"A LUTA DE UM POVO, UM POVO EM LUTA!"

Agência de Notícias Nova Colômbia (em espanhol)

Este material pode ser reproduzido livremente, desde que citada a fonte.

A violência do Governo Colombiano não soluciona os problemas do Povo, especialmente os problemas dos camponeses.

Pelo contrário, os agrava.


terça-feira, 9 de junho de 2009

Sexta-feira passada a repressão no Peru massacrou mais de 60 indígenas

Organizações indígenas de seis países acusam o presidente do Peru por massacre e genocídio. Índios organizados da Bolívia, Peru, Equador, Chile, Colômbia e Argentina anunciaram ontem que farão todos os esforços para levar o presidente Alan Garcia perante um tribunal internacional, pelo massacre perpetrado sexta-feira passada contra os povos da Amazônia (fotos acima).

“Colocar em juízo internacional a Alan Garcia Pérez e seu governo, pelo seu entreguismo e repressão” é a principal demanda da Coordenação Andina das Organizações Indígenas, que representa os autóctones dos seis países sul-americanos, depois de conhecer os primeiros informes do massacre nas selvas peruanas, na região de Corral Quemado e Curva do Diabo.

Para essas organizações, Alan Garcia é sinônimo de neoliberalismo genocida. “O anti-peruano, anti-latino-americano, desumano é o neoliberalismo, é o neocolonialismo, é o imperialismo e portanto é o capitalismo” - disse o presidente da Bolívia, Evo Morales, quando se confrontou verbalmente com Garcia, recentemente.

As informações desde o local da chacina – Amazônia peruana – patrocinada pelo governo aprista de Garcia contabilizam mais de 60 mortos e centenas de feridos pela violência do Estado.

A crise eclodiu há cerca de dois meses, quando o movimento indígena convocou mobilização nacional, que vem bloqueando intermitentemente estradas, aeroportos e ameaçando cortar dutos de gás e petróleo.

O objetivo dos protestos é a revogação de um conjunto de decretos de maio de 2008, estabelecidos para facilitar investimentos e exploração de recursos naturais na selva, que inclui a privatização da água no Peru e exploração de gás natural e petróleo. Em agosto passado, protestos indígenas pressionaram o Congresso, que invalidou um deles.

O jornal Folha de S. Paulo, que não é propriamente um veículo de esquerda, informa que o presidente Garcia está classificando os protestos na Amazônia como uma "conspiração" contra o seu governo, fazendo-se de vítima. A Folha informa, assim: “O presidente peruano, Alan García, qualificou ontem de 'agressão subversiva contra a democracia' os confrontos entre os indígenas e a polícia, que acontecem desde sexta-feira nas cercanias da cidade de Bagua, a 710 km de Lima. Pelo menos 60 pessoas morreram. O direitista García [palavras da Folha], cujo governo tem apenas 30% de aprovação, afirmou que é preciso responder ao movimento com 'serenidade e firmeza'".

“Serenidade, firmeza” e matança de cidadãos que protestam para impedir que o Peru seja novamente colonizado por interesses puramente econômicos que ignoram a dramática e desigual realidade social do País.

As fotografias são do movimento Catapa, uma organização belga que tem laços orgânicos com os trabalhadores em mineração na América do Sul e Europa.

Peru: os indígenas contra o Estado e petrolíferas

Escrito por Yvon Le Bot y Jean-Patrick Razon
08-Jun-2009



Enfrentamentos entre indígenas amazônicos e as forças armadas deixaram dezenas de mortos e vários feridos na sexta-feira, 5 de junho, no norte do Peru. Os nativos, que bloqueavam a rodovia Transamazônica, mantiveram vários policiais como reféns. As forças repressoras dispararam contra os manifestantes, utilizando helicópteros segundo algumas fontes.

Esses enfrentamentos são resultado de um conflito entre indígenas da selva e o governo de Alan Garcia, por conta da exploração das riquezas petroleiras. Imensas reservas foram descobertas nos últimos anos na região. Um milagre, segundo o presidente Garcia, que multiplica as iniciativas favoráveis à sua exploração por empresas estrangeiras, incluindo a Perenco, um grupo franco-britânico. Isso tem conseqüências trágicas para as comunidades de caçadores-coletores que extraem seus recursos da floresta e dos lençóis d’água.

Os indígenas agrupados na Associação Interétnica para o Desenvolvimento da Selva Peruana se mobilizaram contra a destruição e a contaminação de seu espaço vital e, depois de várias semanas, a tensão não termina. Eles já receberam apoio de numerosos setores da população de todo o território nacional. Antes dos acontecimentos dos últimos dias, uma mobilização geral havia sido programada para a quinta-feira, 11 de junho.

O governo manifestou sua vontade de passar por cima a todo custo, de abrir caminho às companhias, ignorando os direitos reconhecidos às comunidades desde os anos 70 (por parte do governo militar progressista de Juan Velasco Alvarado), protegidos pelas convenções da ONU.

O que acontece no Peru é uma ilustração dramática de um problema que se tornou crucial em toda a América Latina: a exploração do subsolo e a devastação do meio ambiente em detrimento aos povos autóctones e à biodiversidade. No Brasil, Chile, Colômbia, Guatemala, os grupos indígenas se opõem às empresas de exploração de recursos petroleiros, minerais ou florestais. No Equador, as comunidades amazônicas abriram um processo histórico contra a empresa transnacional Texaco, que provocou um verdadeiro desastre ecológico em uma vasta região. Nunca se havia visto as comunidades amazônicas tentarem mover processo contra uma grande multinacional e menos ainda que os tribunais se mostrassem sensíveis aos seus argumentos (uma decisão final se espera proximamente).

Vários governos latino-americanos tomaram dimensão do problema e se esforçam para avançar para soluções negociadas. Esse é o caso da Bolívia, onde o presidente indígena Evo Morales nacionalizou as reservas de hidrocarbonetos e renegociou com as empresas estrangeiras as condições de exploração, a fim de assegurar uma redistribuição mais equitativa dos benefícios, notoriamente por meio de programas de desenvolvimento, educação e saúde para as populações necessitadas. O presidente equatoriano, Rafael Correa, propôs, no entanto, congelar a exploração de uma região inteira da Amazônia por razões ecológicas e em troca de contrapartidas financeiras da parte da comunidade internacional. No Brasil, uma decisão recente da mais alta corte de justiça veio a confirmar uma ordem do presidente Lula, que reconhece um imenso território dos grupos indígenas no norte da Amazônia, freando, assim, a penetração de caçadores de ouro ou traficantes de madeira (no total, 13% da superfície brasileira está constituída como território indígena).

Os movimentos indígenas que se desenvolveram na América Latina nas últimas décadas conquistaram avanços importantes em nome dos seus países e incluíram o reconhecimento dos direitos territoriais. Mesmo assim, o subsolo permanece como propriedade da nação e, na maioria das vezes, sua exploração é confiada a companhias nacionais ou multinacionais que pilham e saqueiam sem consideração aos ocupantes e nem ao meio ambiente.

* Yvon Le Bot é diretor de pesquisa do Centro Nacional de Pesquisa Científica e autor de "La Grande Revolte Indienne, edições Roberto Laffont, 2009.

Patrick Razon é diretor da Survival International (França), movimento mundial de apoio aos povos indígenas (http://www.survivalfrance.org/).

Publicado originalmente em La Jornada, México, 7-6-09 http://www.jornada.unam.mx/

Traduzido por Gabriel Brito, jornalista.

Indígenas peruanos recebem apoio de organizações e entidades de países vizinhos

Adital -

Na última sexta-feira (5), a forte repressão do governo peruano contra os indígenas amazônicos que protestavam em Bagua, no Peru, resultou em mais de 30 mortos, entre indígenas e policiais. O massacre gerou grande repercussão entre entidades e organizações de diversos países, as quais preparam mobilizações em solidariedade à população amazônica do Peru.

Na Colômbia, organismos defensores dos direitos humanos, organizações e instituições sociais reúnem-se hoje (8), às 14h30, em frente à Embaixada do Peru, em Bogotá. O encontro tem o objetivo de rechaçar os massacres promovidos pelo governo peruano e de respaldar a luta indígena em defesa da vida, dos direitos humanos, da terra e da biodiversidade amazônica.

Na próxima quinta-feira (11), a Frente Nacional pela Vida e pela Soberania realizará uma marcha, em Lima, contra o massacre aos indígenas e pela derrogação dos Decretos Legislativos que ameaçam o meio ambiente e os povos amazônicos do País. A concentração da marcha está marcada para acontecer às 14h, na Praça Dois de Maio, de onde seguirá até o Palácio do Governo.

No México, a delegação de indígenas que participaram da IV Cúpula Continental de Povos e Nacionalidades Indígenas de Abya Yala também presta apoio os peruanos através de uma carta, que será enviada ao presidente do Perú, Alan García.

No comunicado, organizações, grupos sociais e povos indígenas do México mostram-se indignados com os últimos acontecimentos no Peru e exigem do governo a paralisação das agressões contra os indígenas peruanos e o "cancelamento dos acordos internacionais - como o TLC [Tratado de Livre Comércio] - que violentam a vida dos povos indígenas peruanos".

A organização Survival International pediu, hoje, às empresas petroleiras que suspendessem as operações na Amazônia peruana enquanto o país "vive um dos piores episódios de violência política".

Em nota divulgada no site da organização (http://www.survival.es), o diretor da Survival, Stephen Corry, afirmou que os protestos mostram que os indígenas não estão mais dispostos a tolerar as ilegalidades e violências que se empregam contra as comunidades.

"As empresas petroleiras que trabalham no Peru deveriam suspender suas operações até que a calma restabeleça-se e os direitos territoriais dos indígenas sobre suas terras ancestrais sejam adequadamente respeitados: só então poderão negociar em termos de igualdade", comenta o diretor.

O presidente Alan García, por sua vez, disse à agência de notícias peruana Andina que lamenta as mortes dos policiais e que espera a captura dos responsáveis. "Esperamos que a calma volte, mas há que buscar as responsabilidades necessárias. Esperamos que as instituições que têm a seu cargo a perseguição do delito o façam com energia e rapidez, acusando os responsáveis que deixaram todos seus rastros aqui", afirmou à agência.

Para que criar fantasmas?

Por FRANKLIN MARTINS*

A Secom adota hoje o princípio da mídia técnica: a participação na publicidade é proporcional à circulação ou à audiência

NA ÚLTIMA semana, alguns colunistas e políticos da oposição abriram baterias contra a regionalização da publicidade do governo federal. Não gostaram de saber que os anúncios da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), até 2003 concentrados em apenas 499 veículos e 182 municípios, em 2008 alcançaram 5.297 órgãos de comunicação em 1.149 municípios -um aumento da ordem de 961%. Por incrível que pareça, conseguiram enxergar nesse saudável processo de desconcentração um ardiloso mecanismo de corrupção dos jornais e rádios do interior. Essa seria a explicação para as altas taxas de avaliação positiva do presidente Lula, registrada pelos institutos de opinião.

O raciocínio não tem pé nem cabeça. Vamos aos fatos.

As verbas publicitárias de todos os órgãos ligados ao governo federal permaneceram no mesmo patamar do governo anterior, em torno de R$ 1 bilhão ao ano. Desse total, 70% são investidos por empresas estatais, que não fazem publicidade do governo, mas de seus produtos e serviços, para competir com companhias privadas.

Além disso, os ministérios e autarquias, que respondem por 20% da verba publicitária federal, não podem fazer propaganda institucional, só campanhas de utilidade pública (vacinação, educação de trânsito, direitos humanos etc.). Apenas a Secom está autorizada a fazer publicidade institucional. Para esse fim, seu orçamento é igual ao do governo anterior (cerca de R$ 105 milhões).

