"A LUTA DE UM POVO, UM POVO EM LUTA!"

Agência de Notícias Nova Colômbia (em espanhol)

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"De que vale a vida se quando a temos ela parece morta. A vida é para ser senirmos, para vibrar, para lutar, para combater. Isso justifica nossa passagem pela Terra." (Jaime Pardo Leal)


quinta-feira, 24 de julho de 2014

O que inquieta do discurso de Santos sobre a paz


Por Timoleón Jiménez, Comandante-Chefe das FARC-EP
 
Sempre incisivo, o Presidente repete quase literalmente o mesmo enquanto cenário nacional e internacional lhe é possível.
 
Seu conteúdo se tornou um lugar comum, frases repetidas para que qualquer pessoa possa entendê-las, porém que dizem, na realidade, muito pouco. Sua versão da realidade nacional poderia ser sintetizada em frases tão breves como país modelo em desenvolvimento econômico e social, com os melhores índices em todos os sentidos, em crescimento, em emprego, em redução da pobreza e da miséria, na carreira contra a desigualdade, em escolaridade e o que você queira acrescentar.
 
Desde logo que essa avassaladora prosperidade não tem sido uma característica permanente. Se conseguiu, a partir de 2010, ano em que começou seu primeiro governo, estabelecendo uma espécie de paralelo que poderia definir-se em termos simples como antes de Santos e depois de Santos. O Presidente não deixa escapar ocasião para contrastar as fabulosas cifras que está revelando com os deploráveis dígitos exibidos nos períodos presidenciais anteriores ao seu.
 
O bom homem passa com humildade a reconhecer que não vivemos no paraíso terrenal. Temos problemas e estamos enfrentando-os, com êxito, ainda que nos falta muito por fazer. Então, vem a relação dos extraordinários projetos de desenvolvimento em fase inicial. O inestimável mérito das concessões de quarta geração, o imparável crescimento do investimento estrangeiro, as graças do PIPE, o incrível desenvolvimento informático e das comunicações.
 
Não faltará a menção ao último triunfo desportivo ou artístico. Nairo, James, o que mais tenha repercutido na mídia. Será o exemplo de nosso sangue, de nosso impulso, da capacidade de nosso povo para impor-se sobre as adversidades. Aqui pode estar a conexão com o tema que ocupará o resto da intervenção. A maior dificuldade que os colombianos encontramos com o triunfo final, o conflito armado, a falha que não nos deixa avançar como devíamos.
 
Começa a relação do histórico gesto seu de ter reconhecido sua existência, assim como a das vítimas e dos despojados da terra. E, o que é mais importante ainda, sua decisão de recorrer à via do diálogo para pôr fim a tanta angústia. Virá a economia a respaldar a importância de terminar o conflito, o que cresceria o PIB, o que significaria o desenvolvimento pleno do campo, a ausência de obstáculos ao investimento mineiro-energético.
 
Então seguirá o inevitável reconhecimento ao poderio bélico do Estado. Graças a ele se chegou até aqui. A lisonja tranquilizante às forças armadas falará de seu heroísmo, lealdade e entrega, ao que seguirá o juramento de não afetá-las para nada com o eventual acordo final. Nem em pé de força, nem em recursos. Muito menos por suas condutas ilícitas. Pelo contrário, como tropas do império, se lhes abrirão leques de oportunidades em diferentes lugares do mundo.
 
Haverá que defender o processo de paz dos obtusos que não entendem sua importância, dos caluniadores de ofício, da gente com interesse de lucro. E a melhor maneira é explicando do que se trata na realidade. Uma simples oportunidade às guerrilhas para que se desmobilizem e obtenham certo grau de compreensão em seu tratamento punitivo. Mentem os que asseguram que se negocia a propriedade privada, a família ou o Estado, de nenhuma dessas coisas se trata.
 
As instituições nacionais, as relações internacionais de qualquer tipo, o modelo neoliberal de economia, do qual a propósito se trata de delimitar recorrendo ao expediente da terceira via, apenas uma variante frustrada do mesmo, a doutrina de segurança do Estado, as forças militares e de polícia, o regime político e eleitoral, o latifúndio ou as relações de trabalho entre produtores e proprietários, nada, nada disso faz parte da discussão na mesa de La Habana.
 
E mais, o Presidente dedica uns parágrafos a deixar completamente claro que nem sequer a confrontação mesma faz parte dos temas da Agenda. As forças militares têm a ordem permanente de recrudescer com todo o seu poder contra os insurgentes, de causar-lhes o maior número possível de mortos, feridos e deserções, de desmoralizá-los, de empurrá-los para a assinatura de sua submissão na Mesa. Por isso deixa claro que não haverá cessar-fogo bilateral.
 
E para que nenhum o acuse de mole, Santos repete em todos os seus discursos que ele foi o ministro de Defesa e o Presidente que propiciou os mais duros golpes a seus inimigos. Ele acabou com o primeiro, o segundo, o terceiro e dezenas e dezenas de mandos mais das FARC. O censo dos reinseridos passa de 50.000. Nada disso vai se deter, continua e se acrescentará. Lá, os que não queiram vê-lo. Lá, a insurgência, se não se dá conta do que lhe espera.
 
