"A LUTA DE UM POVO, UM POVO EM LUTA!"

Agência de Notícias Nova Colômbia (em espanhol)

Este material pode ser reproduzido livremente, desde que citada a fonte.

A violência do Governo Colombiano não soluciona os problemas do Povo, especialmente os problemas dos camponeses.

Pelo contrário, os agrava.


quarta-feira, 27 de maio de 2015

ESCALAR A GUERRA NÃO É O CAMINHO.


Frente à arremetida governamental destes dias, com dois massacres de guerrilheiros e guerrilheiras, a primeira em Guapi [Cauca] e a segunda em Segovia [Antioquia], num contexto de intensificação de operações militares e de perseguição, a Delegação de Paz das FARC-EP expressa frente ao país e ao mundo:
Dói constatar que uma parte da Colômbia se acostumou a uma guerra que já dura mais de 50 anos e ainda não tem vencedores nem vencidos.
Neste momento, por um acordo da Mesa de Havana, se iniciava a implementação do Acordo sobre descontaminação do território de artefatos explosivos e se trabalhava na adoção de outros acordos bilaterais de desescalada do conflito que nos aproximassem a um cessar-fogo bilateral, à espera da firma do definitivo acordo de paz.
E quando já nos dispúnhamos a anunciar ao país o início e a implementação desse acordo, o massacre de 27 guerrilheiros da Frente 29 das FARC-EP no município de Guapi, ao qual se somam outros 10 guerrilheiros mortos em Segovia [Antioquia], conduziu inevitavelmente à suspensão de nossa decisão de manter a medida do cessar-fogo unilateral que já se fazia insustentável pela incoerência de um governo que ainda não se decide a adotar com convicção e decisão o caminho da paz.
Para piorar as coisas, o presidente Juan Manuel Santos tem atuado ante a atual conjuntura com total ausência de bom senso e com um discurso contrário ao propósito de reconciliação, de diálogo e de paz combinada que ele apregoa, propalando uma mensagem que só pode favorecer aos que desejam a perpetuação da guerra em Colômbia.
Um chefe de Estado não pode regozijar-se com a morte de compatriotas, muito menos quando estas representam golpes diretos contra sua principal bandeira de governo: O fim do conflito.
Em Colômbia, em consideração ao bando no qual combatam, os mortos ou feridos produzidos em idênticas condições saõ apresentados por parte do governo nacional ante a opinião pública como de primeira ou de última categoria, como “heróis” ou como “vilãos”, como “assassinados” ou como “neutralizados”, quando na realidade não há mortos que doem mais que outros, todos eles são pais, mães, filhos, filhas, irmãos ou irmãs, todos somos povo colombiano.
Sem lugar a dúvidas, os lutuosos acontecimentos ocorridos na semana passada são um passo atrás no avançado até agora na Mesa de Havana.
O povo colombiano clama pela paz. Santos foi reeleito em seu segundo mandato para que alcançasse a paz. Nossa Delegação de Paz foi mandatada por todos os guerrilheiros e guerrilheiras do país para a mesma empreitada.
Nós outros atuaremos com suma responsabilidade frente a esta instrução recebida de nossas bases e o anseio das maiorias nacionais. Procederemos sempre com cabeça fria e o coração ardente, não podemos lançar pela borda os esforços empenhados em já quase três anos de conversações.
A construção de um acordo de paz exige a todos nós sindérese, realismo e coerência.
Em Havana se discute o futuro da Colômbia e só os mais estúpidos, os ultramontanos e os guerreirista poderiam confundir esta obrigação com fragilidade das partes.
Nem o governo nacional nem o presidente Santos podem atuar sob o vaivém de interesses ultra direitistas, nacionais e estrangeiros, pressões militaristas, ou cálculos eleitoreiros oportunistas para subir nas pesquisas. Pelo contrário, um governo sério deve focar-se nos problemas concretos e nos objetivos superiores.
As FARC-EP vimos trabalhando pela paz, propondo medidas para alcançá-la e assumindo as responsabilidades que nos dizem respeito ao ocorrido durante este longo conflito.
Porém, não se pode pretender que através da pressão militar ou das ameaças se possa dobrar nossa vontade de luta. Esse é um caminho equivocado e é óbvio que não se alcançará nunca a paz escalando o conflito.
Nas FARC-EP não nos alegramos pela morte de nenhum compatriota. Nos doem os onze soldados de Buenos Aires e nos dói a morte de todos os nossos camaradas.
Nos dói profundamente a situação do menino indígena Yerman Vázquez Campo, ferido gravemente em 12 de maio por um artefato do Exército abandonado na Fazenda “La Ucrania”, corregedoria El Jagual de Corinto, Cauca, pela força-tarefa Apolo, fato que foi silenciado por todos os meios de comunicação. E nos dói também a morte da menina indígena de Buenos Aires, morta por um artefato explosivo e que sem nenhuma prova se creditou a nós outros.
Para isso estamos em Havana, para deter estas mortes e comprometer-nos a construir um país onde nenhuma família de compatriotas tenha que repetir a dor de fatos como estes.
Rendemos uma profunda homenagem aos camaradas caídos nos últimos bombardeios, eram dignos filhos da Colômbia que deram sua vida por seus ideais e pelo bem-estar de todo o povo colombiano.
Acompanhamos a seus familiares na dor que os invade.
Honra e glória a todos e a cada um destes/as homens e mulheres comprometid@s com as mudanças sociais, que sacrificaram tudo por lutar desde as trincheiras guerrilheiras. Seu legado vive e viverá na coragem de toda a guerrilheirada.
Exigimos do governo nacional que os corpos de nossos companheiros e companheiras assassinados em bombardeios recentes sejam entregues com diligência a seus familiares e que recebam um enterro digno como qualquer ser humano merece. Ao mesmo tempo, solicitamos a devida vedoria aos entes e organismos humanitários nacionais e internacionais.
Os diálogos de paz necessitam de um forte impulso, e este só poderá vir de uma trégua bilateral.
As FARC-EP chamamos ao Governo e aos meios de comunicação colombianos a que atuem com a responsabilidade e o sentido patriótico a que estão obrigados, para de uma vez por todas criar as condições que ponham fim ao conflito que dessangra o nosso povo desde há mais de 50 anos.
Manteremos em alto nossas bandeiras de paz com justiça social, cessar-fogo bilateral e Assembleia Nacional Constituinte. Por este caminho é possível uma alternativa à guerra.
La Habana, Cuba, sede dos diálogos de paz, 25 de fevereiro de 2015
DELEGAÇÃO DE PAZ DAS FARC-EP.



