"A LUTA DE UM POVO, UM POVO EM LUTA!"

Agência de Notícias Nova Colômbia (em espanhol)

Este material pode ser reproduzido livremente, desde que citada a fonte.

A violência do Governo Colombiano não soluciona os problemas do Povo, especialmente os problemas dos camponeses.

Pelo contrário, os agrava.


sábado, 9 de novembro de 2013

Inspirados por Alfonso Cano, crescem nossas esperanças de paz

Persistiremos em nossos esforços para alcançar a paz democrática pelas vias civilizadas do diálogo tal como temos feito há 44 anos, porque essa é nossa concepção revolucionária, porque assim são os nossos princípios”.
Comandante Alfonso Cano.


Dois anos atrás, no dia 4 de novembro de 2011, em meio ao ar rarefeito e fosco pelas explosões de bombas, metralhadoras e do opressivo cheiro de pólvora em abundância, sem se apresentarem para o combate, arrancaram violentamente da comunidade da resistência latino-americana o comandante Alfonso Cano, o irmão maior, o comandante geral da confraternidade revolucionária fariana.


Todas as emoções apontam nesta data para o conjunto da militância guerrilheira, miliciana, do partido e na imensa massa de simpatizantes que acompanha nosso sonho pela paz. Imensa é a ausência de quem não está hoje presente, ajudando a modelar certezas. Mas também é imensa em toda a coletividade fariana, a responsabilidade de tornar realidade seu legado de justiça social, de amor pelos pobres e desamparados, e de combate contra a desigualdade e os privilégios dos opressores. Formidável é nossa convicção de manter firme o timão sobre o rumo da paz, para que esta possa colocar-se plenamente nas casas de todos os colombianos, como ele corroborou até o último alento.


Para falar de Alfonso Cano, esse excelso comandante guerrilheiro do altiplano colombiano, temos que retrair as lutas históricas de todos os oprimidos na construção de modelos de governos liberadores e independentes; tecer os fios das lutas sociais, juvenis, estudantis, obreiras e camponesas; recordar a dor e a raiva dos encarcerados e perseguidos; colocar-nos no cenário da lutas das mulheres, indígenas e negros. Temos que nos encher de utopias, de literatura, de cinema, de arte, de história, de equilíbrio ambientalístico, de sacrifícios pela coletividade, de muito amor pelos seres humanos. Porque sua vida e suas emoções, desde muito jovem, estiveram aferradas aos desejos dos pobres para melhorar suas condições de existência, consagradas a investigar e multiplicar a palavra e ação dos subjugados da nossa América e do planeta, a espalhar resistências, nutrindo o pensamento crítico e emancipador da humanidade, articulando a sólida argumentação teórica e prática que requer a nação para apropriar-se de seu destino e enterrar a opressão.


Para os capitalistas e seus porta-vozes jurídicos e midiáticos, que reclamam dia-a-dia obsequência perante o insaciável modelo de exploração, Alfonso, esse fogo atronador da rebeldia continental, foi um mal exemplo. Ele perturbava a tranquilidade de seus privilégios. Por isso toda a força do terror midiático e militar dos opressores nacionais e transnacionais caiu sobre sua humanidade para assassiná-lo. E depois de matá-lo, vomitaram infâmias sobre seu corpo inerte.


Perdemos um magnífico líder, mas com ele crescemos e seguimos crescendo, ampliando e estreitando laços com as imensas massas de colombianos que lutam por uma paz justa e verdadeira, por melhores condições de vida, por melhores salários. Que se mobilizam contra as máfias enriquecidas a custa da deterioração da saúde dos colombianos e suas necessidades de moradia; que se manifestam multitudinários pelo direito à educação, pelo direito à terra para os trabalhadores rurais que nela trabalham. Contra a judicialização e criminalização do protesto social; contra a privatização da educação, dos serviços públicos e da entrega do território e dos recursos naturais a corporações multinacionais, a monopólios nacionais e a latifundiários colombianos.


O povo da Colômbia, em toda a amplitude de sua geografia humana, avança mobilizado contra a injustiça econômica e social que implementa o governo neoliberal de Juan Manuel Santos. Além da fascistização de todos os espaços da sociedade, também a insurgência se aferra ao terreno da ação política e militar, confirmando uma vez mais, com sua força e presença ativa na mesa de conversações em Havana, que a paz é a única fórmula verdadeira para resolver um conflito que vai cumprir meio século no próximo ano.


A paz que se constrói desde Havana tem contado com o apoio nacional, um crescente número de iniciativas acompanha o clamor pela concretização de acordos que afiancem a reconciliação. Todas estas iniciativas foram apresentadas integrando nossa visão de paz, porque ela vem do povo e de seus anseios. Por isso saudamos as propostas apresentadas pelo Doutor Álvaro Leyva Duran e pela Doutora Clara López na representação do Polo Democrático, porque tudo o que aporta para avançar até a paz e contra a guerra, é substancial para o logro da reconciliação. Oxalá o governo tenha a capacidade de interpretá-lo com sentimento pátrio e não meramente visando a reeleição.


