"A LUTA DE UM POVO, UM POVO EM LUTA!"

Agência de Notícias Nova Colômbia (em espanhol)

Este material pode ser reproduzido livremente, desde que citada a fonte.

A violência do Governo Colombiano não soluciona os problemas do Povo, especialmente os problemas dos camponeses.

Pelo contrário, os agrava.


sexta-feira, 6 de julho de 2012

As novas formas de golpismo na região

Com diferentes gradações, os especialistas consultados partilham críticas ao processo de remoção de Lugo, mas também assinalam que a fragilidade política do mandatário deposto contribuiu para o desenlace irregular da crise paraguaia.


A reportagem é de Sebastian Abrevaya, publicada no jornal Página/12, 04-07-2012. A tradução é do Cepat.

A destituição do presidente do Paraguai, Fernando Lugo, abriu um debate entre intelectuais e políticos em relação às novas formas de golpismo na América Latina. Os presidentes da Unasul deliberaram na reunião, em Mendoza, que se tratou de “uma ruptura da ordem democrática” e, em concordância com o Protocolo de Ushuia, suspenderam a participação do Paraguai nesse bloco regional e também no Mercosul.

No entanto, a contundente e unânime resposta política regional não esgotou o debate intelectual que continua gerando controvérsias. O jornal Página/12 consultou os cientistas políticos Aníbal Pérez-Liñan e Amílcar Salas Oroño e, também, o diretor nacional eleitoral, Alejandro Tullio, que compartilharam das críticas ao processo de remoção de Lugo, mas também destacaram que a fragilidade política do mandatário deposto contribuiu para o desenlace irregular da crise paraguaia.

“É tentador chamar o que ocorreu no Paraguai de golpe de Estado, entretanto acredito que é um erro porque não permite entender claramente o que aconteceu. Não houve uma operação militar, contra o presidente eleito, como em Honduras, há três anos. No Paraguai, o Congresso abusou de sua autoridade constitucional para destituir o presidente”, sustenta Pérez-Liñán, doutor em Ciência Política da Universidade de Notre Dame e um dos maiores especialistas argentinos em política comparada latino-americana.

Além disso, Pérez-Liñán é autor do livro “Juicio político al presidente y nueva inestabilidad política en América Latina”, que analisa as crises presidenciais da região durante os últimos vinte anos, em que caíram 21 presidentes, havendo intervenção militar somente em três casos. Para Pérez-Liñán, “estender” a etiqueta de golpe de Estado leva a “um beco sem saída”, porque poderia decorrer que toda queda de um presidente fosse denunciada para a OEA como um golpe e, segundo maiorias circunstanciais, tornar-se um recurso de “intervenção arbitrária”.

“De qualquer modo, a queda de um presidente eleito é uma tragédia constitucional, mas a desmilitarização da política latino-americana, nos últimos vinte anos, é uma conquista que não deve ser ocultada por um jogo de palavras”, conclui o docente da Universidade de Pittsburgh que, embora tenha qualificado como “duvidoso” o processo de julgamento político, afirmou que sua legalidade está dada pela autoridade constitucional do Congresso para levá-lo adiante.

Numa outra perspectiva, para Salas Oroño, sem dúvidas, trata-se de um golpe de Estado, “tanto por falta de demonstração substantiva e articulada de argumentos, expostos no julgamento político, como pela ausência de uma possibilidade efetiva de defesa”. Doutor em Ciências Sociais da UBA e pesquisador do Instituto de Estudos da América Latina e do Caribe, subordinado a mesma universidade, Salas Oroño adverte que o caso paraguaio constitui um exemplo do que denomina como a implantação de uma “ideologia parlamentarista”, como um fenômeno construído com o esforço combinado das elites conservadoras, em cada país, em aliança com os meios de comunicação, “que forçam uma específica interpretação da realidade, desvalorizando a legitimidade dos poderes executivos”.

“De um lado estão determinados Poderes Executivos que, com maior ou menor determinação, se colocam como horizonte político desagregar os elementos tradicionais das dialéticas neoliberais. Do outro, Parlamentos que funcionam como refúgios institucionais para a reorganização política das diferentes oposições. O que não conseguem conquistar de outra forma, os setores opositores buscam através do Parlamento”, explica Salas Oroño.

Adotando esta ideia, para Salas Oroño o principal déficit do governo de Lugo deveria ser situado no plano político: “Em comparação com outros governos do Cone Sul, que também tem dívidas sociais, Lugo não conquistou, nem sequer, uma mudança nos realinhamentos das identidades político-partidárias. As fragilidades das fronteiras políticas, que ele traçou, não serviram nem para conter seus próprios aliados; no final, foi o Partido Liberal quem definiu a sorte do Presidente”, conclui.

Em semelhante sentido, o advogado e titular da Direção Nacional Eleitoral, Alejandro Tullio, questionou a atitude do Senado paraguaio e argumentou que na Constituição “há conceitos não explícitos porque seu significado está implícito”. Um desses significados implícitos é o de julgamento, “que requer ampla acusação factual, exercício substancial – não formal – do direito de defesa e, além disso, uma sentença fundamentada”. Para Tullio, o Senado, nos fatos, não julgou e nem sentenciou, mas decidiu e votou a destituição “num exercício autojustificativo, em que o fundamento da decisão é unicamente a faculdade legal de adotá-la”. Segundo Tullio, esta atitude do Senado está em conformidade com “uma espécie imprópria de revogação de mandato”, imprópria porque só quem concede o mandato é que pode revogá-lo, nesse caso, o povo paraguaio.

Ao final da análise, o debate não parece encontrar um desfecho comum. A qualificação como golpe de Estado depende, em grande medida, da ênfase dada às irregularidades, reconhecidas pelos intelectuais, ao processo de destituição, encabeçadas pela ausência de um exercício real do direito de defesa, falta de rigor na acusação realizada pela Câmara de Deputados e os prazos acelerados, que serviram para evitar o impacto da pressão internacional.

Esta análise está em sintonia com as palavras do secretário geral da OEA, o chileno José Miguel Insulza, que afirmou, em referência ao caso, que “o estrito apego à letra formal da norma não significa necessariamente o apego aos princípios”.


Dez fatos chocantes sobre os Estados Unidos da Amé



 Antônio Santos,
do Diário da Liberdade, Portugal.

1 - Os Estados Unidos têm a maior população carcerária do mundo. Apesar de compor menos de 5% da humanidade , tem mais de 25% da comunidade presa. Em cada 100 americanos, um está preso.
Desde os anos 80, a surreal taxa de encarceramento dos EUA é um negócio e um instrumento de controlo social: à medida que o negócio das prisões privadas se alastra como gangrena, uma nova categoria de milionários consolida o seu poder político. Os donos destes cárceres são também na prática donos de escravos, que trabalham nas fábricas no interior da prisão por salários inferiores a 50 centavos de dólar por hora. Este trabalho escravo é tão competitivo, que muitos municípios sobrevivem financeiramente graças às suas próprias prisões, aprovando simultaneamente leis que vulgarizam sentenças de até 15 anos de prisão por crimes menores como roubar uma pastilha elástica. O alvo destas leis draconianas são os mais pobres, mas sobretudo os negros, que representando apenas 13% da população americana, compõem 40% da população prisional do país.

2 - Cerca de 22% das crianças americanas vivem abaixo do limiar da pobreza
Calcula-se que cerca de 16 milhões de crianças americanas vivam sem “segurança alimentar”, ou seja, em famílias sem capacidade econômica de satisfazer os requisitos nutricionais mínimos de uma dieta saudável. As estatísticas provam que estas crianças têm piores resultados escolares, aceitam piores empregos, não vão à universidade e têm uma maior probabilidade de, quando adultos, serem presos.

3 - Entre 1890 e 2012 os EUA invadiram ou bombardearam 149 países  É maior a quantidade dos países do mundo em que os EUA intervieram militarmente do que aqueles em que ainda não o fizeram. Números conservadores apontam para mais de 8 milhões de mortes causadas pelos EUA só no século XX. E por detrás desta lista escondem-se centenas de outras operações secretas, golpes de Estado (como no caso do Brasil em 1964 ) e patrocínio de ditadores e grupos terroristas. Segundo Obama, que conquistou o Nobel da Paz, os EUA têm neste momento mais de 70 operações militares secretas em vários países do mundo. O mesmo presidente criou o maior orçamento militar norte-americano desde a Segunda Guerra Mundial, batendo de longe George W. Bush.

4 - Os EUA são o único país da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) que não oferece qualquer tipo de subsídio de maternidade 
Embora estes números variem de acordo com o Estado e dependam dos contratos redigidos pela empresa, é prática corrente que as mulheres americanas não tenham direito a nenhum dia pago nem antes nem depois de dar à luz. Em muitos casos, não existe sequer a possibilidade de tirar baixa sem vencimento. Quase todos os países do mundo oferecem entre 12 e 50 semanas pagas em licença de maternidade. Neste aspecto, os Estados Unidos fazem companhia à Papua Nova Guiné e à Suazilândia com zero semanas. 
5 - 125 americanos morrem a cada dia por não poderem pagar qualquer tipo de plano privado de saúde 
Se não tiver seguro de saúde (como 50 milhões de americanos não têm), então, tem boas razões para recear mais a ambulância e os cuidados de saúde que lhe vão prestar, que um inocente ataquezinho cardíaco. As viagens de ambulância custam em média 500 euros, a estadia num hospital público mais de 200 euros por noite, e a maioria das operações cirúrgicas situadas nas dezenas de milhares, é bom que possa pagar um seguro de saúde privado. Caso contrário, a América é a terra das oportunidades e como o nome indicam, terá a oportunidade de se endividar até às orelhas e também a oportunidade de ficar em casa, fazer figas e esperar não morrer desta vez.

