Carta em resposta a ACIN – por Timoleón Jiménez do Secretariado das FARC-EP
Companheiros:
Comandante do Estado-Maior Central das FARC-EP
Montanhas de Colômbia, 20 de Julho de 2012.
"A LUTA DE UM POVO, UM POVO EM LUTA!"
Agência de Notícias Nova Colômbia (em espanhol)
Este material pode ser reproduzido livremente, desde que citada a fonte.
A violência do Governo Colombiano não soluciona os problemas do Povo, especialmente os problemas dos camponeses.
Pelo contrário, os agrava.
Companheiros:
às
19:58
Servicio Informativo "Alai-amlatina"
Tradução do espanhol: Joaquim Lisboa Neto
Hernán Uribe
ALAI AMLATINA, 24/07/2012. – Os Estados Unidos inventaram agora o que, sem base conceitual alguma, chamam de democracia digital, denominação que oculta outra manobra ilegal contra Cuba, segundo denunciaram recentemente os órgãos informativos havaneses Radio Rebelde e o portal Cuba Debate.
Em breve, a entidade usamericana Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional [sigla em inglês, USAID], subordinada ao Departamento de Estado, oferece entregar até três milhões de dólares a cubanos que se “convertam em dissidentes digitais” para que, segundo, Washington, colaborem para uma “mudança de regime” na ilha.
A própria Casa Branca reconhece que desde 1997 gastou mais de 200 milhões de dólares em tentativas de subversão, cifra que não inclui os desembolsos dos aparelhos estritamente de espionagem e, ademais, referem-se unicamente a um curto período da extensa política agressiva para Cuba.
Atendidas as mudanças político-sociais na América Latina, Washington tem buscado também o fomento e a criação de ações conspirativas em Bolívia, Equador, Nicarágua e Venezuela, e a isso se referiu o presidente Rafael Correa quando denunciou a interferência direta de grupos externos nos países da ALBA e assinalou que “os governos progressistas não agachamos a cabeça ante nenhum império”.
O propósito de “comprar” ciberdissidentes é reconhecido numa comunicação do Departamento de Estado dirigida ao Congresso dos EEUU e que foi publicada em 24 de junho passado pelo diário El Nuevo Herald. [Estados Unidos]. É nesse escrito onde se fala, confusamente, da “democracia digital” e sugestivamente se fez público 48 horas depois do acordo das nações da ALBA de expulsar de seus territórios a USAID.
A mensagem em questão revela que a tentativa de intromissão digital em Cuba é financiada por três entidades do Departamento de Estado: o Escritório de América Latina e Caribe [da USAID], o Escritório da Democracia, dos Direitos Humanos e do Trabalho [DRL] e a de Assuntos do Hemisfério Ocidental [WHA].
Conscientes da ilegalidade de seus projetos em Cuba, não entregam detalhes acerca dos destinatários dos dólares, porém, sim, apontam que seis de nove programas ianques para Cuba se centram na tecnologia.
O tosco invento de uma “democracia digital” em 2012 marca um episódio mais na agressão permanente de Washington contra Cuba desde 1959, ano do triunfo da Revolução após a fuga de Batista desde Havana. Uma documentação norte-americana confirmatória dessas ações criminosas foi revelada no texto “La oposición fabricada” [A oposição fabricada], editada em 2001 pela Editora Política [Havana].
Nos fatos, a intromissão contra Cuba transcorre por mais de meio século, possui muitas facetas, viola descaradamente a Carta das Nações Unidas [ONU] e outras normas básicas das relações internacionais.
Se inicia com força em 1959 e se acentua em 1961, após o fracasso da invasão por Playa Girón e da decisão cubana de estabelecer-se como nação de regime socialista e culmina no período com o bloqueio econômico surgido em 1964 e vigente até hoje.
Em 1998 se desclassificou um documento da Agência Central de Inteligência [CIA] emitido em 1961 e no qual podem ser lidas confissões do general Lyman Kirpatrick, que era Inspetor Geral dessa entidade e refere-se a Cuba. (1) No início, aclara que a história do projeto cubano começa em 1959 e assinala seus aspectos básicos:
a)Formar uma organização de exilados cubanos para dirigir atividades opositoras e dar cobertura às operações da Agência;
b)Realizar uma ofensiva de propaganda em nome da oposição;
c)Criar dentro de Cuba um aparelho clandestino para a recopilação de inteligência;
d)Desenvolver fora de Cuba uma pequena força militar para ser introduzida dentro da ilha.
Advertia Kirpatrick que “a mão do governo norte-americano não apareceria”. Porém, suas “obras”, sim, emergiram com a instalação da Radio Swan, a emergência em Cuba de bandidos armados e a desastrosa aventura de Bahía Cochinos.
