"A LUTA DE UM POVO, UM POVO EM LUTA!"

Agência de Notícias Nova Colômbia (em espanhol)

Este material pode ser reproduzido livremente, desde que citada a fonte.

A violência do Governo Colombiano não soluciona os problemas do Povo, especialmente os problemas dos camponeses.

Pelo contrário, os agrava.


segunda-feira, 20 de abril de 2009

A condenação de Fujimori

Por Juán Diego García.


A condenação de Alberto Fujimori é destacada como um feito excepcional porque rara vez um ex-presidente é acusado por crimes cometidos em nome do Estado.

Se assume, com boa doses de cinismo, que o sistema tem “tubulações” e o terrorismo de Estado se justifica sempre em nome dos grandes interesses da coletividade ou, como mal menor ou necessário, pelos quais o governante se vê impelido, ainda que "contra sua vontade" a violar a lei. Com isso todo o edifício jurídico se vê afetado e se abre a porta da impunidade às condutas mais sinistras.

Em realidade, poucos governantes podem dizer que respeitam rigorosamente a legalidade sem incorrer em esse tipo de delitos amparados pela imunidade que concede o cargo; ademais, sempre se afirmou que tais práticas eram próprias das ditaduras tropicais, do fascismo europeu ou do sistema comunista. Porém, todas as chamadas democracias burguesas consolidadas têm incorrido ou incorrem nesse tipo de crimes ou propiciam-los, para não mencionar os horrores das guerras imperialistas e o crime atroz do colonialismo. Por muitos motivos mais governantes dos que se pensa deveriam, como Fujimori, sentar-se no banco dos acusados; nesse caso, todos aqueles que dentro e fora de Perú se beneficiaram desse "pacificador eficaz" que a sangue e fogo exterminou a guerrilha de Sendero Luminoso, o movimento Tupac Amaru e, de passo a oposição sindical e social, garantindo à burguesia crioula e às transnacionais um lugar ideal para investir e saquear. Tão condenável resulta, então, apoiar o crime como cometer-lo e sempre será mais responsável quem induze ao delito que o próprio autor material do mesmo. Esse ditador não atuou pela sua conta e risco porque participaram, não só os grupos privilegiados do Perú, mas seus amigos dos governos regionais (não muito diferentes de esse) assim como as potências capitalistas, todos eles encantados de ter um agente tão eficaz em defesa de seus interesses.

¿Por que foi a parar o ditador nas grades?. Simplesmente, errou na jogada porque pensou paralisar o país com uma enorme manifestação em seu favor e sair vitorioso dessa prova. Mas, acontece que diversas forças associaram-se para neutralizar seu intento e pedir que fosse levado ante o Supremo Tribunal e condenado. Seu apoio popular era uma fantasia bem menor que o amplo setor que sofreu em carne própria a repressão e o terror oficial. Ademais, em sua contra agiu aquele setor do poder judicial que antes foi humilhado por ele quando ditador; são esses mesmos juízes que agora o condenam, carregados de razões e provas contundentes. Foi enfraquecido, mais ainda, pela traição de seus antigos aliados da velha oligarquia de Lima, branca e rascista, a mesma que, ainda, controla o poder em todas suas instâncias. Esse poder, agora, joga o Fijimori nas trevas.. ¿Onde estarão agora todos aqueles que no Ocidente democrático apoiaram-lhe alvoroçados?. ¿Se confirma aquilo de que nesses assuntos não há amigos, mas interesses ?.

Esse fascismo crioulo corre a mesma sorte que o fascismo tradicional. Nunca se julgará os grandes empresários que estão detrás de todas estas formas patológicas do capitalismo. Tal destino está reservado para esses chefezinhos grotescos que berram nas ruas, enganam as massas e organizam as campanhas de extermínio do "inimigo interno". Assim foi Fujimori, hoje levado a menos e cujo único argumento tem sido que tão criminais como ele são Alan García e demais governantes anteriores a ele, pois também assassinaram e massacraram pessoas humildes e opositores incômodos. E tem razão, só que os crimes cometidos por outros não tiram a responsabilidade dos próprios.

A comparação com o fascismo pode ser muito discutível, mas, nem tanto a semelhança da base social que sustenta esses projetos: determinados setores da pequena burguesia que crescem em torno das forças armadas e da polícia, determinados segmentos do funcionalismo, ofícios muito típicos que favorecem o trabalho duro e pouca paga, setores populares muito afetados pela ignorância e o sectarismo, novas capas de burgueses arribistas e praticantes fervorosos do utilitarismo do “todo vale” e, naturalmente, as capas descompostas imersas na delinqüência, que de forma geral, terminam convertidaa em força de choque do projeto fascista. Basta observar as forças dinâmicas da ultra direita na Europa; são as mesmas do fascismo crioulo, as hordas de apoio dos militares argentinos, Pinochet, Somoza ou qualquer dos outros ditadores tradicionais ou modernos do continente latino-americano.

Tampouco faltam quem, com sobrados motivos, vejam Álvaro Uribe Vélez como uma espécie de caricatura do ditador peruano e auguram para o pequeno caudilho de Bogotá a mesma sorte de Fujimori. E as semelhanças não faltam: por trás do governo da “segurança democrática” estão os mesmos que apoiaram com entusiasmo o “Chino”: a velha oligarquia, as transnacionais e os “governos democráticos” que se desfazem em elogios ante os êxitos na luta contra a subversão e o comunismo (agora “terrorismo”) e esfregam-se as mãos ante tão alentadores panoramas de inversão. Amanhã, calara-se-ão discretamente e aquilo que hoje é são “êxitos” converte-se-ão, então, em “crimes atrozes que não podem ser perdoados”.
¡Quão parecidos são os paramilitares colombianos com as “rondas campesinas” que semearam o terror junto às forças armadas de Perú!. ¡Quão similares os “falsos positivos” de Uribe Vélez com os assassinatos de inocentes estudantes e professores pelos quais Fujimori acaba de ser condenado a 25 anos de prisão!.

Si tais premonições se cumprem, Uribe Vélez defender-se-á alegando que ele não fez nada diferente do atuado por governos anteriores; que não fez mais que defender os interesses da velha oligarquia, abri-lhe passo às novas camadas de burgueses “emergentes” (senhores da droga e da moto-serra), limpar o país de comunistas e até de liberais convencidos do ideário humanista (¡tão incômodos!) e sobre tudo defender os interesses do grande capital internacional. E, também não carecerá de razão. Claro que, comparado com os crimes da “segurança democrática” de Uribe, o legado de sangue que deixa Fujimori parece cosa de crianças. E 25 anos de castigo para Uribe seriam poucos.

domingo, 19 de abril de 2009

Países da ALBA...

...condenam terrorismo na Bolívia e apóiam mudanças.

Uma resolução da reunião de presidentes dos países da Alternativa Bolivariana para América Latina (Alba), condenou na Sexta Feira na cidade venezuelana de Cumaná a presença de células terroristas na Bolívia e manifestou seu apóio ao processo de mudanças impulsionado pelo presidente Evo Morales.

O documento assinado pelos nove países de América Latina expressa "sua mais enérgica condena, à presença e acionar de grupos terroristas internacionais e nacionais, que pretendem semear o caos e incluso, consumar um magnicídio no Estado Plurinacional de Bolívia".

O texto da resolução da Alba foi lido pelo presidente de Venezuela, Hugo Chávez, na reunião realizada na cidade de Cumaná, situada a 402 quilômetros a este de Caracas.

Assim mesmo, os presidentes da Alba aplaudiram o caminho democrático que os bolivianos elegeram, com a aprovação da Nova Constituição Política do Estado e a Lei de Regime Eleitoral Transitória, que guiará as eleições gerais de dezembro próximo.

La resolução foi assinada pelos presidentes de Cuba, Dominica, Equador, Honduras, Nicarágua, Paraguai, San Vicente e as Granadinas e Venezuela, ademais de Bolívia.

sábado, 18 de abril de 2009

Prova de fogo de Obama

Por Atilio A. Boron

A iminente cúpula das Américas colocará à prova a seriedade das palavras pronunciadas por Joseph Biden na "Cúpula do Progressismo", sediada em Viña del Mar, em finais de março. Nesta oportunidade, o vice-presidente dos Estados Unidos disse que "acabou a época em que dávamos ordens". O curioso é que, em que pese as tão promissoras palavras, Biden foi muito enfático ao afirmar que continuaria o bloqueio contra Cuba, próximo de cumprir meio século de vida. Como conciliar ambas as colocações? A Casa Branca diz, por meio de seu qualificado porta-voz, que deseja instalar na região um clima de diálogo, respeito e compreensão; mas, simultaneamente, revela que não está disposta a pôr fim a um bloqueio criminoso e ilegal que recebe desde há décadas o repúdio universal. Qual dessas duas afirmações representa a política de Barack Obama para nossa região?

Com sua enigmática declaração, Biden fortalece a impressão de que a administração Obama não parece muito preocupada em se diferenciar de seu antecessor. As grandes orientações da política externa de George W. Bush gozam de muito boa saúde nas duas áreas estratégicas da Casa Branca: guerra e economia. Na primeira, tendo não só ratificado em seu cargo o falcão Robert Gates como secretário de Defesa, mas também reforçando a presença militar estadunidense no Afeganistão e Paquistão, enquanto que a prolongada estadia de suas tropas no Iraque parece destinada a converter esse sofrido país num eterno enclave neocolonial norte-americano. No tocante à economia, a equipe de assessores e especialistas selecionada por Obama reúne os cérebros que conceberam e levaram à prática a radical desregulamentação do sistema financeiro dos anos 90, causadora da fenomenal explosão da bolha especulativa no verão boreal de 2008. O que se sabe de gente como Robert Rubin, Lawrence Summers, Timothy Geithner e Paul Volcker é que lhes caracteriza uma irredutível fidelidade ao neoliberalismo e aos interesses que este representa: o capital financeiro e os gigantescos oligopólios norte-americanos. Sua presença na nova administração dos democratas manifesta seu pertinaz empenho em restaurar a situação existente antes do estouro da crise, aplicando o mesmo remédio que resultou na atual débâcle. Havia outros economistas que, desde uma perspectiva crítica e ao mesmo tempo realista, poderiam ter assessorado muito melhor Obama: mencionemos apenas dois, Paul Krugman, Prêmio Nobel de Economia em 2008, e Joseph Stiglitz, que obteve o mesmo galardão em 2001. Porém, Obama preferiu depositar confiança nos desgastados gurus do neoliberalismo, com o que se esvaem as esperanças de uma saída razoavelmente civilizada para a crise atual. O show midiático montado dias atrás pelo G-20 em Londres não permite pensar em outra coisa.

Sob tais condições, as declarações do novo governo estadunidense no sentido de flexibilizar algumas restrições em matéria de viagens e visitas de familiares a Cuba merecem um aplauso, mas a manutenção do bloqueio econômico à Ilha é absolutamente inaceitável e deve ser condenada sem atenuantes. Isso assinala, inequivocamente, a magnitude do hiato que separa o Obama da campanha eleitoral do Obama ocupante da Casa Branca. Agregamos também o abismo que separa as ilusões dos cultores da "obamania" em muitos países da região e fora dela, principalmente na Europa, das políticas que aquele está levando a cabo em sua inescapável condição de chefe do império. Suas promessas de revisar a política anticubana que os sucessivos governos da Casa Branca instalaram desde os próprios inícios da Revolução parecem destinadas a serem levadas pelo vento. Até agora, o que se notam são gestos dirigidos a maquiar o bloqueio, mas nada mais. Um bloqueio que, convém lembrar, é econômico, comercial, financeiro, migratório (pela canalhesca "Lei de Ajuste Cubano") e informático, impedindo a Ilha de acessar bandas de internet de alta velocidade.

A obstinada manutenção dessa situação é um sintoma revelador de surpreendentes patologias políticas que entorpecerão a gestão inovadora que deveria ter um presidente estadunidense enfrentado com uma crise como a atual. Quais patologias? Vejamos: em primeiro lugar, a de uma superpotência imperialista que, no lugar de definir sua política externa em função de interesses nacionais e critérios globais, mantém uma agressiva política contra um país, Cuba, que de maneira alguma ameaça sua segurança nacional. O resultado foi um aprofundamento do descrédito dos EUA na arena internacional, a irritação dos governos e populações do hemisfério e uma sensível perda de influência na região, posta em evidência pelo espetacular fracasso da ALCA, ignominiosamente sepultada na cúpula anterior de presidentes, que se deu em Mar del Plata, em 2005. Qual foi o pecado de Cuba? Algo imperdoável para os amos do império: ter lutado exitosamente pela sua autodeterminação e por sua dignidade, livrando-se das cadeias que a jogaram primeiro no colonialismo espanhol e depois no imperialismo norte-americano. Por isso se castiga a Ilha brutalmente, como uma punição diante de sua ousadia e como uma lição a quem sonhar imitá-la. No entanto, o tempo se encarregou de demonstrar que tal política só conseguiu alimentar o sentimento anti-imperialista das massas e criar as condições para o surgimento de uma série de governos de esquerda e centro-esquerda que, por distintas razões, frustraram o sonho americano de uma América Latina submetida aos desígnios da ALCA.

