"A LUTA DE UM POVO, UM POVO EM LUTA!"

Agência de Notícias Nova Colômbia (em espanhol)

Este material pode ser reproduzido livremente, desde que citada a fonte.

A violência do Governo Colombiano não soluciona os problemas do Povo, especialmente os problemas dos camponeses.

Pelo contrário, os agrava.


sábado, 22 de agosto de 2009

Quanto mais dinheiro para o Plano Colômbia, maior é a produção de drogas


ABN (Manuel Alexis Rodríguez)
19/08/2009


Nos últimos anos, o Congresso dos EUA incrementou o orçamento destinado ao financiamento do Plano Colômbia, atingindo os 720 milhões de dólares para o ano de 2009. Além deste investimento, neste ano foi aprovada também 46 milhões de dólares para a infraestrutura de algumas bases militares norteamericanas em solo colombiano, especialmente a de Palanquero.

Se bem que o objetivo do Plano Colômbia é a erradicação do narcotráfico, ocorre o seguinte fenômeno: quanto maior o financiamento, maior é a produção de droga na Colômbia. Os números do escritório da ONU assim o confirmam.

Entretanto, ambos os países assinaram nas próximas semanas um acordo que permitirá aos EUA a utilização de várias bases militares na Colômbia e controlar dez no total.

O assunto gerou o rechaço da grande maioria dos países do continente. Por isso, o chanceler colombiano, Jaime Bermúdez, declarou há alguns dias que o acordo militar não deve preocupar os países da região porque é “necessário e vital para combate o narcotráfico e o terrorismo”.

O problema surge pelo fato de que esse tem sido o mesmo discurso desde 1998 quando foi criado o Plano Colômbia, durante o mandato de Andrés Pastrana na Colômbia e Bill Clinton nos EUA. Ambas as administrações disseram que sua finalidade era combater o crescente narcotráfico no país sulamericano, através de uma enorme influência militar norteamericana e uma injeção de milhões de dólares ao Ministério da Defesa colombiano.

Resultados

Da assinatura desse acordo até hoje, passaram-se onze anos. Segundo a UNODC, durante esse período a Colômbia se converteu no maior produtor de cocaína do mundo e ameaça também se transformar na maior fabrica de heroína da América Latina.

Por sua parte, os EUA, país que diz ser o principal combatente do narcotráfico na América Latina, atualmente é o maior produtor de maconha do mundo e o maior consumidor de cocaína.

Um estudo da Universidade do Mississipi revelou que a maconha é o cultivo que oferece a maior quantidade de divisas aos EUA, com uma produção anual de 10 mil toneladas e um valor superior aos 35 bilhões de dólares, valor que supera os valores da produção de milho e trigo juntos desse país.

Adicionalmente, o segundo país aliado dos EUA na luta contra o narcotráfico na América do Sul atualmente é o Peru, também segundo produtor mundial de cocaína, segundo a UNODC.

Inclusive, dado o incremento de cultivos de coca na nação inca, o organismo prevê que, para os anos de 2011 ou 2012, o Peru chegará a ser o primeiro produtor mundial, como já foi nos anos oitenta.

O relatório da UNODC destaca que em 2005, a superfície de cultivos de coca no Peru era de 48.200 hectares, em 2008 chegou a 56.100 hectares e, segundo as previsões para 2012, atingirá algo próximo dos 75 mil hectares.

Então, enquanto o orçamento anual de Washington destinado ao Plano Colômbia e a suposta luta contra o narcotráfico na América Latina crescem, o país que financia o projeto (EUA) e o que recebe o investimento (Colômbia), gozam do maior descrédito na matéria e os sues povos são os mais afetados pelo fenômeno.

Para confirmar, o vice-presidente do Grupo Venezuelano do Parlamento Latinoamericano, deputado Carolous Wimmer, informou a alguns dias, que o Congresso dos EUA aprovou para o período 2009, um orçamento de 520 milhões de dólares ao Departamento de Estado e outros 200 milhões ao Departamento de Defesa, somente para operações do Plano Colômbia.
Enquanto isso, a Venezuela, país que os EUA qualifica como aliado do narcotráfico, é considerada pela UNODC como uma nação com uma “política consequente na luta contra o tráfico de drogas”.

O diretor geral da Oficina Nacional Antidrogas (ONA), coronel Néstor Reverol, destacou que o último relatório da ONU informa que a Venezuela, sendo um país de trânsito e com uma política antidrogas afastada dos EUA, nos últimos quatro anos é o terceiro país entre os de maior apreensão de drogas no mundo e o segundo na América do Sul.

De toda essa situação, no seio da opinião pública ainda há algumas interrogantes sem resposta. Quais países realmente combatem o narcotráfico? Qual é o verdadeiro objetivo do Plano Colômbia? Que operações são financiadas com esse dinheiro? Por que paralelamente se incrementam os ataques contra a Venezuela e ao orçamento do Plano?

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Bases dos EUA são para limitar projeção do Brasil

Em entrevista ao Terra Magazine, o professor titular de história política exterior do Brasil, na Universidade de Brasília, argumenta que o desenvolvimento dessas organizações multilaterais, que fomentam a integração regional, não interessa aos EUA.

"Essas instituições, que dão à América do Sul uma identidade própria, não convém aos Estados Unidos (...) A presença dos Estados Unidos sempre foi um fator de desestabilização em todas as regiões do mundo e seu objetivo com a ampliação das bases na Colômbia é fomentar um cisma e impedir a integração econômica e política da América do Sul", avaliou.

Autor de Fórmula para o caos: a derrubada de Salvador Allende, 1970-1973, Moniz Bandeira comenta a liberação de documentos inéditos pelo Departamento de Estado dos EUA. Entre as revelações, uma conversa entre os presidentes Emílio Garrastazú Médici e Richard Nixon, no Salão Oval da Casa Branca, em 9 de dezembro de 1971. O ditador Médici afirmou que o Brasil "estava trabalhando" pela derrubada do governo do chileno Salvador Allende.

Para Moniz Bandeira, a íntegra da conversa "não surpreende". "Colaboração realmente houve (entre Brasil e CIA), mas todo o processo de desestabilização do governo do presidente Salvador Allende foi financiado e conduzido pela CIA e pelos serviços de inteligência militar da Marinha e do Exército dos Estados Unidos. A participação do Brasil foi importante, mas secundária. Não foi fundamental".

A seguir a entrevista:

A conversa entre os presidentes Richard Nixon e Emílio Garrastazu Médici, em 1971, exposta em papéis liberados pelo Departamento de Estado dos EUA, modifica com intensidade os relatos já existentes sobre o papel do Brasil no golpe militar chileno?

A revelação do memorandum da conversa entre o general Emílio Garrastazú Médici e o presidente Richard Nixon não surpreende. Era perfeitamente imaginável que os dois chefes de governo conversaram sobre o assunto, quando Médici visitou os Estados Unidos. E conversaram não apenas sobre o Chile, como sobre o Uruguai, onde o Brasil, segundo o próprio Nixon revelou ao primeiro-ministro da Grã-Bretanha, ajudou a fraudar a eleição para evitar a vitória da Frente Ampla. Tudo isto está em meu livro Fórmula para o caos - A derrubada de Salvador Allende, lançado no ano passado, simultaneamente, no Brasil e no Chile (e este ano em Portugal).

Médici afirmou que o Brasil "estava trabalhando" pela sublevação das Forças Armadas do Chile. Como se deu esse entendimento com militares chilenos?

Os entendimentos foram efetuados através dos serviços de inteligência do Brasil, aos quais Médici encarregou a tarefa de ajudar a articulação do golpe, naturalmente em contacto com a CIA. O embaixador de Brasil no Chile, Antonio Cándido da Cámara Canto, era um homem de extrema direita e adversário do governo de Salvador Allende, mas o general Garrastazú Médici deixou a cargo dos militares a missão de articular com os militares chilenos e os dirigentes de Patria e Libertad, com a assistência da CIA, os planos para o golpe. Eduardo Díaz Herrera, dirigente de Patria y Libertad desenvolveu um plano que envolvia o Serviço Nacional de Informações (SNI) e os serviços de inteligência do Exército, Marinha e Aeronáutica do Brasil. Ele e Manuel Fuentes estiverem em Brasília e lá se reuniram com altos oficiais das Forças Armadas, entre os quais o general João Batista Figueiredo, chefe da Casa Militar da Presidência e o coronel Venceslau Malta. De acordo com o plano elaborado, se ocorresse uma cisão nas Forças Armadas, se o golpe não fosse institucional, as unidades militares insurgentes e as Brigadas Operativas y Fuerzas Especiales (BOFE) de Patria y Libertad, ocupariam as províncias do sul de Chile, apoiadas secretamente pelo Brasil e Argentina, cujas Forças Armadas lhes dariam assistência logística e o armamento necessário. Sobre isto escrevi em Fórmula para o caos com base na documentação brasileira.

Qual o nível de colaboração entre a ditadura brasileira e a CIA, na deposição de Salvador Allende?

Colaboração realmente houve, mas todo o processo de desestabilização do governo do presidente Salvador Allende foi financiado e conduzido pela CIA e pelos serviços de inteligência militar da Marinha e do Exército dos Estados Unidos. A participação do Brasil foi importante, mas secundária. Não foi fundamental.

Como o senhor avalia a política brasileira de liberação de documentos sobre a ditadura militar? Quais são os pontos que devem ser priorizados?

Os documentos do SNI, que não foram incinerados nos anos 1980, estão disponíveis para a pesquisa no Arquivo Nacional, seção regional de Brasília. Também os do CIEX. Mas os arquivos do CIE, CENIMAR e CISA, as Forças Armadas relutam em entregar ao Arquivo Nacional, não obstante a determinação decretada pelo presidente Lula.

Bases militares americanas na Colômbia

A ampliação das instalações militares americanas em território colombiano oferecem quais riscos para a segurança continental?

O objetivo da ampliação das bases na Colômbia é restringir a projeção do poder político e militar do Brasil, frustrando iniciativas como a Unasul e o Conselho Sul-Americano de Defesa. Essas instituições, que dão à América do Sul uma identidade própria, não convém aos Estados Unidos. Não se trata de risco para a segurança continental. A presença dos Estados Unidos sempre foi um fator de desestabilização em todas as regiões do mundo e seu objetivo com a ampliação das bases na Colômbia é fomentar um cisma e impedir a integração econômica e política da América do Sul. A ampliação das bases na Colômbia foi decerto planejada juntamente com a restauração da IV Frota no Atlântico Sul, visando a fortalecer a presença dos Estados Unidos na região e assegurar o controle de seus recursos naturais, como, por exemplo, a água e o petróleo.

Os EUA e a Colômbia caminham para o acordo bilateral. Isso será um erro diplomático do presidente Barack Obama na região?

A ampliação das bases na Colômbia não constitui uma iniciativa do presidente Barack Obama. Ele enfrenta séria oposição interna e não controla todo o aparelho de governo. Não tem muitas condições de reverter a influência do complexo industrial-militar. Atualmente quem pauta a política exterior dos Estados Unidos não é propriamente o Departamento de Estado, mas o Departamento de Defesa, o Pentágono.

