"A LUTA DE UM POVO, UM POVO EM LUTA!"

Agência de Notícias Nova Colômbia (em espanhol)

Este material pode ser reproduzido livremente, desde que citada a fonte.

A violência do Governo Colombiano não soluciona os problemas do Povo, especialmente os problemas dos camponeses.

Pelo contrário, os agrava.


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segunda-feira, 11 de maio de 2009

Liberdade para os prisioneiros do Império


Coordenação Continental Bolivariana – Seção Uruguai

Marcha 11 de maio, a partir do Paço Municipal até a Praça da Liberdade, pela liberdade dos 5 cubanos, Sonia e Simon Trinidad, todos prisioneiros do Império.

Se completam 10 anos do encarceramento de René Gonzalez, Ramón Labañino, Antonio Guerrero, Fernando González e Gerardo Hernandez. Estes 5 heróis cubanos foram injustamente condenados pelo governo estadunidense a penas que somam quatro prisões perpétuas mais 77 anos de prisão.

Em situação semelhante se encontram os dois guerrilheiros das FARC-EP, Sonia e Simon. A quem se tem negado o direito universal a defesa jurídica. Todas as testemunhas levadas de Bogotá para apresentar falsas declarações contra eles nas cortes do império são agentes do exército da Colômbia. Todos têm sido derrotados pelas idéias e convicções de Simon, a quem não têm permitido testemunhas favoráveis.

Os julgamentos que se seguem contra Simon e Sonia nos Estados Unidos são uma farsa do começo ao fim. Os dois foram arrancados de seu país burlando com armações da Procuradoria, do exército e do próprio Uribe, a proibição constitucional de extradição de nacionais por razões políticas. Todos vivem presos em masmorras, em condições subumanas, onde não lhe são permitidas sequer as visitas de suas esposas e/ou familiares.

No marco desta campanha de solidariedade a Cuba e com todos os reféns do império, nos mobilizamos desde a explanada da IMM até a Praça da Liberdade, neste 11 de maio às 19:00 hs.

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segunda-feira, 4 de maio de 2009

Colômbia ao golpe

Luis Ernesto Almario / ABP

Decisão do Conselho de Estado Colombiano estabelece limite jurídico para o recrutamento de soldados camponeses. A sentença do alto organismo integrada por eruditos jurisconsultos, deixa fora de combate 75% dos soldados de tropas governamentais e 50% da Força Armada, o que quebra o esquema militar na luta contra-guerrilheira.

Freddy Padilla de Leon, comandante das Forças Armadas, imediatamente interviú na sessão, condenando a sentença do Conselho de Estado, apontando enfaticamente que “a situação era muito grave, extremamente gravíssima, e merece uma reação imediata”.

O ministro da Defesa Juan Manuel Santos disse que “Colômbia se encontrava à beira do abismo e ferida mortalmente em sua ação contra a insurgência, planos militares e políticos contra a guerrilha marxista das FARC”.

Os generais da ativa e no uso de bom recuo anunciaram reunião para as próximas horas e um pronunciamento em tal sentido, o que poderia definir um rumo diferente à lamentável situação que aflige a Colômbia.

Cerca de cento que cinqüenta mil soldados voluntários localizados à frente da linha de fogo teriam que ser imediatamente retirados pelo alto comando militar, o que deixaria em grande vantagem aos levantados em armas contra o governo.

O Conselho de Estado se pronunciou às instâncias de juristas, que interpuseram seus argumentos contra a utilização de camponeses que prestam serviço militar obrigatório no exército do governo como “bucha de canhão” frente a uma guerrilha experimentada na guerra.

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domingo, 22 de fevereiro de 2009

Meu total apoio à greve dos chocoanos

Chocó só recebeu do Estado promessas descumpridas ou mentirosas.

Declaração, Senador Jorge Enrique Robledo, Bogotá, 19 de fevereiro de 2009


O trágico acidente ocorrido há poucos dias na estrada Medellín-Quibdó, conhecida como “Atalho da Morte”, no qual morreram mais de 40 pessoas, esgotou a paciência do meio milhão de chocoanos que se preparam para lançar hoje uma greve cívica departamental em defesa de uma dignidade hoje pisoteada e pelo respeito à sua integridade territorial. Expresso o meu entusiástico apoio ao justo e pacífico protesto e conclamo o restante dos colombianos a solidarizar-se com ele.

O Comitê Cívico pela Salvação e a Dignidade de Chocó levou às autoridades um documento contendo nove itens. Nele, a população reivindica a pavimentação dos 98 quilômetros entre Quibdó e El Siete, nos limites com Antioquia; pavimentação da via Las Ánimas-Santa Cecilia, que une o Chocó com Risaralda e o Eixo Cafetero; construção da via entre Nuquí e Cupirijo; conclusão da via Cartago-Nóvita; dragagem das Bocas del Atrato para facilitar a navegação e controlar as freqüentes inundações; fortalecimento da rede pública de saúde, em estado de lamentável deterioração; interconexão elétrica com o Baudó, La Costa Pacífica, o Médio e o Baixo Atrato e o Baixo San Juán; definir que Belén de Bajirá pertence a Chocó e, por último, devolver a Chocó os recursos pagos sobre as dívidas que correspondiam ao antigo FER.

El Chocou só recebeu do Estado promessas descumpridas ou mentirosas. Causou especial indignação entre os cidadãos as afirmações do presidente Uribe Vélez na sua recente visita à capital do departamento, ao anunciar que o governo central destinaria 70 bilhões de pesos para iniciar a licitação do trecho El Sete - Quibdó, ocultando que no documento Conpes 3536, de 18 de julho de 2008, o governo já tinha se comprometido a doar 130 bilhões de pesos. O que Uribe notificou foi na verdade um corte de quase 100%, mas apresentado de forma cínica aos chocoanos e ao país como um generoso investimento.

Chocó, a região mais discriminada da Colômbia, está em péssimas condições e os índices de fome, pobreza, indigência, analfabetismo, desemprego e mortalidade infantil avançam de forma alarmante, além de ser piores que a média nacional. O setor educativo tem um déficit financeiro que supera os 40 bilhões de pesos e os hospitais estão em estado agonizante. Por isso tem toda a razão o Comitê Cívico quando assevera que o desemprego é um assunto de dignidade humana. Os chocoanos merecem todo o nosso apoio.

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Uribe nunca mostra a cara

Uma velha manha da oligarquia colombiana que consta nos manuais da Doutrina da Segurança Nacional. Preparam o terreno para seus assassinos de aluguel atuarem. Os paramilitares rebatizados como as 'águias negras'.

*caricatura de Beto

ANNCOL

Vamos comentar a nova criação do iluminado, Álvaro Uribe Vélez, o “bloco dos intelectuais”. 'Varito', nome – adeqüadíssimo - pelo qual o presidente colombiano é conhecido no submundo da máfia, não improvisa nunca. Ele planeja tudo, escrupulosamente. Esse é “nosso homem”, disse o tristemente célebre Pablo Escobar Gaviria. “Anastasio Somoza é um filho da puta”, disse o presidente Roosevelt -, “mas é nosso filho da puta”, esclareceu.

Aos colombianos de bem, por sua vez, eles oferecem a lápide. Aos que defendem o patrimônio de todos os colombianos. Aos que não aceitam os leoninos TLC com os Estados Unidos e a União Européia. Aos que buscam espaços para a paz. Aos inimigos do Terrorismo de Estado. A esses colombianos, Álvaro Uribe Vélez quer silenciar.

Hoje esses ódios viscerais são colocados em prática, mas Uribe está perdido. É um governo em franca decomposição. Ninguém mais acredita em suas montagens e conversas fiadas. Não titubeia em mandar qualquer assassino de aluguel matar os seus adversários pelas costas, mas para ficar 'limpo' precisa de tempo para preparar antecipadamente algum álibi, contando com a cumplicidade dos grandes meios empresariais.

Ou o que os senhores acham? Que este sujeito consiga sua garganta a gritar desde o 'palácio de nari' – o grupo de intelectuais a serviço das Farc-. Carreta. Sem a imprensa sob os pés, Uribe estaria já há meio ano compartilhando uma cela com Dom 'Berna & comparsas'.

Olho nele. O conhecido como 'Varito' vai fazer o impossível para aferrar-se à cadeira presidencial. Vai matar quem lhe desafiar. A unidade e a ofensiva política focalizada é a melhor defesa contra as arremetidas fascistas. O inimigo de plantão do povo colombiano está na 'Casa de Nari'.

Definitivamente, 'Varito' é um filho da puta.

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Narcoparamilitar é nomeado embaixador da República Dominicana


Em segredo, Uribe nomeia um dos seus ex-generais mais perigosos como embaixador. A representação diplomática inclui espionagem, tráfico de drogas, milícias, corrupção. Agora é a vez do general Montoya, reconhecido amigo dos mafiosos do Vale do Cauca.

ANNCOL/El Espectador


Perante o chanceler Jaime Bermúdez, numa cerimônia discretíssima, o general (r) Mario Montoya tomou posse nesta quarta-feira como novo Embaixador da Colômbia na República Dominicana.

É um sujeito perigoso para a soberania deste país caribenho. Não deve ser fortuita a sua nomeação em uma região que luta para safar-se do jugo norte-americano. Parece que este país se voltou o esconderijo de párias em vias de ser condenados por organismos internacionais. Montoya é lembrado nos bairros populares de Medellín como um terrorista a serviço da oligarquia colombiana e seus chefes em Washington.

Mas o general (r) Montoya também é lembrado porque em sua gestão como chefe do Exército ocorreram vários “falsos positivos” (execuções de falsos guerrilheiros, na verdade camponeses). Depois dos assassinatos, os inocentes civis eram trajados com uniformes da guerrilha.

A cerimônia aconteceu no Salão Protocolar do Palacio de San Carlos e teve poucos convidados. Montoya é reconhecido por haver feito toda a logística e planejamento tático da ‘Operação Jaque'.

Trata-se de uma "Valente operação", auxiliada, é claro, pelos dois traidores El Gafas e El Cesar. Não fosse por eles, Ingrid e os três espiões estrangeiros teriam que esperar vários meses, a julgar pelo que se conhece das Farc e da sua exigência de uma área sem militares colombianos para um intercâmbio de prisioneiros de guerra.

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sábado, 21 de fevereiro de 2009

Desde a margem da independência

"O exercício da profissão me lançou há uns anos a este tema das pessoas que estão em poder da guerrilha, dos guerrilheiros que estão presos e desejava terminar uma espécie de, talvez soe meio pretensioso, uma espécie de retrospectiva sobre o assunto".

JEBotero.

”O que fiz, o fiz pensando em salvar a operação de liberação das pessoas que estavam ali”, assim responde jornalista colombiano Jorge Enrique Botero, testemunha e protagonista da entrega na selva de três militares e um policial, esclarecendo por que comunicou ao mundo o que seus olhos presenciavam sobre o processo que Colombianos e Colombianas pela Paz impulsionaram da mão de Piedad Córdoba para tirar do cativeiro os retidos pelas FARC.

