"A LUTA DE UM POVO, UM POVO EM LUTA!"

Agência de Notícias Nova Colômbia (em espanhol)

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"De que vale a vida se quando a temos ela parece morta. A vida é para ser senirmos, para vibrar, para lutar, para combater. Isso justifica nossa passagem pela Terra." (Jaime Pardo Leal)


quarta-feira, 22 de maio de 2013

'Uribe nos desalojou no Valle'


Novamente no Hotel Sevilla, me encontrei – encontro marcado previamente – com os negociadores das FARC en Havana: Pablo Catatumbo, Iván Márquez, Jesús Santrich e Marco León Calar.


 
 Por: Alfredo Molano Bravo

Num canto da grande sala começou a conversação. A delegação do Governo havia chegado na tarde e Sergio Jaramillo havia ditado uma polêmica conferência na Universidade Externado na noite anterior. Creio que boa parte dos temas que os comandantes desenvolveram tem que ver com essa conferência, que, confesso, não havia lido, encantado com a arquitetura e a afabilidade do povo de Santiago de Cuba, onde fui, quase como um peregrino, conhecer o quartel Moncada, onde começou a história do Movimento 26 de Julho e a Revolução Cubana.
Alfredo Molano Bravo: Falemos da pequena história da aproximação secreta com o governo de Santos.
Pablo Catatumbo: Os primeiros passos da negociação que hoje se desenvolve em Havana estão agasalhados por um pacto de confidencialidade que não podemos divulgar. No entanto, há uns antecedentes que devem ser conhecidos ou relembrados.
AMB: Como, quais?
PC: Há fatos que o país não conheceu em seu momento e que hoje devem ser contados para ir abrindo campo à verdade histórica.
No começo dos anos ’90, no governo de Gaviria, estivemos muito próximos de um arranjo de verdade, um “acordo no fundamental”, como disse Álvaro Gómez. Convocada por meios irregulares uma Assembleia Constituinte, as Farc se mostraram interessadas em participar, entre outras coisas porque Jacobo Arenas havia lançado a iniciativa desde os acordos da La Uribe com Belisario. Mais ainda, para dar espaço à União Patriótica, propusemos a eleição popular de prefeitos e governadores.
Nós estávamos preparados para a constituinte, e o governo de Gaviria, sem opor-se publicamente a nossa participação, embaralhava suas cartas. Com uma delas no bolso chegaram altos funcionários do Governo a conversar com Marulanda um mês antes da eleição de constituintes; buscavam definir o número de constituintes da Coordenadora Guerrilheira Simón Bolívar [CGSB], composta por ELN, EPL, FARC e M-19 na assembleia constituinte. Conversaram com Marulanda e com Alfonso em muito bons termos, até que se tratou do número de constituintes da Coordenadora. Dias antes, se haviam reunido seus chefes Francisco Caraballo, o padre Manuel Pérez, Carlos Pizarro com Marulanda para definir nossa participação. As cifras eram muito diferentes e a diferença muito grande. Gaviria oferecia cinco lugares e a Coordenadora pedia 20. Uma vez postos os números sobre a mesa, os delegados disseram: “Os tomam ou os deixam”.
Marulanda não respondeu nem sim nem não, disse somente: “Necessitamos um tempo para consultar com todos os membros da CGSB”. Não há tempo, responderam em forma peremptória os funcionários, o helicóptero não pode voar depois das 5 da tarde. Vocês devem tomar a decisão já. Marulanda não podia tomá-la e lhes disse: “Fiquem esta noite aqui e amanhã encontramos uma solução”. Responderam: Não, não temos tempo. Marulanda lhes respondeu: se não têm uma noite para conversar, que tempo vão dedicar à paz? Assim que o helicóptero saiu naquela tarde sem uma resposta. Um mês depois, no dia da eleição de constituintes, o Exército bombardeou os acampamentos do rio Duda. Foi a chamada Tomada de Casa Verde, que nem foi em Casa Verde nem foi tomada; o coronel Alfonso Velázquez reconheceu depois num escrito que o alto comando militar admitiu que a operação havia sido um grande erro militar. A realidade é simples e franca: Não nos liquidaram, lá seguimos. Digo-o agora: Os ultimatos não servem com as Farc.
Foi o momento em que mais perto estivemos de um acordo de paz. É óbvio que, se nós participamos numa constituinte e compartilhamos sua redação, de fato, nos acolhemos a ela sem reservas e fica sem fundamento o levantamento armado. A insurgência não pode seguir alçada em armas contra uma Constituição que subscreveu.
O erro de Gaviria e do M-19 foi pretender que se podia fazer uma paz parcial, uma paz oportunista sem que estivéssemos todos. A arrogância de dirigentes distanciados do povo e desconhecedores da realidade histórica, como César Gaviria, impediu um acordo que era muito possível e que haveria sido muito sólido.
Jesús Santrich: Se bombardeou uma possibilidade de paz. Em lugar de fechar o terrível capítulo da guerra, Gaviria e seu comissionado, Rafael Pardo, preferiram negociar com Carlos Pizarro – um homem a quem respeitamos porque deu sua vida pelos ideais –, porém ao que, cabe recordá-lo, lhe facilitamos os meios econômicos dos quais carecia o M-19 para que pudesse pôr Álvaro Gómez em liberdade, quando o retiveram. A história dessa verdade não está escrita. Como diz Pablo: Conosco não valem ultimatos. Essas bravatas definitivamente não servem, e o dizemos sem arrogâncias. Por outro lado, se perdeu a oportunidade de poupar-se ao país milhares de mortos, de dor e de sofrimento.
