"A LUTA DE UM POVO, UM POVO EM LUTA!"

Agência de Notícias Nova Colômbia (em espanhol)

Este material pode ser reproduzido livremente, desde que citada a fonte.

A violência do Governo Colombiano não soluciona os problemas do Povo, especialmente os problemas dos camponeses.

Pelo contrário, os agrava.


domingo, 13 de maio de 2012

Consulta Popular pela Paz


Fonte: adital.org

Inúmeras organizações indígenas e camponesas do sul do Departamento de Cauca lançarão, no dia 11 de maio, uma nova proposta para a resolução do conflito: a Consulta Popular pela Paz. Essa iniciativa busca tornar realidade o direito constitucional à paz. E que a paz e a forma de construí-la sejam considerados assuntos que dizem respeito a todas/os as/os colombianas/os, conforme explicam alguns promotores.

Os promotores da Consulta Popular exigem que se reconheça o direito a realizar "diálogos regionais de paz” que envolvam os atores armados e a população civil, como meio de avançar em iniciativas humanitárias que permitam resolver certos problemas cotidianos que são muito graves em diferentes zonas.

A voz dos povos indígenas e camponeses

"Porque a vida é sagrada, a paz é construída pelos povos”, é a consigna que convoca a mobilização cidadã de 8 a 11 de maio, no Departamento de Cauca.

Entre os convocantes, encontram-se a Asociación de Cabildos Indígenas del Norte del Cauca (Acin), o CRIC (Consejo Regional Indígena), o Plan de Vida Integral de Caloto, a Cococauca, as organizações camponesas Cima (do Macizo), Acit (de Inzá) e do Cajibío, a Red de Alcaldes por la Paz (Prefeitos pela Paz), a Ruta Pacífica de Mujeres e a Red de Iniciativas de Paz desde la Base.
Em um documento de convocação, assinalam que "a paz não é assunto exclusivo dos que fazem a guerra. Portanto, a paz é propriedade de todas/os. A paz nasce da palavra dos povos; está no poder das pessoas”.

Os que assinam a convocação, fazem uma análise da difícil situação econômico-social que padece a maioria da população caucana. Reconhecem que a luta em defesa de seus territórios e de seus recursos provoca contradições com a prática/presença de multinacionais que exploram ditos recursos. E sublinham a necessidade de rediscutir o modelo atual hegemônico de desenvolvimento nacional e mundial que não oferece opções aos povos.

E antecipam um caminho para sair do conflito: "Queremos consolidar a construção de nossos sistemas autônomos, governos e planos de vida (programa de sociedade) para colocá-los como colaboração para o restante da sociedade colombiana em termos de construir uma grande agenda nacional de paz”.

Quanto ao objetivo da atual mobilização, consiste em: "visibilizar a agressão sistemática da guerra nas áreas rural e urbana. Ambientar iniciativas e fatos de paz. Semear no coração da população a importância de construir a paz...

Com a visão de "apresentar ante a opinião pública uma proposta de Consulta Popular que nos permita aos colombianos e colombianas decidir e mandatar o direito e o dever da paz.

Mobilização para lançar a consulta

A atividade central e culminante promovida por organizações indígenas, camponesas, afrodescendentes, de mulheres e de direitos humanos para lançar a Consulta Popular pela Paz se realizará no dia 11 de maio, na localidade de Villa Rica, a 36 quilômetros de Cali. Os organizadores esperam a chegada de milhares de participantes.

O programa de mobilização inclui a Marcha pelo Direito à Vida, ao Território e à Paz, que se iniciou na cidade de Caloto, prossegue por Santander de Quilichao e culminará em Villa Rica.

A iniciativa "é impulsionada em uma das zonas mais atingidas pelo conflito no Departamento de Cauca”, explica Nubia Fernanda Espinosa Moreno, da Minga, uma das associações nacionais mais ativas no país.

"A barbarie do conflito golpeia diretamente a 16 dos 42 municípios”, analisa Espinosa. E a mais atingida pelo mesmo é a população civil, em particular os indígenas, afrodescendentes e camponeses, analisa a historiadora de Minga.

Somente no norte de Cauca, que é a zona onde trabalha Acin (Asociación de Cabildos Indígenas do Norte), em 2011, devido aos enfrentamentos armados, foram assassinados 37 líderes indígenas; 617 famílias foram desalojadas; 30 menores de idade foram feridos; 825 habitações destruídas. "Situação dramática se se agrega o impacto psicológico de tudo isso nas comunidades da região”, enfatiza Espinosa, que insiste no tema de fundo em torno ao fim do conflito e da construção da paz no país sul-americano. "O governo expressou em diferentes ocasiões que é o único que tem a chave para a paz. Nós, desde a sociedade civil, pensamos que todas/os as/os colombianas/os temos essa chave para a paz”.

Ressaltando também a importância de que vários prefeitos e outras autoridades de primeiro escalão do Departamento de Cauca adiram à proposta de uma Consulta Popular pela Paz, o que dá maior peso à mobilização.

E conclui com uma visão integral da paz "que não significa somente calar os fuzis”, mas implica em uma aposta estratégica com a participação ativa da sociedade civil. Construindo-a desde a base, cotidianamente. Mudando as culturas políticas atuais.


Resolvendo as causas estruturais que motivaram o início do conflito, dando respostas claras às reivindicações sociais e abrindo uma nova era de respeito absoluto aos direitos humanos”, conclui a jovem historiadora.

O valor de uma iniciativa constitucional

"É uma proposta transcendente e seu impacto dependerá da cobertura que consiga junto aos meios de comunicação”, explica a psicóloga suíça Dominique Rothen, que trabalha na região de Cauca há quase três anos.

 
O mais importante da iniciativa, analisa a jovem profissional, é o esforço jurídico que contém. Utilizando um instrumento constitucional existente –a Consulta popular- para conseguir que a "paz e a forma de construí-la seja um assunto de todas/os as/os colombianas/os e não um monopólio do governo e menos ainda uma agenda exclusiva dos atores armados”, analisa.

Rothen é cooperante de E-Changer, organização suíça de cooperação presente na Colômbia, ressalta também a enorme oportunidade dessa tentativa no atual marco constitucional. No entanto, "em minha concepção de democracia participativa, penso que essas tentativas jurídicas tendentes a que a paz seja realmente considerada, na prática, um direito constitucional, têm uma importância significativa para a cultua institucional colombiana”, conclui.

[Sergio Ferrari, da Colômbia, colaboração de E-CHANGER, ONG suíça de cooperação solidária presente na Colômbia].

União Europeia perto dos 25 milhões de desempregados

A Zona do Euro está à beira dos 11 por cento de desemprego (10,9 por cento) e a União Europeia aproxima-se dos 25 milhões de desempregados, segundo os dados oficiais da UE divulgados na última quarta-feira pelo Eurostat. Portugal é agora o terceiro país com a mais elevada taxa de desemprego na União e na Zona do Euro – 15,3 por cento. A Grécia está com 21,7 e a Espanha com 24,1, números relativos a janeiro deste ano.

Em termos absolutos, o número de pessoas desempregadas na União Europeia aumentou 2,1 milhões entre março do ano passado e deste ano, 1,7 milhões das quais na Zona do Euro. Estes são os efeitos da austeridade enquanto as instituições europeias e os governos continuam a considerar que tal política é compatível com a criação de emprego.


A Espanha e a Grécia são os países mais afetados pelo flagelo do desemprego. A taxa subiu na Espanha de 20,8 para 24,1 entre março de 2011 e janeiro de 2012, calculando-se que se situe atualmente nos 24,4 e ultrapasse os 25 por cento no final do ano. Na Grécia cresceu de 14,7 para 21,1 entre março de 2011 e janeiro de 2012 – a elevação mais rápida em termos absolutos no país onde as políticas de austeridade correspondem a dois processos de resgate em condições impostas pela troika (Comissão Europeia, Banco Central Europeu, FMI).

O desemprego em Portugal, de acordo com os dados do Eurostat, está atualmente em 15,3 por cento, o terceiro mais elevado na União e na Zona do Euro, contra 12,4 por cento há um ano. Em apenas um mês, de fevereiro para março deste ano, subiu 0,3 pontos – ritmo idêntico ao dos países com taxas mais elevadas.

Mais da metade dos jovens com menos de 25 anos estão desempregados na Grécia (51,2 por cento) e na Espanha (51,1 por cento), mas em Portugal a taxa já atingiu os 35,4 por cento, uma elevação de 7,8 pontos percentuais em apenas um ano. O desemprego feminino em Portugal cresceu de 12,9 para 15,1 num ano e o masculino aumentou de 12 para 15,5 por cento.

Ao nível da União Europeia a taxa de desemprego entre os jovens atingiu os 22,6 por cento, com 22,1 por cento na Zona Euro. Há 5,5 milhões de jovens com menos de 25 anos desempregados na União Europeia, 3,35 milhões dos quais na Zona do Euro.

O desemprego na União Europeia está em progressão constante desde o segundo trimestre de 2008, coincidindo com o período de lançamento das políticas de austeridade e de reformas das leis trabalhistas em vários países, registrando-se apenas uma ligeira inflexão conjuntural no primeiro trimestre de 2011.

Fonte: BE Internacional

sábado, 5 de maio de 2012

Todo um povo em Marcha!
A experiência da União da Juventude Comunista
na Marcha Patriótica Colombiana.

 Luis Fernandes *

Entre os dias 21 e 23 de abril de 2012, a União da Juventude Comunista (UJC) esteve presente no lançamento do Movimento Político e Social Marcha Patriótica, em Bogotá, na Colômbia, e na constituição de seu Conselho Patriótico Nacional. Tivemos a honra de acompanhar e participar da aglutinação de diversos grupos, setores, movimentos e organizações que sofrem com a guerra e o terror impulsionados pelo próprio Estado colombiano, em articulação com as demandas do imperialismo. Camponeses, trabalhadores urbanos, afrodescendentes, mulheres, intelectuais, artistas e estudantes foram os perfis dos mais de 4 mil delegados que discutiram a mobilização e a organização do povo colombiano no intuito da solução política para o conflito armado e as necessárias mudanças estruturais na Colômbia.
As diversas organizações, movimentos e entidades que compõem a Marcha Patriótica identificam as perversas contradições ora em curso no contexto político e social colombiano, que apresenta estruturas regidas pela intensa acumulação de riquezas no país – com grande abundância em recursos naturais, petróleo e indústria, além dos vultosos volumes de dinheiro movimentados pelo narcotráfico – em contraste com a extrema desigualdade social, desemprego, altos índices de miséria nas cidades e pauperismo no campo, além da violência contra milhares de camponeses, indígenas e afrodescendentes.
Para manter esta intensa acumulação a serviço dos altos lucros das transnacionais e para garantir a “segurança” para os investimentos internacionais, o Estado Colombiano apresenta a face mais perversa possível, a face do terrorismo e da guerra declarada contra todas as formas de resistência do povo. Segundo o jornal VOZ, vinculado ao Partido Comunista Colombiano, cerca de pouco mais de 80% dos funcionários públicos são militares e aproximadamente 6,5% do PIB é destinado a gastos com a guerra. Em 40 anos de conflito armado somam-se mais de 61 mil desaparecidos políticos na Colômbia, números alarmantes mesmo na história de um continente como a América Latina, onde a forma política do Estado burguês assumiu inúmeras faces autocráticas, isso sem contar com a existência de mais de 8 mil presos políticos atualmente no país.
Neste cenário, como narra sua canção oficial, a Marcha Patriótica segue marchando no sentido de enfatizar a necessidade da solução política na Colômbia em busca da paz com amplas modificações estruturais na sociedade. Esta pauta unifica os diversos movimentos, como, por exemplo, a MANE (Mesa Ampla Nacional Estudantil), entidade que identifica que a reforma privatista proposta pelo governo Santos está atrelada à própria manutenção da guerra em sintonia com os interesses oligárquicos e do imperialismo. Do mesmo modo, os movimentos campesinos – uma das maiores vítimas sociais e políticas da guerra que assola o país – compreendem que a existência de milhares de despossuídos (ou “desplazados”, como são conhecidos na Colômbia) só é possível a partir da necessidade de acumulação e expansão de capital pelas multinacionais instaladas no país.
Assim, além de unificar as diversas pautas de luta dos diferentes movimentos que a compõem, a Marcha Patriótica se propõe a organizar através da constituição do poder popular, e é por isso que em cada região, posto de trabalho e produção, associações culturais, escolas e universidades se estabelecem os Conselhos Patrióticos, com o objetivo de debater e preparar cada vez mais a população para a segunda e definitiva independência da Colômbia.
            Apesar de recente este movimento político e social já sofre forte repressão e estigmatização por parte do Estado Colombiano e dos grandes monopólios midiáticos: desaparecimentos de militantes, ameaças de grupos paramilitares, além de notícias e coberturas da mídia que beiram o ridículo na tentativa de criminalizar o movimento ao reduzi-lo como uma mera intervenção das FARC nas cidades [1]. Neste momento que escrevo, inclusive, recebemos a triste notícia do assassinato do chefe da segurança do camarada editor do Jornal VOZ, Carlos Lozano.
            No que tange ao programa e aos anseios dos movimentos e organizações populares reunidos na Marcha Patriótica, observamos que hoje estes convergem com a própria proposta de busca pela solução político-social do conflito elaborada pelas FARC [2]. Para ilustrar esta importante convergência estratégica, selecionamos um pequeno fragmento de um dos comunicados políticos das FARC:

“Cada vez que as FARC-EP falam de paz, de soluções políticas para o confronto, da necessidade de conversar para obter uma saída civilizada para os graves problemas sociais e políticos que originam o conflito armado na Colômbia, o coro dos apaixonados pela guerra se levanta inflamado, desqualificando os nossos propósitos de reconciliação. De imediato, recaem sobre nós as mais perversas intenções, apenas com o intuito de insistir que a única coisa que nos cabe é o extermínio. Em geral, esses apaixonados nunca vão à guerra e nem permitem a ida de seus filhos.” [3]

Deixando de lado os preconceitos, compreendemos a insurgência armada enquanto um produto do complexo processo social violento, desigual e exploratório que assola todo o campo colombiano. Ou seja, as insurgências armadas como as FARC, além de organizações políticas, são fruto das próprias contradições e demandas das lutas sociais colombianas. Por isso, constatamos que a convergência estratégica entre os diversos movimentos e organizações populares colombianas, em suas distintas formas de luta, se centra na tentativa de construção da paz a partir das lutas sociais, ou seja, a busca por uma paz com justiça social. Não é à toa que tais movimentações têm o potencial de universalizarem o verdadeiro inimigo da maioria da população colombiana: a guerra a serviço das classes dominantes colombianas em aliança com o imperialismo.
A organização unitária das diversas expressões dos trabalhadores e trabalhadoras colombianas faz ressurgir a esperança na intensificação das lutas anticapitalistas e conseqüentemente antiimperialistas em nosso continente. No atual quadro de hegemonia do capitalismo, mesmo em sua crise, apenas a articulação e a organização das lutas dos trabalhadores e as suas distintas expressões políticas e revolucionárias podem transformar qualitativamente a correlação de forças na América Latina e no mundo. Neste quesito, a Marcha Patriótica se configura como um importante exemplo de articulação massiva e construção de poder popular. Contudo, só poderá avançar com segurança se também contar com outras “marchas” de solidariedade internacional pelo mundo – e é neste sentido que a UJC se faz presente na construção da Agenda Colômbia-Brasil, movimento que busca ampliar a divulgação sobre a situação política em que se encontra o povo colombiano em suas múltiplas formas de resistência e a violência que vem sofrendo neste processo.
Como bem formula e sintetiza uma querida companheira, é nosso dever construir “Toda solidariedade ao povo que luta e resiste! Que avança na transformação radical das bases sociais, econômicas e políticas que possibilitam a violência! Que deseja a paz, a justiça social, a emancipação humana, com força, ternura, dureza e afeto!”. E é com estas belas palavras e princípios que a UJC continuará divulgando, lutando e ampliando ao máximo a Marcha de solidariedade ao povo colombiano!

* Luis Fernandes é da Coordenação Nacional da UJC (União da Juventude Comunista)



[1] É impossível não compararmos o nascimento da Marcha Patriótica e as estigmatizações que esta vem sofrendo com o ocorrido à União Patriótica (UP) nos anos 90, movimento que sofreu forte extermínio dos grupos paramilitares ligados ao narcotráfico. Calcula-se  mais de 5.000 assassinatos neste período.

[2] É importante ressaltar que, apesar da visível convergência, as FARC não tem condições concretas de participarem da Marcha Patriótica,segundo os próprios organizadores da Marcha em inúmeras entrevistas.
[3] Anúncio das FARC sobre a libertação de todos os prisioneiros de guerra. Secretariado das FARC, Montanhas da Colômbia, 26 de Fevereiro de 2012.

Com apoio do PCB



sexta-feira, 4 de maio de 2012

O REGIME TERRORISTA COLOMBIANO COMEÇOU O GENOCÍDIO CONTRA O NOVO MOVIMENTO POLÍTICO MARCHA PATRIÓTICA, ORGANIZADO PELOS MOVIMENTOS SOCIAIS E PARTIDOS DA ESQUERDA

Por Camilo Raigozo

Os sócios do crime organizado são os habituais: Governo, militares, polícia nacional, meios de comunicação, narcotraficantes, empresários nacionais e estrangeiros, pecuaristas, políticos e latifundiários, entre outros.

O método de terror e extermínio utiliza matadores de aluguel de diferentes denominações tais como: Auto Defesas Unidas da Colômbia, paramilitares, banda criminais conhecidas como Bacrim, Águias Negras e um sem número de denominações.Também são utilizados comandos ou esquadrões secretos especializados, integrados por membros das forças de segurança do Estado.

A primeira vítima conhecida dessa desta nova fase do crime organizado, desse empreendimento criminoso é Hernán Henry Diaz, dirigente camponês de Putumayo, desaparecido perto de Puerto Asis na quarta-feira 18 de abril, quando organizava a assistência dos camponeses desta área para a participação na Marcha Patriótica marcada para 21,22 e 23 de abril em Bogotá

A segunda vítima é Martha Cecilia Guevara Oyola, uma líder comunitária de San Vicente del Caguán, em Caquetá, desaparecida na sexta-feira, dia 20 de abril de 2012, na área urbana do município, quando se dirigia ao lançamento do movimento político Marcha Patriótica, em Bogotá.

A terceira vítima foi Mao Enrique Rodriguez, baleado por "desconhecidos" na noite de sexta-feira, dia 27 de abril em Bogotá. Mao Henrique era um membro da equipe de segurança do Partido Comunista Colombiano, o PCC, registrado na Unidade Nacional de Proteção no Ministério do Interior. Atuou na segurança do diretor de Voz da Unidade, Carlos Lozano, que denunciou o crime com profunda tristeza em sua conta no Twitter.

Os três crimes citados não são casos isolados, nem se trata de uma simples coincidência. Esses crimes são o resultado de uma planejada estratégia criminosa de extermínio feita a partir do Estado. O regime criminoso que padece na Colômbia quer exterminar o novo movimento político Marcha Patriótica, como foi feito com a União Patriótica, nas décadas de 80 e 90.

As estigmatizações, as acusações e os sinais do Presidente Santos, dos altos comandos militares e da Polícia, de colunistas e de alguns periodistas sênior, colunistas e jornalistas contra o movimento Marcha Patriótica têm três finalidades: São ordens veladas de extermínio, que os exércitos de assassinos pagos sabem entender, são justificativas para o genocídio, ou são as duas coisas ao mesmo tempo.

Postado do : www.pacocol.org

terça-feira, 1 de maio de 2012

O que Obama conhece



Fidel Castro Ruz
Fonte: La Jornada



O artigo mais demolidor que já vi neste momento sobre a América Latina, foi escrito por Renan Veja Cantor, professor titular da Universidade Pedagógica Nacional de Bogotá e publicado há três dias no site rebelion.org com o titulo de “Ecos da Cúpula das Américas”.

O artigo é breve e não devo fazer versões, os estudiosos do assunto podem procurá-lo no site indicado.

Em mais de uma ocasião mencionei o infame acordo que os EUA impôs aos países da América Latina e Caribe ao criar a OEA. Naquela reunião de chanceleres, que ocorreu em Bogotá no mês de abril de 1948 e que como o destino quis, encontrava-me lá promovendo um congresso latinoamericano de estudantes, cujos objetivos fundamentais eram a luta contra as colônias européias e as sangrentas tiranias impostas pelos EUA neste hemisfério.

Um dos mais brilhantes lideres políticos da Colômbia, Jorge Eliécer Gaitán, que com crescente força havia unido os setores mais progressistas da Colômbia que se opunham ao engendro ianque e cuja próxima vitória eleitoral ninguém duvidava, ofereceu seu apoio ao congresso de estudantes. Foi assassinado traiçoeiramente. Sua morte provocou a rebelião que tem prosseguido por mais de meio século.

As lutas sociais têm se prolongado ao longo de milênios, quando os seres humanos, mediante a guerra, dispuseram de um excedente de produção para satisfazer as necessidades essenciais da vida.

Como se sabe, os anos de escravidão física, a forma mais brutal de exploração, se estenderam em alguns países até mais de um século, como ocorreu na nossa Pátria na etapa final do poder colonial espanhol.

Nos EUA a escravidão dos descendentes de africanos prolongou-se até a presidência de Abraham Lincoln. A abolição dessa forma brutal de exploração ocorreu apenas 30 anos antes do que em Cuba.

Martin Luther King sonhava com a igualdade dos negros nos EUA até há apenas 44 anos, quando foi vilmente assassinado, em abril de 1968.

Nossa época se caracteriza pelo avanço acelerado da ciência e da tecnologia. Estejamos ou não conscientes disso, é o que determina o futuro da humanidade, trata-se de um etapa inteiramente nova. A luta real da nossa espécie por sua própria sobrevivência é o que prevalece em todos os cantos do mundo globalizado.

De imediato, todos os latinoamericanos e de modo especial o nosso país, serão afetados pelo processo que ocorre na Venezuela, berço do Libertador da América.

Apenas necessito repetir o que vocês conhecem: os vínculos estreitos do nosso povo com o povo venezuelano, com Hugo Chávez, promotor da Revolução Bolivariana, e com o Partido Socialista Unido criado por ele.

Uma das primeiras atividades promovidas pela Revolução Bolivariana foi a Cooperação Médica de Cuba, um campo em que o nosso país atingiu prestigio especial, reconhecido hoje pela opinião pública internacional. Milhares de centros dotados com equipamentos de alta tecnologia que a indústria mundial especializada fornece, foram criados pelo Governo bolivariano para atender o seu povo. Por sua vez, Chávez não optou por custosas clinicas privadas para atender sua própria saúde: a colocou em mãos dos mesmos serviços médicos que oferecia ao seu povo.