Botero, intérprete deste ofício conhecido como jornalismo, compromisso e identidade frente a anos de conflito na Colômbia, considerou em entrevista exclusiva ao site da teleSUR, que fez "uma grande contribuição permitindo que o mundo conhecesse o que estava se passando ali na selva, para que isto tivesse um final feliz". Insiste em que "atuou com responsabilidade frente a um feito que estava a ponto de naufragar".As palavras de Jorge Enrique Botero desse 1º de fevereiro deram a volta ao mundo, mas o som dos aviões colombianos sobre a zona de resgate bordearam um caminho marcado pela convicção de um grupo de colombianos que clamam pela saída pacífica aos anos de conflito desta nação do sul e que assumiram como bandeira o diálogo epistolar com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia.
Nesse 1º de fevereiro o processo de liberação se viu ameaçado pelo descumprimento de uma promessa governamental. Mas uma câmera, com uns quantos anos de uso, rompeu com o que pôde ser o silêncio frente a um processo de liberação com um só beneficiário, o povo colombiano.
O enfrentamento do governo colombiano com aqueles que exercem o jornalismo neste país demonstra bem.
Para o jornalista colombiano o mais grave deste enfrentamento e das declarações que o Governo central emite é que isso se produz em um país onde "muitas pessoas entendem essas palavras como uma ordem para atuar. Então aí é onde vem o grande risco, não só para o exercício da liberdade de imprensa, mas para a vida daqueles que foram acusados".
A Fundação para Liberdade de Imprensa na Colômbia resenha no seu site que em 2008 pelo menos 180 jornalistas foram vítimas de degradação, obstrução ao trabalho jornalístico, atentado contra infra-estrutura, exílio e ferimentos em serviço.
Ante este palco Jorge Enrique Botero cota que "o jornalismo colombiano vive momentos muito difíceis. Por uma parte está o perigo que cerca os jornalistas constantemente, principalmente aos que estão exercendo sua profissão de maneira independente e por sérias ameaças que vêm desde a alta cúpula do governo, desde o próprio Presidente".
"O presidente Uribe alardeia que durante seu governo se diminuiu o número de assassinatos de jornalistas, mas o mesmo dia que alardeia disso pendura uma lápide no pescoço de três jornalistas, que acusa de ser propagandistas do terrorismo, cúmplices da guerrilha, então isso cria um clima muito difícil para o exercício da profissão", adverte Botero.Acrescenta que o outro problema que vive o jornalismo colombiano é que há uma concentração de poder midiático em pouquíssimas mãos e essa concentração está ao serviço de um projeto político "que é o projeto da guerra, o projeto de descartar uma solução política a 50 anos de guerra, são 50 anos de guerra que não resolvemos pela via militar, nem introduzindo milhões de dólares".

E daí acontece que um jornalista rompe o cerco e cumpre seu dever de contar. Desde o Governo colombiano o tema do papel dos comunicadores se reavivou depois da conversação que Botero sustentou com esta corrente multiestatal, teleSUR, nesse 1º de fevereiro. O Executivo questiona se os jornalistas devem assumir uma posição, de se o contato com grupos ou indivíduos à margem da lei transforma os repórteres nos seus cúmplices e se deve ou não entrevistar seqüestrados quando estão em mãos de seus captores.
Uribe disse que "uma coisa são aqueles amigos do terrorismo que agem como jornalistas, e outra coisa são os jornalistas". Consultado sobre esta postura Jorge Enrique Botero considerou que "seria preciso perguntar-lhe ao Governo em que consiste a suposta ação de propagandear o terrorismo, mas é curioso que para eles ser propagandista do terrorismo seja, por exemplo, entrevistar a um guerrilheiro".
Neste sentido, considerou importante que frente à postura do Executivo se faça um debate "ético" sobre o tema da profissão e as fontes.
"Se estamos em um conflito e há duas partes por que vai ser transgressão o fato de entrevistar uma das partes?".
As tradicionais normas do jornalismo falam da contrastação e verificação de fontes. Do espaço para que os setores envolvidos apresentem seus argumentos, na Colômbia, sob o sistema atual, esta teoria jornalística pode inclusive fazer ao comunicador parte "do cartaz intelectual das FARC" tal e como o advertiu o presidente Álvaro Uribe referindo-se a que em um país que vive entre autodefesas, guerrilhas, cartazes e uma política de segurança democrática, entrevistam os atores do conflito armado.
Botero, que não se sente aludido e considera que as declarações do primeiro governante são "desafortunadas" por "estigmatizar as pessoas que pensam diferente", esclarece que "um bloco intelectual é o que diz ele (Uribe), aludindo que as FARC tem blocos: Bloco Sul, Bloco Caribe, Bloco Oriente, então ele diz Bloco Intelectual".
A polêmica deixa descobertas as dificuldades que devem enfrentar diariamente os jornalistas em um país que vive um conflito armado e com uma crescente polarização política. As garantias para que exerçam este trabalho fica em letra morta, papel queimado quando os ataques e violações aos direitos partem desde o próprio Executivo.
Quando um jornalista é detido e pela via da força se pretende tomar o produto de horas de trabalho em que lugar fica o livre exercício do jornalismo? Sobre este tema Botero apresenta o exemplo do também jornalista colombiano Hollman Morris.
"Por exemplo, Hollman foi detido umas horas antes de chegar em Bogotá, tentaram remover o seu material. Há assédios, intimidações permanentes, por tanto eu diria que há umas garantias no papel, muitas garantias para aqueles que estão na linha oficial e muito poucas para aqueles que exercem o jornalismo desde a margem da independência".
Não há partes. Não há conflito. Essa é a bandeira avançada do governo colombiano apesar de que a realidade se movimente "desde a margem da independência".
"Nós jornalistas temos que nos movimentar não na imaginação mas sobre a realidade. Por que só pode sair uma parte? Isso é um debate ético que eu acho que é preciso acontecer. Acho que a chegada de teleSUR ao ar nas suas versões de televisão e nas suas versões de internet é o que pôs novamente na mesa a discussão do tema da ética e das fontes", diz Botero.
O jornalista considera que "teleSUR apelou a outras fontes, não somente no caso da Colômbia, teleSUR deu a voz e a palavra a gente que nunca a teve e isso é o que tem incomodado certos setores e faz com que seja pertinente hoje em dia renovar o debate da ética do jornalismo, um jornalismo capaz de equilibrar a informação e de dar-lhe a palavra e de permitir que todas as fontes tenham espaço nos microfones, nas câmeras, nas páginas dos jornais".
Este autor do "O homem de Ferro", "Últimas Notícias da Guerra" e "Espera-me no Céu, Capitão", livros premiados internacionalmente, diz sentir-se "meio condenado" nesta etapa de sua vida a seguir certos temas.
"O exercício da profissão me lançou há uns anos a este tema das pessoas que estão em poder da guerrilha, dos guerrilheiros que estão presos e desejava terminar uma espécie de, talvez soe meio pretensioso, uma espécie de retrospectiva sobre o assunto".
Pensa que "isso se fechará como círculo vital" para sua vida e profissão. "O dia em que sair a última pessoa que está em cativeiro e acontecer o intercâmbio entre as partes, já aí será o dia em que me dedique exclusivamente ao tema do futebol porque a farândula não me atrai muito".
Este homem de figura magra e olhar profundo cria e compartilha o seu dom da palavra. Seu desejo insaciável por contar faz com que neste momento espere pela publicação nos Estados Unidos de um livro titulado "Into the Jungle" escrito com duas colegas norte-americanas e que aborda o tema do cativeiro dos três norte-americanos que estiveram em poder das FARC quase seis anos e que foram libertados na Operação Xeque.
Botero trabalha em um livro sobre as guerrilheiras presas na prisão do Bom Pastor em Bogotá. Sobre este novo livro assinala que está há três anos trabalhando com as guerrilheiras e que "foi uma experiência jornalística maravilhosa porque quase que o estamos escrevendo a cem mãos, acho que muito dificilmente é possível que um encontre histórias de vida tão cheias de ação e de situações extraordinárias e extremas".
Botero como jornalista cria, gera, contribui, não reduz. Indaga e chega a fundo para falar e escrever com a segurança que dá a certeza do conhecido. E lhe pede a Uribe que "retire suas palavras, que primeiro se de conta da desafortunadas que foram suas palavras, não só pelas ameaças que pendem sobre minha vida com mais força que antes, mas porque esse não é clima que um deve criar e menos um Presidente, não pode criar esse clima de estigmatização, de assinalamentos".
"Me parece que há um grande dano à liberdade de expressão, à liberdade de imprensa e um grande dano também ao prestígio de nosso ofício, ao jornalismo há um grande dano, e lhe diria que é muito irônico que ele fale de shows midiáticos quando o governo propiciou um verdadeiro festival midiático, quando sucedeu a Operação Xeque, que o governo propiciou um show midiático com a violação destes quatro membros da polícia levando-os à Casa de Nariño, então que se ponha de acordo que ele não pode estar criticando a outros o que ele faz em abundância".
Por: Yeimy Ramirezsite da teleSUR
19 de fevereiro de 2009

FONTE: http://www.telesurtv.net/noticias/afondo/especiales/entrevista_botero/#

Senador Petro, a estrela?

... Petro ameaça a si mesmo por uns artigos de Anncol.....

Editorial/SemanarioVOZ/Fevereiro 18

"O que querem Petro e Lucho quando dizem que contam com a maioria dos delegados e que por isso são eles, deixando de contar a esquerda, que devem tomar as decisões “nas alturas” a partir de arranjos políticos para levar o Pólo ao fim dos acordos sobre o fundamental com os setores centristas e da “direita moderada”?
O debate interno para o Segundo Congresso do Polo Democrático Alternativo que se realizará a próxima semana em Bogotá no meio de uma enorme expectativa nacional e internacional, deve ter clareza e honestidade em todos os setores que participam dele, porque é evidente a intenção da direita de dividir a principal força de oposição e de opção democrática e popular, a partir da campanha da “grande imprensa” que fomenta as posições dúbias e excludentes em seu interior.

O que querem Petro e Lucho com o golpe de que contam com a maioria dos delegados e por isso são eles, sem contar com a esquerda, os que devem tomar as decisões <> a partir de composições políticas para levar o Pólo a se submeter a acordos sobre o fundamental com os setores centristas e da <>?


RPETINDO

Pelo menos Lucho foi mais claro. Sem precisar se alongar muito na discussão chegou ao ponto de dizer que no Pólo não devem coabitar as forças que o compõem agora, mas simplesmente adotar com “realismo” o modelo espanhol em que há uma “esquerda” reformista e pré-capitalista como o PSOE e outra “radical”, como Esquerda Unida e isso deve aceitar-se sem tanto dramatismo.