MB: Por que as FARC não negociaram com Samper?
Iván Márquez: O governo de Samper não tinha legitimidade suficiente para adiantar uma negociação de paz. Os militares o tinham bloqueado. Bedoya brandia o sabre cada vez que o presidente falava de paz. Quando se começou a falar de uma desocupação de La Uribe, uma zona desocupada de fato porque o Governo não sabia nem onde ficava esse município, Bedoya se insubordinou e pediu a Samper dar a ordem por escrito com o objetivo de legitimar um golpe militar. Samper não tinha com que fazer frente ao poder dos militares. Carlos Holmes, agora pré-candidato de Uribe, era um simples lagarto. Propôs ao Secretariado, em seu desespero e sua impotência, unir os rios do Sul Oriente para desenvolver o país. Uma coisa absurda, pura e simples. Samper propôs negociar em meio ao conflito, o que para nós sempre foi um erro que custa muito. Algum dia se conhecerá a correspondência desprezível que sustentou nessa época Carlos Holmes Trujillo com Jacobo e Alfonso.
AMB: Por acaso, a trégua bilateral não dá uma vantagem militar a vocês?
JS: Não nos dá vantagens, nós demos uma trégua unilateral e o Governo não a interpretou como um gesto de boa vontade senão como um sintoma de fraqueza. Quisemos mostrar que, suspendendo as ações militares ofensivas, não se fortalecia o Exército. Não o entenderam. Talvez o país e a comunidade internacional, sim, o compreenderam.
AMB: E como foi o rolo com Pastrana?
Marco León Calarcá: Pastrana confessa em seu calhamaço de 800 páginas que o Caguán foi uma estratégia para poder armar o Exército, que jamais teve uma real vontade de paz. O reconheceu Víctor G. Ricardo: as FFAA não tinham nem apetrechos, nem botas, nem gasolina para os aviões. Se as Farc houvessem advertido para este fato, não se haveriam sentado a conversar com o Governo. Ademais, Pastrana se havia comprometido, como recordou há pouco Felipe Lópéz na reportagem, excelente diga-se depassagem, que lhe faz Juan Carlos Iragorri, a combater o paramilitarismo, o que nunca fez. Esse foi o fracasso do Caguán.
Hoje, o presidente Santos deveria ler o livro, quem, devido a suas múltiplas ocupações, certamente não teve oportunidade de olhá-lo. Marulanda, que era um especialista em emboscadas, sabia o que o governo de Pastrana buscava e, por isso, deixou a cadeira vazia. Porém, era um guerreiro nobre e lhe fez saber a Pastrana que não assistiria a abertura formal das negociações em San Vicente. Pastrana se apresentou para fazer ficar mal a Marulanda. Ainda que a cadeira ficou vazia, não caiu no vazio seu discurso, um discurso que se deve voltar a ler com cuidado. Não se tratava de que se pagassem umas galinhas e umas mulas. Quando Eastman, o pequeno, lhe perguntou: “Comandante, você não queria voltar a Marquetalia e ter uma fazenda cafeeira grande com gado e mulas?” Marulanda lhe disse, sem ofender-se: “Sim, quero, meu filho, uma fazenda grande chamada Colômbia, não com mulas, mas sim com caminhões-tratores para mover tudo o que se produz”.
AMB: E com Uribe, houve aproximações?
PC: E muito sérias, apesar de sua gritaria bélica. Uribe não é um guerreiro, é um fanfarrão. Antes de terminar o segundo governo, quando sua candidatura estava fazendo água, um empresário com quem as duas partes tínhamos confiança – um verdadeiro facilitador – fez uma ponte com Luis Carlos Restrepo e por aí com Uribe. A embaixada americana e a Igreja estiveram informadas do passo, segundo nos inteiramos por Wikileaks. Passaram uns dias até quando recebemos uma carta muito amável e bem escrita assinada por Frank Pearl, nesse momento conselheiro de Uribe, que propunha um diálogo secreto no Brasil com Alfonso Cano ou comigo.
Nós analisamos com seriedade a iniciativa e concluímos que, estando por finalizar o governo, não tinha sentido abrir um processo sem saber quem poderia ser o novo mandatário. Assim que se respondeu com um “Não, grato; por agora, não”.
De todas as maneiras, ficou no ambiente o ânimo da iniciativa para encontrar-nos na zona onde eu operava – Barragán, Santa Lucía, La Mesa –. O Exército desocupou, com efeito, a área, apesar do que o ministro de Defesa declarava em público. Nos mandaram dizer que essa era uma prova da vontade de conversar, porém o Governo estava já de saída e nós lemos o que era certo: Uribe necessitava de nosso apoio.
AMB: Ou seja, que durante o governo de Uribe, sim, houve uma desocupação?
PC: Sim senhor, assim foi. Se pode verificar pelas datas.
IM: Mais ainda, houve outro antecedente por lá na metade de Uribe. O presidente nos fez saber que estaria disposto a desocupar os municípios de Florida e Pradera se Marulanda estava disposto a conversar, porém que o único problema era que essa desocupação incluía os engenhos açucareiros de Ardila Lulle. Álvaro Leiva lhes fez cair na conta do erro. Se tratava de um encontro com o Bloco Ocidental das Farc e já estávamos prontos para viajar ao lugar com Caliche, Pacho Chino, Leonel Páez, Reinel, melhor dizendo, o alto comando.
AMB: E por que razão não se levou a cabo o encontro?