Nossos médicos, além disso, dedicaram uma parte do seu tempo à formação de médicos venezuelanos em aulas devidamente equipadas pelo governo para essa tarefa. O povo venezuelano, com independência da sua renda pessoal, começou a receber os serviços especializados dos nossos médicos, colocando-o entre os mais bem atendidos do mundo e seus índices de saúde começaram a melhorar visivelmente.

O Presidente Obama conhece isto perfeitamente bem e o tem comentado com alguns de seus visitantes. Para um deles expressou com franqueza: “o problema é que os EUA envia soldados e Cuba, em troca, envia médicos”.

Chávez, um líder que em doze anos não conheceu um minuto de descanso e com uma saúde de ferro, entretanto, se viu afetado por uma inesperada doença, descoberta e tratada pelo próprio pessoal especializado que o atendia, não foi fácil persuadi-lo da necessidade de prestar atenção máxima à sua própria saúde. Desde então, com conduta exemplar, tem cumprido estritamente com as medidas pertinentes sem deixar de atender seus deveres como Chefe de Estado e líder do país.

Atrevo-me a qualificar sua atitude como heróica e disciplinada. Da sua mente não se afastam, nem um só minuto, suas obrigações, às vezes até o esgotamento. Posso dar fé disso porque não deixei de ter contato e intercambiar com ele. Sua fecunda inteligência não tem cessado de se consagrar ao estudo e analise dos problemas do país. Diverte-se com a baixaria e as calunias dos porta-vozes da oligarquia e do império. Jamais ouvi dele insultos nem baixarias ao falar dos seus inimigos. Não é sua linguagem.

O inimigo conhece arestas do seu caráter e multiplica seus esforços destinados a caluniar e golpear o Presidente Chávez. Da minha parte, não vacilo em afirmar a minha modesta opinião, emanada de mais de meio século de luta, de que a oligarquia jamais poderia governar de novo esse país. Por isso é preocupante que o governo dos EUA tenha decidido em tais circunstancias promover a derrocada do governo bolivariano.

Por outro lado, insistir na caluniosa campanha de que na alta direção do governo bolivariano existe uma desesperada luta pela tomada do comando do governo revolucionário se o Presidente não conseguir superar sua doença, é uma mentira grosseira.

Pelo contrario, tenho podido observar a mais estreita unidade da direção da Revolução Bolivariana.

Um erro de Obama, nessas circunstancias, pode ocasionar um rio de sangue na Venezuela. O sangue venezuelano é sangue equatoriano, brasileiro, argentino, boliviano, chileno, uruguaio, centroamericano, dominicano, cubano...

Deve-se partir desta realidade, ao analisar a situação política da Venezuela.

Compreende-se por que o hino dos trabalhadores conclama a mudar o mundo afundando o império burguês?

http://www.jornada.unam.mx/cobertura/reflexiones/index.php?section=reflexiones&sub=historico&article=20120428_020a1mun


domingo, 29 de abril de 2012

Colômbia: da arte de vender um país

Apesar de ser o aliado mais leal e servil aos interesses dos Estados Unidos na América do Sul, a Colômbia carece – e muito – de recursos. Agora, ele trata de atrair mais dinheiro da Espanha, que já é o terceiro maior investidor estrangeiro no país. Em um fórum de investimentos e cooperação empresarial Espanha-Colômbia, o presidente Juan Manuel Santos deu uma estocada na Argentina e disse: "Se for bom para os empresários, será bom para nós. Aqui, nós não expropriamos". O artigo é de Eric Nepomuceno, direto de Bogotá.

Eric Nepomuceno, de Bogotá

Bogotá - Certas mulheres costumam aparecer ao cair da noite em determinadas esquinas e começar a rodar sua bolsinha oferecendo-se ao melhor pagante, sem se importar muito com aquilo a que terá de submeter-se. Certos presidentes costumam aparecer a qualquer hora do dia em determinadas reuniões e começar a rodar sua bolsinha oferecendo ao melhor pagante não o próprio corpo, mas o próprio país, sem se preocupar com a submissão que for. É o que anda fazendo Juan Manuel Santos, presidente da Colômbia, sem o menor vislumbre de pudor.

É evidente que qualquer país, ainda mais nos dias de hoje, precisa atrair investimentos e estabelecer leques cada vez mais amplos em suas relações comerciais com o resto do mundo. É natural que haja esforço e até mesmo disputa quando se trata de atrair capitais destinados a investimentos produtivos.

Mas como em tudo nesta vida, é preciso agir com um mínimo de dignidade, exigir um mínimo de respeito, impor limites e observar regras mínimas de convivência – mesmo quando se trata de competir por um mesmo objetivo, que neste caso especifico se resume numa só palavra: dinheiro. Ou seja, investidores de qualquer latitude.

Agora mesmo Juan Manuel Santos deu um verdadeiro espetáculo da não tão nobre arte de vender um país a qualquer preço. Dia desses foi realizado em Bogotá o fórum de investimentos e cooperação empresarial Espanha-Colômbia. Anote-se: embora realizado na capital colombiana, não foi um fórum Colômbia-Espanha, porque, também nesse caso, a ordem dos fatores alteraria o produto.

Neste raro momento da história contemporânea sul-americana em que a maioria dos países da região busca linhas de ação conjuntas, entendendo que desunidos somos presa fácil da avidez dos grandes centros econômicos, uns poucos governos – e o colombiano é exemplo cabal disso – preferem atuar por conta própria.

Em Bogotá, o presidente anfitrião lascou, de saída, uma peculiar frase de boas-vindas ao chefe de governo espanhol, o conservador Mariano Rajoy: “Aqui, nós não expropriamos”. Uma piscadela despudorada à Espanha, país submergido numa crise de proporções dramáticas, e uma alusão deselegante, provocadora e desnecessária à decisão da Argentina de re-estatizar a petroleira YPF, controlada até agora pela espanhola Repsol.

Bastante razão tem Juan Manuel Santos para procurar investimentos externos. Apesar de ser o aliado mais leal e servil aos interesses dos Estados Unidos na América do Sul, a Colômbia carece – e muito – de recursos. Agora, ele trata de atrair mais dinheiro da Espanha, que já é o terceiro maior investidor estrangeiro no país.

“Se for bom para os empresários, será bom para nós”, disse Juan Manuel Santos. Não explicou quem seria esse “nós”. Disse que só pede “responsabilidade ambiental e social”. Não explicou como se daria essa responsabilidade. Mas afirmou que a troco oferece “regras de jogo estáveis, segurança jurídica”. São expressões que aos ouvidos empresariais têm o som de Brahms ou Beethoven.

O Banco Mundial diz que, na América Latina, a Colômbia ocupa o primeiro lugar na proteção aos investidores estrangeiros. No mundo todo, ocupa o quinto lugar.

As taxas de crescimento da economia são firmes e elevadas, na média de 4% anuais ao longo dos seis últimos anos, com marca impressionante em 2011: expansão de 6% no PIB, de 43% nas exportações e de 59% no volume de investimentos estrangeiros.

Mas a Colômbia é também um dos países de maiores e mais gritantes diferenças sociais neste continente de injustiças. A dívida social do Estado diante dos cidadãos tem dimensões de escândalo.

O presidente colombiano faz questão de dizer que cumpre todos os deveres de casa e não comete rebeldias como as da Argentina (onde, aliás, a pobreza extrema foi reduzida a 6% da população, menos de um terço da registrada na Colômbia). Reiterou que seu país vive aquilo que classificou de “processo espetacular de transformação econômica”. Anunciou a existência de um plano de desenvolvimento para dez anos, com ênfase em projetos de infra-estrutura.

Também disse que o país sofre enormes carências que significam, ao mesmo tempo, excelentes oportunidades para empresas estrangeiras. A troco dos recursos necessários – e que se situam na casa dos cem bilhões de dólares – seu governo jura fidelidade irrestrita aos sócios estrangeiros.

Diz, com relação ao Mercosul, que ‘essa idéia de acordos em bloco são coisas fora de moda’. Para o seu governo, a ordem é cada um por si e ninguém por todos. Para ele, bom mesmo é acatar a velha ordem estabelecida: Quem paga, manda.

A América Latina cresce e cresce, e continua sendo um dos continentes mais desiguais do planeta. Nesse quadro de grandes distâncias sociais, as da Colômbia são cada vez mais nítidas. Não é por acaso que, em seus esforços para vender o país, Juan Manuel Santos mencione de passagem a necessidade de combater essa desigualdade. De passagem e apenas roçando a superfície, sem aprofundar nada.

Ele foi ministro de Comercio Exterior no governo liberal de César Gaviria, foi ministro da Fazenda no governo conservador de Andrés Pastrana, foi ministro de Defesa no governo liberal de Álvaro Uribe. Transitar com essa leveza entre dois partidos tão radicalmente enfrentados como o Liberal e o Conservador pode ser entendido como dedicação às grandes causas nacionais, acima das diferenças partidárias. E também pode ser entendido como artimanhas de um trânsfuga sem escrúpulos.

Enfim, que fique bem claro: em seus pronunciamentos aos empresários, Juan Manuel Santos não fez uma única menção a programas de combate à desigualdade que assola seu país. Disse e redisse aos espanhóis: “Aqui, não expropriamos nada”.

Não perguntou nada nem disse nada aos milhões de colombianos expropriados de seu próprio país. Aos que tiveram e têm sua esperança expropriada.

(tomado de Carta Maior)

Assassinado o camarada responsável pela segurança de Carlos Lozano, diretor do Semanário Voz



Nota do Secretariado Nacional do PCB:



O Partido Comunista Brasileiro repudia energicamente a ofensiva do estado terrorista colombiano em face do avanço do movimento de massas no país.

Ao mesmo tempo, solidarizamo-nos com o camarada Carlos Lozano, com o Partido Comunista Colombiano e com todas as forças que compõem a Marcha Patriótica, cuja fundação o PCB apoiou com a presença de uma expressiva delegação.





28 de abril de 2012 7:55 am

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Nas últimas horas foi assassinado, no bairro de Bochica de Bogotá, Mao Enrique Rodríguez, chefe da escolta de Carlos Lozano, diretor do Semanário Voz.

Segundo informou o próprio Carlos Lozano, na rádio 1070 AM, o fato ocorreu no sul de Bogotá, quando motoqueiros surpreenderam Rodríguez na porta de uma casa, onde esperava para abrir.

O assassino disparou à queima roupa, causando a morte de Rodríguez, conforme Lozano, que acrescentou o fato de que, nos últimos dias, a vítima estava oferecendo proteção a Alfonso Castillo, Presidente da Associação Nacional dos Sem-Terra (Asociación Nacional de Desplazados).

“Estamos averiguando bem os fatos, com serenidade, com calma”, disse o diretor do Semanário Voz, denunciando que o assassinato está relacionado com as acusações feitas contra o Movimento Marcha Patriótica.

“Não tenho a menor dúvida de que tem relação com toda essa onda de acusações, com todo esse ambiente de terror psicológico que está sendo gerado no país por conta do surgimento da Marcha Patriótica e pelo próprio fato de que eu seja um dos principais porta-vozes”, acrescentou Lozano.

Por esta razão, fez uma exigência ao Governo Nacional, reivindicando garantias para que o movimento continue seu trabalho no espaço social, político e democrático da vida do país.

“Os fatos que ocorreram se referem ao surgimento desse novo partido político e foram exclusivamente baseados nas acusações arbitrárias, dificultando ainda mais os processos de paz”, explica. Lozano também aponta o temor de que aconteça com o movimento o mesmo que se passou com os membros da extinta União Patriótica.