Não houve aumento de verbas. O que mudou foi a política. Em vez de concentrar anúncios num punhado de jornais, rádios e televisões, a publicidade do governo federal alcança agora o maior número possível de veículos. Pelo mesmo custo, está falando melhor e mais diretamente com mais brasileiros. Acompanhando a diversificação que está ocorrendo nos meios de comunicação.

A circulação dos jornais tradicionais do eixo Rio-São Paulo-Brasília, por exemplo, está estagnada há mais de cinco anos, próxima dos 900 mil exemplares. No mesmo período, conforme o Instituto Verificador de Circulação, os jornais das outras capitais cresceram 41%, chegando a 1.630.883 exemplares em abril. As vendas dos jornais do interior subiram mais ainda: 61,7% (552.380). No caso dos jornais populares, a alta foi espetacular, de 121,4% (1.189.090 exemplares).

Por que deveríamos fechar os olhos para essas transformações? A Secom adota hoje o princípio da mídia técnica: a participação dos órgãos de comunicação na publicidade é proporcional à sua circulação ou audiência. Houve época em que eram comuns distorções, às vezes bastante acentuadas, a favor dos grupos mais fortes. Isso acabou.

Esses critérios técnicos, amplamente discutidos com o TCU e entidades do setor, têm favorecido a democratização, a transparência e a eficiência nos investimentos de publicidade do governo federal. Não há privilégios nem perseguições. Tampouco zonas de sombra. Muito menos compra de consciências.

É importante ressaltar ainda que a comunicação do governo não se dá principalmente pela publicidade. Esta apenas presta conta das ações mais importantes e consolida algumas ideias-força. O governo comunica-se com a sociedade basicamente por meio da imprensa, respondendo a perguntas, críticas e inquietações.

Para ter uma ideia, em 2008 o presidente Lula deu 182 entrevistas à imprensa, respondendo, em média, a 4,8 perguntas por dia, incluindo fins de semana e feriados. É pouco provável que exista um chefe de governo no mundo que tenha conversado tanto com a imprensa quanto o nosso. Atendendo a todo tipo de imprensa, pois não existe no Brasil só a imprensa do eixo Rio-São Paulo-Brasília. São várias, com percepções e interesses diferentes. Cada uma fazendo o jornalismo que lhe parece mais apropriado e se dirigindo ao público que conseguiu conquistar.

Exemplo: quando Lula lançou em São Paulo o atendimento em 30 minutos aos pedidos de aposentadoria no INSS, os grandes jornais não destacaram o fato. Mas o tema foi manchete de quase todos os jornais populares e diários das demais capitais. O que para uns foi nota de pé de página, para outros foi a notícia do dia.

Por tudo isso, temos que ficar atentos às mudanças na forma como os brasileiros se informam. O crescimento da internet é um fenômeno que abre extraordinárias possibilidades e lança imensos desafios. Não podemos fechar os olhos para a realidade: os jovens, cada vez mais, buscam informações nos portais, nos blogs e nas redes sociais da internet.

Por último, não se sustenta o raciocínio de que as altas taxas de aprovação do governo Lula teriam a ver com um arrastão de compra de jornais e rádios no interior. Basta recorrer ao último Datafolha, que atribui 67% de ótimo e bom para o governo federal nas regiões metropolitanas e 71% no interior. A diferença está situada dentro da margem de erro da pesquisa. Os números são praticamente os mesmos. O resto é preconceito.

O mais provável é que as altas taxas de aprovação do governo tenham uma explicação bem mais simples: a maioria da população está satisfeita com seu trabalho. É legítimo que aqueles que não concordam com tal percepção recorram à luta política para mudá-la. O debate faz parte da democracia. E faz bem a ela. Mas é necessário criar fantasmas?

* FRANKLIN MARTINS, jornalista, é ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República.

Professor colombiano é preso no México

Por Elaine Tavares - jornalista

Enquanto a mídia entreguista faz alarde sobre as ações de governos como de Hugo Chávez, na Venezuela, e Rafael Correa, no Equador, que se dispuseram a dar um freio ao sistema de propaganda promovido pela mídia comercial dos seus referidos países, praticamente nada fala da clara tendência fascista de países como México e Colômbia, que têm promovido impunemente o Terrorismo de Estado. Tanto no governo de Calderón como no de Uribe, o processo de criminalização dos movimentos sociais se agiganta, quando não ocorrem assassinatos e desaparições.

A última ação protagonizada pelos dois países envolve um estudante colombiano que fazia pós-graduação na UNAM, México: o sociólogo Miguel Angel Beltrán. Pois este jovem foi sumariamente preso e – em tempo recorde – deportado para a Colômbia sob a acusação de ter “ligações” com as FARC-EP e Raul Reyes, o líder guerrilheiro morto em uma ação orquestrada pelos Estados Unidos. Segundo autoridades mexicanas, as informações do “envolvimento” do sociólogo com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia foram prestadas pelo governo colombiano com quem o país tem estreita colaboração. Isso mostra o quanto o velho sistema inaugurado pelos Estados Unidos de espionagem e delação dos lutadores sociais continua mais vivo do que nunca. A doutrina da contra-insurgência inaugurada nos anos 60 para “caçar comunistas” segue a pleno vapor, passando inclusive por cima de todas as leis nacionais e internacionais. A criminalização das lutas sociais hoje é o substituto legítimo da caçada comunista dos tempos da guerra fria.

A prisão

A detenção - e deportação - de Miguel Angel se deu no momento em que ele foi renovar seus papéis no setor de migração. Segundo dirigentes do Instituto Nacional de Migração mexicano, a prisão se deu porque o sociólogo resistiu à expulsão. O que eles não disseram é que ao se apresentar com um advogado da UNAM para dar entrada aos trâmites de renovação do visto, no bairro de Polanco, Miguel foi imediatamente separado do profissional e levado para um bairro vizinho onde ficou sem forma alguma de comunicação, sem poder fazer sequer uma chamada telefônica, o que configura, no dizer da professora Raquel Sosa, orientadora do sociólogo na UNAM, “uma grave violação dos Direitos Humanos por parte dos governos de ambos os países”.

Todo esse trâmite se deu em poucas horas e no dia seguinte o sociólogo Miguel Angel já estava num avião rumo a Bogotá. E, ao contrário do que disseram as autoridades mexicanas, na Colômbia a polícia afirmava que a prisão tinha sido feita graças a “valiosa cooperação” que existe entre os dois países para coibir delitos. As acusações que pesam sobre o sociólogo são a de ser muito chegado a Raul Reyes e de administrar recursos para ações terroristas. As provas – dizem – estão no mui famoso computador que se salvou “por milagre” na ação em que acabou morto o líder das FARC.

Miguel Angel Beltrán é professor da Universidade Nacional da Colômbia e já havia feito seu doutorado no México com uma tese sobre o movimento de libertação nacional de Lázaro Cárdenas. Atualmente fazia um pós-doutorado enfocando a sucessão presidencial no México em 1933-1934. Estar afinado com as questões sociais e políticas da América Latina foi “a prova” apresentada de que o professor é perigoso e subversivo. Já para sua orientadora na UNAM, Miguel nada mais é do que uma pessoa totalmente dedicada à investigação acadêmica, não estando ligado a nenhuma atividade política.

As conseqüências

Não é de hoje que a imprensa internacional alternativa vem divulgando as ações de Terrorismo de Estado intensificadas pelo governo de Álvaro Uribe na Colômbia. Além da sistemática atuação dos grupos paramilitares e das milícias do narcotráfico contra camponeses e lideranças sociais, há um ataque metódico contra todo e qualquer pensamento crítico, o que torna os universitários e intelectuais figuras altamente “perigosas” para o regime de exceção deste país, ocupado pelos marines estadunidenses em parceria com a elite entreguista.

Segundo os colegas de Beltrán no México, o professor está sendo perseguido por ter tido um passado de luta no seu país. Quando jovem foi militante da União Patriótica, uma organização de esquerda praticamente exterminada nos anos 80 pelos governos-marionetes de plantão. Hoje, mesmo com a vida totalmente entregue aos estudos e ao ensino, o sociólogo segue sendo estigmatizado, tal qual outros intelectuais do país, sendo perseguido por sua visão crítica, acusado de terrorista. É que na Colômbia ocupada, qualquer um que não pense como o governo quer que pense, imediatamente é rotulado de terrorista.

Para quem não sabe, a luta anti-capitalista e pela libertação da Colômbia existe desde o início dos anos 50, quando vários grupos se armaram para defender a pátria jogada num caos político pela ação da direita, com o assassinato de Jorge Eliécer Gaitán, então candidato presidencial. Desde aí, o país vem sendo governado por governos títeres dos Estados Unidos que seguem a ferro e fogo a política de extermínio de qualquer dissidência crítica. Ainda assim, vários grupos insurgentes seguem resistindo, armados, numa luta que está longe do fim. A Colômbia hoje é um espaço geográfico estratégico na geopolítica estadunidense uma vez que faz fronteira com a Venezuela, o Equador e A Amazônia brasileira.

Não é sem razão que o governo de Álvaro Uribe segue a cartilha contra-insurgente dos Estados Unidos que tem como ponto principal a aniquilamento total do inimigo. E isso pressupõe não só a destruição política, mas da vida mesma. No primeiro mandato de Uribe a ação anti-insurgente ficou mais focada no movimento sindical e camponês. Agora, o ataque está sendo contra a universidade, contra os centros de pensamento crítico. O fato de Beltrán ter pautado suas investigações nos movimentos sociais latino-americanos e no próprio confronto armado da Colômbia o tornou um inimigo a ser destruído.

Resta agora ao movimento popular latino-americano iniciar mais uma cruzada em defesa do pensamento crítico e, mais, voltar os olhos para a Colômbia, tão perto e tão longe das preocupações solidárias.



Existe vida no Jornalismo

Blog da Elaine: www.eteia.blogspot.com

América Latina Livre - www.iela.ufsc.br

Desacato - www.desacato.info

Pobres & Nojentas - www.pobresenojentas.blogspot.com

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Declaração do Governo Revolucionário Cubano

Em ato de peculiar significado histórico, a OEA acaba de dar sepultura formal à vergonhosa resolução que, em 1962, excluiu Cuba do Sistema Interamericano.

Aquela decisão foi infame e ilegal, contrária aos próprios propósitos e princípios declarados na Carta da OEA. Foi, ao mesmo tempo, coerente com a trajetória dessa Organização; com o motivo pela qual foi criada, promovida e defendida pelos Estados Unidos. Foi conseqüente com seu papel como instrumento da hegemonia estadunidense no hemisfério, e com a capacidade de Washington de impor sua vontade sobre a América Latina, no momento histórico em que triunfa a Revolução Cubana.

Hoje, a região da América Latina e Caribe vive outra realidade. A decisão adotada na 39ª Assembléia Geral da OEA é fruto da vontade de governos mais comprometidos com seus povos, com os problemas reais da região e com um sentido de independência que infelizmente não prevalecia em 1962.

Cuba reconhece o mérito dos governos que se empenharam em apagar formalemente aquela resolução à qual esa reunião foi denominada de ''um cadáver insepulto''.

A decisão de deixar sem efeito a resolução VI da Oitava Reunião de Consulta de Ministros de Relações Exteriores da OEA constitui um desacato inquestionável à política seguida pelos Estados Unidos contra Cuba desde 1959. Persegue o propósito de reparar uma injustiça histórica e atende a uma reivindicação do povo de Cuba e dos povos da América Latina.

Apesar do consenso alcançado no último minuto, esta decisão se adota contra a vontade de Washington e frente às intensas gestões e pressões exercidas sobre os governos da região. Se impõe, assim, uma derrota ao imperialismo, utilizando seu próprio instrumento.

