"A LUTA DE UM POVO, UM POVO EM LUTA!"

Agência de Notícias Nova Colômbia (em espanhol)

Este material pode ser reproduzido livremente, desde que citada a fonte.

A violência do Governo Colombiano não soluciona os problemas do Povo, especialmente os problemas dos camponeses.

Pelo contrário, os agrava.


terça-feira, 28 de julho de 2015

Dirigentes ecumênicos de todo o Mundo apoiam cessar fogo bilateral na Colômbia



Em uma carta enviada de Bogotá, Colômbia, dirigentes cristãos locais e internacionais exigem o cessar fogo bilateral entre o Governo da Colômbia e as FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia). Na carta, insistem em que sejam retomadas as conversações de paz. "Os 52 anos de conflito armado na Colômbia cobraram muitas vidas, e causaram deslocamentos nas comunidades locais”, assinalam.

A carta é dirigida ao presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, ao chefe negociador do governo em Havana, Humberto de la Calle, ao comandante das FARC, Timoleón Jiménez, e ao chefe negociador das FARC, Luciano Marín (Iván Márquez). Vem precedida pelos recentes ataques mútuos das FARC e do governo, que levaram a uma situação crítica as conversações de paz em Havana.
Entre os signatários do documento figuram dirigentes de organizações ecumênicas mundiais, como o Conselho Mundial de Igrejas (CMI), ACT Aliança, a Comunhão Mundial de Igrejas Reformadas e a Federação Luterana Mundial. Assim como representantes de 40 igrejas locais e organizações ecumênicas, e mais de uma centena de associados internacionais.
"Não podemos deixar de expressar nossa dor de humanidade, de cristãs e cristãos ante as mortes que continuam acontecendo na Colômbia, que poderiam ter sido evitadas com um acordo de um cessar fogo bilateral”, diz a carta.
"O governo deve mudar sua posição de se negar a um acordo entre as duas partes para o cessar fogo, em prol da vida e em prol de uma maior legitimidade dos diálogos que vêm sendo adiantados, e as FARC devem voltar à sua vontade e decisão de manter-se no cessar fogo”.
Georges Lemopoulos, secretário geral interino do CMI, afirma que "as conversações de paz entre o governo e as FARC devem alcançar uma paz duradoura, com justiça social para os colombianos e as colombianas, algo que merecem em grande medida”.
Na carta, são reconhecidos os progressos realizados para reduzir a intensidade do conflito, como o acordo sobre a retirada das minas terrestres e outros explosivos, o acordo sobre a formação de uma Comissão da Verdade, e o informe publicado pela Comissão Histórica do Conflito.
"Unimo-nos e apoiamos o chamado que fizeram semanas atrás os Governos de Cuba e da Noruega, na sua qualidade de garantidores da Mesa de Conversações, para que se pactue o cessar fogo bilateral e o fim das hostilidades, como também para preservar os acordos até agora alcançados e para avançar na discussão dos temas que ainda estão pendentes na agenda”, afirma a carta.


segunda-feira, 27 de julho de 2015

A VARIÁVEL LULA

Por Emir Sader
Lula foi situado no centro da vida política brasileira. Todos os holofotes se concentram sobre ele: ou será abatido no voo pela direita, tirando-o, no tapetão, da vida política, ou exercerá seu papel de eixo da recomposição da esquerda brasileira e conseguirá dar continuidade ao processo iniciado em 2002, com todas as adequações necessárias.


Em um marco de crise de credibilidade das instituições, das forças políticas e sociais, das lideranças, a exceção fica com Lula. Não fosse assim, ele não seria alvo dos ataques concentrados da direita. Se acreditasse nas suas pesquisas, bastaria a direita esperar até 2018 e derrota-lo com qualquer um dos seus candidatos.


O destino da direita depende de conseguir inviabilizar juridicamente a candidatura do Lula e ter assim o caminho aberto para reconquistar a presidência da república. Caso contrario, teria que se consolar com um novo mandato do Lula, limitando-o pela revogação da reeleição.


Do lado do campo popular, Lula também é a referência, é o grande patrimônio, com ele pode contar. O maior líder popular da história do Brasil, Lula mantém vínculos profundos com a massa da população, seus governos ficaram marcados na consciência e na memoria das pessoas, Lula representa a auto estima dos brasileiros. Por tudo isso, apesar da brutal campanha contra sua imagem, ela permanece arraigada no seio do povo.



Mas ele não se limita a estar na memória do povo, ele representa também sua esperança. Ninguém tem o carisma e a mística que a liderança de Lula possui.