JS: Porque, quando as coisas estavam prontas, explodiu uma bomba na praça da Universidade Militar. Puro barulho. Não houve feridos nem mortos, porém o Governo concluiu que nós a havíamos posto e se cancelou o encontro. Como não fomos nós, sabíamos o que buscava quem a pôs. Os meios de comunicação deram um grande desdobramento ao fato e alguns – os de sempre – disseram que o ato mostrava a hipocrisia das Farc, seu jogo duplo. Depois enredaram tudo com uma mulher que sacaram da manga e que diz que nos fazia inteligência. Uma falsa Mata Hari crioula.
AMB: Agora, falemos das relações com Santos.
IM: Depois do desencontro com Uribe, veio o “ruído de chaves” que fez Santos no discurso de posse. O interpretamos como uma boa mensagem e não nos equivocamos, porque um dia nos chegou um texto autorizado por ele, porém sem sua assinatura, dizendo que o Governo poderia estar interessado em explorar uma solução política ao conflito armado. Já o Governo falava de conflito armado e não de ameaça terrorista, o que era um passo significativo.
Alfonso Cano respondeu, em meio a um intenso assédio militar, com uma conferência gravada que deu ao que ele chamava a “guerrilheirada” e que difundimos amplamente. Alfonso dizia mais ou menos: “Sim, exploremos”. Depois enviou outra mensagem mais clara: “Conversemos”.
Há que dizer – acrescenta Iván Márquez – que o papel do presidente Chávez nas aproximações foi definitivo. Depois de oito anos de guerra sem quartel, de guerra a morte, nós desconfiávamos de tudo. Chávez aclimatou com paciência e sabedoria a necessária confiança numa saída negociada. Todos os primeiros passos se deram na Colômbia com sua ajuda.
AMB: Houve alguma condição prévia?
PC: Por nossa parte, a única condição foi que a classe dirigente, representada nos dois partidos tradicionais, estivesse disposta a reconhecer sua responsabilidade histórica na violência desde suas origens até o presente; esse simples fato abriria uma perspectiva, uma avenida de paz, porque se restabeleceria a verdade histórica. Santos, há que destacar, esteve de acordo. As únicas condições que nós pusemos foram as de ter essa disposição de ânimo para conversar e que as Farc nunca aceitariam um acordo que não incluísse a reforma agrária e a justiça social.
AMB: E das armas, quê?
JS: Nós temos uma disposição sincera e serena para participar nas mudanças que o país requer se há democracia. Nunca dissemos que só com as armas se chega ao poder. Marulanda disse: “Se as mudanças se fazem pela via democrática, as armas serão desnecessárias”. Nós não estamos apegados a elas. Porém, não aceitamos a pax romana que querem impor-nos. Na hora da verdade, se há boa vontade das partes, as armas são um assunto secundário. O IRA não entregou uma só pistola e hoje há governo e democracia na Irlanda do Norte. O pacto, convertido em texto constitucional, as tornaria inúteis. Inclusive poderíamos dar cumprimento a um preceito constitucional lógico: Na Colômbia há um só Exército. Porém, há muitos casos que estão vivos, como a morte de Guadalupe Salcedo. Desmitifiquemos a entrega de armas. As armas não se disparam sozinhas, se tornam inúteis. Se os compromissos são cumpridos, são desnecessárias; se há uma vontade de paz verdadeira, tudo se ajeita. Acaso não é bom para eles reduzir o PIB “de armas” de quase 6% para, digamos, 4%? Quantos quilômetros de rodovias se poderiam fazer com esses 2%? Quantos subsídios de moradia se poderia dar? Quanta saúde não se poderia dar? Não se lhe pode arrancar o corpo ao problema da saúde. É, hoje em dia, o assunto que mais preocupa o povo. O Governo põe paninhos de água morna a um enfermo moribundo, como é a Lei 100.
AMB: Vocês adiantaram, segundo parece, um bom trecho no tema agrário com as Zonas de Reserva Campesina. Em que ponto vão?
IM: Falemos claramente. Nós não estamos pedindo que sejam soberanas, mas sim que sejam autônomas, como o são os municípios que têm um conselho, uma administração eleita, que fazem seus planos de desenvolvimento e cuidam de seu meio ambiente; que podem planejar o uso de regalias e manejar as transferências, que podem chegar a votar uma decisão que considerem põe em perigo sua estabilidade ambiental. Esse conto das “republiquetas independentes” é uma falácia inventada pelos militares para desconhecer um programa originado no campesinato e regulamentado por uma lei da república. Quiséramos dizer que, sobre o primeiro ponto da agenda, levamos redigidas em limpo como acordo dez folhas de papel. Avançamos. Viemos meter o acelerador a fundo. Já entramos hoje, quarta-feira 15 de maio, no tema da laborização do trabalho rural para que os campesinos tenham direito a férias, gratificação, seguro desemprego, saúde, pensão.
MLC: É paradoxal, o que o campesinato e as Farc estão pedindo em matéria agrária é que se cumpram duas leis fundamentais, a Lei 200 de 36, que dá direito de propriedade aos possuidores de melhorias – que é o que se pede quando se fala dos nove milhões de hectares – e a Lei 160 de 1994, que cria as Zonas de Reserva Campesina. Ou seja, que se atendam as solicitações feitas pelos campesinos de reconhecer suas melhorias e convertê-las em Zonas de Reserva Campesina. É simples: que se cumpram as leis que eles mesmos redigiram na Constituição.
JS: Se o Governo não cumpre suas próprias leis, como poderemos confiar em que cumpra os acordos que se firmariam?