Em segundo lugar, os EUA se apresentam como um curioso país que, pelo dito mais acima, não tem uma, mas duas políticas externas: uma para Cuba e outra para o resto do mundo. Em matéria migratória, a "Lei de Ajuste Cubano" concede o Green Card a qualquer cidadão cubano que pise solo norte-americano; para o resto do mundo, no entanto, existem complicadíssimos trâmites de imigração. O migrante haitiano ou dominicano que arrisca sua vida atravessando o Caribe em frágeis embarcações será preso e devolvido ao seu país de origem em caso de ser pego; o cubano, por sua vez, uma vez que pisa o solo estadunidense automaticamente passa a desfrutar de todos os benefícios que se concedem aos imigrantes legais. No caso da fronteira sul dos EUA, a perseguição aos mexicanos ou centro-americanos sem documentos é implacável: não só se levantou um infame muro na fronteira asteca-estadunidense, como também estão à vista a caça a "la migra" e os massacres dos vigilantes das fronteiras, tudo contrastando odiosamente com o trato privilegiado que se dá aos imigrantes cubanos. Outro exemplo de patologia política: o Departamento de Estado condena incansavelmente o regime de partido único de Cuba, denuncia os supostos déficits de sua "qualidade institucional" e proclama abertamente a necessidade de produzir uma "mudança de regime", eufemismo para se referir à concretização da contra-revolução. Porém, essa política, com sua definição de princípios, contrasta chamativamente com as fraternais relações que Washington cultiva com a Arábia Saudita, país no qual os partidos políticos são proibidos, o despotismo monárquico é absoluto e a democracia uma quimera; contrasta também com as intensas relações econômicas forjadas com países como China e Vietnã, cujos sistemas de partidos são muito similares ao que existe em Cuba. Qual a razão de tamanha discriminação, de colossal inconsistência da política exterior norte-americana? Não há razão alguma, só a chantagem de um lobby mafioso, ante o qual Washington se prostra desonrosamente.

Terceira patologia: o bloqueio revela que Cuba ocupa um lugar especialíssimo no imaginário da classe dominante estadunidense. Apesar do tempo transcorrido, seus integrantes e seus representantes políticos não se conformam por ter perdido Cuba e insistem em recuperá-la, em se apropriar dela apelando a qualquer recurso. Cuba é sua doentia obsessão, sentem-na como um troféu de guerra – de uma guerra em que os patriotas cubanos haviam derrotado o poder colonial espanhol e que depois os EUA, com sujas artimanhas, arrebatou-lhes a vitória – e em nome dele são capazes de qualquer coisa. Quase meio século de bloqueio é um fenômeno que não tem paralelo na história do imperialismo. Impérios anteriores, desde Esparta e Roma até hoje, sitiaram por um tempo algumas cidades. Mas sustentar um bloqueio integral como o de que padece Cuba é algo sem precedentes na história da humanidade. Constitui uma monstruosidade, uma verdadeira aberração e uma imperdoável imoralidade. A manutenção de uma política que fracassou ostensivamente, que terminou por ilhar os EUA, só pode ser compreendida como sinal da decadência da classe política norte-americana. Com a iminente reabertura das relações diplomáticas com a Costa Rica e El Salvador, os EUA serão o único país do sistema interamericano que não tem relações com Cuba. Como sustentar uma política que não só fracassou em promover a tão desejada "mudança de regime" como também converteu os EUA em um tipo de pária do sistema internacional, quando, na última votação da Assembléia Geral da ONU, o bloqueio foi condenado por 185 dos 192 países membros da organização?

Consequentemente, se Obama quer dar um novo começo à relação com a América Latina e o Caribe, há um primeiro passo inevitável: levantar total e incondicionalmente o bloqueio e iniciar de imediato conversas para normalizar a relação com Havana. Deve reconhecer que Cuba não está isolada e que quem o está são os EUA. Com o transcorrer dos anos o prestígio de Cuba se agigantou, porque, sendo um país pequeno, demonstrou uma notável coerência e fortaleza em sua política externa. Cuba ajuda mais que os EUA aos povos de nossa América e, em geral, do terceiro mundo; e o faz com seus médicos, seus alfabetizadores, seus técnicos, seus treinadores esportivos e seu amplíssimo programa de cooperação científica e técnica, com cerca de 100 países. Cuba dá, enquanto os EUA tiram. E a exemplar resistência cubana granjeou o respeito da comunidade internacional, e muito especialmente dos povos e governos da América Latina e Caribe, quaisquer sejam suas orientações políticas. Os governantes que acudirão ao encontro de Trinidad e Tobago não poderão aprofundar as relações de cooperação com a Casa Branca em matérias como a migração, o narcotráfico, o terrorismo e tantas outras, a menos que se remova pela raiz o obstáculo da retirada do bloqueio a Cuba. Do contrário, pagarão um enorme custo político e poderão ser desalojados do governo mais cedo que tarde. Há vários exemplos recentes que ilustram a afirmação.

Demorar no cancelamento do bloqueio só servirá para prejudicar o interesse nacional dos EUA e dos numerosos indivíduos e empresas deste país, sacrificados em aras de um lobby como o aglutinado pela Fundação Nacional Cubano-americana, que é uma verdadeira vergonha para a política norte-americana. Isso está se tornando cada vez mais óbvio para uma parte crescente da dirigência política local. A carta que o senador Richard Lugar enviara ao presidente Barack Obama em 30 de março deste ano é bastante eloqüente. Nela, o senador de Indiana diz que a política dos EUA em relação a Cuba fracassou e que, devido a isso, "nossos interesses políticos e de segurança mais globais" estão sendo socavados, o que requer uma "transição nas relações cubano-estadunidenses". E o momento seria agora mesmo: a Cúpula das Américas. Richard Lugar agrega que a política seguida pela Casa Branca contrasta gritantemente com o amadurecido relacionamento dos países da América Latina e Caribe com a ilha. As recentes declarações anunciando planos de restabelecer as relações diplomáticas com a Costa Rica e El Salvador, a série de visitas a Havana dos presidentes de Equador, Bolívia, Venezuela, Chile, Argentina, Brasil, Haiti, República Dominicana, Guatemala, Nicarágua e Honduras, e vários mais da região caribenha, e a incorporação de Cuba ao Grupo do Rio demonstram, em seu juízo, a solidão em que caíram os EUA e a União Européia, assim como a ONU, que aprovou uma resolução muito amplamente referendada pelos demais países condenando o embargo dos EUA durante os últimos 17 anos. "Para o resto do mundo", continua Lugar, "nosso atual enfoque desafia toda a lógica: ainda durante os mais ásperos momentos da Guerra Fria, os canais diplomáticos diretos com a ex-União Soviética jamais foram cortados". Agregaríamos: como é possível que os EUA mantenham conversas com países como Irã e Coréia do Norte e se neguem terminantemente a fazê-lo com Cuba? Como justificar tão doentia fixação?

A mensagem de Lugar é suficientemente clara: em uma época de crise como esta a Casa Branca não pode se dar o luxo de seguir sendo vista com enorme receio por povos e governos da região. Sua credibilidade internacional como uma potência que se arrogou a missão de promover a paz, a liberdade e a democracia se desvanece irreparavelmente pela sua política anticubana, à parte de tantas outras. A intenção de Obama de ser visto como uma radical na renovação da política estadunidense ficaria em palavras vazias de conteúdo se seu governo não produzir, agora mesmo, uma radical retificação de sua política com a ilha, cujo primeiro passo é o imediato encerramento do bloqueio (que nos EUA preferem denominá-lo, espertamente, de embargo, conscientes do repúdio universal que concita tal política). Por outro lado, não deveria escapar da atenção dos estrategistas norte-americanos que a imprescindível melhora nas relações entre os EUA e os países da América Latina – imprescindível, digamos, dada a inédita debilidade da superpotência, diante das aventuras militares sem rumo no Iraque e Afeganistão e brutalmente golpeada pela crise econômica – se veria negativamente influenciada pela manutenção do bloqueio. Todos os países da região, mesmo aqueles governados por partidos ou coalizões de direita, se manifestaram contra o bloqueio e, para Washington, seria impossível conferir credibilidade à sua promessa de fundar um novo padrão de relações interamericanas se, ao mesmo tempo, preserva uma retórica e uma política inspiradas no apogeu da Guerra Fria. Não só se prejudicam os interesses econômicos ianques como também se atenta contra a credibilidade global de sua política exterior.

Em outras palavras, as boas relações no âmbito interamericano deverão se construir sobre a base de gestos e iniciativas concretos que demonstrem a seriedade das intenções da Casa Branca, sua capacidade real para produzir políticas inovadoras e os alcances de seu apregoado compromisso com a ordem hemisférica baseada no diálogo e o respeito mútuo. Os governos da América Latina e Caribe que comparecerão à Cúpula de Trinidad e Tobago sabem que, sem acabar com o bloqueio, a nova ordem que Washington pretende construir será inviável, estará morta antes de nascer. Apesar de sua ausência, Cuba terá um papel estelar nesta reunião e nossos governos deverão atuar com grande firmeza e coordenadamente para exigir o fim do bloqueio; caso contrário, serão co-participantes do fracasso, pagando um alto preço em seus respectivos países. Em Port of Spain Obama se defrontará com a hora da verdade. Sua conduta neste conclave será a prova de fogo que colocará a nu se está ou não à altura dos desafios que lhe impõe a história. E isso não só em relação à questão cubana, mas também diante dos gravíssimos obstáculos que brotam da crise geral do capitalismo.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Saudação das FARC-EP

Quinta Cúpula das Américas.

Trinidad e Tobago

Saudamos a Quinta Cúpula das Américas com a esperança de que os novos ventos que anunciam a solução diplomática dos diversos conflitos alcancem esta parte do mundo e que as relações entre nossos países e povos assumam uma nova dimensão no marco de uma multipolaridade genuinamente solidária e pulcra no respeito à soberania das nações.

O conflito social e armado que açoita à Colômbia desde há mais de 60 anos e que afeta a convivência continental, afunda suas raízes na sua secular dependência da metrópole, na voracidade dos latifundiários, nos abismos sociais, assim como também na prática sistemática do assassinato político que enloda a história nacional desde as épocas da conspiração setembrina contra o Libertador Simón Bolívar no ano de 1828, caso único em América Latina, onde a oligarquia tem feito da eliminação física de seus opositores uma vergonhosa e permanente ferramenta para perpetuar-se no poder.

A aplicação da Doutrina de Segurança Nacional desde meados do século passado, aprofundou as diferencias internas e estimulou a violência política institucional e para institucional dando origem ao levante popular de resistência que desembocou posteriormente na conformação e consolidação de movimentos revolucionários político-militares com propostas programáticas para a construção de um novo regime que supere as injustiças e a barbárie e que possa lançar nosso povo rumo aos horizontes de grandeza sinalizados já pelo Libertador.

Os cimentos do conflito colombiano são, então, de caráter político-social e uma estratégia de superação deve centrar esforços em tal realidade.

Convidamos a Quinta Cimeira a contribuir na procura de caminhos civilizados de superação do conflito colombiano e no imediato, à concreção de um Acordo Humanitário que possibilite um Intercâmbio de prisioneiros de guerra e trabalhe por proteger a população civil dos efeitos da confrontação militar.

Fazemos votos por avanços significativos que terminem definitivamente com o infame bloqueio à República de Cuba, por decisões nos términos do intercâmbio privilegiando com os países mais fracos, por avanços na luta contra o narcotráfico, entendendo o tema dos entorpecentes mais como um fenômeno social e de saúde pública do que policial, assim como medidas concretas que protejam a biodiversidade e o clima, da irracionalidade existente hoje.

