"A LUTA DE UM POVO, UM POVO EM LUTA!"

Agência de Notícias Nova Colômbia (em espanhol)

Este material pode ser reproduzido livremente, desde que citada a fonte.

A violência do Governo Colombiano não soluciona os problemas do Povo, especialmente os problemas dos camponeses.

Pelo contrário, os agrava.


quarta-feira, 1 de abril de 2015

FARC-EP: «É mais fácil dialogar entre os que estiveram no campo de batalha»



Carlos Antonio Lozada é integrante do Secretariado das FARC-EP e chefe da Subcomissão Técnica designada pela delegação de paz da guerrilha que, junto a altos cargos militares, analisa o fim do conflito armado e sua desescalada.
Carlos Antonio Lozada, membro do Secretariado das FARC-EP, está encarregado da Subcomissão Técnica nomeada pela delegação de paz para analisar junto a altos cargos militares o fim do conflito armado. E, junto ao general e delegado do Governo Oscar Naranjo, integrará o grupo de referência que, em parceria com as outras duas estruturas acordadas pela Mesa de conversações na sexta-feira passada, deverá iniciar os trabalhos de limpeza e descontaminação de minas antipessoa, artefatos explosivos improvisados, munições sem explodir e restos explosivos de guerra. Este plano piloto começará a ser aplicado nos estados de Antioquia e Meta.
Lozada, quem viveu em carne própria os bombardeios contra acampamentos da guerrilha, assegura, em resposta ao questionário remetido por GARA via e-mail, que a presença em Havana de destacados militares «é decisiva» e que «é mais fácil o intercâmbio entre aqueles que estiveram enfrentados no campo de combate e falam uma mesma linguagem»
A suspensão dos bombardeios durante um mês aplana o caminho para um cessar-fogo bilateral?
A decisão do presidente Juan Manuel Santos de suspender por um mês os bombardeios aos acampamentos das FARC-EP, prorrogável se assim o considera, tem mais um sabor de chantagem que de outra coisa. Não se trata de um gesto humanitário, nem de desescalada do conflito, como foi qualificado por alguns meios de informação. Durante o ciclo 33 das conversações, as FARC apresentaram ante os países garantidores um documento onde se detalham 15 gestos unilaterais de paz realizados com um claro sentido humanitário, entre os quais podemos mencionar a suspensão definitiva das retenções com fins econômicos; a libertação do general Alzate e a de vários soldados capturados em combate; a entrega ao CICV de menores de idade adestrados pelas Forças Armadas oficiais para infiltrá-los na guerrilha com o objetivo de assassinar comandantes e realizar ações de sabotagem. Estes fatos, que deveriam ser respondidos com reciprocidade por parte do Governo, têm sido desconhecidos e, por outro lado, se nos quer submeter a essa inaceitável chantagem mensal de ameaçar-nos com a retomada dos bombardeios, se as guerrilhas respondem às contínuas operações militares contra suas forças.
Após sobreviver a vários bombardeios, como os descreveria?
Contra nós se tem aplicado o uso desproporcional da força por parte do Estado, o que constitui uma clara violação do Direito Internacional Humanitário, toda vez que a insurgência não conta com aviação ou armamento antiaéreo. Este tipo de ataques, realizados contra as unidades guerrilheiras em horas noturnas, enquanto dormem, ademais de covardia, demonstram o nível de degradação a que chegou a classe dominante colombiana. Apesar da brutalidade dos referidos ataques, temos sabido assimilar os golpes recebidos e adequar sua tática para evitarmos ser surpreendidos. Este tipo de bombardeios indiscriminados gera pânico e terror entre a população, o que, por sua vez, provoca deslocamentos e danos psicológicos irreparáveis, além das consequências sobre o meio ambiente e as espécies animais que caem vítimas da explosão de centenas de quilos de TNT.
A confiança é chave num processo de diálogo. No dia de hoje, é suficientemente sólida para fazer frente a previsíveis incidências?
Um processo de paz é um complexo exercício de tecer confiança mútua entre duas partes que têm estado enfrentadas à morte. Isso torna muito difícil avançar, sobretudo nos inícios do processo; por essa razão, cada passo que se vai dando deve ser avaliado suficientemente pelas partes e cuidado como um patrimônio do processo. A três anos de ter-se iniciado, o processo de Havana tem em seu haver três acordos parciais sobre o tema de desenvolvimento agrário, a ampliação da democracia e uma nova política antidrogas; ademais do recente acordo sobre descontaminação de minas, artefatos explosivos improvisados, munições sem explodir e restos de explosivos de guerra. Tudo isto somado a um saldo positivo que faz com que cada vez seja maior a credibilidade e confiança entre as partes, o que, por sua vez, é um grande ativo para enfrentar os momentos difíceis.
É mais fácil o diálogo entre os que combatem?
A presença de altos oficiais da Força Pública em Havana é um fato sem precedentes em anteriores processos de paz em Colômbia, sua contribuição será decisiva para o êxito do processo e assim o confirma o fato de que nas primeiras reuniões entre combatentes o ambiente reinante é de muito respeito, cordialidade e reconhecimento mútuo. Sem dúvida, é mais fácil o intercâmbio entre os que têm estado enfrentados no campo de combate e falam uma mesma linguagem; ademais, porque o [fato de] ter compartilhado os rigores da confrontação os aproxima e permite, nos momentos de recesso, rememorar situações de guerra onde uns e outros estiveram envolvidos, sem saber que anos mais tarde iriam estar sentados ao redor de uma Mesa de conversações.
Vê próxima uma Colômbia livre de minas?
O acordo contempla, além das minas antipessoa, os artefatos explosivos improvisados, munições sem explodir e os restos explosivos de guerra; e, como já se disse, é apenas o começo de um processo que, segundo os entendidos no tema, finalizado o conflito, deve levar-nos a que em alguns anos possamos declarar a Colômbia livre deste tipo de artefatos.
Como afrontam as FARC-EP os problemas éticos que o uso de minas gera?
Contra nós se tem descarregado o peso de uma poderosa máquina de guerra que envolve não só o elevado orçamento militar do Estado, como também que inclui a ajuda militar norte-americana, que ascendeu a mais de dez bilhões de dólares nos últimos anos, ao que há que acrescentar assessoramento, informação e todos os avanços tecnológicos com que conta o complexo militar industrial dos Estados Unidos e Israel. A essa força descomunal temos enfrentado com os exíguos recursos de uma guerrilha proletária, incluído o armamento popular. O antiético e inumano é lançar semelhante desproporção de meios contra um povo que o único que clama é paz com justiça social, democracia e soberania. A rebelião armada não é só um direito, é também um dever dos povos subjugados.
Como avalia o fato de que guerrilheiros, sem uniforme, e militares trabalhem conjuntamente no desminado?
Esse fato, que em breve será uma realidade em Colômbia, mostra a maturidade que o processo de Havana vai alcançando.
Pode esta cooperação ajudar a assentar as bases de uma futura reconciliação?
Sem lugar a dúvidas, que as partes que têm estado enfrentadas por mais de 50 anos possam se pôr de acordo para trabalhar conjuntamente num mesmo propósito humanitário, sem ter concluído ainda o conflito, é um sinal muito promissor do que pode chegar a ser o reencontro da família colombiana. Nesse propósito, as FARC-EP apostam todos os esforços.
Propuseram a criação de uma comissão integrada por guerrilheiros, militares e pessoal do CICV para buscar os caídos em combate. Que acolhida teve esta proposta?
Lamentavelmente, até o momento não conseguimos acordar com a delegação governamental os termos para a construção deste acordo humanitário que permitiria aliviar a dor de muitas famílias de militares e guerrilheiros que não puderam dar sepultura digna a seus seres queridos. Esperamos que em breve possamos dar essa boa notícia.
Como se passa para um cenário de paz após um conflito caracterizado por massacres, torturas, esquartejamentos...?
Se chegando a um acordo definitivo, este será só o começo de um longo processo histórico, em que o povo terá que encontrar as formas de sanar suas feridas e que deve começar por realizar as transformações estruturais que deram origem ao conflito. A paz não será possível se, ademais de verdade, justiça e reparação integral, às vítimas não se lhes brindam garantias de não repetição, e isso só é possível se os acordos apontam em direção a superar as causas econômicas, políticas, sociais e de dependência que deram origem ao enfrentamento armado. Ali está o segredo para poder virar essa dolorosa página.
Expertos em resolução de conflitos, como o britânico Jonathan Powell, afirmam que devem ser tomadas «decisões difíceis e impopulares». O líder republicano Gerry Adams confessou em suas memórias que «a negociação mais dura é a que faz alguém com os seus». Compartilha estas reflexões?
A essas reflexões, por demais válidas, poderíamos acrescentar que sempre será mais difícil fazer a paz que continuar a guerra. Durante os primeiros intentos por encontrar uma saída política ao conflito, um comissionado do Governo, pioneiro destes esforços, o doutor John Agudelo Ríos, quem já faleceu, cunhou uma frase que as FARC adotamos como própria, porque sintetiza de alguma maneira a complexidade destes processos. Dizia que umas conversações de paz se parecem com a arte de enfileiras pérolas no mar.
«As vítimas não pedem vingança»
As FARC propuseram um «perdão coletivo social e político» e asseguram que não aceitarão um acordo que implique um só dia de cárcere. Estão as vítimas dispostas a dar esse passo?
São mais de 60 as propostas que formulamos relacionadas com o tema vítimas, ao que haveria que acrescentar outras 140 apresentadas pelas vítimas em distintos fóruns e nas audiências com as delegações em Havana. O denominador comum foi a exigência às partes de continuar adiante com o processo até sua culminação exitosa para evitar novas vitimizações; porém também para garantir a não repetição. Não houve em nenhum momento um só pronunciamento que pedisse vingança ou algo parecido; todo o contrário, a característica de todas as intervenções foi a generosidade que brota de corações que têm padecido a dor de uma longa e cruenta guerra. Porém, ademais, as audiências serviram para estabelecer as múltiplas responsabilidades dos distintos setores da sociedade colombiana nesta tragédia. Essa realidade é a que dá sustento a nossa proposta de chegar a um grande ato público de reconhecimento e perdão coletivo social e político, como um primeiro passo em direção à reconciliação nacional e à dignificação das vítimas. Não se trata de reduzir este ponto da agenda ao tema de castigo e mais exatamente de cárcere para uma das partes do conflito. O Estado não pode pretender ser juiz e parte; menos ainda quando a justiça em Colômbia chegou a um estado de prostração frente às máfias e à corrupção. E acrescentamos: sendo a rebelião um direito reconhecido pela ONU, não estamos dispostos a ir para o cárcere por termos feito uso legítimo desse direito. A. LERTXUNDI
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Equipe ANNCOL - Brasil