E para aqueles que se esforçam pela manutenção e aprofundamento da guerra graças a qual prosperam, os que exigem maior impunidade para proteger as atrocidades cometidas por militares e policiais e que se protegem na inconstitucionalidade da reforma no fórum militar, os convidamos a prestar atenção aos milhões de colombianos que se manifestam cotidianamente para que a barbárie termine, prestem atenção no sentimento dos seus oficiais de baixa patente, suboficiais e soldados, que nas zonas de operação expressam o cansaço pela guerra e suas atrocidades, e evitam o combate esperançosos por um cessar total da guerra.


E aos que, desde suas posições transitórias de poder ministerial, uivam ameaças de aniquilamento da guerrilha, e anunciam novos contingentes de soldados para a guerra; e os que não creem que chegamos a Havana “porque é nossa concepção revolucionária, porque assim são os nossos princípios” como afirmou Alfonso, senão porque estávamos derrotados, lhes recordamos as palavras destes, em carta ao general Valencia Tovar: “Sustentar qualquer proposta na imagem que vende a propaganda oficial de uma FARC derrotada, repleta de impúberes, sem apoio das massas, sem comunicações, etc, não é sério. O General Valencia deve recordar como a mentirosa campanha midiática do governo dos Estados Unidos na ocasião de sua agressão ao Vietnã, finalmente estourou na própria cara”.


Com a memória do comandante Alfonso Cano nos enchemos de esperanças pela paz, assim como os colombianos que padecem as injustiças do regime. Nestes dois anos de ausência ele nos inspirou com sua clara mensagem: “os caminhos que conduzem ao incremento da luta popular em suas mais variadas formas e a conquista do poder, nunca foram fáceis, nem em nosso país nem em nenhuma outra parte do mundo, nem agora, nem antes. Só a profunda convicção na vitória, na justeza, validez e vigência de nossos princípios e objetivos e um monolítico esforço coletivo, garantirão o triunfo. Aos reacionários que fazem alegres contas contra as FARC, lhes informamos que a intensidade da confrontação nos fortaleceu, estreitando vínculos com as comunidades, suas organizações e as lutas populares, elevando a disciplina e o respeito pela população civil, e incrementando nossa qualificação e aprendizagem. Morreram guerrilheiros porque assim é a luta, mas também seu generosa sangue derramado é evidência de nosso total compromisso com o povo. Outros camaradas já cobriram a trincheira dos caídos e muitos mais continuam chegando as nossas filas. Assim foi também a gestação da nossa independência, e todos os processos libertadores da humanidade, onde se desataram os demônios da guerra…


Somos uma força revolucionária com a suficiente história, solidez e consistência para superar o falecimento de nosso Comandante em chefe, porque ele mesmo nos instrumentou e contribuiu no esforço coletivo de consolidação política e militar. O Secretariado, o Estado Maior Central, os Estados Maiores dos blocos e frentes, os comandos de todo nível, os dirigentes e combatentes das FARC-EP garantiremos o triunfo”.


O legado do comandante Alfonso Cano sempre será alento para encontrar o fio condutor do país até as transformações que este reclama. Seu exemplo na análise de cada conjuntura, sua convicção a toda prova, mirando sempre o horizonte estratégico, e seu desprezo pela ortodoxia, nos obrigam a refletir sobre o método, de como poder mobilizar o compromisso das pessoas por mudanças necessárias neste modelo apodrecido em que agoniza a humanidade.


Memória eterna ao heroico comandante.


ESTADO MAIOR CENTRAL DAS FARC-EP
Montanhas da Colômbia, 4 de novembro de 2013


Tradução: PCB Partido Comunista Brasileiro


sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Momento culminante das negociações de paz na Colômbia

As negociações de paz na Colômbia entre o governo e as Farc chegam a seu momento culminante.

por Emir Sader em 07/11/2013 às 20:11


As negociações de paz na Colômbia entre o governo e as Farc chegam a seu momento culminante. A agenda de discussões tem 5 temas, o primeiro, a questão agrária, foi superado, com acordos, pelo menos no papel.
    
O segundo é o crucial, porque tem a ver com a reinserção institucional das Farc. Esta semana se revelou que há uma vontade política comum de se chegar a um acordo para que isso se dê.
    
As dificuldades começam na forma de implementação desse acordo. A decisão é que as Farc serão representadas no Parlamento através de zonas especiais e que a presença das suas forças é determinante. Mas não se decidiu ainda quem pode ser candidato pelas Farc.

A opinião pública é amplamente favorável a uma participação das Farc no processo político. Porem há muita resistência a que dirigentes que foram condenados com acusação de terem sido responsáveis da morte de civis seja anistiados e possam ter cidadania política normal. A que se agregam resistências no próprio Judiciário a conceder anistia a todos eles.

O presidente Santos tem pressa. Ele está pressionado por Uribe, que já escolheu como candidato para disputar a presidência um ex-ministro seu, com a plataforma de ruptura das negociações de paz. Santos quer apresentar resultados concretos num tema que mobiliza a opinião pública. Propõe até que esses acordos sejam submetidos a um referendo no próprio processo eleitoral.

Já as Farc não se anima com essa via nem com a pressa de Santos. Consideram que não deveria assinar acordos com um governo que não se sabe se terá continuidade. Além de que são contra o referendo, preferindo uma Assembleia Constituinte, que incorporaria a todos os temas  das negociações.