Neste sentido, o senador Petro, adotado transitoriamente como a estrela do Congresso do PDA pela grande imprensa, se movimenta com propostas gelatinosas e ao vaivém das circunstâncias. De propor uma aliança, inclusive com Uribe, para derrotar a guerrilha que segundo ele é o pior problema do país, agora aparece com uma proposta em que reduz a direção do Pólo a um só setor, com o propósito desesperado de ter uma maioria que controle o congresso e lhe permita a expulsão da “extrema esquerda”. Na sua nova proposta, argumenta que os inimigos são Uribe e as FARC, cedendo um pouco ao comercial do absurdo de sua pretensa aliança com o uribismo.
Se houvesse um critério unitário em Petro e seu pequeno grupo, que diz ter a maioria dos delegados, simplesmente faria a proposta ao conjunto do Pólo para formalizar um acordo político democrático, que garanta a unidade em função do interesse nacional e de saídas programáticas avançadas à crise, independentes da oligarquia e de setores reformistas de direita.
O pior que aconteceu a este país é o uribismo, que pretende perpetuar-se, precisamente estimulando a divisão da esquerda e colocando como inexorável a reeleição do messias ultra direitista ou de seu herdeiro. É o que se conhece como o uribismo sem Uribe.
O governo da “segurança democrática” aprofundou a fissura social e a guerra, que na atualidade, degradada e desenfreada, não encontra uma via política de solução negociada como propõem os setores democráticos do país. O problema não é a guerrilha como acha Petro na sua posição delirante, mas promover a saída política do conflito, que não pode ser outra que pela via de um tratado de paz que assegure mudanças políticas, econômicas e sociais de fundo, além que retornar à Constituição de 91 que é um objetivo limitado. A Carta Política deve ter novos desenvolvimentos constitucionais no marco da democracia avançada e uma virada na parte neoliberal que foi o aporte do “gavirismo” liberal à mesma.
O futuro do Pólo está na unidade. Na sua composição não pode haver exclusões e excomunhões, mas acordos políticos reais que fortaleçam seu papel de opção transformadora democrática e popular.

O debate de idéias deve ser construtivo e democrático, longe da guerra suja similar à política tradicional, como diz o professor Carlos Gaviria em reportagem nesta mesma edição, porque enquanto Petro ameaça a si mesmo por uns artigos de Anncol, de seus apontamentos à esquerda de ter alianças com a guerrilha se derivam graves ameaças das “Águias Pretas” contra Carlos Gaviria, Carlos Bula e outros membros da direção do PDA, que não mereceram sua rejeição.
O debate está viciado, mas ainda é hora de retificar se o que se quer é um Pólo conectado com o interesse nacional e com a transformação democrática do país, longe de conchavos com a direita e de alianças com o reformismo burguês que pretendem manter o bloco dominante às custas de cooptar também à esquerda com o conto do “acordo nacional”.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Sigifredo López agradece a Piedad Córdoba e aos presidentes Chávez e Lula


Caracas, 5 fev. ABN - O ex deputado do Vale de Cauca, Sigifredo López, libertado na última terça-feira pelas forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) após sete anos em cativeiro, agradeceu o empenho da senadora Piedad Córdoba e dos presidentes da Venezuela, Hugo Chávez e do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, para a sua libertação.

“Agradeço ao governo do Brasil, ao presidente Lula, à Cruz Vermelha, à senadora Piedad Córdoba e ao presidente Chávez e a todo o povo venezuelano. Agradeço porque eles não mediram esforços, seu empenho foi decisivo” para viabilizar essas libertações, disse ele, em suas primeiras declarações à imprensa ainda no aeroporto da cidade colombiana de Cali, onde aterrissou o helicóptero que o trouxe da selva.

Na tarde de ontem López concedeu uma entrevista coletiva onde deu detalhes da sua libertação, dos dias em cativeiro e do incidente onde morreram os 11 deputados do Vale de Cauca que haviam sido seqüestrados com dele.

Com essa libertação, as Farc realizam a última entrega mediada pelo grupo Colombianos e Colombianas pela Paz, composto por vários setores da sociedade civil da Colômbia.

No domingo passado a insurgência entregou à comissão humanitária quatro militares e nesta terça-feira libertaram o ex-governador de Meta, Alan Jara.

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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Piedad traz mensagem de Cano. Sigifredo defende o intercâmbio humanitário entre militares e combatentes

Pacocol


5 de fevereiro, 19h21 - Sigifredo López foi recebido por seus familiares, amigos e também pela organização Colombianos Pela Paz, que possibilitou este passo para que voltassem à liberdade seis cativos das FARC, cumprindo desta forma o anúncio feito em dezembro passado. “Quero dizer ao povo vallecacaucano que, apesar do sofrimento que a guerra e o conflito nos causaram, não podemos seguir mandando uma mensagem de ódio". López também fez um chamado para que as Farc liberem os civis também de forma unilateral e pediu ao governo e à guerrilha que alcancem um acordo humanitário em prol da liberdade dos uniformizados que seguem no cativeiro.

Leia um resumo do discurso em Cali antes da entrevista coletiva e diante de milhares de pessoas

Sigifredo López agradeceu à senadora Piedad Córdoba por seu esforço em trazer os seqüestrados à Pracinha do Governo Local.

Insistiu no acordo humanitário e disse que agora, sem reféns políticos, o intercâmbio humanitário deve incluir os militares e os membros da guerrilha popular que se encontram ilegalmente nas prisões do governo.

Defendeu a possibilidade de um processo de paz por meio do diálogo, sem ódio e com disposição para ouvir. “A saída do conflito é política”, frisou.

Definiu-se como um democrata e não como uribista ou antiuribista.

Elogiou o trabalho da organização Colombianos Pela Paz.

O ex-deputado recebeu várias homenagens na praça de São Francisco, em Cali, após chegar à liberdade depois de passar 6 anos no cativeiro com as Farc.

“Não podemos continuar enviando mensagens de ódio”, disse López, em seu primeiro discurso público desde que voltou à liberdade.

“Meus companheiros não mereciam ser assassinados pelas Farc, como foram”, acrescentou López.

Na sua fala, ele advogou a libertação unilateral de todos os civis seqüestrados e um acordo humanitário que permita o retorno a seus lares dos militares e policiais que permanecem em poder da guerrilha.

“Só há uma chance para trazer vivos os 22 militares que há 10 anos vivem amarrados a árvores”, disse López, ao defender um acordo humanitário.

Ele acrescentou que os guerrilheiros têm ordens para matar os seqüestrados ao menor sinal de aproximação furtiva de helicópteros.

"Os soldados da Colômbia não precisam que lhes chamemos de heróis, mas de ações concretas. Eles merecem viver em liberdade. Temos que resgatá-los com vida e só temos a possibilidade do intercâmbio humanitário”, acrescentou López.

“Quero convidar os colombianos para que, em marcha coletiva, derrotemos a prática do seqüestro como arma política”, disse López, ao ressaltar que a mobilização popular demonstra um amadurecimento da sociedade civil organizada.

O ex-seqüestrado aproveitou a sua intervenção para agradecer várias vezes à senadora Piedad Córdoba pelos esforços coroados com a sua liberdade.

“Se ela não tivesse perseverado eu não estivesse aqui. Quero pedir-lhe que continue firme, apesar da incompreensão de alguns. Essa gente vê na senhora um raio de esperança", concluiu.

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Libertado o último político em poder das FARC

Prensa Latina

Cali, Colômbia, 5 de fevereiro (PL). Sigifriedo López, o último político retido pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), foi liberado hoje pela guerrilha, tal como anunciado no último 21 de dezembro.

López foi entregue no meio da manhã a uma comissão humanitária encabeçada pela senadora liberal Piedad Córdoba e três delegados do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICR) em um ponto do departamento do Cauca, no sudoeste do país.

Às 14:05 (hora local), o helicóptero brasileiro com os emblemas da Cruz Vermelha pousou na pista do aeroporto Alfonso Bonilla, da cidade de Palmira, vizinha a Cali, e desembarcaram o libertado e a senadora Córdoba.

Imediatamente se uniu em um longo e comovente abraço com seus filhos Lucas e Sergio, e logo com sua esposa Patricia Nieto.

Também estavam em Nome do governo o Ministro do Interior e Justiça, Fabio Valencia, e outras personalidades, assim como integrantes do comitê Colombianos Pela Paz que o receberam com ramos de flores.

Com a cegada de Sigifriedo López estão concluídas as liberações iniciadas em 1 de fevereiro com a entrega dos policiais Walter Lozano Guarnizo, Juan Galícia Uribe e Alexis Torres Zapata, e do soldado William Dominguez Castro, e na terça do ex-governador do departamento de Meta, Alan Jará.

Esta última etapa começou às 08:50, quando levantou vôo o helicóptero com a comissão humanitária para as selvas de Cauca.

Sigifriedo López, advogado de 45 anos, foi preso com outros 11 deputados em 11 de abril de 2002 pela Frente 30 das FARC em um espetacular ataque à Assembléia Departamental no centro da cidade de Cali.

Desse grupo é o único sobrevivente, pois em 11 de junho de 2007 a guerrilha informou em um comunicado a morte, 10 dias antes, dos demais 11 ex-deputados, por fogo cruzado em um enfretamento com tropas não identificadas.

Nesse momento López se encontrava em outro acampamento da guerrilha, o que permitiu salvar sua vida.

Em 21 de dezembro as FARC anunciaram a libertação dos dois políticos e quatro agentes de segurança em um gesto unilateral de reconhecimento das gestões do Colombianos Pela Paz em favor de um acordo humanitário e uma saída política para o conflito.

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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Nunca jogam limpo

Por: Allende La Paz/ANNCOL

Sempre jogam sujo. Mas é da sua natureza. São mafiosos. São narcotraficantes. São paramilitares. Não respeitam a vida de ninguém. Os que trabalham para eles, principalmente os uniformizados ou narcotraficante-para-políticos, são descartáveis.

Por isso arrogam-se o direito de detonar um ato humanitário. Um ato que revela a verdadeira desumanidade do regime narcotraficante-paramilitar colombiano. Que demonstra a incomensurável perversidade de Álvaro Uribe Vélez, mais conhecido como Uribhitler. E de sua 'máfia'. Os que lhe batem continência. Os que como Luis Carlos Restrepo perderam até a dignidade e se venderam por um prato de lentilhas ou de coca. Dos 'Hienas' Santos. Da cúpula militar.

Mas o povo colombiano e o mundo os conhecem há tempos. E Uribhitler e sua 'máfia' estão desesperados. Desesperadíssimos. Não têm outra forma de mostrar-se ao mundo a não ser com atos selvagens. Porque é atitude de selvagens, de uma selvageria inaudita, impedir a libertação dos detidos em poder das FARC. Isso não tem adjetivação possível.

