"A LUTA DE UM POVO, UM POVO EM LUTA!"

Agência de Notícias Nova Colômbia (em espanhol)

Este material pode ser reproduzido livremente, desde que citada a fonte.

A violência do Governo Colombiano não soluciona os problemas do Povo, especialmente os problemas dos camponeses.

Pelo contrário, os agrava.


sexta-feira, 8 de junho de 2012

Colômbia, o país com mais sindicalistas mortos em 2011

Pelo menos 76 pessoas foram assassinadas no mundo por suas atividades sindicais, delas 29 na Colômbia, revelou a Confederação Sindical Internacional [CSI] num informe divulgado nesta terça-feira. Mais da metade do total dos decessos ocorreram na América Latina, onde, além da Colômbia, a Guatemala [com 10 mortes] se converteu na nação mais perigosa para os sindicalistas. “Somente na América Latina se registraram 56 assassinatos, crimes cometidos com a mais absoluta impunidade”, assinalou o informe, que, ademais, advertiu que “o grupo mais vulnerável é constituído pelos cerca de 100 milhões de trabalhadores e trabalhadoras domésticos que há no mundo inteiro, muitas vezes mulheres jovens e migrantes que apenas conhecem seus direitos e não dispõem de nenhum meio para defendê-los, sofrendo umas condições opressoras e inclusive violentas”.

Segundo a secretária-geral da CSI, a australiana Sharan Burrow, “2011 foi um ano de enormes mudanças, com a Primavera Árabe anunciando novas oportunidades e novos desafios. Os sindicatos se viram reprimidos com mais dureza no Oriente Médio e no Norte da África, mais que em nenhum outro lugar do mundo”.

Um recente estudo do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento [PNUD] advertiu que a Colômbia é um dos países do mundo com piores índices, tanto de liberdade sindical como de direitos trabalhistas, com um registro de mais de 2.800 homicídios de sindicalistas e trabalhadores sindicalizados entre 1984 e 2011. De fato, esse pobre desempenho foi durante anos um dos principais impedimentos à ratificação do Tratado de Livre Comércio [TLC] entre a Colômbia e os Estados Unidos, que finalmente recebeu a aprovação legislativa no ano passado.

El Espectador, Bogotá, 5 de junho de 2012.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

“Los Urabeños” ordenam o assassinato de Carlos Lozano, diretor de VOZ


Comunicado de Imprensa

Segunda-feira, 4 de junho, recebi, por fonte digna de todo crédito, a informação de que o grupo narcoparamilitar “Los Urabeños”, pertencente a “Don Mario”, ordenou o meu assassinato. Para executar este ato criminoso, contrataram um grupo de matadores profissionais, cujos integrantes estão presentes em diversas localidades de Bogotá, tendo recebido US$200 mil e a ordem de fazê-lo o quanto antes.

Não tenho dúvida de que esta grave denúncia está relacionada à onda de coerções e intimidações provenientes da ultradireita e dos inimigos da paz. A elas inclui-se a ameaça revelada há poucos dias pela ex-senadora Piedad Córdoba, dirigente de “Colombianas e Colombianos pela Paz”. Infelizmente, tais atos desesperados do terrorismo narcoparamilitar são estimulados pelas declarações viscerais dos altos funcionários do Governo e membros da cúpula militar, que acusam a Marcha Patriótica de ser agente da subversão e aliada das FARC.

Espero que o Governo Nacional se atente a essas denúncias. O caminho mais aconselhável é o de fortalecer a democracia, oferecer garantias aos opositores e aos críticos do regime, possuidores de todo o direito de buscar mudanças e transformações progressistas para o país.

Além disso, preciso advertir aos criminosos que ordenaram meu assassinato que as ameaças não me intimidam. Eles não poderão silenciar-me. Nós permaneceremos firmes ao lado dos colombianos e das colombianas que anseiam um amanhã melhor para nossa pátria.

Carlos A. Lozano Guillén
Diretor de VOZ

Bogotá, junho de 2012

Fonte:http://www.pacocol.org/index.php?option=com_content&task=view&id=13080

terça-feira, 5 de junho de 2012

FARC: 48 ANOS DE LUTA REVOLUCIONÁRIA

Por Miguel Urbano Rodrigues

As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia-Exército Popular (FARC-EP) comemoraram 48 anos no dia 27 de Maio.

O acontecimento foi festejado nas selvas e montanhas do país pelos milhares de combatentes que se batem por uma Colômbia independente, democrática e progressista.

Não há precedente na história da América Latina para uma saga revolucionária comparável. Fundada há quase meio século, a guerrilha das FARC-EP luta contra o mais poderoso exército do Sul do Hemisfério (300 000 homens), armado e financiado pelo imperialismo estadounidense.

Cedendo a pressões de Washington, as FARC-EP foram colocadas pela ONU e pela União Europeia na lista das organizações terroristas e os membros do seu Estado-maior Central têm a cabeça a prémio por milhões de dólares.

Uma campanha de âmbito mundial, montada pelo Pentágono e a CIA, colou às FARC-EP o rótulo infamante de «narcoguerrilha». Sucessivos governos anunciaram ao longo dos anos em Bogotá o seu fim iminente. Mas não há calúnia nem discurso dos presidentes e generais da oligarquia que possa esconder o óbvio: as FARC-EP, que se assumem como uma guerrilha-partido marxista leninista, prosseguem a luta em múltiplas Frentes rumo à conquista distante do poder, e todos os meses os comunicados do secretariado do seu Estado Maior Central tornam publicas acções de combate em que são infligidas pesadas baixas ao exército.

O actual presidente colombiano, Juan Manuel Santos, usando outro discurso, prossegue, no fundamental, a politica neofascista de Álvaro Uribe. A sua estratégia de «Segurança» dá continuidade a uma politica de repressão e terror; o Plano «Prosperidade para Todos» é um slogan de humor negro forjado para aumentar a desigualdade social em benefício da classe dominante. A adesão da Colombia ao Tratado de Livre Comercio com os EUA contribuiu para reforçar a situação de semi- colónia do país .

Oito novas bases militares dos EUA foram instaladas no país, que é, depois de Israel, o aliado que recebe de Washington a mais volumosa «ajuda» financeira. Não surpreende que os grandes media norte americanos definam hoje a Colombia como uma «democracia modelo», atraente para os investidores, e identifiquem nela um exemplo para a América Latina.

O presidente Obama voltou, alias, na Cimeira de Cartagena de Índias a elogiar «a politica de pacificação» e de «abertura ao diálogo» de Juan Manuel Santos. Sabe que mente. Na repressão desencadeada contra participantes na Marcha Patriótica pela Paz – 100 000 pessoas vindas de todo o país - ficou transparente a politica de violência do regime.

A desindustrialização avança, a miséria alastra, as máfias do narcotráfico actuam impunes, em alianças subterrâneas com o paramilitarismo e altas patentes das Forças Armadas.

Como era de esperar, a imagem que os porta vozes do Governo português transmitem da Colombia é a da «democracia modelo», a grande aliada dos EUA na América Latina. Em meados de Junho, o primeiro-ministro visitará Bogotá acompanhado de uma comitiva de empresários, esperançados em grandes negócios.

Passos Coelho e Juan Manuel Santos vão certamente entender-se maravilhosamente. Falam a mesma linguagem, têm o mesmo desprezo pelo povo. São frutos da mesma árvore.

A Colombia que respeito e admiro é outra, incompativel com a da oligarquia financeira e dos terratenientes, financiada e colonizada pelo imperialismo.

A minha Colombia é a sonhada por Bolívar, aquela cujos filhos se bateram em Boyacá e Ayacucho pela liberdade e pela independência, a Colombia que aprendi a conhecer e amar no convívio dos guerrilheiros das FARC-EP, num acampamento de Raul Reyes, algures nas selvas do Caquetá .

Já escrevi e repito que foi para mim um privilégio ter conhecido revolucionários com a têmpera dos comandantes Manuel Marulanda, Raul Reyes (assassinado no Equador em operação pirata, com a cumplicidade do Pentágono, da CIA e da Mossad), Alfonso Cano, Jorge Briceño (assassinados em bombardeamentos criminosos), Simon Trinidad (sequestrado em Quito e extraditado para os EUA).

No 48º aniversário das FARC-EP comunistas como eles inspiram-me comovida admiração. Encarnam bem a coragem, a esperança, a tenacidade e o espírito de luta dos povos da América Latina, oprimidos e humilhados pelo imperialismo estadounidense, hoje o grande inimigo da humanidade.



Vila Nova de Gaia, 30 de Maio de 2012

A desinformação dos media "de referência"

– Quando os respeitáveis se tornam extremistas e os extremistas se tornam respeitáveis
por James Petras

Por qualquer padrão histórico, quer envolva o direito internacional, convenções de direitos humanos, protocolos das Nações Unidas ou indicadores sócio-económicos padrão, as políticas e práticas dos regimes dos Estados Unidos e da União Europeia podem ser caracterizadas como extremistas. Com isso queremos dizer que as suas políticas e práticas resultam na destruição sistemática de vidas humanas, habitat e meios de vida em grande escala e a longo prazo que afectam milhões de pessoas através da aplicação directa de força e violência. Os regimes extremistas abominam a moderação, a qual implica a rejeição da guerra total em favor de negociações pacíficas. A moderação busca a resolução de conflitos através da diplomacia e do compromisso e a rejeição do terror de estado e paramilitar, a expulsão e deslocamento de populações civis e o assalto sistemático a sectores populares da sociedade civil.

Na primeira década do século XXI testemunhámos a adopção pelo Ocidente espectro completo do extremismo tanto em política interna como externa. O extremismo é uma prática comum dos auto-intitulados conservadores, liberais e sociais-democratas. No passado, ser conservador implicava preservar o status quo e, no máximo, efectuar ajustes com mudanças nas margens. Os "conservadores" de hoje exigem o desmantelamento por atacado de todos os sistemas de bem-estar social e a eliminação da protecção legal tradicional de trabalhadores e do ambiente. Liberais e sociais-democratas que no passado questionavam ocasionalmente sistemas coloniais estão agora na linha de frente de prolongadas guerra coloniais em múltiplas frentes, as quais mataram e deslocaram milhões de pessoas no Iraque, Afeganistão, Líbia e Síria.

O extremismo, nos termos dos seus métodos, significado e objectivos, apagou as distinções entre políticos de centro esquerda, centro e direita. Moderados que se opõem às actuais políticas de subsidiar os grandes bancos enquanto empobrecem dezenas de milhões de trabalhadores, são agora etiquetados como "esquerda dura", "extremistas" ou "radicais".

