"A LUTA DE UM POVO, UM POVO EM LUTA!"

Agência de Notícias Nova Colômbia (em espanhol)

Este material pode ser reproduzido livremente, desde que citada a fonte.

A violência do Governo Colombiano não soluciona os problemas do Povo, especialmente os problemas dos camponeses.

Pelo contrário, os agrava.


segunda-feira, 26 de março de 2007

Recuperemos a memória histórica

Em qualquer país do mundo medianamente democrático, quando um governante, dirigente político e inclusive empresarial, se vê envolto em um escândalo, como o que compromete seriamente Uribe, renuncia de imediato. Uribe Vélez não renunciará porque está convencido, tal qual seu homólogo Bush, que são iluminados por Deus para combater o “terrorismo”, que é como hoje chamam aos povos que lutam por justiça, soberania, independência e dignidade.


A segurança democrática de Uribe funciona com 400 insolentes ao seu redor protegendo-a!


[Juan Leonel Forero y Luís Pedro Lizcano Pérez/ANNCOL]

Todos os meios de comunicação afetados pelo sistema, os colunistas, comunicadores de imprensa, radio e televisão, tem comentado e seguem comentando, uns com indignação e outros com assombro o “fenômeno” da narco-parapolítica. Se perguntam quando ocorreu na Colômbia um desastre semelhante? Uns de boa fé, outros com ingenuidade, mas há um setor bastante grande que não transmite credibilidade no que diz, pensa ou faz.

O paramilitarismo não é um fenômeno novo na Colômbia, já o denunciamos, já foi estudado e existem dezenas de livros, talvez centenas, onde de forma clara e precisa se analizam os feitos; pode ser que hoje hajam fenômenos novos como o narcotráfico que leva muita gente a buscar dinheiro fácil e a cometer delitos, mas essa não é a causa fundamental da violência.

Quando a violência se propagou não existia o narcotráfico nem cartéis. Mas existia a violência praticada pelos donos da terra que expulsavam os camponeses e os indígenas de suas terras; existia a violência dos patrões contra os trabalhadores que pediam melhores condições de vida, a violência política contra os que estavam fora do governo e existia a violência direta das companhias gringas que ordenaram o assassinato de milhares de trabalhadores das bananeiras em 1928, usando o Exército da Colômbia para executar seus brutais massacres. Tudo ocorreu porque desde essa época a classe governante colombiana vem seguindo as diretrizes e políticas do imperialismo yankee.

O assassinato do caudilho liberal Jorge Eliécer Gaitán (1948); o massacre de 300 mil colombianos (1948-1953); a agressão à Villarrica Tolima (1955) e a agressão à Marquetalia (1964) foram acontecimentos marcados nos planos do imperialismo norte-americano. Esse foi o resultado da aplicação da guerra fria primeiro, logo os conflitos de baixa intensidade e agora a Doutrina de Segurança Nacional, chamada eufemisticamente, “Segurança Democrática”.

Esses planos foram implementados em toda a América Latina e causaram milhares de mortos e desaparecidos. Hoje estão julgando um ou outro militar no Uruguai, Argentina e Chile e inclusive estão pedindo a extradição de Henry Kissinger ao Paraguai, acusado de ser o autor intelectual do Plano Condor, carrasco de milhares de pessoas nos países do Sul.

O grande pretexto pregado foi o de impedir o “avanço” do comunismo na região. Qualquer pessoa que fosse dirigente sindical, comunitário, estudantil, camponês, indígena ou líder de esquerda, era assassinado, desaparecido, torturado ou ameaçado. Os mesmos meios de comunicação que hoje se “aterrorizam” com a magnitude do problema, em seu momento e época apoiaram as ditas agressões. Onde estavam o El Tiempo, El Espectador, os políticos dos partidos liberal e conservador que nunca denunciaram o genocídio? Onde estavam os Juízes? Nunca iniciaram investigações. Onde estava a hierarquia da Igreja Católica? Jamais condenou o genocídio. Porque todos eles não denunciaram a aberta intromissão imperial? Pelo contrário, a apoiaram entrincheirando-se no Santo Benito do anticomunismo. Porque nunca se sancionou, investigou nem se condenou a nenhum dos oficiais da Polícia, nem do Exército nem ao tenebroso SIC (Serviço de Inteligência de Colômbia) por tão horrorosos crimes? A resposta a estas e outras perguntas, é simples: porque com o pretexto da defesa da “democracia” se compartilhava e estimulava a barbárie.

As seguintes décadas tem estado marcadas pelas expulsões e os exílios forçados, os assassinatos seletivos, os massacres, o aniquilamento da oposição. Onde quer que apareça com força um movimento político de oposição é massacrado; desde o MRL (Movimento Revolucionário Liberal – 1959); FU (Frente Unido do Padre Camilo Torres – 1959); UNO (União Nacional de Oposição – 1972); FD (Frente Democrática – 1978); até chegar à UP (União Patriótica – 1985) a qual assassinaram seus Conselheiros, Deputados, Representantes na Câmara, os Senadores, milhares de ativistas e dois candidatos presidenciais.

Porque diante desse espantoso genocídio, não houve ou repúdio da classe política, da classe empresarial, os jornalistas, os meios de comunidação? Pelo absurdo, anticomunismo de então, o mesmo que hoje esgrime o Presidente Álvaro Uribe Vélez e seus principais Ministros e Assessores para justificar o terrorismo de Estado, afogar a verdade e que impere a impunidade.

O anti-comunismo têm sido e é a única ferramenta que o uribismo acredita ter em mãos, em sua desesperada atitude defensiva, para empreendê-la contra o Pólo Democrático. O assassinato sistemático de militantes do Partido Comunista e de outras forças de esquerda e progressistas, é parte inseparável do assassinato da oposição ao sistema. O aplicaram no passado e seguem aplicando-o agora.

Chama a atenção de muitos daqueles que se auto-proclamaram de esquerda, estejam navegando na mesma lagoa onde navegam o imperialismo e seu lacaio. Deslumbrados e comprometidos por um transitório posto que lhes fora dado em troca de seu ato de traição, não tem inconveniente em declarar-se escudeiros da narco-parapolítica e da classe governante responsável pela crise pela qual está atravessando a institucionalidade colombiana.

As declarações de Mankuso, constituem apenas uma parte ínfima da verdadeira história do nosso martirizado país, e tem o objetivo de desviar a verdade para que tudo fique igual. Se as pessoas que esse personagem sindica, estão mortas, quem será investigado e julgado? Quem responderá pelas vítimas e pelos danos? Ninguém! Com essa comédia (a entrega dos paramilitares) estão tentando fazer com que o Estado, o Estabelecimento e a classe governante, responsáveis pela crise que a Colômbia vive, fiquem limpos. Assim foi em épocas passadas e querem faze-lo agora.

Por isso têm assassinado e seguem assassinando a quem denuncie a barbárie. Assassinaram a Manuel Cepeda Vargas e a centenas de jornalistas que tiveram o valor de não se calar, de exigir justiça, de contar para o mundo o que estava ocorrendo em Colômbia; a milhares de dirigentes de esquerda que se opuseram ao terror dos todo-poderosos donos do país; a milhares de dirigentes sindicais que têm denunciado as centenas de empresas que patrocinam o paramilitarismo; a dezenas de dirigentes indígenas que têm tido o valor de lutar por seus direitos. Por isso têm assassinado e expulsado milhares de lutadores populares e defensores dos direitos humanos; os têm assassinado, desaparecido ou expulsado para que nada nem ninguém os denuncie.

Em qualquer país do mundo medianamente democrático, quando um governante, dirigente político e inclusive empresarial, se vê envolto em um escândalo, como o que compromete seriamente Uribe, renuncia de imediato. Mas ele não o fará apesar dos parlamentares, eleitos com os mesmos votos que elegeram Uribe estarem no cárcere. Não renunciará apesar do chefe da Polícia Política (DAS) e os inflamados oficiais do Exército (condecorados e enaltecidos pelo Presidente), também estarem no cárcere; assim como os ministros, governadores, vereadores, deputados e conselheiros que estão sendo investigados pela vinculação com milhares de assassinatos, torturas e a expulsão de mihões de pessoas. E não renunciará porque está convencido, tal qual seu homólogo Bush, que são iluminados por Deus para combater o “terrorismo”, que é como hoje chamam aos povos que lutam por justiça, soberania, independência e dignidade.

Temos que impedir que a classe governante, o Estado e Estabelecimento voltem a escapar e se perca a oportunidade de que o povo conheça a magnitude da tragédia; temos que fazer com que a comunidade internacional saiba quem são os verdadeiros responsáveis de tanta dor, desaforo e morte; temos que conseguir que todos os que tem sido vítimas da violência sejam ressarcidos moral e materialmente. A memória histórica não se deve perder, temos que lutar para que haja justiça.

Para fazermos tudo isso é imprescindível a mais ampla e sólida unidade, onde estejamos todos os que de uma forma ou de outra temos nos oposto ao Estado narcoparamilitar da Oligarquia e do Império.

Os partidos políticos de esquerda, as organizações sociais da cidade e do campo, os intelectuais e profissionais democrata, os estudantes, os camponeses, os indígenas e as pessoas que não fazem parte de nenhuma organização política nem partido, devem estar representados para participar de um projeto unitário de longo alcance, que culmine primeiramente na renúncia imediata de Uribe e sua Gentalha. Pela Paz, a Dignidade e a Independência da Pátria para instaurar um novo governo que se comprometa na investigação e castigo dos responsáveis intelectuais e materiais dos paramilitarismo de Estado, a ressarcir moral e materialmente as milhões de vitimas do terrorismo de Estado, estabeleça um sistema econômico que garanta a soberania sobre os recursos naturais e a justa distribuição das riquezas, em benefício dos pobres da Colômbia. Com um novo Regime político de acordo com a integração que vem acontecendo na América Latina e o Caribe. Que se comprometa a construir a reconciliação e a Paz com Justiça Social entra a família colombiana e se amplie a democracia para o que o povo exerça um verdadeiro controle das gestões administrativas, políticas e sociais da administração do Estado; para que NUNCA MAIS VOLTE A OCORRER A TRAGÉDIA QUE ESTAMOS VIVENDO HOJE.