O regime narcotraficante-paramilitar de Uribhitler está condenando à morte os retidos em poder das FARC. Ele não os quer de volta. Não facilita seu retorno porque quer vê-los mortos para acusar à guerrilha. Por isso, fustiga com suas aeronaves à Comissão que recebeu os prisioneiros em poder das FARC.

A idéia é acusá-los de tudo, de terem se aferrado a argumentos contrafactuais. Dizer que as FARC se 'aproveitaram' da entrega para atacar Cali. Mas, senhores, as FARC não estão em guerra contra o Estado colombiano? Quando foi que as FARC - se é que foram elas em Cali - declararam trégua ao Estado?

Talvez as forças militares-narcoparamilitares do Estado não são as maiores da América Latina, proporcionalmente falando? Que 435 mil soldados, policiais e narcoparamilitares não são suficientes para controlar o seu próprio território nacional? Como fica a sua mentirosa pregação de que 'as Farc estão derrotadas'?

No cúmulo da estupidez política e da desesperada arrogância, o regime narcotraficante-paramilitar desautoriza Piedad Córdoba de realizar o processo de libertação. Mas, senhor Uribhitler, o senhor não se tem dado conta de que Piedad foi escolhida pelos COLOMBIANOS E COLOMBIANAS PELA PAZ, a sociedade civil e as FARC, para adiantar o processo! É preciso dizer isso. Quando um 'governo' é incapaz de atender o que o povo exige, nesse caso o chamado 'Intercâmbio Humanitário' ou Entrega Humanitária, cabe à sociedade, ao povo, envidar todos os esforços necessários para alcançar esse objetivo. O povo tem que se impor ao 'governo'. E ponto!

Por isso a sociedade civil - da qual eu faço parte - diz a Piedad Córdoba e a COLOMBIANOS E COLOMBIANAS PELA PAZ que eles devem seguir antecipe com o processo. Contra a vontade de Uribhitler e sua 'máfia'. Apesar de Uribhitler e sua 'máfia'.

Nós, colombianos, queremos que termine esta fase da entrega unilateral de prisioneiros. Demos o mandato soberano a Piedad Córdoba e a COLOMBIANOS PELA PAZ para que continuem realizando contatos com as insurgentes FARC para concretizar o Intercâmbio Humanitário ou Troca de Prisioneiros de Guerra. Esse passo do Intercâmbio necessariamente deve incluir propostas sérias de saídas pacíficas para o conflito interno colombiano. Porque o povo está farto de Plano Colômbia. O povo está farto de Guerra. A sociedade colombiana está doente - e adoece cada vez mais – por ter tantos mortos, desaparecidos, massacrados, assassinados extrajudicialmente entre seus filhos e filhas.


Os colombianos dizem basta! E começamos a caminhar..!

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Alan Jara em coletiva de imprensa: "Uribe não ajudou em nada" -

Procuradoria persegue o imundo rato de esgoto Londoño

Titulo da ANNCOL. Uma das maiores frustrações de Maya Villazón é não ter conseguido que este ladrão - conhecido como Ladroño - devolvesse o que roubou da INVERCOLSA

Procuradoria exige devolução de ações da Invercolsa


Autor: Daniel Valero
Segunda-feira, 26 de Janeiro de 2009


A Procuradoria exigiu o imediato cumprimento da ordem judicial que obriga o ex-ministro Fernando Londoño a devolver as ações adquiridas da Invercolsa.

Um recurso foi interposto na Procuradoria para que a mesma seja obrigada a dar cumprimento à ação de nulidade que falhou no caso das 145 milhões de ações de Invercolsa compradas pelo ex-ministro Fernando Londoño, informou o presidente do Conselho de Estado, Enrique Gil Botero.

O processo de venda das ações estava crivado de procedimento ilícitos, pelo qual o Ministério Público insistiu na nulidade da negociação.

/Tomado do Blog de Jaime Caycedo T

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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

As libertações são positivas, mas...

Os que voltam atrás nesse esforço de libertações, o suposto retorno à política de guerrilha para a era - chamada por eles de Era CANO - equivocam-se: a insurgência jamais deixou de fazer política.

Johnson Bastidas

Os analistas começaram a fazer suas apostas sobre o conteúdo e o significado das libertações unilaterais das FARC-EP. As análises pecam pela incapacidade de fazer sínteses racionais e têm como ponto de partida a vitória da “segurança democrática” uribista. Como ponto de chegada prevêem a derrota iminente da insurgência, cujo destino final e indicador visível - como na estirpe dos Buendía - seria a rendição e entrega ao bondoso e maternal coração do governo paramilitar. Os analistas parecem prisioneiros de suas próprias tautologias, o que, aliás, não parece incomodá-los, já que são os mercenários do pensamento dominante.


Tudo isso ocorre em meio a certos esforços sociais louváveis em prol da paz, como, por exemplo, os COLOMBIANOS PELA PAZ encabeçados pela senadora Piedad Córdoba, e outros intelectuais que têm o apoio da insurgência. Prova disso é o comunicado do COCE, liderança do ELN, que manifesta a sua vontade de participar do intercâmbio epistolar da mesma forma que fazem as FARC-EP.

Há outros esforços, como as comissões que se reúnem em Paris e em Washington, entre as quais há alguns indivíduos que não gozam de muito boa reputação entre a insurgência, e outros cujo compromisso se restringe à dimensão de projetos pessoais. Enfim, há várias comissões que se formam para discutir a paz, mas a posição da insurgência não é levada em consideração e quando é mencionada baseia-se nos dois pressupostos anteriormente mencionados: a suposta derrota militar da insurgência e o seu fim próximo. Muitos que se dizem mensageiros da paz são na verdade promotores do neoliberalismo econômico, dali o seu empenho em dar segurança aos investimentos estrangeiros, “paix romaine” ao extremo e toda a segurança para o capital, tudo isso sem evocar sequer as especificidades e as mudanças em curso na estrutura da sociedade colombiana. São verdadeiras festas de aniversário sem o aniversariante, uma vez que a insurgência está completamente ausente.

Todo negociador, para levar a sua missão a um bom desfecho, deve contar como princípio básico o reconhecimento das partes envolvidas, principalmente a parte da insurgência, uma vez que esta sempre ressaltou as suas preocupações com a segurança dos porta-vozes e dos prisioneiros de guerra. Se o governo, como vem anunciando, impede as elogiáveis atitudes dos COLOMBIANOS PELA PAZ, as libertações podem inclusive ser suspensas, já que a Cruz Vermelha perdeu a sua credibilidade na operação JAQUE, onde o governo utilizou de forma arbitrária o seu símbolo, sem que esse organismo rejeitasse de forma taxativa esse fato violador de todas as convenções e acordos internacionais dos quais a Colômbia é signatária.

Sem sombra de dúvidas, qualquer libertação unilateral de prisioneiros de guerra pela insurgência é um passo adiante na abertura da comunicação entre as partes, um triunfo da insurgência. Provas disso são todas as operações que buscam boicotá-las e reduzir a sua importância para que a insurgência fique perante o mundo como uma organização de fachada e devedora de seus compromissos adquiridos com os colombianos em prol da paz. O pior é que há provas de todas as tentativas do governo para pôr em perigo as vidas dos libertados e negociadores.

Nesse cenário o governo colombiano é responsável pela segurança e a vida da senadora Piedad Córdoba e de todos os membros da comissão que parte em busca dos libertados. Uma desautorização, como a que veio anunciar o governo uribista, pode jogar no lixo todos os esforços até agora conseguidos, uma vez que, como já anunciamos a atitude pusilânime da Cruz Vermelha perante a violação flagrante de seu símbolo a deixou com uma má imagem perante a insurgência. A atitude do governo uribista o deixa péssimo perante a opinião pública internacional, uma vez que ele não só nada tem feito para facilitar o intercâmbio humanitário como também agora ataca uma operação digna e eficiente como esta se mostrou diante à opinião pública internacional. Uribe, com seu livreto de guerra, tem problemas para conduzir ações onde imperem a civilidade e saídas humanitárias. A desautorização dos bons trabalhos desempenhados pelos COLOMBIANOS PELA PAZ, encabeçada pela senadora Piedad Córdoba, parecem deixar claro que Uribe quer libertações sem testemunhas para jogar sujo, como sempre foi o seu costume desde os tempos do seu governo em Antioquia.

Os que voltam atrás nesse esforço de libertações, o suposto retorno à política de guerrilha para a era - chamada por eles de Era CANO - equivocam-se: a insurgência jamais deixou de fazer política. Dizer que as libertações são um prelúdio ao processo eleitoral que se avizinha é simplista e não corresponde à realidade. A conclusão que se deriva desse sofisma é que os insurgentes das FARC-EP fazem política durante as eleições regionais e durante a eleição presidencial. Basta ler alguns documentos: proposta das FARC-EP para a redução do conflito (2002), Mesa redonda sobre a distribuição do ingresso e desenvolvimento social (2001), Apontamentos ecológicos da mesa temática das FARC-EP (2000), A reforma agrária (2002), A audiência Juventude e Emprego (2002), As FARC-EP, o desemprego e o setor solidário (2000), Acordo dos poços (2000), Sobre o processo de paz (1999), Agenda comum pela mudança e a Nova Colômbia (1999), Planejamento para a substituição de cultivos ilícitos (2000) etc. A lista é longa, mas em cada item se pode entrever como o país concebe a insurgência e a maneira de levá-la a um bom destino. O único ingrediente ausente nessa contabilidade é interlocutor ou interlocutores comprometidos com a paz.

Até o momento tem faltado algo a todas as propostas que circulam e pululam: colocar na mesa a questão dos prisioneiros políticos, pois eles também são colombianos e não merecem ser deixados à mercê do esquecimento. Seria importante que uma comissão internacional, com credibilidade, elaborasse um balanço da situação atual dos prisioneiros políticos para saber quantos são, a situação dos processos e a situação humanitária de cada um. Os prisioneiros políticos colombianos sofrem, desde que foram capturados, violações constantes dos seus direitos básicos. Aliás, seus direitos não existem e ninguém os faz cumprir. Estas práticas incluem desde as violações do direito constitucional, com a falta de processos, incluem transferências para longe de sua família, falta de qualquer acompanhamento de saúde, ausência de direito à intimidade, ameaças diárias, situações inimagináveis de superlotação e condições aberrantes de insalubridade.

A alegria que nos trazem as libertações unilaterais da insurgência contrasta com o olhar que nos lançam desde seus pavilhões os homens e mulheres que ousaram se levantar em armas contra o regime corrupto e paramilitar que nos governa. Eles também fazem parte da luta pela paz.

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Reflexões de Pablo Catatumbo

- Dona Yidis disse nessa entrevista, não obstante ter sido tratada como um farrapo e ter sido jogada na prisão: “Uribe é um bom presidente, é honesto, mas tem maus assessores. O presidente deveria olhar melhor os que o rodeiam”. Justamente o que os alemães diziam de Hitler – anotações de Catatumbo, nas montanhas da Colômbia.