A militarização da política exterior dos Estados Unidos, formalizada com a criação dos comandos militares, para as diversas regiões, inclusive a América Latina (USSouthern Command), tomou impulso com os atentados de 11 de setembro de 2001. Esses comandos atuam como consulados do Império Americano. Caso se concretize a ampliação da presença militar americana, o Brasil deve reformular sua política para a Amazônia?

Não há o que reformular na política para a Amazônia como conseqüência da ampliação das bases americanas na Colômbia. Há muitos anos, militares dos Estados Unidos trabalham não só na Colômbia como nos demais países limítrofes da Amazônia. E as Forças Armadas estão conscientes da ameaça, ainda que pareça remota. Todos os anos elas realizam operações de treinamento, tendo como primeira hipótese de guerra o enfrentamento com uma potência tecnologicamente superior no teatro de guerra da Amazônia.

Fonte: Terra Magazine

Mais 7 na Colômbia? As 865 bases militares dos EUA

Escrito por Alfredo Jalife-Rahme

No contexto do neopinochetismo hipocritamente tolerado por Washington em Honduras, agora resulta que a projetada instalação de sete bases militares dos Estados Unidos na Colômbia, que provocou massivo repúdio na América Latina, constitui a atualização de um novo acordo de segurança mediante o arrendamento das bases existentes com a finalidade filantrópica de combater a narcoguerrilha fronteiriça, segundo uma engenhosa interpretação de Obama exposta para um grupo de jornalistas hispanos (Reuters, 07/08/09), em vésperas da desarticulada cúpula do ASPAN em Guadalajara, onde o México não tem nada que fazer nem devia ter participado desde sua calamitosa gênese.

Ninguém aprende com a cabeça alheia e EUA repete os mesmos erros da URSS, com uma tríade de conseqüências devastadoras: super-extensão imperial, guerra perpétua e insolvência, que levam a um provável colapso similar ao da anterior União Soviética, na opinião de Chalmers Johnson (Dez medidas para liquidar as bases militares dos EUA; Asia Times, 04/08/09).

Chalmers Johnson, professor emérito da Universidade da Califórnia (San Diego) e profícuo autor de livros notáveis, evidencia o império global potencialmente ruinoso de bases militares, que cadencia a longa dependência no imperialismo e no militarismo dos EUA em suas relações com outros países, além de "seu inchado establishment militar".

Paralelamente, Floyd Norris, analista financeiro e econômico do The New York Times (01/08/09), revela que o embarque de bens duradouros civis dos EUA caiu mais de 20% durante a recessão, o qual teria sido pior se não fosse a crescente produção de armas, que disparou 123% acima da média do ano 2000 (início do militarismo bushiano, que Obama incrementou com sua máscara de cordeiro seqüestrado pelos lobos do Pentágono).

Norris comenta que EUA é primariamente uma economia civil, quando o "item militar representa ao redor de 8% de todos os bens duradouros (no ano 2000 foi 3%)"; porém, em nossa humilde opinião, é a uma economia preponderantemente militar, já que muitos segmentos de sua atividade civil se entrelaçam com seu substancial belicismo, como tem demonstrado o SIPRI, o excelso instituto pacifista sueco.

Segundo o inventário do Pentágono, em 2008, citado por Johnson, o império dos EUA consiste em 865 instalações em mais de 40 países, com um deslocamento de mais de 190 mil soldados em mais de 46 países e territórios.

Johnson expõe o caso singular do Japão e a base de Okinawa (por certo, infestada por escândalos sexuais dos dissolutos militares estadunidenses que levam 64 anos ininterruptos de ocupação).

As sete bases militares adicionais dos EUA na Colômbia elevarão seu total planetário para 872, o qual não tem equivalente com nenhuma potência passada e presente. Literalmente, os Estados Unidos invadiram o mundo!
O mais relevante radica, na opinião de Johnson, em que tal ocupação é desnecessária para a genuína defesa dos EUA, além de provocar fricções com outros países e sua dispendiosa manutenção global (250 bilhões de dólares por ano, segundo Anita Dancs Foreign Policy in Focus): seu único propósito é oferecer aos EUA hegemonia, isto é, controle ou domínio sobre o maior número possível de países no planeta.

Na opinião de Johnson, Obama não percebeu que os EUA não têm mais a capacidade de exercer sua hegemonia global, enquanto exibe seu lastimoso poder econômico mutilado, quando se encontram em uma decadência sem precedentes.

Expressa três razões básicas para liquidar o império estadunidense: 1. Carece dos meios para um expansionismo de pós-guerra; 2. "Vai perder a guerra no Afeganistão, o qual aumentará ainda mais sua quebra"; 3. Acabar o vergonhoso segredo do império de nossas bases militares.

Propõe dez medidas:

1. Por fim ao severo dano ambiental causado pelas bases e pelo cessar do Acordo sobre o Estatuto dos Exércitos (SOFA, por suas siglas em inglês) que de antemão impede aos países anfitriões exercer sua jurisdição sobre os crimes perpetrados pelos soldados estadunidenses, isentos de toda culpabilidade (particularmente, a epidemia de violações sexuais nos paraísos militares).

2. Liquidação do império e aproveitar o custo de oportunidade para investir em campos mais criativos.

3. O anterior, indiretamente, frearia o abuso aos direitos humanos, já que o imperialismo engendra o uso da tortura, tão abundante no Iraque, no Afeganistão e na base de Guantánamo.

4. Recortar a interminável lista de empregados civis e dependentes do Departamento de Defesa, dotado de seu luxuoso prédio (piscina, cursos de golfe, clubes etc.).

5. Desmontar o mito, promovido pelo complexo militar-industrial, de sua valia na criação de empregos e na pesquisa científica, o qual tem sido desacreditado por uma pesquisa econômica séria.

6. Como país democrático que respeita a si mesmo, os EUA devem deixar de ser o maior exportador de armas e munições do mundo e deixar de educar os militares do Terceiro Mundo (v.gr. militares da América Latina na Escola das Américas, em Fort Benning, Geórgia) nas técnicas de tortura, golpes militares e serviço como instrumentos de nosso imperialismo.

7. Devido às limitações crescentes do orçamento federal, devem ser abolidos os programas que promovem o militarismo nas escolas, como o treinamento do Corpo de Oficiais da Reserva.

8. Restabelecer a disciplina e a prestação de contas nas forças armadas dos Estados Unidos, diminuindo radicalmente a dependência dos contratistas civis, das empresas militares privadas e dos agentes que trabalham para o exército fora da cadeia de comando e do Código de Uniforme da Justiça Militar. O livro de Jeremy Scahill Blackwater cita: A ascensão do exército mercenário mais poderoso (sic!) do mundo (Nation Books, 2007). A propósito, o holandês-estadunidense Eric Prince, fundador retirado de Blackwater e neocruzado da extrema direita cristã do Partido Republicano (muito próximo ao bushismo), acaba de ser implicado em um assassinato (The Nation; 04/08/09.)

9. Reduzir o tamanho do exército dos EUA.

10. Cessar a dependência não apropriada na força militar como principal meio para tentar alcançar metas de política exterior.

Sua conclusão é realista: infelizmente, poucos impérios no passado abandonaram voluntariamente seus domínios para permanecer como entidades políticas independentes e autogovernadas. Os dois importantes e recentes exemplos são os impérios britânico e o soviético. Se não aprendemos com eles, nossa decadência e queda estarão predeterminadas.

Terá cura a fixação dos Estados Unidos ao militarismo por mais um século?

Alfredo Jalife-Rahme é médico, escritor e analista geopolítico mexicano.
Publicado originalmente em La Jornada, México.
Tradução: ADITAL.

O Novo Equador

Por Leovani Garcia Olivarez

O presidente equatoriano Rafael Correa iniciou na semana passada um novo mandato com um país muito diferente do conhecido em janeiro de 2007, quando chegou pela primeira vez à chefatura do Estado com uma Constituição neoliberal.

Em apenas dois anos e meio, Correa logrou cinco vitórias nas urnas que lhe permitiram elaborar uma nova Carta Magna e realizar transformações políticas, sociais e econômicas, e assegurar a continuação de sua proposta de mudança, denominada Revolução Cidadã. No plano interno, impulsionou um programa de construção de milhares de moradias populares para a população mais pobre, que durante décadas viveu marginalizada pelas administrações anteriores. Com sua chegada ao poder, em inícios de 2007, estabeleceu a entrega do Bônus de Desenvolvimento (30 dólares) para as famílias de baixa renda, o qual aumentou agora em cinco dólares.

Impulsionou outra série de programas destinados a acabar com a desnutrição infantil, a mendicância e os meninos de rua, assim como melhorar as condições dos centros penitenciários. Renegociou mais de um terço da dívida externa do país e obrigou as companhias petroleiras estrangeiras a mudar seus contratos para ampliar as rendas do Estado. O mandatário aboliu o trabalho por hora, forçado, e a intermediação laboral e elevou o salário mínimo para 218 dólares.

Com o respaldo da cidadania e o apoio de seu movimento Aliança País, o qual agrupa diferentes tendências políticas, instalou uma Assembleia Constituinte, que elaborou uma nova Constituição, a qual desterrou o modelo neoliberal e promove agora o desenvolvimento de uma economia solidária. A aproximação com as nações do sul e a busca de novos sócios políticos e comerciais deram um giro à política exterior equatoriana, que antes só respondia aos interesses de Washington.

Essa conduta fortaleceu a posição do Equador nos cenários internacionais e em especial na América Latina, onde avançam processos integracionistas com a União de Nações Sul-americanas (UNASUR) e a Aliança Bolivariana para os povos de Nossa América (ALBA). Esses passos propiciaram que o chefe de Estado mantivesse durante seus primeiros dois anos e meio de mandato um respaldo popular de cerca de 70% e sua aplastante vitória com mais de 60% de votos nas eleições de 26 de abril último.

Correa - segundo analistas locais - se ergue hoje como a única alternativa de mudança nesta nação andina, na qual os velhos líderes e politiqueiros se afogam na sombra diante de uma sociedade que clama por mais transformações. As expectativas agora estão centradas em sua promessa de aprofundar e radicalizar sua proposta de Revolução pacífica e cidadã.

"Ratificarei com todas as letras, com toda clareza, as opções preferenciais de nosso governo e estas serão pelos pobres, pelos jovens e pelos nossos povos ancestrais", destacou o dignatário na véspera, durante a cerimônia de assunção indígena celebrada na comunidade de La Chimba, a 70 quilômetros ao norte de Quito.

"Esta revolução bolivariana e alfarista a serviço dos mais fracos não tem retorno, vamos radicalizar esta revolução em paz, e para isso não vamos utilizar balas ou pedras, senão lápis, caminhos e dignidade", enfatizou. A realização nesta segunda-feira da cerimônia oficial da tomada de posse coincide com a comemoração dos 200 anos do primeiro grito de independência, que marcou a libertação do Equador e outras nações latino-americanas.

