"A LUTA DE UM POVO, UM POVO EM LUTA!"

Agência de Notícias Nova Colômbia (em espanhol)

Este material pode ser reproduzido livremente, desde que citada a fonte.

"De que vale a vida se quando a temos ela parece morta. A vida é para ser senirmos, para vibrar, para lutar, para combater. Isso justifica nossa passagem pela Terra." (Jaime Pardo Leal)


quinta-feira, 24 de abril de 2014

Belo exemplo bolivariano para América Latina: Governo venezuelano editará biblioteca de Gabriel García Márquez


O presidente Nicolás Maduro anunciou que o Ministério para a Cultura editará a biblioteca Gabriel García Márquez, em homenagem ao Nobel colombiano, que conterá várias obras do escritor e será distribuída gratuitamente ao seu povo.





Assim informou na terça-feira o presidente Nicolás Maduro desde seu programa radiofônico Em Contato com Maduro, trabalho que o Ministério da Cultura realizará.


Vamos editar vários milhares de bibliotecas do Gabo para entregá-las grátis às famílias venezuelanas e que cada família tenha uma biblioteca que passe de geração em geração, de mão em mão, para que toda essa luminosa literatura que expressa o que somos possa permanecer no tempo”, manifestou.


Além disso, o Executivo organizou uma jornada de leituras coletivas e simultâneas das obras de García Márquez em todas as praças Bolívar do país a partir do meio-dia desta quarta-feira.


O Presidente ressaltou o legado de Gabo para a literatura, porque, através de suas obras, “expressou a realidade do que éramos [...] Desde Venezuela, sempre recordaremos a Gabo, que tanto fez para a construção do que hoje somos em todo o continente”.


Foi autêntico e consequente com cada coisa que fez, com cada letra, com cada compromisso”, acrescentou.


Referiu em seguida que enviou à família do Nobel “uma carta muito sentida com as condolências, o amor e o agradecimento de todo o povo venezuelano que sente o Gabo como um dos seus”.


O escritor, romancista, contista, roteirista e jornalista colombiano Gabriel García Márquez morreu nesta quinta-feira 17 aos 87 anos de idade, depois de um quadro de pneumonia que o manteve hospitalizado por uma semana.


O Nobel de Literatura marcou um divisor de águas na história criativa da América Latina, ao criar, com seu realismo mágico, Macondo, um povoado que, com seus personagens, passou a formar parte de uma das obras mais lidas na região e no mundo, Cem anos de solidão, que retrata a vida da estirpe Buendía.


Fonte: www.telesurtv.net

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Advogados democratas de 56 países se solidarizam com os prisioneiros políticos na Colômbia



Com delegados de 56 países, finaliza o 18º Congresso da ASSOCIAÇÃO INTERNACIONAL DE JURISTAS DEMOCRATAS – AIJD, respaldando o processo de paz na Colômbia e exigindo liberdade e tratamento digno para os prisioneiros políticos na Colômbia.

O plenário geral do 18º Congresso da Associação Internacional de Juristas Democratas, reunido na cidade de Bruxelas, Bélgica. Considerando que o Estado Colombiano é membro da Organização das Nações Unidas, da Organização de Estados Americanos e da Convenção Interamericana de Direitos Humanos e observando que o povo colombiano tem expressado um desejo genuíno de alcançar uma paz duradoura através das atuais conversações de paz, resolve:


  1. Fazemos um chamado às partes para manter o espírito de diálogo e não levantar-se da mesa de negociação até conquistar a paz.
  2. Solicitamos às partes, como gesto de paz, iniciar um cessar-fogo que permita construir um clima de confiança e minimizar as atuais sequelas da guerra sobre civis e combatentes.
  3. Solicitamos ao governo colombiano que proporcione as garantias devidas à oposição política para exercer seus direitos civis e políticos, cessando a perseguição e criminalização do movimento social colombiano.
  4. Manifestamos nossa preocupação pela alarmante cifra de prisioneiros políticos nas prisões colombianas, suas condições de vida indignantes e a falta de garantias processuais. Exigimos respeito aos DDHH dos prisioneiros políticos e um tratamento digno e humanitário a toda a população carcerária como contemplam a constituição colombiana e os tratados internacionais ratificados pela Colômbia.
  5. Sugerimos que, como gesto de paz do governo colombiano, se outorgue a liberdade aos prisioneiros políticos que se encontrem em grave estado de saúde, com enfermidades terminais ou incapacitados; que tenham uma idade superior aos 65 anos e, além disso, permitir-lhes o acesso aos benefícios jurídicos, todos estes direitos contemplados no ordenamento legal colombiano.


AIDL- Bruxelas-Bélgica 20 de abril de 2014

CONCEIÇÃO LEMES, 33 ANOS DE ESTRADA: RESPOSTA EM PÚBLICO A O GLOBO


Nessa segunda-feira 13, uma repórter de O Globo enviou-nos um e-mail:


“Estou fazendo uma matéria sobre a entrevista que o ex-presidente Lula concedeu a blogueiros na semana passada. Gostaria de conversar contigo por telefone”.


Pedi que enviasse as perguntas por e-mail. Hoje, às 12h27 elas foram encaminhadas:

Nada contra a repórter. Embora não a conheça, respeito-a profissionalmente como colega.

Já a empresa para a qual trabalha, não merece a nossa consideração.

Com essas perguntas aos blogueiros, O Globo parece estar com saudades da ditadura, quando apresentava como verdadeira a versão dos órgãos de repressão.  
Exemplo disso foi a da prisão, tortura e assassinato de Raul Amaro Nin Ferreira, em 1971, no Rio de Janeiro.

Com essas perguntas, O Globo parece querer promover uma caça aos blogueiros progressistas. Um macartismo à brasileira.

O marcartismo, como todos sabem, consistiu num movimento que vigorou nos EUA do final da década de 1940 até meados da década de 1950.  Caracterizou-se por intensa patrulha anticomunista, perseguição política e dersrespeito aos direitos civis.

O interrogatório emblemático daqueles tempos nos EUA:
Mr. Willis: Well, are you now, or have you ever been, a member of the Communist Party? (Bem, você é agora ou já foi membro do Partido Comunista?)

A sensação com as perguntas de O Globo é que voltamos à ditadura. Agora, a ditadura midiática das Organizações Globo. É como estivéssemos sendo colocados numa sala de interrogatório.

Afinal, qual o objetivo de saber se pertencemos a algum partido político?

Será que O Globo faria essa pergunta aos jornalistas de direita, travestidos de neutros, que rezam pela sua cartilha?

E se fossemos nós, blogueiros progressistas, que fizessemos essas perguntas aos jornalistas de O Globo?

Imediatamente, seríamos tachados de antidemocratas, cerceadores da liberdade de expressão, chavistas e outros mantras do gênero.

Como um grupo empresarial que cresceu graças aos bons serviços prestados à ditadura civil-militar tem moral de questionar ideologicamente os blogueiros que participaram da entrevista coletiva?

Liberdade de imprensa e de expressão vale só para direita e para a esquerda, não?

Como uma empresa que tem no seu histórico o colaboracionismo com a ditadura, o caso pró-Consult, o debate editado do Collor vs Lula, ter sido contra a campanha Pelas Diretas,  pode se arvorar em ditar normas de bom Jornalismo e ética?

Como uma empresa que deve R$ 900 milhões ao fisco tem moral para questionar outros brasileiros?

Como um grupo empresarial que recebe, disparadamente, a maior fatia da publicidade do governo federal pode criticar os poucos blogs que recebem alguma propaganda governamental?

O Viomundo, repetimos, não aceita propaganda dos governos federal, estaduais e municipais. É uma opção nossa. Mas respeitamos quem recebe. É um direito.

No Viomundo, não temos nada a esconder.  Só não admitimos que as Organizações Globo, incluindo O Globo, com todo o seu histórico, se arvorem no direito de fiscalizar a blogosfera.