Cuba acolhe com esta satisfação esta expressão de soberania e cidadania, ao mesmo tempo em que agradece aos governos que, no espírito de solidariedade, independência e justiça, defenderam o direito de Cuba para voltar à Organização. Também compreende o desejo de libertar a OEA de um estigma que perdurou como símbolo do servilismo da instituição.

Cuba, contudo, ratifica, uma vez mais, que não regressará à OEA. Desde o triunfo da Revolução, a Organização dos Estados Americanos tem desempenhado um ativo papel a favor da política de hostilidade de Washington contra Cuba. Oficializou o bloqueio econômico, coordenou o embargo de armas e produtos energéticos e estipulou a obrigatoriedade de que os países-membros rompessem relações diplomáticas com nosso Estado revolucionário. Durante anos pretendeu, inclusive e apesar da exclusão estabelecida, manter Cuba sob sua competência e submetê-la a sua jurisdição e a seus órgãos especializados.
Se trata de uma Organização com um papel e uma trajetória que Cuba repudia. O povo cubano soube resistir às agressões e ao bloqueio, superar o isolamento diplomático, político e econômico, e enfrentar, por si só, sem amolecer, a agressividade persistente do império mais poderoso que já conheceu este planeta.

Nosso país hoje desfruta de relações diplomáticas com todos os países do hemisfério, exceto os Estados Unidos. Com a maioria deles desenvolve amplos vínculos de amizade e cooperação. Cuba, além disso, conquistou sua plena independência, e marcha irredutível até uma sociedade mais justa, eqüitativa e solidária.

Tem feito isso com supremo heroísmo e sacrifício e com a solidariedade dos povos da América. Compartilha valores que são contrários aos do capitalismo neoliberal e egoísta, que promove a OEA e se sente com o direito e a autoridade para dizer não à idéia de incorporar-se a um organismo sobre o qual os Estados Unidos exercem um controle opressivo. Os povos e os governos da região saberão compreender esta justa posição.

Hoje se pode entender com maior claridade que em 1962 que é a OEA que resulta incompatível com os desejos mais estimulantes dos povos da América Latina e do Caribe; que é incapaz de representar seus valores, seus interesses e suas verdadeiras ânsias de democracia; que não soube dar solução aos problemas de desigualdade, disparidade de riquezas, à corrupção, à ingerência estrangeira e à ação depredadora do grande capital transnacional.

Foi ela que calou ante os crimes mais horrendos, a que comunga com os interesses do imperialismo, a que conspira e subverte contra regimes genuínos e legitimamente constituídos, com demonstrado respaldo popular.

Os discursos e pronunciamentos de San Pedro Sula foram extremamente eloquentes. As críticas fundamentadas ao anacronismo da organização, a seu divórcio com a realidade continenteal e a sua trajetória infame não puderam deixar de serem atendidas.

As reclamações para que se ponha fim, de uma vez por todas, ao criminoso bloqueio econômico dos Estados Unidos contra Cuba refletem o crescente sentimento de todo o hemisfério. É com o espírito de independência, ali representado por muitos dos que falaram, que Cuba se sente identificada.

Os anseios de integração e concertação da América Latina e do Caribe são cada vez mais manifestados. Cuba participa ativamente e propõe continuar fazendo isso, nos mecanismos regionais representativos daquela que José Martí chamou de Nossa América, do Rio Bravo à Patagônia, incluindo o Caribe insular.

Fortalecer, expandir e harmonizar esses organismos a agrupações é o caminho escolhido por Cuba; não a peregrina ilusão de regressar a uma organização que não admite reforma e que já foi condenada pela história.

A resposta do povo de Cuba à ignominiosa Oitava Reunião de Consulta de Chanceleres da OEA foi a Segunda declaração de Havana, aprovada em Assembléia Popular no dia 4 de fevereiro de 1962, por mais de um milhão de cubanos na Praça da Revolução.

A declaração afirmava textualmente:

''... Com a dimensão que teve a epopéia de independência da América Latina, com o heoismo que teve aquela luta, a geração de latino-americanos de hoje é tocada por um epopéia maior e mais decisiva para a humanidade.

Porque aquela luta foi para livrar-se do poder colonial espanhol, de uma Espanha decadente, invadida pelo exército de Napoleão. Hoje, se coloca a luta de libertação frente à metrópole imperial mais poderosa do mundo, frente à força mais importante do sistema imperialista mundial e, para prestar à humanidade um serviço ainda maior do que prestaram nossos ante-passados.

''...Porque esta grande humanidade disse: ''Basta'' e pôs-se a andar. E sua marcha de gigantes já não será detida até conquistar a verdadeira independência, pela qual já morreram mais de uma vez inutilmente''.

Seremos leais a estas idéias, que permitiram ao nosso povo manter Cuba livre, soberana e independente.

Havana, 8 de junho de 2009

Saudação a Chuquisaca (Bolívia)

A ALIANÇA REVOLUCIONÁRIA ANTIIMPERIALISTA (ARA) saúda com grande emoção patriótica o bicentenário do pronunciamento revolucionário de 25 de Maio de 1809, no qual o povo de Chuquisaca [estado boliviano, cuja capital é Sucre] se manifestou claramente a favor da Independência da metrópole espanhola.

Para a Aliança esta é, ao mesmo tempo, a mostra de mais um episódio do amadurecimento dos ânimos independentistas que em 1780 e 1781 se manifestaram com as rebeliões de Tupac Katari e Tupac Amaru.

A Aliança considera que o povo boliviano não deve deixar-se levar por falsas discussões em torno à preferência das datas históricas das manifestações independentistas, na América Latina de hoje. É indiscutível que foi em Chuquisaca que se deu o primeiro grito das aspirações libertárias. Isso não significa que foi melhor ou maior que outras rebeliões em outras cidades. Em Chuquisaca se iniciou a guerra pela independência contra o colonialismo espanhol e de onde se estenderia a todo o espaço geográfico do que hoje é a América Latina e o Caribe.

O pronunciamento patriótico de Chuquisaca expressou, nas condições e circunstâncias imperantes, a ânsia de independência e liberdade. Neste desejo libertário não se pode ignorar a participação do povo simples e oprimido, da mulher chuquisaquenha, representada por Juana Azurduy de Padilla.

O pronunciamento de Charcas é também fruto das ideias da intelectualidade avançada, dos Zudañez, Monteagudo, Moreno e outros. Estas se articularam com as que amadureceram em outros confins e que depois retornaram gloriosamente à Bolivia com Bolívar, Sucre e os exércitos libertadores.

Se as ideias foram libertárias e avançadas, é de se lamentar que anos depois, os frutos das primeiras lutas, foram aproveitados por aqueles que herdaram o poder colonial, suas riquezas e seus privilégios. Esta é outra grande lição da história, que deve servir nas atuais circunstâncias que atravessam o país.

Como há mais de 180 anos, hoje há elementos que, opondo-se ao processo de mudanças e transformações antioligárquicas e antiimperialistas, distorcem a verdade histórica e pretendem inverter a roda da história.

Ao reiterar nossa calorosa saudação ao povo chuquisaquenho neste bicentenário de seu gesto libertário reafirmamos nossa convicção de que as ideias de liberdade, independência, democracia e desenvolvimento soberano de nossa Pátria, serão uma realidade e honrarão aos precursores.

La Paz, 25 de maio de 2009.

Comissão Social

Roberto Carranza

Coordenação Social

Alex Aranda

Movimiento Popular Endógeno

Edgardo Vásquez



Partido Comunista de Bolivia

Marcos Domich

Partido Comunista (MLM)

Jesús Taborga

Patria Socialista - Movimiento Guevarista

Lauraro Chanove

Partido Socialista

Fortunato Esquivel



CODEPANAL

Luis Nuñez




(tradução: Rodrigo Oliveira Fonseca)

Repressão sangrenta na Amazônica Peruana

Pelo julgamento internacional de Alan García Pérez e seu governo!

Dezenas de mortos! Precisamos realizar manifestações em frente às embaixadas peruanas de todos os países, em cumprimento ao acordo da IV Assembleia Continental dos Povos e Nacionalidades Indígenas de Abya Yala [América na língua maia]

O governo aprista de Alan García Pérez desatou uma repressão sangrenta na Amazônia Peruana na madrugada de hoje. As informações são confusas, não há números oficiais, mas sabemos que há entre dez e vinte os mortos em Bagua, zona de Corral Quemado e Curva del Diablo. Novamente se pretende impor a morte sobre a vida, o massacre sobre o diálogo. É a resposta ditatorial para os 56 dias de luta pacífica indígena e de supostos diálogos e negociações que terminam nas balas de sempre, as mesmas de mais de 500 anos de opressão.

Hoje mais que nunca é urgente cumprir o acordo da IV Assembleia Continental dos Povos e Nacionalidades Indígenas de Abya Yala (Puno, Peru, 27 a 31 de maio) e fazer efetiva a nossa solidariedade com os povos amazônicos peruanos, acampando em frente às embaixadas do Peru em todos os países, todos os dias, até que se detenha o banho de sangre e se revoguem os decretos legislativos do TLC [Tratado de Livre Comércio] com os Estados Unidos. Devemos impulsionar o julgamento internacional de Alan García Pérez e seu governo, por seu entreguismo e pela repressão que já soma, pelo menos, dez mortos.

Tudo isso ocorre poucas horas após o Congresso, em um ato desaforado de provocação, postergar novamente o debate sobre a revogação dos decretos legislativos favoráveis ao TLC, que facilitam a invasão dos territórios indígenas – no exato momento em que o Poder Executivo enviava novos e numerosos contingentes policiais para a Amazônia.

Chamamos as organizações indígenas, os movimentos sociais e organizações de direitos humanos de todo o mundo, a realizarem ações concretas: cartas ao governo peruano, ao Relator Especial das Nações Unidas para os Povos Indígenas, à Anistia Internacional, ao Survival International, aos ganhadores do Prêmio Nobel da Paz, à Comissão Interamericana de Direitos Humanos, à Organização Internacional do Trabalho (Convênio 169), para que enviem de imediato missões ao Peru, para deter esta violência e para que se respeitem os direitos indígenas.

Os organismos da ONU devem pronunciar-se com firmeza, somando-se à demanda apresentada pela presidenta do Fórum Permanente para as Questões Indígenas, Victoria Tauli, de que seja suspenso o estado de emergência, que não se use da repressão e que se cumpra com as normas internacionais que garantem o exercício dos direitos indígenas.

Basta de repressão!

Rovogação imediata dos decretos legislativos anti-indígenas do TLC!

Lima, 05 de junho de 2009

CAOI – Coordenação Andina de Organizações Indígenas

Bolivia, Ecuador, Perú, Colombia, Chile, Argentina

[tradução de Rodrigo Fonseca]

domingo, 7 de junho de 2009

CUBA NA OEA? PARA QUÊ?

Escrito por Atílio Boron

Fonte> www.correiodacidadania.com.br

Depois de 47 anos, a 39ª Assembléia Geral da OEA selou um acordo para revogar por unanimidade a exclusão de Cuba, aprovada em 1962. A resolução não impõe condições a Cuba, apesar de estabelecer mecanismos que deveriam ser postos em marcha no (improvável) caso de que Havana expresse seu desejo de retornar à OEA (como, ao final, não aceitou). A notícia dá espaço para diversas considerações.

Primeiro: a resolução é um sintoma das grandes mudanças que ocorreram no panorama sócio-político da América Latina e Caribe nos últimos anos e cujo signo distintivo é a persistente erosão da hegemonia norte-americana na região. A revogação daquela ignominiosa resolução imposta pela administração Kennedy revela a magnitude das transformações em curso e que a Casa Branca aceita rangendo os dentes.

