"A LUTA DE UM POVO, UM POVO EM LUTA!"

Agência de Notícias Nova Colômbia (em espanhol)

Este material pode ser reproduzido livremente, desde que citada a fonte.

A violência do Governo Colombiano não soluciona os problemas do Povo, especialmente os problemas dos camponeses.

Pelo contrário, os agrava.


terça-feira, 5 de junho de 2007

Colômbia: Espionagem e confissões

A espionagem, não somente de lutadores populares e oposição, como também de membros do regime narco-paramilitar é a mostra de até onde são capazes de chegar em sua paranóia contra-insurgente e responde a preceitos das agências dos EUA. Que há atrás das declarações de Mancuso? Pretendem isentar o narco-paraco número um, Alva-raco, escreve José Maria Carbonell.


A quem serves, antipatriota?


[Por José María Carbonell, ANNCOL]


Não param os escândalos na administração narco-para-fascista de Alva-raco Uribe Vélez. Definitivamente esse regime é um regime imerso em sua própria podridão. Podridão que se pretende ocultar. Como pretenderam ocultar seus nexos íntimos com a máfia da droga. Que têm sido revelados em múltiplas publicações, dentre as quais mencionamos o livro de Joseph Contreras e Fernando Garavito, Biografia não Autorizada de Álvaro Uribe Vélez[http://www.redresistencia.org/] e o artigo de Allende La Paz, Os inomináveis de boca em boca [http://www.anncol.org/es/site/doc.php?id=3047].


A espionagem.


Os colombianos, especialmente os lutadores populares, sempre soubemos que os órgãos estatais de repressão, Forças Militares, Polícia, Organismos Secretos (DAS, etc), sempre fizeram “inteligência” sobre as atividades que desenvolvemos e até a invasão de nossa vida privada (seguimentos, fustigamentos, telefones grampeados, correspondência violada,microfones ocultos em residências e escritórios, etc).


Desta invasão de privacidade, “inteligência” a chamam os nada inteligentes membros desses organismos de repressão, abastecem eles as chamadas “listas negras” que sempre elaboram, mas que agora nesta administração estiveram pressente quando García – ex -funcionário do DAS – revelou que Jorge Noguera Cotes – então diretor deste organismo – havia elaborado uma “lista negra” a qual entregou a seu sócio, também sócio de Alva-raco, o assassino-chefe narco-paraco “Jorge 40”, para sua eliminação física, como os assassinatos de Alfredo Correa De Andreis, Zully Codina e Fernando Pisciotti.


Agora, porém, “descobrem” que a polícia faz “inteligência” não somente contra os lutadores populares e membros da oposição – que “está bem” segundo os membros do regime – como também contra ministros e personalidades políticas do mesmo regime. E põem o grito no céu, porém demonstrando até onde pode chegar a paranóia contra-insurgente.


A pergunta que se deve fazer é: Por ordem de quem? Porque o “aguacate” (enfadonho?) J.M. Santos disse que eles não sabiam. O que se sabia é Alva-raco Uribe Vélez. Depois do debate do volúvel senador Gustavo Petro, numa roda de imprensa reconheceu que se fazia “inteligência” a membros da oposição. O que não sei é se a “inteligência” que a Polícia fazia era uma ordem direta de Alva-raco Uribe, ou a Polícia o fazia pra granjear a simpatia do narco-paramilitar presidente.


Porque também sabemos que a Força Pública (militares, polícia e organismos secretos) realiza “inteligência” em países estrangeiros. O caso da República Bolivariana da Venezuela é bastante significativo. Elaboração de planos de magnicídio de funcionários estatais estatais, incluindo o presidente Hugo Chávez Frias – entre os quais se concretizou o assassinato do Fiscal Danilo Anderson; compra de funcionários corruptos da DISIP; invasão e violação da soberania com narco-paracos e com membros da Força Pública – dois dos quais encontraram a morte no exercício de suas ilícitas atividades; utilização de membros das máfias narco-paramilitares par “invadir” de cocaína a Venezuela e ter a justificativa para invadir a Venezuela.


Iguais atividades foram realizadas em outros países. Na Costa Rica, o Partido Vanguardia Popular denunciou, em 2004, a elaboração de “listas de refugiados” por parte da embaixada colombiana em San José. Posterior a essa denúncia, dá-se a perseguição a um médico há 7 anos refugiado nesse país, por parte de Jorge Noguera Cotes, que primeiro pretendeu comprá-lo para sapear os membros da Comissão Internacional das FARC porque “ele teria acesso a eles” e seqüestrar-lhe depois para lhe apresentar como o “sucessor de Rodrigo Granda na Comissão Internacional das FARC”.


No Canadá foi descoberta a presença de Carlos Castaño bisbilhotando uma importante universidade de uma de suas cidades onde estão refugiados políticos colombianos não afeitos ao regime narco-paramilitar. E em países da Europa também os membros das legações diplomáticas e os narco-paracos ali transplantados fazem “inteligência” não se sabe com que finalidade.


As confissões


As “confissões” dos chamados cabeças do narco-paramilitarismo confirmam as denúncias que as organizações populares, políticas de esquerda e ONGs têm feito durante tantos e tantos anos. O narco-paramilitarismo é uma política de estado, disse Salvatore Mancuso, e disse que ele “é uma prova fidedigna”. E em sua “confissão” envolve diferentes membros dos diferentes poderes do estado: Executivo, Legislativo, judiciário e membros da Força Pública. Nada de novo, já sabíamos isso.


Já havíamos denunciado Fachito e Juan Manuel Santos por suas reuniões com Mancuso no clube El Nogal. E os desejos de J.M. de aplicar um golpe em Samper. Ou que César Gaviria Trujillo foi o criador das CONVIVIR. Tampouco é novidade que Rito Alejo del Rio e que outros generais estejam em relações promíscuas com os narco-paracos. Já o havíamos dito. Menos nos assombra é que haja juizes narco-paracos. Tampouco que haja narco-para-fiscais. Nada disso é novo, já sabíamos e denunciamos em ANNCOL. Sempre o temos feito.


Talvez o novo é que um cabeça do narco-paramilitarismo como Mancuso reconheça isto e decida contar a verdade. Por que o faz? Por duas razões fundamentais: A primeira, para tratar de salvar a pele de Alva-raco Uribe Vélez, que, com esta “confissão” passa uma conta de cobrança a todo o “establishment”, recordando-lhes que TODOS estão metidos no conto do narco-paramilitarismo e no terrorismo de estado. Que todos têm “rabo de palha”.


A segunda é a pretensão de Salvatore Mancuso de se apresentar como um “lutador político” recorrendo ao sofisma de que os mais de 6.000 assassinatos dos quais é inculpado os realizou por motivações políticas. Porém, não me submeto a esse conto. Se bem é uma política de estado o Terrorismo contra o povo colombiano seus executores não são “lutadores políticos”, são simplesmente ASSASSINOS que executam ordens.


Os narco-paramilitares são bandas delinqüentes que traficam drogas para os EUA e Europa e suas estruturas têm sido utilizadas pelo regime para adiantar as “tarefas sujas” do Terrorismo de Estado, o qual significa um alto custo político quando as realizam diretamente suas forças militares, como estão fazendo agora de novo. Porém, aos narcos que disparam o gatilho, ou utilizam a motosserra ou o facão, não lhes move uma motivação política, move-lhes o cumprimento da ordem assassina para seguir adiantando suas lucrativas atividades criminais: enviar droga, espoliar terras a campesinos e indígenas, extorquir comerciantes, etc. Ou seja, a eles os motiva “tornar-se rico” ou “receber uma remuneração de 350 mil pesos por mês”.


Porém, também em ANNCOL temos denunciado que Alva-raco Uribe Vélez é da mais profunda entranha do narcotráfico e do paramilitarismo na Colômbia. E há uma diferença, por sutil que seja para alguns, entre Alva-raco Uribe e os Santos, por exemplo. Se bem os Santos têm utilizado o narco-paramilitarismo para seguir perpetuando-se no poder – como toda a oligarquia – e são responsáveis, por conseguinte, de seus crimes, Alva-raco é um caso bem diferente.


