"A LUTA DE UM POVO, UM POVO EM LUTA!"

Agência de Notícias Nova Colômbia (em espanhol)

Este material pode ser reproduzido livremente, desde que citada a fonte.

A violência do Governo Colombiano não soluciona os problemas do Povo, especialmente os problemas dos camponeses.

Pelo contrário, os agrava.


sexta-feira, 12 de outubro de 2007

A Neutralidade Brasileira no Conflito Colombiano

Desde 1964, portanto há 43 anos, existe uma guerra na Colômbia onde ambas as partes detêm autoridade de Estado, e estão dotadas de soberania, conforme as clássicas definições de Tucídides e de Dionísio de Halicarnasso. A Plataforma Política da nascente Guerra de Guerrilhas Móveis em Marquetalia, foi lançada no dia 20 de julho desse ano e é conhecida como o Programa Agrário dos Guerrilheiros.

[Silvio de Albuquerque Mota/Jurista]

As guerras são acontecimentos objetivos. Não dependem de formalidades. Grotius, considerado o pai do moderno Direito Internacional Público, (Huigh de Groot, 1583 -1645) chegava a classificar as guerras em públicas, privadas e mistas. O que importava nessa classificação era se as partes tinham a autoridade de Estado. Soberania.

Tucídides define a soberania como o poder de fazer as próprias leos, e Dionísio de Halicarnasso complementa essa definição como o poder de nomear autoridades, executar e revogar leis, administrar a justiça e fazer a guerra e a paz.


Desde 1964, portanto há 43 anos, existe uma guerra na Colômbia onde ambas as partes detêm autoridade de Estado, e estão dotadas de soberania, conforme as clássicas definições de Tucídides e de Dionísio de Halicarnasso. A Plataforma Política da nascente Guerra de Guerrilhas Móveis em Marquetalia, foi lançada no dia 20 de julho desse ano e é conhecida como o Programa Agrário dos Guerrilheiros.O estado de guerra e portanto a situação de beligerantes das partes envolvidas pode contar, em uma guerra civil, com o próprio reconhecimento do velho Estado existente ou do reconhecimento internacional.

As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia – Exército do Povo (FARC-EP) propugnaram pelo reconhecimento interno dessa situação em 1999, mas o governo central não aceitou seu pedido alegando que não cumpriam com as condições exigidas para tal pelo Direito Público Internacional.

Isso numa guerra civil que leva 43 anos e na qual o movimento insurgente se fortaleceu cada vez mais nos aspectos políticos, organizacionais, militares, de controle territorial e jurídico, à ponto de tornar impossível sua derrota militar, pois não foi obtida pela classe dominante e seus sucessivos governos, nem sequer com a ajuda massiva de uma potência estrangeira, os Estados Unidos da América.

Há países como a Venezuela, que já declararam sua neutralidade diante do conflito, reconhecendo implicitamente às FARC-EP a condição de beligerantes. Basta ver o tratamento que o Presidente Chávez como mediador está dando, tanto ao Comandante-em-Chefe das FARC-EP como o atual Presidente da Colômbia. Também há governos que se negam a aceitar as pressões do imperialismo norte-americano com as que busca obrigá-los a qualificar as FARC-EP com a expressão “terroristas”. Menciono dois> Os governo de Luis Inácio Lula da Silva, no Brasil e o de Rafael Correa no Equador.

Veremos mais adiante, ao realizar conversas com os insurgentes, assinar acordos entre as partes, estabelecer zonas desmilitarizadas e participar o próprio Presidente da República em discussões com Manuel Marulanda Vélez, Comandante-em-Chefe das FARC-EP.

Um estado jurídico reconhecido não pode retroceder no tempo, sobretudo quando as causas que deram origem ao conflito continuam sem ser solucionadas.

Grotius reconhece a guerra civil como equivalente à pública, entre dois países com direito a embaixadores (“On the Law of War and Peace”, Kessinger Publishing, Estados Unidos, página 154). Também reconhece que “as guerras, para conseguir seus objetivos, não se pode negar, devem empregar a força e o terror como seus agentes mais próprios.” (op. Cit. Página 232).

O Protocolo II da Convenção de Genebra declara:

PROTOCOLO II ADICIONAL À CONVENÇÃO DE GENEBRA DE 12 DE AGOSTO DE 1949 RELATIVO À PROTEÇÃO DAS VÍTIMAS DOS CONFLITOS ARMADOS SEM CARÁTER INTERNACIONAL

TÍTULO I. ÀMBITO DO PRESENTE PROTOCOLO
ARTÍGO I. Âmbito de aplicação material.1. O presente Protocolo, que desenvolve e completa o artigo 3º comum à Convenção de Genebra de 12 de agosto de 1949, sem modificar suas atuais condições de aplicação, se aplicará à todos os conflitos que estejam cobertos pelo artigo I do Protocolo adicional à Convenção de Genebra de 12 de agosto de 1949 relativo à proteção das vítimas dos conflitos armados internacionais (Protocolo I) e que se desenvolvam no território de uma Alta Parte Contratante entre suas forças armadas e forças armadas dissidentes ou grupos armados organizados que, diante da direção de um Comando responsável, exerçam sobre uma parte do território um controle que lhes permita realizar operações militares sustentáveis e organizadas e aplicar o presente Protocolo.

2. O presente Protocolo não se aplicará às situações de tensões internas e de distúrbios interiores, tais como motins, atos esporádicos e isolados de violência e outros atos análogos, que não são conflitos armados.

O artigo 3 da Convenção de Genebra, mencionado no Protocolo II acima citado, tem a seguinte redação: ARTIGO 3:

“Em caso de conflito armado de caráter internacional ( ou de caráter interno, segundo o Protocolo II) que ocorra no território de uma das Altas Partes Contratantes, cada Parte do conflito deve aplicar, como mínimo, as seguintes disposições:

1. As pessoas que não tomem parte ativa nas hostilidades, inclusive membros das forças armadas que hajam deposto suas armas e os postos fora de combate por enfermidades, feridas, captura ou qualquer outra causa, devem ser tratados com humanidade em todas as circunstâncias, sem distinção de raça, cor, religião ou convicção, sexo, nascimento ou riqueza, ou qualquer outros critérios semelhantes.

Para esse objetivo, estão e permanecerão proibidos os seguintes atos em qualquer tempo ou lugar relativamente às pessoas acima mencionadas:

(a) Violência contra a vida e a pessoa, particularmente o assassinato de todas as espécies, mutilação, tratamento cruel e tortura;

(b) Tomar reféns;

(c) Ofensas à dignidade pessoal, em particular tratamento humilhante e degradante;(d) Expedição de sentenças e aplicação de execuções sem prévio julgamento por um tribunal regularmente constituído, com todas as garantias judiciais que são reconhecidas como indispensáveis pelos povos civilizados;

2. Os feridos e doentes devem ser atendidos e cuidados.Uma instituição humanitária imparcial, como o Comitê Internacional da Cruz Vermelha, poderá oferecer seus serviços às Partes em conflito. As partes em conflito devem, além disso, empenhar seus esforços em fazer valer, por meio de acordos especiais, todas ou parte das outras disposições da presente Convenção.”

A aplicação das disposições precendetes não afetará o estado legal das Partes em conflito. Essas disposições, que são obrigação internacional tanto da Colômbia como do Brasil, não vêm sendo observadas. Ou pior todavia, foram observadas em diversas ocasiões, inclusive com troca de prisioneiros, e deixaram de ser observadas pelo atual governo da Colômbia, ainda permanecendo na mesma situação.

Como exemplo do reconhecimento da condição de beligerante das FARC podem ser citados:

1. 1982 -1986 Conversas entre a Comissão de Paz do Governo Belisario Betancur e o Secretário das FARC-EP na região de Casa Verde, Município de La Uribe, Estado do Meta, chegando à assinatura dos conhecidos Acordos de La Uribe. Foi estabelecido entre as partes um cessar fogo bilateral, uma trégua e um processo de paz, cujo fruto principal foi o surgimento do movimento político União Patriótica, posteriormente massacrado pelo Estado. Estes diálogos demonstraram claramente que a solução do conflito é de caráter político.

2. 1986-1990: Várias reuniões entre representantes do governo de Virgilio Barco e o Secretariado das FARC, na idéia de dar continuidade ao Processo de Paz já iniciado.

3. 1990-1994: Conversas entre o governo de César Gaviria e as forças insurgentes agrupadas na Coordenadoria Guerrilheira Simón Bolívar em Cravo Norte (Colômbia), Caracas (Venezuela) e Tlaxcala (México).

4. 1998-2002: Visita do Presidente eleito Andrés Pastrana aos acampamentos das FARC-EP e entrevista com o Comandante-em-Chefe, Manuel Marulanda Vélez. No dia 07 de janeiro de 1999, instalação públicas dos diálogos de paz em San Vicente del Caguán, um dos cinco municípios desmilitarizados pelo governo nacional por exigência das FARC-EP para iniciar os diálogos. Assistiram convidados nacionais e internacionais, os poderes do Estado colombiano e o Corpo Diplomático colombiano. Não se deve dizer que as FARC-EP têm reféns seqüestrados, mas prisioneiros.

Grotius já reconhecia que “...qualquer poder pode deter os súditos (ou cidadãos) de outro Estado, para obter a liberação dos seus que estejam detidos por aquele Estado.”(op. Cit. Página 246). Reconhece também a evolução de grupos irregulares à condição de beligerantes, equivalentes a Estados (op. Cit. Pagino 250).

Ressalta-se que nos Regulamentos das FARC-EP estão estipulados como infrações, consequentemente crimes militares:

1. Uso de calúnia contra as massas.

2. Falta de respeito com os membros do movimento de massas.

3. O assassinato de homens ou mulheres da população civil.

4. A violação sexual.

5. O roubo praticado contra a população civil.

6. Os negócios enganosos ou leoninos contra as massas.

7. O consumo de drogas.

8. Qualquer atividade que vá contra a moral revolucionária, contra os costumes da população ou que tenda a rebaixar o prestígio das FARC-EP diante do povo.

9. Todas as atividades encaminhadas a impedir a liberdade de culto religioso.

Um movimento insurgente com tais normas atende ao disposto no Protocolo II da Convenção de Genebra para ser considerado como organizado e como organização que já aplica o citado Protocolo.

O controle das FARC-EP sobre parte do território colombiano é inquestionável. Além disso, no exercício de sua soberania, as FARC-EP estabeleceram as seguintes normas que regulam o tratamento com a população civil nos territórios sob seu controle:

1. Nosso comportamento diário e os planos que nos regem devem partir dos interesses do povo.

2. Devemos respeitar as idéias e atitudes políticas, filosóficas e religiosas da população e, particularmente, a cultura e a autonomia das comunidades indígenas e de outras minorias étnicas.

3. Não devemos impedir o exercício do voto nem obrigar o povo a votar.

4. Nos planos político-militares, tanto no desenvolvimento como em seus movimentos diários, deve-se levar em conta a segurança dos trabalhadores, de suas casas e de seus bens.