6 - Os EUA foram fundados sobre o genocídio de 10 milhões de nativos. Entre 1940 e 1980, 40% de todas as mulheres que viviam em reservas índigenas, foram esterilizadas, contra sua vontade pelo governo americano 
Esqueçam a história do Dia de Ação de Graças, com índios e colonos a partilhar placidamente o mesmo peru à volta da mesma mesa. A História dos Estados Unidos começa no programa de erradicação dos índios. Tendo em conta as restrições atuais à imigração ilegal, ninguém diria que os fundadores deste país foram eles mesmo imigrantes ilegais, que vieram sem o consentimento dos que já viviam na América. Durante dois séculos, os índios foram perseguidos e assassinados, despojados de tudo e empurrados para minúsculas reservas de terras inférteis, em lixeiras nucleares e sobre solos contaminados. Em pleno século XX, os EUA puseram em marcha um plano de esterilização forçada de mulheres índias, pedindo-lhes para colocar uma cruz num formulário escrito numa língua que não compreendiam, ameaçando-as com o corte de subsídios caso não consentissem o ato ou, simplesmente, recusando-lhes acesso a maternidades e hospitais. Mas que ninguém se espante, os EUA foram o primeiro país do mundo a levar a cabo esterilizações forçadas ao abrigo de um programa de eugenia, inicialmente contra pessoas portadoras de deficiência e mais tarde contra negros e índios.

7 - Todos os imigrantes são obrigados a jurar não ser comunistas para poder viver nos EUAPara além de ter que jurar que não é um agente secreto nem um criminoso de guerra nazi, vão-lhe perguntar se é, ou alguma vez foi membro do “Partido Comunista”, se tem simpatias anarquista ou se defende intelectualmente alguma organização considerada “terrorista”. Se responder que sim a qualquer destas perguntas, ser-lhe-á automaticamente negado o direito de viver e trabalhar nos EUA por “prova de fraco carácter moral”.

8 - O preço médio de um curso superior  numa universidade pública é 80 000 dólares O ensino superior é uma autêntica mina de ouro para os banqueiros. Virtualmente todos os estudantes têm dívidas astronômicas, que acrescidas de juros, levarão em média 15 anos a pagar. Durante esse período os alunos tornam-se servos dos bancos e das suas dívidas, sendo muitas vezes forçados a contrair novos empréstimos para pagar os antigos e ainda assim sobreviver. O sistema de servidão completa-se com a liberdade dos bancos de vender e comprar as dívidas dos alunos a seu bel-prazer, sem o consentimento ou sequer a informação do devedor. Num dia deve-se dinheiro a um banco com uma taxa de juro e no dia seguinte, pode-se dever dinheiro a um banco diferente com nova e mais elevada taxa de juro. Entre 1999 e 2012, a dívida total dos estudantes americanos ascendeu a 1,5 trilhões de dólares, subindo assustadores 500%.

9 - Os EUA são o país do mundo com mais armas de fogo por habitante: para cada 10 americanos, há 9 armas 
Não é de espantar que os EUA levem o primeiro lugar na lista dos países com a maior coleção de armas. O que surpreende é a comparação com o resto do mundo: no resto do planeta, há 1 arma para cada 10 pessoas. Nos Estados Unidos, 9 para cada 10. Nos EUA podemos encontrar 5% de todas as pessoas do mundo e 30% de todas as armas, qualquer coisa como 275 milhões. E esta estatística tende a se extremar, já que os americanos compram mais de metade de todas as armas fabricadas no mundo.

10 - Há mais  americanos que acreditam no Diabo do que os que acreditam em DarwinA maioria dos americanos são cépticos; pelo menos no que toca à teoria da evolução, em que apenas 40% dos norte-americanos acredita. Já a existência de Satanás e do inferno, soa perfeitamente plausível a mais de 60% dos americanos. Esta radicalidade religiosa explica as “conversas diárias” do ex-presidente Bush com Deus e mesmo os comentários do ex-candidato Rick Santorum, que acusou os acadêmicos americanos de serem controlados por Satã.
[Apesar de se apresentarem ao mundo como defensores dos direitos humanos no seu país e em nível internacional, os Estados Unidos cometem uma série de violações que representam o desrespeito a milhares de estadunidenses, especialmente aos mais pobres e aos negros. Neste artigo, Antônio Santos, comenta dez fatos nesse sentido].

domingo, 1 de julho de 2012

Equador não seguirá participando da "Escuela de las Américas"


Nesta quarta-feira, 27 de junho, o Presidente do Equador, Rafael Correa, a pedido de uma delegação da School of the Americas Watch, tomou a decisão de não continuar o envio de soldados equatorianos à Escola das Américas.
Queremos manifestar nossa alegria por esta decisão do governo do Equador, com a certeza de que a Escola das Américas – hoje chamada de Instituto de Segurança e Cooperação do Hemisfério Ocidental – eficazmente treinou e treina os soldados latino-americanos sob a doutrina da segurança nacional, baseada no combate ao inimigo interno, o que incide efetivamente em violações aos direitos humanos em toda América Latina.

No ano de 2010, o Informe da Comissão da Verdade, que investigou as violações aos direitos humanos no Equador, chamou a atenção sobre o treinamento recebido pelos militares equatorianos na Escola das Américas e recomendou ao Estado a não continuar o envio de soldados a este instituto militar. Hoje, essa recomendação foi levada em conta e nos sentimos felizes.

As milhares de vítimas de violações dos direitos humanos no Equador e em toda a América Latina têm o direito de conhecer os responsáveis pelos assassinatos, desaparecimentos forçados e torturas e que estes sejam levados à Justiça para que paguem por seus crimes. Ao mesmo tempo, os estados devem dar garantias de não repetição de tais crimes à sociedade e aos sobreviventes. Uma medida concreta é terminar com a formação militar na Escola das Américas, que tanto dano e sofrimento causou aos nossos povos.

O Equador se soma à Venezuela, ao Uruguai, à Argentina e à Bolívia, compreendendo que nada de bom pode esperar do treinamento oferecido pelo Exército dos Estados Unidos.

Conclamamos os demais países da América Latina a suspenderem o quanto antes os envios de soldados à Escola das Américas, que segue fomentando, agora sob o pretexto da luta contra o terrorismo e o narcotráfico, a violência contra a população.

Felicitamos o Presidente Rafael Correa por esta decisão soberana,  impedindo que se cometam futuramente graves violações dos direitos humanos.
 
Tradução: Partido Comunista Brasileiro (PCB)

quinta-feira, 28 de junho de 2012

DECLARAÇÃO FINAL CÚPULA DOS POVOS NA RIO+20 POR JUSTIÇA SOCIAL E AMBIENTAL EM DEFESA DOS BENS COMUNS, CONTRA A MERCANTILIZAÇÃO DA VIDA

Movimentos sociais e populares, sindicatos, povos e organizações da sociedade civil de todo o mundo presentes na Cúpula dos Povos na Rio+20 por Justiça Social e Ambiental, vivenciaram nos acampamentos, nas mobilizações massivas, nos debates, a construção das convergências e alternativas, conscientes de que somos sujeitos de uma outra relação entre humanos e humanas e entre a humanidade e a natureza, assumindo o desafio urgente de frear a nova fase de recomposição do capitalismo e de construir, através de nossas lutas, novos paradigmas de sociedade.


A Cúpula dos Povos é o momento simbólico de um novo ciclo na trajetória de lutas globais que produz novas convergências entre movimentos de mulheres, indígenas, negros, juventudes, agricultores/as familiares e camponeses, trabalhadore/as, povos e comunidades tradicionais, quilombolas, lutadores pelo direito a cidade, e religiões de todo o mundo. As assembléias, mobilizações e a grande Marcha dos Povos foram os momentos de expressão máxima destas convergências.

As instituições financeiras multilaterais, as coalizões a serviço do sistema financeiro, como o G8/G20, a captura corporativa da ONU e a maioria dos governos demonstraram irresponsabilidade com o futuro da humanidade e do planeta e promoveram os interesses das corporações na conferência oficial. Em constraste a isso, a vitalidade e a força das mobilizações e dos debates na Cúpula dos Povos fortaleceram a nossa convicção de que só o povo organizado e mobilizado pode libertar o mundo do controle das corporações e do capital financeiro.

Há vinte anos o Fórum Global, também realizado no Aterro do Flamengo, denunciou os riscos que a humanidade e a natureza corriam com a privatização e o neoliberalismo. Hoje afirmamos que, além de confirmar nossa análise, ocorreram retrocessos significativos em relação aos direitos humanos já reconhecidos. A Rio+20 repete o falido roteiro de falsas soluções defendidas pelos mesmos atores que provocaram a crise global. À medida que essa crise se aprofunda, mais as corporações avançam contra os direitos dos povos, a democracia e a natureza, sequestrando os bens comuns da humanidade para salvar o sistema economico-financeiro.