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Equipe ANNCOL - Brasil

terça-feira, 26 de maio de 2015

Santos não foi capaz com a guerra, menos com a paz


Por Horacio Duque Giraldo
A Santos se lhe esgotou sua paz neoliberal. A natureza oligárquica de seu projeto político estancou o processo de paz e ameaça suas conquistas principais. Não foi capaz com a guerra, menos com a paz. O país não pode se afundar na perplexidade, a saída é a Assembleia Nacional Constituinte pela paz e a democracia que construa uma Nova Colômbia para o Século XXI. Que Santos e sua corrupta classe politiqueira, saqueadora das regalias e dos patrimônios estatais sumam para bem longe.
As FARC suspenderam a trégua unilateral que havia ordenado a suas Frentes e Blocos desde fins de 2014. Decisão que teve um alto impacto no clima político do país, pois os eventos da guerra diminuíram substancialmente, nos primeiros meses do ano em curso, dando grande alívio à população campesina das regiões onde o conflito social e armado é vivido com maior intensidade desde há muitos anos.
A determinação é produto do bombardeio aos acampamentos da Frente 29 da insurgência, no município de Guapi, localizado no estado do Cauca/Costa do Pacífico, em desenvolvimento da ordem presidencial de reativar as operações da Força Aérea devido aos lamentáveis acontecimentos ocorridos na localidade, também caucana, de Buenos Aires, no 14 de abril último, quando morreram 20 integrantes das Forças Armadas governamentais em avançado estado de embriaguez. Morreram, na noite de quinta-feira 22 de maio, 26 combatentes por efeito das potentes bombas descarregadas pela aviação oficial.
Regressamos à plenitude do conflito e sem um cessar bilateral e permanente do conflito com impacto imprevisível nos diálogos da Mesa de Havana, Cuba.
Sobre as características e o rumo que tomou a cruenta guerra civil colombiana; sobre o sentido e os alcances das conversações de paz dos últimos 45 meses; sobre as possibilidades de concretizar um acordo certo de paz, se pode bem recorrer a diferentes teorias relacionadas com a solução e o manejo de conflitos e a infinidade de experiências internacionais. Recurso que não se deve descartar sem esquecer que encaixar a realidade nacional em formulações abstratas não contribui muito.
Há que ater-se aos fatos pontuais e avaliá-los politicamente. Mirar o curso real do Estado, do governo, da sociedade e do cenário internacional. Imaginar saídas.
O certo é que o processo de paz ingressou há alguns meses numa zona turbulenta de tormentas e incertezas derivadas da densa crise que afeta o regime político e a administração do senhor Santos. A referida crise foi disparada pela debacle econômica da sociedade e fiscal do Estado, por ocasião da queda dos preços internacionais do barril do petróleo que proporcionava mais de um quarto das receitas do governo. Santos ficou sem dinheiro e com um gigantesco vermelho na conta corrente da balança comercial, que o conduziu a buscar fórmulas inconvenientes e a determinações absurdas, como oferecer a venda de bens estratégicos do Estado, como Isagen, a empresa emblemática da energia elétrica.
O quadro da crise orgânica de Santos é bastante condenado. Sua legitimidade está no chão e a confiança da sociedade civil se evaporou, depois de desconhecer descaradamente o apoio da Esquerda democrática que o salvou com seus dois milhões de votos de uma quase certa derrota nas votações presidenciais por conta do uribismo.
A justiça está paralisada e perdida na bancarrota ética e profissional. A educação, que recém sai de uma potente greve de educadores, traída pelos dirigentes da Federação Colombiana de Educadores (FECODE), que se entregaram por prebendas e prestações jurídicas menores, é um desastre total. A saúde não supera o desastre que arrasta desde há vários anos.
Mais recentemente, por ocasião da calamidade natural que acabou com a vida de quase 100 pessoas em Salgar, Antioquia e de 20 mineiros em Riosucio/Caldas, a sem saída de Santos se fez mais notória. Os instrumentos de planificação urbana, como os Planos de Ordenamento Territorial/POT, voaram pelos ares como cacos, pois, com quinze anos de vigência, só mostraram ser um perfeito lixo neoliberal. A crise ambiental e o aquecimento global ameaçam centenas de municípios e grupos populacionais vulneráveis localizados em zonas de alto risco, pois os dinheiros apropriados para tomar as medidas de previsão correspondentes foram levantados pelos políticos oficialistas mediante o controle das Corporações Autônomas Regionais. Ninguém crê na promessa de Santos de ressarcimento aos humilhados moradores de Salgar, quando se conhece que com quase 8 anos de tragédia em Gramalote não colocaram uma só pedra na reconstrução do mesmo município do Norte de Santander, cujos habitantes estão à deriva em barracos e favelas em Cúcuta.