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domingo, 25 de março de 2007

Não é hora de conflitos

É possível reconciliar um país dividido como a colombia e pôr fim à guerra? O chefe da Comissão Internacional das Farc, a guerrilha da selva, acha que sim, dice la Revista Istoé en entrevista al comandante del Secretariado Nacional de las FARC, Raúl Reyes.



Raúl Reyes


[Por HUGO MARQUES, Revista Istoé]

Publicada entrevista de Raul Reyes, à revista brasileira Istoé:

http://www.terra.com.br/istoe/1952/entrevista/1952_vermelhas_01.htm

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Márquez: Uribe inimigo confesso da Venezuela

Disse em artigo enviado a ANCOLL: “Não tem (Uribe...) nenhuma autoridade moral para pedir prudência a seus desavergonhados ministros. E como terá, se dos escritórios de sua polícia secreta planejou o assassinato de Chávez”?


Uma das missões de Uribe é tratar de assassinar Chávez!


[O lamaçal do Embaixador / Iván Márquez*]

Cada vez que aparece o tema das FARC ou da Revolução Bolivariana da Venezuela, excitam-se os funcionários do regime de Bogotá, e mesclam ambas as realidades como se tratassem de um mesmo fenômeno.

O primeiro deles é o próprio Presidente Uribe, inimigo confesso da Venezuela que não tem nenhuma autoridade moral para pedir-lhe prudência a seus desavergonhados ministros. E quem terá, se dos escritórios de sua polícia secreta planejou o assassinato de Chávez”?

O que dizem sobre a FARC não nos inquieta. Ao fim e a cabo, somos insurgência armada contra um regime podre, uma força beligerante com uma estratégia definida rumo ao novo poder. Sabemos que ficam assustados com a perspectiva da explosão social, com a existência de uma guerrilha bolivariana que não pode ser bloqueada com o “Plano Patriota” do Comando Sul. Então, é compreensível que nos ataquem. Porém, a Venezuela é outra dimensão. Ali há um governo legítimo e verdadeiramente democrático ratificado até a saciedade pelo soberano, que é o povo, e, entendemos, deve ser objeto de um tratamento respeitoso como o que se usa nas relações internacionais, a não ser que estejam preparando terreno para alguma provocação previamente combinada com o governo de Washington.

Do Ministro da Defesa todo o mundo sabe que é um furioso e raivoso antichavista, e antibolivariano. Que o Ministro do Interior e da Justiça só estão repetindo as considerações de Uribe nos conselhos de ministros sobre a democracia venezuelana. Porém este novo e improvisado embaixador, cada vez que abre a boca para falar da Venezuela encharca-a de lama.

Primeiro, organizou um evento cultural em Armenia, um vergonhoso show contra o embaixador venezuelano na Colômbia. Depois disse que o governo da Venezuela apoiava candidaturas políticas em Arauca e no departamento insular de San Andrés e Providencia. E agora sugere, de Washington, com má intenção, que Chávez e a revolução bolivariana são uma espécie de fonte de inspiração ideológica para as FARC.

É um pobre homem este ministro. Viajou até Washington para disparar contra as FARC e contra a Venezuela. Disse que tinha uma idéia “que não podia precisar”, no sentido de que Simón Trinidad, prisioneiro do império, tivesse tido relação com a sua retenção na Colômbia. Nem mesmo que o guerrilheiro tivesse o dom da ubiqüidade. Se o que pretendia era testemunhar contra Simón nas cortes gringas, só conseguiu certificar ao mundo que o faria, porém, com base em uma mentira.

O chanceler Araújo é tão só um instrumento do cabeça da narcoparapolítica na Colômbia, o ilegítimo presidente Álvaro Uribe Vélez. É um egoísta que longe de ser objeto da solidariedade que clamava sua liberação mediante a troca dos prisioneiros, agora quer para seus ex-companheiros cativos na selva a sorte dos imolados em Urrano pela insensatez do resgate militar.

Deve levar em conta, o senhor Araújo, que seu cativeiro político não o redime do roubo de Chambacú à gente pobre de Cartagena. Que se seu caso não prosperou diante dos tribunais não foi precisamente por haver demonstrado sua inocência.

Sabe lá o diabo o que pretende quando diz, de Washington, que nas FARC se estuda Chávez e se vêem documentos da Revolução Bolivariana na televisão. Os guerrilheiros, sim, analisarmos cotidianamente os acontecimentos mundiais.

Nos estremece, por exemplo, a terrível injustiça do governo Bush bombardeando todos os dias o povo iraquiano sem que a maioria dos governos, que se proclamam democráticos, digam algo. Fustigamos as razões imperiais para a devastação de Beirute. Causa-nos espanto quando escutamos os gringos dizerem que o governo narco-paramilitar de Uribe é o mais legítimo do mundo. Conversamos sobre o aquecimento global e o tratado de Kioto. Discutimos sobre os protestos populares em Oaxaca e Copenhague. Analisamos tanto o triunfo dos Democratas nos Estados Unidos, como o triunfo de Correa no Equador, ou o de Ortega na Nicarágua. A saúde de Fidel e a luta de Evo o presidente Aymara. Ou a turnê simultânea de Bush e do Presidente Chávez...

E pensamos que os povos do mundo estão se preparando para grandes transformações. E que na América Latina e no Caribe, de novo marcha Bolívar com um exército de povos.

Senhor Presidente, senhor Ministro, é isso o que os preocupa?

*Integrante do Secretariado das FARC-EP, Montanhas da Colômbia, março de 2007.

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sábado, 24 de março de 2007

Demissão e julgamento de Uribe, fora Estados Unidos da Colômbia

Sob o governo de Álvaro Uribe Vélez, a situação política e humanitária na Colômbia piorou. O drama que representa a escalada de violência patrocinada pelos Estados-Unidos e executada pelo Estado colombiano se reflete só em parte nas estatísticas, por trás de cada cifra há a dor de uma família, o luto de um sindicato, o medo dos campesinos.


Uribe Vélez, vulgo ´Prudência´


[Campanha internacional Colômbia 2007]

Sob o governo de Álvaro Uribe Vélez, a situação política e humanitária na Colômbia piorou. O drama que representa a escalada de violência patrocinada pelos Estados-Unidos e executada pelo Estado colombiano se reflete só em parte nas estatísticas, por trás de cada cifra há a dor de uma família, o luto de um sindicato, o medo dos campesinos, eis aqui alguns dados que ilustram a democracia paramilitar e neoliberal de Uribe e Estados- Unidos na Colômbia:
  • De cada dez sindicalistas assassinados no mundo, 9 são assassinados na Colômbia.
  • Nos primeiros nove meses do governo de Uribe, aumentaram os desaparecimentos forçados em 40%.
  • Houve 2.000 detenções arbitrárias em comparação com o ano anterior 2001.
Entre os anos 2002 e 2004:
  • Foram detidas 4.750 pessoas, em sua maioria campesinos, acusados de ajudar a guerrilha.
  • São desaparecidas 7 pessoas por dia.
  • Os paramilitares mataram pelo menos 2.548 civis.*
Desde julho do ano 2000 até junho de 2006:
  • Registraram-se 8.202 assassinatos por razões políticas.*
  • Há 3 milhões e meio de deslocados.
Situação social:
  • O desemprego é de 24%, ou seja, 3 milhões de pessoas. Afetando mais duramente a jovens e mulheres. Só no mês de agosto do ano 2006 houve 8.534 pessoas que perderam o emprego.
  • Há uma média de 29.800 subempregados por dia, isto é, que trabalham de 2 a 3 dias por semana.
Não se incluem dados recentes sobre massacres e a saída massiva para o estrangeiro.

* fonte: Comissão Colombiana de Juristas.

