"A LUTA DE UM POVO, UM POVO EM LUTA!"

Agência de Notícias Nova Colômbia (em espanhol)

Este material pode ser reproduzido livremente, desde que citada a fonte.

"De que vale a vida se quando a temos ela parece morta. A vida é para ser senirmos, para vibrar, para lutar, para combater. Isso justifica nossa passagem pela Terra." (Jaime Pardo Leal)


terça-feira, 29 de julho de 2014

O verdadeiro enfoque do ponto sobre as vítimas



Na Mesa de Conversações de Havana não contamos com mais forças que a das ideias, nem com mais armas que a da verdade.
Por Timoleón Jiménez, Comandante-Chefe das FARC
O tema de vítimas que será discutido proximamente na Mesa de Conversações de Havana gerou um bombardeio enorme contra as FARC-EP na grande imprensa. Inclusive, os que se esforçam por serem neutros, após advertir que a responsabilidade dos agentes estatais comprometidos judicialmente em condutas ilícitas também deve ser assinalada, terminam fazendo parte do coro geral segundo o qual os piores delinquentes somos nós.
Entre suas principais avaliações figura, sem dúvida, que a responsabilidade dos agentes do Estado tenderá sempre a ser individualizada, ovelhas negras ou bodes expiatórios, pelos quais o próprio Estado talvez, como pena máxima, será obrigado a responder patrimonialmente e a pedir perdão quanto a omissões ou erros, sem que isso implique nenhuma consequência jurídica ou política. Um dinheiro e uma placa para a memória bastarão para que nada mude em Colômbia.
Do lado do poder, desde logo. Porque do lado da rebeldia, sim, que haverá terminado tudo para sempre. Porque todos a uma partem de que nela as responsabilidades individuais não existem, pertencem a toda a organização e em graça de discussão a seus mandos ou dirigentes principais. Eles pessoalmente deverão dar cara a suas vítimas, contar-lhes toda a verdade, pedir perdão por seus crimes e aceitar cabisbaixos a pena mais ou menos generosa da sociedade condoída.
Todo o Estabelecimento aposta que seremos feitos picadinho. Desde já convidam o grande público à praça, a presenciar o espetáculo de ver arder na fogueira os piores inimigos da pátria. Assim que a questão para nós não é fácil, se trata em realidade de outro cenário do combate, tão desigual e assimétrico como o que se apresenta nos campos do país. Na Mesa não contamos com mais força que a das ideias, nem com mais armas que a da verdade.
Sabemos que farão quanto esteja ao seu alcance para silenciar-nos, para obscurecer os depoimentos que lhes resultem incômodos, para maximizar quanto resulte útil a seus propósitos. Porém, nos anima que não se trata de um debate inócuo entre a palavra deles e a nossa, senão que de uma exposição de fatos cumpridos, uma reconstrução histórica das origens e realidades do conflito, elaborada em conjunto com o povo colombiano, e na qual não temos nada que temer.
Somos guerrilheiros colombianos, militantes ativos de uma organização revolucionária que recém cumpriu cinquenta anos de luta invencível. Nos sentimos orgulhosos disso, não nos arrependemos nem sequer por um instante do feito. E jamais vamos fazê-lo. Porque nascemos e crescemos neste país que amamos como a nossa mãe, e ao qual desgraçadamente temos visto banhado em sangue e perseguições desde nossa infância. É isso o que combatemos sempre.
Poderosos terra-tenentes que contaram sempre com homens armados a soldo para impor sua vontade e desterrar pequenos proprietários de terras que cobiçavam para eles. Chefes políticos liberais e conservadores acostumados a exercer poder absoluto em regiões inteiras, dispostos a qualquer coisa para impedir o desenvolvimento de outras alternativas políticas. Abastados empresários incomodados com a organização sindical de seus trabalhadores e pagando por sua eliminação.
Reputadas companhias transnacionais subornando altos funcionários estatais com o objetivo de obter as melhores condições para o saqueio dos recursos do país, inimigas por convicção de qualquer indício de luta por condições dignas entre seus trabalhadores. Comandantes militares e chefes policiais corruptos sempre prestes a pôr suas tropas a serviço da causa de tais empresas, de tais terra-tenentes, de tais chefes políticos e de sua própria avareza.
O poder imperial dos Estados Unidos defendendo sua hegemonia no continente mediante intervenções e pactos militares, que sujeitaram a seus interesses as forças militares e policiais colombianas. Generais e tropas convencidos de que os partidos e movimentos de oposição, as organizações sociais e populares e qualquer outra expressão de inconformidade equivaliam a subversão a serviço da União Soviética, pelo que havia que exterminá-los a todos.
Preceitos constitucionais como o Estado de Sítio, ou legais como a justiça penal militar aplicada a civis, ou de defesa nacional que autorizam e desenvolvem a criação dos grupos paramilitares em Colômbia, sob a condução direta de mandos militares, tudo isso existiu em nosso país, e se prolongou com outras formas até nossos dias, desde muito antes de que houvesse brotado o primeiro movimento alçado em armas contra o Estado.
O regime antidemocrático e excludente característico de tão impudica confluência, que garantiu sempre o enriquecimento crescente e os privilégios a uma elite econômica, política e militar, e que se encarregou de abrir uma brecha de iniquidade social assombrosa, precisou da violência e a alimentou em proporções aterradoras, para manter-se inalterável e deter a geração de movimentos e grupos políticos que pudessem significar uma séria competição.
Por isso o crime de Jorge Eliécer Gaitán e a matança de quase meio milhão de colombianos na década dos cinquenta; por isso a presença absurda do Exército Nacional combatendo na Coréia, e sua conversão ao regressar ao país em força de choque mortal contra o comunismo e qualquer de seus supostos aliados; por isso a guerra declarada contra Villarrica e mais tarde contra as chamadas repúblicas independentes de Marquetalia, Riochiquito e demais.
Por isso a selvagem repressão contra as zonas rurais, dos sicários contra o movimento sindical e popular; por isso o florescimento das poderosas máfias do narcotráfico, sempre à sombra dos chefes políticos mais importantes do país, até o ponto de discutir-se hoje se foi que as máfias cooptaram os partidos políticos tradicionais ou estes aos narcotraficantes. Por isso também a aliança entre os grandes capos e altos mandos militares e policiais.
Por isso o extermínio miserável da União Patriótica e grande parte da direção política e social de oposição no país. Por isso a expansão do paramilitarismo com seus horrores hoje tão convenientemente lançados ao esquecimento, considerados já julgados próximos à reivindicação política. Por isso os espantosos massacres, os despedaçados com as motosserras, os lançados aos jacarés, as casas onde esquartejam as vítimas. Por isso os mais de seis milhões de deslocados e desterrados.
Por combater esse regime de terror estatal que deve se acabar, milhares e milhares de filhas e filhos deste povo entregam suas vidas nos campos e cidades da Colômbia. Milhares foram parar nos cárceres, milhares foram desaparecidos para sempre, devorados pelas torturas e pela brutalidade. Milhares estão inválidos, mutilados, escondidos para sempre dos sabujos do crime. Esses são as guerrilheiras e os guerrilheiros colombianos que Santos e Uribe sonham ter no pelourinho público.
Não vai e lhes saia o tiro pela culatra.
Montanhas de Colômbia, 26 de julho de 2014.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Pela suspensão do tratado de livre comércio do Mercosul com Israel