5. Devemos respeitar as diversas medidas que tomem nossos colaboradores para manter o segredo de sua relação conosco.

6. A disciplina interna e o trabalho de massas deve privilegiar o cuidado com os inocentes e/ou amigos, para que por nossa negligência ou omissão não fiquem eles à mercê dos terroristas e do exército oficial.

7. Em todos os lugares nos quais as massas sejam agredidas pelo exército oficial e pelos paramilitares, com bombardeio e destruição de seus bens, devemos ser ativos na denúncia e no combate à essas atividades terroristas, para que o povo se sinta defendido por nós.

8. Se considera um delito o assassinato e todos os atentados que sejam comprovados, cometidos contra a população civil.

9. Não deve haver imposições às massas de nossa parte. Devemos procurar que vejam nossas armas como suas.

10. As reclamações da comunidade sobre agressões de combatentes ou outras pessoas devem ser investigadas exaustivamente de acordo com as condições de nossa guerra revolucionária.

11. Caso seja necessário prender uma pessoa por delito composto ou comprovado, sendo essa militante ou simpatizante de uma organização irmã, deve ser entregue à essa organização o caso e, se possível, a pessoa.

12. Os chefes e os combatentes devem estudar e praticar as normas do Direito Internacional Humanitário de acordo com as condições de nossa guerra revolucionária.

13. Em qualquer caso nosso princípio fundamental é o respeito pelo direito à vida.

14. Os chefes e combatentes devem levar em conta que os justiçamentos só podem ser executados por delitos muito graves dos inimigos do povo e com autorização expressa do comando superior para cada caso. Em todos os casos devem ser confrontadas provas e as decisões devem ser assumidas coletivamente, com atas circunstanciadas de toda a instrução comprovatória.

15. O alcoolismo, a dependência de drogas, o roubo, a desonestidade, são vícios contra-revolucionários que prejudicam a confiança de nosso povo.

16. Devemos evitar os abusos da confiança e da generosidade do povo, não exigindo bens para benefício pessoal.Aí está claro o exercício da soberania.

Aí estão as normas penais e processuais, de acordo com as vigentes nos países civilizados. Pense agora, quando existe estancamento na Troca de prisioneiros de guerra.

O caso colombiano é típico dos possíveis de necessária aplicação das normas do Direito Internacional Público e do

Direito Internacional Humanitário, devendo ser reconhecida pela República Federativa do Brasil a condição de beligerante das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia – Exército do Povo e nossa neutralidade diante de seu conflito com a República da Colômbia.

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Dirigentes do Partido Fundado Por Alvaro Uribe Estão na Prisão

O partido Colômbia Democrática, que foi fundado pelo presidente Álvaro Uribe com seu primo, o até ontem senador Mario Uribe, ficou órfão. Seus chefes naturais hoje estão na prisão acusados de terem supostos nexos com o paramilitarismo.





[Tomado da webb-PDA]


Nessa leva estão detidos Miguel de la Espriella e Álvaro García Romero.

Mario Uribe foi chamado pela Corte Suprema a prestar depoimento. Esta terça renunciou ao Senado.

Com o chamado ao depoimento do senador Mario Uribe Escobar, o partido Colômbia Democrática, o mesmo que fundou o congressista com o hoje presidente da República, Álvaro Uribe Vélez em agosto de 1985, perdeu suas principais figuras.

Álvaro García Romero, segundo na lista dessa coletividade para o Senado, está na prisão de La Picota. A mesma sorte teve o terceiro chefe, Miguel de la Espriella. O vez agora foi para o topo da lista e fundador Mario Uribe Escobar, quem a Corte Suprema de Justiça chamou à prestar depoimento (assim como García e de la Espriella), por supostos vínculos com as auto-defesas.

O senador Mario Uribe Escobar renunciou à sua vaga no Senado assim que foi chamado a depor pela Corte Suprema de Justiça.

Álvaro García Romero e Miguel de la Espriella, eleitos para o Senado no segundo e terceiro postos da lista desse partido, estão na prisão.

Uribe Escobar, primo e sócio político do presidente Álvaro Uribe durante muitos anos se submeteu à justiça ordinária como chefe da Fiscalía Geral da Nação.

Colômbia Democrática se orgulha de contar com o presidente Álvaro Uribe entre seus fundadores. No cabeçote de sua página web exibe as imagens de Mario Uribe e do presidente Uribe, com esta legenda: “Álvaro Uribe Vélez, fundador do Partido”.

Os substitutos

José Gonzalo Gutiérrez, Luzelena Restrepo Betancur e Ricardo Ariel Elcure Chachóm, que assumiram no lugar dos três principais líderes de Colômbia Democrática, não possuem muita trajetória política. O primeiro é um próspero empresário do transporte em Bogotá, a segunda é a filha da mentalista Regina Betancur e o terceiro um dirigente regional.

Tampouco conseguiram grandes votações. Gutiérrez obteve 34.125 votos, Restrepo 8.367 e Elcure apenas 4.017 votos.

Os caos de García Romero e de la Espriella, foram muito ouvideos no concerto da para-política.

Os casos mais graves

García Romero, um dos primeiros congressistas presos por suas relações com os paramilitares, enfrenta os cargos mais duros de todos os legisladores presos.

A Corte o chamou ao julgamento sob acusação de ser o ‘mandante’ da matança, perpetrada pelos paramilitares de Rodrigo Mercado Pelufo, codinome ‘Cadena’, em outubro de 2000, conhecida como o “massacre de Macayepo”.

Também foi acusado de intervir na morte de Georgina Narváez Wilches, uma testemunha eleitoral que em 1997 denunciou a fraude na eleição do governadore de Sucre, que terminou com o triunfo de Erik Morris (também preso na atualidade) e agregou um caso mais que evidente, pois supostamente García usou sua influência no estado para desviar dinheiro público.

Miguel de la Espriella, o outro senador da Colômbia Democrática atrás das grades, foi um dos principais protagonistas do “Pacto de Ralito” e um dos primeiros a admitir que fez trabalho político para os paramilitares.

Ontem (07/10/2007), ao anunciar sua renúncia, Mario Uribe disse que seu partido segue vivo, que tem 275 mil integrantes em todo o país e 5.360 candidatos às eleições do próximo 28 de outubro.

Uribe recusou explicar a situação, mas deu parte de vitória em comunicado.

Ao renunciar a sua vaga no Senado, Mario Uribe recusou-se a dar as caras aos jornalistas.

Em uma comunicação escrita divulgada minutos depois de fazer pública sua decisão, o chefe da Colômbia Democrática deu idéia de vitória, ao revelar que 5.360 ativistas de seu partido aspiram consquistar cargos de eleição popular nos comícios deste 28 de outubro e que outras 433 já os têm.

Uribe não explicou se os votos que seu partido aspira conseguir nas eleições regionais para eleger esses 5.360 ativistas tem as mesmas fontes dos votos que em março de 2006 elegeram aos congressistas hoje processados e à ele mesmo.

“Colômbia Democrática é muito mais que o nome de um partido: está constituído por mais de 275 mil integrantes ativos”, disse Uribe.

Tampouco explicou quem ficará ao mando de Colômbia Democrática, ao retirar-se como congressista e ficar no poder da justiça para resolver seu caso. Ou se ele seguirá à frente, enquanto tal, dessa instância política.

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quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Chávez: Uribe Deve Participar e Não Atrapalhar

“Decidimos suspendê-la por falta de segurança (hoje); quanto à isso devo ser claro e devo dizer desta maneira: acredito que o governo do presidente Uribe deve ajudarnos nesse sentido (porque) não ajudaram muito as declarações de seu ministro da Defesa (...), quando disse que “os das FARC que se movam por sua conta e risco” e que, além disso, “seguiriam fazendo operações militares para tratar de capturar” seus líderes “e extraditá-los aos Estados Unidos”.

[Com Informação da EFE]


O presidente venezuelano, Hugo Chávez, disse ontem que o governo do seu homólogo colombiano, Álvaro Uribe, “deve participar e não atrapalhar” sua reunião com as FARC para um acordo humanitário colombiano, ao confirmar que a reunião prevista para amanhã (hoje) não se realizará, afirma a agência EFE.
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“Compadre Uribe, você deve me ajudar à que cheguem à raia” fronteiriça os representantes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), o exortou Chávez em seu programa dominical de rádio e televisão “Alô, presidente”, após lamentar que a reunião desta segunda em Caracas deve ser suspensa “por falta de segurança”.

“Decidimos suspendê-la por falta de segurança (hoje); quanto à isso devo ser claro e devo dizer desta maneira: acredito que o governo do presidente Uribe deve ajudarnos nesse sentido (porque) não ajudaram muito as declarações de seu ministro da Defesa (...), quando disse que “os das FARC que se movam por sua conta e risco” e que, além disso, “seguiriam fazendo operações militares para tratar de capturar” seus líderes “e extraditá-los aos Estados Unidos”.
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“Como dizem na Colômbia, isso é dar pau na roda”, disse e convidou Uribe à reflexão, “com madurez e inteligência”, para facilitar-lhe o trabalho de política interna colombiana que cumpre e para a qual este o autorizou expressamente, o qual agradeceu.
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“Agradeço ao presidente Uribe seu apoio. Ele considerou que minha intervenção (para um acordo de troca de prisioneiros por guerrilheiros presos) pode ser útil. Obrigado. Agora lhe peço apoio”, sustentou e enfatizou que uma reunião sua com os chefes guerrilheiros será “o mais importante” nesse empenho.
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“Mas se eu não posso falar com as FARC como faço?”, se perguntou, ainda que dissesse não duvidar de que Uribe “quer sim o acordo humanitário; me disse e eu acredito”, e que o próprio o assegurou através de emissários os chefes das FARC.
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À uns e outros lhes insistiu: “Devem ajudarnos para que possamos ajudar”.
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Chávez qualificou de “malévolo” um artigo de um “analista” que não identificou, segundo o qual em uma jogada de “gênio”, Uribe se vale dele para ter em um local os chefes da FARC e capturá-los.
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“Não acredito que seja assim”, expressou, apesar de dizer que “consta” que na Colômbia “se movem muitas forças que se opõem” ao acordo.
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Confirmou que tratará o assunto pessoalmente com Uribe o próximo 12 de outubro “na Guajira colombiana”, quando ambos inauguram umas obras petroleiras em um ato no qual também assistiram o presidente do Equador, Rafael Correa, porque também se analisará a eventual volta da Venezuela à Comunidade Andina (CAN), adiantou.
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Na edição de “Alô, presidete” participou hoje a senadora colombiana Piedad Córdoba, a quem Uribe também outorgou a permissão oficial de seu governo para ajudar a alcançar a troca.
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A senadora destacou a entrevista que com esse mesmo fim se realizará em Paris no dia 20 de novembro com o governante venezuelano e o presidente francês, Nicolas Sarkozy.
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Chávez recebeu nessa terça Daniel Parfait, diretor para as Américas e o Caribe do Ministério de Assuntos Estrangeiros da França, ex-embaixador de seu país na Colômbia e cunhado da colombo-francesa Ingrid Betancourt, ex candidata presidencial da Colômbia, uma das pessoas que se beneficiaria com a troca.
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Além do presidente francês, a busca do acordo humanitário é apoiada pelo governo dos Estados Unidos, que expressou sua disposição em colaborar no processo, para o qual Chávez sugeriu fazê-lo liberando os guerrilheiros “Simón Trinidad” e “Sonia”, extraditados à esse país pela Colômbia, o que Chávez remarcou hoje que deixaria de comentar.
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A Verdadeira Face de Uribe

Na Carruagem: Bush-Uribe de visita em Washington!


