"A LUTA DE UM POVO, UM POVO EM LUTA!"

Agência de Notícias Nova Colômbia (em espanhol)

Este material pode ser reproduzido livremente, desde que citada a fonte.

"De que vale a vida se quando a temos ela parece morta. A vida é para ser senirmos, para vibrar, para lutar, para combater. Isso justifica nossa passagem pela Terra." (Jaime Pardo Leal)


quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Livros esclarecem raízes e características da guerra na Colômbia


A Colômbia leva adiante há quase dois anos, em Havana, um diálogo de paz promissor entre o governo e as guerrilhas FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia). Enquanto isso, em Bogotá, o presidente Juan Manuel Santos – que conseguiu se reeleger para um segundo período com o apoio da esquerda, algo inimaginável quando chegou ao poder pela primeira vez – dá declarações como a que vê “com bons olhos” o uso medicinal da maconha. E duas ministras saem a público contando que são um casal.



Para muitos, todas essas notícias que andam rondando a imprensa  brasileira e mundial dão a sensação de uma Colômbia 2.0. É verdade que há muitas conquistas a se comemorar no país, mas essa imagem renovada de estabilidade, ainda por cima com uma tinta progressista, não corresponde 100% à realidade. Os colombianos continuam às voltas com sua guerra interna, que dura mais de 60 anos e tem profunda ligação com tudo o que acontece no país ainda hoje, desde a opinião de um cidadão em particular até as macro questões sociais, políticas e econômicas.


Sendo assim, para quem quer conhecer mais profundamente este país – que tantas semelhanças guarda com o Brasil, mesmo existindo distâncias concretas –, aqui vai uma lista de cinco livros em espanhol, considerados essenciais por intelectuais colombianos para que se entenda o conflito da Colômbia e as bases da violência que se instalou por lá, à direita, à esquerda e ao centro. São sugestões de cientistas políticos como Maria Emma Wills Obregon e Nicolás Morales, jornalistas como Marta Ruiz e Vicente Torrijos, antropólogos como María Victoria Uribe, advogados como Manuel Hernández Benavides, analistas como Claudia López e ex-combatentes das Farc, como Yezid Arteta Dávila.
Todos eles foram convidados pela revista colombiana Arcadia a dar sua opinião sobre as obras essenciais para desatar esse nó – ao menos, na cabeça de alguns leitores.


"¡Basta ya! Colombia: memorias de guerra y dignidad, de Gonzalo Sánchez e Ricardo Peñaranda". La Carreta Editores. Tercera edición, 2007. Bogotá


Mais do que um material crítico, é um informe. Recompila meio século de história de avanços e retrocessos na guerra colombiana e, para muitos, é o que há de mais que sério sobre o tema. Fala da origem dos partidos que polarizaram a política da Colômbia na primeira metade do século XX, da Guerra dos Mil Dias, da violência nos anos 40, de guerrilhas, narcotráfico e paramilitarismo.  




"El orangutan con sacoleva, cien años de democracia y represión en Colombia (1910-2010)", de Francisco Gutierrez. Editorial: Debate (2014)


O autor faz uma rigorosa análise conceitual, metodológica e histórica para explicar porque violência política e democracia formal não só conviveram durante anos na Colômbia entre 1910 e 2010, mas que se reproduziram e retroalimentaram nesse período.


"Cuadernos de Campaña", de Manuel Marulanda; "Diario de la Resistencia de Marquetalia", de Jacobo Arenas; e "Páginas de mi Vida", de Ciro Trujillo


São três textos narrativos, informalmente chamados de “A trilogia das FARC”. Quem indica essa leitura defende que são textos que, sem serem pedantes ou academicistas, descrevem os preâmbulos, o desenrolar e as consequências da mítica “Operação Marquetália”, de 1964, que para a maioria dos historiadores transformou um punhado de camponeses em rebeldes – que, desde então, optaram por tomar o poder pela via da revolução.


"Antología", de Jesús Antonio Bejarano (1946-1999) – Vol. 2, Estudios de Paz, Bogotá, Universidad Nacional de Colombia, 2011.