Desde a crise de 2005, quando a imagem do PT passou a ser afetada negativamente, a imagem do Lula foi se descolando do partido, conforme o governo foi ganhando prestigio, com o sucesso das politicas sociais. Mesmo quando a imagem do governo de Dilma e a do PT sofrem com a mais dura das campanhas da oposição, a imagem de Lula resiste e as próprias pesquisas que dão resultados muito ruins para o PT e Dilma, tem que revelar que Lula teria pelo menos 33% de apoio.


Mas o Lula de agora precisa propor ao país novas utopias, novos objetivos, continuidade e aprofundamento do que foi feito a partir do seu governo, precisa diálogo com novos setores sociais, especialmente os jovens, tanto os da periferia quanto os da classe média, precisa surgir como quem reivindica não só a visibilização desses setores, como os espaços das mulheres, rejeitadas nas suas reivindicações. Em suma, Lula tem que representar, ao mesmo tempo, a retomada do que foram seus governos, da forma de fazer política que unifique as forças que apoiem os programas propostos nos seus governos, como também renovador. Nas reivindicações, na linguagem, na interpelação e integração de setores até aqui marginalizados.


É Lula que pode ser o eixo da recomposição das forças de esquerda, das forças democráticas e populares, recomposição que tem que ser feita com novas plataformas, novos programas, que deem vida a um amplo movimento social, político, econômico, cultural, que consolide os avanços, altere profundamente as relações de poder que resistem a esses avanços e aponte para o Brasil a que Lula abriu o caminho com seus governos e sua liderança.
 

Qualquer especulação política sobre o futuro do Brasil que não leve em consideração a variável Lula, está equivocada, está fora da realidade, não considera o fator determinante do futuro político do país. Candidatos tucanos já conhecidos, nomes sem nenhuma viabilidade popular do PMDB ou outros nomes que aventuras políticas apontam, se chocam com essa realidade incontornável. Uma vez mais, quem não decifra o enigma Lula é devorado por ele, como tem acontecido reiteradamente.



Venezuela quer ampliar a Operação Milagre


O jornal Últimas Notícias publica palavras do presidente sobre a missão ditas no Quartel da Montanha, em Caracas, durante uma homenagem ao falecido presidente Hugo Chávez.


A publicação assinala as intenções expressas por Maduro sobre a extensão do programa para a nação vizinha.

Segundo o presidente venezuelano, solicitará a seu homólogo colombiano, Juan Manuel Santos, para trabalharem juntos na expansão da missão, para benefício de mais estudantes, camponeses e trabalhadores.

Maduro assinalou que em 11 anos este programa médico ajudou a quase quatro milhões de pessoas, das quais apenas 7.700 são da Colômbia.

De acordo com o chefe de Estado, essa cifra de colombianos pode ser ampliada a um milhão, pois existe a capacidade técnica e de especialistas para consegui-lo.

Considerou, também, que estender a missão ajudará a continuar o trabalho face às relações de paz, bem como a neutralizar tentativas da ultradireita de colocar os dois países em conflito.

Por sua vez, o site da chancelaria venezuelana realçou também uma proposta feita pelo Governo bolivariano à Santa Sede para estender a Missão Milagre aos povos do mundo.

Desde seu surgimento, este projeto criado por Chávez e pelo líder histórico da Revolução Cubana, Fidel Castro, favoreceu 35 países da América Latina e do Caribe.

Dados oferecidos pela direção da missão indicam que os venezuelanos representam cerca de 58 por cento dos atendidos até a data.