AMB: Vocês pedem mudanças sociais, porém onde está a linha entre o possível e o que não se pode pedir sem cair no irrealizável?
MLC: Nós estamos dispostos a um acordo de paz com justiça social. Não estamos pedindo a “revolução por contrato”, mas sim uma reestruturação política sólida que nos permita participar na construção de uma verdadeira democracia; poderíamos pactuar uma longa trégua, uma trégua de vários anos para compartilhar a responsabilidade de tirar o país da pobreza e da injustiça.
AMB: O Governo tem dito que nem a política econômica nem a doutrina militar são negociáveis, e vocês assinaram o acordo que exclui esses temas.
IM: O governo de Santos nos fecha esta porta ao impedir-nos negociar a política econômica. Como vamos falar de justiça social com os TLCs que estão arruinando aos cafeicultores, aos arrozeiros, aos agricultores de batata e de milho, aos produtores de lácteos, que, como temos visto, estão hoje protestando e organizando-se? Como vamos passar por alto a política econômica que permite o roubo do ouro e do carvão que estão fazendo as grandes mineradoras? Como vamos falar de justiça social vendo como arrasam a altiplanura, acabam com sua gente e com seus recursos hídricos? É necessário recordar que o Acordo firmado com Santos diz muito claramente que “o desenvolvimento econômico com justiça social e em harmonia com o meio ambiente é garantia de paz e progresso”. Como, então, falar de construção da paz sem falar do desenvolvimento econômico com justiça social? O Governo alega que o preâmbulo do acordo firmado não faz parte do acordo. É como dizer que o preâmbulo de uma constituição, seu marco geral, seu espírito, não são vinculantes! Absurdo! Um preâmbulo não é uma nota decorativa!
JS: A discussão do modelo de desenvolvimento se está dando na rua, o questionamento aos TLCs é tema de discussão em toda reunião. Os editoriais de imprensa o trazem a conto. Acaso a crise de Grécia, Itália, Espanha não estão impugnando o chamado Consenso de Washington? Porém, aqui está proibido discutir um modelo que demonstrou ser o motor da injustiça social e da exclusão econômica.
JS: Mais ainda, se vamos falar de paz e vamos falar de armas, como podemos passar agachados ante uma doutrina militar que tem tolerado o paramilitarismo? Agora nos querem vender a mentira de que os militares – alguns, muitos, não importa – nada têm que ver com a formação de um exército que chegou a ter – e tem – vários milhares de homens armados. Como podemos aceitar que semelhante força que cometeu os crimes mais atrozes que o país já conheceu se formou, cresceu e se fortaleceu às costas dos generais, sem que em mais de 20 anos de tivesse produzido um só combate com a Polícia e o Exército? Que classe de generais temos, então? A doutrina militar vigente deve ser discutida pelo país porque seus efeitos estão à vista de todo o mundo. Basta ler os jornais, basta contar os mortos e os desaparecimentos registrados pelas ONGs. Como sabe o Exército quantos homens e mulheres temos, suas idades, seu lugar de nascimento, e não diz quantos homens, mulheres e crianças morreram no país durante os 60 anos de confrontação armada? A simples cifra é um argumento para que se discuta uma doutrina militar que tem favorecido tal quantidade de mortos e desaparecidos, de falsos positivos, de massacres, de torturas. Saquemos os trapos ao sol, todos os trapos, e que isto seja, em vez de um varal de mortos, um varal de confissões francas e valentes. Não temamos a verdade da guerra, uma guerra em que estão comprometidas duas partes e não uma somente.
AMB: Como destravar o novelo em que estamos metidos?
PC: O país está maduro para escutar com serenidade uma declaração de responsabilidade histórica no desastre que temos vivido durante 60 anos. Esse simples sinal sincero por parte do Governo permitirá avançar em transformar o acordo firmado num tratado de paz. Que se reconheçam as vítimas do conflito, as vítimas das duas partes. Que se ponham sobre a mesa todos os componentes do quebra-cabeças, que se tragam à mesa todas as vítimas e todos os vitimários, sempre e quando se reconheça que nós nos armamos em legítima defesa e que em legítima defesa temos sustentado uma longa guerra sem ser derrotados.
Quero dizer uma coisa em voz alta: Este Secretariado está disposto a buscar de uma vez por todas a dar um jeito. Propendemos por uma participação ativa de todo o povo, e a fórmula histórica é uma assembleia constituinte.
AMB: Estão vocês tão certos de ter nela maioria, ou melhor, de não ser uma minoria que possa ser massacrada?
PC: Cremos que o povo nos ouve. Porém, se o povo decide por maioria colocar-nos de lado, aceitamos seu veredito. São as regras do jogo. Nós apostamos numa assembleia constituinte com caráter legislativo para que não volte a passar o que passou com a de 1991, na qual, por exemplo, o princípio de ordenamento territorial não pôde sair do limbo. Agora, com a proposta de Zonas de Reserva Campesina, pode tomar vida.
Por último, digo para que se ouça: A Santos lhe falta governabilidade. Não se pode negar. Necessita uma maioria forte para poder assinar a paz e nós estamos dispostos a ajudar a construí-la sempre e quando tenha esse único objetivo: a paz, a reconciliação política definitiva entre colombianos.
 