Dessa forma se repara – se bem que tardia e parcialmente – uma decisão de manifesta imoralidade e que pesou como um intolerável fardo sobre a OEA e sobre os governos que, com seus votos, ou abstenções, facilitaram os planos do imperialismo norte-americano. Este, ao não mais poder derrotar militarmente a Revolução Cubana em Playa Girón, optou por erguer um ‘cordão sanitário’ para evitar que os fluidos emancipadores contagiassem os demais países da região. Intento que, por certo, fracassou espetacularmente.

Segundo: a debilitação de sua hegemonia não significa que os EUA renunciem a se apoderar, por outros meios, dos recursos e riquezas de nossos países ou a tratar de controlar nossos governos apelando a outros expedientes. Seria um erro imperdoável pensar que, devido a esta queda de sua capacidade de direcionamento político – e intelectual e moral ao mesmo tempo –, o imperialismo deporá suas armas e começará a se relacionar com os nossos países em pé de igualdade. Exatamente o contrário: ante o declínio de sua hegemonia, sua resposta foi nada menos que a reativação da 4ª. Frota, com o propósito de conseguir pela força o que no passado obtinha pela submissão ou cumplicidade dos governos da região. E Obama não emitiu o menor sinal de que pensa em mudar tal política.

Terceiro: Cuba, assim como os demais países de Nossa América, nada tem a fazer na OEA. Tal como assinalamos em inumeráveis oportunidades, essa instituição refletiu um momento especial na evolução do sistema interamericano: o da absoluta primazia dos Estados Unidos. Essa etapa foi superada e não tem volta atrás. A maturação da consciência política dos povos da região fez que mesmo os governos muito afinados com a Casa Branca não tivessem outra opção, a não ser enfrentar os Estados Unidos na condenação do bloqueio a Cuba e, em San Pedro Sula, revogar a decisão de 1962.

Diante de tal situação, a OEA está condenada por sua larga história de dócil instrumento do imperialismo: legitimou invasões, assassinatos políticos, magnicídios (alguns, como o de Orlando Letelier, perpetrados em Washington), golpes de Estado e campanhas de desestabilização de governos democráticos. Foi cega, surda e muda ante as atrocidades do "terrorismo de Estado" patrocinado pelos Estados Unidos e ante políticas criminosas como o Plano Condor. Quando, em maio de 2008, estourou a crise na Bolívia, o conflito foi rapidamente solucionado pelos países da América Latina sem que a OEA desempenhasse papel algum. Não fez falta. Não faz mais falta.

Quarto: o que realmente faz falta é fortalecer e tornar coerentes sem mais adiamentos os diversos projetos de integração dos países da América Latina e do Caribe, como a ALBA (Alternativa Bolivariana para as Américas) ou a Unasul, iniciativas distintas, mas que expressam a realidade contemporânea da região. A OEA, em compensação, é uma instituição irremediavelmente anacrônica e por isso mesmo inútil; representa um mundo que não existe mais, exceto nos delírios dos saudosos da Guerra Fria, e por isso não pode oferecer nenhuma contribuição para o enfrentamento dos desafios do nosso tempo. Depois de ter revogado a resolução de 1962, o órgão prestaria um grande um grande serviço à humanidade se decidisse se dissolver.


Atílio Boron é doutor em Ciência Política pela Universidade de Harvard e professor titular de Teoria Política na UBA (Universidade de Buenos Aires). É autor do livro "Império e Imperialismo. Uma leitura crítica de Michael Hardt e Antonio Negri", publicado pela editora CLACSO em 2002.



Website: http://www.atilioboron.com/

Trazido por Gabriel Brito, jornalista

sábado, 6 de junho de 2009

Insurreição Indígena Amazônica

Indígenas amazônicos não reconhecem a presidência de Alan García

Fonte: jornal Fuego Celeste (Peru)

"Sou humilde e orgulhoso, sinto e reclamo respeito, embaixo de mim, o cavalo; sobre mim, meu chapéu". Atahualpa Yupanqui. Coplas de Baguala.

Em uma conferência de imprensa realizada no dia 15 de maio de 2009, o presidente da Associação Interétnica de Desenvolvimento da Selva Peruana (AIDESEP), Alberto Pizango Chota, declarou que não reconhece a autoridade do presidente Alan García para violar a Constituição do Peru, com a promulgação de duas leis e sete decretos legislativos, que permitem o rastreamento e a exploração por capitalistas dos recursos naturais amazônicos em territórios das comunidades nativas, apropriando-se de suas terras sob diversos mecanismos – entre eles a concessão. Ademais, infringem o Convênio 169 da Organização Internacional do Trabalho, pelo qual o Estado deveria informar e consultar as comunidades quanto a convênios e contratos com empresas transnacionais e outras que desejem apropriar-se de territórios pertencentes aos nativos amazônicos. O Peru ratificou o Convênio 169 OIT em 1993 através da Resolução Legislativa nº 26253.

As leis e decretos legislativos foram elaborados por pessoas que desconhecem a realidade dos habitantes da selva peruana, foram promulgados abruptamente sem ter levado em conta a opinião das comunidades amazônicas, com o objetivo de adequar a normatividade peruana ao Tratado de Livre Comércio com os Estados Unidos, facilitar a espoliação dos recursos naturais por parte das transnacionais do petróleo, da madeira, e da indústria farmacêutica, apropriando-se do conhecimento ancestral em todos os campos, patrimônio destas comunidades.

Presidente, ministros e congressistas enganam as comunidades amazônicas.

"Eu perguntei à verdade e a verdade me mentiu. E se a verdade me mente em que posso fiar-me?". Atahualpa Yupanqui, Coplas de Baguala.

Desde o dia 9 de abril os povos amazônicos vêm paralisando as atividades na região, ocupando estradas e exigindo a supressão das leis e decretos mencionados. Nas manifestações e ocupações participam milhares de indígenas. Contra eles está o governo da aliança APRA-Fujimorismo-Unidade Nacional, que em resposta somente cogita declarar o Estado de Emergência nas regiões do oriente peruano. Se isto ocorrer, os direitos fundamentais das pessoas ficarão suspensos, o que será o primeiro passo para declarar ilegal a paralisação e logo desatar uma grande repressão, para a qual já deslocaram para o local milhares de policiais, soldados e comandos da marinha. Seguramente contarão com o apoio da base militar, instalada na região Ayacucho, do Comando Sul dos Estados Unidos.

As mesas de diálogo fracassaram por causa dos ouvidos surdos e os olhos cegos do presidente Alan García, fanático aprista [membro da conservadora Aliança Popular Revolucionária Americana] neoliberal. O primeiro ministro Yehude Simon, se seguir no ritmo que está, baterá o recorde de seu predecessor no cargo, o congressista Jorge del Castillo, em acordos descumpridos e viagens de turismo. E com sua submissão ao Executivo, os congressistas confirmaram que o Congresso da Sra. Susy Díaz não foi o pior da história do Peru. Tanto o Executivo como o Congresso responderam aos representantes da AIDESEP que não anularão os dispositivos legais em questão.

Cansados de esperar, os indígenas declararão seu próprio Estado de Emergência nos territórios de suas comunidades. As medidas que adotarão em conformidade com esse acordo são um mistério, mas os povos são sumamente criativos. As duras declarações de Pizango contra as petroleiras, madeireiras e mineradoras indicam que os indígenas não darão um passo atrás.

Entretanto, há que se alertar à comunidade nacional e internacional da possibilidade de um massacre na selva, ao estilo de outros países latino americanos.

Um desenvolvimento diferente

"O homem contemporâneo sente a imperiosa necessidade de um mito. O ceticismo é infecundo e o homem não se conforma com a infecundidade". José Carlos Mariátegui, La Chira. El alma matinal.

A conferência de imprensa das comunidades indígenas dos povos amazônicos não se limitou ao tema dos dispositivos ilegais; tocaram em assuntos além dos que eram esperados. Um deles é o do desenvolvimento. O pronunciamento da AIDESEP mostra-se muito mais avançado que a própria plataforma da CGTP [Confederação Geral dos trabalhadores do Peru] apresentada para a próxima Paralisação Nacional – uma organização que tem oitenta anos de existência e que deve convocar um Congresso Programático do sindicalismo peruano. Os povos indígenas têm se autoexcluído do modelo de desenvolvimento capitalista. Perguntavam aos jornalistas presentes e ao público nacional e internacional pontos que os colocam na vanguarda do movimento mundial: de que nos servem os telefones celulares, a televisão a cabo, a eletricidade, as estradas, um trabalho em uma transnacional, etc., se a exploração dos recursos naturais, o petróleo, a madeira, o ouro destroem o meio em que vivemos, nos tiram nossa dignidade, nossas terras, desintegram nossas famílias? Não estamos contra o desenvolvimento. Estamos contra esse tipo de desenvolvimento.

O amauta [sábio, em quéchua] José Carlos Mariátegui, analisando a alma da geração anterior à guerra, considerou que o bem-estar material, a potência física das cidades, haviam engendrado um respeito supersticioso pela ideia do Progresso. A humanidade parecia ter descoberto uma via definitiva. Conservadores e revolucionários aceitavam, na prática, as consequências das teses evolucionistas. A geração atual sente fanatismo e superstição pela ideia do desenvolvimento capitalista, pelas ideias de crescimento e democracia representativa. Mas além do Peru profundo, cruzando os Andes, na Amazônia, os povos selvagens – para os ocidentais – compreendem que o desenvolvimento capitalista somente traz desolação; estes povos o deixaram de venerar. Ou simplesmente, nunca o veneraram.

A humanidade está obrigada a fazer uma pausa, a entrar em um retiro espiritual, para repensar o caminho a seguir, para se fixar em novos objetivos, novas formas de organização social, se como espécie não quiser desaparecer. O capitalismo é culpado do desaparecimento de milhões de espécies. De 100% de espécies vivas que povoavam a terra somente resta 1%. É certo que nem todas foram extintas nos 400 anos de capitalismo; os períodos de extinção massiva natural são também responsáveis por uma alta porcentagem; mas somente na era do capitalismo é que os burgueses conscientemente buscam a exterminação de milhares de espécies com o intuito de obter lucros nas suas empresas – empresas estas que, por onde passam, não volta a crescer a vegetação. Conscientemente, os capitalistas conduzem a extinção de sua própria espécie, a humanidade.

Por freio à febre de lucro do capital para evitar a extinção da humanidade é a tarefa mais importante; o primeiro passo já deram os indígenas da selva peruana, que transformaram o sentido de indígena, assim como a história transformou os termos bárbaro e Atila.

(tradução de Rodrigo Oliveira Fonseca)

Vota Comunista!

Comunicado conjunto sobre as eleições ao Parlamento Europeu.

Os Partidos Comunistas e operários europeus emitiram um comunicado conjunto, chamando os cidadãos do velho continente, que escolherão o Novo Parlamento Europeu, a votar pelos candidatos comunistas.

Até 7 de Junho de 2009, os cidadãos europeus escolherão o novo Parlamento Europeu para a VIIª Legislatura, na maior eleição transnacional do mundo. São 27 Estados-membros nos quais existem 23 línguas oficiais.

A Europa possui uma população aproximada de 491 milhões de habitantes, dos quais 375 milhões são eleitores habilitados para votar nas próximas eleições; o aumento, a respeito das eleições anteriores, está calculado em 36 milhões de novos eleitores.

Nestas eleições do Parlamento Europeu, serão eleitos 751 ou 736 deputados, caso entre em vigor o Tratado de Lisboa ou não.

A seguir, publicamos o comunicado dos Partidos Comunistas e operários europeus, dirigido aos trabalhadores, autônomos, artesãos, pequenos agricultores, mulheres e jovens.

Trabalhadores, autônomos, artesãos, pequenos agricultores, mulheres e jovens.