A ingerência e os desmandos estadunidenses se remontam, nos fatos, a datas anteriores à vitória da Revolução Cubana. Leiamos: no dia 23 [dezembro 1958], quando o regime de Batista estava à beira do colapso, os dirigentes norte-americanos buscavam fórmulas que frustrassem o iminente triunfo popular. O então diretor da CIA resumiu a discussão no Conselho de Segurança Nacional dos EEUU com uma frase imperativa: “Devemos impedir a vitória de Castro”. (2)
Ao comemorar-se, neste julho de 2012 sessenta anos do ataque ao Quartel Moncada, 56 anos do desembarque do Granma e 53 do triunfo da Revolução, se constata o fracasso daqueles confusos objetivos imperiais. A guerrilha primeiro e, em seguida, o Exército Rebelde não foram surpreendidos. Em 1958 e em Sierra Maestra o atual presidente cubano, Raúl Castro, teve a missão de organizar o Serviço de Inteligência Rebelde [SIR] e, em janeiro de 1959, por proposta de Fidel Castro, se fundou o Departamento de Investigações do Exército, enquanto que, em março, surge o Departamento de Informação de Inteligência das Forças Armadas Revolucionárias [DIIFAR]. Em junho de 1961 os órgãos antes mencionados se fundiram para estabelecer o Departamento de Segurança do Estado.
O desempenho dessa área era imprescindível ante a agressão econômica e o banditismo, pois os EEUU haviam terminado com a cota açucareira, se negou a refinar petróleo soviético e simultaneamente introduzia armas sob a falsa percepção de que triunfariam os fracassados invasores de Girón.
Emergiram bandos de mercenários e os bárbaros atentados como o caso do mercante francês Le Coubre, afundado por uma explosão de terroristas dirigidos pela CIA.
A base naval ianque instalada no usurpado território cubano de Guantánamo serviu de sustentação a grupos terroristas que foram liquidados em 1963, ainda que os últimos bandidos tenham sido capturados entre 1964/65 no Escambray.
As manobras ilegais de diverso caráter e alimentadas por Washington estão, paralelamente, acompanhadas de uma abundante propaganda que caracteriza o socialismo cubano como carente de liberdade e democracia.
Acerca desse tópico, há palavras esclarecedores de Raúl Castro:
“Quando um Estado, como o nosso, representa os interesses dos trabalhadores, qualquer que seja sua forma e estrutura, resulta num tipo de Estado mais democrático que nenhum outro tipo que tenha existido na história, porque o Estado dos trabalhadores que constrói o socialismo é, sob qualquer forma, um Estado das maiorias, enquanto que todos os estados anteriores foram estados das minorias exploradoras. A propriedade dos meios de produção se converteu de propriedade privada de uns poucos em propriedade comum de todos”. (3)
A história não só absolveu a Fidel Castro, líder primeiro do 26 de Julho e, na sequência, ator principal nas batalhas que criaram o primeiro e único território socialista da América.
Em janeiro passado escreveu em sua Reflexão intitulada “A fruta que não caiu”:
“Cuba demonstrou que – a partir de sua condição de feitoria ianque, unida ao analfabetismo e à pobreza generalizada de seu povo, era possível enfrentar ao país que ameaçava com a absorção definitiva da nação cubana”. Em alusão ao episódio de Girón, acrescentou: “A derrota e a captura de quase a totalidade dos mercenários em menos de 72 horas e a destruição de seus aviões que operavam desde bases na Nicarágua e de seus meios de transporte naval, constituiu uma derrota humilhante para o império e seus aliados latino-americanos que subestimaram a capacidade de luta do povo cubano”.
Grandes verdades em escassas palavras.
- Hernán Uribe es Periodista/escritor chileno
Notas:
(1)Ver: Inspector General, Survey of the Cuban Operation, octubre 1961.
National Archive, The New Press, New York, 1998.
(2) Foreign Relations of The United States 1958-1960, Volume Cuba,
Washington, 1991.
(3) Harnecker, Marta et al.”Cuba y la Democracia”, México, Siglo
Veintiuno, 1975.
URL de este artículo: http://alainet.org/active/56713
Mas informacion: http://alainet.org
RSS: http://alainet.org/rss.phtml
Twitter: http://twitter.com/ALAIinfo
às
05:11
Por Comando Conjunto do Sul Ocidente das FARC- EP
às
05:41
O camarada Edmilson Costa, Secretário de Relações Internacionais do PCB, esteve presente neste fim de semana no Congresso do Partido Comunista Colombiano, quando, em nome do PCB, fez a seguinte intervenção política:
às
05:26
Recentes acontecimentos de profunda repercussão nacional põem em evidência que a imagem dessa Colômbia paradisíaca, que os dois últimos governos se encarregaram de difundir ante próprios e estranhos, não passa de uma criação midiática e virtual, inventada com o objetivo de atrair o capital inversionista transnacional em crise em outras latitudes, e animada pelo deliberado propósito de enriquecer a uma elite local privilegiada, em grave prejuízo dos interesses das grandes maiorias colombianas e de nossa própria existência como nação soberana.