Fonte: Prensa Latina

Em torno do Estado se dão os grandes debates atuais. É o alvo do golpe


 Por Emir Sader

Desde que Ronald Reagan disse que o Estado deixava de ser solução para ser o problema, o Estado passou a estar no centro dos debates e das lutas políticas. Reagan apontava-o como ineficiente, corrupto, expropriador de recursos das pessoas, produtor de inflação, desperdiçador, burocrático – em resumo, fonte dos problemas da humanidade.
No seu lugar, se passou a promover a centralidade do mercado e das empresas, identificados como eficientes, dinâmicos, baratos. Quanto menos Estado, melhor (para eles). Estado mínimo significa mercado máximo. Menos regulação estatal, menos direitos, menos proteção, menos políticas de inclusão social.
Alguns dos que fizeram a crítica de uma chamada "Estadolatria" da esquerda no período histórico anterior, buscaram refúgio na "sociedade civil", que mal podia mascarar o mercado, na versão dominante do neoliberalismo, entre eles ONGs e alguns intelectuais, pela rejeição comum do mercado. Sem o que dizer do ponto de vista do poder do Estado, essa forças desapareceram da cena política.
Superar o neoliberalismo é assumir funções que foram anuladas no Estado mínimo. Estado mínimo não significa mais cidadania, porém menos, porque cidadão é o sujeito de direitos e o que mais faz o neoliberalismo é expropriar direitos, em favor do consumidor e do mercado. Quem pode garantir direitos, promover políticas sociais, participar de processos de integração regional e de alianças Sul-Sul, induzir políticas de expansão econômica com distribuição de renda, programa de desenvolvimento tecnológico e científico, entre outras obrigações civilizatórias, é o Estado.
Por tudo isso, o alvo central da direita, das suas tentativas de restauração conservadora, é o Estado. É em torno do Estado que se dão os grandes debates atuais – sejam econômicos, sociais, culturais ou diretamente políticos.
No Brasil, não por acaso os alvos centrais da direita têm sido sempre o Estado – Petrobras, Correios, Fundos de Pensão, BNDES, Banco do Brasil, Caixa Econômica – tentando desarticular a capacidade de ação do Estado.
Diga-me o que você tem a dizer sobre o Estado e eu te direi onde você se situa política e ideologicamente. Não é a polarização que encanta ao neoliberalismo, entre um Estado que ele mesmo maltratou, desfeito, e uma suposta em esfera privada, a que vige no mundo contemporâneo. Porque a esfera do neoliberalismo não é uma esfera meramente privada, é esfera mercantil, em que tudo se vende, tudo se compra, tudo tem preço, tudo é mercadoria. E a esfera da esquerda é a esfera pública, a esfera dos direitos e da cidadania. O Estado é um espaço de disputa hegemônica entre as duas esferas – a pública e a mercantil –, frequentemente as duas se representam e se disputam dentro do próprio Estado.
Muita razão têm os países que decidiram refundar o Estado, para adequá-lo à nova base social que sustenta o poder político, o novo bloco social que leva adiante as políticas de superação do neoliberalismo. Os que não o fizeram, sofrem com um aparato burocrático incapaz de incorporar a participação popular que os novos governos requerem.
Não se trata de que todo debate possa ser reduzido ao Estado, mas cada proposta de modelo e de política econômica reserva um lugar para o Estado, supõe uma forma de Estado. Um Estado de subordinação às forças do mercado ou um Estado capaz de implementar políticas soberanas, democráticas, populares.
Como o mercado anda com pouco prestígio, não apenas pelos danos que causaram as políticas neoliberais, mas também pela profunda e prolongada crise internacional do capitalismo, a direita se concentra em atacar o Estado e os governos que se valeriam do Estado para praticar políticas "populistas", "corruptas", inflacionárias. Mas atacam o Estado para voltar a impor políticas centradas no mercado.
Nunca como agora o pensamento crítico tem teve que se voltar para o tema do Estado, das formas que deve assumir o poder político para corresponder aos governos e ao processo que busca a construção de modelos de superação do neoliberalismo. Do tipo de poder popular que se necessita para deitar raízes definitivas nas formas novas formas de Estado que precisamos.


Não se pode pactuar um modelo de justiça em que o Estado e os determinadores fiquem impunes.



