"A LUTA DE UM POVO, UM POVO EM LUTA!"

Agência de Notícias Nova Colômbia (em espanhol)

Este material pode ser reproduzido livremente, desde que citada a fonte.

A violência do Governo Colombiano não soluciona os problemas do Povo, especialmente os problemas dos camponeses.

Pelo contrário, os agrava.


segunda-feira, 11 de maio de 2009

Liberdade para os prisioneiros do Império


Coordenação Continental Bolivariana – Seção Uruguai

Marcha 11 de maio, a partir do Paço Municipal até a Praça da Liberdade, pela liberdade dos 5 cubanos, Sonia e Simon Trinidad, todos prisioneiros do Império.

Se completam 10 anos do encarceramento de René Gonzalez, Ramón Labañino, Antonio Guerrero, Fernando González e Gerardo Hernandez. Estes 5 heróis cubanos foram injustamente condenados pelo governo estadunidense a penas que somam quatro prisões perpétuas mais 77 anos de prisão.

Em situação semelhante se encontram os dois guerrilheiros das FARC-EP, Sonia e Simon. A quem se tem negado o direito universal a defesa jurídica. Todas as testemunhas levadas de Bogotá para apresentar falsas declarações contra eles nas cortes do império são agentes do exército da Colômbia. Todos têm sido derrotados pelas idéias e convicções de Simon, a quem não têm permitido testemunhas favoráveis.

Os julgamentos que se seguem contra Simon e Sonia nos Estados Unidos são uma farsa do começo ao fim. Os dois foram arrancados de seu país burlando com armações da Procuradoria, do exército e do próprio Uribe, a proibição constitucional de extradição de nacionais por razões políticas. Todos vivem presos em masmorras, em condições subumanas, onde não lhe são permitidas sequer as visitas de suas esposas e/ou familiares.

No marco desta campanha de solidariedade a Cuba e com todos os reféns do império, nos mobilizamos desde a explanada da IMM até a Praça da Liberdade, neste 11 de maio às 19:00 hs.

Enlace original

O processo de transformação em El Salvador

Entrevista com Roger Alberto Blandino, prefeito membro do FMLN (Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional), cedida ao membro da Anncol Brasil, Thiago Ávila, em San Salvador, capital do país que recém elegeu o antigo movimento guerrilheiro para conduzir o processo de mudanças no país.

Thiago Ávila: El Salvador é um país que, historicamente, representou uma bota do imperialismo em nosso continente. Como se deu esse processo político que culminou com a eleição de Maurício Funes para a presidência em março desse ano?

Roger Bladino: É essencial termos a clareza de que com o fim da guerra, em 1992 (data da assinatura dos acordos de paz), o movimento buscava a recriação de um país democrático, só que não foi isso que aconteceu. Os acordos não foram cumpridos, exceto pela criação do fmln enquanto partido político. Agora temos uma nova chance, depois de quatro mandatos fraudulentos de ARENA, de realizarmos não apenas a mudança social, mas a recuperação dos Acordos de Paz, focados no processo constitucional democrático.

TA: É de uma simbologia impressionante esse processo estar acontecendo em um momento como esse, onde o capitalismo enfrenta uma de suas mais graves crises. Você enxerga esse fato como uma oportunidade?

Roger Blandino: É, sem dúvidas, uma oportunidade excelente de avanço. Chegar ao poder em plena crise do neoliberalismo nos coloca como uma alternativa real para um modelo de organização social alheio ao capitalismo, algo que está faltando em muitos países do mundo, uma forma de organização, uma alternativa de esquerda com um programa real que faça frente à crise do modelo neoliberal.

TA: El Salvador, neste momento, está preparado para os efeitos da crise?

Roger Blandino: De forma alguma, nesse momento estamos absolutamente vulneráveis à crise. Os quatro mandatos submissos do ARENA nos arrancaram a soberania monetária, dolarizando a economia e privatizando todos os setores estratégicos da economia. Será um trabalho realmente árduo preparar o país para suportar o que vem por aí. Nos últimos anos, mesmo antes das bolhas estourarem, o país já sofria muito com os efeitos dos tratados de livre comércio e a “substituição de exportações” que deixou nossa balança comercial extremamente negativa. El Salvador hoje tem sua economia baseada essencialmente no setor de serviços, deixando de lado o setor produtivo e industrial. Será necessário muito trabalho para reverter este quadro.

TA: Quais são as principais medidas do novo governo quando tomar posse?

Roger Blandino: Primeiramente devemos nos proteger e fechar as portas da evasão fiscal e do contrabando. O país tem uma arrecadação muito baixa de impostos, o que dificulta na realização de qualquer projeto político nacional. Esse processo será conturbado, pois é inevitável uma crise nas empresas quando elas comecem a ser cobradas com impostos reais. Sabemos que não podemos ser um governo da continuidade. Os banqueiros internacionais controlam todo o sistema bancário salvadorenho e a burguesia nacional, não devemos nos enganar, perdeu o poder político, mas ainda é dona do poder econômico.

TA: É inevitável o crescimento do partido agora que ele está no governo. De que forma vocês esperam que isto aconteça?

Roger Blandino: Esse é um tema que temos debatido com freqüência. É importante uma ampliação do partido, sim, porém deve ser feita com qualidade. Em muitos partidos em que essa ampliação ocorreu sem o devido critério, os partidos acabaram inundados por aproveitadores e pessoas que defendem os interesses da burguesia. Talvez seja interessante que o partido permaneça sendo a vanguarda, com outras organizações de massa encarregadas de abarcar essa parcela da população que ainda não possui um posicionamento ideológico socialista, mas quer se aproximar do partido. Essa é uma grande cilada e estamos buscando a melhor maneira de lidar com ela. Sem dúvida, experiências de países latinoamericanos como o Brasil, o Uruguai e o Chile têm muito o que nos ensinar nesse aspecto.

TA: O processo atual em El Salvador é também fruto de tudo isto que está acontecendo em nosso continente, com tantos países dizendo não ao Consenso de Washington e buscando sua libertação. De que forma vocês enxergam o processo de integração latinoamericana e qual papel pretendem exercer diante dela?

Roger Blandino: Exatamente. Não podemos pensar enquanto um país isolado. El Salvador nunca teve uma atuação meramente interna. Desde sempre fomos ponta-de-lança da intervenção imperialista na América Central e até então jogávamos, junto com a Colômbia, o triste papel de postos avançados dos Estados Unidos no nosso continente. É realmente triste sermos o único país latinoamericano que até hoje não possuía relações com Cuba. Felizmente, esses dias chegaram ao fim e a atuação externa de El Salvador deve se destacar novamente, mas dessa vez de forma positiva. Ingressaremos na ALBA no primeiro minuto que estejamos no governo, pois compartilhamos do ideário bolivariano e somos amigos fraternos dos governos de Nicarágua, Venezuela, Cuba, Equador e Bolívia. Inclusive, nosso líder máximo, Schafik Handal, estava retornando da posse do companheiro Evo, em 2006, quando teve um ataque cardíaco no aeroporto e faleceu sem atendimento médico.

TA: De que forma os movimentos de libertação latinoamericanos podem contribuir para o projeto de libertação de El Salvador?

Roger Blandino: É essencial a integração dos movimentos sociais, para que a integração seja feita através dos povos. Para isso, devemos integrar as lutas para a macro e a micro política, entendendo a todos como companheiros de uma mesma luta. É importante também que tenhamos uma integração nos processos de formação política e acadêmica com os outros países. Já existem iniciativas muito boas nesse sentido como a ELAM, em Cuba e Venezuela, e a escola Florestan Fernandes, no Brasil. Apenas quando formos capazes de aprender juntos e lutar juntos é que teremos uma verdadeira consciência latinoamericana, imprescindível para avançarmos com a nossa libertação.

Banco do Sul está prestes a entrar em funcionamento

Os sete países membros do Banco do Sul contribuirão com um capital inicial de sete bilhões de dólares. O anúncio chegou em meio à crise internacional e serve para impedir a crescente pressão do FMI, que procura voltar a se converter no principal financiador da região.


A reportagem é do jornal Página/12, 09-05-2009. A tradução é de Moisés Sbardelotto.


O Banco do Sul já está pronto para ser ratificado pelos Parlamentos de seus países membros e para começar a funcionar. Os ministros da Economia do Mercosul, mais Venezuela, Equador e Bolívia, concordaram ontem com as minúcias do seu estatuto, última escala técnica. O anúncio chega em meio à crise internacional e serve para impedir a crescente pressão do FMI, que procura voltar a ser o principal financiador da região.


"Valoriza-se mais a criação do Banco no contexto da crise financeira internacional", assegurou o ministro da Economia argentino, Carlos Fernández, junto ao seu colega brasileiro, Guido Mantega. "Estamos dando mais um passo no sentido da integração financeira regional", disse Mantega, que também ponderou o fato de que se conseguiu um acordo em meio à crise atual. "Há muito tempo não se cria uma instituição financeira", acrescentou o brasileiro.


Os sete sócios contribuirão com um capital inicial de sete bilhões de dólares. Argentina, Brasil e Venezuela colocarão dois bilhões cada um. Uruguai e Equador, outros 400 milhões em partes iguais; e Paraguai e Bolívia, os 200 milhões restantes. Cada país terá um voto no diretório, mas para a aprovação dos projetos de mais de 70 milhões de dólares, será necessário o apoio de dois terços do capital aprovado no banco.


Agora, só falta que o acordo seja ratificado pelos presidentes e pelos Parlamentos dos diferentes países. O ministro da Economia argentino, Carlos Fernández, considerou que o acordo "tem termos aceitáveis, e por isso pode ser rapidamente aprovado". A reunião ocorreu em Buenos Aires, e, além de Fernández e Mantega, participaram seus colegas do Uruguai, Alvaro García; do Paraguai, Dioniso Borda; do Equador, María Elsa Bitel; da Venezuela, Alvaro García, e da Bolívia, Luis Alberto Arce Catacora.


O objetivo do banco é financiar projetos de desenvolvimento em setores chave da economia para melhorar a competitividade e combater a pobreza e a exclusão social. Poderão acorrer à instituição os diferentes Estados ou empresas com prévio aval dos Estados. Nas negociações realizadas durante os últimos três anos, descartou-se a possibilidade de que a entidade opere como financiadora de última instância, no estilo do FMI, como pretendiam o presidente venezuelano Hugo Chávez, e seu colega equatoriano, Rafael Correa. No entanto, ele dará maior força aos governos para continuar mantendo distância do Fundo Monetário.


Se os projetos de infraestrutura, por exemplo, podem começar a ser financiados com o dinheiro proveniente do Banco do Sul, então os governos poderão dispor de maiores recursos próprios para enfrentar sua dívida financeira sem ter que voltar a depender dos empréstimos do organismo multilateral, que, nos últimos acordos assinados com países como El Salvador, Ucrânia, Islândia e Hungria, demonstrou que segue impondo as mesmas exigências de raiz neoclássica que levaram a região à crise.