[Marcos Esteban Rodríguez]




O presidente Uribe nã faz senão “ralar o cobre” em cada uma de suas intervenções. Com seus atos e o de seus lacaios, mostra seu espírito belicoso e sua falta de vontade política para alcançar o que é tão anseado pela imensa maioria dos colombianos, o acordo de Intercâmbio Humanitário.


Uribe tenta construir uma imagem pacifista e conciliadora, nomeando a senadora Piedad Córdoba como facilitadora da Permuta Humanitária. Porém, por outro lado manda seu filho predileto, o oligarca, inimigo do campesinato, ministro da Agricultura, Andrés Felipe Arias, em uma cruzada nacional contra o despejo, que inclui camiseta e sotaque paisa – uribista, em que não deixa de ser uma vil e absurda imitação, pré-campanha presidencial 2010. Esclareço: Nem todos os paisas são uribistas, assim como nem todos os uribistas são paisas.


Nessa mesma órdem, Uribe aceita a mediação do presidente da República Bolivariana da Venezuela, Hugo Chávez, quee convidou o comandante Marulanda ao palácio de Miraflores, em Caracas, para tentar construir e consolidar uma proposta que permita o Intercâmbio Humanitário entre detidos do Governo e das FARC; proposta que os insurgentes, por meio do comandante Raúl Reyes, que preside a Comissão Internacional da organização, não descartam, porém primeiro haveria um encontro Reyes – Chávez em Caracas em 8 de outubro deste ano, para e4ste encontro as FARC convidam o presidente Nicolas Sarcozy, da França.


Imediatamente outro filhode Uribe, o ministro da Defesa, Juan Manuel Santos, disse que as operações no sul do país contra Reyes e a comandância das FARC não cessarão, e não se habilitará nenhum corredor especial para que este possa sair do país. Uribe por sua parte afirmou que o encontro em Caracas as FARC o utilizará para fazer política e buscar assim um “Status de Beligerância”. Indicando que “não podemos permitir que o grupo terrorista das FARC abuse das opções que o governo abre em busca da libertação dos sequestrados e das boas intenções de membros da comunidade internacional para contribuir a que libertem os seqüestrados”.


As opções não são as do governo, são as que os intermediários e facilitadores planejaram e as que as FARC têm manifestado sempre para a realização do Intercâmbio: a evacuação de Florida e Pradera. A única opção do governo, com relação aos 47 detidos em poder da guerrilha, é o resgte militar a sanfue e fogo. Porque para o Presidente, a retirada da Força Pública dos municípios implica “perda de soberania”, na reencarnando o termo ao melhor estilo Hobbesiano e a teoria do Estado – Nação do Século XIX, como se a Colômbia alguma vez em sua história houvera gozado de Soberania, como se a presença de mercenários israelitas, ingleses e gringos operando em território colombiano; a negociação do TLC; a dívida externa; a venda das empresas de comunicação, das aerolínhas e demais; a explração dos recursos naturais em mãos de transnacinais estrangeiras foram “o exercício da soberania nacional do estado colombiano” ou, melhor ainda: Será que para Uribe, Santa Fé de Ralito e a narcoparapolítica são expressão da soberania de estado colombiano?


O presidente Uribe cada vez deixa ver sua verdadeira cara, mostra-se tal como é: um déspota litifundista oligarca paramilitar, cuja negativa à evauação e ao Intercâmbio se deve a não querer reconhecer que na Colômbia existe um conflito socialarmado, e a não reconhecer que o Estado não é soberano, e que, pelo contrário, existem dois governos, como afirmou, faz já algum tempo, o Comandante Reyes: “o de Bogotá e o nosso”.


A Colômbia, como Estado, não é viável desde que siga sendo dirigida por que hoje está na Casa de Nariño, cuhas caras tendem a ser do Terrorismo de Estado, o narcoparamlitarismo, aguerra total contra o povo e o servilismo ao império norteamericano.

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

A verdadeira esquerda política


Recordo uma reunião na cidade de Cali, há alguns anos, com organizações políticas e sociais, onde um líder comunitário da cidade perguntou ao senador como concebia ele um processo para chegar à paz na Colômbia; e todos nos surpreendemos quando, automaticamente, Petro respondeu: “... as FARC têm que ser derrotadas militarmente e logo se deve pactuar sua desmobilização...” Como vemos, a concepção militarista e contra-insurgente de Petro não é nada nova.

O PCCC em ação! silenciosamente!


[Juan Pablo Jara / Membro do Partido Comunista Clandestino Colombiano]



Temos escutado nas últimas semanas múltiplas vozes da Direita colombiana, a qual monopoliza todos os meios massivos de comunicação do país, promovendo a conformação do que eles chamam uma “Nova Esquerda”. Oportunisticamente, ante as recentes discussões dentro do Pólo Democrático Alternativo (PDA), convidam a conformar um Partido de “Centro-esquerda”, visando as eleições de 2010.



Toda esta estratégia da Direita surgiu da campanha de desinformação e calúnias que, há vários meses, iniciou o senador Gustavo Petro contra as FARC-EP. Para os que conhecem o caráter egocêntrico e arrogante deste senador, nos fica claro que todo seu chilique publicitário obedece fundamentalmente a sua obsessão por perfilar-se como candidato presidencial, imitando os ruins métodos de marketing político que levaram Uribe Vélez à presidência.



Está suficientemente claro que o senador Petro não é motivado por ideais nobres nem altruístas frente à justiça social, a paz e o verdadeiro progresso do país. Petro está movido por uns marcados e obsessivos interesses de protagonismo individual que não só lhe têm permitido a violação de mínimos princípios de ética política e respeito por seus companheiros de partido e de bancada, como também o têm levado a aproximar cada vez mais suas idéias e seu coração aos interesses militaristas das elites colombianas.



Recordo uma reunião na cidade de Cali, há alguns anos, com organizações políticas e sociais, onde um líder comunitário da cidade perguntou ao senador como concebia ele um processo para chegar à paz na Colômbia; e todos nos surpreendemos quando, automaticamente, Petro respondeu: “... as FARC têm que ser derrotadas militarmente e logo se deve pactuar sua desmobilização...” Como vemos, a concepção militarista e contra-insurgente de Petro não é nada nova.



Afortunadamente, a história julga os homens e os partidos não pelo que dizem de si mesmos, senão pelo que suas ações demonstram. E Gustavo Petro não só tem demonstrado que é um guerrilheiro arrependido como também, ademais, um novo membro fracassado da direita. Precisamente essa “Centro-esquerda” que reclamam hoje a mídia e os porta-vozes oficiais foi a que se conformou traindo os interesses populares, desmobilizando-se e entregando suas armas em troca da promessa de que a Constituição do ano 1991 daria solução à endêmica pobreza e marginalidade da qual padece a maioria do povo colombiano.




E leva Petro vários anos como o mito antioquenho de “A Chorona”, lamentando-se pelos nulos alcances da Constituição de 91, fingindo não dar-se conta que o teatrinho da Constituição não foi mais que uma nova mentira com a qual as classes dominantes lograram desmobilizar uma parte dos grupos levantados em armas sem mudar nem um ápice sua política de acumulação de capitais, venda da soberania e Terrorismo de Estado.



Os recentes fracassos do senador Petro começam em fins de 2006, quando totalmente de costas para seu Partido e fazendo alarde do protagonismo personalista que sempre busca, propôs um obscuro “pacto nacional” com os paramilitares, insinuando um velado convite à impunidade e fazendo um aceno amistoso aos chefes narco-paramilitares, desde Uribe até Don Berna.



A estigmatização que o hoje senador Gustavo Petro realiza contra os setores e congressistas que dentro do Pólo mantêm posições coerentes de esquerda e de oposição ao militarismo e o terrorismo do Estado colombiano não só põem em perigo as vidas de valiosas e valentes pessoas que têm mantido sua integridade ética e política, porque os põe no alvo das balas do regime, senão que, ademais, coincide com o sentido que lhe dava a guerra suja o chefe paramilitar Carlos Castaño quando afirmava que os paramilitares eram “um projeto de Centro-esquerda”.



Continuou fracassando o senador Petro com seu apoio a Maria Emma Mejía, personagem eclético e oportunista, que perdeu a pré-candidatura dentro do Pólo à Prefeitura de Bogotá. E fracassa, ademais, pondo em dúvida sua inteligência, ao acolher, para seu chilique publicitário, as idéias do torpe assessor presidencial José Obdulio Gavíria, que anda obcecado com condenar “a combinação das formas de luta” e vociferando que na Colômbia não existe conflito armado, nem político, nem social... Ah, e que, ademais, segundo sua fabulosa inteligência: “já não existem paramilitares” e estamos numa era “pós-conflito”.



De fracasso em fracasso segue Petro, equivocando-se, pois sua campanha de destilar ódio contra as FARC-EP não faz dano algum aos planos políticos e militares desta organização, que, diferentemente dele, continua fiel aos princípios revolucionários na busca não de constituições de papel, mas sim de transformações estruturais que alcancem a justiça social, condição sine qua non da verdadeira paz.



O melhor caminho para Gustavo Petro seria retirar-se do Polo Democrático Alternativo e passar-se de uma vez por todas às toldas uribistas, assim não só realizaria suas ambições pessoais como também que, por fim, faria um ato de coerência com seus ideais militaristas. Não aprende você, senhor Petro, nem aprende a direita em seu conjunto das lições históricas que emanam de mais de 40 anos de confrontação político-militar. As FARC-EP são indestrutíveis, porque contam com o apoio, por agora silencioso, de milhões de colombianos vítimas econômicas, políticas e militares desse Estado que vocês defendem. Qualquer transformação importante do país passa por incluir as FARC-EP e suas demandas políticas e sociais na agenda de discussão.



De nossa parte, a verdadeira esquerda política continuaremos, para sua dor, orgulhosos de ser esquerda e combinando todas as formas de luta para a Nova Colômbia, Bolivariana, em paz e com justiça social.





enlace original: http://www.anncol.org/es/site/doc.php?id=3405

Outro julgamento anulado de Simón Trinidad nos E.U.A.