Dirigimo-nos a vocês ante as eleições européias de 2009. Nos dirigimos aos trabalhadores e pequenos agricultores, sindicalistas, militantes do movimento pacifista, do movimento feminista, do movimento juvenil, militantes pelos direitos democráticos, pelas liberdades populares, da solidariedade internacional, militantes dos movimentos contra os tratados da UE e da OTAN.

Compartilhamos a visão de uma sociedade sem exploração do homem pelo homem, sem pobreza, injustiça social e nem guerras imperialistas. Confluímos nesta campanha a favor de uma Europa de prosperidade para o povo, de paz, de direitos sociais e democráticos, uma Europa que não tem nada a ver com a UE do capital e da guerra.

Vocês nos conhecem, podem confiar em nós. Compartilhamos lutas: greves e mobilizações contra a estratégia de Lisboa, pelo emprego com direitos, contra a privatização dos serviços públicos, pela educação e saúde públicas e gratuitas, contra as guerras imperialistas e a ocupação da Palestina, Iraque, Afeganistão e Iugoslávia. Estamos juntos nas lutas em defesa das liberdades democráticas e dos direitos dos imigrantes. Estivemos ombro a ombro nas manifestações da juventude, dos estudantes e nas mobilizações dos agricultores. Lutamos pela vitória do NÃO nos referendos que foram realizados na Irlanda, Holanda e França.

Dissemos a vocês a verdade sobre a crise econômica. Suas raízes se encontram na acumulação de riqueza nas mãos de poucos por meio da flagrante exploração dos muitos que são condenados à pobreza, à incerteza e à insegurança. A solução real para o povo deve ser buscada na confrontação com sua causa: a busca de benefícios, o próprio capitalismo e não algum tipo de gestão do mesmo. Não aceitem pagar a crise, vocês não são responsáveis pela mesma.

Lutem por tudo que lhes pertence, a satisfação de suas necessidades atuais segundo seu critério de progresso social. Não esperem soluções da UE, já que é parte do problema e coloca soluções que servem apenas à oligarquia.

A UE é uma opção do capital. Promove medidas a favor dos monopólios, da concentração e centralização do capital. Com o “Tratado de Lisboa”, suas características de bloco econômico, político e militar imperialista se fortaleceram contra os interesses dos trabalhadores e dos povos. Está se reforçando o armamentismo, o autoritarismo e a repressão estatal.

Em nome da “modernização”, da “competitividade” e da “empresa”, da “segurança”, se intensificam os ataques aos direitos trabalhistas e sindicais. O direito à greve está sendo solapado, assim como outras liberdades sindicais. A semana de trabalho aumenta e os salários se reduzem com o pretexto da crise para salvaguardar a rentabilidade do capital. A perspectiva de futuro para os trabalhadores é o trabalho sem direitos até a morte.

Está se configurando um cenário de pesadelo para os direitos trabalhistas, com o aumento da jornada de trabalho diária e das 65 horas semanais, junto com o aumento do subemprego, do desemprego e da insegurança. Com os ataques contra os salários, as pensões, com o prolongamento da idade para aposentadoria, com a separação do tempo de trabalho em ativo e não ativo, com subidas de preços, com a multiplicação dos acidentes de trabalho.

Com a rendição dos sistemas de educação, saúde e serviços sociais ao grande capital, com o desaparecimento dos pequenos e médios agricultores em benefício dos grandes agricultores e dos monopólios; com o aumento da repressão estatal, do anticomunismo, do racismo e da xenofobia, as primeiras vítimas da intensificação da exploração e da maior repressão são a juventude, as mulheres e os trabalhadores imigrantes.

A União Européia é um pilar da nova ordem imperialista, da globalização capitalista. Apóia o massacre de palestinos por Israel. Participa ativamente dnos planos de agressão contra os povos, especialmente contra os povos do Mediterrâneo, da África, do Oriente Médio e da América Latina. Participa da corrida armamentista, no estabelecimento do “escudo antimísseis” e no retorno ao dogma do ataque nuclear preventivo. Alinha-se com os EUA e a OTAN. O militarismo é intrínseco à sua estrutura.

Estes acontecimentos dão razão àquelas forças que resistiram ao Tratado de Maastricht, ao de Amsterdam e ao de Nice. Às forças que disseram NÃO aos tratados de Schengen e Prüm. Ontem não estávamos sós, hoje somos ainda mais numerosos. Três povos rejeitaram a “Constituição Européia”, o Tratado de Lisboa, e houve milhares de lutas operárias e juvenis por toda Europa contra as políticas da UE. Nossos partidos têm tido uma importante contribuição nesta luta. Não nos submetemos ao pensamento único. Contribuímos para manter vivas a esperança e a perspectiva.

Hoje os resultados das políticas que tem promovido a UE desde sua fundação são óbvios. Não existem soluções a favor dos povos sem o rechaço a Maastricht e às “quatro liberdades” estabelecidas pelo capital (“movimento” de capital, mercadorias, serviços e força de trabalho). Os trabalhadores adquiriram experiência. Nas eleições européias, não confiam nas forças que aprovaram e levaram a cabo políticas antipopulares e conservadoras.

Os direitos dos trabalhadores não têm nada a ver com que se complete um mercado interno unificado. As tradições democráticas e de ativismo, as liberdades populares, estão em completa contradição com o fortalecimento do mecanismo repressivo do qual “a ameaça terrorista” é pretexto, com as perseguições e encarceramentos de comunistas e outros ativistas, com a reabilitação do nazi-fascismo e a inaceitável situação que afeta os cidadãos de segunda na Lituânia, Estônia e Eslovênia.

Existe uma alternativa para os povos. Através das lutas dos povos se promove a possibilidade de outra Europa, de uma Europa de prosperidade para o povo, de progresso social, de direitos democráticos, de paz e socialismo. Os becos sem saída, as contradições, que no contexto da crise são aguçadas, as dificuldades que enfrenta a UE, são elementos que os povos devem aproveitar.

O fortalecimento da atual oposição popular às políticas antipopulares e desumanas da UE beneficia os trabalhadores. Assim, a luta diária se volta de forma mais efetiva para a defesa e ampliação dos direitos sociais e democráticos. A possibilidade de uma verdadeira solução alternativa estará mais próxima.

Lutemos por:

Trabalho fixo decente com plenos direitos trabalhistas. Por aumentos reais dos salários e das pensões.

Os povos devem ser os donos das riquezas naturais e dos setores estratégicos das economias de seus respectivos países.

Sistemas públicos e gratuitos de saúde e seguridade social. Pela redução da idade de aposentadoria e por aumentos reais nas pensões.

Por uma educação melhor, unificada e pública para todos.

Plenos direitos para os trabalhadores imigrantes.

Apoio ao pequeno e médio camponês; segurança alimentar.

Pela proteção real do meio ambiente, que se sacrifica em benefício do grande capital.

Direito de todo povo a escolher sua própria via de desenvolvimento. Este direito inclui o direito de desvinculação das múltiplas ataduras com a UE e a OTAN, assim como a opção socialista.

Paz, retirada de todas as bases de EUA-OTAN e desmantelamento da OTAN.

Contra o Euro-Exército.

Nenhuma participação em guerras e intervenções imperialistas.

Solidariedade com todos os povos que lutam.

Por um Estado palestino independente com capital em Jerusalém Oriental.

Por uma solução justa ao problema do Chipre.

Pela defesa de Cuba Socialista e a abolição da posição comum da UE para a mesma.



Votem pelas listas que apoiamos em cada país. Debilitemos as forças que apóiam e defendem a UE ­

Fortalecer o NÃO à UE dos monopólios e do militarismo.

Por uma Europa de prosperidade para o povo, de paz, justiça social e direitos democráticos, ao socialismo.

Partido dos trabalhadores.Bélgica.
Partido comunista. Bulgária.
Partido dos comunistas. Bulgária.
Partido comunista.Dinamarca.
Partido comunista.Eslováquia.
Partido comunista dos povos.Espanha.
Partido comunista. Estônia.
Partido comunista.Grã-Bretanha.
Partido comunista.Grécia.
Novo partido comunista. Holanda.
Partido dos trabalhadores comunistas.Hungria.
Partido comunista. Irlanda.
Partido dos trabalhadores. Irlanda.
Partido socialista. Letônia.
Partido socialista. Lituânia.
Partido socialista. Luxemburgo.
Partido comunista. Malta.
Partido comunista. Polônia.
Partido comunista português. Portugal.
Partido comunista. Romênia.
Partido comunista.Suécia.

Ameaças e perseguições Na Colômbia

* Informações de organismos do Estado servem de base para perseguir dirigentes de oposição e ativistas dos Direitos Humanos.
* Bogotá converteu-se no principal centro de deslocamentos forçados de pessoas, segundo informe de Codhes [Consultoria para os Direitos Humanos e o Deslocamento Forçado, entidade colombiana criada em 1992 para apoiar as vítimas do conflito armado].

Há um terrível recrudescimento das ameaças e perseguições por parte dos organismos oficiais e dos paramilitares, tanto em Bogotá como em outras regiões do país – denunciou o vereador do Polo Democrático Jaime Caycedo Turriago, respaldado em documentos de diversas organizações sociais e de estudantes das universidades públicas de Bogotá.

O caso mais recente foram as ameaças por escrito feitas a estudantes e professores da Universidade Nacional da Colômbia, sede Bogotá, distribuídas no dia 28 de abril, num texto assinado pelo grupo terrorista Bloco Central dos Paramilitares, formado por antigos membros do Bloco Centauros [unidade da organização paramilitar Autodefesas Unidas da Colômbia, supostamente desativada em 2005], que chama de guerrilheiros a uma longa lista de membros dessa comunidade acadêmica que, segundo o Bloco, foi obtida graças a “ações de Inteligência” que realizaram.

“Não me parece um simples acaso que este fato tenha ocorrido há apenas algumas semanas, quando o DAS [Departamento Administrativo de Segurança, principal órgão de informação do Estado colombiano] solicitou formalmente informações das universidades públicas, incluída aí a Universidade Nacional, tendo acesso à base de dados completa dos estudantes, professores e técnico-administrativos”, disse o vereador Caycedo Turriago.

Caycedo, que é também secretário geral do Partido Comunista Colombiano, ressaltou a grave situação que vêm enfrentando os dirigentes do Polo Democrático, os ativistas populares e os defensores dos direitos humanos em Caquetá, por conta de um informe de um organismo estatal de inteligência que os identifica como apoiadores da “frente amazônica das Farc”. “Entre eles estão dirigentes dos professores universitários, dirigentes políticos liberais e do Polo, ativistas dos direitos humanos e outras personalidades, seguindo a mesma linha da acusação presidencial contra a organização Colombianos pela Paz, e isso em plena etapa pré-eleitoral, visando bloquear o caminho da oposição”, disse com ênfase o vereador.

Expressou também sua grande preocupação com a notícia divulgada pela Codhes de que Bogotá passou a ocupar o desonroso primeiro lugar em relação ao número de pessoas deslocadas. “A cidade agora não é mais apenas o principal centro receptor de deslocados, mas é também, paradoxalmente, o que gera a maior quantidade de população deslocada, num movimento que não só se dá entre diversas regiões da mesma cidade, como também expulsa pessoas de outras regiões em função da perseguição de grupos ilegais, ou devido à terrível situação econômica que suportam as famílias que sofrem esta cruel realidade. Isto coincide plenamente com as denúncias que temos feito em relação ao crescimento da presença paramilitar em, no mínimo, metade das localidades de Bogotá”, assinalou o vereador do Polo Democrático.