I.A verdade, pouco a pouco, abre caminho
  1. A Corte Suprema de Justiça ordenou a captura de três paramilitares uribistas: Álvaro García, Jairo Merlano e Erick Morris, acusados de pertencer aos bandos paramilitares (esquadrões da morte), que assolaram a costa. De acordo com fontes próximas à defesa, “há muito mais gente comprometida”. Os três políticos da bancada de Uribe se encontram prófugos.
  2. As perguntas da justiça e as declarações de paramilitares processados demonstram, sem lugar a dúvidas, que Uribe Vélez, o vice-presidente Santos, os ministros e a chanceler María Consuelo Araújo Castro arrecadaram dinheiro do narcotráfico e utilizaram os paramilitares nas eleições presidenciais passadas. E que, sem esse concurso mafioso e terrorista, Uribe não haveria sido reeleito.
  3. Como destacou o documento de Defense Inteligence Agency dos Estados Unidos, elaborado em 1991 e conhecido mais tarde: “Álvaro Uribe Vélez é um político colombiano e senador que trabalha com o cartel de Medellín a altos níveis do governo. Uribe tem estado ligado a atividades de narcóticos nos Estados Unidos. Seu pai morreu na Colômbia por suas conexões com os narcotraficantes. Uribe trabalhou para o cartel de Medellín”.
  4. As declarações anunciadas do chefe paramilitar Salvatore Mancuso podem agudizar a crise política. Sobre um fundo de escândalo, o país se interroga sobre a sorte de tantos desaparecidos e quem se responsabiliza por tantos pérfidos crimes. Todo o qual – apesar de serem denunciados pela esquerda desde há muito tempo – hoje adquire uma nova dimensão.
II. Uma necessária saída para a atual crise
Saída democrática, justiça e paramilitarismo
  1. O problema atual é muito mais profundo que uma ou outra ilegalidade cometida por Uribe e seu clã. É o sistema político mesmo que perdeu o que lhe ficava de legitimidade.
  2. Abre-se caminho rapidamente, uma crise que tem uma única saída válida: A instauração de um sistema democrático e o fim do reino da máfia paramilitar e seus títeres.
  3. Esta crise, que parte pelo político, abarca todas as áreas do acontecer nacional e das instituições. A mudança profunda que requer a Colômbia se sintetiza numa reorientação diametralmente oposta à que tem seguido até agora o país.
  4. Para começar, Uribe deve renunciar. Novas eleições devem ser organizadas com verificação e garantias internacionais.
  5. O novo governo de “salvação democrática” será uma ampla coalizão de todos os setores democráticos e patrióticos e terá como primeira tarefa desmontar todo o edifício jurídico e institucional atual. Depois, resolver os problemas sociais gerados pelos governos neoliberais, pró-norte-americanos e paramilitares.
  6. Devem ser esclarecidas todas as violações aos Direitos Humanos cometidas pelo Estado, pelo paramilitarismo e pelos latifundiários.
  7. Todos os responsáveis dos crimes devem ser condenados e dissolvidos os bandos paramilitares.
  8. Soberania nacional e integração continental. A ingerência norte-americana na política interna de nosso país tem sido o principal detonador da violência, chegando a desfigurar nossa convivência nacional.
  9. A intromissão de norte-américa tem obrigado nosso país a subscrever tratados injustos como o Tratado de Livre Comércio (TLC), e levado nossos governos a sustentar acordos muito lesivos contra os interesses de nosso país.
  10. Todos os tratados ou negociações que vulneram a soberania nacional, como o Tratado de Livre Comércio (TLC), o Plano Puebla Panamá (PPP) e a Área de Livre Comércio para as Américas (ALCA) devem ser anulados.
  11. Colômbia deve inserir-se no processo de integração latino-americana que favorece o desenvolvimento econômico e social dos povos da região. Especialmente a ALBA – Alternativa Bolivariana para América Latina e Caribe, conformada por Venezuela, Cuba, Bolívia e, proximamente, Equador.
  12. Na Colômbia, o presidente só pode ser destituído por uma maioria qualificada do congresso. O qual é impossível com a composição atual. Muitos dos eleitos são representantes do paramilitarismo.
  13. Por tanto, se trata de empurrar Uribe para a renúncia, graças à pressão interna e no estrangeiro com o isolamento e questionamento de sua legitimidade na eleição recente e seus vínculos com a máfia e os paramilitares.
  14. A solidariedade internacional pode agudizar a crise atual e ajudar a um desenlace feliz. Por isso, há que retomar todos os contatos, buscar apoio em novos setores políticos, sindicais, culturais, religiosos, democráticos, jornalistas, ONGs e governos e instituições européias.
  15. Por uma saída negociada ao conflito colombiano.A sociedade colombiana aspira à superação do longo conflito armado, político e social. Para isso, se devem criar condições para o intercâmbio humanitário de prisioneiros, para, assim, dar passagem aos diálogos de paz entre a insurgência e o governo, os quais devem incluir – ademais das óbvias garantias – uma perspectiva de solução aos problemas sociais de que padece o povo colombiano.
  16. A União Européia, sob a pressão dos novos aderentes do ex-bloco socialista e a direita européia, se alinha com a política dos Estados- Unidos.
  17. A ministra de Relações Exteriores da Colômbia, Consuelo Araújo, quem visitará, em princípios de janeiro de 2007, alguns países da União Européia (Alemanha, Suíça, Bélgica, Portugal, Espanha e o Parlamento Europeu), com o fim de promover as relações políticas e comerciais, não deve ser recebida por estes governos, já que ela é uma das representantes da narcopolítica.
  18. Com nosso trabalho, buscamos apoio político para uma saída política ao conflito colombiano. Isso implica a derrota do governo de Uribe, dado que este constitui o principal obstáculo à realização destas negociações e ao término da guerra.
III. Redobrar a solidariedade com o movimento democrático e popular

Nossa demanda é clara:

Democracia agora:
Demissão e julgamento de Uribe
Fora Estados-Unidos da Colômbia!

O sistema democrático esvaziou-se de todo seu sentido. Nosso país requer a instauração de uma democracia efetiva, onde os violadores dos Direitos Humanos sejam castigados e não possam fazer a lei.

Pela soberania nacional

Exigimos a demissão de Uribe porque seus vínculos com a máfia e os paramilitares o inabilitam para exercer este e qualquer cargo público.

Apoiamos as denúncias dos familiares das vítimas do terrorismo de Estado. Toda a verdade deve ser publicada e os responsáveis intelectuais e materiais condenados. Constatando que, na Colômbia, não há a mais mínima garantia para o julgamento de Uribe e de seus seguidores, apoiamos a demanda da Federação Internacional de Direitos Humanos, FIDH, foi solicitado em junho do ano 2005, para que a Corte Internacional de Justiça, com sede em Haia (Países Baixos), tome o caso. Para isso, convocamos a uma Campanha de Apoio a esta demanda de investigação, cujas assinaturas devem ser enviadas a:

Nome e cargo:

Luis Moreno-Ocampo
Fiscal Geral da Corte Penal Internacional

Endereço:

Boïte Postale 19519
2500 CM, La Haye
Pays-Bas

[proximamente, difundiremos o e-mail para facilitar a campanha, porém não seria mau pensar em reunir as assinaturas da campanha e fazer uma cerimônia de entrega com representantes por países... Se acordar-se realizar esta parte da campanha, enviaremos uma carta-modelo para reenviar a nossos amigos através do e-mail...]

A demanda da FIDH à CPI inclui que se estudem os crimes de guerra atribuídos aos membros das milícias paramilitares que participam no processo de desmobilização. A FIDH, igualmente, solicitou que a CPI estude e persiga o Presidente colombiano Álvaro Uribe Vélez e outros funcionários do governo por omissão de perseguir em justiça os crimes contra a humanidade.

Conclusão:

A superação da crise atual na Colômbia passa por:

Democracia agora:

Demissão e julgamento de Uribe!

FORA ESTADOS UNIDOS DA COLÔMBIA!

Realizar uma campanha internacional exigindo a demissão de Uribe e todo o seu governo por conluio com o paramilitarismo e com a máfia. Apoiar a solicitação de que a Corte Penal Internacional de Haia julgue a Uribe e aos paramilitares pelos crimes contra a humanidade.

Apoiar a campanha européia de respeito aos direitos democráticos e sindicais na Colômbia.

Atividades da campanha: [só para organizações]

Chamamos a apoiar a luta do povo colombiano na hora atual.

Os aspectos práticos desta seção “Atividades da campanha” não serão publicados, são notas de trabalho a nível de organizações e não estão destinados a todo o público.

Princípio de unidade política:

Três elementos políticos importantes a manter em vigência em nossas discussões e comunicações ante o público:

Primeiro: Colômbia necessita de uma democracia verdadeira e não a paramilitar e neoliberal atual.

Segundo: Uribe deve ser demitido e deve ser julgado pela Corte Penal Internacional de Haia por acobertamento dos paramilitares, responsáveis de crimes contra a humanidade, sancionado pelo direito internacional.

Terceiro: Os Estados-Unidos têm usado a Colômbia como um laboratório da guerra psicológica e de massacres de civis. A economia, em lugar de servir aos interesses nacionais, está orientada a satisfazer as necessidades do sistema financeiro e das multinacionais norte-americanas.

O futuro do país: Após a demissão de Uribe, devem organizar-se novas eleições realmente democráticas. O país necessita de um processo de solução política ao longo conflito nacional. Uma maneira de facilitar esse processo é a realização do intercâmbio de prisioneiros entre o governo e a insurgência.

Princípio de descentralização: Cremos que cada organização e em cada país, as atividades devem ser acordadas diretamente e segundo a capacidade e sensibilidade locais.

Objetivo central: Isolar o governo colombiano e impedir o desempenho de seus representantes na Europa. Por exemplo, se se realiza a visita da ministra Araújo Castro, de Relações Exteriores, poderíamos manifestar-nos em todas as capitais européias.

Objetivos parciais: Em cada país constituir, na medida do possível, uma mini-coordenação para levar adiante a primeira fase da campanha, dando a conhecer a declaração e prevendo um par de atividades de informação para ampliar o público de chegada. Partir da realidade concreta de cada país e realizar progressos, intercambiando informação para compartir as experiências e progredir conjuntamente.

Materiais de campanha: Pelo momento, temos só a declaração que apresentamos agora, porém, pensamos que completaremos com outros provenientes da Colômbia e alguns destinados ao público europeu que não necessariamente estão informados ou interessados nos últimos acontecimentos.

Unitários acima de tudo: Cremos que uma grande dificuldade para tirar proveito da conjuntura e derrubar Uribe reside na divisão. Desejamos a unidade mais simples sobre a base de exigir a saída de Uribe, a democratização do país e a defesa da soberania nacional frente à intromissão dos ESTADOS-UNIDOS.

Cuidado com as provocações: As declarações de paramilitares podem destruir o governo [dada a suposta “traição” de Uribe, que pretende extraditá-los], porém, podem também abrir um novo capítulo de divisões e acusações no seio da esquerda. Toda declaração de paramilitares que comprometa a reconhecidos dirigentes da esquerda deve ser manejada com muita cautela. Os paramilitares são inimigos do movimento popular e, com Uribe, as contradições são secundárias. Seria doloroso que, em lugar de centrar-se em derrubar Uribe, se comece uma caçada de bruxas entre companheiros.

Saída da crise e solução política do conflito: Uribe é a carta do fascismo dependente dos ESTADOS-UNIDOS, a carta da solução militar contra o movimento popular e armado colombiano. A derrota de Uribe Vélez e o que ele representa é uma condição para que se abra um capítulo novo numas negociações que permitam uma saída política ao longo conflito armado.

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Repúdio à intervenção dos Estados Unidos na Colômbia.

Conclama a “Associação Jaime Pardo Leal” em mensagem enviada à redação de ANNCOL. Segundo Ceclia Calero, presidente desta organização de exilados colombianos na Suécia, “vamos protestar em frente à embaixada dos Estados Unidos, em Estocolmo, para denunciar, diante da comunidade e meios de comunicação suecos, o sangrento conflito colombiano apoiado fundamentalmente por Washington e a sutil cumplicidade dos governos da União Européia, e, igualmente pela liberação dos manifestantes populares, como Simón e Sonia ilegalmente extraditados aos Estados Unidos.”


Sonia e Simon foram extraditados aos Estados Unidos porque lutam contra a fome, a miséria e a exploração de milhões de colombianos.