As múltiplas vozes e forças que convergem em torno da Cúpula dos Povos denunciam a verdadeira causa estrutural da crise global: o sistema capitalista associado ao patriarcado, ao racismo e à homofobia.

As corporações transnacionais continuam cometendo seus crimes com a sistemática violação dos direitos dos povos e da natureza com total impunidade. Da mesma forma, avançam seus interesses através da militarização, da criminalização dos modos de vida dos povos e dos movimentos sociais promovendo a desterritorialização no campo e na cidade.

Avança sobre os territórios e os ombros dos trabalhadores/as do sul e do norte. Existe uma dívida ambiental histórica que afeta majoritariamente os povos do sul do mundo que deve ser assumida pelos países altamente industrializados que causaram a atual crise do planeta.

O capitalismo também leva à perda do controle social, democrático e comunitario sobre os recursos naturais e serviços estratégicos, que continuam sendo privatizados, convertendo direitos em mercadorias e limitando o acesso dos povos aos bens e serviços necessários à sobrevivencia.

A atual fase financeira do capitalismo se expressa através da chamada economia verde e de velhos e novos mecanismos, tais como o aprofundamento do endividamento público-privado, o super-estímulo ao consumo, a apropriação e concentração das novas tecnologias, os mercados de carbono e biodiversidade, a grilagem e estrangeirização de terras e as parcerias público-privadas, entre outros.

As alternativas estão em nossos povos, nossa história, nossos costumes, conhecimentos, práticas e sistemas produtivos, que devemos manter, revalorizar e ganhar escala como projeto contra-hegemônico e transformador.

A defesa dos espaços públicos nas cidades, com gestão democrática e participação popular, a economía cooperativa e solidária, a soberania alimentar, um novo paradigma de produção, distribuição e consumo, a mudança da matriz energética,  são exemplos de alternativas reais frente ao atual sistema agro-urbano-industrial.

A defesa dos bens comuns passa pela garantia de uma série de direitos humanos e da natureza, pela solidariedade e respeito às cosmovisões e crenças dos diferentes povos, como, por exemplo, a defesa do “Bem Viver” como forma de existir em harmonia com a natureza, o que pressupõe uma transição justa a ser construída com os trabalhadores/as e povos. A construção da transição justa supõe a liberdade de organização e o direito a contratação coletiva e políticas públicas que garantam formas de empregos decentes.

Reafirmamos a urgência da distribuição de riqueza e da renda, do combate ao racismo e ao etnocídio, da garantia do direito a terra e território, do direito à cidade, ao meio ambiente e à água, à educação, a cultura, a liberdade de expressão e democratização dos meios de comunicação, e à saúde sexual e reprodutiva das mulheres.

Fortalecimento de diversas economias locais e dos direitos territoriais garantem a construção comunitária de economias mais vibrantes. Estas economias locais proporcionam meios de vida sustentáveis locais, a solidariedade comunitária, componentes vitais da resiliência dos ecossistemas. A maior riqueza é a diversidade da natureza e sua diversidade cultural associada e as que estão intimamente relacionadas.

Os povos querem determinar para que e para quem se destinam os bens comuns e energéticos, além de assumir o controle popular e democrático de sua produção. Um novo modelo enérgico está baseado em energias renováveis descentralizadas e que garanta energia para a população e não para corporações.

A transformação social exige convergências de ações, articulações e agendas comuns a partir das resistências e proposições necessárias que estamos disputando em todos os cantos do planeta. A Cúpula dos Povos na Rio+20 nos encoraja para seguir em frente nas nossas lutas.

Rio de Janeiro, 15 a 22 de junho de 2012.
Comitê Facilitador da Sociedade Civil na Rio+20 - Cúpula dos Povos

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Intelectuais e artistas defendem asilo político para Assange

Noam Chomsky, Michael Moore, Tariq Ali, Oliver Stone e Danny Glover, entre outros, entregaram segunda-feira (26) carta à embaixada do Equador em Londres, pedindo que seja concedido asilo político a Julian Assange, fundador do Wikileaks. Os signatários da carta defendem que se trata de um caso claro de ataque contra a liberdade de imprensa e contra o direito do público de conhecer verdades importantes sobre a política externa, além de uma séria ameaça à saúde e ao bem-estar de Assange (no caso de uma extradição para os Estados Unidos).


Nova York - Um amplo leque de intelectuais, artistas, cineastas e escritores de várias partes do mundo solicitaram ao governo do Equador que conceda asilo a Julian Assange, Fundador do Wikileaks, que se encontra refugiado na embaixada desse país em Londres.

Noam Chomsky, Michael Moore, Tariq Ali, Oliver Stone, o ator Danny Glover, o comediante Bill Maher, Daniel Ellsberg, ex-analista militar famoso por divulgar os Papeis do Pentágono durante a guerra do Vietnã, e Denis J. Halliday, ex-secretário geral assistente da Organização das Nações Unidas, entre dezenas de outras personalides, assinaram a carta de apoio ao pedido de Assange de asilo político, a qual foi entregue segunda-feira (26) à embaixada do Equador em Londres.

Afirmaram que por se tratar de um caso claro de ataque contra a liberdade de imprensa e contra o direito do público de conhecer verdades importantes sobre a política externa, e porque a ameaça à saúde e ao bem-estar é séria, pedimos que seja concedido asilo político ao senhor Assange.

O fundador do Wikileaks ingressou na sede diplomática equatoriana a semana passada para evitar sua extradição para a Suécia. Os signatários da carta entregue ontem concordam com o agora fugitivo (rompeu as condições de sua detenção domiciliar ao entrar na sede diplomática) que há razões para temer sua extradição, pois há uma alta probabilidade de que, uma vez na Suécia, seja encarcerado e provavelmente extraditado para os Estados Unidos.

O governo de Barack Obama realizou um processo conhecido como grande júri para preparar uma possível acusação legal criminal contra Assange, ainda que o procedimento seja secreto até emitir sua conclusão. Além disso, meios de comunicação relataram que os departamentos de Defesa e de Justiça investigaram se Assange violou leis penas com a divulgação de documentos oficiais.

Os signatários sustentam que esta e outras evidências mostram a hostilidade contra Wikileaks e seu criador por parte do governo estadunidense, e que se ele fosse processado conforme a Lei de Espionagem nos Estados Unidos poderia enfrentar a pena de morte. Além disso, acusam o tratamento desumano ao qual foi submetido Bradley Manning, o solado acusado de ser a fonte dos documentos vazados para Wikileaks.

“Reivindicamos que seja outorgado asilo político ao senhor Assange, porque o ‘delito’ que ele cometeu foi o de praticar o jornalismo”, afirmam na carta. Assange revelou importantes crimes contra a humanidade cometidos pelo governo dos Estados Unidos. Os telegramas diplomáticos revelaram as atividades de oficiais estadunidenses atuando para minar a democracia e os direitos humanos ao redor do mundo, acrescentam.

A carta, entregue por Robert Naiman, diretor da organização estadunidense Just Foreign Policy, autora da iniciativa, foi acompanhada de outra petição assinada por mais de 4 mil estadunidenses que solicitam que o governo do Equador conceda asilo a Assange.

A íntegra da carta pode ser vista em justforeignpolicy.org/node/1257.
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Com apoio de Carta Maior

domingo, 24 de junho de 2012

Declaração Pública Em torno da paz e da solução política ao conflito interno

Juan Manuel Santos, numa nova mostra de desespero, expressou ante o país no passado 11 de junho, na Escola Militar José María Córdoba, que se as guerrilhas estávamos falando de paz era graças à contundência das Forças Armadas. E acrescentou outra manifestação que diz muito de seu compromisso com a reconciliação e a paz democrática: só se produzirá a possibilidade de diálogos quando se tenha a segurança de que estes se realizarão “sob nossas condições e nosso domínio”.

Tão disparatada interpretação da realidade põe de presente a concepção que inspira o discurso oficial. A via pacífica, democrática, dialogada, para solucionar o gravíssimo conflito que aflige a Colômbia tem sido a bandeira das FARC desde seu nascimento. Levantou-a o movimento agrário de Marquetalia ao conhecer-se em 1962 a projetada agressão oficial. A guerra, o esmagamento violento da organização popular e a oposição política têm sido o histórico mecanismo de dominação da oligarquia colombiana e seu amo imperialista.
A intolerância do regime se corresponde com os interesses hegemônicos do grande capital transnacional, expressados para nosso continente desde o chamado Consenso de Washington. Livre comércio, privatizações, flexibilização laboral, abertura total à inversão estrangeira direta, isto é, a mais pura ortodoxia neoliberal no campo da economia, requer para sua imposição a absoluta dominação ideológica e cultural no campo da política.
O extraordinário esforço de Santos por entregar em lotes o território nacional às corporações mineiras e agroindustriais, seu desprezo pelas condições de vida das comunidades e das condições laborais da mão de obra colombiana, seus reiterados privilégios ao grande capital em detrimento do meio ambiente e da produção nacional foram convertidos em dogmas sagrados. A ninguém se lhe permite colocá-los em dúvida ou discuti-los. Se trata nem mais nem menos que dos direitos do capital, muito mais importantes que os direitos da sociedade, os direitos humanos ou qualquer outra categoria de direitos.