“A isso somamos os tristemente célebres ‘falsos positivos’ [a partir do escândalo que estourou em 2008, em que o exército colombiano assassinou civis a sangue frio para apresentá-los como guerrilheiros mortos em combate], que em Bogotá têm provocado o desaparecimento e a morte de não menos de 16 jovens em situação de pobreza e desemprego; as ameaças diretas, pessoais e presenciais proferidas por paramilitares contra ativistas de Modep [Movimento pela Defesa dos Direitos do Povo]; a ameaça de morte contra Oscar Edgardo Duarte, dirigente sindical; as denúncias concretas contra o reitor da Universidade Industrial de Santander, Jaime Alberto Camacho Pico, de trabalhar como agente dos paramilitares para fornecer informações sobre os líderes estudantis, técnicos e docentes; o desterro forçado de vários dirigentes camponeses de regiões como Santander e Caquetá, que tiveram que deslocar-se para Bogotá para proteger suas vidas; e outros incontáveis atentados contra a liberdade, os direitos civis e de exercício da oposição contra um regime que se ocupa em proteger preferencialmente aos algozes, apresentando-os como heróis para justificar os seus crimes, e dando-lhes recursos econômicos para lhes proporcionar “decorosas condições de vida”, enquanto que as vítimas se revezam entre o medo, a miséria e a perseguição”, declarou Jaime Caycedo.

De acordo com o vereador, tanto a administração distrital como a sociedade em geral devem reforçar as medidas para garantir a vigência dos direitos civis. “A ‘segurança democrática’ de Álvaro Uribe está atentando contra a segurança civil e cidadã, uma vez que já se contam por mil os casos de gente comum que se vê obrigada a deixar suas propriedades e pertences, quando não a oferecer sua própria vida como consequência do respaldo aberto ou velado que a ‘segurança democrática’ dá àqueles que consideram o protesto popular e a oposição a Uribe algo que atenta contra a perpetuação deste regime desumano, que se mantém de costas ao drama que vivem as maiorias”, pontuou Jaime Caycedo.


* Jaime Caycedo é Secretário Geral do Partido Comunista Colombiano e Vereador em Bogotá, pela Frente Pólo Democrático


(tradução Rodrigo Oliveira Fonseca)

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Saudação do Comandante em Chefe das FARC-EP

Camaradas:

Ao celebrar 45 anos de resistência contra a agressão oligárquica e ao mesmo tempo de luta das FARC - EP pelo poder político que construa democracia com justiça social e soberania para avançar rumo ao Socialismo, faço-lhes chegar minha saudação bolivariana plena de otimismo e confiança no triunfo.

A heróica resistência que desenvolvemos desde o primeiro dia de luta guerrilheira em Marquetalia, forjou uma Organização sólida, definida em sua concepção revolucionária, séria, capaz de enfrentar as inúmeras ofensivas da reação guerrerista e sair delas fortalecida e convencida de que ante a violência, corrupção, indignidade e ausência de escrúpulos da classe dominante colombiana, o levante armado popular é a opção legítima.

Nossos persistentes esforços por encontrar saídas políticas benéficas para o conjunto da sociedade e, em primeiro lugar, para o povo colombiano, têm sido burlados sistematicamente pela oligarquia sanguinária, que só tem pretendido curvar nossa vontade e decisão de luta sem haver considerado jamais a possibilidade real de acordar saídas, distintas à guerra, que resolvam os grandes e graves problemas do país

Apesar disso, continuaremos lutando no espírito e a visão de Manuel e Jacobo, por forjar espaços de encontro com todos aqueles que como nós, estejam profundamente convencidos do transcendente que será construir cenários civilizados de diálogos cimentados no mútuo respeito e na perspectiva da convivência democrática de nossa sociedade.

A palavra de ordem é a Troca de prisioneiros de guerra, rechaçada sem fundamento válido algum pelo presidente Uribe que insiste na sua absurda e cega estratégia fascista e totalitária de PAZ ROMANA, que derrotaremos entre todos os que que consideramos viáveis as soluções políticas a serem aplicadas aos problemas estruturais do país.

Sua intransigência e falta de grandeza, tão aplaudida pelos militaristas de todos los matizes, leva-o a se atravessar na caprichosa e raivosa atitude de buscar impedir a libertação unilateral do cabo do exército, Pablo Emilio Moncayo, entretanto centenas de combates que diariamente se apresentam em todo o país, aumentam os riscos para os prisioneiros e são feitos prisioneiros mais militares, os quais gostaria o governo de esquecer para não reconhecer a existência do grave conflito social e armado que sofre nosso país.

Reafirmando os princípios revolucionários que sustentam a concepção e a prática das FARC - EP desde há 45 anos, assim como nossa decisão de chegar até as últimas conseqüências pela pátria democrática, justa e soberana pela qual lutamos, saúdo com sincero afeto neste aniversário, meus Camaradas do Secretariado, do Estado Maior Central, os Estados Maiores dos Blocos e Frentes, os integrantes dos Comandos Conjuntos, Comandos de Colunas, redes urbanas e Companhias, todas as guerrilheiras e guerrilheiros, milicianos e militantes do PC3, todo o Movimento Bolivariano, nossos amigos e apoios de dentro e for do país. A todos os convido a perseverar e incrementar os esforços e criatividade na luta diária, nas trincheiras, trilhas, veredas, cárceres, universidades, colégios, sindicatos, fábricas, bairros populares e cabildos indígenas, nas distintas reuniões dentro e fora do país, com governos amigos ou com organizações e movimentos políticos, nas assembléias,nas mobilizações populares, no alto das cordilheiras, nas zonas costeiras ou nas inclementes planícies de nossa geografia pátria, no posto de vigia ou na marcha, no cassino, na aula de estudo ou na dureza do ordem aberto, no tratamento de uma malária ou na recuperação de uma ferida, no pátio de formação, ou na expectante espera do inimigo em uma emboscada, no conhecimento perfeito do terreno, na procura do inimigo para assaltar-lo e vencer-lo, no cruze de nossos caudalosos rios, no rigor e a transparência de uma reunião de célula ou na intensidade do combate, em todo momento e ante qualquer situação, onde a luta tem-nos colocado e na responsabilidade que nos haja correspondido, os convido a agir com a firmeza, o caráter e a responsabilidade com as quais lutaram Manuel, Jacobo, Raúl, Nariño, Iván e todos aqueles que deram o melhor de si próprio por uma Colômbia Socialista. Evocar a Simón Trinidad, Iván Vargas, Sonia e todos os guerrilheiros presos no território nacional, como exemplo de valentia revolucionaria, até nas mais adversas circunstâncias.

Tanta propaganda oficial enganosa e espúria contra nós, tão intensa luta ideológica por desvirtuar nossa conduta é só resultado do ódio e o medo que professa a oligarquia aos interesses populares que representamos e, sua plena consciência, que as FARC - EP somos a verdadeira alternativa revolucionária. Porque hoje, mais do que nunca: " Manuel vive!”.

Pela Nova Colômbia, a Pátria Grande e o Socialismo!
Temos jurado vencer e venceremos!

Revolucionariamente,

Alfonso.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

45 ANOS DE LUTA PELA NOVA COLÔMBIA, A PÁTRIA GRANDE E O SOCIALISMO

Por Juan Leonel

Em 1945 termina a Segunda Guerra Mundial, planejada pelos monopólios capitalistas, para acabar com a nascente União Soviética e, também, fazer um novo reparto territorial e econômico do mundo, método mediante o qual solucionavam as crises econômicas que se apresentavam.

O sistema capitalista saiu mal livrado dessa contenda e essa guerra deixou Europa totalmente destruída. Sua infraestrutura, na qual tinham sido investidos milhões e milhões de dólares foi destruída. O Japão sofreu a destruição de Hiroshima e Nagazaqui, com dezenas de milhares de mortos e o efeito da radioatividades das primeiras bombas atômicas que explodiram sobre a terra, lançadas desnecessariamente pelos EUA.


O Fascismo foi derrotado, mas nenhuma nação ou povo carregou com maior responsabilidade, nem aportou semelhante cota de sangue e sacrifício como a União de Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), fator fundamental para a derrota do fascismo da Alemanha nazi.



Dos 52 milhões de mortos reportados oficialmente na Segunda Guerra Mundial, 27 milhões foram da União Soviética, dos quais 20 milhões eram civis. Dos 70 milhões de feridos, 40 milhões eram soviéticos, 140 mil povoados e cidades foram destruídas, o 70% da economia dessa nação ficou totalmente devastada, milhões de viúvas e órfãos, epidemias, enfermidades e fome sem precedentes, sofreu a Pátria de Lênin.

Aos quinze países que formavam a URSS somaram-se os países do Este européio, que foram liberados a medida que avançava o Exército Vermelho. O avanço a passo de gigante da Revolução Chinesa, que triunfou em 1949, deu passo à formação do Campo Socialista.

O Império estadunidense saiu fortalecido. O fato de não ter sido atingido nem sequer por uma bomba no seu território, preservando assim toda sua infraestrutura e, portanto, toda sua capacidade industrial e comercial, permitiu-lhe ficar à cabeça dos países desenvolvidos e liderar o sistema capitalista.

Terminada a Segunda Guerra o Império desenhou uma política destinada a impedir que o Socialismo e o Comunismo espalharam sua influência pelo mundo. O primeiro feito do Plano foi a reconstrução da Europa mediante o Plano Marshal, tendo ficado hipotecada e comprometida com seus supostos benfeitores. O segundo, consistiu em montar a contenção do Comunismo através da guerra fria que causou mortes, até no mesmo EUA, onde foram mortos os esposos Rosemberg, entre outros e, milhares e milhares no resto do mundo.

Na Colômbia era sucesso um movimento político e social muito importante. Milhares de operários, estudantes, camponeses e indígenas apoiavam o líder do Partido Liberal, Jorge Eliécer Gaitán, que sem ser socialista e menos ainda, comunista, defendia os interesses do povo em geral. Seu triunfo eleitoral era iminente e a única forma de barrar seu avanço seria matando-o, como efetivamente ocorreu.

Em 09 de abril às 13:30 horas de 1948 Juán Roa acabou com a vida do dirigente político. De imediato se produziu um levante popular sem par na história da Colômbia. Esse levante foi reprimido aos tiros. Não se sabe com certeza quantos morreram esse dia e os seguintes. Uns dizem que mil, outros que quinze mil. Qualquer seja o número, de todas formas aterroriza.

Quem deu a ordem de realizar esse magnicídio? Nesses dias se realizava a IX Conferência Panamericana, a qual fundou a Organização de Estados Americanos (OEA) e desenhou o plano da política anti-comunista para América Latina. Foram milhares e milhares os latino-americanos desaparecidos, assassinados, torturados, perseguidos, encarcerados, todos vítimas dessa macabra política.

O governo colombiano sem ter investigado absolutamente nada, sem fundamento algum jogou a culpa nas costas dos comunistas e, de imediato rompeu as relações com a URSS

Podemos ver a quem beneficiou a morte de Gaitán.

A OEA, organização espúria, nasceu em um mar de sangue do povo colombiano, pois de 1945 a 1953, segundo as estatísticas oficiais, a violência deixou trezentos mil colombianos mortos. Não houve um só investigado, nem detido, julgado e encarcerado por esse genocídio. A CIA que desclassifica documentos a cada dez anos, ainda não tem feito isso com os referentes à morte de Gaitán, ocorrida há mais de mio século.

Em meio desse massacre nasce a insurgência colombiana, que inicialmente tinha como objetivo a defesa da vida e depois, no fragor da luta desenha seu projeto político que leva em conta os interesses mais sentidos dos colombianos.

Em 1953 o movimento guerrilheiro era muito forte e tinha condições para derrubar o governo conservador de Roberto Hurdaneta Arbeláez, mas a oligarquia, que é muito esperta, deu um golpe militar encabeçado pelo General Gustavo Rojas Pinilla. Ele chamou os guerrilheiros a depor as armas, com o qual desmobilizou milhares de insurgentes e conseguiu, ainda, converte-los em perseguidores dos que não aceitaram a desmobilização e eram acusados de serem comunistas.