Secretariado do Estado Maior Central das FARC-EP
Montanhas da Colômbia, 15 de abril de 2009

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Comunicado das FARC-EP

Ressaltamos o crescente respaldo nacional e internacional a "Colombianas e Colombianos pela Paz" em seu esforço convergente por lograr um Acordo Humanitário que libere os prisioneiros de guerra das duas partes e consolide os espaços rumo à solução política do conflito, propósito que compartilham cada vez mais colombianos, como o manifestado pela Conferência Episcopal, que com motivo da Semana Santa, que clamou pela reconciliação entre os colombianos, assim como o esforço despojado de ódios do professor Moncayo em procura de um Referendo Nacional pelo Acordo Humanitário. O realismo de todos eles contrasta com o chamamento presidencial de um cessar de fogo unilateral por parte da guerrilha, enquanto militares e paramilitares continuam sua ofensiva em todo o território nacional.

Iniciar a busca de um processo sério que encontre os caminhos dos Acordos, a Reconciliação, a Convivência e a democracia, significa entender que todos devemos aportar, principalmente o Estado como responsável fundamental do conflito e que a bilateralidade é indispensável como regra de ouro e suporte de confiança que construa bases sólidas para avançar.

Por isso, continuamos mantendo a proposta da concretização de um Acordo Humanitário gerador de feitos tangíveis procedentes das duas partes, que adube o terreno para os passos subseqüentes, que conduzam à superação definitiva da confrontação.

Ante a reiterada solicitude da Senadora Piedad Córdoba, de Colombianas e Colombianos pela Paz, do professor Moncayo e dos presidentes Rafael Correa e Hugo Chávez, anunciamos nossa decisão de liberar unilateralmente o Cabo Pablo Emilio Moncayo e entregar-lo pessoalmente a uma Comissão encabeçada pela Senadora Córdoba e o professor Moncayo uma vez organizados os mecanismos necessários para garantir o êxito da operação.

Assim evidenciamos uma vez mais nossa decisão irreversível de alcançar o Acordo Humanitário sem mais dilação e semear de certezas os caminhos que levem à solução política do conflito.


Secretariado do Estado Maior Central das FARC-EP
Montanhas da Colômbia, abril 16 de 2009

Por que Álvaro Uribe...

...deve ser julgado pela Corte Penal Internacional

ANNCOL

Dois feitos internacionais de justiça têm-se produzido ultimamente no mundo com mensagens claras em contra da impunidade. Nessa perspectiva, a situação da Colômbia, em nível dos Direitos Humanos, não pode passar desconhecida. A impunidade reinante no país, a ausência da independência entre os poderes, e a configuração de um aparato político-jurídico personalista em torno do presidente e de seu projeto excludente de sociedade fazem que, somente a justiça internacional possa garantir uma verdadeira justiça diante dessa orgia de sangue que reina no atual regime colombiano.

O sinal mais claro e importante, é que os acusados que são dois Chefes de Estado, um em exercício (O presidente de Darfur Al Bashir) e outro já ex-presidente (Alberto Fujimori), não podem se ocultar na imunidade própria de seus cargos, porque ela não garanta a impunidade a nenhum Chefe de Estado em exercício, como no caso de Darfur, nem no caso de um ex-presidente como Fujimori, que controlou em seu momento todas as instâncias dos três poderes públicos peruanos. Os delitos cometidos por Fujimori e por Al Bashir são uma gota de água se comparados com o mar de atrocidades e impunidade que tem reinado na Colômbia durante os dois mandatos de Álvaro Uribe Vélez, AUV (2002-2006/ 2006- e o que vai do 2009). Sem querer dizer com isso, que seus nexos com os paramilitares e mafiosos se reduzem aos seus dois períodos na presidência.

Ainda que o mandato da Corte Penal Internacional se limita a crimes cometidos depois do primeiro de julho do 2002, data de entrada em vigência do Tratado assinado por mais de cem Estados, incluído Colômbia. Apesar da cláusula de moratória de 7 anos que Colômbia interpus no momento de assinar o Estatuto de Roma acolhendo-se ao artigo 124 do Estatuto, a CPI tem nesse país, una situação dramática em matéria de Direitos Humanos, situação agravada côo papel estimulante ao delito que tem a impunidade em um 97% dos casos.

A isso se agrega que, através de pronunciamentos públicos das mais altas personalidades na chefatura d Estado, iniciando pelo próprio presidente da república que, em muitas intervenções veiculadas por médios de comunicação têm incitado à eliminação física de organizações ou pessoas que tem-se atrevido a emitir críticas contra seu regime acusando-las sistematicamente de ser insurgentes, “guerrilheiros de civil ou simplesmente terroristas”. Isso tem sido interpretado como uma patente de corso para que os paramilitares executem os opositores políticos, sindicalistas, defensores de DDHH, e cidadãos em geral.


Pior ainda, jamais se tem emitido um pronunciamento público seque de condenação por parte do Chefe do Estado dos crimes cometidos pelo concubinato forças militares-paramilitares, como está demonstrado em diferentes casos onde o acerbo probatório deixou em evidência que a política estatal consiste na unidade de ação entre as forças militares e paramilitares.

Recordemos que as responsabilidades não se podem perder na cadeia de Comando. Que o presidente da república é o Comandante em Chefe das FFMM, e que um funcionário público é culpável por ação ou por omissão das funções próprias de seu cargo.

Só três casos, entre tantos da história recente da Colômbia onde Álvaro Uribe Vélez tem sido protagonista de primeira ordem em delitos que ofendem à Humanidade inteira:

A) Pelos delitos cometidos contra a Comunidade de São José de Apartadó por parte das forças militares colombianas em ação conjunta com paramilitares. A Comunidade tem sofrido vários massacres [Entre eles os massacres de Mulatos e da Resbalosa, onde morreramn crianças indefesos] sem que haja havido justiça judicial efetiva, que garanta a seus membros o direito a saber a verdade para preservar na sua memória coletiva o castigo dos responsáveis e a reparação por parte do Estado. Publicamente o presidente assinalou à comunidade como próxima das organizações insurgentes.

B) Pelos delitos produto da entrega ao serviço dos paramilitares da Fiscalía Geral da Nação, sob a administração do Fiscal Luis Camilo Osorio. A designação de Osorio para a Fiscalía garantiu a impunidade de muitos delitos, como massacres, desaparições forçadas, deslocamentos forçosos das pessoas, assassinato de testemunhas de opositores políticos ao regime de AUV, Osorio não investigou diferentes delitos, e não só não investigou, mas barrou o desenvolvimento dos processos. Mediante práticas corruptas e de intimidação o Fiscal Osorio trasladou funcionários honestos a outros lugares da Colômbia para afastar-los das investigações sensíveis, outorgou e repassou casos sensíveis a funcionários corruptos, demitiu funcionários que investigavam casos nos que a responsabilidade militar era evidente.

C) Os delitos cometidos a partir da infiltração permitida e a entrega aos paramilitares do DAS (o mais importante organismo de segurança do Estado). Recordemos que o diretor do DAS é nomeado diretamente pelo presidente da República. O diretor do DAS responde a seu Chefe imediato, o presidente da República, Comandante constitucional das forças militares. O presidente defendeu publicamente a nomeação e a obra de Jorge Noguera, quem durante sua administração facilitou a elaboração de listas de pessoas que logo seriam assassinadas pelos paramilitares.

A impunidade é uma política de Estado do regime colombiano, não é garantida a justiça, em caso, por exemplo, de um massacre. Porém, os funcionários do Estado colombiano nos foros internacionais, apresentam a aplicação da justiça ao falar da condenação de um soldado ou de um sub-oficial do exército. Mas, todos sabemos que os oficiais de alta patente, o ministro da defesa o comandante em Chefe das Forças Militares devem responder pelos delitos
cometidos pelas forças militares sob seu comando. Nos poucos casos nos que tem havido condenação de algum delito (3%), seu protagonista principal fica sob a sombra da impunidade. O 97% das violações de DDHH na Colômbia ficam totalmente na mais absoluta impunidade.

Um exemplo de que a impunidade é uma política estatal está na revisão da famosa lei de justiça e paz. Recordemos que essa lei é o resultado, de acordos segredos entre o regime de Álvaro Uribe Vélez e os paramilitares. Como explicar que o criminal de guerra Ernesto Báez [Iván Roberto Duque] com mais de 25 anos de vida paramilitar não haja confessado nem um só massacre.

A lei de JUSTIÇA E PAZ é um ponto de chegada dos paramilitares protegidos pelo agora chefe do Estado, desde sua permanência na Administração departamental de Antioquia e sua posterior chegada à presidência. Como é de conhecimento público, durante as eleições presidenciais, as duas últimas nas que tem sido eleito AUV, nas duas, houve votações atípicas em regiões sob o controle paramilitar, onde o ganhador absoluto foi por obvias razões ALVARO URIBE VELEZ.

Em um analise pormenorizado da lei de Justiça e paz, o padre Javier Giraldo ilustra muito bem por que tem sido una falácia http://www.javiergiraldo.org/spip.php?article114 , a famosa lei tem sido apresentada como resultado de uma: a) negociação política, b) como uma negociação de paz, c) como um processo de desmobilização, d) como o desmonte definitivo dos paramilitares, e) como a superação da impunidade.

Nem uma coisa nem a outra. Uma negociação política é feita só entre contraditores políticos, (entre o Estado e a insurgência, por exemplo), mas não entre duas instâncias que têm compartilhado os mesmos objetivos e que têm trabalhado juntas em una divisão de trabalho macabra. Os paramilitares e a forças da ordem não têm tido um só conflito, e contrário a isso, sim muitas coincidências na sua visão de sociedade, em seus métodos utilizados, e nos objetivos a serem alcançados. Os paramilitares seguem operando, nunca se desmobilizaram, não há essas tais primeira ou segunda geração, procedem de um troco comum, de uma política de extermínio de quanto seja oposição aos interesses do grande capital. O presidente depois de haver-lhe dado uma patente de corso ao para-militarismo, agora o institucionaliza com seus programas de soldados camponeses, de guarda bosques, um milhão de informantes, etc., etc.

Com a entrega da Fiscalía e do DAS aos paramilitares para fazer causa comum contra-insurgente contra quanto apareça como oposição política, então, o governo nega seu compromisso com a paz, com todo intento de reparação das vítimas, mas, por sobre tudo, seu compromisso com a justiça.

Contrário a isso, o objetivo central do regime está centrado na garantia da permanência do ditador no poder, na garantia da impunidade mediante as seguintes ações:

Pôr toda a institucionalidade ao serviço da reeleição presidencial.

Permitir a infiltração do programa de testemunhas da Fiscalía, para eliminar sistematicamente toda testemunha potencial contra os crimes de Estado.

Perseguição sistemática contra as ONG e defensores de DDHH para calhar suas vozes.

Judicialização dos defensores de DDHH, como pretende fazer com o sacerdote jesuíta Javier. Giraldo.

Furto dos arquivos e bancos de dados das ONG que sistematizam as violações do regime.

O desprestígio de toda denúncia apresentando-a como próxima do terrorismo e contrária à democracia. Etc. Etc.

Por todas essas razões, a justiça internacional tem a palavra!

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Dia inesquecível e memorável

para o povo boliviano!

O presidente Evo Morales promulgou na Terça Feira (ontem) a Lei Eleitoral que guiará as eleições gerais de dezembro de 2009 em um dia que qualificou de “inesquecível, outra data, memorável” para o povo boliviano.

“É mais um dia inesquecível, mais uma data memorável, graças à consciência do povo boliviano e à participação dos diferentes setores de trabalhadores, operários, originários, universitários e profissionais”, comentou o Chefe de Estado depois de assinar a Lei que foi aprovada na madrugada da Terça Feira (ontem), depois de vários dias de ter sido barrada no Congresso pelas demandas da oposição.

Evo Morales saudou a norma e disse que “a cada dia que passa o povo boliviano continua escrevendo sua história” e manifestou seu “profundo respeito e admiração” aos quase 3.000 dirigentes operários e sindicais de Bolívia, Espanha e Argentina, que se declararam em greve de fome para exigir a aprovação da norma.

O presidente boliviano que se encontrava em greve de fome desde a Quinta Feira passada, lembrou vários capítulos de sua gestão governamental que, em sua opinião, os opositores tentaram impedir com demandas de inconstitucionalidade, incluída a nacionalização dos Hidrocarbonetos, navio insígnia de suas propostas de desenvolvimento nacional.

“Quando tenhamos uma Assembléia Plurinacional Maioritária (que deve ser eleita em dezembro próximo) faremos o que diga o povo boliviano”, afirmou o mandatário, ao conclamar seus seguidores a participar massivamente nas eleições e votar por seu projeto de reeleição.

Minutos antes, a Lei Eleitoral sancionada pelo Parlamento na madrugada de Terça Feira foi entregue ao Chefe de Estado pelo presidente do Congresso e vice-presidente de Bolívia, Álvaro García Linera, que em um corajoso discurso criticou a oposição por ter barrado sua aprovação e pôr o pais na beira da violência.