São, portanto, meses decisivos na Colômbia, tanto para a presidência do país, quanto para as próprias negociações de paz. O próximo ano poderá terminar com parlamentares das Farc no Congresso. Ou com novo fracasso no longo processo de paz, que desta vez, até aqui, avançou mais do que nunca.

Farc e governo chegam a acordo sobre participação política

As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia-Exército do Povo (Farc-EP) e o governo colombiano chegaram a um acordo parcial sobre a participação política, segundo ponto da agenda de diálogos pelo fim do conflito armado. O anúncio oficial foi feito nesta quarta-feira (6), através de um comunicado divulgado por membros de ambas as delegações, em Havana (Cuba).


Por Théa Rodrigues, da Redação do Vermelho


Desde junho deste ano, a participação política vinha sendo discutida amplamente entre os negociadores das Farc e do governo da Colômbia. Apesar de parcial, o acordo sobre o tema é um importante passo para o processo de paz, pois estabelece garantias para que o grupo guerrilheiro se converta em um movimento com pleno acesso à vida política do país e aos meios de comunicação.

O consenso contempla, portanto, os direitos e garantias para o exercício da oposição política para os setores sociais e novos movimentos que surjam depois do fim do conflito. Sendo assim, estabelece mecanismos democráticos de participação a todos os setores, incluindo os mais vulneráveis.


Durante uma coletiva de imprensa, Rodolfo Benítez Warzón, representante do governo de Cuba para os diálogos com as Farc, indicou que o governo colombiano facilitará a participação de especialistas para fazer propostas ao exercício da oposição. Ele agregou também que será elaborado um plano de apoio aos observatórios de transparência, com ênfase para a implantação do acordo.

Segundo informações do jornal colombiano El Tiempo, as equipes negociadoras também anunciaram que irão convocar os porta-vozes dos movimentos e partidos políticos para regulamentar um estatuto sobre o tema.

“A paz requer a participação cidadã, incluída nos mecanismos de implantação dos acordos”, diz o texto lido pelos representantes de Cuba e da Noruega, Dag Halvor, que são garantidores do diálogo.

O documento considera ainda o direito ao protesto e à convivência pacífica. O governo do presidente Juan Manuel Santos e o grupo guerrilheiro concordaram em estabelecer medidas para garantir e promover uma cultura de reconciliação, convivência e tolerância. Da mesma forma, o comunicado fala sobre a criação de circunscrições transitórias especiais de paz para promover a integração das áreas particularmente afetadas pelo conflito.

Esta é a segunda vez que as partes conseguem um acordo parcial. Em maio deste ano, declararam um posicionamento sobre o tema agrário, que inclui antigas demandas das Farc sobre o acesso dos camponeses às terras, além do apoio social do Estado ao setor rural.

O conflito armado na Colômbia dura mais de 50 anos e já deixou quase quatro milhões de deslocados e cerca de 600 mil mortos. Gerações inteiras não conheceram o país em situação de paz, contudo, esse avanço fundamental no processo com as Farc, em seu 16º ciclo de conversações, traz ao povo colombiano um novo fôlego para seguir buscando a democracia.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Inspirados por Alfonso Cano, crescem nossas esperanças de paz. Declaração do Secretariado do Estado-Maior Central das FARC


“Persistiremos em nossos esforços por alcançar a paz democrática pelas vias civilizadas do diálogo, tal como o fizemos desde há 44 anos, porque é nossa concepção revolucionária, porque assim são nossos princípios”.
Comandante Alfonso Cano.

Dois anos atrás, a 4 de novembro de 2011, entre o bosque escasseado pelos estampidos das bombas, a metralha e o opressivo cheiro de pólvora, aos montes, sem risco no combate, arrancaram violentamente da comunidade da resistência latino-americana o comandante Alfonso Cano, o irmão maior, o comandante geral da confraternidade revolucionária fariana.

Todas as emoções se disparam nesta data no conjunto da militância guerrilheira, miliciana, do partido e na imensa massa de simpatizantes que acompanha nosso sonho pela paz. Imensa é a ausência de quem não está hoje presente, ajudando a modelar certezas. Porém, também é imensa em toda a coletividade fariana a responsabilidade de fazer realidade seu legado de justiça social, de amor pelos pobres e desamparados, e de combate contra a desigualdade e os privilégios dos opressores. Formidável é nossa convicção de manter firme o leme sobre o rumo da paz, para que esta possa pousar-se plena nos lares de todos os colombianos, como ele o corroborou até o último fôlego.

Para falar de Alfonso Cano, esse excelso comandante guerrilheiro do altiplano colombiano, há que retrair as lutas históricas de todos os oprimidos na construção de modelos de governos libertadores e independentes; tecer os fios das lutas sociais, juvenis, estudantis, operárias e campesinas; relembrar a dor e a raiva dos encarcerados e perseguidos; situar-se no cenário das lutas de mulheres, indígenas e negritudes; Há que reabastecer-se de utopias, de literatura, de cinema, de arte, de história, de equilíbrio meio ambiental, de sacrifícios pela coletividade, de muito amor pelos seres humanos. Porque sua vida e suas emoções, desde muito jovem, estiveram agarradas aos anseios dos pobres por melhorar suas condições de existência, consagradas a pesquisar e multiplicar a palavra e ação dos subjugados de Nossa América e do planeta, a despertar resistências, a nutrir o pensamento crítico e emancipatório da humanidade, a articular a sólida argumentação teórica e prática que a nação requer para apropriar-se de seu destino e enterrar a opressão.