O que seu governo tem feito é expor ante a insurgência na mesa seus projetos para o agro, e oferecer-lhe que se vincule à sua implementação, uma vez tenha entregue suas armas. Não se pactuou nem se pactuará nenhuma classe de reforma agrária. Também lhes mostrou sua disposição a permitir o desfrute de algumas garantias se acessam inserir-se no modelo de democracia vigente. E os comprometeu a renunciar ao narcotráfico e a ajudar a combatê-lo. Mudou-os de bando.
 
Esclarece também que agora se abordará o difícil tema das vítimas, no qual a insurgência terá que comprometer-se ante elas e à justiça a responder por seus crimes. Desde logo que polícias e militares terão tratamento privilegiado nessa matéria. E explica que praticamente fica pendente um tema, o da entrega de armas, que em breve começará a tratar-se numa mesa técnica da qual farão parte dois generais ativos, para que não se pense mal por ninguém.
 
Não deixa de louvar o crescente apoio internacional que o processo de paz obtém e o que pode significar em recursos para o pós conflito. Na realidade, com todo esse discurso só deixa clara uma coisa. Sua evidente intenção de tranquilizar ao grande capital, aos poderosos proprietários de terras, aos investidores, às forças armadas, à ultra direita que o ataca. E para o pobre povo, fica o quê? Deveras, Santos crê que com essas concepções alcançará a paz para a Colômbia?

Montanhas de Colômbia, 17 de julho de 2014.
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Israel invade Gaza para alterar e dominar o cenário geoestratégico do Oriente Médio


 Por Achille Lollo*
Desde o início da “Operação Margem de Proteção” (Protective Edge), o presidente dos EUA, Barack Obama, defendeu o ataque à Faixa de Gaza, declarando na TV: “... Israel tem o legitimo direito de se defender dos ataques dos terroristas, tentando, porém, não comprometer os civis...”. A seguir, todos os chefes dos governos europeus, bem como os aliados asiáticos, africanos e latino-americanos, justificaram o brutal ataque do exército sionista que, nos primeiros 12 dias da invasão, mataram 339 pessoas, entre elas muitas crianças, além de ferir gravemente 2.562 palestinos, na maioria civis, enquanto os desabrigados são cerca de 55.000.

O apoio incondicional em favor do governo sionista de Israel e a condenação irrevogável contra o Hamas e o povo palestino de Gaza se deram em função da campanha midiática que a imprensa sionista e os partidos da direita israelense promoveram contra o Hamas, a partir de 12 de junho, logo após o misterioso assassinato dos três jovens israelenses, realizado nos arredores de Hebron. De fato, ainda hoje há vagas suspeitas de que o assassinato dos três jovens
teria sido realizado por uma fantasmagórica célula jihadista, que nunca reivindicou a execução e que seria formada por membros da tribo Qawasameh, tradicionalmente inimigos do Hamas – e que, segundo alguns analistas, foi infiltrada por agentes duplos do Mossad, o serviço secreto israelense, notoriamente especializado em “Operações Especiais”.

Um contexto que logo foi reprisado pela mídia ocidental, permitindo, assim, ao primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu responsabilizar publicamente a direção do Hamas pelo tríplice assassinato e conclamar, diante dos microfones das TV, uma vingativa invasão, sublinhando: “Daremos uma dura lição ao Hamas, quebrando todos os túneis que na Faixa de Gaza servem de base aos terroristas...”

Sucessivamente, os efeitos da manipulação midiática permitiram ao exército sionista de realizar na Cisjordânia uma gigantesca “operação preventiva” que, em menos de 48 horas, prendeu cerca de 1.300 militantes do Hamas, entre os quais Aziz Dweik, de 66 anos, porta-voz do Conselho Legislativo Palestino. Uma operação que foi ovacionada pela opinião pública sionista israelense, do momento que o exército voltou a prender os 570 ex-presos políticos palestinos residentes na Cisjordânia, que haviam sido libertados em 18 de outubro de 2011, quando o Hamas trocou o soldado israelense Gilad Shalit (capturado nos arredores de Gaza, em 2006) pela libertação de 1.027 presos políticos palestinos.

É preciso também dizer que, enquanto os 1.300 palestinos permanecem presos sem especificas acusações do Tribunal de Hebron e, por isso, sujeitos a vexaminosos interrogatórios por parte dos investigadores do Shin Bet (Segurança Interna), notoriamente especializados na tortura física e psicológica, o grupo de colonos sionistas, responsável pelo linchamento do jovem palestino Mohamed Abu Jadair (que em dois de julho foi sequestrado e depois queimado vivo na praça do bairro de Shoafat, em Jerusalém Oriental) continuam em liberdade.