segunda-feira, 20 de maio de 2013

La Habana, Cuba, sede dos diálogos de paz, 19 de maio de 2013 Nossa Lista de Mercado



Diz o presidente que as propostas que as FARC apresentam ante os meios de comunicação se parecem cada vez mais com uma Lista de Mercado.
Nos agrada a comparação, porque nos relembra a lista triste dos pobres quando vão comprar no armazém do vizinho produtos da cesta básica como arroz, chocolate ou azeite. E nossa gente não pede, por exemplo, meio quilo de arroz, mas sim 50 gramas; não meio quilo de chocolate – como deveria ser –, mas sim três barrinhas; não um frasco de azeite, e sim 2 onças... Por Deus! Não têm dinheiro para pagar o produto completo. Os que comercializam nos supermercados de camada seis não entendem isto. Não entendem a Juan Pueblo, entre consternado e angustiado, constatando que já não há “pão de a cem”. Só a perfídia do governo e de seus tortos burocratas da estatística esconde a subumana realidade para semear a falsa percepção de que o país progride. Os do governo dizem: “aumentamos as exportações”, porém não explicam que os que exportam nossas riquezas naturais e ficam com os lucros – que deveriam ser utilizados na solução de nossos graves problemas sociais – são as transnacionais.
Há pouco, o Departamento Administrativo Nacional de Estatística [DANE] anunciou a redução do número de pobres em 10 milhões. Esta suposta redução repentina de 30 para 20 milhões é uma farsa descarada. A acentuação das políticas neoliberais, o único que produz é miséria e mais desigualdade. De que cartola sacaria o mágico esse mentiroso e trêmulo coelho? Utilizando o índice neoliberal e tecnocrático do PIB para medir sua economia onde não se contabiliza para nada o índice de desenvolvimento humano nem a existência de uma crise humanitária gerada pelo terrorismo de Estado. 
As manipuladoras e instáveis variáveis de mediação que utilizam fazem com que a uma família que vive na favela, pelo fato de não pagar arrendamento – que pode custar 80.000 pesos – lhe somem esse “não gasto” como se fosse uma renda. Se uma pessoa trabalha duas horas por semana, ou se rebusca nas ruas, já é um empregado. Assim é que tiram, sem mais nem mais, o povo da pobreza. No entanto, por mais que depurem a base de dados do SISBEN, seus registros não baixam da cifra de 30 milhões de pobres num país de 46 milhões de habitantes.
Não importa que incomode ao governo, porém reiteramos ante o país a lista de mercado que queremos levar a nossos lares campesinos:
Remover a injusta concentração da terra em poucas mãos, que é a causa do conflito e da miséria do campo. Formalizar ou titular 9.5 milhões de hectares em mãos de campesinos organizados nas Zonas de Reserva Campesina. Desenvolver um tipo de mineração ligada ao investimento social, sem impactos negativos na produção de alimentos e no meio ambiente. Frear a estrangeirização da terra. Proteger a economia campesina frente ao TLC. Laboralização do trabalho rural que estabeleça um salário mínimo para os diaristas. Que aos trabalhadores do campo se lhes garanta direitos reconhecidos como o de previdência, saúde, educação, férias e seguridade social em geral. O campo colombiano deve modernizar-se privilegiando a economia campesina e abandonando de todas as maneiras suas irritantes expressões feudais.
Agora, estamos à espera das conclusões do Foro sobre Participação Política para armar uma nova lista de insumos que saciem a fome secular de democracia, desmilitarize o Estado e a sociedade, e permita ao Constituinte Primário, o povo soberano, construir com suas próprias mãos o tratado de paz que a Colômbia requer.
Nossa “Lista de Mercado” não sugere uma revolução por decreto, simplesmente reivindica os interesses mais sentidos das pobrezas e reclama o cumprimento, pelo menos, de normas constitucionais e legais vigentes.