Neste livro, o professor Bejarano mostra que o fracasso dos processos de paz com as guerrilhas (FARC e ELN) até hoje se deveu a incompatibilidades básicas nas negociações. Enquanto para o governo, negociar é uma maneira de superar o conflito armado, para as guerrilhas é um processo que deve conduzir à superação dos problemas do país. 


"La Paz en Colombia" (2008), de Fidel Castro Ruz. Editora Política. La Habana.


Segundo quem recomenda este título, a interpretação de um conflito irregular como o colombiano pode ser mais bem feita por olhares externos e confissões de personagens como Fidel Castro, quem, de Cuba, sempre interveio nele apoiando a luta guerrilheira, criticando a conduta de alguns de seus chefes, fazendo sugestões aos governantes do país e chegando a conclusões reveladoras – que até hoje continuam orientando grupos insurgentes e governos bolivarianos no hemisfério sul.


Importância da publicação dos avanços dos diálogos de Paz de Havana


 Por Nelson Lombana Silva
 

A notícia principal para a Colômbia na semana que se encerra é, sem lugar a dúvidas, a publicação dos avanços ou acordos que até agora se cristalizaram no marco dos diálogos de Havana (Cuba) entre a insurgência das FARC-EP e o governo do presidente Santos.


Desde um princípio, o movimento fariano havia insistido no desenvolvimento dos diálogos de frente para o país, porém o governo nacional, em posição por demais torpe, tinha se oposto, até que certamente se deu conta de que estava dando toda a gavela aos inimigos da paz para especular e desinformar em forma aberrante com a cumplicidade pusilânime dos grandes meios de comunicação.


O movimento fariano foi claro desde um momento em dizer que nem Santos nem eles tinham a chave da paz, que a chave da paz, realmente, o povo a tem. A afirmação é correta. No heroico povo cubano se está definindo o futuro do povo colombiano em seu conjunto, portanto é elementar, óbvio, que esteja informado devidamente sobre o que se está discutindo e o alcance deste.


O governo nacional deve garantir que estes acordos parciais cheguem diretamente ao povo e proporcione as garantias mínimas para que se faça uma discussão e interpretação dos referidos acordos, de tal maneira que se tenha os suficientes elementos para dimensionar os avanços, o caráter e a importância destes, logicamente, no entendido que nada está acordado até que tudo esteja acordado.


De igual maneira, as forças revolucionárias e democráticas devem se prodigalizar a fundo na tarefa de socialização dos referidos avanços, porquanto certamente o governo tentará por todos os meios impedir que o povo possa ter acesso a esses acordos e assim poder estudá-los com base em sua própria realidade. 


O comandante Pablo Catatumbo qualifica os avanços de “acordos modestos”, sobretudo se se entende que numa democracia medianamente decente estes seriam óbvios, o qual indica com suma clareza e crueldade que a democracia em Colômbia é de papel, imaginária, virtual.


Não é gratuito que o comandante Pablo Catatumbo chame o governo nacional de Santos a assumir uma posição clara e consequente com a paz, posição que deve estar acompanhada mais de fatos que de palavras: “O governo deve ir mais além da retórica”, disse.


Esta afirmação do comandante guerrilheiro tampouco é gratuita. Enquanto Santos fala de paz, se empenha na Organização do Tratado do Atlântico Norte [OTAN], no comando sul e guarda absoluto silêncio frente às numerosas bases militares norte-americanas em território colombiano. Como diriam as avós: “Acende uma vela a deus e outra ao diabo”.


O governo deve começar a expor como vai se desmontar a terrível doutrina da segurança nacional, como vai se desmilitarizar o país, qual será o verdadeiro estatuto da oposição e com que garantias vai se desenvolver esta difícil, complexa e arriscada atividade de fazer oposição em Colômbia.


Dentro dos acordos vale destacar a caracterização do conflito, o qual não deriva do narcotráfico, senão que deriva das terríveis condições socioeconômicas do povo colombiano. Se poderia dizer que o narcotráfico não é uma causa, senão uma consequência dessa terrível desigualdade social e decomposição da classe dirigente de nosso país. O povo não é narcotraficante, narcotraficante é a classe dirigente desta putrefata oligarquia.