La Habana, Cuba, sede dos Diálogos de Paz, 25 de julho de 20015
O debate sobre a paz, realizado nesta semana no Congresso da República, não somente foi oportuno e necessário como também refletiu uma vez mais que o atual intento por colocar ponto final a mais de 50 anos de guerra ocupa o interesse prioritário da agenda nacional, ao mesmo tempo em que refletiu um leque variado de posições dos distintos partidos políticos, deixando em evidência que –exceto as forças da extrema-direita comandadas pelo senador Uribe Vélez- todos apoiam os esforços feitos em Havana para conseguir um grande acordo de paz.
Que o ex-presidente Uribe e sua bancada tenham disparatado contra o processo de Paz com o desgastado sofisma de que em Colômbia não há um conflito armado interno não nos surpreendeu, nem nos desvelou: sabemos muito bem que ele e seus alfis fazem e farão até o impossível para evitar que as futuras gerações de colombianos e colombianas vivam e desfrutem de um país em paz.
No entanto, depois de ouvir com atenção as intervenções da maioria dos porta-vozes de cada bancada, nos assalta uma preocupação que hoje queremos compartilhar a partir desta tribuna: apesar de apostar na paz, muitos deles falaram com um grande desconhecimento das origens, da natureza e da história do conflito. Boa parte deu como um fato que não se firmará um acordo final de paz se não há cárcere para a guerrilha, cujos máximos dirigentes –segundo se afirmou- deverão pagar algum tipo de penalidade.
Pensamos que estas são versões recicladas da leitura unilateral e equivocada que o governo vem fazendo sobre a origem e os propósitos do processo que se empreendeu desde o ano de 2012 em Havana.
Na afirmação de que os chefes guerrilheiros deverão pagar algum tipo de condenação se esconde a tese segundo a qual as FARC são as responsáveis por estas décadas de conflito armado e que a verdade sobre o mesmo só se conhecerá uma vez seja firmado o acordo de paz e se produza o desarmamento da guerrilha.
Segundo essa tese, devemos entender que,
Os falsos positivos foram culpa das FARC-EP?
Os 6 milhões de deslocados foram culpa das FARC-EP?
Os mais de 6.500 massacres cometidos pelo paramilitarismo são culpa das FARC-EP?
As milhares de pessoas torturadas e desaparecidas foram responsabilidade das FARC-EP?
Toda a violência de gênero ocorrida durante o conflito é culpa das FARC-EP?
Toda a participação de menores no conflito é culpa das FARC-EP?
O despojo de terras em Urabá, Chocó, Sul de Bolívar, Córdoba Cesar, Magdalena meio, a Altillanura, Cauca, Vale do Cauca, que soma mais de seis milhões de hectares, é culpa das FARC-EP?
Então, devemos crer que os paramilitares já pagaram suas culpas e que em Colômbia não há paramilitares?
Só bandos criminosos narcotraficantes, um dos quais é as FARC-EP?
Os representantes da classe dirigente, os partidos políticos, o empresariado, os terra-tenentes e as multinacionais não assumirão nenhuma responsabilidade?
Devemos assinalar que para falar de justiça é necessário conhecer toda a verdade. Não se pode pactuar um modelo de justiça em que o Estado e os determinadores fiquem impunes.
À presente legislatura corresponde a responsabilidade de tratar temáticas de indiscutível importância, em momentos de particular dificuldade para o país. Ao debate do fim do conflito e das políticas públicas originadas dele, há que somar a iminência de uma crise econômica sem precedentes, com o barril de petróleo a menos de 60 dólares, o ouro a 1.200 dólares a onça, as exportações em descenso ou estancadas, os hospitais fechados ou quebrados e uma crise econômica internacional cada vez mais aguda.
Nessas condições, um governo debilitado, que descumpre com as organizações sociais e se nega a verdadeiras mudanças, deverá enfrentar-se não só com um parlamento dividido como também com a resposta popular nas ruas.
É por isso que hoje, quando estamos mais perto do que nunca da possibilidade de um encerramento da expressão armada do conflito, pensamos que desde o parlamento se deve atuar com suma responsabilidade, sem apelar para velhos truques midiáticos para distorcer o sentido do processo de paz, vendendo a velha ideia de que a guerra tem sido protagonizada por uns bons, muito bons, que foram atacados por uns maus, muito maus, sobre os quais deve recair todo o peso da lei.
Nesta hora transcendental se necessitará de partidos políticos e lideranças parlamentares à altura dos desafios do momento, plenamente conscientes da transcendência de suas decisões e comprometidos com o supremo objetivo da paz.
Poderíamos coincidir com o Dr. Humberto de la Calle em que hoje é mais possível vislumbrar cenários de paz certa do que antes.
Não obstante, o chefe negociador do governo pouco ajuda a concretizá-los ao insistir em interpretações que já se tornaram costume na delegação do governo e que em nada correspondem com a realidade, a saber:
- O primeiro, que o tema da agilidade das conversações é assunto que incumbe somente à guerrilha. Isto, o sabe muito bem quem conheça de perto o que acontece na Mesa, não é certo. No transcurso das conversações temos dado conta de presteza e interesse por conseguir rápidos avanços. Tem sido precisamente o governo quem tem adiado debates urgentes, atuando com displicência em numerosas ocasiões e tornando complexos pontos que seriam de fácil consenso, com um pouco de sentido comum.
- O segundo, havendo expressado nitidamente nossa posição acerca do tema da deixação de armas, a insistência em equiparar essa deixação com a entrega destas à contraparte não é mais que uma falácia. Sabe muito bem o chefe negociador do governo da Colômbia que o firmado no Acordo Geral de Havana não é a entrega das armas à contraparte. Não se consegue um acordo definitivo simplesmente repetindo milhares de vezes suas próprias teses ante as câmeras.
- O terceiro, denominar “pendentes ilegítimos” ou “pendentes fictícios” as ressalvas e temas pendentes que as FARC-EP mantemos frente aos acordos dos pontos 1, 2 e 4.
Estigmatizando as questões que a contraparte considera determinantes nos pontos referidos, o governo não consegue que as abandonemos, pelo contrário: ratifica nossa convicção em que sua discussão é vital para a firma de um Acordo Final.
O país pode ter a certeza de que nas FARC-EP já tomamos a decisão de buscar o fim do conflito. Em Cuba e em Colômbia nossa luta é pela paz.
Porém, nossa determinação, que tem sido consultada com com toda a base guerrilheira, não se debe confundir com um sinal de rendição ou de sometimento. Se o estabelecimento segue pensando que se trata disso, a paz continuará sendo uma quimera.
DELEGACIÓN DE PAZ DE LAS FARC - EP.

