"A LUTA DE UM POVO, UM POVO EM LUTA!"

Agência de Notícias Nova Colômbia (em espanhol)

Este material pode ser reproduzido livremente, desde que citada a fonte.

A violência do Governo Colombiano não soluciona os problemas do Povo, especialmente os problemas dos camponeses.

Pelo contrário, os agrava.


domingo, 3 de maio de 2015

Encontro de solidariedade a Cuba pede fim do bloqueio imperialista

A presidenta do Instituto Cubano de Amizade com os Povos (Icap), Kenia Serrano, chamou neste sábado (2) a multiplicar os esforços na luta pelo fim do bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos à ilha caribenha.


Ao fazer uso da palavra durante o Encontro Internacional de Solidariedade a Cuba, que se realiza no Palácio das Convenções, em Havana, Kenia Serrano explicou que o regresso dos cinco antiterroristas a sua pátria não pode desmobilizar as forças amigas da nação antilhana.

A causa dos Cinco - como são chamados Renê González, Fernando González, Antonio Guerrero, Antonio Labañino e Gerardo Hernández – concentrou a maior parte da energia dos movimentos de solidariedade com nosso país, explicou Kenia no ato do primeiro vice-presidente cubano, Miguel Díaz-Canel.

Mas sua volta ao país não nos pode deter, pois necessitamos do clamor mundial para recuperar o território cubano que a base naval de Guantânamo ocupa de maneira ilegal, indicou Kenia Serrano perante mais de mil participantes de 70 nações.

Será necessário – assinalou - que os amigos de Cuba difundam a realidade da ilha como o exercício dos direitos humanos e o alcançado pela sociedade civil, assim como denunciar as campanhas midiáticas contra o país caribenho.

A presidenta do Icap qualificou de exitoso o apoio brindado a Cuba e a despeito da diversidade de ideias e opiniões políticas sempre se consegue concertar ações para a luta.

Por sua parte, o secretário geral da Central dos Trabalhadores de Cuba, Ulises Guilarte, destacou a valentia dos presentes na reunião e agradeceu seu apoio incondicional e solidário.

Hoje lhes pedimos - disse Guilarte - seu apoio na exigência da eliminação do bloqueio imposto por Washington, que ao contrário do que a manipulação midiática quer transmitir, continua intacto, sobretudo naqueles aspectos que mais afetam os cubanos.

Com Cubadebate

sábado, 2 de maio de 2015

FARC-EP respondem ao Procurador Ordóñez

Fumigações com glifosato não cabem dentro de nova política antidrogas”

Por intermédio do Comandante Joaquín Gómez, as FARC-EP relembraram ao Procurador Ordóñez que a política antidrogas promovida pelo Estado fracassou, que os principais beneficiários dos cultivos de coca não são os campesinos que a cultivam mas sim os bancos nacionais e estrangeiros que ficam com algo mais de 80% dos lucros do negócio. Assinalou, ademais, que nas últimas décadas todas as campanhas presidenciais foram financiadas com dinheiros do narcotráfico.

“Se efetivamente houve uma solicitação de suspender o uso do glifosato por parte do governo no que concerne à luta contra as drogas de uso ilícito, as FARC saudamos esta determinação, assim não tenha surgido como produto das conversações de Havana, pois está claro que em relação com tal assunto especificamente, há uma divergência central com os delegados do Presidente Santos”, manifestou o comandante Gómez.

Denunciou que estas fumigações têm feito um dano terrível ao ecossistema e prejudicado gravemente aos campesinos, e assinalou que a nova política antidrogas deve basear-se nos direitos humanos; ademais, a erradicação deve ser combinada e acompanhada de projetos de desenvolvimento.