Além disso, não se pode descartar que, uma vez que o banco esteja em funcionamento, volte-se a avaliar a possibilidade de que cubra necessidades de financiamento diante dos vencimentos da dívida, caso a crise internacional se aprofunde. Desse modo, poderia imitar os países asiáticos que recorreram a essa estratégia para evitar as receitas do FMI, que sempre recomenda cortes da taxa de interesse e cortes no gasto público, aprofundando as crises em momentos em que, em geral, é preciso reativar a demanda para seguir em frente.


O Banco do Sul é uma ideia original do presidente venezuelano Hugo Chávez. Foi em agosto de 2004 que ele propôs a criação de uma entidade financeira regional para "deixar de depositar nossas reservas nos bancos do Norte" e poder dispôr desses recursos para "ajudar-nos", em vez de pedir emprestado ao FMI e ao Banco Mundial. Sua intenção é delinear a integração sobre a base de dois pilares chaves: o financeiro e o energético. O Banco do Sul cumpriria o primeiro objetivo, e o Gasoduto do Sul, o segundo, mesmo que essa última iniciativa, por agora, esteja desativada.


O projeto contou com a adesão inicial da Argentina. Depois, somaram-se Equador e a Bolívia, e finalmente Brasil, Paraguai e Uruguai, mesmo que a intenção é ir somando outros países integrantes da Unasul. No começo, o Brasil chegou a dizer que a iniciativa carecia de consistência técnica e sugeriu que se criasse um fundo de estabilização regional, que atuaria como financiador de última instância diante de uma eventual crise de pagamentos. O temor era que Chávez utilizasse o banco para disputar a liderança da região, mas finalmente ele baixou a guarda e se integrou.


Depois de vários anos de negociação, em dezembro de 2007 os chefe de Estado assinaram a ata de fundação em Buenos Aires, um dia antes da posse como presidenta de Cristina Fernández de Kirchner, e definiram que o organismo teria uma sede em Caracas e duas subssedes, uma em Buenos Aires e outra em La Paz.


Parecia então que o Banco se colocaria em funcionamento em poucos meses, mas a iniciativa voltou a se esfriar por diferenças pontuais entre seus membros. O Brasil, por exemplo, queria que os votos fossem proporcionais ao capital investido, enquanto que o resto dos participantes se inclinava por dar um voto a cada Estado, independentemente do investimento, para que a marca igualitária e democrática o diferenciasse dos bancos multilaterais, dominados pelas potências centrais, como o FMI e o Banco Mundial. Finalmente, optou-se por um voto para cada Estado, mas com certas restrições vinculadas ao capital investido.


Para ler mais:


'É preciso impulsionar o protecionismo regional', afirma Emir Sader
'O melhor para a América Latina seria uma moeda regional'
'A integração não deve ser só comercial'
Desglobalização para uma nova economia mundial. Entrevista especial com Walden Bello
“Em uma crise como esta, todos os países devem se envolver”. Entrevista com Carlos Quenan

Paz para Colômbia


por Miguel Ángel Sandoval/CCB Guatemala

Contra todo prognóstico, apenas neste dia 7 de maio ficou conhecido na Colômbia, por meio dos jornais El Tiempo e El Espectador, entre outros, que no Vaticano, o Cardeal Darío Castrillo havia conversado pelo telefone com porta-vozes das FARC e do ELN.

De acordo com a versão que publica El Tiempo, manifestam com a maior seriedade do mundo, e por uma via inquestionável, como é o religioso que, “Querem saber com quem falar, onde falar e com quais seguranças. Neste momento o Presidente sabe, por uma fonte segura que sou eu, que os que estão na oposição armada estão dispostos a dialogar neste momento”.

Com esta declaração do Cardeal Castillo, caem por terra todas as declarações do presidente Uribe, pois este dedicou-se a confundir seus amigos, ou colegas, como o presidente de Guatemala Álvaro Colom, que o tema depende apenas da libertação dos seqüestrados (SIC), reféns ou prisioneiros em poder das FARC e do ELN. Assim, ele tenta apresentar uma visão que não corresponde à realidade colombiana.

A novidade dessa declaração do Cardeal desde o Vaticano é que ela faz referência a conversas com dois porta-vozes de duas organizações que não têm sido precisamente unânimes em seus tempos políticos, mas que agora coincidem com um interlocutor para dizer o mesmo: queremos saber onde e quando. E com isto Uribe está com a bola em seu campo. Cabe a ele o próximo movimento.

Além disso, esta declaração do Cardeal coincide, em essência, com a expressada pela senadora Piedad Córdoba que mantém a idéia de fazer todos os esforços pela paz nesse país, ao mesmo tempo que afirma que não se pode transformar o processo de paz indispensável em um tema de campanha eleitoral, como pretende Uribe. Para a senadora, a paz é um processo político não necessariamente eleitoral. E por isso ela está alinhada com o que assinala o Cardeal Castrillo.

De qualquer forma, como disse com muita lucidez a senadora, “isto não dá votos. Tem muita gente que vive do negócio da paz, monta ONG´s e editam livros, mas é necessária verdadeira vontade de servir para assumir os riscos e chegar aonde seja necessário pela paz. Nesse caminho, acredito que a paz na Colômbia, sem condições, deverá contar com muitos amigos e amigas, dentro e fora do país.”
Por tudo o que foi dito, me parece que, como em todo processo de busca por uma saída política para situações de conflito armado, nada é fácil, nada é o único caminho e nada se constrói com declarações aberrantes como as de Álvaro Uribe. É, portanto, tempo para a negociação política nesse país irmão.
A notícia encontra-se em ABP Notícias.

São presos manifestantes pela independência de Porto Rico que entraram no Congresso dos Estados Unidos

Por José A. Delgado/ elnuevodia

Seis cidadãos reclamam com desobediência civil no salão da Câmara pela liberdade de Porto Rico.

Cantando “Oubao Moin” e exigindo do Governo Federal que defina o que quer fazer com Porto Rico, um grupo de seis porto-riquenhos efetuou hoje um ato de desobediência civil na Câmara de Representantes dos Estados Unidos.

Os manifestantes, incluindo artistas e trabalhadores, pediram ao presidente Barack Obama e ao Congresso federal –desta vez com uma mensagem de paz-, que outorguem imediatamente a independência de Porto Rico.

Os artistas Luis Enrique Romero, Maria “Chabela” Rodríguez e José Rivera (Tony Mapeyé), assim como o desenhista mecânico Luis Suárez, a enfermeira Eugenia Pérez-Martijo e o operário desempregado Ramón Diaz portavam durante o protesto bandeiras de Porto Rico e cartazes que diziam “111 anos de colonização é uma vergonha”. O cantor e ator Carlos Esteban Fonseca acompanhou os manifestantes, mas se manteve afastado do protesto.

A Polícia do Capitólio prendeu os seis manifestantes e os levou em um ônibus à estação da Polícia do Capitólio.

Manuel Rivera, assessor legal do grupo, disse que isto pode significar que os acusariam de conduta indevida ou interromper os procedimentos do Congresso, o que poderia acarretar em uma pena máxima de $500 de multa e seis meses de prisão.

No entanto, se forem tratados como desobedientes civis, a multa poderia ser menor e talvez fossem libertados em questão de horas.

Previamente, as autoridades da Câmara de Representantes os retiraram da sala antes que pudessem ao menos ler uma declaração que haviam preparado para o ato. A segurança do Capitólio deteve o grupo e posteriormente eles foram presos.

“Nós, sete porto-riquenhos, viemos aqui para protestar pelo colonialismo ao qual está submetido Porto Rico. Viemos em boa vontade, em paz. Queremos ser uma nação livre”, indicou Suárez.

Em declarações a El Nuevo Dia, os manifestantes disseram que a data selecionada não teve nenhum simbolismo.

Reconheceram que sua manifestação pacífica contrasta com o ataque a tiros que cinco nacionalistas realizaram em 1º de março de 1954, no mesmo local da Câmara de Representantes federal que eles ocuparam. No entanto, indicaram que a mensagem contra a situação colonial era a mesma.

“Não somos políticos, somos gente, comum e corrente”, afirmou Romero, que fez teatro, televisão e cinema durante as últimas três décadas em Porto Rico.

Para seu colega Fonseca, membro do grupo Caribe Gitano, o protesto a favor da descolonização e independência de Porto Rico deve ser feito em Washington. “Nossos legisladores nem sequer podem nos garantir um espaço em nossos canais de televisão, pois é um campo ocupado pelo Governo Federal”, disse.

“Quem tem que resolver o status são eles”, agregou, por sua vez, Suárez.

Os desobedientes civis assinalaram que sua manifestação foi organizada há vários meses e que era apenas uma coincidência que ocorresse poucos dias antes que o comissionado residente em Washington, Pedro Pierluisi, apresente seu projeto de lei que promoverá uma consulta deferal sobre o futuro político de Porto Rico. Foi no escritório de Pierluisi que os manifestantes obtiveram seus boletos para entrar no salão da Câmara.

“A liberdade não se submete a processos eleitorais. Os escravos não fazem referendos para serem escravizados”, comentou o operário desempregado Díaz.

Os manifestantes enviaram cartaz ao presidente Obama, à presidente da Câmara, Nancy Pelosi, e ao vice-presidente dos EUA, Joe Biden, em seu caráter de Presidente do Senado. “Porto Rico tem sido uma colônia por 111 anos: uma condição colonial humilhante no século 21. Já é hora de resolver este crime contra nosso povo”, indicaram nas cartas.

A notícia encontra-se em ABP Notícias.

O torrijismo panamenho fortaleceu o antiimperialismo

por Fernando Acosta Riveros/Colaborador ABP México/Guadalajara

Panamá tem sido cenário de heróicas batalhas ao largo de sua história. Formou parte do projeto bolivariano denominado A Grã-Colômbia, onde aproximou-se como irmãos de Venezuela, Equador e Colômbia. Foi a sede do Congresso Anfictiônico em 1826.

Separados da Colômbia em 1903, passou um tempo depois a ser uma nação sob intervenção econômica, militar e política do império estadunidense que administrava e ocupava o Canal do Panamá. Nesse ano de 2009 completam vinte anos da invasão criminosa realizada em dezembro de 1989.

Vinte e oito anos depois da morte de Omar Torrijos Herrera, Chefe da Guarda Nacional, primeiro ministro e dirigente da luta pela recuperação do Canal do Panamá, assim como pela reafirmação da soberania de seu país, celebraram eleições recentemente e saiu vitorioso o candidato da direita: Ricardo Martinelli Berrocal, um empresário de sucesso, aspirante da Aliança pela Mudança (coalizão integrada pelo Cambio Democrático, Partido Panamenhista, União Patriótica e Molirena).

O general Torrijos, em seu tempo, criou um movimento político e social que teve seu auge em seu país e muitos seguidores nas nações da América Central e do Sul. O torrijismo defendeu políticas públicas que atenderam eficazmente os temas de educação e saúde. Omar Torrijos inaugurou um novo estilo nas relações internacionais. Enfrentou com diplomacia o império até conseguir um Tratado sobre o Canal do Panamá em 1977, enquanto brindou apoio e asilo político a combatentes da Nicarágua, El Salvador, Guatemala e Colômbia.

