"A LUTA DE UM POVO, UM POVO EM LUTA!"

Agência de Notícias Nova Colômbia (em espanhol)

Este material pode ser reproduzido livremente, desde que citada a fonte.

A violência do Governo Colombiano não soluciona os problemas do Povo, especialmente os problemas dos camponeses.

Pelo contrário, os agrava.


domingo, 26 de julho de 2015

Santos ordena suspender os bombardeios contra las FARC



O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, informou a noite deste sábado a suspensão dos bombardeios aéreos a campamentos das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) e especificou que só se realizarão trás uma ordem explícita sua.

Este contenido ha sido publicado originalmente por teleSUR bajo la siguiente dirección:
http://www.telesurtv.net/news/Santos-ordena-suspension-de-bombardeos-contra-las-FARC-20150725-0041.html.


Comissão de Esclarecimento da Verdade, JÁ


La Habana, Cuba, sede dos Diálogos de Paz, 23 de julho del 2015
No encerramento do Ciclo 37 de conversações, a Colômbia recebeu com expectativa e otimismo o anúncio da criação da Comissão de Esclarecimento da Verdade, da Convivência e da Não Repetição e de um “Sistema Integral de Verdade, Justiça, Reparação e Não Repetição”, que cumpra com o fundamento de que, efetivamente, “ressarcir as vítimas está no centro do acordo”.
Nas últimas jornadas de trabalho construímos o documento “Agilizar em Havana e desescalar em Colômbia”, concretizando-se um “Plano de Trabalho” que servirá de força adicional de impulso ao Acordo Geral de Havana.
Nesta etapa avançaremos com uma nova metodologia que aponta a realizar um trabalho técnico, integral e simultâneo no tratamento dos temas e na busca de conclusões prontas. Em meio a um ambiente de desescalada do conflito, cuja base foi a declaratória unilateral de cessar-fogo por parte das FARC-EP, e o compromisso do governo de atuar em correspondência, trataremos de alcançar o “Cessar-Fogo bilateral e definitivo”. Em quatro meses faremos as primeiras avaliações sobre os resultados e as perspectivas.
O mais urgente agora é concluir a configuração da Comissão de Esclarecimento da Verdade, da Convivência e da Não Repetição. A esse respeito, teremos que fazer todo o necessário para fazê-la andar antes que termine novembro, porque há que levar em conta que, se o bem jurídico tutelado neste processo é a paz como direito síntese e as vítimas, a participação Destas deve se dar desde já, tomando a verdade como base para a construção de qualquer sistema de justiça. Em consequência, para falar de justiça, haverá que falar primeiro da VERDADE.
O êxito destes objetivos maiores terá que passar pela reparação das vítimas, retomando a Mesa o estudo dos informes da Comissão Histórica do Conflito e suas Vítimas e abordando sem mais morosidades o esclarecimento do fenômeno do paramilitarismo, a respeito do qual já está assentada e publicada nossa proposta de 9 de julho de 2015, com um anexo também público, que denuncia a situação atual dos grupos paramilitares.
Se a verdade pura e simples é a melhor maneira de persuadir, comecemos a conhecê-la desde já, pela boca dos atores do conflito e das vítimas, como um gesto enorme de desescalada. E, claro está, deverão ser abertos os arquivos.
DELEGAÇÃO DE PAZ DAS FARC EP.

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Equipe ANNCOL - Brasil

Se Começa a pressentir o fim da epopeia


Por Alberto Pinzón Sánchez
Não é o mesmo JM Santos fazendo autopropaganda desde sua casa jornalística El Tiempo que o presidente de “todos” os colombianos falando no “sacrossanto recinto da democracia [genocida] da Colômbia”. Tampouco é o mesmo o mal humorado e arrogante Humberto de la Calle dizendo ao país a partir do oligopólio midiático contra insurgente [OMCi] que pode chutar quando lhe der vontade a mesa de Havana que o submisso plenipotenciário do governo em Havana falando aos parlamentares colombianos em vésperas de eleições.
E nem o que dizer do novo ministro de Defesa, o “empresário” Villegas, dando entrevistas aos meios dependentes do departamento de guerra psicológica do exército colombiano, que rendendo informes de gerência no plenário do senado, sobre o número [suposto] de guerrilheiros das FARC como indicador de eficiência, porém evitando [não se sabe por que] os terríveis ou tremendos indicadores de CUSTOS [que como empresário deveriam preocupá-lo] sobre as 372 ações armadas realizadas desde a suspensão da trégua unilateral a 22 de maio de 2015, por esses 6.000 guerrilheiros reduzidos ou restantes. E que, segundo a ONG Paz e Reconciliação, regressaram às médias mensais de 186 ações armadas por mês, semelhantes às de há 4 anos, quando os números aproximados do Ministério de Defesa diziam que os guerrilheiros eram 9.000. Quer dizer, que, ao terem sido reduzidos dramaticamente e bombardeados, em lugar de diminuir, aumentaram a “eficácia”, entendida esta como o indicador de gerência que combina a eficiência com a efetividade. De acordo, senhor empresário?
Tudo parece indicar que mudaram ou pelo menos se moveram duas coisas: Uma, o nível de realismo de seus respectivos discursos; e outra, o cenário, não só de salão como também do panorama pré-eleitoral que parece ter tomado literalmente o “coração e a mente” contra insurgente dos políticos colombianos.
O que produziu o fato político de que, ante o parlamento colombiano, o núcleo duro da política de paz do governo tenha devido recorrer a apresentar os fatos com um pouco mais de realismo ao costumeiro nos últimos 70 anos de Contra Insurgência, quando sempre os apresentou como a derrota das Farc “nos próximos meses”? “Dezoito”, disse Marta Lucia em 2002, quando Uribe colocou-a à frente de sua tropa.
Por que o presidente Santos, em seu discurso sobre a pátria boba em 20 de julho de 2015, numa passagem realmente notável e destacável, mudou de “inimigos de alto valor”? E já não sejam as “as FART” ou o terrorismo, senão que [...] “se trata de que concentremos nossas energias em lutar contra os verdadeiros inimigos, que são: a Pobreza, a Iniquidade, o Desemprego, a Corrupção, a Insegurança e [vá lá alguém acreditar] a GUERRA”...
A resposta é simples: ademais da crise [de todas as esferas] da vida socioeconômica em Colômbia, e a que a geoestratégia do Pentágono induziu uma mudança nos “politiqueiros colombianos”; tal fato se deve ao fato de que todos, dentro e fora do país, entenderam a diferença entre trégua unilateral de dois meses decretada pelas Farc e a contraofensiva do levantamento guerrilheiro, produzido quando os estrategistas militares do governo [Pinzón, Asprilla e demais fanfarrões militaristas] pretenderam aplicar um golpe de audácia à insurgência assassinando e volatilizando com bombas violadoras do DIH a Jairo Martínez e seus companheiros, com a finalidade de modificar, na última hora, a correlação de forças a seu favor.
Há que dizê-lo, também, que se deve a outra circunstância política em desenvolvimento: o isolamento paulatino de Uribe Vélez, cuja concepção de “Impunidade militar para continuar a guerra” foi reduzida ao “viril alento” [pobre Rafael Núñez] e às broncas do “soldado sem couraça” do decomposto Alfredito Rangel, ou às patadinhas da louca das laranjas.
Por isto Santos, com um pouco mais de realismo, desescala o nível da rivalidade com “o perverso de bairro”, toma uma pequena distância dele, e simplesmente lhe oferece [sabendo que ele vai rechaçar]...que falemos com serenidade e sem meias verdades, e a que busquemos os acordos em meio às diferenças. Que não nos passe o da Pátria Boba!”
Contando também, realisticamente, que, com a prolongação da nova trégua unilateral decretada neste 20 de julho pelas FARC e os avanços e acordos vindouros nas conversações em Havana, poderão ser realizadas as próximas eleições, onde se definirá definitivamente a rivalidade Santos-Uribe, que serão “as mais tranquilas e seguras em muitas décadas em Colômbia”.
Só nos cabe perguntar: e sem a tradicional corrupção?