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Equipe ANNCOL - Brasil




domingo, 26 de julho de 2015

Santos ordena suspender os bombardeios contra las FARC



O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, informou a noite deste sábado a suspensão dos bombardeios aéreos a campamentos das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) e especificou que só se realizarão trás uma ordem explícita sua.

Este contenido ha sido publicado originalmente por teleSUR bajo la siguiente dirección:
http://www.telesurtv.net/news/Santos-ordena-suspension-de-bombardeos-contra-las-FARC-20150725-0041.html.


Comissão de Esclarecimento da Verdade, JÁ


La Habana, Cuba, sede dos Diálogos de Paz, 23 de julho del 2015
No encerramento do Ciclo 37 de conversações, a Colômbia recebeu com expectativa e otimismo o anúncio da criação da Comissão de Esclarecimento da Verdade, da Convivência e da Não Repetição e de um “Sistema Integral de Verdade, Justiça, Reparação e Não Repetição”, que cumpra com o fundamento de que, efetivamente, “ressarcir as vítimas está no centro do acordo”.
Nas últimas jornadas de trabalho construímos o documento “Agilizar em Havana e desescalar em Colômbia”, concretizando-se um “Plano de Trabalho” que servirá de força adicional de impulso ao Acordo Geral de Havana.
Nesta etapa avançaremos com uma nova metodologia que aponta a realizar um trabalho técnico, integral e simultâneo no tratamento dos temas e na busca de conclusões prontas. Em meio a um ambiente de desescalada do conflito, cuja base foi a declaratória unilateral de cessar-fogo por parte das FARC-EP, e o compromisso do governo de atuar em correspondência, trataremos de alcançar o “Cessar-Fogo bilateral e definitivo”. Em quatro meses faremos as primeiras avaliações sobre os resultados e as perspectivas.
O mais urgente agora é concluir a configuração da Comissão de Esclarecimento da Verdade, da Convivência e da Não Repetição. A esse respeito, teremos que fazer todo o necessário para fazê-la andar antes que termine novembro, porque há que levar em conta que, se o bem jurídico tutelado neste processo é a paz como direito síntese e as vítimas, a participação Destas deve se dar desde já, tomando a verdade como base para a construção de qualquer sistema de justiça. Em consequência, para falar de justiça, haverá que falar primeiro da VERDADE.
O êxito destes objetivos maiores terá que passar pela reparação das vítimas, retomando a Mesa o estudo dos informes da Comissão Histórica do Conflito e suas Vítimas e abordando sem mais morosidades o esclarecimento do fenômeno do paramilitarismo, a respeito do qual já está assentada e publicada nossa proposta de 9 de julho de 2015, com um anexo também público, que denuncia a situação atual dos grupos paramilitares.
Se a verdade pura e simples é a melhor maneira de persuadir, comecemos a conhecê-la desde já, pela boca dos atores do conflito e das vítimas, como um gesto enorme de desescalada. E, claro está, deverão ser abertos os arquivos.
DELEGAÇÃO DE PAZ DAS FARC EP.