“Faço entrega da norma para que seja promulgada como Lei da República”, disse García Linera ao deixar em mãos do Presidente Evo Morales a Lei que contem 76 artigos muitos deles concertados com a oposição em jornadas velozes e cheias de incertezas.

Garcia Linera, também, presidente do Legislativo boliviano afirmou que a Lei Eleitoral é “a aplicação da nova Constituição Política do Estado na medida em que garanta as eleições para renovar de vez todos os poderes”.

O vice-presidente se referiu de modo especial, à Câmara de Senadores, controlada pela oposição, que botou até o final, inúmeros reparos tentando impedir sua aprovação.

“Temos assistido a uma das sessões mais vergonhosas de um Congresso moribundo, que por sorte já acaba seu ciclo e será substituído por uma Assembléia Legislativa Plurinacional”, afirmou ao pedir ao povo participar massivamente nas eleições para evitar “a manipulação e a sabotagem por parte da direita”.

A Lei Eleitoral promulgada por o Presidente Evo Morales é a primeira que consagra o direito dos bolivianos residentes nos estrangeiro de votar, o direito dos povos indígenas minoritários de ter representação parlamentar e, manda que seja criado um novo padrão eleitoral biométrico, pontos neurálgicos das diferencias entre oficialistas e opositores que mantiveram dentro de uma grande expectativa o país nestes últimos dias.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Urgente...FARC-EP informam

....entrega dos restos mortais do Major Guevara


ANNCOL/Correspondente móvel na Colômbia

Segundo fontes oficiais das FARC-EP, já estão prontas para entregar dos restos mortais do Major Guevara.

Recentemente esta organização insurgente se comprometeu na entrega dos restos mortais do oficial Guevara. “Em atenção a essa mesma solicitude, os restos mortais do Major Guevara serão entregados a sua mãe em data e lugar que indicaremos mais adiante, quando a situação das ações militares permita”, indicava seu Secretariado do Estado Maior Central, FARC-EP o passado 28 de março.

Segundo pôde estabelecer ANNCOL, a chegada até o lugar onde estava enterrado o cadáver do Major, não foi nada fácil. Em meio de fortes operativos militares, cercos, bombardeamento chegamos até o lugar das coordenadas exatas, onde estava enterrado o cadáver, no Sul do país”, afirmou a fonte ao correspondente móvel de ANNCOL na Colômbia.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

CARTA ABERTA

Senadora Piedad Córdaba

Grupo Colombianas e Colombianos pela Paz

e, Comunidade Internacional.


As prisioneiras políticas das FARC-EP gostaríamos de ressaltar o papel realizado pela Senadora Piedad Córdoba em seu disposição incansável da busca do Intercâmbio Humanitário de prisioneiros das duas parte: Governo e FARC-EP. Saudamos, também, a iniciativa e acompanhamento que nesse mesmo propósito desempenharam o Grupo de Colombianas e Colombianos pela Paz, o Governo do Brasil e a Cruz Vermelha Internacional.

Manifestamos nossa alegria e orgulho com nossa Organização FARC-EP, por ter cumprido à satisfação com sua palavra de entregar unilateralmente os políticos Alan Jará, Sigifredo López e os membros da força pública, apesar dos permanentes atos de sabotagem e provocação do governo de Uribe e suas forçar armadas. Essa entrega bem sucedida, como ela foi, é uma prova clara e da vontade política das FARC-EP.

Rechaçamos as montagens que o governo de Uribe em aliança vergonhosa com alguns meio de comunicação fabricam desde os cárceres, com a pretensão de enganar à opinião pública, com a falácia de que os guerrilheiros e guerrilheiras das FARC-EP que estamos presos, supostamente, temos renunciado aos nossos princípios revolucionários e traído nossa organização.

É certo que o governo de Uribe tenta mediante todas as formas possíveis rebaixar nossa dignidade e comprar nossas consciências. As torturas, ameaças, perseguição de nossos familiares e advogados e as ofertas indecorosas de dinheiro e uma “nova vida” em outros países, a cambio de renunciar aos nossos ideais são algumas das artimanhas usadas por esse governo.

Aqueles que têm aceitado as armadilhas do governo e aceitado os planos de “Justiça e Paz”, sair do cárcere e seu re-insercão, em forma alguma devem ser incluídos em um eventual Intercâmbio Humanitário.

O povo colombiano e a Comunidade Internacional conhecem já a situação dos prisioneiros de guerra. Sabem, também, que nos cárceres do Estado há milhares de presos políticos do povo, que foram detidos em redadas massivas, depois de ser assinalados por informantes pagos e falsos desertores movidos pelas recompensas em dinheiro e depois submetidos a montagens e exibidos como “troféu de guerra” para justificar os “falsos positivos”; acusados de rebelião e terrorismo e condenados a longas penas pelo só fato de organizar suas comunidades, ter opiniões políticas distintas da oficial e ser parte da oposição política.

As prisioneiras políticas das FARC-EP ratificarmos nosso compromisso revolucionário com o povo e nossa firmeza e lealdade com nossa Organização. Desde os cárceres do Estado seguimos fieis aos lineamentos do Estado Maior Central e do Secretariado das FARC-EP. Mantemos em alta nossa moral e o ideário bolivariano em homenagem aos nossos Camaradas Manuel, Raúl, Ivan e todos os demais guerrilheiros e guerrilheiras que têm oferendado sua vida na luta pela Nova Colômbia.

Alentamos à Senadora Piedad Córdoba, ao Grupo de Colombianas e Colombianos pela Paz e à Comunidade Internacional a continuar com sua importante missão para que, mais cedo do que tarde, o Intercâmbio Humanitário, que inclua a SIMÓN, SONIA e IVÁN VARGAS, extraditados e presos nos Estados Unidos, seja uma realidade.

“Não somos terroristas

Somos lutadores revolucionários

pela Paz com Justiça Social

e uma Nova Colômbia”


PELA NOVA COLOMBIA, A PÀTRIA GRANDE E O SOCIALISMO!


PRISIONEIRAS POLÍTICAS DAS FARC-EP

domingo, 12 de abril de 2009

A queda de influência

A QUEDA DE INFLUÊNCIA DA MÍDIA HEGEMÔNICA BRASILEIRA

Dados do Instituto Verificador de Circulação (IVC), que audita as tiragens de jornais e revistas, e do Ibope, que monitora a audiência das emissoras de televisão aberta, comprovam que a última década foi dramática para a mídia hegemônica brasileira, porque sofreu sensível queda de influência na sociedade.

As profundas mutações tecnológicas, o aumento da concorrência no setor e a perda de credibilidade do jornalismo, entre outros fatores, teriam contribuído para este declínio.

A Globo teve a maior queda de participação no mercado (share). Em 2001, sua audiência era de 50,7%. Em 2004, ela chegou a bater em 56,7%. Hoje, está em 40,6% - coincidindo com a subida da TV Record, que saiu de 9,2% em 2001 para 16,2%. Nas últimas três semanas, o Jornal Nacional teve 26% de audiência em São Paulo. Seis anos atrás, era de 42%. Já na mídia impressa, Folha, Estadão, Globo, Correio Braziliense e JB reduziram a sua tiragem em quase 300 mil exemplares diários – de 1,2 milhão para 942 mil, queda de 25%.

Credibilidade da mídia no esgoto.

O fator tecnológico parece ser a principal causa destas mudanças. Pesquisa recente, intitulada “O futuro da mídia”, revela que, para os brasileiros, o computador já é mais importante do que a TV. “Os entrevistados passam três vezes mais tempo por semana conectados à internet do que assistindo televisão. A maioria dos usuários (81%) apontou o computador como o meio de entretenimento mais importante em relação à TV... A interação com esses mecanismos e o fato dos usuários serem os próprios provedores de conteúdo de suas mídias foram destacados”, afirma a Deloitte. Este fenômeno, impensável há alguns anos atrás, confirma uma tendência mundial.

Mas não se deve desprezar, também, a perda de credibilidade dos jornais e das emissoras de TV. Como expôs o jornalista Pascual Serrano, num debate durante o Fórum Mundial de Mídia Livre, realizado no final de janeiro em Belém (PA), a mídia hegemônica sofre hoje uma forte corrosão na maioria dos países do planeta.

Entre outros fatores do declínio, Serrano pontua:

- Crise de credibilidade. O público já não se fia nos meios de comunicação, tendo comprovado demasiadas vezes como eles mentem e ocultam os elementos fundamentais da realidade;

- Crise de objetividade. O mito da objetividade e da neutralidade está em queda e a autoridade do periodismo cai com ele;

- Crise de autoridade. A internet e as novas tecnologias revelam a capacidade das organizações sociais e dos jornalistas alternativos para enfrentar o predomínio da grande mídia;

- Crise de informação. A dinâmica mercantilista e a necessidade de aumentar a produtividade e a rentabilidade provocam a perda de qualidade da atividade jornalística.

sábado, 11 de abril de 2009

Acordo de La Uribe, 25 anos

ACORDO DE LA URIBE. 25 ANOS.

Carlos Lozano Guillén
Jornalista colombiano.

Em 28 de março de 1984, há 25 anos, foi assinado entre o governo de Belisario Betancour e o Secretariado do Estado Maior das FARC-EP, O ACORDO DA URIBE, mediante o qual as duas partes pactuaram um cessar do fogo a partir do dia 28 de maio desse ano.

Além disso, o Acordo incluía outros aspectos importantes como a condena do seqüestro, a extorsão e o terrorismo por parte da guerrilha; e o governo através da Comissão de Paz, se comprometeu a promover a modernização das instituições políticas, a fortalecer a democracia, empreender o caminho das reformas políticas, sociais e econômicas, entre elas a Reforma Agrária. O Acordo, também, estabeleceu as garantias para a atividade política e social democráticas dos integrantes das FARC-EP.

Foi um primeiro ensaio de negociação política com a Insurgência, visando a solução das causas que deram origem ao conflito interno, mediante as reformas necessárias para que fosse aberto o caminho para uma paz estável e duradoura. Desta forma, Belisario reconheceu o caráter político da Guerrilha e a precariedade da democracia colombiana. No entanto, as promessas contidas no Acordo da Uribe, nunca forma aprovadas e, nem sequer, apresentadas ao Congresso da República, como foi o compromisso assinado no inciso 8 do transcendental documento.

Um ano depois, com o cessar de fogo em andamento, as FARC-EP propuseram a conformação da União Patriótica como um projeto democrático de esquerda, ao qual pudesse se incorporar a força guerrilheira, no momento em que fosse assinada a paz estável, com democracia e justiça social. Essa proposta foi a maior demonstração de vontade política de paz da Guerrilha para estabelecer um pacto entre o Estado e o principal movimento insurgente.

A experiência de La Uribe foi muito importante para o povo colombiano. Hoje, está sendo quase esquecida pela classe dominante porque, ainda, significa para ela um escárnio pela sua mesquinhez e seu inocultável recurso à violência no exercício do poder. A história real tem sido falsificada e reduzida à discussão trivial da “combinação das formas de luta” dos comunistas, convertida por ela (a classe dominante) em pretexto para o extermínio criminal.

Lembremos que antes de lançar o projeto político de esquerda no qual participaram destacamentos civis não armados como o Partido Comunista, setores sociais e também setores democráticos dos partidos tradicionais, já os militaristas e a embaixada ianque sabotaram o diálogo argumentando o pretexto da narcoguerrilha e da impossibilidade dos terroristas entrarem na política. A classe dominante deixou mais evidente do que nunca sua sempiterna decisão de pretender impor a paz através da força, negando assim, qualquer avanço democrático e social. O pior é que a história se repete uma e outra vez. Vinte e cinco anos depois o país está no mesmo.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Reclamam direitos de Simón Trinidad

Reclamam os direitos de Simón Trinidad



O Comitê Nacional Para a Libertação de Ricardo Palmera, considera que é uma grotesca violação dos mais básicos direitos humanos do professor Palmera.

COMUNICADO DO COMITÊ NACIONAL PARA A LIBERTAÇÃO DE RICARDO PALMERA NOS ESTADOS UNIDOS.

O Comitê Nacional Para a Libertação de Ricardo Palmera (CNLRP), está pedindo aos povos do mundo inteiro que se coloquem do lado dos direitos humanos e da justiça social em oposição ao cruel e desnecessário tratamento a Ricardo Palmera, negociador das FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e agora prisioneiro político do império dos Estados Unidos (EUA) mantido em confinamento solitário de 23 horas por dia em uma prisão das chamadas SUPERMAX em Florence, Colorado. Palmera não tem acesso ao mundo exterior.