A invasão

É evidente que o tríplice assassinato em Hebron foi o necessário estopim para o governo sionista poder mobilizar a opinião pública israelense, inclusive a “não sionista” e, assim, legitimar o ataque contra a Faixa de Gaza “para dar uma lição ao Hamas”. De fato, o “ataque total” para destruir a estrutura militar de Hamas é um projeto que o Estado Maior do Tzahal planejou em 2006 para contrapor-se à decisão de Ariel Sharon que, na qualidade de primeiro-ministro em 2004 e em 2005, sentenciou a “a retirada unilateral de Israel da Faixa de Gaza, por razões de segurança”. Assim, em 2008, foi lançada a operação “Chumbo Fundido” e, depois, em 2012, foi realizado outro grande ataque denominado “Pilar da Defesa”. Porém, nenhuma das duas operações foi finalizada porque os efeitos das nefandas ações realizadas pelo exército e a aviação israelense levantaram a acusação de genocídio e de limpeza étnica por parte do Conselho de Direitos Humanos da ONU. É suficiente lembrar que, em 2008, a operação “Chumbo Fundido” provocou a morte de 1400 civis palestinos! Mesmo assim os representantes permanentes dos EUA, da Grã Bretanha e da França no Conselho de Segurança da ONU vetaram qualquer tipo de sentença condenatória contra Israel que, graça à cumplicidade dos países da OTAN, continua impune desde 1948, isto é, quando as brigadas dos grupos sionistas invadiram os territórios da Cisjordânia, expulsando a maior parte da população palestina.

Em janeiro de 2013, apesar da inútil interferência do Secretário de Estado dos EUA, John Kerry, o Estado Maior do Tzahal (Forças Armadas Israelenses), e as direções do Mossad (Inteligência e Operações Especiais), do Aman (Inteligência Militar) e do Shin Bet (Segurança Interna), com o pleno conhecimento do governo, começaram a finalizar o planejamento da “Operação Margem de Proteção” (Protective Edge). Tanto que, em 20 de maio de 2014, o comandante da Força Aérea de Israel, major-general Amir Eshel, ao intervir na Décima Conferência Anual para a Segurança Nacional declarava: “Eu acredito que, nos últimos dois anos, nossas capacidades operacionais cresceram bastante, perdendo apenas para os Estados Unidos, a partir de um ponto de vista tanto ofensivo como defensivo...”, salientando depois: “Hoje, a Força Aérea de Israel (IAF) tem uma capacidade ofensiva sem precedentes, o que nos permite de atacar com precisão milhares de alvos em um único dia, isto porque, nos últimos dois anos, dobramos nossa capacidade operacional por duas vezes. Assim, no final de 2014, teremos uma melhoria avaliada em 400% das nossas capacidades ofensivas em relação ao passado recente, como resultado de um longo processo de melhorias”.

Palavras extremamente claras que evidenciam, sem nenhuma dúvida, que a Força Aérea Israelense, com seus F15 e F16 armados com “bombas inteligentes GBU-28”, juntamente aos mísseis de longo alcance “Jerico”, pode alvejar todas as cidades do Oriente Médio, inclusive as da Síria e do Irã. Por isso, ficou claro que a invasão contra Gaza foi, apenas, uma demonstração estratégica do potencial militar de Israel. Uma demonstração que os estrategistas de Telavive querem que seja, antes de tudo, um sinal de alerta para os países do Oriente Médio que ainda duvidam dos elementos políticos decisórios, do poderio militar e da visão estratégica de Israel. De fato, às 21h23min do dia 17, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu autorizava o prosseguimento das vertentes bélicas da “Operação Margem de Proteção” em todo o território da Faixa de Gaza, mobilizando ainda mais 18.000 reservistas que se juntaram aos 56.000 já entrincheirados ao longo da fronteira da Faixa de Gaza.

A “Guerra Total”

Planejada por ser executada com 74.000 soldados para “limpar”, durante dois meses, a periferia e os campos de refugiados de Gaza City e os bairros de Beit Lahia, Jabalia, Beit Haroun, Deir al-Balah, Khan Yunis, Abassan al-Kabera e Rafah, a invasão terrestre foi precedida por um primeiro bombardeio “a tapete”, que durou 5 horas, alvejando toda a rede de infra-estruturas das referidas cidades, em particular as subestações de distribuição das companhias de eletricidade, gás, água e telefone, as pontes, bem como os grandes armazéns e frigoríficos e todos os prédios da administração pública.

Um bombardeio que começou primeiro no norte de Gaza, na região de Beit Lahiya, onde os caças-bombardeiros descarregaram bombas de fragmentação de 500 kg e bombas de penetração de 1.000 kg. A seguir outra onda de aviões investiu o bairro de Choujaiya, no Leste da Faixa, enquanto uma terceira onda descarregou seu carregamento de bombas e foguetes em Gaza City alvejando, inclusive um campo de refugiados da ONU e o hospital Al-Wafa. Por sua parte, as corvetas e os navios lança-foguetes destruíam todo tipo de construções localizadas no litoral de Gaza City. Enquanto isso, a artilharia (tanques, canhões de longo alcance, morteiros e rampas de foguetes) martelava os edifícios localizados ao longo da fronteira até alcançar a periferia de Gaza City.

Somente depois desse sistemático bombardeio é que os batalhões de fuzileiros e das tropas especiais começaram a avançar com extrema prudência entre os escombros das casas.