Rojas Pinilla persegue estudantes, operários, camponeses, declara ilegal o Partido Comunista, cumprindo cabalmente as diretrizes da OEA. Esse General foi deposto em 1957 pela mesma oligarquia que o levou à presidência.

Em 1959 triunfa a Revolução cubana e o Imperialismo decide que de jeito nenhum deixaria surgir outra revolução desse tipo em América Latina. É quando elabora o Plano LASSO e manda que o governo colombiano extermine todos os guerrilheiros que continuassem na ativa liderando organizações populares. Por isso, no Congresso o 'inefável' senador Álvaro Gómez Hurtado apresenta um projeto de lei propondo que sejam atacadas as "Repúblicas Independentes" de Marquetalia, Riochiquito, El Pato e Guayabero.

No ano de 1964 foi deflagrada a agressão militar contra Marquetalia. Mais uma vez o Império e a oligarquia erram. Os guerrilheiros se converteram em heróis dos camponeses e em paradigma dos operários e estudantes.

Não lograram aniquilar os antigos guerrilheiros, pelo contrário, nasceram outros movimentos como o Exército de Liberação Nacional (ELN), o Exército Popular de Liberação (EPL) e outros grupos desaparecidos já.

As FARC-EP fazem seu 45 aniversário com um boletim de vitória, porque de 48 homens e duas mulheres que integraram o pequeno Exército marquetaliano passaram a serem já, milhares de mulheres e homens de armas na mão nas trincheiras bolivarianas lutando contra o regime oligárquico e pro-imperialista, que tem na chefia do governo o fascista e narcoparamilitar Álvaro Uribe Vélez

Essa organização guerrilheira, presente política e militarmente em todas as regiões do país é indestrutível porque recebe o apoio de importantes parcelas de camponeses, operários, estudantes e de milhares de compatriotas que repudiam o regime oligárquico colombiano e lutam pela Nova Colômbia.

Os Planos Colômbia e Patriota financiados e executados pelo Pentágono e a oligarquia colombiana, não têm podido enfraquecer a vontade de luta das guerreiras e guerreiros das FARC-EP que atualmente dando cumprimento ao Plano Militar, realizam centenas de combates causando ao exército 297 mortes e deixando-lhe 340 feridos, por enquanto.

Com seu acionar derrubam o triunfalismo de Uribe que soa mais a desespero por não poder acabar com esses "terroristas" e a engano da opinião nacional e internacional, pois o desejo do Imperio e da oligarquia colombiana de derrotar a guerrilha não tem passado disso: de um desejo.

Denunciemos com força o assassinato de milhares de dirigentes políticos de esquerda, a morte de 2700 líderes sindicais, o massacre de 1700 indígenas, a execução extra-judicial de 1500 jovens que são enganados com oferecimento de emprego, levados para regiões afastadas, assassinados e depois apresentados como guerrilheiros mortos em combate, para cobrar recompensas que paga o governo aos assassinos.

Condenemos o deslocamento forçado de quatro milhões de colombianos, que foram obrigados a deixar suas parcelas, sua vereda, o município, o Departamento ou o país.

Exijamos a libertação de milhares de presos que estão nos cárceres do regime colombiano e a repatriação de centenas de presos extraditados para EUA, entre eles Simón Trinidad (Ricardo Ovidio Palmeira), Sonia (Nayibe Rojas) e Iván Vargas.

Trabalhemos pelo Intercâmbio Humanitário e a solução política do conflito social e armado.

Lutemos pela Nova Colômbia, a Pátria Grande e o Socialismo.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

O fascismo na Colômbia tem rosto

Por Johnson Bastidas.

Fonte: aporrea.org

“Mas sim posso-lhe dizer que a grande maioria de nós apoiamos Uribe porque recebemos instruções dos comandantes e assim foi feito em todos os Departamentos do bloco norte. Como o discurso ideológico de Uribe parecia uma xérox do nosso, mas dentro de a legalidade, apoiamos-lo imediatamente.” Salvatore Mancuso, 29.05.2009 Revista Câmbio, de Bogotá..

O fascismo já não oculta seu rosto na Colômbia. Quando um poeta, um jornalista ou um colunista de opinião ou acadêmico tornam-se perigosos para o regime, por emitirem uma crítica ou um ponto de vista diferente do que tem o regime, isso chama-se em qualquer idioma: fascismo.

Na Colômbia, os princípios básicos do fascismo se impõem na prática cotidiana do exercício do poder político, econômico e militar do regime colombiano.

O chefe

O fascismo, pelas suas características necessita de um líder, de um chefe (Duce/Fürher) que se apresenta como a fusão 'líder-povo'. O líder do fascismo crioulo é Álvaro Uribe Vélez. Mas, devemos dizer-lo com clareza, o fascismo crioulo não se esgota na figura do narcopresidente. Uribe sintetiza esses princípios e os representa, mas é só um instrumento para materializar esse projeto fascista de poder. Desde o Palácio Presidencial, ninguém assume o trabalho de desmentir ou de ocultar os princípios básicos desse projeto. Ao contrário, o justificam com toda sorte de sofismas e cortinas de fumaça para legitimar-lo com a idéia de que Álvaro Uribe, sem dúvida, é o homem para salvar a Colômbia.

A oligarquia colombiana portadora do fascismo nos veicula cotidianamente a idéia de um Uribe portador de certos valores nacionais que sintetizam supostamente nossa identidade, como si fosse nosso salvador, um homem corajoso que enfrenta os problemas, um verdadeiro patriota. Esses elementos são reforçados pelo trio tradição, família e propriedade. As fotos que ilustram essas atitudes sacras do fascismo crioulo são: Uribe de joelhos rezando; Uribe rodeado de seus filhos; Uribe com seu tom paternalista nos conselhos comunitários e, Uribe berrando em defesa de sua missão sagrada.

Com esse cardápio a disposição, o governo necessita criar ou inventar um inimigo constante para justificar sua existência: Esse inimigo é a insurgência colombiana, especialmente as FARC-EP. Para o fascismo não existe a luta de classes, só existem os inimigos específicos, reais ou imaginários. Esse cardápio precisa que seja transmitida diariamente a idéia de que a guerra está se ganhando; que a popularidade do chefe está nas alturas; que os boletins de guerra que são em sua maioria uma vergonhosa mentira, falem da derrota constante da insurgência, tantos dados de baixa, tantos desmobilizados, tantos desertados, tantos, tantos, que somados todos se traduziriam no fim da insurgência. Isso explica como cada dia pesquisas encomendadas nos lembram, manhã, tarde e noite, aquele 80% de popularidade de Uribe. E aumenta, na medida em que os escândalos da corrupção do regime aparecem, pois são apresentados pela propaganda oficial como montagens da oposição política, ou dos inimigos da nação. O líder é apresentado como um pro-homem da pátria, cujas estátuas estarão até nas praças dos vilarejos mais afastados do país. Toda crítica contra o chefe é um delito contra a nação.

Essa é a estética da segurança democrática na Colômbia, instrumentada com a motoserra e os fornos crematórios para substituir as covas comuns, os cocodrilhos famintos e a extração do aparato digestivo, para que o corpo não bóie nas águas dos rios e ninguém possa encontrar-lo. Assim , surge o medo como a cala da noite e junto como ele, o terror.

No fascismo desaparece a divisão e a independência dos poderes.

O chefe, quem representa o poder, o “Estado sou eu” “o poder judiciário sou eu” “a Corte Suprema sou eu” “o Promotor sou eu” o Procurador sou eu” “o banco emissor sou eu”. Todo se inicia e termina no chefe, menos as responsabilidades. Em um regime fascista a Corte Suprema, ou melhor, o Poder Judiciário é um sub-conjunto do Poder Executivo. O Estado se apropria da sociedade em seu conjunto e para isso, controla os meios. Isto explica o porque da escolha de um medíocre como vice-presidente, porque cumpre duas funções, primeiro, não opaca o chefe, e segundo, sirve de correia de transmissão ante a oligarquia que controla a informação. “O Estado sou” tem o um exército oficial e outro exército paramilitar privado, a sue serviço, controla a inteligência do Estado para que não se movimente uma só folha sem que ele saiba.

Os delitos de opinião

Para o fascismo o povo não tem consciência de se próprio porque o chefe é sua consciência. Toda opinião contrária é subsersiva por contradizer a verdade feita verbo da autoridade suprema. A liberdade de consciência não existe, todo pensamento é castrado. Um poeta, um pintor, alguém que faça teatro, um professor, um colunista, em geral, os intelectuais e os operários, os camponeses, os negros e indígenas, são todos terroristas em potência, se são capazes de refletir e não simplesmente engolir. Ninguém tem direito de pensar em voz alta, menos ainda, de atuar. É tão perigoso um lápis quanto um fuzil, um jogo de fantoches é tão perigoso quanto uma emboscada, una greve é tão perigosa quanto um artigo jornalístico, um poema é tão perigoso quanto uma guerrilha. A liberdade política consiste em apoiar o fascismo crioulo, quem não faz isso é traidor, apátrida, terrorista. Se impõe o pensamento único comandado pelo partido-chefe. Os outros nada são.

A definição que melhor define o fascismo colombiano é que sua característica clássica é seu método de análise ou estratégia de difusão de julgar sistematicamente as pessoas de esquerda, não pelos seus fatos individuais, mas por pertencerem a um grupo (a esquerda é igual à insurgência, os sindicatos igual à insurgência, um magistrado crítico es um guerrilheiro infiltrado, um professor crítico é igual a um insurgente].

Não ocorre o mesmo com os membros da direita. Nesse caso as responsabilidades são individuais, o Ministro do Interior e Justiça não tem a culpa de ter um irmão paramilitar. O presidente não é responsável das barbaridades cometidas pelo Departamento Administrativo de Segurança (DAS), mas se apropria dos atos positivos desse organismo de inteligência. O presidente não é responsável pelas execuções extrajudiciais, mal chamadas 'falsos positivos', mas com eles vá ganhando supostamente a guerra.

O fascismo cava sua própria tumba

O fascismo radica seu poder no terror que impõe e esse mesmo terror constrói tumba. Enquanto elimina o outro, o fascismo espalha a idéia de um 'nós'. As idéias dominantes são as idéias da classe dominante; ou a classe dominante faz ver seus interesses particulares como se fossem interesses gerais. Colômbia somos todos, mas não os opositores.

Por isso, são controladas todas as instituições para governar sem oposição política, sem controle jurídico e adaptando a Constituição e as leis à imagem e semelhança de seu apetite de poder. O fascismo utiliza o terror de Estado para silenciar a crítica. A motoserra dá conta de centenas de vítimas, os desaparecidos se contam por milhares já que os fornos crematórios dão conta deles. A propaganda faz que a realidade pareça um sofisma e que o horror pareça mentira diante o coro da vitoriosa nação.

Trata-se da invenção de outra realidade. A resistência do povo colombiano não aparece nos meios oficiais, é invisível para o pensamento único imposto. Mas, essa resistência real constrói-se aos poucos, é como uma peça de artesanato que vá tomando forma corpórea ao nascer de várias mãos, forma corpórea invisível, sim, mas real para que o fascismo não passe.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Colômbia: rumo a um Estado paramilitar?

Por Javier Darío Restrepo

(IPS) - Visivelmente indignado, o ex-presidente colombiano César Gaviria (1990-1994) denunciou esta semana o que chamou um artigo "monstruoso" do projeto de reforma política que se discute no Congresso legislativo.