O estado da economia
Sérios analistas independentes e oficiais registram com alarme a vaidade incrustada na afirmação de que a economia nacional desfrutava de suficientes blindagens ante a crise mundial. O suposto crescimento econômico transbordante e incontrolável, que uribistas e santistas difundiram presunçosa e repetidamente, começa a dar mostras palpáveis de desaceleração e retrocesso, alertando, ademais, sobre o perigo iminente que significa ter apostado num projeto de desenvolvimento fundado no setor primário exportador mineiro e agroindustrial, quando o que se avista é a queda na demanda e dos preços internacionais.
Aprofundando-se essa tendência, a economia colombiana, já de por si golpeada por mais de vinte anos de abertura econômica e direcionada à desindustrialização por causa da agudização das políticas neoliberais, arrisca ser enrolada totalmente com a vigência plena dos tratados de livre comércio com os Estados Unidos, a União Europeia, Coréia do Sul, e demais pactos ansiosamente buscados e subscritos. O benefício dos setores ligados ao comércio de produtos terminados e serviços do primeiro mundo, não vai compensar a ruína do empresariado nacional, a agricultura e a pecuária, e menos ainda vai melhorar a sorte dos milhões de desempregados e informais que pulularão por todo o país.
O regime impositivo de escandalosos privilégios e as extremas facilidades competitivas que os últimos governos estabeleceram a favor do grande capital inversionista, unido à crescente debilidade da produção nacional, aponta para o esvaziamento das arcas do fisco em aumento da perniciosa dependência do crédito externo. Está visto com os exemplos das nações europeias afundadas até o pescoço na crise financeira, que a banca internacional carece por completo de decência. Aqui também serão os trabalhadores e o povo despojados da prestação de pensões, subsídios, bem-estar social, serviços como saúde e educação, os que terão que pôr a grana para pagar a dívida. Suficientes evidências impedem ignorar essa dolorosa realidade.
A Colômbia real é um país governado pelas imposições das entidades multilaterais de crédito, com um modelo de economia totalmente a serviço dos capitais transnacionais, um governo obcecado pelo rápido crescimento dos grupos econômicos que representa, umas forças militares subordinadas ao mando do Exército dos Estados Unidos e uma população majoritariamente afundada na desesperança. Não só representamos o país com a maior desigualdade do continente, como também com os índices de pobreza e miséria, de desemprego e informalidade, de corrupção política e violência nos envergonham ante o mundo.
A conjuntura política
Por outra parte, os vergonhosos episódios postos a descoberto com a frustrada reforma à justiça, a judiciliazação na América do Norte do general Santoyo, a detenção com fins de extradição do narcotraficante Camilo Torres, as eleições do Valle, as acusações e captura contra Sigifredo López, a possessão do general Naranjo como assessor no México, a publicação do vídeo de Romeo Langlois, a rebelião indígena e campesina do Cauca contra a ocupação militar e até a derrubada do avião Supertucano ao tempo que Santos celebrava seu conselho de segurança em Toribío, somam alguns dos fatos de maior impacto político com os quais a Colômbia inteira aterrissa do mundo de ilusões forjado longamente pela propaganda oficial.
Nada de exemplar e respeitável ficou em pé das chamadas instituições democráticas colombianas após o episódio da reforma à justiça. Congresso da República, o Poder Executivo e o Poder Judiciário mostraram sua mesquinharia, hipocrisia e corruptibilidade. Como se não houvera sido suficiente com o mercado de interesses pessoais que torceu pela impunidade total à narcoparapolítica, o saqueio das arcas do Estado e a arbitrariedade da burocracia uribista, o Presidente Santos, derrubado em suas próprias porcarias, optou, finalmente, por violentar uma vez mais a Constituição do ano 1991 em seu afã de sustentar um duvidoso prestígio com vistas à reeleição.
A Colômbia real se debate em meio ao drama de seu derrocamento econômico, institucional e político, atada de pés e mãos por um impressionante aparato militar, paramilitar e policial ao qual se soma o mais descarado divertimento midiático que pretende ocultar a gravidade do que ocorre. Nossa nação nem sequer conta com uma Constituição Política, acabam de desfolhá-la e pisoteá-la nas narinas de todos. Os grandes centros do poder mundial nos condenam a ser um país atrasado e dependente, fornecedor barato de recursos naturais, enquanto a oligarquia encarregada de cumprir fielmente tal propósito se enreda a dentadas pela melhor fatia.