Se até hoje, apesar dos sucessivos espaços conquistados pela luta popular para falar de paz nos últimos 30 anos de história, foi impossível chegar a um acordo de solução dialogada, foi precisamente pela negação das classes dominantes a admitir a mínima variante em seus projetos de dominação econômica e política. Isso volta a pôr-se de presente com o atual governo. O que o regime pretende à custa das FARC e dos direitos da imensa maioria de compatriotas é relegitimar ante o concerto mundial seu modelo terrorista de Estado. Apagar de uma canetada a horrível e longa noite de crimes e horror mediante a qual o grande capital e os terratenentes, representados nos poderes públicos, acumularam fortunas e propriedades para fomentar seus gigantescos projetos de enriquecimento. Por isso se escuda hipocritamente numa suposta intervenção da justiça internacional contra seus levantados.
Não são os guerrilheiros colombianos que devem responder pelas práticas atrozes e genocidas que o Estado colombiano, por mão de suas forças armadas oficiais e paramilitares, sob a orientação das agências de inteligência norte-americanas e do Pentágono, se encarregou de praticar de modo sistemático contra sua população durante muitas décadas.
Não vai ser à custa de acusações infamantes e gratuitas contra a luta popular que os gorilas e monstros que têm ensanguentado e semeado de tumbas a Colômbia vão salvar sua responsabilidade, como de modo cínico se consagra no chamado marco legal para a paz. A desfaçatez do Congresso que o expede se reforça com a vergonhosa reforma judicial recém aprovada nas instâncias do governo.
A retórica de Santos põe cada dia mais a nu seu verdadeiro conteúdo. O único acordo de paz que espera é um contrato de adesão, no qual uma guerrilha arrependida e chorosa se rende de joelhos ante o grande capital, agradecida de ter sido perdoada como o filho pródigo. Um ícone econômico, militar, ideológico, político e cultural para selar materialmente sua dominação de classe ante a sociedade inteira, o triunfo hegemônico do capitalismo selvagem.
Tão elitista e soberba é sua atitude oligárquica, que pretende centrar o debate em se o Comandante das FARC pode ser ou não congressista, como se se tratasse de que a luta do povo colombiano e a insurgência apontassem apenas para uma simples reinserção ao seu apodrecido regime político.
Agora, se tenta pôr o senhor Uribe a desempenhar o papel que em seu tempo jogara o senador Álvaro Gómez Hurtado, como uma espécie de símbolo da ultra direita ao qual havia que manejar com cuidado e contentamento, assim não se estivesse de acordo com ele em tudo.
O Partido Liberal compartilhava o poder com o filho de Laureano, tal e como faz Santos com seu apregoado rival hoje. O povo colombiano aprende da história, a oligarquia parece que não, e insiste em repeti-la estupidamente.
Mais claro não podemos falar. A solução política ao conflito colombiano é parte inseparável de nosso acervo ideológico e político, não é produto de nenhuma pressão militar. As FARC-EP somos povo colombiano em armas, seguimos combatendo e seguiremos combatendo até que desapareçam as causas que deram origem e seguem alimentando o conflito colombiano. Nossa vontade de paz se insere nesse critério elementar. O regime político, o manejo econômico e social do país requerem profundas reformas que devem nascer do debate aberto e democrático com todas as forças do país. Não entendemos por que, sim, Santos deseja tanto a paz se tem tanto temor a isso.
Agora fala de drones e outras loucuras, como se o que a Colômbia precisasse fosse de mais mortes e esbanjamentos. O que a nação colombiana está reclamando aos gritos em ruas e praças é que se abram as portas do diálogo e da reconciliação, que se lhe dê a real oportunidade e o direito a falar, a expor, a mobilizar-se e decidir acerca do futuro do país.
 
SECRETARIADO DO ESTADO-MAIOR CENTRAL DAS FARC-EP
Montanhas de Colômbia, 22 de junio de 2012
 

domingo, 17 de junho de 2012

Desmontar a mentira para combater a alienação e dinamizar a luta

Por Miguel Urbano Rodrigues

 
A compreensão pelos povos da estratégia exterminista do imperialismo que os ameaça é extremamente dificultada pela ignorância sobre o funcionamento do sistema de poder dos Estados Unidos e pela imagem falsa que prevalece a respeito da sociedade norte-americana não apenas na Europa mas em muitos países subdesenvolvidos.
Esquema padrão de escalada, agora aplicado na Síria.Repetir evidências passou a ser uma necessidade no combate à alienação das grandes maiorias, confundidas e manipuladas pelos responsáveis da crise de civilização que atinge a humanidade.

Talvez nunca antes a insistência em iluminar o óbvio oculto tenha sido tão importante e urgente porque a falsificação da História e a manipulação das massas empurra a humanidade para o abismo.

Essa tarefa assume um carácter revolucionário porque as forças que controlam o capitalismo utilizam as engrenagens do sistema mediático para criar uma realidade virtual que actua como arma decisiva para a formação de uma consciência social passiva, para a robotização do homem.

A compreensão pelos povos da estratégia exterminista do imperialismo que os ameaça é extremamente dificultada pela ignorância sobre o funcionamento do sistema de poder dos Estados Unidos e a imagem falsa que prevalece a respeito da sociedade norte-americana não apenas na Europa mas em muitos países subdesenvolvidos.

UM MITO ROMÂNTICO 

Não obstante serem inocultáveis os crimes cometidos pelos EUA nas últimas décadas em guerras de agressão contra diferentes povos, uma grande parte da humanidade continua a ver na pátria de Jefferson e Lincoln uma terra de liberdade e progresso. O mito romântico dos pioneiros do Mayflower é difundido por uma propaganda perversa que insiste em apresentar o povo e o governo dos EUA como vocacionados para defender e liderar a humanidade. Os males do capitalismo seriam circunstanciais e a grande república, presidida agora por um humanista, estaria prestes a superar a crise que a partir dela alastrou pelo mundo.

Não basta afirmar que estamos perante uma perigosa mentira. Desmontar o mito estado-unidense é, repito, uma tarefa prioritária na luta contra a alienação das maiorias. O político negro cuja eleição desencadeou uma vaga de esperança entre oprimidos da Terra engavetou os compromissos assumidos com o povo e ao longo do seu mandato deu continuidade a uma estratégia de dominação mundial, ampliando-a perigosamente.

Diferentemente de Bush júnior, Obama soube construir uma máscara de estadista sereno e progressista. A sua reeleição, não tenhamos dúvidas, será facilitada porque o candidato republicano que o enfrentará, Mitt Romney, é um político ultra reaccionário, sem carisma.

AS GUERRAS IMPERIAIS 

No Iraque a violência tornou-se endémica, milhares de mercenários substituíram as tropas de combate e um governo fantoche actua como instrumento das transnacionais do petróleo.

No Afeganistão a guerra está perdida. Após onze anos de ocupação, as forças da NATO e as dos EUA somente controlam Cabul e algumas capitais de província. Todas as ofensivas contra a Resistência (que vai muito alem dos Talibãs) fracassaram e nos quartéis e nos Ministérios os recrutas matam com frequência os instrutores estrangeiros, americanos e europeus.

A retirada antecipada das tropas francesas do país colocou um problema inesperado ao Pentágono. Em Washington poucos acreditam que o presidente cumpra o acordo sobre a evacuação do exército de ocupação antes do final de 2014.

Em declarações recentes, Obama, já em campanha eleitoral, retomou o tema da defesa dos "interesses dos EUA no mundo". Essa política implica a existência de centenas de bases militares em mais de uma dezena de países. Na Colômbia, por exemplo, foram instaladas mais oito.

Numa inflexão estratégica, o presidente informou que está em curso uma deslocação para Oriente do poder militar norte-americano. O secretário da Defesa esclareceu que dois terços da US Navy serão deslocados para o Pacifico. Ficou transparente que o objectivo inconfessado é cercar por terra e mar a Rússia e a China.

Vladimir Putin interpretou correctamente a mensagem. Consciente de que na sua escalada agressiva os EUA teriam de reforçar a sua hegemonia no Médio Oriente, abatendo o Irão, antes de definirem aqueles países como "inimigos" potenciais, o presidente russo num discurso firme advertiu Washington de que está a ultrapassar a linha vermelha.

Contrariamente ao que afirmam alguns analistas que cultivam o sensacionalismo, a iminência de uma terceira guerra mundial é, porém, uma improbabilidade. Mas isso graças à firmeza da Rússia. Putin não esqueceu Munique. Usou palavras duras, recordando a agressão ao povo líbio, para lembrar a Obama que já foi longe demais e que não tolerará uma intervenção militar USA--União Europeia na Síria, qualquer que seja o pretexto invocado.

ASSASSINAR À DISTÂNCIA 

O belicismo de Obama é, alias, tão ostensivo que até um jornal do establishment, o New York Times (que o tem apoiado), sentiu a necessidade de revelar que a lista de "terroristas" e dirigentes políticos a aniquilar pelos aviões sem piloto (os famosos drone) é submetida à aprovação do chefe da Casa Branca. Matar a longa distância, numa guerra electrónica de novo tipo, tornou-se uma rotina graças aos progressos da ciência. Leon Panetta, o actual secretário da Defesa, não somente a aprova como a elogia, assim como o general Petraeus, o director da CIA.