No rastro das políticas extremistas de governo, os respeitáveis e prestigiosos media impressos empenharam-se nas suas próprias versões de extremismo [1] . Guerras coloniais, que devastam a sociedade civil e culturas estáveis enquanto empobrecem milhões no país colonizado, são justificadas, embelezadas e apresentadas como avanços legais e humanos em valores democráticos laicos. Guerras internas por conta de oligarquias e contra trabalhadores assalariados, as quais concentram riqueza e aprofundam o desespero dos esbulhados, são descritas como racionais, virtuosas e necessárias. As distinções entre os media prudentes, equilibrados, prestigiosos e sérios e os sensacionalistas, a imprensa amarela, desapareceram. A fabricação de factos, as omissões flagrantes e a distorções de contextos são encontradas tanto numa como noutra.

Para ilustrar o reino do extremismo entre o funcionalismo e a imprensa prestigiosa examinaremos dois estudos de caso. Eles envolvem as políticas dos EUA em relação à Colômbia e Honduras e as coberturas do Financial Times e New York Times dos dois países.

Colômbia: A "mais antiga democracia na América Latina" X "A capital mundial de esquadrões da morte"

A seguir a elogios absurdos do surgimento da Colômbia como modelo perfeito para a democracia na América Latina no número de Abril da revista Time, bem como do Wall Street Journal, New York Times e Washington Post, o Financial Times publicou uma série de artigos incluindo a inserção de um caderno especial sobre o "milagre" político e económico do país intitulado "Investir na Colômbia" [2] . Segundo o principal jornalista do FT na América Latina, John Paul Rathborne, a Colômbia é a "mais antigas democracia no hemisfério" [3] . A enlevada louvação de Rathbone do presidente Santos, da Colômbia, vai desde o seu papel como um "influente mediador emergente" para o continente sul americano, tornando a Colômbia segura para investidores estrangeiros e "provocando a inveja" de outros regimes na região com menos êxito. Rathbone dá destaque a um líder de negócios da Colômbia o qual afirma que a segunda cidade do país, Medellin, "está a viver os seus melhores tempos" [4] . Em acordo com a opinião da elite estrangeira e de negócios, o respeitável media da imprensa descreve a Colômbia como próspera, pacífica, amistosa para com os negócios, cobrando os mais baixos pagamentos de royalty de mineração do hemisfério e um modelo de democracia estável a ser emulado por todos os líderes progressistas.

No governo do presidente Santos, a Colômbia assinou um acordo de livre comércio com o presidente Obama, o seu mais estreito aliado no hemisfério [5] . Durante o mandato do antecessor de Obama, George W. Bush, sindicatos, grupos de direitos humanos e de igrejas, bem como a maioria democrata do Congresso tiveram êxito em bloquear qualquer acordo semelhante devido às violações contínuas de direitos humanos na Colômbia. Qualquer oposição semelhante da AFL-CIO e de legisladores democratas evaporou-se quando o presidente Obama adoptou o livre comércio, afirmando [haver] uma grande melhoria em direitos humanos e o compromisso do presidente Santos e acabar com assassinato de líderes sindicais e activistas [6] .

A paz, segurança e prosperidade da Colômbia, louvada pela elite do petróleo, mineração, banca e agro-business, são baseadas nos piores registos de direitos humanos da América Latina. De 1986 a 2011, mais de 60% de todos os assassinatos de sindicalistas no mundo tiveram lugar na Colômbia pelo conjunto de esquadrões da morte, militares, policiais e paramilitares, em grande medida às ordens de líderes corporativos estrangeiros e internos [7] . A "paz", tão entusiasticamente louvada por Rathbone e seus colegas no Financial Times, chegou a um preço pesadíssimo. Verificaram-se mais de 12 mil prisões, ataques, assassinatos e desaparecimentos de sindicalistas entre 1 de Janeiro de 1986 e 1 de Outubro de 2010 [8] . Nesse espaço de tempo cerca de 3000 líderes sindicais e activistas foram assassinados, centenas mais desapareceram e são considerados mortos. O actual presidente colombiano, Santos, era o ministro da Defesa no governo anterior do presidente Alvaro Uribe (2002-2010). Naqueles anos, mais de 762 responsáveis sindicais e activistas foram assassinados pelo estado ou por forças paramilitares aliadas [9] .

Sob os governos dos presidentes Uribe e Santos (2002-2012), mais de 4 milhões de camponeses e moradores rurais foram forçados ao exílio interno e os seus lares e terras foram tomados pelos grandes latifundiários, especuladores e narco-traficantes [10] . A estratégia de contra-insurgência do governo colombiano serve uma função dupla de reprimir a dissenção e acumular riqueza para os seus apoiantes. Os jornalistas do Financial Times encobrem este aspecto do "crescimento ressurgente" da Colômbia pois aplaudem os resultados da "segurança" dos esquadrões da morte, incluindo os mais de US$6 mil milhões de investimento estrangeiro em grande escala que em 2012 entrou nas regiões de mineração e petróleo – em áreas "antigamente perturbadas pela agitação" [11] .

Alguns importantes barões da droga, ligados claramente ao regime Uribe-Santos, foram presos e extraditados para os EUA. Eles testemunharam como financiaram e elegeram um terço dos membros do Congresso filiados ao partido de Uribe-Santos – que o Financial Times descreve como a "mais antiga" democracia da América Latina. Salvatore Mancuso, ex-chefe de 30 mil membros da Auto Defesa Unida da Colômbia (AUC), descreveu como se encontrou com o então presidente Uribe em diferentes regiões do país a fim de lhe dar dinheiro e apoio logístico para a sua campanha de reeleição de 2006. Mancuso, que liderou o maior exército paramilitar de esquadrões da morte da Colômbia (agora fragmentado mais ainda activo), também afirmou que corporações nacionais e multinacionais financiaram o crescimento e expansão dos esquadrões da morte.

O que Rathbone e seus colegas jornalistas do FT celebram como a ascensão da Colômbia a paraíso do investidor [NR] é feito evidentemente com o sangue e a tortura de milhares de camponeses colombianos, sindicalistas e activistas de direitos humanos. A história brutal do reinado de terror Uribe/Santos foi completamente apagada do presente relato da "história de êxito" da Colômbia. Registos pormenorizados da brutalidade das matanças e torturas dos esquadrões da morte patrocinados por Uribe/Santos, que descrevem a utilização de moto-serras para mutilar camponeses suspeitos de simpatias de esquerda, estão disponíveis para qualquer jornalista que queira consultar as principais organizações de direitos humanos da Colômbia [12] .

Os esquadrões da morte e os militares actuam combinados. Os militares colombianos são treinados por mais de um milhar de conselheiros das Forças Especiais dos EUA. Eles travam guerra de estilo contra-insurgente na Colômbia rural, chegando a aldeias em ondas de helicópteros fornecidos pelos EUA, encerrando num anel de segurança áreas alvo das guerrilhas e enviando as AUC e outros esquadrões da morte para destruir as aldeias, torturar e assassinar camponeses, camponesas e crianças suspeitas de serem simpatizantes da guerrilha e cometendo violações generalizadas. Esta campanha de terror com o patrocínio do Estado expulsou milhões de camponeses das zonas rurais permitindo que generais e barões da droga se apossassem da sua terra.

Advogados de direitos humanos (ADH) são frequentemente alvejados pelos militares e esquadrões da morte. Os presidentes Uribe e Santos habitualmente acusam previamente os trabalhadores de direitos humanos de serem colaboradores activos das guerrilhas devido ao seu trabalho de revelarem os crimes do regime contra a humanidade. Uma vez etiquetado, os ADHs tornam-se "alvos legítimos" para esquadrões da morte e os militares que operam com impunidade total. De 2002 a 2011 houve 1470 ataques contra ADH, com um número recorde de 239 em 2011, incluindo 49 mortes sob o presidente Santos [13] . Mais da metade dos trabalhadores de direitos humanos são índios e afro-colombianos.

O terrorismo de estado era e continua a ser o principal instrumento de dominação sob os governos dos presidentes Uribe e Santos. Os "campos da morte" colombianos, segundo a Procuradoria Geral, incluem dezenas de milhares de homicídios, 1597 massacres e milhares de desaparecimentos forçados de 2005 a 2010 [14] .

Membros corajosos da imprensa colombiana revelaram uma prática, conhecida como "falsos positivos", com numerosas ocorrências em que os militares sequestram secretamente camponeses jovens e rapazes urbanos forçando-os a vestirem-se como guerrilheiros, assassinando-os a sangue frio e a seguir exibindo os seus corpos à imprensa colombiana e internacional como "prova" do êxito do combate de Santos/Uribe contra as guerrilhas. Há 2472 casos documentados de assassínios de "falsos positivos" por militares [15] .

Honduras: o New York Times e o terrorismo de estado

O New York Times publicou um artigo sobre Honduras, onde enfatizava a "cooperação" do regime com a guerra estado-unidense às drogas [16] . O redactor do Times, Thom Shanker, descreve uma "parceria" baseada na expansão de três novas bases militares e no estacionamento de Forças Especiais dos EUA no país [17] .

Shanker informou acerca do êxito da operação das Forças de Operações Especiais de Honduras sob a direcção de treinados das US Special Forces. Na cobertura de Shanker, uma delegação do Congresso dos EUA louvava as Forças de Operações Especiais hondurenhas quanto ao "respeito pelos direitos humanos", citando a descrição do embaixador dos EUA do regime de Honduras como "parceiros entusiastas e capazes neste esforço conjunto" [18] .

Há paralelos flagrantes entre a lavagem cerebral do NY Times do criminoso regime extremista em Honduras e a promoção bruta do Financial Times da democracia dos esquadrões da morte na Colômbia.

O actual regime extremista hondurenho, encabeçado pelo "presidente" Lobos, o qual convidou o Pentágono a expandir seu controle militar sobre enormes extensões do território do país, é um produto do golpe militar apoiado pelos EUA que derrubou um presidente liberal eleito democraticamente em 28 de Junho de 2009, um ponto histórico recente que Shanker evita na sua cobertura. Lobos, o presidente predador, mantém o controle através de matanças, prisões e torturas dos seus críticos, incluindo jornalistas, advogados de direitos humanos e juristas, bem como camponeses agora sem terra que exigem uma devolução das suas propriedades depois de terem sido tomadas violentamente por grandes latifundiários aliados de Lobos.