A imprensa européia e, sobretudo, a estadunidense fizeram de tudo para minimizar a brutalidade dos bombardeios “a tapete”, dos dias 17, 18 e 19, enfatizando os comunicados do porta-voz do exército sionista, tenente-coronel Peter Lerner, segundo o qual “...As unidades da Força Aérea israelense haviam realizado apenas bombardeios cirúrgicos contra os objetivos militares do Hamas...”.

Mas o cinismo dos sionistas tocou o ápice quando o presidente israelense, Shimon Peres (que em 1994 recebeu o premio Nobel pela Paz para depois, em 2005, se juntar a Ariel Sharon no novo partido direitista Kadima), ao ser entrevistado pela BBC após o assassinato de quatro garotinhos palestinos, teve o descaramento de dizer: “...Estou profundamente sentido pela morte das jovens vítimas que se deu por um acidente. Pois nossos pilotos receberam a ordem de não atirar onde há crianças. Infelizmente, no local do ataque havia muito armamento e os palestinos não mantêm longe as crianças!”

Após essa entrevista ter corrido o mundo, contribuindo a reforçar o show midiático do Estado sionista e seus aliados, a TV árabe Al Arabya divulgava uma nota do porta-voz do centro de primeiros socorros de Gaza, Ashraf al-Qudra, que anunciava a morte, no bairro de Sabra, de mais três crianças, respectivamente de 7, 8 e 10 anos, que foram alvejadas por um foguete no terraço de sua casa, no momento em que estavam dando a comida aos seus pombos. A seguir, o diretor do hospital, Basman Alashi, informava que, também na praia de Gaza, outros três garotos, de 10, 12 e 13 anos, morreram alvejados, no dia 18, pelos canhões das corvetas israelenses.

Na tarde do dia 19, o número de palestinos mortos por efeito dos bombardeios chegou a 339, enquanto os feridos somavam 2.562, sem contar, ainda, os mortos e os feridos que ficaram enterrados debaixo dos destroços dos prédios alvejados. Mortos e feridos que em sua completa maioria são civis, em particular crianças, mulheres e idosos.

Os milicianos das Brigadas Ezzedin al-Qassam continuam escondidos em túneis subterrâneos, de onde atiraram contra o território de Israel 1.663 foguetes Qassam. Destes, somente 346 foram interceptados pelo sistema anti-foguetes “Iron-Dom”, do exército israelense; os restantes não alvejaram nenhum objetivo estratégico importante. Por isso, é preciso lembrar que a eficácia dos foguetes Qassam é muito reduzida por ser um projeto artesanal desenvolvido, em 2001, por Nidal Fat'hi Rabah Farahat. Hoje, o foguete Qassam é mais uma arma política que representa o espírito de resistência dos palestinos de Gaza e seu apoio político ao Hamas e aos milicianos das Brigadas Ezzedin al-Qassam.

Segundo as declarações do porta-voz do exército sionista, tenente-coronel Peter Lerner, os bombardeios continuarão ainda por outros dois ou três dias, isto é, quando iniciarão os desgastantes combates de “casa por casa” entre os milicianos que saem dos túneis e os soldados israelenses que pretendem controlar os perímetros urbanos. É nessa fase que começará a verdadeira “Operação Margem de Proteção”, com os soldados israelenses que pretendem acabar fisicamente, em menos de trinta dias, com as Brigadas Ezzedin al-Qassam, enquanto os milicianos tentarão transformar Gaza City em uma segunda Stalingrado.

Gaza e o cenário geoestratégico regional

Enquanto o exército israelense continua a bombardear a Faixa de Gaza, os dirigentes do Hamas não aceitam negociar o cessar-fogo, proposto pelo secretário da ONU, Ban Ki-moon que, na realidade, não resolve a condição de absoluto isolamento diplomático e econômico a que a Faixa de Gaza está submetida. De fato, o governo sionista impede o funcionamento do aeroporto, dos portos, além de ter conseguido do Egito o fechamento da única entrada comercial no posto de fronteira de Rafah.

É neste âmbito e com o recrudescimento das operações militares em Gaza que o primeiro ministro, Benjamin Netanyahu, está conseguindo montar um novo cenário geoestratégico, cuja complexidade pode interferir com a representatividade e as projeções políticas que o Departamento de Estado dos EUA elaborou, recentemente, para o Oriente Médio.

Estados Unidos

Para entender a posição que Benjamin Netanyahu assumiu nos últimos meses, bem como o apoio irrestrito que ele recebeu dos comandos das Forças Armadas e das direções dos poderosos serviços secretos (Mossad, Aman e Shin Bet), é preciso dizer que isso reflete, também, o conflito político interno no seio do Partido Democrata, entre o clã dos Clinton e o grupo que ainda apóia Barack Obama, do qual John Kerry é o porta-voz no âmbito internacional. De fato, é notória a atual flexuosidade em forma de ziguezague da política exterior da Casa Branca para com o Oriente Médio. Por exemplo, quando a Arábia Saudita decidiu financiar o golpe de Estado contra o presidente do Egito, Mohamed Morsi, os sauditas não pediram a autorização à Casa Branca, mas, sim, informaram, apenas, as autoridades de Telavive, que saudaram a iniciativa, do momento que Morsi e o governo da Irmandade Muçulmana estavam ajudando a direção do Hamas em romper o isolamento imposto pelo exército sionista.