A briga de Uribe e Santos
Não se pode entender de outro modo a disputa entre o ex-presidente Uribe e o atual governo. Nenhuma diferença ideológica os separa. Tampouco, como fica visto, nenhuma prática política. O recurso excessivo à violência cega que caracteriza abertamente ao primeiro e que o segundo modera tão só no discurso tem sua origem em seus tradicionais nexos com a máfia narco paramilitar da qual o Presidente Santos tentou, em vão, deslindar-se. Ali nasceu a fúria uribista contra a lei de vítimas e restituição. Assim como sua frenética oposição a qualquer tipo de conversação com as FARC. Em sua concepção não cabe uma ideia política diferente das suas.
A contratação pública e uma maior cota de poder alimentam o fanatismo de Uribe, do qual Santos foi seu melhor mentor no passado. A guerra declarada nem sequer chega a uma renúncia formal de sua participação ministerial ou a outras altas posições do Estado. Uribe, que em seus mandatos teceu a rede de privilégios ao capital transnacional, teme que Santos a rasgue um pouco após seu anúncio de fazer berrar os ricos com sua reforma tributária. Por isso, sua ruptura resulta propícia a estas alturas. Tudo seguirá como está. Ademais, Uribe necessita blindar-se com um governo incondicional contra qualquer atuação judicial futura. Santos já não lhe inspira confiança.
Aqui salta o outro aspecto da farsa publicitária sobre os êxitos da segurança democrática. A suposta derrota ao narcotráfico obtida com o Plano Colômbia. Os últimos governos venderam essa ideia ante o mundo e agora vem a descobrir-se a escandalosa verdade. Só se conseguiu uma sucessiva filmagem do negócio entre uns e outros capos, ao tempo em que a Polícia Nacional aparece envolvida no mais alto nível hierárquico em vínculos com a rede narco paramilitar. Santoyo, o inseparável chefe de segurança de Álvaro Uribe Vélez, e o ex-chefe antinarcóticos e da Dijín general Cesar Pinzón, são apenas os primeiros nomes da longa lista.
A que vai Naranjo ao México? Acaso a servir desde mais próximo aos cartéis mexicanos? A DEA pretende cumprir nesse país uma experiência semelhante à fracassada na Colômbia. E, pelo visto, leva os homens ideais para isso. Ao fim e ao cabo aos USA jamais lhes interessou pôr fim ao negócio, mas sim usá-lo como pretexto para suas intervenções políticas. A recente tentativa por investir de impunidade ao parlamento e altos funcionários públicos que todo o Estabelecimento apoiou na reforma judiciária desnuda o grau de decomposição da classe no poder, que agora acaba de entregar o Valle à Unidade Nacional, contra o repúdio ignorado de sua população.
Álvaro Uribe Vélez teme que seus vínculos mafiosos não possam seguir sendo dissimulados como no passado. Passos de animal grande o rondam, pelo que anseia com desespero voltar a repetir a bruxaria mediante a qual conseguiu importantes apoios em 2002 para acessar a Presidência. Por isso, sua obsessão fundamentalista contra as FARC e tudo o que em sua ótica possam representá-las. A ressurreição da velha farsa da farcpolítica que o Administrador de sua confiança empreendeu contra Sigifredo López, assim como seu renovado ódio contra a Venezuela bolivariana e revolucionária, fazem parte disso. Sua cegueira lhe impede compreender que o país mudou, e que cada dia mais consciente do engano de que foi vítima, só espera sua dura queda.
As realidades do conflito armado
A força reveladora das imagens captadas pela câmara de Romeo Langlois antes de ser apreendido pelas FARC em abril passado desnudam a outra grande mentira da segurança democrática. A da derrota das FARC-EP. A insurgência permanece presente, combativa e invencível ali onde a militarização por parte do Estado é completa, enquanto as poderosas forças militares e policiais configuradas e financiadas pelos gringos luzem nervosas, arrogantes, sim, contra a população civil de campesinos inertes, mulheres e crianças. Por sua vez, os grandes laboratórios que informam resultam ser, na verdade, pequenos tugúrios de miséria.
Se não houvesse ocorrido o combate que filmou o jornalista francês, o Exército regular haveria difundido mundialmente sua propaganda difamatória e caluniosa. A que serve aos interesses norte-americanos de intervenção militar na América do Sul, a que se presta para encobrir os negociados que se celebram ao redor do mercado da guerra, a que permite que generais da República encham suas arcas a serviço dos grandes capos do narcotráfico, enquanto disparatam em público contra as máfias e acusam as FARC de ser o verdadeiro cartel. A guerra que permite aos apoios uribistas concentrar mais terras e esbulhar mais campesinos.