Com todas essas contradições, o processo avança. Se faz necessário que o governo entenda a necessidade do cessar bilateral do fogo o mais rápido possível. Há aqueles que afirmam que o processo de paz entrou numa etapa irreversível e que a discussão radica nas duas concepções que se tem acerca da paz: Para a burguesia, não é mais que uma simples vitória total, enquanto que para o povo é o resultado de mudanças estruturais importantes. Quer dizer: Santos propõe uma paz sem reformas e o povo deseja a paz com reformas.


O debate não é de pouca monta, porque são duas posições diametralmente opostas. Eis aqui por que é importante que se tenha socializado esses avanços, porque corresponderá ao povo digerir as iniciativas e incidir de alguma maneira em sua formulação como disse o comandante Pablo Catatumbo.


O povo deve se apoderar plenamente destes avanços e participar ativamente em sua consolidação e condensação. Há que exigir do estabelecimento as garantias mínimas para que o povo possa desenvolver estas atividades com liberdade e democracia e sem medo de ser estigmatizado e acusado de terrorista. Não é segredo para ninguém que pensar em Colômbia é um delito.

Primeiro ponto: Projeto conjunto - 
Desenvolvimento Agrário Integral .
Segundo ponto: Projeto conjunto - Solução ao problema das drogas ilícitas.
 Terceiro ponto: Projeto conjunto - Participação política
 

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

As FARC-EP apresentam as propostas 8, 9 e 10 das dez mínimas orientadas a garantir os DIREITOS INTEGRAIS DAS VÍTIMAS PARA A PAZ E A RECONCILIAÇÃO NACIONAL


  Havana, sede dos Diálogos de Paz, 27 de setembro de 2014

8. Definição combinada de mecanismos e instrumentos de justiça para garantir os direitos das vítimas do conflito
Os critérios, instâncias, mecanismos e instrumentos de justiça a aplicar a fim de garantir os direitos das vítimas do conflito serão definidos de maneira pactuada pelas partes. Seu fundamento normativo se encontra nas disposições do direito internacional sobre graves violações aos direitos humanos e infrações ao Direito Internacional Humanitário por ocasião de um conflito interno. Sem prejuízo da responsabilidade principal imputável ao Estado, assim como da responsabilidade de outros atores políticos, económicos e sociais, para os efeitos da construção de um eventual Acordo final para a terminação do conflito, a definição dos criterios, mecanismos e instrumentos de justiça deberá sustentar-se na complexa formulação do balanço entre a busca da paz estável e duradoura a qual a sociedade colombiana em seu conjunto aspira e os requerimentos de justiça por parte das vítimas. Ademais, em atenção a nossa condição de organização político-militar, a justiça aplicável às FARC-EP terá como pressuposto principal o reconhecimento amplo do delito político e do direito à rebelião, incluídas as conexidades, com tudo o que isso implica. Em todo caso, se considerarão instâncias, mecanismos e instrumentos alternativos de justiça a estabelecer pelas partes. O acordo político não se compreenderá em termos de um pacto de impunidade.

9. Provisão de garantias reais e materiais de não repetição

Com o propósito de prover garantias reais e materiais para evitar a repetição de processos, situações e fatos que produzem vitimizações coletivas e individuais de setores da população, vulnerando seus direitos, se empreenderão transformações políticas, econômicas, sociais e culturais orientadas à superação das causas estruturais da violência do sistema e, portanto, da vitimização sistêmica. De maneira especial se proscreverão doutrinas anticomunistas, contra insurgentes e de segurança nacional, assim como toda forma de intervencionismo, assessoria ou “ajuda” militar forânea. De igual forma, se empreenderá um processo de desmilitarização da sociedade e do Estado e uma reforma institucional das Forças Militares e de Polícia e dos organismos de inteligência centrada no respeito pelos direitos humanos e na defesa da soberania nacional. Estas instituições, junto com todos os poderes públicos, se depurarão de membros e estruturas comprometidos com processos e fatos de vitimização. Se garantirá o desmonte efetivo do poder e das estruturas paramilitares em todas as suas formas e modalidades. Se promoverá uma reforma à justiça que supere toda expressão do exercício do “direito penal do inimigo”. Se comporá uma “Comissão constitucional permanente de garantia, proteção e promoção dos direitos humanos e de prevenção de suas graves violações”. As FARC-EP se comprometerão no que lhes corresponda, segundo o estabelecido no eventual Acordo final para a terminação do conflito. Se proverão as condições necessárias para garantir a segurança de dirigentes políticos, sociais e populares.