Por isso, eu Conceição Lemes, que representei o Viomundo na coletiva, não respondi a O Globo. Preferi responder aos nossos milhares de leitores.  Diretamente. E em público.

Seguem as perguntas de O Globo e as minhas respostas.


Qual a sua formação acadêmica?
Formada em Jornalismo pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP).

Qual a sua atuação profissional antes do blog? Já cobriu política por outros veículos?

Sou editora do Viomundo, onde faço política, direitos humanos, movimentos sociais. Toco ainda o nosso Blog da Saúde.

No início da carreira, fiz um pouco de tudo: economia, política, revistas femininas, rádio…

Há 33 anos atuo principalmente como jornalista especializada em saúde, tendo ganho mais de 20 prêmios por reportagens nessa área. Entre eles, o Esso de Informação Científica, o José Reis de Jornalismo Científico, concedido pelo Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq), e o Sheila Cortopassi de Direitos Humanos na área de Comunicação, outorgado pela Associação para Prevenção e Tratamento da Aids e Saúde Preventiva (APTA) com apoio do Unicef.

Conquistei também vários prêmios Abril de Jornalismo, a maioria por matérias publicadas na revista Saúde!, da qual foi repórter, editora-assistente, editora e redatora-chefe.

Em 1995, fui  premiada pela reportagem “Aids — A Distância entre Intenção e Gesto”, publicada pela revista Playboy. O projeto que desenvolvi para essa matéria foi selecionado para apresentação oral na 10ª Conferência Internacional de Aids, realizada em 1994 no Japão.

Pela primeira vez um jornalista brasileiro teve o seu trabalho aprovado para esse congresso. Concorri com cerca de 5 mil trabalhos enviados por pesquisadores de todo o mundo. Aproximadamente 300 foram escolhidos para apresentação oral, sendo apenas dez de investigadores brasileiros. Entre eles, o meu. Em consequência, fui ao Japão como consultora da Organização Mundial da Saúde.

Tenho oito livros publicados na área.

O mais recente, lançado em 2010, é Saúde – A hora é agora, em parceria com o professor Mílton de Arruda Martins, titular de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da USP, e o médico Mario Ferreira Júnior, coordenador de Centro de Promoção de Saúde do Hospital das Clínicas de São Paulo.

Em 2003/2004, foi a vez da  coleção Urologia Sem Segredos, da Sociedade Brasileira de Urologia, destinada ao público em geral.

Os primeiros livros foram em 1995. Um deles, o Olha a pressão!, em parceira com o médico Artur Beltrame Ribeiro.

O outro foi a adaptação e texto da edição brasileira do livro Tratamento Clínico da Infecção pelo HIV, do professor John G. Bartlett, da Universidade Johns Hopkins, nos EUA. A tradução e supervisão científica são do médico Drauzio Varella.


Você é filiada a algum partido político?
Não sou nem nunca fui filiada a qualquer partido político.

Mas me estranha muito uma empresa que apoiou a ditadura, cresceu devido a benesses do regime e hoje se alinhe com todos os espectros da direita brasileira, questione a filiação partidária de um jornalista.

Quer dizer de direita, tudo bem, e de esquerda, não?

Como você definiria os “blogueiros progressistas”? Existe uma linha política?

Somos de esquerda.

Defendemos:

Melhor distribuição da renda no país.

Reforma agrária.

Os movimentos sociais por melhores condições de moradia, trabalho, defesa do meio ambiente, saúde e educação.

Regulamentação dos meios de comunicação.

Valorização do salário mínimo.

Política de cotas raciais nas universidades.

Direitos reprodutivos e sexuais das mulheres brasileiras.

Combate à discriminação e promoção dos direitos de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais

Imposto sobre grandes fortunas.

Financiamento público de campanha.

Reforma política.

Fortalecimento da Petrobras.

Sistema Único de Saúde.