Da mesma maneira, o acionar militar das FARC na Guajira, Norte de Santander, Meta, Antioquia, Guaviare, Nariño, Putumayo, Huila, Tolima e, em geral, em todo o território nacional, atrai especialmente a atenção sobre o estado [departamento] do Cauca, pois naquele cenário confluem de modo particular as incidências da luta armada guerrilheira com as do movimento campesino, indígena, negro e popular contra o modelo neoliberal de Santos e suas locomotivas. Ninguém que se preze de ser medianamente objetivo pode desconhecer na Colômbia de hoje a simbiose fundamental que existe entre os grandes projetos mineiros, energéticos ou agroindustriais e a ofensiva militar que se cumpre contra os territórios ocupados por colonos, pequenos mineiros, comunidades negras e indígenas.
O que a gente do Cauca e grande parte da Colômbia está exigindo é que cesse a guerra contra ela. A guerra das operações militares e paramilitares, dos bombardeios e metralhamentos, das invasões e capturas massivas, a guerra do despojo e do abandono. O que Santos e toda a oligarquia rendida de joelhos ante o grande capital sustentam em seus discursos e meios de comunicação é que são as FARC, a quem não vacilam em qualificar com os mais grosseiros adjetivos, os quais chegaram ao Cauca a perturbar a vida de seus habitantes. Por isso proclamam que todo mundo deve abraçar a arremetida contra nós, ao tempo em que rotulam como furiosos aos que se lhes oponham.
A verdade é muito diferente, são eles os agressores, são eles os ladrões e violentos. Assim tem sido desde quando em 1965 um aristocrata Presidente nascido em Popayán e falecido recentemente em Rochester, Nova Iorque, desatou a nefasta Operação Riochiquito contra os indígenas e campesinos caucanos. Que não venham agora com contos chineses. A história da Colômbia não mente, ainda que se tente borrá-la e até se exclua seu ensinamento das aulas de nível médio.
O que Santos busca no Cauca ou na Sierra Nevada de Santa Marta, como fiel herdeiro dos conquistadores e encomendeiros espanhóis, é comprar com espelhinhos e pequenas migalhas que louvem a recém fomentada ambição de alguns caciques indígenas, a passividade e a submissão de suas gentes ingênuas. E a ler o bando em que anuncia que aqueles que se oponham a sua religião de prosperidade democrática vão conhecer o peso de sua força militar ou judicial. Por isso obtém zombarias e repúdio. Por isso as comunidades se negam a escutá-lo. Por isso lhes grita irritado desde longe que o Exército e a Polícia não abandonarão jamais suas posições.
O estimulante despertar da luta de massas
Acima das políticas e politiqueiras, acima das campanhas midiáticas de embrutecimento, acima da ofensiva terrorista do Estado com seus aviões bombardeiros que já começam a ser derrubados, são cada dia mais os colombianos que despertam da traição à qual estiveram tanto tempo submetidos, são cada vez maiores as fileiras da gente decente indignada com o que a casta governante está fazendo com a Colômbia. Por todas as esquinas da pátria se levantam as vozes e os braços dos afetados com as políticas do regime, das mulheres e homens que compreendem a necessidade da luta, das cidadãs e cidadãos que sonham viver num país democrático, em paz, justo, soberano e livre de tanta imundície.
O decoro generalizado e furioso que obrigou Santos a recuar com sua reforma judicial, do mesmo modo que a dignidade contundente e massiva do estudantado que o obrigou a descartar sua reforma da educação superior, requerem multiplicar-se de modo organizado e consciente na atual e decisiva conjuntura. Para a reconstrução da Colômbia não resultam suficientes o inconformismo, o desprezo de sua classe política, a repugnância para seu projeto de país. É necessário pronunciar-se energicamente contra isso, com a força da expressão multitudinária. Resulta urgente, por tanto, recorrer à unificação de forças com todos os setores indignados, conformar uma irreprimível torrente popular contra a indecência oficial.
Com o movimento operário, campesino, indígena, de negritudes, de mulheres, de desempregados, de pequenos e médios mineiros, de estudantes, de profissionais empobrecidos, pequenos e médios empresários, industriais e comerciantes, a academia, a intelectualidade, o professorado, os informais e trabalhadores independentes, os partidos e organizações de esquerda ou de clara definição democrática. Com os liberais e conservadores aterrorizados com tanta podridão, até com os policiais e militares jubilados e esquecidos pelo regime que os usou, com os crentes, os cristãos, os ateus, os jovens, os anciãos e todas as minorias discriminadas. Conscientização, organização, protesto, resistência e mobilização ativas. Eis aí a tarefa prioritária. Somar e unificar a rebeldia do povo colombiano pelas mudanças.