A seguir ao golpe militar, milhares de manifestantes hondurenhos em favor da democracia foram mortos, espancados e presos. Segundo estimativas conservadores do Observatório de Direitos Humanos, 20 dissidentes pró democracia foram assassinados abertamente pelos militares e a polícia [19] . De Janeiro de 2010 a Novembro de 2011 pelo menos 12 jornalistas, críticos do regime Lobos, foram assassinados.

Nas zonas rurais, onde o repórter Shanker do NY Times descreve um festival de amor entre as Forças Especiais dos EUA e os seus equivalentes hondurenhos, 30 trabalhadores agrícolas no vale de Bajo Aguan, no norte de Honduras, foram mortos por esquadrões da morte contratados por poderosos aliados de Lobos [20] . Nenhum militar, polícia ou esquadrão da morte assassino foi levado à justiça. O líder original do golpe, Roberto Micheletti e o seu sucessor, o presidente Lobos, atacaram reiteradamente manifestações a favor da democracia, particularmente aquelas lideradas por professores, estudantes e sindicalistas. Centenas de dissidentes políticos presos foram torturados. Durante o período dos artigos mais eufóricos do NY Times sobre as confortáveis relações entre os EUA e Honduras, o número de mortes entre advogados democratas subiu precipitadamente. Oito jornalistas e comentadores de TV foram mortos durante os primeiro quatro meses de 2012 [21] . No fim de Março e princípio de Abril de 2012 nove trabalhadores agrícolas e empregados foram assassinados por latifundiários apoiantes de Lobos [22] . Com a impunidade reinante no território centro-americano de bases militares dos EUA, nenhum foi preso por estes assassinatos. A cobertura do NYTimes segue a regra da omertà adoptada pela Máfia – silêncio e cumplicidade.

Síria: Como o Financial Times absolve terroristas da Al Qaeda

Quando terroristas islâmicos apoiados pelo Ocidente vitimam o regime laico da Síria, a imprensa ocidental, especialmente o Financial Times, continua a absolver a utilização de enormes carros bombas por terroristas, os quais mataram e mutilaram centenas de cidadãos sírios. Com cinismo brutal, repórteres ocidentais encolhem os ombros e papagueiam as afirmações dos propagandistas anti-regime baseados em Londres, de que o regime Assad estava a destruir as suas próprias cidades e a matar os seus próprios cidadãos e forças de segurança [23] .

Conclusão

Quando o regime Obama e seus aliados europeus abraçaram publicamente o extremismo, incluindo o terrorismo de estado, assassinatos direccionados e os carros bomba em bairros urbanos cheios de gente, a imprensa "respeitável" aderiu. O extremismo assume muitas formas – da recusa a informar honestamente acerca da utilização de forças mercenárias e a violência para derrubar mais um regime anti-colonial até a expulsão de milhões de camponeses e agricultores. As "classes educadas", o respeitável público leitor rico estão a ser continuamente doutrinadas pelos respeitáveis media ocidentais para acreditarem que o sorridente e pragmático presidente Santos na Colômbia e o eleito presidente Lobos em Honduras têm êxito em estabelecer a paz, a prosperidade com base no mercado, acordos de livre comércio mutuamente benéficos e concessões de bases militares aos EUA – mesmo quando estes dois regime actualmente lideram o recorde mundial de assassinatos de sindicalistas e jornalistas. Em 15 de Maio de 2012, a Comissão Hispânica do Congresso dos EUA concedeu a Lobos um prémio por liderança em democracia – no mesmo dia em que a imprensa hondurenha relatava o assassinato do director de noticiário da estação de rádio HMT, Alfredo Vilatoro, o 25º jornalista crítico morto entre 27 de Janeiro de 2010 e 15 de Maio de 2012 [24] .

A adopção do extremismo pela imprensa "respeitável" e a sua utilização de linguagem demonológica e vitriólica para descrever regimes opostos ao imperialismo vão a par da sua eufórica e efusiva louvação da brutalidade mercenária de estado e pró ocidental. O encobrimento sistemático de crimes pelo jornalismo extremista vai muito além dos casos da Colômbia e das Honduras. O repórter do Financial Times Michael Peel "cobriu" o assalto ao governo líbio de Kadafi sem mencionar a campanha de bombardeamento da NATO que destruiu o mais avançado estado previdência da África. Peel apresentou o surgimento das gangs armadas de fanáticos tribais e terroristas islâmicos como uma vitória da democracia sobre uma "ditadura brutal" [25] . A desonestidade e hipocrisia de Peel é evidente nas suas afirmações ultrajantes de que a destruição da economia líbia, a tortura em massa e os assassinatos com motivações raciais, que se seguiram à guerra da NATO, foram uma vitória para o povo líbio.

O viés totalitário da imprensa "respeitável" é uma consequência directa do seu servilismo duradouro a políticas extremistas seguidas pelos regimes ocidentais. Uma vez que medidas extremistas, como a utilização da força, violência, assassínio e tortura, tornaram-se rotina de presidentes e primeiros-ministros no exercício do cargo, os repórteres não têm opção senão fabricar mentiras para tornar "respeitáveis" tais crimes, cuspindo um fluxo constante de adjectivos altamente agressivos a fim de converter vítimas em carrascos e carrascos em vítimas. O extremismo em defesa de regimes pró EUA levou aos mais grotesco relatos imagináveis: os presidentes da Colômbia e do México são os líderes das mais perfeitamente economias narcotizadas do hemisfério mas eles são louvados pela sua guerra às drogas, ao passo que a Venezuela, o mais marginal produtor de qualquer droga, é estigmatizado como um grande narco-pipeline [26] .

Artigos sem base factual, os quais são inúteis como fontes de informação objectiva, levam-nos a procurar uma lógica subjacente. A Colômbia assinou um acordo de livre comércio, o qual beneficiará exportações estado-unidenses para a Colômbia num rácio de dois para um [27] . A política do acordo de livre comércio do México beneficiou o agro-business estado-unidenses e retalhistas gigantes num rácio semelhante.

Todas as formas de extremismo permeiam os regimes ocidentais e encontram justificação e racionalização junto aos media respeitáveis cujo trabalho é doutrinal a sociedade civil e transformar cidadãos em cúmplices acríticos do extremismo. Ao infindavelmente anteceder "reportagens" sobre o presidente Putin da Rússia qualificando-o como tirano autoritário da era soviética, os media respeitáveis evitam qualquer discussão da melhoria do padrão de vida russo e do triunfo eleitoral com mais de 60%. Ao exagerar um passado autoritário do presidente líbio assassinado, as suas vastas obras públicas, programas de bem-estar social, de generosa imigração e de ajuda à África sub-saariana podem ser relegadas ao esquecimento. O louvor da imprensa "respeitável" aos esquadrões da morte dos presidentes Santos e Lobos faz parte de uma mudança sistemática em grande escala e duradoura da pretensão hipócrita de seguir as virtudes de uma república democrática para a adopção aberta de um império virulento e assassino. No novo código dos jornalistas, o extremismo em defesa do império já não é vício.
26/Maio/2012

Notas
[1] Há um consenso geral de que os media respeitáveis incluem The Financial Times, The New York Times, The Washington Post e The Wall Street Journal.
[2] Financial Times (FT) 5/8/12; Ver também FT (5/4/12) " Colombia looks to consolidate gains in country of complexities"
[3] FT 5/8/12 (p. 1)
[4] FT ibid
[5] BBC News , May 5, 2012
[6] ibid
[7] Renan Vega Cantor Sindicalicidio! (Un cuento poco imaginativo) de Terrorismo Laboral Bogotá, Feb. 25, 2012.
[8] ibid.
[9] ibid.
[10] Inforrme CODHES Novembre 2010.
[11] FT 5/8/12 p. 4.
[12] Ver os Annual Reports of CODHES, Reiniciar and Human Rights Watch
[13] Claroscuro Informe Anual 2011; Programa Somos Defensores Bogota 2012; Corporacion Colectivo de Abogados. Jan. – March 2012.
[14] Fiscalia General. Informe 2012
[15] http://www.falsos.positivos.blogspot.com
[16] Thom Shanker "Lessons of Iraq Help US Fight a Drug War in Honduras" New York Times, May 6, 2012.6
[17] ibid
[18] ibid
[19] Human Rights Watch, World Report 2012
[20] Honduran Human Rights, May 12m, 2012.
[21] ibid
[22] ibid
[23] O infame encobrimento dos carros bomba é obra do jornalista-estrela do FT no Médio Oriente. Ver Michael Peel e Abigail Fielding-Smith "At Least 55 Die in two Damascus Explosions: Responsibility for Blasts Disputed", FT 5/11/12.
[24] Honduras Human Rights, April 24, 2012.
[25] Michael Peel, "The Colonels Last Stand" FT 5/12 – 13/12
[26] Um dos mais infames narco-traficantes paramilitares da Colômbia descreveu os estreitos laços financeiros e políticos entre os terroristas das Autodefesas Unidas da Colômbia e o regime de Uribe-Santos. Ver La Jornada 5/12/12.
[27] BBC News, 5/15/12. Segundo a US International Trade Commission as estimativas do valor das exportações dos EUA para a Colômbia poderiam subir a US$1,1 mil milhões ao passo que o crescimento das exportações da Colômbia podia crescer US$487 milhões.

[NR] O Estado português também promove o investimento na Colômbia. Ver Missão empresarial à Colômbia, 28 de Maio a 1 de Junho de 2012 , iniciativa da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP)

O original encontra-se em http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=31056

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Las FARC aseguran que la paz en Colombia se logrará con unidad popular



Fonte: TeleSUR


As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), assim que se completou a entrega do jornalista francês Roméo Langlois, leram um comunicado no qual expressam que o caminho a ser seguido para alcançar a paz na Colômbia é “o da unidade popular”.

“Na Colômbia, o povo está farto dos governos oligárquicos, repressivos e corruptos que não o representa e que se negam a atender suas reivindicações”, asseguraram as FARC, no momento em que disseram, através de um porta-voz, que “o caminho que devemos percorrer todos é o mesmo, o caminho da unidade popular”.

Afirmaram que se há alguém que não deseja a unidade no país, não pertence a este grupo armado. “Os verdadeiramente surdos e teimosos diante das nossas propostas tem sido os donos do poder político e econômico do país que têm medo do poder popular e da mudança social. Os tempos que transcorrem são próprios de mudanças profundas, não só na Colômbia, mas na América e no mundo inteiro”.