O mandatário assumirá igualmente a presidência pro tempore da UNASUR, o que lhe permitirá impulsionar o processo integracionista regional. Para os especialistas, a presença aqui de 12 chefes de Estado e mais 50 delegações estrangeiras denotam a transcendência internacional alcançada por um novo Equador e seu presidente.

Fonte: Prensa Latina

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Sobre mentiras, montagens, baixarias...

Por Miguel Angel.

Fonte: www.farc-ejercitodelpueblo.org/

Os generais colombianos se encontram empenhados em limpar a imagem do exercito. Querem apresentá-lo como a força armada que representa a nacionalidade e defende o interesse de todos os colombianos. Homens que estão dispostos a dar a vida por seus compatriotas dizem com freqüência em seu afã de elevá-los a categoria de heróis. Nada mais distante da verdade real e histórica.E nada mais absurdamente contraditório.

Só o esforço de montar semelhante campanha fala por si mesmo.

As tropas estão por toda parte, em campos e cidades, nos locais mais remotos, nas capitais. Ou seja, estão presentes onde existe uma comunidade.Em contato permanente com a população.As comunidades têm a oportunidade de observar de forma direta e pessoal, a conduta e o papel da tropa. Por que convencê-las, então, da bondade de sua missão? Para que fazem propaganda se seu comportamento é exemplar?

Decidiram consagrar 2009 ao que chamam de ano do respeito aos Direitos Humanos. A força midiática nesse sentido é enorme.Trata-se de divulgar o esforço para que seus homens respeitem a população das áreas de conflito. Dizem que têm uma escola de Direitos Humanos em Tolemaida e que assinaram convênios com o SENA para capacitação de cem mil homens, nesse trabalho, durante esse ano. Tais manifestações não são o melhor testemunho de que a arbitrariedade e o comportamento selvagem são constantes na conduta de seus oficiais e soldados?

O inspetor geral do exercito afirma que está sendo ensinado a seus homens o respeito aos combatentes e em conseqüência das execuções extrajudiciais, os falsos positivos, são já coisas do passado. Isso surpreende se levarmos em conta que a maioria das vítimas das execuções extrajudiciais são precisamente da população civil não combatente. Não vou me referir aos casos tão freqüentes de guerrilheiros rematados covardemente pela tropa. Porém, a experiência nesse sentido é estarrecedora.

É direito dos heróis´ de Uribe se dedicarem á pratica repugnante de tirar as roupas das guerrilheiras mortas em combate para fazer uma série de obscenidades em seus órgãos genitais.?

A verdade é que temos na Colômbia forças armadas oficiais selecionadas e forjadas de tal maneira na doutrina ianque da Segurança Nacional que devido a seu comando têm que montar a parafernália publicitária para demonstrar o contrário. As teses do inimigo interno, de secar a água do peixe, da neutralização preventiva dos objetivos de guerra, têm sido e continuam sendo o dogma central na capacitação dos homens encarregados da segurança interna e externa na Colômbia. Esses fatores são a fonte da mesma guerra, de tanto horror padecido pelo povo e do terror institucionalizado.

Os ditosos heróis não passam de criações publicitárias. Em primeiro lugar, o mesmo alto comando militar que fala sobre eles, oculta que essas baixas estejam ocorrendo. Os generais negam as ações militares da insurgência, elas não existem para a grande mídia. Preferem trocar a expressão “militares mortos em combate” pela de “pessoas assassinadas”, com o fim de negar a confrontação. Nem sequer se comovem pela sorte de seus prisioneiros de guerra. Em segundo lugar, porque seus heróis são como Mario Montoya, embaixador de Uribe na República Dominicana, o homem dos falsos positivos e homem da confiança dos paramilitares Mancuso e Don Berna. Em terceiro lugar, porque os pobres soldados, sub-oficiais e oficiais mortos em combate estão servindo como carne de canhão das grandes corporações trans-nacionais, às que Uribe, de forma vergonhosa, exime de pagar impostos de guerra para não afetar os dividendos obtidos a custa da miséria, da pobreza e do sangue que se perde no país.

O discurso do alto comando militar constrói realidades virtuais totalmente opostas à realidade.

A presença norte americana e as bases aéreas, tão em moda estes dias, faz parte dessa realidade .

Claro que isso é a humilhante perda da soberania nacional, a intenção de agredir os paises vizinhos que desenvolvem projetos políticos e sociais que se opõem à vontade imperial; claro, que sob pretexto de luta anti-drogas essa presença é utilizada para serviços de inteligência e seguimentos, interceptação e tudo o que o DAS não pode fazer em função de estar envolvido em escândalos. A colaboração e cooperação amistosa com a Colômbia de que falam os generais, significa, na realidade, que a intervenção militar norte-americana na Colômbia e América Latina está sendo feita em escalão mais alto. Sua justificativas hipócritas perdem seu próprio peso.

O que se instalará em nosso país é outro exército dos Estados Unidos, diferente do que ocupa e bombardeia o Iraque, do que massacra centenas de milhares de famílias no Afeganistão e Paquistão?. Ou é outro diferente do que é imposto ao México sob o plano anti-drogas vivendo aquele país nos mais extremos limites de violência? Não se trata da mesma potencia que patrocinou o golpe da Venezuela em 2002, no Haiti em 2004 e em Honduras este ano? Não foram eles que impuseram o Plano Colômbia e a guerra total contra a oposição política e os campesinos em nossa pátria?

Como não se denominar de invenções fabulosas as declarações do general Freddy Padilha?
Segundo ele, as FARC perderam 35 frentes. Seus combatentes estão dizimados e sem recursos e têm que recorrer aos correios humanos. Mas, ele acha necessário aumentar a intervenção norte-americana e aumentar o orçamento para a guerra.

É então que se compreende a montagem contra o processo democrático que avança no Equador. Uma espécie de Honduras no estilo Obama. Quando Padilha afirma que Mono Jojoy já não utiliza telefone celular como antes não está anunciado nova interceptação telefônica entre os membros do Secretariado das FARC para provar o que quiser? Tais meios jamais tinham sido usados aqui para isso. A tecnologia e interesse dos gringos servem para tudo.Sobretudo, para guerras e golpes de estado. Isso ficará registrado na historia. E tudo indica que o próximo da lista será Correa. Ou não?

A guerra midiática na América Latina

Não perder de vista esta nova dimensão da luta política, “a guerra midiática” ou o “terrorismo midiático”, é uma condição necessária para compreender a natureza e as tendências de muitos dos conflitos e disputas – culturais e ideológicas – que se desenvolvem na América Latina hoje.

Por: Andrés Mora Ramírez.(*)
Fonte: TeleSur


Recentemente, o Grupo Nación S.A., da Costa Rica, através do seu principal jornal La Nación, lançou um furioso ataque – mais uma vez – contra a Revolução Bolivariana e o governo do presidente Hugo Chávez, pelo que consideram um tratamento lesivo que se dá aos meios de comunicação “independentes” na Venezuela. Mas desta vez incluiu uma variante. No seu editorial de 11 de agosto, entre os já oficiosos e recorrentes argumentos das direitas latinoamericanas, La Nación deu aula de ciência política quando sentenciou que “a democracia é muito mais do que o voto e somente brilha totalmente quando se preocupa com a proteção das minorias”.

Trata-se, é claro, de uma definição da democracia manejada a conveniência pois os editores desse jornal não a aplicam por igual para julgar e “formar opinião pública”, por exemplo, sobre o golpe de Estado contra o presidente legitimo de Honduras, Manuel Zelaya: desde o dia 28 de junho, quando se rompeu a ordem constitucional, esse grupo de empresários do jornalismo não dedicou sequer um dos seus editoriais a condenar e atacar - com a mesma virulência com a que se refere aos governos da Venezuela, Equador, Bolívia, Nicarágua ou Cuba - à brutal repressão contra o povo hondurenho, os assassinatos e as numerosas violações dos direitos humanos cometidas pelos golpistas liderados por Roberto Micheletti, e que tem sido documentados por organizações não-governamentais, a comissão especial da Corte Interamericana de Direitos Humanos e a Relatoría de Liberdade e Expressão da ONU.

Este peculiar conceito de democracia, usado a conveniência, também se aplica ao que acontece, para mostrar outro exemplo, no para-estado colombiano. La Nación guarda silêncio absoluto sobre o sequestro do Dr. Miguel Angel Beltrán no México e o seu deslocamento ilegal a Bogotá, e sequer protesta pelas persecuções de estudantes, intelectuais, dirigentes sindicais e ativistas da sociedade civil na Colômbia: minorias indefesas diante do poder público, judicial e midiático concentrado na figura de Álvaro Uribe, e os fatores nacionais e estrangeiros que o sustentam no Palácio de Nariño.

O problema não é somente que um meio – La Nación, ou qualquer outro – omita, deliberadamente, informar seus leitores sobre os fatos, mas que o façam com evidentes objetivos políticos, enquanto se veste com o disfarce da defesa da liberdade de expressão e da democracia. Aqui, o silêncio do jornal deixa de ser simplesmente expressão da sua ideologia e interesses específicos (realidades com as que devemos lidar na democracia), para adotar a forma de uma manipulação aberta da opinião pública pela via da desinformação.

Esta situação a que nós referimos, se apresenta na Costa Rica e em toda a América Latina. Numa reportagem publicada em fins de 2002 pelo Le Monde Diplomatique, o jornalista Luis Bilbao analisou o papel dos mais poderosos jornais, emissoras de TV e rádios venezuelanos no golpe de Estado cometido contra o presidente Chávez, em abril desse ano, e concluiu que “os meios de comunicação na Venezuela deixaram de refletir e interpretar os acontecimentos para passar a desenhá-los segundo a sua vontade, impondo-os como realidade virtual e, em seguida, a conduzi-los. A ousada operação falhou, mas deixou profundas e perigosas feridas na sociedade venezuelana e inaugurou uma fase singular de luta política, para além daquele país e do presidente Hugo Chávez”.

Não perder de vista esta nova dimensão da luta política, ou seja, a guerra midiática ou o terrorismo midiático, é uma condição necessária para compreender a natureza e as tendências de muitos dos conflitos e disputas – culturais e ideológicas – que se desenvolvem na América Latina hoje.

No contexto da globalização neoliberal, os meios de comunicação hegemônicos constituem um dos principais “aparatos” de produção de consenso e de reprodução do “sentido comum” dominante e da cultura de massas. Agora, além disso, diante do fracasso e da deriva de muitos dos atrofiados partidos políticos latinoamericanos (convertidos em máquinas eleitorais e “feudais”), tem-se transformado em bastiões da oposição aos processos de mudança social, política e cultural.

Conglomerados como Televisa, do México; O Globo, do Brasil; El Clarín, da Argentina; Grupo Cisneros, da Venezuela; a Casa Editorial El Tiempo, da Colômbia; e até o espanhol Grupo Prisa, são alguns dos principais porta-estandartes da contra-ofensiva da direita. Seus “conteúdos informativos independentes” enchem os noticiários, revistas, jornais, programas televisivos e radiofônicos de suas empresas de comunicação aliadas (satélites) em nossos países.