terça-feira, 31 de março de 2015

Frei Betto

Como o senhor avalia o atual momento do País?

O Brasil está vivendo um momento de crise política e econômica. Prevejo quatro anos de governo Dilma com muita turbulência, manifestações, greves, impasses. E me pergunto se, em 2018, o PMDB apoiará o candidato do PT. Como bom mineiro, desconfio que não e não me surpreenderei se o PMDB lançar um candidato próprio, com apoio do PSB e outros pequenos partidos. A questão é que tivemos 12 anos de governo do PT que, na minha avaliação, apesar de todos os pesares – e põe pesares nisso –, foram os melhores da nossa história republicana, sobretudo no quesito social. Efetivamente, 36 milhões de pessoas deixaram a miséria. Hoje, os aeroportos deixaram de ser um espaço elitista. Se vamos em um barraco de favela, lá dentro tem TV a cores, micro-ondas, máquina de lavar, fogão, geladeira, telefones celulares, talvez um computador e, possivelmente, no pé do morro, um carrinho que está sendo comprado em 60, 90 prestações mensais. Porém, essa família continua no barraco, sem saneamento, em um emprego precário, sem acesso a saúde, educação, transporte público e segurança de qualidade. O governo facilitou o acesso dos brasileiros aos bens pessoais, mas não aos bens sociais.

O que faltou?

Não tivemos, em doze anos, nenhuma reforma de estrutura, nenhuma daquelas prometidas nos documentos originais do PT. Nem a agrária, nem a tributária, nem a política. E aí poderíamos acrescentar nem a da educação, nem a urbana. Em suma, o que falta ao governo – e desde 2003 – é planejamento estratégico.

Como assim?

Governa-se na base dos efeitos pontuais, da administração de crises ocasionais, porque o PT trocou um projeto de Brasil por um projeto de poder. Permanecer no poder se tornou mais importante do que fazer o Brasil deslanchar para uma nação justa, livre, soberana e igualitária. Como é que um governo que pretende desenvolver a nação brasileira cria um ministério que eu qualifico de coral desafinado? O que tem a ver Joaquim Levy com Miguel Rossetto? Kátia Abreu com Patrus Ananias? José Eduardo Cardozo com George Hilton?
Em artigo publicado pouco antes das eleições, o senhor listou 13 razões para votar na Dilma. Agora, escreveu novo artigo, A Farra Acabou, com críticas ao governo. O que mudou?

O que mudou é que, infelizmente, aquelas 13 razões não foram abraçadas no segundo mandato de Dilma. A presidente montou um ministério esdrúxulo, que não conseguiu nem sequer ter um projeto de Brasil minimamente emancipatório, como era o Fome Zero. Aliás, o próprio governo que o criou o matou, substituindo-o por um programa compensatório chamado Bolsa Família – que é bom, mas não tem caráter emancipatório. Todo o governo opera agora em função de um detalhe, não de um projeto histórico, que é o ajuste fiscal. E penalizando os mais pobres, não o capital. Todas as bases desse ajuste estão em cima da redução do seguro-desemprego, do abono salarial, do imposto sobre o consumo. E nada em termos das grandes heranças, dos royalties que saem do País, das grandes transferências de dinheiro, dos brasileiros que têm dinheiro nos paraísos fiscais. A conta vai ser paga por aqueles que já lutam com dificuldade.

O senhor quer dizer que estamos em um caminho sem volta?