A bandeira da paz envolve a luta pelo poder
Sendo claros de que a guerra civil colombiana enfrenta a arrogância brutal do capital e seu modelo de dominação contra as massas populares alçadas em armas contra sua violência, e conscientes de que com ela como pretexto o poder tem imposto o despojo como tradicional meio de acumulação da propriedade, e a repressão como sua forma natural de governo, a primeira missão desse poderoso movimento popular unificado tem que ser a de lutar por colocar fim ao conflito armado, por pressionar o executivo nacional, a sua classe política corrupta e a suas forças militares, a aceitar o caminho de uma solução dialogada, pacífica e democrática.
Sem imposições que a façam impossível. E com todo o país tomando parte nela. Basta já do continho da chave oculta no bolso. A paz não pertence à oligarquia militarista e violenta, pertence ao povo, que a reclama para poder viver melhor. Uma solução política necessariamente entranha profundas reformas no campo institucional, em matéria de distribuição da terra e das riquezas, em questão do projeto econômico de país, do papel a desempenhar pelas forças armadas, da atenção social dos colombianos. Por isso as vozes destes devem ser ouvidas, respeitadas e atendidas em qualquer processo para a reconciliação. E se isto não for possível com o atual governo, haverá que levar ao poder a outro que, sim, tenha essa disposição.
O qual implica o desafio para o palpitante movimento pela dignificação da pátria, de pensar com seriedade na possibilidade de trabalhar numa campanha política de claro caráter renovador. É de importância cardeal plantar uma alternativa limpa, nova, democrática, ampla, capaz de arrebatar das mãos o domínio do Estado a corrupta classe dirigente atual. Um movimento de colombianos honestos pelo poder, que abra a esperança no obscuro panorama que depara o país continuar sob a égide de uma ou outra das seguras alternativas que projetará a oligarquia em 2014. Massas organizadas, unidas, com propósitos claros, são capazes de impor finalmente seus propósitos. É fundamental crer nisso.
Um novo governo democrático, amplo e pluralista poderá, por fim, soltar as amarras que nos atam, aos colombianos, à horrível noite da violência. Possibilitar acordos de paz, construir umas forças armadas que defendam o interesse de todos os nacionais e não os de uma casta antipatriótica, materializar uma existência democrática na qual a voz das maiorias seja quem determine o caminho a empreender, encaminhar o país por um desenvolvimento econômico baseado na produção e no trabalho de todos os colombianos, zelar pela saúde, educação, o emprego e o bem-estar geral, sem favoritismos, entregar a terra aos que queiram e possam trabalhá-la, e assisti-los em sua atividade e crescimento, usar as riquezas naturais para o bem de todos, resgatar nossas culturas e solucionar em justiça os mais graves problemas sociais.
Se fala agora de outras possíveis vias, como a convocatória a um referendo que revogue os atuais poderes, ou a promoção de uma Assembleia Nacional Constituinte que tenha a potestade de recompor por completo o país. Todos os recursos da luta popular contam para unificar contra o regime. Sem perder de vista que o caminho de submeter em algum momento o desejo pelas mudanças à decisão dos mesmos poderes estabelecidos pode terminar numa simples maquiagem que relegitime a ordem de coisas vigente. A Constituinte de 1991 dissolveu o parlamento e, apesar disso, a mesma classe política contaminada voltou a controlar tudo. O poder constituinte não pode deixar-se enredar em considerações legalistas. Ele cria, ele faz, ele pode.
A vigência de nossa luta
Está claro que as FARC-EP não vamos trair o legado de nossos fundadores e mártires. Nem a voltar as costas à gente humilde de nosso país que conhece diariamente o peso da arrogância, o despojo e o terror que parte do Estado. Assim como numa manhã de maio 48 anos atrás, os heroicos campesinos de Marquetalia decidiram empunhar as armas e sonhar com a tomada do poder para o povo, os combatentes de hoje ratificamos de novo que jamais entregaremos nossos sonhos após uma humilhante rendição e desarme. Só uma transformação profunda das condições vigentes em nossa pátria pode possibilitar e garantir a paz, que é a paz na qual temos acreditado desde nosso nascimento.
Queríamos e sonhávamos com uma mudança por vias pacíficas e democráticas, porém nos foram fechadas violentamente uma e outra vez desde o governo de Guillermo León Valencia. Hoje podemos assegurar que um diálogo distante e à revelia do país, como o pretende Santos, só terminará por intensificar mais a confrontação. Nossos sentidos permanecem atentos ao avanço da rebeldia e da organização dos de baixo. Com eles, sim, estaremos em todos os cenários aos quais os conduza seu acionar pela paz e pelas mudanças. Sejam quais sejam os rumos que o destino depare ao esforço por democratizar a Colômbia, tão imensamente renovado e latente hoje, as FARC-EP estaremos sempre ao lado de nosso povo. E venceremos com ele, juramos.