Trata-se de um fenômeno que aprofunda rasgos históricos do desenvolvimento da comunicação social e, particularmente, do espaço audiovisual na América Latina, que desde meados do século XX configurou-se numa estrutura de oligopólios, associada ao capital estrangeiro e intimamente ligada ao sistema político (inclusive sob as ditaduras militares). Mas que não era representativa da população, nem expressava as aspirações mais profundas e a diversidade cultural dos nossos povos.

Como bem o disse certa vez Jesús Martín Barbero, destacado teórico da comunicação, estes grupos econômicos pretendiam – e pretendem – “fazer sonhar aos pobres o mesmo sonho dos ricos”.

Oligarquias antiquadas, racistas e antidemocráticas; banqueiros, investidores, câmaras patronais e empresas transnacionais que esperam a oportunidade de dar o bote nos recursos naturais da região; e, junto deles, uma infalível constelação de figuras daquilo que Atílio Borón chama de intelectualidade “bem pensante” (tradicional e conservadora), se espremem por trás dos meios de comunicação e seus modernos sistemas tecnológicos de difusão eletrônica, televisiva, radial e impressa.

Uma maquina descomunal que se alimenta de imensas quantidades de dinheiro proveniente do suculento bolo da publicidade (os negócios que servem para fazer mais negócios) e, especialmente, do medo: medo dos opressores que observam os oprimidos de ontem se levantarem, reclamando o direito de construir seus destinos, donos de nada, que com suas lutas vão tornando cada vez mais forte aquela humanidade que tem dito Já Chega!...E que agora marcha pela nossa América.


(*) Membro da AUNA (Asociación por la Unidad de Nuestra América) - Costa Rica.

Chávez adverte que os EUA buscam o domínio da América Latina


Washington e Bogotá negociam um pacto para que militares norteamericanos se instalem em sete bases colombianas para suas operações, que pautadas, segundo justifica o governo de Uribe, em políticas de segurança. Tal fato gerou o rechaço de vários governos latinoamericanos, por considerá-lo uma ameaça à paz na região.


Fonte: TeleSUR


O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, denunciou que, já faz tempo que os EUA consideram a base de Palanquero (a 200 km de Bogotá) como uma base colombiana imprescindível para utilizá-la, “não para o combate ao narcotráfico, mas para o domínio da América do Sul”. Numa intervenção via telefone no programa “Dando e Dando”, transmitido pelo canal estatal venezuelano, o presidente Chávez informou sobre documentos que contem as verdadeiras intenções dos EUA ao instalar tropas militares em diferentes partes da América Latina.

Relatórios militares norteamericanos em seu poder informam sobre a “estratégia imperial”, e destacam a localidade colombiana de Palanquero como epicentro para ter o “domínio” da América do Sul e Central.

“Essa estratégia não pode aparecer” explicita no pacto militar entre Bogotá e Washington, “vão escondê-la, vão negar, é claro”, mas “é parte da estratégia e Colômbia está se prestando para que os EUA montem um aparato e ameace a todos” na região, disse.

O acordo foi selado na sexta-feira passada em Washington, mas agências governamentais de ambas as nações terão que fazer uma revisão antes da assinatura.

Chávez advertiu que o império norteamericano pretende ignorar a crise do capitalismo e destacou que “com tamanha crise do imperialismo”, este “contra-ataca por aqui, pela América Latina”.

Disse que “diante das grandes dificuldades que estão tendo”, aceleram pela América Latina “uma estratégia militar imperial que vem sendo discutida desde 1992”.

Considerou que o Governo colombiano “por conta própria”, não “vai voltar atrás” o acordo militar com os EUA, porque “está sujeito às ordens do império”.

“Pelo contrário, eles vão adiante”, disse, pelo que ressaltou que a revolução venezuelana saberá como se livrar “de sete ou de 20 bases”.

“O próprio povo da Colômbia é o primeiro ameaçado”, advertiu Chávez, “porque depois nessas bases quem vai dar as ordens é o Pentágono”

Afirmou que o golpe de Estado contra o presidente de Honduras, Manuel Zelaya, pode-se repetir em qualquer parte, inclusive, pode ser dado contra um governo colombiano que não esteja de acordo com a presença militar norteamericana, ou com as políticas do Pentágono.

Relembrou que durante a visita do ex-presidente colombiano Ernesto Samper à Venezuela este “explicava-nós como tiraram seu passaporte e colocaram cocaína no seu avião para depois capturá-lo e julgá-lo por narcotráfico”.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

A Invasão da Colômbia.

Por Rubén Zamora

Fonte: www.farc-ejercitodelpueblo.org/


O Projeto da Grande Colômbia que foi o sonho do Libertador Simón Bolívar, está na mira desesperada no Novo Império. O Ideário da Independência se tem adiado tempo demais e em seu nome se comemorou o grito sublime do dia 20 de Julho pelo governo da Colômbia, em quanto o seu território nacional era ocupado por tropas norte-americanas num ato explícito de violação à Soberania Nacional, dos Princípios Republicanos e da Constituição Política.

O chamado “super-show nacional do 20 de julho”, e a cavalgada militar pelo caminho por onde passou o Libertador foi uma jogada da grande mídia para usurpar a memória histórica e para tender outro manto falaz de desorientação, ante o mais grave dentre tantos e vergonhosos atos dos dirigentes políticos do país atualmente no exercício do poder. O Conselho de Estado apenas sussurrou contra a violação de seus foros e o Congresso foi incapaz de se pronunciar, por estar cheio de imoralidade, ilegitimidade e ilegalidade, tendo-se desconhecido seu direito constitucional. Tem transcorrido o tempo suficiente para ter declarado a ilegalidade desse episódio punível que pudesse adiar o infausto destino à Pátria.

Nada legítimo, legal, ético ou moral justificaria na Colômbia ou em qualquer outro país do mundo, a intervenção de tropas estrangeiras. Esse ato é uma pancada deferida nos anseios dos colombianos de acabar com um conflito de mais de 60 anos de muito sacrifício e sofrimento padecidos pelo nosso povo. A oligarquia mais ranzinza, as multinacionais e as grandes corporações do complexo industrial dos Estados Unidos enchem seus bolsos com o negócio da guerra. Eles querem perpetuar a dor dos colombianos e afogar em sangue o projeto estratégico de nossos povos da América do Sul, Centro América e O Caribe.

O Terrorismo na Colômbia é a essência do atual regime. Por culpa dele mais de quatro milhões e meio de colombianos têm sido desalojados violentamente, centenas e centenas assassinados; um Projeto Político (a União Patriótica) foi banido aos tiros e mais de cinco mil de seus dirigentes assassinados. Mais de 6.5 milhões de hectares foram arrebatados aos camponeses e uma enorme quantidade deles assassinados e enterrados em valas comuns. O Sindicalismo continua sendo objetivo da guerra suja e da arbitrariedade da legislação trabalhista. Os povos indígenas continuam sendo vítima da pilhagem de seus territórios como na época da conquista e milhões de colombianos padecem enfermidades curáveis, fome, desnutrição e miséria. O Narcotráfico penetrou até nas mais altas instâncias do poder e tem servido de amparo às atrocidades do terrorismo de Estado e o paramilitarismo que segue intacto ao serviço do poder dominante.

A rebeldia do povo colombiano e seu exército de guerrilhas das FARC-EP, que é um dos objetivos a ser destruído, representa o direito de um povo que resiste digna e heroicamente. Embora tenha sido difícil o combate, seguimos incólumes e temos a certeza da revolução bolivariana porque nosso não será indiferente ante o seu dever histórico e a confiança que nele depositou o pai de todos os libertadores, Simón Bolívar.

A Guerra Privada na Colômbia: Dossiê Mercenários


Fonte: Anncol

O Plano Colômbia legalizou as atividades realizadas há anos por empresas militares privadas na guerra contra as guerrilhas, diminuindo a necessidade de presença ostensiva de militares norte-americanos que, no entanto, mantêm o controle dessas operações

Hermano Ospina

Ao final do Tour de France de 2004, o terceiro lugar na modalidade individual – Ivan Basso – e em equipes, foi levado por ciclistas da equipe CSC. Muito poucos patrocinadores sabem que essas iniciais significam Computer Science Corp. e menos ainda que se trata de uma transnacional ligada às forças de segurança americanas. Essa relação foi reforçada em março de 2003 quando a CSC adquiriu a DynCorp, uma das Sociedades militares privadas (SMP) preferidas de Washington.

Desde o final de 1993, a DynCorp está presente na Colômbia. Espera-se que ela exerça suas atividades na luta contra o narcotráfico, mas a empresa participa, juntamente com mais de 30 sociedades militares privadas (SMP), da guerra contra as guerrilhas – Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) e o Exército de Libertação Nacional (ELN) – e, também, da repressão ao movimento social. Essas SMP têm contrato diretamente com o Departamento de Estado norteamericano, o Pentágono ou a Agência Americana para o Desenvolvimento Internacional (USAID)(1), e defendem de fato os interesses da “superpotência”. Graças a elas, Washington fabricou o principal conflito privatizado do mundo (além do Iraque).

Em setembro de 1999, o presidente Andrés Pastrana voltou de Washington depois de obter de Clinton uma ajuda de 1,7 bilhões de dólares para financiar o plano Colômbia, para agradar a opinião pública e, também, para evitar o impacto psicológico negativo de uma intervenção muito visível. O número de militares americanos autorizados a trabalhar nas operações antinarcotráfico, na Colômbia, foi limitado a 400. Todavia, para se evitar uma intervenção aberta – do tipo Granada (1983) ou Panamá (1989) – é importante, para Washington, apoiar Bogotá através de sistemas eficientes de informação e treinamento. Ao aprovar o plano, em julho de 2000, o Congresso autorizou, além da presença dos militares, a de 400 agentes de investigação civis, restrição facilmente contornável. Como a lei refere-se a “americanos”, o Departamento de Estado e as empresas como a Dyncorp empregam pessoal da Guatemala, Honduras ou Peru, ultrapassando tranqüilamente os limites fixados. Efetivamente, o Plano Colômbia não passa de uma legalização das atividades que já realizavam muitas dessas empresas. Pois, além de sua nova importância e sua qualificação, as SMP não são uma novidade no país.


Treinamento israelense

Em 1987, sob o olhar benevolente do governo, grandes proprietários de terras e narcotraficantes ligados ao cartel de Medellín apelaram para a empresa israelense de segurança Hod He’hanitin (Spearhead Ltd) para treinarem paramilitares. Instalações e terrenos da Texas Petroleum Co. foram utilizados para a formação dada por ex-oficiais do exército israelense e pelo Mossad (2) - por exemplo, pelo Tenente - Coronel Yair Klein(3), ou os antigos comandos da SAS britânica. Esses mercenários ensinaram as técnicas anti-subversivas utilizadas depois para “limpar” as zonas bananeiras e petrolíferas de pessoas suspeitas de apoiar às guerrilhas. Esse conhecimento serviu também para os assassinatos, entre 1987 e 1992, de Jaime Pardo Leal e Bernardo Jaramillo (União Patriótica), Carlos Pizarro (M-19) e Luis Carlos Galán (liberal), candidatos à eleição presidencial em oposição à situação.

