em conta pela comissão da verdade, que teria que ser criada com a firma do acordo.
De fato, dias atrás as Farc advertiram ao Governo que as conclusões que a Comissão Histórica apresentou têm que ser levadas em conta e não convertê-las numa mera saudação à bandeira.
Segundo indicou Sergio de Zubiría, as causas do conflito armado são profundas e múltiplas. “Desde o primeiro informe de 1962, que é originário do debate, se fala da multicausalidade e da complexidade do mesmo. Assuntos que poderiam ser resolvidos a partir de reformas sociais, agrárias, porém que não se fizeram ou se adiaram, foram se acumulando as causas e o conflito foi se tornando mais grave”.
Assegurou, ademais, que “hoje em dia, as causas do conflito não são exatamente iguais, porém, sim, tem havido uma persistência das mesmas causas da origem da confrontação armada [...] e da maior impunidade em Colômbia seria deixar intactas as causas que desencadearam o conflito armado”.
Por outro lado, de Zubiría ressaltou a cúpula mundial sobre paz que se levará a cabo em Bogotá de seis a dez de abril e a grande marcha nacional pela paz, “na qual se aspira que cheguem a Bogotá cerca de 200 mil pessoas, campesinos, indígenas, afrodescendentes”.

Kienyke 

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Equipe ANNCOL - Brasil

Snowden, Obama e o IV Reich Americano



Por Miguel Urbano Rodrigues.



O documentário de Laura Poitras "Citizenfour", premiado com um Óscar, não tem tido a atenção que merece por parte do público no nosso país.

O seu título é o nome de código de Edward Snowden, o ex agente da CIA que revelou ao mundo a existência e o funcionamento do monstruoso sistema de espionagem criado pela NSA, cujos tentáculos cobrem o mundo. Peça fundamental da estratégia imperialista de dominação planetária, o desmascaramento desta ameaça é uma tarefa de defesa da humanidade.
Contei as pessoas à saída da sala do pequeno cinema do Porto que acabara de exibir o documentário Citizenfour: eram apenas 19.
Porquê tão pouca gente?