“Irresponsavelmente, determinados mandatários da América Latina definem a sã rebeldia de um povo como grupo de bandoleiros e assaltantes. E digo “irresponsavelmente”, porque, dado o alto posto que esses homens ocupam, não deveriam faltar com escrúpulos ao qualificar como bandoleiros aos que se vêem obrigados a propiciar a mudança violenta por terem lhes fechado todas as instâncias pacíficas de participação na vida política e social de seu país”, refletia Torrijos nos anos setenta do século XX.

O dirigente panamenho foi apresentado na imprensa pró-imperialista do continente como um golpista, após uma junta militar ter derrubado o mandatário Arnulfo Arias, em 1968. Desde Balboa, Cidade do Panamá, Veraguas e outras regiões da pátria de Justo Arosemena, Torrijos se encarregou de mostrar a diferença e logo identificou-se em nossa América com um setor de militares progressistas e nacionalistas, entre os quais se destacaram: Velasco Alvarado do Peru e Liber Seregni do Uurguay.

Com extraordinária claridade e sinceridade, Omar Torrijos declarou nos anos setenta, durante uma visita à cidade colombiana de Roldanillo, localizada no departamento Valle Del Cauca, diante de um grupo de jornalistas e escritores: “Para que haja uma intervenção deve-se haver um povo com vocação de sofrer intervenção”.

O império estadunidense infiltrou agentes no governo panamenho para desvirtuar as ações empreendidas por Torrijos. Logo após o acidente aéreo ocorrido em abril de 1981, onde morreu o general patriota, ficou a dúvida sobre um atentado. Torrijos era um personagem que incomodava muito ao império e às oligarquias, como agora lhes incomoda a presença de Hugo Chávez Frías na Venezuela Bolivariana e Evo Morales Ayma na Bolívia.

Em 1979 formou-se uma coletividade progressistas que levou o nome de Partido Revolucionário Democrático (PRD). O PRD panamenho apoiou o general Manuel Antonio Noriega, apesar de todos os questionamentos de destacados militantes e simpatizantes, como José de Jesus Martinez, o famoso Chuchú, nascido na Nicarágua e posteriormente naturalizado panamenho.

Desde a esquerda se acusa aos dirigentes do PRD panamenho de baixarem a guarda na luta política e social. Tiveram altos e baixos, como qualquer coletividade política, mas sobretudo não enfrentou o neoliberalismo com claridade e permitiu que os privilegiados cada dia estejam melhor em detrimento de amplos setores da população. Nesse sentido, o PRD se afasta do torrijismo.

As administrações de Ernesto Pérez Balladares (1994-1999) e de Martín Torrijos (2004-2009) foram criticadas pelo impulso de medidas econômicas onde se destaca a privatização de empresas estatais. O Partido Comunista do Povo, fundado em 1930, destacou-se em abril de 2007 ao celebrar um novo aniversário, enquanto Martín, filho do general, desempenhava o papel de Chefe do Executivo: “Diante da grande concentração de capital, diante do escandaloso consumismo da classe opulenta e sua corrupção, cresce o desespero das massas que, pelo contrário, vêem e sentem a pobreza aumentar, inclusive a classe média e profissional, sobre o incremento da desigualdade social e a restrição de seus direitos sociais e trabalhistas”.

José de Jesus Martinez Chuchú, escreveu sobre o torrijismo em seu livro Meu General Torrijos: “Omar Torrijos é a solidariedade com Belize, com a Bolívia, com Granada. Torrijos é o apoio moral e material ao sandinismo, desde muito antes que este estivesse o triunfo à sua frente, e até a hora de sua morte”.

Está próximo do fim do mandato de Martin Torrijos, filho do general patriota que se considerava um soldado da causa panamenha. A favor de Martin, em sua gestão, destacam-se ações e gestos valentes de política externa. Visitou Cuba em várias ocasiões, onde agradeceu o apoio dado aos estudantes de Medicina com bolsas em Havana, assim como aos que implementaram o método de alfabetização “Yo si puedo!”. Teve o valor de convidar Hugo Chávez, companheiro presidente da Venezuela ao ato central pelo 180 aniversário do Congresso Anfictiônico, que realizou-se no Panamá em junho de 2006, apesar dos questionamentos da burguesia reacionária panamenha. O torrijismo está presente e continua fortalecendo o antiimperialismo na nossa América.

O artigo encontra-se em ABP Notícias.
Para mais informações sobre o assassinato de Omar Torrijos, ler o livro CONFISSÕES DE UM ASSASSINO ECONÔMICO de John Perkins.

Os testemunhos dados por prisioneiras(os), assim como seus familiares e defensores de direitos humanos confirmam

por Camilo Raigozo/Semanario Voz/Colombia

As prisões na Colômbia são locais de destruição humana / Durante a audiência no Congresso, um ex-presidiário conta seu caso. Carlos Alfonso Figueroa Parra, um médico cirurgião de 63 anos, preso desde julho do ano passado na prisão Picaleña, na cidade de Ibagué. Em um processo arbitrário, é acusado de ser médico das FARC-EP.

Até pouco menos de uma semana atrás, esteve preso no pátio correspondente aos paramilitares, motivo pelo qual sua vida esteve sempre em perigo. “Isto não é um avatar do destino, e sim algo bem planejado pelas autoridades carcereiras”, disse o médico em uma carta dirigida a um amigo.

Apesar disso, a mudança não melhorou as condições de sua segurança pois agora encontra-se em um pátio para delinqüentes sociais, onde já foi jurado de morte. Apesar de sua penosa doença, um câncer de próstata que espalhou-se por outras partes do corpo, a atenção médica que recebeu é completamente nula.

Figueroa Parra necessita com urgência da assistência humanitária de alguma ONG defensora dos direitos humanos para que vigiem seu caso.

As violações não parecem coisas da vida real

No último dia 30 de abril realizou-se nas instalações do Congresso da República uma audiência sobre Política criminal e Sistema Carcerário, onde se escutaram dezenas de testemunhos, como o anterior, sobre as aberrantes violações aos direitos humanos fundamentais, tanto de prisioneiros e prisioneiras, como de seus familiares e defensores.

Denúncias que se realizaram de forma direta ou em vídeos na audiência, que foi apresentada à Comissão de Direitos Humanos do Congresso.

Uma delegação do Principado de Astúrias, Espanha, de recente visita a Colômbia, encontrou em suas observações das prisões La Picota e O Bom Pastor, de homens e mulheres, em Bogotá, casos de violações que “não parecem coisas da vida real”, segundo Rafael Palacios, porta-voz da Delegação.

“As prisioneiras e prisioneiros políticos procuram ter um certo grau de organização que lhes permita sobreviver com dignidade em condições desenhadas para perder toda a compostura humana”, disse Palacios em roda de imprensa.

Agregou que “em um dos módulos de La Picota, os presos contados que lhes deram a opção: ou recebiam suas famílias uma vez por semana na própria cela, de 2,5m por 3m, desenhada com duas camas para duas pessoas, mas onde se colocam quatro ou mais presos, ou esperavam uma visita mais individualizada a cada 45 dias.

Prisão ao invés de casa aos colombianos

“Os presos escolheram a primeira opção, motivo pelo qual na cela para dois se juntam a cada semana oito ou mais pessoas, em uma degradante situação onde a dignidade fica no chão”.

Extremamente graves foram os testemunhos de grupos específicos da população como os indígenas, afros, lésbicas, homossexuais e travestis, entre outros, quanto aos maus tratos que recebem nas prisões.

“Ao que parece, o governo está se preparando para dar aos colombianos prisões ao invés de casas, pois é público e notório que torrou mais de 140 bilhões de pesos na construção de uma prisão em Ibagué e pelo menos estilo esteja construindo outras 50 prisões em diferentes regiões do país.

“Com esta quantidade de dinheiro poderia se construir mais de 15 milhões de casas decentes para famílias que carecem delas”, disse um anexo do informe acumulado pela delegação Asturiana.

A notícia encontra-se em ABP Notícias.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Organizações civis e Parlamento Europeu rejeitam TLC

por Adital

Autoridades estão reunidas, desde segunda-feira (4), em Bruxelas, para a Terceira Rodada de Negociações do Tratado de Livre Comércio (TLC) entre União Europeia, Perú, Colômbia e Equador. Considerado como um Tratado para ajudar na abertura de mercado entre países europeus e andinos, o TLC é visto com preocupação por organizações da sociedade civil dos dois lados.

No último dia 29 de abril, foi realizada uma audiência convocada pela Comissão Internacional da Euro-câmara, juntamente com a Delegação para as relações com os países andinos, entidades da sociedade civil e sindical. O encontro foi para alertar o Parlamento Europeu sobre as consequências de aprovar o TLC com a Colômbia.

Para o Parlamento Europeu, o atual processo de negociação do TLC está preocupado apenas em abrir mercado, negligenciando, assim, aspectos importantes da realidade dos países andinos, como a situação de pobreza e de direitos humanos vivenciados na Colômbia, por exemplo.

Os parlamentares opuseram-se contra o TLC, pois consideraram que a União Europeia deve exportar, em primeiro lugar, valores básicos, como os direitos humanos e, para isso, não deve negligenciar a atual situação vivida na Colômbia.

Essa também é uma visão defendida por organizações da sociedade civil e do setor sindical colombiano. Segundo o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Tarcisio Mora, no país, ainda opera a política de extermínio do movimento sindical. A média dos últimos 23 anos é um assassinato de sindicalista a cada três dias.

Entretanto, a falta de cumprimento dos direitos humanos na Colômbia não segue apenas em relação aos movimentos sindicais. De acordo com o delegado indígena Javier Sánchez, do povo Sicuani em Vichada, os ataques aos povos indígenas também está aumentando. Somente nos três primeiros meses deste ano, 50 indígenas foram assassinados e 3.000 foram deslocados. "Entre 2002 e 2008, 2.253 indígenas foram assassinados na Colômbia", acrescentou.

Além da negligencia em relação aos direitos humanos, outros aspectos da realidade mundial também não são levadas em consideração no atual processo de negociação do Tratado.

Organizações da sociedade civil das duas regiões ainda alertam para a falta de transparência com os povos indígenas; a negligência das atuais crises econômica, alimentar e climática; e a ameaça à soberania econômica e à redução dos instrumentos políticos dos países andinos para estimular um desenvolvimento local sustentável.

A notícia encontra-se em Adital.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Os 100 dias de Obama – os loucos conseguiram safar-se


por John Pilger

Os primeiros 100 dias da presidência de Barack Obama mostraram que ele é o sonho dos executivos de marketing, um Homem Marlboro para o novo século – e pouco mais do que isso

A novela Mad Men (Os loucos) na televisão americana da BBC apresenta um raro vislumbre do poder da publicidade corporativa. A promoção do tabaco há meio século atrás pelas pessoas "inteligentes" da Madison Avenue, que sabiam a verdade, levou a mortes incontáveis. A publicidade – e a sua gémea, as relações públicas – tornou-se no meio de enganar sonhado por aqueles que leram Freud e aplicam psicologia de massa a qualquer coisa, desde os cigarros à política. Assim como o Homem Marlboro era a própria virilidade, da mesma forma os políticos podiam ser marcados, empacotados e vendidos.