SECRETARIADO DO ESTADO-MAIOR CENTRAL DAS FARC-EP
Montanhas de Colômbia, 22 de julho de 2012
Tomado de http://www.mbsuroccidentedecolombia.org
às
21:03
Por ANNCOL
Joaquín Pérez, ex-vereador da União Patriótica em dois períodos no município de Corinto, do departamento [estado] do Cauca. São centenas de vereadores, prefeitos e congressistas da UP que foram assassinados pelo Terrorismo de Estado que não permitiu a então nova alternativa política ao bipartidarismo que ganhava terreno em todo o país.
“Minha saída da Colômbia obedeceu a essa perseguição asfixiante das forças militares e sicários no norte do Cauca”.
Entrevista com Joaquín Pérez Becerra, diretor de ANNCOL, encarcerado no cárcere Picota.
A seguinte entrevista é realizada por ATHEMAY STERLING ACOSTA, diretor da Rádio e Televisão Palenque, RTVPalenque, do estado do Valle.
1 – RTVPalenque: Companheiro Joaquín, por que razões você teve que se deslocar da Colômbia para a Suécia há 21 anos?
· Foi no ano de 1993, ou seja, há 19 longos anos. Em 1995, num ato na Plaza de Bolívar, convidado pela UP expressei meu rechaço ao extermínio desta organização política nascida dos acordos de La Uribe do ano 1984 e, também, uma saudação dos exilados radicados na Suécia – recordo que nos degraus desse lugar estavam situadas, simbolicamente, centenas de cruzes. Desde esse ano – 1995 – não tenho pisado território colombiano. Minha saída da Colômbia obedeceu a essa perseguição asfixiante das forças militares e sicários no norte do Cauca. Como vereador da União Patriótica nos períodos de 88-90, 90-92 e deputado neste último período também, só esse motivo significava carregar uma lápide nas costas, a intolerância política do regime oligárquico desse período impediu ter-nos poupado milhares de mortos, milhares de desaparecidos, milhares de deslocados e desterrados ao exterior. Desafortunadamente, nada mudou, Santos continua na mesma direção “chumbo e mais chumbo”.
2 – RTVPalenque: Que era você na Colômbia antes de converter-se em Refugiado e Nacional nesse País Escandinavo?
· Egresso como graduado da Escola Naval de Cadetes/Cartagena e depois, em fins da década dos 80’ estudante de engenharia industrial com título da CUAO de Cali. Membro do Partido Comunista Colombiano em inícios de 1983 e, evidentemente, da UP quando o partido faz parte dessa coalizão histórica, chegando a ser vereador e deputado no Cauca por eleição popular.
3 – RTVPalenque: Que fazia e como vivia na Suécia?
· No início, a pessoa deve estudar o idioma para poder se vincular à sociedade sueca, enquanto estuda recebe um salário do estado para sobreviver. Ou seja, passa pela escola municipal em estudo do sueco e outras matérias, entre elas, manejo de computadores. Logo após, Cooperativismo e uma tecnológica em IT na Runö Folkhögskola, instituição da social-democracia sueca. Gradualmente, comecei a trabalhar em geriatria – manejo de anciãos e incapacitados. Já em 2005, me dediquei plenamente a esta atividade laboral, e em meus momentos livres a seguir detidamente o conflito colombiano e a escrever artigos, notas e demais textos na agência ANNCOL.
4 – RTVP: Como cidadão Sueco e, ademais, Comunitário, foi alguma vez requerido pela justiça dos Países Comunitários?
· Para nada, em absoluto. Sempre me movi na legalidade constitucional da Suécia. Tenho vigentes todos os meus direitos, portanto, isso dá fé de que sou um cidadão de bem. Meu passaporte e cédula em regra com meu nome: Joaquín Pérez Becerra. No escritório de impostos em dias com minhas obrigações tributárias.
5 – RTVP: Em Caracas, quem o deteve e que razões jurídicas argumentaram para privá-lo de sua Liberdade?
· Não recordo o nome do general que dirigiu essa operação, sim que era requerido pela Interpol e que, portanto, ficava privado da liberdade.
A solidariedade australiana exige LIBERDADE PARA JOAQUÍN!
6 – RTVP: Como se levou a cabo sua deportação ou extradição da Venezuela para a Colômbia?
· Enganosamente me deportaram para não enredar-se na “incômoda extradição” por sugestão de Vargas Lleras. Me montaram num carro da SEBIN [Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional] – se não me falha a memória – e pela rota que levava me dei conta que me entregavam ao governo colombiano.
Vergonhoso incidente para um governo bolivariano.
7 – RTVP: Como Diretor da Agência de Notícias Nova Colômbia, atuava pública e legalmente na Suécia?