Eu conhecia a resposta:
1.A esmagadora maioria dos portugueses (o panorama não difere muito noutros países) desconhece a perigosa ameaça que a estratégia de poder dos EUA representa para a humanidade.
2. É extremamente difícil conseguir que centenas de milhões de pessoas, manipuladas pela gigantesca máquina de desinformação mediática controlada por Washington, tomem consciência de que os valores da chamada «democracia americana» são hoje uma arma de propaganda e que nos EUA, neste início do seculo XXI, a Casa Branca, o Pentágono e a Agencia Nacional de Segurança – NSA com a cumplicidade do Congresso, montaram uma engrenagem diabólica, na prática incontrolável, para dominar o planeta, através, da espionagem.
Citizenfour é o nome de código de Edward Snowden no Documentário em que a cineasta e jornalista norte-americana Laura Poitras resume em linguagem fílmica a estória do jovem informático, ex agente da CIA, que revelou ao mundo a existência e o funcionamento do monstruoso sistema de espionagem criado pela NSA, cujos tentáculos cobriam o mundo.
O importante no filme não é a sua qualidade, mas o desmascaramento da ameaça à humanidade.
Snowden estava em Hong Kong quando, após cautelosos contactos por mails encriptados, aceitou encontrar-se naquela cidade com Laura Poitras e o jornalista americano Glenn Greenwald, colunista do diário britânico The Guardian. Sabendo que estava a ser vigiado, entregou a ambos os documentos secretos em seu poder. Quando Greenwald, com a sua anuência, começou a publicá-los em The Guardian, ficou transparente que o chamado sistema de Vigilância da NSA, elogiado pelo presidente Obama, é, na realidade, uma poderosa máquina de espionagem de dimensão planetária. O escândalo adquiriu proporções mundiais quando o Washington Post e o semanário alemão Der Spiegel e a BBC decidiram também divulgar provas indesmentíveis das atividades ilegais da NSA, criminosas segundo o direito internacional. Até a chanceler Angela Merkel, entre muitos outros aliados dos EUA (incluindo Dilma Roussef e o próprio Cameron) era alvo da espionagem da NSA.
Obama sentiu a necessidade de intervir e pediu desculpas a Merkel, e ela, tao hipócrita como o americano, simulou acreditar na garantia de que não voltaria a ser espiada pela NSA.
O filme ilumina bem o cinismo do presidente dos EUA, mais perigoso para a humanidade do que Reagan e os Bus. Não somente atacou agressivamente Snowden, afirmando que não era «um patriota», como deu luz verde à perseguição judicial iniciada ao ex funcionário da NSA. Para o incriminar acharam que o Patriot Act era insuficiente e foram desenterrar uma lei da época da Primeira Guerra Mundial, que visava desertores e terroristas. No Senado e na Camara dos Representantes chegaram a exigir-lhe a cabeça, e nos grandes media tornaram-se rotineiros os apelos para que fosse assassinado.
Em Hong Kong, Snowden apercebeu-se de que se permanecesse ali as suas probabilidades de sobreviver eram mínimas. Retiraram-lhe inclusive o passaporte americano.
O documentário de Laura Poitras descreve os esforços de Greenwald e outros amigos para o tirarem da China enquanto pedia asilo a muitos países. A ajuda de Sónia Bridi, uma jornalista do Wikileaks, de Julian Assange, foi decisiva para o meterem num avião da Aeroflot que o levou a Moscovo. O desfecho da estória é bem conhecido. Snowden permaneceu na área internacional do aeroporto internacional daquela cidade, até que finalmente o governo de Putin, resistindo às pressões de Washington, lhe concedeu asilo na Rússia. Ali se encontra ainda.
O escasso número de espectadores que o filme de Laura Potras, premiado com um Óscar, tem atraído em Portugal é esclarecedor da dificuldade, mencionada no início deste artigo, da desmontagem da máquina de desinformação do imperialismo. O sistema dos Cinco Olhos que transforma a mentira em verdade - no qual o Reino Unido, o Canadá, a Austrália e a Nova Zelândia participam como cúmplices - tem aliás colaborado ativamente com a NSA.
Mas o diabolismo da espionagem mundial da Agencia de Segurança norte americana funciona também como incentivo à luta contra a engrenagem do sistema de poder que gradualmente está transformado os EUA num Estado totalitário com matizes neofascistas,
Não instalou campos de concentração, não construiu camaras de gás e fornos crematórios mas, sob uma enganadora fachada democrática, faz do seu sistema de espionagem o instrumento de um poder hegemónico, desencadeia guerras genocidas, saqueia os recursos naturais de dezenas de povos e semeia o terrorismo pelo mundo. Neste início do seculo XXI os seus atos e ideologia justificam o qualificativo de IV Reich.



Fonte: O Diário.