Alva-raco Uribe Vélez é narco-paramilitar. Seu ser, seu coração, seu cérebro é narco-paramilitar. Alva-raco não somente é responsável político dos crimes do narco-paramilitarismo como presidente, como também é responsável material por quanto ele faz parte dessa organização criminal. Sua responsabilidade é dupla. E por ela terá que responder como terá que fazê-lo a oligarquia colombiana por todos esses crimes de lesa-humanidade.


A mão sinistra


Por trás da espionagem, não só aos lutadores populares a à oposição, como também aos próprios membros do regime narco-paramilitar, está, sem dúvida, a mão sinistra do governo dos Estados Unidos e suas agências. A quem mais senão lhe interessa conhecer todo o espectro das opiniões em torno da atual crise que há na Colômbia. Ademais, a Policia é uma instituição que cada vez é mais da confiança das agências imperiais, como a DEA, a cujos generais lhes permitem o envio de carregamentos de cocaína aos EUA como prêmio por serviços prestados.


O carregamento de 409 quilos que “couberam” ao general Castro, no México, é uma prova disso. O estranho é que o próprio governo de Alva-raco Uribe Vélez promova outro corrompido general, Óscar “coca” Naranjo cujo irmãozinho “caiu” com alguns quilos de mais na Alemanha e foi condenado – laxamente – a 5 anos de prisão.


Um Novo Governo


A atual crise somente será superada na Colômbia com um Novo Governo de Reconstrução e Reconciliação Nacional, cuja base seja o povo, o constituinte primário, e garanta uma nova institucionalização, passo prévio e indispensável para a construção de uma Nova Colômbia.



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As bombas de estilhaçamento

As bombas de estilhaçamento são um material bélico que consiste em um recipiente que é deixado cair –geralmente por uma aeronave- e que libera centenas de pequenas bombas em uma área considerável, O inconveniente maior é que –foi comprovado empiricamente- uma parte importante dessas”mini-bombas” não explode no momento. Por seu pequeno tamanho, não são reconhecidas como armas pela população civil, e foram causadas dezenas de mortes de crianças que, ao manipulá-las, provocaram sua detonação, disse APM.


Quem as fabricam e lançam?


[Por la Redacción de APM* ]


Em uma medida de evidente caráter progressista, as nações da América Latina e o Caribe afirmaram sua intenção de declarar toda nossa região como zona livre de bombas de estilhaçamento e minas terrestres. Ontem, treze países acima do rio-grande concordaram na capital peruana em efetuar uma reunião à respeito na Costa Rica, em agosto próximo.


Enquanto essa iniciativa merece seu reconhecimento, em contrapartida, as nações da região criticaram a posição francesa à respeito, que como em outras oportunidades, resultou ambígua, e qualificada como “um retrocesso para as negociações”.


A reunião agendada para agosto na Costa Rica aponta para criar as condições de uma região livre de minas terrestres e de munições estilhaçantes que inclua quase todo o hemisfério, indicaram representantes da sociedade civil.


As bombas de estilhaçamento são um material bélico que consiste em um recipiente que é deixado cair – geralmente por uma aeronave - e que libera centenas de pequenas bombas em uma área considerável. O inconveniente maior é que –foi comprovado empiricamente- uma parte importante dessas”mini-bombas” não explode no momento. Por seu pequeno tamanho, não são reconhecidas como armas pela população civil, e foram causadas dezenas de mortes de crianças que, ao manipulá-las, provocaram sua detonação.


O compromisso vai um passo além, e determina ainda que esse tipo de armas jamais sejam usadas, segundo informaram à imprensa porta-vozes da International Campaign To Ban Landmines e a Handicap International, duas ONG´s que perseguem esse propósito.


A jornada continuou em torno das necessidades específicas dos países afetados pelas armas de estilhaçamento, os desafios relacionados à destruição dos arsenais e a maneira como um tratado deveria abordar essas necessidades.


A delegação francesa provocou polêmica com as ONG´s presentes, que criticaram severamente “suas ambigüidades” no que diz respeito à destruição dos estoques dessas armas.


A proposta de Paris foi limitar a proibição às munições que a nação julga como as “mais perigosas”, o que representa um retrocesso para os alcances do tratado que se busca realizar, denunciou a Handicap International.


“O que Paris propõe é regularizar a interdição das munições estilhaçantes, o que permite, entre outras coisas, guardar estoques”, disse à imprensa internacional a representante da Handicap International, Anne Villeneuve.


Argentina, Bolívia, Canadá, Costa Rica, Colômbia, Chile, Equador, Guatemala, México, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana e Venezuela são os países da região assistentes, enquanto que os Estados Unidos não participou. Um total de 70 países comparecera, à conferência, que teve em Oslo em fevereiro seu primeiro passo.


O vice-chanceler peruano Gonzalo Gutiérrez planejou na inauguração do evento, quarta-feira, emitir uma Declaração em curto prazo para que a América Latina proíba a produção, transferência e armazenamento de bombas de estilhaçamento.


A Nobel da Paz, Jody Williams, da Coalizão contra as Munições Estilhaçantes (CMC, por suas siglas em inglês), advogou na mesma direção ao sustentar que a América do Sul deve somar-se à América Central que foi a primeira região do mundo a declarar-se livre de minas.


A conferência, que termina hoje, é organizada pelo Peru com o apoio da Noruega, onde em fevereiro passado 46 nações assinaram a Declaração de Oslo, que planeja realizar negociações parar assinar em 2008 um tratado para a proibição das munições estilhaçantes em todo o mundo.


* Agência de Notícias Mercosul



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As FARC agradecem à hospitalidade do povo mexicano

E exortam o presidente, Felipe Calderón, por não se deixar levar pelas infâmias da inteligência militar colombiana. Em coluna escrita para o diário alemão, jungeWelt, Raúl Reyes, reitera que a luta política armada das FARC se ‘circunscreve ao seu território continental e às suas ilhas’.

Solidariedade com Colômbia!


[ANNCOL]


O jornal alemão, jungeWelt [http://www.jungewelt.de/2007/05-25/009.php] , em sua edição de hoje, segunda, 25 de maio, publica um artigo [‘Reciprocidade em nossas relações’] do dirigente das FARC, Raúl Reyes. ANNCOL, traduz e reproduz alguns pedaços de especial importância para conhecimento de nossos leitores.


Através de seu Chefe de Relações Exteriores, as FARC reiteram que seu trabalho no exterior não é militar e sim diplomático.


- “Ratifico oficialmente que nossa luta político-armada se realiza nos 1142.000 km2 e suas ilhas que definem nosso território nacional em termos de superfície e soberania. É a orientação que devem cumprir todos os integrantes das FARC-EP, sem exceção alguma”, escreve em seu segundo artigo nesse ano-


Raúl Reyes agradece a solidariedade do povo do México


- “Muitas graças ao povo mexicano por sua solidariedade e hospitalidade, nós somos bolivarianos, nossa pátria é a América e em Bolívar nos encontramos”-


E desmente as intenções do governo de Uribe em classificar os amigos de lutas colombianas como laranjas do narcotráfico


- “Exortamos o povo mexicano e seu Presidente Felipe Calderón, por não deixar-se influir por semelhante infâmia. É uma lenda do governo colombiano dizer que os amigos da solidariedade com Colômbia e as FARC, utilizam a terra de Pancho Villa, México, para lavar dinheiro do narcotráfico. É como se o ladrão gritasse: Pega ladrão...!-


Sem usar dos mesmos dados que têm o Estado e seus governos para expor o que ocorre, segundo as FARC, o conflito se estenderá por anos.


- “Ao negar-nos esse espaço diminuiu-se sem nenhuma justificativa a chance de uma saída dialogada política de um conflito de mais de meio século” – denuncia o chefe insurgente.