“Pensamos que, se de verdade quer contribuir para A Paz da Colômbia, o qual se nos apresenta como bastante duvidoso, deveria propender para que o acordo parcial de Havana nesta matéria tome imediata aplicação no território nacional, contando com que as FARC-EP têm a absoluta disposição para contribuir na aplicação do mesmo”, foi a última mensagem que o comandante Joaquín Gómez enviou ao Procurador Ordóñez.
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Equipe ANNCOL - Brasil

25 doenças que podem ser causadas pelo agrotóxico glifosato

A Monsanto investiu no herbicida glifosato e o levou ao mercado com o nome comercial de Roundup em 1974, após a proibição do DDT. Mas foi no final dos anos 1990 que o uso do Roundup se massificou graças a uma engenhosa estratégia de marketing da Monsanto. A estratégia? Sementes geneticamente modificadas para cultivos alimentares que podiam tolerar altas doses de Roundup.

Com a introdução dessas sementes geneticamente modificadas, os agricultores podiam controlar facilmente as pragas em suas culturas de milho, soja, algodão, colza, beterraba açucareira, alfafa; cultivos que se desenvolviam bem enquanto as pragas em seu redor eram erradicadas pelo Roundup.

Ansiosa por vender seu emblemático herbicida, a Monsanto também incentivou os agricultores a usar o Roundup como agente dessecante, para secar seus cultivos e assim fazer a colheita mais rapidamente. De modo que o Roundup é usado rotineira e diretamente em grande quantidade de cultivos de organismos não modificados geneticamente, incluindo trigo, cevada, aveia, colza, linho, ervilha, lentilha, soja, feijão e beterraba açucareira.

Entre 1996 e 2011, o tão difundido uso de cultivos de Organismos Geneticamente Modificados (OGM) Roundup aumentou o uso de herbicidas nos Estados Unidos em 243 milhões de quilogramas – ainda que a Monsanto tenha assegurado que os cultivos de OGM reduziriam o uso de pesticidas e herbicidas.

A Monsanto falsificou dados sobre a segurança do Roundup e o vendeu para departamentos municipais de parques e jardins e também a consumidores como sendo biodegradável e estando de acordo com o meio ambiente, promovendo seu uso em valetas, parques infantis, campos de golfe, pátios de escola, gramados e jardins privados. Um tribunal francês sentenciou que esse marketing equivalia a publicidade enganosa.

Nos quase 20 anos de intensa exposição, os cientistas documentaram as consequências para a saúde do Roundup e do glifosato na comida, na água potável, no ar e nos lugares em que as crianças brincam.

Descobriram que as pessoas doentes têm maiores níveis de glifosato em seu corpo do que as pessoas sadias. Também encontraram os seguintes problemas de saúde que eles atribuem à exposição ao Roundup e/ou ao glifosato:

1)  TDHA: nas comunidades agrícolas, existe uma forte relação entre a exposição ao Roundup e o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade, provavelmente devido à capacidade do glifosato de afetar as funções hormonais da tireoide.

2)  Alzheimer: no laboratório, o Roundup causa o mesmo estresse oxidativo e morte de células neurais observados no Alzheimer. Isso afeta a CaMKII, uma proteína cuja desregulação também foi associada à doença.

3)  Anencefalia (defeito de nascimento): uma pesquisa sobre os defeitos no tubo neural de bebês cujas mães viviam em um raio de mil metros de distância de onde se aplicava o pesticida mostrou uma associação entre o glifosato e a anencefalia; a ausência de uma grande porção do cérebro, do crânio e do pericrânio formado durante o desenvolvimento do embrião.

4)  Autismo: o glifosato tem um número de efeitos biológicos alinhados a conhecidas patologias associadas ao autismo. Um desses paralelismos é a disbiose observada em crianças autistas e a toxicidade do glifosato para bactérias benéficas que combatem bactérias patológicas, assim como a alta resistência de bactérias patógenas ao glifosato. Além disso, a capacidade do glifosato de facilitar a acumulação de alumínio no cérebro poderia fazer deste a principal causa de autismo nos EUA.