Em um acontecimento sem precedentes na história da América Latina dois revolucionários insurgentes foram entregues à justiça norte-americana pelo governo de Álvaro Uribe, o mais pró-imperialista de todos os governos latino-americanos das últimas décadas. Os guerrilheiros foram acusados pelo delito de narcotráfico para poder justificar sua extradição. Mas dentro de toda a etapa do julgamento pode-se ver abertamente a falsidade das provas e das testemunhas. O processo por narcotráfico era uma farsa. Uma montagem vulgar. Acontecimentos nos quais esse governo é um especialista, escreve Juan Cendales.

Por Juan CendalesNa luta!


Washington, 4 out. O juiz do distrito Royce Lambert declarou hoje anulado o julgamento que se segue nos E.U.A. contra o guerrilheiro colombiano Ricardo Palmera, alias “Simón Trinidad”.


O pretexto de Sonia e Simón Trinidad se foi!


A inclusão de Sonia e Simón Trinidad no Acordo Humanitário eram, junto à proposta de despejo, as aparentes grandes diferenças para o intercâmbio. Ela motivou a suspensão da reunião do dia 08 de outubro entre as farc e Hugo Chávez.


Mas o julgamento contra Simón Trinidad por narcotráfico se foi. Era uma farsa do uribismo. Foram utilizados testemunhas falsas. A extradição foi ilegal.


E Uribe não poderá seguir fingindo que uma farsa montada pelo Estado colombiano seja um obstáculo para o intercâmbio.



Para-política e governos que acompanham Uribe

Suécia é um deles. Organismos suecos que desenvolvem atividades independentes na Colômbia se queixam de que estão sendo vistos como colaboradores dos paracos pelo papel que implementam essas entidades subsidiadas com dinheiro sueco e pelo papel assumido por seu governo no chamado “acompanhamento” ao “processo de negociação” com os narco-paramilitares.





[ANNCOL]

Laila Freivals, ex chanceler sueca e assinante do apoio sueco ao 'sainete del Ralito'

A política repressiva que o governo neo-fascista do paramilitar Álvaro Uribe vem implementando contra os setores sociais mais desfavorecidos e contra os movimentos populares e lutadores que se opõem às políticas de terra devastada, além de ser um crime, utiliza de níveis de crueldade desumanos e são catalogadas por vários órgãos de direitos humanos como crimes de lesa humanidade. Toda essa situação está criando um mal-estar dentro dos mesmos setores oligárquicos assim como também aos governos estrangeiros e entidades internacionais que “acompanham” o “processo de negociação”- leia-se legalização como afirma o próprio ex-presidente Pastrana- dos narco-paramilitares.

Uma fonte bem informada e próxima à certos organismos internacionais, afirma que algumas instituições que desenvolvem projetos de “ajuda” à setores sociais, políticos e populares na Colômbia vêm sendo acusados de serem ou estarem casados com o projeto narco-paramilitar de Uribe, pelo compromisso que seus governos têm assumido com os “acordos” de legalização dos amigos de Alvaraco: don berna, mancuso, jorge 40 e outros.

Este é o caso concreto de algumas entidades suecas com presença na Colômbia que estão sendo chamadas, não somente por parte de pessoas e organizações colombianas de serem colaboradoras do projeto narco-paramilitar Uribista, mas também por outras entidades do próprio país.
Além disso, seus próprios compatriotas, assim como órgãos suecos que desenvolvem atividades independentes na Colômbia se queixam de que estão sendo vistos como colaboradores dos paracos pelo papel que implementam estas entidades subsidiadas com dinheiro sueco e pelo papel assumido por seu governo no chamado “acompanhamento” ao “processo de negociação” com os narco-paramilitares.

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Márquez: Queremos o êxito da importante intermediação do Presidente Chávez

Se o intercâmbio não se logrou e segue provocando sofrimento, tem sido pela intransigência e a obsessão do Presidente. Enquanto as FARC têm dado um tratamento respeitoso e digno aos três norte-americanos, Simón é mantido acorrentado e isolado numa cela de três metros de comprimento por um e meio de largura, e Sonia reclusa em alçapões de castigo. Trechos de seu artigo remetido a ANNCOL.



[Iván Márquez* / “Simón, Sonia e a troca”]



O juiz Roice Lambert, que acaba de permutar por 25 milhões de dólares o castigo exemplar que deveria proferir contra a bananeira estadunidense Chiquita Brand, financiadora de grupos paramilitares autores de espantosos massacres na Colômbia, é o mesmo que, há dois meses, condenou o guerrilheiro das FARC Simón Trinidad mediante provas fraudulentas e pressões insólitas ao jurado, rubricando assim toda a venalidade e a podridão que distingue a “justiça” norte-americana.



Não se pode chamar justiça aquela que condena a um homem, a um revolucionário, a um bolivariano cabal, sem nenhum tipo de provas, só para castigar ou enviar-lhe um desprezível sinal de chantagem a uma organização guerrilheira que não vai retroceder em seu empenho de buscar com o povo e suas organizações políticas e sociais a nova Colômbia soberana, democrática como a queria Bolívar, com justiça social e paz.


Tem sido negado a Simón e a Sonia o direito universal à defesa jurídica. Todas as testemunhas levadas desde Bogotá a recitar falsidades contra eles nas cortes do império, são agentes do exército da Colômbia, “sapos” [delatores] ou informantes pagos pelo Estado para que mintam. E os mandam em levas de 20 e 30. Todos têm sido derrotados pelas idéias e convicções de Simón, a quem não lhe têm permitido testemunhas a favor, e pelo importante papel de seus advogados de ofício.


O primeiro juiz da causa, Tom Hogan, teve que se demitir por autorizar que membros da Fiscalização tentassem, à margem dos costumes jurídicos, induzir uma sentença adversa contra Simón. Se foi por ser imoral e desprovido de ética.


Os julgamentos que se seguem contra Simón e Sonia nos Estados Unidos são uma patranha do começo ao fim. Os dois foram arrancados do país burlando com montagens da Fiscalização o exército e o próprio Uribe, a proibição constitucional de extraditar nacionais por causas políticas. Mais importante para o Estado era fechar as portas do intercâmbio atirando as chaves ao mar, que a soberania jurídica do país.


Esses julgamentos estão viciados de nulidade porque é evidente que Simón e Sonia não são o que pintam os defraudadores da opinião tanto em Bogotá como em Washington. Não estão condenando à guerrilheira campesina ou ao porta-voz insurgente nos diálogos da paz com o Estado. Estão condenando a uma organização política militar, para castigar sua resistência legítima à opressão e para pressionar a libertação de três norte-americanos capturados na Colômbia quando desenvolviam missões de inteligência técnica contra as FARC, por ordens do Comando Sul.


O agente do FBI Alex Barbeito confessou isso à Simón quando o conduzia extraditado aos Estados Unidos; e recentemente o fiscal Ken Kohl o reafirmou de alguma maneira ao oferecer uma diminuição de penas aos dois guerrilheiros em troca da libertação de Keith Stansell, Mark Gonsalves e Thomas Howes. Optaram pela via mais tortuosa quando o caminho mais fácil, que é o acordo de troca, o estão sugerindo as FARC desde antes de 2000. Trata-se do intercâmbio de pacotes completos de prisioneiros em poder das partes contendoras.


É evidente que as condenações proferidas pelos juízes federais Lamberth e Robertson contra Simón e Sonia repercutirão necessariamente na pronta solução que se deseja do caso dos três militares estadunidenses cativos nas montanhas. A isso conduziu a chantagem de Uribe com a extradição dos guerrilheiros. Hoje, não pode lavar as mãos como Pilatos insinuando que estes ficaram por fora do intercâmbio porque agora dependem das instituições de Washington.


Enquanto as FARC têm dado um tratamento respeitoso e digno aos três norte-americanos, Simón é mantido acorrentado e isolado numa cela de três metros de comprimento por um e meio de largura, e Sonia reclusa em alçapões de castigo.


É necessário reiterar que os espiões estadunidenses foram capturados legitimamente, envolvidos numa ação de guerra em meio de um conflito armado, num ato de hostilidade contra as FARC, quando o avião em que se mobilizavam foi derrubado nas selvas do Caquetá. Os papéis de inteligência expropriados nos quais se assinalam distâncias exatas entre uma estrutura guerrilheira e outra testemunham esta asseveração.


O fim do cativeiro dos prisioneiros de guerra impõe a sensatez que reclama a negociação do acordo e a redução a zero dos riscos que supõe um resgate militar a sangue e fogo.


Só falta remover os inamovíveis de Uribe de não à desmilitarização territorial para pactuar a troca e essa absurda pretensão de que os guerrilheiros eventualmente libertados não regressem às montanhas. Estamos seguros que o mundo entende que, para que se configure a troca, se deve dar e receber. Não se pode chamar troca a uma ação na qual uma das partes não recebe aos seus.


Se a troca não se logrou e segue provocando sofrimento, tem sido pela intransigência grosseira e a obsessão do Presidente. Pareceria que só faz falta a ordem de Bush para que Uribe ceda ao clamor nacional e internacional pelo intercâmbio. Dizia o ex-presidente López Michelsen, uns dias antes de morrer, que o problema é que Uribe não busca uma solução, mas sim uma vitória.


O caso é que com a troca ganharemos todos. Os prisioneiros regressarão com os seus e regressará também a perspectiva de uma solução negociada ao conflito social e armado que vive a Colômbia desde há mais de 40 anos.


No fundo, todos queremos o êxito da importante intermediação do Presidente Chávez para que isto seja possível.



* Integrante do Secretariado das FARC-EP



Plano Colômbia e Conflito Interno Colombiano


O Plano Colômbia tem suas origens nas doutrinas contra-insurgentes desenvolvidas pelos Estados Unidos da América depois da 2ª Guerra Mundial. Ali teremos que nos focar para entender a razão pela qual o povo colombiano é submetido à tão metódico plano de morte. Ali encontraremos o por quê desses planos criminais.




[Allende La Paz/ANNCOL/Especial para ARGENPRESS.info]




O conflito interno colombiano arranca –em sua nova etapa- com a operação Marquetalia do Plano LASO (Latin American Security Operation), lançada contra 48 camponeses (2 mulheres e 46 homens) que se haviam constituído em auto-defesas camponesas e trabalhavam a terra de maneira autônoma. Estes camponeses viram-se obrigados a empunhar novamente as armas –já o haviam feito durante ‘A Violência’- e transformar-se em guerrilhas.


Mas as conseqüências do Plano Colômbia são estremecedoras. Basta uma lida para entender quão criminal é esse Plano. Foi batizado com diferentes nomes mas sempre possui a mesma origem. E sua essência criminal. E criminosos são os que o põem em prática.


A origem desse livro nasce da narração da vida do povo colombiano. É uma vida de sangue, de morte, de desaparecimentos e massacres; todas elas causadas pela aplicação do criminal Plano Colômbia; mas é também uma voz lançada ao ar, denunciando cada um dos atos de depravação e estudando e escrevendo sobre a luta do povo colombiano. É uma voz de luta. Luta que não cessa, que recorre a tudo para sobreviver.


