"A LUTA DE UM POVO, UM POVO EM LUTA!"

Agência de Notícias Nova Colômbia (em espanhol)

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A violência do Governo Colombiano não soluciona os problemas do Povo, especialmente os problemas dos camponeses.

Pelo contrário, os agrava.


segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Urge mais solidariedade internacional para frear o fascismo na Venezuela


 Por Carlos Aznárez *


Tudo se precipitou no continente. Em breve, vai completar um ano da morte [o assassinato?] do Comandante Hugo Chávez, e a imagem congelada daqueles dias de dor, de raiva e, por que não, de impotência se transformou rapidamente em outras cenas muito diferentes. O império não perdeu tempo e acelerou a ofensiva que lentamente se vinha gestando e à qual alguns otimistas em excesso não prestavam maior atenção.
 
Já o próprio Comandante o havia observado quando, numa das tantas confrontações com Álvaro Uribe Vélez, definia as bases militares estadunidenses na Colômbia como a ponta de lança de uma futura desestabilização, não só para Venezuela como também em nível continental.
 
Nutridos por um resultado eleitoral demasiado apertado, produzido quando ainda a população venezuelana não saía do luto, os mandachuvas de Washington deram luz verde a uma oposição que, pela primeira vez, acreditava tomar pé para tentar vencer pela via dos votos. Como ajuda extra, além dos milhões de dólares que recebem desde Miami e outras capitais “amigas”, a direita local contou com algo que já se havia provado com êxito no Chile de Salvador Allende, e que tem a ver com operações de amolecimento e desgaste sobre a população, golpeando onde mais dói, em sua economia cotidiana.
 
Assim, se pôs em marcha mais desabastecimento de alimentos e medicamentos, fuga de divisas e especulação com o preço do dólar frente ao golpeado bolívar, sabotagem energética, campanha de rumores, e todo o fogo semeado pelas corporações midiáticas. No entanto, a reação do governo de Nicolás Maduro foi severa e, a ponta de leis corretivas e sanções aos especuladores, se pôde chegar a uma nova confrontação eleitoral na qual a oposição recebeu outra porrada em suas ambições de poder. Isto ocorreu também porque o povo venezuelano, essa porcentagem importante de pessoas agradecidas por tudo o que tem recebido da Revolução, apesar do desgaste notório que a guerra econômica produz, não duvidou em cerrar fileiras e “arriscar-se” com os seus.
 
A partir desse momento, o império pôs em marcha uma nova etapa de sua ofensiva, elegendo para isso a tão temida via da violência fascista. Todos recordam como começou a campanha para apoderar-se da Líbia. E o que veio depois na Síria, e o que está ocorrendo agora mesmo na Ucrânia. Países onde se passou, num curto período de tempo, da estabilidade e uma regular convivência à destruição da maior parte de suas infraestruturas e ao assassinato da população quantificado em dezenas de milhares.
 
Como se fossem pedras de dominó, o efeito foi dando seus frutos para a política de ingerência e intervenção imperialista. Isto não quer dizer que não se resista [Síria e Ucrânia o seguem fazendo], porém, quem consola a milhares de pessoas que viviam mais ou menos em paz e hoje olham ao seu redor e só veem escombros, morte e milhares de deslocados e refugiados?
 
O manual de operações fixado pelo Pentágono é simples: torpedear as economias daqueles aos quais se tenta conquistar e, em seguida, apelar para os “civis” do lugar [ou de outras latitudes, como é o caso dos mercenários da Al-Qaeda ou Al Nusra, no Oriente Médio] para que empreendam a guerra devastadora que aniquile qualquer resistência.
 
Venezuela e seu petróleo, tão ambicionado pelos Estados Unidos e pela União Europeia, não podiam escapar destas manobras.
 
A criminal escalada fascista que se pôs em marcha em Caracas e em alguns Estados chaves, utilizando a alguns jovens de classe média alta e contando com a sustentação da burguesia empresarial [os mesmos que deram o golpe em 2002 e que, lamentavelmente, não foram desarmados e castigados contundentemente] não é algo que se possa minimizar.
 