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Colômbia se volta às ruas!

A grande mobilização e a paralisação indefinida de milhões de trabalhadores convocada por uma organização ampla e variada como é a Grande Coalizão Democrática, com suas palavras de ordem unitárias de “toda a verdade, todas as garantias e toda a Democracia. Contra o TLC e pela solução política à crise da Colômbia”, arrancando a espantosa Crise colombiana dos estreitos estúdios editoriais da grande imprensa governista, da Radio Casa Nariño (RCN) e dos gabinetes atapetados de Washington, para expô-la ao benéfico e moralizador efeito do ar público, que ainda não lograram privatizar.


Às ruas!


[ANNCOL]


Uma vez o Narco-Fascismo Uribista considerou que estavam dadas todas as condições para cooptar as instituições do Estado colombiano que ainda não havia capturado, e se lançou a legalizar publicamente seu acionar, até esse momento semiclandestino, lavando com leis falsas suas Narco-fortunas que hoje tem a moeda colombiana supervalorizada; cometeu um grave erro de cálculo político que, muito provavelmente, o leve a seu fim: Subestimar a vocação realmente democrática e antipolitiqueira do Povo Trabalhador da Colômbia.


A primeira eleição de Uribe Vélez acelera três processos que hoje estão à vista, dando resultados. 1) A unidade ampla e democrática de organizações sociais, sindicais, políticas, cívicas, culturais, estudantis, étnicas, de gênero e de massas contra o Fascismo em sua versão colombiana. 2) A tomada de consciência e a discussão Coletivas em torno de um ideário de Unidade, o mais inclusivo possível para sair da prolongada Crise na qual as classes dominantes meteram a Colômbia desde há mais de 60 anos, e 3) A proposta de que nas Ruas e com a mobilização de massas é onde se vai decidir qual dos dois projetos se impõe. Se o Narco-Fascismo Uribista, ou o da real Democracia participativa, protagônica e direta do Povo que trabalha e produz a riqueza e que outros lhe roubam com a especulação financeira Transnacional.


Isto é o que, depois de vários intentos honrosos, um deles o do 1º de Maio passado, e as marchas estudantis em defesa da universidade pública; hoje (23 de maio) se continua nas Ruas de cidades e povoados da Colômbia, anunciando novas e maiores jornadas democráticas: A grande mobilização e a paralisação indefinida de milhões de trabalhadores convocada por uma organização ampla e variada como é a Grande Coalizão Democrática, com suas palavras de ordem unitárias de “toda a verdade, todas as garantias e toda a Democracia. Contra o TLC, e pela solução política à crise da Colômbia”, arrancando a espantosa Crise colombiana dos estreitos estúdios editoriais da grande imprensa governista, da Radio Casa Nariño (RCN) e dos gabinetes atapetados de Washington, para expô-la ao benéfico e moralizador efeito do ar público, que ainda não lograram privatizar.


Este é o desafio consciente e histórico que nos espera e frente ao qual não podemos ser inferiores. Assim, pois, todos às ruas até derrotar o Narco-Fascismo Uribista, e logremos impor em cada esquina uma verdadeira Democracia Popular Avançada.



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segunda-feira, 4 de junho de 2007

Última Hora!: as Farc pronunciam-se sobre a libertação massiva de guerrilheiros

Em Comunicado enviado à redação de ANNCOL intitulado “O engano” o Secretariado dessa Organização insurgente explica as verdadeiras intenções de Uribe com essa farsa. “O demagógico anuncio de liberar unilateralmente presos, nada tem a ver com a Troca que deve ser o resultado de acordos entre o Estado e a Insurgência revolucionária, onde se definam critérios, tempos, nomes, garantias, observadores e mecanismos”.



Sonia e Simón na lista do Intercâmbio!


[Comunicado das Farc]

"O engano”

1. Com a liberdade condicionada de presos, o Presidente busca ocultar sua verdadeira intenção de impedir que as autoridades judiciais avancem em suas investigações a parlamentares, militares, personalidades e a seu Governo, por evidentes nexos com a narco-para-política e por sua responsabilidade em inúmeros e espantosos crimes contra civis acusados de apoiar a guerrilha e, inutilmente também, pretende tender cortinas de fumaça em torno da espionagem telefônica, ordenado e aproveitado por ele mesmo e por sua cada vez mais indigno servilismo ante as imposições da Casa Branca.

2. Esta farsa uribista é outro engano aos familiares e amigos dos prisioneiros das duas partes que, ademais, deturpa a característica dos presos para aumentar as cifras, já que coloca em um único saco:

a. Guerrilheiros que mantendo sua dignidade revolucionária rechaçam o fantasioso oferecimento e exigem a troca de prisioneiros.

b. Desertores que traíram às FARC e por sua decisão deixaram de ser guerrilheiros. Por isto, não são nem podem ser parte de Troca alguma.

c. Muitos civis, acusados de serem guerrilheiros.


3. O anuncio demagógico de liberar unilateralmente presos, nada tem a ver com a Troca de prisioneiros, que deve ser o resultado de acordos entre o Estado e a Insurgência revolucionária, mediante a definição de critérios, tempos, nomes, garantias, observadores e mecanismos. As FARC rechaçam as falsas promessas de quem pretendem converter o clamor nacional pelo Intercâmbio Humanitário em propaganda para curar as feridas causadas pela política neoliberal e terrorista de um Regime ilegal como é esse de Uribe.


4. Definir uma Troca de prisioneiros exige realismo político e seriedade de parte do governo e, também, reclama a suspensão do duplo jogo oficial, já que enquanto engana a opinião pública com a propaganda da libertação dos presos, as tropas oficiais continuam tentando resgates a sangre e fogo, sem que ao governo importe para nada a vida e integridade dos prisioneiros. Reiteramos hoje, a necessidade de desmilitarizar os municípios de Florida e Pradera para definir aí, os termos de um Acordo Humanitário.


Secretariado do Estado Maior Central
FARC-EP
Montanhas da Colômbia, junho de 2007


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Este país foi levado por ‘Pindanga’

Assim dizia o decano da rádio na Costa Atlântica, Marcos Pérez Caicedo. E os ‘pindanga’ eram – e são – os mesmos que intruduziram na Colômbia a orgia de sangue do Terrorismo do Estado, elaborado e desenhado pelos ‘ideólogos’ dos USAmérica, implementado pelos oligárquicos colombianos que fizeram de presidentes: ‘rolos’, ‘paisas’, ‘boayacunos’, ‘pereiranos’, etc (nenhum da Costa Atlântica, que coisa, não?)


'Pindangas'


[Por José María Carbonell, ANNCOL]


Segundo a história da rádio em Colômbia, assim dizia o decano da rádio na Costa Atlântica Marcos Pérez Caicedo, quando em seu trabalho jornalístico denunciava a corrupção da classe política. Que tanto em Barranquilla como em todo o país foi eterna.


Os planos imperiais foram implementados pelos presidentes oligárquicos, nenhum dos quais da Costa Atlântica.


E os ‘pindanga’ eram os mesmos que intruduziram na Colômbia a orgia de sangue do Terrorismo do Estado, elaborado e desenhado pelos ‘ideólogos’ dos USAmérica, implementado pelos oligárquicos colombianos que fizeram de presidentes: ‘rolos’, ‘paisas’, ‘boayacunos’, ‘pereiranos’, etc (nenhum da Costa Atlântica, que coisa, não?) – e vêem nos lutadores populares um ‘perigo’ para seus malogrados desejos de permanecer no poder a qualquer custo.


Não importa que o ‘custo’ seja o assassinato, o desaparecimento forçado, os massacres, e claro – não podia faltar porque é uma de suas formas de acumulação de ‘capital’ – o despejo forçado. Esse ‘custo’ foi sacrificar a vida de mais de 100.000 colombianos, desde 1964, quando adiantaram o Plano LASO (Latin American Security Operation) contra Marquetalia e os 48 camponeses que ali moravam, mas isso não é importante porque nenhum dos mortos é da oligarquia.