[ANNCOL]

Neste sábado, ao meio dia do dia 24 de março, convocamos todas as organizações solidárias com a Colômbia para protestarem contra a intervenção criminosa dos Estados Unidos em nossa querida e saudosa Colômbia, afirma Ceclia Calero.

A intervenção da Casa Branca nos assuntos internos da Colômbia é total, explica-nos Cecília, “os gringos dominam todos os espaços de nossa vida. A justiça e a economia, para citar apenas dois exemplos, são dirigidas por eles visando seus próprios interesses, contando, para isso, com a benevolência submissa [nota de tradução: no original, “benevolencia cipaya”, em que cypaia eram pessoas dos povos originais que colaboravam com os exércitos invasores] da direção liberal conservadora colombiana. Todos os planos de agressão como o pomposo “Plano Colômbia”, são elaborados nas oficinas da Casa Branca e aceitos sem pestanejar pelos governantes colombianos”.

A Europa não tem uma política exterior própria.

À pergunta: o que faz a União Européia em relação ao conflito social e armado que atravessa a Colômbia, Cecila nos diz: “A maioria dos governos europeus está submetida ao que diga e faça o presidente Bush. Por exemplo, o senhor Carl Bildt, Ministro do Exterior da Suécia, critica Cuba pela violação dos direitos humanos na ilha e blablablá... Porém, pelo que se sabe, lá as pessoas não morrem de fome, todos vão à escola, ninguém morre nas portas dos hospitais, não matam a oposição nem massacram povoados inteiros; na Colômbia, tudo ao contrário. E está provado até a exaustão que o governo de Uribe é um mafioso, promotor e chefe do paramilitarismo que assassina pessoas indefesas”.

Chiquita Brand financia os paramilitares.

A imprensa democrática dos EUA descortinou outro escândalo: o da companhia bananeira Chiquita Brand que tem grandes inversões na região de Urabá dominada pelos Paramilitares e que financiou com milhões de dólares e armas os massacres cometidos por estes. Segundo denúncias a serem comprovadas, também financiou as campanhas eleitorais do presidente Uribe Vélez ao governo de Antioquia e à presidência da república. Qual sua opinião sobre isso?

“Cada dia aparecem novos escândalos nos meios de comunicação ligados ao governo, que já não podem ocultar por mais tempo toda esta realidade, e que mostram o seguinte: Que o chamado Narco-Para –Urbismo auspiciado e patrocinado generosamente por Wasghinton, é uma realidade monstruosa que ninguém mais se atreve a negar. Esta denúncia das eleições da Antioquia deve ser totalmente esclarecida”.

Finalmente, Cecília Calero explica-nos o que será feito no próximo dia 24 de março, “vamos protestar em frente à embaixada dos Estados Unidos, em Estocolmo para denunciar diante da comunidade e mios de comunicação suecos o sangrento conflito colombiano apoiado fundamentalmente por Washington e a sutil cumplicidade dos governos e da União européia, igualmente pela liberação dos manifestantes populares, como Simón e Sonia ilegalmente extraditados dos Estados unidos.”

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sexta-feira, 23 de março de 2007

“Too little, too late”

“Chávez é o líder ideológico da guerrilha na Colômbia”. Assim, levianamente, o Chanceller colombiano Fernando Araújo se referiu ao presidente Chávez, diante de nada mais, nada menos que o Conselho sobre Relações Internacionais dos Estados Unidos (U.S. Council on Foreign Relations). “Too little, too late” (muito pouco, muito tarde), esclamamos indignados ao escutar a pueril desculpa colombiana. Escreve Juan Carlos Vallejo.


Fernando Araújo, vulgo ‘Chambacú’


[Juan Carlos Vallejo/ANNCOL]

“Chávez é o líder ideológico da guerrilha na Colômbia”. Assim, levianamente, o Chanceller colombiano Fernando Araújo se referiu ao presidente Chávez, diante de nada mais, nada menos que o Conselho sobre Relações Internacionais dos Estados Unidos (U.S. Council on Foreign Relations).

Por que o diz, como o diz, contra quem o diz, diante de quem o diz, não cabe a menor dúvida de que a infame declaração estava planejada e tinha o objetivo de limpar a imagem da narco-democracia colombiana, dar a impressão de que o importante agora é Uribe frear o avanço das intactas FARC-EP e denunciar suas “perigosas relações” com o presidente venezuelano.

Por quem o diz, pois o Chanceller é a voz da Colômbia diante da comunidade internacional. O que ele diga ou faça, estará representando o país (por isso que saiu a senhora Araújo). E que não venham dizer que o fez “em caráter pessoal”, como estão acostumados, ou que “foram mal interpretadas suas palavras por seu inglês ruim”, pois as reuniões com o Conselho são programadas com muita antecedência então não há improvisações nem são convidadas para elas humoristas ou estrelas do rock, nem pessoas pelo estilo.

Como disse, foi claro que as palavras foram calibradas para gerar uma matriz de opinião favorável a Uribe e de repúdio ao “vínculo” de Chávez com as FARC-EP. Palavras que foram copiadas e difundidas imediatamente pela imprensa internacional.

Contra quem o diz, porque é óbvio que nem Chávez, nem a Revolução Bolivariana, nem as FARC-EP, gozam de aceitação em um Conselho com uma maioria de neo-conservadores e obscurantistas acadêmicos. Porque a entrevista com Bárbara Walters –apesar de não ter sido transmitida nem traduzida ao inglês em sua totalidade (falha imperdoável dos assessores de Chávez)- fala até o último fio de cabelo sobre o fanático exílio cubano e a Casa Branca, pois está criando uma opinião muito favorável sobre Chávez no meio estadunidense. Por isso era preciso contra-atacar ao custo que fosse, e para faze-lo, ninguém melhor que as marionetes colombianas.

Diante de quem o diz, e isto é o mais grave, porque o Conselho de Relações Internacionais dos Estados Unidos é uma entidade muito influente na política interior e exterior do país. Porque é um organismo de consulta do Congresso e é a entidade “civil” que, praticamente, sugere, apóia, ou critica as linhas de “inversão” supostamente geo-estratégica. Até este último ponto iam destinadas as palavras do corrupto Chanceller colombiano, já que existe uma onda “revisionista” no Congresso dos Estados Unidos sobre as relações com o governo de Uribe, pelas violações dos direitos humanos e os escândalos da para-política. Além do déficit na conta corrente imperial, que os obriga a recortar as “ajudas” às colônias submissas.

Disse a nota de El Tiempo, 21 de março de 2007: “Mais tarde, em espanhol, Araújo retirou o que disse, ainda que com desculpas. “Eu não quero gerar um incidente internacional. O que disse é o que vivi. Nas Farc os guerrilheiros se emocionam quando o vêem na televisão, quando o escutam, é o processo que eles gostariam que avançasse na sociedade colombiana. Eles se identificam com ele”, explicou Araújo, já mais consciente de que o comentário inicial poderia afetar as relações entre a Colômbia e a Venezuela.

“Não disse que Chávez apóia a guerrilha. O que disse foi que a guerrilha apóia a Chávez. Estou contando só o que vivi e senti enquanto estive seqüestrado”, insistiu logo em uma estação de rádio local de Washington”.

“Too little, too late” (muito pouco, muito tarde), esclamamos indignados ao escutar a pueril desculpa colombiana. Pois a prova das más intenções são claras: mentiram em inglês, em pleno Congresso sobre Relações Internacionais e com a imprensa internacional presente e, “mais tarde”, “ainda com desculpas”, se retrataram em outro lugar em espanhol –não inglês-, quando a imprensa já havia difundido a notícia e os membros do Conselho haviam sido impressionados e haviam ido embora.

É sujo e vil o jogo-sujo contra o presidente Chávez e o povo da Venezuela. A narco-democracia da Colômbia passou dos limites e não seria estranho uma reação contundente do governo venezuelano.

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“Com a mesma vara que medes... serás medido!”

O colunista José Maria Carbonell analisa os ataques freqüentes dos funcionários governamentais contra tudo que faça oposição na Colômbia e o preconceito que sofrem os “terroristas da FARC”. Uribhitler e sua corte terão que ser julgados por todos os crimes cometidos pelos agente estatais e para-estatais. Se não for na Colômbia, será diante da CPI.


O número 82.


[Por José María Carbonell, ANNCOL]

Os funcionários da administração – e não ‘governo’ – de Álvaro Uribhitler Vélez estão ainda suando pela ferida que causou neles o Fórum sobre o Conflito Interno e os julgamentos de Simón Trinidad e Sonia, em Estocolmo, no dia 12 de março que se passou.

Os ataques de “Chambacú” Araújo, a “W”, Fachito e Holguincito
Nos odeiam porque dizemos as verdades que o regime narco-paramilitar quer tapar.

Esses funcionários de segunda arrancaram os cabelos porque a Associação Jaime Pardo Leal (AJPL) –de exilados políticos colombianos- e a Associação Victor Jará –de exilados políticos-, organizou este Fórum, e os atacaram desde quando a ANNCOL publicou a convocatória para esse encontro.

Em seguida “Chambacú” Araújo começou a dizer baboseiras contra o evento, manifestando às claras o quão desinformado estavam, o que de cara demonstra que a ‘inteligência’ que realiza a embaixada colombiana na Suécia é moribunda e falha.

Depois, no cúmulo do desespero, mobilizaram Julio Sánchez Cristo, da ‘W’, para que conseguisse pegar, entre céu e terra, Cecília Calero, presidenta da AJPL. E o conseguiu porque essa Organização Jaime Pardo Leal não se esconde, é pública, e as autoridades suecas sabem o que é, o que fazem e quais são as atividades que realiza.

Fachito começou a lançar calúnias ao vento e ficou com cara de tacho... ainda teve uma cara de pau que não conseguia disfarçar!

Agora chegou a vez de Holguincito, o ministrinho do Interior, que em pleno Parlamento, em um debate oferecido pelo senador Jorge Enrique Robledo do PDA, cita a ANNCOL como ‘agência das FARC’ e acusa o senador de ter relações com essa organização insurgente, porque, segundo ele “... quando alguém anda por aí dizendo as mesmas coisas que diz o órgão oficial do terrorismo em suas páginas da Internet (Anncol), nós podemos dizer que, esses que andam dizendo a mesma coisa, tem relação”.