ANNCOL


Para o conhecimento dos nossos leitores, 'Reflexões de Pablo Catatumbo', membro do Estado Maior das FARC-EP.

***

Estamos vivendo, ou melhor, é mais exato dizer que estamos saindo, de uma etapa certamente difícil, mas progressista e provisória, porque o fascismo nunca se eternizou em qualquer lugar (e isso já começa a tornar-se evidente). Esta é como aquela fase que se viveu depois da queda da República Espanhola, em meados da década de 30 (guardadas as devidas proporções, obviamente), quando o fascismo se mostrava altaneiro, abusivo e tão prepotente que já não só ameaçava, mas arrasava todos os cidadãos, tanto em seu próprio país como além de suas fronteiras.

Hitler, Franco e Mussolini eram os heróis da época, boa parte da opinião pública os aclamava quase que unanimemente e os considerava os escolhidos, salvadores, redentores da humanidade.

Alguns pensam que se trata de fenômenos sociológicos que se reproduzem de tempos em tempos, devidos em boa parte à manipulação da grande massa por meio da propaganda enganosa dos meios de comunicação, à desesperança a que a miséria atirou ao povo e sobretudo à necessidade, que devido à concentração do capital em poucas mãos e a própria crise em curso levam as oligarquias a impor a sua mão dura e o controle social para desenvolver os seus planos.


Digo que estamos como naquela época, uma vez que aqui também se pode presenciar um fenômeno parecido.

Boa parte da opinião pública manipulada teve Uribe como o Homem Providencial, o Eleito, aquele que vai tirar a Colômbia do atoleiro, o que se sacrifica o que mais trabalha, e, além disso, o que é de uma honradez e um patriotismo impolutos.

Por conta dessa imagem, essa mesma opinião resvalava para o terreno do achismo quase todas as acusações e provas que podiam implicá-lo pessoalmente. Pouco importaram as denúncias sobre a parapolítica, os massacres da polícia, o roubo de terras de camponeses, as centenas de escândalos que provam a corrupção do regime, os deslocamentos forçados, a entrega de nossa soberania e de nossa economia às oligarquias, às multinacionais e ao imperialismo. Tudo isso foi envolvido em um manto de cinismo, relativizado e finalmente esquecido.

Não importa que seu pai e seu irmão, Santiago, tenham sido mafiosos e paramilitares e que ele mesmo também o tenha sido, não importa que seja um ambicioso, um trapaceiro, um demagogo, um fascista; simplesmente os meios de comunicação se encarregaram de lavar a sua imagem e uma boa parte da gente ainda não acha que a podridão o envolva.

Curiosamente, nesses dias estou lendo a biografia de um homem que sempre respeitei, embora eu não possa dizer que o admiro. Eu o respeito pela sua sagacidade, sua engenhosidade e suas façanhas guerreiras, apesar dele ter servido no exército de Hitler: O general Erwin Rommel.

Lendo-lhe, encontrei uma série de coincidências entre a personalidade e o estilo de comando de Hitler, o que leva a pensar que a “originalidade” de Uribe parece ter sido copiada, ponto por ponto, do primeiro.

Assim escreveu Desmond Young, um general britânico que combateu Rommel na famosa campanha do norte da África, onde o alemão ganhou merecidamente o apelido de “Raposa do Deserto”:

“Rommel não era propriamente um fascista. Era o que se pode chamar um guerreiro nato. Seus amigos jamais conheceram as suas opiniões políticas de forma bem definida. Ele se inscreveu no partido Nazista, mas o fez mais por cumprir um requisito ou por fervente admiração pessoal a Hitler, embora o admirasse”.

“Rommel, que instintivamente distinguia e sempre viu uma grande diferença entre Hitler, que o deslumbrava, e a camarilha que o rodeava, achou o seu melhor amigo no Coronel Schmund, às vésperas de sua adesão ao Partido Nazista, uma confirmação de seus pontos de vista. Com efeito, dizia Schmund: “Hitler era um grande homem, um grande patriota, mas lamentavelmente estava rodeado de um grupo de bandidos, a maioria deles herdeiros de um passado obscuro. Mas Hitler, por sua vez, que grande homem era! Que idealista! Que senhor tão digno para que alguém o servisse!”. A alguém que ouvir essas palavras pode parecer ter escutado José Obdulio.

Mas o autor acrescenta:

“Hitler costumava falar em tom profético”. Dizia Rommel: “Hitler quase sempre atuava seguindo seus instintos, mas ainda assim “Hitler tinha a extraordinária faculdade de religar em um só feixe os pontos essenciais de uma discussão para dar-lhe uma solução e quase sempre acertava”. Que grande homem era, tinha uma inteligência superior!”. (Observe a expressão)

“Tinha a faculdade intuitiva (Hitler) de adivinhar o pensamento dos seus interlocutores e se estava de bom-humor, de dizer o que eles mais gostariam de ouvir naquele momento. Hitler era extremamente hábil em usar, conforme lhe convinha, a lisonja com seus aduladores ou o desprezo para assegurar-se da obediência”.

Outro detalhe da personalidade do Fuhrer que impressionou a Rommel, e pelo que o admirava, foi a “sua memória, realmente extraordinária”. Dizia ele: “Hitler sabia praticamente de cor todos os livros que tinha lido. Levava fotografadas dentro de sua mente, com páginas e páginas de livros e até capítulos inteiros”.

“Tinha um gosto particular pelas estatísticas, que podia lembrar por inteiro: Era capaz de alinhar até o infinito cifras e mais cifras sobre a disponibilidade de tropas do inimigo, os tanques destruídos, as reservas de gasolina e de munição etc., com uma maestria que impressionava enormemente os cérebros do Estado-Maior, não obstante ser estes homens muito bem treinados para essa mesma ginástica mental”.

Ele gostava também de fazer seus generais caírem no ridículo para mostrar-lhes a sua superioridade como chefe.

“É conhecida uma anedota que narra uma de suas freqüentes viagens de inspeção às tropas, em que ele chamou o general encarregado e lhe perguntou: - Quantos tanques por batalhão tem a sua artilharia, em média? O General lhe deu uma cifra.

“- Não senhor, - replicou o Fuhrer -. Isso não é exato porque eu lhe enviei mais munição que isso; o senhor tem que ter mais armas e mais munições. Ligue imediatamente ao encarregado da artilharia e lhe pergunte o quanto de munição ele tem.

Pelo telefone chegou à cifra exata. De novo Hitler tinha acertado, o caudilho tinha sempre a razão, e, enquanto o general envergonhado ruborizava-se, o Führer mal deixava entrever um leve sorriso de satisfação. Seu objetivo fora alcançado. Mais uma vez demonstrara a sua superioridade ante seus homens”.

Qualquer semelhança com a realidade não é pura coincidência. O nosso fascista simplesmente aprendeu os truques do seu professor.

Não é preciso ler a entrevista que fez El Espectador a Yidis Medina, constatar que a utilizaram para reeleger ao Führer colombiano e que depois a traíram e abandonaram (como geralmente fazem a todo traidor) para um entender esse comportamento deplorável.

Dona Yidis disse nessa entrevista, não obstante ter sido tratada como um farrapo e ter sido jogada na prisão:

“Uribe é um bom presidente, é honesto, mas tem maus assessores. O presidente deveria olhar melhor os que o rodeiam”.

Justamente o que os alemães diziam de Hitler.

Pouco a pouco vai ficando a constatação de que a tão citada originalidade de Uribe não é mais que uma grosseira imitação dos métodos usados pelo pior dos piores espécimes que passou pela humanidade até hoje.

E olha que sequer citamos o que ele copiou de Goebbels.

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Questionam cooperação com Colômbia

“Antes de falar de um acordo de livre comercio, o presidente Uribe deveria se preocupar que se melhores ostensivamente a situação dos direitos humanos em seu país”, disse Alexandra Huck da Associação Coordenação Colômbia (kolko) com sede em Berlim.

Álvaro Uribe em Berlim: Chanceler alemã destaca “avanços” em matéria de direitos humanos. Organizações de direitos humanos protestam contra o mandatário.

Von Harald Neuber
amerika21.de (01.02.2009)

Uma política cega frente a um “sócio privilegiado”: Angela Merkel e Álvaro Uribe em Berlim


Berlim/Bogotá.

Depois da visita de dois dias do presidente colombiano Álvaro Uribe Vélez a Alemanha, organizações governamentais e de direitos humanos do país europeu tem tendido a um balanço diferente.

Enquanto em Berlim a chanceler alemã Angela Merkel (democrata cristã) louvou “a melhora da situação dos direitos humanos” em Colômbia, sob o governo de Uribe, numerosas organizações protestaram contra o convidado sul americano.

Uribe pousou na capital alemã depois de sua participação no Fórum Econômico Mundial de Davos. O primeiro dia de sua visita se reuniu com a chanceler social-democrata.

Também formaram parte do programa um encontro com o ministro de economia Michel Glos (democrata-cristão) e com a ministra de educação Annete Schavan (democrata-cristã). Uribe falou ainda com representantes da comissão da economia alemã para América Latina.

Alemanha é o sócio comercial mais importante da Colômbia na União Européia. O volume de negócios em 2007 cresceu ao redor de 1,8 bilhões de euros.

A chefe do governo alemão, Angela Merkel já tinha visitado a Colômbia em maio do ano passado, como parte de seu giro pela América Latina. No final do ano, o político democrata-cristão Ole von Beust se reuniu com Uribe em Bogotá.

Enquanto o governo alemão reporta um balanço positivo da visita do mandatário colombiano, organizações não governamentais e grupos de direitos humanos a criticaram.

“Antes de falar de um acordo de livre comercio, o presidente Uribe deveria se preocupar que se melhores ostensivamente a situação dos direitos humanos em seu país”, disse Alexandra Huck da Associação Coordenação Colômbia (kolko) com sede em Berlim.

Huck declarou que um melhoramento das situação dos direitos humanos somente se reconhece nas estatísticas oficiais.

A ativista sinalizou que nas duas últimas décadas tinham sido assassinadas 70.000 pessoas na Colômbia e quatro milhões foram deslocadas.

A chanceler alemã Angela Merkel, deveria tomar como exemplo a política do congresso dos Estados Unidos da América, exigiu Huck. O congresso de Washington tem bloqueado o acordo de livre comércio entre esse país e Colômbia, devido a má situação dos direitos humanos existente sob o mandato de Uribe.

Mais ou menos uma dezena de organizações apoiou o piquete pelas vítimas da violência política, entre elas, Anistia Internacional e numerosas organizações religiosas e de desenvolvimento.

“Se a chanceler federal e os líderes partidários se reunem com o presidente Uribe, os direitos humanos tem que ser um tema central”, disse a responsável para Colômbia da instituição benéfica MISEREOR, Susanne Breuer.