Para os capitalistas e seus porta-vozes jurídicos e midiáticos, que reclamam diariamente obediência ante o insaciável modelo de exploração, Alfonso, esse fogo estrondoso da rebeldia continental, foi um mau exemplo. Ele perturbava a tranquilidade de seus privilégios. Por isso, toda a força do terror midiático e militar dos opressores nacionais e transnacionais caiu sobre sua humanidade para assassiná-lo. E, depois de assassinado, vomitaram infâmias sobre seu corpo inerte.

Perdemos um magnífico líder, porém com ele crescemos e seguimos crescendo, ampliando e estreitando laços com as imensas massas de colombianos que lutam por uma paz justa e verdadeira, por melhores condições de vida, por melhores salários. Que se mobilizam contra as máfias enriquecidas à custa da deterioração da saúde dos colombianos e suas necessidades de moradia; que se manifestam multitudinárias pelo direito à educação, pelo direito à terra para o campesino que a trabalha. Contra a judicialização e criminalização do protesto social; contra a privatização da educação, dos serviços públicos e a entrega do território e dos recursos naturais a corporações multinacionais, a monopólios nacionais e a latifundiários nativos.
O povo da Colômbia, em toda a amplitude de sua geografia humana, avança mobilizado contra a injustiça econômica e social incrementada pelo governo neoliberal de Juan Manuel Santos. E, por cima da fascistização de todos os espaços da sociedade, também a insurgência se agarra ao terreno da ação política e militar, confirmando, uma vez mais, com seu acionar e presença ativa na mesa de conversações em Havana, que a paz é a única fórmula válida para resolver um conflito que vai cumprir meio século no próximo ano.

A paz que se constrói desde Havana tem avivado o apoio nacional, um crescente número de iniciativas acompanha o clamor pela concretização de acordos que afiancem a reconciliação. Todas estas iniciativas, as temos recolhido e integrado à nossa visão de paz, porque vêm do povo e seus anseios. Por isso, saudamos as propostas apresentadas pelo Doutor Álvaro Leyva Duran e a Doutora Clara López, em representação do Polo Democrático, porque tudo o que contribui a avançar para a paz e contra a guerra é substancial para a conquista da reconciliação. Oxalá o governo tenha a capacidade de interpretá-lo com sentimento pátrio e não meramente reeleitoreiro.

E aos que se esforçam pela manutenção e pelo aprofundamento da guerra graças à qual prosperam, aos que exigem maior impunidade para proteger as atrocidades cometidas por militares e policiais e se esganiçam contra a inconstitucionalidade da reforma ao foro militar, os convidamos que se manifestem diariamente para que a barbárie termine, a que ponham atenção ao sentir de oficiais de baixo escalão, suboficiais e soldados, que nas zonas de operação expressam o cansaço pela guerra e suas atrocidades, e evitam o combate esperançados num cessar total da guerra.

Aos que, desde posições transitórias de poder ministerial, uivam ameaças de aniquilamento à guerrilha, e anunciam novos contingentes de soldados para fazer a guerra; e aos que não creem que chegamos a Havana “porque é nossa concepção revolucionária, porque assim são nossos princípios”, como afirmou Alfonso, senão porque estávamos derrotados, lhes relembramos as palavras deste, em carta ao general Valencia Tovar: “Sustentar qualquer proposta na imagem que a propaganda oficial vende de umas FARC derrotadas, agoniadas de impúberes, sem apoio de massas, sem comunicações etc, não é sério. O general Valencia deve recordar como a mentirosa campanha midiática do governo dos Estados Unidos, por ocasião de sua agressão ao Vietnã, finalmente lhe recaiu contra”.

Na memória do comandante Alfonso Cano, nos crescemos de esperanças pela paz e em acompanhamento de colombianos que padecem as injustiças do regime. Nestes dois anos de ausência, nos inspirou sua clara mensagem: “os caminhos que conduzem ao incremento da luta popular em suas mais variadas formas e à conquista do poder nunca foram fáceis, nem em nosso país nem em nenhuma outra parte do mundo, nem agora nem antes. Só a profunda convicção na vitória, na justeza, validez e vigência de nossos princípios e objetivos e um monolítico esforço coletivo garantirão o triunfo. Aos reacionários que fazem contas alegres com as FARC, lhes informamos que a intensidade da confrontação nos tem fortalecido, estreitamos vínculos com as comunidades, suas organizações e as lutas populares, elevado a disciplina e o respeito pela população civil e incrementado nossa qualificação e aprendizagem. Têm caído guerrilheiros porque assim é a luta, porém também seu generoso sangue derramado é evidência de nosso total compromisso com o povo, outros camaradas já cobriram a trincheira e muitos mais continuam chegando às nossas fileiras, assim foram também a gesta de nossa independência e todos os processos libertadores da humanidade onde se desataram os demônios da guerra... Somos uma força revolucionária com suficiente história, solidez e consistência para superar o falecimento de nosso Comandante-Chefe, porque ele mesmo nos instrumentou e contribuiu no esforço coletivo de consolidação política e militar. O Secretariado, o Estado-Maior Central, os Estados-Maiores dos blocos e das frentes, os comandos de todo nível, os comandos e combatentes das FARC-EP garantiremos o triunfo”.