O que vemos é toda uma debandada dos funcionários da administração Uribhitler porque a ANNCOL denuncia todas e quaisquer das barbaridades, quer dizer, barbaridades não, atrocidades do regime narco-paramilitar de Uribhitler. Nós ganhamos o ódio dos funcionários da administração porque dizemos a verdade sobre o que acontece na Colômbia.

Liberdade de informação.
Na Colômbia não existe liberdade de informação.

ANNCOL recebe diariamente ataques dos funcionários estatais colombianos. Não é de hoje, vem de muito tempo. Agora, desde quando iniciou-se a administração –não governo- de Álvaro Uribhitler Vélez, esses ataques se espalharam e ganharam mais força.

O que acontece é que o regime oligárquico mafioso no poder na Colômbia quer impedir que o povo colombiano exerça o direito a receber informação livre e oportuna. Para isso recorreram a tudo, desde a compra de jornalistas – como Julio Sánchez Cristo, e todos os demais vendidos à oligarquia- passando pelas ameaças –a Daniel Coronell, Carlos Lozano, aos de Cambio porque denunciaram a narco-parapolítica, etc-, até chegar ao assassinato: durante a administração de Uribhitler foram assassinados 17 jornalistas!

Esse regime não suporta que um meio alternativo revele os crimes de Lesa Humanidade diante do mundo. Me pergunto:

Se dizemos que Álvaro Uribhitler é narco-paramilitar, a culpa é nossa? NÃO! É culpa do próprio Uribhitler por ser sócio e amigo de criminosos como Pablo Escobar Gaviria –entre outras coisas, primo de César Gaviria Tarujillo-, por ter patrocinado e promovido as CONVIVIR –verdadeiro plano narco-paramilitar- quando foi governador de Antioquia.

Mentimos na ANNCOL quando dizemos que Uribhitler deve responder diante da justiça penal pelo assassinato de 8 pessoas que ele mesmo que “deu baixa” na companhia de membros do DAS, supostamente porque iam invadir uma de suas propriedades? Não mentimos, ele mesmo disse estufando o peito! E El Tiempo o publicou!

Tampouco temos culpa porque Álvaro Uribhitler tenha dividido à torto e à direita licenças para aeronaves de mafiosos quando foi o diretos da AERONÁUTICA.

Muito menos quando dizemos que Santiago Uribe Vélez – irmão de Uribhitler e sangue de seu sangue- seja membro de um grupo narco-paramilitar chamados os “Doze Apóstolos”.

Se dizemos que durante a primeira administração de Uribhitler foram assassinados 11.282 colombianos ‘fora de combate’, 85% relaizadas pelas forças militares-narcoparamilitares, como informa o Observatório de Direito Humanos. De quem é a culpa, hã? Do observatório? Nossa?

Se dizemos que o regime narco-paramilitar de Uribhitler é o MAIS CORRUPTO de toda a história da corrupção na Colômbia –e isso quer dizer muita coisa!- é porque as denúncias tem sido tais que merecem tal adjetivo. Ou será que os funcionários de Uribhitler sofrem de Amnésia Seletiva?

Será que estou caluniando ao senhor Uribhitler quando digo que aparece marcado como o número 82 na lista elaborada durante o governo de George Bush, pai, como membro perigoso de um Cartel igualmente “perigoso” para a segurança dos Estados Unidos?

Com a mesma vara que medes... serás medido
Uribhitler e sua corte terão que ser julgados por todos os crimes cometidos pelos agente estatais e para-estatais.

Claro que os regimes fascistas, mafiosos, não toleram que o povo exerça seu direito à informação verídica e oportuna. A verdade é inimiga dos regimes totalitaristas e corrompidos. E os que dizem a verdade então são inimigos das pessoas desse regime.

Temos visto o triste espetáculo do presidente da Colômbia –um presidente!- acusando os seus opositores políticos porque denunciam a verdade sobre seu regime narco-paramilitar.

Gustavo Petro e Carlos Gaviria sofreram com o inquisitivo dedo acusador de Uribhitler.

Carlos Lozano –diretos do VOZ, semanário dos comunistas- também é acusado de ter “relações” com as FARC, depois que o próprio Uribhitler tê-lo utilizado quando quis aparecer com alguém que quer o Intercâmbio Humanitário ou a Troca de Prisioneiros.

A beleza negra, senadora Piedad Córdoba, do partido Liberal, é acusada porque disse a verdade sobre o regime de Uribhitler. E disse em qualquer lugar e na cara. E como se diz, a verdade na cara... arde!

ANNCOL sofre das acusações de ser “agência do terrorismo”. O que não nos amedronta. Nossos ações e publicações demonstram que não o somos. Já dizia Jorge Dimitrov, o célebre comunista búlgaro: “Se o inimigo de classe do proletariado te abala, pensa na falta que cometeu”. E se nos atacam, é porque vamos na direção correta.

Dessa forma vamos aplicar o ditado Bíblico a Uribhitler e sua corte: “Com a mesma vara que medes... serás medido”. Segundo o jornal El País, da casa editorial El Tiempo, “o ministro explicou que o Presidente nomeou Noguera porque era seu amigo pessoal, porque não se pode nomear um inimigo para que cuide da inteligência”.

Então, medindo com a mesma vara, se Uribhitler é amigo pessoal de Jorge Noguera Cote e este está imerso em julgamentos por fraude eleitoral (para favorecer a uribhitler), pela elaboração de “listas negras” de dirigentes populares, sua entrega a “Jorge 40” e o posterior assassinato de 15 desses por “Jorge 40”, por receber milhões de dólares para apagar as fichas criminais de cabeças do narco-paramilitarismo, e pela participação na elaboração de planos criminais contra altos funcionários do governo da irmã República Bolivariana da Venezuela; então Uribhitler deve responder por esses e todos os crimes que tem cometido membros ou agentes do estado.

Portanto, Álvaro Uribe Vélez deve ser julgado nos tribunais colombianos! E se ali a justiça não se aplica, então teremos que denunciá-lo diante da Corte Penal Internacional!

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Todos os caminhos conduzem a...

O Miniführer Uribe Vélez faz o espetáculo midiático de pedir a extradição dos diretores da Frutera sabendo que é impossível, como lembrou-o o ministro da guerra Santos, simplesmente porque eles são cidadãos norte-americanos que nunca poderão ser extraditados e porque segundo a lei estadunidense, apenas cometeram o crime de financiar e armar um grupo “terrorista” (o que já foi comprovado que se compra com uma multa de tamanho suficiente), mas nunca cometeram crimes contra a Humanidade.


Uribe Vélez um simples mordomo de casa!


[Alberto Pinzón Sánchez/ANNCOL]

Nada mostra melhor a história trágica da relação entre o Império e suas neo-colônias Latino-americanas, que a bela literatura em língua castelhana sobre as atividades da companhia Transnacional bananeira United Fruit Co. em Nossa Pátria Grande. A Frutera, como chamam suas vítimas.

O costarriquenho Luís Carlos Fallas, como testemunha presencial, nos deixou uma revelação verídica da batida dos trabalhadores das plantações de 1934, em seu trabalho Mamita Yunai. Pablo Neruda em seu imortal Canto General recria a exploração, o sangue e o lodo que custou a estranha afeição dos homens do norte pela musa banana. Miguel Angel Astúrias escreve a ficção real do Papa Verde. García Márquez sempre nos lembrará a folharada e a solidão eterna causadas em 1928 pelo espantoso massacre do exército colombiano nas bananeiras próximas a Macondo. E o verbo aceso de Jorge Eliécer Gaitán sempre brilhará nos indiferentes. Todas permanecerão como recreações imortais e acusadoras do acontecido.

A história, apesar do horror, do sangue e da exploração, pode ser sintetizada assim: A banana como fruta de consumo de massa era praticamente desconhecida nos EUA antes de 1870, logo depois, 30 anos mais tarde, já se comiam 18 milhões cachos de banana. Tudo começa na Costa Rica com a construção em 1871 da ferrovia do Atlântico por parte de Minor Keith, empresário norte-americano casado com a filha do presidente da Costa Rica.

Enquanto Keith construía a ferrovia para Puerto Limón, também se executava um mega-projeto paralelo: a compra de extensos latifúndios para o cultivo em massa de bananas em uma Zona Franca ou “filial” norte-americana. As plantações nos latifúndios latino-americanos cheias de sangue, suor e lágrimas de seus filhos, cresceram e frutificaram, então com a ferrovia terminada tornou-se possível transportar massivamente a banana ao porto e aos mercados dos Estados Unidos e logo da Europa. Dez anos mais tarde Keith possuía três companhias bananeiras. Logo se associou ao marinheiro Lorenzo Baker e ao financista de Boston, Andrew Preston, para fundar a Boston Fruit Company.

Em 1899, a Boston Fruit Company e a United Fruit Company (a Frutera) se fundiram para formar a maior companhia bananeira do mundo, dona de grandes zonas bananeiras na Guatemala, Costa Rica, Nicarágua, Honduras, Colômbia, Cuba, Panamá, Equador, Jamaica e Santo Domingo. Possuía onze barcos a vapor, conhecidos como a Great White Fleet, mais outros 30 barcos arrendados. A companhia também possuía mais de 300kms de ferrovias próprias que vinculavam os pólos bananeiros com os portos de exportação.

Em 1901, o ditador Guatemalteco, Manuel Estrada Cabrera outorgou à Frutera o exclusivo direito de transportar o correio entra a Guatemala e os EUA. Keith então disse “Guatemala tem um clima ideal para as inversões”. Criou a companhia guatemalteca de ferrovias como uma filial da La Frutera e capitalizou cerca de 40 milhões de dólares da época, para logo contratar com o ditador, a construção de uma ferrovia e uma linha de telégrafos entre a cidade da Guatemala e Puerto Barrios, aonde adquiriu a preço nominal o cais do porto.

