"A LUTA DE UM POVO, UM POVO EM LUTA!"

Agência de Notícias Nova Colômbia (em espanhol)

Este material pode ser reproduzido livremente, desde que citada a fonte.

A violência do Governo Colombiano não soluciona os problemas do Povo, especialmente os problemas dos camponeses.

Pelo contrário, os agrava.


domingo, 6 de setembro de 2009

Pronunciamento do Presidente Lula em cadeia nacional

"Queridas Brasileiras e Queridos Brasileiros,

É comum que o 7 de setembro sirva para a gente enaltecer o passado e pensar o presente. Desta vez é diferente: este é o 7 de setembro do Brasil festejar o futuro. De celebrar uma nova independência.

Esta nova independência tem nome, forma e conteúdo. Seu nome é pré-sal; seu conteúdo são as gigantescas jazidas de petróleo e gás descobertas nas profundezas do nosso mar; sua forma é o conjunto de projetos de lei que enviamos, há poucos dias, ao Congresso Nacional. E que vai garantir que esta riqueza seja corretamente utilizada para o bem do Brasil e de todos os brasileiros.

Peço a cada um de vocês que acompanhe passo a passo as discussões destas leis no Congresso. Que se informe, reflita, e entre de corpo e alma nesse debate tão importante para os destinos do Brasil e para o futuro de nossos filhos e netos.
Posso resumir em duas frases a proposta do governo: de um lado, ela garante que a maior parte da riqueza do pré-sal fique nas mãos dos brasileiros; de outro, ela impede que qualquer governante gaste de forma irresponsável estes recursos. E mais: obriga que este dinheiro seja aplicado em educação, ciência e tecnologia, cultura, defesa do meio-ambiente e combate à pobreza.


Minhas amigas e meus amigos,


O pré-sal é uma das maiores descobertas de todos os tempos. Ainda não se pode dizer, com exatidão, quantos bilhões de barris de petróleo existem nele. Mas já se pode garantir, com toda segurança, que ele colocará o Brasil entre os países com maiores reservas de petróleo e gás do mundo.

Elas se espalham por uma área de 149 mil quilômetros quadrados, que começa no litoral do Espírito Santo e termina no de Santa Catarina. É uma área do tamanho do estado do Ceará.

As jazidas ficam debaixo de uma lâmina de água e de camada de sal, que, em alguns pontos, correspondem a dez morros do corcovado empilhados.

Minhas amigas e meus amigos,

O que deve fazer um povo livre, responsável e soberano ao receber tamanha dádiva de deus? Garantir que esta riqueza não escape de suas mãos, buscar os meios mais eficientes de explorá-la e modernizar suas leis para não repetir os erros de outros países.

A história tem mostrado que a riqueza do petróleo é uma faca de dois gumes. Quando bem explorada, traz progresso para o povo. Quando mal explorada, ela traz conflitos, desperdícios, agressão ao meio-ambiente, desorganização da economia e privilégios para uns poucos. Assim, alguns países pobres, ricos em petróleo, não conseguiram jamais sair da miséria.

Por isso, dei orientações bem claras aos ministros. Primeira: o petróleo e o gás pertencem ao povo brasileiro. Como no pré-sal, os possíveis sócios terão poucos riscos, eles não podem ficar com a parte da renda. Ela tem que ser do povo. Segunda orientação: o Brasil não pode ser um mero exportador de óleo cru. Vamos agregar valor aqui dentro, exportando derivados, como gasolina, diesel e produtos petroquímicos, que valem muito mais. Vamos construir uma poderosa indústria de equipamentos e serviços e gerar milhares e milhares de empregos brasileiros. Terceira orientação: não vamos nos deslumbrar e sair por aí, como novos ricos, torrando dinheiro em bobagens. O pré-sal é um passaporte para o futuro. Vamos investir seus recursos naquilo que temos de mais precioso e promissor: nossos filhos, nossos netos, nosso futuro.

Minhas amigas e meus amigos,

Os ministros seguiram estas diretrizes e honraram o compromisso com o povo brasileiro. A principal mudança que estamos propondo é que, nas áreas ainda não exploradas do pré-sal, passe a vigorar o modelo de partilha. Quase todos os países que têm grandes reservas e baixo risco de exploração adotam este sistema. Ele garante que o estado e o povo continuem donos da maior parte do óleo e do gás mesmo depois de sua extração.

Estamos propondo, também, que a Petrobras seja a operadora de toda área. Ou seja, exerça atividades de exploração e produção, com uma participação mínima de 30% em todos os blocos.

Não podia ser diferente. Afinal, temos dentro de casa uma das maiores, melhores e mais respeitadas empresas de petróleo do mundo. Assim saberemos tudo sobre as reservas, aperfeiçoaremos nossa tecnologia e faremos da Petrobras uma empresa ainda mais forte.

Este trabalho será complementado pela Petro-sal, uma nova empresa estatal, enxuta e altamente qualificada, que vai gerir os contratos de partilha e os de comercialização. Ela não vai concorrer com a Petrobras. Sua função é outra - a de ser o olho do povo na fiscalização de toda operação.

Minhas amigas e meus amigos,

Hoje o Brasil tem todas as condições políticas, econômicas e tecnológicas para enfrentar este desafio. A economia do Brasil vive um novo momento. De 2003 a 2008, crescemos em média, 4,1% ao ano. Nos últimos dois anos, mais que 5%. O país gerou cerca de onze milhões de empregos com carteira assinada. O desemprego caiu fortemente, de 11,7% em 2003, para 8% hoje. As taxas de juros são as menores das últimas décadas.

Não só pagamos a dívida externa, como acumulamos reservas de 215 bilhões de dólares. E mais: reduzimos a miséria e as desigualdades. Mais de 30 milhões de brasileiros saíram da linha da pobreza. E destes, 20 milhões ingressaram na nova classe média, fortalecendo o mercado interno e dando vigoroso impulso à nossa economia.

O fato é que hoje temos uma economia organizada e em crescimento, que foi testada na mais grave crise internacional desde 29 e saiu-se muito bem. Não só não quebramos, como fomos um dos últimos países a entrar na crise e estamos sendo um dos primeiros a sair dela. Antes, éramos alvo de chacotas e de imposições. Hoje, nossa voz é ouvida lá fora com atenção e respeito.

A Petrobras de hoje é a cara deste novo Brasil. É a oitava maior empresa do mundo. Não existe nenhuma empresa, na Europa, do tamanho dela. Nas Américas, fica atrás apenas de três gigantes norte-americanas. E é a segunda empresa em lucratividade. E, entre as petroleiras, a segunda em valor de mercado no mundo.

A Petrobras chegou aí, entre outros motivos, porque este governo acreditou e investiu, dando condições para que ela aumentasse a produção, encomendasse plataformas, sondas, modernizasse e ampliasse refinarias, treinasse e contratasse funcionários. Além de construir uma grande infra-estrutura de gás natural e entrar na área de biocombustíveis.

O coroamento deste esforço foi exatamente a descoberta, pela própria Petrobras, das reservas do pré-sal. Um feito extraordinário, que encheu de admiração o mundo e de orgulho os brasileiros.

Minhas amigas e meus amigos,

Este é um governo que acredita no Brasil e no que ele tem de mais rico: o seu povo.

É por isso que propomos que os recursos do pré-sal sejam colocados em um fundo social, controlado pela sociedade, e que será aplicado, majoritariamente, em desenvolvimento humano. De um lado, o novo fundo será uma mega-poupança, um passaporte para o futuro, que nos ajudará, entre outras coisas, a pagar a imensa dívida que o País tem com a educação e a pobreza.

De outro lado, funcionará, também, como um dique contra a entrada desordenada de dinheiro externo, evitando seus efeitos nocivos e garantindo que nossa economia siga saudável, forte e baseada no trabalho e no talento de nossa gente.

Todos estes temas estão agora em discussão no Congresso Nacional e eu sei que contaremos, mais uma vez, com o apoio livre e soberano do Legislativo na construção deste novo Brasil.

Uma ação desta amplitude só pode ocorrer, de forma saudável, em um ambiente democrático. A democracia é o ambiente mais saudável para o crescimento.

O embate e a paixão política fazem parte do universo democrático, mas não podemos deixar que interesses menores retardem ou desviem a marcha do futuro.

Uma democracia só se fortalece com a participação da sociedade. Por isso se mobilize, converse com seus amigos, escreva pra seu deputado, seu senador, pra que eles apoiem o que é melhor para o Brasil.

O Brasil não tem medo de crescer, nem de buscar os melhores caminhos. Não vai ficar preso a dogmas, a modelos fechados ou a falsas verdades.

O Brasil acredita no livre mercado mas também no papel do estado como indutor do desenvolvimento. E saberá sempre buscar o equilíbrio que garanta o melhor para seu povo.

Queridas brasileiras e queridos brasileiros,

É tempo de ampliarmos, ainda mais, a nossa esperança no Brasil. A independência não é um quadro na parede nem um grito congelado na história. A independência é uma construção do dia-a-dia. A reinvenção permanente de uma nação. A caminhada segura e soberana para o futuro.

Viva o 7 de setembro! Boa noite!"

Brasil - Segurança pública, defesa da vida

Selvino Heck *

Adital -

Ronaldo Teixeira da Silva, mais conhecido por Nado, Chefe de Gabinete do Ministro da Justiça, Tarso Genro, contou uma história em painel da 1ª Conferência de Segurança Pública (CONSEG), com participação de cerca de 3000 participantes de todo país: "Dona Ivonete, diarista, mãe do Manoel, um jovem negro, não conseguia atender um grande desejo de seu filho. Manoel queria uma bola de basquete. Ela sofria muito com isso, temendo que, como não podia atender um simples pedido de seu filho, ele de repente fosse seduzido por companhias que o levariam a um mau caminho. Um dia, Manoel viu a bolsa da mãe no sofá e não resistiu: tirou o dinheiro que tinha dentro dela. Foi no mesmo dia em que dona Ivonete pegou do dinheiro que recebe do PROTEJO (Projeto de Proteção dos Jovens em Território Vulnerável), dado a jovens pobres que moram nos Territórios de Paz do PRONASCI (Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania), e num esforço extra conseguiu comprar uma bola de basquete. Entregou-a ao filho. Manoel rasgou o papel do pacote e lá estava a bola de basquete... de plástico. Ficou decepcionado, mas na hora não falou nada. Horas depois, ele chama a mãe e fala: Obrigado. E eu te devolvo o dinheiro que eu tinha tirado da sua bolsa. Mãe, nunca mais roubo ninguém."

Esse é o resultado, disse Ronaldo, de um Programa de apoio a famílias e jovens pobres das periferias, por muitos chamado de assistencialista. Os resultados que este e outros programas semelhantes como o Bolsa Família produzem é a história verídica da dona Ivonete e do seu filho Manoel.

No mesmo debate, Paulo Vanucchi, Ministro da Secretaria dos Direitos Humanos, lembrou que o Brasil começou com o massacre de 5 milhões de índios. Depois, passou pela escravidão e massacre de milhões de negros, tirados à força de sua terra e tornados escravos. No século XX houve duas ditaduras, onde a tortura era tolerada, senão permitida, às vezes estimulada, existindo até hoje como se vê em tantos exemplos e histórias recentes. Ou seja, a democracia brasileira nasceu sob o signo da violência e da exclusão econômica, social, política e cultural. A visão de segurança pública e do aparelho repressor é fruto e está impregnada, em todos os níveis, por estes acontecimentos históricos.