5) Defeitos de nascença: o Roundup e o glifosato podem alterar a vitamina A (ácido retinoico), uma via de comunicação celular crucial para o desenvolvimento normal do feto. Os bebês cujas mães viviam em um rádio de 1 km em relação a campos com glifosato tiveram mais que o dobro de possibilidade de ter defeitos de nascença segundo um estudo paraguaio. Os defeitos congênitos se quadruplicaram na década seguinte a que os cultivos com Roundup chegaram ao Chaco, uma província da Argentina na qual o glifosato é utilizado entre 8 e 10 vezes mais por acre do que nos EUA. Um estudo em uma família agricultora nos EUA documentou elevados níveis de glifosato e defeitos de nascença em crianças, tais como ânus não perfurados, deficiências no crescimento hormonal, hipospádias (relacionada à normalidade da abertura urinária), defeitos no coração e micropênis.

6) Câncer cerebral: em um estudo comparativo entre crianças sadias e crianças com câncer cerebral, os pesquisadores detectaram que, se um dos pais estivera exposto ao Roundup dois anos antes do nascimento da criança, as possibilidades de ela desenvolver câncer no cérebro dobravam.

7) Câncer de mama: o glifosato induz o crescimento de células cancerígenas no peito por meio de receptores estrógenos. O único estudo em animais a longo prazo de exposição ao glifosato produziu ratas com tumores mamários e reduziu a expectativa de vida.

8) Câncer: pesquisas de porta em porta com 65 mil pessoas em comunidades agrárias da Argentina nas quais o Roundup foi utilizado – conhecidas como cidades fumigadas – mostraram médias de câncer entre duas e quatro vezes maiores do que a média nacional, com altos índices de câncer de mama, próstata e pulmão. Em uma comparação entre dois povos, naquele em que o Roundup fora aplicado, 31% dos moradores tinham algum familiar com câncer, ao passo que só 3% o tinham em um povoado sem Roundup. As médias mais elevadas de câncer entre as pessoas expostas ao Roundup provavelmente surgem da reconhecida capacidade do glifosato de induzir danos ao ADN, algo que foi demonstrado em inúmeras pesquisas de laboratório.

9) Intolerância ao glúten e doença celíaca: peixes expostos ao glifosato desenvolveram problemas digestivos que são reminiscentes da doença celíaca. Existem relações entre as características da doença celíaca e os conhecidos efeitos do glifosato. Isso inclui desajustes nas bactérias das tripas, deslocamento de enzimas implicadas na eliminação de toxinas, deficiências minerais e redução dos aminoácidos.

10) Doença crônica nos rins: os aumentos no uso do glifosato poderiam explicar as recentes ocorrências de falências renais entre os agricultores da América Central, do Sri Lanka e da Índia. Os cientistas concluíram que, “embora o glifosato por si só não provoque uma epidemia de doença renal crônica, parece que ele adquiriu a capacidade de destruir os tecidos renais de milhares de agricultores quando forma complexos com água calcária e metais nefrotóxicos”.

11) Colite: a toxidade do glifosato sobre bactérias benéficas que eliminam a clostridia, assim como a alta resistência da clostridia ao glifosato, poderia ser um fator significativo na predisposição ao sobrecrescimento da clostridia. O sobrecrescimento da clostridia, especialmente da colite pseudomembranosa, foi comprovado como causa da colite.

12) Depressão: o glifosato altera os processos químicos que influem na produção da serotonina, um importante neurotransmissor que regula o ânimo, o apetite e o sono. O desajuste da serotonina é vinculado à depressão.

13) Diabetes: Os níveis baixos de testosterona são um fator de risco para o tipo 2 de diabetes. Ratos alimentadas com doses significativas de Roundup em um período de 30 dias, abrangendo o começo da puberdade, tiveram uma redução na produção de testosterona suficiente para alterar a morfologia das células testiculares e o início da puberdade.

14) Doença cardíaca: o glifosato pode alterar as enzimas do corpo, causando disfunção lisossomal, um fator importante nas doenças e falências cardíacas.