Segundo um documento do relator especial da Organização das Nações Unidas apresentado, em fevereiro de 1990, à comissão de direitos humanos da ONU, mais de 140 grupos paramilitares operavam, então, no país, em estreita ligação com o exército e a polícia. Atacando, não apenas simpatizantes da guerrilha, mas também operários, sindicalistas e camponeses. Essas milícias fizeram milhares de vítimas(4). O termo “paramilitar” usado com habilidade e como fachada, empregado de forma eufemística, teve a função essencial de ocultar o corpo (o exército) e as forças políticas que promoveram essa política de extermínio (5). Acima de tudo, ao conduzirem a “guerra suja” no lugar do exército e dos agentes do Estado, elas permitiram a esses últimos “recompor” sua imagem e poder pretender a ajuda americana, que lhes impediria violar excessivamente os direitos humanos.


Política de terror

Como essa política de terror não bastava para erradicar os revoltosos, Washington entrou no conflito pela porta dos fundos. As companhias de petróleo presentes na Colômbia, as indústrias de armas e as sociedades militares privadas gastaram 6 milhões de dólares no lobby para conseguir do Congresso o sinal verde para o Plano Colômbia. Uma vez aprovado, os contratos compensaram amplamente o investimento. Dos 1,30 bilhões de dólares outorgados ao plano pelos Estados Unidos, 1,13 bilhões foram gastos sem que um único funcionário colombiano visse nenhum centavo. Até a quantia obtida pelo Banco Mundial para o plano foram canalizadas por Washington para as sociedades militares privadas (SMP).

O primeiro investimento realizado com esse dinheiro foi a compra de um avião espião RC-7, do Pentágono, por 30 milhões de dólares em substituição a um aparelho semelhante que havia se espatifado contra o monte Patascoy, perto da fronteira equatoriana, quando coletava informações sobre as FARC, em 23 de julho de 1999. Na ocasião, a morte de cinco agentes norte-americanos detonou um escândalo por revelar o grau de ingerência de Washington no conflito (6). O novo avião foi emprestado à Northrop Grumman Corp., uma SMP, para que prosseguisse o trabalho.

Três Esquinas e Larandia, bases de forças especiais norte-americanas fixadas no Sul da Colômbia, há muitos anos, também receberam os “terceirizados”. Todo o que ali se consome e se utiliza é importado dos Estados Unidos pelas sociedades militares privadas. É, principalmente, nessas bases que são treinados os milhares de militares e paramilitares encarregados de recuperar a zona de El Caguán, território onde o governo de Andrés Pastrana havia estabelecido negociações com as FARC.


Proteção diplomática

O elo com as companhias privilegiadas se faz através de “qualquer um” da embaixada americana. Nenhuma autoridade colombiana tem o direito de controlá-las, nem aos seus aviões, sua tripulação ou carga. Seus homens entram com visto de turista, porém beneficiam-se da proteção diplomática. Washington ameaçou suspender a ajuda econômica nas poucas vezes em que, em um ataque de dignidade, as autoridades colombianas ousaram protestar.

Existem sociedades militares privadas em todo lugar na Colômbia, a mais polivalente é a DynCorp, que fornece até cozinheiros. Arinc constrói sistemas de abastecimento para das pistas de pouso. O Grupo Rendon ensina os oficiais da polícia e do exército como explicar o Plano Colômbia. ACS Defesa fornece apoio logístico e aconselha o pessoal da embaixada americana implicada no Plano.

Entre outros serviços, a Lockheed-Martin oferece apoio aos helicópteros de combate e aos aviões de transporte de tropas. A Northrop instalou e gerencia sete potentes radares coordenados com um poderoso sistema aéreo de espionagem. Essa companhia também treina militares e paramilitares para as “operações especiais” (7). Outras empresas utilizam uma alta tecnologia para fotografar do espaço, interceptar as comunicações e analisá-las: ManTech, TRW, Matcom, Alion. Essas informações são transferidas ao Sistema de Reconhecimento do Comando Sul do exército americano (Southcom) e à CIA, que as analisam e as redistribuem às instâncias de sua escolha – as forças armadas colombianas são as últimas a serem informadas.

Tanto o Pentágono, quanto o Departamento de Estado e a USAID indicaram claramente que a maioria dos programas de assistência militar e logística, assim como os que dizem respeito à informação, não poderão ser transferidos rapidamente aos colombianos, uma vez que eles não dispõem de “capacidades técnicas” para dominá-los (8). Cabe perguntar então, para que serviram os instrutores recrutados!


Os “rambos” e o narcotráfico

Mais de 20 mercenários foram mortos desde 1998, quase todos em circunstâncias “estranhas” e imediatamente abafadas. Pelo que foi possível averiguar, Eagle Aviation Service and Technology (EAST), empresa terceirizada pela DynCorp, anteriormente implicada no escândalo “Irã-Contras” juntamente com a CIA (9), sofreu os dois primeiros mortos, em julho de 1998. Oficialmente, eles colidiram quando realizavam fumigação aérea de plantações de coca. De acordo com uma outra versão, a guerrilha os teria abatido.

Michael Demons, da DynCorp faleceu, em 15 de agosto de 2000, antes de chegar ao hospital de Florência. A autópsia revelou que fora vítima de um ataque cardíaco causado por uma overdose de heroína e de morfina. Ele trabalhava na base de Larandia. Alexander Wakefiel Ross, também da DynCorp, morreu “acidentalmente”, oficialmente decepado pela hélice de um avião, em agosto de 2002. Mas, disseram à sua mãe que ele fora assassinado porque sabia muito sobre a implicação de alguns camaradas no tráfico de drogas.

Rumores? Esse tipo de suspeita baseia-se em alguns fundamentos. Quando aborda enfim a questão, que já havia sido tratada na mídia americana, o jornal Semana é claro: “Os gringos que aplicam inseticidas no âmbito do Plano Colômbia são um bando de Rambos, sem Deus nem Lei, e foram implicados em um escândalo de tráfico de heroína (10)”. De fato, em 12 de maio de 2000, a polícia do aeroporto El Dorado, em Bogotá, encontrou dois frascos contendo 250 gramas de um líquido que, após análise, mostrou ser uma mistura de óleo e de emulsão de pavot, a base da heroína. Para a infelicidade do DynCorp, seus homens haviam utilizado uma empresa privada – Federal Express – para enviar a preciosa carga até seus postos estabelecidos na Base da Força Aérea de Patrick, na Flórida.


Negócios abafados

A polícia colombiana precisou manter silêncio até que, um ano mais tarde, a mídia americana tornou público um relatório da Drug Enforcement Administration. Dez empregados do DynCorp também estavam implicados no tráfico de anfetaminas, em 2000. Os elementos da investigação conduzida pelo Ministério da Justiça colombiana, misteriosamente, desapareceram, enquanto a empresa contentava-se em expulsar ou emudecer as pessoas incriminadas.

Washington fez tudo para abafar esse tipo de negócio que punha em risco as operações que o Pentágono conduzia com DynCorp em muitos países, especialmente o Iraque. Foi por esse motivo que a captura e prisão pelas FARC, em 13 de fevereiro de 2003, de três empregados – rebatizados “reféns” pela mídia – da Califórnia Microwave Systems que, no sul do país, “realizavam operações de informação (11)”, repercutiu pouco. Antes dos atentados de 11 de setembro, as guerrilhas colombianas gozavam de estatuto de forças políticas beligerantes. Desde então, o Departamento de Estado norte-americano as rebatizou de organizações “terroristas”. Em 2002, o congresso dos Estados Unidos aprovou o aumento – até 500 – do número de membros das Forças Especiais presentes na Colômbia, suprimindo o teto dos terceirizados autorizados. Do mesmo modo, autorizou o uso da ajuda militar “anti-narcotráfico” para fins contra-insurreicionais, o qual implica igualmente os terceirizados e as sociedades militares privadas.

Finalmente, abandonando os falsos fugitivos, Washington oficializou o que foi sempre uma realidade. Essa continuidade na mudança recebeu um nome – o Plano Patriota – e o eixo da guerra foi deslocado, especialmente em direção às zonas petrolíferas, próximas à fronteira da Venezuela.


Interesses contrariados

A guerrilha atrapalhou a exploração e o transporte do petróleo, considerando que apenas serve às transnacionais e a uns poucos colombianos. A primeira empresa que utilizou mercenários para proteger suas infraestruturas foi a Texaco. Em 1997 e 1998, a britânica Defence Systems Ltd. colaborava com o exército treinando paramilitares às expensas da British Petroleum, Total e Triton, com o auxílio da empresa israelense Silber Shadow para a aquisição de armamento.

Em 13 de dezembro de 1998, helicópteros bombardearam casebres de Santo Domingo, um vilarejo situado nas proximidades da Venezuela. De acordo com o exército, estavam ali os membros de uma coluna guerrilheira. Na realidade, as 18 vítimas eram camponeses. O alvo havia sido marcado e assinalado pelos mercenários da Occidental Petroleum, em cujas propriedades foi preparada parte da operação. Também foi dali que decolaram os aparelhos da Florida Air Scan com três americanos a bordo, entre os quais um militar na ativa. Eles desapareceram depois e o governo dos Estados Unidos recusou-se a entregá-los à justiça colombiana (12).

Em setembro de 2003, Bogotá aceitou assinar um acordo com os Estados Unidos, através do qual o governo colombiano comprometeu-se a não enviar cidadãos americanos que tenham, eventualmente, cometido crimes contra a humanidade, diante da Corte Penal Internacional, sem autorização de Washington. Quem, então, se encarregará em punir os crimes e delitos cometidos por mercenários que trabalham para as SMP? Outra questão: a política de “segurança democrática” do presidente Álvaro Uribe apóia-se na criação de um contingente de 25 000 “soldados-camponeses”, de frentes locais de segurança nos bairros e uma rede de um milhão de “informantes”. Deve-se a esses informantes ondas de detenções em larga escala com base em acusações fantasiosas, de serem supostos “agentes de guerrilha”. Quem controlará esses novos atores de uma guerra cada dia mais e, perigosamente, privatizada?

Dos paramilitares aos “soldados-camponeses” e às sociedades militares privadas, nada mais, em suma, do que a extensão e a atualização da estratégia teorizada desde 1967: “Se uma guerra limitada convencional provoca muitos riscos, então as técnicas paramilitares podem fornecer uma maneira segura e útil que permite aplicar a força tendo em vista a obtenção de fins políticos (13).