O grave do governo do PT – tendo sido construído e consolidado pelos movimentos sociais – foi, ao chegar ao Planalto, ter preferido assegurar sua governabilidade com o mercado e com o Congresso e escantear os movimentos sociais. Hoje, eles são tolerados ou, como no caso da UNE e da CUT, manipulados, invertendo o seu papel. Com isso, o PT ficou refém desse Congresso, dependendo de alianças espúrias. Agora, o seu grande aliado, o PMDB, se rebela, cria – com o perdão da expressão – uma cunha renana para asfixiar o Executivo. Se alguém me pergunta “qual é a saída”? É o PT ser fiel às suas origens. Buscar a governabilidade pelo estreitamento de seus vínculos com os movimentos sociais. Ou seja, o segmento organizado, consciente e politizado da nação brasileira. Fora disso, tenho a impressão de que estamos começando a assistir ao começo do fim. Pode até perdurar, mas o PT tende a virar um arremedo do PMDB. Creio que cabe hoje, ao governo, fazer uma autocrítica séria.

Por meio dos movimentos sociais é que seria possível recuperar a imagem do partido?

Exatamente. O PT precisa sair da posição de bicho acuado em que se colocou. O partido, até hoje, não declarou se os envolvidos no mensalão são inocentes ou culpados; o partido, até hoje, não declarou se ele, que governa o Brasil e, portanto, a Petrobras, tem ou não responsabilidade na devassa que está sendo feita na maior empresa brasileira. O partido se afastou das bases sociais. Onde estão os núcleos populares que, nos anos 80, encantavam todas as pessoas que chegavam na zona leste de São Paulo, em uma favela, e a dona Maria, orgulhosamente, mostrava um barracão que era a sede do núcleo do PT? Onde está o trabalho de base, de formação política? Embora não tenha sido militante do PT, mas como ajudei a construir o partido por meio do trabalho pastoral, hoje me pergunto: onde estão os líderes do PT que, aos fins de semana, voltam para as favelas e periferias? Onde estão os líderes do PT que não tiveram um assombroso aumento de seu patrimônio familiar durante esses anos, a ponto de não se sentirem mais à vontade em uma assembleia de sem-teto, em uma aldeia indígena, em um fim de semana em um quilombola? Onde estão eles? Existem. São raros. Não vou citar nomes, mas tenho profundo respeito por militantes e dirigentes do PT que são muito coerentes com aquele PT originário. Mas, infelizmente, eles são exceção.

Como disse recentemente a senadora Marta Suplicy, “ou o PT muda ou acaba”.

É como já disse, o PT tem de mudar no sentido de voltar às suas origens e às suas bases sociais. Acabar não vai, porque tem tantos oportunistas que ingressaram no PT como rampa de acesso às benesses do poder, que o partido tende, inclusive, a inchar de gente que não tem nada a ver com as suas origens. Dou um exemplo: curiosamente, coincidindo com o dia em que a presidente entrega à nação um pacote anticorrupção, no estado do Rio um prefeito é flagrado na corrupção. O que esse cidadão tem a ver com a história de um partido que, ao nascer, se afirmou por três capitais: ser o partido ético na política brasileira, ser o partido dos pobres e ser o partido que, a longo prazo, construiria uma alternativa ao País, com uma sociedade socialista? O PT abandonou os três capitais. Esse pessoal que não tem a ver com o PT viu que, sendo do partido, o maná cai do céu. Fico me perguntando quantos outros exemplos não devem existir por esse Brasil afora?

Poderíamos apontar um culpado por esse rumo diferente que o partido tomou? O ex-presidente Lula?
J
amais, na minha análise – isso é um princípio – personalizo os acontecimentos. Porque não acredito que a história humana seja feita por meio de salvadores da pátria. É feita de movimentos e processos sociais. É preciso que haja uma luta interna no PT muito acirrada para que o partido seja minimamente coerente com suas origens e propostas.

O senhor é a favor do “volta, Lula”? Ele poderia “salvar” o governo desta atual crise?

Minha avaliação é que Lula só não será candidato à presidência em 2018 se morrer. Fora isso, tenho absoluta segurança de que ele será candidato. Não foi ele que me disse isso, é apenas da minha cabeça. Mas a questão não é “com o Lula voltando, as coisas vão se resolver”. O problema é o rumo que o partido tomou e imprimiu ao governo do Brasil. Há coisas extremamente positivas, mas a expectativa era muito maior. Governo se faz com luta interna, aprendi isso nos dois anos em que estive lá. Governo é como feijão, só funciona na panela de pressão. Aquilo é um caldeirão em fervura permanente. Mas é preciso que haja alguns segmentos dentro do governo capazes de elaborar uma proposta estratégica a longo prazo, que sirva de norte para as políticas. E isso não existe hoje.

O que existe?

Um pacote de propostas pontuais. A falta de horizonte histórico no projeto do governo, agravada pelo fim das ideologias libertárias desde a queda do muro de Berlim, é o que explica por que o debate político hoje desceu do racional para o emocional. É como briga de casal. Quando se perde um projeto amoroso ou da família, emoções afloram, insultos, ofensas, sentimento de ira e vingança, porque não se tem horizonte. Quando esse horizonte histórico existe, quando se tem projeto estratégico, o debate democrático fica no nível da racionalidade, não da emocionalidade. Mas essa fúria nacional que perpassa todos os ambientes só vai terminar se houver alguma força política que aponte um projeto histórico.

Novo estudo mostra como os EUA agem desde 1962 para destabilizar o Brasil e sua politica interna e externa



Por Flávio Sérvio



O que parecia mais uma teoria da conspiração agora ganha força como fato plausível: Washington pode estar movimentando sua inteligência para desestabilizar governos da América Latina, inclusive o do Brasil. O risco de ser taxado de alienado faz com que poucos abordem o assunto. Porém, aos poucos, parte da mídia observa a hipótese de que o governo dos Estados Unidos considera a presença do PT no Palácio do Planalto uma ameaça geopolítica.
Aliada histórica dos EUA, a direita brasileira já usou do mesmo expediente no passado. E com uma atuação semelhante. O maior símbolo empresarial brasileiro, a Petrobras, por exemplo, foi alvo de uma campanha difamatória que misturou Comissões Parlamentares de Inquérito com acusações de que a estatal servia aos interesses comunistas.

Pesquisamos as edições de 1960 a 1964 dos jornais A Noite, Jornal do Brasil, Correio da Manhã, Diário de Notícias, Diário do Paraná, Folha de São Paulo, O Globo, Última Hora e Tribuna da Imprensa e foi encontrado um cenário político semelhante ao que vivemos atualmente. Notícias de crise econômica, a proximidade com a Rússia, China e países da América Latina e, não por acaso, denúncias de corrupção na Petrobras. O levantamento demonstrou que o papel exercido por parte da imprensa, a atuação da embaixada americana no Brasil e as movimentações da direita brasileira em 1964 tem uma verossimilhança com fatos que ocorrem atualmente no Brasil.

Escândalos na Petrobras serviram para desestabilizar João Goulart

Antes do Golpe de 64, em 1961, uma CPI investigou supostas irregularidades na construção de refinarias da empresa. Era presidida pelo então deputado federal Antônio Carlos Magalhães que pertencia aos quadros da UDN. A investigação em cima da estatal brasileira de petróleo durou cerca de três anos. Suficiente para manter o discurso da direita contra Jango ocupando páginas dos jornais e noticiários de rádio.
O fato, além de revelar que a corrupção naquela empresa não começou nos dias atuais, demonstra algo ainda mais emblemático: atacar a Petrobras desestabiliza o governo federal.