15) Hipotireoidismo: uma pesquisa realizada de porta em porta com 65 mil pessoas em comunidades agrícolas na Argentina nas quais se usa o Roundup encontrou médias mais elevadas de hipotireoidismo.

16) Doença inflamatória intestinal: o glifosato pode induzir a deficiência severa do triptófano, que pode levar a uma grave doença inflamatória intestinal que desajusta severamente a capacidade de absorver nutrientes por meio do aparato digestivo devido à inflamação, hemorragias ou diarreia.

17) Doença hepática: doses muito baixas do Roundup podem alterar as funções das células no fígado, segundo um estudo publicado em 2009 na “Toxicology”.

18) Doença de Lou Gehrig: a deficiência de sulfato no cérebro foi associada à Esclerose Lateral Amiotrófica. O glifosato altera a transmissão de sulfato do aparelho digestivo ao fígado, e poderia levar a uma deficiência de sulfato em todos os tecidos, incluindo o cérebro.

19) Esclerose múltipla: encontrou-se uma correlação entre uma incidência aumentada de inflamação de intestino e a Esclerose Múltipla. O glifosato poderia ser um fator causal. A hipótese é que a inflamação intestinal induzida pelo glifosato faz com que bactérias do aparelho digestivo se infiltrem no sistema circulatório, ativando uma reação imune e, como consequência, uma desordem autoimune, resultando na destruição da bainha de mielina.

20) Linfoma Não-Hodgkin: uma revisão sistemática e uma série de meta-análises de quase três décadas de pesquisas epidemiológicas sobre a relação entre o linfoma não-hodgkin e a exposição a pesticidas agrícolas concluiu que o linfoma de célula B tinha uma associação positiva com o glifosato.

21) Doença de Parkinson: os efeitos danosos dos herbicidas sobre o cérebro foram reconhecidos como o principal fator ambiental associado a desordens neurodegenerativas, incluindo a doença de Parkinson. O início de Parkinson após a exposição ao glifosato foi bem documentado, e estudos em laboratório mostram que o glifosato provoca morte celular característica da doença.

22) Problemas na gravidez (infertilidade, morte fetal, aborto espontâneo): o glifosato é tóxico para as células da placenta, o que, segundo os cientistas, explicaria os problemas na gravidez de trabalhadoras agrícolas expostas ao herbicida.

23) Obesidade: uma experiência consistente na transmissão de uma bactéria do aparelho digestivo de um humano obeso para os aparelhos digestivos de ratos provocou obesidade nos ratos. Tendo o glifosato produzido uma mudança nas bactérias do aparelho digestivo de produtores de endotoxinas, a exposição ao glifosato poderia, dessa forma, contribuir com a obesidade.

24) Problemas reprodutivos: estudos de laboratório em animais concluíram que os ratos machos expostos a altos níveis de glifosato, tanto no desenvolvimento pré-natal ou da puberdade, padecem de problemas reprodutivos, incluindo o atraso na puberdade, a baixa produção de esperma e a baixa produção de testosterona.

25) Doenças respiratórias: as mesmas pesquisas com 65 mil pessoas na Argentina descobriram médias mais elevadas de doenças respiratórias crônicas.

Fonte: MST

40 anos da libertação de Saigon - A vitória contra contra dois impérios


Leneide Duarte-Plon


Dividir para dominar foi sempre o lema das grandes potências em todo o planeta. No Vietnã não foi diferente. No fim da guerra da Indochina, em 1954, a França perdeu sua colônia que, pelos acordos assinados em Genebra, passou a se chamar Vietnã, dividido em dois países – o Norte, comunista, e o Sul, sob a égide dos ocidentais. O exército francês capitulou diante da bravura do inimigo, que o venceu na batalha de Dien Bien Phu. As bombas de Napalm, fornecidas pelos americanos, foram utilizadas pela primeira vez pelos franceses na Indochina. Mesmo assim, a guerrilha dos aguerridos combatentes viet-mihn derrotou o antigo colonizador.
 