O legado do comandante Alfonso Cano sempre será estímulo para encontrar o fio mobilizador do país para as transformações que reclama. Seu exemplo na análise de cada conjuntura, sua convicção a toda prova, observando sempre o horizonte estratégico, e seu desprezo à ortodoxia nos obrigam a refletir sobre o método, o como poder mobilizar o compromisso do povo pelas mudanças que reclama este pútrido modelo em que agoniza a humanidade.

Memória eterna ao heroico comandante.


ESTADO-MAIOR CENTRAL DAS FARC-EP

terça-feira, 5 de novembro de 2013

AS SEIS PROPOSTAS DO DOUTOR ÁLVARO LEYVA DURÁN

La Habana, Cuba, sede dos diálogos de paz, 3 de novembro de 2013

No dia 21 de outubro próximo passado, o ex-ministro de Estado Álvaro Leyva Durán dirigiu aos plenipotenciários das partes na Mesa de Conversações de Havana uma carta aberta na qual, fazendo exercício dos direitos e dos deveres que constitucionalmente tem todo colombiano para contribuir para a busca da paz, pôs à consideração da Mesa seis importantes propostas que marcam possíveis rumos para fazer mais expedita a marcha para a solução política ao conflito interno colombiano.

O doutor Álvaro Leyva propõe valiosas iniciativas, tais como:

·        Blindar o processo de paz de eventuais interferências eleitorais.
·        Ambientar a rota da reconciliação com a materialização de um armistício sob a vedoria de ONU, UNASUR e CELAC.
·        Propõe às partes um convênio para avançar em trabalhos de retirada das minas anti-pessoa. Sugere abordar, também com participação internacional, a solução do problema das drogas ilícitas.
·        Propõe analisar fórmulas que permitam ampliar os alcances dos benefícios da paz a respeito dos atores da confrontação.
·        E retomando uma iniciativa das FARC, insiste em sua preocupação pelo esclarecimento da verdade e da responsabilidade em torno da história do conflito.

Leyva, um homem militante desde há 30 anos da causa da paz, encerra sua mensagem com o convite sensato às partes, aos setores da sociedade, aos meios de comunicação social a moderar a linguagem como necessário compromisso dos que, na verdade, anseiem a reconciliação.
Recebemos com muito interesse esta missiva em torno da qual estamos fazendo nossas análises para responder com sabedoria as expectativas que todo o país tem a respeito da saúde do processo e a possibilidade de concretizar um tratado de paz para a Colômbia. Convidamos novamente toda a cidadania a fazer-se partícipe ativa do processo de paz, fazendo chegar suas propostas à Mesa de Conversações. Reiteramos que para as FARC-EP a paz é uma construção coletiva, na qual todos os compatriotas temos muito o que dizer.


DELEGAÇÃO DE PAZ DAS FARC-EP

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Estados Unidos interceptaram comunicações das FARC: New York Times Interceptações

Segundo o informe que o diário apresenta, esta informação foi entregue ao Exército colombiano.

Num extenso informe que o diário New York Times apresenta, intitulado “Não há comida demasiada pequena para a faminta NSA”, no qual expõe vários casos emblemáticos nos quais a Agência de Segurança Nacional usou técnicas de espionagem, se assegura que a inteligência dos Estados Unidos teve acesso a informação detalhada sobre movimentos das FARC e proporcionou estes dados ao Exército.

“Os mecanismos de espionagem da agência, usando um avião do Departamento de Defesa que voava a 60.000 pés sobre a Colômbia, deram a localização e planos dos membros das FARC ao Exército da Colômbia”, assinala o diário.

No entanto, o jornal estadunidense assegura que o presidente Barack Obama e funcionários de corpos de inteligência defenderam o papel da agência na prevenção de ataques terroristas, porém os documentos deixam claro que o enfoque na luta contra o terrorismo é um argumento “mentirosamente estreito” para uma agência com uma agenda praticamente ilimitada, e cujas operações demonstram uma escala e uma agressividade impressionantes.

“Em milhares de documentos classificados, a Agência de Segurança Nacional surge como um onívoro eletrônico de capacidades assombrosas que recorre a chuçadas e pirataria em seu caminho para despojar aos governos e outros objetivos em todo o mundo de seus segredos, enquanto aplica o mais absoluto segredo sobre suas operações”, assinala o periódico.

Cabe relembrar que, durante o mês de julho, o diário O Globo, do Brasil, revelou que a Colômbia era um dos países mais espiados pelos Estados Unidos nos últimos cinco anos, depois de Brasil e México, através de chamadas telefônicas, correios eletrônicos e espionagem via satélite.