Não foi por outro motivo que o presidente Lula, na abertura, afirmou que a Conferência da Segurança Pública, junto com a de Comunicação, a realizar-se em dezembro, eram as duas mais importantes e significativas. Disse o presidente: "Para mim este é um dia histórico. Essa Conferência e a de Comunicação ganham para mim uma importância excepcional. Ela pode significar a criação de um novo patamar da discussão sobre segurança pública em nosso país."

A CONSEG consagrou duas palavras: prevenir antes de reprimir. Antes da repressão do aparelho de Estado, é preciso construir mecanismos, instrumentos de prevenção com a participação ativa da comunidade e dos órgãos públicos responsáveis pela segurança pública em todos os níveis de governo e de Estado.

A segurança pública, especialmente num país como o Brasil, com seu tamanho, sua geografia, suas grandes regiões metropolitanas e sua história, deve ser vista como direito, assim como o são a educação, a saúde, a segurança alimentar e nutricional.

Por isso, Ronaldo Teixeira falou, certamente expressando o pensamento dos 3000 representantes de governos e da sociedade civil presentes e participantes, que a CONSEG era uma celebração. No plenário, nos corredores, nos grupos de trabalho, no cafezinho, encontravam-se e conversavam entre si, confraternizavam ou discutiam pontos divergentes, defendiam suas idéias e propostas os membros das polícias civis e militares, das polícias estaduais e federais, os bombeiros, o Ministério Público e os órgãos de Justiça, o movimento sindical e os movimentos sociais do campo, os movimentos populares urbanos, as pastorais e membros das igrejas, os movimentos de direitos humanos.

Agora, é trabalhar para que a celebração produza seus frutos. É estimular um novo espírito de convivência, o respeito a todos os cidadãos e cidadãs na sua diversidade cultural, étnica, sexual, de pensamento, de experiência de vida. A 1ª CONSEG certamente contribuiu, com a participação direta e indireta de mais de 500 mil brasileiros e brasileiras, para a construção e a vivência de uma cultura de paz. Não bastam crescimento econômico e melhor distribuição de renda, se não vierem acompanhados de mais qualidade de vida e do efetivo exercício da democracia participativa e direta, da garantia de que todos e todas tenham direito a vez e voz sem qualquer tipo de discriminação ou preconceito, seja vindo da sociedade, seja vindo dos aparelhos de segurança pública ou do Estado.

A CONSEG foi, e o que nela aconteceu continuará sendo, um exercício prático de democracia. Para o bem do Brasil e para mudar a sua história de marginalização, violência, discriminação e criminalização da pobreza, da juventude, dos movimentos sociais e seus defensores. Segurança pública é um direito a ser assegurado a todos e todas, valorizando e fortalecendo a cultura de paz. Ainda há um longo caminho a percorrer, mas os passos necessários estão sendo dados.

* Assessor Especial do Presidente da República do Brasil

Brasil - Rebimboca da beribelinha

Por Frei Betto
Fonte: Adital

Ganha um doce quem souber o que significa rebimboca da beribelinha.

Enguiçado numa esquina, o carro de um amigo viu-se socorrido por uma oficina ambulante instalada numa kombi. O mecânico levantou o capô, fez ares de entendido, mexeu daqui, fuçou dali e, peremptório, pronunciou o diagnóstico: "Precisa trocar a rebimboca da beribelinha".

"Quanto custa isto?", indagou o motorista. "É uma peça rara e cara; mas, por cem reais, troco para o senhor."

Feito o acordo, o rapaz enfiou a cabeça no motor e, ferramentas em mãos, iniciou a cirurgia mecânica. Findo o serviço, cinco minutos depois, o carro ligou e o motorista pagou. No dia seguinte, por precaução mineira, levou o veículo na oficina da concessionária. Só então soube que não existe rebimboca da beribelinha; o enguiço ocorrera porque soltara o cabo da bateria.

Ora, todos sabemos que existe sim rebimboca da beribelinha. É essa capacidade de certas pessoas explicarem o inexplicável: a defesa de políticos corruptos (basta comparar renda e patrimônio para se tornarem eticamente indefensáveis); a revogabilidade do irrevogável; o ex-presidente ao negar conhecer um jovem apadrinhado por ele; o senador que recorre a notas frias de frigoríficos (com perdão da redundância) para justificar sua dinheirama; a anistia a torturadores que jamais foram punidos; o famoso inquérito de trinta dias para apurar acidentes; o sumiço de drogas apreendidas pela polícia; as propaladas vantagens dos alimentos transgênicos; os anúncios de pedofilia virtual que usam crianças como iscas de consumo; a responsabilidade social de empresas que degradam o ambiente inteiro; os pregadores religiosos insensíveis à miséria circundante; o elegante contrabando de lojas de grifes etc. etc.

Rebimboca da beribelinha é a capacidade de falar sem dizer nada; prometer sem cumprir; governar sem administrar; sorrir sem estar alegre; enfim, roubar o porco e, surpreendido, sair gritando de olho no ombro: "Tira esse bicho daí! Tira esse bicho daí!"

Hoje em dia a rebimboca da beribelinha faz muito sucesso na TV. Tanto que mantém hipnotizada, dia a dia, durante horas, milhões de telespectadores que, além de umas tantas informações dos telejornais, nenhum proveito tiram para ampliar sua cultura, tornar mais crítica sua consciência ou aprofundar sua vida espiritual.

Todos nós temos enguiços na vida, dificuldades, desafios, enfim, peças a serem trocadas e decisões a serem tomadas para saber em que rumo prosseguir. Muitos, acovardados frente aos momentos críticos, apelam para a rebimboca da beribelinha. Reclamam da vida, da realidade, da política do país, do estado atual do mundo, mas nada fazem para mudar esse estado de coisas. Ficam no queixume, alugando os ouvidos de quem está ao lado, destilando ira pela vida fora, à espera de quê? Ora, é evidente, à espera de quem surja e lhes ofereça a rebimboca da beribelinha.

O maior acervo de rebimboca da beribelinha são os arquivos dos parlamentos, nos quais se conservam os discursos de vereadores, deputados e senadores. Quanta empáfia, quanto palavrório, para tão pouco resultado e proveito!

A internet não fica atrás, sobretudo a quantidade de textos, supostamente assinados por autores famosos, que circulam: pura rebimboca da beribelinha. Nada acrescentam à nossa douta ignorância. Enquanto isso, o mundo, lá fora, arde em chamas: guerras, terrorismo, bases usamericanas na Colômbia, gripe suína, narcotráfico, desmatamento da Amazônia, crianças-mendigas improvisadas em acrobatas nas vias dessinalizadas da vida...

Se confissão auricular ainda fosse obrigatória na Igreja, não seria nada mal sugerir ao penitente, em seu exame de consciência, avaliar o quanto seus atos e pensamentos, intenções e palavras, estão repletos de rebimboca da beribelinha.

Deixo a sugestão de se instituir, em clubes e condomínios, empresas e repartições públicas, grupos de amigos e associações, o prêmio anual Rebimboca da Beribelinha. A ser dado a quem, como o meu amigo do carro enguiçado, acredita no primeiro que lhe entuba pelos ouvidos lé com cré.


[Autor de "A arte de semear estrelas" (Rocco), entre outros livros].

* Escritor e assessor de movimentos sociais

Eleições em Honduras

Batalha que só o povo hondurenho pode travar.

Por Elaine Tavares. Brasil
Fonte: www.desacato.info

O governo golpista de Honduras está dizendo ao mundo que o país “volta à tranqüilidade” uma vez que já estão convocadas as eleições presidenciais para 29 de novembro e se inicia a campanha política.

Mas, para as gentes que lutam pela volta do presidente Manuel Zelaya, este processo chamado pelo governo golpista não tem o menor respaldo e tampouco garante a volta da “paz” ao país.

Um dos dirigentes da resistência, Rafael Alegría, confirma que o povo em rebelião não aceita a idéia de eleições sem a volta de Zelaya ao seu posto de presidente. “Não vamos aceitar nenhuma imposição dos golpistas. O povo não vai participar desta farsa”. Também alguns partidos de esquerda se recusam a participar do processo.

Em Honduras, dizem, assim como aconteceu em muitos outros países da América Latina, é o próprio sistema político que está em questão. Essa democracia de votar a cada quatro anos em candidatos com velhas práticas está morta. Há que surgir novas práxis.

Por outro lado, há lutadores sociais que insistem não ser a abstenção às urnas a melhor solução para o conflito. Acreditam que a população poderia dar um sonoro não ao governo golpista e colocar no poder gente capaz de tirar o país da lama onde está. Mas, sem a participação de candidatos mais ligados às causas populares, como garantir isso?

Para os partidos políticos que legalmente disputarão as eleições de 29 de novembro se apresentam novos desafios. Já não bastarão as mesmas promessas de sempre, pois a população deu um salto de qualidade nestes dias de resistência e mesmo aqueles que decidirem participar do pleito estarão de alguma forma já impregnados do novo clima político que se inaugurou com o golpe.

Disputarão as eleições cinco partidos formalmente constituídos. A coalizão “Compromisso por Honduras”, traz, na disputa para deputados, nomes conhecidos que sempre estiveram na luta por uma Honduras melhor, tais como Matías Funes, Efraín Díaz Arrivillaga e Enrique Aguilar Paz e tem como candidato à presidência Bernard Martínez do Partido da Inovação e Unidade Social-Democracia.

A Democracia Cristã tem à cabeça a candidatura de um líder sindical também muito conhecido, Felicito Ávila, e este tem se proposto a caminhar pelo país, ouvindo os eleitores no cara-a-cara, marcando uma prática diferenciada.

O Partido Liberal apresentou a candidatura de Elvín Santos e o Partido Nacional a de Porfírio Lobo, mas como estes são os partidos tradicionais de Honduras, que representam visceralmente a situação golpista que hoje se instaura, é bem provável que tenham de trabalhar bem mais do que com suas velhas práticas assistenciais ou abuso de poder econômico. Há uma nova Honduras aí.

O favorito das eleições, e no qual parte da esquerda está colocando peso é o candidato independente Carlos Reyes, destacado líder popular e sindical que, inclusive, aparece palatável às elites locais. Ele é o primeiro candidato independente da história de Honduras nos últimos 28 anos e participou ativamente das manifestações pró volta de Zelaya coordenando uma Frente Nacional contra o golpe.

Sobre o movimento que luta pelo retorno de Zelaya os analistas falam da existência de três forças: uma que é a do setor liberal, outra de extremistas de esquerda e outra de um setor popular que não aceita a forma como Zelaya foi tirado do processo. Com três vertentes tão díspares ainda não se sabe como o movimento vai se comportar durante a campanha e as eleições, embora já tenha havido declarações de algumas lideranças pelo não comparecimento às urnas.

Entre os populares que não se filiam nem à esquerda radical, nem aos liberais, há o receio de que ao aceitar o jogo imposto pelos golpistas, a candidatura de Carlos Reyes acabe sendo a opção das elites moderadas que querem pôr um fim aos protestos e voltar a “normalidade”. Assim, se por um lado, não votar pode acabar dando a vitória aos velhos políticos de sempre – uma vez que o candidato liberal tem dito que qualquer cem votos elege o presidente - eleger alguém que aparece como “tragável” pela elite pode configurar a queda numa armadilha. A mesma na qual já caíram outros países, de colocar no poder uma esquerda que se direitiza. Optando pelo “menos pior”, o que pode esperar o povo em luta?