Símbolo do nacionalismo, mergulhar a maior empresa brasileira em escândalos torna a opinião pública suscetível ao sentimento de corrupção generalizada. No passado, funcionou como um dos ingredientes para desestruturar o governo de João Goulart, presidente que assumiu o mandado após a renúncia de Jânio Quadros, e que fora deposto em 1964 após uma intensa onda de desarticulação política que envolveu o Congresso Nacional, manifestações nas ruas, uma campanha de combate à corrupção e discursos anti-comunistas.
Um relatório da CPI foi divulgado às vésperas do Golpe de 64, precisamente um mês antes, e de forma incompleta. Foi mais um motivo para justificar o próprio golpe.
Após a instalação do regime militar, o assunto praticamente desapareceu das páginas dos jornais.

1964: intervenção americana não era teoria conspiratória

Dentro do processo de tornar público arquivos secretos americanos decorridos 50 anos dos fatos que geraram os documentos, recentemente, o governo dos EUA disponibilizou gravações e informações sobre o período que antecedeu o golpe de 1964 no Brasil. Os documentos comprovaram o que, até a sua divulgação, era tratado no Brasil como teoria conspiratória: o golpe militar de 1964 teve participação e apoio direto do governo norte-americano.


João Goulart, que não viveu para ver a publicação das informações, morreu sem acreditar que houve uma intervenção deliberada dos EUA.

Em uma entrevista publicada no começo deste ano, até então inédita, concedida ao jornalista norte-americano John Foster, em 1967, Goulart disse: “sob John Kennedy, os Estados Unidos recuperaram sua perspectiva positiva da América Latina. Os Estados Unidos tiveram então uma política correta, uma que estava em comunhão com o povo. Kennedy era favorável à autonomia dos governos da América e era a favor dos benefícios sociais para a população.”

A história provou que Goulart estava errado. Em 7 de outubro de 1963, Kennedy esteve reunido com Lindon Gordon, embaixador americano no Brasil na época, que sugeriu ao então presidente americano que o golpe militar era uma opção para se resolver a crise política brasileira.

Nas gravações, Kennedy perguntou, referindo-se a João Goulart: “Temos alguma decisão imediata para pressioná-lo?”, “O que devemos fazer imediatamente no campo político, nada?”, prosseguiu, sobre as atitudes esquerdistas de Goulart.
Gordon revelou haver dois planos: “Goulart abandona a imagem [de esquerdista] e resolve pacificamente. Ou talvez não tão pacífico: ele pode ser tirado involuntariamente”.


Dois meses antes, em agosto de 1963, a Embaixada dos EUA no Brasil encaminhou um telegrama ao Departamento de Estado em Washington. O documento levava a seguinte afirmação de Lindon Gordon: “é quase certo que Goulart fará tudo para instituir alguma forma de regime autoritário”. Documentos do Wikileaks vazados em 2011 revelaram que a Embaixada Americana continua a enviar informações sobre o governo brasileiro aos Estados Unidos.
Em 2007, Heráclito Fortes pediu intervenção dos EUA no Brasil

Um dos políticos que já colaborou secretamente com o governo dos EUA é ninguém menos que o atual deputado federal pelo PSB e ex-senador piauiense pelo PFL, Heráclito de Sousa Fortes. Em documento secreto da Embaixada Americana datado de 13 de novembro de 2007 e enviado à CIA(serviço de inteligência norte-americano), NSA (Agência de Segurança Nacional) dos EUA e ao Departamento de Energia dos Estados Unidos, o então senador, que era presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado, repassou informações sigilosas para Washington e instigou uma ação de intervenção mais dura no Brasil. “Vocês são crianças: você ignora o problema demoradamente e então é tarde demais”, disse Heráclito de uma forma tão enfática que essa parte do relatório recebeu do embaixador Sobel o título de “You are Children” – Vocês são crianças.



O relatório, identificado como 07BRASILIA2132 - IRAN-RUSSIA-VENEZUELA TRIANGLE THREATENS REGIONAL STABILITY – tradução: o Triângulo Iran-Rússa-Venezuela ameaça a estabilidade regional”, foi escrito pelo então embaixador dos EUA no Brasil Clifford Sobel a partir de um diálogo entre ele e o ex-senador piauiense e atual deputado federal pelo PSB.Veja o original aqui.
Pelo relato, Heráclito ligou para Clifford no dia cinco de novembro de 2007 e pediu um encontro urgente para tratar de uma questão “que não poderia ser discutida no telefone”. Fortes encontrou com o embaixador naquele mesmo dia a tarde e o encontro continou na manhã seguinte.
O relatório tem uma seção denominada “ligando os pontos” em que há um resumo do que disse Heráclito Fortes. O relato é complexo, mas versa sobre compra de armas russas, esquerdismo venezuelano, boliviano e peruano, e o fato de a diplomacia venezuelana com o Brasil se tornar cada vez mais comercial, levando grandes empresas brasileiras para aquele país, o que, segundo Heráclito, favoreceria o que ele chamou de “causas populistas no Brasil”.
Em resumo, Heráclito demonstrou “sinais preocupantes” de que o Brasil se aproximava da Rússia, do Irã, da Venezuela, aumentando a influência desses países na região, “mutuamente se reforçando”. O embaixador Clifford comunicou que “as preocupações de Fortes estão paralelas com relatórios elaborados que apontam a compra de armas pela Venezuela”, “a falta de defesa brasileira moderna”, “o aumento de diplomatas venezuelanos no Brasil e o financiamento de círculos bolivarianos e organizações populistas”.
O documento classificado como secreto foi encaminhado à CIA e ao NSC (Conselho de Segurança Nacional) dos EUA. Quatro anos depois do diálogo entre o embaixador Clifford Sodel e Heráclito Fortes, o mundo descobriu que a presidente Dilma Rousseff e a Petrobras eram alvos da espionagem norte-americana. O monitoramento de ligações e correspondências de parte do governo federal e da estatal brasileira do Petróleo era feito pela NSA, dos EUA.
Nome de Heráclito Fortes aparece em outros documentos secretos

Em outro relatório de Cliffor Sodel aos EUA, Heráclito Fortes surge com declarações sobre a formação de um bloco anti-América entre países latino-americanos. Nas palavras do embaixador: “O diplomata iraniano faz lobbyin para o Brasil participar de um bloco anti-América, o que na opinião de Fortes já inclui Bolívia, Equador e Venezuela. O Sheik-Attar [diplomata iraniano] disse a Fortes que ele também estava falando com a Argentina sobre o bloco”. O documento, classificado como secreto, é datado de 18 de abril de 2008. Está identificado como 08Brasilia526 no Wikileaks.

Declarações de Heráclito podem ter sido o estopim para mudanças diplomáticas dos EUA

As declarações de Heráclito Fortes, devido ao cargo que ele ocupava, o de presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado, tinham peso suficiente para serem consideradas por Washington. Dois anos depois do primeiro diálogo entre Heráclito e Clifford, os Estados Unidos começavam a modificar sua política internacional com relação a Venezuela. Argentina, assim como o Brasil, passa por uma grave crise na sua economia e política.

As relações EUA e Rússia ficaram estremecidas e atingem agora um dos piores momentos da história. Em comum, o fato de todos estes países que foram citados por Heráclito acabarem, de uma certa forma, alvos dos EUA.