De fato, o golpe liderado pelo general Sisi, criou sérios problemas de credibilidade para a Casa Branca, visto que em um primeiro momento o presidente Obama havia decidido suspender a ajuda militar destinada ao Egito, no valor de 1,6 bilhão de dólares. Depois, quando o poderoso lobby sionista de Wall Street manifestou seu pensamento, Obama enviou John Kerry ao Cairo para renegociar com o general Sisi a continuação do antigo acordo de cooperação assinado desde os tempos de Mubarak.

Na questão da Palestina, Benjamin Netanyahu virou a cara quando a Casa Branca apoiou o acordo de reconciliação entre o Fatah e o Hamas. Aliás, esse foi o motivo para enterrar de vez as negociações de paz, construídas pacientemente por John Kerry e o presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas.

Por último, o governo sionista e em particular os comandos militares não gostaram da abertura diplomática que a Casa Branca realizou com o novo presidente do Irã, o moderado Hassan Rohan, visto que o pacífico desmantelamento das centrais nucleares iranianas eliminava a hipótese do ataque aéreo com os F-15 e F-16 israelenses.

Também, no que diz respeito à guerra civil na Síria, o governo sionista e a monarquia saudita desaprovaram as iniciativas diplomáticas de John Kerry, que com a insignificante realização das cúpulas “Genebra-1” e “Genebra-2” deram ao regime de Bashar al-Assad um importante fôlego político que permitiu a retomada da iniciativa militar e, mais recentemente, a vitória nas eleições. Aliás, sionistas e sauditas censuraram Barack Obama por ter “vacilado” quando a mídia ocidental acusou, injustamente, o exército de Damasco de ter usado as bombas químicas contra os civis. Na realidade, a indecisão de Obama deu tempo para descobrir que foram os homens da Brigada Al-Nusra que provocaram o desastre químico em Homs.

Irã

A partir do dia 20 de julho, John Kerry abrirá um canal de comunicação com o presidente do Irã, Hassan Rohan, para definir uma agenda de trabalho sobre as futuras negociações para a retirada das sanções econômicas impostas pelo Ocidente, enquanto o Irã aceitou desmantelar as centrais nucleares consideradas “impróprias” para o uso civil. Consequentemente, os EUA e o Irã deverão definir o início das negociações realizadas com um “deadline 5+1”, isto é, com a participação de Rússia, China, Grã Bretanha, França e Alemanha.

É evidente que Israel está contra esse “deadline”, do momento que o Irã, após o desmantelamento das suas centrais nucleares, poderá tornar-se o novo grande parceiro do Ocidente, tal como o era o Irã do Xá Reza Pahlevi. Por isso, juntamente à Arábia Saudita (que odeia o Irã), o governo sionista permitiu que os agentes do serviço secreto Mossad fossem à Síria e ao Iraque para treinar e monitorar os combatentes do ISIS. Desta forma, além de impedir a consolidação política e econômica do governo iraquiano do xiita Nuri al-Maliki, muito ligado ao Irã, Israel poderá desestabilizar o futuro relacionamento do governo iraniano com as potências ocidentais, cujos serviços secretos determinaram o sucesso do Califado do ISIS.

Iraque

Em 2012, ninguém acreditava que os serviços secretos de Grã Bretanha, França, EUA e, sobretudo, Israel estivessem treinando na Síria os bandos jihadistas iraquianos. Aliás, ninguém pensava que em pouco tempo os mesmos teriam conseguido atacar a região central do Iraque e se apoderar de vários campos petrolíferos, com vista a financiar suas atividades militares. Por isso, em 2013, diferentes empresas “fantasmas” israelenses e sauditas já estavam comprando o petróleo que o ISIS roubava na Síria e no Iraque, pagando apenas 50% do valor de mercado. Praticamente, o ISIS sobrevive com a receita do petróleo roubado, com a qual o misterioso Al-Bagadabi pode pagar os 30.000 combatentes fundamentalistas e sustentar a estrutura administrativa de um “Califado” que, em teoria, se estende das regiões norte-orientais da Síria até o centro do Iraque.

À causa do despudorado comportamento do exército iraquiano em Mossul, o governo central do Iraque, dirigido pelo presidente Jalal Talabani (curdo) e o primeiro-ministro Nuri al-Maliki (xiita) entrou em crise, visualizando, assim, todas as contradições políticas, institucionais, econômicas e militares provocadas no Iraque após 10 anos de ocupação estadunidense. Pior disso tudo é a cegueira política do governo majoritário xiita que, ainda, não consegue se relacionar com os sunitas e os curdos.

De fato, com a saída do contingente militar dos EUA (120.000 homens) e o fim dos bilionários investimentos “para a implantação da democracia”, criou-se no Iraque um perigoso “buraco negro”, que a Casa Branca pensa poder fechar com a reformulação do governo do primeiro-ministro Nuri al-Maliki, diretamente monitorado pelo Irã, cuja reciclagem política passa pela renúncia do programa nuclear militar, além de garantir um regular fornecimento de gás e de petróleo ao Ocidente.