10. Perdão político e social para construir as bases de um processo de reconciliação nacional

O esclarecimento da verdade histórica do conflito e suas vítimas deve implicar a criação de cenários coletivos e políticas nacionais, regionais, territoriais, para o perdão social e político. O perdão contém essa força inestimável de libertar o presente e o futuro da carga que os atos do passado impõem. O perdão rompe as lógicas da vingança, do ressentimento e do castigo, outorgando a oportunidade para a superação da violência. Perdoar é dar em abundância, dar de mais, doar para uma finalidade superior, introduzir a lógica da superabundância entre os seres humanos. Consideramos que o perdão político e social possibilita a inauguração de um novo tempo histórico que possibilite a reconciliação nacional. O perdão é uma condição inevitável para o nascimento de uma Nova Colômbia, é outra relação com o passado irreversível para possibilitar um novo começo. As FARC-EP propomos a criação de cenários públicos do perdão social e político em nível nacional, regional e territorial, que se orientem por alguns princípios para sua conversão democrática em políticas do perdão: a concessão do perdão só pode ser concedida pelas vítimas do conflito e também pela sociedade em seu conjunto; a criação de cerimônias culturais e museus do perdão que evitem a auto vitimização estratégica; a necessidade de construir uma justiça social e política mais além do direito; a contribuição ao nascimento de uma cultura política que privilegie a solidariedade e a cooperação para evitar a lógica dos vencedores; a reconciliação nacional concebida como um processo de aprofundamento da democracia; o desentranhamento e a transformação das cumplicidades e continuidades da violência sistêmica, entre outras.


DELEGAÇAO DE PAZ DAS FARC-EP

domingo, 28 de setembro de 2014

EUA: UM ESTADO TERRORISTA INIMIGO DA HUMANIDADE


Por Miguel Urbano Rodrigues



O chamado Estado Islâmico-ISIL, que se apresenta como refundador do Califado, é a ultima aberração gerada pela estratégia de terrorismo de estado do imperialismo estado-unidense.
Essa estratégia surgiu como consequência de efeitos não previstos da execução do projeto de dominação perpétua e universal sobre a humanidade, concebido ainda em vida de Roosevelt, no âmbito do War and Peace Program, um projeto que identificava nos EUA o herdeiro natural do Imperio Britânico.
O Médio Oriente foi a área escolhida pelo Pentágono e o Departamento de Estado para a arrancada do ambicioso Programa, precisamente porque o Reino Unido, muito enfraquecido pela guerra, ter iniciado ali a sua política de retirada escalonada de bastiões imperiais no mundo islâmico.
Nas décadas seguintes, a CIA promoveu golpes na Região com destaque para o que derrubou Mossadegh e restabeleceu no trono do Irã, o Xá Reza Pahlavi.