Esta é uma batalha que só o povo hondurenho pode travar.

*Com informações da Telesur

Brasil deve fechar maior contrato militar de sua história recente

O Brasil assina na próxima segunda-feira (7) com a França o maior e mais importante acordo militar de sua história recente. A pareceria, de 8,5 bilhões de euros, envolve submarinos e helicópteros.

Provavelmente a conta será aumentada em breve. Tudo graças à aquisição de caças franceses, segundo informa reportagem de Igor Gielow, secretário de Redação da Sucursal de Brasília da Folha de S.Paulo, para a edição deste domingo do jornal.

Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Nicolas Sarkozy celebram a "parceria estratégica" após a festa do Sete de Setembro. É a segunda visita de Sarkozy ao país em menos de um ano. Ele participará do feriado da Independência como convidado de honra.

O valor — a ser pago em até 20 anos e equivalente a R$ 22,5 bilhões — é muito superior às compras russas feitas pela Venezuela e aos acordos operacionais dos Estados Unidos com a Colômbia. O valor equivale a tudo o que está previsto em Orçamento para o PAC no ano. Os termos de financiamento dependem de aprovação final no Congresso.

Fonte: www.vermelho.org

sábado, 5 de setembro de 2009

O eixo do mal está em outro lugar


O controle norteamericano sobre Uribe vai mais além do que um dia puderam ter com Noriega no Panamá.

Por: Juan Carlos Monedero *
Fonte: http://www.telesurtv.net/noticias/opinion/



Uma qualidade estranha da existência de presidentes como Álvaro Uribe é que permite tomar, sem margem de erro, o pulso moral da política internacional.

Sua notada atividade, incluindo bombardeios a países vizinhos, e a trincheira que cava com suas políticas contra a dissidência – assassinato de civis pelo Exército e sua apresentação como guerrilheiros, o fustigamento mortal de comunidades indígenas, ou o fato de que 70% dos sindicalistas assassinados no mundo sejam colombianos – poderia ajudar a pensar que o eixo do mal está em outro lugar, diferente ao que normalmente se refere. Mas a política internacional é o reino hobbesiano por excelência.

No dinâmico cenário latinoamericano, a presença anacrônica de um governo de direita dura e plenamente alinhado com a política mais rançosa EUA relembra com certo exagero aqueles ventos antigos da política de contenção, segundo a qual não há outro cenário de relações internacionais que aquele que marca o princípio de comigo ou contra mim. Já o dizia Roosevelt sobre Somoza e ninguém foi contra: “É um filho de uma cadela, mas é o nosso filho de cadela”. Com uma lógica de zíper geográfico, a Honduras de Micheletti faz igualmente a sua parte.


Os golpes não se avalizam

Com o declínio do PAN mexicano, Uribe se converteu na peça chave da estratégia norteamericana, empenhada em remendar os rasgos neoconservadores de Bush na sua primeira tentativa messiânica de evangelizar os judeus ajudando-os previamente a triturar os árabes. Assim, os golpes se condenam, mas se avalizam; a IV Frota volta a operar; instalam-se bases militares; a política antidrogas se monopoliza entre o maior produtor e o maior consumidor; e se estigmatiza qualquer política alternativa que sai desse esquema.

A política do pátio dos fundos exige governantes algo mais do que amáveis com os interesses norteamericanos. Num documento desclassificado de setembro de 1991, o DEA norteamericano assinala que Uribe foi um importante ator do cartel de Medellín, amigo pessoal de Pablo Escobar e responsável na alta política colombiana pelos contatos com o narcotráfico e os paramilitares.

Igualmente assinala-se que o assassinato do seu pai – frequentemente apresentado pelo próprio Uribe como argumento para seu compromisso contra a guerrilha – foi fruto de vingança interna das lutas entre clãs do narcotráfico.


Tantas reeleições quanto forem necessárias

Com semelhante histórico, é evidente que o controle norteamericano sobre Uribe vai para além, inclusive, do que um dia puderam ter com Noriega no Panamá. Como se viu na reunião da Unasul em Bariloche, corresponde a Uribe, na sua estrita solidão, defender os interesses dos EUA na região. Bases militares estrangeiras incluídas. Isso, igualmente, dá muitas pistas das razões de Uribe para conseguir se manter na Presidência da Colômbia. Um seguro jurídico para fora e para dentro. O que o obriga a tantas reeleições quanto forem necessárias.

Não deixa de chamar a atenção que a reeleição de Chávez, motivada pela incapacidade da revolução bolivariana de articular outras lideranças capazes de aprofundar os resultados do processo, tenha sido estigmatizada à altura do golpe constitucional de Hitler em 1933, enquanto que a reeleição de Uribe apresenta-se como um honrado exercício democrático. De fato, e como anunciou a oposição, o debate sobre das bondades ou maldades democráticas da reeleição nem sequer foi mencionado. A discussão era outra.

A Câmara de Representantes colombiana, onde quase a metade dos congressistas uribistas são investigados, processados ou sob suspeita de vínculos com o narcotráfico, o paramilitarismo ou corrupção, acaba de aprovar um projeto de lei que permite a Uribe um terceiro mandato. Como em tantas ocasiões, a democracia colombiana tem uma última salvaguarda na Corte Constitucional.

Mas a política internacional não costuma se deter na gramática jurídica. E ainda menos quando o trio Chávez, Morales e Correa, pagam a conta de tudo que é realmente preocupante. Não esqueçamos: o relevante é que Uribe é “um dos nossos”.


* Juan Carlos Monedero é professor de ciência política na Universidade Complutense (Madrid).

Protesto contra Chávez em São Paulo reúne só 15 pessoas


Globo, Veja, Folha e Estadão, Band, deram a maior força, mas a "marcha mundial" "No mas Chavez", reuniu apenas cerca de 15 pessoas em São Paulo (foto). Veja o vídeo aqui.

Segundo informações da Polícia Militar (PM), às 14h35, 15 mulheres (a maioria estrangeira) participavam da manifestação, no início da tarde desta sexta-feira no vão livre do Museu de Arte de São Paulo (Masp), na avenida Paulista, região central de São Paulo, em um protesto contra o presidente venezuelano Hugo Chávez.

Sob o lema de "No mas Chávez" (Chega de Chávez), a "marcha mundial" foi convocada pela internet, no Twitter, no site de relacionamentos Facebook e assemelhados.

O protesto foi organizado por colombianos e por Organizações Não-Governamentais (ONGs) de extema-direita, de diferentes países, e contou com apoio de ex-marajás da PDVSA, capachos dos interesses estrangeiros.

Só governos golpistas (Honduras) e satélites estadunidenses (Uribe) reuniram mais gente, através do patrocínio à marcha.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Ho Chi Minh, memória que não se extingue


Luiz Manfredini *
Fonte: Vermelho

Em 30 de abril de 1975 as tropas da Frente de Libertação Nacional do Vietnã irromperam em Saigon, expulsando os invasores norte-americanos do então Vietnã do Sul. Ho Cho Minh não estava presente.

Tampouco poderia cumprir o prometido em seu brevíssimo testamento político, redigido em não mais que duas páginas em maio de 1969: após a vitória final, “percorrer todo o país, de sul à norte, para felicitar nossos compatriotas, os nossos quadros e os nossos combatentes heróicos e visitar os nossos velhos, os nossos jovens e as nossas criancinhas bem amadas” e ir “aos países irmãos do bloco socialista e aos países amigos do mundo inteiro para lhes agradecer por terem ajudado de todo o coração a luta patriótica do nosso povo contra a agressão americana”.

Os 79 anos de vida, boa parte deles consumidos em lutas ásperas e contínuas, além de complicações decorrentes da tuberculose adquirida ainda aos 24 anos derrubaram o velho guerrilheiro, o líder histórico e heróico dos bravos vietnamitas, o intelectual e poeta Ho Chi. Ele morreu há exatos 40 anos, em três de setembro de 1969. Mas o largo tempo que já decorreu desde sua morte, não faz desvanecer no Vietnã e no mundo aquela figura maiúscula, cuja dimensão histórica contrastava tanto com o corpo magérrimo, uma espécie de asceta da revolução que ocupava apenas dois quartos modestamente mobiliados do palácio presidencial de Hanói, vestindo a mesma sandália e a túnica gasta, dormindo em cama sem colchão.

O Tio Ho, como o chamavam as crianças e os jovens do Vietnã, marcou o século XX e ganhou a admiração e o respeito do mundo com sua figura proeminente de revolucionário que pôs-se à frente de seu povo para derrotar dois poderosos agressores, primeiro os franceses, em 1954; depois os norte-americanos, em 1975.

O que sempre me impressionou em Ho Chi Minh foi, como escrevi tempos atrás, aqui mesmo no Vermelho, “sua obstinação de ocupar-se inteiramente, incondicionalmente com o mundo e os homens, desviado das bagatelas mundanas, das pequenezas de espírito, fundido com profunda radicalidade aos dilemas essenciais da existência”. Naquele artigo que lembrava seu testamento político de maio de 1969 quatro meses antes de morrer, eu registrava: “Deixou a cabana de palha de onde nasceu para estudar e tornar-se professor de escola média. Mas logo ganhava o mundo como aprendiz de cozinheiro num navio francês. Em Paris, foi jardineiro, lavador de pratos, cozinheiro. À noite, devorava Tolstoi, Shakespeare, Victor Hugo, Anatole France, Émile Zola e Marx. Aprendeu (e falou fluentemente) francês, inglês, alemão, russo e chinês. E escreveu versos. E tornou-se comunista escrevendo para o jornal do PC Francês. E, estudando em Moscou, conheceu o grande Lênin. E marchou para lutar pela libertação de sua terra e de seu povo. E escreveu uma história de simplicidade e grandeza, dessas que enobrecem o gênero humano”.

Sempre penso como seria importante que as novas gerações – em época de marasmo ideológico e pobreza de inspirações modelares – conhecessem essas figuras maiúsculas da história, como o revolucionário Ho Chi Minh. Não para copiá-los, não para imitar as circunstâncias históricas sob as quais viveram, mas para captarem e assimilarem o que de mais universal nelas existiu. Alguém disse que Ho Chi Minh era de uma geração de líderes que possuíam a estatura da história. Por isso as reverberações de sua existência e de sua luta transpassam o tempo e vêm iluminar o áspero nascedouro deste século de misérias. Que chegue a muitos estes ecos de grandeza e generosidade.

Nunca vou esquecer que, há exatos 40 anos, eu estava clandestino em Piracicaba, no interior de São Paulo, quando a morte de Ho Chi Minh foi anunciada. Tinha 19 anos e escrevi um poema longo, “Glória Eterna ao Presidente Ho no Coração dos Povos”. Perdeu-se o poema nos desvãos da vida subterrânea. Não lhe recordo uma linha sequer, exceto o título. Mas a imagem do Presidente Ho e seu legado paradigmático é memória que não se extingue.

Intervenção militar dos EUA: mais guerras, melhores negócios

O coronel-aviador da Força Aérea Brasileira, Sued Castro Lima, avaliou a intervenção militar estadunidense na América Latina. As ações dos Estados Unidos serão intensificadas com a instalação, agora em setembro, de sete bases militares na Colômbia. Para Sued, "os sucessivos conflitos bélicos em que o país tem se envolvido confirmam a avaliação de que 'quanto mais guerras, melhores negócios'"

Sued Lima é graduado em Engenharia Civil e membro fundador do Observatório das Nacionalidades, entidade de pesquisa ligada à UFC (Universidade Federal do Ceará, estado na região Nordeste do Brasil) e à UECE (Universidade Estadual do Ceará). Já participou de diversas missões militares nos EUA, Israel, Argentina, Chile e Rússia. Deixou o serviço ativo em 1998.