Enquanto as conversas planejadas com representantes da economia de Berlim, as organizações benéficas sublinharam que as violações aos direitos humanos e os deslocamentos na Colômbia representariam um desafio para a economia.

Em muitos casos, a violência estaria relacionada com interesses econômicos pela terra. Um exemplo seria a crescente produção de óleo de palma na região do pacífico, a qual é apoiada pela Alemanha.

Além de encontrar-se com políticos conservadores do governo alemão, Uribe também se reuniu em Berlim com o presidente do partido A Esquerda (Die Linke) Gregor Gysi. Gysi perguntou ao convidado colombiano sobre a perseguição política de opositores de esquerda.

O domingo, a porta-voz para a política de desenvolvimento do partido A Esquerda, Heike Hänsel, reafirmou essa posição. “Angela Merkel deve retirar o apoio ao governo de Uribe”, expressou ela.

Hänsel se referiu às aproximadamente 1400 execuções extrajudiciais que tem cometido o exército colombiano no ano de 2007. Há pouco o Conselho de Direitos Humanos da ONU tinha debatido esse assunto.

A deputada do partido A Esquerda apoiou a mais recente libertação de vários prisioneiros políticos que fez às FARC. “Esperamos que o governo aproveite essa iniciativa para finalmente iniciar negociações para um intercâmbio humanitário de prisioneiros, disse Hänsel.

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sábado, 31 de janeiro de 2009

Nacionalismo angustiado

O país deveria reescrever a sua história, colocar nos devidos lugares os verdugos e seus cúmplices; deveria revelar-se, de forma séria, o que realmente aconteceu e revelar os beneficiados com a depredação continuada de terras, os herdeiros políticos que se alimentam dos juros da violência, alguns desde os anos 50.

Gustavo Adolfo Salazar*/La Semana

No século XX as elites colombianas encontraram um país muito longe do desejado e alvo sonho europeu que tivessem cobiçavam. Por isso promoveram uma lei de imigração que pretendia o “melhoramento das condições étnicas”. O país mestiço estava condenado ao atraso. O sangue negro, para Laureano Gómez era “uma disfunção” e a identidade da nação colombiana, para muitos, era uma vergonha, resultado de uma desafortunada combinação de raças geneticamente propensas ao álcool e à violência.

A prova da “degenerada raça colombiana” seria a onda de violência dos anos 50, que uma agência do governo norte-americano chegou a tentar justificar pelo excesso de mestiçagem. Portanto, à perigosa identidade mestiça somava-se uma nefasta conseqüência: a violência como traço biológico. Os eventos da época pareciam confirmar a esta noção que, com o tempo, se cristalizaria como verdade empírica insofismável.

Para mudar esse trágico destino o país investiu na redefinição da sua identidade enquanto nação e lançou-se de cabeça na tarefa de construir referenciais e símbolos que elevassem a sua maltratada auto-estima. Permitiu que se construísse uma liderança disposta a tergiversar e apagar a sua própria história e aceitou impassível, por considerar necessário, os excessos, mentiras e o estupro da pouca democracia que ainda restava; o país assimilou o triunfalismo e a futilidade da sua high-society, considerando como parte do seu patrimônio cultural as estátuas que os políticos oportunistas erigiram a Shakira, Pibe e Juanes.

Também cantam loas à exuberância e à beleza natural, treinam guias de turismo para exibir a grandeza de Cartagena, escravista até os nossos dias, sem mostrar que - literalmente - a merda ferve nas ruas dos bairros onde eles moram. Os guias descrevem em detalhes os Tayronas e sua Cidade Perdida, enquanto as autoridades permitem que se prenda, torture e assassine os seus descendentes Kankuamos, Koguis, Ikas e Arhuacos.

Os símbolos são redefinidos, o videoclipe do hino nacional é repleto de helicópteros e heróis camuflados, as mãos são levadas aos corações, levantam-se monumentos aos soldados e policiais mortos em combate, a bandeira flameja, “a pátria assim se forma”.
A nação é “lembrança e é esquecimento”, mas essa nova iconografia deixa de lado a face real, torturada e presente: as vítimas, e, com elas, a realidade. O país deveria encher-se também de monumentos aos desaparecidos, essas vítimas esquecidas e desaparecidas novamente pelo discurso político e midiático; o governo deveria ter um compromisso ético e não uma simples norma jurídica em relação aos desaparecidos. Também deveria assumir, de uma vez por todas, as suas necessidades e reivindicações.

O país deveria reescrever a sua história, colocar em seus devidos lugares os verdugos e seus cúmplices; deveria revelar-se, de forma séria, o que realmente aconteceu e revelar os beneficiados com a depredação continuada de terras, os herdeiros políticos que se alimentam dos juros da violência, alguns desde os anos 50. O país precisa conhecer os rostos dos empresários da motosserra, agroindustriais, mineradores, latifundiários, essa “boa gente” que têm passado por inocentes no inexplicável silêncio e mentira das mal chamadas versões livres.

Por isso levar a pulseira tricolor, lustrar orgulhoso o sombrero vueltiao, tem um bom berço como carteira, cantar emocionado o hino nacional, construir monumentos, nada disso serve. Não bastam para construir uma nação verdadeira, só servem para exibir o profundo desejo de esquecer o passado, a angústia por construir uma nova identidade. Dizia Ernest Renan, um dos maiores intelectuais franceses do século XIX, que uma nação é uma comunidade de interesses, “uma alma, um princípio espiritual”.

Mas nesse país a identidade está sendo forjada pelo ódio, raiva, intolerância e desrespeito. São valorizados aqueles que acham que uma nação se constrói sem as diferenças e verbalizam isso em público, estigmatizando os diferentes. Desqualifica-se o protesto, criminalizam-se os opositores, se golpeia o juiz, acusam-se com más intenções os jornalistas dissidentes. Cria-se questões e disputas com os países vizinhos porque isso gera dividendos políticos e “anima os espíritos”, sem que se dêem conta que isso ao mesmo tempo os empobrece.

Os povos indígenas, por exemplo, quando reivindicam terras são latifundiários e quando protestam são terroristas; os negros, elo fraco agora subversivos, devem esperar e suportar seu atrevimento em um exercício de absurdo racismo. Falsas categorias morais inundaram o tecido social, desqualificar o próximo transformou-se em um pérfido hábito aplaudido publicamente, dizer mentiras é um recurso que parece válido e sem conseqüências e a corrupção se esgueira em todos os lugares. Usa-se um tom ufanista para falar sobre a nação, a pátria e a imagem internacional, enquanto o corpo diplomático é uma camarilha, um balcão de negociatas nas mãos de especialistas em clientelismo e tempero manzanillos, quando não dão o refúgio a obscuros personagens acusados de crimes contra os direitos humanos.

Uma nação, em seu espírito, deve ser, recorrendo novamente a Renan, “uma grande solidariedade”. Essa nação que está sendo construída a partir do ódio, do preconceito e da exclusão, essa nação não é a minha.

*Gustavo Adolfo Salazar é professor da Faculdade de Ciências Políticas e Relações Internacionais da Pontifícia Universidade Javeriana.

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quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Os Estados Unidos e os 500 bilhões de dólares das drogas

Caracas, 12 de set. ABN (por Hernán Carrera). – Ópio, cocaína, maconha e anfetaminas mobilizam todos os anos um orçamento que pode dobrar o de um país petroleiro como a Venezuela.

Devidamente “lavadas” e comercializadas nas bolsas, os lucros anuais do narcotráfico chegam a representar “em ações perfeitamente legais” mais de 300 trilhões de dólares: uma cifra que torna ridícula o mito que diz que este é um negócio comandado por “capos” do terceiro mundo, que eles escondem em algum bunker da Colômbia ou do Afeganistão.

Um camponês boliviano – que aqui chamaremos pelo pseudônimo de “Julio Quispe” – que consiga escapar do monopólio estatal da coca, receberá 1.375 dólares pelos 275 quilos de folhas necessários para produzir um quilo de pasta-base para cocaína. No entanto, um traficante colombiano – que apelidaremos de “Alvaro Jaramillo” – poderá processar esse quilo de pasta-base e vendê-la por uns 5.000 dólares. Ou pode transformá-la em cloridrato e revendê-la em Cartagena ou Bogotá por 15.000 dólares. No Harlem, Broadway ou em Harvard, um “Tom Smith” ou “Jimmy Johnson” qualquer poderá optar entre oferecer o pó puro, a uns 30.000 dólares o quilo, ou adulterá-lo até obter entre 40 e 80 dólares por cada grama de crack. Os 1.375 dólares de Julio Quispe se transformaram agora em cerca de 60.000 dólares.

Pode-se dizer que é um negócio simples: não requer muito mais do que umas folhas que nascem quase que silvestres, algo de querosene, um pouco de acido sulfúrico e acetona, um mula, ou uma pista, ou um bote apenas. E, é claro, uma certa má-consciência e ousadia para mover o produto de um lugar para outro.

Mas não é só um quilo: são 992 toneladas que foram produzidas, segundo o escritório das Nações Unidas para as drogas e o crime (UNODC, nas siglas em inglês), a produção mundial de cocaína em um ano como 2007. E não é só cocaína: também há outras drogas tão lucrativas ou mais, como 8.870.000 quilos de ópio, 4.400.000 quilos de maconha e 494.000 de anfetaminas de diferentes tipos. E nem tente contar alucinógenos e outros tipos.

Falávamos agora a pouco da mobilização mundial, desde as selvas mais afastadas até os colégios, universidades, bares e escritórios de qualquer cidadezinha do primeiro mundo, de mais de 50 milhões de quilos de substancias ilícitas, que são objeto de perseguição feroz e de guerra e morte. Falávamos também de mover por todo o mundo outra coisa mais difícil de passar despercebida: os 500 bilhões de dólares ao mínimo, dizem os especialistas (da ONU, do FMI, do Drug Enforecement Administration ou DEA), que constituem os lucros anuais dessas substancias. Isso baseado nos preços de 2006. Isso é o narcotráfico. E é apenas o começo.

Coisas que se pode saber só de vê-las

No inicio dessa longa cadeia do narcotráfico nem tudo são elos perdidos: se conhece perfeitamente os grandes centros de produção. E também as grandes rotas de distribuição.

Com 193.000 hectares semeados de papoula, o Afeganistão concentra 92% da produção mundial de ópio. Pura, ou transformada em morfina ou heroína, a droga afegã flui pela Europa através do Paquistão, das ex-republicas soviéticas do Turcomenistão e Uzbequistão, do corredor curdo, da Geórgia e Chechenia, dos Bálcãs. Mais distante, Mianmar compete com os seus 27.000 hectares de papoula.