sexta-feira, 24 de julho de 2015

CARTA DE FIDEL CASTRO A TELESUR


Patricia Villegas Marin
Presidenta de Telesur
Estimada Patricia:
No podia pasar por alto el décimo aniversario de la fundación de TELESUR sin hacerte llegar este mensaje.
Su creación fue una iniciativa que abrazó el inolvidable Hugo Chávez, conciente de la importancia para promover la integración latinoamericana y ofrecer una información objetiva y veraz, frente al monopolio de las transnacionales de las noticias y de los desafios que estaban por delante. Profundamente bolivariano, él quiso que las transmisiones se iniciaran el 24 de julio, dia histórico del natalicio del Libertador Simón Bolívar.
En su camino de aprendizaje y experiencias, no ha habido acontecimiento económico, político y social trascendente en que Telesur no haya estado presente con inmediatez, objetividad y veracidad. Del mismo modo, en el canal han encontrado espacio los hombres, mujeres y niños de diversos grupos sociales, etnias y religiones, los indígenas, los negros, los desposeídos y más humildes con su dignidad e inteligencia naturales y sus historias conmovedoras y muchas veces desgarradoras.
Te confieso que soy un televidente invariable del canal, mediante el cual satisfago gran parte de mis necesiddades informativas. Nuestro pueblo con avidez y preferencia, recibe la señal en vivo.
Telesur es una trinchera de ideas. Los sueños y la semilla sembrada por Chávez proseguirán germinando bajo el compromiso que le vio nacer como puente en el proceso de integración de América Latina y el fomento de la unidad necesaria de nuestros pueblos.
Telesur llega con su mensaje y forma de expresión, a los lugares más remotos del mundo.
Felicito a todos los colaboradores de Telesur por el esfuerzo y los resultados en tan poco tiempo, y a ti, en particular, por tu brillante dirección.
Fraternalmente,
Fidel Castro Ruz
Julio 22 de 2015






Dimensionar o momento que vivemos


Por Nelson Lombana Silva.
Alguém perguntou a Lênin se era pertinente ir ao parlamento burguês e o dirigente do proletariado não duvidou ao dizer que sim, sempre quando se tivesse claro para que se ia. Fidel Castro, no memorável discurso dado na Universidade da República Bolivariana de Venezuela, expressa que a Revolução é filha da cultura. Batalha de ideias.
Quer dizer, ao Parlamento ou a qualquer corporação pública do regime um companheiro ou uma companheira de esquerda consequente sabe a fim de que vai. Tem clara a fita. Vai destruir as relações capitalistas e a construir as relações socialistas. Não vai se amancebar com a pútrida classe dirigente.
A burguesia cuida muito bem disso. Sabe qual é a filosofia da esquerda consequente, por isso lhe bloqueia todos os espaços. Miremos, por exemplo, o sistema eleitoral em Colômbia. É, talvez, o mais antidemocrático do continente e do planeta. Impede descaradamente que as esquerdas se unam.
É, ademais, um sistema corrompido, mafioso e capitalista. A direita não expõe ideias, expõe violência, dinheiro do narcotráfico, demagogia e oportunismo a granel. Um candidato da direita compra sua cadeira ou seu cargo público sem se ruborizar.
Os que militamos de uma ou outra maneira na esquerda ou nas esquerdas, para sermos mais exatos, pareceria que não dimensionássemos nem o terreno, nem o momento que estamos vivendo. Talvez nos deixamos contagiar pelos vícios do capitalismo como a mentira, a arrogância e o analfabetismo político para obcecar-nos em desenvolver o individualismo e o personalismo, melhor dizendo, o grupismo. Quanta água terá que passar sob as pontes para entender que a única saída tática e estratégica é a unidade, sem sectarismos e sem ambiguidades, como bem expôs em seu momento o mestre Carlos Gaviria?
O Partido Comunista Colombiano –por exemplo- está há 85 anos predicando a unidade com a melhor disposição política. No entanto, a resposta frequente é o anticomunismo, inclusive na própria esquerda. Que fazer? Claudicar? Evidentemente que não. Há que persistir, insistir na luta pela unidade. E isso não é um prurido. É a convicção histórica, política e dialética de que as mudanças de fundo fazem-nas os povos e a força principal é a unidade. Quer dizer, não é um capricho. Por isso se torna fundamental dimensionar o terreno e o momento que estamos vivendo.
O fato central nestes momentos é a paz e os diálogos de Havana [Cuba]. É o mais importante. Não em vão há toda uma tenaz monstruosa encaminhada a fazer abortar este processo que avança na heroica pátria socialista caribenha.
Os amigos da guerra se unem, enquanto os amigos da paz duvidam ou em muitos casos lhes dá pouca importância. Consideram-no como algo conjuntural, de pouca monta e transcendência. A tenaz: Santos, Uribe, Procurador Ordóñez, meios massivos de comunicação e o comando sul dos militares dos Estados Unidos vai pelo rompimento da mesa de diálogo e que a pátria continue se dessangrando por todos os costados.
Para eles a guerra é um negócio em que ganham de ponta a ponta. Nenhum de seus membros vai para a frente de batalha, vão os filhos dos pobres a expor o peito e, no caso dos soldados e policiais, a defender os interesses da classe dominante. Disse-o bem Ainda Avella Esquivel: “No dia em que os filhos da oligarquia e os filhos dos generais tenham que ir para a frente de batalha, nesse dia, com certeza, se acabará a guerra”.
Oitenta e cinco por cento do território tolimense se encontram concessionados em títulos mineiros, uns concedidos e outros por conceder a favor das multinacionais e transnacionais, especialmente à transnacional Anglo Gold Ashanti. Vamos ficar sem território, sem água, sem fauna e sem flora. No entanto, parece que isto a muitos e muitas não lhes chame a atenção e, em vez de contribuir para a unidade, se obcecam na desunião por coisas às vezes de pouca monta.
O Partido Comunista tem insistido em que a esquerda deve se desenvolver, sobretudo passar da fase da oposição para ser opção de poder. A luta pelo poder não é coisa de pouca monta, exige muita vontade política e consciência tanto social como de classe. Pareceria que as esquerdas estivessem infiltradas, coisa que não é raro, porquanto o inimigo de classe que tem o poder em suas sujas mãos tem todo o dinheiro do mundo para comprar consciências fracas e desideologizadas que vendem seus irmãos de classe por um prato de lentilhas.
Devemos dimensionar o momento que vivemos colocando o coletivo sobre o individual. Não é tempo de vetos. É tempo de compreender a rica diversidade como fortaleza. Defender os diálogos de paz de Havana, o meio ambiente e lutar decididamente contra a corrupção. A unidade é o horizonte e a paz com justiça social o destino correto do povo colombiano.
O debate eleitoral não é para dividir, é para unir; não é para alienar, é para formar politicamente a comunidade; não é para fazer concessões ao inimigo de classe, é para colocá-lo a descoberto ante as massas. O discurso político de campanha não deve ser água-com-açúcar, evasivo e etéreo. Deve ser claro, preciso, concreto, real, revolucionário. Não importa que fiquem a descoberto os pusilânimes e os ambivalentes que pretendem ter um pé na direita e outro na esquerda. É hora das definições, é hora da unidade.
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Equipe ANNCOL - Brasil