Explicaram que não buscam o conflito como têm sido taxados, mas que desejam estabelecer a paz no país. “Nossa história é a história dos múltiplos esforços do povo colombiano para alcançar uma paz definitiva e verdadeira”, também disseram que “nossa política atual é a paz, a união patriótica e pelos diversos cenários do diálogo temos levantado sempre as bandeiras da unidade política, da paz, dignidade e justiça social”.

Disseram que rechaçam o capitalismo, pois este atenta contra o desenvolvimento dos povos da América e do mundo, além de esperar que exista uma mudança no país. “Os povos se levantam decididos a lutar por alternativas ao capitalismo cada vez mais decadente, mais injusto e mais explorador”.

Agradeceram a “organizações cívicas, camponesas, sindicais, estudantis, agremiações e de todo tipo, que estão em sintonia na tarefa de alcançar a paz democrática, esta é a premissa de qualquer mudança social de verdadeira profundidade neste país”.

As FARC fizeram uma convocatória ao compromisso para obter uma Colômbia melhor. “Temos que pôr todo o nosso esforço nisso, por isso este novo aniversário nós obriga, para o futuro da nossa nação, a estar à altura das circunstâncias como combatentes e como compatriotas. Sabemos que o futuro da Colômbia está no que diz o seu povo, na convicção dos destinos da pátria”.


A seguir, transcrição integral do comunicado das FARC


Em uma campanha de devastação que pretendeu nos eliminar em somente um ano e em que já se passou mais de uma década sem poder nos apagar do mapa, nossa história é a história dos múltiplos esforços do povo colombiano para obter uma paz definitiva e verdadeira.

Desde as cartas dos camponeses de Marquetália até a nossa atual política de paz, passando pela União Patriótica e por diversos cenários de diálogo, sempre levantamos as bandeiras da solução política, da paz, dignidade e justiça social.

Os verdadeiramente surdos e teimosos diante das nossas proposta tem sido os donos do poder político e econômico do país que têm medo do poder popular e às mudanças sociais.

Os tempos que correm são próprios de mudanças profundas, não somente na nossa América, mas no mundo inteiro.

Os povos se levantam decididos a lutar por alternativas ao capitalismo cada vez mais decadente, mais injusto e mais explorador. Na Colômbia, o povo está farto dos governos oligárquicos, repressivos e corruptos que não os representa e que se negam a responder e atender as suas reivindicações. Iniciativas unitárias de luta percorrem todos os rincões da pátria tecendo resistência que saudamos com alegria, sabendo que o caminho que devemos percorrer todos é o mesmo: o caminho da unidade popular.

Os últimos acontecimentos demonstra-nós que há um fervor massivo pelas necessidades de alcançar a paz com dignidade e com justiça social.

Organizações cívicas, camponesas, sindicais, estudantis, agremiações e outras, estão sintonizadas na tarefa de mostrar que alcançar a paz democrática é a premissa de qualquer mudança social de verdadeira profundidade neste país.

Sabemos que o futuro da Colômbia está naquilo que o povo decidir soberanamente, e na convicção dos destinos da pátria. Temos que colocar todos os nossos esforços nisso. Por isso, este novo aniversário nos obriga, em momentos cruciais para o futuro da nossa nação. Saberemos estar à altura das circunstâncias como combatentes e como compatriotas. Com o exemplo e o legado de Manuel, Jacobo, Jorge , Alfonso, Raúl, Iván e todos nossos mártires continuaremos até a vitória final com a paz como bandeira e o bem-estar do nosso povo como horizonte.

Viva as FARC! Viva o povo colombiano contra o imperialismo com a pátria! Contra a oligarquia para o povo!

Secretariado do Estado Maior Central

Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia

Exército do Povo

Montanhas da Colômbia

27 de maio de 2012

“Sou civil, sou jornalista, não estou armado!”: Roméo Langlois

“Estava ferido e as balas assoviavam a centímetros de mim. Então, disse ao sargento que estava ao meu lado: me abro do remendo”. Com minuciosos detalhes e adornado de uma linguagem coloquial, o jornalista francês Roméo Langlois narrou o dia depois de sua libertação os momentos prévios a ser capturado pela Frente 15 das FARC no 28 de abril próximo passado.

Depoimento.
 
“O capacete e o colete são elementos do Exército, que eu decido pôr em mim depois de pensar muito. Na noite anterior tive um momento místico. Num sonho, vi que meu trabalho terminaria numa batalha na qual eu corria perigo. Vi imagens, coisas muito claras, vi feridos, estive a ponto de suspender meu trabalho.

Então, ainda que eu nunca faça, acreditei que [colocar-me o colete e o capacete dos militares] era o melhor. Pensei em vestir algo branco, um pano sobre o capacete, porém depois pensei que um capacete branco, correndo pela selva, ia ser muito “bilhete” e finalmente o aceitei. Eu tinha muito claro que minha reportagem era acompanhar a uma unidade militar que fazia operações contra o narcotráfico, era como trabalhavam eles. Era acompanhá-los no helicóptero, baixar na zona, e voltar a subir.
 
Chegamos ao laboratório, se é que assim lhe podia chamar, porque era algo de um campesino, um hectare de coca, algo muito simples. O exército o queimou todo e ia bem até aí. Voltamos ao helicóptero e nos dirigimos para o segundo objetivo, a outro laboratório. Havia dois helicópteros, baixa o primeiro, que era no que eu estava, à zona que se havia escolhido para aterrissar.
 
Quando estamos em terreno, vejo que há uns homens que estavam agitados, se ouviam uns disparos, todo mundo ao chão, não era muito sério a princípio, não se sabia se eram três ou quatro rapazes disparando escondidos nuns matagais, ou se se tratava de um grupo da guerrilha, porém, no entanto, [os militares] decidem deter o operativo e buscam capturar aos terroristas, como lhes qualificam, que estavam disparando.
 
Chegamos a umas casas, os registram, revistam as pessoas, passa como uma hora em todo este processo, até esse momento eu estava tranquilo. Porém, então, começamos a escutar o som das balas, muito forte. Nesse momento, começam a disparar sobre nós e a ordem que dá o sargento do meu grupo era a de não responder ao fogo para que a guerrilha não pudesse saber onde estávamos.

Nesse momento, que já estava muito tenso o combate, o Exército quis retirar-me, porém eu já não podia ir-me. O capitão Gómez me encomenda com o sargento [José] Cortés, lhe ordena que me levasse ao fio e que, logo que pudesse, me subisse ao helicóptero. Fomos correndo uns 400 metros e chegamos onde havia outro grupo de militares, porém é aí onde se complica a coisa.

Eu vejo que a guerrilha começa a disparar de vários lados, e tentei cobrir-me numas ervas que havia. Nós esperávamos que chegasse o helicóptero e que a aviação começasse a disparar.

Passados os minutos, o combate era pior, as balas assoviavam a centímetros de onde estávamos, era algo tremendíssimo, uma coisa horrível que nunca quero voltar a viver. Nesse momento pensei na morte, na minha mãe, na família, aí senti muito medo. Comecei a sentir a necessidade de sair daí.

Nesses instantes se escutam gritos dos militares nos quais diziam que nos estão dividindo, e ordenavam que tínhamos que ficar juntos, porém eu já só pensava em ir-me. O sargento Cortés brincava, dizendo para mim: ‘Tranquilo, agora é que a coisa tá boa, tranquilo’, me repetia. Buscava relaxar-me, porém eu já não estava relaxado, queria ir embora.
Neste momento soa uma rajada e, de repente, vejo meu braço que está ensanguentado e entendo que estou ferido. Começo a mover os dedos, não me dói, estava como anestesiado pelo medo e quando estou fazendo isso vejo à minha direita e vejo que o sargento Cortés está ferido de morte.

Então, escuto a outro militar que me diz que pegue o fuzil e comece a disparar, eu lhe digo que não, que sou um civil e que não vou fazer isso. Ele entendeu isso, havia sido uma reação normal do momento. Eu, nesse momento, entendo que tenho que ir-me e penso, então, no que fazer.

Decidi tirar o capacete e o colete, fico meio nu para que, quando a guerrilha chegasse, não me confundissem. Decido deixar a câmara aí para que não a confundissem com uma arma e me levo as memórias.

Digo ao sargento que estava ao meu lado, me abro do parche. Eu não corri para a guerrilha, como se disse na imprensa, eu não podia correr porque me havia passado chumbo.

Fiquei esperando escondido nuns matagais mais ou menos a 20 metros dos soldados. Reviso novamente meu braço, vejo que tenho minhas memórias, porém nesse momento me dou conta de que já não tenho o crachá de imprensa, que havia caído quando tirei o colete, estava sem identificação e sem nada.

Aos cinco minutos, começo a ver a um grupo de cinco guerrilheiros que se acerca e que estavam disparando, não me veem ainda e, nesse momento, pensei que, se me veem aqui sentado, vão disparar sobre mim, não há tempo de pensar e digo: vou me levantar, e o fiz. Então, me pus diante deles, não queria gritar para não alterá-los e lhes digo: Sou civil, sou jornalista, não estou armado!

Apontam suas armas contra mim por uns segundos, me perguntam o que estava fazendo aí e volto a repetir o mesmo. Então, um deles diz: Não tem armas, não disparem nele. E foi assim como terminei em mãos da guerrilha.”

(tomado da Revista Semana da Colômbia)
 

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Três artigos, a seguir

01)Resolução do Encontro Internacional Geopolítica da Paz e do conflito em busca da solução política ao conflito social e armado na Colômbia.

Em desenvolvimento dos debates e discussões abordados no Encontro Internacional, a Geopolítica da Paz e do Conflito, realizado nos dias 24 e 25 de maio de 2012 em Dublin [Irlanda], as organizações convocadoras, os processos sociais, setores acadêmicos, pesquisadores e participantes do evento, nos manifestamos na necessidade de avançar na Solução Política ao Conflito Social e Armado que vive a Colômbia a partir do diálogo civilizado, que possibilite abrir cenários de participação na busca da superação dos níveis de marginalidade, pobreza e exclusão como causas estruturais da confrontação na perspectiva da Paz com Justiça Social.
 
Nos somamos aos esforços que, desde o movimento social e popular colombiano, se vêm realizando a partir do fortalecimento de cenários de unidade de ação em torno da mobilização, projetando como tarefa imediata a conquista da Paz Democrática.
 
Reclamamos e exigimos do Governo Colombiano a outorga de plenas garantias para o livre exercício da participação social e política da Marcha Patriótica e demandamos da comunidade internacional a solidariedade e o acompanhamento com as lutas do povo colombiano.
 