Passaram-se mais de 100 dias desde que Barack Obama foi eleito presidente dos Estados Unidos. A "marca Obama" foi denominada "Profissional de marketing do ano 2008 da Era da Publicidade" ("Advertising Age's marketer of the year for 2008"), ultrapassando facilmente os computadores Apple. David Fenton de MoveOn.org descreve a campanha eleitoral de Obama como "uma comunidade organizadora tecnológica e automatizada institucionalizada ao nível de massa que nunca existiu antes e é uma força muitíssimo poderosa". Utilizando a Internet e um slogan plagiado do organizador da União Latina César Chávez – "Sí, se puede!" ("Sim, podemos!") – a comunidade tecnológica automatizada ao nível de massa mercadejou a sua marca até à vitória num país desesperado por livrar-se de George W. Bush.

Ninguém sabia o que a nova marca realmente significava. Tão perfeita foi a publicidade (só em comerciais na televisão foi gasto um recorde de US$75 milhões) que muitos americanos realmente acreditaram que Obama partilhava a sua oposição às guerras de Bush. Na realidade, ele reiteradamente apoiara as guerras de Bush e o seu financiamento pelo Congresso. Muitos americanos também acreditaram que ele era o sucessor do legado anti-colonialista de Martin Luther King. Mas se Obama tinha um tema, além do vago "A mudança em que pode acreditar", este não era de modo algum a renovação da América como um tirano dominante e cúpido. "Seremos os mais poderosos", declarou ele muitas vezes.

Talvez a marca publicitária mais efectiva de Obama tenha sido fornecida gratuitamente por aqueles jornalistas que, como correctores de um sistema predatório, promovem brilhantes cavaleiros. Eles despolitizam-nos, divulgando as platitudes dos seus discursos como "hábeis criações literárias, ricas, como aquelas colunas dóricas, com alusão..." (Charlotte Higgins no Guardian ). O colunista Mark Morford, de The San Francisco Chronicle, escreveu: "Muitas pessoas espiritualmente avançadas que conheço... identificam Obama como um trabalhador inspirado (lightworker), aquela rara espécie de ser harmonioso que... pode realmente ajudar a iniciar um novo modo de estar no planeta".

Nos primeiros 100 dias, Obama desculpou a tortura, opôs-se ao habeas corpus e exigiu mais governo secreto. Ele manteve o gulag de Bush intacto e pelo menos 17 mil prisioneiros para além do alcance da justiça. Em 24 de Abril, seus advogados ganharam um recurso o qual estabelecia que os prisioneiros da Baía de Guantanamo não eram "pessoas" e portanto não tinham direito a não serem torturados. O seu director de inteligência nacional, almirante Dennis Blair, diz acreditar que a tortura funciona. Um dos seus responsáveis superiores de inteligência na América Latina é acusado de encobrir a tortura de uma freira americana na Guatemala em 1989, um outro é um apologista de Pinochet. Como destacou Daniel Elsberg, os EUA experimentaram um golpe militar sob Bush, cujo secretário de "Defesa", Robert Gates, juntamente com os mesmos responsáveis que fizeram a guerra, foram mantidos por Obama.

Por toda a parte do mundo, o violento assalto da América a povos inocentes, directamente ou através de agentes, foi acelerado. Durante o recente massacre em Gaza, relata Seymour Hersh, "a equipe de Obama deixou saber que não objectaria ao planeado reabastecimento de 'bombas inteligentes' e outras munições de alta tecnologia que já estavam a fluir para Israel" e a serem utilizadas para massacrar principalmente mulheres e crianças. No Paquistão, o número de civis mortos pelos mísseis estado-unidenses a partir de drones mais do que duplicou desde que Obama tomou posse.

No Afeganistão, a "estratégia" estado-unidense de matar o povo da tribo pashtun (os "Taliban") foi prolongada por Obama para dar tempo ao Pentágono para construir uma série de bases permanentes através do país devastado onde, diz o secretário Gates, os militares dos EUA permanecerão indefinidamente. A política de Obama, não alterada desde a Guerra Fria, é intimidar a Rússia e a China, agora um rival imperial. Ele está a prosseguir com a provocação de Bush de colocar mísseis na fronteira ocidental da Rússia, justificando-a como uma contenção ao Irão, o qual acusa, absurdamente, de colocar "uma ameaça real" à Europa e aos EUA. A 5 de Abril, em Praga, ele fez um discurso relatado como "anti-nuclear". Não foi nada disso. Sob o programa Substituição Confiável de Ogivas (Reliable Replacement Warhead), os EUA estão a construir novas armas nucleares "tácticas" destinadas a borrar a distinção entre guerra nuclear e guerra convencional.

Talvez a maior mentira – o equivalente a "fumar é bom para si" – seja o anúncio de Obama de que os EUA estão a deixar o Iraque, com o país reduzido a um rio de sangue. Segundo despudorados planeadores do exército dos EUA, até 70 mil soldados permanecerão "durante os próximos 15 a 20 anos". A 25 de Abril, a sua secretária de Estado, Hillary Clinton, aludiu a isto. Não é de surpreender que os inquéritos estejam a mostrar que um número crescente de americanos acredita terem sido ludibriados – especialmente quando a economia do país foi confiada aos mesmos trapaceiros que a destruíram. Lawrence Summers, o principal conselheiro económico de Obama, está a lançar US$3 milhões de milhões aos mesmo bancos que lhe pagaram mais de US$8 milhões no ano passado, incluindo US$135 mil por um discurso. "A mudança em que você pode acreditar".

Grande parte do establishment americano odeia Bush e Cheney por revelar e ameaçar o avanço do "grande desígnio" da América, como a chama Henry Kissinger, criminoso de guerra e agora conselheiro de Obama. Em termos de publicidade, Bush foi uma "marca que entrou em colapso" ao passo que Obama, com o seu sorriso pasta de dentes e clichés virtuosos, é um enviado de deus. De um só golpe, ele afastou a grave dissidência interna à guerra e provocou lágrimas, desde Washington até Whitehall. Ele é o homem da BBC, da CNN, de Murdoch, da Wall Street e da CIA. Os loucos conseguiram safar-se.



O artigo encontra-se em Resistir.info .

ONU dá o alerta a ministros do STF

Por meio de sua representação no Brasil, a ONU pedirá audiência ao STF nas próximas horas. Quer entregar a cada um dos onze ministros da Corte uma nota em que alerta que um refugiado político não deve ser extraditado. Sem citar o caso do italiano Cesare Battisti, o documento frisa que mandar ao país de origem alguém já refugiado fere artigos de lei aprovada na ONU.

Fonte: Revista Istoé n. 2060. 06 de maio de 2009

terça-feira, 5 de maio de 2009

Primeiro de maio na Itália

“URIBE, FASCISTA, VOCÊ É O TERRORISTA – FORA DA ITÁLIA”, foi aplaudida por uns 16 mil manifestantes. Centenas foram os que se aproximaram do grupo expressando um contundente repúdio por Uribe e seu governo.

Milão - Itália.

Dezenas e dezenas de milhares de trabalhadores, estudantes, imigrantes e organizações populares e sociais marcharam neste Primeiro de Maio, enchendo as ruas e as praças da Itália.

Nas mobilizações mais importantes destacou-se um forte grupo de participantes que protestaram contra a visita do presidente narco-paramilitar Álvaro Uribe Vélez, que foi recebido pelo Papa, o primeiro Ministro Berlusconi e a prefeita direitista de Milão, Letízia Moratti. Foi precisamente nesta cidade que um grupo gigante que levava a faixa “URIBE FASCISTA VOCÊ É O TERRORISTA – FORA DA ITÁLIA”, foi aplaudida por uns 16 mil manifestantes. Centenas foram os que se aproximaram do grupo expressando um contundente rechaço por Uribe e seu governo.

Entre eles estava Angela, uma estudante de ciências políticas de 23 anos, que disse: “a presença deste criminoso na Itália é um insulto a todos os que em nosso país morreram por culpa da máfia, é uma vergonha que as instituições recebam este narcotraficante”. Outro colombiano, José, assegurou: “sou colombiano, de Medellín, e me lembro dos tempos em que Uribe era Governador deste departamento, e legalizou os paramilitares. Uribe é um criminoso e tem que ser julgado pela Corte Penal Internacional. Obrigado pessoal pela solidariedade com o meu país!”.

Inumeráveis os aplausos e os gritos das pessoas, assim como as fotografias que diferentes repórteres de diferentes meios tiraram da multidão anti-Uribe na manifestação.

Outros protestos e expressões de denúncia do indigno papel das autoridades italianas e vaticanas, culpados por terem recebido o mafioso da Casa de Nariño, e condenando o terrorismo de Estado na Colômbia tiveram lugar em Roma e Turim.

Ficou claro que o povo italiano sabe quem é Uribe, sabe das violações dos Direitos Humanos, dos assassinatos de sindicalistas e opositores políticos, dos desaparecimentos e torturas por parte de um regime criminoso e terrorista.

A mensagem foi simples e direta: “Fora Uribe da Itália, fora seus diplomatas paramilitares!”

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Colômbia agoniza

Colômbia ao golpe

Luis Ernesto Almario / ABP

Decisão do Conselho de Estado Colombiano estabelece limite jurídico para o recrutamento de soldados camponeses. A sentença do alto organismo integrada por eruditos jurisconsultos, deixa fora de combate 75% dos soldados de tropas governamentais e 50% da Força Armada, o que quebra o esquema militar na luta contra-guerrilheira.

Freddy Padilla de Leon, comandante das Forças Armadas, imediatamente interviú na sessão, condenando a sentença do Conselho de Estado, apontando enfaticamente que “a situação era muito grave, extremamente gravíssima, e merece uma reação imediata”.

O ministro da Defesa Juan Manuel Santos disse que “Colômbia se encontrava à beira do abismo e ferida mortalmente em sua ação contra a insurgência, planos militares e políticos contra a guerrilha marxista das FARC”.

Os generais da ativa e no uso de bom recuo anunciaram reunião para as próximas horas e um pronunciamento em tal sentido, o que poderia definir um rumo diferente à lamentável situação que aflige a Colômbia.

Cerca de cento que cinqüenta mil soldados voluntários localizados à frente da linha de fogo teriam que ser imediatamente retirados pelo alto comando militar, o que deixaria em grande vantagem aos levantados em armas contra o governo.

O Conselho de Estado se pronunciou às instâncias de juristas, que interpuseram seus argumentos contra a utilização de camponeses que prestam serviço militar obrigatório no exército do governo como “bucha de canhão” frente a uma guerrilha experimentada na guerra.