Confira a primeira parte (de duas) da entrevista que o coronel concedeu à agência Adital.

Adital - Como o senhor avalia a atual intervenção militar dos Estados Unidos na América Latina?

Sued Castro Lima - Avalio essas intervenções como coerentes com todo o histórico de ações militares e políticas que têm caracterizado a trajetória dos EUA nas relações internacionais, desde o século XIX. São cerca de três dezenas de intervenções armadas e incontáveis ações golpistas para destituir ou tentar destituir governos de países latino-americanos que eventualmente não atendam os interesses imperiais da grande potência. Cuba é a campeã de intervenções armadas sofridas, com pelo menos seis casos, inclusive após a vitória da revolução de Fidel. Refiro-me à tentativa de invasão da ilha, no ataque à Baia dos Porcos, em 1961. Algumas dessas intervenções redundaram em anexação de extensas regiões, como no caso do México, em 1846, que perdeu metade de seu território, a parte mais rica, hoje os Estados da Califórnia, Novo México e Texas.

Adital - Na sua avaliação, essa intervenção militar está relacionada a aspectos como intervenção econômica e política? De que modo?

Sued Castro Lima - Os governos norte-americanos sempre atuaram, em maior ou menor escala, para atender os interesses do poder econômico do país. Em 1961, o presidente Dwight Eisenhower, general e herói de guerra, reconheceu publicamente que o chamado complexo militar-industrial influenciava decididamente nas políticas interna e externa dos Estados Unidos.

Os sucessivos conflitos bélicos em que o país tem se envolvido confirmam a avaliação de que "quanto mais guerras, melhores negócios". São guerras que têm três sentidos destacados: testar novos tipos de armamentos, fazer o marketing desses produtos e impor os interesses globais da grande potência imperial.

Há uma declaração de um general dos marines (fuzileiros navais), Smedley D. Butler, feita em tom de ironia, já em 1935, que responde bem à pergunta: "Nos 33 anos que passei no serviço ativo, atuei na maioria das vezes como um gangster a serviço do capitalismo. "Ajudei" a tornar o México um lugar seguro para os interesses petrolíferos norte-americanos, "ajudei" a tornar o Haiti e Cuba um lugar decente para os rapazes do National City Bank recolherem rendas, "ajudei" a purificar a Nicarágua para a casa bancária dos Irmãos Brown, "limpei" a República Dominicana para os interesses açucareiros e "ajudei" a endireitar Honduras para as companhias norte-americanas de frutas."

Adital - Algo mudou na política intervencionista dos EUA a partir da posse de Barack Obama?

Sued Castro Lima - Até o momento, não está visível um novo rumo na política externa dos EUA. O governo Obama pouco tem feito de efetivo para conter o genocídio do povo palestino pelo Estado de Israel, reproduzindo o comportamento dos governos republicanos, em que os presidentes falavam muita coisa e pouco faziam; amplia a guerra no Afeganistão; mantém tropas no Iraque; desenvolve retórica intervencionista contra a Coreia do Norte e o Iran; não atua firmemente contra o golpe militar que depôs o presidente hondurenho Manuel Zelaya; e amplia sua presença militar na América do Sul, com as bases na Colômbia e no Peru.Deve-se considerar, em verdade, que a margem de manobra de qualquer governo progressista norte-americano é bastante estreita em face do poderio da indústria de armamento, e correlatas, e dos conglomerados financeiros, que impõem seus interesses com firmeza e despudor.

Adital - O que representa, para a América Latina, a instalação das bases militares na Colômbia? E para o Brasil?

Sued Castro Lima - Segundo o pensador francês Michel Foucault, um dos instrumentos do exercício do poder resulta da presença física do dominador. Através dessa presença, pode ostentar a força destruidora que lhe é própria, intimidando o mais fraco.

Já o estrategista britânico Liddell Hart, que viveu no século passado, considerava que um dos maiores objetivos estratégicos do comandante militar é o de ter acesso prévio ao mais amplo grau de conhecimento sobre as forças do virtual inimigo, como ocupam o terreno, como pensam, quem são seu chefes, como se preparam, enfim, avaliar seus pontos fortes e suas vulnerabilidades. A presença militar no território de potencial conflito armado ajuda a resolver bem tais questões, pois possibilita a observação e o acompanhamento dos acontecimentos que interessam ao potencial invasor, abrindo-lhe acesso a informações cruciais para o desencadeamento de seus eventuais propósitos de intervenção militar.A concessão do governo de Uribe à instalação em território colombiano de sete bases militares operadas por milhares de soldados norte-americanos tem duplo efeito: fere a soberania de seu país e mina a União Sul-americana de Nações (Unasul), com o seu Conselho de Defesa, ainda embrionários, filhos diletos da política externa e da estratégia de defesa regional desenvolvidas pelo governo Lula.

Congresso colombiano abriu...

...caminho para um terceiro mandato de Uribe


A Câmara de Representantes aprovou, após três dias de debate que chegaram a quase trinta horas, o projeto de lei sobre o referendo que possibilitará ao presidente Álvaro Uribe se candidatar a um terceiro mandato. Mas, agora, falta o mais difícil: convencer que sete milhões de colombianos vão às urnas e que a maioria vote no ‘Sim’.

A reportagem é de Catalina Vásquez Gusmán e está publicada no jornal argentino Página/12, 03-09-2009. A tradução é do Cepat.

“Passou! Passou!”, gritavam os partidários de Uribe passado da meia-noite desta terça-feira. Ninguém ocultou a alegria pela vitória legislativa do ano: o referendo sobre um terceiro mandato consecutivo de Uribe. Agora, pelo menos segundo o Congresso, o presidente Álvaro Uribe tem o caminho livre para continuar no poder por outros quatro anos. Depois da assinatura do próprio Uribe para sancionar a lei, falta que a Corte Suprema de Justiça dê a sua aprovação e – o mais difícil – que sete milhões de colombianos vão às urnas e a maioria vote no ‘Sim’. Em caso positivo, serão doze anos de governo, o que para os seus adversários seria o fim da democracia na Colômbia.

Por enquanto tudo é alegria no governo. Nem a gripe A que se incuba no corpo do chefe de Estado e outros funcionários do alto escalão impede a festa. Abraços, pulos e gargalhadas são o comum desde a noite da terça-feira. Sem dúvida, trata-se de uma das vitórias mais agradáveis da situação. A maioria parlamentar de Uribe afastou a oposição com 85 votos a favor do projeto que busca modificar pela segunda vez a Constituição nacional para favorecer as intenções reeleicionistas do primeiro mandatário.

Por outro lado, a noite da aprovação entra para a história pelo clima de suspeita de corrupção. As denúncias por compra de votos e oferta de prebendas em troca de apoio ao referendo não foram poucas, mas os partidários de Uribe fizeram ouvidos moucos e se mantiveram em seu pacto para aprovar a lei.

Apenas cinco representantes votaram contra. “Se esta é a democracia radical que o governo defende, em que ele próprio persegue os parlamentares até no banheiro para comprar o seu voto, não quero participar”, disse o liberal Guillermo Rivera, que contou a este jornal que se sente “frustrado” com o resultado e a maneira como esse referendo tramitou, que copiou do primeiro [do executivo] a estratégia parlamentar: o carrossel. Aliados, os uribistas se habilitaram uns aos outros para votar, mesmo quando eles mesmos se declaravam impedidos por um conflito de interesses. Por isso, o também liberal Rafael Pardo entrou com uma demanda na Promotoria Pública na semana passada.

“É frustrante porque temos argumentos e razões legais para comprovar que o referendo é ilegal”, disse Rivera, que, junto com os representantes do Pólo Democrático, se ocupou em assinalar as múltiplas irregularidades do projeto. Para começar, segundo o político, “o Congresso não deveria ter dado andamento a esse projeto porque claramente não cumpriu o requisito do aval do financiamento”. Ainda não se explicou como foi que arrecadaram 1,5 milhão de dólares para conseguir assinaturas e fundamentar o projeto, segundo o qual 86 representantes, os mesmos que aprovaram a lei, estão sendo investigados pela Corte Suprema de Justiça.

O cenário político nacional do referendo é tão agitado que no mesmo dia da votação foram dadas ordens de prisão contra parlamentares. Uma, para o senador Alirio Villamizar, que está sendo investigado por aceitar notariados e dinheiro das mãos do governo em troca do voto no ‘Sim’ para o referendo quando o projeto passou pelo Senado, há três semanas. Em sua casa foram encontrados, em espécie e moeda colombiana, cerca de 500.000 dólares, cuja origem não soube explicar.

Se for culpado, Villamizar será condenado como Yidis Medina e Teodolindo Avendaño, que venderam o seu voto no primeiro referendo e foram descobertos com a confissão da mulher que, chateada porque Uribe não cumpriu com a prometida pilhagem, denunciou tudo a um canal de televisão. Quantos Yidis e Teos existem? Essa era a pergunta da oposição nas faixas que exibiu no capitólio durante os debates. Mas os uribistas não se incomodaram com as perguntas. Conforme o acerto, deram tudo pela reeleição. “Com isso não apenas garantem seus postos políticos, mas os cargos burocráticos de seus familiares e amigos”, disse um parlamentar da oposição que pediu para não ser identificado. Os parlamentares que votaram contra a reforma não se cansavam de assinalar que nesse mesmo dia dois representantes que votariam no ‘Sim’ estavam, nessa noite, atrás das grades porque pela manhã foram expedidas suas ordens de prisão.

“Isso é decepcionante e mostra a classe de Congresso que este país tem. Que a maioria da Câmara pouco se importe com os argumentos legais é uma amostra de uma debilidade institucional, é deprimente”, expressou Guillermo Rivera a este jornal.

Nos próximos meses, prossegue a novela do referendo. Resta que os múltiplos processos movidos contra os congressistas que votaram no referendo sejam julgados, e que a Corte Suprema de Justiça considere as razões que a oposição expõe como inconstitucionais para levar o referendo às urnas. Além disso, Uribe é obrigado a, uma vez por todas, sair daquilo que ele chama “encruzilhada na alma”, que não lhe permitiu esclarecer ao povo se quer ser presidente novamente em 2010. De acordo com a lei de garantias eleitorais, o presidente deve anunciar sua candidatura antes de 30 de novembro. As eleições serão em maio de 2010. Mas, o referendo, caso for aprovado pela Corte Constitucional, não sabe quando tomará as ruas.

Vinte Bases Militares Norteamericanas...

...terão como objetivo isolar a Venezuela do mundo
Fonte: www.abn.info.v3

Manuel Alexis Rodriguez.

Um total de treze bases militares dos Estados Unidos, localizadas estrategicamente em países aliados de Washington, cercam atualmente a Venezuela. Com o acordo do tipo “cooperação e assistência técnica em defesa e segurança”, que a Colômbia vai assinar com os Estados Unidos, e que permitirá que soldados norteamericanos utilizem sete novas bases militares na Colômbia, o número chegará a vinte.