O mais grave é a grande crise moral do estabelecimento. Milhões de cidadãos estão indignados porque a recente bonança petroleira e mineira que o país viveu praticamente foi furtada pelos senadores, representantes, governadores e prefeitos seguidores da unidade santista. Diretamente o Chefe da Casa de Nariño e seu hoje gerente da Estatal Ecopetrol perfilaram um perverso mecanismo de distribuição das regalias petroleiras dos hidrocarbonetos. O novo regime de regalias, vigente desde 2011, estabeleceu um sistema de Órgãos Colegiados de Aprovação e Decisão/OCAD, em que os políticos dividem entre si estes dinheiros a vontade e sem controles fiscais e sociais. Chefes e caciques oficialistas adjudicam a dedo, denuncia recente informe de Transparência Colômbia, junto com governadores e prefeitos da mesma corda, contratos fraudulentos que não resultam em obras concretas para o serviço da comunidade. É o que faltou em Salgar, Antioquia e em Riosucio, Caldas.
Há dois casos que são um escândalo inocultável. No estado do Quindío se embolsaram 150 bilhões girados nos últimos 48 meses por Planificação Nacional; um dos chefes do regime está comprando com esses dinheiros toda a parte rural de Génova, o município onde nasceu Manuel Marulanda Vélez.
No Cauca, principal cenário da guerra, o mesmo fez o governador Temistocles Arteaga, quem, em conluio com o senador liberal Velasco, dividiu estes dinheiros e este último pressiona para pra completar privilégios burocráticos com grandes cotas na Promotoria Geral, cujo titular deveria denunciar, pois não aceita mais a chantagem do destacado malandro de colarinho branco.
No pico de sua crise, Santos tem pretendido pressionar, pela enésima vez, uma pax express.
Para o efeito, recentemente enviou seu Chanceler, em companhia de um empresário antioquenho, para que se somasse à delegação governamental na Mesa de Diálogos de Havana. Seu argumento central é que a paz deve ser firmada imediatamente porque o tempo internacional da mesma se esgotou. Abunda em sofismas e piruetas retóricas que carecem de fundamento para exigir a firma de um acordo de fim do conflito omitindo pontos cardeais relacionados como o fenômeno paramilitar auspiciado pelas Forças Armadas, a depuração e reestruturação destas, a reforma do Estado, a situação dos presos políticos, os TLCs, o ordenamento territorial, a eliminação do Esmad, a erradicação do neoliberalismo, a democratização dos meios de comunicação, a anistia, o indulto e a liberdade dos 10 mil presos políticos vítimas de montagens judiciais e policiais.
Argui que o contexto internacional é adverso a um acordo de paz, quando o que está ocorrendo no campo geopolítico é a emergência de tendências e blocos favoráveis a uma saída democrática da prolongada guerra civil colombiana. Não há necessidade de estender-se em explicações nesse sentido, pois a visita do Primeiro-Ministro Chinês a Bogotá nas últimas horas assim o está demonstrando.
O que sucede é que Santos, em razão de seus velhos e dessuetos interesses oligárquicos, quer impor à resistência campesina revolucionária a paz dos vencidos, a paz dos falsos positivos, a paz do cárcere. Pretende uma paz neoliberal com a ditadura perpétua dos mercados.
Prova disso é seu recém aprovado Plano Nacional de Desenvolvimento que não é mais que uma vulgar cópia do receituário neoclássico da OCDE, no qual se desconhecem olimpicamente os três acordos alcançados na Mesa de Havana. Rasga as vestimentas com sua falsa revolução, com sua fracassada lei de restituição de vítimas e terras, quando o único efetivo é que seu governo trabalha para favorecer os poderosos burgueses do estabelecimento [Sarmiento, Ardila, Restrepo, Carvajal, Marval, Urbanas, Ospinas etc], às máfias da droga enquistadas nos aparelhos armados e policiais e aos grandes astutos da politicagem clientelista.
Santos, como seu antecessor, fracassaram na guerra contra insurgente para derrotar o povo.
É impossível que o inquilino da Casa de Nariño alcance a Paz, pois sua natureza regressiva lhe nega a lucidez necessária para dar o salto que a Colômbia necessita e permita deixar pra trás a violência feudal e narcocapitalista que nos destrói.
Essa é uma verdade arqui conhecida. Santos se esgotou e a Constituinte popular pela paz é a alternativa apropriada nestes momentos aziagos da Colômbia.
A Constituinte pela paz tem na unidade avançada no recente 4º Congresso do Polo um transcendental suporte.
Essa unidade, que os diálogos entre os chefes das FARC e do ELN em Cuba mostrou em outro momento, se articula à estratégia revolucionária essencial para dar o salto necessário em nossa sociedade.
É que a conquista da paz é uma bandeira revolucionária por excelência. A paz com democracia ampliada abre os caminhos do Socialismo e da solidariedade.
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Equipe ANNCOL - Brasil