1 - A Agência para o desenvolvimento internacional (USAID), criada em 1961 pelo presidente John Kennedy é uma agência governamental independente, encarregada da cooperação para o desenvolvimento e de assistência humanitária.
2 - Instituto de informação e de operações especiais de Israel.
3 - Reencontramos Yair Klein implicado na troca de “diamantes por treinamento militar” na Libéria e em Serra Leoa, em 1997. Foi preso em Freetown antes de evadir-se. (tenente-coronel é o posto militar entre o coronel e o general).
4 - No final dos anos 1990, os paramilitares adquiriram alguns helicópteros e mecânicos para garantir sua manutenção e treinamento de vôo.
5 - Ver “Os paramilitares e o terrorismo de Estado Colombiano”, Le Monde Diplomatique, abril, 2003.
6 - Caicedo Castro Germán, Con las manos en alto. Episodios de la guerra en Colombia. Planeta, Bogotá, 2001.
7 - Cahier d’études stratégiques, nº 36-37, Cirpes, Paris, junho, 2004.
8 - El tiempo, Bogotá, 20 de junho de 2003.
9 - Ken Guggenheim, Associated Press, 5 de junho de 2001. (“Irã-Contras” foi o escândalo do financiamento contra-revolucionário nicaraguense com lucros gerados pela venda de armas dos Estados Unidos ao Irã islamita, apesar do embargo).
10 - “Mercenários”, Semana, Bogotá, 13 de julho de 2001.
11 - “Mercenários S.A”, El Tiempo, 20 de junho, 2004.
12 - Caicedo Castro Germán, op. cit.
13 - “La guerra en el mundo moderno”, Revista de la Fuerzas armadas, Bogotá, maio-agosto, 1976.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

EUA privatiza guerra colombiana com suas transnacionais mercenárias




Por: Eva Golinger:



Fonte: TeleSur

A advogada e pesquisadora Eva Golinger, denuncia a privatização total da guerra colombiana, através da utilização e financiamento de transnacionais norteamericanas. Como prova disto, encontrou em documentos governamentais desclassificados, uma lista de 31 empresários norteamericanos que mantêm relação com o Departamento de Estado. Esta lista contém os montantes dos financiamentos outorgados pela administração de Washington para potencializar a guerra na Colômbia.

“O Grupo Rendón é um dos mais conhecidos grupos de especialistas em operações psicológicas por se uma empresa do Pentágono, dedicada a desenhar este tipo de campanha (...) É quem maneja grande parte da campanha midiática contra a Venezuela e Equador”, argumentou a advogada.


Para o ano de 2009, o Departamento de Estado dos EUA investirá aproximadamente 520 milhões de dólares no Plano Colômbia. Mais da metade desse montante será para empresas privadas norteamericanas encarregadas de desenvolver, promover e impulsionar a guerra irregular em território colombiano e latinoamericano; assim denuncia a advogada e pesquisadora Eva Golinger à Agência Bolivariana de Noticias.

“Isto constitui a privatização total da guerra na Colômbia, através da utilização e financiamento de transnacionais mercenárias que não têm obrigação de responder legalmente a nenhum sistema judicial do mundo. Em outras palavras, gozam de imunidade total”, condenou Golinger.

Explicou que encontrou, em documentos governamentais desclassificados, uma lista de 31 empresas norteamericanas que mantêm relação com o Departamento de Estado. Esta lista contem os montantes dos financiamentos outorgados pela administração de Washington para potencializar a guerra na Colômbia.

“Chama a atenção as suas áreas de responsabilidade e as cifras de dinheiro que recebem para um período de doze meses”

Entretanto, expressou que apesar de serem empresas norteamericanas contratadas pelo Departamento de Estado, não estão sujeitas a nenhuma lei pública dos EUA.

“Como parte do acordo binacional, na Colômbia tem total imunidade, quer dizer, não respondem a ninguém por seus crimes, ações ou operações”, enfatizou.

Se bem que a lista possui 31 empresas, Golinger limitou-se a mencionar as de maior importância e aquelas que já têm uma longa ficha bélica no mundo.

Transnacionais da guerraA primeira delas é a Lockheed-Martin, uma das maiores do complexo industrial militar dos EUA. Dedica-se à fabricação de armas, tecnologia e até aviões de combate.

“Seu contrato prevê um financiamento, para o período de um ano, de 53 milhões de dólares, destinados a fornecer apoio logístico e assistência técnica à polícia nacional da Colômbia, além de facilitar pessoal humano para suas operações especiais”, acrescentou.

Outra empresa é a DynCorp International, pertencente também ao complexo industrial militar. O Departamento de Estado a financia com 164 milhões de dólares para fornecer pilotos, técnicos e apoio logístico ao exército colombiano.

“Da mesma forma, a empresa Arinc, empreiteira privada do complexo industrial militar, recebeu 8 milhões de dólares para manter, manejar e formar membros da polícia nacional da Colômbia em processos de coleta de dados e outros equipamentos associados com a espionagem” assinalou.
Ainda, Oakley Network (Rytheon)recebeu 5 milhões de dólares para o fornecimento de software de monitoramento da Internet e para dar assistência aos programas de espionagem conduzidos pela divisão de crimes da polícia nacional colombiana.

“Certamente, estas últimas duas companhias encontram-se por trás dos famosos e supostos computadores encontradas no acampamento bombardeado de Raúl Reyes, em março de 2008”, declarou a pesquisadora.

Também faz parte da lista a famosa transnacional das telecomunicações, ITT, que participou do golpe de Estado contra o presidente chileno Salvador Allende.

“Em 2007 recebeu uns 7 milhões de dólares para operar um sistema de radar hemisférico, apoio logístico e fornecimento de equipamentos e radares em território colombiano e que são operados via satélite”, indicou Golinger.


Espionagem Echelon

Outra empresa de grande envergadura é o Grupo Rendón, que conseguiu um contrato de 3,4 milhões de dólares para dar apoio em comunicações ao Plano Colômbia e ao plano contra o narcotráfico.

“O Grupo Rendón é um dos mais conhecidos grupos de especialistas em operações psicológicas por ser uma empresa do Pentágono, dedicada a desenhar este tipo de campanha (...) É quem maneja grande parte da campanha midiática contra a Venezuela e Equador”, argumentou a advogada.

Também afirma que no contrato se estipula o uso do sistema Echelon, o maior sistema de espionagem já conhecido, inventado nos anos 70 pela NSA (Agência de Segurança Nacional dos EUA).

”É um sistema via satélite que tem a capacidade de monitorar todas as comunicações no mundo. Eles introduzem palavras específicas no sistema e este se encarrega de comunicar-se com outros sistemas de comunicação. Se encontram que alguém utilizou essa palavra ao telefone, celular ou computador, a atenção dirige-se a esse lugar, dá a localização exata e permite monitorar a conversa”, comentou.

Concluindo, Golinger manifestou que este financiamento implica que a escalada ofensiva e agressiva do império contra a região continuará.

“Já vimos o golpe de Estado em Honduras, o recrudescimento do conflito colombo - venezuelano e a preocupação por parte dos países da Alternativa Bolivariana para os Povos da Nossa América – ALBA pela questão das bases militares (...) Isto não é ainda o fim”, finalizou.

domingo, 16 de agosto de 2009

Córdoba: Uribe atuou de costas contra a Colômbia ao pactuar bases com os EE.UU.


Em relação à liberação unilateral dos retidos que foi anunciada pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), Córdoba disse que ela, junto com o grupo Colombianas e Colombianos pela Paz, vêem-se limitados porque o presidente Uribe é quem decide em que momento se reúne com eles.

Fonte: TeleSUR


A senadora rechazou categoricamente o pacto militar
entre Bogotá e Washigton. (Foto: Archivo)



A senadora colombiana, Piedad Córdoba, neste sábado, considerou que o governo do presidente Álvaro Uribe atuou de costas ao país ao permitir o uso de sete bases militares da Colômbia por parte de forças norteamericanas.

“O Governo segue com uma decisão, dando as costas ao país, contrária aos interesses que podem significar a paz na Colômbia”, disse a funcionária na saída de uma reunião em Bogotá. Explicou que continuará trabalhando para conseguir um governo distinto e que “tenha como meta a paz e a reconciliação e inclusão entre colombianos e colombianas”.

A senadora rechaçou categoricamente o pacto militar entre Bogotá e Washington que foi concluído na sexta-feira e que se espera, de acordo com a imprensa local, seja assinado pelos dois governos dentro de duas semanas.

Em relação à liberação unilateral dos retidos anunciada pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), Córdoba disse que ela, junto com o grupo Colombianas e Colombianos pela Paz, se vêem limitados porque o presidente Uribe é quem decide em que momento se reunirá com eles.

“O Governo é quem decide em que momento nos reuniremos (...) não que não estamos fazendo nada, estamos chegando até onde podemos e o limite o impõe o Governo”, acrescentou.

Confirmou que neste domingo apresentar-se-ão provas de vida dos detidos e anunciou que se darão em partes porque “vem de vários lugares do país”

Assegurou também que não pode adiantar “nada” sobre a liberação anunciada pelas FARC a respeito de Pablo Emilio Moncayo, porque também “sentem-se limitados”.

Num comunicado de 16 de abril, as FARC anunciaram a sua vontade de liberar de forma unilateral ao cabo Moncayo, para o quê solicitaram a presença na hora da entrega do pai do detido e da senadora da oposição Piedad Córdoba, a mesma que em fevereiro recebeu quatro uniformizados e a dois políticos por patrulhas guerrilheiras.

Imediatamente depois que se soubesse a decisão das FARC, Álvaro Uribe respondeu que não permitiria a presença de nenhuma organização diferente do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CIRC, em espanhol) com a participação opcional da Igreja Católica, se as FARC assim o desejarem.

O império contra-ataca

Por: Carlos Fazio

Diante da irrupção de processos políticos e sociais de novo tipo que desafiam a hegemonia e o mito da invencibilidade do domínio dos EUA na América Latina, a administração Obama/Clinton vem aprofundando as estratégias herdadas de George W. Bush, com ênfase na intervenção político-militar aberta e encoberta em áreas consideradas de vital importância para o império.


Fonte: Anncol


Trata-se da tradicional política do porrete e da cenoura, agora com a novidade – nas palavras de Pablo González Casanova – de que opera em redes. Quer dizer, Washington conta com uma força-tarefa integrada por governos clientelistas, como os de Álvaro Uribe, da Colômbia e de Felipe Calderón, no México.

A atual estratégia regional foi desenhada pelo Departamento de Defesa durante o mandato de William Clinton. Sua primeira fase começou em 1999, quando o Comando Sul do Pentágono teve que desmontar a base Howard, na zona do Canal do Panamá e transferir suas principais funções para a Florida e Porto Rico. Isso obrigou mudanças profundas na presença do Pentágono na América Latina e Caribe. O novo modelo alternativo foi a instalação de uma rede de bases militares denominadas Centros Operacionais Avançados (FOL, em inglês), e a seleção da Colômbia como plataforma para tentar uma vietnamização da América do Sul.

Desenhadas como plataformas portáteis de inteligência com conexão imediata com o Centro Espacial de Guerra na Base da Força Aérea Schriever, em Colorado Springs – EUA, as bases FOL de Manta, sobre o Pacifico equatoriano; Comapala, em El Salvador; Rainha Beatriz, em Aruba e Hato Rey, em Curaçao, no Caribe, vêm funcionando como infraestrutura de apoio em rota para as forças expedicionárias do Pentágono encarregadas da guerra de contrainsurgência na região. Washington complementou sua nova estrutura militar com uma rede de 17 radares de longo alcance, como o que opera na base de Três Esquinas (Caquetá, Colômbia), e duas bases de terra: Guantanamo em Cuba e Soto Cano ou Palmerola, em Honduras, onde opera a Força Conjunta Bravo, a única do Comando Sul fora do território dos EUA, vinculada com as unidades secretas de Cerro La Mole e Swan Island, indispensáveis para o funcionamento da inteligência militar norteamericana na região.