Por outro lado, os fatos que se desencadearam na “Meia-lua” venezuelana, integrada por Táchira, Zulia e Mérida, aproveitando a presença não só de importantes setores da oposição mais extremista e o concurso dos paramilitares colombianos que entram e saem sem demasiados problemas, obrigam a relembrar outra vez a Líbia e Síria. Ou, melhor dizendo, a Benghasi, Homs ou Aleppo, cidades onde os mercenários pró-ianques se entrincheiraram para investir contra Kadafi e Bachar Al Assad.
 
Tampouco há que subestimar o papel que pode jogar daqui para frente esse cachorro da CIA chamado Leopoldo López, quem, poucos minutos antes de ser detido, deixou como “herança” um vídeo no qual convoca suas hostes à “resistência” para derrocar o Governo de Maduro. Seu melhor parceiro, ele o sabe, se chama Barack Obama.
 
Frente a este estado de coisas, o povo venezuelano está colocando, como sempre, o melhor de seu compromisso. Tem se mobilizado massivamente, acompanhando as convocatórias oficiais, tem rechaçado os chamados a greve e sabotagem e põe o corpo frente aos violentos, que impulsionam seus sicários a matar friamente, tanto a chavistas como a manifestantes da oposição, pensando em sacar lucros de futuras respostas entre uns e outros.
 
Não pouca importância tem também o papel que estão jogando as Forças Armadas Bolivarianas, rechaçando uma e outra vez os cantos de sereia da direita, e ratificando a lealdade à Revolução e ao Socialismo a construir. Todos sabemos que sem este bloco uniformizado haveria sido muito difícil sustentar a atual plataforma de poder. Algo no qual jogaram um papel fundamental o Comandante Chávez e Diosdado Cabello.


O que está faltando
 
No meio de cenas de incêndios, barricadas, bombas e uma espetacular e massiva campanha de desinformação protagonizada pelo terrorismo midiático, há um ingrediente que está em falta. Pareceria que, nesta ocasião, ao continente e a suas organizações de integração [Unasul, CELAC] lhes vêm falhando os reflexos. Não é mau que se façam manifestos e declarações de boas intenções a nível solidário, porém só isso é insuficiente. Servem para que o povo humilde expresse suas adesões e repúdios, porém a batalha que se está travando exige muito mais que isso. Quase por mecanismos de autodefesa, as instituições e os presidentes latino-americanos deveriam convocar-se em Caracas, ou onde lhes seja oportuno, e devolver à Venezuela Bolivariana o mesmo que esse país tanto tem dado: solidariedade concreta, sem vacilações nem mesquinharias.
 
Recordemos o útil que foram estas intervenções no caso de Bolívia e Equador, ajudando a desativar com suas presenças golpes de Estado em desenvolvimento.
 
Se nos tocam a um, nos tocam a todos”, costumam dizer os lutadores sociais, e têm toda a razão do mundo. O tema é que os de cima entendam esse significado antes que seja demasiado tarde. Ao fascismo, não há que conceder-lhe nem tempo nem vantagens adicionais. Se isso ocorre, podem nos aniquilar, já o vimos em infinidades de oportunidade. Uma reflexão que vale tanto para os que hoje governam no Palácio de Miraflores, aos efeitos de que sigam radicalizando a Revolução ao mesmo tempo em que combatem os focos violentistas da direita, e também para cada um de nós que estamos dispostos a que esse processo que tanto esforço custou ao Comandante Supremo Hugo Chávez e a seu bravo povo construir, não se perca nem retroceda. É evidente que nos estamos jogando, entre todos, a possibilidade de concretizar ou não a tão ansiada Segunda Independência. Não é pouca coisa.

* Director de Resumen Latinoamericano

 
Tradução: Joaquim Lisboa Neto
 
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