Membros e partidários do CNLRP escreveram a Ricardo Palmera em mais de uma ocosião, tanto em inglês quanto em espanhol, procurando saber de sua saúde e sobre seu estado psicológico. Mas, estas cartas têm sido devolvidas pela Agência Federal de Prisões/Federal Bureau of Prisons com uma nota que diz: “Sua correspondência ao prisioneiro acima mencionado esta sendo devolvida. Esta correspondência não foi entregue ao prisioneiro porque ele não está autorizado a corresponder-se com você”.

O Comitê Nacional Para a Libertação de Ricardo Palmera, considera que é uma grotesca violação dos mais básicos direitos humanos do professor Palmera. É um áspero e desnecessário castigo negar a alguém uma coisa tão simples como a troca de correspondência com os simpatizantes e partidários de uma pessoa.

Ricardo Palmera merece receber as cartas que lhe escrevam e qualquer pessoa que lhe escreva faz uma declaração de condenação a estas práticas de negar-lhe seus direitos. Também, segundo a “Correspondência Devolvida / Returned Correspondence", tem sido notificado a Palmera que tem recebido cartas, mas que estas cartas não podem ser lidas por ele e que serão devolvidas. No entanto, isto significa que ele tem sido informado do que em meio da solidão de seu encarceramento, é uma declaração de esperança e ânimo que expressa solidariedade.

Por isso, o Comitê Nacional CNLRP pede às pessoas conscientes aqui nos EUA e ao redor do mundo que escrevam a Ricardo Palmera, para o seguinte endereço:

Inmate : Juvenal Ovidio Palmera Pineda # 27896-016

USP Florence ADMAX

US Penitentiary

POBox 8500

Florence, CO 81226

Libertad para Ricardo Palmera.



Info @ freericardopalmera.org / www.freericardopalmera.org

FARC-Ep se pronunciam sobre gestores

As Farc se pronunciam sobre os dois gestores



Nomeados pelo governo. Agudelo, “Olivo Saldaña”, um desertor e ladrão. Karina desqualificada por seu mal comportamento, tinha seis meses de desertada quando orquestrou-se sua 'entrega'. As Farc os denominam os 'Gestores de Traição' no comunicado apresentado por ANNCOL

ANNCOL

Toda a trama e mentira de Uribe e seu bando se desfaz. Do exterior igualmente. As visitas e gestões nas celas do INPEC da cidadã holandesa, outrora 'chefe de Pax Christi', Ludine Zampolle também ficaram em evidência. Abaixo o comunicado em sua totalidade:

***

Gestores de traição

Frente as informações da imprensa segundo as quais o governo nacional outorgará liberdade condicional e nomeará, dizem que, como “gestores de paz” a dois desertores das Farc, fazemos as seguintes aclarações:

1. Raúl Agudelo é um vigarista sem escrúpulos, que desertou das Farc roubando 400 milhões do orçamento dos guerrilheiros. Já por fora da organização, extorquiu em nome das Farc até que foi capturado um ano depois quando retirava dinheiro de um banco em Pereira.

2. Para evitar ser condenado, se apegou ao cravo ardente da vileza que lhe ofereceu o governo, pondo-se a serviço da máfia uribista que agora pretende disfarça-lo como dissidente.

Esquecem que os dissidentes não arrastam o dinheiro das organizações.

3. Elda Mosquera, conhecida como Karina estava há 6 meses desertada da organização no momento de sua entrega, depois de ter sido degradada por sua conduta pessoal libertina e seu procedimento arbitrário no trato com os guerrilheiros, comportamento contrário as normas internas das FARC - EP.

4. Chamamos os nossos combatentes e todos os revolucionários presos, que resistem com altivez de princípios as duras condições impostas a eles pelo regime facista, a rechaçar as ofertas de trair a seu povo e a causa que defendem as FARC, oferecimento que faz o governo através deste par de indivíduos depreciáveis, carentes de princípios e sem sentido de pátria.

5. Como o narcoestado uribista não tem conseguido nem poderá submeter a firmeza e a dignidade dos farianos no campo da guerra, nem com as torturas, o isolamento em sujos calabouços, o amontoamento, o maltrato físico e psicológico, a perseguição com os advogados que se atrevem a assumir a defesa e contra nossos familiares, recorre a infames ofertas de traição.

6. Nem as FARC nem nenhum guerrilheiro aceitarão jamais a indignidade que encerra a chamada lei de “justiça e paz”, as FARC jamais aceitarão ser equiparadas com os bandos de assassinos paramilitares que o Estado organizou em sua guerra suja contra o povo.

7. Firmeza nos princípios e nos objetivos é o ensinamento que nos transmitiram os dirigentes e milhares de combatentes farianos caídos no confronto, a toda a guerrilherada. É a essência do irrenunciável legado que nos deixou nosso comandante Manuel Marulanda Vélez.

8. Por esta razão, não nos cabe dúvida que para além das bajulações e ofertas de rebaixamento de penas e demais mesquinhezas com as que o Regime quer submeter a consciência dos revolucionários hoje encarcerados, esta suja manobra também terminará fracassando ante a lealdade, a grandeza de ideais e a disciplina político-militar dos guerrilheiros Farianos.

Secretariado do Estado Maior das FARC - EP

Montanhas da Colômbia, abril de 2009.

NOTAS DE ANNCOL

NOTAS DE ANNCOL

Juan Carlos Vallejo

Igreja Católica abençoa as Armas na Colômbia.

Tem de ser muito cara de pau para ter o atrevimento de vir a falar de Paz quando desde os púlpitos na Colômbia, historicamente tem-se apoiado a violência e a exclusão social. Essa Igreja colombiana retrógrada, com repiques festivos dos sinos comemorou o assassinato do Comandante Raúl Reyes e, ademais, tem-se dedicado a botar paus na roda do Intercambio Humanitário.

Ora, a proposta do narcopresidente Uribe é para se burlar de forma infame do povo colombiano, justo quando o decadente Império tem anunciado o recorte e tal vez desaparição dos dinheiros para manter a máquina de matar que é o Plano Colômbia. Quando o grande mafioso foi a berrar na fronteira com a Venezuela, dizendo aos guerrilheiros que regressassem a seu país, e eles, na violada retaguarda nacorpresidencial incendiavam meia Colômbia com um paro armado, não teve outra saída que falar de cesse do fogo na Semana Santa, tal vez para que seus áulicos possam visitar suas fazendas e brincar ao golf, sem o temor de serem apanhados pela guerrilha.

Com esse grande paro armado as FARC-EP enviaram o recado para as elites e meios da desinformação colombianos, dizendo que o Movimento Insurgente está mais vivo do que nunca e que as razões que o levaram a empunhar as armas, ainda, são sólidas e que o capitalismo se desmorona, mas que os burgueses tentam reviver empobrecendo ainda mais os mais pobres. Eis a razão de sua rebeldia.

O Diário A Jornada de abril 6/09 cita Uribe: “Eles, que tanto apelam à bondade da Igreja, por que não tem consideração com ela nesta Semana Maior e empeçam um processo de quatro meses sem atividades terroristas na Colômbia, a ver se uma negociação se tornar possível”.

Esse presidente mafioso nada da de graça. Algo sinistro deve estar tramando já que necessita se reeleger para no cair de narizes perante um juízo popular pelos seus crimes contra a Humanidade. E a Igreja, ampla patrocinadora de suas barbaridades, se afundará com ele.

Para lembrar e jamais esquecer:

Palavras de Monsenhor Fabián Marulanda na Conferência Episcopal. Dário El Espectador, fevereiro 1º de 2009:

“Essas liberações não são um favor que as FARC fazem para o país, não são uma mostra de seu sentido humanitário, o único que o povo colombiano quer é que sejam liberados todos e que essa libertação seja feita sem condições e de maneira imediata”.

“A simples vista, com os poucos elementos que possa ter, pensa-se que as razões que devem ter as FARC para realizar essas liberações é manter a expectativa de esperança que há no país, dessa liberação, e isso deixa ver que no fundo não há nenhuma razão humanitária. Humanitário seria que liberassem aqueles que levam muito mais tempo nas selvas, sobre o suposto de que deveriam libertar todos, deveriam iniciar pelos que levam mais tempo”

A seguir, palavras do Padre Alfonso Llano Escobar (qualquer parecido com Pablo Escobar é pura coincidência).

“Temos o direito de nos alegrar com a morte de Reyes” (El Tiempo, março 10.08)

“...mas pena ter que me alegrar porque os deixem tombados em meio da selva. Quando considero todo o mal que têm feito durante 44 anos, não posso menos que sentir profunda satisfação com a justiça que os confina de por vida nas quatro paredes de um calabouço, ou os encurrala e rende nas obscuras trevas da selva que eles mesmos mancharam com sangue inocente”

“Então, apesar de se tratar de seres humanos livres e sensíveis, filhos de Deus e da Pátria, com direito à vida e a liberdade, e apesar de sentir dor por vê-los confinados em uma prisão, tomara que perpétua, ou destinados a uma morte segura, todo colombiano por cujas veias corra sangue nobre não pode menos que alegrar-se de que seja feita justiça, já que levam 44 anos fazendo o mal e arrebatando todos os direitos humanos e divinos de seres colombianos. E para lá vão, assustados, todos os Altos Comandos do Secretariado da guerrilha, se cegos, continuarem a fazer o mal e ensangüentando o coração da Pátria”.

“Matar comunistas não é pecado”, disse o mesmo Padre Llano Escobar (que sem saber por que às vezes confundimo-lo com Pablo Escobar).

“Tinham que aparecer alguns defensores do assassino para se rasgar as vestiduras clamando por que o Padre Llano se alegrava (ao máximo?, maiúsculo erro de leitura) pela morte de um cristão. E nada lhes diz que senti profunda dor. Tentam me fazer dizer o que eu não quis dizer, para justificar seu farisaico reclamo. Como se eles, também, não se tivessem alegrado com a noticia da morte de um inimigo da Pátria. Sejamos sinceros, ou caso contrário, não iremos para nenhuma parte. Aqui nos falta sinceridade e não andar com tantas águas tíbias que não vão ao mar. Ao pão, pão, e ao assassino o castigo. A impunidade no gera az, mas incrementa o crime. Alguém tem de morrer se queremos a paz”

As FARC têm a palavra!.

Terceiro mandato.

Com a ajuda dos paramilitares e seu sujo dinheiro Álvaro Uribe foi eleito narcopresidente da Colômbia. Depois, com um suborno comprou sua reeleição. Agora com um processo torto, muito próprio de seu narcogoverno pretende ficar por mais um período mandando na Colômbia como se fosse uma de suas fazendas. A vida desse mafioso é uma vida de escândalos. E só escândalos são os que tem tido “Varito” desde que os paras o montaram no poder. E o Pólo aí. E a Igreja e os áulicos meios de comunicação batem palmas. Colômbia é uma narcodemocracia rumo ao despenhadeiro. Até quando o povo o resistirá?

Pior o remédio que a enfermidade.
Dito por experientes na matéria: A reunião do G-20 foi uma Torre de Babel. Cada país saiu em defesa de seus interesses e o remédio de dar dinheiro aos moribundos Banco Mundial e Fundo Monetário Internacional, responsáveis pela recessão e débâcle econômica, será pior que a enfermidade. A depressão será inevitável e acarretará consigo governos e povos. Só sobreviverá o Socialismo. O Capitalismo tem morto, mas há quem andem com seu cadáver insepulto ao bom estilo de Antígona.

Cesare Battisti fica no Brasil

Talvez seu nome no seja muito conhecido, nem o grupo revolucionário ao qual pertenceu: PAC, “Proletários Armados para o Comunismo” Mas, Cesare Battisti foi um comprometido revolucionário e escritor da esquerda na Itália durante os anos 70, que combateu contra as elites fascistas da Igreja romana e o governo italiano, durante vários anos. Pese a ter desmobilizado, foi perseguido encarcerado e condenado de por vida por quatro crimes que nunca cometeu (entre 1977-1979), pois encontrava-se muito longe do lugar onde foram cometidos. Escapou da prisão e esteve como refugiado na França sob o governo de Miterrand. Com o giro desse país para a direita, teve que fugir para México, onde a direita também não deixou-lo permanecer aí. Fugiu para o Brasil onde em uma dura e longa batalha legal, o governo de Lula lhe concedeu o Asilo Político. Pietro Mancina, Luciano Pessina e Achille Lollo, companheiros de armas no PAC, também fugiram para o Brasil e esperam a decisão sobre sua petição de Asilo Político.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Alberto Fujimori atrás das grades

Alberto Fujimori atrás das grades.