Expressamos nossa disposição e compromisso de trabalhar pela Paz na Colômbia a partir da convocatória de cenários de debate internacional que possibilitem socializar a difícil situação que vive este País e a elaboração coletiva de propostas e iniciativas em favor da Paz.
 
 
Fonte: www.pacocol.org
 
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02) Todo um êxito viagem de dirigente de Marcha Patriótica, Carlos García, em vários países da Europa
 
Por Eliécer Jiménez e Marie-France Allemand
 
O dirigente colombiano do Movimento Marcha Patriótica Carlos García Marulanda se reuniu em Grenoble, França, com uma centena de pessoas especialmente francesas, as quais ouviram numa conferência os esclarecimentos e programas do que significa a luta do povo da Colômbia pela segunda e definitiva independência. Além disso, se entrevistou com dirigentes da Frente de Esquerda como Alain Dontaine, ativistas do Partido Comunista Francês, e Marie-France Allemand, do Movimento ALBA, entre outras, as quais brindaram sua solidariedade e apoio internacionalista ao novo movimento na Colômbia.
 
García Marulanda prossegue a excursão de socialização da Marcha Patriótica nesta semana por Itália, Alemanha e Espanha, anotando que já desenvolveu programas e entrevistas na Suíça, Bélgica, Irlanda e Suécia. Até o momento, a longa jornada pela Europa deu seus frutos, já que tanto os colombianos como os europeus têm recebido com entusiasmo e otimismo o programa deste movimento popular, que nasceu das entranhas do povo colombiano e que busca a unidade de todos os setores sociais e políticos que se opõem ao atual governo na busca de uma mudança de modelo econômico e político, lutando também pela solução política do conflito social, político e armado que vive o país desde há mais de sessenta anos.
 
Fonte: www.pacocol.org
 
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03) Irlanda do Norte disposta a ajudar a Colômbia no eventual processo de paz
 
 
 
Por Eliécer Jiménez y Marie-France Allemand
28 de maio de 2012
 
As autoridades da Irlanda do Norte estão dispostas a compartilhar suas experiências com suas homólogas colombianas ante um eventual processo de paz que pusesse fim ao conflito armado do país andino, disse hoje a Efe o congressista Iván Cepeda.
Cepeda viajou a Belfast, Dublin e Londres com os ativistas Carlos Lozano, diretor do semanário comunista VOZ, e Marleny Orjuela, presidenta da Associação Colombiana de Familiares de Membros da Força Pública Retidos e Libertados por Grupos Guerrilheiros [Asfamipaz].
 
Esta comissão regressou ontem da visita de sete dias patrocinada pela organização não-governamental Justice for Colômbia [Justiça para Colômbia], cujo objetivo era “conhecer as experiências de paz da Irlanda do Norte e ver quais podem ser de utilidade para um processo de paz na Colômbia”.
 
Segundo Cepeda, que é porta-voz da Comissão de Paz da Câmara de Representantes, tanto o ministro principal norte-irlandês, o unionista Peter Robinson, como seu adjunto no Governo de poder compartilhado, o republicano Martin McGuiness, expressaram seu interesse em apoiar “qualquer iniciativa de paz na Colômbia”.
 
Os dirigentes irlandeses do Norte condicionaram esta colaboração às condições que poderia impor o Executivo colombiano sobre a participação internacional no processo.
 
No entanto, Cepeda não descartou que uma missão de membros de todos os partidos com representação parlamentar da Irlanda do Norte possam visitar a Colômbia proximamente.

Em Dublin, os três ativistas colombianos se reuniram com representantes do Governo, e em Londres se entrevistaram com membros da Chancelaria Britânica e com Frances O’Grady, vice-presidenta da Central Sindical Britânica [TUC, sigla em inglês].
 
“São gestões e aproximações no contexto da possibilidade de buscar ambientar a paz na Colômbia. Não estava pensado como parte da agenda da discussão parlamentar do Marco Legal para a Paz, porém do que se vem debatendo sobre a paz no país”, explicou, em alusão a um ato legislativo que entra nesta semana em sua reta final.
 
Para Cepeda, há que “tomar em consideração” o atual cenário na Colômbia, no qual o presidente Juan Manuel Santos “tem insistido em que quer buscar uma solução política ao conflito, assim como o tem feito a guerrilha” das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia [FARC].
 
“É muito interessante ver como, em 1998, se chegou a uma situação democrática depois de um conflito tão sanguinário na Irlanda do Norte, de maneira que a reconciliação se plasma numa cultura do debate político”, concluiu o legislador de esquerda.
 
Finalmente, anunciou que apresentará um amplo informe sobre os resultados da viagem ante o Plenário da Câmara.


Com informação EFE
 

Comunicado das FARC-EP na entrega de Romeo Langlois

Em uma campanha de devastação que pretendeu eliminarmos em só um ano e que já leva décadas sem poder nos tirar do mapa, significa que nossa historia é a historia dos múltiplos esforços do povo colombiano por lograr uma paz definitiva e verdadeira.

Desde aquelas cartas dos camponeses de Marquetalia nas que pediam não serem agredidos militarmente ate nossa atual política de paz, passando pela União Patriótica e pelos diversos cenários dos diálogos, temos sempre sido partidários da solução política, da paz com dignidade e justiça social.

Os verdadeiramente surdos e teimosos ante nossas propostas têm sido os donos do poder político e econômico do país porque temem o poder popular e o cambio social.

Os tempos que correm são propícios para as mudanças profundas não só em nossa América, mas também no mundo inteiro.

Os povos levantam-se decididos a lutar pelas alternativas ao capitalismo cada vez mais decadente, mais injusto e explorador. Na Colômbia o povo está cansado dos governos oligárquicos, repressivos corruptos que não o representam para nada, pois não atendem suas reivindicações. Suas iniciativas unitárias de luta percorrem todos os cantos da pátria tecendo resistências que saudamos festivos sabendo que o caminho a percorrer todos é o mesmo, o caminho da unidade popular

Os últimos acontecimentos demonstram que existe um fervor massivo pela necessidade de alcançar a paz com dignidade e justiça social.

Organizações cívicas, camponesas, sindicais, dos estudantes, e de todo e qualquer tipo estão na tarefa de demonstrar que alcançar a paz democrática é a premissa de qualquer transformação social verdadeira e profunda em nosso país.

Sabemos que o futuro da Colômbia está no que decida seu povo, soberanamente e na convicção no que deve ser o destino da pátria. Colocaremos todos nossos esforços nisso. Saberemos nos posicionar ante essas circunstancias, como combatentes e compatriotas.

Com o exemplo e o legado de Manuel, Jacobo, Jorge, Alfonso, Raúl, Iván e todos nossos mártires seguiremos ate a vitoria final com a paz como bandeira e o melhor estar de nosso povo como horizonte.

Vivam as FARC, viva o povo colombiano.
Contra o imperialismo com a pátria.
Contra a oligarquia, com o povo.

Secretariado do Estado Maior Central

Forças Armadas Revolucionarias de Colômbia – Exército do Povo

Montanhas da Colômbia

Maio 27 de 2012


terça-feira, 29 de maio de 2012

Assim como no Massacre da União Patriótica: paramilitares ameaçam integrantes da Marcha Patriótica

Caracas, 15 de maio de 2012, Tribuna Popular (TP) – Diversas organizações integrantes da Marcha Patriótica, um novo movimento político de esquerda, foram ameaçados pelos paramilitares autodenominados “Águias Negras” através de uma carta dirigida ao presidente do sindicato agrário Fensuagro, Alirio Garcia. A mensagem, carregada de insultos e datada do mês de maio em Cundinamarca declara como “objetivo militar” as direções de doze organizações que acusa de “financiadas pela guerrilha para o trabalho junto à população e a construção de um novo movimento”.


Também tacha estas organizações como membros da União Patriótica (UP), um partido de esquerda nascido nos anos oitenta do século passado e que desapareceu após os assassinatos sistemáticos de milhares de seus integrantes por forças de segurança do Estado e paramilitares.

As organizações ameaçadas são o sindicato Fensuagro, a Associação Camponesa dos Desplazados (“sem-terra”) – Asocamde, a Coordenação Nacional dos Desplazados – CND, a Associação Nacional de Desplazados da Colômbia – Andescol, a Coordenação Nacional de Organizações Agrárias e Populares – Conap, o Reiniciar (organização dedicada à defesa dos direitos humanos).

Também a Mesa (Coordenadoria) Ampla Nacional Estudantil – Mane, Funhascol, a Associação Nacional de Ajuda Solidária – Andas, a Mesa Nacional de Vítimas, a Casa de Amizade com a Venezuela e a Federação Nacional Sindical Nova Liderança Camponesa.

Os “Águias Negras” advertem aos ameaçados que “lhes restam poucos dias para abandonar a cidade” e os acusa de ser “destacamentos avançados da guerrilha nas cidades”.

A carta, à qual teve acesso a agência de notícias Efe, está assinada pelo “Bloco Capital DC” e seus autores acusam a suas vítimas de estar “sublevando as comunidades para que reclamem seus supostos direitos, suas terras e demais supostos benefícios por ser sem-terra ou vítimas do Estado”.

Afirma também que “estão abusando da enorme boa-vontade” do presidente Juan Manuel Santos.

A Marcha Patriótica veio à luz em Bogotá no abril passado com uma grande manifestação pacífica que percorreu as ruas desta capital e congregou milhares de pessoas vindas de todo o país.

Trata-se de um movimento que tende a ocupar o espaço político deixado pelo União Patriótica e que, junto ao Pólo Democrático Alternativo (PDA), se constitui na única oposição ao governo de Unidade Nacional do presidente Santos.

Os “Águias Negras” encerram a carta com o desejo de “acabar logo com esta praga que é a UP para a Colômbia”.

Estas ameaças se somam a dois casos de rapto e outros de assassinatos de integrantes da Marcha Patriótica desde sua apresentação oficial em abril, segundo denunciaram seus integrantes.

Fonte: Rede Diário Digital

http://www.pcv-venezuela.org/index.php?option=com_content&view=article&id=1408:tal-como-en-la-masacre-de-union-patriotica-paramilitares-amenazan-a-integrantes-de-marcha-patriotica&catid=29:colombia&Itemid=23

Tradução: Partido Comunista Brasileiro (PCB)

Movimento dos Pequenos Agricultores realiza mobilizações em todo o país durante Jornada Nacional de Luta Camponesa.