Os Estados Unidos cercaram militarmente a Venezuela, pelo norte – no Mar do Caribe – tem bases em Cuba, Porto Rico, Aruba e Curaçao. Pelo noroeste – América Central – tem bases em El Salvador, Honduras e Costa Rica, além da Escola das Américas, no Panamá. Pelo oeste tem três bases aliadas na Colômbia – Arauca, Larandia e Três Esquinas – sendo que logo serão dez instalações militares. Pelo sul, os Estados Unidos utilizam duas instalações no Peru e uma no Paraguai.

O único motivo pelo qual os Estados Unidos não construíram bases militares ao leste da Venezuela, é porque por este lado a Venezuela limita praticamente com o Oceano Atlântico.

América Central
Na República de El Salvador se encontra a Base Militar Comalapa, um posto de Operações Avançadas ( FOL, na sigla em inglês) utilizado para o monitoramento via satélite da região assim como para apoio a outras bases. Seu pessoal tem acesso a portos, espaço aéreo e instalações governamentais.

Na República de Honduras está a Base Solo Cano, em Palmerola. É utilizada para a prática de radar como estação, para proporcionar apoio para treinamento e missões em helicópteros que monitoram os céus e as águas da região; tem um papel chave nas operações militares. Foi dali que partiu o golpe de estado contra o presidente constitucional Manuel Zelaya.

Na Costa Rica possuem a Base Militar Libéria, que, como está localizada na parte continental da América Central, funciona como centro de operações durante as negociações preliminares e confidenciais.

Enquanto isso no Panamá, ainda que não possuam nenhuma base militar é lá que funciona a Escola das Américas, atualmente chamada de Instituto de Cooperação para a Segurança Hemisférica, onde são treinados os mercenários norteamericanos.

América do Sul
Na Colômbia, os norteamericanos contam com três bases militares. A primeira é a Base Militar de Arauca, projetada para “combater” o narcotráfico na Colômbia, mas que de fato é utilizada como ponto estratégico para o monitoramento da zona petroleira, especialmente a da Venezuela.

Outra instalação é a Base Militar de Larandia, que serve como base de helicópteros dos Estados Unidos. Possui uma pista de aterrissagem para bombardeiros B-52, uma capacidade operativa que ultrapassa o território colombiano e permite uma cobertura para ataques em quase todo o sul do continente.

A terceira base na Colômbia é a Base Militar de Três Esquinas que serve para operações terrestres, aéreas e fluviais, além de ter se transformado em ponto estratégico para ataques contra a guerrilha. Esta instalação ‘receptora permanente de armamento, de logística e serve para o treinamento de tropas de combate.

A República do Peru tem dentro de seu território duas bases militares norteamericanas: Iquitos e Nanay. O governo peruano diz que estas bases pertencem às forças armadas do Peru, mas foram construídas e são utilizadas por soldados norteamericanos que operam na zona fluvial Nanay, na Amazônia peruana.

Na República do Paraguai se encontra a Base Mariscal Estigarribia, desde maio de 2005, quando o governo dos Estados Unidos assinou um tratado com a administração paraguaia, para instalar a base militar na cidade de Mariscal Estigarribia, província de Boquerón, no chamado Chaco Paraguaio.

O Caribe
A principal, e também a mais antiga, é a Base Naval de Guantánamo, situada perto de Santiago de Cuba, a segunda cidade mais importante do país depois de Havana. Foi construída em 1903 e possui uma área de 117,6 quilômetros quadrados, entre terra firme, água, mar e pântanos; e possui uma área de costa de 17,5 quilômetros.

Em Porto Rico, estado associado aos Estados Unidos, se encontra a Base de Vieques, uma ilha adjacente de 35 quilômetros de comprimento. A base ocupa cerca de 70% do território da ilha.
Anteriormente, nesta instalação, operava o Comando Sul, agora localizado em Miami, mas é utilizada para operações especiais e como quartel regional do exército, da marinha e das forças especiais.

Há ainda outras duas instalações, a Base Militar Reina Beatriz, em Aruba, e a Base Militar Hatos, em Curaçao. São utilizadas para o monitoramento via satélite e como apoio para o controle de vigilância no Mar do Caribe.

Sete Bases
A decisão do Pentágono, o ministério da guerra dos Estados Unidos, de instalar novas bases em solo colombiano, surgiu desde o momento em que o presidente do Equador, Rafael Correa, ordenou a expulsão e o despejo da Base Militar e Aeronaval de Manta.
Esta instalação era o principal centro de espionagem eletrônica, com tecnologia de satélites, do Pentágono na América do Sul e era utilizada como plataforma logística de inteligência militar, para alavancar as operações coordenadas pelo Comando Sul.

A nova administração Obama considerou que a prioridade era buscar uma nova localidade, que tivesse as mesmas características de Manta. Para, assim, poder manter a cobertura aérea da região.

O ministério da Defesa colombiano enumerou as bases: as aéreas serão Malambo, no departamento do Atlântico; Palanquero, em Cundinamarca; e Apiay, em Meta. As bases do exército serão Tolemaida, em Cundinamarca; e Larandia, em Caquetá. As navais serão as de Cartagena e Bahia Málaga, no departamento de Valle Del Cauca.

Com os mesmos objetivos, os Estados Unidos tem pretensões de instalar, no futuro, quatro bases adicionais: uma em Alcântara no Brasil; outra na zona de Chapare na Bolívia; outra mais em Tolhuin, na província de Terra do Fogo, na Argentina; e a última na zona conhecida como a tripla fronteira, localizada na fronteira entre o Brasil, a Argentina e o Paraguai.

Os Estados Unidos alegam que todas estas bases militares são centros de operações táticas para apoiar o que eles denominam “segurança hemisférica”, termo relacionado com a velha Doutrina de Segurança Nacional – que propunha primeiro isolar e depois acabar com qualquer governo que contrariasse os interesses de Washington e do Pentágono como, por exemplo, o governo bolivariano da Venezuela.

Com PCB

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Ser Socialista Bolivariano é:

Ser um melhor Cidadão.

Por Henry Rueda. Venezuela

Olá amigos Bolivarianos Socialistas todos, hoje hei querido fazer um compêndio das minhas idéias sobre o que é para mim significa e deve ser um Socialista Bolivariano, outros terão as mesmas idéias com palavras diferentes, mas, no fundo espero que seja o mesmo: ser um melhor Cidadão.



Ser socialista Bolivariano é: Estudar, aprender e compreender a tese da árvore das três raízes (Simón Bolívar, Simón Rodríguez e Ezequiel Zamora).

Ser socialista Bolivariano é: Respeitar o alheio por sobre todas as coisas.

Ser socialista Bolivariano é: viver com ética e moral, sempre respeitando os bons costumes.

Ser socialista Bolivariano é: respeitar a vida Humana, a vida Animal e todo o ecossistema da Terra.

Ser socialista Bolivariano é: não incentivar a produção de objetos inúteis e extravagantes.

Ser socialista Bolivariano é: não comprar objetos inúteis e extravagantes.

Ser Socialista Bolivariano é: Trabalhar, Produzir e criar sempre pensando no bem comum.

Ser socialista Bolivariano é: ser crítico construtivo com a gente, com os outros e com tudo.

Ser socialista Bolivariano é: Estudar, aprender, preparar-se e embora alguém te diga, “isso não produz dinheiro” tu lhe podes responder, “é possível que não produza dinheiro, mas, me faz crescer como pessoa, me faz ser um melhor ser Humano”.

Ser socialista Bolivariano é: deixar de pensar que ser rico é viver melhor e mais feliz.

Ser socialista Bolivariano é: acreditar que o capitalismo é um sistema que apodrece a alma do ser Humano, porque fomenta o individualismo mais negativo, o de: primeiro eu, segundo eu e terceiro eu.

Ser socialista Bolivariano é: pensar, como desde nossa individualidade podemos ajudar o coletivo.

Ser socialista Bolivariano é: trabalhar e atuar de tal maneira que possamos ter uma melhor qualidade de vida sem cair no consumismo inútil e na acumulação de capital sobre a fome dos outros.

Ser socialista Bolivariano é: como Empresário não converter-se em explorador dos trabalhadores.

Ser socialista Bolivariano é: como trabalhador cumprir com o nosso trabalho honesta e corretamente.

Ser socialista Bolivariano é: denunciar os delinqüentes, os corruptos, tanto do governo como da empresa privada.

Ser socialista Bolivariano é: ter disciplina partidária e aceitar os lineamentos do PSUV. Sempre e quando não vão em contra dos nossos princípios Socialistas Bolivarianos.

Ser socialista Bolivariano é: dizer NÃO à droga, NÃO ao uso abusivo do álcool, NÃO ao cigarro e NÃO a tudo aquilo que atente contra a vida sadia.

Ser socialista Bolivariano é: trabalhar e apoiar tudo aquilo que nos leve à unidade do que Bolívar chamou “A Pátria Grande”, a América de língua indígena, Castelhana e Portuguesa.

Ser socialista Bolivariano é: não aceitar a ocupação e intervenção dos impérios em nenhum país e menos no nosso.

Ser socialista Bolivariano é: não permitir que os meios de comunicação nos manipulem com a informação, ocultando as conquistas do governo Revolucionário e sim salientando o mais mínimo erro.

Ser socialista Bolivariana é: apoiar ao presidente Hugo Chávez, pois graças a ele e à sua capacidade de trabalho, à sua tenacidade, à sua honestidade é que este país tem mudado para bem das grandes maiorias.

Ser socialista Bolivariano é: comunicar-lhe a todos os que possamos desde nosso sítio na sociedade as conquistas do governo Revolucionário, as obras, as missões, as leis, os decretos e tudo aquilo que o presidente Hugo Chávez tem implementado para o bem-estar do povo Venezuelano.

Ser socialista Bolivariano é: ser bom Pai, bom Filho, bom Esposo, bom Trabalhador, bom Empresário socialista, em definitivo, ser socialista Bolivariano é: ser um melhor Cidadão.



Versão em português: Raul Fitipaldi, de América Latina Palavra Viva.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Carta de Beto Almeida à revista Isto É

Ao jornalista Octávio Costa.

Señor Diretor de Redação da Revista “Isto é”

Sucursal Brasília

Na forma da Constituição Federal, art. 5º, inciso V - é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral ou à imagem -, venho solicitar direito de resposta, diante da matéria produzida pelo jornalista Claudio Dantas Sequeira, intitulada "O Lobista de Chavez", publicado na edição de 22.08.09, página 46, encaminhando para tanto o texto abaixo a fim de que o mesmo seja publicado observando-se a mesma localização, espaço e destaque.

Todo mundo nesse país sabe o que eu faço, em que eu acredito, etc., há décadas. Nunca houve dúvida sobre isso. Todo mundo sabe que eu sou conselheiro da Telesur. O desconhecido aqui, o embuçado, não sou eu, mas esse elemento que me ataca - e, com certeza, não gratuitamente. Não sei quem é, mas não é por acaso que não conseguiu encontrar outra palavra, senão lobista, para me difamar. Portanto, vê-se logo quem é o lobista.

Mas nem todos os lobistas acham que se alguém defende uma causa nobre, não é porque acredite nela, mas porque recebeu dinheiro para tal. É preciso, além de lobista, ser pervertido para ver o mundo desta maneira. Naturalmente, existem lobistas do Departamento de Estado, das multinacionais e dos bancos - aliás, certo tipo de escriba sempre está disposto a ser lobista de quaisquer poderosos ou endinheirados que apareçam.