Por Emir Sáder

Em 2010 o Mercosul assinou um Tratado de Livre Comércio com Israel. Foi o primeiro Tratado desse tipo assinado pelo Mercosul com um país de fora da América Latina.
Foram exaltadas as boas perspectivas econômicas que o intercâmbio traria, sem nenhum outro tipo de consideração, de ordem política ou moral. Mas chegou o momento de colocar em discussão a pertinência desse Tratado, justamente quando na próxima terça-feira se reúne o Mercosul em Caracas e o tema da condenação de Israel por sua brutal ofensiva em Gaza foi proposto pelo Brasil.

O ex-presidente dos EUA Jimmy Carter, depois da sua visita à Palestina, publicou, em 2006, um livro que já no seu título, em 2006, apontava para o que acontece, de forma similar ao que ocorreu na África do Sul: “Palestina: paz e não apartheid. Porque se trata disso: de uma política de Israel que não somente impede que seja realidade a decisão da ONU de que os palestinos tenham um Estado da mesma forma que Israel, mas que além disso implementa uma política nos territórios ocupados que tem muita semelhança com a política do apartheid na África do Sul.

A forma como são tratados os palestinos tem um fundo explicitamente racista – que apareceu de forma ainda mais explícita em algumas manifestações agora, durante a nova ofensiva sobre Gaza. Quem conhece as formas como são tratados os palestinos na Cisjordânia não tem nenhuma dúvida de que há um componente fortemente racista na política israelense com os palestinos.

Mais ainda do que isso, os muros e os assentamentos que esquartejam os territórios ocupados os fazem se assemelhar aos bantustanes da África do Sul da era do apartheid. Cada vez mais se divide a Cisjordânia por novos assentamentos que não param de ser instalados, até que suas distintas partes não tenham mais contato entre si, sejam pedaços de territórios ainda mais isolados.