Para ele, a guerrilha colombiana não possui as suficientes garantias para iniciar um processo de paz exitoso, a partir do momento que fatos como estes continuam acontecendo.

“Nós não vamos nos desesperar, não vamos nos deixar intimidar. Vamos permanecer trabalhando. Acreditamos que é possível avançar neste tipo de organização e vamos continuar trabalhando com o Polo Democrático Alternativo. Numa situação como esta, a esquerda colombiana deve se fortalecer ainda mais”, pontuou Lozano.

Para o ativista, a Marcha Patriótica continuará “trabalhando no protesto pacífico, organizado, contra todas as medidas antipopulares, contra a reforma das pensões, a nova reforma tributária, as novas ameaças de privatização por parte do Governo Nacional. Elas realmente não são gestos de paz, mas parte da injustiça social desta administração e do neoliberalismo”.

Mao Enrique Rodríguez, de 42 anos, foi o responsável pela segurança de Carlos Lozano por vários anos, depois de ter trabalhado na imprensa do partido comunista, onde se imprimia o Semanário Voz. Era casado e tinha três filhos.



Informação de David Mauricio Vanegas Duarte.



Fonte: http://www.radiosantafe.com/2012/04/28/acribillado-el-coordinador-de-la-escolta-de-carlos-lozano-director-del-semanario-voz/



Tradução: Partido Comunista Brasileiro (PCB)

sábado, 28 de abril de 2012

TORTURADORES DA DITADURA CHILENA SÃO IDENTIFICADOS...


Advogados dos direitos humanos destacaram hoje (12 de abril) que, pela primeira vez, tenham se identificados numerosos agentes da policia secreta de Augusto Pinochet, o que permitirá aprofundar as investigações sobre as violações dos direitos humanos cometidos durante a ditadura chilena (1973-1990). Os nomes foram revelados na última segunda-feira 9 de abril, numa denuncia apresentada pelo Agrupamento de Familiares de Detidos Desaparecidos (AFDD) contra uns 1.500 exmilitares que pertenceram à Direção de Inteligência Nacional – DINA.



A denuncia busca que a justiça investigue esses supostos agentes e que, independentemente dos crimes que tenham cometido ou não, os condene pelo delito de associação ilícita criminosa, explicou a Efe o advogado denunciante Boris Paredes.

Os nomes constam de uma lista oficial que o Exército entregou em 28 de agosto de 2008 ao juiz Alejandro Solís, no contexto de uma investigação sobre crimes cometidos na Vila Grimaldi, um antigo centro de detenção e tortura clandestino.

Nessa lista, de 40 páginas, à que Efe teve acesso, figuram conhecidos personagens da vida pública na atualidade, entre eles um deputado, um prefeito e Augusto Pinochet Hiriart, filho mais velho do ditador.

Segundo se estabeleceu, no final de 2007 um selecionado grupo do Exército chileno se deu a tarefa de construir, pela primeira vez, uma lista de oficiais e suboficiais que pertenceram à DINA.

O resultado ficou estampado em um documento “secreto”, datado de 28 de agosto de 2008, assinado pelo então Chefe do Estado Maior do Exército, general Alfredo Ewing Pinochet, que contem a lista de oficiais e suboficiais que “cumpriram missão extra institucional no Comando Geral do Exército, designados na DINA, entre 11 de setembro de 1973 e dezembro de 1977”.

Entretanto, o documento permaneceu guardado em algum arquivo do poder judiciário até agora.

Para o advogado Paredes, resulta “relevante que na lista exista uma grande quantidade de nomes que, até agora, desconhecia-se pertencerem à DINA”.

“Quiçá eles possam apresentar novos antecedentes do que aqueles membros mais conhecidos da DINA que já foram processados ou estão cumprindo pena e se negaram a proporcionar”, acrescentou a Efe.

Enquanto isso, o também advogado e deputado comunista Hugo Gutiérrez, informou que a listagem “é um documento fundamental para que os que nela constam forneçam a informação que possuem sobre o destino dos detidos desaparecidos e também daqueles casos de assassinato cujos corpos foram entregues às suas famílias”.

Segundo números oficiais, durante a ditadura de Pinochet mais de 3.200 chilenos morreram em mãos de agentes do Estado, sendo que cerca de 1.200 ainda estão desaparecidos, mais de 38.000 foram torturados e sofreram prisão política e varias centenas de milhares tiveram de se exilar.

Os casos de desaparecimentos ocorreram, na grande maioria, entre 11 de setembro de 1973 e dezembro de 1977, período de operação da DINA, substituída depois pela Central Nacional de Informações (CNI).

O documento de Exército, além da lista de agentes, revela que a DINA existiu desde o mesmo 11 de setembro de 1973, data do golpe contra o governo de Salvador Allende.

Entre os agentes incluídos na lista figuram Augusto III Osvaldo Pinochet Hiriart, filho mais velho do ditador; o atual prefeito de Providencia, bairro de Santiago, Cristián Labbé Galilea, que foi instrutor de agentes no período de formação da DINA e membro da guarda pessoal do governante de fato.

Também aparece o nome do deputado do partido Renovação Nacional (RN), Rosauro Martínez Labbé, que há pouco tempo declarou a Efe não ter pertencido à DINA.

“Eu nunca fui agente da DINA, ainda que estivesse destinado ao Comando Geral do Exército. Jamais estive envolvido em nada com a DINA. Se meu nome está nesse documento deveria se perguntar ao Exército qual foi a missão que cumpri na DINA”.

Como oficial, Martinez recebeu instrução na Escola das Américas, onde o Exército dos EUA formava militares latinoamericanos na área da contrainsurgência. Em agosto de 1989 começou sua carreira política, ao ser nomeado prefeito da cidade de Chillán pelo próprio Pinochet.

O nome de Jaime Guillermo García Covarrubias, ex subsecretário geral de Governo e atualmente professor de Assuntos de Segurança Nacional do Centro de Estudos Hemisféricos para a Defesa dos EUA, ligado ao Pentágono, também aparece na lista.

Além desses nomes, constam também os de Pablo Gran López, atual vicepresidente da Associação Cartográfica Internacional (ACI), representando o Instituto Geográfico Militar, do Exército do Chile; o tabelião Hernán Blanche Sepúlveda e o empresário Sergio Ojeda Bennet, entre outros.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Movimento Político Marcha Patriótica Declaração Política

1 – Com convicção e firmeza, partindo dos mais distantes pontos da geografia nacional, confluiu para a cidade de Bogotá a Marcha da Esperança, da Alegria, da Dignidade. Desde as montanhas, planícies, serras e encostas, recebemos mais de 1700 organizações e, com espírito deliberativo e construtivo, hoje avançamos um passo a mais na edificação da Segunda e Definitiva Independência. Na mais profunda fraternidade e solidariedade dos povos que lutam por soberania e autodeterminação, delegados e delegadas da América Latina, Europa, Austrália e América do Norte têm acompanhado solidariamente a realização do Conselho Patriótico Nacional que declara, de maneira decidida:

2 – Anunciamos às pessoas e ao povo colombiano em geral, assim como à comunidade internacional, que, durante os dias 21 e 22 de abril de 2012, encontramo-nos para constituir o Movimento Político e Social Marcha Patriótica, com o propósito de contribuir com a mudança política requerida nosso país, superando a hegemonia imposta pelas classes dominantes, de avançar na construção de um projeto alternativo de sociedade e obter a segunda e definitiva independência. Precisamente nos momentos em que o capitalismo se encontra em uma de suas maiores crises, mostrando seus limites históricos cada vez mais evidentes.

3 – A Marcha é o local de encontro de múltiplos processos de organização, resistência e luta que decidiram fazer seu o exercício da política e aspira a ser uma expressão organizada do movimento real das resistências e lutas das pessoas comuns e dos setores sociais e populares que, quotidianamente, em todos os rincões do país, e, em que pese as adversidades, atuam, de forma heroica, por uma pátria grande, digna e soberana.

4 – Em que pese o fato do governo de Santos ter se empenhado em aparecer como renovador e modernizante, na Marcha consideramos que isto representa uma continuidade do projeto hegemônico e de tentativas de rearranjos do bloco de poder, precisamente para garantir esta continuidade. Sem deixar de perceber conflitos e diferenças entre as facções que conformam tal bloco, promovidos por setores mais belicosos e ultradireitistas, ligados ao narcoparamilitarismo, não se aprecia – para além da retórica – o surgimento de novas condições que permitam afirmar que se está a caminho de superar as estruturas autoritárias, criminosas, mafiosas e corruptas que caracterizam o regime político colombiano. Tendências recentes dos acontecimentos legislativos em diversos campos parecem reforçar ainda mais o manto de impunidade que prevaleceu no país, buscam institucionalizar o exercício da violência contra a população, ao mesmo tempo pretendem perseguir e criminalizar os protestos e a mobilização social.

5- O governo de Santos aprofundou o processo de neoliberalização da economia e da sociedade, iniciado há mais de duas décadas. Este continuísmo favorece essencialmente o capital financeiro transnacional e os grandes grupos econômicos que, pensando exclusivamente em seu afã de lucro, impuseram um modelo econômico empobrecedor. Tal modelo desindustrializou o país, afundou, numa profunda crise, a produção agrícola, especialmente a produção de alimentos, propiciou a terceirização precarizante, estimulou ao extremo a especulação financeira e promoveu - especialmente durante a última década - a intensa exploração das nossas riquezas em hidrocarbonetos, minerais e fontes de água, acompanhados pela produção de biocombustíveis, exploração florestal e megaprojetos infra-estruturais. O desenvolvimento deste modelo foi projetado dentro de um quadro jurídico-institucional e militar que protege os interesses do grande capital e que vem se aprimorando no atual governo, através de múltiplas reformas no âmbito constitucional e legal. A entrada em vigor do Tratado de Livre Comércio com os Estados Unidos, e de outros tratados de conteúdo similar, é uma boa demonstração disso.

6 – Este modelo econômico conduziu a uma crescente degradação da soberania, a uma maior concentração e centralização da riqueza, ao aumento da desigualdade social, à precarização e pauperização do trabalho, à depredação socio-ambiental, assim como à contínua apropriação da riqueza social e dos frutos do trabalho mediante a migração e o deslocamento forçado da população. Também, propiciou uma mercantilização extrema e profunda de toda a vida social. Constituiu-se numa fonte de apropriação de dinheiro público, mediante a implantação generalizada de estruturas corruptas.

7 – Na Marcha Patriótica assinalamos a necessidade de produzir uma mudança política no país que defina as bases para a derrota do atual bloco hegemônico de poder e gere as condições para as transformações estruturais econômicas, políticas, sociais e culturais reclamadas pelas pessoas e pelo povo colombiano em geral. A Marcha coloca seu acúmulo e suas projeções a serviço deste propósito, chama à mais ampla unidade do povo colombiano e, em especial, dos diferentes processos sociais e populares existentes, tais como o Pólo Demcorático Alternativo e outros partidos e organizações políticas da esquerda, o Congresso dos Povos, a Minga Social e Indígena, a Coordenação Nacional de Movimentos e Organizações Sociais e Políticas, o COMOSOC, a MANE, bem como as demais forças políticas, econômicas e sociais que assim se consideram, pela construção de acordos programáticos que permitam avançar até a superação do modo de vida e de produção imperantes no país, a transformação estrutural do Estado, da economia e da cultura.