Enlace original

sexta-feira, 1 de maio de 2009

segunda-feira, 27 de abril de 2009

O Governo de Álvaro Uribe é cúmplice em delitos de Lesa Humanidade

Anncol

Ao fim de sua visita de uma semana na Colômbia, a missão coordenada por JUSTIÇA POR COLÔMBIA, e integrada por parlamentares britânicos, estadunidenses e canadenses-, emitiram um duro pronunciamento sobre a situação de direitos humanos na Colômbia. O documento anexo foi lido em roda de imprensa realizada no Congresso da República pela senhora Sandra Osborne, deputada trabalhista e integrante da Comissão de Relações Exteriores da Grã-Bretanha.

Esta semana o presidente Uribe Vélez visita a Espanha. O povo espanhol e suas organizações populares devem exigir sua renúncia para que responda por seus crimes e atropelos cometidos contra os colombianos desde o ano de 1982.
***

DECLARAÇÃO DE IMPRENSA-

Governo de Álvaro Uribe é cúmplice em delitos de lesa humanidade

Somos uma delegação de parlamentares britânicos, sindicalistas estadunidenses, canadenses e britânicos. Passamos sete dias aqui na Colômbia, juntando informação sobre os abusos de direitos humanos e direitos trabalhistas. Nos reunimos com um amplo setor da sociedade colombiana, cobrindo interesses cívicos, políticos, jurídicos e militares, inclusive sindicatos, estudantes, professores, indígenas, camponeses, advogados sindicais, defensores de direitos humanos, e com os detidos libertados das FARC. Viajamos ao departamento de Arauca para escutar os testemunhos de comunidades e indivíduos afetados pelo conflito nessa região. Visitamos a prisão Bom Pastor e falamos com as mulheres presas políticas encarceradas ali. Também nos reunimos com Martín Sandoval, presidente da CPDH – Arauca, encarcerado injustamente em Arauca. Tivemos oportunidade de falar também com altos representantes do governo de Álvaro Uribe, além do próprio presidente. Estamos agradecidos a todos os indivíduos e grupos que tão generosamente nos cederam seu tempo.

Estamos em estado de choque pelo que escutamos, e não temos dúvidas, dadas as evidências recebidas, de que o governo colombiano de Álvaro Uribe, e a força pública são cúmplices de abusos de direitos humanos. Além disso, estamos convencidos que as atividades assassinas dos paramilitares são aprovadas e ativamente apoiadas pelo governo e o Exército. Estes crimes são agravados pela impunidade da qual gozam os autores destes delitos, e a falha do sistema judicial para processar aos criminosos e aos mandantes. Ao invés de encarcerar os verdadeiros autores, o governo tem prendido sindicalistas, membros da oposição política, além de defensores de Direitos Humanos, assim como o defensor de direitos humanos Martín Sandoval. Exigimos sua libertação imediata, e pela libertação imediata de outros prisioneiros políticos e sindicalistas.

Ao regressar ao Reino Unido e à América do Norte estaremos clamando pelo fim imediato de todo apoio militar e político ao governo colombiano. A não aprovação de qualquer Tratado de Livre Comércio até que os direitos humanos e trabalhistas sejam respeitados de uma maneira internacionalmente verificável.

Expor publicamente a cumplicidade de empresas multinacionais nas violações de direitos humanos e trabalhistas. Acabar de imediato com a criminalização da oposição democrática e legítima, inclusive à Senadora Piedad Córdoba, Senadora Gloria Inés Ramírez, representante Wilson Borja e o Doutor Carlos Lozano, entre outros. Apoiar o diálogo, um processo de paz, e um intercâmbio humanitário. O fim das execuções extra-judiciais e os falsos positivos perpetrados pelo Exército colombiano. Um informe completo de nossas investigações e recomendações será publicado em um futuro próximo.

Quarta-feira, 8 de abril de 2009

Assinam abaixo:
Katherine Craig: Advogada de Direitos Humanos. Viajou a Colômbia com a Caravana de advogados em Agosto de 2008.
Ian Davidson: Parlamentar Britânico do Partido Trabalhista.
Jeremy Dear: Secretário Geral do sindicato ‘A União Nacional de Jornalistas’ (NUJ) – o qual representa 32,000 jornalistas, também é o presidente de ‘Justice for Colombia’ e membro do Executivo da TUC e do Conselho Geral da TUC.
David Drever: Presidente do sindicato educativo, o ‘Instituto Educativo da Escócia’ (EIS), o qual representa 60,000 professores na Escócia.
Simon Dubbins: Diretor do Departamento de Relações Internacionais do sindicato ‘Unite the Union’, o qual representa 2,100,000 afiliados em vários setores, também é membro do Executivo do TUC Europeu e Presidente do setor gráfico da UNI (federação internacional).
Samuel Gurney: oficial do Departamento Internacional da TUC, com responsabilidade para Colômbia e outros países, também é membro do conselho da administração da OIT.
Sally Hunt: Secretária Geral do sindicato da educação 'La Unión de Universidad y Colegios' (UCU), o qual representa 118,000 professores universitários, também é membro do Comitê Executivo de Justice for Colombia e do Executivo e Conselho Geral da TUC, onde é porta-voz sobre assuntos internacionais.
Peter Kilfoyle: Parlamentar Britânico do Partido Trabalhista, anteriormente foi Ministro de Defesa.
Adam Lee: Oficial do sindicato, United Steelworkers (USW), o qual representa 1,2 milhões de afiliados de vários setores dos Estados Unidos e Canadá.
Andy Love: Parlamentar Britânico do Partido Trabalhista.
Karie Murphy: Assistente Parlamentar.
John O´Neill: Advogado da maior empresa de advogados trabalhistas da Grã-Bretanha ‘Thompsons Solicitors’.
Sandra Osborne: Parlamentar Britânica do Partido Trabalhista, Membro da Comissão Parlamentar de Assuntos Exteriores.
Stephanie Peacock: Membro do Comitê Executivo Nacional do Partido Trabalhista.
Frederick Redmond: Vice-Presidente Internacional do sindicato United SteelWorkers (USW), que representa 1,2 milhões de afiliados de vários setores nos Estados Unidos e Canadá, também é membro do Conselho Executivo da AFL-CIO.
Mark Rowlinson: Fiscal do sindicato, United Steelworkers (USW).Michael Shaw: Presidente do sindicato United Steelworkers (USW).

A notícia encontra-se em Anncol.eu.

domingo, 26 de abril de 2009

Fala irmão do Presidente Fernando Lugo

Eis a entrevista.

-Pompeyo Lugo, qual é sua opinião sobre a situação que vive o presidente?

Tudo o que estamos vendo e ouvindo forma parte do roteiro de uma guerra suja, uma tentativa de golpe de Estado encoberto.

-Quem está por trás desta guerra suja?

O crime organizado internacional, o narcotráfico, o narcoterrorismo, os contrabandistas de armas, os falsificadores, os contrabandistas de cigarros e os lavadores de dinheiro. Com Lugo, acabou o roubo no Paraguai, e todas essas pessoas roubaram demais nos últimos anos.

-Mas tudo começou com a denúncia de dois advogados de Viviana Carrillo...

Isso é falso. Viviana nunca apresentou pedido de paternidade. Foi a apresentação de uma tia dela, uma pessoa endividada, que contratou advogados que antes de recorrerem à Justiça pediram US$ 1 milhão ao presidente para manter silêncio. Querem destruir o presidente, mas isso não vai acontecer, porque o povo paraguaio está apostando na mudança, na vida e no amor.

-A tia foi paga para fazer a denúncia?

Por parte do presidente ela não recebeu dinheiro, não posso afirmar mais nada. Foi denunciado que a quinta mulher recebeu oferta de dinheiro para fazer a denúncia. Este é um golpe de Estado encoberto, que poderá ter consequências na região, porque estamos tentando, por exemplo, frear o contrabando de armas para o Brasil.

-Acredita na possibilidade de impeachment?

Esse é o objetivo dos golpistas. A ameaça existe, porque alguns congressistas são amigos de pessoas que fazem negócios ilegais.

-O senhor diz que é um assunto privado, mas Lugo era bispo quando Viviana engravidou...

Ele disse que foi um momento de fraqueza, mas também foi um momento de grandeza. Ele queria ser amado, queria amar, ela também, já com 23 ou 24 anos, tenho certeza que ambos decidiram ter esse filho. Também decidiram manter essa relação e esse filho no âmbito privado, porque ela é solteira e ele, um homem público.

-O que acha de Benigna Leguizamón?

É uma provocadora, e se o que diz é verdade deveria ser tratada por desequilíbrio emocional. Não acredito que tenha um filho dele.

-O senhor sabia da existência do menino?

Nossa família sabe guardar segredos, a vida privada é muito discreta. Não sabia nada.

-Ficou surpreso?

Não, porque é um homem vital e forte, me surpreendia é que não tivesse filhos.

-Mas o presidente era bispo...

Ele renunciou em 2004 e em 2005 a renúncia foi aceita pelo Papa (Lugo renunciou à Diocese de San Pedro em 2005, pediu a liberação de seu estado clerical em 2006, mas só obteve a dispensa no ano passado). Teria sido uma pena que essa árvore tivesse morrido sem plantar sequer uma semente.

******

Em entrevista publicada no jornal Página/12, 25-04-2009, Pompeyo Lugo, afirma "ter um filho não é pecado mortal nem está proibido pela Constituição nem pelas leis". O pastor acrescentou que "não aceita o celibato porque creio na natureza humana e entendo que isso é o deve ter a primazia".

Uribe só autoriza

a Cruz Vermelha e a Igreja para contatos com as FARC

O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, informou ontem que o Comitê Internacional da Cruz Vermelha e a Igreja são as únicas instituições autorizadas a fazer contato com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) para a liberação unilateral do sub-oficial do Exército Pablo Emilio Moncayo.

Destaca uma informação de Prensa Latina que com essa declaração, Uribe parece que descarta a participação da Senadora liberal Piedad Córdoba, quem encabeça um amplo grupo da sociedade civil em favor do intercâmbio humanitário e mantém um diálogo epistolar com as FARC, a fim de achar uma solução para o conflito.

Foi precisamente a Senadora Piedad a quem as FARC anunciaram o passado 16 de abril em um Comunicado que liberariam unilateralmente a Moncayo.

Durante uma alocução transmitida pela televisão estatal Sinal Colômbia, Uribe disse que não permitirá que 'essas liberações se convertam em u festim politiqueiro'.

Recentemente, a Senadora Córdoba denunciou que a pressão militar que exerce o governo contra as FARC põe em risco a vida e a liberação unilateral de Moncayo e outros detidos.

Alertou que o governo 'está enfocado em realizar uma segunda Operação Xaque' e por isso mantém um constante acosso militar na zona onde supostamente encontram-se os detidos.

A Senadora referiu-se assim à operação do Exército na qual foram resgatados a colombo-francesa Ingrid Betancourt, três estadunidenses e onze uniformizados colombianos em 2 de julho de 2008.

'Dispormos de informações muito sérias em torno da existência de uma espécie de Operação xaque, o qual põe em grave risco a vida do filho do professor Gustavo Moncayo e de outras pessoas. Isso sim, já não é nossa responsabilidade', advertiu a SenadoraCórdoba.