No ano seguinte, a guerra recomeçaria opondo o Exército Popular Vietnamita da República Democrática do Vietnã (Norte), governada por Ho Chi Minh, ao Vietnã do Sul, governado por um regime fantoche aliado dos Estados Unidos. Começava a Guerra do Vietnã, também conhecida como a Segunda Guerra da Indochina.
 
O povo vietnamita comemorou dia 30 de abril com uma grande parada em Ho Chi Minh-Ville (antiga Saigon) os 40 anos da tomada de Saigon, que culminou com a reunificação do país. Durante as comemorações o primeiro-ministro Nguyen Tan Dung denunciou os « crimes bárbaros » cometidos pelos Estados Unidos em seu país. Em 30 de abril de 1975, a entrada do exército do Norte na capital do Sul selou a unidade, sob um regime comunista que dura até hoje.
 
Nos anos 1950 e 1960, em plena guerra fria, para os Estados Unidos como para a França, a luta contra a “subversão comunista”, exportada pelo trio diabólico – URSS, China e Cuba – era um imperativo geopolítico. Daí a união de forças. Durante a guerra colonial na Indochina, 75% do equipamento do exército francês tinha origem norte-americana, segundo o historiador Alain Ruscio. Ele escreveu que os franceses foram os primeiros a usar o Napalm para bombardear o Exército Popular vietnamita, o Viet-minh.
 
Nos anos 60, a direita fascista francesa não perdoou ao filósofo Jean-Paul Sartre suas denúncias da tortura na Argélia, onde os bravos militares franceses queimavam vivos os muçulmanos suspeitos de ajudar a Frente de Libertação Nacional. O apartamento de Sartre foi atingido por uma bomba e o movimento de ex-combatentes pediu seu fuzilamento. Anos antes, na Indochina, o mesmo exército do “país dos direitos humanos” decapitara inúmeros viet-congs na guerra da Indochina.
 
Em matéria de barbárie, os fundamentalistas do Estado Islâmico não têm muito a ensinar...
 
A guerra contra dois impérios
 
O Vietnã de hoje é o resultado de 30 anos de guerra permanente contra duas potências ocidentais. Treinados pela China, de quem o líder comunista Ho Chi Minh era aliado, os combatentes vietnamitas, lutando numa guerra de guerrilha, humilharam a França em 1954 e, em 1973, levaram os americanos a se retirarem unilateralmente. Mas foi apenas a tomada de Saigon que marcou o fim da guerra, que continuou como uma guerra civil.
 
As potências ocidentais e seus aliados foram definitivamente vencidos graças ao gênio de Ho Chi Minh e de seu braço direito, o general Giap, que comandavam a Frente Nacional de Libertação do Vietnã do Sul (chamado de Viet Cong), apoiados pela China e pelos países comunistas do Leste da Europa. No Sul, a República do Vietnã (Vietnã do Sul) era sustentada militarmente pelos Estados Unidos apoiados por aliados (Austrália, Coreia do Sul, Tailândia e Filipinas).
 
No Vietnã, até a retirada unilateral e os acordos de Paz de Paris de janeiro de 1973, assinados entre Henry Kissinger e Le Duc Tho, os Estados Unidos tentavam barrar o avanço do comunismo. A terrível guerra do Vietnã deixou sequelas duradouras nos dois povos : mais de 1 milhão de combatentes vietnamitas e 2 milhões de civis mortos. Do lado americano a guerra matou 58.177 soldados e fez 153.303 feridos.
 
No Sudeste asiático, os Estados Unidos despejaram 7,08 toneladas de bombas (na Segunda Guerra Mundial os aliados jogaram menos da metade, 3,4 toneladas), destruíram as plantações e as armas como o Napalm e o agente laranja deixaram um saldo de terríveis doenças transmitidas de geração em geração.
 