É evidente que as “excelências” da estratégia sionista apóiam o processo de “balcanização” do Iraque, com o qual pretendem evitar a formação de um novo eixo político, econômico e energético entre Washington e Teerã.

Não foi casual que quando John Kerry esteve em Erbril, para se encontrar com o presidente da região autônoma do Curdistão, Masud Barzani, os assessores israelenses já haviam sugerido a Barzani de ocupar as regiões petrolíferas de Kirkut, que os curdos pretendem integrar a sua região autônoma. Esta iniciativa enfureceu John Kerry por desarticular os equilíbrios entre o Curdistão e o governo central de Nuri al-Maliki, além de ampliar as rupturas do modelo institucional em um momento em que a instabilidade política entre curdos e xiitas permite ao “Califado do ISIS” se apresentar como o terceiro Estado etnicamente reservado aos sunitas.

Líbia

A desintegração do “processo democrático ocidental” imposto pelos EUA, a França e a Grã Bretanha, e a divisão étnica e tribal operada pelas milícias, ligadas aos serviços secretos da Arábia Saudita e do Catar, evidenciaram a completa incapacidade do Departamento de Estado dos EUA e da própria CIA em saber reordenar a vida política, econômica e, principalmente, militar da Líbia. Esse fato, aos olhos dos sionistas e do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, reforça ainda mais a idéia de que Israel pode ser a nova potência regional capaz e apta a ditar e fazer respeitar regras e, portanto, impedir o surgimento de outras Líbias. De fato, o golpe de Estado no Egito e a dura repressão que o governo do general Sisi está impondo no país com a caça aos membros da Irmandade Muçulmana, impedem o Egito de voltar a ser a grande potência árabe, que garante a “ordem ocidental” no Oriente Médio.

Gaza

Não há dúvida de que, hoje, o presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas, é apenas uma figura decorativa no fragmentado movimento de resistência palestino. Aliás, seu posicionamento titubeante diante da política arrogante e seletiva do governo sionista e os ricos negócios que a burguesia palestina pratica com a indústria israelense, enterraram de vez a tese “Dois Estados para Dois Povos”, que Yasser Arafat havia conseguido impor nos Acordos de Oslo, em 13 de setembro de 1993.

Por outro lado, todos os líderes políticos palestinos contrários à linha política de Mahmud Abbas e Mohamed Dahlan (apoiado pessoalmente pelo emir do Qatar) ou foram definitivamente afastados da vida política ou estão encarcerados nas prisões sionistas, tal como aconteceu a Marwan Al-Barghouti, líder do Fatah, e a Ahmad Sa’adat, secretário geral da Frente Popular de Libertação da Palestina (FPLP), preso em uma solitária desde 2006.

Por isso, o Hamas adquiriu no contexto palestino uma dimensão política nacional, visto que teve a coragem de governar e, ao mesmo tempo, rejeitar as regras impostas pelos governos sionistas. Aliás, a reconciliação entre o Fatah e o Hamas foi considerada pelo governo sionista um ato não declarado de guerra, em um momento em que o próprio primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, considera mortos e enterrados os Acordos de Oslo. Uma posição que, apesar de tudo, a Casa Branca e os parlamentos de muitos países europeus ainda não engoliram.

Se depois consideramos que o Hamas é reconhecido e apoiado pelo Catar, enquanto a Autoridade Nacional Palestina (ANP) é sustentada pela Arábia Saudita, fica evidente que o “ataque total” à Faixa de Gaza é também uma maneira para dizer a todo o mundo árabe, inclusive à Turquia – apesar ter assinado acordos militares com Israel, ainda apóia a criação de um Estado independente palestino -, que a atuação do Hamas na Faixa de Gaza deverá ser a mesma que o Fatah exerce na Cisjordânia. Isto é, desmilitarizada, sem nenhuma autonomia financeira, totalmente dependente da economia e dos transportes israelenses, além de permitir que parcelas de seu território sejam destinadas à colonização sionista. Enfim, uma entidade minoritária “politicamente pacificada e controlada no quadro das regras da sociedade judaica e da ordem do Estado de Israel”.

Por outro lado, a inflexível decisão de Benjamin Netanyahu de derrubar a estrutura militar do Hamas foi uma maneira de apresentar aos Estados Unidos e aos países da União Européia o novo cenário geoestratégico do Oriente Médio, onde Israel é a potência nuclear e militar que representa e coordena os interesses do Ocidente no Oriente Médio. Enfim, é a moderna prospecção política, econômica e, sobretudo, geoestratégica do “Grande Israel”.



*Achille Lollo é jornalista italiano, correspondente do Brasil de Fato na Itália, editor do programa TV “Quadrante Informativo” e colunista do "Correio da Cidadania".



quarta-feira, 23 de julho de 2014

Concluem fóruns regionais de vítimas com propostas concretas para La Habana


Cessar bilateral ao fogo, comissão de esclarecimento da verdade histórica e Assembleia Nacional Constituinte entre as principais propostas das vítimas. Terminam os fóruns regionais de vítimas com vistas ao fórum nacional que se dará em Cali em 3, 4 e 5 de agosto.