Por isso, esse livro não poderia ser vendido. Não. Nossa visão é que este livro pertencesse ao povo colombiano e portanto à memória coletiva dos povos. É apenas nosso grão de areia à tão anseada Paz que deseja o povo colombiano e o Intercâmbio Humanitário ou Troca de Prisioneiros de Guerra.


Sendo assim, em Argenpress temos encontrado esse espaço bonito da imprensa alternativa para colocar esses anos de investigação à serviço dos povos do mundo. Obrigado.


Para descarregar o livro ‘Plano Colômbia e Conflito Interno Colombiano’ clique aqui.


terça-feira, 2 de outubro de 2007

“O destino da Colômbia não pode ser a guerra”


Afirma o movimento bolivariano pela Nova Colômbia, Bloco Caribe FARC-EP, em comunicado conhecido pela ANNCOL no dia de hoje. Apóiam a gestão do presidente venezuelano, Hugo Chávez Frias, em seus esforços para materializar a troca ou intercâmbio de prisioneiros na Colômbia.



[COMUNICADO MBNVC*]



Uribe persiste em sua repressão descontrolada contra o protesto popular, em sua obsessão de aniquilar as FARC, em sua teimosa posição de negar a existência do conflito e na irrefletida ordem do resgate a sangue e fogo dos prisioneiros em mãos da insurgência, como em sua negativa diante de cada iniciativa que surge para favorecer a desocupação militar que possibilite a troca humanitária, recíproca, dos cativos. Repulsiva maneira de responder ao sonho de paz dos colombianos. Não obstante, nossa perseverança se manterá arraigada nos mais profundos anseios daqueles que procuram uma solução olhando em direção a um horizonte de uma verdadeira democracia, que para além do terrível desenvolvimento da “segurança democrática” fascista, requer um novo pacto social pela paz, no qual se dê a convergência de todos que aspiramos a cosntrução de um país melhor.

O destino da Colômbia não pode ser o da guerra; deveremos insistir na materialização da troca humanitária que abrande as dores das vítimas, como imprescindível passo no caminho que conduza à solução política do grave conflito social que vive o país, entendendo que uma pátria soberana, em desenvolvimento e em paz, não existirá sem a conformação de um novo governo patriótico e democrático que nos integre a essa bolivariana torrende de Pátria Grande que flui incontida sobre Nossa América.


Da nossa humilde posição de militantes bolivarianos saudamos com beneplácito, gratidão e esperanças as generosas intenções de todos os povos e personalidades que têm se empenhado em oferecer pontes de reconciliação para os colombianos, porém em especial agradecemos com otimismo as valiosas inmiciativas empreendidas pelo companheiro presidente, compatriota grancolombiano, Hugo Rafael Chávez Frías, que recebeu o respaldo de milhares de homens e mulheres, não apenas filhos da América Latina e do Caribe mas também de outras latitudes do globo, amigos de um destino melhor para nosso povo sofrido.


Não se havia visto a circunstância de acompanhamento a uma iniciativa de solução ao conflito colombiano, que levasse m conta as razões populares e dentro delas o ponto de vista dos inusrgentes contra a iniqüidade do regime.


Saudamos e abraçamos, também com admiração, respeito e carinho, o valor das inúmeras consciências que valentemente, com o imenso risco das retaliações do governo fascistsa de Uribe Vélez, de nossa terra e província comunera da Pátria Grande, expressaram, agora com mais convicção que nunca, esse sentimento nacional da solução humanitária ao problema dos prisioneiros de guerra e ao conflito político social que agoniza nosso país, respaldando a mediação do Presidente Chávez.


Temos certeza que as gestões dos mediadores e facilitadores, ao lado dos gestos de paz até agora procurados pela insurgência e o heróico e sofrido povo de José Antonio Galán, hão de contribuir mais cedo que tarde para a felicidade de um país que teve a má sorte de carregar com a nefanda herança da perfídia de Santander, assumida pela direção oligárquica mesquinha e criminosa que encarna o governo e seu séqüito narcoparamilitar.


Em meio da necrosada institucionalidade que em nada garante sequer o desenvolvimento da própria ordem jurídico das oligarquias e a paz, abrindo-nos caminho com as bandeiras da Plataforma Bolivariana pela Nova Colômbia.


Persistiremos, com nossa militância nas barricadas, nas universidades, entre os grupos de campesinos, indígenas, negros, desabrigados, e humildes em geral, que atuam da clandestinidade, embebidos de profundos sentimentos bolivarianos, marchando o caminho de uma estratégia de luta por paz com justiça social e de busca de diálogoa com propostas políticas que impulsionem a alternativa de um país diferente.



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Sobre a visita de Piedad Córdoba a Washington

Era algo assim como se na Casa de Nariño houvesse caído uma bomba atômica. Paul quem escreve esta nota também nos faz referencia de Erminso Cuevas Cabrera, extraditado com estardalhaço pelo governo narco-paramilitar de Uribe Vélez. “Seu irmão, Fabian Ramirez, é um dos comandantes do Bloco Sul das FARC, ainda que alguns meios hajam noticiado que Erminso é um comandante das Farc – alguns inclusive citando-o como com o oficial da Intendência da Frente 14 – o mesmo que se acusou Sônia – e ele nem sequer foi membro dessa organização guerrilheira”, aponta Wolf.

[Paul Wolf]


Durante os anos que trabalhou com a imprensa colombiana, nunca havia visto nada semejante como o impacto que teve a presença da senadora Piedad Córdoba. Era algo assim como se na Casa de Nariño houvesse caído uma bomba atômica ou alguma outra arma massiva secreta, em cima de seus próprios correspondentes da imprensa colombiana. No entanto, o resto de Washington não resultou impactado. O congresso não estava em em funcionamento e isso significa que a cidade estava de férias.


A senadora Córdoba não pode organizar as reunioes que havia anunciado. De toda maneira, logrou enviar ondas de choque e surpresas, através dos meios informativos, já que ela foi ao Congresso dos EEUU, o Departamento de Estado e de lá à embaixada da Colômbia. Depois rumou à embaixada da Venezuela e por último foi à embaixada da França. Se realizaram conferencias de imprensa de maneira dramática cada vez que ela saia de um recinto. A senadora Córdoba deixou atrás de si uma pilha de indivíduos bem surpreendidos que agora se perguntam se ainda tem a oportunidade de preparar a reunião com Ricardo Palmera (Simon Trinidad).


Uma Pessoa com a qual ela havia podido reunir-se, o Sr Erminso Cuevas, - recentemente extraditado-, tinha a esperança de que ela houvesse passado ali, mas a senadora já tinha muito o que fazer afinal, em seu apertado itinerário. Eu não pude acercar-me da senadora durante todo o dia.


Passei mais de uatro horas com Erminso Cuevas Cabrera. Portanto quero corrigir algumas coisas que já começaram mal em todos os meios. Primeiro que nada, Erminso não se escreve com H. Segundo, em nenhum dos expedientes nem arquivos os oficiais dos EEUU o acusam de ser membro das FARC. Isto é porque não existe nenhum. Seu irmão, Fabiam Ramirez é um dos comandantes do Bloco Sul das FARC, ainda que alguns meios tem ntoiciado que Erminso é um comandante das FARC (alguns até classificando-o como o oficial de Intendência da Frente 14, - o mesmo que se acusou Sônia!!) – e ele nem sequer foi membro dessa organização guerrilheria.


E, no entanto, com sua extradição, se ajustou perfeitamente o tempo para que coincidisse com a visita da senadora Córdoba. Certamente, eu creio que foi com essa intenção para apresentá~lo dessa maneira como todo o mencionado acima. E de todas maneiras. Erminso sim merece ser parte de um intercâmbio de prisioneiros. Ele foi extraditado com estardalhaço para que parecesse pela lista de seu irmão como comandante importante das FARC, e que por isso está sendo castigado – como se fosse mesmo um comandante das FARC (é também um negociador para o grupo, como Simon Trinidad) e é por isso que ele merece estar na lista dos intercambiáveis.


Outro fato importante do qual ninguem parece estar integrado, é que Erminso Cuevas já foi julgado e foi considerado inocente na Colômbia. O juiz colombiano anulou o caso porque não existia evidencia física que o vinculasse às FARC. Isto pode comparar-se ao sistema judicial dos EEUU, o qual não só julga pessoas que já tenham sido encontradas inocentes, como estão seguros de que podem condenar a qualquer um com base do que dirão usando uma dezena ou mais de informantes pagos. Alguns dos informantes no caso de Erminso Cuevas (Mincho), como tenho entendido são os mesmos elementos que vimos durante o julgamento de Sônia.


Erminso Cuevas é mantido preso na Unidade Especial Administrativa do Cárcere do Distrito de Columbia (DC) conhecida popularmnente como “jaula”, está na parte da prisão reservada para castigar e controlar prisioneiros rebeldes ou de alta periculosidade. Me foi informado que ele é mantido ali, não como castigo mas devido ao perfil de seu caso que é de “alta relevância”. Parece injusto? Sim se lhe trazem à área de visitas com algemas, correntes e arglas em torno de de suas mãos e tornozelos. Tive que assinar uma ata de autorização para que pudesse vê-lo (este é um procedimento padrão) e nos foi difícil, pois teve que acomodar suas mãos em uma posição não confortável para assinar ou escrever qualquer documento. Permitiram a ele sair da sua cela de duas a três horas por semana para tomar o banho de sol e participar de atividades recreativas . Isso não é muito. Ele pode usar esse tempo para fazer chamadas, tomar ducha, ou ir à academia. Para os próximos 1 a 3 anos antes do julgamento, terá que comer todos os seus alimentos na cela designada. Não é permitido contato com outros prisioneiros. A não ser vá à academia ao invez da ducha, por exemplo. E falando da prisão não tem janelas e no seu interior é realmente quente e fede a porão úmido e suado. Suponho que a pessoa se acostuma a este tipo de humilhação. Ainda que Simon Trinidad encontra-se ao fundo do corredor onde se encontra Erminso (Mincho), não sei se lhes permitiriam comunicar-se. Particularmente, porque Trinidad continua sob as SAM Medidas Especiais Administrativas. Isso é outra história, ainda pior que as Medidas de Manejo Especial que se impôs a Erminso Cuevas.

Não vou poder escrever sobre o julgamento de Erminso como fiz nos julgamentos de Simon Trinidad e Sônia. No entanto opino que as condições de encarceramento são bem piores que as que até agora já experimentaram na prisão da Combita, em Boyacá, Colômbia. Espero que todos vocês reconheçam que já se tinha considerado inocente nas cortes colombianas, e que a descrição do caso relatada pela polícia colombiana está viciada, não são verdadeiras e está em total contradição pelo exposto no atual expediente


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sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Forças Armadas da Colômbia qualificadas como criminosas


A essa conclusão chegou um grupo de deputados sindicalistas da Grã-Bretanha. “A maioria desses crimes se atribui às Forças Militares Colombianas, assim como a paramilitares com apoio do Estado”, acrescentam os signatários trabalhistas, que lembram que o Reino Unido é “o maior doador de ajuda militar para a Colômbia depois da administração estadounidense de George Bush”.