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Tchau Pinzón!


Boa notícia a saída de Pinzón do Ministério de Defesa. Foram vários meses reivindicando sua demissão. Era um francoatirador da ultra direita fascista contra o processo de paz. Agora, sim, podemos dizer que a paz vai por muito bom caminho. Que bom descanso.


Em minha terra –o Quindío- há um sábio ditado popular que me vem à memória. O mesmo diz que “com tal de que se vá, ainda que lhe vá bem”. Cai como um anel ao dedo para o evento que propicia estes comentários a saída do senhor Pinzón do Ministério de Defesa.


Tchau Pinzón, oxalá termine bem longe, para que não continue estorvando o processo de paz, tal como o fez ao longo dos Diálogos de Havana nos últimos 30 meses.


Seu discurso e sua gestão à frente dos assuntos militares é muito mais um caso de travestismo político deliberado. Entendê-lo implica recorrer à caixa de ferramentas lacaniana. Por sua boca se expressava a alma ultrarrecionária e uribista do próprio Santos. Essa figura ambígua é própria da personalidade oportunista dos políticos burgueses acostumados à cilada e à traição. Ademais de ser um mitomaníaco consumado. Um que come até seus próprios embustes.


Nada em Pinzón era de sua própria colheita, seu chefe tudo induzia na Casa de Nariño. O objetivo era confundir a tropa com o discurso paramilitar do cavaleiro de San Antonio de Pereira. Porém este, mais astuto, conservou e mantém seus enclaves no aparato militar governamental.