O PÂNTANO AFEGÃO
A partir de 1980, o governo Reagan financiou e armou as organizações terroristas sunitas de Peshawar que combatiam a Revolução Afegã. Alguns dos seus dirigentes foram recebidos como heróis na Casa Branca como «combatentes da liberdade»; Reagan saudou-os como combatentes da liberdade e «novos Bolivares».Os bandos desses heróis cortavam os seios a mulheres que não usavam a burka ou cegavam-nas com ácido sulfúrico.
Nessa época, o saudita Bin Laden interveio ativamente como aliado de confiança dos EUA (seu pai fora amigo da família Bush) nas campanhas que visavam o derrubamento do governo revolucionário de Kabul.
Quando Mikhail Gorbatchov abandonou o Afeganistão e os 7 de Peshawar tomaram o poder no país, essas organizações desentenderam-se e iniciou-se um período de guerras fratricidas.
No final da Presidência de Bush pai, os EUA, que tinham patrocinado a guerra de Saddam Hussein contra o Irã, reagiram à ocupação do Koweit, desencadeando a primeira guerra do Golfo, em 1991. Com o apoio de uma grande coligação avalisada pelo Conselho de Segurança, os iraquianos foram rapidamente derrotados. Bagdad foi submetida a bombardeamentos destruidores, mas Washington não se opôs a que Saddam permanecesse no poder.
No Afeganistão, cujo subsolo encerra recursos fabulosos, a situação assumiu aspetos tao caóticos, com os senhores da guerra a digladiarem-se, que Washington abriu a porta à entrada em cena dos Taliban, uma organização terrorista que a CIA havia criado no Paquistão como «reserva».
Os autointitulados «estudantes de teologia» conquistaram facilmente o país e, instalados em Kabul, assassinaram Muhammad Najibullah, o ultimo presidente legitimo, asilado na Sede da ONU, e promoveram uma política de fanatismo religioso que fez regressar o país à Idade Média. Bin Laden, mudando de campo, surgiu então como aliado preferencial do mullah Omar, chefe espiritual dos Taliban.
Os EUA recolhiam frutos amargos da sua política agressiva contra o Islã e de apoio incondicional ao Estado sionista de Israel.
Mas foi somente em 2001, após os atentados contra o World Trade Center e o Pentágono, que a Casa Branca, onde então pontificava Bush filho, tomou a decisão de invadir e ocupar o Afeganistão. Bin Laden foi guindado a inimigo número 1 dos EUA e a Al Qaeda, por ele fundada, adquiriu na propaganda americana as proporções de um polvo demoníaco cujos tentáculos envolveriam todo o mundo islâmico.
Mas, contrariando as previsões de Washington, o povo afegão resistiu à ocupação do país pelos EUA e pela OTAN.
O Presidente Obama, que prometera acabar com aquela guerra impopular, enviou para o país mais 120.000 militares. Sucessivas ofensivas de «pacificação» fracassaram e generais prestigiados foram demitidos. Anunciada para este ano a total retirada das forças de combate, a promessa não será cumprida.
Transcorridos 13 anos da invasão, a Resistência Afegã (que transcende largamente os Talibans) controla quase todas as províncias, com as tropas estrangeiras concentradas em Kabul e nas principais cidades. O país, devastado pela guerra, está mais pobre do que antes da chegada dos americanos, mas a produção de ópio aumentou muitíssimo.
O assassínio de Bin Laden no Paquistão numa operação de comandos nebulosa, montada pela CIA e o Pentágono, não contribuiu, aliás, para melhorar a imagem de Obama.