A Justiça contra os assassinos dos Andes. Mais cedo do que tarde, para Álvaro Uribe Vélez e todos seus sequazes, responsáveis pelo atual Terrorismo de Estado na Colômbia, chegará sua vez.

ANNCOL

Alberto Fujimori, presidente do Peru desde o dia 28 de julho de 1990 até que renunciou em 19 de novembro do ano 2000 mediante um fax que enviou desde o Japão, para onde fugiu, na idéia de evadir a ação da Justiça.

Acabaram-se os dias da arrogância “do melhor presidente latino-americano”; os dias da confiança dos investidores e as grandes maiorias (?) que o apoiavam; o controle total das forças militares, policiais e de segurança; o golpe à independência da Rama Jurisdicional, assim como, as palhaçadas de se aparecer em quanto conselho comunitário ele inventava.

Adeus, Fujimori, aos dias em que armava suas assassinas “Rondas Camponesas”, (semelhantes aos paramilitares na Colômbia) de mãos dadas com os militares, apoiadas por sujos empresários nacionais e de multinacionais, que contavam com publicidade diária e gratuita, proveniente dos meios empresariais de comunicação.

Fujimori, condenado a 25 anos de prisão por mais de 50 assassinatos cometidos por seu grupo militar encoberto “La Colina”, em 15 meses, só, sem contar os restantes, tentou sempre ocultar e, depois, manipular os fatos, quando descobertos.

Quatro cargos objeto de imputação indicou o Presidente da Sala Especial da Corte Suprema de Justiça, César San Martín. “Este Tribunal declara que os quatro cargos encontram-se provados mais lá de toda dúvida razoável e a sentença é condenatória.” A leitura da sentença, aprovada por unanimidade, contem 711 folhas.

Condenado por assassinato nos seguintes cargos concretos: 15 pessoas em Bairros Altos, em 13 de novembro de 1991; Em La Cantuta, o assassinato de um professor e nove estudantes da Universidade La Cantuta, em 18 de julho de 1992. Seus corpos foram mutilados, queimados e achados um ano depois. Nos porões do SEI, seqüestro do jornalista Gustavo Garati e do empresário Samuel Dyer, que foram retirados e desaparecidos do “Pentagonizinho”, lugar clandestino de detenção para a prática de torturas e execuções de opositores a seu regime.

Não pôde evadir a Justiça apesar de ter fugido para o Japão e para Chile, nem sequer tentando criar condições para um terceiro mandato presidencial. Essas manobras não adiantaram. Ficou sozinho, não conta, nem sequer, com a solidariedade daqueles que lhe ajudaram a quebrar a Ordem Constitucional, a se beneficiar com a corrupção, nem dos representantes dos meios empresariais de comunicação, nem dos militares que agiram desonestamente adquirindo material militar inadequado e obsoleto, nem de seus cúmplices do cartel de Medellín, em cabeça do outrora Pablo Escobar e seus familiares (José Obdulio e seus narco-irmãos), nem daqueles que encheram seus bolsos com a venda do banco genético para os japoneses.

É mera coincidência qualquer semelhança com o governo do assassino Álvaro Uribe Vélez, conhecido no mundo da criminalidade como “Varito”. Será algum dia julgado pela Justiça Internacional ou pela Justiça Popular. Muito melhor e democrática essa última.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Conceitos de Eduardo Galeano sobre o G20

Como ‘piada de humor negro’ qualificou Galeano a decisão do G-20

Como “piada de humor negro” qualificou o sábado passado o escritor uruguaio Eduardo Galeano a decisão do G20 de destinar um bilhão de dólares para os organismos financeiros internacionais para enfrentar a crise. “Tem-me dito que serão canalizados através do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial (BM). É uma piada de humor negro, sem dívida, não pode ser verdade”, afirmou.

Para Galeano, a decisão anunciada pelo grupo dos 20 significa “burlar-se dos burlados”, segundo afirmou o escritor em uma entrevista com a agencia de notícias EFE, no México.

Essa medida é “para burlar-se dos burlados, para botar sal na ferida, já que isso não dá para ser levado a sério”. É uma medida ilógica porque o FMI e o BM não são “organismos internacionais” e, nenhum dos dois expressa “a vontade do mundo, mas a dos amos do mundo, que são os que estão empurrando o planeta rumo ao abismo”.

Em primeiro lugar, porque há uma potência que tem direito nos dois organismos, que é Estados Unidos. E “em segundo lugar porque as decisões são tomadas, no Fundo Monetário, por cinco países e, no Banco Mundial por oito”

São eles os que nos impõem a nós que somos do sul do mundo. Através justamente, do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional, têm-nos imposto a religião do mercado, têm feito purê com o Estado... têm-nos obrigado a dançar salsa ao ritmo da orquestra do Titanic”, destacou.

De igual forma, Galeano considerou que “com toda a prata repassada aos culpáveis pela bancarrota universal, em recompensa pelo desastre criado por eles, com todo esse dinheiro, poderia se acabar de vez a fome no mundo.

Ao ser consultado sobre um informe da ONG Oxfam, anterior à cita do G20, segundo o qual, com os 8 mil 420 bilhões de dólares de dinheiro público, comprometidos pelos Governos do mundo rico para o resgate do setor bancário poderia se eliminar a pobreza mundial durante os próximos cinqüenta anos, Galeano indicou que o informe “fica curto” e acrescentou que com esse dinheiro se poderia “dar de comer aos famintos de aqui à eternidade,com sobremesa incluída”

O único positivo que segundo Galeano foi obtido na tão promovida cimeira de Londres é que “ao parecer têm-se posto de acordo todos em que tem-se que acabar o segredo bancário”.

Com relação a esse tema, féis referência às palavras do ex-ministro de Economia uruguaio, Inácio de Posadas, quem rechaçou a possibilidade de levantar o segredo bancário, argumentando que o segredo bancário “é um direito humano”, que Galeano qualificou como “Uma frase imortal para antologia da infâmia”.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Diplomacia das FRAC-EP

Diplomacia das FARC-EP


por Luis Ernesto Almario/Colaborador ABP Austrália
ABP/05/04/2009

O governo da Colômbia reconheceu publicamente sua derrota na diplomacia internacional causada pelas FARC-EP e culpou à Chancelaria dos governos anteriores pelo fortalecimento político dessa Organização guerrilheira Marxista Leninista.

Trata-se do segundo pronunciamento no transcurso de uma semana feito por Álvaro Uribe, primeiro, falando das derrotas de seu governo no campo militar, dada a arremetida dos alçados em armas em incursões e várias paralisações de todo tipo de transporte terrestre no país e, agora, no campo diplomático internacional.

O chefe do estado reconhecido publicamente como paramilitar de ultra-direita, falou na capital de Panamá, sobre esse espinhoso tema e disse que era propósito seu rever tratados ao respeito na Chancelaria colombiana com miras a pôr fim ao notório avanço das guerrilhas das FARC-EP.

Uribe, Santos e Padilla de Leon, triunvirato governante naco-terrorista está preparando ao mais alto nível uma reunião para golpear militar e diplomaticamente às FARC-EP, com a participação aberta do Departamento de Estado (CIA) e organismo castrenses norte-americanos.

Radio café Stereo apresentou informações em exclusiva internacional, dias atrás, sobre a derrota militar e diplomática, informação o que Caracol Radio, do governo, re-editou depois da seguinte forma.

Uribe/Caracol; abril 1º de 2009. O presidente Álvaro Uribe afirmou que parte da fortaleza internacional das FARC obedece a que antes desenvolveram um trabalho diplomático no exterior, mais importante que o cumprido pela Chancelaria.

“Exerceram durante anos uma grande diplomacia internacional, que superou a diplomacia da Chancelaria colombiana. Porque não foram enfrentados devidamente. Porque se lhes deu devidamente toda a oportunidade do diálogo e eles não o aproveitaram para construir a paz, mas para fortalecer sua capacidade criminal”, indicou o mandatário.

Igualmente, insistiu em que as FARC-EP sempre têm utilizado à Comunidade Internacional como “idiotas úteis”, em favor de seus próprios interesses. “Olham com desprezo a Comunidade Internacional, ou, simplesmente, a procuram para manipular-la como “idiota útil”. Porque eles estão cheios do dinheiro do narcotráfico”, disse o chefe do Estado colombiano. Desde Panamá o presidente Uribe lançou um novo chamado à cooperação por parte dos países da região para combater o terrorismo e a delinqüência.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Justiça Secreta

Justiça Secreta.

Carlos Lozano Guillén
Diretor do Semanário VOZ/Colômbia

Em recente reunião no Centro de Investigação e Educação Popular (CINEP) convocada para organizar um plano de ação contra os intentos de incriminar os Defensores dos Direitos Humanos, entre eles, o sacerdote jesuíta Javier Giraldo, advogados dos presos políticos denunciaram que na Colômbia, inclusive com o aval da Corte Suprema de Justiça está funcionando a Justiça Secreta, com provas ocultas, testimunhas encapuçados e outras modalidades de esse tipo de Justiça que operou nos anos noventa, mas que desapareceu a partir da aprovação do novo Código de Procedimento Penal.

A forma em que foi ressuscitada pela Fiscalia Geral da Nação no sistema acusatório tem a ver com uma espécie de ‘macro-processo’ ou ‘processos mãe’ dos quais tiram provas sem que os advogados possam examina-as, nem vê-as no seu conjunto, mas de forma seletiva, na medida em que se vão abrindo os processos penais individuais. Esses ‘processos mãe’ são secretos, os advogados só têm acesso às provas parciais apresentadas pela Fiscalía. É o caso dos computadores de Raúl Reyes, que ninguém os tem visto e nenhum advogado os conhece, apenas têm saído uns documentos em formato Word, que os investigadores judiciais supõem que se trata de correios eletrônicos que intercambiaram os acusados, com o chefe guerrilheiro desaparecido.

Mas, como esse há outros por aí. São uma espécie de ‘Lâmpada de Aladino’ da qual extraem as provas que se podem acomodar para incriminar a uma pessoa sem o devido processo e sem o direito à controvérsia da prova. É uma deformação antidemocrática da Jutiça. Nada tem a ver com juízos transparentes nem com as garantias processuais necessárias para a defesa. A preocupação que têm os advogados é que se é generalizada essa tendência, careceria de sentido utilizar o direito à defesa que é inexistente na Fiscalia e que expõe aos acusados na etapa do juízo a não poder controverter esse tipo de provas. Assim as coisas seria melhor acudir a instâncias internacionais.

Sobre esses aspectos chamou a atenção há uma semana o representante Jim MacGovern dos Estados Unidos, quem alertou sobre o nefasto papel da Fiscalia colombiana e ameaçou, caso persista essa situação, com bloquear ajudas econômicas destinadas para esse ente acusador.

Em definitiva, a justiça colombiana está entrando em um perigoso beco sem saída antidemocrático. Ao padre Javier Giraldo e a outro defensor dos Direitos Humanos, foram acusados de ‘falsa denuncia’, pelo fato de ter acudido à Comissão Interamericana de Direitos Humanos para denunciar a impunidade dos crimes oficiais cometidos contra a Comunidade de São José de Apartadó. Estão processando, também, camponeses que foram obrigados pelo exército a se ‘desmovilizar’ e a se acolher ao programa de justiça e paz. Isso é outra forma de ‘falsos positivos’.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Mais uma Carta das FARC sobre a Troca

Colombianas e Colombianos pela Paz;
Senadora PIEDAD CÓRDOBA

Bogotá.

Recebam o saúdo cordial das guerrilheiras e guerrilheiros das FARC-EP.

O diálogo epistolar sobre o problema da guerra e da paz, reúne a cada dia a mais e mais colombianos, e suscita a adesão das mais variadas organizações e personalidades do mundo, sob a certeza do caráter político que reviste a confrontação.

Estamos seguros que la recente liberação unilateral de seis prisioneiros a instâncias de sua importante gestão, estimula o esforço coletivo que busca a solução ao imenso drama que vive Colômbia. Colombianas e Colombianos pela Paz está fazendo renascer a esperança de um país que sente no profundo de seu ser nacional que nosso destino histórico não pode ser la guerra civil nem tampouco o submetimento indefinido a um regime corrupto e injusto, eminentemente militarista, guardião de interesses políticos e econômicos de uma minoria oligárquica e de uma elite privilegiada, anti-democrática, excludente socialmente, surda às angustias das maiorias nacionais e insensível ante os reclamos e necessidades da gente humilde. Nas FARC-EP estamos convencidos que outra Colômbia é possível e que se podem forjar entre todos, alternativas políticas rumo à elaboração do projeto de uma sociedade nova, mais equilibrada, includentes e justa.