Para adiantar seus planos criminais deram ordens à cúpula das Forças Militares para ressucitar suas estruturas para-militares (os ‘pássaros’, a ‘chulavita’, os ‘Efraín González’, os ‘Cóndores’, etc.) e aproveitar as estruturas criminais do narcotráfico para seus fins malévolos. E os mafiosos se achavam ‘invencíveis’ porque estavam apoiados pelos altos oficiais militares e tinham a vÊnia dos grandes políticos de Bogotá.


Mas há um capítulo pouco explorado pelos meios em poder da oligarquia e é a participação direta de suas empresas e –lógico – seus empresários, porque que eu saiba as empresas não funcionam sozinhas, e já estão caindo à tona que os sindicalistas denunciaram há muitíssimos anos: os empresários pagavam – e pagam – aos grupos narco-paramilitares para que retirem deles os ‘obstáculos’ ou ‘problemas’ do caminho. E esses ‘problemas’ são precisamente os trabalhadores sindicalizados.


Vemos assim que o exercício violento do poder tem na Colômbia a dupla funcionalidade de eliminar os ‘competidores’ da oligarquia pelo poder e como forma de acumulação de capital.


Por ele, as historinhas de ‘digam toda a verdade’ e ‘eu não fui, eu não sabia com quem estava falando’, ou a de ‘eu expliquei ao país toda a verdade’, não me convencem porque como dizia Marcos Pérez Caicedo.” Não me faça rir porque tenho o lábio cortado. Mas apesar de tê-lo ‘cortado’ não posso evitar de rir quando vejo que o inquilino nefasto da Casa de Nariño, o narco-paramilitar em funções de presidente, dirige a orquestra de um novo grupo.


É o grupo dos ‘escapados’. Ao policial ‘Pinchao’ o presentearam com um uniforme novo e o fazem sentir-se um personagem das alturas – quando a realidade para eles não é mais que um ‘tombo’ que se deixou capturar pelas FARC – e o colocam a dizer uma série de sandices como um papagaio quando recita ‘Alva-raco quer biscoito’, ‘Alva-raco quer biscoito’. E sorriu para mim – apesar de meu lábio ‘cortado’ – quando escuto ao ‘Chambacú’ Araújo (Porque será que os Araújo são corrompidos? Questão de genética?) apontando sobre questões de política interna, sendo que sua área é de Relações Exteriores. Então, me pergunto: Será que o ministro de guerra J.M, perdeu o ‘afeto’ do ‘Patrão’ e não dão a ele a vitrine, como antes?


Porque a verdade é que pareceu que Alva-Raco Uribe Vélez agora se apóia para tudo em ‘Chambacú’ araújo e em um e outro ministro, mas não naqueles das áreas de Interior e Justiça, e o da Defesa. Porque será? Eu acredito que é porque Alva-raco Uribe, que pode ser mafioso, e “pa’completar a história”, como dizia Marcos Pérez Caicedo, é fascista, ou seja, matador, mas que não tem nada de tonto – por alguma coisa é mafioso – sabe muito bem que está rodeado de ‘inimigos’.


E isso de ‘estar rodeado’ é uma coisa bem traiçoeira. Mas essa é a constante na máfia. O ‘Don’ não pode confiar nem em seu mais próximos colaboradores porque no momento mais inesperado eles te dão uma patada, e by, by, “a um rei morto, rei posto”.


‘Mandinga’ é a solução
‘Mandinga’ fala de organização e luta de massas.


Mas assim como a oligarquia criou suas monstruosas criaturas de morte, os narco-paramilitares em conjunto com os militares – também fez nascer quando Marquelalia atacou seus coveiros.


O povo colombiano aprendeu bem rápido a lição e sabe que a única forma de defender a vida é organizando-se e como forma de exercer este legítimo direito, organizando suas próprias estruturas armadas. Nasceram então as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), as quais agressão atrás de agressão do estado contra o povo viram suas unidades crescerem, e lógico, desenvolverem-se.


Ser guerrilheiro é a única forma segura de fazer oposição em Colômbia. Parece um paradoxo que lutar com as armas na mão – fazer a guerra de guerrilhas – ato com o qual convertemos em possibilidade real a possibilidade ‘virtual’ da morte, seja uma forma de preservar a vida. Mas esses são os paradoxos, as ‘encruzilhadas’, chamam alguns investigadores, que resultaram da imputação criminal dos que detêm o poder em Colômbia.


Porque digam o que digam, a oligarquia – e o império – vão a seguir assassinando aos verdadeiros opositores do regime colombiano. Exterminaram a União Patriótica (U.P), assassinaram Jaime Pardo Leal e Bernardo Jaramillo Ossa, exterminaram os parlamentares classistas. Aos que não exterminam – mas que compram com 4.500 milhões de pesos – são aos ‘opositores’ de mentirinha. Aos que fazem ‘oposição’ para lavar a cara do regime de que ‘se há democracia’ no país, aos que fazem ‘pactos secretos’ – talvez mais criminosos que os Ralitos – ao passo que uma parte do ‘ponqué’ do estado, a esses não assassinam porque são inofensivos para o regime.


A realidade nos evidencia que ao único que teme ‘Pindanga’ é à ‘Mindanga’ e ‘Mindanga’ vem da selva, da montanha, fala de companheiro, camarada – palavra que quiseram fazer desaparecer dos dicionários – que diz que há necessidade de organização, que devem lutar, que apóia a greve nacional de hoje e te ensina como enfrentar os assassinos da ESMAD, que vai organizando os círculos clandestinos do Movimento Bolivariano e do PCCC (Partido Comunista Colombiano Clandestino).


Por ele, todos os dias, a toda a hora, os funcionários ‘papagaios’ do regime narco-paramilitar uribista estão despotricando contra as FARC, acusando-a de ser maléfica e de ser o mal-por-existir na Colômbia, tratando de desprestigiar a estes lutadores populares, filhos das próprias e íntimas entranhas do povo.


Porque eles, os oligarcas, sabem que quando ‘Mindanga’ chega, ‘Pindanga’ sai correndo com as calças encharcadas.



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De prisioneiros de Guerra

Os meios de comunicação do regime narco-paramilitar manipulam a verdade. O presidente Alva-raco Uribe Vélez ‘posa’ com o policial ‘Pinchao’ –não sabemos se “fugido” ou “liberado”–e esconde que os governos oligárquicos o deixaram abandonado à sua sorte durante 9 anos! Do “Pinchao” à Simón e Sonia, escreve Allende La Paz.

Prisioneiros nas prisões imperiais.


[Por Allende La Paz, ANNCOL]


A guerra com sua crueldade mostra a “imperiosa necessidade” de um Intercâmbio de Prisioneiros de Guerra na Colômbia. A sensacionalista superexposição e as reportagens do “Pinchao” – não sabemos se “fugido” ou “liberado” – entre outras coisas que só os meios submissos ao regime têm acesso, dão sonora bofetada em todos aqueles que negaram a existência do conflito armado na Colômbia, os quais agora posam ao lado do pobre policial, mostrando quão hipócrita é a oligarquia colombiana.


O policial Pinchao
A hipocrisia da oligarquia querendo apresentar um 'tonto' como um mártir.


Os meios de comunicação da oligarquia apresentam “o policial em fuga”, mostrando-o como um herói e um mártir ao mesmo tempo. Não acredito que seja muito heróico para “um militar” caminhar quinze dias na selva, ou em qualquer outro terreno. Se supõe que sua preparação físico-atlética deve ser a máxima, e a psíquica igual ou superior.