O que não existe é lobista que defenda uma causa sem dinheiro, que prefira defender o povo e os pobres e suas causas, em vez dos ricos e poderosos. Que prefira afrontar monopólios e mercenários sem ganhar nada com isso. Que prefira ser expulso da Universidade por uma ditadura, a calar diante das injustiças cometidas.

Minha atividade profissional como jornalista concursado da TV Senado é oposta ao lobismo. Cumpro, rigorosamente, os planos de trabalhos jornalísticos estabelecidos por minha Chefia, realizando, diariamente, entrevistas sobre temas que versam sobre política, economia, cidadania, arte e cultura, como se pode observar na programação da emissora. É atividade largamente conhecida, própria da sua natureza televisiva.

Não é verdade que faço horas extras para defender interesses de outro país. Nem faço, nem recebo horas extras, como também os interesses que defendo são os da Nação Brasileira, seguindo o disposto na Constituição Federal. Vale lembrar que está na Constituição Brasileira a objetivo de construir uma comunidade latino-americana de países. Minhas funções como conselheiro da Telesur, atividade sem vínculo empregatício ou remuneração, estão plenamente em sintonia com o descrito na Constituição Brasileira relativamente à integração regional.

Também não é verdade que divido minha rotina funcional no Senado. Cumpro integral e disciplinadamente minha rotina de trabalho e a legislação específica do serviço público. E seu resultado é visível.

Não é verdade que eu assinei convênio com o governo Requião, mas os executivos da Telesur sim firmaram convênio de cooperação em serviços de sons e imagens, ato rigorosamente legal, seguindo o disposto constitucional de promover a integração da América Latina.

Não é verdade que uso meu e-mail no Senado em listas de discussões. Mas recebo diariamente muitas dezenas de mensagens, respondo telespectadores, como profissional de comunicação que sou. Uso exclusivamente o meu e-mail pessoal para listas de debates que, ademais, fazem parte da atividade intelectual desempenhada por jornalistas. Registro já ter constatado a presença de e-mails de autoridades e de parlamentares nestas mesmas listas de discussões, tratando de temas como televisão pública, tema diretamente ligado à atividade profissional que exerço. De resto, vale dizer que são listas de debate público, próprias da democracia ampliada pela internet, nas quais a liberdade de opinião é praticada. O certo é que quem me ataca se opõe a isto.

Também não é verdadeiro afirmar que viajo com freqüência à Venezuela, apenas eventualmente, quando convidado para reunião dos conselheiros da Telesur, representando a TV Comunitária de Brasília, a qual presido, também sem vínculo empregatício ou remuneração. A finalidade é a integração informativo-cultural da América Latina e dos países que compõe o hemisfério Sul.

Esta posição coincide plenamente com os ideais integracionistas consagrados na Constituição Brasileira, assumidos plenamente como ação do Estado Brasileiro por meio de nossa política exterior, cujos resultados, aliás, têm sido benéficos ao nosso povo, multiplicando e diversificando relações econômicas, comerciais e culturais.

A matéria tenta colocar em dúvida e enxovalhar o caráter voluntário desta função por mim exercida, certamente porque seu autor deve medir o mundo pelo amargo desprezo que nutre pelas causas solidárias e humanísticas. Já esta marca faz parte de toda minha vida consciente.

Seja quando voluntariamente estive presente nas Brigadas Internacionais de Solidariedade à Nicarágua na década de 80, cumprindo funções de produção, de educação, de informação, de prevenção em saúde, sem qualquer remuneração.

Assim foi também quando, presidindo o Comitê de Solidariedade ao Timor Leste - cuja autodeterminação foi sempre defendida pela política exterior brasileira a partir do Governo Sarney - estive naquela ilha longínqua para levar a solidariedade brasileira, materializada na doação de centenas de livros e de uma Rádio Comunitária hoje lá instalada.

Por meio de livros e desta emissora, levamos a presença solidária e cooperativa da nossa música e cultura e do nosso idioma para o povo maubere, o que se reveste de enorme importância já que o idioma português é um dos idiomas oficiais daquele país que integra a Comunidade de Países de Língua Portuguesa, cuja cooperação vem sendo crescentemente incentivada por nossa política externa há décadas. Toda esta atividade foi e é rigorosamente voluntária, sem qualquer remuneração.

Para mim, assumir causas solidárias e humanistas voluntariamente é apenas uma retribuição ao investimento que o povo brasileiro fez na minha formação profissional, já que me formei na universidade pública. É obrigação minha.

Assim, como conselheiro da Telesur defendo os interesses maiores do Brasil, entre os quais o de construir uma integração entre povos e países latino-americanos, para superar a miséria e a desinformação, seguindo tendência hoje mundialmente consagrada, como podemos observar na construção da União Européia.

Há, sem dúvida, os que trabalham contra esta unidade, contra esta cooperação, contra a tendência moderna da solidariedade entre nações e que praticam um jornalismo de desintegração. Pelos termos da matéria publicada, seu autor deve estar entre eles. Tivesse eu alguma coincidência política com os golpistas de Honduras eu não estaria sendo caluniado, difamado e injuriado como estou....

Como cidadão brasileiro, exercendo o direito de opinião, defendi e defendo iniciativas que promovam esta cooperação e solidariedade entre os povos. Desde o Mercosul, quando nasceu, a sua consolidação e qualificação, e agora a Unasul, iniciativas que entendo capazes de promover a prosperidade comum, o respeito à autodeterminação e a paz.

Minha atividade voluntária no âmbito da Telesur tem este sentido e esta missão no plano comunicacional, para que os povos do sul possam conhecer sua própria história, sua cultura, assumir como povos cultos e bem informados o protagonismo de decidir soberanamente seu destino histórico.

Para mim basta a felicidade de estar do lado certo desta luta, ao lados os humilhados, dos explorados, do lado da justiça, do lado dos que lutam contra qualquer forma de opressão e embrutecimento aos seres humanos.

Estarei com minhas causas até o fim dos meus dias. Trata-se de um compromisso de uma vida inteira.

Enquanto alguns escribas ladram, a caravana da história passa....

Finalizando, solicito o direito constitucional de resposta, com a publicação do texto acima em edição com igual tiragem, tamanho e destaque, sem deixar de responsabilizar a revista por qualquer prejuízo que eu e minha família venhamos a sofrer em minhas atividades profissionais como servidor público, em virtude das inverdades publicadas.

Carlos Alberto de Almeida, jornalista

BsB 26.08.2009

GOLPE EM HONDURAS E BASES NA COLÔMBIA

Por Frida Modak *
Fonte: Prensa Latina

À medida que se passam os dias vai ficando mais claro que o golpe em Honduras não foi um fato isolado nem provocado pela consulta cidadã convocada pelo presidente Manuel Zelaya.

Da mesma maneira, já é evidente que as sete bases militares em que os Estados Unidos se instalarão na Colômbia não têm por objeto combater o narcotráfico ou a insurgência.
Essas não são afirmações com antolhos.

Os Estados Unidos têm uma base militar em Honduras que hoje se chama Soto-Cano, mas que foi conhecida como Palmerola, quando foi criada para combater o governo sandinista.
Dessa base saiam os mercenários "contras" recrutados, adestrados e apetrechados pelos Estados Unidos.

O então presidente estadunidense, Ronald Reagan, batizou aqueles elementos terroristas como "combatentes da liberdade" e os financiou de maneiras muito diversas. Quando o Congresso estadunidense se negou a conceder mais fundos para os mercenários, o financiamento saiu do narcotráfico.

Isso foi admitido e justificado pelo então subsecretário para assuntos latino-americanos Elliot Abrams, que sustentou que dada a atitude do Congresso de seu país, os contras tinham que buscar meios de subsistência.

Vale a pena recordá-lo quando o presidente colombiano, Álvaro Uribe, diz que, com as bases estadunidenses em seu país, busca combater o narcotráfico e erradicar a guerrilha.
Voltemos agora a Honduras.

Empresários e um embaixador no golpe

Na noite do sábado 27 de junho, véspera da consulta cidadã, um assessor do presidente Zelaya sinalizou para mim numa conversa telefônica que se sabia dos chamados do departamento de Estado à Embaixada estadunidense em Honduras e aos até então conspiradores, advertindo-os para "nada de golpes". Isso sugeria que se iniciaria uma ação contra o Governo de Zelaya na segunda-feira 29, quando se houvera produzido o que eles consideravam um delito.

Mas o setor empresarial, que era parte do complô, estimou que não havia que esperar porque a votação a favor da quarta urna seria copiosa e não a poderiam ignorar.

Em Honduras, os empresários chegaram a um acordo com o alto comando das forças armadas, a quem entregaram 30 milhões de lempiras, equivalentes a um milhão e meio de dólares, segundo uma carta em circulação elaborada por oficiais de media graduação.
Em esferas do governo do presidente Zelaya se estimava que votariam a favor da consulta entre um milhão 200 mil e um milhão 500 mil pessoas.

O país tem um padrão eleitoral de quatro milhões 700 mil inscritos, dos quais um milhão 300 mil radicados nos Estados Unidos.

Calcula-se que a média de votantes efetivos pode ser de dois milhões 100 mil, portanto, os votos a favor da consulta poderiam alcançar a maioria absoluta.

Tal evidência não podia ser desconhecida e daí surge a decisão dos empresários, entre os quais se contam ex-Presidentes da República, de acelerar suas ações.

Enquanto ao embaixador estadunidense Hugo Llorens, sua participação foi ativa antes e depois do golpe de Estado.

Assim o declarou publicamente faz uns oito dias o candidato presidencial do Partido Democrata Cristão, Felicito Ávila, coletividade que soe atuar de acordo com os setores que tomaram o governo.

Ávila afirmou que o embaixador ia às reuniões conspirativas e a respectiva crônica foi publicada na imprensa hondurenha, que majoritariamente pertence ao setor golpista, como uma advertência a Washington sobre tudo o que poderiam contar.
Se unimos o assinalado a respeito da base estadunidense de Soto-Cano (ex-Palmerola), com os antecedentes do golpe de Estado e a atuação do embaixador Llorens, e o vinculamos com as bases militares que Washington projeta instalar na Colômbia, teremos os lineamentos de um projeto que com justificada razão alarma os países sul-americanos.

As sete bases

O governo colombiano quer convencer a opinião pública internacional, não só a latino-americana, de que seu convênio com os Estados Unidos não significa instalar bases militares estadunidenses em seu território.

Segundo Uribe, só lhes permitirá ocupar um pedacinho de sete bases colombianas para que aí desenvolvam suas atividades.

Insiste em que os vão receber como achegados para que contribuam no combate aonarcotráfico, mas não se refere aos sete bilhões de dólares recebidos de Washington pelo Governo através do Plano Colômbia.

A essa altura já é um fato indiscutível que esse plano não diminuiu em nada o narcotráfico e a corrupção.

Numerosas figuras políticas do partido do presidente Uribe estão detidas e processadas por seus vínculos com o negócio das drogas.

Também está claro que os paramilitares só aparentemente se desmobilizaram, mas se sabe que voltarão a se reagrupar com outro nome.

O objetivo das bases é outro muito diferente do declarado pelas autoridades colombianas e norte-americanas.

Quando estavam instalados no Panamá, os militares estadunidenses tinham na base Howard um centro de controle não só da América Latina, mas também para monitorar outros continentes, pois ali dispunham de diversos equipamentos de espionagem de alcance internacional.