quinta-feira, 2 de abril de 2015

A propósito da deixação de armas: História de compromissos descumpridos


Por Luis Jairo Ramírez H
Santos deve entender que a oligarquia deve renunciar a suas práticas políticas violentas, que a convivência democrática exige a desmilitarização total da vida nacional e o reconhecimento pleno da oposição de esquerda.
Por estes dias, a direita do país e seus meios de imprensa puseram o grito no céu quando os insurgentes que dialogam em Havana disseram que os acordos de paz não implicam a entrega de armas e que não cumprirão um dia de cárcere, porque com o levantamento armado exerceram o direito à rebelião contra a tirania de um regime sanguinário que durante 60 anos privou o país da democracia e das liberdades públicas.
Este tema há que ser abordado à luz da história colombiana, abarrotada de fatos que nos mostram uns governantes dos partidos tradicionais acostumados ao descumprimento de suas promessas e compromissos. Por isso, 60% dos eleitores se abstêm, porque os politiqueiros, uma vez eleitos, fazem todo o contrário do que prometeram.
As castas liberal-conservadoras argumentam folcloricamente que num país democrático como Colômbia, com divisão de poderes, não se justifica a rebelião armada; pretendem ignorar deliberadamente que aqui não só não houve democracia durante 200 anos, porque se impôs uma longa hegemonia política dos dois partidos tradicionais, como também se recorreu ao uso permanente da violência como forma de governo e com práticas medievais, como o extermínio físico da oposição e dos movimentos sociais.
A burguesia colombiana tem bem ganha sua fama trapaceira. As recentes mobilizações campesinas não exigiam reivindicação alguma; foram para reclamar o cumprimento de compromissos subscritos sete anos atrás. O mesmo passa com duas leis de vítimas que são um completo fracasso, e hoje nos surpreendem com uma lei que, em vez de destinar as terras ociosas aos milhares de campesinos despojados, estão titulando-as para setores empresariais, financeiros e para grandes terra-tenentes.
Já é um saber popular que em Colômbia a oligarquia se acostumou a eliminar fisicamente os seus opositores. Em 1914 é assassinado Rafael Uribe Uribe, considerado um liberal de esquerda, e quem, se não fosse eliminado, teria chegado à presidência; e assim sucessivamente muitos lutadores sociais e políticos caíram nas mãos traiçoeiras da reação direitista, entre eles o líder Jorge Eliécer Gaitán, em 1948, assassinado durante o governo conservador de Mariano Ospina Pérez; Gaitán contava com um enorme apoio popular para ser eleito presidente do país.
Em 1953 se produziu uma nova cilada com o armistício e a entrega de armas subscrito entre as guerrilhas liberais do Llano [campo], lideradas por Guadalupe Salcedo, e a ditadura militar de Rojas Pinilla. Os guerrilheiros cumpriram com a entrega de armas, porém o governo militar descumpriu com as demandas dos desmobilizados, no chamado Pliego de la Gileña, que continha sete pontos de reparação [Arturo Alape, La paz, la violencia, Editorial Planeta, 1985, pág. 143]; porém, o mais grave é que depois Guadalupe Salcedo e seus companheiros foram assassinados um a um em estado de indefensabilidade pela própria Polícia, todo o qual ficou na impunidade.
Em 1984, como fruto dos diálogos do governo de Belisario Betancur e as FARC, se pactuaram os Acordos de La Uribe. Neles se estipulou o surgimento de um movimento de oposição [a UP] para permitir que a guerrilha se incorporasse paulatinamente à vida legal do país.
As condições que permitiriam esse trânsito à legalidade consistiam num compromisso oficial para garantir plenamente os direitos políticos aos integrantes da nova formação, e a realização de uma série de reformas democráticas para o pleno exercício das liberdades civis, porém o bipartidarismo tradicional, as Forças Militares e o paramilitarismo estatal, como o chamou o próprio Mancuso, burlaram os acordos e se produziu um genocídio brutal contra membros da União Patriótica, frustrando assim os anseios de paz de milhões de colombianos. Até hoje as elites dominantes têm se negado a pedir perdão ao país por estes fatos de enorme brutalidade institucional.
A 20 de novembro de 1985, Óscar William Calvo foi assassinado de forma covarde e pelas costas por efetivos do Exército, quando exercia como porta-voz político durante uma trégua pactuada com o EPL. Depois, em fevereiro de 1987, Ernesto Rojas, comandante geral do EPL, foi detido em Bogotá, torturado e assassinado a sangue frio em operação na qual participou o general Óscar Naranjo.
Posteriormente, Carlos Pizarro, que já tinha sido ferido pelo Exército durante a firma do Acordo de Paz entre o governo e o M-19 [estados de Huila e Cauca], foi assassinado em 26 de abril de 1990, em pleno voo, após firmar a paz no governo de Virgilio Barco e quando era candidato presidencial. Em 1993, também em pleno processo de negociações de paz, foram torturados e assassinados pelo exército Enrique Buendía e Ricardo González, negociadores da Corrente de Renovação Socialista, dissidência do ELN.
A 4 de novembro de 2011, quando já avançavam os intercâmbios para iniciar o processo de paz, em meio a uma intensa operação militar, foi detido e humilhado Alfonso Cano, comandante máximo das FARC, e, após ordem expressa do presidente Santos, assassinado pelo Exército quando se encontrava inerme. Esta sucessão de acontecimentos históricos mostram como em cada negociação com a insurgência os regimes de turno prepararam armadilhas para atentar de forma traiçoeira contra os anseios de paz da população.
Agora, toda a direita e a grande imprensa, a uma só voz, reclamam da guerrilha a entrega de armas, porém não há o desmantelamento da herança paramilitar que Uribe Vélez. Deixou, nem a depuração da Força Pública, envolvida em muitas ocasiões em crimes atrozes contra figuras da vida política nacional e líderes sociais, nem garantias efetivas para que aos guerrilheiros integrados à vida civil se lhes respeite sua integridade e o exercício de sua atividade política.
Nesta ocasião não se pode repetir a história trágica de uma burguesia que trai os pactos e assassina seus opositores, pois um fato tal empurraria a sociedade para uma guerra civil de incalculáveis consequências. Santos deve entender que a oligarquia deve renunciar a suas práticas violentas, que a convivência democrática exige a desmilitarização total da vida nacional e o reconhecimento pleno à oposição de esquerda.