Cerca de 10 mil camponeses e camponesas de 17 estados do país, organizados pelo Movimento dos Pequenos Agricultores, estarão mobilizados entre os dias 28 de maio e 1º de junho, na Jornada Nacional de Luta Camponesa.

Os camponeses e camponesas vão às ruas para reafirmar o compromisso de luta com o campesinato e os trabalhadores urbanos, e cobrar ações do estado brasileiro que garantam e fortaleçam a produção de alimentos saudáveis no campo para a geração de renda das famílias cam­ponesas e o abastecimento das famílias da cidade.

Para que o campesinato continue produzindo 70% da comida que vai a mesa do povo brasileiro, o movimento reivindica políticas públicas voltadas para melhoria da qualidade de vida no campo, que incluam o acesso à terra, investimento na produção, beneficiamento e comercialização de alimentos, moradia e educação camponesa, incentivos para que os camponeses continuem preservando o meio ambiente, e mudança do modelo agrícola brasileiro, com o fortalecimento da agricultura camponesa e da produção agroecológica. Além disso, o MPA reivindica solução definitiva para o problema das dívidas dos pequenos agricultores.

O MPA ainda questiona e denuncia as mudanças do novo Código Florestal, que beneficia diretamente os latifundiários do agronegócio, legitima o desmatamento já realizado e abre fronteiras agrícolas sobre as nossas florestas e áreas de preservação.

A jornada traz também como pauta central o combate ao uso de agrotóxicos e a construção de uma nova dinâmica de produção no campo, caracterizada pelo fim dos latifúndios e dos monocultivos, e que priorize a produção de alimentos para garantia da soberania alimentar do povo a partir da agricultura camponesa com base agroecológica.

Durante a semana , diversas audiências nacionais e estaduais estarão sendo realizadas para garantir a pauta de reivindicação do movimento. Já foram solicitadas reuniões com 17 ministérios, entre eles o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), Ministério da Agricultura, Ministério das Cidades (MC), Ministério da Cultura (Minc), Ministério da Saúde (MS), Ministério do Desenvolvimento Social e combate à fome (MDS), Ministério do Meio Ambiente (MMA), Ministério de Minas e Energia (MME); além de reuniões com a Anvisa, Caixa Econômica Federal, Receita Federal, Banco do Brasil, Companhia Nacional de abastecimento (Conab) e Embrapa.

Pautas específicas

A jornada pede soluções imediatas e definitivas para o problema do endivi­damento agrícola e a criação de uma linha de crédito subsidiado para a produção de alimentos, desbancarizado e com paga­mento pela produção.

Os camponeses e camponesas cobram do estado a criação de um programa público de paga­mento por serviços sócio-ambientais realizados pelas famílias camponesas, que garanta o incentivo de um salário mínimo por família ou propriedade que cumpra as regras estabeleci­das pelo Código Florestal Brasileiro. Ainda dentro da pauta de meio ambiente, o MPA solicita a criação de um programa de apoio à experiências cooperativadas de produção de Energias Renováveis como: PCHs, aerogeradores, micro destilarias, unidades de óleo vegetal e biodiesel, biodigestores, etc;
Em relação à educação, o MPA reivindica a reabertura das escolas do campo e adaptação dos currículos escolares com a realidade cam­ponesa, além da criação de uma bolsa permanência, para jovens estudantes e recém formados, para que per­maneçam no campo trabalhando em prol do desen­volvimento da comunidade.

O MPA cobra do governo que programas como PAA e Habitação Rural, sejam transformados em políticas públicas para que possam garantir a permanência dos serviços prestados aos campesinato e que seus recursos sejam ampliados. Ele ainda pede o fortalecimento da CONAB, com pessoal, estrutura e orçamento, com estratégia para a soberania alimen­tar brasileira. Em relação ao Programa Luz Para Todos, o pedido é que seja feita a ligação imediata de energia para todas as famílias cadastradas no Luz para Todos e que haja melhoria na qualidade da energia onde já foram ligadas.
Tendo em vista as demandas oriundas do PAA e PNAE, o movimento pede que se leve em conta uma legislação específica e que se crie um programa massivo de pequenas agroin­dústrias.

Diante das catástrofes ambientais vivenciadas atualmente por vários estados brasileiros, como chuvaradas e secas prolongadas, o movimento propõe a criação de mecanismos que permitam ao governo uma reação emergencial para esses problemas.

Para garantir uma transição massiva para agroecologia, o MPA reivindica a criação de um programa que fortaleça essa iniciativa, com crédito apropriado, políticas de comercialização, logística para insumos agroecológicos e diferenciação em todas as políticas públicas para quem der passos no processo de transição para esse modelo.
http://www.mpabrasil.org.br/

(*) Matéria reproduzida página do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA). 

Piedad Córdoba em Telesur


A Defensora dos Direitos Humanos e ex-senadora Piedad Córdoba expressou, neste domingo, em entrevista exclusiva para teleSUR, sua satisfação por conhecer o comunicado das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia [FARC], na qual deram a conhecer que a libertação do jornalista francês Romeo Langlois terá lugar na próxima quarta-feira 30 de maio.
Expressamos nossa satisfação e alegria por esta muito boa notícia, já que na quarta-feira o jornalista poderá estar com seus familiares, amigos e amigas”.
Córdoba agradeceu a agilidade e compromisso do governo de François Hollande e das FARC. “Agradecemos a agilidade do governo francês, assim como também o gesto das FARC de finalizar a entrega do jornalista”.
Córdoba, que se encontra no México com a equipe de produção do programa Causa Justa, que se transmite todas as segundas-feiras em teleSUR, assegurou que regressará a Colômbia imediatamente para pôr-se à disposição do Comitê Internacional da Cruz Vermelha e das FARC.
Já mesmo empreendemos voo de regresso ao Distrito Capital [México] para tomar um voo que nos leve a Bogotá [Colômbia] e colocar-nos à disposição do CICV e das FARC para conhecer as coordenadas do lugar e outros detalhes pertinentes”.

Comunicado.

Primeiro: A libertação do jornalista francês Roméo Langlois terá lugar na próxima quarta-feira 30 de maio.


Segundo: As coordenadas do lugar onde será libertado o senhor Langlois serão entregues oportunamente à missão humanitária integrada pelo CICV, pela ex-senadora Piedad Córdoba e pelo delegado francês.


Terceiro: Nos declaramos na expectativa em torno da divulgação dos protocolos de sua segurança, indispensáveis para o êxito da operação. Todos os protagonistas desta libertação devem ser rodeados de garantias certas para sua integridade física.

15 Frente das FARC-EP. Bloco Sul.

Montanhas da Colômbia, 26 de maio de 2012

Fonte america.infobae.com 

sexta-feira, 25 de maio de 2012

LANÇAMENTO AGENDA COLÔMBIA-BRASIL NO RIO E APRESENTAÇÃO DA MARCHA PATRIÓTICA

A Agenda Colômbia-Brasil-Rio de Janeiro com o apoio da Casa da América Latina, Central de movimentos Populares, Centro Brasileiro de Solidariedade dos Povos, Coletivo Socialismo e liberdade – CSOL/PSOL, Comité pro-Conselho Patriótico da Colômbia no Brasil, Grupo Tortura Nunca Mais, Instituto de Advogados Brasileiros, Mandato do Vereador Renatinho PSOL-Niterói, Movimento dos Trabalhadores Desempregados, Movimento Nacional de Luta pela Moradia, Movimento Sem Terra, Partido Comunista Brasileiro, Partido Socialismo e Liberdade – Niterói, União da Juventude Comunista, Sindicato ADUFRJ, e Visão da Favela Brasil.

Convidamos ao lançamento da Agenda Colômbia-Brasil e a apresentação do movimento Marcha Patriótica da Colômbia, na quarta feira 30 de maio no Centro Cultural do IAB - Rua Teixeira de Freitas nº5, sala 301, Lapa.

18:00 – 18:20h vídeos sobre a Marcha Patriótica

18:20 – 19:30h apresentação da Agenda e da Marcha

19:30 – 20:00h Pronunciamento das organizações que apoiam a Agenda Colômbia-Brasil

20:00 – 20:30h ato artístico

É urgente a solidariedade internacional com o povo colombiano que sofre terrorismo de Estado: 5 milhões de pessoas desterradas forçadamente, 9.500 presos políticos, 250.000 desaparecidos, o 60% de sindicalistas assassinados no mundo, ferramenta paramilitar do Estado e as transnacionais.



O QUÉ É AGENDA COLÔMBIA-BRASIL
É um espaço social e político que busca dar visibilidade à realidade colombiana e gerar solidariedade do povo brasileiro aos movimentos da sociedade civil e organizações políticas democráticas colombianas.

Como organização não é partidária, é autônoma, horizontal, prima pela equidade de gênero, a direção coletiva e a formação permanente.

Acredita e trabalha pela construção da solidariedade entre os povos, principalmente dos povos da América Latina. Luta contra o imperialismo, a militarização e a violação aos direitos humanos; e a favor da livre determinação dos povos, a paz no mundo, a justiça social, a superação da impunidade, o resgate e a preservação da memória, e em especial pela superação do povo colombiano de sua grave situação social e política.

Seu objetivo é criar solidariedade nas organizações sociais e políticas do povo brasileiro ao povo colombiano para apoiar as lutas das colombianas e dos colombianos. E no reconhecimento de seus direitos humanos, na superação da impunidade, na solução política ao conflito armado com uma paz real e duradoura, na construção de justiça social.

Mas também é fundamental para que as organizações na Colômbia conheçam os processo de luta no Brasil, e começar a articular uma agenda comum.

Apoie, milite, divulgue:

Agenda Colômbia-Brasil!

A solidariedade é dos povos!



O QUE É MARCHA PATRIÓTICA

Na crítica situação do conflito social, político e armado da Colômbia; as classes dominantes tem provocado uma situação de pauperização para a grande maioria do povo trabalhador, que sofre o pago da dívida externa, a exploração do território pelo capital transnacional, o desenvolvimento do narcotráfico, o deslocamento forçado, além de condições de desemprego, déficit de moradia, privatização da educação, precários serviços da saúde, e as diversas formas de repressão: desaparição forçada, o mal chamado “falsos positivos”, o assassinato sistemático, a criminalização da protesta, etc. Surge a Marcha Patriótica desde o ano 2010, articulando organizações sociais (de camponeses, urbanas, sindicais, culturais, de jovens, de género, étnicas, etc) na luta por continuar com o sonho do libertador Simon Bolívar em uma segunda e definitiva independência da Colômbia e de toda pátria grande.