É "o artigo quatro, que habilita os chefes paramilitares para serem escolhidos para cargos de eleição popular, para fazer contratos com o Estado e para serem empregados públicos. Aquilo que foi derrubado pela Corte Constitucional e a Lei de Justiça e Paz, agora o pretendem converter em uma consagração constitucional", disse Gaviria, atual chefe do opositor Partido Liberal.

Não é a primeira vez que essas bandas armadas figuram com privilégio nas iniciativas do governo da Colômbia. Uma vez empossado, Álvaro Uribe propus em 2002 ao Congresso o indulto geral dos paramilitares e uma representação parlamentar direta para eles.

No seu segundo período de governo, iniciado em 2006, quando acabava de explodir o escândalo dos políticos favorecidos eleitoralmente pela pressão dos paramilitares --os parapolíticos--, o presidente propus medidas para tirar do cárcere os congressistas presos.

Em um informe difundido sob título "Ad portas do Ubérrimo" --nome da fazenda da família Uribe-- os investigadores Iván Cepeda e Jorge Rojas encontraram antecedentes mais remotos desse favor na licença que Uribe havia concedido, quando era governador do Departamento de Antioquia, à cooperativa de segurança privada Convivir Horizonte, a pedido do paramilitar Salvatore Mancuso em 1996, "quando já havia realizado 10 massacres", anotam os autores.

Em esse mesmo ano, o governador pediu a legalização de armas de largo alcance para as Convivir, umas organizações paramilitares que os fazendeiros criaram para proteger suas terras, gados, e suas vidas ameaçadas pela presença da guerrilha perto de seus grandes latifúndios nos Departamentos de Antioquia e Córdoba.

Uribe governou Antioquia entre 1995 e 1997. Foi manifesta a mútua admiração entre o governador e os líderes dessas organizações, que segundo o mandatário regional constituíam "um modelo transparente", e "um grupo de apoio para as forças militares".

Por sua parte, observam Cepeda e Rojas, "Mancuso não ocultava sua admiração. 'Uribe tem mantido um discurso firme', salientava. Carlos Castaño (também líder dos paramilitares) dizia que Uribe "é o homem mais próximo da nossa filosofia".

Essa proximidade manifestou-se publicamente em três ocasiões, e nestes dias têm adquirido especial relevância.

A primeira foi a homenagem que Uribe promoveu para honrar o general Rito Alejo del Río, chamado "o pacificador de Urabá" e atualmente processado por seus vínculos com os grupos paramilitares dessa região da costa norte do país. Nessa homenagem, celebrada em Bogotá, Uribe foi o orador principal.

Também foi o palestrante principal na homenagem que os pecuaristas de Córdoba organizaram para homenagear o líder de seu grêmio, Rodrigo García Caicedo, conhecido como da entranha dos irmãos Castaño e expoente da doutrina das auto-defesas.

A celebração dos 10 anos do jornal El Meridiano, de Córdoba, é lembrado como outro antecedente dessa proximidade, por quanto seus proprietários figuram na lista dos financiadores das Auto-defesas de Córdoba (AUC) registrados em documento da Promotoria. A presencia e a intervenção de Uribe foram amplamente relatadas nas páginas desse jornal.

Por conta dessa proximidade com os paramilitares se apresentou o episódio desgastante para o governador Uribe, do assassinato do advogado Jesús María Valle. Dias antes, o governador tinha-lo qualificado em uma intervenção pública como "inimigo das Forças Armadas".

Valle havia denunciado, em sua qualidade de Defensor do Povo, a aliança paramilitares-exército na chacina de 19 pessoas, cometida no município de Ituango em 1997. A relação entre a afirmação pública de Uribe contra Valle e seu assassinato, destacada pelo jornal El Colombiano, foi motivo de um intenso intercâmbio de cartas de reclamo do governador e de explicações do jornal.

Ao concluir seu mandato como governador e iniciar sua campanha presidencial, Uribe nomeou como assessor de assuntos de segurança ao general Del Río, hoje detido; nomeou como tesoureiro de sua campanha em Córdoba a Roger Taboada, hoje com ordem de captura, e incluiu entre a equipe de sua campanha a José María Maroso, hoje acusado ante a Promotoria como financiador das AUC.

Vinte dos amigos de Uribe na campanha resultaram serem assinantes do pacto de Ralito, iniciativa dos paramilitares, e hoje estão acusados de aliança com esses grupos armados de extrema direita, de forma geral vinculados ao narcotráfico.

O pacto secreto de Ralito foi assinado em 2001 entre chefes paramilitares e mais de 50 dirigentes políticos com o fim de "refundar o país".

A medida que o ministro del Interior, Fabio Valencia Cossio, defendia o questionado artigo quatro do projeto de reforma política, todo esse monte de alianças e proximidades com os paramilitares aparecia como una explicação desse novo intento de favorecimento.

É uma evidencia histórica confirmada pelos dados que a Corte Suprema de Justiça e a Promotoria oferecem em cifras reveladoras. Segundo eles, dos mais de 80 parlamentares implicados nos processos por "parapolítica", 60, ou seja, quase o 80%, são aliados do governo. De aprovar-se a discutida proposta, eles seriam os primeiros beneficiados.

Dentro de uma pragmática lógica política, podem ser favorecidos para impedir que seus gabinetes fiquem vazios.

Segundo o comentarista Rodolfo Arango e com base em dados oficiais, "o total de votos uribistas comprometidos com a parapolítica parlamentar e hoje judicializada ascende a 2.324.751".

O seu interesse consiste em conservar esses votos, decisivos para manter ativa e dominante a maioria uribista no Congresso.

Porém, a final, o artigo foi retirado do projeto de reforma política, em parte pelo rechaço da opinião pública. A polêmica criada reavivou a preocupante sensação de que, passo a passo, está sendo construído um Estado paramilitar na Colômbia.(FIN/2009)

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Novas arbitrariedades de Álvaro Uribe

Por Fernando Acosta Riberos
Fonte: www.aporrea.org



A detenção de Miguel Ángel Beltrán Villegas, professor da Universidade Nacional de Colômbia, no passada Sexta Feira, 22 de maio, na Cidade de México e, sua deportação para Bogotá, onde foi acusado pelas autoridades de ser um narcoterrorista vinculado às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, é uma nova arbitrariedade realizada pelo governo de Álvaro Uribe Vélez, presidente vinculado a organizações do narcotráfico e promotor do paramilitarismo desde 1996, quando se desempenhava como governador do departamento de Antioquia.

Em contraste com as acusações do governo colombiano contra o sociólogo Miguel Ángel Beltrán Villegas, com mestrado e doutorado, um grupo de colegas seus, entre os quais se encontram Juán Guillermo Gómez García, filósofo, crítico literário e professor da Universidade de Antioquia; Rocío Londoño Botero, socióloga e professora da Universidade Nacional de Colômbia e José Hernán Castilla, prestigioso advogado na pátria de Camilo Torres Restrepo, publicaram na Terça Feira, 26 de maio, uma carta-comunicado na Web do Pólo Democrático Alternativo, na qual expressam sua simpatia pelo seu amigo.

“Miguel Ángel Beltrán é um ser moral integral. Seu trato sempre respeitoso como colega, sempre compreensivo, sempre com espírito de colaboração, despertam imediatamente a simpatia e o respeito. Sua discrição é a nota distintiva de respeito e companherismo. Miguel Ángel como lhe conhecemos e tratamos seus colegas, é um homem sincero, reservado, dotado de uma natureza bondosa, que se nos representa como certos homens morais, de indeclinável caráter, de fé na melhora da sociedade e seu entorno universitário. Miguel Ángel encarna uma tradição de intelectuais que optam por uma sociedade eqüitativa para Colômbia”, destacam os acadêmicos e alunos do cidadão colombiano deportado desde México recentemente.

Duas prestigiosas instituições de nossa América: a Universidade Nacional Autônoma de México (UNAM) e a Universidade Nacional de Colômbia, cuja sede principal está em Bogotá, têm solicitado, respeitosamente, ao Instituto Nacional de Migração de México, dependência da Secretaria de Governação, aclare por que foi detido o acadêmico colombiano, quem está vinculado à UNAM e também tem realizado estudos em instituições como a Faculdade Latino-americana de Ciências Sociais (FLACSO) na capital mexicana.

As Casas de Estudos Superiores dos dois países (Colômbia e México) recordaram que em suas instituições se respeita a diversidade de pensamentos. Afirmaram que as autoridades migratórias em Bogotá e na Cidade de México, outorgaram as permissões correspondentes de saída e ingresso ao doutor Miguel Ángel Beltrán Villegas, quem havia referendado e múltiplas ocasiões sua forma migratória, conhecida como FM-3, documento indispensável para os estrangeiros que desenvolvem atividades acadêmicas e também trabalham em território mexicano.

O proceder de Miguel Ángel Beltrán Villegas tem sido legal e transparente. Contrasta com o estilo arbitrário utilizado pelo governo de Álvaro Uribe Vélez, acostumado a utilizar a chantagem e a força, através de militares e paramilitares, que continuam desalojando, massacrando, perseguindo e torturando moradores das regiões rurais colombianas e, incluso, invadindo nações irmãs e vizinhas , como Equador e Venezuela Bolivariana. Em nome da "segurança democrática", o governo de Uribe desenvolve um plano de intimidação e extermínio.

Uribe Vélez, chefe de um governo autoritário e mafioso, tem cúmplices no exterior para realizar suas falcatruas. Entre seus aliados se encontra o governo espúrio de México que usando armadilhas deteve o mestre Miguel Ángel Beltrán e o entregou aos criminais e torturadores colombianos, quem têm ameaçado de morte a dirigentes estudantis, líderes sindicais, intelectuais independentes, políticos de centro esquerda e de esquerda que se opõem a um regime de barbárie mantido pelos iníquos representantes da oligarquia e porta-vozes do império estadunidense desde 1948.

O lamentável episódio e os atropelos cometidos pelos governos de Colômbia e México ontra Miguel Ángel Beltrán Villegas põem em alerta de novo os promotores de Direitos Humanos nos dois países, para vigiar e denunciar as arbitrariedades que cotidianamente realizam autoridades mafiosas, assustadas pela insatisfação de seus povos e inimigas dos câmbios democráticos que se realizam em Bolívia, Equador e Venezuela Bolivariana, onde as maiorias impulsionam projetos progressistas em beneficio dos trabalhadores.

Um informe de Anistia Internacional divulgado em Londres na Quinta feira, 28 de maio expressa que a população é a principal vítima do conflito armado na Colômbia. Aumentam os deslocamentos internos, os homicídios de sindicalistas e surgem novas ameaças de grupos de extrema direita contra os defensores de Direitos Humanos. Anistia recordou o caso ocorrido dois anos atrás, no município de Soacha, Departamento de Cundinamarca, onde dezenas de jovens assassinados pelos corpos de segurança do Estado foram apresentados perante a opinião pública como “guerrilheiros mortos em combate”.

No entanto, as oligarquias dos diferentes países de nossa América felicitam ao presidente Álvaro Uribe por “defender com coragem a democracia”. O mandatário se prepara para sua segunda reeleição. Seus aliados têm proposto a realização de um referendo que lhe permitiria pleitiar um terceiro período de governo (2010-2014). Haveria que gastar 112 mil milhões de pesos do erário público para realizar dito referendo e autorizar ao tirano Uribe Vélez a continuação de novas arbitrariedades e crimes em nome da “segurança democrática”.

Segundo pesquisas realizadas pelos donos dos meios de comunicação colombianos, que com honrosas exceções, se sentem amos e donos do país, Uribe Vélez goza de uma popularidade de quase o 70%. Elas não manifestam que não levam em conta a opinião dos milhões de desempregados e desalojados. Nelas não participam educadores, familiares de presos políticos, líderes sindicais, jornalistas independentes ou sociólogos como o doutor Miguel Ángel Beltrán Villegas, cidadão honesto patriota.