Semanario Voz


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Equipe ANNCOL - Brasil

quarta-feira, 1 de abril de 2015

FARC-EP: «É mais fácil dialogar entre os que estiveram no campo de batalha»



Carlos Antonio Lozada é integrante do Secretariado das FARC-EP e chefe da Subcomissão Técnica designada pela delegação de paz da guerrilha que, junto a altos cargos militares, analisa o fim do conflito armado e sua desescalada.
Carlos Antonio Lozada, membro do Secretariado das FARC-EP, está encarregado da Subcomissão Técnica nomeada pela delegação de paz para analisar junto a altos cargos militares o fim do conflito armado. E, junto ao general e delegado do Governo Oscar Naranjo, integrará o grupo de referência que, em parceria com as outras duas estruturas acordadas pela Mesa de conversações na sexta-feira passada, deverá iniciar os trabalhos de limpeza e descontaminação de minas antipessoa, artefatos explosivos improvisados, munições sem explodir e restos explosivos de guerra. Este plano piloto começará a ser aplicado nos estados de Antioquia e Meta.
Lozada, quem viveu em carne própria os bombardeios contra acampamentos da guerrilha, assegura, em resposta ao questionário remetido por GARA via e-mail, que a presença em Havana de destacados militares «é decisiva» e que «é mais fácil o intercâmbio entre aqueles que estiveram enfrentados no campo de combate e falam uma mesma linguagem»
A suspensão dos bombardeios durante um mês aplana o caminho para um cessar-fogo bilateral?
A decisão do presidente Juan Manuel Santos de suspender por um mês os bombardeios aos acampamentos das FARC-EP, prorrogável se assim o considera, tem mais um sabor de chantagem que de outra coisa. Não se trata de um gesto humanitário, nem de desescalada do conflito, como foi qualificado por alguns meios de informação. Durante o ciclo 33 das conversações, as FARC apresentaram ante os países garantidores um documento onde se detalham 15 gestos unilaterais de paz realizados com um claro sentido humanitário, entre os quais podemos mencionar a suspensão definitiva das retenções com fins econômicos; a libertação do general Alzate e a de vários soldados capturados em combate; a entrega ao CICV de menores de idade adestrados pelas Forças Armadas oficiais para infiltrá-los na guerrilha com o objetivo de assassinar comandantes e realizar ações de sabotagem. Estes fatos, que deveriam ser respondidos com reciprocidade por parte do Governo, têm sido desconhecidos e, por outro lado, se nos quer submeter a essa inaceitável chantagem mensal de ameaçar-nos com a retomada dos bombardeios, se as guerrilhas respondem às contínuas operações militares contra suas forças.
Após sobreviver a vários bombardeios, como os descreveria?
Contra nós se tem aplicado o uso desproporcional da força por parte do Estado, o que constitui uma clara violação do Direito Internacional Humanitário, toda vez que a insurgência não conta com aviação ou armamento antiaéreo. Este tipo de ataques, realizados contra as unidades guerrilheiras em horas noturnas, enquanto dormem, ademais de covardia, demonstram o nível de degradação a que chegou a classe dominante colombiana. Apesar da brutalidade dos referidos ataques, temos sabido assimilar os golpes recebidos e adequar sua tática para evitarmos ser surpreendidos. Este tipo de bombardeios indiscriminados gera pânico e terror entre a população, o que, por sua vez, provoca deslocamentos e danos psicológicos irreparáveis, além das consequências sobre o meio ambiente e as espécies animais que caem vítimas da explosão de centenas de quilos de TNT.
A confiança é chave num processo de diálogo. No dia de hoje, é suficientemente sólida para fazer frente a previsíveis incidências?