Temos visto os guerrilheiros –em duas ou três ocasiões pelo menos –caminharem 12- 15 horas ao dia durante 15 dias, com bagagem de 30 quilos, que somado ao fuzil (quanto pesa? 12 quilos?) e a munição em seus cintos dão mais ou menos 45 quilos; o que nos dá uma idéia de quão preparados estão os guerrilheiros das FARC no ponto de vista físico-atlético. Por isso não me admira que o ‘Pinchao’ haja caminhado esses dias “como escoteiro”, ou seja, sem nenhum peso adicional além de seu próprio peso.


E os meios de comunicação burgueses dizem que o homem é um mártir. Nada mais distante da realidade. Jhon Frank Pinchao pertence à Polícia, uma instituição integrante da Força Pública, que não cumpre funções civis, e sim militares, em todo o território nacional. E a Polícia é uma instituição criminal, na qual é dado refúgio a criminosos que não conseguem emprego em nenhuma outra parte. Então, dada a dinâmica da guerra, um de seus agentes cai prisioneiro das forças inimigas –nesse caso a guerrilha das FARC, como aconteceu com o “Pinchao”, que foi capturado em combate –o esperado é que o prisioneiro mostre seu caráter e assuma as conseqüências por fazer parte de uma parte hostil.


Porque já é costume que a oligarquia e seus meios de comunicação – seja a casa “para-militar” El Tiempo, ‘paracol’, ‘Rádio Cadena Narco-Paramilitar’, etc – magnifiquem ‘os sofrimentos’ dos prisioneiros de guerra em poder das FARC e mantém um silêncio absoluto sobre as aberrações jurídicas nas quais mantém o regime aos guerrilheiros das FARC em seu poder e as condições sub-humanas de reclusão que suportam, além dos atentados contra suas vidas, alguns sendo bem-sucedidos. São tão perversos que Alva-raco Uribe foi logo tirar fotos com ele, mas não disse que os governos oligárquicos o deixaram abandonado à sua própria sorte durante 9 anos. O ‘Chambacú’ também correu para a foto. Mal acompanhado está o “Pinchao”: um narco-paramilitar e o outro um ladrão do ‘colarinho branco’!


Igualmente atuam os meios burgueses com os outros prisioneiros ‘civis’, representantes da ‘classe política’ que faz guerra através de sua legislação de guerra e através da organização, financiamento e apoio logístico dos grupos de criminosos narco-paramilitares. Segundo esses “meios”, eles não são prisioneiros, são “seqüestrados” e fazem um drama sobre “o seqüestro”, mas só falam, por exemplo, dos mais de 13.000 desaparecimentos forçados que praticaram as forças militares-narcoparamilitares, quando a realidade os obriga.


Os guerrilheiros fareanos Sonia e Simón Trinidad
O que dizem das ‘condições’ de reclusão de Simón e Sonia?


Se queremos mostrar a posição que deve assumir um combatente ao ser prisioneiro, esta está mais que demonstrada na posição adotada pelos guerrilheiros das FARC, Sonia e Simón Trinidad.


Sonia, capturada em um povoado no sul da Colômbia, foi mantida incomunicável, e só tinham acesso à ela os seus captores; inclusive tiveram acesso à ela membros da embaixada dos Estados Unidos em Bogotá (com a permissão de quem?). E foi levada para além-mar em um submarino dos Estados Unidos, foi torturada e submetida a chantagem para que aceitasse ‘declarar’ que o Secretariado das FARC manejava o narcotráfico na Colômbia. Ao não aceitar foi extraditada aos Estados Unidos pela administração narco-paramilitar de Alva-raco Uribe.


As condições de reclusão que Sonia suporta não são as melhores, se levarmos em conta que ela está numa prisão da maior ‘potência’ mundial.


O caso de Simón Trinidad é ainda mais exemplificante. Nunca se amedrontou ao ser capturado e pelo contrário, na primeira oportunidade que teve, mostrou sua valentia lançando vivas a Manuel Marulanda, a Simón Bolívar e às FARC.


Extraditado aos Estados Unidos pela administração narco-paramilitar de Alva-raco Uribe Vélez, Simón Trinidad suporta condições de reclusão extremamente duras, desumanas, bem ao estilo de ‘Guantánamo’. Sua cela de 2 x 2 metros está isolada, com uma lâmpada acesa as 24 horas do dia – não se sabe quando é de dia ou de noite-, só tem direito a uma hora de sol a cada quinze dias; não lhe permitem receber correspondência, ler jornais, nem sequer voltar a estudar inglês.


Quando é levado à alguma diligência judicial é amarrado dos pés à cabeça e montam uma operação policial bem ao estilo de Hollywood. É tão absurdo, que em seu primeiro julgamento não permitiram que uma pessoa testemunhasse à favor de Simón, no entanto a Procuradoria levou 21 pessoas, algumas delas pagas. Apesar de Simón ter sido sua própria testemunha e ter conseguido desmascarar as armadilhas montadas pela Procuradoria estadunidense e o governo de Uribe Vélez.


No segundo julgamento que se inicia por esses dias, a Procuradoria pretende impedir que até o próprio Simón seja sua própria testemunha. Os meios burgueses resenham esses julgamentos, não para mostrar a violação dos direitos humanos desses prisioneiros, mas para gabar-se diante de seu sofrimento e para que sirva de lição ao povo colombiano. A mensagem enviada é: “É isto o que acontece com os que ousam lutar contra os que mandam na Colômbia”.


A Guerra e o Intercâmbio


A dura realidade da guerra levou abaixo a falsa tese da inexistência do conflito armado na Colômbia. A guerra foi aprofundada e degradada por conta dos governos dos Estados Unidos e Colômbia que não hesitam em assassinar a população civil –‘tirar-lhe a água dos pés’, dizem eles –e para isso utilizam as estruturas criminais do narcotráfico, que nós colombianos chamamos de narco-paramilitares.


Assassinam, massacram, desaparecem, expulsam, cortam em pedacinhos as vítimas com as moto-serras ou jogam futebol com as cabeças, as quais são cortadas pelos "arranca-cabeças”, sem nenhum escrúpulo. Ainda assim, choram compulsivamente como carpideiras e tratam de tirar proveito dos sofrimentos de seus próprios prisioneiros de guerra, os quais têm permanecido abandonados em cativeiro pela obstinação e perversidade do inquilino da Casa de Nariño.


A dura realidade da guerra tem mostrado que a única possibilidade de que os prisioneiros de guerra –de um lado e de outro- regressem à “suas casas” é o Intercâmbio ou Troca de Prisioneiros de Guerra.


As FARC reiteram mais uma vez a sua disposição ao Intercâmbio para o qual é imprescindível o despejo dos municípios de Pradera e Florida, para começarem as conversas sobre os mecanismos do intercâmbio.


Enquanto isso, os que andam vociferando e dando ordens de ‘resgate militar’ devem aceitar as conseqüências de seus atos, que na realidade não são eles que pagam, mas os que na política chamamos de suas “carnes de canhão”.



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Márquez: “O povo tem a palavra"

O novo desta fatigante crise é a fragmentação da coesão no alto governo. O que se está dando agora é uma vulgar briga entre cachorros e gatos: Francisco Santos, o vice-presidente, conspirando contra Uribe. Quer empunhar as rédeas do governo... e Uribe apagando incêndios, defendendo a seus funcionários salpicados, a suas hostes parlamentares e protegendo seu rabo de palha. Aí, o povo colombiano não tem nada que escolher. Tanto Uribe como Santos foram eleitos com os mesmos votos viciados, os massacres e os dólares, e as motosserras do paramilitarismo. Escreve Iván Márquez.


Iván Márquez, chefe guerrilheiro das FARC!


[Iván Márquez*]


Com gritos de assassino, assassino! e Uribe, paraco, o povo está irado, foi recebido em Washington o Presidente narco-paramilitar da Colômbia, Álvaro Uribe Vélez. Um prestigioso diário norte-americano resenhou que o mandatário, de fato, teve que regressar a seu país num lamentável estado de choque por circunstâncias tão adversas. Assim começam a repudiar os povos do mundo a tirania de Bogotá.