Nestes dois anos a Marcha Patriótica logra a unidade de mais de 1700 organizações que tem muito tempo em luta e que se unem agora pela superação do capitalismo; assim, fez seu lançamento como Movimento Político os dias 21,22 e 23 de abril de 2012 onde participaram mais de 80 mil colombianos e colombianas com o respaldo de organizações dos povos irmãos da América Latina, da Austrália, Europa, e América do Norte.

O caminho continua na construção dos conselhos patrióticos, sendo fundamental o acompanhamento e a solidariedade para que não se repita a história de extermínio às alternativas da esquerda na Colômbia.

¡A marchar pela solução política!

¡A marchar pela soberania e a integração dos povos!

¡A marchar pela unidade popular pela Segunda e definitiva independência!



POR QUE ORGANIZAR A AGENDA COLÔMBIA-BRASIL NO RIO DE JANEIRO?

No Rio de Janeiro, assistimos tanto à cooptação de alguns setores sociais quanto a resistência de outros – que também sofrem com intervenções repressivas. Os que resistem denunciam o modelo de desenvolvimento em curso no Brasil, cujo Estado se articula abertamente ao empresariado, brasileiro e internacional, na garantia do lucro em detrimento da resposta às necessidades concretas de moradia, educação, saúde, acesso à transporte. Ao contrário, se implementam diversas formas de privatização das políticas públicas e giram-se enormes montantes de dinheiro para o empreendimento dos mega eventos que o Rio de Janeiro sediará nos próximos anos, como o Rio +20, as Olimpíadas e a Copa do Mundo.

É evidente que a situação de nossos países mesmo com suas particularidades obedece a uma dinâmica mundial do capitalismo, por isso sentimos a necessidade concreta de lançar a Agenda Colômbia-Brasil no Rio de Janeiro, na tentativa de aglutinar setores no país e na cidade que sejam solidários à situação de extrema violência a que está submetido os povos colombiano e brasileiro e, desse modo, contribuir em seu processo de resistência e de construção de poder popular por meio da Marcha Patriótica e outros processos, que certamente precisarão do mais amplo apoio e articulação internacional, e que é claro, dada sua posição geoestratégica, seu avanço na luta será um avanço da nossa América Latina toda pela verdadeira democracia e pela paz com justiça social.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

PCB e UJC se solidarizam com Piedad Córdoba e a Marcha Patriótica


O  Partido  Comunista Brasileiro (PCB) e a União da Juventude Comunista (UJC) se solidarizam de forma militante  com a senadora colombiana Piedad Cordoba diante das ameaças que vem sofrendo por parte de grupos paramilitares de extrema-direita. É necessario que todas as forças comprometidas com a solução do conflito colombiano com justiça social repudiem e denunciem mais esta ação das forças reacionárias, que mais uma vez se manifestam na Colômbia sob o beneplácito do Estado terrorista - com o qual o governo brasileiro, cabe ressaltar, mantém acordos militares.
 
Por mais que as classes dominantes de nossos países tentem, elas não podem impedir os reclames  das massas. 
 
Fiéis a nossa tradição de internacionalismo proletário, estivemos (PCB e UJC) presentes na Marcha Patriótica que se deu em Bogotá nos dias 21, 22  e 23 de abril. E mais uma vez pudemos conferir isso, de forma compartilhada com o povo colombiano, nesta ação histórica.
 
Oferecemos todo apoio e solidariedade militante a senadora Piedad Cordoba e a todos aqueles que lutam por uma sociedade mais justa, para avançar na conquista da segunda e definitiva independência - com o socialismo nos países latino-americanos. 

23 de maio de 2012 

Partido Comunista Brasileiro e Uniao da Juventude Comunista

Irlanda do Norte apoia a paz na Colômbia.

Uma delegação colombiana, integrada pelo congressista Iván Cepeda Castro, a presidenta de ASFAMIPAZ, Marleny Orjuela e o diretor de VOZ, Carlos A. Lozano Guillén se reuniu em Belfast, na segunda-feira 21 de maio, com os representantes de todos os partidos políticos representados no Parlamento da Irlanda do Norte, para os quais expôs a situação colombiana e lhes solicitou o apoio para a busca da paz e solução política dialogada do conflito. O compromisso foi unânime. “Sem pretender que existam modelos ou cópias para imitar, é importante o apoio do Norte da Irlanda, onde se realizou um acordo de paz que trouxe a paz e a reconciliação entre os irlandeses”, disse Carlos Lozano.


Nos próximos meses, uma delegação de partidos irlandeses visitará a Colômbia para estabelecer contatos com o Governo Nacional e a sociedade civil. “Temos muito que aprender do processo irlandês que logrou a paz entre forças que pareciam irreconciliáveis”, assinalou Iván Cepeda.

Posteriormente, a delegação colombiana se reuniu com o primeiro-ministro Peter Robinson e o vice-primeiro-ministro Martin McGuinness do Partido de Sinn Fein. Foi um encontro cálido e amistoso em que se intercambiaram opiniões sobre a paz na Irlanda e a necessidade de que na Colômbia se abra um cenário de diálogo para buscá-la, disseram os colombianos. A delegação colombiana esteve acompanhada de Mariela Kohon, diretora de Justice for Colombia, ONG que organizou a visita.

Na terça-feira 22 de maio vão a Dublin e na quarta-feira 23 estarão em Londres, onde serão recebidos na chancelaria, por parlamentares trabalhistas e sindicalistas.

 

terça-feira, 22 de maio de 2012

A Marcha Patriótica, oposição estigmatizada e ameaçada



Por Luis Jairo Ramirez H.


As reações histéricas, quase instintivas, da atual direção do país frente à emergência do movimento social e político – Marcha Patriótica – nos mostram de novo uma oligarquia colombiana petrificada, que não permite evolução alguma para a democracia. Nas cabeças da “Unidade Nacional” começam as maquinações para ver como sacar de cima semelhante incômodo. Os laboratórios de inteligência da Polícia e do Exército trabalham as 24 horas do dia para idealizar estratégias midiáticas, políticas e militares que enfrentem ao novo “espantalho terrorista” que ameaça os privilégios de sempre. Novamente, os meios de comunicação, em vez de destacar as dimensões políticas e multitudinárias da marcha, optaram por um julgamento a Piedad Córdoba... De onde saiu o dinheiro para sufragar a marcha? Alguém assinalou: tudo do pobre é roubado...!! A história da intolerância oficial se repete uma e outra vez.
A violência dos anos 40 do século passado se explica na negativa das elites dominantes a admitir uma oposição real. A mentalidade monárquica da política tradicional colombiana resiste a qualquer sinal de inconformismo, com maior razão se provém da base mesma da sociedade. É a ideia de que os de baixo devem dedicar-se a fazer sapatos ou vender frutas, porque as questões da política e o poder são assunto exclusivo dos de cima, e quando os de baixo jogam o feitio dos sapatos para o lado, fazem política e pensam no poder, automaticamente são convertidos em “terroristas”, “ficam à margem da Lei”, porque a legalidade, a justiça, a democracia e a liberdade também têm uma conotação de classe na medida em que são bens exclusivos das grandes fortunas... Os de baixo foram concebidos para serem resignados e obedientes.
A 9 de abril de 1948, essas elites despóticas, assustadas pela irreprimível marcha de Eliécer Gaitán para o poder, não tiveram outra opção que assassiná-lo. Gaitán, ademais, não agradava a elas por ser negro e irreverente e o custo de preservar o poder para os conservadores foi um holocausto de 300 mil colombianos. Nos anos 60, também asfixiaram a Frente Unida do sacerdote rebelde Camilo Torres, fechando-lhe todos os espaços para a ação política aberta e, finalmente, foi assassinado quando recém dava seus primeiros passos insurgentes.
Pouco depois da fraude eleitoral contra a Anapo, nos inícios dos anos 70, se formou a União Nacional de Oposição – UNO –, constituída pelos comunistas, o Moir, setores da Anapo e liberais independentes; então, os governantes bicolores e militares da época brandiam o discurso e as ações anticomunistas em campos e cidades; ainda recordamos o assassinato de José Romaña Mena, vice-presidente do Conselho de Cimitarra, ultimado pelo DAS em 1975; ou o dos companheiros Nicolás Mahecha e Javier Baquero, vice-presidente do Conselho de Yacopí, em 18 de outubro de 1975 por tropas militares; depois, o exército assassinaria o Presidente do Conselho de Cimitarra e militante do Partido Comunista, companheiro Josué Cavanzo, a 9 de janeiro de 1977; em 7 de outubro de 1979, cai assassinado o vice-presidente do Conselho de Puerto Berrío, DARÍO ARANGO, dirigente do PCC e da Associação Nacional de Barqueiros. Os assassinatos em massa durante a atividade política da UNO na década dos anos 70 foram o preço de se declararem inconformados frente às tremendas injustiças de uma direção política medíocre e violenta.
Produto dos acordos de paz entre o governo de Belisario Betancur e as FARC, se lançou à vida pública a UNIÃO PATRIÓTICA [UP], Movimento Amplo de Oposição que propôs à sociedade colombiana um programa de transformação democrática que atraiu uma importante simpatia; no entanto, uma aliança do Estado Colombiano, os pecuaristas, o narcotráfico, o paramilitarismo e certos dirigentes políticos do bipartidarismo afogaram em sangue a mais importante possibilidade de paz no país. 5 mil líderes políticos e sociais assassinados são o testemunho cruel da selvageria de umas elites liberais e conservadoras que foram capazes de ordenar todo um genocídio para manter seus privilégios econômicos e políticos. Hoje, tratam de lavar suas culpas com infames desculpas: que a combinação das formas de luta, que ajustes de contas e lutas internas entre a UP e as FARC etc. Na realidade, a estigmatização por parte de altos funcionários do governo, militares e políticos tradicionais através dos grandes meios de comunicação instigou a matança que ainda se encontra na impunidade e, aliás, foi deixada à margem da recente “Lei de vítimas e restituição de terras”.