Com Clinton foi diluindo-se a diferença conceitual entre a luta contra as drogas e a guerra contrainsurgente. O conflito interno colombiano foi alimentado com denominações tais como narcoguerrilha e narcoterrorismo. Logo, a administração de Bush converteu o protótipo colombiano, baseado no paramilitarismo e no terrorismo de Estado, num produto de exportação. As bases FOL do Plano Colômbia serviram de modelo para a instalação de pequenas bases nos países vizinhos de Afeganistão, e hoje a democracia do esquadrão da morte de Uribe aterroriza no México de Calderón , via Iniciativa Mérida, financiada pelos EUA, que, entre outros propósitos, busca consolidar um bloco de contenção militarizado diante os processo de transformação social que vem ocorrendo na Nicarágua, Honduras e El Salvador.

O anterior foi complementado com operações encobertas do Pentágono e a Agência Central de Inteligência, e as chamadas guerras por intermediários que, baseadas no laboratório da ex-Federação Iugoslava, fomentam a sedição e o separatismo na Bolívia, Venezuela e Equador. As ações clandestinas incluem técnicas de penetração como captação de aliados internos mediante corrupção, o suborno ou a afinidade ideológica, que são logo utilizados como agentes provocadores, e que, como no caso das atividades divisionistas na Meia Lua boliviana, pode incluir ações de caráter paramilitar e campanhas de propaganda negra e intoxicação (dês)informativa, que contam com o apoio de grandes meios sob o controle monopolista privado, alimentados pela USAID e a USIA.

Em 2008, o arcabouço militar de Washington foi reforçado com o relançamento da IV Frota da Marinha de Guerra, que agora atua nos oceanos Pacífico e Atlântico e nas águas marrons do interior da América Latina, em aberta provocação ao vacilante Conselho de Defesa da União das Nações Sul-americanas (Unasul), integrada por 12 países da região.

Na sua fase atual, a estratégia de reversão Obama/Clinton recorreu ao golpe de Estado em Honduras, diante da intenção de Manuel Zelaya de converter a base militar de Soto Cano em aeroporto comercial. O presidente deposto pretendia seguir os passos do seu homologo do Equador, Rafael Correa, que não renovou o contrato para a permanência dos EUA em Manta. Se somado a Manta, a eventual perda de Soto Cano debilitaria a rede de bases FOL do Pentágono. Daí o golpe militar. Entretanto, Washington adiantava negociações secretas com Álvaro Uribe para converter a Colômbia no seu grande enclave militar no coração da América do Sul, com a mira apontando para os hidrocarbonetos da Venezuela, Equador e Bolívia, e os recursos da Amazônia.

No contexto da doutrina de Guerra Irregular, o Comando Sul substituirá as funções de Manta com a base de Palanquero, que será apoiada por outros dos bastiões da Força Aérea Colombiana em Apiay e Malambo, e as bases navais de Bahia de Málaga e Cartagena. Um novo contrato permitirá que soldados, aviões e navios de guerra dos EUA participem legalmente em operações contra a guerrilha das FARC e do ELN. Por sua vez, a Venezuela ficará isolada num triãngulo de ferro entre a Colômbia, a IV Frota, Aruba, Curaçao e Soto Cano. E em breve, o papel do México, incorporado de fato à guerra contrainsurgente regional dos EUA, poderia cobrar maior visibilidade.

Faltam as batalhas decisivas.

Por Raúl Crespo. Venezuela

Para as sociedades como para seus povos, não há processo sem desafios. O processo é uma batalha da mesma maneira que a vida é um combate; sempre tem podido observar-se estes axiomas, porque, até hoje, a história das revoluções apenas se tem diferenciado da história militar. O proletariado tem a força necessária para sair vitorioso dos projetos golpistas.

Na situação atual, o que se requer, não é uma retirada estratégica como a de Manuel Zelaya senão a preparação de uma contra ofensiva estratégica interna e externa de luta para defender e estender as conquistas revolucionárias conseguidas da mão do povo e consolidar as reivindicações dos estratos oprimidos.

A tarefa estratégica para o próximo período contra-revolucionário de agitação, propaganda e organização golpista consiste em superar a contradição, entre a maturidade das condições reais da revolução que há que alcançar com a imaturidade dos governos, do povo e os partidos.

É preciso organizar as massas para a luta cotidiana contra os projetos golpistas no Equador e na Venezuela, sob o programa revolução, socialismo ou morte.

Devemos incrementar as forças organizativas com os conselhos comunais e as milícias, a alça do nível de combatividade do povo em todos os países que apóiam a revolução bolivariana, ao tempo que evitar que a gravidade da política Obama, suborne as massas manipulando a verdadeira crise social e política para a América Latina.

Apesar do atraso da consciência política, apesar da desocupação massiva e o reforço que isto significa para a ofensiva golpista, apesar do apoio que oferecem as burocracias operárias traidoras ao processo, o povo revolucionário deve ter a capacidade de combate em toda a nação, respondendo com poderosas medidas ofensivas e defensivas em todos os países.

Há que evitar que tenha sucessos duradouros a nova e muito perigosa ofensiva que estão montando as forças capitalistas desestimando a solução socialista à crise. Esta ponte deve consistir em uma maior informação, não transitórias, que partindo das condições atuais pela ofensiva contra-revolucionária e da atual situação de repúdio aos golpes a consciência das massas conduza à conquista definitiva da evolução revolucionária para outra democracia. Princípio de participação que tem que defender para a inclusão do povo no poder.

Necessidades forjadas nestes últimos dez anos pelo crescimento das forças populares para satisfazer as necessidades mais prementes, congeladas por dois séculos. No transcurso têm existido revoluções, exceto Cuba, as contra-revoluções triunfaram por carecer de apoio massivo popular.

Hoje, as revoluções pacíficas se expressam de diversas formas, sempre perseguindo satisfazer antigas necessidades como as novas produzidas pelo próprio capitalismo que nos leva de crise em crise a cada vez mais dantescas, portanto, há que declarar em nível internacional a luta contra o golpismo gerando pressão em favor da unidade de ação ou a unificação revolucionária com Equador, Cuba, Brasil, Argentina, Bolívia, Venezuela, Rússia e China, si é possível com caráter unitário com a ALB A e UNASUL, com conselhos de delegados permanentes para frear o ímpeto contra-revolucionário, que utiliza à OEA e ONU como aliados diplomáticos de Washington.

O que falta aos nossos dirigentes, nestes anos de processo é uma ambição racional, ou seja, realizável. Nossos debates políticos, precisamente pela industrialização que começou, demonstram substantivamente que nossos responsáveis perderam de vista as novas realidades e as condições mediatas de esperança, e isso até o ponto que a maioria dos projetos estão estagnados ou cresceram muito pouco, frente ao capitalismo, que ainda em crise pretende alçar-se novamente como triunfador.

Para enfrentar as batalhas que se aproximam, para combater na marra os elementos do golpe, necessitamos:

-Incrementar uma camada de gente radicalizada no partido e nas estruturas políticas.

- A organização de uma ala da esquerda política, combativa do partido revolucionário para que esteja do lado do povo miliciano e com os conselhos comunais.

- Mobilização e capacitação permanente desta ala com o fim de substituir as direções conciliadoras e desleais que operam dentro da estrutura pública.

-Na medida em que em cada etapa sucessiva, estes militantes incrementem o conhecimento e a convicção política, arrastaram ao partido revolucionário do povo, a concorrência com os socialdemocratas do PSUV. Guerra de idéias com fundamentos reais pela transição ao socialismo que se impõe.

- O ressurgimento revolucionário, ao que já não podemos perder mais tempo em esperar, não responderá à eloqüência patriótica nem aos toques de trompete das épocas das grandes revoluções com choques físicos, senão à exata análise, ao rigor pensamento, à precisão do raciocínio, e ao convencimento da morte, requer uma raça especial de lideranças, para fazer frente ao imperialismo capitalista.

Versão em português: Raul Fitipaldi, de América Latina Palavra Viva.

Fonte: www.desacato.info/

Múltiplos eventos e atividades em todo o mundo marcarão os dez anos do FSM

Em 2010, o Fórum Social Mundial celebrará 10 anos de seu processo. Para marcar a data, o Conselho Internacional do fórum decidiu, em sua última reunião, realizada em maio em Rabat, no Marrocos, que ao longo de todo o próximo ano o processo FSM terá um caráter permanente, com múltiplos eventos em todo o mundo. O CI propõe que o tema da crise global – entendida não apenas como crise econômica, mas também ambiental, alimentar, energética, civilizacional, enfim, humanitária – seja o elemento de identidade comum do processo em 2010, respeitando, contudo, a autonomia dos organizadores locais na definição das temáticas a serem abordadas em cada evento.

Tal estratégia tem como objetivo fazer com que o espaço do FSM impulsione a articulação das organizações e movimentos sociais em busca de respostas e alternativas à crise global. Para o CI, o desafio que está colocado é não apenas o de responder aos ataques em curso contra as condições de vida e de trabalho, mas também de construir uma saída diferente para a crise, que permita substituir o neoliberalismo por um modelo social mais justo.


Inúmeras iniciativas para 2010 já foram apresentadas, entre fóruns mundiais temáticos, regionais e nacionais. Apesar de muitas datas ainda não estarem confirmadas – já está em curso a preparação dos seguintes eventos, aos quais poderão se somar outros:


Janeiro:
- 24 a 28: Seminário 10 anos do Fórum Social Mundial, Porto Alegre, Brasil.
- Fórum Social Catalão sobre Alternativas para a Crise.


Março:
- 22 a 26: Fórum Urbano Mundial (preparatório para a Assembléia Mundial de Habitantes, em 2011), Rio de Janeiro, Brasil.
- 26 a 28: Fórum Temático sobre “Crise Civilizacional, Bem Viver e Paradigmas Alternativas”, Cuzco, Peru.


Junho:
- 22 a 26: Fórum Social EUA sobre migração, habitação e guerras. Detroit, EUA.
- Fórum Social Europeu. Istambul, Turquia, data a confirmar.


Julho:
- 20 e 21: Foro Social Américas, Assunção, Paraguai.


Setembro/Outubro:
- Fórum Mundial de Educação, Palestina. Data a confirmar.


Dezembro:
- 9 a 13: Fórum Mundial de Educação Temático sobre Educação, Investigação e Cultura de Paz, Santiago de Compostela, Galícia, Espanha.


Sem previsão de data:


- Fóruns Temáticos na região do Maghreb-Machrek:
* Questões trabalhistas na Argélia;
* Questões de gênero na Jordânia;
* Sobre Trabalhadores Rurais, Camponeses e Saúde, no Egito;
* Fórum sobre Movimentos Sociais no Marrocos;
* Fórum Social Iraque (não confirmado).
- Fórum Temático sobre Democracia (a ser definido), Bangladesh.
- Fórum Direitos Coletivos dos Povos, Catalunha.
- Fórum Temático sobre Alternativas à Crise Financeira, Cidade do México.