· O uso da internet está imerso na livre expressão liberdade de imprensa e liberdade para informar. É uma ferramenta de fácil acesso para qualquer pessoa, empresa, banco ou qualquer organização social no mundo. Por isso decidimos, Dick Emanuelsson e eu, constituir a Agência de Notícias Nova Colômbia [por suas siglas em espanhol, ANNCOL]. Os dois foram também co-fundadores da Associação Jaime Pardo Leal, núcleo de exilados da UP e do Partido Comunista Colombiano fundamentalmente.
8 – RTVP: A você, que o conheci desde que era quase um menino, logo após militante comigo do Partido Comunista Colombiano e da União Patriótica, dos quais foi Vereador Municipal no marco de nossa Constituição Política, crê que lhe estejam cobrando com retroatividade, mediante montagens judiciais, estas atividades políticas legais suas e de toda a Oposição Política ao Regime de Democracia Limitada na Colômbia?
· Correto. Uma conta de cobrança dos donos do poder. Acrescente-se o êxito alcançado pelo nosso trabalho na agência ANNCOL, milhares de leitores nos consultam diariamente. Quem pode afirmar que o publicado na ANNCOL era e é falso? Ninguém, em absoluto. A ira do estabelecimento é que fomos líderes em abordar o conflito desde uma margem racional – impossível de tocar, diziam alguns – o tema da guerrilha parte e solução do conflito social e armado. Fomos capazes de mostrar ao mundo essa outra realidade e, ainda mais, rachar o muro midiático no qual ainda se mantém na Colômbia, desafortunadamente.
Solidariedade desde Venezuela com Joaquín Pérez.
9 – RTVP: Em que consistem estas montagens que vêm alguns, desde a própria Embaixada Colombiana na Suécia, quando o Governo Colombiano, de maneira ilegal, espia não só aos Governos e Países onde tem suas Sedes Consulares, como também a pessoas como você que expressam, como eu, opiniões críticas, no marco de nossa consciência, à vulnerabilidade dos Direitos à população e à oposição política por parte do Terrorismo de Estado Colombiano?
· Desde o nascimento da ANNCOL sentimos a perseguição e pressão do Estado colombiano. Não toleram que chamemos as coisas por seus nomes. Colômbia é um estado terrorista que pratica a violência para perpetuar-se no poder. E que há outros setores populares e revolucionários que o que fazem é resistir – entre eles, a guerrilha – até que à classe dominante se lhe dê o desejo de concluir sua sangrenta tirania, disfarçada de eleições, numa mesa de diálogos ampla que nos conduza a uma verdadeira paz.
10 – RTVP: Quem é o “fabulista de Estocolmo” a que se dedica este indivíduo que todo mundo o considera um policial político que persegue a oposição política ao regime pró-fascista colombiano?
· Eu diria, melhor, que um “louco fabulista”, desejoso de dádivas e benefícios da promotoria. É a modalidade deste ente fiscal. Busca suas testemunhas nos esgotos das cidades, o mais decomposto mentalmente que se aproxime a suas possibilidades de manipular e conduzir um processo induzido. Esse sujeito, Miguel Antolinez, entrevistado pelo intendente Pidiachi em maio de 2011 em Estocolmo, é um desocupado, segundo informações da solidariedade sueca.
· Ao cúmulo de dizer na audiência que me havia conhecido na Colômbia, quando a esse indivíduo o vi duas ou três vezes em Estocolmo. Que o havia recrutado para as FARC quando eu pertencia à JUCO. Nunca fui dessa organização e uma série de mentiras próprias de débeis mentais. Finalmente, uma pessoa em seus cabais não se presta a testemunhar em favor da promotoria colombiana.
11 – RTVP: De que se lhe acusa na Colômbia? Tem sido respeitado em seus Direitos enquanto está arbitrariamente privado de sua Liberdade na Picota do Patio 10 da ERON?
· Se me acusam de Concerto para delinquir agravado com administração e financiamento do terrorismo. É um absurdo pensar que escrever sobre um conflito automaticamente se converte alguém em terrorista. Devo dizer que tenho duas cirurgias pendentes, isso corresponde a Caprecom.
14 – RTVP: Que palavras envia, companheiro, colega e amigo Joaquín Pérez Becerra à cidadania nacional e internacional, agora que sofre os rigores do terrorismo de Estado Colombiano como Preso Político de Consciência?
· A Colômbia não suporta mais ultrajes nem abusos por parte do governante de turno. A única saída é o diálogo para superar este derramamento de sangue desnecessário. Juntos, podemos construir um país melhor.
Radio Televisión Palenque agradece e é solidário com o Colega, amigo e camarada Joaquín Pérez Becerra, Preso Político de Consciência, junto a quase dez mil colombianas e colombianos pelos quais advogamos e exigimos sua libertação imediata.
Athemay Sterling Acosta
Diretor de Radio y Televisión Palenque1
às
05:37
Imagem: Areito,/ Texto: Azalea Robles
às
04:37
às
21:17
às
06:07