Para cientista político, governo do PT tem contrariado interesses americanos

O cientista político e historiador Luiz Moniz Bandeira declarou recentemente que os EUA tem interesse em desestabilizar o governo do Partido dos Trabalhadores do Brasil. “Não se trata de uma questão ideológica, mas de governos que não se submetem às diretrizes de Washington”, disse Moniz. Para ele, Lula e Dilma contrariaram interesses econômicos daquele país. “A presidenta Dilma Rousseff denunciou na ONU a espionagem da NSA, não comprou os aviões-caça dos EUA, mas da Suécia, não entregou o pré-sal às petrolíferas americanas e não se alinhou com os Estados Unidos em outras questões de política internacional, entre as quais a dos países da América Latina”, declarou em recente entrevista.

Lula e Dilma exercem, na política, um papel semelhante ao que era pretendido por Goulart. São aliados à esquerda, a movimentos populares e foram responsáveis por reformas de base que Jango não conseguiu realizar.

Na década de 60, as informações do Embaixador Americano no Brasil serviram para os EUA traçarem sua intervenção no Brasil e foram utilizadas para derrubar João Goulart. Jango era muito próximo da esquerda, alinhado demais com a Rússia e a China e abria caminho para um fortalecimento da América Latina.
Como hoje, o Brasil daquele período era a locomotiva que liderava e impulsionava os países latino-americanos. O petróleo era um dos focos das disputas geopolíticas, assim como a abertura de novos mercados econômicos.
Não por coincidência os elementos presentes nas informações graciosas fornecidas por Heráclito Fortes são os mesmos da década de 60: petróleo, esquerdismo, relações com a Rússia e China, o temor de governos democráticos populares e o fortalecimento do Brasil e dos países da americana latina. Se o governo dos EUA está, novamente, manipulando a atual conjuntura política do Brasil, Whashington não dirá. Apenas o tempo vai dizer, daqui a 50 anos.

OS APETITES ELEITORAIS ACIMA DA PAZ


Por Por Matías Aldecoa

A nova rodada de conversações entre o Governo Nacional e as FARC-EP se iniciou com desencontros provocados pela decisão unilateral do presidente Santos de conformar uma Comissão Assessora excludente e pelos ataques da Força Pública contra os combatentes que se encontram em trégua unilateral desde 20 de dezembro de 2014.
Isto sucede no início do ciclo 34 de Conversações que desde terça-feira 17 de março tem lugar no Palácio de Convenções de Havana, Cuba.
O Comandante Pablo Catatumbo, um dos plenipotenciários da delegação insurgente, fez um pronunciamento crítico frente à iniciativa do Presidente, caracterizando a nova Comissão como “um reflexo das formas de exclusão política e social que a Colômbia tem sofrido ao longo de sua vida republicana”.
Efetivamente, o governo Santos, que posa em Colômbia e no estrangeiro de democrata e de amante da paz, não incluiu na Comissão as forças democráticas que incursionaram recentemente na arena política nacional, como a Frente Ampla pela Paz e a Cúpula Agrária, e tampouco deu participação à extensa gama de expressões políticas e sociais que compõem a pluralidade da Nação.


Manobra eleitoral que rompe a confidencialidade
Setores da opinião nacional assinalaram que a conformação da referida Comissão na atual conjuntura, e sua composição, põe de manifesto um truque de Santos para inclinar a favor de suas preferências políticas os resultados das eleições do próximo mês de outubro, quando se elegerão prefeitos, governadores, deputados e vereadores.
O [fato de que] pessoas que até agora haviam sido contrárias aos diálogos de paz, como Andrés Pastrana e Martha Lucía Ramírez, tenham aceitado integrar a dita Comissão é o resultado de duas realidades: a primeira, o generalizado anseio de paz dos colombianos e da comunidade internacional. A segunda [consequência da primeira], os dividendos eleitorais que proverá, nas próximas eleições, aos políticos que a integram. Pois a participação na Comissão significará visibilidade aos que tenham aspirações a cargos públicos nas eleições de outubro.
A decisão do Presidente põe em dúvida sua sinceridade de paz por uma razão adicional: ao estarem os membros da Comissão Assessora a par do que se discuta e acorde em Havana, o qual será uma de suas funções [“lhes fizemos um relato do discutido e dos temas que virão”, disse Santos], o Governo viola o princípio de confidencialidade do Processo e dá via livre para que as FARC-EP atuem em igual sentido.


Então, para que foi criado o Conselho Nacional de Paz?”
Este foi um dos vários interrogantes feitos pelo Comandante Pablo Catatumbo em seu discurso de 18 de março, em referência a que, com anterioridade, Santos havia convocado o Conselho Nacional de Paz, criado mediante a lei 434 de 1998. Sua composição majoritariamente civil se fixa como finalidade “direcionar e assessorar ao Governo Nacional em todos os temas concernentes ao Processo e consecução da paz”. Ademais de fazer um acompanhamento ao Processo e de contribuir com propostas, iniciativas, vedoria, atos e medidas que apontem a concretizar a paz para os colombianos, deve estabelecer recomendações que devem ser levadas em conta pela Mesa de Conversações.
Ainda que a lei tenha sido aprovada finalizando o governo de Ernesto Samper [3 de fevereiro de 1998], o Conselho Nacional de Paz foi instalado pelo presidente Juan Manuel Santos a 27 de maio de 2014. No ato, Santos revelou que “há que adaptá-lo ao processo de paz atual e à Colômbia dos próximos 10 anos”.
O acima exposto levou a prever a inclusão no Órgão de novos setores do país, como também a participação de organismos internacionais defensores de direitos humanos. Tudo isso com o propósito de dar maior legitimidade e de garantir o cumprimento eficaz de seu papel como interlocutor entre o Governo Nacional e a “sociedade civil”.
No entanto, esse corpo de ampla composição, que poderia estar jogando o importante papel destinado na etapa decisiva pela qual atravessam as conversações, foi deixado de lado e terminou substituído por uma Comissão enviesada, limitada, excludente e com propósitos meramente eleitorais. Ler comunicado: A excludente comissão de Paz


Os direitos humanos: “um objetivo do Estado que deve ser promovido”
Na quinta-feira 19 de março, o chefe da Delegação de Paz das FARC-EP, Iván Márquez, frente a um grupo de jornalistas no Palácio de Convenções de Havana, esboçou os conceitos que sobre direitos humanos tem a organização insurgente.
O tema é um dos componentes do ponto 5, Vítimas, do Acordo Geral. O outro componente é o de Verdade, e sobre este a Comissão de Paz da Guerrilha terminou de fazer suas propostas ao finalizar o ciclo 33. Leia também: a guerrilha denuncia falta de interesse do Estado para respeitar os direitos humanos
A Constituição Nacional estipula que “a garantia dos direitos humanos [...] é uma responsabilidade que concerne de maneira exclusiva ao Estado”; porém, na realidade, as instituições colombianas têm violado todos os direitos: políticos, econômicos, sociais, culturais, ambientais etc.
Em atenção a isso, o Comandante guerrilheiro chamou a refundar uma nova institucionalidade com capacidade de solucionar as graves problemáticas de injustiça que a confrontação causou. “Teríamos que esclarecer já o fenômeno do paramilitarismo, e o Estado deverá abrir todos os arquivos”.
O governo de Santos não tem tomado medidas práticas em direção a cumprir com suas obrigações em matéria de direitos integrais das vítimas. Ao contrário, diariamente escutamos notícias que dão conta de novas ameaças, assassinatos, despojos, ademais das violações ocasionadas pelas políticas neoliberais no econômico e social.