IRAQUE, LIBIA, SIRIA
Longe de extraírem lições da sua política para a Região, os EUA desencadearam em março de 2003 a segunda guerra do Iraque, desta vez sem o aval da ONU.
O pretexto invocado – a existência de armas de extermínio massivo - foi forjado por Bush e Tony Blair. Tais armas, como foi provado, não existiam.
Na invasão, foram utilizadas armas químicas proibidas pelas convenções internacionais. Crimes monstruosos foram cometidos e as torturas (incluindo abusos sexuais) infligidas pela soldadesca americana aos prisioneiros iraquianos tornaram-se tema de escândalo de proporções mundiais.
Saddam Hussein foi executado após um julgamento sumário, com o aplauso de um governo fantoche. Mas, transcorrida mais de uma década, o Iraque regrediu meio século. Centenas de milhares de iraquianos morreram de doenças curáveis e de desnutrição.
Hoje, ocupado por dezenas de milhares de mercenários ao serviço de empresas mafiosas, o Iraque é na prática uma terra humilhada e ocupada, onde o poder real é exercido pelas transnacionais que se apropriaram do seu petróleo e do seu gás.
Incapazes de encontrar soluções para a sua crise estrutural, os EUA prosseguiram com a sua agressiva estratégia (ampliando-a) de dominação imperial.
A política de cerco à China e à Rússia intensificou-se. De documentos secretos do Governo federal, tornados públicos por influentes mídias, constam planos para arruinar e desmembrar a Rússia, reduzindo-a a potência de segunda classe.
A multiplicidade de objetivos a atingir quase simultaneamente tem contribuído, porém, para que os resultados dessa política não correspondam às esperanças da Casa Branca.
As mal chamadas «primaveras árabes» foram ideadas para produzirem no Islã um efeito comparável ao das «revoluções coloridas». E isso não aconteceu. No Egito, apos uma cadeia de crises complexas e um golpe de estado que derrubou o presidente Morsi, os EUA conseguiram o que pretendiam. No Cairo, ocupa o poder um governo militar do agrado do imperialismo norte-americano e que Israel encara com simpatia.
Mas o balanço da intervenção militar na Líbia é desastroso. Derrubaram e assassinaram Kadhafi, numa guerra de agressão imperial, viabilizada pela cumplicidade da ONU, guerra em que participaram ativamente a França e o Reino Unido, preparada com antecedência pela CIA e os serviços secretos britânicos e a Mossad israelense. Destruíram as infraestruturas do país para se apossarem do seu petróleo e do seu gás.
Mas o desfecho da operação criminosa não correspondeu ao previsto no organograma da agressão.
A Líbia é hoje um país ingovernável. Uma parte significativa dos «rebeldes», treinados e armados pelo imperialismo para lutar contra Khadafi, passaram a atuar por conta própria, em milícias que desconhecem o governo títere de Trípoli. O terrorismo tornou-se endêmico. O atentado terrorista contra a missão diplomática dos EUA em Bengasi confirmou o estado de anarquia existente e a incapacidade de Washington para controlar as organizações terroristas que o imperialismo introduziu no país.
Do caos líbio não foram porém extraídos também os ensinamentos neles implícitos.
A escalada de agressões prosseguiu. A Síria foi o alvo seguinte. Washington repetiu a fórmula. Uma campanha mediática ampla e ruidosa demonizou o presidente Assad, apresentado como ditador brutal. Depois, «rebeldes» patriotas – muitos dos quadros são estrangeiros – iniciaram a luta contra o governo legitimo do pais.
Contrariando as previsões da CIA, as forças armadas, unidas em defesa do presidente Assad, resistiram e as organizações terroristas, ostensivamente apoiadas pela Turquia e pela Arabia Saudita, sofreram severas derrotas.
Dezenas de milhares de civis, sobretudo mulheres e crianças, foram vítimas da guerra patrocinada pelos EUA.
Compreendendo finalmente que o plano elaborado em Washington estava a fracassar, Obama, numa guinada tática, informou num discurso ameaçador que tinha decidido bombardear a Síria.
A firme atitude assumida pela Rússia obrigou-o, entretanto, a recuar e a desistir da intervenção militar direta.
Essa inocultável derrota política tornou necessária uma revisão da estratégia global dos EUA para todo o Médio Oriente.
Apercebendo-se de que haviam avaliado mal a relação de forças, a Casa Branca e o Pentágono adiaram sine dia o projeto de agressão à Republica Islâmica do Irã, e abriram negociações sobre o tema nuclear com um governo que o imperialismo identificava como polo do «eixo do mal».