O New York Times afirma que essa agência de inteligência espia sistematicamente os amigos, assim como os inimigos, como foi revelado há vários meses, e durante as últimas semanas ficou claro que em sua agenda estão trabalhos como usar de seus poderes de vigilância para consquistar a “vantagem diplomática” sobre aliados como França e Alemanha e “vantagem econômica” sobre Japão e Brasil, entre outros países.

domingo, 3 de novembro de 2013

A duas semanas da eleição, Michelle Bachellet continua na frente

A candidata da aliança oposicionista Nova Maioria, Michelle Bachelet, se mantém como favorita para ganhar as eleições presidenciais do Chile, previstas para o dia 17 de novembro próximo, segundo pesquisas divulgadas neste domingo (3).



A sondagem, feita pelo instituto Opina Research por encomenda do jornal El Mercurio, aponta que 46,2 por cento dos eleitores se inclinariam pela ex-presidenta (2006-2010), enquanto apenas 21,7 por cento votariam na candidata da aliança direitista, a ex-ministra do Trabalho Evelyn Matthei.

Mais atrás, aparecem vêm o candidato independente Franco Parisi, com 7,9 por cento das intenções de voto e o líder do Partido Progressista, Marco Enríquez Ominami, com 7,2 por cento.

Outra pesquisa, divulgada em 29 de outubro passado, antes do início do último debate na televisão entre os candidatos, feita pelo Centro de Estudos Públicos - considerada como uma das sondagens eleitorais mais sérias – mostrou que Bachelet poderia ganhar já no primeiro turno. 

Para ganhar no primeiro turno, é necessário obter mais de 50 por cento dos votos.

Fonte: Prensa Latina

Análise de Fidel Castro sobre o Bogotaço

O comandante Fidel Castro Ruz estava no dia 9 de abril de 1948 em Bogotá e foi protagonista de primeira ordem no que se costuma chamar “O Bogotaço”. Acontecimento lutuoso e fatídico que se desenvolve como consequência do vil assassinato do doutor Jorge Eliécer Gaitán Ayala.

Vale destacar que o comandante Castro para então não era guerrilheiro, não era subversivo, não era anarquista, não era internacionalista, não era Comunista. Era estudante que liderava um encontro latino-americano paralelamente ao evento que daria como resultado a fundação da Organização dos Estados Americanos, OEA.

No entanto, o governo nacional de Mariano Ospina Pérez não duvidou em afirmar que o assassinato do líder liberal era obra do comunismo internacional e Fidel Castro Ruz esteve a ponto de ser detido e acusado deste magnicídio que, tempos depois se pôde estabelecer, foi obra da CIA em contubérnio com a burguesia liberal-conservadora, em desenvolvimento do plano “Pantomima”.

Resulta impressionante e histórico o papel jogado nesta lutuosa data pelo jovem estudante cubano. No entanto, nesta nota queremos destacar as lições política que o líder da revolução cubana sacou. Os ensinamentos através de uma análise crítica, aguda e científica de um estudante que arrisca sua vida pela causa nobre dos povos.

Uma síntese dessa análise sucinta é contada pela jornalista cubana Katiuska Blanco Castiñeira, quem o plasma magicamente no livro intitulado: “Guerrillero del Tiempo, Fidel Castro Ruz” [Guerrilheiro do Tempo, Fidel Castro Ruz]. Suas reflexões têm singular valor para compreender o momento e projetar o futuro do povo colombiano e latino-americano, certamente.

O primeiro que há que assinalar é o impacto que experimenta Fidel sobre uma explosão social. Sabia em teoria, porém não na prática. Diz:

“Eu havia vivido as revoluções, as insurreições e os grandes acontecimentos históricos nada mais que nos livros, e havia vivido muitas lutas, manifestações de estudantes em Cuba, havia participado na expedição de Cayo Confites, porém não havia visto uma explosão social, revolucionária. Foi aquela a primeira explosão que vivi”. [i]

Apreciou a explosão social, avaliou as arbitrariedades, a desorganização, a incapacidade e covardia da classe dirigente, a traição, a falta de cultura política, a posição vandálica e o massacre da burguesia liberal-conservadora:

“Em tal época tinha ideia, porém livresca totalmente, em teoria, do que era uma insurreição. Aquilo foi mais bem uma explosão, uma rebelião total do povo, e vi em ação todos os fatores, toda a psicologia, todas as leis das massas desatadas, vi tudo o que ocorre numa situação assim. Também vi todos os erros cometidos, de um país sem direção, um movimento sem direção; vi a atitude dos líderes políticos, como atuaram naquele momento, tão mediocremente que, inclusive, traíram ao próprio povo liberal, ao próprio povo gaitanista. Vi a fraqueza de todos aqueles políticos, vi os erros dos chefes militares dentro daquela situação. Pude apreciar também o terrível que resultava a falta de uma cultura política e de uma disciplina, quando o povo traduz sua indignação num espírito destrutivo. Primeiro foi destrutivo, o povo primeiro não queria levar nada e, em seguida, até vandálico”.[ii]
Fidel Castro caracteriza dois momentos bem definidos nesta explosão social que estremeceu a Colômbia e Latinoamérica. São dois momentos que desenvolve a massa inflamada, sem organização e formação política. Uma é a de destruir tudo que represente Estado e a outra a de apoderar-se de quanto encontra em sua passagem, transbordando-se num verdadeiro vandalismo. Tudo isso facilitou a repressão do governo conservador com o aval dos dirigentes liberais:

“A primeira reação das massas, da multidão, foi destruir; destruir o que constituísse um escritório oficial, uma loja, um comércio. Parecia como se vissem ao inimigo em tudo o que fosse representação oficial daquelas propriedades. Inicialmente, a atitude da massa irritada, indignada, ao conhecer a morte de Gaitán, não foi roubar, não foi saquear, foi destruir. Depois, o povo transformou o espírito destrutivo num espírito de tomar posse de tudo, apoderar-se de tudo, saquear. É lógico que ocorra algo assim numa população tão pobre que, de repente, viu que desapareceram as portas e as vidraças e que os bens estavam aí ao seu alcance. Isso prova falta de uma consciência e cultura política nas massas”.[iii]

Não pôde a multidão interpretar o momento para tomar o poder e mudar o triste rumo de miséria e exploração a que era submetida pela classe dominante. Seu analfabetismo político se expressou nesses dois elementos bem definidos pelo comandante Castro Ruz:

“As massas analfabetas, exploradas, confundidas, enganadas, não viram a luta como um instrumento para mudar seu destino, e ali se transformou o espírito antigovernamental em espírito destrutivo e de saqueio. Imagino que muitos se dedicaram a saquear e muitos a lutar”.[iv]
Aquele dantesco e doloroso acontecimento o compara o comandante Fidel com a concepção que tem da revolução francesa. Encontra analogias e as manifesta publicamente:

“Também foi a primeira vez que vi colunas, massas de povo sublevadas, misturadas, típicas da revolução francesa; quando as massas com ferros, pás, facões e fuzis, com tudo, se reuniam, atacavam, assaltavam. A tomada da estação foi como a tomada da Bastilha, imagino que assim foi a da Bastilha: Chegou uma multidão, entrou na Bastilha um dia e a destruiu. Assim foi como tomaram aquela e várias estações de polícia. Foram as massas, em colunas, porque, por alguma lei psicológica, sem que ninguém as organizasse, às vezes se reuniram até cem pessoas e iam numa direção, e se iam somando mais. Ninguém os organizou”.[v]

Um acúmulo de ensinamentos práticos extraiu o comandante Fidel do insucesso apresentado em Bogotá o 9 de abril de 1948, que haveria de utilizar em sua luta contra o ditador Fulgêncio Batista e na construção do socialismo em sua pátria. Analisa detalhe por detalhe, ponto por ponto. Detecta a fragilidade política, a falta de consciência, tática militar e a traição dos chefes de multidão:

“Vi também a falta de organização. Pude apreciar as fragilidades políticas que significavam a falta de uma consciência, a ausência de chefia e de tática militar. Observei tudo. Foi vital para mim. Meditei muito sobre tudo e creio que me ensinou extraordinariamente”.[vi]

Comprovou algumas ideias importantes que tinha sobre estratégia militar, adquiridas através da intuição e da obstinada e analítica leitura:

“Em Bogotá sustentei ideias militares corretas, tiradas da experiência do lido e de uma certa intuição. Disse: ‘Alguém não deve deixar-se sitiar, há que sair, há que atacar. Esta estação é muito vulnerável se o inimigo toma as alturas, há que defender as alturas’. Quer dizer, em cada momento eu tinha uma ideia clara do que havia que fazer. E o ocorrido depois confirmou isso totalmente”.[vii]

Porém, há algo mais que dimensiona com sutileza o comandante Fidel Castro Ruz: A traição. A forma miserável como Darío Echandía e seu grupo putrefato negociam o precioso sangue de Gaitán, de costas para o país nacional, de costas para o povo liberal:

“Também me ensinou a fraqueza, a superficialidade, a falta de lealdade dos líderes políticos burgueses, pela forma em que foram capazes de trair o povo, fazer pactos e arranjos à revelia do povo. Creio que esta é a impressão fundamental que recebi. A partir da referida experiência, decidi estudar a fundo estes problemas”.

 Tradução: Joaquim Lisboa Neto

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Estados Unidos espionaram Bergoglio durante o Conclave


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A Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos (NSA) espionou as conversas telefônicas na Cidade do Vaticano e também as que ocorreram na residência onde se hospedou o cardeal argentino Jorge Bergoglio, antes do Conclave que o elegeu Papa, segundo o próximo número do semanário italiano “Panorama”.



A reportagem é publicada por Religión Digital, 30-11-2013. A tradução é do Cepat.


Segundo o semanário, que cita documentos que teriam sido acessados pelos ex-técnico da CIA, Edward Snowden, entre as 46 milhões de conversas telefônicas que se diz que a NSA interceptou na Itália, muitas delas se localizavam na Cidade do Vaticano.


O semanário “Panorama”, que adiantou uma parte da informação que publicará em seu número à venda na próxima sexta-feira, fala de um período de 10 de dezembro de 2012 a 8 de janeiro de 2013, mas “que se suspeita” que a espionagem continuou após ser conhecido o anúncio da renúncia ao pontificado do papa Bento XVI, que se efetivou no dia 28 de fevereiro.