À medida que a Colômbia se afunda cada dia mais no inferno da narco-parapolítica, abençoada pela Sala Oval, cresce e se dissemina o convencimento que só a intervenção unida e enérgica do povo poderá restabelecer a dignidade e a soberania, e também que é condição sine qua non expulsar aos velhacos e bandidos que tomaram de assalto o Palácio de Nariño.


Desde a campanha mesma de seu primeiro quatriênio, o governo narco-paramilitar de Uribe começou a cavar com os Mancuso, os 40, os Berna, o Alemão, e todos esses vulgares abomináveis da morte sua própria fossa comum. Soa sarcástico, e que vamos fazer?, se é que a Colômbia é um triste país de fossas comuns.


O novo desta fatigante crise é a fragmentação da coesão no alto governo. O que se está dando agora é uma vulgar briga entre cachorros e gatos: Francisco Santos, o vice-presidente, conspirando contra Uribe. Quer empunhar as rédeas do governo... e Uribe apagando incêndios, defendendo a seus funcionários salpicados, a suas hostes parlamentares e protegendo seu rabo de palha. Aí, o povo colombiano não tem nada que escolher. Tanto Uribe como Santos foram eleitos com os mesmos votos viciados, os massacres e os dólares, e as motosserras do paramilitarismo.


Num bando estão, então, o Presidente Uribe, seus narco-paramilitares de Itagüi, os mais de 80 congressistas uribistas que reconhece Mancuso, os Araújo e Jorge Noguera... e também o governo dos Estados Unidos com seus interesses aritméticos. E, na outra facção, os Santos do diário El Tiempo, isto é, Pacho o vice-presidente e seu primo Juan Manuel, ministro de Defesa, ambos posando hipocritamente como pombas imaculadas.

Desde há algum tempo o vice-presidente anda exibindo feliz a cabeça da ex-chanceler Maria Consuelo Araújo, que teve que renunciar acusada de ser quota do paramilitar Jorge 40 no gabinete ministerial. Agora, afirma Santos que “30 ou 40 congressistas, de repente mais,” terão que ir ao cárcere no marco do escândalo da narco-parapolítica..., opinião respaldada por seu primo, o ministro de Defesa Juan Manuel Santos.


Era óbvio que a resposta de alguns congressistas não se ia fazer esperar. Muito irados e vaidosos reclamaram “presunção de inocência”. Como surpreende escutá-los invocar agora este direito universal, acolhido pela Colômbia como preceito constitucional, quando nada fizeram para impedir a violação deste direito em momentos em que Uribe desatava essa caça às bruxas, essas impressionantes capturas fascistas que colocaram atrás das grades a mais de 150 mil cidadãos inocentes. Tampouco se lhes escutou uma objeção à antipatriótica extradição de mais de 500 nacionais aos Estados Unidos, sem que se lhes houvesse permitido defender-se aqui, ou ser vencidos em julgamento.


Parece-nos bem que se reivindique o direito de todos, não só dos parlamentares, à presunção de inocência frente a um sistema jurídico injusto e arbitrário. Quanto necessita a Colômbia um Poder Moral que atue como dique que contenha os abusos do poder contra os cidadãos...


Porém, voltemos ao enfrentamento entre os cabeças: o vice-presidente Santos teve que admitir que se reuniu em épocas não muito distantes em Valledupar, em casa dos Araújo, com os senhores do narcotráfico e da morte, Jorge 40 e Salvatore Mancuso... Valeria a pena averiguar também com quem se reuniu Uribe nessa mesma cidade em 8 de agosto de 2002, um dia depois de sua posse como Presidente da República.


Este é um governo desprezível que não merece credibilidade internacional nem nacional, assim a atual administração da Casa Branca o eleve ao pedestal do engano qualificando-o como um dos governos mais legítimos do mundo.


São muito respeitáveis as percepções de personagens da política mundial como o ex-vice-presidente dos Estados Unidos Al Gore, a presidenta do Congresso norte-americano Nancy Pelosi, os senadores James McGovern, Charles Rangel e muitos mais, que questionam as atuações e métodos do governo do senhor Uribe.


E razão não lhes falta. Pinochet, por exemplo, ficou pequenino frente às barbaridades do monstro dos Andes que hoje governa a Colômbia. Os governos do mundo, como o solicitaram as FARC em recente carta aberta, deveriam retirar todo o respaldo e credibilidade a este regime de arbitrariedade. Acaba de revelar em investigação o senhor Mancuso que o anterior ministro de Interior e Justiça, Sabas Pretel de la Vega, se reuniu com eles em nome dos empresários...


Com razão, ressoam ainda na consciência mundial esses gritos de denúncia do povo dos Estados Unidos contra Uribe. Essas palavras de indignação, acompanhadas da exigência que renuncie por ilegítimo e ilegal, devem entoar-se pelos povos do mundo onde queira que o Presidente narco-paramilitar aponte seu nariz; e devem também presidir as próximas mobilizações sociais na Colômbia.


O povo, que está perdendo o medo frente ao terrorismo de Estado, tem a palavra.


*Integrante do Secretariado das FARC-EP




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A violência há 55 anos

Apolinar Díaz – Callejas, membro do Partido Liberal, traz um recorde histórico da “violência” que se agencia desde o Estado há mais de 55 anos. “Centenas de camponeses inocentes, homens, mulheres e crianças, foram sacrificados sem piedade em uma horrenda e inútil orgia de sangue. Plantações, casas e instalações de trabalho foram destruídas e saqueadas. O governo não permitiu que o país conheça plenamente essa monstruosa façanha.”


Desde antes de 1948


[Por Apolinar Díaz – Callejas· http://www.apolinardiaz.org]


Faz 55 anos o chefe do partido liveral doutor Carlos Lleras Restrepo dirigiu ao presidente da república encarregado Roberto Urdaneta Arbeláez, em 30 de maio de 1952, uma enérgica carta, denunciando os crimes cometidos pela polícia militar no município tolimense do Líbano. Disse o doutor Lleras que a forma de atuar da polícia militar nessa região não possui antecedentes na história da República.


Centenas de camponeses inocentes, homens, mulheres e crianças foram sacrificados sem piedade em uma horrenda e inútil orgia de sangue...


Plantações, casas e instalações de trabalho foram destruídas e saqueadas. O governo não permitiu que o país conheça plenamente essa monstruosa façanha e a tal ponto levou suas precauções de ocultamento que não autorizou sequer que comissões de enfermeiras da Cruz Vermelha Nacional acudissem a região assolada para prestar auxílios aos sobreviventes. Não se alegue que os inocentes camponeses que foram assassinados por dezenas e dezenas nos locais escolhidos caíram no curso da batalha, pois, tenho provas contundentes, relatos absolutamente vorazes, que me demonstram que a polícia assassinou feroz e covardemente a grupos de camponeses que se encontravam pacificamente entregues ao seu trabalho.


O 30 de setembro de 1952, dias depois do assalto à bala de sua residência, o 6 de setembro desse ano, igual que a do ex-presidente Alfonso López Pumarejo, o doutor Lleras Restrepo se dirigiu de novo ao Presidente Urdaneta Arbeláez informando que iria da Colômbia ao amparo da embaixada da Venezuela, por falta de garantias para sua vida e a de sua família. Relembrou toda a onda criminal de violência sectária espalhada sobre o país, à vista do governo, e recordou a Urdaneta que como Ministro de Guerra deu a ordem de que toda a população civil existente em um imenso território dos Llanos orientais, o abandonaram no término de 5 dias, baixo a intervenção de que, vencido esse prazo, toda pessoa, homem, mulher ou criança que fora encontrada dentro dos limites assinalados seria tratada como bandoleiro, ou seja, fuzilada sem fórmula de juízo. Assim foram arrancados de seu território, famintos e desnutridos, muitos milhares de camponeses inocentes. Nessa tremenda carta o doutor Lleras Restrepo denunciou a onda de crimes políticos que estavam sendo cometidos ao longo do país. O doutor Lleras Restrepo finalizou sua carta dizendo: Hoje nos distanciamos do país, mas vamos retornar a ele, e a vida não haverá de negar a nós e a nosso partido a ocasião de dar a quem hoje nos oprime uma nova lição de justiça, de moderação e de patriotismo.