A Colômbia é responsável por 55% do cultivo mundial das folhas de coca: 99.000 hectares. Em seguida vem o Peru, com cerca de metade disso, e então a Bolívia, com 28.900 hectares quase inteiramente dedicados ao processamento e comercio legal. O cloridrato de cocaína tem os EUA como destino principal. Sobe pelo pacifico, via Panamá, ou pelo Caribe colombiano, ou atravessa a Venezuela para fazer uma escala pelas Antilhas. Outra parte menor cruza o atlântico até a áfrica antes de entrar na Europa.

A Ásia oriental representa 55% do mercado mundial de anfetaminas (ecstasy e outros estimulantes), e se encarrega por si mesma de produzir e consumir suas drogas. O mesmo fazem outros dois grandes competidores: a “culta” Europa e os Estados Unidos do “implacável” DEA.

Sabe-se que desse mesmo território supervigiado pela DEA – o território estadunidense – se concentra a maior parte no mercado mundial da produção e consumo de maconha, graças às técnicas do cultivo hidropônico em interiores e inclusive em subsolos. Ainda que sua circulação pelo mundo seja mais “democrática” – a maconha está presente em 172 países -, a América concentra 55% da produção e tem no subcontinente norte-americano uma das maiores taxas de prevalência mundial: 10,5% dos norte-americanos entre 15 e 64 anos são consumidores. Na Europa, com três milhões de viciados (consumo diário), a maconha ocupa o topo na lista das estatísticas do Observatório Europeu das Drogas e Toxicomanias.

Com apenas esses poucos dados, algumas coisas começam a chamar a atenção no obscuro mundo do narcotráfico. Coisas que, digamos, não terminam de parecer “casuais”.

Por exemplo, no Afeganistão, praticamente o monopólio mundial da produção de opiáceos, está literalmente cheio de tropas invasoras, mísseis, tanques e mortos.

Nem se fala do Paquistão e das ex-repúblicas soviéticas do sul, amistosamente ocidentais. Não à toa que a Geórgia e Chechenia, o corredor curdo (Irã, Iraque, Turquia) e a porta traseira da Europa (Albânia, os Bálcãs) sejam constantemente cenário de guerras, de intervenções, de vigilância extrema pela “comunidade internacional”.

Não à toa que Mianmar esteja na lista dos “estados falidos”.

Não à toa que a Colômbia já acumula nove anos do Plano Colômbia, com suas balas, refugiados e mortos.

Não à toa que o Caribe seja tão decididamente controlado pelos gringos, tão cheio de patrulhas e satélites.

Ou, por exemplo, que a maconha, que há bastante tempo ocupa o maior peso no narcotráfico mundial – 80%, em termos de tonelagem – e que mais cresce em termos de consumo nos países mais desenvolvidos, sendo produzido ali mesmo – que nem as anfetaminas -, seja justamente a droga menos perseguida.

Mas claro: não se imagina um “plano Holanda”, um bombardeio nos laboratórios de Bogotá, uma invasão aliada em Londres, autodefesas que desloquem e aniquilem a população do Harlem ou do Queens. Ainda que sejam negros, ainda que sejam “boricuas” (porto-riquenhos). Ali o narcotráfico tem outro propósito.

Peões, capatazes, ambulantes

Um simples cálculo matemático mostraria que se 50.000 toneladas da produção mundial de drogas fossem transportadas em containeres de uso normal, seriam necessários 1.250 carretas para carregá-las. Outros, com mais tempo livre, chegaram à conclusão de que os lucros desse comércio, se fossem empilhados em notas de cem dólares, uma sobre a outra, formariam uma torre de mil metros de altura, equivalente a quatro torres do Parque Central de Caracas, uma em cima da outra.

Não é fácil esconder uma muamba dessas. Segundo diversos informes internacionais que o ex-presidente brasileiro Fernando Henrique Cardoso ratificou o orçamento para o combate mundial contra o narcotráfico equivalem “quase ao mesmo valor gerado pelo comércio de drogas” (http://colombiadrogas.wordpress.com). Só o Plano Colômbia, no momento de sua aprovação por Bill Clinton, teve um orçamento de 1,3 trilhões de dólares. Um total de 87 escritórios do DEA estão espalhados por 63 países – além das 227 existentes nos estados Unidos – para lembrar ao mundo que essa luta é uma exigência das maior das potencias econômicas, militares e policiais.

E mesmo assim, em todo o ano de 2007, essa mesma DEA teve que se contentar com a apreensão de 19.434 quilos de cocaína num navio panamenho como seu maior sucesso. Apenas 1,9% da produção mundial.

Os supostos “grandes capos” da droga que terminam aprisionados ou mortos guardam proporção com estas últimas cifras. Carlos Lehder, co-fundador do Cartel de Medellín, era ao ser capturado “dono de dois hotéis, dois aviões, sete sítios em Quindio e outros departamentos, lanchas e pelo menos 1,8 bilhões de dólares” (www.pabloescobargaviria.info/index). O famosíssimo finado Pablo Escobar Gaviria era dono de uma fortuna (nunca auditada, jamais comprovada) algo entre 5 e 10 bilhões de dólares: 1% ou 2% do que esse negócio produz em apenas 12 meses.

Esses “grandes czares” nunca foram mais que pequenos intermediários. Hoje, que já não existem, que não é mais possível ser ao mesmo tempo capataz de fazenda produtora de drogas e presidente de um banco ou universidade, seus sucessores são milhares de peões que só alcançam um ou dois escalões sobre essa cadeia de sujeitos tal como o Jaramillo ou o Jimmy Johnson.

Disse uma vez o ex-presidente venezuelano Carlos Andrés Pérez, conhecedor do ofício: “existem duas coisas impossíveis de se esconder: a tosse e a riqueza”.

A grande lavadora

Como se faz para esconder algo como quatro torres do Parque Central de Caracas feitas com notas de cem dólares? Como se apaga um orçamento duas vezes maior que o de um país que bóia em petróleo como a Venezuela? Como passam despercebidos 500 bilhões de dólares por ano?

Obviamente, a finalidade do narcotráfico não consiste em enterrar dinheiro embaixo do piso.

Antes de chegar ao limite superior da cadeia, o negócio das drogas tem – como se sabe – um elo fundamental na lavagem de dinheiro. Cumprir essa função nos diferentes níveis dessa cadeia de intermediários é responsabilidade de uns sistemas artesanais: desde o individuo que abre dez ou vinte contas em dezenas de bancos até os centros turísticos que repentinamente, sem motivo aparente, viram moda e se enchem de luxuosos edifícios e centros comerciais que logo são abandonados e nunca são terminados.

Não obstante, como toda grande indústria no mundo capitalista e no livre mercado, também essa é altamente concentradora e monopólica. Quem detém, digamos, uns 10% desse mercado, deve lavar a cada ano uns 50 bilhões de dólares. Vale dizer: o mesmo dinheiro que desde o ano 200 a ONU vem inutilmente pedindo que sejam reunidos para cumprir o seu grande objetivo do milênio: a redução da pobreza.

Para solucionar problemas deste tipo - o “branqueamento” de dinheiro sujo de qualquer espécie–, o sistema financeiro internacional permite - e apadrinha– um não-sistema: um espaço de extraterritorialidade alheio a todas as leis nacionais, a superintendências bancárias, a regulações, a convênios internacionais: alheio a tudo que não seja o dinheiro e sua intrínseca tendência ao ganho e a acumulação.

Esse espaço é o dos assim chamados paraísos fiscais e os bancos offshore, cujas entranhas foram exaustivamente reveladas pelo jornalista e escritor argentino Julio Sevares em um estudo titulado “O dinheiro sujo, sangue do sistema econômico e o poder” (disponível em www.argentina.attac.org/).

Em 2004 existiam no mundo 72 desses paraísos, nos quais funcionavam então cerca de um milhão de sociedades anônimas: empresas –virtuais ou reais– que nada nem ninguém obriga a apresentar oscilações, estabelecer sua composição acionária ou, inclusive, ter capital algum. Não obstante, a elas se somavam mais de 4.000 bancos offshore com depósitos conjuntos que superavam os cinco trilhões de dólares.

Paraísos fiscais célebres são os das Bahamas e as Ilhas Cayman, no Caribe, mas eles existem por todo o mundo: funcionam profusamente no centro de Londres, em Mônaco, em Tóquio, no diminuto estado de Delaware, a poucos minutos de Nova York e de Wall Street. E há inclusive alguns tão curiosos como o Principado de Sealand, que funciona em uma antiga plataforma petroleira do Mar do Norte, ou o Domínio de Melchizedek, situado sobre um desértico atol vizinho às Ilhas Marshal, que através do site www.melchizedek.com oferece cidadania e passaporte e facilidades para toda classe de negócios. Sem um só edifício à vista, têm nos seus bancos 25 bilhões de dólares.

No livro Capitalismo criminal: ensaios críticos (Bogotá: Universidade Nacional da Colômbia, 2008), Tom Blickman precisa a magnitude e o modus operandi destas eficientes lavadoras: “A Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômicos (OCDE), que agrupa 30 países mais ricos do mundo, estima que o volume do comércio mundial que passa pelos paraísos fiscais de maneira documentada cresceu durante este período [desde começo dos anos 70 até 2004] em cerca de 50%, apesar de estes lugares representarem cerca de 3% do produto bruto mundial. Esta extraordinária discrepância é uma indicação do grau em que a maioria das principais corporações aproveitam a mobilidade transnacional de seus capitais para lavar seus ganhos através de paraísos fiscais e regimes de impostos baixos”.

E acrescenta: “Essas corporações utilizam uma variedade de mecanismos, como o refaturamento e os custos de transferência –bens comerciados entre companhias com um dono comum a preços arbitrários independentes do mercado e que permitem baixar impostos declarando custos altos e preços de venda baixos nos lugares de maior tributação dos ganhos–, ou como as transações realizadas para companhias de papel e para fundos monetários secretos internacionais. Meios tais como as ‘contas fiduciárias celulares', que se transladam automaticamente a outra jurisdição enquanto se realizam averiguações, ou solicitações de assistência mútua judicial, facilitam claramente o delito”.

Como a imensa maioria das empresas assentadas em tais “territórios”, boa parte dos bancos offshore não mostrarão nunca ao cliente nem escritórios nem empregados: são, na verdade, instituições virtuais, conhecidas na gíria como “correspondentes”, que para funcionar só requerem de uma conta aberta em uma instituição bancária fisicamente estabelecida nesse ou outro “paraíso”. Se se quer ou necessita ainda maior segurança em apagar todas as pistas que vinculem depositário e depósito, se recorre ao nesting ou ennidado: uma conta em um banco que por sua vez tenha conta em outro banco que tenha conta em um offshore.

Quem tenha dúvidas-imerecidas, é preciso dizê-lo– sobre a seriedade desses bancos virtuais, pode tranquilamente depositar sua confiança no respaldo que lhes proporcionam grandes bancos da Suíça, Inglaterra, Alemanha, Japão, Estados Unidos e muitos mais.