Villavicencio, Barrancabermeja e Barranquilla foram cenários dos três fóruns regionais de participação das vítimas com suas propostas para a mesa de diálogo de Havana. De maneira atípica confluíram pessoas e organizações sociais que se reconhecem como vítimas do paramilitarismo e da força pública, assim como das diferentes insurgências.


Ainda que o PNUD e a Universidade Nacional disseram sempre procurar garantir a amplitude e a diversidade de participação de todo o universo de vítimas do conflito social e armado, o denominador comum dos três fóruns regionais foram as vozes de protesto de várias pessoas que não puderam ter acesso aos espaços de participação.


Apesar das tensões que se puderam gerar ao confluir num mesmo espaço aqueles que de diferentes maneiras foram vitimizados pelos diferentes atores, as jornadas se deram em completa calma e se avançou nas propostas. Entre as mais importantes, se encontram:
  • Um reconhecimento mais amplo do universo das vítimas e dos fatos vitimizantes, mais além da lei 1448 [prisioneiros políticos, recrutamento forçado e violência sexual, combatentes assassinados fora de combate, bombardeios indiscriminados, tortura, execução extrajudicial, perseguição, deslocamento e assassinato de familiares dos guerrilheiros, entre outros].


  • Que se amplie a temporalidade de reconhecimento das vítimas. Se propõem datas desde 1928 com o massacre das bananeiras, ou 1948, com o assassinato de Jorge Eliécer Gaitán.


  • Que se acorde um cessar-fogo bilateral imediato que contribua para que não hajam mais vítimas.


  • Que se dê uma nova Assembleia Nacional Constituinte que transforme estruturalmente a institucionalidade do país e que nesta se conte com uma presença determinante das vítimas, tanto na convocatória como em sua realização.


  • Que se transforme a doutrina militar transcendendo o princípio do inimigo interno e que se fundamente no respeito pelos direitos humanos.


  • Que se crie um tribunal de justiça ao qual respondam tanto as FARC-EP como o Estado e os terceiros que também foram vitimários [paramilitarismo, transnacionais e setores econômicos como o pecuarista e o palmeiro].


  • Que se dê um tratamento diferenciado em atenção às vítimas [gênero, infância e adolescência, invalidez, étnico e cultural].


  • Que as vítimas tenham uma interlocução direta com o alto comissionado para a paz e articulação constante com o Conselho Nacional de Paz.


  • Que se criem circunscrições especiais para a participação política das vítimas.


  • Que se crie uma comissão de esclarecimento da verdade financiada com recursos do Estado e de cooperação internacional, na qual haja participação de expertos nacionais e internacionais, com presença das partes no conflito e uma ativa participação das vítimas. Que conte com informação classificada do Estado e das insurgências e bases de dados e informes fornecidos pelas organizações de vítimas e direitos humanos. Ademais, que se incluam os fatos mais recentes perpetrados pelos novos grupos paramilitares.


  • Que se construa uma política pública de educação e visibilização das causas estruturais do conflito social e armado. Construção de centros da memória e monumentos.


  • Que se crie o Ministério das Vítimas e da Reconciliação.


  • Que se crie um comitê de seguimento ao processo de desmobilização que garanta que não aparecerão novos grupos armados após os acordos de paz.


  • A retirada das minas como gesto humanitário e a não disseminação de novas minas anti pessoa.


  • Que se abram espaços de comunicação para as vítimas que contribuam para a desestigmatização das mesmas e que lhes permita visibilizar suas realidades.


  • Acompanhamento psicossocial para as vítimas.


Os fóruns regionais contribuirão com os debates e as propostas para o fórum nacional que se realizará em Cali no próximo mês de agosto e que, além disso, recolherá a região sul-ocidental do país. Dali sairão os insumos que a mesa de diálogo tomará para a discussão que atualmente se dá em Havana.
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Equipe ANNCOL – Brasil
Cessar bilateral ao fogo, comissão de esclarecimento da verdade histórica e Assembleia Nacional Constituinte entre as principais propostas das vítimas. Terminam os fóruns regionais de vítimas com vistas ao fórum nacional que se dará em Cali em 3, 4 e 5 de agosto.


Villavicencio, Barrancabermeja e Barranquilla foram cenários dos três fóruns regionais de participação das vítimas com suas propostas para a mesa de diálogo de Havana. De maneira atípica confluíram pessoas e organizações sociais que se reconhecem como vítimas do paramilitarismo e da força pública, assim como das diferentes insurgências.


Ainda que o PNUD e a Universidade Nacional disseram sempre procurar garantir a amplitude e a diversidade de participação de todo o universo de vítimas do conflito social e armado, o denominador comum dos três fóruns regionais foram as vozes de protesto de várias pessoas que não puderam ter acesso aos espaços de participação.


Apesar das tensões que se puderam gerar ao confluir num mesmo espaço aqueles que de diferentes maneiras foram vitimizados pelos diferentes atores, as jornadas se deram em completa calma e se avançou nas propostas. Entre as mais importantes, se encontram:
  • Um reconhecimento mais amplo do universo das vítimas e dos fatos vitimizantes, mais além da lei 1448 [prisioneiros políticos, recrutamento forçado e violência sexual, combatentes assassinados fora de combate, bombardeios indiscriminados, tortura, execução extrajudicial, perseguição, deslocamento e assassinato de familiares dos guerrilheiros, entre outros].