Mulher de Giap morta sob tortura
 
O ano de 2013 marcou com um ponto final parte do passado colonial da França. Naquele ano morreram o general vietnamita Vo Nguyên Giap, aos 102 anos, o jornalista francês Henri Alleg, aos 92, e o general francês Paul Aussaresses, aos 95. Os três foram personagens primordiais na história da descolonização francesa. O “país dos direitos humanos” viu seu império colonial desmoronar no século 20, com as guerras de independência da Indochina e da Argélia, das quais os três homens foram protagonistas.
 
O jornalista e militante comunista Henri Alleg e o general Paul Aussaresses viveram pouco mais de nove décadas e estiveram em campos opostos na guerra de independência da Argélia. Quanto ao centenário general Vo Nguyên Giap, ele foi o grande herói do povo vietnamita, responsável pela vitória contra os franceses e, posteriormente, contra os americanos, ambos muito mais numerosos e mais fortes.
 
Morto em 4 de outubro de 2013, o general Vo Nguyên Giap foi um dos maiores estrategistas e líderes militares do século 20. Em maio de 1954, à frente dos guerrilheiros vietnamitas, o famoso Exército Popular Vietminh, criado no fim da Segunda Guerra Mundial, Giap expulsou os militares franceses definitivamete do território que a França chamava “Indochina francesa”, na famosa batalha de Dien Bien Phu, de triste memória para os franceses. Não é à toa que os jornais franceses não tocaram trombetas para anunciar os 40 anos da Libertação de Saigon. Aliás, todos eles, exceto o cumunista L’Humanité, escreveram Libertação de Saigon entre aspas.
 
A um jornalista francês, Giap contou: “Na batalha de Dien Bien Phu, para transportar um quilo de arroz aos soldados que faziam o cerco, era preciso consumir quatro no trajeto. Para fazer chegar ao local as armas, munições e os alimentos, utilizamos 260 mil pessoas, mais de 20 mil bicicletas, 11.800 balsas, 400 caminhões e 500 cavalos”. As armas eram desmontadas para serem remontadas no destino. A densa floresta tropical, perfeitamente conhecida pelos guerrilheiros, servia de proteção para os nativos e de armadilha para os franceses. Como o frio da Rússia foi uma armadilha para as tropas de Napoleão, cujas batalhas foram minuciosamente estudadas por Giap.
 
Em 1940, durante a época colonial da Indochina francesa, a mulher de Giap, militante comunista como o marido, fora barbaramente torturada pelos militares franceses. Seu marido havia viajado à China para encontrar-se com o líder vietnamita Ho Chi Minh, refugiado naquele país. A história oficial do colonizador atribuiu a morte da mulher de Giap a um suicídio, tática empregada posteriormente na Argélia pelos mesmos militares franceses para justificar mortes sob tortura.

sexta-feira, 1 de maio de 2015

COLÔMBIA: O MAIOR OBSTÁCULO PARA UM ACORDO DE PAZ É O INTERESSE GEOESTRATÉGICO DOS EUA

Em 2001, o doutor e antropólogo Alberto Pinzón Sánchez formou parte de uma comissão encarregada de assentar as bases para uns acordos de paz entre a guerrilha das FARC e o governo de Andrés Pastrana. Uma década depois, os atuais diálogos em Havana parecem oferecer a esperança de pôr termo ao conflito armado mais longo na América Latina.

Que riscos continuam estando presentes no processo de resolução do conflito? Atualmente exilado na Europa, Alberto Pinzón Sánchez nos ajuda a entender o que está em jogo em Havana através de um olhar pleno de compromisso pelo futuro de seu país.
Alex Anfruns: Em 2001, sua nomeação para uma comissão com o nobre objetivo de assentar as bases para os diálogos de paz em San Vicente del Caguán e resolver o conflito em Colômbia terminaram lhe valendo a perseguição política e o exílio. Você pode explicar-nos que pretexto se utilizou com essa finalidade?