Como você foi chamada para a entrevista? Recebeu alguma ajuda de custo do instituto?
Por e-mail. Nenhuma ajuda.

O que você achou da seleção de blogueiros para a entrevista? Incluiria, por exemplo, representantes da mídia ninja ou blogueiros “de oposição”, como Reinaldo Azevedo?
O Instituto Lula tem o direito de chamar para entrevistar o ex-presidente quem ele quiser.

Engraçado O Globo perguntar isso. De manhã à madrugada, de domingo a domingo, todos os veículos das Organizações Globo privilegiam, ostensivamente, sem o menor pundonor, vozes do conservadorismo brasileiro e internacional. Pior é que travestido de uma falsa neutralidade.

Por que O Globo pode chamar quem quiser e o ex-presidente Lula, não?

Por que as Organizações Globo não dão espaços iguais à esquerda e à direita, garantindo a pluralidade de opiniões?

No dia em que as Organizações Globo garantirem efetivamente a pluralidade de opiniões, respeitando a verdade factual, aí, sim, seus profissionais poderão questionar os nomes escolhidos por Lula.


Qual foi o ponto mais relevante da entrevista para você?
Ter falado três horas e meia com os blogueiros. Uma conversa em que nenhum assunto foi proibido. Tivemos liberdade plena de perguntar o que queríamos. Uma lição de democracia.

O instituto arcou com os seus custos de deslocamento?
Não. Fui de táxi. Paguei do meu próprio bolso.

Por que você acredita ter sido escolhida para a entrevista?
Quantos jornalistas brasileiros têm o meu currículo profissional? Quantos repórteres da mídia tradicional e da blogosfera produziram tantos furos jornalísticos quanto nós no Viomundo nos últimos cinco anos?

Por isso, deixo essa pergunta para você e os leitores do Viomundo responder.


O que você acha do movimento “Volta Lula”?
Quem tem de achar é a população e os militantes dos partidos da base de apoio do governo.

Sou apenas repórter. Cabe a mim, portanto, retratar o que presencio.


Qual nota você daria ao governo Dilma? Por quê?
O Globo tem fetiche por nota. Quem tem de dar a nota é o eleitorado. Sou repórter e minha opinião neste caso é irrelevante. A não ser que O Globo pretenda usá-la para fazer o que costuma fazer: manipular informação com objetivos políticos, em defesa de interesses da direita brasileira.

terça-feira, 22 de abril de 2014

“No segundo turno os colombianos vão decidir por nossas teses”



Aída Avella Esquivel, fórmula vice-presidencial da candidata à presidência da República Clara López, assegura em diálogo com La Nación que não tem pensado em fazer alianças.

Filha de mãe oriunda do município de Campo Alegre, estado do Huila, e pai do estado de Boyacá, Aída Avella Esquivel é a fórmula vice-presidencial da candidata à presidência pelo Polo Democrático, Clara López.

Após muitos anos no exílio, esta militante da Unión Patriótica voltou porque pensou que era o momento de fazê-lo. Apresentou seu nome à Presidência pela coletividade, porém, depois de muitas aproximações, suas ideias se fundiram com as de López e agora são duas mulheres aspirando a mudar o rumo do país.

Para Avella Esquivel, é claro que na Colômbia chegou a hora de tomar outro rumo em que, segundo assinala, a corrupção não tem espaço enquanto a conservação do meio ambiente, a educação e a saúde serão prioridade.
Como anda o ambiente de campanha para a esquerda?

Bem. Há muito entusiasmo em todo o país, muita gente tem nos recebido em muitas regiões do país. Causou muito impacto esta fórmula de duas mulheres que propõem uma mudança de modelo econômico. As mulheres e muitos homens também se aproximaram porque falamos outra linguagem e temos sérios compromisso para dar outro rumo e uma mudança que o país inteiro pede aos gritos.

O que vocês estão propondo?