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Começa em Colômbia a exumação da maior fossa comum urbana do mundo.


Medellín, 16 de julho de 2015
As autoridades colombianas anunciaram que a exumação da maior fossa comum urbana do mundo, situada no bairro Comuna 13 do oeste de Medellín, está prevista para o próximo 27 de julho. Nos trabalhos de exumação se buscará desaparecidos nos últimos 50 anos da guerra que o Governo enfrenta com os paramilitares e a guerrilha.
Pelo tamanho da zona e pelo número de pessoas que poderiam ter sido enterradas neste lugar [...], pode-se dizer que se trata da maior fossa comum urbana do mundo”, assegura Jorge Mejía, o assessor da Prefeitura de Medellín, em declarações a Reuters.
Os ativistas de direitos humanos asseguram que na fossa poderiam ter sido enterrados ao redor de 300 civis caídos ao longo das cinco décadas de guerra entre as forças de segurança do Estado, os grupos paramilitares e as guerrilhas esquerdistas. Por sua parte, o Governo estima que poderia haver umas 90 pessoas na fossa comum.
As guerrilhas urbanas, os paramilitares e muitos setores das instituições do Governo podem ser responsáveis pelo ocorrido na Comuna 13”, enfatizou Mejía, quem informou que uns trinta funcionários governamentais, incluindo as equipes forenses, escavarão e exumarão a fossa comum durante os próximos cinco meses.
Segundo os ativistas, algumas vítimas poderiam ter sido assassinadas pelas tropas do Governo durante as operações militares levadas a cabo contra a guerrilha em 2002 para recuperar o controle da Comuna 13.
Em Colômbia se estima que mais de 30.000 pessoas foram desaparecidas no transcurso de uma guerra que já dura mais de 50 anos. Até o momento, as autoridades colombianas exumaram cerca de 6.000 corpos de fossas comuns.
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Equipe ANNCOL - Brasil


Discurso do Ministro de Relações Exteriores da República de Cuba Bruno Rodríguez Parrila, na Cerimônia de Reabertura da Embaixada de Cuba nos Estados Unidos.




Exmª Sra. Roberta Jacobson, secretária de Estado Adjunta, e senhores funcionários do Governo dos Estados Unidos que a acompanham:

Honoráveis Membros do Congresso:


Estimados Representantes das Organizações, Movimentos e Instituições estadunidenses que realizarem ingentes esforços pela mudança de política em relação a Cuba e o melhoramento das relações bilaterais:
Estimados Representantes das Organizações e Movimentos da emigração patriótica:
Excelentíssimos Srs. Embaixadores:
Companheiros da Delegação Cubana:
Encarregado de negócios José Ramón Cabañas, funcionários e trabalhadores da Embaixada de Cuba:

Estimadas amigas e amigos:
A bandeira que honramos à entrada desta sala é a mesma que aqui foi arriada há 54 anos, conservada zelosamente na Flórida por uma família de libertadores e depois pelo Museu de nossa cidade oriental de Las Tunas, como antecipação de que este dia teria que chegar.
Ondeia novamente neste lugar a bandeira da estrela solitária que encarna o generoso sangue derramado, o sacrifício e a luta mais que centenária de nosso povo pela independência nacional e pela plena autodeterminação, frente aos mais graves desafios e perigos.
Rendemos homenagem a todos os que caíram em sua defesa e renovamos o compromisso das gerações presentes e, com absoluta confiança nas que virão, de servi-la com honra.
Invocamos a memória de José Martí, quem viveu consagrado à luta pela liberdade de Cuba e conheceu profundamente os Estados Unidos. Em suas “Escenas Norteamericanas” nos deixou uma nítida descrição da grande nação do norte e o elogio do melhor dela. Também nos legou a advertência de seu exacerbado apetite de dominação que toda uma história de desencontros confirmou.
Chegamos aqui graças à condução firme e sábia do líder histórico da Revolução Cubana Fidel Castro Ruz, a cujas ideias sempre guardaremos lealdade suprema. Recordamos sua presença nesta cidade, em abril de 1959, para promover relações bilaterais justas e sua sincera homenagem a Lincoln e Washington. Os propósitos que prematuramente o fizeram vir são os que tentamos nestas décadas e coincidem exatamente com os que nos propomos hoje.
Muitos nesta sala, políticos, jornalistas, personalidades das letras ou das ciências, estudantes, ativistas sociais estadunidenses, usufruíram de infinitas horas de enriquecedora conversação com o Comandante que lhes permitiram compreender melhor nossas razões, objetivos e decisões.
Este ato foi possível pela livre e inquebrantável vontade, pela unidade, o sacrifício, a abnegação, a heroica resistência e pelo trabalho de nosso povo, e pela força da Nação e da cultura cubanas.
Várias gerações da diplomacia revolucionária confluíram neste esforço e entregaram seus mártires. O exemplo e o verbo trepidante de Raúl Roa, o Chanceler da Dignidade, continuam estimulando a política externa cubana e estarão na lembrança dos mais jovens e dos futuros diplomatas.
Sou portador de uma saudação do Presidente Raúl Castro, expressão de boa vontade e da sólida decisão política de avançar, mediante o diálogo baseado no respeito mútuo e na igualdade soberana, para uma convivência civilizada, ainda dentro das diferenças entre ambos governos, que favoreça a solução dos problemas bilaterais, promova a cooperação e o desenvolvimento de vínculos mutuamente vantajosos, como desejam e merecem ambos povos.
Sabemos que isso seria uma contribuição à paz, ao desenvolvimento, à equidade e à estabilidade do continente, ao exercício dos propósitos e princípios consagrados na Carta das Nações Unidas e na Proclamação de América Latina e Caribe como Zona de Paz, firmada na II Cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos, em Havana.
Com o restabelecimento das relações diplomáticas e da reabertura de Embaixadas, culmina hoje uma primeira etapa do diálogo bilateral e se abre passagem ao complexo e certamente longo processo para a normalização das relações bilaterais.
É grande o desafio porque nunca houve relações normais entre os Estados Unidos da América e Cuba, a pesar de um século e meio de intensos e enriquecedores vínculos entre os povos.
A Emenda Platt, imposta em 1902 sob ocupação militar, cerceou um esforço libertador que havia contado com a participação ou a simpatia de não poucos cidadãos norte-americanos e deu origem à usurpação de território cubana em Guantánamo. Suas nefastas consequências marcaram indelevelmente nossa história comum.
Em 1959, os Estados Unidos não aceitaram a existência de uma pequena e vizinha ilha totalmente independente e, uns anos depois, ainda menos, a de uma Revolução socialista que teve que se defender, e desde então encarna a vontade de nosso povo.
Cito a história para afirmar que hoje se abre a oportunidade de começar a trabalhar para fundar umas relações bilaterais novas e diferentes a todo o anterior. Para isso, o governo cubano compromete toda sua vontade.
Só a eliminação do bloqueio econômico, comercial e financeiro, que tanto dano e privações ocasiona a nosso povo, a devolução do território ocupado em Guantánamo e o respeito à soberania de Cuba darão sentido ao fato histórico que estamos vivendo hoje.
Cada passo que se avance contará com o reconhecimento e a favorável disposição de nosso povo e governo, e receberá evidentemente o estímulo e o beneplácito da América Latina Caribenha e do mundo.
Ratificamos a vontade de Cuba de avançar para a normalização das relações com os Estados Unidos, com ânimo construtivo, porém sem menosprezo algum a nossa independência, nem ingerência em assuntos que pertencem à exclusiva soberania dos cubanos.
Persistir em objetivos obsoletos e injustos e só propor-se uma mera mudança nos métodos para consegui-los não fará legítimos aqueles nem ajudará ao interesse nacional dos Estados Unidos nem ao de seus cidadãos. No entanto, se assim ocorrera, estaríamos dispostos a aceitar o desafio.
Acorreremos a este processo, como escrevera o presidente Raúl Castro em sua carta de 1º de julho ao Presidente Barack Obama, “estimulados pela intenção recíproca de desenvolver relações respeitosas e de cooperação entre nossos povos e governos”.
Desde esta Embaixada, continuaremos trabalhando com empenho para fomentar as relações culturais, econômicas, científicas, acadêmicas e desportivas, e os vínculos amistosos entre nossos povos.
Transmitimos o respeito e reconhecimento do governo cubano ao Presidente dos Estados Unidos por seu chamado ao Congresso a suspender o bloqueio e pela mudança de política que enunciou, em particular pela disposição que expressou de exercer suas faculdades executivas com esse propósito.
Relembramos especialmente a decisão do Presidente Carter de abrir Seções de Interesses respectivas em setembro de 1977.
Me alegra agradecer ao governo da Confederação Suíça por sua representação dos interesses cubanos durante os últimos 24 anos.
Em nome do Governo e do povo de Cuba, desejo expressar nossa gratidão aos membros do Congresso, académicos, líderes religiosos, ativistas, grupos de solidariedade, empresários e tantos cidadãos estadunidenses que se esforçaram ao longo de muitos anos para fazer chegar este dia.
À maioria dos cubanos residentes nos Estados Unidos, que têm defendido e clamam por uma relação diferente deste país com nossa Nação, expressamos reconhecimento. Nos disseram, comovidos, que multiplicarão seus esforços, leais à tradição da emigração patriótica que serviu de sustentação aos ideais de independência.
Expressamos gratidão a nossos irmãos latino-americanos e caribenhos, que estiveram de maneira decisiva junto a nosso país e exigiram um novo capítulo nas relações entre os Estados Unidos e Cuba, assim como o fizeram com extraordinária constância muitíssimos amigos em todo o mundo.
Reitero nosso reconhecimento aos governos, aqui representados pelo Corpo Diplomático, que com sua voz na Assembleia Geral das Nações Unidas e em outros âmbitos deram uma contribuição decisiva.
José Martí organizou a partir daqui o Partido Revolucionário Cubano para conquistar a liberdade, toda a justiça e a dignidade plena dos seres humanos. Suas ideias, reivindicadas heroicamente no ano de seu Centenário, continuam sendo a essencial inspiração neste caminho que nosso povo, soberanamente, escolheu.

Muito obrigado.