DELEGAÇÃO DE PAZ DAS FARC-EP



Saudação da Delegação das FARC-EP ao Fórum Ecuménico pela Paz da Colômbia.

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 Participantes
do Fórum Ecumênico pela Paz.

Companheiras e Companheiros


O sangue de Abel o justo, clama desde a terra” e, é esse precisamente o mesmo clamor de justiça social, única forma possível da anseiada paz, escutado em nossa martirizada Colômbia


Desde Havana a Delegação de Paz das FARC-EP, saúda com sentimento pátrio o Fórum Ecumênico pela Paz, que estão realizando e, valora altamente o compromisso pela Paz em sua convocatória. É um aporte significativo ao incontenível torrente que se forja no país por construir soluções concretas ao conflito social e armado que sofremos.

“A justiça produzirá paz, tranquilidade e confiança para sempre”, citam vocês ao Profeta Isaías em sua convocatória e, nos identificamos plenamente, pois já não é secreto que um mundo justo, equitativo e com bem-estar para as maiorias é uma ensinamento do Nazareno.

Compartilhamos o propósito de unidade do movimento ecumênico colombiano, é esse o caminho para potenciar as ações empreendidas para vencer os obstáculos e as vontades adversas no caminho rumo à paz estável e duradoura. Portanto, teçamos nossas esperanças e proposta para cobrir a todas e todos com a conquista e desfrute dos plenos direitos.
A Mesa de Conversações em Havana é patrimônio dos colombianos do comum, de homens e mulheres de todas a idades, cores, crenças e condições sociais, trabalhistas e culturais. Defender essa Mesa é um direito e uma obrigação.

Nossa voz por ampliar a participação da cidadania nela tem obtido alguns frutos, mas ao igual que vocês, os consideramos insuficientes, é necessário ampliar dita participação. Insistiremos nisso, contem conosco para essa causa, por enquanto nos comprometemos a defender as propostas encaminhadas à solução diferente à guerra, que contem os direitos das maiorias, emanadas desse importante evento
Esperamos receber de vocês suas conclusões, propostas e iniciativas.

De cora
ção lhes desejamos êxitos.
__________________________
DELEGA
ÇÃO DE PAZ FARC-EP


sábado, 18 de maio de 2013

O quê foi injetado em Pablo Neruda? Dihidropiridina, Dipirona ou Dolopirona?






Por Mario Casasus


Mexico,DF – Em entrevista telefônica desde Viña del Mar, Chile, um médico chileno analisa o Caso Neruda, acrescenta dados desconhecidos sobre os seus contemporâneos e duvida que o medicamento aplicado a Pablo Neruda em 1973,  na Clinica Santa Maria: “Acho que deveriam procurar Nifedipina (Dihidropiridina) nos restos mortais do poeta que estão sendo examinados no Chile e nos EUA. Os laboratórios da Universidade da Carolina do Norte deveriam estender a busca para saber o que foi injetado em Neruda no dia 23 de setembro de 1973: Dihidropiridina, Dipirona, Dolopirona, ou outro componente tóxico. A vermelhidão da barriga após a injeção, como foi relatado, também é produzido pelo fármaco Dihidropiridina ao dilatar os vasos sanguíneos. Uma dose elevada pode ter matado Neruda”.