A CATÁSTROFE UCRANIANA
A derrota sofrida pelo imperialismo na Síria coincidiu praticamente com o desenvolvimento de outro projeto imperial, mais ambicioso, que visava a integração a médio prazo da Ucrânia na União Europeia e na OTAN.
Dispenso- me de recordar, por serem amplamente conhecidos, os acontecimentos que conduziram ao poder em Kiev um governo neofascista após o derrubamento do presidente Yanukovich. Era um aventureiro, mas havia sido eleito democraticamente.
Mais uma vez o plano golpista foi minuciosamente preparado em Washington.
Mas, novamente, a História seguiu um rumo diferente do previsto pelo sistema de poder imperial.
A integração da Crimeia à Rússia demonstrou que o governo de Putin e Medvedev‎ não se deixava intimidar pela agressiva estratégia de Washington.
A recusa das populações russófonas do leste da Ucrânia a submeter-se aos golpistas de Kiev levou observadores internacionais a admitir que a ofensiva das forças armadas da Ucrânia contra os «separatistas» de Donetsk e Lugansk poderia ser o prólogo de uma III Guerra Mundial. Mas a prudência e serenidade de Putin contribuíram para uma redução de tensões na área, evitando o alastramento de um conflito que poderia ter trágicas consequências para a humanidade.
A crise persiste, mas a própria incapacidade militar do bando de Kiev conduziu ao atual cessar-fogo e às negociações de Minsk.
Na Ucrânia, o tiro saiu também vez pela culatra ao governo dos EUA cuja aliança com fascistas assumidos ilumina o desprezo pela ética política da Administração Obama.


O PESADELO JIHADISTA
Atolado no pantanal ucraniano, o imperialismo estado-unidense (e os seus aliados) enfrenta nestes dias um desafio assustador para o qual sabe não ter solução.
Inesperadamente, uma organização de islamitas fanáticos irrompeu no noroeste do Iraque e em poucas semanas ocupou um amplo território naquele país e no norte da Síria.
Assumindo-se como interpretes intransigentes da sharia, tal como a concebem, proclamaram a restauração do Califado árabe e declaram a sua intenção de promover a sua expansão territorial e espiritual.
Logo nas primeiras semanas, a passagem desses jihadistas por cidades e aldeias conquistadas ficou assinalada pela prática de crimes hediondos, inseparáveis do fanatismo exacerbado da seita jihadista.
O imperialismo sentiu que o empurravam para um impasse. Obama não pode aceitar a ajuda do governo de Bashar al Assad, nem a do Irã. Perderia a face também se recorresse a forças terrestres para combater os jihadistas depois de ter festejado como acontecimento histórico a retirada do Iraque das tropas de combate. Optou então pelo recurso a bombardeamentos aéreos. Recebeu o apoio dos governos de Hollande e de Cameron, mas os especialistas do Pentágono acham que esses bombardeamentos, ditos «cirúrgicos» terão uma eficácia muito limitada.
Os jihadistas responderam degolando dois reféns britânicos em seu poder e ameaçam abater outros se os bombardeamentos prosseguirem.
É imprevisível no momento o desfecho do confronto. Mas os generais do Pentágono afirmam que o exército iraquiano e as milícias do Curdistão autónomo, aliado de Washington, não têm capacidade militar para derrotar os jihadistas.
Em Washington, a Administração está mergulhada num pesadelo. A mídia mais influente, do New York Times à CNN, também.
Muitos quadros jihadistas são, afinal, provenientes de organizações terroristas criadas e financiadas pelos EUA para combater regimes que não se submetiam à dominação imperial. Alguns foram treinados por oficiais da US Army.
O desconforto dos media também é compreensível.
As guerras de agressão que atingiram o Afeganistão, o Iraque, a Líbia e a Síria foram precedidas de gigantescas campanhas de desinformação. Durante semanas, os povos dos EUA e da Europa foram massacrados com um tipo de propaganda que apresentava as intervenções militares como exigência da defesa da liberdade e dos direitos humanos em prol da democracia, contra a ditadura e a barbárie.
Goebbels, o ministro da propaganda de Hitler, afirmava que uma mentira à força de repetida é aceite como verdade. As técnicas de desinformação utilizadas na época parecem hoje brincadeira de crianças se comparadas com a monstruosa máquina mediática controlada pelo imperialismo para anestesiar a consciência dos povos e justificar crimes monstruosos.
O presidente Obama cumpre neste jogo criminoso o papel que lhe foi distribuído. Na realidade, o poder nos EUA está nas mãos do grande capital e do Pentágono. Mas isso não atenua a sua responsabilidade; a máscara não funciona , o presidente desempenha com prazer e hipocrisia a sua função na engrenagem do sistema de poder. Comporta-se na Casa Branca como inimigo da Humanidade.
Nos últimos séculos somente a Alemanha de Hitler criou uma situação comparável pela monstruosidade dos crimes cometidos à resultante hoje da estratégia de poder dos EUA. Com duas diferenças fundamentai: a política do III Reich suscitou repúdio universal, mas apenas a Europa foi cenário dos seus crimes.
No tocante aos EUA, centenas de milhões de pessoas são confundidas pela fachada democrática do regime, mas os crimes cometidos têm dimensão planetária.
Qual o desfecho da perigosa crise de civilização que ameaça a própria continuidade da vida na Terra?
Vivemos um tempo, após a transformação da Rússia num país capitalista, em que as forças da direita governam com arrogância em quase toda a Europa. Em Portugal, sofremos um governo em que alguns ministros são mais reacionários que os de Salazar.
Mas a Historia é, há milénios, marcada pela alternância do fluxo e do refluxo. O pessimismo, o desalento não se justificam. A maré da contestação ao capitalismo está a subir.
Não esqueço que Marx, após a derrota na Alemanha da Revolução de 1848-49, quando uma vaga de desalento corria pela Europa criticou com veemência o oportunismo de esquerda e o de direita, que contaminava a Liga dos Comunistas. Dirigindo-se à classe operária, afirmou que os trabalhadores poderiam ter de lutar 15, 20 ou mesmo 50 anos antes de tomarem o poder. Mas isso não era motivo para se desviarem dos princípios e valores do comunismo.
A revolução socialista tardou 70 anos. E não eclodiu na Alemanha ou na França , mas na Rússia autocrática.
O ensinamento de Marx permanece válido. Mas neste inicio do século XXI não será necessário esperar tanto tempo.
A vitória final depende das massas como sujeito da História.
A advertência de Rosa Luxemburgo - Socialismo ou Barbárie - não perdeu atualidade. Ou o capitalismo, hegemonizado pelo imperialismo norte-americano, empurra a humanidade para o abismo, ou a luta dos povos o erradica do planeta. A única alternativa será então o socialismo.