O prémio Nobel Obama aprova previamente os alvos humanos seleccionados cujas biografias lhe são enviadas . A esse nível se situa hoje o seu conceito de ética.

Os homens do presidente chegaram à conclusão de que essa modalidade de assassínio não tem suscitado grandes protestos internacionais e evita a perda de pilotos.

O principal inconveniente é a imprecisão desses ataques. No Paquistão, dezenas de aldeões foram mortos em bombardeamentos dos drones nas áreas tribais da fronteira afegã. O erro (assim lhe chamam no Pentágono) gerou uma crise nas relações com o Paquistão quando 26 soldados daquele país foram abatidos por um avião assassino. O governo de Islamabad proibiu a partir de então a travessia da fronteira pelos caminhões que carregam alimentos e armas para as tropas dos EUA e da NATO.

Não obstante os "inevitáveis danos colaterais", os generais do Pentágono definem como revolucionária a guerra barata na qual basta carregar num botão, por vezes a centenas de quilómetros de distância, para atingir alvos humanos seleccionados em gabinetes nos EUA e aprovados pelo Presidente.

A esmagadora maioria dos estado-unidenses tem um conhecimento muito superficial do que se passa nas guerras asiáticas do seu país. Mas no Exército alastra um difuso mal-estar. No ano corrente registou-se um record de suicídios de militares.

O FANTASMA DA AL QAEDA 

São qualificados de especialmente satisfatórios os bombardeamentos frequentes a tribos "terroristas" do Iémen e da Somália. Se a CIA informa que uma tribo perdida nas montanhas da outrora chamada Arábia Feliz é acusada de ligações suspeitas com a Al Qaeda, envia-se um drone da base de Djibuti para liquidar o seu chefe. Obama dá o seu aval à operação.

New York Times, no editorial citado, reconhece com pesar que o actual poder decisório presidencial de assassinar "terroristas" em regiões remotas "não tem precedentes na história presidencial". Monstruoso, mas real: Obama comporta-se como um ciber-guerreiro.

Nessa estratégia criminosa, a invocação da Al Qaeda como a grande ameaça à segurança dos EUA é permanente, obsessiva.

Somente em Março pp. o Google registou 183 milhões de entradas em busca de informações sobre a organização.

Os EUA planearam e executaram a morte de Ben Laden numa operação obscura de forças especiais, violadora da soberania do Paquistão. Mataram já ou afirmam ter assassinado os principais dirigentes da Al Qaeda. Mas o fantasma da Al Qaeda sobreviveu, e é esse dragão, invisível, medonho, que motiva os bombardeamentos dos drones, a guerra electrónica assassina.

O mito da Al Qaeda, o inimigo número 1, tornou-se um pilar da estratégia "anti-terrorismo" dos EUA.

Quantas pessoas, mundo afora, sabem que Ben Laden foi um aliado íntimo dos EUA durante a guerra contra a Revolução Afegã? Poucas.

E poucas são também as que têm conhecimento das relações estreitas que a CIA e a inteligência militar dos EUA mantiveram e mantêm com organizações fundamentalistas islâmicas.

A necessidade de aniquilar a Al Qaeda foi o argumento básico que Bush filho brandiu para justificar o Patriot Act e a invasão e ocupação do Afeganistão, numa cruzada "antiterrorista" em defesa "da liberdade, da democracia, da paz…"

Obama, usando um discurso diferente, muito mais hábil, aprofundou a estratégia de poder dos EUA.

Ao assinar a lei da Autorização da Segurança Nacional, o presidente dos EUA tripudiou sobre a Constituição, transformando o país num Estado militarizado que exibe uma fachada democrática. Internamente subsistem algumas liberdades e direitos, mas a politica externa é a de um estado terrorista.

RÚSSIA E CHINA AMEAÇADAS 

A engrenagem imperial está em movimento. Primeiro foi o Iraque, depois o Afeganistão, depois a Líbia. Agora o alvo é a Síria.

A máquina mediática trituradora das consciências repete o método utilizado na campanha que precedeu o ataque armado à Líbia. A CIA e o Pentágono prepararam e financiaram grupos de mercenários que instalaram o caos nas grandes cidades sírias. O presidente Bachar al Asad foi demonizado e, inventada uma realidade virtual – uma Síria imaginária – uma campanha massacrante tenta persuadir centenas de milhões de pessoas de que intervir militarmente naquele pais seria "uma intervenção humanitária" exigida por aquilo a que chamam "a comunidade internacional". Mas o projecto de repetir a tragédia líbia está a esbarrar com a oposição, até hoje inultrapassável, da Rússia.

Insisto: compreender o funcionamento da monstruosa engrenagem montada pelo imperialismo para anestesiar a consciência social e criar um tipo de homem robotizado é uma exigência no combate dos povos em defesa da liberdade, da própria continuidade da vida.

Não exagero ao definir como tarefa revolucionária essa luta.
Vila Nova de Gaia, 13/Junho/2012
O original encontra-se em http://www.odiario.info/?p=2516 

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

CIA e MOSSAD unem grupos sionistas, anticastristas, neonazistas e de extrema direita para realizarem manifestações na Rio+20 contra Ahmednejad e líderes progressistas da América Latina.

Por ZÓBIA SKARTINNI e KATHARINA GARCIA.

 INTERPRESS: RJ\SP\ BR Em 14\06\12-p\ZS e JC: Reunião realizada um mês atrás em São Paulo, entre membros da comunidade judaica do Brasil, Argentina e EUA, além de agentes do MOSSAD (Serviço Secreto de Israel) e da CIA (organismo de Inteligência estadunidense) decidiram organizar protestos contra a presença do Presidente Ahmednejad, do Irã, durante a realização do evento, além de apoiar outros grupos que queiram organizar protestos contra a presença de lideres cubanos, venezuelanos, bolivianos, equatorianos, nicaraguenses e outros de esquerda aliados da causa palestina.

Este mesmo grupo, segundo foi descoberto, estaria encarregado, além de organizar protestos contra o líder iraniano, incentivar, através das redes sociais e com o apoio da mídia televisiva, jornais e revistas de grande circulação nacional, manifestações de protestos contra a presença também de líderes como Raul Castro, Rafael Correa, Cristina Fernandez Kristner, Evo Morales, Daniel Ortega e principalmente Hugo Chávez, se este decidir comparecer a Rio+20.

O principal grupo brasileiro que deve aparecer como coordenador dessas atividades de protestos contra Ahmednejad é o Centro Wiesenthal, organização judaica ortodoxa de direita e ainda os braços religioso e cultural de Israel no Brasil, no caso, a Confederação Israelita do Brasil (CONIB) e a Federação Israelita do Estado de São Paulo, além de grupos de extrema direita com fortes ligações com os serviços secreto de Israel e dos Estados Unidos.

Segundo informações obtidas por organizações populares, através de militantes que sem saber as razões das reuniões realizadas foram convidados, compareceram e tomaram conhecimento de alguns detalhes, depois passando ás suas direções, e alguns órgãos de segurança responsáveis pela Rio+20, já chegou ao conhecimento das autoridades que a CIA e o MOSSAD estariam por trás dessas ações, e que as mesmas estariam sendo financiadas pela Agência Central de Inteligência (EUA) e provavelmente a Embaixada dos Estados Unidos em Brasília e pelo MOSSAD, órgão da inteligência israelense, que é quem coordenará as ações através de seus agentes infiltrados e que ocupam cargos de direção nas entidades e ONGs que são criadas para este fim desenvolverem tais ações.

Uma das organizações recém-criada e que age através de agentes da CIA e do MOSSAD especificamente para estes casos e se infiltrarem nos movimentos sociais brasileiros simpáticos a causa palestina principalmente, é uma tal Frente pela Liberdade do Irã, composta apenas por sete pessoas, dentre eles dois agentes do MOSSAD, dois a serviço da CIA e três das entidades judaicas, sendo uma do Brasil, um dos EUA e outra representando as entidades do restante da América Latina.

Na reunião que decidiu pela “criação” da FLI, Frente de Libertação do Irã, ficou decidido que uma manifestação deve acontecer, domingo próximo, 17 de junho, as 11h, na Praça dos Arcos (final da Av. Angélica), Ato Público contra a presença de Mahmoud Ahmadinejad na Rio + 20.

Com um orçamento de quase hum milhão de reais, supostamente liberados pela CIA para esse tipo de manifestação, os grupos de extrema direita tentam envolver organizações e grupos populares assim como membros dos movimentos negro, dos homossexuais, professores universitários, advogados, mulheres, além das comunidades Bahai e evangélica, militantes de direitos humanos e ambientalistas dentre outras, buscando dá certa legitimidade popular, sem que tais grupos sociais venham a saber, que estão agindo a serviço da CIA e do MOSSAD.

Da mesma forma setores da direita, presentes a Rio +20 e ligados a grupos empresariais de direita, numa aliança “estratégica” com o movimento sionista brasileiro promoverá outra passeata na Praia de Ipanema, no posto 8 ( em frente à Rua Rainha Elizabeth), em direção ao Jardim de Alá, também dia 17, domingo.