Os outros países da América Central e alguns da América do Sul também caíram diante do poderoso manto da La Frutera mas nenhum como a Guatemala. Ali gerava-se mais de 25 por cento do total da produção da companhia. Obteve o controle de todos os meios de transporte e comunicações e chegou a cobrar uma tarifa sobre cada artigo de frete movido dentro e fora do país através de Puerto Barrios. Por muitos anos, os cultivadores de café tinham que pagar à La Frutera tarifas muito altas, para manter o preço mundial do café guatemalteco no mercado mundial a níveis especulativos. A United Fruit Company eximiu a si mesma de pagar qualquer imposto ao Estado da Guatemala por 99 anos, e monopolizou praticamente toda sua vida econômica e social. Foi quando esse país passou a se chamar desrespeitosamente por Keith como : Minha “Banana Republic”.

A capital “do governo” da United Fruit Company, na Guatemala, estava em Bananera, onde a gerência construiu seu quartel general. A partir dali dominou e controlou por muitos anos seu monopólio, corrompendo governos e políticos não só na Guatemala mas em todo o espaço latino-americano, contando para isso com o apoio incondicional dos sucessivos sanguinários ditadores guatemaltecos, que mantiveram seu poder por longos anos aterrorizando e massacrando a população trabalhadora. A mais conhecida por ser matéria literária foi a onda assassina do “Senhor Presidente” Jorge Ubico.

Em 1944 os guatemaltecos derrubaram Jorge Ubico e a Guatemala teve suas primeiras eleições na história, saindo eleito Juan José Arévalo, que era um educador de tendências progressistas que realizou importantes avanços sociais.

Na Guatemala, 2.2 por cento da população possuía 75% da terra cultivável do país, e entre eles o principal e maior latifundiário era La Frutera. Arévalo foi sucedido em 1950 por Jacobo Arbenz, que continuou o processo começado por seu predecessor, mas aprofundando a reforma agrária.

La Frutera, sentindo que seus interesses estavam ameaçados, recorreu à John Foster Dulles, um de seus prestigiosos advogados, que nesse momento era diretor da Agência Central de Inteligência, CIA. O Governo do General Eisenhower declarou que Arbénz era “comunista”, e em 1954 o derrubaram com uma sangrenta e exemplar invasão de “US Marines”, para colocar em seu lugar o capacho Castillo Armas e novamente todo o país sob os interesses da La Frutera.

Na Colômbia, durante o massacre do enclave de Santa Maria, executado pelo Gen. Cortés Vargas, 26 anos atrás (em 1928), não houve necessidade de recorrer aos US Marines como na Guatemala. O exército colombiano pôde realiza-la sozinho, porque o Governo submisso de Abadia Méndez cedeu servilmente à solicitação do inesquecível gerente da La Frutera, Mr Thomas Bradshaw.

A acumulação permantente de capital forçou a La Frutera a diversificar negócios e assim vão aparecendo na América Latina outros grandes cultivos diferentes da bananeira como o abacaxi e o azeite de oliva. La Frutera desprestigiada limpa seu nome do sangue operário e se converte em United Brands para ser absorvida em 1970 pela Corporação del Monte. Agora se chamará Chiquita Brands e poderá reeditar suas velhas e impunes façanhas genocidas.

Colômbia é o lugar ideal. A zona bananeira de Urabá está no auge e oferece excelentes oportunidades de negócios: Selva extensa, grandes rios, fronteiras incontroláveis, portos profundos, golfo de Urabá, cultivos de palma. Mão-de-obra barata. Colonização acelerada com Latifúndios férteis e fáceis. Grêmios empresariais bem organizados e ativos, bananeiros em Augura, pecuaristas em Fedegán, agricultores na SAC, palmicultores. Perspectiva de um canal transoceânico pelo Choco. O que faltava? O controle político-militar.

Começa a circular em panfletos clandestinos editados na brigada militar de Carepa o “plano retorno em Urabá” e lentamente as fichas do quebra-cabeças vão aparecendo: José Manuel Arias Carrizosa, aquele advogado liberal que em um afortunado dia de eleições disse que preferia cortar o dedo indicador direito, para não ter que votar por Turbay Ayala, agora é seu mais fiel ministro e ocupará a genrência do grêmio bananeiro de Augura com sede em Urabá. Carlos Castaño, apoiado desde a brigada militar mais próxima e financiado magnanimamente pela Frutera, inicia seu impune plano genocida, para colocar toda a região sob seu controle, e um jovem político liberal e pecuarista da região chamado Álvaro Uribe Vélez, financia com dinheiro da Chiquita Brand sua candidatura ao governo de Antioquia. Basta olhar os livros de sua campanha eleitoral. Rito Alejo del Rio, aquele dos aviões a Mapiripán, é promovido a general da república e chamado para compor a Brigada de Urabá.

O que veio depois é o que agora estão apenas insinuando pelos meios de comunicação norte-americanos como o “escândalo da Chiquita Brand”, e que então teve que ser reproduzido (sem mencionar o Santo milagreiro mas com o correspondente rasgo no vestido), pela falsa mídia do regime:

Milhões de dólares para financiar e armar o “plano retorno em Urabá” que significou o genocídio total da União Patriótica e dos comunistas na zona. A cooptação do sindicato bananeiro pelo extermínio de seus melhores quadros. O domínio paramilitar da região e guerra suja que não terminou. Ganhos incomuns em Medellín e Washington, mega-projetos (bananeiro-biocombustível-canal chocolateiro-carreteira Puebla Quibdó), em marcha que não pára.

Mas não é tudo. O Miniführer Uribe Vélez faz o espetáculo midiático de pedir a extradição dos diretores da Frutera sabendo que é impossível, como lembrou-o o ministro da guerra Santos, simplesmente porque eles são cidadãos norte-americanos que nunca poderão ser extraditados e porque segundo a lei estadunidense, apenas cometeram o crime de financiar e armar um grupo “terrorista” (o que já foi comprovado que se compra com uma multa de tamanho suficiente), mas nunca cometeram crimes contra a Humanidade.

Assim as coisas, todos os caminhos conduzem ao presidente Uribe Vélez, como também a Washington. Uma pena que lá acreditem que não temos memória, e que todo esse genocídio será esquecido.

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O controle dos meios de comunicação

O papel dos meios de comunicação na política contemporânea nos obriga a perguntar pelo tipo de mundo e de sociedade nos quais queremos viver, e que modelo de democracia queremos para essa sociedade. Permita-me começar a contrapor dois conceitos distintos de democracia. Um é o que nos leva a afirmar que em uma sociedade democrática, por um lado, a gente tem ao nosso alcance os recursos para participar de maneira significativa na gestão de nossos assuntos particulares, e, por outro, os meios de informação são livres e imparciais, disse Noam Chomsky.


Noam Chomsky.


[Por Noam Chomsky* de http://redvoltaire.net]

O papel dos meios de comunicação na política contemporânea nos obriga a perguntar pelo tipo de mundo e de sociedade nos quais queremos viver, e que modelo de democracia queremos para essa sociedade. Permita-me começar a contrapor dois conceitos distintos de democracia. Um é o que nos leva a afirmar que em uma sociedade democrática, por um lado, a gente tem ao nosso alcance os recursos para participar de maneira significativa na gestão de nossos assuntos particulares, e, por outro, os meios de informação são livres e imparciais.

Caso se busque a palavra democracia no dicionário encontramos uma definição bastante parecida com a que acabo de formular.

Uma idéia alternativa de democracia é a que não se deve permitir que a gente tome conta de seus próprios assuntos, uma vez que os meios de informação devem estar forte e rigidamente controlados. Talvez isso soe como uma concepção antiquada de democracia, mas é importante entender que, em todo caso, é a idéia predominante. E tem sido assim durante muito tempo, não só na prática mas inclusive no plano teórico. Não podemos esquecer que temos uma longa história, que remonta às revoluções democráticas modernas da Inglaterra do Século XVII, que em sua maior parte expressa esse ponto de vista. Em qualquer caso vou discernir completamente do período moderno sobre a forma em que se desenvolve a noção de democracia, e sobre o modo e o porque que o problema dos meios de comunicação e a desinformação se inserem nesse contexto.

*Ler mais em http://redvoltaire.net

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Assim que se fala, Piedad

“À você não foram as luzes, como disse Petro, como tampouco foram aos que protestaram energicamente em Bogotá durante a recente visita do mandatário do Império. Denunciar a máfia narco-paramilitar presidida por Uribe não é “vil ofensa contra Colombia” como fingem o Ministro do Interior, o cardeal Rubiano, César Gaviria e outros cúmplices da “Segurança Democrática” que confundem a Colômbia com as máfias que tomaram o governo”, escreve o Movimento Bolivariano pela Nova Colômbia, na clandestinidade.


Camilo Osorio e Alfonso Cano chefe do MBNC, em conferência, nos diálogos anteriores.


[Movimiento Bolivariano por la Nueva Colombia-Bloque Caribe FARC-EP]

O discurso da senadora Piedad Córdoba no marco do Seminário ideológico do PT em México DF denunciando o ilegítimo governo do senhor Uribe, governo mafioso e narco-paramilitar, é a voz do decoro da maioria dos colombianos que resiste em calar-se e que reclama uma solução diferente para o país.

Estamos cansados das arbitrariedades e do horror da “Segurança Democrática” pró-yankee, de ter que suportar um governo imposto com sangue, fraude e cocaína. Cansados de uma institucionalidade pútrida afundada até a coroa que o mundo assombrado passou a conhecer com o nome de “narco-para-política”, um dos tantos apelidos para Terrorismo de Estado.

Como disse Piedad, os governos verdadeiramente democráticos –não só da América Latina, como do mundo –deveriam romper relações diplomáticas com essa máfia assassina que governa de Bogotá.

O governo da Colômbia é ilegítimo e ilegal, aqui e no Cafarnaum. De qualquer ângulo que se olhe é um governo repugnante pela criminalidade que represental.

Só o embaixador gringo disse que “mais legítimo que o governo da Colômbia não há outro no mundo”. Se não soubéssemos que isso é o que lhe ditam de Washington poderíamos confundi-lo com um pobre mentecapto da diplomacia, ainda que não estejamos seguros de que não o seja.

Para o mundo civilizado é um absurdo que Washington apóie essa imunda máfia empodrecida no Palácio de Nariño, mas na Colômbia bem se sabe que Uribe e Bush “são baratas do mesmo ninho”.