8 – Na Marcha Patriótica manifestamos a decisão política de lutar por um novo modelo econômico, de Estado e da sociedade, permitindo a transformação estrutural do modo de vida e de produção, que permita garantir e realizar os direitos humanos integralmente, dignificar e humanizar o trabalho, reparar integralmente as vítimas da violência e do terror estatal paramilitar, organizar democraticamente o território, realizar reformas agrária e urbana integrais, realizar as correspondentes transformações sócio-culturais, dignificar a arte e a cultura, lutar por uma nova ordem internacional baseada nos princípios da soberania, da não intervenção, da autodeterminação e do internacionalismo dos povos, contribuindo para a integração da Nossa América. Tudo isso, na direção da construção de um projeto alternativo que supere a atual organização capitalista da sociedade. A Marcha Patriótica se compromete com o desenvolvimento de sua plataforma programática com a mais ampla participação das pessoas comuns e, em geral, dos setores sociais e populares. Para conseguir isso, os Conselhos ficarão abertos.

9 – Na conjuntura atual, tendo em vista a dinâmica das lutas, assim como as tendências de políticas governamentais em curso, a Marcha Patriótica considera de vital importância e de suma urgência estabelecer acordos entre os diferentes processos políticos e organizacionais do campo popular, assim como com as demais forças políticas, econômicas e sociais interessadas, para fazer o enfrentamento e construir alternativas relacionadas à política de terras, a defesa do território, a reivindicação de trabalho, o ensino superior, a saúde e a seguridade social, os tratados de livre comércio, entre outros. Em todos os casos, trata-se de unir esforços e avançar na construção de um acúmulo de mobilização como o principal meio de ação coletiva e para a realização de uma grande greve cívica nacional.

10 – Apesar da retórica governamental que, com alguma frequência, assinala considerar a necessidade de paz para o nosso país, parece que este propósito é concebido em termos de uma solução militar, para o que pressionam, de forma contínua e persistente, os setores militaristas e de ultradireita. A política atual de contra-insurgência se fundamenta em um crescente intervencionismo militar estrangeiro, com o que, além de tentar induzir uma mudança no equilíbrio estratégico da guerra, corresponde aos interesses geopolíticos e econômicos do imperialismo dos EUA para garantir o acesso a recursos estratégicos, proteger investimentos transnacionais e conter quaisquer ameaças contra esses propósitos, sejam estas dos movimentos sociais ou insurgentes, ou de Estados soberanos na região.

11 – A política da solução militar encontra sua atual expressão no Plano Espada de Honra, que se liga a outras experiências do passado recente, todas inscritas no âmbito do Plano Colômbia e suas diferentes fases de execução. Com ela se busca a rendição e a desmobilização da insurgência. A experiência de nosso país, durante os últimos cinquenta anos, ensina, no entanto, que propósitos similares não têm sido mais do que iniciativas falidas que acabaram imprimindo novas dinâmicas e formas de expressão para o confronto. E não pode ser de outra forma, dadas as raízes históricas e a natureza política, econômica e social do conflito colombiano, assim como a dinâmica específica de uma guerra irregular e assimétrica.

12 – Uma prorrogação indefinida do conflito social e armado, bem como o que ele representa em termos de sofrimento da população e do contínuo aumento dos gastos da guerra que poderiam muito bem ser destinados para atender as necessidades das pessoas em geral, conduz à perigosa militarização da vida política, econômica, social e cultural. A Marcha Patriótica manifesta seu compromisso ético e político com a busca de uma solução política para o conflito social e armado. Considerando que deve ser socialmente apropriada, a Marcha manifesta a sua decisão de impulsionar os processos constituintes locais e regionais pela solução política e pela paz com justiça social, tendendo para a realização de uma Assembleia Nacional. Propõe também a todas as forças políticas, econômicas e sociais, a união de esforços para construir caminhos que permitam tornar realidade os anseios de paz das pessoas e do povo colombiano em geral. Isso pode ter uma expressão inicial na criação de um encontro nacional pela solução política e pela paz com justiça social.

13 – A Marcha apresenta suas saudações solidárias a todas as mobilizações, resistências e lutas populares; e manifesta o seu compromisso de acompanhá-las, assumi-las como próprias e participar ativamente delas. Saúda igualmente todos os homens e mulheres que, nos campos e cidades, dão o melhor de suas vidas para contribuir para o bem viver das classes subalternas, oprimidas e exploradas. Chama a atenção para a situação dos prisioneiros de guerra e manifesta a sua solidariedade com os presos políticos e de opinião. Além disso, declara sua vocação internacionalista e seu apoio irrestrito a todos os lutadores e lutadoras que, no mundo e na Nossa América, buscam a superação do modo de vida e de produção imposto pelo capitalismo.

14 – Na Marcha temos chegado aos patriotas para afirmar a existência de sonhos coletivos; para traçar rotas de dignidade; para abrir portas de esperanças realizáveis. Seguindo o legado dos libertadores e das libertadoras da Primeira Independência e dos lutadores populares das resistências em nossa nação, somos partícipes deste novo capítulo da história a ser forjado na mais ampla unidade popular. Saímos convencidos de que o sonho não só existe, mas é realizável em um trabalho coletivo de cada organização e na proposta coletiva que seguimos construindo. Entregamos ao país este aporte de esperança decidida, convidando a marchar, a caminhar, a lutar e a construir.

A marchar pela solução política!

A marchar pela soberania e integração dos povos!

A marchar pela unidade popular e pela Segunda e definitiva independência!

Bogotá, 22 de abril.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

A Marcha Patriótica transbordou

http://www.pacocol.org/images/stories/marcha_patriotica_foto_CL.jpg



24 de abril de 2012 | 07:04 AM. | Noticias

Por: Rodrigo López Oviedo

Não sei quantas pessoas cabem na Plaza de Bolívar de Bogotá e, tampouco, quantas vezes ela foi totalmente ocupada. Acredito que devem ter sido muito poucas e nenhuma comparável à multidão e ao entusiasmo presentes em 23 de abril passado. Os organizadores da Marcha Patriótica pela Segunda Independência tinham previsto a participação de umas 80 mil pessoas e, para isso, prepararam três colunas, que partiriam de três lugares distintos da cidade. Porém, apenas com uma das colunas foi suficiente lotar a Plaza. Quando os outros dois grupos quiseram entrar no local, se depararam com uma praça completamente lotada pelos primeiros marchantes. É a comprovação do tamanho do êxito alcançado no lançamento deste movimento social e político!

A Marcha Patriótica é a mais ampla confluência de organizações que veem com vergonha a prostração de nosso país aos ditames do império e aos extremos desequilíbrios formados como consequência de políticas que só visam os interesses oligárquicos. Assim, todo o entusiasmo mencionado é uma evidência clara das imensas forças que lutam para encontrar soluções para tão grave problemática, ainda que haja o custo de sofrer a experiência de tantos lutadores, sacrificando sua liberdade e até sua vida, para alcançar transformações que façam a vida mais justa e amável para todos os colombianos.

Por isso, não temos dúvidas em qualificar como exitosa sua realização, como satisfatória a conformação de seu organismo de direção, o Conselho Patriótico Nacional. O Governo nacional deve ver nisto uma notificação de repúdio por sua política de favorecimento às transnacionais. São elas as maiores beneficiadas pelas “locomotoras” do plano de desenvolvimento. São os empresários da guerra, que lucram com os multimilionários orçamentos de defesa. São os setores financeiros, que mais se beneficiam com o estado de coisas vigente.

Porém, também devem sentir-se aludidos aqueles setores de esquerda que parecem ver reduzido todo seu compromisso político às urnas. Os 120 mil colombianos que estiveram na Plaza de Bolívar, somados aos quatro mil delegados que, em representação de mais de 2000 organizações de massas, assinaram a declaração final, dizem a tais dirigentes que estes vacilam entre ser e não ser revolucionários. Afirmam a existência de processos que se dão, inclusive, contra o querer de seus líderes. O melhor é animar tais processos com entusiasmo antes que os mesmos se voltem contra eles. Essa participação entusiasta é a melhor maneira de nos aproximarmos do grande sonho do Libertador Simón Bolívar: alcançar o maior grau de felicidade para nosso povo!

Fonte: http://www.pacocol.org/index.php?option=com_content&task=view&id=12632, 24-04-12

Tradução: Partido Comunista Brasileiro (PCB)

Quem está por traz do Facebook, o Portal dos Amigos?

Por Pascual Serrano, oito de fevereiro de 2008


O programa de internet Facebook é uma simpática ferramenta de comunicação social, um instrumento que permite contatar e arquivar os endereços e outros dados dos amigos e familiares que conhecemos. Mas, também se constitui numa mina de informação para os órgãos de inteligência que exploram estes dados e, que graças ao Facebook, sabem tudo sobre você. Reproduzimos a seguir um artigo muito pertinente sobre o Facebook.

Em 4 de fevereiro [2008] celebrou-se em todo o mundo uma mobilização contra a guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia – FARC-EP. Os meios de comunicação destacaram a espontaneidade da iniciativa, especialmente porque se originava de uma rede social da Internet chamada Facebook.

Jornais como El País, insistiam em que tudo partia de “um engenheiro civil de 33 anos convertido em técnico de informática e morador da cidade de Barranquilla”. Sua ingenuidade era assim apresentada pelo jornal: “Até um mês atrás não tinha tido participação na política do seu país a não ser a de exercer seu direito de voto. Chama-se Oscar Morales e nunca pensou que a idéia de convocar uma manifestação teria uma repercussão tão grande. Morales, que trabalhava no Serviço Nacional de Aprendizagem (SENA), uma instituição pública que adotou a rede social Facebook como ferramenta de comunicação entre os estudantes”. E o promotor declara: “Facebook tem uns 70 milhões de associados no mundo e somente dois milhões na Colômbia. Em quatro de janeiro decidi incluir no Facebook.com a campanha “Um milhão de vozes contra as FARC”. Somente pretendia recolher assinaturas. Nunca imaginei um êxito semelhante”.

Segundo o jornal, e como prova de espontaneidade, “no primeiro dia juntaram-se 1.500 pessoas à sua proposta. No segundo, 4.000. E no terceiro, Carlos Andrés Santiago, internauta de Bogotá, propôs converter o protesto numa grande manifestação na Colômbia. Estabeleceram o prazo de um mês: a manifestação percorreria as ruas colombianas em 4 de fevereiro. Depois, começaram a chegar mensagens de muitos países”.

A esquerda colombiana, organizações de Direitos Humanos e familiares de detidos pelas FARC criticaram duramente essa mobilização que qualificaram de belicosa e partidarista, pois negava uma solução dialogada ao conflito, ignorava os crimes cometidos pelos paramilitares e o exército além de apostar em uma solução exclusivamente armada ao gosto do governo de Uribe, dos setores militares, da empresas de armamento e do governo dos EUA.

Por sua parte, os promotores, segundo El País, “foi a cidadania que se manifestou, e isto não vai se deter agora. A sociedade colombiana despertou, até que enfim, da indiferença em que estava mergulhada”. Desde Bogotá, o jornal não para de recolher testemunhos que insistem na juventude e espontaneidade da iniciativa que nasceu no portal Facebook: “Os promotores éramos jovens, mas compareceu gente de todas as idades. A partir de hoje inicia-se um novo caminho”.

Quem é o Facebook? Quem está por traz desse projeto? É tão espontâneo com dizem? Obedece só a iniciativas cidadãs sem nenhuma ideologia por traz?