Gostaríamos de reiterar-lhes que estamos prontos para a Troca de prisioneiros de guerra e em disposição de não fazer do lugar de diálogo um obstáculo insuperável, privilegiando a liberdade dos prisioneiros em poder das partes enfrentadas.

Para nossos porta-vozes Pablo Catatumbo, Carlos Antonio Lozada e Fabián Ramírez reclamamos garantias efetivas, consignadas em protocolos acordados conosco, que definam condições de modo, tempo e lugar, e publicados com suficiente antecipação. É necessário que ademais do acompanhamento do CPP, também, participe uma veeduría da Comunidade Internacional.

Estas exigências não são um capricho. Vocês e todo e país presenciaram as provocações e o risco real que rodearam e quase frustraram a liberação unilateral dos quatro uniformizados, de Alan Jara e Sigifredo López que nos dispensa de referir-lhes inúmeras situações anteriores de idêntica fatura e concepção.

Na sua missiva nos pedem regressar ao tema das retenções econômicas, sobre o qual já lhes refletimos anteriormente com toda franqueza. Sucede que o governo, em aras de sua luta contra-insurgente, impulsiona uma matriz de opinião artificial e mentirosa em procura de um efeito na população, deliberadamente sujo e manipulador.

As cifras oficiais insistem, através de uma campanha permanente, que as FARC teriam em seu poder a mais de 3.800 retidos por razões econômicas. Temos consultado todas nossas estruturas político-militares espalhadas pelo território nacional e podemos informar, que à presente data, sob a responsabilidade das FARC-EP, só existem 9 (nove) retidos por conceito da Lei 002.

O militarismo a todo transe e a desinformação que distingue esse governo tem intoxicado com sua reconhecida perfídia o assunto. Recordamos que na carta anterior enumeramos o universo dos atores que na Colômbia praticam essa modalidade.

Queremos insistir-lhes na importância de manter vigente a bandeira da liberdade para os presos políticos, a maioria deles vítimas de montagens não alheios à estratégia governamental de dissuadir a quaisquer intento de projeto de alternativa e opção política, assim como também, a não deixar apagar a luta contra esses crimes oficiais e sistemáticos apresentados como "falsos positivos", as desaparições forçadas e os deslocamentos forçados que hoje estremecem à opinião mundial.

Estamos analisando as propostas da Senadora Piedad Córdoba que visam dinamizar o caminho rumo à paz com Justiça Social, e nesse marco anunciamos o compromisso de enviar, quando tenhamos condições propicias, provas de super-vivência dos 20 militares e policiais prisioneiros, a suas famílias.

Em atenção a essa mesma solicitação, os restos mortais do major Guevara serão entregados a sua mãe em data e lugar que indicaremos mais adiante, quando a situação da ordem pública o permita, à vez que elevamos a solicitação para Colombianas e Colombianos pela Paz de que exijam do governo nacional a entrega dos cadáveres dos Comandantes Raúl Reyes e Iván Ríos a suas famílias.



De vocês, atentamente:



Secretariado do Estado Maior Central, FARC-EP



Montanhas da Colômbia, março 28 de 2009

Mais uma Carta das FARC sobre a Troca

Bogotá DC, febrero 27 de 2009
DIALOGO EPISTOLAR - colombianosporlapaz.com
Señor D. Alfonso Cano

Comandante de las Farc-Ep
Demás miembros del Secretariado
Montañas de Colombia

Señor D.
Alfonso Cano
Comandante de las Farc-Ep
Demás miembros del Secretariado
Montañas de Colombia

Reciban nuestro saludo con la esperanza de una paz duradera.
Colombianas y colombianos por la Paz reiteramos nuestra voluntad de continuar en el proceso de intercambio epistolar con las Farc. Reconocemos la voluntad de esta guerrilla, el CICR y el gobierno de Brasil, así como la aceptación del Gobierno nacional para que la liberación de cuatro integrantes de la Fuerza Pública y dos dirigentes políticos llegara a feliz término. Tales liberaciones constituyen una referencia positiva para el necesario proceso de una salida negociada que permita poner fin al conflicto social y armado interno por medios distintos a los de la guerra.

Como lo hicimos desde el inicio de este diálogo epistolar, rechazamos y condenamos las prácticas contrarias a los más elementales principios humanitarios y confiamos en que gestos como el de las liberaciones recientes conduzcan en poco tiempo a un reconocimiento expreso de que la degradación del conflicto está desarticulando política y moralmente a la sociedad colombiana y concluya en una franca, decida y definitiva proscripción de la prácticas lesivas de los valores humanitarios más esenciales. Reiteramos nuestra inquietud acerca de si las Farc están dispuestas a excluir del conflicto armado el secuestro como arma de lucha.

Un primer paso en esta dirección es, sin duda, la apertura hacia un acuerdo humanitario, contenida en sus más recientes comunicaciones. Es indispensable precisar, con urgencia, el marco dentro del cual se podría adelantar ese acuerdo, estableciendo las circunstancias de tiempo, modo y lugar, de tal manera que podamos contribuir a su pronta realización. A nuestro juicio, tal mecanismo debe dar inicio a la búsqueda de alternativas para la terminación del conflicto. Ese acuerdo, además del intercambio, debe permitir negociaciones políticas que conduzcan al logro de la paz, como anhelo supremo de la sociedad.

Esperamos continuar con nuestro apoyo al acuerdo humanitario en los términos señalados y a la construcción de espacios adecuados para hacer efectivo el derecho constitucional a la paz.
Cordialmente,
Colombianas y colombianos por la Paz,

Piedad Córdoba Ruíz, Alpher Rojas Carvajal, Alberto Cienfuegos, Medófilo Medina, Daniel Samper Pizano, Jorge Enrique Botero, Alan Jara, Olga Amparo Sánchez, Francisco Caraballo, Marck Chernik, Felipe Zuleta, Leopoldo Múnera Ruíz, María Elvira Bonilla, Alfredo Beltrán Sierra, Luis Jorge Garay, Mario Esteban Hernández, Víctor Manuel Moncayo, Ricardo García Duarte, Gloria Cuartas, Iván Cepeda Castro, Florence Thomas, Gloria Inés Ramírez, Alfredo Gómez-Muller, Luís Fernando Medina, Andrés Felipe Villamizar, Angélica Mateus Mora, María Teresa Arizabaleta, Carlos Salgado, Fabio Morón Díaz, Rocío Londoño Botero, Consuelo González de Perdomo, José Gregorio Hernández, William Ospina, Gabriel Misas Arango, Lilia Solano, Gustavo Gallón Giraldo, Luís Eladio Pérez, Ricardo Sánchez A, Oscar Tulio Lizcano, Carlos Miguel Ortiz, Claudia Rugeles de Jara, Jaime Angulo Bossa, Jimmy Viera, Orlando Beltrán Cuellar, Alfredo Molano B, Javier Darío Restrepo, Darío Arizmendi Posada, Ramón Jimeno, David Sánchez Juliao, Gustavo Álvarez Gardeazábal, Ricardo Bonilla G, Vera Weiller, Hollman Morris, Harold Alvarado Tenorio, Arlene B. Tickner, Vladimir Flores (Vladdo), Fabio López de la Roche, Luis Eduardo Celis, Gustavo Páez Escobar, Marlene Singapur, Alberto Rojas Puyo, Francisco Leal Buitrago, Hernando Gómez Buendía, John Sudarsky, Efraín Viveros, Daniel García-Peña, Consuelo Ahumada, Renán Vega Cantor, Felipe de Brigard, Álvaro Camacho Guisado, Ricardo Montenegro V, León Valencia A, Raúl Alameda O, Marleny Orjuela, Gladis Jimeno, Fabiola Perdomo E, Deyanira Ortiz Cuenca, Martha Arango de Lizcano, Ángela de Pérez, Yolanda Polanco P, Daniel Pecaut, Gabriel Izquierdo S.J., Fernán González S.J., Oscar Mejía Quintana, Mauricio Rojas Rodríguez, Gelasio Cardona Serna, , Carlos A. Rodríguez Díaz, Apecides Alviz F, Julio Roberto Gómez, Sergio Pulgarín Mejía, Juanita Barreto G, Blas Zubiría Mutis, Sergio Bustamante, Padre Henry Ramírez Soler cmf, Arnulfo Bayona, Ramiro Galvez, Juan Sebastián Lozada P, Álvaro Camacho Guisado, Apolinar Díaz-Callejas, Lisandro Duque Naranjo, Jaime Caicedo T, Ciro Quiroz, Miguel Ángel Herrera Z, Carlos Lozano Guillen, Fabián Acosta, Jairo Maya Betancur, Jorge Gantiva Silva, Carlos Villalba Bustillo, Constanza Vieira, Venus Albeiro Silva, Santiago García, Pepe Sánchez, Patricia Ariza, Carlos Álvarez Nuñez, Víctor Gaviria, Jennifer Steffens, Bruno Díaz, Zulia Mena, Gustavo Duncan, Lilia Solano, Julio Silva Colmenares, Arturo Escobar, Rafael Ballén, William García Rodríguez, César Augusto Ayala Diago, Diego Otero Prada, Rubén Darío Flórez, Darío Villamizar H, Luís Alfonso Ramírez, Fabián Acosta, Alonso Ojeda Awad, Eduardo Gómez, Carlos Villamil Chaux, Fernando Estrada G, Moritz Akerman, Sara Leukos, Pilar Rueda, Marina Gallego, Leonor Esguerra, Luz Helena Sánchez, Clara Elena Cardona, Osana Medina, Deide Olaya, Irma Ortiz, María Eugenia Sánchez, Martha Zapata, Dunia Esther León Fajardo, Olga Lucía Ramírez, Darío Morón Díaz, Santiago Vásquez L, Enrique Santos Molano, Libardo Sarmiento Anzola, Reinaldo Ramírez García, Antonio Ramírez Caro, Cristóbal González, Fabio Velásquez, Darío I Restrepo, Jairo E. Gómez, Daniel Libreros C, Héctor Moreno Galviz, Mauricio Archila Neira, Dora Lucy Arias, Luís Alberto Ávila A, Norma Enríquez R, Orsinia Polanco, Caterina Hayeck, Guillermo Silva, Luís Enrique Escobar, Eduardo López Hooker, Eduardo Carreño, Alexandra Bermúdez, Fernando Arellano, Gabriel Awad, Cristo Rafael García Tapias, Alfonso Santos C, Jorge Lara Bonilla, Miguel Eduardo Cárdenas, Andrés A. Vásquez M, Jaime Calderón Herrera, Álvaro Bejarano, Álvaro Delgado, Álvaro Villarraga, Armando Palau, Juan de Dios Alfonso, Carlos Rosero T, María Eugenia Liévano, Gonzalo Uribe Aristizabal, Edgar Martínez C, Esperanza Márquez M, Dídima Rico Chavarro, Danilo Rueda R, Eduardo Franco Isaza, Evelio Ramírez, Alejandra Millar, Patricia Ramírez, Gabriel García B, Gabriel Ruiz O, Germán Arias Ospina, Gustavo Puyo T, Gustavo García, Hernán Cortés A, Emperatriz de Guevara, Robertina Sánchez, Enrique Murillo, Milena Murillo Sánchez, María Areiza, María de Los Ángeles Moreno, Diana Murillejo, Norma Trujillo, Gloria María Marín, Dolores Carrero, Carlos Julio Forero, César Guarín, Carmen Guarín Uriel Pérez, Cecilia Ramírez, Virginia Franco, Eufracio Beltrán, Marlen Sarmiento, Luís Evelio Pinchao, Myriam de Roa, Janeth González, Paola Callejas, Amanda Rojas, Henry Rosas, Edna Margarita Sánchez Rivas, Paola Sánchez Rivas, Magdalena Rivas, Silvio Hernández, Olga Lucía Rojas, Gricelda Medina, Víctor Rojas, Carolina Rojas Medina, Rosalba Sierra, María Concepción Chagueza, Janeth Moreno Chagueza, Fernando Romero Romero, Oscar Romero R, Esperanza Estrada, Fanny Martínez, Cielo Erazo, Blanca Mayta de Erazo, Luz Dalia Mora, Andrés Bazante, Trinidad Orjuela, Tiberio Donato, Carmenza Gómez, Jaqueline Donato Gómez, Oliva Solarte, Patricia Trujillo Solarte, Gladiys Duarte, Ruth Amelia Argote, Alfredo Rojas, Susy Abitol Arenas, Daniel Lasso, Marleny Orjuela Manjarres, Ivonne González, Jaime Pulido Sierra, Jaime Vasco A, Juanita Bazán A, Luís Eduardo Salcedo, Luís Jairo Ramírez H, Mario Santana, René Antonio Flórez C, Víctor José Pardo, María Teresa de Mendieta, Silvia Patricia Nieto. Siguen más de 155.000 firmas...
VISITE http://www.piedadcordoba.net/


Señor Comandante
ALFONSO CANO
y demás miembros del Secretariado
FARC-EP
Montañas de Colombia

Aprovechamos el canal abierto por la confluencia de Colombianos y Colombianas por la Paz, que lidera la Senadora Piedad Córdoba Ruiz, con quien nos reunimos previamente, para buscar una comunicación epistolar con ustedes y poner en consideración las siguientes apreciaciones y cuestionamientos, en el marco de nuestro compromiso expreso y ancestral por la paz, por la solución política del conflicto y por el diálogo y la negociación como camino para construir aquéllas.