As FARC anunciaram o passado 16 de abril em um Comunicado a liberação unilateral do militar, no qual também insistem na necessidade de um acordo humanitário para encontrar uma solução ao conflito interno.

'Ante a reiterada solicitude da Senadora Piedad Córdoba, de Colombianas e Colombianos pea Paz, do professor Moncayo e dos presidentes Rafael Correa (Equador) e Hugo Chávez (Venezuela), anunciamos nossa decisão de liberar unilateralmente o Cabo Pablo Emilio Moncayo', disse a missiva.

No Comunicado, as FARC afirmam claramente que entregarão o militar a uma comissão encabeçada pela Senadora Piedad o Professor Gustavo Moncayo, pai do detido, uma vez organizados os mecanismos que possam garantir a segurança da Operação.

Senadora Piedad Córdoba diz

que o exército pretende resgatar pela força refém que FARC prometeu entregar-lhe.

AFP/ANNCOL

A Senadora Piedad Córdoba, a quem a guerrilha das FARC prometeu entregar-lhe o sub-oficial Pablo Emilio Moncayo, disse que estava preocupada porque o governo colombiano planeja resgatá-lo com apoio internacional.

"Nos preocupa muito, por isso o estou advertindo, há demasiada informação, gravações que estão em nossas mãos, dão conta da dinâmica que se está gerando e compromete embaixadas de vários países, para fazer uma espécie de nova “operação xeque¨ disse a Senadora aos jornalistas.

A Congressista referia-se ao controvertido operativo do exército no qual foram resgatados, a colombo-francesa Ingrid Betancourt, três estadunidenses e onze 11 militares e polícias colombianos que estavam em poder das FARC, o passado 2 de julho.

A Senadora manifestou seu temor em torno ao sub-oficial Moncayo, chamando a atenção sobre o silêncio e a demora do governo em definir a logística da entrega uma semana depois de ter sido anunciada.

Tomara que os europeus não caiam na arapuca uribista.

sábado, 25 de abril de 2009

Esgotamento de Uribe

Uribe mostra sintomas de esgotamento. Há sinais importantes disso. Seus filhos fazem negócios "non sanctos" – segundo eles – sem sua aprovação; os ministros não cumprem suas tarefas. Teve que dar marcha atrás em decisões já tomadas sobre os referendos em andamento (da água e a cadeia perpetua para violadores de crianças); foi obrigado a reduzir o preço da gasolina para evitar a greve dos caminhoneiros, e solicitar um empréstimo ao FMI por US$10.400 milhões para enfrentar a recessão econômica depois de dizer durante mais de 10 meses que a economia colombiana estava blindada diante da crise mundial.

Todo o anterior depois do ridículo comportamento em Trinidad e Tobago, que Fidel Castro comentou assim: “À esquerda de Obama estava um senhor que não pude identificar bem, quando botava a mão nas costas de Obama, como um colegial de oito anos a um companheiro da primeira fila.” E teve a insolência de apresentar como um grande sucesso de sua diplomacia, ter conseguido um autógrafo do presidente dos EE.UU. em um guardanapo. Era a prova de que obteve a promessa de uma cita em Washington e de uma futura visita de Obama à Colômbia. ¿Que podemos dizer? ¡Indigno demais! Soberbo e altaneiro com o povo colombiano, de joelho ante o Império.

No anúncio público da obrigada redução do preço do combustível estava furioso. Não era para menos. Ademais, sua política exterior tem sido atingida pelos questionamentos internacionais à lei de justiça e paz, a denúncia dos “falsos positivos” e a descarada espionagem dos organismos de inteligência do alto governo a magistrados, políticos, jornalistas e empresários. Ainda que os meios de comunicação colombianos não divulguem esses crimes de Estado, já as opiniões européia e norte-americana estão informadas. Graves serão as repercussões.

Apesar de todo e contra todo prognóstico, ele continua com sua estratégia de nova reeleição. A inocultável corrupção na campanha da recolhida das assinaturas, a opinião de numerosos setores empresariais e da igreja contra tal propósito, a descida nas pesquisas, as divergências entre alguns setores da coalizão do governo, os conceitos de destacados constitucionalistas e muito mais, mas ele segue enfrente. Seu destino está escrito. Ele não tem obsessão pelo poder, como pensam alguns. São os crimes cometidos por ele os que o obrigam a se manter atrelado ao poder. Não acredita em ninguém de seus áulicos para uma possível sucessão. Ficam para ele só dois caminhos: prolongar seu mandato mediante uma “ditadura constitucional” ou enfrentar em curto prazo a justiça, se não na Colômbia, então, na Corte Penal Internacional Eis sua arapuca e sua tragédia.
Com toda a mesa servida, as forças da oposição e da esquerda não ajustam sua estratégia. O Partido Liberal vacila entre radicalizar sua oposição a Uribe ou chegar a acordos com setores uribistas. O Polo se enreda em pequenas brigas intestinas. Fajardo segue sua marcha aspirando a passar pelo meio. As forças sociais sem a unidade nem a força que o momento requer. Parecesse que as influencias e aspirações político-eleitorais entorpecessem a ação política que pode encabeçar La Minga, o movimento das vítimas do conflito e outros setores sociais.

A luta pela paz e a reconciliação seguem muito atuais. É outra das debilidades de Uribe. O movimento “Colombianos pela Paz” continua a fazer esforços por criar cenários de diálogo, mas, termina –sem se propor isso- condicionado pelas respostas e/ou ações das FARC. Se necessita uma ação autônoma e independente que represente com maior força e vigor a sociedade no seu conjunto. A guerra deve ser desativada para sempre!

Uribe passa por umde seus piores momentos. Não devem deixar que respire. Necessita com urgência de alguma loucura da insurgência. Seria o oxigeno que tanto necessita. Tomara que isso não aconteça.

ferdorado@gmail.com

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Pega, lê

Ou a bomba nuclear que Chávez plantou nos EUA.



Por Pedro Gerardo Nieves.



Um dia que Santo Agostinho, violentamente agitado pelas vacilações que precederam sua conversão, havia-se refugiado em um bosque para meditar, ouviu uma voz que pronunciava estas palavras: Tolle lege. Mirando, então, um livro que lia seu amigo Alipio leu uma epístola de São Paulo, que decidiu sua conversão. (Pequeno Larousse Ilustrado, por Miguel de Toro e Gisbert. Buenos Aires, Argentina: Editorial Larousse, 1964, p. xv.)

Tolle, lege (pega, lê) são as imperativas palavras que os saqueados povos de América Latina dirigiram-lhe ao presidente de Estados Unidos por meio de Hugo Chávez para que se informasse em detalhe sobre os assassinatos, saques e demais abominações que os impérios perpetraram contra nós e nossas terras desde há já 500 dolorosos anos. O livro que o Comandante obsequiou ao presidente estadunidense “As veias abertas de América Latina”, do intelectual uruguaio Eduardo Galeano, documenta a ingerência das potências mundiais e faz um extensivo reconto das consequências do colonialismo e o imperialismo -europeu antes e ianque agora-, fazendo reflexivo ênfase nas mais cruas e indignantes. Nos explica ademais Galeano nessa obra, que não podemos ler sem ser agitados emocionalmente, que temos sido roubados e espoliados para financiar a opulência capitalista das colônias de além e aquém.

E mesmo que um imbecil do Departamento de Estado, um assessor de Obama que tem o muito colombiano (¿quando não?) apelido Restrepo, disse que: “se trata de um livro do passado que queremos deixar atrás", a verdade é que essa obra é uma verdadeira e positiva bomba nuclear que o Presidente Chávez tem plantado no tecido social e intelectual estadunidense.

UM PRESIDENTE QUE LÊ E ESCREVE

Disse a BBC de Londres que “ademais de contratar agências de publicidade de renome e trajetória, quiçá as editoriais deveriam enviar copias de seus livros à mesa de noite do presidente da Venezuela, já que essa não é a primeira vez que Chávez se apresenta como um grande promotor de livros. Há três anos, suas recomendações literárias levaram ao posto número um a obra “Hegemonia ou super-vivência”, do intelectual estadunidense Noam Chomsky. Se esta vez seu palco foi a V Cúpula das Américas em Trinidad y Tobago, naquela oportunidade Chávez aproveitou a reunião das Nações Unidas, em Nova York, para publicitar esse livro”.

E é que Chávez é um Presidente subversivo que sabe que a voz é como um disparo e que uma gráfica, como disse Bolívar o Pai da Pátria “é a artilharia do Pensamento”. De fato, a versão em inglês de “As veias abertas de América Latina”, ao momento de escrever esta matéria, encontrava-se no posto No. 02 e próximo de ultrapassar o bestseller do momento no mercado estadunidense. Graças a Chávez, o livro deixou o posto 54.295 do ranking de Amazon.com, passando a ser o segundo livro mais vendido (sendo questão de horas chegar ao lugar de honra). Belo triunfo.

Os venezuelanos, que estamos orgulhosamente acostumados a um Presidente que não só é campeão em sucessos e ações, senão um verdadeiro rato de biblioteca, presenciamos desde a chegada da Revolução Bolivariana um assombroso incremento da leitura e da socialização do livro em todos os âmbitos da vida cotidiana. Fontes da indústria do livro no país e do Ministério da Cultura, que é o ente executor desta revolucionária política pública de fomento da leitura, dão conta de assombrosos números que, porém, não retratam a realidade quantitativa desta Revolução do pensamento e da liberdade: o povo venezuelano se libera do jugo da manipulação dos meios de comunicação e se converte em leitor crítico capaz de entender os desafios da história e de avançar na construção coletiva da felicidade. Hoje mais do que nunca, na Venezuela obedecemos à máxima do apóstolo José Martí, quem desde os séculos nos diz que “ser cultos é a única maneira de sermos livres”.

AS CONSEQUÊNCIAS DA BOMBA NUCLEAR

Desde já, pode escrever, milhões de estadunidenses, que no passado recente leram o preclaro livro de Noam Chomsky “Hegemonia ou super-vivencia” por agitador e telúrico imperativo do Comandante Chávez, têm-se dedicado a ler “As veias abertas de América Latina” de Eduardo Galeano. Ler-ão-o com desprezo, assombro ou perplexidade, mas os milhões de vítimas de 5 séculos de história que denunciam através da obra de Galeano a infâmia do imperialismo, algum impacto devem gerar nas mentes e corações dos ianques bons (que certamente há). Barack Obama seguramente vai minimizar o conselho do tarado Daniel Restrepo e, ainda que não aceite seu conteúdo, como Santo Agostinho poderá escutar a voz: toma e lê. Algum gen de sua negritude se verá nas páginas que retratam a atroz injustiça e refletirá , não sabemos como, em torno da construção de um mundo melhor, em um país como EUA onde um assombroso 33% dos jovens pensam que o socialismo é o melhor sistema político. “Escreve que algo fica”, nos dizia o velho roble comunista de Kotepa Delgado. E Chávez, com suas “Líneas”, com seus discursos, com sua agitação de consciências, sabe disso perfeitamente.

pegenie@hotmail.com

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Por que as Veias Abertas?