Depois de ver fotografias da época, de ouvir os antecedentes que combinam com o suposto assassinato de Neruda, após um par de videoconferências com o Colégio Médico e confirmar a identidade do médico, resolvi entrar em contato telefônico com o seu consultório. Devido à natureza da informação o médico chileno pediu anonimato. Confesso que, depois de mais de 400 entrevistas publicadas em clarín.cl, é a primeira vez que manterei em sigilo o nome do entrevistado e me faço totalmente responsável pela informação aqui apresentada. A identidade do entrevistado está confirmada e os indícios que ele apresenta poderiam esclarecer o Caso Neruda.

MC- Doutor, não acha estranho que a Clinica Santa Maria tenha perdido a ficha médica do paciente Pablo Neruda?

Dr. – Sendo a Clinica Santa Maria um estabelecimento ocupado militarmente, todos os funcionários estavam sob  “as ordens” da direção dos ocupantes – não necessariamente médicos - , isso ocorreu em todos os hospitais e clinicas após o golpe de Estado. Portanto, a documentação e o histórico clinico obtido durante essa ocupação, principalmente as fichas que eram do interesse da ditadura – nunca seriam arquivadas nas clinicas. Se a ficha médica de Neruda estiver em algum lugar, esse lugar é um arquivo militar e não nos arquivos da Clinica Santa Maria. O mais lamentável disto, se a hipótese do suposto assassinato de Neruda for correta, é pensar que o poeta involuntariamente entrou na boca do lobo acreditando que seria tratado em uma clinica segura.

MC -  O senhor conheceu alguma enfermeira do Caso Neruda?

Dr. – Lembro que uma enfermeira me disse que tinha sido designada para a Clinica Santa Maria proveniente do Hospital Militar e que, em 1974, a ditadura recompensou os seus serviços “herdando” a ela o apartamento mobiliado do Dr. Eduardo Paredes localizado na Av. Diagonal Paraguay, Edifício Torre San Borja. O Dr. Paredes foi detido em 11 de setembro de 1973 no Palácio de La Moneda e a viúva do Dr. Paredes foi desalojada e partiu para o exílio. Nunca esqueci a conversa com aquela enfermeira do Hospital Militar – ainda guardo as fotografias da época. Se investigarem os registros públicos de imóveis ou os endereços das enfermeiras da Clinica Santa Maria entenderam o que estou falando, pelo menos uma delas está ocultando seus vínculos com o Hospital Militar.  

MC -  De quem o senhor está falando?

Dr. – Eu lhe entrego os dados e as fotografias e vocês terão que investigar por exemplo: o que fazia a enfermeira na Clinica Santa Maria imediatamente após o golpe militar? Por que foi transferida do Hospital Militar? Quem era seu superior? Quem paga a sua aposentadoria? É imprescindível obter a lista completa das enfermeiras, médicos, auxiliares de limpeza e administradoresin que trabalharam na Clinica Santa Maria em setembro de 1973.

MC – O senhor conheceu o Dr. Sergio Draper?

Dr.- Não, ele diz que começou a trabalhar na Clinica Santa Maria em 20 de setembro de 1973, sendo que Neruda deu entrada no dia 19. Estranho não acha? Draper diz que deixou o seu paciente aos cuidados do “Dr. Price”, mas não se lembra do prenome do “Dr. Price”. Mas, insisto: conheci a enfermeira que recebeu como recompensa por seus serviços, o apartamento do Dr. Paredes que foi assassinado pela ditadura depois da sua detenção em 11 de setembro em La Moneda.

MC. -  O doutor Sergio Draper tem um consultório na Av. Salvador nº 130 – 3º andar, bairro de Providência, telefone 366-2000. O senhor gostaria de lhe fazer algumas perguntas?

Dr. – Não. Isso é da alçada da Policia de Investigações que deve esclarecer qual foi o papel de Sergio Draper no assassinato do presidente Eduardo Frei Montalva e no suposto assassinato de Neruda.

MC. – Nas três universidades chilenas da época, onde se podia estudar medicina, não existem registros de nenhum “doutor Price”, segundo a descrição de Sergio Draper, “Price” poderia se Michael Towley (agente da CIA). Como se pode localizar o “doutor” Price?