Em Gaza a situação é ainda muito pior: bloqueada desde 2008, é considerada o campo de concentração a céu aberto maior do mundo. A população vive um apartheid ainda pior, sem as condições mínimas de sobrevivência, cercada, fechada, aprisionada.

Não bastasse tudo isso, Israel se dedica, a cada tanto tempo, a bombardear, a invadir, a destruir a Gaza, com vários milhares de mortos, entre eles grande maioria de população civil, sobretudo de crianças, mulheres e idosos. Esta nova ofensiva genocida recebe a condenação mundial, Israel nunca esteve tão isolado, salvando-se apenas pelo voto dos EUA no Conselho de Segurança da ONU de sofrer sanções.

Os países do Mercosul debaterão uma posição comum diante de Israel na próxima terça feira em Caracas, posição que só pode ser a de suspensão do Tratado de Livre Comércio. Contra o apartheid sul-africano, o isolamento diplomático teve efeitos, mas muito mais teve o boicote econômico. Os EUA tinha o mesmo argumento de agora, de que essa atitude isola e dificulta negociações, etc., etc. Os mesmos argumentos que outros utilizam agora.

O Brasil só coloca exceções no comércio com Israel no caso de mercadorias produzidas nos assentamentos israelenses nos territórios palestinos. Mas é preciso avançar muito mais, para o boicote econômico, até que Israel cumpra a decisão da ONU, termine com a ocupação territorial, para que se instale o Estado Palestino, da mesma forma que existe um Estado de Israel. / 

Com apoio de Carta Maior











sábado, 26 de julho de 2014

Joaquín Pérez Becerra e o neofascismo colombiano


Por Miguel Urbano Rodrigues


A libertação de Joaquín Perez Becerra, fundador e diretor da Agencia ANNCOL, chamou nos últimos dias a atenção dos media internacionais para a Colômbia, o mais submisso aliado dos EUA na América Latina, apresentado pela propaganda como uma democracia, mas submetido na realidade a um regime neofascista.

Becerra fora preso em abril de 2011 no aeroporto de Maiquetia, na Venezuela, a pedido da Interpol, acusado de ser «o embaixador na Europa» das Forças Armadas Revolucionarias da Colômbia, FARC-EP.



A acusação foi forjada com base nos famigerados computadores do comandante Jorge Briceño (el Mono Jojoy) assassinado num bombardeamento selvagem do seu acampamento.



Extraditado para a Colômbia, não obstante ser cidadão sueco (tem dupla nacionalidade) com passaporte emitido em Estocolmo, Becerra foi condenado a 8 anos de prisão e permaneceu encarcerado no Presidio de La Picota durante três anos e três meses.



O Supremo Tribunal da Colômbia, após prolongada batalha judicial, reconheceu em acórdão de 17 de julho p.p. que as acusações eram falsas e ordenou a sua libertação imediata.



Na decisão daquela corte de justiça terá pesado a intensidade da campanha internacional que demonstrou a farsa da condenação do diretor da Anncol e exigia a sua libertação.



Em polémica com a revista Semana de Bogotá, Dick Emanuelsson, o subdiretor da Anncol, desmontou numa série de artigos a campanha que atinge a Agencia, sublinhando que o ex-presidente Uribe e o seu sucessor não perdoam a Becerra a luta travada para desmascarar a ditadura de fachada democrática que oprime o povo colombiano.



Cabe lembrar que a perseguição à Anncol atingiu tais proporções que a Agencia foi forçada a transferir a sede do seu sítio web da Suécia para a Dinamarca quando o governo de Estocolmo, cedendo a exigências de Bogotá, o bloqueou.



Alguns média europeus e latino-americanos identificaram na libertação de Joaquín Becerra um gesto que abre perspectivas favoráveis às negociações de paz que decorrem em Cuba.



É uma conclusão ingénua.



Porventura se registou nas últimas semanas alguma alteração na atitude do presidente Juan Manuel Santos perante o conflito que atormenta o povo colombiano?



Não. As esperanças de que isso acontecesse foram ilusórias. Consciente da aspiração à paz da esmagadora maioria dos colombianos, Santos defendeu durante a campanha eleitoral a continuidade do diálogo com as FARC nas conversações de Havana. Essa posição foi determinante para a derrota na segunda volta de Zuluaga, o candidato uribista da extrema-direita, defensor da escalada militar contra a guerrilha.



Mas, reinstalado na Presidência, Juan Manuel Santos esqueceu logo os compromissos eleitorais -incluindo a redução de impostos e uma nova política agrária- e retomou exigências inaceitáveis para as FARC, nomeadamente a de que condiciona a paz à deposição prévia das armas pela guerrilha.