É apresentado na Wikipedia como um site de redes sociais. Os usuários podem participar em uma ou mais redes dependendo da sua situação acadêmica, de trabalho ou região geográfica.

O jornalista Tom Hodgkinson o pesquisou e forneceu muitas senhas no jornal britânico The Guardian em janeiro de 2008. A maior parte das informações a seguir é oriunda deste trabalho.

O Facebook afirma ter 59 milhões de usuários ativos, incluindo sete milhões no Reino Unido, o terceiro cliente em tamanho depois dos EUA e Canadá. Segundo Hodgkinson seriam 59 milhões de ingênuos que ofereceram sua informação de identidade e suas preferências de consumo para um negocio norteamericano do qual nada sabem. Neste momento dois milhões de pessoas são acrescidos por semana. O Facebook terá mais de 200 milhões de usuários ativos daqui a um ano.

Entre os grupos de usuários temos “Um milhão de vozes contra as FARC” (130.000 inscritos), “Mil pessoas que odeiam Hugo Chavez” (1.300 abonados) e “Eu também quero ver morto os das FARC” (8.200 usuários), o que nós dá uma idéia de sua linha ideológica no que se refere à Colômbia.

Segundo informou uma fonte especializada que pediu anonimato, descobriu-se que o Facebook é uma arma militar de espionagem e desestabilização, criada pelos setores mais extremistas da direita (os sinistros “neocons” ou neoconservadores) para obter informação dos usuários e manipulá-los com fins geopolíticos e estratégicos.

Segundo essa fonte, participam no Facebook todos os 16 serviços de inteligência dos EUA, começando pela CIA, o Pentágono e o Departamento de Defesa. “Coletam e guardam tudo. Nada lhes escapa: fotos, e-mails, conversas, imagens, música, etc. Com isso estabelecem um ‘perfil’ psicológico, sociológico e político de cada pessoa e assim os mantêm sob vigilância. Uma vez que a pessoa ingressa, não a deixam sair, e se esta consegue, toda a informação privada fica armazenada lá”.

Na área da exploração comercial e consumo, segundo The Guardian, encontram-se comerciantes sem escrúpulos de Silicon Valley, Coca Cola, Microsoft, Blockbuster, Sony Pictures, Verizon, e Conde Nast, entre outras.

“È um serviço que fomenta o individualismo para manter um maior controle da massa. Geralmente, faz os imbecis acreditar que eles são importantes e os levam a cometer qualquer ato que os verdadeiros interessados desejem sem ter uma participação direta que os implique. Se coloco uma boa foto minha com uma lista das minhas coisas favoritas, posso construir uma representação artificial de quem sou. Também estimula uma competitividade inquietante na amizade: pareceria que com os amigos a qualidade não conta e a quantidade é rainha”, acrescenta Tom Hodgkinson.

“Não se necessita muito cérebro para fazer parte do grupo e sempre se incentiva a recrutar mais ‘amigos’, acrescenta. A pessoa vale pelo número de ‘amigos’ que recruta. Não é a toa que os EUA, Canadá e Reino Unido são os países com maior número de participantes”, casualmente são os que mantêm mais tropas de ocupação no Iraque e Afeganistão.

Facebook é um projeto bem financiado, por trás dele encontra-se um grupo de capitalistas de risco de Silicon Valley, com uma clara e definida ideologia que refletem em seu portal e esperam difundir pelo mundo. Como PayPal, é uma experiência social, uma expressão de uma classe particular de neoconservadores. No Facebook pode-se ser tão livre quanto se queira, sempre que não importa sofrer um bombardeio de publicidade das maiores marcas do mundo. Como no caso de PayPal, as fronteiras nacionais são coisa do passado.

Ainda que o projeto fosse concebido inicialmente pela estrela das capas nos meios de comunicação, Mark Zuckerberg, a verdadeira pessoa por trás do Facebook é o capitalista de risco e filosofo futurista de Silicon Valley, Peter Thiel. Apenas três membros integram o conselho do Facebook, são Thiel, Zuckerberg e um terceiro investidor chamado Jim Breyer, de uma empresa de capital de risco chamada Accel Parteners. Thiel investiu 500.000 dólares quando os estudantes de Harvard Zuckerberg, Chris Hughes e Dustin Moskowitz foram visitá-lo em São Francisco, em junho de 2004, pouco depois de lançar o site. Dizem que Thiel possui, atualmente, 7% do Facebook, o que corresponde a um bilhão de dólares.

Thiel é geralmente considerado em Silicon Valley e no cenário do capital de risco dos EUA como um gênio liberal, no sentido econômico do termo. É co-fundador e presidente do sistema bancário virtual PayPal, que vendeu o EBay por 1,5 bilhões de dólares, embolsando pessoalmente 55 milhões. Também dirige um fundo de risco de 3 bilhões de dólares chamado Clarium Capital Management e um fundo de capital de risco chamado Founders Fund.

A revista Bloomberg Markets recentemente o chamou de “um dos gerentes de maior êxito no ramo de fundos de risco do país”. Ganhou dinheiro apostando no aumento do preço do petróleo e predizendo corretamente que o dólar se debilitaria. Ele e seus colegas de uma riqueza insultante de Silicon Valley foram qualificados recentemente como a “máfia de PayPal” pela revista Fortune, cujo jornalista também assinalou que Thief tem um assistente uniformizado e um automóvel McLaren de 500.000 dólares.

Mas Thiel é mais do que um capitalista astuto e avarento. É um filosofo futurista e um ativista neoconservador. Graduado em filosofia em Stanford, é coautor de um livro de 1998 chamado “O mito da diversidade”, um ataque detalhado à ideologia progressista e multicultural que dominava em Stanford. Afirmou que a “multicultura” supunha uma diminuição das liberdades individuais.

Quando estudante de Standford, Thiel fundou uma revista de direita, que ainda existe, chamada The Stanford Rewiev. É também membro de TheVanguard.org, grupo de pressão neoconservador que opera na Internet e que foi estabelecido para atacar MoveOn.org, grupo de pressão progressista que trabalha na rede. Thiel se autodenomina “muito liberal”, na expressão econômica do termo.

TheVanguard é dirigido por Rod D. Martin, um filosofo capitalista consideravelmente admirado por Thiel.

Resumo do seu site na Internet a seguir dá uma idéia de sua visão do mundo: “TheVanguard.org é uma comunidade on-line de norteamericanos que acreditam em valores conservadores, o livre mercado e o governo limitado como o melhor meio de levar esperança e cada vez mais oportunidade a todos, especialmente aos mais pobres entre nós. Seu objetivo é promover políticas que redesenhem os EUA e o planeta”. TheVanguard descreve suas políticas como “reaganista/thatcherista”. A mensagem de seu presidente diz: “Hoje ensinaremos a MoveOn, Hillary e aos meios da esquerda algumas lições que nunca imaginaram”.

Claramente, o Facebook é outra experiência supercapitalista: pode se ganhar dinheiro com a amizade? Podem se criar comunidades livres de fronteiras nacionais e depois vender-lhes Coca-Cola?

O terceiro membro do conselho do Facebook é Jim Breyer. É sócio da empresa de capital de risco Accel Partners, que investiu 12,7 milhões de dólares no Facebook em abril de 2005. Membro também do conselho de gigantes norteamericanos como WalMart, de reconhecida trajetória de abusos trabalhistas, e Marvel Entertainment. Também foi presidente da Associação Nacional de Capital de Risco (NVCA).

Este é o tipo de gente que provoca muitos dos acontecimentos econômicos dos EUA porque investem nos novos jovens talentos, os Zuckerberg e gente do tipo. A mais recente ampliação de capital do Facebook foi dirigida por uma empresa chamada Greylock Venture Capital, que investiu a soma de 27,5 milhões de dólares. Um dos principais sócios da Greylock chama-se Cox, outro ex-presidente da NVCA, que também está presente no conselho da In-Q-Tel.

O que é In-Q-Tel? Bem, acreditem ou não (e comprove no seu site de Internet), é a ala de capital de risco da CIA. Depois do 11 de setembro, a comunidade dos serviços de inteligência ficou excitada tanto com as possibilidades de novas tecnologias e das inovações que estavam ocorrendo no setor privado, que em 1999 estabeleceu seu próprio fundo de capital de risco, In-Q-Tel, que “identifica e associa-se com companhias que desenvolvem tecnologias de vanguarda para ajudar a levar essas soluções para a CIA e a comunidade de inteligência dos EUA para executar suas missões”.

O departamento de defesa dos EUA e a CIA amam a tecnologia porque facilita a espionagem. “Temos que encontrar novas formas de dissuadir novos adversários”, disse o secretário de defesa Donald Rumsfeld em 2003. “Temos que dar o salto para a era da informação, que é o fundamento critico de nossos esforços de transformação”, acrescentou. O primeiro presidente da In-Q-Tel foi Gilman Louie, que prestou serviços no conselho da NVCA com Breyer.

Outra personagem chave na equipe da In-Q-Tel é Anita K. Jones, ex-diretora de pesquisa e desenho da defesa para o departamento de defesa dos EUA e, junto com Breyer, membro do conselho da BBN Technologies. Quanto Jones deixou o departamento de defesa dos EUA, o senador Chuck Robb lhe fez a seguinte homenagem: “Ela juntou as comunidades da tecnologia e de operações militares para desenhar planos detalhados para sustentar o domínio dos EUA no campo de batalha no próximo século”.


BARRAS E ESTRELAS

Entretanto, mesmo que não se aceite a idéia de que Facebook seja uma espécie de extensão do programa imperialista norteamericano cruzado com um instrumento de coleta de informação em massa, não há como negar que como negocio, é puramente genial. Alguns ingênuos da rede sugeriram que a sua valorização de 15 bilhões de dólares é excessiva, mas o jornalista do The Guardian, Tom Hodgkinson, a considera muito modesta. Segundo ele, o seu potencial de crescimento é virtualmente ilimitado. “Queremos que todos possam utilizar o Facebook”, diz a voz impessoal do ‘grande irmão’ no site da Internet.

E foi o enorme potencial do Facebook que levou à Microsoft a comprar 1,6% do negocio por 240 milhões de dólares. Um boato recente diz que o investidor asiático Lee Ka-Shing, o nono homem mais rico do mundo, comprou 0,4% do Facebook por 60 milhões de dólares.

De tal forma que tudo isto é o que há por traz da “espontânea” mobilização pela Internet contra as FARC-EP: dinheiro e CIA. Ou seja, o mesmo de sempre!