Foto: Inimigos do povo colombiano!


[ABP – Euskal Herria]



Um destacado grupo de deputados e sindicalistas empenhados, assim como o alcaide de Londres, Ken Livingstone, publicaram hoje um apelo ao primeiro ministro britânico, Gordon Brown, para que suspenda toda sua ajuda militar à Colômbia.


Os signatários, que incluem a todos os membros do Comitê Nacional Executivo do Partido Trabalhista que não são membros do Governo, e os dirigentes de todos os sindicatos afiliados ao trabalhismo, denunciam que “Colômbia tem um dos piores recordes em matéria de direitos humanos”.


“ Entre numerosas violações, 4.000 sindicalistas foram ali assassinados nos últimos quinze anos, cifra superior à combinada de todos os sindicalistas mortos em todo o resto do mundo”, disse o documento, que publica hoje o diário “The Guardian”.

“A maioria desses crimes são atribuídos às Forças Militares Colombianas, assim como a paramilitares com apoio do Estado”, acrescentam os assinantes trabalhistas, que lembram que o Reino Unido é “o maior doador de ajuda militar para a Colômbia depois da administração estadunidense de George Bush”. Os signatários reclamam do Governo Brown que siga o exemplo que deu o Partido Democrata, que ao reconquistar o Congresso dos Estados Unidos alcançaram uma “significativa redução” da ajuda militar a esse país devido à preocupação com a violação dos direitos humanos.


“Como demonstra o êxito histórico alcançado na Irlanda do Norte – assinalam – um Reino Unido governado pelos trabalhistas está em posição privilegiada para contribuir positivamente rumo a uma solução negociada no conflito colombiano”.


“Instamos ao Governo a suspender toda ajuda militar à Colômbia até que o Estado colombiano aplique plenamente as reiteradas recomendações do Alto Comando da ONU para os Direitos Humanos”, acrescenta a petição, que conclui que “os assassinatos têm que acabar”.


Entre os signatários figuram além dos citados o presidente do atual congresso trabalhista e do Exército nacional, Mike Griffiths, assim como vários grupos de parlamentares – de direitos humanos, ligados aos sindicatos, entre outros-, assim como o tesoureiro, Jack Dromey, além de numerosos deputados e organizações afiliadas ao Partido. O documento, que é ao mesmo tempo uma campanha para o recolhimento de assinaturas dirigidas ao primeiro ministro, coincide com a celebração do congresso trabalhista em Bournemouth (sul da Inglaterra).



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quarta-feira, 26 de setembro de 2007

A social-democracia à esquerda ou à direita: não no centro



A existência de um partido pluralista como o Pólo Democrático Alternativo, não exclui aquele que dentro do seu seio luta ideológica e politicamente para depurá-lo, numa rota de defesa e vocação popular. Os Garzón, Petro e Mariasemma, no interesse burocrático pelo controle do Distrito Capital, poderão ganhar os cargos; mas estão longe de conseguir manipular o rumo da esquerda no Pólo Democrático Alternativo. Escreve Melquizedec Torremolinos.



[Melquizedec Torremolinos/ANNCOL]



Antes de entrar no tema de fundo, peço desculpas por não poder me abster ao impacto da devolução, por parte da insurgência, dos restos mortais dos onze deputados retidos e mortos no cativeiro. Nem sequer o entrevado porta-voz da OEA pode esconder que morreram no fogo proveniente de diferentes direções; o que implica a mobilidade das vitimas. A responsabilidade do Miniführer nessas mortes está com o aval do império intervencionista. Junto vieram o protesto dos familiares e a latente preocupação nos mandatários Chavez e Sarkozy diante da energúmena posição governamental.



Com o olhar esquivo diante de tanta dor da família colombiana convém escrever sobre uma realidade política que tem como cenário a existência de um porta-voz popular em armas, contrapondo-se ao ódio, impunidade, esquecimento e massacres.



A leitura, como resultado definitivo diante do mundo, é que na Colômbia existe uma Insurgência que aplica a retenção por motivos políticos.



A POSIÇÃO DE PEDRO PUEBLO.



Ocorre que “Pedro Pueblo” no que diz respeito às “posições” políticas de “seus” dirigentes não se pergunta qual é o questionário na denuncia política. Os Sociais-democratas acreditam que encarnam os “dissidentes táticos” da oligarquia colombiana ou os redutos do populismo de Rojas Pinilla da antiga Anapo ou qualquer outra figura de divergência dentro da esquerda colombiana.



Diante da inocultável realidade da oposição política armada na Colômbia, encontra-se o tema da soberania nacional em todos os aspectos da institucionalidade colombiana. Compreendendo o papel que a social-democracia pudesse jogar no momento atual, se está muito longe de qualquer sinal de que a esquerda opositora possa minimizar-se, mimetizar-se e impor o ocultamento, desconhecendo a realidade e o peso político da existência de uma Insurgência ativa, combatente, não derrotada e com apoio nacional e internacional, para pretender assumir a atitude do avestruz, ignorando-a.



EM QUAL DEMOCRACIA VIVEMOS.



O caso típico que se dá na Colômbia é o da ”DEMOCRACIA CONTROLADA”. Teoricamente, continuam surgindo partidos, fraudam-se eleições, carece-se de um poder judicial independente, não permeável à narco-para-política; com uma gloriosa economia de mercado que subsiste pelo comércio da para-econômia subterrânea e o narcotráfico imperante; graças ao controle messiânico e da mídia do Miniführer, pintado para a guerra.



Devido ao deslocamento populacional contínuo, produto do conflito, a oposição da esquerda legal que atua nas grandes cidades, apresenta um diagnóstico desolador na zona rural e nos municípios em que o narco-paramilitarismo Uribista atua largamente, sob as rédeas do Terrorismo de Estado.



Está ocorrendo um novo festim eleitoral em que a decisão triunfante, foi imposta de antemão impunemente. Com o Terrorismo de Estado manipula-se o eleitor. O registro informativo dos Meios de Alienação das Massas não pode esconder a realidade da presença paramilitar nos municípios colombianos e o domínio do terror, destacadamente no eixo fronteiriço entre Colômbia e Venezuela.



A OPOSIÇÃO ARMADA NA COLÔMBIA.



A existência de um partido pluralista como o Pólo Democrático Alternativo, não exclui aquele que dentro do seu seio luta ideológica e politicamente para depurá-lo, numa rota de defesa e vocação popular.



Um regime onde impera o Terrorismo de Estado como o do Miniführer, se inspira no neoconservadorismo; defensor acirrado do livre mercado e usuário de um populismo demagógico de direita. Pois no seio do Pólo Democrático Alternativo também existe essa tendência. O Presidente dessa coletividade, Dr. Carlos Gaviria, a batizou de “a ala Uribista dentro do Pólo”, encabeçada pelo senador Petro. Além do ataque visceral do Estabelecimento contra o movimento insurgente – no caso concreto contra as FARC-EP – pretendem aparecer como “democratas” puros e tentam confundir suas bases partidárias onde encenam uma posição social-democrata de centro no seio do Pólo Democrático Alternativo. Nada mais carente de razão.



Esses “tons”, num partido de esquerda de verdadeira oposição contra o regime, não tem cabimento nem apoio. Por si só, a social-democracia é, em essência, de posicionamento de centro que aninha no partido de oposição de esquerda para pescar em rio turbulento e conseguir manejar os seus interesses pré-condicionados. O Pólo Democrático Alternativo, como partido de esquerda, aspira a definir e aplicar as teorias coletivistas da sociedade em geral e do socialismo em particular. Sua contraparte, a social-democracia, aspira a desafinar esse objetivo. É nesse momento em que recebe o auxilio da extrema direita e em que os porta-vozes da oligarquia exigem e pressionam para que essa tendência da direita se imponha no partido de esquerda que, momentaneamente, encarna a oposição política legal na Colômbia. Vive-se um processo de decantação política.



Os Garzón, Petro e Mariasemma, no interesse burocrático pelo controle do Distrito Capital, poderão ganhar os cargos; mas longe estão de poder manipular o rumo da esquerda no Pólo Democrático Alternativo. Por isso não cabem dentro de uma posição de centro. A realidade política colombiana expressa o imperativo que uma organização política legal possa também seguir o rumo político da Insurgência armada.



O Pólo Democrático Alternativo não pode continuar imobilizado sem poder avançar para a aplicação da Plataforma Política e para um Governo de Reconstrução e Reconciliação Nacional. O Pólo Democrático Alternativo não pode continuar de costas diante da sorte das negociações que o Exército de Libertação Nacional desenvolve e que requer o instrumento político legal para a aplicação de suas plataformas e soluções políticas. O Pólo Democrático Alternativo não pode continuar virando as costas diante da exigência nacional para chegar a um Acordo ou Intercâmbio Humanitário, com os efeitos políticos subseqüentes que um organismo político legal poderá implementar na busca de um acordo definitivo para o conflito. O Pólo Democrático Alternativo não pode continuar com o canto da sereia com que o Estabelecimento o adula para que seja uma opção de novo governo, em contraposição a que, pela via eleitoral, seja uma verdadeira opção de Poder Popular. O Pólo Democrático Alternativo tem que qualificar a sua vocação de poder para que mudem também as relações de poder a favor dos setores populares na Colômbia. Nada disso se consegue desconhecendo o peso político próprio da Insurgência colombiana.



A validade da aplicação das distintas formas de luta para a conquista do poder popular na Colômbia está mais do que demonstrada. Não corresponde a atitudes. Como da mesma forma é compreensível que na realidade, politicamente, a narco-oligárquia colombiana mantém o poder excludente, na base da motoserra e de terrorismo.



Apesar do fracasso da experiência paramilitar, esta persiste nas regiões rurais e municípios, o que implica em argumentos pela necessidade de que a ação armada revolucionária permaneça na Colômbia. É um absurdo exigir da insurgência uma conduta diferente à ação armada. São os políticos da esquerda colombiana que devem enfrentar o desafio de assumir as plataformas políticas da Insurgência, no feixe de condições favoráveis para a busca de um Acordo definitivo para o conflito econômico, político, social e militar na Colômbia. De fato, o Pólo Democrático Alternativo está de costas ao conflito, cuidadosamente servindo a quem, governamentalmente desconhecem.



Enlace original: http://www.anncol.org/es/site/doc.php?id=3366


sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Bem-vindo à Europa professor Moncayo


[Marcos Sanchez/Berna- Suiça]


O professor colombiano, Gustavo Moncayo conhecido como “O Andarilho da Paz” cujo filho Pablo Emilio Moncayo, cabo do exército e que permanece como prisioneiro de guerra pelas insurgentes FARC desde 1977 iniciou uma viagem histórica por vários países europeus buscando encontrar apoio para o intercâmbio humanitário em nosso país.