Por algum motivo a bananeira estadunidense “Chiquita Brand’ financiou por vários anos os massacres paramilitares no Urabá e Magdalena. Desde 1828, quando se chamava “United Fruit Company”, essa empresa violenta escreve com sangue a exploração do operário bananeiro da Colômbia. E a carvoeira Drummond também deve ser investigada pelo assassinato sistemático de líderes sindicais e de população civil que rodeia as minas a céu aberto e a via férrea.

Quando o embaixador Wood afirma que “a narco-para-política é a cura, não a doença”, está defendendo a vinculação do governo dos Estados Unidos com esse engendro criminal que lesiona a pátria e faz sangrar o país.

O povo da Colômbia necessita da solidariedade de todos os povos do mundo; que se condene este mal governo fascista dirigido por Washington, desgraça nacional e ameaça para a América Latina e o Caribe.

Assim fala Piedad. À você não foram as luzes, como disse Petro, como tampouco foram aos que protestaram energicamente em Bogotá durante a recente visita do mandatário do Império. Denunciar a máfia narco-paramilitar presidida por Uribe não é “vil ofensa contra Colombia” como fingem o Ministro do Interior, o cardeal Rubiano, César Gaviria e outros cúmplices da “Segurança Democrática” que confundem a Colômbia com as máfias que tomaram o governo.

O Movimento Bolivariano pela Nova Colômbia convoca as forças democráticas e revolucionárias do país a continuar os passos que conduzem à construção de uma alternativa decente de governo, que se proponha a solução política do conflito, que repudie o guerreirismo opressor do Comando Sur, que abra as portas ao processo de paz através da troca humanitária de prisioneiros, que exija a saída das tropas estrangeiras da Colômbia, e que torne possível pela primeira vez o exercício da democracia verdadeira, a soberania plena e diante de toda igualdade e justiça social. Uribe deve renunciar por ser ilegítimo e ilegal.

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Crônica de uma reunião anunciada em Estocolmo

O encontro, libertade para Simón e Sonia prisioneiros do Império, foi executado como programado, inclusive superando as expectativas. Assistiram importantes personalidades da vida política e intelectual sueca, diretórios de organizações latino-americanas, chilenas, salvadorenhas, nicaragüenses, junto com uma centena de colombianos de carne e osso eu depois de sua exaustiva jornada de trabalho noite adentro, se fizeram presentes no recinto para escutar as declarações do médico Alberto Pinzón Sánchez e do advogado estadunidense Paul Wolf.


Os narcoparauribistas especialistas em desinformar!


[ANNCOL]

Desde que foi anunciado o evento em solidariedade aos presos do Império em Estocolmo para o dia 12 de Março, a reação imediata do Governo colombiano foi sabotá-lo e tratar “com todas as formas de lutas oficiais” de impedir sua realização. Não houve atitude que deixou de ser tomada. Oral e escrita. Legal e ilegal. Pública e privada: Ameaças asquerosas verbais e escritas através dos famosos fóruns de opinião da imprensa oficial e pela internet.

Calúnias conhecidas do Vice-presidente da Colômbia Francisco Santos contra Cecília Calero a diretora da associação Jaime Pardo Leal. Protesto diplomático ao governo Sueco para impedir a realização do encontro.

O que a ANNCOL chegou a descobrir foi que existiram pressões às ONG´s Diaconía de Suécia, Anistia Internacional capítulo sueco e a Agência Sueca para o Desenvolvimento (ASD) para que não entrevistassem os convidados. Chama a atenção que a Suécia, conhecida por dar suporte aos povos com conflitos internos sangrentos, aceite as mentiras de um governo como o de Uribe Vélez, que chegou ao poder mediante a pressão paramilitar, o assassinato de opositores e a fraude eleitoral eletrônica.

Desqualificação ruim dos participantes. Notícia boa vai, notícia ruim vem. Programação por parte da embaixada colombiana em Estocolmo de um fórum com a cantante Chaquira na mesma hora e não muito longe do encontro, convidando massivamente a desfrutar de sua excitante fixação oral, com o slogan na entrada “Só o que não mente são suas “cadeiras”. Qual foi o resultado?

O encontro, liberdade para Simón e Sonia prisioneiros do Império, ocorreu como o programado, inclusive superando as expectativas. Assistiram importantes personalidades da vida política e intelectual sueca, diretórios de organizações latino-americanas, chilenas, salvadorenhas, nicaragüenses, junto com uma centena de colombianos de carne e osso eu depois de sua exaustiva jornada de trabalho noite adentro, se fizeram presentes no recinto para escutar as declarações do médico Alberto Pinzón Sánchez e do advogado estadunidense Paul Wolf.

Pinzón Sánchez demonstrou com dados históricos como a atual crise do Estado colombiano vem desde quando “outro” Vice-presidente, Francisco Santander, acabou com as medidas anti-coloniais progressistas anti-escravistas e libertadoras de indígenas ditadas pelo Libertador Bolívar, e impôs a violência oficial e a cooptação corrupta do Estado por parte de uma oligarquia latifundiária e financeira apoiada sempre por Washington, como forma de dominação e exploração dos Trabalhadores colombianos, e ressaltou em sua leitura, três acontecimentos históricos que estão nos antecedentes do atual conflito social armado da Colômbia:

  1. Como os primeiros Paramilitares do Estado chamados “Chulavitas, Pájaros e contra Chusmas”, fizeram sua aparição pouco depois da tomada do governo por Mariano Ospina Pérez (1946), com a finalidade de atacar e expropriar de suas terras os camponeses seguidores de Gaitán. Cerca de 20 anos antes de aparecerem as guerrilhas atuais, e desmentindo a falações “esquecidinhas” de que os paramilitares são posteriores às guerrilhas.
  2. Como “a combinação de todas as formas de luta do Estado contra as massas” do Povo Trabalhador, praticada desde as 9 guerras civis do Século XIX e as guerras civis do Século XX haviam se consolidaram no começo dos anos 80, quando o cartel de Medellín em pleno apogeu das farturas de López Michelsen e Turbay Ayala, puderam criar impunemente um “braço político” a cargo de Santofimio Botero, que combinava suas formas de luta e extermínio com o “braço armado” comandado por Rodríguez Gacha. E o Cartel de Cali, durante as farturas de César Gaviria e Ernesto Samper, havia formado (com igual finalidade exterminadora) seu “braço político-militar” com a Força Pública, o DEA e os irmãos Castaño, chamados de “os Pepes”.
  3. Finalmente demonstrou como o atual escândalo do Narco-Para-Uribismo continua reeditando impunemente a experiência da oligarquia dominante “de combinar todas as formas de luta do terrorismo de Estado”, mediante um “braço armado” dirigido pela cúpula Paramilitar de Castaño, Mancuso, Jorge 40 etc, com um “braço político” dirigido pela família Araújo Noguera, coordenada desde a direção da polícia política do DAS, a cargo de Jorge Noguera, amigo pessoal e “pintimo”, do atual presidente Uribe Vélez.

Finalmente o advogado estadunidense Paul Wolf, deixou claro a forma descaradamente política e parcial que assume a absurda justiça de seu país ao julgar e condenar com provas fabricadas, lutadores anti-imperialistas como Sonia e Simón, e informou amplamente sobre as condições sub-humanas de encarceramento a qual estão submetidos esses prisioneiros políticos com o objetivo de acabar com sua vontade de viver.

Assim a audiência pode livremente concluir; a realização insolúvel e essencial que tem o conflito histórico social armado da Colômbia junto com sua Solução Política, com a prisão política injusta e inumana de Simón e Sonia nas masmorras do Império e a necessidade de realizar o intercâmbio humanitário de detidos por causa da guerra, como passo positivo para a definitiva superação democrática e popular desta.

Como qualquer Drácula, essa era a luz que o Narco-Para-Uribismo tratava de evitar de todas as formas. E por isso seu gesto descomposto quando a viu.

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quinta-feira, 22 de março de 2007

América Latina: quatro blocos de poder

Na América Latina existem quatro blocos de nações que competem, contrariamente ao dualismo simplista com que a Casa Branca e a maioria da esquerda descreve o processo. Cada um deles representa diferentes graus de acomodação e oposição às políticas e interesses estadunidenses, que dependerão de como os Estados Unidos definirá ou redefinirá seus interesses segundo as novas realidades. Escreve Petras.

Alfonso Cano, chefe do Movimento Bolivariano pela Nova Colômbia. As FARC, um poder real!


[Tomado de La Jornada/James Petras]

Na América Latina existem quatro blocos de nações que competem, contrariamente ao dualismo simplista com que a Casa Branca e a maioria da esquerda descreve o processo. Cada um deles representa diferentes graus de acomodação e oposição às políticas e interesses estadunidenses, que dependerão de como os Estados Unidos definirá ou redefinirá seus interesses segundo as novas realidades.

A esquerda radical inclui as FARC na Colômbia, setores dos sindicatos e os movimentos camponeses regionais na Venezuela; a confederação operária Conlutas e setores do Movimento Sem-Terra no Brasil; setores da Confederação Operária Boliviana, os movimentos camponeses e as organizações regionais em El Alto; setores do movimento camponês-indígena da Conaje no Equador; os movimentos magisteriais e indígena-camponeses em Oaxaca, Guerrero e Chiapas, México; setores da esquerda camponesa-nacionalista no Peru; setores dos sindicatos e desempregados na Argentina. É um bloco político heterodoxo, disperso, fundamentalmente anti-imperialista, que rechaça qualquer concessão às políticas socioeconômicas neoliberais, se opõem ao pagamento da dívida externa e em geral respalda um programa socialista ou nacionalista radical.

A esquerda pragmática inclui o presidente Hugo Chavez na Venezuela, Evo Morales na Bolívia e Fidel Castro em Cuba. Inclui uma multiplicidade de grandes partidos eleitorais e os principais sindicatos e uniões camponesas na América Central e do Sul: os partidos eleitorais de esquerda, o PRD no México, o FMLN em El Salvador, a esquerda eleitoral e a confederação operária na Colômbia, o Partido Comunista Chileno, a maioria no partido parlamentário nacionalista peruano Humala, setores do MST no Brasil, o MAS na Bolívia, a CTA na Argentina e uma minoria da Frente Amplio e a confederação operária no Uruguai. Incluída está a grande maioria dos intelectuais latino-americanos de esquerda. Este bloco é “pragmático” porque não faz um chamado à expropriação do capitalismo nem à negação da dívida nem à ruptura de relações com os Estados Unidos.