O semanário de informação geral acrescenta que a espionagem ocorreu durante todo o Conclave para escolher o novo Papa.



quarta-feira, 30 de outubro de 2013

“A hegemonia dos EUA tem os dias contados”, afirma um dos mais influentes analistas de geoestratégia do império


Zbigniew Brzezinski, um dos mais influentes analistas de política exterior dos Estados Unidos, considerado, ademais, como dos maiores intelectuais orgânicos do império, disse, numa conferência oferecida dias atrás na Escola de Estudos Internacionais Avançados [SAIS, por sua sigla em inglês] da Universidade Johns Hopkins, que a hegemonia mundial dos Estados Unidos tem os dias contados.



Segundo esse politicólogo polaco-estadunidense, que foi conselheiro de Segurança Nacional do presidente Jimmy Carter [1977-1981] e assessor da campanha de John F. Kennedy que o levou à Casa Branca, desde a implosão da União Soviética, os Estados Unidos “não ganhou nenhuma guerra”. Suas teses recentes implicam uma drástica revisão do otimismo que exalava seu livro anterior, El Gran Tablero Mundial [O Grande Tabuleiro Mundial], e coincidem com as análises daqueles que, desde a América Latina, faz já um bom tempo vêm formulando prognósticos em torno da declinação do poderio global norte-americano.


A dominação dos Estados Unidos, que, depois da Guerra Fria, determinava a agenda internacional, terminou e não poderá restabelecer-se durante a vida da próxima geração, precisou em sua conferência Brzezinski.


Nenhuma das potências pode alcançar a hegemonia mundial nas condições atuais, pelo que os Estados Unidos devem eleger melhor os conflitos nos quais vai participar, já que as consequências de um erro poderiam ser devastadoras, declarou o influente politicólogo, primeiro diretor da Comissão Trilateral, uma organização internacional privada fundada por iniciativa de David Rockfeller, para fomentar uma maior cooperação entre EUA, Europa e Japão.


É certo que nossa posição dominante [na política internacional] não é a mesma que a de há 20 anos”, declarou Brzezinski durante sua conferência, e destacou que, desde 1991, os Estados Unidos, em seu status de potência mundial, “não ganhou nem uma só guerra”.


O [politicólogo] considerado um dos mais influentes especialistas em política exterior, e que durante décadas configurou o curso geoestratégico de Washington, assinalou que aos Estados Unidos chegou a hora de entender que o mundo contemporâneo é muito mais complicado e mais anárquico que nos últimos anos depois da Guerra Fria, pelo que a “acentuação de nossos valores, assim como a convicção em nossa ‘excepcionalidade’ e nosso universalismo são, pelo menos, prematuros desde o ponto de vista histórico”.


28 de outubro de 2013.


Tradução: Joaquim Lisboa Neto


Suprema Corte da Argentina declara constitucional Lei de Meios Audiovisuais


 A Suprema Corte da Argentina declarou constitucional a Lei de Meios Audiovisuais. Aprovada em 2009 pelo Congresso, de maioria governista, a legislação foi questionada na Justiça pelo Grupo Clarín – o maior conglomerado de comunicação do país e principal crítico ao governo da presidenta Cristina Kirchner.

O governo argumenta que a lei democratiza a informação, porque limita os monopólios. Já os advogados do Grupo Clarín, representantes de outros meios de comunicação e da oposição alegam que o governo quer usar a legislação para impedir as críticas.
A Suprema Corte entendeu que a Lei 26.522 é constitucional, pois regula a multiplicidade de licenças de modo geral, o que é uma atribuição do Congresso e "cuja conveniência e oportunidade não se trata de matéria de análise dos juízes", informou a agência de notícias públicas Telam.
A Corte acrescentou “é legítima uma lei que fixe limites gerais a priori, porque dessa maneira se favorece a liberdade de expressão ao impedir a concentração de mercado".
Vinte e um grupos de comunicação foram comunicados de prazos para apresentar propostas e reduzir seus ativos, sendo que 20 aderiram à norma. O Clarín recorreu à Justica por considerar alguns artigos inconstitucionais. O grupo contestou os artigos que estabelecem que as licenças são intransferíveis, restringem a quantidade de licenças, retira o direito adquirido de empresas que têm licenças acima do permitido e o prazo de um ano para se adaptar à lei.
A Câmara Federal Civil e Comercial concedeu uma liminar até que a Suprema Corte se pronunciasse sobre o caso. A decisão foi anunciada hoje (29).
Foi uma grande notícia para a democracia”, disse Martin Sabatella, o presidente da Autoridade Federal de Serviços de Comunicacão Audiovisual (Afsca), responsável pela implementação da lei.
Advogados do Grupo Clarín informaram que irão examinar as 392 páginas da decisão da Suprema Corte, antes de se pronunciar.
Com a Lei de Meios, o Clarín terá que se desfazer de vários ativos. O grupo tem 237 licenças de TV a cabo, quantidade considerada dez vezes mais que o permitida pela lei; que abrangem 58% da população (o limite previsto pela lei é 35%).
*Com informações da Telam