Vítimas do Estado em Havana: primeiro reconhecidas, depois ameaçadas


Já são 91 os defensores e defensoras de Direitos Humanos, incluindo integrantes do primeiro grupo de vítimas que viajaram para Havana, que receberam ameaças de morte durante as últimas semanas por parte de grupos paramilitares.


Foram duas as ameaças que, no último dia 09 de setembro, a Corporação Reiniciar havia recebido. Esta entidade promotora de Direitos Humanos recebeu mensagens provenientes do correio aguilasnegrasbloquecapital@gmail.com, em que assinalam como guerrilheiros múltiplos defensores de Direitos Humanos. A última ameaça consistiu em um convite para o funeral de Virgelina Chara, Karen Borrero e Ana Prada, que seria realizado em 18 de setembro de 2014 às 11h da manhã, no caso de que as pessoas citadas não saíssem do país.


A Reiniciar elaborou um comunicado denunciando o caso. Nele faz referência aos 86 ameaçados que, com nome e sobrenome, aparecem nessa "lista negra” por seguirem com o "conto da paz”, incluindo sua diretora, Jahel Quiroga.


Por sua parte, o Movimento Nacional de Vítimas de Crimes de Estado (Movice) denunciou que são 91 os defensores do processo de paz e de Direitos Humanos que receberam ameaças nos últimos dias. Ainda que as mensagens venham de um grupo não identificado, os classificam igualmente de guerrilheiros e os declaram como objetivos militares.


Essas ameaças prometem que "vão caçá-los” e entre as pessoas para quais são dirigidas se incluem integrantes do Movice e algumas das vítimas que viajaram para Cuba no marco do processo de paz com as FARC.


As organizações defensoras de Direitos Humanos mencionadas exigem da Promotoria que realize as investigações pertinentes. Ademais, pedem ao Estado e organizações internacionais celeridade nas investigações e proteção para a vida das pessoas que se encontram em perigo.
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Fonte: Colombia informa