Vários grupos de extrema-direita no mundo, financiados pelos Estados Unidos através do Departamento de Estado, do Pentágono e da CIA, ou as vezes diretamente pela Casa Branca, como o Grupo de Miami, que financiam o terrorismo contra Cuba, e outros com estreitas ligações com a oposição venezuelana do candidato oposicionista a Hugo Chávez, também estão se articulando na Rio+20 para agirem contra os setores progressista que devem ser hegemônicos na Cúpula dos Povos e dominarem os debates políticos.

Os recursos liberados pelos Estados Unidos para financiar tais operações será para cobrir despesas com transporte, hospedagem, alimentação e até diárias para pessoas contratadas exclusivamente para os referidos atos. Suspeita-se que até uma empresa de modelo e manequins, com homens e mulheres “ de bôa aparência e bonitos” foi contratada para fazer número e segurar faixas e cartazes nas manifestações.

Fonte: MIDIA SEM FRONTEIRAS – INTERPRESS – AGNOTMUNDO IMPDIPLOMACIA – ZS\KG – RJ\\SP-13062012.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Não mintam mais sobre o conflito interno


Por: Joaquín Gómez, Integrante do Secretariado Nacional das FARC-EP

Tem sido prática histórica dos diferentes governos colombianos tergiversar, mentir e silenciar sobre os fatos relacionados com a ordem pública, quando os resultados não são favoráveis a suas forças. Assim sempre foi, convencidos, como seguem hoje, de que o desejo, a impotência e a mentira são armas suficientes para destruir o adversário e ganhar guerras injustas, esquecendo que a verdade, acima de tudo, é objetiva, obsessivamente teimosa e fiel amiga do tempo, a que, graças a ele, termina sempre reinando.
Entre muitos, me referirei somente a 5 fatos:
Durante os sangrentos combates de El Billar, em El Caguán, as cifras oficiais sobre o número de fardados mortos foram criminosamente adulteradas, divulgando um número menor de vítimas, buscando minimizar o duro golpe recebido, quando estes fatos nas guerras prolongadas favorecem de maneira alternativa a cada uma das partes enfrentadas. Esta inveterada prática no Estado colombiano e seus diferentes governos foi a causa de que 10 dos cadáveres dos desventurados compatriotas mortos nos combates de El Billar ficaram por fora do registro oficial do número de vítimas. As FARC, através da Cruz Vermelha, enviamos a razão ao Exército, expressando nossa disposição a propiciar as condições necessárias para o levantamento destes cadáveres, dignos de sagrada sepultura. A resposta que o Exército deu foi que isso era uma cilada das FARC, que todo esse terreno estava minado. Os corpos destes infortunados militares terminaram sendo festim das aves de rapina. Nos surge uma pergunta: será que a Instituição militar comunicou aos familiares a morte de seus parentes? Duvidamos. Será que figuram na lista dos militares agora reclamados pelo Exército às FARC? É muito possível.
A 26 de fevereiro de 2011, à 01:50h, unidades da coluna Teófilo Forero do Bloco Sul das FARC assaltaram uma patrulha de contraguerrilha do Exército em Riecito, jurisdição do município de Puerto Rico [Caquetá], com um saldo de 10 militares mortos e a recuperação de uma metralhadora. A ação durou 7 minutos. Absoluto silêncio por parte do Ministério de Defesa! Será que comunicaram a sorte destes infortunados militares a seus familiares?
Em 18 de outubro de 2011, unidades do Bloco Sul assaltaram uma patrulha do Exército adscrita à Brigada 27, que cuidava do poço petroleiro “Yurilla”, na vereda Nueva Arabia, jurisdição do município de Puerto Caicedo [Putumayo], com o resultado de 8 militares mortos e 5 feridos. Recuperadas todas as armas de apoio: metralhadora, morteiro de 60 mm e um lança granadas MGL de 40 milímetros. Próprios, sem novidade! Hermetismo total de parte do Ministério de Defesa! Comunicariam aos familiares destas vítimas os fatos e circunstâncias do falecimento destes desgraçados militares?
No dia 26 de fevereiro do ano em curso, em combate sustentado por unidades do Bloco Sul com uma patrulha da Força de Tarefa Omega, adscrita à Brigada 27, na vereda Aguas Negras do município de Puerto Guzmán [Putumayo], houve 14 militares mortos e 3 feridos. Recuperado abundante material de guerra, entre eles, uma metralhadora calibre 2,23. Próprios, dois guerrilheiros mortos. O comunicado oficial do Ministério de Defesa ao país foi de 4 militares mortos e 5 guerrilheiros. E [com] os outros militares mortos, que passou?
Nos recentes fatos de 28 de abril do presente ano, em combate que se prolongou por 7 horas entre unidades da Frente 15 e uma patrulha mista conformada por Exército e Polícia, na vereda “La Libertad” da inspeção da Unión Peneya, jurisdição do município de La Montañita [Caquetá], houve 17 mortos e 12 feridos entre soldados e policiais, mais um prisioneiro de guerra de nacionalidade francesa, que vinha há mais de 11 anos atuando como jornalista e soldado.
Desde o mesmo campo de combate, um militar comprometido nos enfrentamentos comunicou ao general Navas, Comandante das Forças Militares, que as vítimas oficiais eram 15, e este assim o declarou publicamente. Uma repórter caquetenha, questionando a versão do comunicado oficial de Pinzón afirmando que os mortos eram só 4, dizia: “Aqui mesmo onde eu estou, há 6 cadáveres, e outros tantos vão ser transladados”. No entanto, ante todo o país e contra todas as evidências, se impôs a “verdade oficial”: o número de mortos que lhe convinha aceitar ao governo Santos era somente 4 [um sargento, dois soldados profissionais e um policial], e assim foi como subordinaram a realidade às conveniências subjetivas do alto governo. Puro Macondo! No dia seguinte, toda a mídia e todos os repórteres em uníssono repetiam que os mortos haviam sido somente 4. Pobre Navas! Pinzón o fez ficar ante o país como um sapato!
É a forma como continuam galopando sobre o tempo e falsificando a história com mentiras completas, meias verdades, êxitos efêmeros e fracassos ocultos; semeando triunfalismos sobre terras estéreis, para colher surpresas indesejáveis e decepções previstas. Tecendo fios de teia de vitórias com multicoloridos fios de mentiras.
Não é que nós, com estas alusões, estejamos reclamando litros de sangue. Tampouco estamos assumindo o papel de urubus, nem nos vangloriando pelas ações em referência, porque sabemos por experiência própria que a característica mais marcante de Belona é a infidelidade. Ademais de ser conscientes que o povo humilde é o que põe todas as vítimas deste conflito, chamem-se soldados ou guerrilheiros, nesta esquisita guerra onde não haverá nem vencidos nem vencedoras, senão uma só perdedora, a Colômbia.
Unicamente estamos exigindo que ao país se diga toda a verdade, por crua e descarnada que seja, sobre a magnitude que alcançou o conflito interno que estamos vivendo; que não se manipulem as cifras, que não se silenciem os fracassos, que não se tergiversem os fatos, nem se chore de alegria pela morte do adversário; que não se adote uma atitude maniqueísta como o fazem muitos, quando festejam a morte de dezenas de guerrilheiros pelos bombardeios da Força Aérea, porém, quando os mortos são da força pública, os qualificativos dessas mesmas pessoas contras as FARC não se fazem esperar: terroristas, assassinos, dementes, covardes... enfim; catalogam um fato de bom ou mau, não pelo fato em si, mas sim pelo bando que o tenha executado. Que desgraça, os vesgos sempre opinam enviesados! Como não pensar que tanto os guerrilheiros como os soldados são filhos da Colômbia; igualmente, têm pais, mães, irmãs, filhos e sonhos; a morte de cada um deles em algo diminui a estatura humana de todos nós.
Enquanto se siga mentindo ao país sobre o conflito, a paz seguirá sendo esquiva. Que se diga toda a verdade! Que não se minta ao povo! E veremos como, bem breve, nos rumaremos para a solução política do conflito social e armado que, por quase 5 décadas, fragiliza a Colômbia.
Fazemos um respeitoso chamado aos jornalistas honestos, de sã e honrada consciência e julgamentos sensatos, “fabricantes e indutores de opiniões”, a que reflitam e analisem a responsabilidade que lhes assiste neste conflito; a que investiguem bem os fatos e não tomem como única fonte as “verdades oficiais reveladas”; porque, na maioria das vezes, são oficiais, porém não verdades; não sigam, alguns de maneira consciente, fazendo o jogo de todos aqueles que têm feito da guerra um negócio lucrativo; servindo-lhes de instrumentos para aprofundar o conflito, distorcendo os fatos e cultivando ódios, em troca de aplausos e vultosos salários e prebendas de parte dos usufrutuários da injustiça social.
A Juan Manuel Santos, se verdadeiramente quer passar à história como um Presidente benfeitor do povo e não da oligárquica classe a que pertence, que renuncie à demagogia e ao populismo e que não siga usurpando a chave da paz, porque esta chave pertence não ao que manda os filhos do povo morrerem na guerra, mas sim ao que pare os filhos que morrem na guerra, que é o povo. Que não esqueça as palavras de Abraham Lincoln: “Se pode enganar a todo o povo parte do tempo, se pode enganar parte do povo todo o tempo, porém o que não se pode é enganar a todo o povo por todo o tempo”. 