Os tratados Torrijos-Carter sobre o canal os obrigaram a sair do território panamenho e encontraram acolhida na localidade equatoriana de Manta, onde o depois derrocado presidente Yamil Mahuad permitiu-lhes estabelecer-se em seu território.

O atual presidente equatoriano, Rafael Correa, postulou em sua campanha que não renovaria essa autorização e obrigou-os a desmantelar a base de Manta.

Agora se vão a sete pontos da Colômbia com o pretexto de combater o narcotráfico, no que
obviamente ninguém acredita, como tampouco é digerível que só utilizarão escritoriozinhos nas bases colombianas para apoiar o Plano Colômbia.

As autoridades das localidades em que vão se instalar tampouco estão muito à vontade, porque consideram que a presença dos soldados estadunidenses atrai prostituição e corrupção, como já aconteceu nos lugares onde estão há tempos.

Aos países sul-americanos tampouco lhes agrada o assunto porque representa uma ameaça e não o ocultaram.

A União das Nações Sul-americanas, UNASUR, acordou em sua recente reunião no Equador tratar o assunto diretamente com os Estados Unidos no mês de setembro, quando se inicia o período de sessões da Assembléia Geral da ONU e, previamente, se reunirão na Argentina para analisar o tema.
Ao mesmo tempo, UNASUR reiterou seu apoio a Zelaya e reclamou sua restituição na presidência de Honduras, no que também discrepam de Washington.

O presidente estadunidense, Barack Obama, reagiu com desagrado ante as críticas por não tomar medidas enérgicas contra os golpistas hondurenhos.

Segundo Obama, "há uma certa hipocrisia" por parte dos que exigem atuar com clareza em Honduras e os acusou de ser os mesmos que chamam Washington de intervencionista.
Os que criticam essa postura de Obama respondem que a hipocrisia não está aí, mas no papel do embaixador Llorens no golpe, no adestramento dado pelo Pentágono às forças armadas hondurenhas e no "lobby" que defende os golpistas no Congresso estadunidense.

Também há abundante informação sobre o envio de dinheiro proveniente do narcotráfico e de instituições estadunidenses que é entregue na Colômbia a opositores de governos democraticamente eleitos na região.

Em ouras palavras, a hipocrisia consiste em continuar ajudando o golpismo com uma pretensa não intervenção.

*Frida Modak é uma reconhecida jornalista chilena radicada no México e colaboradora de Prensa Latina.



terça-feira, 1 de setembro de 2009

Repressores da ditadura de Pinochet são processados


Os 120 processados serão imputados por fatos emblemáticos acontecidos durante a ditadura chilena, conhecidos como Operação Condor, a Calle Conferência e a Operação Colombo, casos nos que morreram centenas de pessoas, vitimas da repressão dos anos 70, na sua maioria opositores do regime.

TeleSUR:


Uns 120 ex-agentes da desaparecida Direção de Inteligência Nacional (DINA) do Chile, da ditadura de Augusto Pinochet, foram processados por delitos de lesa-humanidade. A metade destes nunca tinham sido submetidos a juízo, segundo informaram nesta terça-feira fontes judiciais e policiais.

O juiz chileno Victor Montiglio é o encarregado das fases judiciais às quais os imputados serão submetidos.

Foi expedida ordem de detenção para mais da metade dos acusados que serão executadas na quarta-feira por detetives da Brigada de Direitos Humanos da Policia de Investigações.

Dos acusados, 60 nunca tinham comparecido em outras ocasiões, nem tinham sido mencionados nas denuncias de violações dos Direitos Humanos.

Entre os novos processados encontram-se cinco altos oficiais da reserva do Exército: César Manríquez, Manuel Carevic, Sergio Castillo, Fernando Chaigneau e Luis Sovino, além de 45 suboficiais, 14 ex-membros da Força Aérea, 11 da Marinha, 6 da Policia de Investigações e 32 ex-carabineiros, entre outros

O advogado chileno Boris Paredes, do escritório de DDHH do Ministério do Interior, detalhou que na atualidade a investigação alcançou pessoas que conheciam os casos e jamais os denunciaram.

Segundo Paredes, vários dos novos processados correspondem a agentes que exerciam atividades de custódia e transporte de prisioneiros políticos.

O juiz chileno Victor Montiglio resolveu acusa-los em três casos conhecidos durante a ditadura de Pinochet como Operação Condor, a Calle Conferência, na qual caiu a direção clandestina do Partido Comunista (PC) em meados dos anos 70 e os desaparecidos da Operação Colombo.

Sob a ditadura de Pinochet, umas 3.200 pessoas morreram nas mãos de agentes do Estado e, desse total, umas1.192 ainda figuram como prisioneiros desaparecidos.

A Operação Condor foi uma ação coordenada entre as ditaduras militares da América do Sul nos anos 70 e começo dos 80, assessoradas pela Agência Central de Inteligência norteamericana (CIA), para eliminar opositores.

O caso Calle Conferência se refere ao desaparecimento completo da direção clandestina do PC chileno, o que ocorreu em maio de 1976.

A Operação Colombo foi uma operação criada em 1975 para encobrir o desaparecimento de 119 opositores da ditadura, a maioria membros do Movimento de Esquerda Revolucionário (MIR), organização que tomou em armas para combater a ditadura de Augusto Pinochet (1973 – 1990).

Entre as vitimas da Operação Colombo figuram os cineastas Carmen Bueno Cifuentes e Jorge Muller Silva, assim como Juan Chacón Olivares, Jorge Humberto D’Orival Briceño e Juan Carlos Perelman, entre outros.

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Declaração Universal dos Direitos Humanos - 10 de dezembro de 1948.

“Todo individuo tem direito à vida, à liberdade e à segurança da sua pessoa.” Art. 3.

“Todo individuo tem direito à liberdade de opinião e de expressão; este direito inclui o de não ser molestado por causa de suas opiniões, o de investigar e receber informações e opiniões, e o de difundi-las, sem limite de fronteiras, por qualquer meio de expressão.” Art. 19.

Devemos nos preparar para romper as relações com a Colômbia

Fonte: www.abn.info.ve

O Presidente da República, Hugo Chávez, pediu para o o chanceler venezuelano Nicolas Maduro estar preparado para uma ruptura das relações com a Colômbia, após a acusação de interferência da Venezuela nos assuntos internos do governo da Nova Granada, em relação à instalação de sete bases militares americanas na nação colombiana.

O presidente nacional disse nesta terça-feira que é preciso "se preparar para a ruptura das relações com a Colômbia, porque a burguesia do país nos odeia".

"As sete bases militares são uma declaração de guerra contra o povo venezuelano. Que imoral, é o governo da Colômbia para nos acusar de interferência ", disse Chávez.

Ele ressaltou que o Estado colombiano não está interessado "em acabar com o tráfico de droga, porque é uma nação que vive assim. Eles vivem em uma narco-economia, que é um narco-Estado. "

"A Colômbia se tornou um narco-estado e uma base de operação ianque que nos ameaça a todo o continente", afirmou o chefe de Estado.

Da mesma forma, pediu ao vice-presidente Ramon Carrizales, e ao ministro do Poder Popular para as Relações Interiores e Justiça, Tarek El Aissami, aumentar e melhorar os planos de segurança no país para combater os movimentos paramilitares colombianos na Venezuela.

"O Estado venezuelano deve agir em defesa da pátria, do povo e da revolução", disse Chávez.

Bases serão usadas para matar aqueles que consideram terroristas

Fonte: www.abn.info.ve

Para a senadora colombiana, Piedad Córdoba, as bases militares instaladas no seu país, pelos Estados Unidos irão ser utilizadas para matar as pessoas que o governo considera terroristas, o que reflete a preocupação das potências estrangeiras por ver que eles perderam o controle da região e de seus recursos.

Isto foi dito terça-feira em Valencia, estado Carabobo, onde se instalou a primeira base para a paz em oposição à ocupação militar norteamericana com a instalação de sete bases militares no país vizinho.

A senadora observou que estas bases estrangeiras reforçarão o que foi o plano patriota o plano Colômbia, programas militares que não hesitou em qualificar como um fracasso total, porque "o que eles têm feito, é perseguir as liderança e lutadores populares, terminando com o meio ambiente, e acabar com a biodiversidade do meu país. "

Também disse que um número significativo dos seus compatriotas considera que esta ocupação da força militar norteamericana é uma prolongação da guerra que assola sua nação.

"Na Colômbia o problema não vai acabar com mais guerra. Existem problemas que não se acabam matando todo o mundo, os problemas como a pobreza ", disse ela.

Quanto ao ato, disse que Córdoba tem um grande significado simbólico, e que eles vão continuar lutando para que em vez de bases militares, a Colômbia tenha bases para a paz.

Sublinhou também que o povo colombiano não está interessado em uma guerra com a Venezuela, por isso nos próximos dias será aberto uma base para a paz nas planícies de Arauca Colombiana e Venezuelana.

Também informou que irá pedir ao presidente Equador, Rafael Correa, que se junte a esta iniciativa para criar fundações para a paz no seu território.

Bases dos EUA na Colômbia ofendem dignidade e inteligência"

Em entrevista concedida no Equador, Eduardo Galeano fala sobre o significado do projeto de instalação de bases militares norte-americanas na Colômbia e sobre o atual momento da América Latina. Ao mesmo tempo em que região vive um tempo aberto de esperança, diz o escritor uruguaio, a independência ainda é um projeto inacabado. "Há uma espécie de renascimento que é digno de celebração em países que não chegaram ainda a ser independentes, apenas começaram um pouquinho a sê-lo. A independência é uma tarefa pendente para quase toda a América Latina", afirma.

Fernando Arellano Ortiz - Cronicón

“A presença norteamericana em bases militares da Colômbia não só ofende a dignidade da América Latina, mas também a inteligência”. A afirmação é do escritor uruguaio Eduardo Galeano, em entrevista concedida em Quito a Fernando Arellano Ortiz, de Cronicón (Observatório Latinoamericano). Para Galeano, América Latina vive um tempo aberto de esperança, mas adverte que a independência da região ainda é uma tarefa inacabada.

Depois de 200 anos da emancipação da América Latina, pode-se falar de uma reconfiguração do sujeito político nesta região, levando em conta os avanços políticos que se traduzem em governos progressistas e de esquerda em vários países latinoamericanos?

Galeano: Sim, há um tempo aberto de esperança, uma espécie de renascimento que é digno de celebração em países que não chegaram ainda a ser independentes, apenas começaram um pouquinho a sê-lo. A independência é uma tarefa pendente para quase toda a América Latina

Com toda a irrupção social que se vem dando ao longo do hemisfério, se pode dizer que há uma acentuação da identidade cultural da América Latina?

Galeano: Sim, eu acho que sim e isto passa certamente pelas reformas constitucionais. Ofendeu a minha inteligência, além de outras coisas que senti, o horror deste golpe de Estado em Honduras que invocou como causa o pecado cometido por um Presidente que quis consultar o povo sobre a possibilidade de reformar a Constituição, porque o que queria Zelaya era consultar sobre a consulta, nem sequer era uma reforma direta. Supondo que fosse uma reforma da Constituição, que seja bem vinda, porque as constituições não são eternas e para que os países possam realizar-se plenamente têm que reformá-las.

Eu me pergunto: o que seria dos EUA se seus habitantes continuassem obedecendo à sua primeira Constituição? A primeira Constituição dos EUA estabelecia que um negro equivalia às três quintas parte de uma pessoa. Obama não poderia ser Presidente porque nenhum país pode ter como mandatário as três quintas partes de uma pessoa.