Um processo de paz é um complexo exercício de tecer confiança mútua entre duas partes que têm estado enfrentadas à morte. Isso torna muito difícil avançar, sobretudo nos inícios do processo; por essa razão, cada passo que se vai dando deve ser avaliado suficientemente pelas partes e cuidado como um patrimônio do processo. A três anos de ter-se iniciado, o processo de Havana tem em seu haver três acordos parciais sobre o tema de desenvolvimento agrário, a ampliação da democracia e uma nova política antidrogas; ademais do recente acordo sobre descontaminação de minas, artefatos explosivos improvisados, munições sem explodir e restos de explosivos de guerra. Tudo isto somado a um saldo positivo que faz com que cada vez seja maior a credibilidade e confiança entre as partes, o que, por sua vez, é um grande ativo para enfrentar os momentos difíceis.
É mais fácil o diálogo entre os que combatem?
A presença de altos oficiais da Força Pública em Havana é um fato sem precedentes em anteriores processos de paz em Colômbia, sua contribuição será decisiva para o êxito do processo e assim o confirma o fato de que nas primeiras reuniões entre combatentes o ambiente reinante é de muito respeito, cordialidade e reconhecimento mútuo. Sem dúvida, é mais fácil o intercâmbio entre os que têm estado enfrentados no campo de combate e falam uma mesma linguagem; ademais, porque o [fato de] ter compartilhado os rigores da confrontação os aproxima e permite, nos momentos de recesso, rememorar situações de guerra onde uns e outros estiveram envolvidos, sem saber que anos mais tarde iriam estar sentados ao redor de uma Mesa de conversações.
Vê próxima uma Colômbia livre de minas?
O acordo contempla, além das minas antipessoa, os artefatos explosivos improvisados, munições sem explodir e os restos explosivos de guerra; e, como já se disse, é apenas o começo de um processo que, segundo os entendidos no tema, finalizado o conflito, deve levar-nos a que em alguns anos possamos declarar a Colômbia livre deste tipo de artefatos.
Como afrontam as FARC-EP os problemas éticos que o uso de minas gera?
Contra nós se tem descarregado o peso de uma poderosa máquina de guerra que envolve não só o elevado orçamento militar do Estado, como também que inclui a ajuda militar norte-americana, que ascendeu a mais de dez bilhões de dólares nos últimos anos, ao que há que acrescentar assessoramento, informação e todos os avanços tecnológicos com que conta o complexo militar industrial dos Estados Unidos e Israel. A essa força descomunal temos enfrentado com os exíguos recursos de uma guerrilha proletária, incluído o armamento popular. O antiético e inumano é lançar semelhante desproporção de meios contra um povo que o único que clama é paz com justiça social, democracia e soberania. A rebelião armada não é só um direito, é também um dever dos povos subjugados.
Como avalia o fato de que guerrilheiros, sem uniforme, e militares trabalhem conjuntamente no desminado?
Esse fato, que em breve será uma realidade em Colômbia, mostra a maturidade que o processo de Havana vai alcançando.
Pode esta cooperação ajudar a assentar as bases de uma futura reconciliação?
Sem lugar a dúvidas, que as partes que têm estado enfrentadas por mais de 50 anos possam se pôr de acordo para trabalhar conjuntamente num mesmo propósito humanitário, sem ter concluído ainda o conflito, é um sinal muito promissor do que pode chegar a ser o reencontro da família colombiana. Nesse propósito, as FARC-EP apostam todos os esforços.
Propuseram a criação de uma comissão integrada por guerrilheiros, militares e pessoal do CICV para buscar os caídos em combate. Que acolhida teve esta proposta?