Dr.- Essa deve ser respondida por Sergio Draper, o “doutor” Price poderia ser um piloto de sobrenome Rose-Price, ou um coronel dos Carabineiros chamado Eduardo Price Quinteros, enfim, não sei. Mas insisto: a Clinica Santa Maria, como todos os postos de saúde, sofria a intervenção da ditadura, depois de lera descrição de “Price” e estudar as raras circunstâncias em que Pablo Neruda morreu, eu não descartaria uma investigação do doutor Harmut Hopp, patriarca da Colônia Dignidad, já que sabemos que Hopp tinha voltado dos EUA, tinha entre 28 e 29 anos e se “movia” livremente em clinicas, hospitais e laboratórios universitários tratando da documentação para revalidação do seu diploma, graças à sua posição de médico. Também tenho suspeitas contra o doutor Manfred Jurgensen Caesar (colaborador da Central Nacional de Inteligência). Lembro-me dele e encaixa perfeitamente na descrição do “doutor Price” e doeu ver o seu nome na lista dos médicos a serviço da ditadura, era uma pessoa simpática, mas tenho conhecido hipócritas piores. Ambos médicos – Hopp e Jurgensen – pareciam com o “doutor Price” e ambos trabalharam para a ditadura.     

MC. – O doutor Sergio Draper, em entrevista à revista Ñ (06/09/2011), declarou que injetou “dipirona” em Neruda; entretanto, Matilde Urritia disse ao jornal La Opinión que a injeção foi de “dolopirona” (05/05/1974). Qual medicamento produz os sintomas que aceleraram a morte de Neruda?

Dr. – Eu suspeito da substância Nifedipino – que na época era conhecida por uma sigla do laboratório Bayer: “Bay a 1040”. Em muitos lugares do mundo, incluído o Chile, o Nifedipino era injetado no abdome de animais de laboratório para obter dados científicos, antes de ser comercializado, com o nome Adalat, para determinar as doses via oral que não causem perigo a pacientes hipertensos. É um medicamento excelente, mas desde aquela época se sabia que matava quando as doses fossem elevadas. No Chile, os estudos com a substância injetável foram realizados em laboratórios universitários e, segundo sei, foi na Universidade Católica. Se as minhas suspeitas estiverem corretas, posso acrescentar que considero um truque das testemunhas ao falar em injeção de “Dipirona”; quiçá para argumentar um equivoco, pois o “Bay a 1040” tem um nome químico parecido: Dihidropiridina. Acredito que deveriam procurar Nifedipina (Dihidropiridina) nos restos mortais que estão sendo examinados no Chile e nos EUA, os laboratórios da Universidade da Carolina do Norte deveriam estender a busca para saber o que foi injetado em Neruda em 23 de setembro de 1973: Dihidropiridina, Dipirona, Dolopirona ou outro componente tóxico. A vermelhidão na barriga após a injeção, como foi dito, também é produzida pela substância Dihidropiridina ao dilatar os vasos sanguíneos e uma dose elevada pode ter matado Neruda.   

MC. – O que pensa dos primeiros exames forenses e a comunicação da metástase do câncer de Neruda?

Dr. – Pablo Neruda sofria de câncer de próstata, ninguém duvida do diagnostico de entrada à Clinica assinado pelo Dr. Vargas Salazar; o poeta foi operado duas vezes na França quando era Embaixador e, ao voltar ao Chile recebeu 56 sessões de radioterapia com cobalto ao longo de três meses ( no inicio de 1973), apesar da metástase Neruda podia viajar ao México em 24 de setembro, não havia razão para dizer que estava agonizante quando a sua esposa o deixou para ir buscar vários pertences em Isla Negra em 23 de setembro; o exílio no México já estava decidido e organizado. O que interessava aos supostos assassinos era impedir que Neruda saísse do Chile, porque haveria consequências que os militares queriam evitar. O importante é descobrir, depois de comprovar que os restos mortais são de fato de Neruda, se ainda é possível detectar substâncias que, injetadas no seu abdome, provocassem um choque – irreversível se não fosse tratado de imediato – como informou o jornal El Mercúrio em 24 de setembro de 1973. Mario, você diz que El Mercúrio retomou a informação do Boletim Médico da Clinica Santa Maria datado de 23 de setembro à noite, isso tem sentido, o estranho é que o Atestado de Óbito foi emitido no dia seguinte (24), assinado pelo Dr. Vargas Salazar que não estava de plantão na noite do dia 23, a Clinica não emitiu o Atestado de Óbito na noite do dia 23 e não informa o mesmo que o Boletim Médico da Clinica Santa Maria, retomado por El Mercúrio, La Tercera e La Prensa, todos de Santiago.  

MC. – È necessário comprovar que os restos mortais pertencem a Neruda? Isso não é obvio?

Dr. – A determinação do DNA é muito importante, os militares poderiam ter obtido um cadáver com metástase óssea; não é suficiente identificar os restos exumados de Neruda pela roupa ou pela cor do féretro.

MC. – Finalmente, o senhor estaria interessado em estudar os resultados da exumação de Neruda?

Dr. – Sim, os resultados dos exames são de interesse geral, pelas suas implicações judiciais e históricas; para os médicos os resultados serão matéria de estudo por anos, haverá que esperar um par de meses para que acabem as pesquisas forenses.