A desinformação permanente e as guerras anunciadas


Por Vicky Peláez


Um planeta vazio de fé, amor, de todo o puro, sagrado, generoso, verdadeiro e desinteressado – é simplesmente uma casca do mundo dispersa entre as estrelas do universo depois de afastar-se de seu destino mais nobre desenhado por seu Criador (Maria Corelli, “Barrabas – Um Sueño de la Tragedia del Mundo”, 1893).
 
 
O século XXI entrará na história como um período de crucificação da verdade e da exaltação da mentira e da guerra como símbolos do desenvolvimento da humanidade e da paz.
Vemos diariamente nas telas da TV, nas páginas dos jornais, no Twitter, no Facebook, no cinema e há que ter um determinado nível de conhecimento para discernir a verdade entre a avalanche de informação que persegue cada ser humano em todas as partes do planeta. Parece que a humanidade vive simultaneamente em dois universos paralelos: um real e outro criado pelos meios de comunicação globalizada de acordo com as orientações que recebem dos ricos e poderosos do nosso globo terrestre.
Os direitos humanos, segundo o filósofo italiano Constanzo Preve, representa “uma ideologia de variável geometria porque os que decidem o que é humano e o que não é são oligarcas econômicos dando ordens a seus executivos: professores universitários e os jornalistas”, isso são os que se encarregam do conteúdo da informação que a sociedade deve saber para poder manipulá-la. Já em 1928, o pai das relações públicas modernas, o austríaco judeu de nascimento e norte-americano nacionalizado Edward L. Barnays escreveu um ensaio “La Propaganda” [A Propaganda], que não só se converteu no livro de cabeceira do ministro de propaganda nazista Joseph Goebbels como também de todos os assessores dos presidentes norte-americanos e europeus.
Na página 4 de seu livro, dizia Bernays que “a manipulação consciente e inteligente dos hábitos e opiniões das massas é um importante elemento na sociedade democrática. Os que manipulam este mecanismo oculto da sociedade constituem um governo invisível que exerce verdadeiro poder real no país. Estas pessoas que nos governam e das quais nunca ouvimos falar, moldam nossas mentes, definem nossos gostos e determinam nossas ideias. Assim está organizada cada sociedade democrática”.
Com todos estes esclarecimentos, é fácil entender porque os governos democráticos da União Europeia e dos EEUU nunca condenaram nem declararam que foi um massacre a morte de 170 civis na província de Helmand, Afeganistão, depois do bombardeio das forças aliadas, nem tampouco foi um crime o assassinato de 60 crianças na aldeia de Azizabad em 2008 ou a morte de 100 civis no dia 5 de maio de 2009 em Bala Baluk pelas bombas da OTAN. Para os meios de comunicação globalizada foi um simples “erro” militar e os falecidos eram “vítimas colaterais”. No entanto, a recente matança em Hula, Síria, até agora não esclarecida e condenada pelo mesmo governo deste país, de 108 civis e, deles, 49 crianças e 34 mulheres foi denunciada em seguida pela EU e pelos EEUU como um “massacre” perpetrado a propósito pelo governo sírio sob o mando de Bashar al-Assad. E, para agravar a acusação, a cadeia britânica BBC News usou uma foto tomada no Iraque em 2003 apresentando-a como um testemunho do massacre na localidade de Hula.
A imagem foi posteriormente retirada pela BBC, porém a indignação que produziu na opinião pública mundial contra o regime de Bashar al-Assad já produziu seu efeito na mente dos espectadores e facilitou a condenação dos países membros da OTAN e sua predisposição à intervenção militar na Síria. A nenhum dos escrevedores globalizados se lhes ocorreu recordar-se da famosa declaração do general aposentado norte-americano Wesley Clark em maio de 2011, quando revelou que, já nos fins dos anos 1990, os Estados Unidos tinham planejado invadir sete países: Iraque, Líbia, Somália, Líbano, Síria e Irã. Síria, para o poder globalizado, não somente representa a porta de entrada ao Irã, mas também à Ásia. Por algo, dizia a imperatriz russa Catarina a Grande que, a partir da Síria, terá em suas mãos “a chave da Casa Rússia”.
Ainda há algo mais. Segundo o Washington Institute for Near East Policy, a bacia do Mediterrâneo detém grandes depósitos de gás, três quartos dos quais pertencem à Síria. Dali se esclarece o panorama e a declaração de Barack Obama durante a última reunião em Davos do Grupo 20 de que “Bashar al-Assad deve deixar o poder”. Para acelerar este processo, o Ocidente está armando a guerrilha através de Qatar, Arábia Saudita e Turquia, segundo a publicação israelense Debkafile, com os mísseis antitanques 9K 115 – 2 Mets – M e Kornet E e com explosivos IED para instalar nas rodovias. Também já estão operando ali as forças especiais da OTAN, cuja palavra de ordem oficial é “De Opresso Liber” [Liberar aos Oprimidos], 13 dos quais pertencentes às forças francesas foram capturados pelo exército sírio em março de 2012.
Tudo isto está silenciado pela imprensa, assim como a última ideia da OTAN de mandar 5.000 soldados armados sob a bandeira da ONU com o pretexto de proteger os depósitos de armas químicas e bacteriológicas das mãos da al-Qaeda, que já está operando na Síria. A DEBKAfile cita em sua publicação de 21 de maio que, supostamente, Barack Obama comentou durante uma de suas conversações com Vladimir Putin que se um barril de antrax chega aos terroristas que operam no Cáucaso, milhões de russos poderiam morrer.
Assim opera a propaganda, criando insegurança e medo ao terror, tanto a nível individual como coletivo para poder lograr seus propósitos. Por enquanto, tanto a China como a Rússia rechaçam unanimemente qualquer possibilidade de intervenção militar na Síria, esperando Barack Obama de convencer a Vladimir Putin de suavizar a posição russa a respeito de Bashar al-Assad durante seu próximo encontro em junho no México, na Cúpula do G20. Ninguém sabe o que pode passar, porém tanto a Rússia como a China sabem que qualquer ação bélica da OTAN tratando de reproduzir a variante líbia na Síria afetaria dramaticamente os interesses nacionais destes países e os fragilizaria em termos geoestratégicos.
O mundo inteiro, incentivado pela desinformação programada, está observando e, em especial, na América Latina o desenvolvimento dos acontecimentos na Síria porque sabe que cada avanço da OTAN, que representa o poder globalizado, no Oriente Médio pelo domínio de recursos energéticos, faz aproximar mais a possibilidade das futuras intervenções na América Latina, cujas riquezas naturais superam com sobras as do Oriente Médio. Por isso, nunca cessa a campanha propagandística contra os países da ALBA. Há anos, a obsessão da imprensa globalizada foi a morte de Fidel Castro. Agora, deixaram-no em paz relativa, transladando sua atenção sinistra para Hugo Chávez e a Venezuela.
Tal é o grau de cálculo dos manipuladores da informação, que até conseguem convencer a jornalistas sérios e com mais de 50 anos de experiência, como o norte-americano Dan Rather, que já agourou que o atual presidente da Venezuela morrerá nas vésperas das próximas eleições presidenciais.
A máquina propagandística nunca para e o único antídoto para a desinformação é o conhecimento.

Por algo, disse Sócrates: “só há um bem: o conhecimento. Só há um mal: a ignorância”.



quinta-feira, 14 de junho de 2012

A terceira crise do capitalismo


Frei Betto

O sistema é um gato de sete fôlegos. No século passado, enfrentou duas grandes crises. A primeira, no início do século XX, nos primórdios do imperialismo, ao passar do laissez-faire (liberalismo econômico) à concentração do capital por parte dos monopólios. A guerra econômica por conquista de mercados ensejou a bélica: a Primeira Guerra Mundial. Resultou numa "saída" à esquerda: a Revolução Russa de 1917.

Em 1929, nova crise, a Grande Depressão. Da noite para o dia milhares de pessoas perderam seus empregos, a Bolsa de Nova York quebrou, a recessão se estendeu por longo período, com reflexos em todo o mundo. Desta vez a "saída" veio pela direita: o nazismo. E, em consequência, a Segunda Guerra Mundial.

E agora, José?

Essa terceira crise difere das anteriores. E surpreende em alguns aspectos: os países que antes compunham a periferia do sistema (Brasil, China, Índia, Indonésia), por enquanto estão melhor que os metropolitanos. Neste ano, o crescimento dos países latino-americanos deve superar o dos EUA e da Europa. Deste lado do mundo são melhores as condições para o crescimento da economia: salários em elevação, desemprego em queda, crédito farto e redução das taxas de juros.

Nos países ricos se acentuam o déficit fiscal, o desemprego (24,3 milhões de desempregados na União Europeia), o endividamento dos Estados. E, na Europa, parece que a história –para quem já viu este filme na América Latina– está sendo rebobinada: o FMI passa a administrar as finanças dos países, intervém na Grécia e na Itália e, em breve, em Portugal, e a Alemanha consegue, como credora, o que Hitler tentou pelas armas – impor aos países da zona do euro as regras do jogo.

Até agora não há saída para esta terceira crise. Todas as medidas tomadas pelos EUA são paliativas e a Europa não vê luz no fim do túnel. E tudo pode se agravar com a já anunciada desaceleração do crescimento de China e consequente redução de suas importações. Para a economia brasileira será drástico.