Muitas coisas que os outros candidatos não propõem. Primeiro, a mudança de modelo econômico, porque pensamos que a democracia tem que ser participativa, na qual os cidadãos tenham opinião. Uma das coisas que se lhes deve consultar é se estão de acordo com a exploração de minerais em suas regiões, porque o que encontramos em zonas como Casanare é que o povo está se opondo às explorações. Porém não só ali, o povo deve ser consultado com seus planos de desenvolvimento, inclusive os prefeitos e governadores têm que dar a conhecer ao seu povo o que é que vão fazer com os recursos que chegam do nível central. Ninguém fala do mar e para nós é uma fonte de riqueza e de trabalho que há que conservar para reindustrializar o país como um dos mecanismos da mudança do modelo econômico.


Você tocou num tema como o da consulta que se deve fazer aos cidadãos sobre a exploração de seus recursos, que se propõe nesse caso, se aqui em Neiva seus moradores estão atravessando uma problemática com a bacia do rio Las Ceibas?


Para nosso governo, a prioridade será a água. É incrível que neste país o que se está tocando são nossas fontes hídricas, e nós proibiríamos que as fontes de água sejam tocadas para a exploração mineira, porque prioriza a saúde dos colombianos. É que não é só em Neiva, um terço do país está sendo tocado como o Páramo de Santurbán, em Bogotá já começam a fazer exploração na parte baixa do páramo de Sumapaz, e se se toca isso, se toca a Orinoquía, e isso é mudar o sistema ecológico de toda esta região. Estão secando a laguna de Tota em Boyacá porque estão explorando petróleo e isso é muito grave. Por isso, acreditamos que há que revisar as concessões mineiras que vão contra a saúde dos cidadãos, declarar zonas de reserva.


Qual é a proposta para enfrentar a mudança climática?


Os países, têm que pôr-se de acordo porque não é problema de um só. Cremos que na regulação está a selva amazônica que compartilhamos com Brasil, Equador e parte do Peru, e há que fazer muito trabalho para conservá-la. Porém, todo o tema do meio ambiente demandará o esforço de todos os colombianos, e os indígenas que estão dedicados a cuidar dessas selvas necessitam uma retribuição por parte do Estado, porém também se requer gente especializada para apoiar este trabalho.


Porém, com base nessa política mineira que vocês propõem, como fazer para que as empresas estrangeiras não se espantem ou o investimento se vá?


Nós não nos opomos ao investimento estrangeiro, ao que nos opomos é a exploração selvagem dos recursos. Neste momento, em quase todos os países da América Latina estão pagando 25 por cento pela riqueza extraída, porém aqui as empresas que estão levando o petróleo nos estão pagando entre oito e nove por cento. Com o ouro e a prata nos estão pagando entre 3.2 e cinco por cento e isso não é possível. Porém, não vão se espantar porque em toda a América Latina estão pagando no mínimo 17 por cento, e os governos colombianos fizeram péssimos negócios com os recursos públicos e muito bons com as questões pessoais. Então, isto tem que ser distribuído de uma maneira diferente, e se não lhes serve, pois, não se pode fazer porque este é um país que necessita pagar umas dívidas sociais muito grandes.


Essas propostas soam muito bonitas e alvissareiras, porém, dá para fazer tudo isso em apenas quatro anos?


Veja, neste país, o que faz falta é um pouco de autoridade para fazer as coisas. Não é possível que um estado tão rico como Casanare não tenha rodovias, que Arauca, que recebeu milhões de regalias, não tenha um só município com água potável, como na Guajira, que tem uma mina de carvão que não nos deixa quase nada. Isso se pode fazer não só em quatro anos e menos, o que passa é que esta casa há que organizá-la, porque há muito dinheiro, porém os corruptos o levaram, e esses corruptos têm que saber que se acabou sua vez. As mulheres, vamos pôr ordem neste país e não só há que arrumar a casa, como também colocá-la decente, este país tem que saber que os 46 milhões de colombianos têm direito a aceder à riqueza nacional, e não só os de sempre. Aqui há dinheiro para todos, porém, em muitas das obras que se fazem na Colômbia, 90 por cento são roubados e só 10 por cento ficam para investimento. Vamos acabar com isso.