UM POLO DEMOCRÁTICO DEMONIZADO PELA MÍDIA E PELO PODER

Em 2005 se constitui o POLO DEMOCRÁTICO ALTERNATIVO, até agora o mais ambicioso movimento de unidade da esquerda. Nas eleições presidenciais de 28 de maio de 2006, nas quais resultou reeleito o presidente-candidato Álvaro Uribe Vélez, o ex-magistrado Carlos Gaviria, candidato do POLO, conquistou o segundo lugar, superando o candidato liberal Horacio Serpa e, assim, o Polo Democrático Alternativo obteve a máxima votação na história da esquerda colombiana, com 2.609.412 (22% da votação). A reação do governo de Uribe Vélez não se fez esperar, se desatou a mais violenta e sistemática atividade criminal para acabar com a oposição encarnada no POLO. Um jornal dos EEUU assinalou que “recursos dos Estados Unidos foram usados para espiar e adiantar campanhas de difamação contra os setores de oposição, entre outros”. A própria Promotoria qualificou como “empresa criminosa” a operação para difamar e atentar contra o POLO desde o DAS, e conspirar vinculando-o com grupos ilegais. O diretor de Notícias de RCN, Juan Gossaín, editorializou: “Isto não são chicotadas, isto é a espionagem mais horrenda e asquerosa e repugnante do mundo, com atentados terroristas”. Aproximadamente 20 líderes do Polo foram assassinados e mais de 49 ameaçados. Isto o Ministério do Interior sabe, porém pouco se está fazendo a respeito.


PERSPECTIVAS E PERIGOS QUE CERCAM A MARCHA

Desde a Marcha Nacional do Bicentenário de 19 a 21 de julho de 2010, que lotou as ruas de Bogotá, passando pelo Encontro multitudinário de Barrancabermeja de agosto de 2011, até a convocatória de 1.700 organizações sociais, partidos políticos, personalidades de toda a nacionalidade e mais de 100 delegações internacionais ao lançamento do Movimento Político e Social Marcha Patriótica, este período de 21 a 23 de abril de 2012 marca uma sequência da mobilização popular e uma guinada significativa da vida política nacional. É evidente que, para a maioria dos colombianos, este modelo de sociedade com a maior desigualdade de toda a América Latina, com uma classe dirigente belicosa e repressiva, um regime que facilita às transnacionais o saque do petróleo e dos minerais, uma pobreza que supera 67%, o maior índice de desemprego e precarização do trabalho dos últimos anos, com 5 milhões de deslocados e um roubo violento de terras, uma juventude à qual se fecham todas as possibilidades de estudo e uma crise de direitos humanos sem antecedentes, não é o modelo de sociedade com o qual sonhamos.
Tal como ocorreu nos últimos 60 anos, como se fosse um disco arranhado, todos a uma: Governo, FFAA, parapolíticos, meios de comunicação, gritam em coro que “a marcha patriótica é uma fachada das FARC”. Quem acreditaria... até há pouco apregoavam “o fim do fim” da guerrilha, e agora, de repente, vociferam que 100 mil marchantes chegados das mais diversas regiões do país, têm a ver com as FARC...!!! E os gastos? Não, senhores, não foi como o financiamento paramilitar da campanha Presidencial e de Congresso às elites em 2002 e, após, em 2006, que constitui o mais tenebroso período que conhece a história nacional. Neste caso, 1.700 organizações sociais financiaram, cada uma, sua própria mobilização, em meio a uma infinidade de retenções militares e de ameaças paramilitares como a do nordeste antioquenho; se alojaram em hotéis humildes e em barracas, se limitaram a comer pamonhas, arroz com frango e café. Com intoxicações incluídas. As precariedades a que estão acostumados os pobres durante lustros.
Não foi como na convenção nacional conservadora ou a convenção do Partido da U, movidas em aviões, alojadas em luxuosos resorts e comidas tipo buffet, com coquetel de despedida ao final, que tampouco passam por inumeráveis revistas do exército, senhor Presidente Santos.
A Marcha Patriótica não era uma convenção de banqueiros, industriais, pecuaristas, terratenentes e um que outro mafioso. Não. Na realidade, o que gerou suspeitas é que era uma convenção de desfarrapados, campesinos, indígenas e afrodescentes deslocados, sobreviventes do genocídio da UP, um que outro operário, um que outro intelectual, muitos jovens, boa parte deles estudantes, até artistas, a maioria mal letrados, porém que se fazem entender, deixando claro o que querem. O que tem incomodado é que se reuniram os que [a elite] tem proibido fazer política, os que lhes vedaram pensar na democracia, na paz e no poder. Lhes aterroriza que, assim como na Bolívia, não seja um alto executivo da capital quem governe, mas sim um índio vindo de longínquas terras.



segunda-feira, 21 de maio de 2012

Repúdio à presença de Álvaro Uribe Vélez em Buenos Aires

Concentração no Obelisco, 23 de maio, 14h

Colombianos residentes na Argentina, nos pronunciamos contundentemente contra a presença do ex-presidente da Colômbia Álvaro Uribe Vélez no dia 23 de maio na cidade de Buenos Aires, no marco do WON Leadership, evento que responde a uma estratégia política de interesses neoliberais contra os povos que lutam na América. Em concordância com isso, apresenta a este nefasto personagem como um grande transformador da realidade colombiana, “pacificada” e “altamente atrativa à inversão estrangeira” depois de seus oito longos anos no poder. Evidentemente, o acima dito é um atentado à verdade sobre o que significou seu governo, que em nome da luta contra o “terrorismo” cometeu os crimes mais atrozes contra o povo colombiano, deixando em sua passagem um país fragilizado e saqueado pelo capital transnacional.

Álvaro Uribe Vélez – que, antes de ser presidente, foi declarado pelo Pentágono como o nº 82 no ranking dos narcotraficantes mais perigosos do mundo – deixou um país com cerca de 5 milhões de deslocados internos, 62.000 desaparecidos, 3.000 execuções extrajudiciais, 70% da população em condição de pobreza e miséria, o terceiro posto mundial em desigualdade econômica, 12% de crianças em condição de desnutrição crônica, 11% de desemprego, mais de 7.500 prisioneiros políticos, 6,5 milhões de hectares roubadas do campesinato, 52% da terra em mãos de 1% dos proprietários, o país mais perigoso do mundo para a organização sindical e um dos mais perigosos para se exercer o jornalismo. Cerca de 6% do Produto Interno Bruto do país se destinou à guerra, enquanto a educação e a saúde foram fatalmente desfinanciadas e privatizadas.

Denunciamos que sua Política de Segurança Democrática, mostrada como exemplo a seguir por outros governos da região, responde a lineamentos impostos pelos Estados Unidos no marco da “luta contra o narcotráfico e o terrorismo”. Entre 2001 e 2010, através do Plano Colômbia – que se transformou no Plano Patriota –, os Estados Unidos destinaram mais de 5 bilhões de dólares às Forças Militares Colombianas, posicionando o país como o terceiro recebedor no mundo de ajuda militar estadunidense, ademais de operar desde sete bases em território colombiano. No mesmo período, se negociou a assinatura do Tratado de Livre Comércio, que a única coisa que faz é acentuar as assimetrias sociais e legalizar a usurpação dos recursos naturais que pertencem ao povo.

Durante toda sua vida política, Álvaro Uribe Vélez teve nexos comprovados com grupos paramilitares, e, como produto disso, hoje em dia vários dos membros de seu gabinete estão processados judicialmente. Cinicamente, em sua qualidade de ex-presidente, criou uma fundação vinculada à direita mais recalcitrante do hemisfério, mediante a qual se promove a impunidade e a desarticulação dos processos de transformação social na América.

Ainda que companheiros tenham sido presos e criminalizados, mães seguem buscando seus filhos desaparecidos, crianças viram massacrar suas famílias e povos inteiros foram convertidos em fossas comuns, o povo colombiano resiste dignamente. Fazemos um chamado à solidariedade dos povos do mundo, entendendo que o modelo impulsionado por Uribe não é assunto do passado, pelo contrário, segue se aprofundando com o governo de Juan Manuel Santos e se converte em ameaça latente para toda a região.

Asamblea de Estudiantes Colombianos en Argentina, AECA
Colectivo Tinto, Mate y Resistencia
Red de Hermandad y Solidaridad con Colombia, REDHER
Movimiento Marcha Patriótica Capítulo Argentina - Colectivo Político América Mestiza
Comitê de Solidariedade ao Povo Colombiano (Brasil)

domingo, 20 de maio de 2012

VETA TUDO DILMA: EM DEFESA DO CÓDIGO FLORESTAL

Por Luiz Zarref
Dirigente da Via Campesina Brasil

O projeto que altera o Código Florestal brasileiro, votado nesta semana na Câmara dos Deputados, representa a pauta máxima ruralista. A bancada apoiadora do agronegócio e defensora daqueles que cometeram crimes ambientais mostrou sua coesão e conseguiu aprovar um texto de forma entrelaçada, comprometendo todo o projeto.
 
O texto está de tal forma que se a presidenta Dilma Rousseff vetar partes dele, continua a mesma coisa. Exemplo: se vetar a distância mínima de floresta recuperada na beira de rios que ficou em 15 metros – atualmente é de 30m -  o texto ainda fica sem nenhuma menção de recuperação nestas áreas. O turismo predatório em mangues também fica permitido, segundo o projeto.
 
Os ruralistas também aproveitaram para dificultar o processo de Reforma Agrária, com a restrição de dados governamentais para a população e até mesmo com a tentativa de anular as áreas improdutivas por desrespeito ao meio ambiente, tal como manda a constituição.
 
O pousio, ou seja, o descanso que se dá a terra cultivada, ficou sem qualquer restrição de tempo e de técnica. Isso acaba com o conceito de área improdutiva. O texto viabiliza as áreas que estavam paradas desde a década de 1990 com regeneração de florestas. São 40 milhões de hectares nesta situação.
 
Além disso, os ruralistas fragilizaram o Cadastro Ambiental Rural, de forma que a população não tenha acesso aos dados, escondendo todos aqueles que cometem crimes ambientais e ferindo o princípio da transparência governamental para a sociedade.
 
A presidenta Dilma tem até a semana que vem para anunciar seus vetos, mas movimentos sociais e organizações ambientalistas já estão mobilizados para que a presidente derrube integralmente o projeto que saiu do Congresso Nacional.
 
A presidenta tem nas mãos ainda vasto apoio de parlamentares, organizações camponesas, sindicatos, sociedades científicas, entidades da igreja pelo veto global.
 
O papel dos setores progressistas é fazer pressão, enfrentar ideologicamente os ruralistas e criar um clima para que a presidenta Dilma faça o veto completo desse projeto. O meio ambiente e a Reforma Agrária estão seriamente comprometidos com esse texto que sai do Congresso Nacional.