Lamentavelmente, até o momento não conseguimos acordar com a delegação governamental os termos para a construção deste acordo humanitário que permitiria aliviar a dor de muitas famílias de militares e guerrilheiros que não puderam dar sepultura digna a seus seres queridos. Esperamos que em breve possamos dar essa boa notícia.
Como se passa para um cenário de paz após um conflito caracterizado por massacres, torturas, esquartejamentos...?
Se chegando a um acordo definitivo, este será só o começo de um longo processo histórico, em que o povo terá que encontrar as formas de sanar suas feridas e que deve começar por realizar as transformações estruturais que deram origem ao conflito. A paz não será possível se, ademais de verdade, justiça e reparação integral, às vítimas não se lhes brindam garantias de não repetição, e isso só é possível se os acordos apontam em direção a superar as causas econômicas, políticas, sociais e de dependência que deram origem ao enfrentamento armado. Ali está o segredo para poder virar essa dolorosa página.
Expertos em resolução de conflitos, como o britânico Jonathan Powell, afirmam que devem ser tomadas «decisões difíceis e impopulares». O líder republicano Gerry Adams confessou em suas memórias que «a negociação mais dura é a que faz alguém com os seus». Compartilha estas reflexões?
A essas reflexões, por demais válidas, poderíamos acrescentar que sempre será mais difícil fazer a paz que continuar a guerra. Durante os primeiros intentos por encontrar uma saída política ao conflito, um comissionado do Governo, pioneiro destes esforços, o doutor John Agudelo Ríos, quem já faleceu, cunhou uma frase que as FARC adotamos como própria, porque sintetiza de alguma maneira a complexidade destes processos. Dizia que umas conversações de paz se parecem com a arte de enfileiras pérolas no mar.
«As vítimas não pedem vingança»
As FARC propuseram um «perdão coletivo social e político» e asseguram que não aceitarão um acordo que implique um só dia de cárcere. Estão as vítimas dispostas a dar esse passo?
São mais de 60 as propostas que formulamos relacionadas com o tema vítimas, ao que haveria que acrescentar outras 140 apresentadas pelas vítimas em distintos fóruns e nas audiências com as delegações em Havana. O denominador comum foi a exigência às partes de continuar adiante com o processo até sua culminação exitosa para evitar novas vitimizações; porém também para garantir a não repetição. Não houve em nenhum momento um só pronunciamento que pedisse vingança ou algo parecido; todo o contrário, a característica de todas as intervenções foi a generosidade que brota de corações que têm padecido a dor de uma longa e cruenta guerra. Porém, ademais, as audiências serviram para estabelecer as múltiplas responsabilidades dos distintos setores da sociedade colombiana nesta tragédia. Essa realidade é a que dá sustento a nossa proposta de chegar a um grande ato público de reconhecimento e perdão coletivo social e político, como um primeiro passo em direção à reconciliação nacional e à dignificação das vítimas. Não se trata de reduzir este ponto da agenda ao tema de castigo e mais exatamente de cárcere para uma das partes do conflito. O Estado não pode pretender ser juiz e parte; menos ainda quando a justiça em Colômbia chegou a um estado de prostração frente às máfias e à corrupção. E acrescentamos: sendo a rebelião um direito reconhecido pela ONU, não estamos dispostos a ir para o cárcere por termos feito uso legítimo desse direito. A. LERTXUNDI
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Equipe ANNCOL - Brasil