Era um jogo como a trinta bandos. Porém se necessitou do de Buenos Aires/Cauca para que Santos entendesse que as coisas da paz ou da guerra há que levá-las com seriedade.


É o valor dos denominados “acontecimentos verdade” tão bem elaborados pelo filósofo maoísta francês Alain Badiou.


Depois do mesmo, nos salões presidenciais entenderam que urgia deixar os jogos e as artimanhas.


Posteriormente, se encontram as chefias das guerrilhas revolucionárias em Havana para aprofundar a estratégia da paz democrática e com justiça social; não vai mais o veneno gringo contra a coca [oxalá descartem a praga do Fracking que em Ecopetrol e na Agência Naciional de Hidrocarbonetos promovem] e agora excluem do quadro político imediato o tagarela que intoxicava com sua contaminada verborragia o difícil processo de paz.


Oxalá entendam que os meios de comunicação da oligarquia perturbam a paz e seus progressos, com suas mentiras e montagens midiáticas. Democratizar a imprensa, a televisão e a rádio é um imperativo.


Oxalá também entendam que depurar os aparatos militares de tantos indivíduos fascistas e paramilitar é inexorável.


Oxalá entendam que mais corrupção da casta politiqueira e mais neoliberalismo como o do Plano de Desenvolvimento dinamitam gravemente as possibilidades de uma Colômbia em paz no curto prazo.


Com a saída de Pinzón, se vê a paz mais certa. São os atos que uma opinião pública e uma sociedade cansada da violência dos poderosos reclamam.


Encerro assinalando que talvez a saída de Pinzón se possa explicar como outra cortina de fumaça das que costuma o senhor Santos. Neste caso se trata de desviar a atenção a respeito da terrível tragédia dos mineiros de Riosucio e da calamidade de Salgar/Antioquia. Todos estes mortos não são mais que a consequência da corruptela da marmelada santista e do neoliberalismo do plano de Desenvolvimento.
Nota 1. Os índios Sikuani, quase 30 mil, de Puerto Gaitan/Meta, estão protagonizando um levantamento social contra Pacific Rubiales nos campos Rubiales e Quifa. São vítimas da violência paramilitar patrocinada por essa corporação dos hidrocarbonetos em associação com o senhor Bolaños, um cacique santo-uribista que saqueia as Prefeituras de Gaitan e Acacias. É o novo mandachuva da região. Apoiamos a rebelião indígena.
Nota 2. Morreu em Armenia Jairo Cardona, líde do magistério e um revolucionário íntegro. Paz em sua tumba e solidariedade com sua família e camaradas.

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Equipe ANNCOL - Brasil

Notícias que comovem e notícias que indignam


Quando a paz avança com algum ímpeto renovador, começam a manifestar-se as renovadas imputações contra a insurgência, as mais descaradas provocações.
 
Notícias há que comovem e despertam inconformidade. A tragédia dos mineiros de Riosucio, Caldas, encurralados por uma repentina intromissão das águas do rio Cauca nos socavões onde trabalhavam buscando ouro, tem algo em comum com a desgraça das famílias da zona rural de Salgar em Antioquia, afetadas à meia-noite por uma avalanche da quebrada La Liboriana. As vítimas de uma e outra são gente humilde, que sobrevive em angustiantes condições.
 
Mineiros e campesinos pobres que morrem por obra de um aparente infortúnio e que talvez sirvam para que os nomes de entidades e funcionários públicos encarregados de fornecer socorro se exibam e apareçam na mídia como os grandes salvadores, são, na realidade, produtos da iniquidade e da injustiça dominantes. Seres humanos condenados a rebuscar-se à intempérie seu sustento e o de suas famílias, são produtos da ordem social imperante, vítimas sem defensores do capitalismo selvagem.
 
Os kits de alimentação e higiene básica que fornecem a seus enfermos, ou as somas que o Estado destina ao pagamento das exéquias de seus seres queridos perdidos para sempre, até a anunciada inclusão no programa de casas gratuitas, não conseguem representar sequer panos de água morna para os graves problemas que põe a descoberto a adversidade noticiada. O problema é outro, o modelo econômico, as expectativas da grande mineração empresarial.
 