As recordações anteriores me obrigaram a refletir sobre o comportamento e agressividade do próprio Presidente Alvaro Uribe Vélez. Foi e é o único aliado sulamericano do presidente Bush nas criminosas guerras de invasão ao Iraque e Afeganistão, as quais causaram e estão causando centenas de milhares de mortos de todas as idades e condição e a destruição sistemática desses países. Essa aliança honra o presidente Uribe Vélez, ou pelo contrário, o desqualifica na própria América e no mundo? A ordem que deu aos generais do Exército de se liberar a força se necessário a Ingrid Betancourt, é de uma responsabilidade total. Por isso a reação da França, dos democratas norteamericanos e de outros países contra o presidente Uribe Vélez.


Todo mundo quer a paz e o entendimento e um acordo humanitário. Ninguém pede terra arrasada e extermínio fora de combate dos opositores.


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sábado, 2 de junho de 2007

Um pouco de gelo contra a Monsanto

César Jerez nos fala de sua experiência de campo sobre as fumigações com Glifosato em Magdalena Médio e a proposta dos camponeses de Cimitarra de inverter o gasto em Glifosato, aviões, etc, em um povoado, uma espécie de Macondo, depois de sua segunda oportunidade sobre a terra, com casas dignas, água potável, eletricidade, escola, postos de saúde, telefone, biblioteca e gelo, rodeada de projetos produtivos onde trabalharam os cultivadores da coca, “porque a coca se substitui com inversão social”.


Assassinos... Vietnã... Nicarágua... Colômbia...


[Por César Jerez]
http://www.prensarural.org/spip/spip.php?auteur9


Artigo publicado na revista La Marcha, publicação da Associação Camponesa do Valle do rio Cimitarra, número 4, abril de 2007.


Um Paraíso fumigado.


É um dia ensolarado e tranqüilo na vereda El Paraíso, nas mediações da Serra de San Lucas. Os habitantes do vilarejo estão em suas casas, sentados tomando ar fresco, descansando nas redes ou conversando entre eles, como quem espera que o tempo passe, apenas isso.


A pausa é interrompida pelo ruído de motores, quatro silhuetas escuras aparecem num ponto distante no horizonte. Um dos aviões se separa do grupo e toma o rumo da vila, perde altura e solta sobre ela sua primeira chuva de glifosato. Antes de poder tomar altura de novo passa muito perto das casas. Os camponeses se preocupam, as mulheres abrigam-se com suas crianças em suas casinhas de madeira. Sabem que as coisas podem piorar.


Um guerrilheiro atravessa a vila, correndo da parte alta e se dirige ao sítio recém fumigado. É jovem porém consciente de que terá uma segunda oportunidade. Toma posição sobre o valezinho que está abaixo, tem um facão com uma bainha de couro, uma pistola, com munição e um fuzil, em seu uniforme verde uma logo com seis letras leva a sigla: FARC-EP. Espera pacientemente enquanto o avião completa a manobra. O aparato desce e o rapaz descarrega a AK-47. Escutam-se gritos de medo nas casas, as balas acabam. O avião da DynCorp deixa em seu rastro uma anormal nuvem negra de fumaça e sai rumo à cidade.


O guerrilheiro celebra com um “lhe dei” e rapidamente corre para a montanha. Uma guerrilheira vai atrás dele em busca de seus companheiros. Sabem com certeza que as coisas vão piorar. Em poucos minutos os helicópteros do Exército inundam com o estrondo dos motores e as rajadas de metralhadora a paisagem. Começa o combate no meio do tapete verde da selva e um esplêndido céu azul. Nas casas nem todos cabem debaixo das camas, busca-se um refúgio inexistente e os corações se aceleram com o ruído da guerra.


O avião escoltado se aproxima da cidade de Barrancabermeja, passa sobre o rio Magdalena e a refinaria da Ecopetrol. Do edifício de La Tora pode-se ver a silhueta do avião onde vai o desesperado piloto gringo pedindo pista de emergência ao aeroporto Yariguíes, na fuselagem, as cores da bandeira dos Estados Unidos estavam interrompidas por uma mancha negra.


Aos tribunais


Longe do Paraíso, em Cacarica, no baixo Atrato chocoano, acaba a audiência sobre a biodiversidade do Tribunal Permanente dos Povos. Lá falaram do que aconteceu em Paraíso e ocorre em toda Colômbia em particular.


“A empresa multinacional Monsanto foi acusada de administrar sem sentido ético nem responsabilidade legal o componente Round-up ultra para aplicação aérea no programa de erradicação de cultivos de uso ilícito com glifosato, aplicado desde 1984 e convertido na estratégia principal do Plano Colômbia implementado conjuntamente pelo Estado da Colômbia e os Estados Unidos da América; por cumplicidade flagrante e a consciência na violação do artigo 14 do Protocolo 1 de Genebra que proíbe como método de combate causar a fome em civis e atacar bens indispensáveis para a sobrevivência da população civil como artigos alimentícios, colheitas, gado, reservas de água potável e as obras de irrigação; por vender ao governo da Colômbia com recursos do governo dos Estados Unidos substâncias tóxicas frequentemente utilizadas como arma de guerra convertendo-se em cúmplice de uma guerra química contra a população civil; por violação de normas internacionais que obrigam entidades estatais e seus consórcios privados a proteger e respeitar a biodiversidade e o meio ambiente, como o Convênio de Biodiversidade Biológica, a Convenção Ramsar sobre zonas húmidas e a convenção 169 da OIT sobre direitos dos povos indígenas e demais comunidades étnicas; por omissão frente as conseqüências humanitárias, sociais e territoriais produto das ações de fumigações de áreas massivas e indiscriminadas que utilizam substâncias produzidas por essa multinacional”.


“A empresa multinacional Dyncorp foi acusada de gerar guerra e instabilidade política e de obter lucro alimentando conflitos, e prestar seus serviços em prol deles; beneficiar-se do mercenarismo que promove e propicia a deterioração das condições de vida da população que padece a militarização, a perda de milhares de vidas e com elas o delicado tecido social ao qual pertencem; a destruição de recursos naturais; a perda de valores de humanidade em termos culturais e ecológicos; propiciar graves crises humanitárias e ignominiosas crises alimentares; a perda de bens da população civil, a vulnerabilidade da dignidade humana; a destruição e a dor. É responsabilizada por violações aos direitos humanos contra comunidades colombianas e também equatorianas que sofrem os impactos de sua atividade empresarial, todas elas, graves afrontas contra a humanidade; executar uma política deliberada de violação dos direitos humanos, formulada pelo governo dos Estados Unidos e acatada pelo governo da Colômbia”.


Um paradoxo; A má fama da Monsanto


Uma notícia da Monsanto Company anuncia que Jhon Franz, inventor do glifosato, será imortalizado brevemente na galeria da fama de inventores nos Estados Unidos. “O Doutor Joh Franz se une a nomes como os de Eli Whitney, John Deere e George Washington Carver por avanços tecnológicos na agricultura”.


Em 1970 John Franz descobriu que um componente químico, que mais tarde se chamaria glifosato, tinha a habilidade incrível de poder bloquear o crescimento das plantas. Graças ao seu descobrimento, o glifosato se converteu no componente ativo dos herbicidas Roundup. A Monsanto assegura que “hoje em dia são os herbicidas mais eficazes e vendidos no mundo”. Além disso asseguram que “é ambientalmente inócuo”, afirmação que foi refutada cientificamente em todo o mundo.