Esse acadêmico e pai de família, dias atrás, em plena Praça de Bolívar em Bogotá, de modo oportuno e valoroso refutou as condições de Uribe para conseguir a liberação dos prisioneiros de guerra, criticou a negativa do presidente à desocupação militar e disse chorando “você não é Deus para acreditar-se o dono da vida do meu filho”.


Esta visita do professor Moncayo ao velho Continente, deve servir inicialmente para que os compatriotas residentes aqui, assim como os próprios europeus, possamos, além de brindar nossa solidariedade e apoio a esse acadêmico, alcançar com os governos, os sindicatos e a sociedade européia uma sensibilização muito mais profunda sobre a problemática colombiana e no caso mais urgente, o intercâmbio humanitário com desmilitarização imediata, o qual o próprio presidente Uribe de forma teimosa na prática tem se oposto, ao negar-se desocupar militarmente por 45 dias, os Municípios de Florida y Pradera, no Vale do Cauca, no ocidente da Colômbia , tal como vêm propondo as FARC.


Esta batalha pela permuta humanitária precisa muito do povo, de muita gente, precisa de muitas vontades, muita solidariedade não apenas no solo da Colômbia, mas no mundo inteiro onde os governos amigos dos direitos humanos, do diálogo, das saídas negociadas para os conflitos, nos quais os sindicatos, as universidades, as ONGS, até mesmo a ONU, pressionem, chamem, escrevam diretamente ao Presidente Uribe Vélez e não peçam, mas exijam em nome da humanidade, que na Colômbia aconteça esse intercâmbio humanitário com desmilitarização já!


Esta visita à Europa por parte do “caminhante pela paz” também deve servir para que a comunidade internacional saiba que em toda a Colômbia existem mais de CINCO MIL PRESOS POLITICOS, campesinos, indígenas, profissionais, estudantes, trabalhadores, jornalistas, donas de casa, etc, a maioria acusados dos delitos políticos de REBELIÃO e outros de TERRORISMO, que acusados de pertencer ou colaborar com a insurgência, verdade ou mentira, permanecem detidos e em condições deploráveis e inumanas confinados nas masmorras do regime.


No entanto, outras mais cinco mil pessoas permanecem escondidas ou clandestinas, por terem ordens de captura, acusadas pelo mesmo delito que acusam todos na Colômbia ao não estarem de acordo com o governo; o delito de Rebelião ou de Terrorismo, por serem opositoras de um governo narco-paramilitar, corrupto, que está deixando morrer de fome milhares de crianças e idosos nas ruas, um país onde não há emprego, onde os pobres não têm acesso à educação, à saúde, a ter uma moradia digna, muito menos de lazer, um governo que impôs um terrorismo de Estado através dos narco-paramilitares que continuam delinquindo dos cárceres.


Seria interessante que o professor Moncayo aproveitasse essa visita para dizer também aos europeus que temos na Colômbia, um governo ilegítimo, o qual ainda que tenha participado das ‘eleições’, ganhou com os votos que - tirados de forma obrigada e com a ponta do fuzil ameaçando a população-, fizeram os paramilitares e prova disso são as três dezenas de parlamentares acusados, alguns presos, outros fingindo-se de amiguinhos de Uribe, acusados repito de serem criadores, financiadores e patrocinadores dos paramilitares que assassinaram, com serras elétricas e massacraram mais de 10 mil pessoas, desabrigaram mais de 2,5 milhões de pessoas mais e se apoderaram das melhores terras.


Que bom dizer à comunidade internacional, que os paramilitares estão a ponto de sair do cárcere perdoados apesar te terem cometido e confessado milhares de crimes atrozes, paramilitares que na prática não se desmobilizaram, mas mudaram de nome e se fazem chamar agora de “as Águias Negras”.


Interessante expressar aos europeus, que na Colômbia toda pessoa que seja “perigosa” para o Estado, é assassinada, desaparece ou é torturada, tudo isto com o patrocínio do chefe maior de um estado fascista e paramilitar, como é o de Álvaro Uribe Vélez.


Professor Moncayo, bem-vindo à Europa, avance, siga adiante sua marcha, que também é a marcha para que na Colômbia e no mundo cresça a consciência, a necessidade e a urgência do intercâmbio humanitário com desmilitarização já!



FARC propõe reunir-se com Chávez em outubro por trocas humanitárias


[TeleSUR ]


Em um video entregue à Senadora colombiana Piedad Córdoba, o porta-voz das FARC, Raúl Reyes, segeriu iniciar conversações sobre o acordo humanitário no próximo 8 de outubro.


O porta-voz das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), Raúl Reyes, propôs reunir-se no próximo 8 de outubro com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, com a finalidade de adiantar as conversações sobre a troca humanitária. A proposta das FARC se fez pública através de um vídeo que foi entregue à senadora Piedad Córdoba – com quem se reuniram em Bogotá – que figura como mediadora entre o grupo insurgente e o Governo colombiano.Foi proposto ao presidente venezuelano reunir-se no dia 8 de outubro, no 40º aniversário da morte de Ernesto Che Guevara, para falar do acordo para uma troca de reféns da guerrilha por rebeldes presos.


No vídeo, Reyes, sentado em uma mesa de seu acampamento com Córdoba, expressa seu agradecimento a Chávez. “Quero parabenizá-lo pelo seu desempenho, seu admirável trabalho”, diz a ela.


Também reitera a determinação das FARC de levar adiante o acordo que permita a liberação de políticos, membros da força pública e os três americanos, em troca de cerca de 500 guerrilheiros presos, entre os quais Reyes inclui a Sonia e Simón Trinidad, presos nos Estados Unidos.


O líder do grupo insurgente propõe a necessidade de fazer uma ou duas reuniões antes do encontro entre Chávez e o chefe máximo das FARC, Manuel Marulanda.


Aos que estão retidos e presos nas prisões, Reyes fala que “podem estar seguros de que haverá um acordo”, destacando ainda que serão necessárias muitas reuniões, “perseverança e persistência” para obter um acordo.


No vídeo menciona um possível encontro de Chávez com congressistas democratas e familiares dos americanos e outra com familiares dos guerrilheiros presos.Reyes também destaca em sua mensagem as gestões e o apoio dos 112 Países Não Alinhados, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do Brasil, e do presidente Nicolas Sarkozy.


Chávez aceitou em meados de agosto passado a solicitação feita pela senadora colombiana Piedad Córdoba, de atuar como mediador entre o governo colombiano e as Farc para a troca de 45 reféns por uns 500 guerrilheiros.

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Reyes confirma correspondência entre Marulanda e Chávez

Em entrevista para ANNCOL assim confirma Raúl Reyes, chefe da Comissão Interncional das Farc. De comandante a comandante. “Tanto o comandante Chavez como o comandante Marulanda, estão empenhados em impulsionar a viabilidade do intercâmbio por tratar-se de um tema de interesse nacional e internacional.”




Sonia e Palmera na lista dos trocáveis das Farc
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[ANNCOL]

- Chávez disse que Marulanda lhe escreveu em duas oportunidades. Comandante, pode dizer-nos o objetivo desta correspondência entre estas personalidades, talvez as mais populares de América Latina?
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O objetivo da correspondência entre o senhor presidente Hugo Rafael Chávez e o comandante em chefe das FARC, Manuel Marulanda, é trocar opiniões e discutir propostas que possam concretizar o intercâmbio de prisioneiros, em resposta ao clamor crescente dos colombianos favoráveis a saídas políticas a um dos problemas decorrentes de nosso conflito interno.
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- O Intercâmbio viável -
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Tanto o comandante Chávez como o comandante Marulanda estão empenhados em impulsionar a viabilidade do intercâmbio por tratar-se de um assunto de interesse nacional e internacional que cresce cada dia em importância política, pelo eficiente trabalho do presidente da Venezuela, que conta para esse fim com o apoio dos presidentes Daniel Ortega, Luis Ignácio Lula, Evo Morales, Nicolas Sarkozy e mais 112 governos do grupo dos alinhados.

Comandante Raúl, as FARC receberiam o Presidente Chavez em território colombiano?

Nas FARC estamos sim dispostos a receber com muito gosto o Presidente Hugo Chavez em território colombiano, tal como o próprio comandante Marulanda se ofereceu em uma de suas cartas, já mencionadas pelo presidente bolivariano.

A morte do ‘negro Acácio’ em dúvida

“Eles não sabem, ao que me parece está vivo, é o que eles dizem, mas não me adentrei no tema”


[ANNCOL]


Assim diz a senadora colombiana Piedad Córdoba, em declarações à W, emissora que transmite de Bogotá.


“Eles não sabem, ao que me parece está vivo, é o que eles dizem, mas não me adentrei no tema”, disse a senadora liberal. Segundo o Ministro da Defesa, Juan M. Santos, o guerrilheiro das Farc caiu morto depois que a Força Aérea lançou 69 bombas dos Super Tucanos brasileiros ao acampamento base da Frente 16, em eventos ocorridos no último dia dois de setembro. Na hora, Santos reconheceu que o cadáver não foi encontrado. “O chefe rebelde foi levado por seus companheiros para não deixar rastros de sua morte”, disse este polêmico funcionário do governo colombiano.


Até agora o Bloco Oriental das Farc não expediu nenhum comunicado oficial à respeito.

O Deslinde e a Memória de Don Petro

O deslinde que faz com sua dignidade e sua memória Don Enrique Petro, o vigoroso campesino, não caindo nas armadilhas de uma democracia de ficção que o estafou, cortando ele agora, com seu coração e seu direito, a palma para agronegócios dos paramilitares, pode conduzi-lo à morte. O deslinde que com sua debilitada memória comete o senador Petro, pode conduzir outros a morte, pelo fato de ficar marcados se não condenam um direito dos povos, como é o da rebelião, conforme o requerimento tosco do senador. Escreve Carlos Alberto Ruiz. Artigo tomado do portal da Rebelião. Senador Petro



[Carlos Alberto Ruiz*/Rebelião]


Tenho a sorte de conhecer Don Petro, Don Enrique, um curtido e querido campesino que em 29 de junho de 2007 retornou à sua propriedade em Curvaradó, perto da fronteira com o Panamá. Chegou acompanhado de dezenas de seres que como ele guardam um sentimento de indignação pelo acontecido. Os paramilitares e militares que escoltam a expoliação o expulsaram há anos de seu território, como a milhares de famílias de comunidades campesinas, negras e indígenas. Agora está coberto de palma azeitera (conhecido no Brasil como dendezeiro- NT) por empresas criminosas. Ali regressou ele outra vez e começou a cortar palma, a recuperar seu terreno, e, com esse pedaço daquilo que era selva, recobrou uma parte importante das razões para viver e morrer. De alguma maneira seu valoroso ato reflete e condensa a história do país. De um povo ludibriado que toma consciência de suas lições e forças a partir do sofrimento, que não se fixa somente na dor, e que luta. Ninguém medianamente decente e estudioso no empenho de buscar a paz justa pode negar que a origem do conflito social, político e armado, faz-se no acesso a terra, entre outros direitos historicamente negados, e que os setores dominantes têm gerado uma cultura de violência e impunidade para arrebatá-la aos pobres como fonte primária na reprodução de relações e estruturas de injustiça e servidão.