Los pueblos indígenas de Colombia y en particular los del Cauca hemos avanzado en los últimos 40 años en precisar nuestro proyecto político estratégico, que podemos sintetizar en tres elementos: 1) La necesidad de transformar el sistema político para que haya justicia, democracia y gobierno de los más, vida buena y armonía con la naturaleza; 2) la necesidad de que en ese nuevo sistema político se respete de verdad y en profundidad el derecho de los pueblos indígenas a gobernarnos y a gobernar los territorios y los recursos naturales, junto a nuestro compromiso y convicción de que la Madre Tierra no es propiedad de nadie (y menos de las transnacionales) sino que debe ser protegida y liberada para que alimente y cuide a todos los seres vivos; y 3) la necesidad de que las relaciones entre los pueblos sean de entendimiento, respeto y solidaridad. Dicho en otras palabras, buscamos un sistema político verdaderamente democrático (y no lo hay), un sistema económico alternativo que no destruya la naturaleza y el ambiente, y una sociedad en armonía.

Todo lo anterior necesita y supone la construcción de la paz. En la urgente consolidación de la paz, hemos llegado a una conclusión simple pero que consideramos verdadera: “No habrá paz para los colombianos y las colombianas, si no hay paz para los indígenas, y no habrá paz para los indígenas si no hay paz para todos los colombianos”. No queremos simplemente ser excluidos de la guerra y sus atrocidades, al tiempo que ésta sigue asolando al país y a los otros pueblos; no queremos meternos en un caparazón mientras la gente se asesina. No. Queremos que la guerra termine.

Humildemente, consideramos que hemos avanzado en todos esos propósitos. En el departamento del Cauca, la organización y la movilización indígenas nos han permitido consolidar ejercicios reales de autogobierno y poder popular, hemos logrado un creciente control sobre territorios y recursos naturales, y persistimos en defender un modo de vida que no acabe con la naturaleza ni con la vida. No somos ingenuos sobre estos logros. Sabemos que son relativos frente al avance del modelo económico extractivista y depredador, que construir gobiernos democráticos de base comunitaria es lento, que defender un modo de vida alternativo en medio del consumismo es a veces imposible. Pero aún así, toda nuestra organización está dispuesta a defender, con todos los medios posibles, estos avances. Porque están encaminados a un propósito justo, y porque entendemos que pueden ser un aporte al conjunto del movimiento popular.

Pero contra estos propósitos que consideramos justos, atentan no solo el modelo económico depredador y el sistema político ilegítimo y mafioso que hoy desgobiernan al país. Públicamente hemos dicho que varios de sus comportamientos y acciones están en abierta contravía con lo que venimos construyendo: mientras nosotros construimos un gobierno municipal popular que le rinde cuentas a los cabildos y a la asamblea de comuneros, ustedes se toman el municipio, destruyen algunas casas y dan pretexto para que la fuerza pública invada las comunidades; nosotros, desarmados y con la cara descubierta, desmontamos las trincheras de la policía del centro de Caldono, Toribío y Jámbaló para que su presencia no afecte a la población civil, mientras ustedes dejan minas antipersona y no tienen ninguna consideración por la gente que no hace parte de la guerra; mientras nosotros sin ningún temor le hacemos juicio a los militares que han asesinado a comuneros indígenas, ustedes secuestran a funcionarios indígenas y no indígenas de la alcaldía de Jambaló para enjuiciarlos por robar dinero, como si no hubiéramos dado muestra de tener capacidad de aplicar justicia comunitaria. Es como si ustedes estuvieran en contra del poder popular y del gobierno directo de los comuneros; un comunero nos decía que pareciera que ustedes estaban por la toma del poder que los pobres y los indios hemos construido con mucho esfuerzo, y habían renunciado a tomarse el poder que tienen los ricos.

Lo que ahora más nos preocupa es la campaña que de tiempo atrás vienen ustedes impulsando para crear estructuras paralelas a las que nosotros hemos construido. Los grupos de milicianos y las iniciativas que ellos mueven dentro de las comunidades, se han convertido en un enorme factor de riesgo para la vida de los indígenas y en una amenaza a la organización. Ustedes saben que las armas enferman a la gente que las carga, los hace más arrogantes y vanidosos frente a los que van desarmados; saben también que muchos jóvenes se meten en esos grupos por razones que no son políticas, a veces incluso para resolver problemas familiares, o para eludir el cumplimiento de obligaciones o sanciones de la comunidad, y casi siempre se trata de muchachos y muchachas con escasa formación política; y también ustedes saben que cuando hay grupos armados cerca, siempre hay los que quieran acudir a ellos para que les resuelvan sus problemas personales. Muchas de estas peleas se presentan como peleas políticas, y los encargados de los grupos armados terminan prestándose a ese juego con el propósito de ganar amigos o de que algunas personas les deban favores.

Más grave todavía, es que esos grupos milicianos son las fuentes con que las organizaciones armadas alimentan de información “confiable” su intervención política. El resultado es que ustedes terminan haciendo política a base de rumores, de chismes y de peleas personales, que se convierten en señalamientos absurdos. Ahora mismo, tenemos amenazados por gente de ustedes (no sabemos si con orden del Secretariado) a los líderes más destacados de la ACIN y el CRIC, y a asesores no indígenas que nos han acompañado por 30 y 40 años, acusados de ser amigos del gobierno. Y a los funcionarios de la alcaldía indígena acusados de robarse plata, en pura retaliación porque nuestra guardia indígena los liberó y nuestra justicia sancionó a los milicianos indígenas responsables del secuestro, ahora están en la lista de gente que debe ser asesinada. En otra época se hablaba de juicios populares; ahora la mera voluntad de una persona basta para condenarla a muerte.

Por ese camino, de involucrar forzadamente a la gente en un grupo armado, o de forma voluntaria pero sin atender a consideraciones políticas, vamos a llegar a situaciones de señalamientos generalizados, que han producido masacres como la de nuestros hermanos Awá o las que han pasado con los Kankuamos, y a repetir un montón de atropellos y crímenes que ustedes han reconocido. Cada situación será distinta, pero en el fondo lo que hay es el interés de ustedes y del Estado, de meternos a fuerza en la lógica guerrera.

Ya les dijimos que nosotros no somos externos al conflicto, estamos dentro como víctimas y queremos estar dentro como actores que ayuden a resolverlo. Pero no queremos ser un grupo armado, no queremos que nuestros comuneros se vuelvan combatientes de ningún ejército, porque hemos encontrado que la movilización directa de la gente, el gobierno popular y la organización consciente de todos y todas, son más poderosas que cualquier fuerza armada; y nuestra propia experiencia nos dice que una fuerza armada que se separa de la gente que la parió y se impone sobre ella, se vuelve una fuerza de ocupación, y toda fuerza de ocupación se vuelve odiosa para la gente y está condenada a la derrota.

Sabemos que la guerra produce estas situaciones. Pero eso no las justifica. Y por el contrario, nos obliga a resolverlas, y a resolver el conflicto mismo. En eso estamos comprometidos. Queremos que esta carta sirva para abrir un diálogo público con ustedes, que esperamos sea directo y transparente, que ayude a resolver los problemas y a avance en el camino de la paz, y que no agrave la situación. Y esperamos que a ello contribuyan las órdenes que ustedes den para impedir que las amenazas y señalamientos de que hemos hablado se conviertan en una realidad dolorosa para nuestro pueblo.


Dada la urgencia de esta situación esperamos una pronta respuesta.



Atentamente,



ASOCIACIÓN DE CABILDOS INDÍGENAS DEL NORTE DEL CAUCA-ACIN
CONSEJO REGIONAL INDÍGENA DEL CAUCA -CRIC


Colombianas e Colombianos pela Paz;
Senadora PIEDAD CÓRDOBA

Bogotá.

Recebam o saúdo cordial das guerrilheiras e guerrilheiros das FARC-EP.

O diálogo epistolar sobre o problema da guerra e da paz, reúne a cada dia a mais e mais colombianos, e suscita a adesão das mais variadas organizações e personalidades do mundo, sob a certeza do caráter político que reviste a confrontação.

Estamos seguros que la recente liberação unilateral de seis prisioneiros a instâncias de sua importante gestão, estimula o esforço coletivo que busca a solução ao imenso drama que vive Colômbia. Colombianas e Colombianos pela Paz está fazendo renascer a esperança de um país que sente no profundo de seu ser nacional que nosso destino histórico não pode ser la guerra civil nem tampouco o submetimento indefinido a um regime corrupto e injusto, eminentemente militarista, guardião de interesses políticos e econômicos de uma minoria oligárquica e de uma elite privilegiada, anti-democrática, excludente socialmente, surda às angustias das maiorias nacionais e insensível ante os reclamos e necessidades da gente humilde. Nas FARC-EP estamos convencidos que outra Colômbia é possível e que se podem forjar entre todos, alternativas políticas rumo à elaboração do projeto de uma sociedade nova, mais equilibrada, includentes e justa.

Gostaríamos de reiterar-lhes que estamos prontos para a Troca de prisioneiros de guerra e em disposição de não fazer do lugar de diálogo um obstáculo insuperável, privilegiando a liberdade dos prisioneiros em poder das partes enfrentadas.

Para nossos porta-vozes Pablo Catatumbo, Carlos Antonio Lozada e Fabián Ramírez reclamamos garantias efetivas, consignadas em protocolos acordados conosco, que definam condições de modo, tempo e lugar, e publicados com suficiente antecipação. É necessário que ademais do acompanhamento do CPP, também, participe uma veeduría da Comunidade Internacional.

Estas exigências não são um capricho. Vocês e todo e país presenciaram as provocações e o risco real que rodearam e quase frustraram a liberação unilateral dos quatro uniformizados, de Alan Jara e Sigifredo López que nos dispensa de referir-lhes inúmeras situações anteriores de idêntica fatura e concepção.

Na sua missiva nos pedem regressar ao tema das retenções econômicas, sobre o qual já lhes refletimos anteriormente com toda franqueza. Sucede que o governo, em aras de sua luta contra-insurgente, impulsiona uma matriz de opinião artificial e mentirosa em procura de um efeito na população, deliberadamente sujo e manipulador.

As cifras oficiais insistem, através de uma campanha permanente, que as FARC teriam em seu poder a mais de 3.800 retidos por razões econômicas. Temos consultado todas nossas estruturas político-militares espalhadas pelo território nacional e podemos informar, que à presente data, sob a responsabilidade das FARC-EP, só existem 9 (nove) retidos por conceito da Lei 002.

O militarismo a todo transe e a desinformação que distingue esse governo tem intoxicado com sua reconhecida perfídia o assunto. Recordamos que na carta anterior enumeramos o universo dos atores que na Colômbia praticam essa modalidade.

Queremos insistir-lhes na importância de manter vigente a bandeira da liberdade para os presos políticos, a maioria deles vítimas de montagens não alheios à estratégia governamental de dissuadir a quaisquer intento de projeto de alternativa e opção política, assim como também, a não deixar apagar a luta contra esses crimes oficiais e sistemáticos apresentados como "falsos positivos", as desaparições forçadas e os deslocamentos forçados que hoje estremecem à opinião mundial.

Estamos analisando as propostas da Senadora Piedad Córdoba que visam dinamizar o caminho rumo à paz com Justiça Social, e nesse marco anunciamos o compromisso de enviar, quando tenhamos condições propicias, provas de super-vivência dos 20 militares e policiais prisioneiros, a suas famílias.

Em atenção a essa mesma solicitação, os restos mortais do major Guevara serão entregados a sua mãe em data e lugar que indicaremos mais adiante, quando a situação da ordem pública o permita, à vez que elevamos a solicitação para Colombianas e Colombianos pela Paz de que exijam do governo nacional a entrega dos cadáveres dos Comandantes Raúl Reyes e Iván Ríos a suas famílias.



De vocês, atentamente:



Secretariado do Estado Maior Central, FARC-EP



Montanhas da Colômbia, março 28 de 2009