Bem, também se necessita mais acesso à educação...


Claro, se necessita, antes que repressão, mais professores, construir escolas aos montões. Nossas crianças devem estar todo o dia na escola, aprendendo. Propomos aula durante todo o dia, reforço em determinadas áreas como a científica, as matemáticas, sem descuidar das humanidades, as belas artes e os idiomas. A ideia é que, ao terminar o nível médio, nossas crianças e nossos jovens saiam falando outro idioma, no mínimo. E o dinheiro para a educação, vamos tirá-lo das regalias que estão se perdendo, todo esse dinheiro que o Estado deixou escapar de forma irresponsável. E que, entre outras coisas, deveriam ser julgados por isso, porque não pode ser que sigam dando dinheiro às transnacionais. Quatro anos seria mais que suficientes para entregar um país diferente em saúde e educação que são direitos, não ofertas.


Porém, uma vez no poder, vocês não gostariam de se candidatar à reeleição?


Isso depende. Se este país crê que fomos bons, e nos dizem vamos reelegê-los, pois, vamos para a reeleição. É que aqui há que acostumar as pessoas a serem decentes, este é um país afundado na corrupção e em que se consegue dinheiro não importa como. Temos que reverter estes valores, porque esses valores são outros como a honestidade, pensar nos demais, fazer a paz porque, se chegamos nós [à presidência], a paz será um fato. O Fundo Monetário Internacional nos exige que não subsidiemos nossos campesinos, porém faz apenas três semanas que nos Estados Unidos duplicaram os subsídios de seus campesinos. Eles podem exportar trigo e cevada a uns preços que aqui não são compatíveis. Por isso, primeiro nós temos que resgatar nosso trabalho nacional, o de nossos operários e campesinos. Temos que reindustrializar o país com todo o trabalho que não só nos dá o mar, como em outras regiões. É que não entendo como Arauca ou o Meta não têm refinarias quando têm que despachar entre 1.700 e 2.000 carretas com petróleo cru até Barrancabermeja. É uma responsabilidade histórica que nos demonstra que este país não tem tido governantes.


E que lhes faz pensar que o país está preparado para eleger um governo de esquerda?


O mundo mudou. Este país leva dominado mais de dois séculos pelos partidos tradicionais, ponham-se o rótulo que ponham: Cambio Radical, Centro Democrático... todos são os mesmos. Porém, nós sabemos que o povo está inconformado, está cansado de tanta corrupção, porém não somente isso, de tanta ingovernabilidade, não se sabe governar e, ademais, isto está repleto de corrupção. Neste país todo mundo rouba, aqui chegam prefeitos pobres e saem milionários. E não se necessita ser inteligente para saber que ninguém se enriquece com um salário de prefeito ou de governador, inclusive de congressista. Essas coisas, o país tem que vê-las. Não estamos dizendo que o modelo que estamos propondo é o super eficiente, porém, sim, lhe garanto que será mais eficiente que outros. É fundamental que os cidadãos comecem a dar-se conta de que podem ser atores e beneficiários também. As estradas e as vias têm que ser feitas pela gente de cada povoado, é um dos requisitos para que não comecem a roubar outra vez as coisas. Antes, nos municípios se contratava a gente do povo, a maquinaria e as ruas ficavam asfaltadas, como sucedeu em alguns lugarejos em Arauca onde, hoje em dia, depois de 25 anos, as ruas estão perfeitas. Isso sucede porque não se dá a “contratitis” dos grandes senhores que passeiam por todo o país oferecendo dinheiro aos políticos para que continuem comprando votos. E isso é o que queremos acabar na Colômbia.


Num eventual governo de vocês, o processo de paz continuaria em Havana?