Autor: Emir Sáder

Por que Hugo Chavez escolheu esse livro para dar de presente ao presidente dos EUA?

Porque é um dos livros essenciais para entender a América Latina e os próprios EUA. “ Há dois lados na divisão internacional o trabalho: um em que alguns países especializam-se em ganhar, e outro em que se especializaram em perder. Nossa comarca do mundo, que hoje chamamos de América Latina, foi precoce: se especializou em perder desde os remotos tempos em que os europeus do Renascimento se abalançaram pelo mar e fincaram os dentes em sua garganta.”

Um livro que se fundamenta na compreensão da nossa América nos dois pilares que articulam nossa violenta inserção subordinada no mercado capitalista internacional: o colonialismo e os dos maiores massacres da história da humanidade – a aniquilação dos povos indígenas e a escravidão. O capitalismo chegou a estas terras espalhando sangue, revelando ao que vinha. Não a trazer civilização fundada nas armas e no crucifixo, mas opressão, discriminação, exploração dos recursos naturais e dos seres humanos.

O processo de colonização, que mudou de forma com a exploração imperial, é o fundamento do tema central e do nome do livro: “É a América Latina a região das veias abertas. Desde o descobrimento até nossos dias, tudo se transformou em capital europeu ou, mais tarde, norte-americano, e como tal se acumulou e se acumula até hoje nos distantes centros do poder. Tudo: a terra, seus frutos e suas profundidades, ricas em minerais, os homens e sua capacidade de trabalho e de consumo, os recursos naturais e os recursos humanos. O modo de produção e a estrutura de classes de cada lugar foram sucessivamente determinados, de fora, por sua incorporação à engrenagem universal do capitalismo”.

As Veias demonstram claramente como “...o subdesenvolvimento latino-americano é uma consequência do desenvolvimento alheio, que nós, latino-americanos, somos pobres porque é rico o solo em que pisamos, e que os lugares privilegiados pela natureza se tornaram malditos pela história. Neste nosso mundo, mundo de centros poderosos e subúrbios submetidos, não há riqueza que não seja, no mínimo, suspeita.”

“Com o passar do tempo, vão se aperfeiçoando os métodos de exportação das crises. O capital monopolista chega a seu mais alto grau de concentração e o domínio internacional dos mercados, os créditos e investimentos, torna possível a sistemática e crescente transferência ds contradições: a periferia paga o preço da prosperidade dos centros, sem maiores sobressaltos.” “Já se sabe quem são os condenados que pagam as crises de reajuste do sistema. Os preços da maioria dos produtos da América Latina baixam implacavelmente em relação aos preços dos produtos comprados dos países que monopolizam a tecnologia, o comércio, a indústria e o crédito.

O presidente dos EUA disse, com razão, que a reunião de Trinidad Tobago demonstrará seu significado pelos efeitos concretos que tenha. Nenhum efeito será mais importante do que as conseqüências que ele – e tantos outros mandatários latino-americanos – tirem da leitura as "Veias Abertas da América Latina". As verdades de suas páginas foram confirmadas ao se transformar o livro em prova irrefutável do caráter subversivo de quem fosse pego com um exemplar na sua casa, durante as ditaduras militares latino-americanas.

Mas a força de suas verdades é o que responde pelo fato de ele seja o livro latino-americano que merece estar em qualquer lista de leituras indispensáveis, feitas ou por fazer. No melhor presente que um latino-americano pode dar ao presidente dos EUA, a todo e qualquer norte-americano, a todos os latino-americanos, pelo que decifra da nossa história e a nossa identidade, do nosso passado e do nosso presente.

Novo modelo de sociedade

Escrito por Frei Betto*

Ao participar do Fórum Econômico Mundial para a América Latina, a 15 de abril, no Rio, indaguei: diante da atual crise financeira, trata-se de salvar o capitalismo ou a humanidade? A resposta é aparentemente óbvia. Por que o advérbio de modo? Por uma simples razão: não são poucos os que acreditam que fora do capitalismo a humanidade não tem futuro. Mas teve passado?

Em cerca de 200 anos de predominância do capitalismo, o balanço é excelente se considerarmos a qualidade de vida de 20% da população mundial que vivem nos países ricos do hemisfério Norte. E os restantes 80%? Excelente também para bancos e grandes empresas. Porém, como explicar, à luz dos princípios éticos e humanitários mais elementares, estes dados da ONU e da FAO: de 6,5 bilhões de pessoas que habitam hoje o planeta, cerca de 4 bilhões vivem abaixo da linha da pobreza, dos quais 1,3 bilhão abaixo da linha da miséria. E 950 milhões sofrem desnutrição crônica.

Se queremos tirar algum proveito da atual crise financeira, devemos pensar como mudar o rumo da história, e não apenas como salvar empresas, bancos e países insolventes. Devemos ir à raiz dos problemas e avançar o mais rapidamente possível na construção de uma sociedade baseada na satisfação das necessidades sociais, de respeito aos direitos da natureza e de participação popular num contexto de liberdades políticas.

O desafio consiste em construir um novo modelo econômico e social que coloque as finanças a serviço de um novo sistema democrático, fundado na satisfação de todos os direitos humanos: o trabalho decente, a soberania alimentar, o respeito ao meio ambiente, a diversidade cultural, a economia social e solidária, e um novo conceito de riqueza.

A atual crise financeira é sistêmica, de civilização, a exigir novos paradigmas. Se o período medieval teve como paradigma a fé, o moderno a razão, o pós-moderno não pode cometer o equívoco de erigir o mercado em paradigma. Estamos todos em meio a uma crise que não é apenas financeira, é também alimentar, ambiental, energética, migratória, social e política. Trata-se de uma crise profunda, que põe em xeque a forma de produzir, comercializar e consumir. O modo de ser humano. Uma crise de valores.

Desacelerada a ciranda financeira, inútil os governos tentarem converter o dinheiro do contribuinte em bóia de salvação de conglomerados privados insolventes. A crise exige que se encontre uma saída capaz de superar o sistema econômico que agrava a desigualdade social, favorece a xenofobia e o racismo, criminaliza os movimentos sociais e gera violência. Sistema que se empenha em priorizar a apropriação privada dos lucros acima dos direitos humanos universais; a propriedade particular acima do bem comum; e insiste em reduzir as pessoas à condição de consumistas, e não em promovê-las à dignidade de cidadãos.

Há que transformar a ONU, reformada e democratizada, no fórum idôneo para articular as respostas e soluções à atual crise. Urge implementar mecanismos internacionais de controle do movimento de capitais; de regular o livre comércio; de pôr fim à supremacia do dólar e aos paraísos fiscais; e assegurar a estabilidade financeira em âmbito mundial.

Não haveremos de encontrar saída se não nos dermos conta de que novos valores devem ser rigorosamente assumidos, como tornar moralmente inaceitável a pobreza absoluta, em especial na forma de fome e desnutrição. É preciso construir uma cultura política de partilha dos bens da Terra e dos frutos do trabalho humano, e passar da globocolonização à globalização da solidariedade.

As Metas do Milênio e, em especial, os sete objetivos básicos do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, de 1995, devem servir de base a um pacto para uma nova civilização: 1) Escolaridade primária universal; 2) Redução imediata do analfabetismo de adultos em 50%; 3) Atenção primária de saúde para todos; 4) Eliminação da desnutrição grave e redução da moderada em 50%; 5) Serviços de planificação familiar; 6) Água apta para o consumo ao alcance de todos; 7) Créditos a juros baixos para empresas sociais.

A experiência histórica demonstra que a efetivação dessas metas exige transformações estruturais profundas no modelo de sociedade que predomina hoje, de modo a reduzir significativamente as profundas assimetrias entre nações e desigualdades entre pessoas.

* Frei Betto é escritor, autor, em parceria com Luis Fernando Veríssimo e outros, de "O desafio ético" (Garamond), entre outros livros.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Rompero o bloquio da mídia:

Simón Trinidad na memória dos povos

Por Yolanda Castro

Simón Trinidad disse ao lembrar a biografia escrita de Nelson Mandela: "quem dita a forma da luta é o opressor e nunca o oprimido". É Colômbia um país que em toda sua história tem tido uma oligarquia governante que tem imposto sua organização política e consolidado sua estrutura econômica mediante o terror.

A horrorosa política contra-insurgente que aplicada por Álvaro Uribe desde o ano 2002, denunciada por organismos internacionais e associações de reconhecido prestigio na luta e defesa pelos direitos humanos, não é uma nova estratégia para consolidar um Estado criminoso de direito, mas o arraigo das técnicas especializadas e aperfeiçoadas através do tempo, na sucessão e alternância do poder estabelecido.

Poucos lembram que em maio de 1984, as FARC-EP tomaram a transcendental decisão de propor e iniciar uma trégua. Produto da suspensão da atividade insurgente e de posteriores acordos de paz com o governo do presidente Belisario Betancour, o movimento guerrilheiro confluiu na organização da União Patriótica. Todos os acordos de trégua e paz foram rompidos, única e exclusivamente como conseqüência das provocações criminais do militarismo, aliado do narcotráfico latifundiário, que inicia, primeiro, o assassinato seletivo de determinados dirigentes políticos e que a seguir continua com massacres coletivas de toda sua base social, amparados e legitimados pelos sucessivos governos colombianos que, com a ajuda e no marco de uma nova estratégia impulsionada pelos setores ultra-direitistas norte-americanos, iniciaram o desprestígio de todo o Movimento Guerrilheiro vinculando-o ao narcotráfico e incluindo-o no conceito nas listas de organizações terroristas.

Apesar de todas as campanhas da grande mídia contra as FARC-EP e apesar, igualmente, de que o líder guerrilheiro Simón Trinidad é seqüestrado em território equatoriano, com a violação flagrante dos princípios essenciais do Direito Internacional Público, e extraditado pela Colômbia para EUA., seu juízo, no qual infringiram todos os princípios democráticos fundamentais de presunção de inocência e de direito a um processo judicial com todas as garantias, resultou nulo porque os cidadãos estadunidenses que formaram parte do jurado mantiveram posições irreconciliáveis durante as deliberações de considerar-lo um terrorista e um narcotraficante e não puderam chegar por três vezes a um veredicto por unanimidade.

Simón Trinidad volveu a ser julgado como "conspirador" acusado da captura de três militares estadunidenses cujo avião foi derrubado no sul da Colômbia, em território controlado pela guerrilha. No há uma só prova, sequer, que relacione diretamente a Simón Trinidad com esse feito; simplesmente se tem seguido o fio argumental apresentado pela parte acusadora consistente em imputar ao, nesse momento, negociador e porta-voz das FARC-EP para um possível intercâmbio humanitário, todas as ações atribuídas à Organização Guerrilheira.

A pena que cumpre o líder guerrilheiro nas masmorras do império é por mais de 50 anos, nas piores condições possíveis, em absoluto isolamento e com medidas de controle e submetimento mais refinadas, similares às aplicadas na base ilegal norte-americana de Guantánamo.