É impossível esquecer que Santos, quando ministro da Defesa de Uribe, foi o autor intelectual e o organizador (com a CIA e a Mossad israelense ) do bombardeamento criminoso do acampamento do comandante Raul Reyes, em Sucumbio, violador da soberania do Equador. Obama continua a ver nele um aliado preferencial. Oito bases militares dos EUA no território colombiano expressam bem o seu status semi colonial. Alias, a Colômbia é depois de Israel o pais que recebe a maior ajuda militar de Washington. A ala ultra das Forças armadas (mais de 500.000 soldados e oficiais) é obviamente defensora da intensificação da guerra.



As conversações de Havana vão prosseguir. Mas que não haja ilusões: o governo de Santos não está empenhado em que o seu desfecho seja um Acordo global com a heroica guerrilha de Manuel Marulanda.



A paz não está próxima. Mas a libertação de Joaquín Perez Becerra- que já se encontra na Suécia - deve ser saudada como uma vitória das forças que lutam há décadas contra o neofascismo colombiano, por uma sociedade democrática e independente, um Estado soberano na nação fundada por Bolívar.

Esquivel, Chomsky, Rigoberta Menchú e outros 61 intelectuais exigem embargo militar contra Israel


Sessenta e três intelectuais exigem, em um comunicado conjunto, o embargo militar contra Israel. Entre os signatários encontram-se o Prêmio Nobel da Paz, da Argentina, Adolfo Pérez Esquivel, bem como seus colegas Desmond Tutu, da África do Sul, Rigoberta Menchú, da Guatemala, Mairead Maguire, da Irlanda, Jody Williams, dos Estados Unidos, e Betty Williams, da Irlanda do Norte.



Segundo destaca o comunicado dos intelectuais, "a capacidade de Israel para colocar em andamento esse tipo de ataques devastadores com impunidade provém, em grande parte, da vasta cooperação militar internacional e do comércio de armas que Israel mantém com governos cúmplices de todo o mundo.”



A carta foi publicada pelo jornal ‘The Guardian‘."Fazemos um chamado às Nações Unidas e aos governos de todo o mundo a tomar medidas imediatas para aplicar contra Israel um embargo militar integral e legalmente vinculante, similar ao imposto à África do Sul durante o apartheid,” assinala o documento.



"Israel desatou mais uma vez toda a força de seu exército contra a população palestina cativa – inicia o texto–, sobretudo na sitiada Faixa de Gaza, em um ato desumano e ilegal de agressão militar. O atual ataque de Israel contra Gaza, até o momento, matou muitos civis inocentes, causou centenas de feridos e devastou a infraestrutura civil, incluindo o sector de saúde, que já estava gravemente deteriorado.”



Também assinaram o texto: o músico britânico Roger Waters, a escritora estadunidense Alice Walker, o teólogo da libertação brasileiro Frei Betto, o sindicalista sul-africano Zwelinzima Vavi, seu colega brasileiro João Antonio Felício, o filósofo esloveno Slavoj Zizek, o acadêmico israelense Nurit Peled, o britânico ex-presidente do PEN Gillian Slovo e a escritora indiana Gita Hariharan.



"A partir de 2008, os EUA começaram uma ajuda militar a Israel que alcançaria 30 bilhões de dólares, enquanto que as vendas militares anuais israelenses para o mundo chegam a bilhões de dólares. Nos últimos anos, os países europeus exportaram armas para Israel por valores em bilhões de euros, e a União Europeia tem financiado as empresas militares e as universidades israelenses com bolsas de pesquisa no âmbito militar por um valor de centenas de milhões de euros”,assinala o documento.



Os intelectuais acusam os países emergentes de apoiar por palavras a Palestina, enquanto financiam as campanhas repressivas de Israel. "As economias emergentes, como Índia, Brasil e Chile, aumentam rapidamente seu comércio e cooperação militar com Israel, apesar de que afirmem apoiar os direitos palestinos.”



Entre os signatários também aparecem Federico Mayor Zaragoza, ex-diretor geral da Unesco, da Espanha; Chris Hedges, jornalista, Prêmio Pulitzer 2002, dos EUA; Boots Riley, rapper, poeta, produtor de artes, dos EUA; e Noam Chomsky, filósofo, analista político, dos EUA.



Lea publicación en el The Guardian: http://www.theguardian.com/world/2014/jul/18/arms-trade-israel-attack-gaza
Fuente: Regeneración.mx
El Ciudadano
http://www.elciudadano.cl/2014/07/22/109478/noam-chomsky-rigoberta-menchu-y-otros-62-intelectuales-exigen-embargo-militar-a-israel/