  • Que se amplie a temporalidade de reconhecimento das vítimas. Se propõem datas desde 1928 com o massacre das bananeiras, ou 1948, com o assassinato de Jorge Eliécer Gaitán.


  • Que se acorde um cessar-fogo bilateral imediato que contribua para que não hajam mais vítimas.


  • Que se dê uma nova Assembleia Nacional Constituinte que transforme estruturalmente a institucionalidade do país e que nesta se conte com uma presença determinante das vítimas, tanto na convocatória como em sua realização.


  • Que se transforme a doutrina militar transcendendo o princípio do inimigo interno e que se fundamente no respeito pelos direitos humanos.


  • Que se crie um tribunal de justiça ao qual respondam tanto as FARC-EP como o Estado e os terceiros que também foram vitimários [paramilitarismo, transnacionais e setores econômicos como o pecuarista e o palmeiro].


  • Que se dê um tratamento diferenciado em atenção às vítimas [gênero, infância e adolescência, invalidez, étnico e cultural].


  • Que as vítimas tenham uma interlocução direta com o alto comissionado para a paz e articulação constante com o Conselho Nacional de Paz.


  • Que se criem circunscrições especiais para a participação política das vítimas.


  • Que se crie uma comissão de esclarecimento da verdade financiada com recursos do Estado e de cooperação internacional, na qual haja participação de expertos nacionais e internacionais, com presença das partes no conflito e uma ativa participação das vítimas. Que conte com informação classificada do Estado e das insurgências e bases de dados e informes fornecidos pelas organizações de vítimas e direitos humanos. Ademais, que se incluam os fatos mais recentes perpetrados pelos novos grupos paramilitares.


  • Que se construa uma política pública de educação e visibilização das causas estruturais do conflito social e armado. Construção de centros da memória e monumentos.


  • Que se crie o Ministério das Vítimas e da Reconciliação.


  • Que se crie um comitê de seguimento ao processo de desmobilização que garanta que não aparecerão novos grupos armados após os acordos de paz.


  • A retirada das minas como gesto humanitário e a não disseminação de novas minas anti pessoa.


  • Que se abram espaços de comunicação para as vítimas que contribuam para a desestigmatização das mesmas e que lhes permita visibilizar suas realidades.


  • Acompanhamento psicossocial para as vítimas.


Os fóruns regionais contribuirão com os debates e as propostas para o fórum nacional que se realizará em Cali no próximo mês de agosto e que, além disso, recolherá a região sul-ocidental do país. Dali sairão os insumos que a mesa de diálogo tomará para a discussão que atualmente se dá em Havana.
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Equipe ANNCOL – Brasil

terça-feira, 22 de julho de 2014

O povo palestino tem o direito de resistir e lutar contra a ocupação israelense



Uma nova ofensiva militar israelense já resulta em centenas de prisões e mortes na Palestina ocupada. Seja na Cisjordânia, em Gaza, em Jerusalém ou nos territórios palestinos ocupados em 1948, o que vemos é mais violência e violações dos direitos humanos e do direito internacional humanitário por parte do governo de Israel. Milhares de civis são assassinados, feridos e presos durante as operações militares israelenses.


Agora Israel ameaça invadir novamente Gaza. Toda invasão de Gaza resultou em bombardeios de casas, escolas, hospitais, sedes de organizações políticas e sociais palestinas e de apoio humanitário, uso de bombas de fósforo branco, armas com munição feita de urânio empobrecido e bombas incendiárias que se assemelham ao napalm usado pelos EUA na Guerra do Vietnã.


Diante de mais essa agressão sionista-colonialista o que resta ao povo palestino é continuar a luta e a resistência popular por Paz, Justiça e Libertação Nacional. A origem do conflito é a ocupação das terras palestinas pelo colonialismo israelense. O fim da ocupação israelense é a única solução para assegurar uma paz justa e duradoura na região. Enquanto esse dia não chega o povo palestino conta com a coragem e a rebeldia de quem vive sob a ocupação israelense, e com a solidariedade internacional de pessoas, organizações e governos que, juntos, formam um poderoso movimento de denúncia contra as injustiças praticadas por Israel.


O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST está e estará sempre ao lado dos que lutam por justiça e dignidade. E neste conflito estamos juntos com o povo palestino e com suas legítimas organizações, que através da resistência diante do opressor, mostram o caminho que irá resultar na liberdade do povo e da terra. O MST estará com várias organizações do povo brasileiro na luta por uma Palestina Livre, Soberana e Independente. Também conclamamos nossas organizações-irmãs que fazem parte da Via Campesina a participarem ativamente da luta em solidariedade a este povo heroico que é para nós um exemplo de dignidade, ousadia e coragem.


O povo brasileiro está na luta junto com o povo palestino.


PALESTINA LIVRE JÁ!!!
PELO FIM DA OCUPAÇÃO ISRAELENSE!!!
PÁTRIA PALESTINA LIVRE, VENCEREMOS!!!
Fonte: MST