Não conheço o outro Sr. Petro, o senador do Polo. Sim, tenho-no visto, muitíssimas vezes, na televisão, nos noticiários, na imprensa, e o escutado também protagonizar na rádio. Ninguém pode negar seu arrojo, como tampouco o valor e a valentia de muitos opositores ao regime de Uribe, que, ao contrário do que passa com o senador, não tem a seu alcance os meios de comunicação do sistema. Recordo do senador Petro que foi parte da embaixada colombiana em Bruxelas, como aconteceu também com outros integrantes de guerrilhas que pactuaram sua entrega entre 1989 e 1990, e que obtiveram alguns postos em delegações diplomáticas, como Vera Grace na Espanha, ou Bernardo Gutiérrez na Itália, entre outras coisas. Este ano, 2007, soube de um debate sobre o paramilitarismo, e que houve, por parte de Petro algumas propostas ambíguas a respeito, como um acordo de todos pela verdade que defraudava expectativas de vítimas de crimes de lesa humanidade. Nestas mesmas páginas de rebelião.org, em abril, expus a propósito: “O debate sobre a para-política, que acreditávamos um livro apenas aberto, com seus respectivos capítulos e anexos, parece que teve com essa encenação uma espécie de epílogo, que termina o que apenas levemente começava a descobrir-se, que é em grande parte o que há muitos anos as vítimas e organismos de direitos humanos já testemunhavam e documentavam sem maior eco.”
Com sentido de oportunidade na obscuridade da vociferação do Pólo, disse Petro na revista colombiana Cambio (11 de setembro de 2007): “nós afirmamos que são como o movimento do Pol Pot no Vietnã, um dos mais criminosos e antidemocráticos da história. Afirmamos que as Farc não são revolucionárias, que não são de esquerda mas de direita e que são criminosas... O Pólo tem que lutar é pelo aprofundamento da democracia e não contra Uribe, que é um cidadão passageiro”. Petro propõe “desfarquizar” a Colômbia , assim como formulou, segundo suas palavras, “deparamilitarizá-las”. E arremata o senador Petro sobre a candidatura à prefeitura de Bogotá: “Apoiei Maria Emma Mejía e teria preferido um governo de Carlos Vicente de Roux”. Ou seja, o político Petro reconhece que apoiou duas pessoas que, a seu modo, contribuíram para a entronização do paramilitarismo e a impunidade.
Tive oportunidade de escrever nesse portal: “Busca-se e não se encontra de lado nenhum, todavia, declarações de contrição, por exemplo de Carlos Vicente de Roux, nada menos que o Conselheiro Presidencial de Direitos Humanos dos presidentes Gavíria y Samper, ou de Maria Emma Mejía, chanceler desse último, ambos hoje destacados políticos do Polo. A memória evoca, desenterra e reconstrói centenas de casos nos quais pudemos ver não só seu desplante, mas o cinismo de suas ações no marco da perversão do sistema de impunidade que os contratava. Campesinos, sindicalistas, indígenas, ativistas sociais, defensores de direitos humanos, que com sua digna luta sobrevivem às conseqüências desse arrasamento, não esquecem a infâmia do trabalho dos que se empenharam no acobertamento dessa para-política”.
“Temos diante de nós os discursos do ex-conselheiro presidencial de Roux ou da ex-chnaceler Mejía, e de vários outros, e as mais terríveis isenções de responsabilidade que beneficiaram o Estado, numa época de crimes atrozes. O silêncio de então, quando não sua aberta defesa de uma lógica de álibis e evasivas que souberam transmitir dos seus cargos civis, deve exortarmos a inverter o valor moral daquela máxima: “Somos donos de nossos silêncios e escravos de nossas palavras”. Eles, os que transigiram e agraciaram crimes do Estado, são escravos de seus silêncios. Bertrand Russel referiu-se aos “criminalmente ignorantes das coisas que tinham o dever de saber”. E também que “é impossível manter a dignidade sem a coragem para examinar esta perversidade e opor-se a ela”.
No mês de maio de 2007 do mesmo modo recordei: “A respeito há silencio dos implicados e desconcertadamente um silêncio corporativo que já conhecemos. Olhar para outro lado é a realpolitik que amamenta convenientemente a muitos. Ao menos Mancuso reconheceu uma importante parte de sua responsabilidade. O problema moral está exposto, indiscutivelmente: aqueles que muito menos devem, evidentemente, muito menos, ou nada, tem feito para contribuir com a verdade que lhes cabe desvendar. Mejía, de Roux e outros continuam placidamente suas campanhas políticas, sem explicar o que deveriam às vitimas as quais devem”.
Petro está em campanha. Não há duvida. Está em seu direito. Como outros também estão no direito de resistir. Entre eles os que indefesos diante da agressão e da impunidade, depois de provar centenas de vezes e por muitos anos perante instâncias do Estado, têm tido que travar contendas desiguais, com a memória na mão, como a de Don Enrique Petro. Em seus olhos e mãos trabalhadoras está marcado esse grito rebelde que é também o de milhares de colombianas e colombianos que têm se levantado de diversas formas, legais e extralegais, contra a opressão. É um direito humano e dos povos. O senador Petro deveria saber disso por seu passado, ainda que seja difícil não naufragar atado aos grilhões de mecanismos psicológicos que vão da justificação do arrependimento à defesa do instituído e seus benefícios. Porém seu labor de político de centro deveria estar acima de sua defecção, pois o responzabiliza o fato de ter cativado um certo eleitorado com um discurso crítico de esquerda, dentro de uma coalizão que ele e outros rentabilizaram, mas quando esta nasce nas fumegantes fossas detrás do vazio que deixou o terrorismo de Estado, logo de massacre de honestos lutadores populares, depois do genocídio político cometido contra a União Patriótica e outras organizações e setores alternativos. “Fazer lenha das árvores caídas”, ou “comer do morto” não é ético, senador Petro.

O deslinde que faz com sua dignidade e sua memória Don Enrique Petro, o vigoroso campesino, não caindo nas armadilhas de uma democracia de ficção que o estafou, cortando ele agora, com seu coração e seu direito, a palma para agronegócios dos paramilitares, pode conduzi-lo à morte.

O deslinde que com sua debilitada memória comete o senador Petro, pode conduzir outros a morte, pelo fato de ficar marcados se não condenam um direito dos povos, como é o da rebelião, conforme o requerimento tosco do senador. Oxalá igual ardor tivesse brilhado na exortação que nunca houve a Maria Emma Mejía ou a Carlos Vicente de Roux para que fizessem pública retratação por seu passado cúmplice.

Não caberia dizer que ao senador Petro faltem bases para nobres ideais, como os que outrora lhe conduziram à insurgência, pelos quais disse o que disse. Pois bem, já o que fez o senador Petro, figurando no enxuto debate sobre o paramilitarismo, comentando o que durante anos centenas de pessoas sem câmaras de televisão e microfones em sua frente já haviam dito e pelo que pagaram com sua vida e direitos, não deveria passar de novo com um tema, a regulação da guerra e sua realidade na Colômbia. Uma árdua temática a qual ele deve participar, supostamente, como uma a mais, com plena faculdade, porém na qual não é louvável tirar proveito pessoal para sua escalada verbal e política. Tal matéria, de vital importância, não pode passar a ser patrimônio eleitoral ou estopim de uma guerra para servir-se individualmente.
Petro, o aspirante, sabe que esta questão atrai muitíssimos votos. Sobre ela sustentou-se o passageiro Uribe. Não obstante, é certo que existe uma demanda moral que não pode mais ser adiada. Com ela tem contribuído milhares de pessoas de todo o mundo, começando por aqueles e aquelas que perseveram do lado do povo colombiano, que não deve sofrer mais; as pessoas que comprendem como a rebelião nasce da necessidade de limites contra a injustiça, e por isso advogam pelos limites à rebelião quando está na prática pode arruinar valores éticos e políticos. Logo, o que Petro reivindica não é novo e nem é mais claro porque ele o vocifere. Está, faz tempo, no horizonte, também desde quando Bolívar em 1820 firmou um tratado de regulação da guerra libertadora que não o fez se ajoelhar. Há mais de uma década o ELN e as FARC olhavam para isso.

Expus aqui um artigo em junho passado: “em outro tempo o FMLN de El Salvador, entre outras insurgências, revelou suas normas próprias, seus métodos, meios e fins do combate a um sistema oprobioso. As FARC devem sem mais demora deixar explícito e público, enquanto estímulo a uma eticidade, o conjunto de regras básicas que assume, começando pelas suas, que a comprometem de plano e sobre as quais pode estabelecer-se um mínimo juízo. Não deveria contribuir para a barbárie que o negacionismo de Uribe resguarda, nem aumentar a distorção da realidade, já suficientemente desfigurada por palavras como as proferidas pelo Senador Petro, do Pólo Democrático, que, com outros de seu grupo já não apenas condena a dissensão armada, mas que refere-se às FARC uma vez e outra como “os khemeres vermelhos do Camboja sob o regime do Pol Pot”, assinalando que esta organização alçada por armas vive um processo de polpotização. Esse não é, ou não pode ser, o relato e o testemunho da rebeldia, cuja lucidez nasce dos limites infranqueáveis, sem menosprezar com ele o direito e a liberdade de lutar, apesar do cerco e da derrota. As FARC não podem olhar mais para outro lado, nem calcar o cinismo de seu inimigo, pois como organização que se diz revolucionária não pode mais ser indolente nem causar mais dano indiscriminadamente, a cidadãos comuns, não poderosos, enquanto em um país, de fome e à venda, os corruptos e assassinos vivem em plena liberdade para realizar seus negócios”.

O movimento de progressistas e daqueles que se respeitem como revolucionários e revolucionárias, dentro e fora da Colômbia, dentro e fora do Polo, daqueles que brigam por genuínas alternativas, por uma solução fundamentada em mudanças para a justiça, não podem contemplar candidamente o furto ou a transferência ao teatro da políticas de gangues, de um propósito tão definitivo, crucial e urgente. A bandeira da humanização que explica a rebeldia, e que inclui peremptoriamente a humanização da confrontação armada, deve ser alçada e defendida honradamente também pelos que não se resignam diante do regime de ignomínia que hoje encarna Uribe e outros cidadãos passageiros. Mas além de evitar cair numa cilada vergonhosa, deve assumir-se seriamente este campo, para a proposta e a ação coerente e estratégica, que dignificaria e projetaria aqueles que buscam continuar batalhando pelas transformações autênticas, ou ao menos pelas condições para resistir. Temos um exemplo em Don Enrique Petro, hoje só e no silêncio de uma propriedade com palmas para derrubar, que uma vez sorriu de nossa ironia quando lhe perguntamos se pensava que a Colômbia era uma democracia.



* Carlos Alberto Ruiz é jurista, ex assessor da Comissão Governamental para Humanização do Conflito, Colômbia



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