Haveria paz. Pela simples razão de que não somente se continuariam os diálogos em Havana como também que se incluiria o ELN nas conversações. E vamos até onde seja possível porque, veja, o problema da terra não é um problema difícil de resolver. Temos uma lei que não aplicamos e é a das Reservas Campesinas. É que este Congresso é especializado em fazer leis para que não se regulamentem como sucede com muitas outras.


Vocês insistem em revisar os Tratados de Livre Comércio?


Já o disse Clara López, o primeiro que faríamos no dia sete de agosto será instalar a comissão que revise os Tratados de Livre Comércio [TLCs], porque isso tem impedido que este país se desenvolva e tem feito com que muitos colombianos fiquem sem trabalho.


Têm pensado em fazer alianças para um segundo turno?


Não temos pensado em alianças. Pensamos que chegamos a um segundo
turno, e nesse segundo turno muitos colombianos vão se decidir por nossas teses porque são simples, fáceis de executar, desde que haja vontade política. Isso é o que tem faltado neste país para muitas coisas, como para fechar as veias da corrupção ligadas à “contratitis” e isso vai ter que se acabar.


...[Nós], As mulheres, vamos pôr ordem neste país e não só há que arrumar a casa, como também colocá-la decente, este país tem que saber que os 46 milhões de colombianos têm direito a aceder à riqueza nacional, e não só os de sempre. Aqui há dinheiro para todos, porém, em muitas das obras que se fazem na Colômbia, 90 por cento são roubados e só 10 por cento ficam para investimento. Vamos acabar com isso”.


...Neste país todo mundo rouba, aqui chegam prefeitos pobres e saem milionários. E não se necessita ser inteligente para saber que ninguém se enriquece com um salário de prefeito ou de governador, inclusive de congressista. Essas coisas, o país tem que vê-las. Não estamos dizendo que o modelo que estamos propondo é o super eficiente, porém, sim, lhe garanto que será mais eficiente que outros”.

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Equipe ANNCOL - Brasil
anncol.br@gmail.com
http://anncol-brasil.blogspot.com

Países da América Latina criarão mercado comum para impulsionar economias


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Mercosul, Unasul, ALBA, Celac e Petrocaribe fazem parte da iniciativa, que pretende incentivar produção sustentável na região


Países da América Latina, que compõem o Mercosul (Mercado Comum do Sul), a Unasul (União das Nações Sulamericanas), a Alba (Aliança Bolivariana para os Povos Americanos), a Celac (Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos) e a Petrocaribe criarão um mercado comum, na tentativa de impulsionar maior independência econômica para os países membros. O anúncio foi feito nesta segunda-feira (21/04) pelo ministro do Comércio Venezuelano, Dante Rivas. 

A iniciativa pretende incentivar a produção sustentável na região, fazendo da América Latina um mercado potente e facilitando as importações e exportações. “Vamos desenvolver um mercado Alba-Mercosul-Celac-Petrocaribe-Unasul potente e com grandes desafios positivos. Ajustamos mecanismos para consolidar as relações comerciais, nos fortalecendo, levando à prática a visão continental de Simón Bolivar”, disse Rivas.


O ministro também ressaltou, durante a reunião, a necessidade de impulsionar a participação da pequena e média indústria, para facilitar a independência produtiva, econômica e comercial da região. “Estamos iniciando uma etapa decisiva e madura, onde as experiências da última década se capitalizaram em todas as nações”, disse. Rivas também afirmou que esse passo é inevitável e que levará a um “destino seguro e feliz para todos”.


Entre as metas do projeto, está a necessidade de diminuir as diferenças entre ricos e pobres. Para Rivas, é preciso “encurtar as dramáticas brechas entre ricos, cada vez mais ricos, e os pobres que surgem formando uma potente classe média trabalhadora”. 

Durante a primeira reunião de ministros da Economia, Comércio e Indústria da Celac, realizada em abril deste ano, a Venezuela já havia proposto o desenvolvimento de uma produção sustentável na América Latina, recordou Rivas. Segundo ele, a utilização do poder de compra do Estado será um mecanismo para desenvolver as pequenas e médias indústrias.