Você reivindica a figura do presidente Barack Obama por sua condição racial, mas o fato de manter ou ampliar a presença norteamericana mediante bases militares na América Latina, como está acontecendo agora na Colômbia com a instalação de sete plataformas de controle e espionagem, não desdiz das verdadeiras intenções desse mandatário do Partido Democrata, e simplesmente segue ao pé da letra os planos expansionistas e de ameaça de uma potência hegemônica como os EUA?

Galeano: O que acontece é que Obama não definiu muito bem o que quer fazer nem em relação à America Latina, as relações nossas, tradicionalmente duvidosas, nem tampouco em outros temas. Em alguns espaços há uma vontade de mudança expressa, por exemplo, no que tem a ver com o sistema de saúde que é escandaloso nos EUA, se você quebra a perna, tem que pagar até o fim dos teus dias a dívida com esse acidente.

Mas em outros espaços não, ele continua falando de “nossa liderança”, “nosso estilo de vida” em uma linguagem excessivamente parecida com as dos anteriores. Me parece muito positivo que um país tão racista como esse e com episódios de um racismo colossal, descomunal, escandaloso, ocorridos há quinze minutos em termos históricos tenha um presidente seminegro. Em 1942 ou seja médio século, nada, o Pentágono proibiu as transfusões de sangue negro e aí o diretor da Cruz Vermelha renunciou ou foi renunciado porque se negou a aceitar a ordem dizendo que todo sangue é vermelho e que era um disparate falar de sangue negro, e ele, Charles Drew, era negro e um grande cientista, o que fez possível a aplicação do plasma em escala universal. Então um país que fizesse um disparate como proibir o sangue negro ter agora Obama como presidente é um grande avanço. Mas por outro lado, até agora eu não vejo uma mudança substancial. Aí está, por exemplo, o modo como seu governo enfrentou a crise financeira. Pobrezinho, eu não gostaria de estar na sua pele, mas a verdade é que acabaram recompensando os especuladores, os piratas de Wall Street que são muitíssimo mais perigosos que os da Somália porque estes assaltam apenas aos naviozinhos na costa, mas os da Bolsa de Nova York assaltam todo o mundo. Eles foram finalmente recompensados; eu gostaria de começar uma campanha em princípio comovido pela crise dos banqueiros com o lema: “adote um banqueiro”, mas desisti porque vi que o Estado assumiu essa responsabilidade. E da mesma forma com a América Latina, que parece não ter muito claro o que fazer.

Os EUA estiveram mais de um século dedicados à fabricação de ditaduras militares na America Latina. Então, na hora de defender uma democracia como no caso de Honduras, diante de um claríssimo golpe de Estado, vacilam, tem respostas ambíguas, não sabem o que fazer, porque não tem prática, lhes falta experiência, há mais de um século trabalham no sentido oposto, então compreendo que a tarefa não é fácil. No caso das bases militares na Colômbia, não só ofende a dignidade coletiva da América Latina, mas também a inteligência de cada um de nós, porque que se diga que sua função vai ser combater as drogas, por favor, até quando! Quase toda a heroína que se consome no mundo provem do Afeganistão, quase toda, dados oficiais das Nações Unidas que todo mundo pode ver na internet. E o Afeganistão é um país ocupado pelos EUA e como se sabe os países ocupantes tem a responsabilidade do que acontece nos países ocupados, portanto tem algo que ver com este narcotráfico em escala universal e são dignos herdeiros da rainha Vitória que era narcotraficante.

Não se pode ser tão hipócrita

A rainha britânica que introduziu por todos os meios no século XIX o ópio na China através de comerciantes da Inglaterra e dos EUA

Galeano: Si, a celebérrima rainha Vitória da Inglaterra impôs na China ao longo de duas guerras de trinta anos, matando uma quantidade imensa de chineses, porque o império chinês se negava a aceitar essa substância dentro de suas fronteiras que estava proibida. E o ópio é o pai da heroína e da morfina, justamente. Então aos chineses lhes custou muito, porque a China era uma grande potência que podia ter competido com a Inglaterra no começo da revolução industrial, era a oficina do mundo, e a guerra do ópio os arrasou, os converteu em uma piltrafa, aí entraram os japoneses como anel ao dedo, em quinze minutos. Vitória era uma rainha traficante e os EUA, que tanto usam a droga como pretexto para justificar suas invasões militares, porque disso se trata, são dignos herdeiros desta feia tradição. Me parece que já é hora que acordemos um pouquinho, porque não se pode ser tão hipócrita. Se vão ser hipócritas que o sejam com mais cautela. Na América Latina temos bons professores de hipocrisia, se querem podemos em um convênio de ajuda tecnológica mútua emprestar-lhes alguns hipócritas nossos.

Há exatamente nove anos, você disse em uma entrevista concedida em Bogotá a mim a seguinte frase: “Deus livre a Colômbia do Plano Colômbia”. Qual é agora sua reflexão em relação a esse país andino que enfrenta um governo autoritário entregue aos interesses dos EUA, com uma alarmante situação de violação de direitos humanos e com um conflito interno que segue sangrando-o?

Galeano: Além disso, com problemas gravíssimos que se foram agudizando com a passagem do tempo. Eu não sei, te digo, quem sou eu para dar conselhos à Colômbia nem aos colombianos, além disso sempre estive contra esse costume ruim de algumas pessoas que se sentem em condições de dizer o que cada país tem que fazer. Eu nunca cometi esse pecado imperdoável e não vou cometê-lo agora com a Colômbia, só posso dizer que tomara que os colombianos encontrem seu caminho, tomara que o encontrem, ninguém pode impor-lhes de fora, nem pela esquerda, nem pela direita, nem pelo centro, nem por nada, serão os colombianos que devem encontrá-lo. O que eu posso dizer é que eu testemunho as coisas.

Se há um tribunal mundial que alguma vez chegue a julgar a Colômbia pelo que se diz da Colômbia: país violento, narcotraficante, condenado à violência perpétua, eu vou dar testemunho de que não, de que esse é um país carinhoso, alegre e que merece um destino melhor.

Reivindicando a memória de Raúl Sendic

Há muitos anos, talvez umas quatro décadas, havia um personagem em Montevidéu que se reunia com um jovem desenhista chamado Eduardo Hughes Galeano com o propósito de lhe dar idéias para a elaboração de suas caricaturas, chamado Raúl Sendic, o inspirador da Frente Ampla do Uruguai.

Galeano: E o dirigente guerrilheiro dos Tupamaros, mesmo se naquele momento ainda não o era. É verdade, quando eu era criança, quase catorze anos, e comecei a desenhar caricaturas, ele se sentava a olhar e me dava idéias, era um homem bastante mais velho que eu, com certa experiência, e ainda não era o que foi depois: o fundador, organizador e dirigente dos Tupamaros. Me lembro o que disse a Emilio Frugoni que naquela época era dirigente do Partido Socialista e diretor do semanário em que eu publicava umas caricaturas precoces, assinalando para mim: “Este vai ser ou presidente ou grande delinqüente”. Foi uma boa profecia e terminei sendo grande delinqüente.

O fato de que hoje a Frente Ampla está governando o Uruguai e que um ex-guerrilheiro como Pepe Mujica tenha possibilidade de ganhar as eleições constitui uma reivinidicação à memória de Sendic?

Galeano: Sim e de todos os que participaram em uma luta longa para romper o monopólio de dois, exercido pelo Partido Colorado e pelo Partido Nacional durante quase toda a vida independente do país. A Frente Ampla surge há pouco tempo no cenário político nacional e me parece muito positivo que esteja governando agora, aparte de que eu não coincida com tudo o que se faz e além disso creio que não se faz tudo o que se deveria fazer. Mas isso não tem nada que ver porque finalmente a vitória da Frente Ampla foi também uma vitória da diversidade política que eu creio que é a base da democracia. Na Frente coexistem muitos partidos e movimentos diferentes, unidos claro em uma causa comum, mas com suas diversidades e diferenças, e eu as reivndico, para mim isso é fundamental.

O que representa para você como uruguaio o fato de que um dirigente emblemático da esquerda como Pepe Mujica, ex-guerrilheiro tupamaro, tenha amplas possibilidades de chegar à Presidência da República?

Galeano: Com alguma sorte, não vai ser fácil, vamos ver o que acontece, mas eu acho que é um processo de recuperação, as pessoas se reconhecem justamente no Pepe Mujica porque ele é radicalmente diferente dos nossos políticos tradicionais, na sua linguagem, até no seu aspecto e tudo o mais, por mais que ele tratou de se vestir como cavalheiro fino, não cai bem nele, e expressa muito bem uma necessidade e uma vontade popular de mudança. Acho que seria bom que ele chegasse à Preisdência, vamos ver se isso acontece ou não. De qualquer maneira, o drama do Uruguai como o do Equador, certamente, país em que estamos conversando neste momento, é a hemorragia de sua população jovem. Ou seja, a nossa é uma pátria peregrina; no seu discurso de posse o presidente Rafael Correa falou dos exilados da pobreza e a verdade é que há uma enorme quantidade de uruguaios muito mais do que se diz, porque não são oficiais as cifras, mas não menos de 700 ou 800 mil uruguaios em uma população pequeniníssima, porque nós no Uruguai somos 3 milhões e meio, essa é uma quantidade imensa de gente fora, todos ou quase todos jovens, então ficaram os velhos ou as pessoas que já cumpriram essa etapa da vida em que a gente quer que tudo mude para se resignar a que não mude nada ou que mude muito pouco.

Tijolos coloridos para armar mosaicos

Depois de seus reputados livros “As veias abertas da América Latina”, publicado em 1970, e “Espelhos”, editado em 2008, que relatam histórias da infâmia, o primeiro sobre nosso continente e o outro de boa parte do mundo, há espaço para continuar acreditando na utopia?

Galeano: O que faz “Espelhos” é recuperar a história universal em todas suas dimensões, em seus horrores, mas também em suas festas, é muito diferente de “As veias abertas da América Latina”, que foi o começo de um caminho. “As veias abertas” é quase um ensaio de economia político, escrito em uma linguagem não muito tradicional no gênero, por isso perdeu o concurso da Casa das Américas, porque o jurado não o considerou um livro sério. Era uma época em que a esquerda só acreditava que o sério era o chato, e como o livro não era chato, não era sério, mas é um livro muito concentrado na história política econômica e nas barbaridades que essa história implicou para nós, como nos deformou e nos estrangulou. Em compensação, “Espelhos” tenta abordar o mundo inteiro recolhendo tudo, as noites e os dias, as luzes e as sombras, são todas histórias muito curtinhas, e há também uma diferença de estilo. “As veias abertas” tem uma estrutura tradicional, e a partir daí eu tentei encontrar uma linguagem própria minha, que é a do relato curto, tijolos coloridos para armar os grandes mosaicos, um estilo como o dos muralistas, e cada relato é um pequeno tijolo que incorpora uma cor, e um dos últimos relatos de “Espelhos” evoca uma recordação da minha infância que é verdadeiro; é que quando eu era pequenininho acreditava que tudo o que se perdia na Terra ia parar na Lua, estava convencido disso e me suprendeu quando chegaram os astronautas à Lua porque não encontraram nem promessas traídas, nem ilusões perdidas, nem esperanças rompidas, e então eu me perguntei: se não estão na Lua, onde estão? Será que não estão aqui na terra, esperando-nos?

Tradução: Emir Sader