[1] Hodgkinson, Tom With friends like these... The Guardian. 14-1-2008

terça-feira, 24 de abril de 2012

AGENDA COLÔMBIA BRASIL SAÚDA O LANÇAMENTO DO MOVIMENTO POLÍTICO MARCHA PATRIÓTICA

“porque lo que él no dejó hecho, sin hacer está hoy: porque Bolivar tiene que hacer en América todavía” José Martí A Agenda Colômbia-Brasil, processo de construção de solidariedade política entre os povos, organizações sociais, movimentos populares e partidos de esquerda do Brasil e da Colômbia, saúda e comemora o lançamento do Movimento Político Marcha Patriótica e a constituição de seu Conselho Patriótico Nacional. A Agenda Colômbia-Brasil é um espaço social e político que busca tornar visível a realidade colombiana e gerar solidariedade política entre os povos com o objetivo de apoiar as lutas dos colombianos e colombianas, de lutar pelo reconhecimento dos direitos humanos e políticos tanto de pessoas quanto de organizações que se opõem ao caráter excludente do governo, que tem prevalecido ao largo da história do Estado colombiano. Militam pessoas e organizações engajados na bandeira pela solução política do conflito, que já dura mais de 6 décadas e que é consequência das agravantes condições sociais, políticas e econômicas. Como organização, a Agenda Colômbia-Brasil é autônoma, horizontal, caracterizando-se pela igualdade de gênero, pela direção coletiva e pela formação permanente. Acredita na solidariedade entre os povos e trabalha por ela, principalmente entre os povos da América Latina. Luta contra o imperialismo, a militarização e a violação dos direitos humanos. É francamente favorável à livre determinação dos povos, à paz no mundo, à justiça social, ao fim da impunidade, ao resgate e preservação da memória e, especialmente, à superação da grave situação social e política em que vive o povo colombiano. A Agenda Colômbia-Brasil faz parte do Movimento Político Marcha Patriótica porque somos homens e mulheres pertencentes ao povo colombiano e que tivemos de sair de nossa Pátria em busca de oportunidades de vida que, na Colômbia, nos são negadas pela adoção de políticas econômicas exploradoras, injustas e excludentes; ou ainda, porque nossas opiniões políticas foram perseguidas pelo Estado e pelos grupos de extrema direita que silenciam e criminalizam o pensamento crítico e qualquer intenção social oposicionista. Somos homens e mulheres que ainda vivem na Colômbia, porém em situação de refugiados, dentro do território nacional, para protegerem suas vidas, pessoas que não só perderam suas terras e outros bens e agora lhes retiram a capacidade de exigir seus direitos mais elementares. Somos homens e mulheres brasileiros que compartilhamos a nossa luta e nossos anseios de transformação do Estado colombiano numa verdadeira democracia, com paz e justiça social, pela liberdade dos povos. Todos e todas, colombian@s e brasileir@s, estamos em Marcha pela Segunda e Definitiva Independência Americana, que nos permita construir a Pátria Grande, sonhada por Bolívar, na qual José Inácio de Abreu e Lima lutou e pela qual muitas pessoas, homens e mulheres, têm lutado e vivido. Como Agenda Colômbia-Brasil nos comprometemos publicamente a construir a Marcha Patriótica no Brasil, como luta popular e a construção de poder alternativo. Para construirmos unidade e lutar juntos com o povo brasileiro solidário pela construção de uma nova Colômbia, onde caibam todos e todas, por um Brasil melhor e por uma América livre e soberana. Por isso, saudamos o lançamento da Marcha Patriótica como movimento político, bem como a constituição de seu Conselho Patriótico Nacional, sua luta política e social, a sua busca de uma verdadeira democracia e o seu compromisso com a defesa das causas populares e de todas as pessoas afetadas pelas políticas capitalistas e neoliberais. Comemoramos esse momento com todas as pessoas que já fazem parte da Marcha Patriótica, com sua organização que nasce desde as bases e de todos os rincões da Colômbia. Que cresce, se fortalece e se converte em uma verdadeira alternativa de transformações democráticas e de poder popular para o povo colombiano e para a luta continental americana. Por isso dizemos, como Pablo Neruda à Bolívar: “em direção à esperança a tua sombra nos conduz, (…) tua voz nasce de novo, a tua mão outra vez nasce (…)”. A Marcha está nascendo como movimento político e nela lutaremos pela segunda e definitiva independência da Colômbia e dos povos da América. Continuaremos dizendo até que seja concretizado: “(…) Libertador um mundo de paz nasceu em teus braços. /A paz, o pão, e o trigo de teu sangue nasceram,/ de nosso jovem sangue vindo de teu sangue/ sairão paz, pão e trigo para o mundo que construiremos…” Viva a Solidariedade entre os Povos do Brasil e da Colômbia! Viva a Pátria Grande Americana! Viva o Conselho Patriótico Nacional! Viva a Marcha Patriótica pela segunda e definitiva independência! Agenda Colombia-Brasil A Solidariedade é dos Povos //////////////////////////////// com apoio do PCB

domingo, 22 de abril de 2012

A Marcha Patriótica propõe ao povo e à sociedade colombiana em seu conjunto a seguinte Plataforma que guiará seu acionar político:

1.    Solução política do conflito social e armado 2.    Democratização da sociedade, do Estado e do modelo econômico 3.    Modo alternativo de vida e de produção e, novas forma de poder e economia 4.    Garantia efetiva e materialização dos direitos humanos integrais 5.    Dignificação e humanização do trabalho 6.    Reparação integral às vítimas da violência estatal e paramilitar 7.    Organização democrática do território e reformas agrária e urbana integrais 8.    Cultura para a solidariedade e a transformação da ordem social 9.    Integração latinoamericana, internacionalismo e continuidade das lutas pela independência 1.    Solução política do conflito social e armado A Marcha Patriótica propugna pela solução política do conflito social e armado. Entendemos essa solução como um processo rumo à superação das causas e fatores econômicos, políticos e sociais que geraram sua existência e, levam a que se prolongue de forma indefinida. Em consequência, busca deixar atrás entendimentos que reduzem o conflito exclusivamente a uma contenda militar e limitam as possibilidades de sua solução a uma saída militar, ou a um acordo entre as partes diretamente comprometidas nessa contenda. A Marcha considera que o diálogo e a negociação, com a mais ampla participação social e popular, de todos os setores interessados da sociedade e, da comunidade internacional, se constituem em um imperativo ético e político para avançar na construção da paz democrática com soberania popular e justiça social. Da mesma forma, faz suas as vozes pela humanização da guerra, a aplicação das normas do Direito Internacional Humanitário, incluindo o tratamento que devem receber os prisioneiros de guerra. A Marcha anseia a superação da intervenção militar estrangeira e a crescente militarização da vida política, econômica, social e cultural, assim como das formas de domínio e controle que de eles se derivam. De maneira especial a Marcha manifesta seu compromisso de dar continuidade aos inúmeros esforços sociais e populares de comunidades campesinas, indígenas e afrodescendentes e de amplos setores da sociedade, encaminhados à realização de constituintes regionais e locais e de uma Assembleia Nacional de Constituintes regionais e locais pela solução política e a paz. 2.    Democratização da sociedade, do Estado e do modelo econômico A Marcha Patriótica propugna por uma transformação estrutural da sociedade e do Estado tendente à sua organização democrática, real, direta e autogestionária, que supere em forma definitiva seu caráter autoritário, suas atuais configurações criminais e mafiosas, assim como o agenciamento reiterado de interesses imperiais e transnacionais e, de grandes poderes financeiros e latifundiários locais. A organização democrática compreende todos os âmbitos da vida social, o regime político, o sistema político e de partidos, todos os poderes públicos, incluídas as forças militares e de polícia; igualmente, todas as instituições e instâncias do aparato estatal comprometidas com o desenho e a execução das políticas, em especial, do planejamento, do orçamento para o desenvolvimento da nação e, da banca central. Estas, ademais de serem expressivas dos interesses do povo trabalhador, devem estar concebidas para resolver seus principais necessidades e disseminar suas potencialidades nos diferentes âmbitos da vida social, com a mais ampla participação direta e uma inteira capacidade de decisão. A Marcha Patriótica busca a superação estrutural do predominante modelo neoliberal em todas suas dimensões políticas, econômicas, sociais e culturais, assim como da política econômica que ,o sustenta, em particular, em sua forma econômica atual de mercantilização extensa e profunda de toda a vida social, de crescente endividamento estatal e privado, de exploração intensiva e destruidora das fontes e dos elementos naturais, energéticos, minerais e da biodiversidade; quer dizer, de uma economia que só deixa o buraco e, aumenta a especulação financeira que debilita a atividade produtiva e se acompanha da tercerização precária, ao mesmo tempo, que deteriora as condições de vida e de trabalho da classe trabalhadora e do povo em geral, para favorecer um punhado de corporações transnacionais e de grupos econômicos locais. Todo isso, sob o império de capital financeiro e de uma política econômica estatal de proteções e incentivos extremos e de subsídios ao grande capital, que castigam a pequena e meia produção, acentua a histórica relação de dependência diante dos poderes imperiais e ofende a soberania nacional. A Marcha é a favor da superação da crescente submissão das economias domésticas, das atividades produtivas e da própria atividade estatal através à hegemonia e à especulação do capital financeiro transnacional e local. A Marcha propõe o fortalecimento da atividade produtiva, industrial e agrária, considerando de maneira especial a pequena e meia produção e as diversas formas de economia popular, visando propiciar novas condições que levem à autonomia e à soberania econômicas, para assim satisfazer as necessidades do povo e também, dimensionar ao máximo suas potencialidades. 3.    Modo alternativo de vida e de produção e novas formas de poder e de economia A Marcha Patriótica tem o firme propósito de lutar pela superação da organização capitalista do modo de vida e produção, em especial, das atuais formas neoliberais que, baseadas na precarização do trabalho, a privatização, o despojo e a depredação da natureza, têm concentrado de forma extrema a propriedade e a riqueza social para o usufruto e exclusivo beneficio de uns poucos, mas poderosos, grupos econômicos. A Marcha busca a reapropriação social da propriedade e da riqueza privatizadas, expressada principalmente nos bens públicos e comuns, com miras a transformar a estrutura das condições de produção e de distribuição e garantir seu usufruto para o melhoramento das condições de trabalho e do melhor-estar do povo em geral. Nesse sentido, a reapropriação social de bens públicos e comuns, como a educação, a saúde, a cultura, o esporte, as fontes e os elementos naturais e de biodiversidade, a água, o meio ambiente, os espaços urbano e rural, entre outros, constituem referentes fundamentais da política que promoverá la Marcha. La Marcha Patriótica propugna por um relacionamento não destruidor nem predador com a natureza; assume que ela deve ser concebida como fonte de vida antes que de exploração de recursos e considera que as relações a construir devem basear-se nos princípios da sustentabilidade, da integralidade da biodiversidade e da reprodução de suas condições. As transformações sociais que impulsiona Marcha são, ao mesmo tempo, transformações socioambientais, que levem à redefinição do modo de produção e de vida. Tal redefinição se encontra na crítica da concepção de desenvolvimento imposta pelo capitalismo, do consumismo e da produção do desperdiço; portanto, na erradicação das condições de mercantilização extrema e de de gradação do trabalho imperam na sociedade. Em função desse propósito, a Marcha apoia e promove todas as formas de organização autônoma e autogestionária da política, do poder e da economia, através das organizações dos povos indígenas, processos constituintes locais, congressos ou juntas e assembleias populares, entre outras, ou de economias alternativas e de resistência, que se orientem mediante referentes distintos aos da economia do lucro pelo lucro. De maneira particular, a Marcha acompanha formas de organização e de cooperação coletivas da vida e da economia das comunidades camponesas, indígenas, afrodescendentes, raizaís e quilombolas. Em todas elas vê possibilidades para a construção alternativa da política, do poder e da economia. 4.    Garantia efetiva e materialização dos direitos humanos integrais A transformação estrutural da sociedade, do Estado e do modelo econômico neoliberal predominantes, constitui-se no fundamento do estabelecimento de uma ordem material alternativo do poder e do direito, baseado na garantia efetiva dos direitos políticos, econômicos, sociais, culturais e ambientais desde uma concepção de integralidade e indivisibilidade dos direitos, com um enfoque de gênero, diferencial, intercultural e pluriétnico. Considerando a profunda desigualdade e os elevados níveis de pobreza, a Marcha reivindica de maneira especial os direitos que comprometem as condições materiais da vida e da existência da população, tais como os direitos ao trabalho, educação, saúde, segurança social, moradia, cultura, ao esporte; propugna por sua desmercantilização e demanda a pela responsabilidade do Estado sobre princípios de universalidade, gratuidade e devida atenção, acompanhada da correspondente disposição de recursos, o qual supõe uma modificação substancial da estrutura atual do orçamento público. A Marcha declara seu compromisso com os direitos das mulheres, das crianças e dos jovens, dos aposentados e, em geral, dos adultos, das comunidades camponesas, indígenas, afrodescendentes, raizais e quilombolas, assim como da comunidade LIGTI. A Marcha faz sua toda produção de direito tendente ao melhoramento do modo de vida e de produção e ao relacionamento não predador com a natureza, como é o caso dos direitos coletivos emergentes ao água, ao território, aos serviços públicos e à identidade genética, entre outros. 5.    Dignificação e a humanização do trabalho A Marcha Patriótica, busca uma transformação estrutural das condições de trabalho e de ingresso da classe trabalhadora e, em geral, de todo o povo, tanto das áreas rurais quanto dos centros urbano, com miras à sua dignificação e humanização. Nesse sentido, luta pela erradicação definitiva de todas as formas contratuais civis e comerciais que contribuem a sua precarização e sobre-exploração e propiciam o trabalho informal dos camelos. A Marcha será contra as práticas de desmotivar a vinculação dos operários à organização sindical e contra o assassinato de dirigentes sindicais e ativistas. A Marcha aspira ao estabelecimento de um regime de direitos trabalhistas individuais e coletivos que garante o trabalho digno e o melhor-estar da classe trabalhadora e, em geral da população. A Marcha manifesta se compromisso de contribuir aos processos de organização e politização da classe trabalhadora e da mais ampla unidade de suas organizações. O trabalho digno deve se fundamentar igualmente na geração de condições para ter o direito ao conhecimento científico e técnico e aos saberes ancestrais e populares. Assim mesmo, supõe a organização e disposição do sistema educativo, de formação e de capacitação para superar a dependência científica e tecnológica e propiciar usos do conhecimento tendentes à transformação do modo de vida e de produção. A Marcha manifesta seu compromisso com políticas educativas e de ciência e tecnologia, encaminhadas a esses propósitos. A Marcha impulsionará políticas de Estado tendentes a reverter a redistribuição regressiva do ingresso imposta pelo neoliberalismo e a superar as condições estruturais, que gerem a desigualdade social e produzem a pobreza, a fome e a miséria. Nesse sentido, considera indispensável uma política de tributação direta, progressiva e equitativa, baseada no princípio de que quem mais rendas e patrimônio têm, mas impostos devem pagar, com miras a financiar as obrigações sociais do Estado, incluso o trabalho e o ingresso dignos. 6.    Reparação integral das vítimas da violência estatal e paramilitar A Marcha Patriótica faz suas as exigências e reivindicações das vítimas do exercício estrutural da violência estatal, ocasionadas pelo acionar da máquina de extermínio e terror conformada pelas forças do Estado, grupos narcoparamilitares e setores do empresariado local e transnacional para desatar o ciclo de violência das últimas três décadas, produzir o deslocamento forçado e a expropriação massiva de terras e propriedades, mais grande de nossa historia recente, eliminar formas de resistência e de oposição social e política e, garantir assim o modelo neoliberal e a chamada confiança inversionista. A Marcha acolhe os requerimentos pela verdade, a justiça, a reparação integral, as garantias da não repetição e a reconstrução da memória histórica; exige o pleno esclarecimento dos crimes de Estado. Igualmente, assume como suas as demandas da população expropriada e deslocada de forma forçada pela restituição de suas terras e demais propriedades, a indenização pelo não usufruto e, o estabelecimento, derivado do retorno, de condições dignas de vida, trabalho e existência. Nesse sentido, a Marcha assinala a plena responsabilidade do Estado na materialização dessas demandas, assim como na correspondente disposição de recursos públicos para efetivá-las. Igualmente, chama a atenção sobre o desenvolvimento de marcos normativos que pretendem legalizar o despojo, reduzir a reparação integral à restituição e decretar formalmente o fim de um ciclo de violência que não tem concluído e, dado o modelo econômico que impera, mantém intactas as estruturas de expropriação e despojo. De maneira específica, a Marcha reivindica o direito das vítimas ao reconhecimento e a reconstrução popular de sua memória histórica, assim como o resgate de sua dignidade. 7.    Organização democrática do território e reformas agrária e urbana integrais A Marcha Patriótica declara a defesa da terra e do território como uma prioridade e confirma sua decisão de lutar por uma produção social do território que garante o melhor-estar do povo. A Marcha faz sua as causas das forças políticas e sociais e dos movimentos socioterritoriais que se proponham enfrentar a decisão política da classe dominante de propiciar um processo de reprimarização empobrecedora da economia, baseado na acumulação especulativa transnacional que leva à exploração intensiva dos recursos naturais, especialmente mineiros e hidrocarbonetos, à implantação de megaprojetos infraestruturais e de geração de energia hídrica, à produção de agrocombustíveis e, à exploração indiscriminada da floresta. Todo isso, acompanhado de impactos socioambientais imensos. Frente às pretensões da política estatal de terras, que promove a maior concentração latifundiária, da propriedade, a compra massiva por parte de investidores transnacionais e a especulação financeira, mediante a ativação dos dispositivos do mercado de terras, a Marcha reafirma a aspiração histórica dos camponeses colombianos de uma Reforma Agrária Integral, baseada na democratização da propriedade com a consequente erradicação do latifúndio, o estímulo à pequena e media produção agrícola e a geração de condições para garantir a autonomia, a soberania e a segurança alimentar, assim como o melhoramento das condições de vida da população rural. A Marcha propõe uma organização democrática do território que privilegie relacionamentos não predadores com a natureza, garante a articulação do universo populacional rural com o urbano, com fundamento no princípio de justiça territorial e promova a produção de alimentos com seu sistema de coleta, transporte, centros de armazenamento e venda, ao tempo que possibilite os avanços tecnológicos da pequena e meia mineração, assim como a mineração artesanal com sustentabilidade socioambiental e, por fim, ofereça aos plantios proscritos alternativas distintas às pulverizações aéreas. A Marcha assume como sua a defesa dos territórios e dos planos de vida das comunidades camponesas, indígenas, afrodescendentes, raizais e quilombolas e, apoia firmemente os processos de zonas de reserva camponesa, os resguardos indígenas e os conselhos comunitários e demais formas existentes e, e respalda toda iniciativa em favor da produção coletiva, autônoma e autogestionária do território. A Marcha defende uma organização democrática da cidade, do governo e do espaço urbanos; se opõe, portanto, a toda produção do território que se fundamente na segregação e a discriminação socioeconômicas e conceba a cidade como centro de serviços e de provisão de força de trabalho e infraestrutura em função exclusiva dos grandes negócios e de fluxos do capital transnacional. Nesse sentido, defende um ordenamento urbano que garanta o aceso e desfrute de serviços públicos em cada moradia e, de transporte, assim como de todos os direitos necessários para o melhor-estar do povo. A Marcha acompanha todos os movimentos, processos e expressões da organização do povo nos setores urbanos, que visem a transformação democrática, política, econômica, sociocultural e artística da cidade e da sociedade em geral. De maneira específica manifesta seu compromisso com as causas do movimento dos estudantes, dos jovens, e em geral, do povo, por uma educação soberana, digna e popular. A Marcha Patriótica, propõe uma reforma urbana integral que acabe com a especulação dos terrenos urbanos e garante o aceso e a preservação das moradias dignas para o povo, superando em forma definitiva o submetimento dos moradores urbanos através do crédito hipotecário à dinâmica especulativa do capital financeiro. 8.    Cultura para la solidariedade e a transformação da ordem social A Marcha Patriótica propugna por uma transformação cultural do modo de vida e de produção imposto pelo neoliberalismo. Em contraposição à exaltação do individualismo e a competência a qualquer custo, a Marcha tem como referente os valores da solidariedade, a cooperação e a fraternidade. Sua proposta é essencialmente humanizadora, humanista e descolonizadora. Assim mesmo, reivindica a defesa da soberania cultural, assim como da cultura popular e, em particular, dos povos ancestrais, indígenas e afrodescendentes. A Marcha considera necessária uma redefinição substancial do processo educativo, em todos seus níveis e modalidades, sobre a base da promoção de pedagogias para a emancipação. Propugna pela democratização da propriedade sobre os meios de comunicação, erradicando sua atual concentração. O mesmo é válido para a produção de informação e de opinião. Nesse sentido, apoia e promove a produção social e popular de informação, opinião e comunicação, assim como os processos de construção de sentido e de referentes simbólicos do povo em geral. A Marcha concebe a construção cultural e artística como um componente fundamental da transformação da ordem social. Por isso, promove sua democratização em todas suas expressões e confirma seu compromisso com todas as expressões culturais e artísticas do povo, dos jovens, das mulheres, dos trabalhadores, das comunidades camponesas, indígenas, afrodescendentes, numa palavra, do povo em geral. 9.    Integração latinoamericana, internacionalismo e continuidade das lutas pela independência A Marcha Patriótica é partidária da superação da hegemonia imperial coletiva, que se sustenta no poderio econômico, tecnológico, militar e cultural; rechaça o domínio do capital financeiro transnacional baseado nos poderes corporativos, as qualificadoras de risco, os organismo multilaterais e os dispositivos normativos supranacionais protetores dos investimentos transnacionais. A Marcha Patriótica se entende assim mesma como parte de todos os processos, esforços e iniciativas que em diferentes regiões do planeta, a partir de diversos entendimentos teóricos e ideológicos e os mais variados projetos políticos, propugnam pela superação dos limites históricos da organização econômica e social capitalista, expressados de maneira descarnada na atual crise mundial A Marcha Patriótica luta pela construção de uma nova ordem mundial, político, econômico, cultural, alimentício, socioambiental, militar e de segurança, sustentado nos princípios do respeito à soberania, a não intervenção, a autodeterminacão e o internacionalismo dos povos. Igualmente, se encontra comprometida com o sonho bolivariano de integração dos povos. Por isso, acompanha todos os processos que promovem a dignidade, a solidariedade, a cooperação e a integração regional. A Marcha apoia os processos políticos impulsionados pelos governos e lutas sociais e populares em nível mundial, e de forma especial em Nossa América, tendentes à transformação socioeconômica e cultural, à consolidação das condições que possam garantir o melhor-estar do povo e, à superação da organização capitalista até agora predominante. A Marcha busca o encerramento definitivo e para sempre das relações de dependência de nosso país com o Imperialismo e pretende com isso restabelecer a soberania e a dignidade nacional. Nesse sentido a Marcha rechaça os Tratados de Livre Comércio e, em geral, todos os tratados, acordos ou normas que violentem a soberania nacional, especialmente de aqueles de alcance militar, cultural e econômico. Se compromete a sua revisão, denuncia ou desconhecimento, segundo o caso. A Marcha Patriótica se inscreve dentro das trajetórias de rebeldia e de gestas emancipadoras e independentistas do povo colombiano e dos povos de Nossa América e, dentro das experiências de construção de projetos de sociedade alternativos ao capitalismo. Reivindica as lutas de todos os homens e mulheres que, através de nossa história, em campos e cidades têm oferendado sua vida pela libertação e a independência de nosso povo. A Marcha Patriótica faz seu o ideário do Libertador Simón Bolívar e de todos os pensadores de Nossa América que têm contribuído a conceber a Pátria Grande, digna e soberana, assumindo um compromisso ético e político pela definitiva independência.