Como conclui a última carta conhecida de Simón Trinidad: "Quando ingressei nas FARC, o fiz ciente de perder a vida ou a liberdade por alcançar uns ideais de justiça social para o povo colombiano e de paz para meu país. Hoje, perdida minha liberdade física, conservo intactos esses ideais, estimulados por outros homens e mulheres (...) gentes que levantam as mesmas bandeiras, porque compartilham as palavras ditas pelo mártir da independência de Cuba, José Martí, quando afirmou: “O que Bolívar não deixou feito, sem fazer está até hoje”. E essa é a tarefa por cumprir pelas pessoas que lutam pela justiça, a meio delas estarão os guerrilheiros e guerrilheiras das Forças Armadas Revolucionárias de Colômbia – Exército do Povo".

Rompamos o bloqueio da grande mídia que se estende sobre a figura desse combatente revolucionário e exijamos constantemente o que é justo: a liberdade para Simón Trinidad, Sonia, e todos os guerrilheiros e lutadores pela independência, a dignidade e a soberania da Colômbia e de todos os povos do mundo. Que permaneçam sempre em nossa memória.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Nova batalha ganha...

...por Cuba e o Bloco da ALBA

Por Carlos Aznárez

Sem dúvida alguma e, apesar dos pesares do Império e seu novo rosto representado pelo Barack Obama, a grande estrela da recente Cúpula das Américas foi a primeira revolução socialista do continente e seus companheiros que junto com ela integram a Alternativa Bolivariana para os Povos de América (ALBA).
Depois de 50 anos de batalha pela independência e a soberania de seu próprio país, Cuba obteve uma vitória grandiosa ao pôr contra as cordas, mais uma vez, o Imperialismo norte-americano e gerar o maior consenso de solidariedade favorável à sua posição relacionada com o levantamento total e para sempre, do bloqueio criminal que EUA e todos seus aliados ocidentais aplicam contra a Ilha desde há mais de quatro décadas.

Isso não é um milagre nem nenhuma casualidade, mas algo que tem a ver com a resistência conseqüente que Cuba sempre tem demonstrado nos duros momentos que tem vivido por culpa da política genocida das administrações que têm governado desde Washington. O povo cubano sabe muito bem o que significam esses últimos anos em relação com a dignidade e consciência para superar as carências impostas pelo bloqueio. É por isso que justamente agora, toda América Latina tem-se posto de pé para acompanhar Cuba em sua exigência. De nada valem os sinais hipócritas que podem se inferir do comportamento do presidente Obama se, desde logo, não vão acompanhados de fatos contundentes.

O outro vento fresco que invadiu a Cúpula por todos seus flancos, foi aquele dos países que integram a ALBA: pesaram com muita contundência, demonstrando que nesse aspecto sim, as coisas têm cambiado para melhor no continente.

Dentro desse marco, deve-se analisar se realmente, como nos quer fazer crer a avalancha da grande mídia, Obama representa um câmbio real ou trata-se de uma sutil e inteligente estratégia do império para passar da fracassada política do pau e o garrote para a do cacetete e a cenoura. EUA chegou à Cúpula das Américas sabendo que a “frente de rechaço” representado pelos países que integram a ALBA, não estavam dispostos a retroceder um milímetro em suas posições de crítica severa aos males impostos pelo capitalismo selvagem, nem tampouco a admitir que a política ingerencista norte-americana siga imaginando o continente como seu pátio traseiro.

De fato, já tinha-se dado a conhecer o primeiro grande choque quando se rechaçou enfaticamente o projeto de declaração da Cúpula, levando a que finalmente muitos países não o assinaram “por representar um aberto retrocesso” perante o ganhado na Cúpula de Mar do Prata, quando se enterrou a ALCA.

No mesmo momento em que Obama repartia sorrisos e multiplicava seus gestos simpáticos para os mandatários que o saudavam em Trinidad-Tobago, seus aviões de guerra seguiam bombardeando Paquistão (assassinando una dúzia de civis, entre eles vários meninos e meninas), e outros similares uniformizados massacravam civis no Iraque ocupado e resistente. Essa é a essência fundamental e dramática dos “câmbios” que representa Obama, mais lá de seus sorrisos mentirosos.

Mas, ainda, tem mais. Para o mandatário norte-americano, “o povo de Cuba não é livre”, “não há liberdade de opinião nem religião” e, também, “seus cárceres estão lotados de presos políticos”. Dessa simples e tergiversada maneira de entender a realidade, o “gringo bom” sugere que o bloqueio não se levantará e que só estaria disposto a discutir algumas concessões. Diz isso o mesmo chefe de Estado cujo governo tem violado a liberdade e a soberania de dezenas de países e cujos militares continuam aterrorizando a milhares de moradores no Médio Oriente. Afirma isso o maior aliado da política genocida sionista contra povo palestino, e o representante político das trasnacionais vorazes que mantém cativos a centenas de países do Terceiro Mundo, ou o corre-ve-i-dile dos fabricantes de armas que abastecem o arsenal bélico de polícias e exércitos do planeta.

De que câmbios fala mister Obama, quando suas receitas econômicas só buscam re-lançar experiências como a do FMI e o Banco Mundial, que tanta fome, miséria e dependência têm gerado com sua atuação. Ou por acaso, alguém tem escutado que abrirá los cárceres de seu país onde permanecem confinados dezenas de milhares de latinos, mulheres e homens afro-descendentes (como o próprio Obama). Ou que serão liberados e enviados de volta para Cuba os 5 heróis detidos por lutar contra o terrorismo. ¿E Mumia Abu-Jamal, e Leonard Peltier, e os revolucionários porto-riquenhos que há quase 40 anos estão se apodrecendo nas prisões dos EUA? ¿Haverá dito algo Obama da situação de ocupação ilegal que suportam Puerto Rico e Guantánamo? ¿Escutaram alguma palavra sobre a situação de manter dezenas de bases de ocupação e intervenção militar em todo o planeta, em aberta violação da soberania dos povos?
¿Câmbios de que? ¿De maquiagem? Porque sobre a espoliação, a ingerência e a ocupação ilegal de territórios, parece que pouco abordou-se.

De todas maneiras, se bem houve presidentes (e presidentas) que em Trinidad-Tobago conectaram plenamente com a Obamanía e terminaram jogando o triste papel de intermediários entre o Império e os países, com discurso mais radicalizado (por ter na sua frente governos revolucionários e não simplesmente “progressistas”), o certo é que o mandatário estadunidense teve que conformar-se com receber um trato educado e cordial, mas não logrou quebrar a disciplina que levou à reunião o Bloco ALBA. Escutou severas críticas ao imperialismo por parte do nicaragüense Daniel Ortega, ou o digno discurso do presidente Evo Morales quando explicou com luxo de detalhes a conivência entre o governo norte-americano e sua embaixada em La Paz e a oposição fascista que recentemente tentou assassinar-lo. E por si faltava algo, não pôde mais que sorrir com cara de despistado, quando Hugo Chávez lhe obsequiou, “para que se instrua sobre o Imperio”, o imprescindível livro de Eduardo Galeano, “As veias abertas de América Latina”.

Repetindo: os grandes vencedores dessa nova batalha foram aqueles que desde seus povos e governos, têm mantido em alta as bandeiras da resistência contra imperialismo e suas oligarquias locais, aqueles que encurralam com suas mobilizações e iniciativas de solidariedade entre nações, o capitalismo e seus lacaios. Essa atitude e não outra, é a que tem obrigado a EUA a ter que cambiar de estratégia e disfarçar o lobo de cordeiro para tentar reverter uma situação, que como bem disse o Comandante Fidel Castro em sua última visita a Argentina, “levará o Império a sua desaparição antes que termine este século”.

Quando desde os países da ALBA se aponta a que a única forma de sair da atual crise inter-capitalista é avançar rumo à construção do Socialismo, se está apresentando um caminho sem retorno, que a mediano prazo gerará -ninguém duvide- enfrentamentos de maior calado com a política imperial dos Obama ou de seus sucessores. Crer o contrário, e cair no jogo astuto de Obama e sua comparsa, pode resultar atraente para a camada de mandatários “progressistas”, que tanto o louvaram em Trinidad-Tobago, mas para aqueles que propõem um câmbio estrutural no continente, fica meridianamente claro que como dizia o Che, “no imperialismo não devemos ter nenhum poquinho de confiança”.

*Diretor de “Resumen Latinoamericano”

segunda-feira, 20 de abril de 2009

O que a grande mídia...

...nunca informa sobre o governo de Hugo Chávez

Esta postagem é para aqueles que só ouvem falar que Chávez é um
ditador, um populista fanfarrão, que explora a miséria dos venezuelanos.

Segue abaixo o resultado de nove anos do governo Chávez, completados
no último dia dois de fevereiro (02/02/2008).

Analfabetismo: Na Venezuela, havia 1,5 milhão de analfabetos. Em
2005, a UNESCO declarou o país território livre do analfabetismo.

Pobreza extrema: Em 1998, mais de 20% da população vivia em pobreza
extrema. Em 2007, o índice caiu a menos da metade: 9,4%.

O desemprego caiu de 16,6% para 6,3%.

Salário mínimo: Em dólar, subiu de 153,1 para 285,9. Em bolívares:
de 75 mil para 614,79 mil

Relação dívida-PIB: Em 1998, a dívida era de 78,1% do PIB. Em 2007, 18,5%

Relação divida externa-PIB: Caiu de 25,5% para 11,3%

Investimentos em educação: porcentagem em relação ao PIB cresceu de
3,38% para 5,43%

Investimentos em Saúde: porcentagem em relação ao PIB cresceu de
1,36% para 2,25%

Mortalidade infantil, por mil crianças nascidas vivas: caiu de 21,4
para 13,9 por mil

Crianças no pré-escolar: Aumentou de 44,4% para 60,6%

Educação média: Foi de 26,9% para 41%

Ensino Superior: Aumentou de 22,6% para 30,2% o número de matriculados

Matrícula escolar e número de escolas. De 1.921 escolas e 427,5 mil
matrículas passou para 5.500 escolas e 1,1 milhão de matrículas.

Programa de alimentação escolar: de 252,2 mil para 1,81 milhão de
beneficiados.

Matrículas em escolas técnicas: de 31,4 mil para 203,9 mil.

Acesso à água potável: de 80% para 92% da população.

O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), um indicador internacional
medido pela Organização das Nações Unidas (ONU), em que 0 (zero) é o
mínimo e 1 (um) o máximo, subiu de 0,691 em 1998 a 0.878, em 2007, o
que significa um aumento de 33%.
Quem quiser mais números sobre a Venezuela (inclusive com gráficos
comparativos ano a ano) clique aqui, para os indicadores sociais, e
aqui, para os econômicos. São documentos em pdf.

Você, meu sagaz leitor, você, minha arguta leitora, já leu algum
desses números na nossa grande, imparcial e democrática imprensa?

Sabe por que ela não publica esses números? Porque ela "escolhe" o que quer colocar na sua e na minha cabeça! (Damir)