Na Venezuela os bancos privados, nacionais e estrangeiros, lucraram a uma taxa de mais de 30 por cento entre 2005 e 2007. Menos de um por cento das maiores propriedades de terra foram expropriadas para outorgar títulos aos camponeses desprovidos. As relações do capital com a mão-de-obra seguem inclinando a balança em favor das empresas e dos contratantes. Venezuela e o presidente Álvaro Uribe da Colômbia assinaram vários acordos de cooperação econômica e de segurança de alto nível. Ainda que promova uma maior integração latino-americana, Chavez busca uma “integração” com Brasil e Argentina, cuja produção e distribuição de petróleo bruto são controladas por corporações multinacionais européias e investidores estadunidenses. Ainda que Chávez reprove a intenção estadunidense de subjugar o processo democrático na Venezuela, o país provê 12 por cento das importações totais de petróleo aos Estados Unidos, é dono de 12 mil postos de gasolina Citgo nos Estados Unidos e de várias refinarias. O sistema político da Venezuela é muito aberto à influência dos meios de comunicação privados, claramente hostis ao presidente eleito e ao Congresso. Existem organizações não governamentais financiadas pelos Estados Unidos, uma dezena de partidos e uma confederação de sindicatos atuando em prol dos planejadores estadunidenses. Quase todos os funcionários e membros do Congresso que estão a favor de Chavez montaram em sua carroça política mais por interesses pessoais que por lealdade populista. O pragmatismo da Venezuela é um campo muito lucrativo para os investidores estadunidenses, fornece energia de modo confiável e cria alianças com Colômbia, principal cliente dos Estados Unidos na América Latina.

A retórica e o discurso radical de Chávez não correspondem com as realidades políticas. Se não fosse pela intransigente hostilidade de Washington e suas táticas contínuas de confrontação e desestabilização, Chávez pareceria moderado. É óbvio que setores das grandes empresas se queixem do aumento pago por salários, impostos e etc. Washington pinta Chávez como se ele fosse um “perigoso radical” porque compara sua política com a dos prévios regimes clientes de Venezuela nos anos 90. Mas se tomarmos os pronunciamentos sobre política externa de Chávez com uma pitada de sal, assumimos a troca no ambiente internacional aquecido entre 2000 e 2007 e suas limitadas reformas em assistência social, impostos e outras, de fato os Estados Unidos estão diante de um radical pragmático que podem acomodar.

O mesmo se aplica à política de Cuba e Bolívia. Cuba estabeleceu laços diplomáticos com quase todos os clientes e aliados dos Estados Unidos na América Latina. Explicitamente estendeu a mão diplomática à Uribe, rechaça a esquerda revolucionária das FARC na Colômbia e respalda em público neoliberais como Lula da Silva do Brasil, Nestor Kirchner da Argentina e Tabaré Vázquez do Uruguai, além de firmar um amplo espectro de acordos de aquisição com grandes exportadores estadunidenses de alimentos. Cuba oferece serviços de saúde grátis (e treinamento de milhares de médicos e educadores) em um grande númeroo de regimes clientes dos Estados Unidos, de Honduras ao Haiti e Paquistão. Abriu as portas a investidores estrangeiros de quatro continentes em todos seus principais setores de crescimento. O paradoxo é que enquanto Cuba aprofunda sua integração ao mercado capitalista mundial na emergência de uma nova classe de elites voltadas para o mercado, a Casa Branca aumenta sua hostilidade ideológica. Esta postura extremista é praticada também contra o regime de esquerda pragmática de Morales na Bolívia, cuja “nacionalização” não expropriou nem expropriará nenhuma empresa estrangeira. Um de seus principais propósitos é estimular os acordos comerciais entre a elite do agro-negócio da Bolívia com os Estados Unidos.

O terceiro e mais numeroso dos blocos políticos na América Latina é constituído pelos neoliberais pragmáticos: o Brasil de Lula e a Argentina de Kirchner. Muitos são imitadores desses regimes entre as filas da oposição liberal de esquerda no Equador, Nicarágua, Paraguai e outros lados. Kirchner e Lula defendem seu pacote completo de privatizações legais, semilegais e ilegais. Ambos anteciparam suas obrigações oficiais da dívida e buscam estratégias de crescimento mediante a exportação de minerais e produtos agrícolas, e incrementaram as ganâncias empresariais e financeiras restringindo os empréstimos e salários.

Há também diferenças. A estratégia a favor da indústria de Kirchner conduz a uma taxa de crescimento que duplica a alcançada por Lula; reduziu o desemprego em 50 por cento, que contrasta com o fracasso das políticas de emprego de Lula. Na Argentina, o ambiente de inversão para empresários e banqueiros é favorável para a realização de lucros. Suas principais diferenças com Washington derivam das negociações em torno de um acordo de livre comércio. Maiores oportunidades de comercio global e uma posição mercantil mais forte lhes dá uma posição mais forte ao negociar. Nem Lula nem Kirchner respaldarão a intenção militar estadunidense de derrubar ou boicotear Chávez, porque trabalham conjuntamente aumentando lucrativas inversões e projetos de petróleo e gás. Reconhecem a natureza basicamente capitalista do regime de Chávez ainda quando discordam da maior parte de seu radical discurso anti-imperialista. Ambos presidentes diversificam seus sócios comerciais e buscar chegar aos mercados na China e na Ásia.

Washington não é hostil com Argentina e tem uma relação amistosa de trabalho com Brasil, mas não conseguiu estender sua influência à eles por sua renúncia a entender esses regimes de livre comércio “nacionalista”. Por Kirchner se empenhar em firmar acordos negociados, inversões reguladas, arrecadação de impostos e negociações da dívida é visto como “nacionalista”, “esquerdista” e quase intolerável. Washington teme que as políticas de livre comércio de Lula exijam que os Estados Unidos ponham fim aos seus subsídios e cotas agrícolas, como o Brasil o faz. Mas para defender suas empresas agrícolas não-competitivas, Washington sacrifica em seu extremismo a possibilidade de entrar em grande escala e longo prazo no setor industrial e de serviços do Brasil.

O quarto bloco político são os regimes, partidos e associações de elite e neoliberais doutrinários, que seguem ao pé da letra as ordens de Washington. É o regime de Felipe Calderón no México, que se prepara para privatizar as lucrativas empresas petroleira e elétrica. É o regime de Michelle Bachelet no Chile, perene exportador de minerais e produtos agrícolas, a América Central exportadora de frutas tropicais e repleta de produtos piratas. Colômbia, que recebe 5 bilhões de dólares em ajuda militar estadunidense desde o final dos anos 90. Peru, que por mais de 20 anos tem privatizado toda a sua riqueza mineral, governado agora por Alan Garcia, outro cliente dos Estados Unidos.

Segundo Washington e os ideólogos de direita um “populismo radical” varreu a região, simplificando uma complexa realidade para servir a seus próprios interesses. O que existe é um quadrado de forças que competem e se confrontam na América Latina.

Washington insiste que a influência subversiva de Venezuela e Cuba debilita sua posição na América Latina. Um fator muito mais importante é o aumento generalizado dos preços dos bens de consumo, o que significa maiores entradas por exportação na região. Então, os países latino-americanos dependem menos das “condições” do FMI para conseguir empréstimos, o que limita ainda mais a influência estadunidense. Maior liquidez significa poder contar com empréstimos comerciais sem recorrer ao Banco Mundial. Os expansivos mercados da Ásia, em particular o aumento da inversão asiática nas indústrias de extração latino americanas, corroe ainda mais a influência mercantil estadunidense na região. Diante da queda de sua própria economia em 2007, é provável que os Estados Unidos reduza suas inversões e comércio com América Latina. Em outras palavras, tem menos margem de manobra sobre esquerdistas e neoliberais pragmáticos que nos anos 90. Mal etiquetar os regimes e exagerar gênero e grau da oposição conduz à intensificação dos conflitos. Persistir na atitude de firmar acordos de livre comércio em escala continental mediante concessões não recíprocas é perder a oportunidade de assinar tratados comerciais.

Esse é um efeito da configuração ultra-conservadora por parte dos planejadores estadunidenses e seus principais assessores. Washington descreve mal e porcamente a realidade latino-americana, lê incorretamente o contexto regional e internacional atual, mas os intelectuais de esquerda exageram o radicalismo ou a realidade revolucionária de Cuba e Venezuela. Passa por cima da contraditória realidade e suas relações pragmáticas com os regimes neoliberais. Com muito pouca perspicácia histórica, continuam acreditando que os neoliberais pragmáticos como Lula, Kirchner e Vázquez são “progressistas”, e os agrupam junto com os esquerdistas pragmáticos como Chávez, Castro e Morales. Em ocasiões caracterizam os partidos e os regimes segundo suas identidades políticas esquerdistas passadas e não segundo suas atuais políticas elitistas de livre comércio e exportação de agro-minerais.

A esquerda deve encarar o fato de que o poder estadunidense decaiu, se recupera e avança desde que as rebeliões de massas derrocaram seus clientes em 2000-2002. Tornaram-se nulas as esperanças da esquerda de que a vitória de antigos partidos políticos eleitorais de centro-esquerda reverteriam as políticas neoliberais de seus predecessores. Redefinir a conversão de esquerdistas em neoliberais pragmáticos como se fosse algo progressista ou como um contra-peso criado ao poderio estadunidense, é ingênuo e confunde ainda mais.

O declínio da influência estadunidense na América Latina não é linear: uma abrupta queda foi seguida de uma recuperação parcial. Nenhuma ascensão sustentada pela esquerda radical mudou o passo desse declínio em influência. Os ganhadores reais são os esquerdistas e neoliberais pragmáticos, que chegaram ao poder através da retirada dos neoliberais doutrinários e a favorável conjuntura expansiva das condições do mercado mundial.

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