Na próxima reunião do CI, que será realizada em outubro de 2009, em Montréal (Canadá), haverá a continuação do debate sobre o processo FSM 2010. A idéia é que haja um slogan e um visual comuns a todos os eventos, que deverão levar também o selo da celebração dos 10 anos do fórum. 2010 será, portanto, um ano-chave entre as ações em curso em 2009 e a realização do FSM África, que acontecerá em 2011 no Senegal.

http://www.forumsocialmundial.org.br/

sábado, 15 de agosto de 2009

Bases estão a matar aqueles que consideram terroristas

Para a senadora colombiana, Piedad Córdoba, as bases militares instaladas no seu país, pelos Estados Unidos irão ser utilizados para matar as pessoas que o governo considera terroristas, o que reflete a preocupação das potências estrangeiras por ver que eles perderam o controle da região e de seus recursos.

Isto foi dito terça-feira em Valencia, estado Carabobo, onde se instalou a primeira base para a paz em oposição à ocupação militar norteamericana com a instalação de sete bases militares no país vizinho.

A senadora observou que estas bases estrangeiras reforçarão o que foi o plano patriota o plano Colômbia, programas militares que não hesitou em qualificar como um fracasso total, porque "o que eles têm feito, é perseguir as liderança e lutadores populares, terminando com o meio ambiente, e acabar com a biodiversidade final do meu país. "

Também disse que um número significativo dos seus compatriotas consideram que esta ocupação da força militar norte americana é uma prolongação da guerra que assola sua nação.

"Na Colômbia o problema não vai acabar com mais guerra. Existem problemas que não se acabam matando todo o mundo, os problemas como a pobreza ", disse ela.

Quanto ao ato, disse que Córdoba tem um grande significado simbólico, e que eles vão continuar lutando para que em vez de bases militares, a Colômbia tenha bases para a paz.

Sublinhou também que o povo colombiano não está interessado em uma guerra com a Venezuela, por isso nos próximos dias será aberto uma base para a paz nas planícies de Arauca Colômbiana e Venezuelana.

Também informou que irá pedir ao presidente Equador, Rafael Correa, que se junte a esta iniciativa para criar fundações para a paz no seu território.

Fonte: www.abn.info.ve

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

A briga com as FARC ficou grande demais para Uribe


Com o acordo para o estabelecimento de sete bases militares norteamericanas em território colombiano, o Governo do presidente Álvaro Uribe Vélez, não somente entrega a soberania como também reconhece que a briga com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) ficou grande demais para ele.

ABN

Foi o que expressou o chefe máximo das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), Alfonso Cano, em entrevista concedida à revista neogranadina “Cambio”, cujo conteúdo foi divulgado nesta última quarta-feira.

Na sua primeira entrevista para qualquer meio de comunicação, desde que assumiu o cargo máximo das Farc, o chefe guerrilheiro, substituto do legendário Manuel Marulanda Vélez, o “Tiro Fijo”, dialogou via internet com “Cambio”.

Na conversa, o chefe guerrilheiro fala sobre os lança-foguetes com os quais as autoridades de Bogotá acusam à Venezuela de fornecê-los às Farc e revela como os obtiveram.Acrescentou que desde que o presidente Chávez foi retirado como negociador do processo interno de paz, não tem mantido contato com seu governo, ainda assim persiste a admiração pelos objetivos da sua gestão e a gratidão pelos seus esforços em prol do acordo humanitário.

Também se refere à suposta ajuda financeira que, segundo Bogotá, os insurgentes teriam fornecido à campanha eleitoral do atual presidente equatoriano, Rafael Correa.

Expressa que a Casa de Nariño e o Governo de Washington têm feito de tudo com os supostos computadores capturados do Comandante Raúl Reyes. “Os computadores supostamente encontrados têm o que os governos de Bogotá e Washington querem que contenham. Tem feito deles uma lâmpada de Aladim à que recorrem quando precisam uma desculpa ou justificativa”.

Também reflexiona sobre o significado que para as Farc teve a morte de Marulanda e fala da situação geral das Farc, das quais diz: “não temos problemas internos graves nem estamos em crise”

A seguir a entrevista:

__CAMBIO: Depois de que o presidente Uribe suspendeu a mediação do presidente Chávez na libertação dos sequestrados, as Farc continuaram tendo contatos com o Governo venezuelano?

__ALFONSO CANO: Não. Retirado o presidente Chávez como facilitador desse processo, cessaram nossas conversações, mas nossa admiração pelos seus objetivos bolivarianos do Governo venezuelano é a mesma de sempre e nossa gratidão pelos seus esforços em prol de um acordo humanitário será permanente.

__ CAMBIO: Você reconhece que o governo Uribe isolou às Farc no plano internacional?

__ ALFONSO CANO: Enquanto se desenvolveram os diálogos de El Caguán ampliamos as relações com governos e organizações nos diferentes continentes. Interrompidos os diálogos, o governo Pastrana e a Casa Branca iniciaram uma ofensiva diplomática contra as Farc que, obviamente, gerou modificações nas formas de nos relacionarmos com a comunidade internacional. Mas mantemos relações em todo o mundo, sujeitas à devida discrição.

__ CAMBIO: A sensação é de que as Farc tem perdido interlocução internacional, que já não são tão fortes nesse campo.

__ ALFONSO CANO: Não poderia precisar quão tão fortes somos nesse campo porque é uma apreciação subjetiva, mas lhe garanto que, nas novas condições da diplomacia do século XXI, manteremos muito boas relações em muitas partes do mundo

__ CAMBIO: O que significam a Venezuela e o Equador dentro da sua estratégia política?

__ ALFONSO CANO: O sonho bolivariano de uma pátria grande que integre todos os povos da América Latina e Caribe, que libere o seu enorme potencial de forma soberana e nos coloque diante o mundo como a grande nação que devemos ser.

__ CAMBIO: Que efeitos teve a morte de ‘Reyes’ para os vínculos externos das Farc?

__ ALFONSO CANO: ‘Raúl’ era o responsável das relações internacionais das Farc e, obviamente, sua morte teve um impacto importante nesse nível, mas dado que nas Farc todos os trabalhos de direção são analisados, planificados e desenvolvidos em equipe, podemos recobrar o ritmo. Hoje, a responsabilidade de lhe dar uma dinâmica adequada às necessidades do momento é do comandante ‘Iván Márquez’.

__ CAMBIO: A captura dos computadores de ‘Raúl Reyes’ deixou as Farc a descoberto, praticamente sem segredos...

__ ALFONSO CANO: Com os supostos computadores de ‘Raúl’, o que tem sido apresentado é uma mal feita manipulação propagandistica dos governos da Colômbia e dos Estados Unidos: como cortina de fumaça ou para ganhar pontos em alguma pesquisa, ou ainda para difundirem suspeitas públicas sobre algum presidente de países vizinhos toda vez que acham necessário. A retidão de muitas figuras públicas tem sido submetida ao escárnio e à lapidação. Nada do atribuído aos computadores tem sido sério e o pouco que ocorreu, pelo rigor da justiça, foi descartado por inconsistência.

__ CAMBIO: Os e-mails entre o Secretariado, encontrados nesses computadores, indicam que as Farc têm negócios de narcotráfico e de armas, além de investimentos na Venezuela.

__ ALFONSO CANO: Os computadores supostamente encontrados têm o que os governos de Bogotá e Washington querem que contenham. Fizeram deles uma lâmpada de Aladim à que recorrem quando precisam de uma desculpa ou justificativa. Foram transformados em aríetes contra os povos vizinhos, ao converter as ‘infiltrações’ ordenadas pela Presidência em pontas de lança da diplomacia colombiana e, em muitas ocasiões, da política interna, sem que ninguém possa dar fé da veracidade da informação, que difundem venenosamente.

__ CAMBIO: Também há comunicações entre membros das Farc com pessoas do gabinete do presidente do Brasil, ‘Lula’ da Silva. Qual é a relação com esse governo?

__ ALFONSO CANO: Na época do processo de El Caguán participaram, de diversas formas, muitos governos e organizações da comunidade internacional. O demais são especulações irresponsáveis.

__ CAMBIO: De quanto realmente foi a contribuição econômica das Farc à campanha de Rafael Correa a que o ‘Mono Jojoy’ se refere num vídeo conhecido há poucos dias?

__ ALFONSO CANO: Não temos entregado nem armas nem dinheiro a governos ou organizações de outros países, pois o que conseguimos mal dá para nosso próprio gasto. Por quê teríamos de contribuir com a campanha eleitoral de uma pessoa, como o atual presidente Rafael Correa, que sequer conhecemos?

__ CAMBIO: Como foram parar em poder das Farc os lança-foguetes que a Suécia vendeu ao Governo da Venezuela e que o Exército colombiano capturou em outubro de 2008?

__ ALFONSO CANO: Uribe recorreu ao terror midiatico para insinuar que o Governo da Venezuela nos facilitou lança-foguetes que teríamos capturado faz muito tempo num enfrentamento militar na fronteira, fato que foi amplamente informado à opinião pública naquela época. Nem os povos nem os governos do mundo são tão tolos como pensam o Pentágono e a Casa de Nariño. Simplesmente trata-se de cozinhar as condições para justificar a entrega da soberania nacional da Colômbia a Washington, reconhecendo que a briga contra as Farc ficou grande demais para ele.

__ CAMBIO: O que significou para as Farc a perda de Manuel Marulanda?

__ALFONSO CANO: A ausência de nosso líder e guia, de nosso referencial fundamental e nosso eixo. Mas também do mestre que nos inculcou a irrevogável decisão de perdurar no esforço que ele começou na companhia de Jacobo Arenas e seus companheiros de Marquetalia. Ensinou-nós, como na poesia de Neruda, que o mundo não termina em nós mesmos.

__ CAMBIO: E o assassinato de ‘Iván Rios’ em mãos de um subalterno? Isso foi interpretado
como um sinal da crise e da decomposição que as Farc vivem...

__ ALFONSO CANO: É um fato espantoso, mas absolutamente isolado, de um demente ambicioso, percebido pelos serviços de inteligência do Estado, que foi capaz de assassinar covardemente a um revolucionário de grandes qualidades como ‘Iván’ e depois proceder com a crueldade que o mundo inteiro conheceu.

__ CAMBIO: Há razões para deduzir que as Farc têm graves problemas internos: diversos sequestrados escaparam com a ajuda dos seus carcereiros, o número de desertores aumenta, os combatentes que desertaram dizem que o moral da tropa é baixo...
__ ALFONSO CANO: Uma organização com o moral baixo não está em condições de manter uma atividade militar permanente como a que informamos através dos informes de guerra. O Governo tenta criar um estado psicológico triunfalista, mas de tanto mentir ao fim se transformará num bumerangue contra ele próprio. Desertores sempre houve; as chamadas desmobilizações são uma grande farsa sustentada em bazófia recolhida em povoados e prisões para aumentar as listagens, desviar recursos públicos e enganar à opinião pública. Não temos graves problemas internos, não há crise.