Julio Sevares recolhe informação da revista The Economist, na sua edição de 14 de abril de 2001, que permite acalmar as preocupações do mais desconfiado dos narcotraficantes: “Três quartos dos grandes bancos investigados pelo Senado norte-americano têm, cada um, mais de 1.000 contas de bancos correspondentes. Os dois bancos maiores da lista, que não são norte-americanos, têm 12.000 e 7.500 contas cada um. Em meados de 1999 os cinco principais bancos norte-americanos com contas de correspondentes tinham 17 bilhões de dólares nessas contas. Os 75 maiores bancos tinham depositados nelas 35 bilhões de dólares”.

Esse é o não-sistema. Em um relatório de 1999 (“Feiras livres internacionais de capital”), o Fundo Monetário Internacional (FMI) citava Alan Greenspan, que era na época presidente da Reserva Federal nos Estados Unidos: “Nós não entendemos completamente a dinâmica do novo sistema”. Mas não interessa entendê-lo. Funciona. E como funciona!

O último elo da cadeia

Se nunca houve nem haverá um “Plano Holanda”, também não se pensou jamais em uma mera “Operação Melchizedek”. Ao final da longa cadeia do narcotráfico não há batidas, nem invasões, nem repressões, nem fotos de frente e perfil com número embaixo. Óbvio.
Quem quiser nomes e rostos deverá confiar no bom olfato ou a má língua dos jornalistas. Ou confiar na sua própria suspeita.

Deve lembrar, por exemplo, que Lucio Gelli, grande capo da loja Maçônica P-2, foi o sócio principal no Banco Ambrosiano ao Vaticano, lá pelos 70.

Que no escândalo do Bank of Credit and Commerce International (BBCI), sétima instituição bancária no ranking mundial, reluziram em 1991 assuntos tais como financiamento do terrorismo e lavagem de dinheiro, e as contas pessoais de Manuel Noriega, Saddam Hussein, Ferdinando Marcos, e depósitos da Organização para a Liberação da Palestina (OLP) e o serviço secreto israelense (Mossad) e o contra nicaragüense. E que com o banco se vinho abaixo a gigantesca transnacional de auditorias (auditorias!) Price Waterhouse. E que nos julgamentos subseqüentes, do lado da defesa de um dos grandes sócios do BBCI, interveio certo escritório de advocacia entre cujos advogados estava certa Hillary Rodham, mais tarde vindo a ser conhecida –apesar da Lewinsky– como Hillary Clinton.

Que o “seríssimo” Citibank deixou de sê-lo pelas contínuas investigações e denúncias que o têm vinculado à prática da lavagem de dinheiro, com diretas referências a regimes altamente corruptos como o do mexicano Carlos Salinas de Gortari, o peruano Alberto Fujimori e o filipino Joseph Estrada. Não casualmente, chefes de Estado em países produtores de drogas.

Que se descobriu no vasto conglomerado midiático do primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi uma contabilidade paralela para 64 empresas fantasmas: sua “super lavadora” para uso pessoal.

Que, enfim, a KBR, gigantesca transnacional da engenharia e a construção, ergue-se nestes últimos anos graças aos bilionários contratos em todos esses grandes centros de produção de drogas aqui citados, e nos corredores que vão do Paquistão à Bósnia e da Colômbia ao México. E que sócios códigos dessa empresa são a família Bush e seu segundo ao comando, o vice-presidente Dick Cheney.

Por que ou para quem?

Não tem então muito sentido perguntar-se por que, se os governos que regem o destino do planeta dedicam tanta energia ao tema do narcotráfico, não apontam suas armas contra os quartéis-generais dessa indústria. Caberia mais perguntar-se o porquê puseram tão aparentemente o mundo em pé de guerra contra ela.

Catherine Austin Fitts, uma ex-funcionária do governo de Bush “pai” e atualmente diretora de um fundo de investimentos em Wall Street, aponta um motivo que ajuda a compreender as razões dessa suposta contradição: cada dólar que se aponta na linha escrita ou impressa “ganhos” de uma transnacional –General Motors, Toyota, British Petroleum, por exemplo–, representa automaticamente, por essa estranha lógica do livre mercado, um aumento de seis dólares no valor de suas ações.

Não é pouca coisa, se se multiplicam por seis os 500 bilhões do narcotráfico. Cedidos em empréstimo com juros baixos ou inclusive em troca simples por ações, são 300 trilhões de dólares. Perfeitamente legais, podendo ser usados, trocados em cambio. É mútuo benefício. Um montante que não convem deixar ao alcance de potenciais concorrentes.

Disse o renomado jornalista francês Christian de Brie: “O abandono das soberanias nacionais e a mundialização liberal –que permite aos capitais circular sem controle de um lado ao outro do planeta– possibilitaram o crescimento explosivo de um mercado financeiro fora da lei, motor da expansão capitalista lubrificado pelos ganhos do grande crime” (“Crime, a maior empresa livre do mundo”, em http://mondediplo.com/2000/04/05debrie).

Assim, enquanto os ganhos do narcotráfico são o motor do seleto grupo de empresas que realmente domina o planeta, e enquanto as guerras lhes permitem apoderar-se –para esse ou outros negócios– de países inteiros, o mercado da droga serve de bucha de canhão.

Lá longe, Julio Quispe, Alvaro jaramillo, os Tom Smith ou Jimmy Johnson contam felizes seus pequenos lucros sem saber que são as vitimas e propulsores necessários do neoliberalismo selvagem. Uma droga como qualquer outra.

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segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Fidel Castro: O Encontro com Cristina

O líder da Revolução Cubana afirmou que não tinha dúvidas da honestidade com que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, expressava suas idéias, mas acrescentou que, apesar das suas nobres intenções, restavam muitas dúvidas a responder. Esse e outros temas ele conversou com a presidente da Argentina.

Fidel Castro, PL/YVKE Mundial

O líder da Revolução cubana, Fidel Castro, afirmou que não tinha dúvidas da honestidade com que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, expressava suas idéias, mas disse que apesar das nobres intenções ainda havia muitas dúvidas a responder.

"Por exemplo, eu me perguntava: como poderia um sistema esbanjador e consumista por excelência preservar o meio ambiente?”, expressou Fidel Castro em sua mais recente reflexão, intitulada "O encontro com Cristina", divulgada pela publicação digital Cubadebate. O líder cubano abordou o tema durante um diálogo de 40 minutos com a presidente argentina, Cristina Fernández de Kirchner, em um intercâmbio de idéias que ele qualificou de intenso e interessante.

A seguir, o texto na íntegra:

O Encontro com Cristina

A conversa durou 40 minutos, a troca de idéias foi intensa e interessante como eu esperava. É uma pessoa de convicções profundas. Não houve debates.

Quando ela discursou na sala Magna da Universidad de La Habana também respondeu rapidamente às perguntas dos estudantes, mostrando talento e capacidade de resposta.

Na Escola Latino-Americana de Medicina o encontro foi emotivo; a música dos estudantes camponeses de origem Guarani, com melodias e instrumentos típicos dessa etnia, deu ao encontro um aspecto especial. Arranjaram-lhe um avental médico, que colocaram sobre o seu traje de jaquetas e calça laranja.

Da ELAM ela veio conversar comigo.

Ao falar dos Estados Unidos eu comentei a importância histórica que é Cuba o fato de que ontem, ao meio-dia, tinham-se completado a transição de 10 presidentes ao longo de 50 anos, os quais, apesar do imenso poder desse país, não conseguiram destruir a Revolução Cubana.

Relatei que não abrigava pessoalmente a menor dúvida da honestidade com que Obama, undécimo presidente desde 1º de janeiro de 1959, expressava suas idéias, mas que apesar das suas nobres intenções havia muitas dúvidas a responder. Como exemplo eu me perguntava: como poderia um sistema esbanjador e consumista por excelência preservar o meio ambiente?

Vários outros aspectos da política nacional e internacional de Cuba e da Argentina foram abordados.

A capacidade que tem a Argentina para produzir alimentos e produtos industriais com tecnologia avançada são fatores decisivos para o seu desenvolvimento. Ela mencionou a capacidade de engenharia de informática para viabilizar o comércio em âmbito mundial, com em países como a Índia, de grande interesse para ela, e que é por outro lado muito forte na criação de softwares.

Cristina gosta de dedicar-se ao trabalho, dando-lhe todo o tempo possível. Não obstante ela é capaz de proteger os direitos argentinos ao viajar para outro país, além de reservar algumas horas para fazer exercícios físicos e adaptar-se, o que todos respeitam.

Fidel Castro Ruz
21 de janeiro de 2009
18h30

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Os fomentadores da guerra

Desinformando. Os grandes meios empresariais ao serviço dos poderosos. Já nem se esforçam para ocultar seus propósitos divisionistas. Segundo eles as Farc e o ELN estão se matando. Agora botam a mão no POLO para dividir-lo.

ANNCOL

Velha modalidade da oligarquia colombiana: “Divide e reinarás”.
Inimigos da reconciliação nacional e da construção da Nova Colômbia. Mas, a contra gosto, foram desmascarados.
Embaixo pode-se ler a carta do senador Robledo, dirigida ao El Tiempo e ao seu novo diretor.

Também não escondem seu “afeto” por Petro e seu assessor, Lucho Garzón. Com estes personagens pretendem lavar a porcaria uribista. Como gratificações obtiveram nomeações no exterior. Já começaram com o outrora ‘comunista’ Angelino.

Esperamos que o cambio no El Tiempo seja na primeira página.

***

Doutor ROBERTO POMBO Diretor El Tiempo

Ref. O Pólo e as candidaturas presidenciais


Foi mal redigida a informação de ontem em El Tiempo sobre o ponto de vista do Pólo Democrático a respeito de candidaturas presidenciais. Não aprovamos participar de consulta suprapartidária para a Presidência que possa levar-nós a votar em pessoas como César Gaviria ou Germán Vargas Lleras.

O sim à proposta do chefe único do Partido Liberal é só de Lucho Garzón e Gustavo Petro. Mas acredito que essa será uma posição minoritária no Congresso do Pólo em fevereiro. Esta instância é que deve decidir a respeito.

Como se sabe, concordamos com Carlos Gaviria e Jaime Dussan, também mencionados no artigo, em que o Pólo deve escolher, através da nossa própria consulta, a um de nossos dirigentes como candidato às eleições presidenciais de maio de 2010.

Nossa participação na consulta suprapartidária proposta por Gaviria desprezaria os, aproximadamente, 2,7 milhões de votos que obtivemos nas eleições presidenciais de 2006 e custar-nos-ia o preço inaceitável de ter que renunciar a pontos medulares do programa do Pólo – que pertence aos colombianos – para coincidir com Álvaro Uribe.

Atenciosamente,

Jorge Enrique RobledoSenador da República

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