Alberto Pinzón Sanchez:
Sim. Obrigado por colocar-me em contato com teus leitores e permitir-me informar em primeira mão sobre o acontecido: Como é sabido, a comissão de 4 membros nomeada pela mesa do Caguán esteve integrada pelo magistrado Vladimiro Naranjo, pela dona do jornal El Colombiano de Medellín, pelo diretor do diário alternativo Voz Carlos Lozano e eu; tínhamos a missão de formular recomendações para diminuir a intensidade do conflito e para terminar o fenômeno do paramilitarismo, que nesse momento e como parte oficial integrante do Plan Colômbia vinha promovendo uma ofensiva político-midiática e de terror para cooptar definitivamente a totalidade do Estado.
Efetivamente, é o que sucedeu um ano depois com a chegada de Uribe Vélez à presidência da Colômbia. Obviamente, nossas recomendações, as quais hoje, depois de 14 anos, encontro totalmente vigentes, não agradaram ao Bloco de Poder Contra Insurgente Dominante em Colômbia que havia proposto os diálogos de paz do Caguán como uma tomada de ar político para promover o rearmamento militar do exército e da polícia da Colômbia, contemplado no Plan Colômbia, o qual foi aprovado entre Clinton e Pastrana em 1997, um ano antes do início dos diálogos de paz. Olhando isto hoje, se pode dizer que, à luz do Direito Internacional Humanitário, foi uma violação que o governo Pastrana fez, chamada “perfídia”. Então, o chefe máximo dos Paramilitares Carlos Castaño iniciou uma ofensiva midiática para deslegitimar a comissão em seu conjunto em especial, como ameaçou na página 312 de seu libro “Mi confesión” [“Minha confissão”] contra mim por considerar-me “um porta-voz do Comandante Alfonso Cano”. Às ameaças pela internet, seguiram tentativas reais de acabar com minha vida e me obrigaram a exilar-me na Europa em busca de refúgio, onde me encontro há 13 anos sem poder regressar ao meu lar em Colômbia.
Pode-se constatar que a repressão de caráter político que dura há décadas em Colômbia não só continua se produzindo como também evoluiu para formas de castigo preventivo, conduzindo a um elevado número de prisioneiros políticos, ao caso extremo dos “falsos positivos” e ao descobrimento de numerosas fossas comuns. Os perigos que espreitam ao povo colombiano continuam sendo, portanto, consideráveis. Que passos considera você que sejam chaves no desmantelamento da impunidade judicial?
Sim, as cifras de 70 anos do chamado conflito interno colombiano, que não é outra coisa senão uma “guerra suja contra insurgente promovida pelo Bloco de Poder Contra Insurgente Dominante em Colômbia” [BPCID] são aterradoras: Mais de um milhão de mortos, a maioria deles fuzilados pelo aparato repressivo do regime. Mais de 4 milhões de deslocados internos, aos quais se lhes arrebatou 5 milhões de hectares de terra cultivável. Uma expulsão de mais 5 milhões de imigrantes econômicos e exilados políticos em diversos países do mundo e que o regime chama piedosamente de “a diáspora colombiana”.
O extermínio de 5.000 quadros políticos do partido de Esquerda União Patriótica. Cerca de 2.000 casos dos chamados “falsos positivos” causados pelo exército colombiano e que é a forma mais inumana e cruel da luta de classes conhecida no mundo. E de momento 90 mortos assassinados do Movimento Social e Político, em especial da Marcha Patriótica; e que conste que não mencionamos nem aos professores, nem aos sindicalistas, nem aos líderes comunitários, nem aos mendigos, nem dependentes de drogas, nem os transformistas sexuais etc., vítimas invisíveis do que em Colômbia se chama da “limpeza social de descartáveis”. Acrescentemos a estas cifras macabras 9.500 presos políticos que estão apodrecendo amontoados nas masmorras do regime.
Obviamente, tudo isto tem sido possível pela impunidade judicial que em Colômbia alcança a aberrante cifra de 97%. Este é a voo de pássaro o macabro inferno do Terror do Estado, chamado eufemisticamente pelo regime de “conflito colombiano’.