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Equipe ANNCOL - Brasil

Se Começa a pressentir o fim da epopeia


Por Alberto Pinzón Sánchez
Não é o mesmo JM Santos fazendo autopropaganda desde sua casa jornalística El Tiempo que o presidente de “todos” os colombianos falando no “sacrossanto recinto da democracia [genocida] da Colômbia”. Tampouco é o mesmo o mal humorado e arrogante Humberto de la Calle dizendo ao país a partir do oligopólio midiático contra insurgente [OMCi] que pode chutar quando lhe der vontade a mesa de Havana que o submisso plenipotenciário do governo em Havana falando aos parlamentares colombianos em vésperas de eleições.
E nem o que dizer do novo ministro de Defesa, o “empresário” Villegas, dando entrevistas aos meios dependentes do departamento de guerra psicológica do exército colombiano, que rendendo informes de gerência no plenário do senado, sobre o número [suposto] de guerrilheiros das FARC como indicador de eficiência, porém evitando [não se sabe por que] os terríveis ou tremendos indicadores de CUSTOS [que como empresário deveriam preocupá-lo] sobre as 372 ações armadas realizadas desde a suspensão da trégua unilateral a 22 de maio de 2015, por esses 6.000 guerrilheiros reduzidos ou restantes. E que, segundo a ONG Paz e Reconciliação, regressaram às médias mensais de 186 ações armadas por mês, semelhantes às de há 4 anos, quando os números aproximados do Ministério de Defesa diziam que os guerrilheiros eram 9.000. Quer dizer, que, ao terem sido reduzidos dramaticamente e bombardeados, em lugar de diminuir, aumentaram a “eficácia”, entendida esta como o indicador de gerência que combina a eficiência com a efetividade. De acordo, senhor empresário?
Tudo parece indicar que mudaram ou pelo menos se moveram duas coisas: Uma, o nível de realismo de seus respectivos discursos; e outra, o cenário, não só de salão como também do panorama pré-eleitoral que parece ter tomado literalmente o “coração e a mente” contra insurgente dos políticos colombianos.
O que produziu o fato político de que, ante o parlamento colombiano, o núcleo duro da política de paz do governo tenha devido recorrer a apresentar os fatos com um pouco mais de realismo ao costumeiro nos últimos 70 anos de Contra Insurgência, quando sempre os apresentou como a derrota das Farc “nos próximos meses”? “Dezoito”, disse Marta Lucia em 2002, quando Uribe colocou-a à frente de sua tropa.
Por que o presidente Santos, em seu discurso sobre a pátria boba em 20 de julho de 2015, numa passagem realmente notável e destacável, mudou de “inimigos de alto valor”? E já não sejam as “as FART” ou o terrorismo, senão que [...] “se trata de que concentremos nossas energias em lutar contra os verdadeiros inimigos, que são: a Pobreza, a Iniquidade, o Desemprego, a Corrupção, a Insegurança e [vá lá alguém acreditar] a GUERRA”...
A resposta é simples: ademais da crise [de todas as esferas] da vida socioeconômica em Colômbia, e a que a geoestratégia do Pentágono induziu uma mudança nos “politiqueiros colombianos”; tal fato se deve ao fato de que todos, dentro e fora do país, entenderam a diferença entre trégua unilateral de dois meses decretada pelas Farc e a contraofensiva do levantamento guerrilheiro, produzido quando os estrategistas militares do governo [Pinzón, Asprilla e demais fanfarrões militaristas] pretenderam aplicar um golpe de audácia à insurgência assassinando e volatilizando com bombas violadoras do DIH a Jairo Martínez e seus companheiros, com a finalidade de modificar, na última hora, a correlação de forças a seu favor.
Há que dizê-lo, também, que se deve a outra circunstância política em desenvolvimento: o isolamento paulatino de Uribe Vélez, cuja concepção de “Impunidade militar para continuar a guerra” foi reduzida ao “viril alento” [pobre Rafael Núñez] e às broncas do “soldado sem couraça” do decomposto Alfredito Rangel, ou às patadinhas da louca das laranjas.
Por isto Santos, com um pouco mais de realismo, desescala o nível da rivalidade com “o perverso de bairro”, toma uma pequena distância dele, e simplesmente lhe oferece [sabendo que ele vai rechaçar]...que falemos com serenidade e sem meias verdades, e a que busquemos os acordos em meio às diferenças. Que não nos passe o da Pátria Boba!”
Contando também, realisticamente, que, com a prolongação da nova trégua unilateral decretada neste 20 de julho pelas FARC e os avanços e acordos vindouros nas conversações em Havana, poderão ser realizadas as próximas eleições, onde se definirá definitivamente a rivalidade Santos-Uribe, que serão “as mais tranquilas e seguras em muitas décadas em Colômbia”.
Só nos cabe perguntar: e sem a tradicional corrupção?