Equipe ANNCOL - Brasil

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Um papa que quer mudar o sistema econômico



O Papa Francisco retornou ao Vaticano depois de oito dias no Equador, Bolívia e Paraguai. O seu discurso do dia 9 de julho na Bolívia por uma "mudança real" do sistema econômico pode ser considerado como o mais forte da viagem.
A reportagem é de Sébastien Maillard, publicada no jornal La Croix, 13-07-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
Ele já foi chamado de "pequena encíclica". O forte discurso proferido pelo Papa Francisco em Santa Cruz (Bolívia), diante de movimentos populares, foi o mais surpreendente das 22 intervenções dessa viagem à América Latina.
Nele, ele convida a "uma mudança real" do sistema mundial e das "suas estruturas": uma mudança que, segundo ele, é uma aspiração planetária.
Para o papa, a "globalização da esperança" deve ser uma resposta para a da "exclusão e da indiferença". E, assim, opor-se àquele "modelo econômico idolátrico que precisa sacrificar vidas humanas no altar do dinheiro e da rentabilidade", denunciou, depois, no sábado, em Assunção, diante da sociedade civil paraguaia.
Palavras tão duras não são novas nos lábios de Jorge Bergoglio que, desde o início do seu pontificado, denuncia a "globalização da indiferença".
A sua exortação Evangelii gaudium, de novembro de 2013, já criticava "a economia que mata", rejeitando a presunção segundo a qual bastariam os mecanismos do mercado para fazer com que a prosperidade esteja mais em benefício daqueles que estão mais distantes dela.
Mais recentemente, a sua encíclica Laudato si' apresentou um quadro chocante de uma economia global que se baseia no consumismo desenfreado de uma minoria, em detrimento do resto da população e do planeta.
No seu discurso de Santa Cruz, ele vai além, afirmando que "esse sistema atenta contra o projeto de Jesus". Além disso, ele adverte que "a covardia na defesa do planeta é um pecado grave". E apresenta a distribuição justa como um "mandamento".
No continente mais católico, mas que também apresenta as maiores desigualdades do mundo, essa linguagem se destina a sensibilizar ainda mais os cristãos para esses problemas, a convidar as consciências a um exame e a tocar os corações para fazer brotar a compaixão, força necessária para a mudança que ele deseja provocar.
De fato, só a razão não basta. A intervenção do papa aos movimentos populares bolivianos, aliás, não contém nem números nem demonstrações científicas. Tocado pela crise argentina de 2001 e bom conhecedor das experiências de economia alternativa em Buenos Aires, porém, Jorge Bergoglio não se coloca em uma posição de militante anticapitalista nem de economista. Nem formula um programa: "Não espere deste papa uma receita", lembra.
Inspirando-se tanto na doutrina social da Igreja quanto na teologia da libertação, ele pede especialmente que as soluções venham da base, que os excluídos sejam os seus coprotagonistas.
"Os pobres já não esperam e querem ser protagonistas; organizam-se, estudam, trabalham, reclamam e, sobretudo, praticam a solidariedade", observava ele em um primeiro discurso sobre o assunto, no dia 28 de outubro no Vaticano, cujos ecos ressoam no de Santa Cruz.
Em ambos os casos, o Papa Francisco se dirigia diretamente àqueles inúmeros "movimentos populares", porta-voz dos excluídos. "Trata-se de organizações de pequenos agricultores e pescadores, meeiros, diaristas, trabalhadores agrícolas sazonais, agricultores sem terra (...), recicladores, vendedores ambulantes, artesãos de rua...", enumeravam na revista jesuíta Études dois participantes do encontro romano de outubro.
Menos da metade deles se define como católico. Em grande parte latino-americanos, esses "sem poder" da globalização gozam do apoio de Evo Morales, o presidente boliviano, já presente no Vaticano e, naturalmente, em Santa Cruz.
Através desses encontros, co-organizado pelo Pontifício Conselho Justiça e Paz, também tomam consciência da força potencial que eles representam.
"Não se apequenem!", pediu-lhes com força o Papa Francisco. Ao fazer isso, o papa os eleva como interlocutores da Igreja Católica. "Ao tentar entender as razões do outro, ao tentar escutar a sua experiência, os seus anseios, podemos ver que, em grande parte, são aspirações comuns", disse o papa, expressando sua esperança, em Assunção, dois dias depois.
Para o padre Antonio Spadaro, diretor da revista La Civiltà Cattolica, não há dúvida: o papa conhece esses movimentos "e as suas ambiguidades". Mas ele "tenta inspirar a energia positiva desses movimentos, mesmo os mais extremos, e, ao mesmo tempo, inspirá-los para participar do processo de mudança", diz.
Um processo que poderá ser conduzido apenas a longo prazo. Aos "três Ts"terra, teto, trabalho – reivindicados pelos movimentos populares e defendidos também pelo papa, ele acrescentou um quarto T, o tempo: que dá "a paixão por semear, por regar serenamente o que os outros verão florescer", sem esperar "resultados imediatos". "Vocês são semeadores de mudança", exclamou.
Em suma, mesmo que "a fé é revolucionária", uma expressão que ele já usava nos anos 1970, Jorge Bergoglio não promete "o sol do futuro".

Com sede na China, novo banco dos Brics inicia atividades



O Novo Banco de Desenvolvimento (NBD) do Brics, bloco formado por África do Sul, Brasil, China, Índia e Rússia, começou a funcionar nesta terça-feira (21). A instituição financeira tem sede em Xangai, na China.
Com um capital inicial de US$ 50 bilhões, o banco chamado de Brics Bank, irá fomentar o sistema financeiro internacional e financiar projetos de infraestruturas. O capital será ampliado para 100 bilhões de dólares nos próximos anos.
Presidido pelo executivo indiano K.V. Kamath, o banco atuará nos países-membros do grupo, com operações estendidas à países em desenvolvimento.
O economista Paulo Nogueira Batista Júnior representa o Brasil no Brics Bank, como vice-presidente da instituição. O brasileiro atuou como diretor executivo no Fundo Monetário Internacional (FMI), em Washington.
O líder do PT na Câmara, Sibá Machado (AC), comemorou o início das atividades do banco. “Trata-se de um fato histórico, pois o novo banco é uma alternativa aos ortodoxos Banco Mundial e FMI e poderá impulsionar a parceria entre os países emergentes, que têm apresentado crescimento substantivamente maior que o dos países desenvolvidos’’, avaliou.
Sibá lembrou que o Banco dos Brics tem um alcance extremamente positivo no médio e longos prazos, pois tem o potencial de criar novos instrumentos de financiamento em diferentes áreas, como a de infraestrutura, de interesse estratégico para o Brasil.
O líder espera que a instituição possa disponibilizar recursos de forma “mais ágil” e “vultosa” do que instituições como o Banco Mundial e o próprio Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). “Demos um grande passo para o desenvolvimento dos países emergentes”, afirmou.