O cessar-fogo unilateral ameaçado
Depois de ler o documento, o Comandante Iván Márquez respondeu perguntas aos jornalistas, os quais se centraram nos recentes enfrentamentos ocorridos entre o Exército e as FARC-EP, como consequência da ofensiva que as Forças Militares adiantam desde que a organização guerrilheira deu início à trégua unilateral.
O chamado das FARC é ao presidente Santos para que “faça algo por salvar” o cessar-fogo; à Frente Ampla pela Paz e à sociedade civil em geral para que intervenham ante o Governo e se mobilizem contra as “forças contumazes” que continuam derramando sangue e produzindo mais vítimas. É necessário que se detenham os ataques que, pouco a pouco, estão desvanecendo a decisão de manter a trégua.
Persistindo as agressões da Força Pública, a guerrilha se verá obrigada a reativar ações ofensivas e de hostilidades, o que representará uma regressão no processo de paz, a volta da escalada do conflito, um triunfo dos beneficiários da guerra e mais sacrifícios para o povo colombiano.


Equipe ANNCOL - Brasil


Por que tanta indiferença do governo frente a resultados da Comissão Histórica?


Resultados da Comissão Histórica não podem ser lançados ao incêndio do esquecimento”
No encerramento do ciclo 34 de conversações, as FARC-EP voltaram sobre quatro temas que consideram importantes para o desenvolvimento da Mesa, num comunicado lido pelo chefe da Delegação de Paz, Iván Márquez.
Em primeiro lugar, se referiu à responsabilidade do Estado. Segundo as conclusões da Comissão Histórica do Conflito e suas Vítimas, o Estado é o grande responsável pelo conflito social e armado; estes resultados devem ser reconhecidos, já que “A Comissão Histórica [...] não foi integrada para agradar a uma das múltiplas partes do conflito”, ressaltou.
O segundo tema que nomeou foi o da justiça. Se referiu à justiça transicional que alguns querem aplicar a insurgentes e membros da força pública, sendo o foro militar um “caramelo envenenado”. O direito deve ser solução, não obstáculo, segundo o porta-voz. Acrescentou que o Acordo Geral de Havana é a carta de navegação quanto à jurisdição; a guerrilha não se impressiona com a opinião “daqueles que não sofreram a violência, ou apenas ouviram algo dela em textos oficiais”.
Segundo as FARC-EP, a corrupção da justiça fez com que o Estado perdesse sua faculdade sancionadora há tempos. Portanto, o Estado não tem por que começar a entregar faculdades para nomear o Tribunal de Aforados.
O terceiro assunto é a não utilização da paz nas eleições de outubro, referindo-se às referendas parciais como tática para ganhar votos, sabendo que existe um sexto ponto da Agenda chamado Implementação, verificação e referenda dos acordos.

Em quarto lugar, a guerrilha lhe insistiou ao governo sobre a necessidade de adiantar a redação de acordos para a reparação das vítimas. E finalizou o documento:
Cada vez estamos mais convencidos de que o caminho para superar a crise institucional e alcançar a paz, é a realização da Assembleia Nacional Constituiente”.
Oficina de Prensa de la Delegación de Paz FARC-EP
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Equipe ANNCOL - Brasil

segunda-feira, 30 de março de 2015

Existem uns 1.600 paramilitares na fronteira entre Colômbia-Venezuela



Resumen Latinoamericano/Correo del Orinoco, 23 de março de 2015 – O jornalista José Vicente Rangel, indicou que segundo organismos de inteligência, se encontram “aproximadamente 1.600 paramilitares situados na fronteira da Colômbia com a Venezuela”.



Um total de 800 na fronteira com o estado de Zulia e os outros 800 na zona fronteiriça com o estado de Táchira, “em pelotões de 100 efetivos que contam com apoio logístico e armamento moderno”, explicou durante a seção Confidenciales [Confidenciais] de seu programa José Vicente Hoy, transmitido pelo canal privado Televen.



Acrescentou que horas antes do anúncio do presidente da República Bolivariana da Venezuela, Nicolás Maduro, em 12 de fevereiro, havia revelado um golpe de Estado, que os grupos paramilitares “estavam se mobilizando com o propósito de passar a território nacional. Depois do anúncio presidencial, se retiraram para as bases onde operam”.



Assim, Rangel informou sobre a chegada ao Peru de porta-aviões “CVN 73”, o que representa uma ameaça para a América do Sul e vai contra os princípios da União das Nações Sul-americanas (UNASUL) e da Comunidade de Estados Latino-americanos (CELAC).



O jornalista recordou que o Peru, desde o ano de 2010, é visitado por navios de superfície (porta-aviões), o que permite que os EUA tragam à região sul- americana navios de acompanhamento como destróiers, cruzadores de mísseis, fragatas de mísseis e submarinos.



Oposição está destinada a permanecer presa ao erro



Para Rangel, “a oposição venezuelana se parece muito com um labirinto: tem todas suas características, sobretudo aquela que ao ingressar a ele praticamente não existe saída”.



Durante seu programa dominical, José Vicente Hoy assinalou que a direita venezuelana não tem imaginação porque precisa de criatividade, porque não pisa em terra firme, porque é invadida pela angústia ao não encontrar saídas. Então, se produz um sentimento de desespero que fatalmente a conduz ao erro.



Não tem feito outra coisa senão dar voltas em torno dos mais incríveis e labirínticos rastros de suas próprias contradições. Não racionaliza sua situação e, portanto, está condenada a dar voltas em uma busca ofuscada de um lugar por onde possa abandonar o labirinto”, expressou.



Neste sentido, assegurou que a falta de coerência, a carência de um plano elaborado pela consciência, a falta de sentido político e a incapacidade para idealizar saídas, a condena permanentemente a estar nesse labirinto de seus enredos.



A oposição não aprende e o destino parece condená-la a permanecer atada eternamente ao erro, ou seja, estar sempre metida no labirinto”, finalizou.



Assassinam conselheiro Dimas Gómez Chirinos, do PSUV, e seu filho em Falcón



Na sexta-feira pasada, altas horas da noite, o conselheiro do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), por Casigua de Mene Mauroa, Dimas Gómez Chirinos, de 47 anos, foi assassinado por desconhecidos que lhe deram vários tiros. Assim, informou um comunicado do Ministerio Público.



Gómez caminhava para sua residência em companhia de sua esposa e dois de seus filhos, Eli David Gómez, de 20 anos, e Eliezer José Gómez, de 21, quando foram interceptados.



O conselheiro e seu filho de 20 anos foram levados ao Centro de Diagnóstico Integral da comunidade de Mene de Mauroa, sem sinais vitais.



O outro jovem ferido permanece estável no Hospital do Sul, em Maracaibo.



O Ministério Público indicou a promotora Yudith Medina para coordenar as diligências e perícias de investigação.