Assuntos a cuja simples menção o governo nacional se opõe radicalmente na Mesa de Conversações pela paz. É melhor dramatizar com as cenas trágicas da menina arrebatada das mãos de seu pai por obra da terrível corrente, enquanto sua mãe apareceu cinco quilômetros abaixo capturada entre o lodo. Isso move a dor e lágrimas, a coletas públicas. A pensar na má sorte e na vontade de Deus. A esquecer as verdadeiras causas.
 
Nos doem as angústias e as tristezas do povo colombiano, nos dilaceram no mais profundo da alma seus sofrimentos. Estendemos a todos os afetados por essas cruéis fatalidades nosso abraço solidário. Estamos perfeitamente convictos das razões pelas quais suas vidas e as de milhões de compatriotas em iguais ou piores condições estão permanentemente expostas. Para combatê-las, nos levantamos em armas já há 51 anos, após o ataque a Marquetalia.
 
Desde então, nos convertemos em objetos do ódio e da perfídia por parte dos grandes poderes. Disseram tudo de nós, nos acusaram de quanto crime e perversidade se possa conceber. Se nunca puderam nos aniquilar não foi por falta de vontade, todo o peso da força e da brutalidade estatal caiu nas mais diversas formas contra nós outros. Persistimos porque nossa causa continua sendo válida e justa, e porque um grande caudal humano nos apoia.
 
Os esforços por alcançar uma solução pacífica e civilizada ao conflito interno fazem parte de nosso arsenal e das aspirações das grandes maiorias colombianas vitimizadas e opostas às vias da violência e da guerra, empregadas como resposta secular a seus legítimos clamores. A paz nunca foi bandeira da oligarquia no poder, nem das grandes potências saqueadoras e agressivas. A paz tem sido sempre a bandeira dos povos que clamam por justiça.
 
É por isso que quando a paz avança com algum ímpeto renovador, quando o processo de busca da solução política arrasta atrás de si conteúdos novos não contemplados nas grandes alturas, começam a se manifestar os barulhentos desacordos, as calúnias de toda ordem contra as conversações, as renovadas imputações contra a insurgência, as mais descaradas provocações cujo objetivo é lançar tudo para baixo para que continue a guerra infinita.
 
Desde há um par de dias se converteu em notícia um suposto adestramento por parte das FARC de bandos criminosos mexicanos. Nenhum grande meio de comunicação colombiano deixou de destacar em grandes manchetes de primeira página a mentira, lançada a circular pela revista Progreso, do México, a qual respalda sua informação em supostas fontes anônimas de agências de inteligência dos Estados Unidos. Como quem diz, nada sério, aventureirismo total.
 
Maliciosamente, com o propósito de demonstrar sua imparcialidade e boa-fé, a grande imprensa publica no dia seguinte em suas páginas a informação segundo a qual as relações das FARC com os cartéis mexicanos podem existir tratando-se de tráfico de armas e de drogas, porém não no campo do treinamento militar. Isso de acordo com expertos consultados pela agência EFE, que nos absolvem em questão de adestramento militar, porém nos condenam como traficantes.
 
Outra demonstração mais da velha prática de lançar temas e difamações à espera de oportunistas prontos a recolhê-los e reproduzi-las com suas doses particulares de veneno. Assim funcionam os interesses do grande capital no mundo. Enquanto recebem como herói em Espanha ao general Al Sisi, sangrento ditador egípcio responsável por múltiplos crimes de humanidade, se denigre sem compaixão a Nicolás Maduro como um inimigo da democracia.
 
Unicamente porque o primeiro é fiel aliado de Estados Unidos, Arábia Saudita e Israel na geopolítica do Oriente Médio, enquanto o segundo é líder indiscutível do povo de Venezuela, decidido a materializar o legado ideológico e político do Presidente Chávez. Não é raro que a grande imprensa mundial reproduza hoje que a Promotoria Geral dos USA investiga Diosdado Cabello por narcotráfico; se trata do mesmo roteiro empregado contra nós outros.
 
Enquanto o embaixador norte-americano Whitaker manifesta seu respaldo total ao governo colombiano e põe de presente as excelentes relações de seu governo com o ex-Presidente e senador Álvaro Uribe, as agências de inteligência estadunidenses se empenham em desprestigiar uma vez mais as FARC, para o qual contam com os grandes meios de comunicação, raivosos defensores da liberdade de imprensa, ou melhor, de empresa, como dissera acertadamente o Professor Renán Vega.
 
São os verdadeiros interesses ocultos por trás do processo de paz de Havana.
 
Montanhas de Colômbia, maio de 2015

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Equipe ANNCOL - Brasil