Países ricos bloqueiam, de novo, luta contra evasão fiscal



Por Karim Lebhour – Outraspalavras.net

As fortes pressões do Norte fizeram com que os países do Sul desistissem de criar um organismo apoiado pela ONU (Organização das Nações Unidas) para lutar contra a evasão fiscal, no último dia da conferência internacional sobre financiamento do desenvolvimento realizada em Adis Abeba, na Etiópia.

Essa evasão fiscal priva os países todos os anos de bilhões de dólares em rendas.

A criação desta nova instância, que teria por missão fixar novas regras fiscais internacionais na luta contra os fluxos ilícitos e a evasão fiscal, em particular das multinacionais, dividiu o Norte e o Sul durante esta terceira conferência.

Os países ricos acham que a OCDE (Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico), que agrupa os 34 países mais desenvolvidos, é o fórum adequado para debater este assunto e fixar as regras e que um novo organismo patrocinado pela ONU implicaria na perda de agilidade do processo.

Mas os 134 países em desenvolvimento reunidos no grupo G77, liderados pelo Brasil e a Índia, e inúmeras ONGs discordam desta posição.

Seu objetivo era colocar fim às práticas das multinacionais que não pagam impostos nos países onde operam, geralmente refugiando-se em paraísos fiscais.

Estas práticas privam todos os anos esses países de 100 bilhões de dólares, segundo a Conferência das Nações Unidas sobre o Comércio e o Desenvolvimento (CNUCD).

Ante a inflexibilidade dos países do Norte, com os Estados Unidos e o Reino Unido à frente, os países abandonaram sua reivindicação, principalmente devido aos insistentes pedidos da Etiópia, país anfitrião da conferência, que temia um fracasso do encontro.

O texto final, aceito pelas partes e cuja cópia foi obtida pela AFP, afirma que os especialistas do modesto Comitê sobre Cooperação Internacional em Matéria Fiscal, que já existe dentro da ONU e que desempenha um papel meramente consultivo, “sejam designados pelos governos e selecionados segundo uma distribuição geográfica equilibrada”.

Milhares de delegados e centenas de ministros e chefes de Estado de países doadores e em desenvolvimento se reúnem desde segunda para encontrar formas de financiar uma erradicação duradoura da pobreza.

Após as cúpulas de Monterrey em 2002 e de Doha em 2008, a reunião de Adis Abeba servirá para comprovar a vontade dos Estados na hora de colocar em andamento a nova agenda de desenvolvimento das Nações Unidas.

A meta é encontrar financiamento para os 17 objetivos de desenvolvimento sustentável que a ONU está fixando para 2015-2030 e que devem ser adotados em setembro em Nova York.

As Nações Unidas desejam erradicar a pobreza e a fome no mundo até 2030, enquanto controlam as mudanças climáticas. Um desafio enorme para o qual serão necessários 2,5 bilhões de dólares de ajuda adicional por ano, segundo a Conferência da ONU sobre Comércio e Desenvolvimento.

A escolha da Etiópia como país anfitrião mostra a importância do tema para o continente africano.

terça-feira, 21 de julho de 2015

FARC-EP ordenam a suas unidades cessarem atividades ofensivas a partir de 20 de julho




Comunicado Cessar-fogo unilateral
As FARC-EP comunicamos a todos os nossos Blocos, e a todas as nossas Frentes, Colunas, companhias e demais estruturas político-militares, assim como às milícias bolivarianas e populares subordinadas, que a partir da 00:00 hora do 20 de julho próximo rege a ordem de cessar toda ação de caráter ofensivo contra as forças armadas do Estado e da infraestrutura pública e privada.
A mencionada ordem obedece ao chamado dos países garantidores, Cuba e Noruega, e acompanhantes, Venezuela e Chile, das conversações de paz que se adiantam em Havana, e da avalanche de petições públicas, cartas e mensagens de redes sociais dirigidas a nossa Delegação de Paz por parte de incontáveis personalidades e organizações sociais e políticas, igrejas, juntas de ação comunal e movimentos populares em seu conjunto, pelo que constitui um sério compromisso de nossa organização, de cujo cumprimento estrito somos responsáveis cada um dos mandos e integrantes das FARC-EP.
Esta medida prática, de caráter humanitário, constitui um novo gesto de nossa parte no propósito de pactuar com o governo nacional fórmulas cada vez mais efetivas de desescalada do conflito. Confiamos, portanto, em que seja estimada e valorizada em toda sua dimensão, a fim de que não voltem a se repetir fatos lamentáveis que só fazem dano aos propósitos de paz e reconciliação. Nenhuma unidade das FARC-EP está obrigada a se deixar golpear por forças inimigas e terá todo o direito ao exercício de sua legítima defesa em caso de ataque.
Convocamos ao conjunto de personalidades, instituições, movimentos políticos, forças sociais e populares que elevaram este verdadeiro clamor nacional a participarem de maneira ativa na defesa desta nova esperança que acendemos hoje no território colombiano. Ninguém pode arrancar dos colombianos seu direito a viver em paz, pelo que se torna urgente bloquear o espaço aos setores que clamam pela guerra, por soluções cruentas, repressão e perseguição ao movimento popular e a seus dirigentes.
A Frente Ampla pela Paz, o Processo Constituinte, as igrejas e demais organizações e forças interessadas na vedoria deste cessar-fogo contam com toda nossa confiança e colaboração. Consideramos que o governo nacional deve cercar de plenas garantias o exercício desta função patriótica, e ao mesmo tempo avançar com maior convencimento para uma verdadeira concórdia nacional, fundada na proscrição definitiva da violência, lado a lado com a justiça social, a democracia e a soberania.


SECRETARIADO NACIONAL DAS FARC-EP
La Habana, 19 de julho de 2015.

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Equipe ANNCOL - Brasil

segunda-feira, 20 de julho de 2015

García Linera: da indignação à esperança



Por Emir Sader
Na sua exposicão no seminário sobre Emancipação e Desigualdade, organizado pela Secretaria da Cultura da Argentina, o vice-presidente da Bolívia, Álvaro García Linera, fez uma síntese dos caminhos pelos quais os governos progressistas latino-americanos podem superar seus problemas atuais e seguir em frente.

Em primeiro lugar, disse ele, há uma necessidade insuperável de que exista um modelo econômico que funcione. Sem isso, não há desenvolvimento econômico, não há melhoria da situação do pais, não há avanços substanciais nas condições de vida da grande massa da população.