Tradução: Partido Comunista Brasileiro (PCB)

DESMINADO HUMANITÁRIO SALVA CICLO 34



Por Matías Aldecoa
O resultado mais importante do ciclo 34 dos Diálogos de Havana é o projeto geral do plano piloto de descontaminação de explosivos e munições sem explodir, no qual se acordaram três estruturas formais e se definiram os estados de Meta e Antioquia para iniciar sua posta em prática.
A transcendência deste acordo humanitário radica em que, pela primeira vez, nos 50 anos de confrontação armada entre a insurgência colombiana e a Força Pública, se alcança uma concertação entre guerrilheiros e militares para adiantar uma tarefa que os compromete a ambos com a paz. Em todas as fases e equipes de coordenação do projeto estará presente pessoal tanto do Exército como das FARC-EP e de APN, que é quem lidera e coordena a execução do projeto.
Além do alívio que representa para as comunidades, seu êxito contribuirá para gerar a confiança necessária entre as partes enfrentadas militarmente, em momentos em que se aborda o tema do cessar-fogo bilateral e o eventual cumprimento de um armistício.
Por outra parte, a segunda rodada de trabalho da Subcomissão Técnica foi encerrada na sexta-feira 27 de março pelo Comandante Carlos Antonio Lozada, chefe da Subcomissão Técnica das FARC-EP, quem ressaltou os avanços alcançados e apontou que: “vai chegando o momento de alistar somente as armas de nossas ideias, de nossa inteligência e criatividade para encarar a mais dura e difícil de todas as batalhas: a de unir-nos para derrotar para sempre a confrontação entre irmãos”. Ler Palavras de despedida dirigidas à subcomissão técnica do governo.
Dois dias antes, o chefe insurgente havia expressado o beneplácito das FARC-EP pela declaração que fizera em Bogotá o chanceler da Rússia, Serguei Lavrov, em apoio aos esforços de paz que têm como sede Havana.
Os porta-vozes da organização insurgente manifestaram, em documentos e em rodadas de imprensa, a disposição de se reunirem com representantes dos governos que lhes motive apoiar os esforços de paz, tal como se está fazendo com o Comissionado do Departamento de Estado dos Estados Unidos, Bernard Aronson. Os apoios internacionais fortalecem os diálogos e contribuem significativamente para a reconciliação dos colombianos. Ler: FARC saúdam apoio do governo Russo ao processo de paz.
26 de março: Dia do Direito à Rebelião Armada
A Delegação de Paz das FARC-EP rendeu homenagem a Manuel Marulanda Vélez, quem fora chefe máximo desta organização guerrilheira desde que ajudou a fundá-la em 1964 até sua morte em 26 de março de 2008. O Comandante Iván Márquez, membro do Secretariado, recordou em sua dissertação que, um ano depois do falecimento natural de Manuel Marulanda, foi instituída a data do 26 de março como “Dia do Direito Universal dos Povos à Rebelião Armada”.
O recurso da rebelião ao qual têm recorrido historicamente os povos foi reconhecido como direito “no preâmbulo mesmo da Declaração Universal dos Direitos Humanos aprovada pela ONU em 1948, se consagra e legitima ademais [...] na história do constitucionalismo mundial, desde a Declaração de Filadélfia de Independência dos Estados Unidos”.
O tema do direito à rebelião foi reiteradamente exposto pelas FARC-EP durante a discussão do ponto 5, Vítimas, do Acordo Geral. Num eventual acordo de paz, o status de rebeldes dos levantados em armas deve ser amparado com a anistia ou indulto.
Temas urgentes para a mesa”
Já no encerramento do ciclo 34, o chefe da Delegação de Paz das FARC chamou a atenção sobre quatro temas cardeais para levar as conversações a bom porto, e nos quais há dissenso com os negociadores do governo.
Em primeiro termo, está a necessidade de tomar a paz como um direito que sintetiza os demais direitos, colocando-a acima de qualquer outra consideração. Isso deve partir [do fato] de que o Estado aceite a responsabilidade que lhe assiste no conflito ao longo destes sessenta anos de confrontação. A referida responsabilidade está plenamente demonstrada e amplamente fundamentada no informe da Comissão Histórica do Conflito e suas Vítimas (CHCV).
Resolvendo na prática esta primeira consideração, se aplanaria o caminho para dar solução às outras três preocupações expressadas pelo Comandante guerrilheiro. São elas: “A justiça como um todo, sem excluir os problemas da jurisdição”. Se assinala aqui que, no marco de um acordo de paz, o foro militar que o governo de Santos defende aparentemente exculpa porém não garante que no futuro seja utilizado pelos determinadores da guerra para se lavarem as mãos, mandando muitos militares para os cárceres como bodes expiatórios.
A atual crise da esfera judicial - “A justiça está sub judice”- abarca a totalidade da institucionalidade; o Estado de Direito se suporta na justiça e agora os magistrados das altas cortes estão sendo investigados porque o poder judiciário foi tomado pela corrupção e pelas máfias. Para tapar essa situação, por demais de podre, o Presidente Santos anunciou a criação de uma nova reforma à justiça, reforma que será feita pelas mesmas instituições corroídas. Desde Havana se diz que essa medida não resolve uma crise que envolve a toda institucionalidade. A situação demanda uma solução de raiz a partir de uma Assembleia Nacional Constituinte.
A terceira precisão feita pelo Comandante Iván Márquez consiste na “Não utilização da paz nas próximas eleições de outubro”. O Presidente se propõe aproveitar as próximas eleições para fazer uma referenda parcial dos acordos conquistados em Havana, desconhecendo que ainda não se chegou à discussão do ponto de Referenda.
Finalmente, Iván Márquez instou –uma vez mais- a delegação do governo, liderada por Humberto De La Calle, a começar a redigir os acordos sobre a reparação das vítimas do conflito, tarefa que o governo deixou relegada. Ler: Fim do ciclo 34: Temas urgentes para a Mesa.
28 de Março de 2015



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Equipe ANNCOL - Brasil

Tentativa de golpe contra a Venezuela



Ignacio Ramonet



Ave simpática da fauna amazônica, o tucano é bem conhecido por seu espetacular bico de cor vistosa. Mas também é o nome de um agressivo “pássaro de aço” fabricado pela construtora brasileira Embraer, cuja denominação militar é EMB 312, e cujos dois modelos mais vendidos são: o T-27, em sua versão de treinamento, e o AT-27, armado para ataques em terra. É uma das aeronaves de treinamento mais vendidas no mundo. A aviação militar da Venezuela, por exemplo, possui cerca de trinta Tucanos. 

E precisamente um desses tucanos militares, artilhado para atacar, deveria bombardear o Palácio de Miraflores, em Caracas, no último dia 12 de fevereiro. E matar o presidente Nicolás Maduro. Tinha como missão, da mesma forma, atacar o Ministério da Defesa e destruir o edifício que abriga os estúdios do canal de televisão internacional Telesur, a fim de semear o caos e a confusão.

Segundo revelou o próprio presidente Maduro, a tentativa de golpe foi desarticulada graças à habilidade dos organismos de inteligência bolivarianos. Eles permitiram a prisão de um grupo de oficiais da aviação e de civis uniformizados. “Trata-se – declarou o mandatário venezuelano – de uma tentativa de utilizar um grupo de oficiais da aviação para provocar um ataque e um atentado golpista à democracia e à estabilidade da nossa pátria; é o último suspiro do chamado 'golpe azul' de um ano atrás, em fevereiro-março de 2014”.