Se temos em conta a longa história do conflito, assim como as consequências paradoxais porém significativas de sua própria experiência pessoal, pareceria precipitado sacar conclusões esperançosas. Qual é a responsabilidade do governo acerca do fenômeno do paramilitarismo? e quais são os principais interesses que estão em jogo, cujo peso tenha influído historicamente de maneira mais decisiva no bloqueio de uma solução pacífica?
O paramilitarismo é uma roda dentada a mais da grande e terrorífica máquina repressiva punitiva e de disciplinamento social que se chama Bloco de Poder Contra Insurgente Dominante em Colômbia [BPCID] construído há cerca de 70 anos e que tem várias rodas dentadas mais, como por exemplo:
1 – O exército e a polícia ou Força Pública.
2 – As companhias multinacionais como Chiquita, Drummond, Coca Cola, Oxy, BP, Repsol e outras multinacionais mineiro-energéticas.
3 – As bases militares dos EUA onde operam militares e agentes de inteligência “oficiais” estadunidenses, junto com “intermediários privados de mercenários” como a DynCorp.
4 – Os chamados grupos econômicos dos cacaus, como o grupo Bavaria, grupo Ardila Lulle, grupo Sarmiento Angulo, Grupo Antioquenho.
5 – As associações gremiais como Fedegán, Sac, Augura, Andi, Fedemetal, Fenalco, Asobancaria agrupados no “conselho gremial nacional”.
6 – O chamado Estado Nacional através de suas três ramificações: a esfera executiva, a esfera legislativa ou parapolítica e a esfera judicial encarregada de produzir a impunidade e a judicialização a que nos referimos anteriormente.
7 – O oligopólio dos meios de comunicação da família Santos e dos grupos espanhóis Prisa e Planeta.
8 – Os Narcotraficantes e lavadores de dólares a nível nacional, regional e local.
9 – As classes subalternas como pequenos comerciantes, empregados, jornalistas, profissionais independentes, médios proprietários, transportadores, desempregados, comerciantes informais e lumpens, que se submeteram ou foram cooptados.
10 – A casta política ou parapolítica com todas as suas imbricações regionais e locais. Todo este Bloco dominante é coordenado e dirigido pela fração hegemônica da oligarquia que agora mesmo se encontra numa aguda disputa de frações entre Santos e Uribe por sua supremacia.
Em resumo, o principal obstáculo é o interesse Geo-Estratégico que os EUA têm sobre a Colômbia e a área do Caribe. Depois lhe seguem os interesses concretos de cada uma das rodas dentadas do Bloco do Poder Contra Insurgente [BPCI] do qual formam parte essencial os EUA.
Que condições pensa que devam ser respeitadas para que a guerrilha das FARC, após decidir por uma trégua unilateral, tenha oportunidades para sua reconversão como oposição política no jogo democrático?
Creio que a questão não é armas por política, mas sim armas por reformas básicas. Agora bem, todos estes detalhes parece que são as curvas do acordo que se está construindo em Havana.
Que mecanismos considera que permitiriam tomar um maior protagonismo ao povo colombiano, fazendo prevalecer os interesses da maioria acima dos da oligarquia?
Sem dúvida alguma, a mais ampla e democrática participação popular que se concentraria numa Assembleia Nacional Constituinte.
Segundo seu ponto de vista, que fases deveriam ser privilegiadas doravante na consolidação de um processo de paz justo e duradouro?
Primeiro, uma trégua bilateral com a criação de um clima favorável e democrático de verdadeira discussão popular sobre as reformas básicas que o povo trabalhador colombiano necessita e quer, para depois desembocar na Assembleia Nacional Constituinte.


Fonte: Diario de Nuestra América, Investig’Action


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Equipe ANNCOL - Brasil