Pode parecer uma visão demasiado simples, mas com sua intensa experiência de já quase uma década de governo e com a carga de problemas econômicos e sociais pendentes nos países do nosso continente, García Linera sabe dos desajustes, das insatisfações, das debilidades para se impor um novo modelo hegemônico, quando não há uma política econômica de sucesso, que atenda, de diferentes maneiras, a todos os setores que é preciso dirigir para se legitimar como governo. Que fortaleça e desenvolva de forma sustentável as condições materiais em que repousam nossas sociedades.

Na conversa pessoal que tivemos em seguida, ficou clara sua preocupação com os modelos econômicos de países progressistas da região, que tropeçam com problemas estruturais não resolvidos, agudizados pelo terrorismo econômico interna da posição e pelo cerco financeiro internacional sobre os países que não se resignam aos modelos do FMI. Que não se trata de uma visão economicista, está claro por todo o pensamento de García Linera e pelo próprio governo de Evo Morales. É um enfoque de construção da hegemonia pós-neoliberal.

Trata-se, ao contrário, de um elemento essencial na construção dessa hegemonia. Subestima-lo é se deixar levar pelas correntes avassaladoras da especulação financeira e do poder dos bancos que dominam o capitalismo contemporâneo. Não construir, a partir do Estado – elemento que ele valoriza de diferentes maneiras, como seus inovadores raciocínios do último período o demonstram -, esse modelo próprio, é permanecer reagindo a mecanismos recessivos, depressivos, que deixam nossas economias presas no circulo vicioso das cadeiras financeiras do neoliberalismo e que além disso se prestam ao pessimismo que a direita trata de impor sobre o ânimo das pessoas.

Mas se esse é um elemento estrutural das alternativas sustentáveis ao neoliberalismo, há mecanismos indispensáveis, destacados por García Linera, para que esses processos não apenas se mantenham vivos, mas que além disso se renovem e se estendam permanentemente na direção de camadas mais amplas e jovens das nossas sociedades.

Um é suscitar permanentemente a indignação diante das injustiças da sociedade capitalista: a exploração, a discriminação, a exclusão social, a opressão, a violência contra os mais frágeis, o machismo, os monopólios da riqueza e da palavra, entre tantas outras injustiças.

Esse é a mola permanente que permite impedir que descanse, que repouse, que se aliene a consciência das pessoas. Desenvolver esse trabalho permanente é responsabilidade de todos os militantes por um mundo melhor: de governantes a militantes de base, de sindicalistas a professores, de dirigentes de organizações sociais a dirigentes de organizações culturais, de intelectuais a jornalistas – total, de todos, como seres humanos.

Mas para que essa indignação seja despertada, mobilizada, tem que encontrar alternativas viáveis, reais, para vislumbrar que o outro mundo possível não só seja necessário, mas também possível.  Tem que encontrar forças e lideranças capazes de encarnar essa rebeldia, essa resistência a toda resignação, a toda burocratização, a todo desalento, a todo pessimismo. Forças que proponham e personifiquem estratégias de ação ao mesmo tempo audazes e factíveis, utópicas e realistas.

Indignação e esperança – essa é a fórmula de mobilização das forças sociais, políticas, culturais, intelectuais, para a construção do mundo que supere definitivamente a sociedade construída sobre o poder do dinheiro e da violência, para uma sociedade baseada no poder dos direitos de todos, da solidariedade, no poder dos povos e dos seus valores.

Estados Unidos e Cuba reabrem embaixadas nesta segunda-feira



Ao contrário de Cuba, que promoverá uma cerimónia formal de abertura de sua embaixada, os Estados Unidos não farão nenhum ato oficial, o que ficará para a visita do secretário de Estado norte-americano, John Kerry, a Havana – cuja data não foi ainda anunciada.

O prédio da Secção de Interesses dos EUA em Cuba foi construído em 1953, no período do governo do presidente Fulgencio Batista. A bandeira dos Estados Unidos foi retirada em 1961, quando o então presidente Dwight Eisenhower rompeu relações diplomáticas com Cuba, em resposta às expropriações do governo revolucionário de Fidel Castro.

A Secção de Interesses dos Estados Unidos em Cuba só foi aberta em setembro de 1977, sob o amparo da missão diplomática suíça e depois do presidente Jimmy Carter chegar à Casa Branca, tendo sido ele o único chefe de Estado norte-americano a visitar Cuba após a revolução que colocou no poder o presidente Fidel Castro.

Atualmente, a Secção de Interesses dos Estados Unidos em Cuba tem 360 funcionários, entre norte-americanos e cubanos, além de marines (tropas militares) para fazer a segurança.

Segundo dados do governo norte-americano, 37.149 cubanos receberam vistos para viagens temporárias aos Estados Unidos e 20.552 vistos de imigrantes, durante o ano de 2014.
Fonte: Agência Lusa 

domingo, 19 de julho de 2015

Desescalada, linguagens e pedagogia de paz.


O processo de paz ingressa num momento crucial a partir do próximo 20 de julho, quando se fará efetiva a trégua determinada pelas Farc, que o governo do Presidente Santos disse que acompanhará com ações recíprocas para alavancar os acordos e consensos na Mesa de Conversações de Havana. Novas linguagens e uma paciente, massiva e prolongada pedagogia de paz são ingredientes para aprofundar a tarefa de terminação do conflito social e armado. A desescalada que se anuncia, que o país inteiro espera com otimismo, deverá criar um clima de tranquilidade para o processo eleitoral em curso para escolher as autoridades locais.