Nicolás Maduro contou que um dos oficiais envolvidos estava “comprometido” desde o ano passado com grupos de ultradireita venezuelana que procuravam gerar novamente distúrbios violentos no país. O presidente revelou que, depois de uma série de investigações, as autoridades militares exigiram que esse oficial fosse banido das forças armadas. “Mas há algumas semanas – explicou o mandatário –, vários opositores o contactaram de novo, pagaram-lhe uma soma importante em dólares e confiaram a ele várias missões. Ao mesmo tempo, a embaixada do Estados Unidos lhe concedia um visto com data de 3 de fevereiro e lhe garantia que, 'se isso falhar, já sabe, tem um visto para entrar nos Estados Unidos por qualquer uma de nossas fronteiras'”.

A partir daquele momento – continuou relatando Nicolás Maduro –, esse oficial contatou mais quatro companheiros para executar as missões “planejadas de Washington”. Uma delas consistia em gravar em vídeo declarações do general de aviação Oswaldo Hernández Sánchez na prisão. Ele foi detido por tentar dar um golpe de Estado em 2014.

A ordem era gravar um vídeo desse general, a quem apelidam de El Oso [O Osso, em tradução literal], e em 12 de fevereiro, nos atos de comemoração, pegar um avião Tucano e atacar o Palácio de Miraflores e outros 'objetivos estratégicos', como o Ministério da Defesa, o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) e a sede da Telesur. A ordem de iniciar a ação se dispararia no momento em que um jornal de oposição publicasse o que eles chamavam de 'programa de governo de transição'”.

Por sua vez, Diosdado Cabello, presidente da Assembleia Nacional venezuelana, e Jorge Rodríguez, prefeito do município Libertador, contribuíram em Caracas, no último dia 13 de fevereiro, com mais detalhes da tentativa golpista. Ambos os dirigentes chavistas confirmaram que os oficiais detidos haviam admitido que a publicação de um “manifesto” na imprensa era uma das senhas para lançar a tentativa, cujo código era Operação Jericó.

Ambos revelaram que, segundo declarações dos presos, os golpistas tinham a intenção de “liquidar” desde o primeiro instante, além do presidente Nicolás Maduro, aos próprios Diosdado Cabello e Jorge Rodríguez, e a duas personalidades bolivarianas: Tibisay Lucena, presidenta do CNE, e Tareck e Aissami, o ex-ministro do Interior e atual governador do estado de Aragua.

Por outro lado, identificaram, além do general Oswaldo Hernández, El Oso, outros supostos cabeças da conspiração. A saber: o capitão Héctor José Noguera Figueroa, o coronel José José Suárez Rómulo, o primeiro tenente Ricardo Antich Zapata (supostamente encarregado dos contatos com a embaixada dos Estados Unidos) e o primeiro tenente Luis Hernándo Lugo Calderón. Também mostraram parte do arsenal apreendido, em particular armas de alto calibre, como fusis semiautomáticos AR-15, metralhadoras e granadas. Da mesma forma, revelaram que descobriram mapas da cidade de Caracas com vários “alvos estratégicos” marcados: o Palácio de Miraflores, os ministérios da Defesa, do Interior e de Justiça e Paz; o Conselho Nacional Eleitoral, a Direção de Contrainteligência Militar e o canal Telesur.

Cabello e Rodríguez designaram como “autores intelectuais” da tentativa golpista e do projeto de magnicídio duas personalidades da oposição: Antonio Ledezma, prefeito de Caracas (preso no último dia 19 de fevereiro), e Julio Borges, deputado da oposição. Também afirmaram ter provas da participação de pessoas da embaixada norte-americana: “Uma funcionária da embaixada chamava as esposas dos generais venezuelanos e lhes dizia que o nome de seu marido estava na lista de pessoas sancionadas pelo Congresso dos Estados Unidos. E que o visto de toda a sua família para ingressar em território americano havia sido invalidado. Tentando criar confusão nas famílias dos oficiais”, explicou Jorge Rodríguez.

O presidente Maduro disse, por sua vez, ter em seu poder o “plano de governo” redigido pelos golpistas, no qual se eliminam os poderes públicos e se ameaça os cubanos das missões de serviço social (saúde, educação, esporte). “Também falam – disse maduro – em privatizar a PDVSA (Petróleos de Venezuela Sociedad Anónima), em dissolver todos os poderes públicos, suspender as garantias democráticas, liberalizar o sistema de câmbio e presentear a oligarquia com dólares mais uma vez”. O presidente acrescentou que, nesse “plano de governo”, os golpistas “lançam uma ameaça contra o que chamam de “coletivos” – que nós sabemos que é o povo venezuelano –, anunciando que, quando chegarem ao poder, atuarão contra eles com toda a força militar. E os cubanos das missões na Venezuela teriam 24 horas para se apresentar nos escritórios do novo governo de fato ou 'enfrentarão as consequências (…)'”.

Apesar de todos esses detalhes e provas trazidos pelas máximas autoridades venezuelanas, os meios de comunicação internacionais (inclusive na América Latina) deram pouco crédito a esse anúncio de intenção de golpe de Estado. Essa “incredulidade” faz parte – há 15 anos – da estratégia dos grandes meios de comunicação dominantes em guerra contra a revolução bolivariana, para desacreditar as autoridades bolivarianas. Indiferente a essa atitude hostil, o presidente Nicolás Maduro continuou explicando, com perseverança pedagógica e com todo o tipo de provas, como, desde o falecimento de Hugo Chávez (há exatamente dois anos), e desde sua eleição (14 de abril de 2014), um “golpe lento” está em marcha para tentar derrotá-lo.

Desta vez, o golpe seria executado em quatro fases. A primeira começou no começo de janeiro de 2015, quando o presidente Maduro realizava uma longa viagem ao exterior (China, Irã, Catar, Arabia Saudita, Argélia e Rússia). Essa fase foi realizada com o apoio de setores do empresariado, que impulsionaram campanhas de retenção de alimentos básicos e produtos de primeira necessidade, com a finalidade de criar escassez e mal estar, preparando as condições para que os cidadãos saíssem às ruas para protestar e saquear supermercados. O que não aconteceu.

Na segunda fase, os grandes meios de comunicação internacionais intensificaram a difusão de reportagens, notícias e artigos que davam uma imagem distorcida da realidade venezuelana. Fazendo crer que, no país do “socialismo do século XXI”, estava-se produzindo uma autêntica “crise humanitária”. O presidente Maduro denunciou, na ocasião, o detestável papel desempenhado nessa fase da Operação Jericó por vários jornais espanhóis (El País, ABC).

A terceira etapa deveria ser protagonizada por um “traidor” que, na televisão e nos grandes meios de comunicação, faria um chamamento solene à rebelião. Ainda que o presidente não tenha deixado claro quem seria esse “traidor”, alertou os cidadãos: “Não quero alarmar ninguém, mas sou obrigado a dizer a verdade (…) Estão procurando um traidor e peço ao povo que esteja alerta”.

A quarta fase do golpe é a que se desvelou em 12 de fevereiro, com a participação de um grupo de oficiais direitistas da aviação militar, financiados pelo estrangeiro. Então, seria anunciado o “programa de governo de transição”. E se enterraria a revolução de Chávez.



Mas inclusive em quatro fases, o golpe fracassou. E a revolução bolivariana continua viva.



Tradução de Daniella Cambaúva