O comércio mundial já despencou 20%. Há progressiva desindustrialização da economia, que já afeta o Brasil. O que sustenta, por enquanto, o lucro das empresas é que elas operam, hoje, tanto na produção quanto na especulação. E, via bancos, promovem a financeirização do consumo. Haja crédito! Até que a bolha estoure e a inadimplência se propague como peste.

A "saída" dessa terceira crise será pela esquerda ou pela direita? Temo que a humanidade esteja sob dois graves riscos. O primeiro, já é óbvio: as mudanças climáticas. Produzidas inclusive pela perda do valor de uso dos alimentos, agora sujeitos ao valor de compra estabelecido pelo mercado financeiro.

Há uma crescente reprimarização das economias dos chamados emergentes. Países, como o Brasil, regridem no tempo e voltam a depender das exportações de commodities (produtos agrícolas, petróleo e minério de ferro, cujos preços são determinados pelas transnacionais e pelo mercado financeiro).

Neste esquema global, diante do poder das gigantescas corporações transnacionais, que controlam das sementes transgênicas aos venenos agrícolas, o latifúndio brasileiro passa a ser o elo mais fraco.

O segundo risco é a guerra nuclear. As duas crises anteriores tiveram nas grandes guerras suas válvulas de escape. Diante do desemprego massivo, nada como a indústria bélica para empregar trabalhadores desocupados. Hoje, milhares de artefatos nucleares estão estocados mundo afora. E há inclusive minibombas nucleares, com precisão para destruições localizadas, como em Hiroshima e Nagasaki.

É hora de rejeitar a antecipação do apocalipse e reagir. Buscar uma saída ao sistema capitalista, intrinsecamente perverso, a ponto de destinar trilhões para salvar o mercado financeiro e dar as costas aos bilhões de serem humanos que padecem entre a pobreza e a miséria.

Resta, pois, organizar a esperança e criar, a partir de ampla mobilização, alternativas viáveis que conduzam a humanidade, como se reza na celebração eucarística, "a repartir os bens da Terra e os frutos do trabalho humano".

(Reproduzido da Adital) – Jornal Granma em 25/5/2012

terça-feira, 12 de junho de 2012

A partir de setembro se instalarão os Conselhos Patrióticos Internacionais


Por Eliécer Jiménez Julio
 
Balanço da excursão pelo dirigente Carlos García Marulanda
 
Como de positiva e altamente exitosa foi qualificada a primeira excursão de socialização que realizou durante um mês pela Europa o dirigente do Movimento Marcha Patriótica, Carlos García Marulanda. A mesma se levou a cabo de 6 de maio a 7 de junho e envolveu 8 países (Suíça, França, Bélgica, Suécia, Irlanda, Itália, Alemanha e Espanha) e 14 cidades europeias muito importantes no trabalho da solidariedade com o povo colombiano (Genebra, Lausanne, Berna, Zurique, Grenoble, Lyon, Paris, Bruxelas, Estocolmo, Dublin, Milão, Dusseldorf, Sevilha e Madri). Antes de seu regresso a Colômbia, entrevistamos o dirigente García Marulanda.
 
— Qual é o balanço desta primeira excursão de socialização da Marcha Patriótica pela Europa?
O balanço da excursão pela Europa do novo Movimento Político e Social MARCHA PATRIÓTICA é altamente positivo, porquanto permitiu avançar num primeiro momento com a socialização dos aspectos políticos e das conclusões emanadas da reunião do CONSELHO PATRIÓTICO NACIONAL que promoveu sessões nos dias 21 e 22 de abril, com a participação de mais de 4.500 delegados em representação de organizações sociais, políticas e populares do país e de apresentação dos principais momentos da multitudinária mobilização de 23 de abril, a qual contou com mais de 100.000 marchantes provenientes de diversas regiões; nessa mesma ordem de ideias avançamos em vários espaços de encontros a partir de conversações com organizações sociais e populares europeias, partidos políticos de esquerda, parlamentares europeus, comitês de solidariedade com a Colômbia e contatos com colombianos na qualidade de refugiados políticos.
A excursão realizada em 8 países da Europa nos permitiu expor a complexa situação que vive nosso país em matéria de violação de Direitos Humanos e do nível de afetação social a partir da implementação de políticas do atual governo que limitam e oprimem direitos adquiridos, ao mesmo tempo que nos possibilitou renovar uma série de contatos com organizações e pessoas que têm uma alta sensibilidade frente à problemática da Colômbia, concretizando-se, desta maneira, a conformação de espaços de solidariedade e acompanhamento com as lutas do nosso povo.
O amplo intercâmbio na Europa nos deu a possibilidade de demonstrar como tem sido o processo de conformação e construção coletiva da Marcha Patriótica, como manifestação de acumulação de luta e níveis de resistência do povo a partir da emergência de espaços de mobilização e protesto do movimento social e popular, os quais entenderam a necessidade de avançar em cenários de UNIDADE local, municipal e estadual, na perspectiva de uma grande convergência nacional e pontos de encontro a partir de suas próprias realidades, dinâmicas de luta e identidade política e programática expressadas no novo movimento político e social; dita caracterização nos tem permitido enfrentar as campanhas de perseguição, desqualificação e estigmatização que, desde o alto governo, paira sobre esta nova expressão alternativa na Colômbia.
 
— Que projeções para o trabalho ficam para a Marcha Patriótica na Europa no futuro próximo a curto e médio prazo?
A excursão pela Europa deixa experiências de contato com amplos setores alternativos e organizações de esquerda, os quais, em suas intervenções, manifestaram seu apoio decidido às diversas dinâmicas de luta social e expressaram sua solidariedade e acompanhamento com a Marcha Patriótica a partir de três iniciativas básicas:
a)   Conformar as brigadas internacionalistas solidárias. [acompanhamento permanente de voluntários de organizações sociais europeias aos dirigentes e ativistas que registrem um risco por sua atividade política e social.]
 
b)   Iniciar com um processo de incidência a partir do impulso da diplomacia política. [reuniões com parlamentares europeus e organizações políticas que têm expressado seu trabalho solidário.]
 
c)   Ampliação da denúncia imediata e oportuna. [a partir da criação de uma base de dados e rede internacional de comunicação alternativa que socialize e reproduza as denúncias que a partir da Colômbia se projetem em função da violação de direitos humanos.]

Estas iniciativas são, antes de tudo, a contribuição que, desde a comunidade internacional, se recolheram, correspondendo à Junta Patriótica Nacional, instância de direção política da Marcha Patriótica, analisar e avaliar as referidas propostas.
 
— Qual é a tarefa a seguir por parte dos membros, seguidores e simpatizantes da Marcha Patriótica na Europa, tanto colombianos quanto europeus?
A solidariedade expressada com a Marcha Patriótica determina, por parte dos integrantes e simpatizantes deste novo movimento político e social na Europa, avançar na concretização e no desenvolvimento das propostas apresentadas nas diversas reuniões realizadas na excursão, iniciando com a ampliação de contatos e relações com processos que ainda não abordamos na ideia de comprometê-los na preparação de encontros, atos e reuniões na próxima excursão a realizar-se no mês de setembro de 2012; de igual maneira, se expressou o interesse de conformar os CONSELHOS PATRIÓTICOS INTERNACIONAIS, como instância de articulação do trabalho da Marcha Patriótica na Europa; iniciativa que se estará precisando na medida em que a direção política da Marcha vá concretizando os critérios e definições organizativas na perspectiva do fortalecimento a nível internacional.
 
— Qual é o balanço da participação da Colômbia no eminário Conflito e Paz na Irlanda e que tarefas concretas seguem nessse ponto de busca da paz na Colômbia, que se possa contribuir desde a Europa?
A participação no Seminário Internacional sobre Conflito e Paz, realizado na Irlanda nos dias 24 e 25 de maio último, possibilitou conhecer e intercambiar experiências sobre os diversos esclarecimentos adiantados pelas organizações sociais da Colômbia, Sri Lanka e Curdistão frente às iniciativas populares em procura da busca da solução política e a concretização da paz sobre a base da superação das causas estruturais que originaram os conflitos nos referidos países, tendo em conta as particularidades e especificidades de cada processo.
Para o caso colombiano, a assistência ao referido evento permitiu socializar as diversas etapas do conflito social e armado que vive nosso país a partir da caracterização dos diversos governos que se sucederam com a aplicação de políticas e medidas antipopulares que colocam no centro do debate o tema da verdadeira vontade de paz, igual que a análise frente ao papel dos atores armados na perspectiva do início de conversações que favoreçam um ambiente favorável à paz, que assente as bases da solução política como único cenário possível que acabe com mais de 60 anos de confrontação e guerra, o ter compartilhado com o ministro de Relações Exteriores irlandês Joe Costello e muitos euro-parlamentares; consideramos de suma importância a RESOLUÇÃO adotada sobre a situação colombiana e o chamado à busca da solução política como uma das conclusões do Seminário Internacional e a perspectiva de deixar abertos espaços de debate e reflexão da referida problemática a partir da realização de um novo encontro internacional sobre a paz na Colômbia como contribuição decidida das organizações e dos setores políticos.