A partir da segunda-feira 20 de julho, a Colômbia viverá um novo e histórico ciclo de paz e tranquilidade tão logo se avance na desescalada da guerra e da destruição com a entrada em vigor da trégua unilateral ordenada pelas Farc, que foi suspensa desde 22 de maio, devido as operações militares da Força Aérea, infiltrada pelo uribismo, a qual executou bombardeios aos acampamentos guerrilheiros, onde morreram várias dezenas de membros da resistência campesina revolucionária.
Nos próximos 4 meses, a sociedade regressará ao clima registrado desde dezembro de 2014 até maio, em que os fatos violentos, por razões políticas, diminuíram radicalmente.
A desescalada recíproca da guerra, nos termos da decisão tomada pelas partes, contará nesta ocasião com a presença de um delegado das Nações Unidas e de outro da Presidência da Unasul, expertos na verificação e monitoramento de tais situações, sem que seja necessária a concentração e o confinamento pressionados pela ultra direita uribista, à qual a paz se sobrepôs deixando-a sem argumentos e sem a manipulação grotesca da violência para obter dividendos políticos. Ficaram sem combustível estes mercadores da morte.
Convém assinalar que os 4 meses projetados para que as negociações de paz de Havana avancem com agilidade não são um prazo fatal para reviver a conhecida fórmula da paz express. Do que se trata é de melhorar a capacidade de trabalho na Mesa de diálogos, de tal maneira que funcionem simultaneamente comissões que atendam e avanços nos temas associados com o fim do conflito, da referenda e verificação do cumprimento dos acordos gerais a que se chegue.
Um elemento central no novo período do processo de paz se relaciona com âmbitos de ordem simbólica e conhecimento mais certeiro dos avanços e conquistas da paz, por parte de milhões de colombianos, para dessa forma superar o ceticismo e a indiferença que a vulgar cizânia e a manipulação midiática dos mais caracterizados inimigos da paz produzem, articulados na delirante ultra direita fascista que Uribe e Ordoñez lideram.
Nesse sentido se sugeriu, pelo Presidente Santos, em outro gesto de sensatez que se lhe deve reconhecer, desescalar as linguagens recorrendo a formas e expressões verbais e semânticas que estimulem um clima de convivência e respeito entre os adversários. Se trata de avançar num “giro linguístico” que recolha as novas realidades que se quer construir para superar 50 anos ou mais de polarização com insultos e aberrantes macartismos, ressaca da guerra fria. Nesse sentido, é pertinente considerar que no terreno da paz democrática e com justiça social as decisões de um sujeito não se acham motivadas tanto por seus interesses materiais como pelos recursos culturais através dos quais concebe seu espaço e determina sua ação. Alterados esses recursos mediante uma ressignificação com mudanças na linguagem, se quer que a forma em que esse sujeito compreende seu contexto e dirige sua ação mude. É nesse nível, o da semântica e o dos imaginários coletivos, onde a paz tem que aspirar a intervir através do projeto objetivo e ético da comunicação, com a finalidade de criar um novo sentido comum capaz de inspirar consensos mais inclinados à paz, em contraposição ao crescente ceticismo que a direita e sua falsimídia estimula estimulam.
De igual maneira se pede à Mesa de diálogos que promova uma ampla pedagogia da paz. O que se pretende consiste num dispositivo educativo que leve a mensagem da paz a milhões de cidadãos; que adiante sua formação nos conteúdos de nossa paz. Que esclareça para a sociedade as vantagens que para a mesma trará que a Colômbia supere a guerra civil que a destrói e mata.
A Mesa de Havana deve recorrer a todas as ferramentas e infraestruturas à sua disposição para converter a nação inteira numa grande escola da paz. Os meios de comunicação, a televisão, a rádio, os sistemas impressos, as editoras, os jornais, as igrejas, as escolas, os colégios, o Sena, as universidades, os espaços públicos, a família, as sedes comunitárias, os hospitais, os cárceres, as redes sociais e todos os cenários de deliberação devem ser incluídos nesta grande campanha de pedagogia pela paz.
Finalizemos dizendo que acerta o Presidente Juan Manuel Santos ao destacar o ambiente pacífico em que transcorrerão as eleições locais e regionais de 25 de outubro do ano em curso. Os inimigos da paz ficarão isolados porque o povo em sua maioria dará um novo impulsionamento ao fim da guerra, que é o insumo do qual se alimenta o guerreirismo uribista.
Há que eleger centenas de prefeitos, vereadores, edis, deputados e dezenas de governadores comprometidos com a paz e a transparência.
Não mais máfias parapolíticas e violentas que despojem os patrimônios públicos e promovam a guerra.

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Equipe ANNCOL - Brasil

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Comunicado Conjunto # 55.


Enviado por Mesa de Conversações
 
AGILIZAR EM LA HABANA E DESESCALAR EM COLÔMBIA
Com o objetivo de:
  • Fortalecer a confiança dos colombianos e das colombianas no processo de paz e também a confiança entre as delegações;

  • Agilizar a construção de acordos sobre todos os aspectos restantes da Agenda do Acordo Geral; e


  • Criar as condições para a posta em marcha do Cessar-Fogo e de Hostilidades Bilateral e Definitivo [Sub ponto 1 do Ponto 3 “Fim do Conflito” da Agenda do Acordo Geral.

As delegações do Governo Nacional e as FARC-EP decidiram:
  1. Fazer todos os esforços necessários para chegar sem demoras à firma do Acordo Final, para o qual alteramos a metodologia pela de um trabalho técnico, contínuo e simultâneo sobre os pontos centrais da Agenda, ao tempo em que se constroem acordos na Mesa. Para isso definimos um plano com metas preestabelecidas.


  1. Em particular, acordar sem demoras os termos do Cessar-Fogo e de Hostilidades Bilateral e Definitivo e Deixação de Armas, incluindo o sistema de monitoramento e verificação.
Para isso, as delegações solicitarão o acompanhamento na subcomissão técnica de um delegado do Secretário-Geral das Nações Unidas e um delegado da presidência da UNASUL [atualmente Uruguai], com o objetivo de que contribua para pôr em marcha a discussão sobre o sistema de monitoramento e verificação e a preparar desde agora sua implementação, sem prejuízo da decisão das delegações sobre a participação no futuro, no sistema de monitoramento e verificação, de outras organizações ou países.




III. No entretanto:
As FARC-EP, como medida de desescalada, manterão a suspensão unilateral de todo tipo de ações ofensivas.
Por sua parte, o Governo Nacional, a partir de 20 de julho, porá em marcha um processo de desescalada das ações militares, em correspondência com a suspensão de ações ofensivas por parte das FARC-EP.
Em todo caso, o Governo Nacional e suas instituições, em cumprimento de suas obrigações constitucionais, continuarão garantindo a proteção de todos os colombianos e o cumprimento da lei em todo o território Nacional. O Governo continuará perseguindo o delito e em nenhum caso tolerará que alguma organização à margem da lei exerça coerção sobre as comunidades mediante o uso das armas. Em cumprimento do anterior, o Governo Nacional promoverá o respeito e garantirá o livre exercício dos direitos fundamentais de todos os colombianos e todas as colombianas.
Em quatro meses, a partir daquela data, cada uma das delegações fará uma primeira avaliação tanto do cumprimento destas medidas de desescalada como dos resultados dos esforços para agilizar os avanços da Mesa, e tomará as decisões que considere pertinentes.
O acima exposto, sem prejuízo da possibilidade de dar início ao Cessar-Fogo e de Hostilidades Bilateral e Definitivo, se se chega a um acordo.
IV. O Governo Nacional e as FARC-EP intensificarão, sobre a base de um cronograma, a implementação de medidas de construção de confiança.



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Equipe ANNCOL - Brasil