Inversão social no lugar de armas e glifosato


Em 2001, durante uma reunião na sede da Policia Nacional em Bogotá, tratando tolamente de evitar as fumigações no Valle do Rio Cimitarra, o diretor da Polícia anti-narcóticos, acompanhado dos funcionários da oficina de entorpecentes e membros da embaixada dos Estados Unidos que tomavam nota de cada palavra nossa e que se apresentaram como da USAID, nos mostraram três livros enormes de estudos ambientais da agência ambiental gringa (U.S. Enviromental Protection Agency – EPA), os que segundo eles demonstravam que o glifosato era totalmente inócuo.


Gilberto Guerra, coordenador da ACVC, lhes comunicou que na região existiam 1.500 hectares de coca e lhes propôs investir o dinheiro do glifosato, do custo dos aviões, helicópteros e operações militares em uma aldeia comunitária de substituição de cultivos de coca, uma espécie de Macondo depois de sua segunda oportunidade sobre a terra, com casas dignas, água potável, eletricidade, escola, postos de saúde, telefone, biblioteca e gelo, rodeada de projetos produtivos onde trabalharam os cultivadores da coca, “porque a coca se substitui com inversão social”, lhes disse.


Os funcionários prometeram a ele estudar o projeto de aldeia comunitária e agendar uma próxima reunião sobre o tema, enquanto tanto nos solicitaram falar com a guerrilha para permitir fotografar em condições de segurança os cultivos de coca, e assim verificar a existência dos 1.500 hectares, dado do qual duvidavam, dizendo que, segundo as fotografias de satélites, eram muitos mais.


Passaram-se os anos e a Zona de Reserva Camponesa do Valle do Rio Cimitarra tem suportado seis fumigações, uma cada ano. Muito dinheiro foi gasto na tentativa de acabar com a coca pela força. Dos 1.500 hectares de 2001 passamos para não se sabe quantos hectares mas são muitos mais. Tampouco se sabe a ciência certa sobre quem ganhou a batalha entre os que reprimem e os camponeses que semeiam coca por necessidade e sem alternativa. Uma coisa está clara nas cabeças do campesinato: assim não se soluciona o problema.


Em Puerto Matilde, nossa aldeia comunitária, há poucas casas, mas são dignas, construídas com ladrilho, madeira e tetos de zinco. Há água potável, esgoto, um telefone, a escola “Nelcy Cuesta”, uma casa para os acompanhantes internacionais, um trapiche, uma padaria. Não há eletricidade.


Os búfalos de criação saem de seus pastos e passeiam mansos pela vila até o Rio Cimitarra, onde refrescam-se nas tardes de verão, quando faz muito calor e dá muita sede. É quando então a gente sente falta de um pouco de gelo de Macondo, para refrigerar-se por dentro e manter fresca a esperança.



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sexta-feira, 1 de junho de 2007

A má consciência do partido conservador ou a combinação de todas as formas de luta

Atualmente, os “spin doctors” ou intoxicadores de opinião midiática um deles jornalista ex cônsul de Barcelona, quem acolheu o pseudo-mito do efeito teflon do Mini-Führer Uribe Vélez, estão empenhados em que o povo colombiano sofre de “Amnésia histórica”. Tudo o que saia do argumento da encosta de popularidade de Uribe Vélez não existe, ou não há ninguém que tenha memória e se lembre. Não importa que popularidade perversamente se confunda com credibilidade e daí se extendam conceitos tão diferentes como legalidade e legitimidade. Escreve Pinzón Sánchez.


Com nojo será lembrado


[Alberto Pinzón Sánchez/ANNCOL]

Sabe de uma coisa Doutor? Efraín González em janeiro de 1965, em um lugar da zona esmeraldífera de Boyacá, aproximando-se do Parlamentar seguidor do Ex ditador Rojas Pinilla, Benjamin (Mincho) Burgos Puche:


-“Eu sou para o governo uma pessoa muito mais perigosa que Tirofijo. Sabe por quê? Porque no fim ele é um homem de esquerda, está do outro lado, sua luta é idealista. Pretende que sejamos governados por um regime similar ao de Cuba, ao da Rússia. Mas e eu? Você pensou que eu sou que tipo de homem doutor?


-Não, não entendo, disse Mincho Burgos. O quê você pensa? Porque você é muito mais perigoso que Tirofijo?


-Porque eu sou a má consciência do Partido Conservador. Eu servi a todos e todos me traíram. Eu cometi loucuras em seu nome, contibuí para a causa do partido conservador, matando e correndo liberais e gente de esquerda. Eu servi ao Laureanistas, aos Ospinistas, a todos os grupos em que se dividiu o conservadorismo. Por quê? Somente porque buscava a anistia para poder trabalhar, para poder viver em paz com os meus. Mas o que você recebeu em troca? Traição. Alberto Lleras me prometeu a anistia. Trocamos cartas através de um sacerdote missionário. Mas Lleras anistiou os guerrilheiros do lhano porque eram liberais. A mim não, por ser conservador. Então busquei pacientemente as pessoas do meu partido. Guillermo León Valencia me prometeu, através dos senadores, Sorsano González e Silva Valdivieso. Mas onde está a lei? Tudo era mentira. Puras promessas. Nenhum dos governos cumpriu sua palavra, e em troca me mandaram ao Exército dos Tiras. Por isso estou em guerra e vou seguir atancando eles a tiro. Sempre que possa. Entende doutor? Logo falou olhando em seus olhos. – Espero que a Anapo e o general Rojas Pinilla, não joguem sujo. Poque nesse dia formarei um exército completo para acabar com todos. Entende doutor?


Assim está escrito nas páginas 355 e 356 do livro: Efraín González (a dramática vida de uma assassino assassinado) editado em 1.993 em Bogotá pela editora Planeta. Crônica jornalística completa e fidedigna de vários anos de seguimento da vida deste personagem. Primeiro “pássaro” no ninho na quadrilha conservadora de Jair Giraldo e logo “Bandolero” próprio nas províncias de Vélez, Muzo, Chiquinquirá e Ubaté e deixada como um importante testemunho por Pedro Claver téllez, a quem ninguém pode acusar sequer de ser um homem de esquerda, naquela época em que não tínhamos aos superagentes norteamericanos da Fiscalização que atuam hoje em circunstâncias mais que parecidas, diríamos que calcadas.


Atualmente, os “spin doctors” ou intoxicadores de opinião midiática um deles jornalista ex cônsul de Barcelona, quem acolheu o pseudo-mito do efeito teflon do Mini-Führer Uribe Vélez, Uribe Vélez, estão empenhados em que o povo colombiano sofre de “Amnésia histórica”. Tudo o que saia do argumento da encosta de popularidade de Uribe Vélez não existe, ou não há ninguém que tenha memória e se lembre. Não importa que popularidade perversamente se confunda com credibilidade e daí se extendam conceitos tão diferentes como legalidade e legitimidade.


Com essas “seguranças”, voltam a reeditar a dita “obduliana” que serviu a eles para dar o salto mortal e converter-se de guerrilheiros Renovadores do Socialismo em mantenedores do jornal do Opus Dei antioqueno: “ A renegação por parte da Esquerda da combinação de todas as formas de luta.” Esquecendo deliberadamente documentos históricos verdadeiros como este que acaba de citar, ou muitos mais, onde se desentranha até a saciedade como a classe dominante (para não dizer Oligarquia), é quem historicamente exerceu desde os séculos dos séculos”, a combinação de todas as formas de violência política do Estado”. Por exemplo para citar algo mais recente, a “combinação de formas de luta” do comandante liberal Alberto Santofirmio com o chefe militar do cartel de Medellín Rodriguez Gancha, para exterminar já não os liberais incômodos como Galán Sarmiento, senão toda uma agrupação de esquerda marxista como a União Patriótica. Ou a combinação de todas as formas de luta entre o ex-chefe da polícia política Jorgito Noguera e o militar Jorge 40, ou entre todos os políticos Santos do bloco Capital e o militar Mancuso, e que por fortuna levaram a presidência ao Miniführer de teflon.


Mas não é assim. Por fora dos intoxicadores de opinião (spin doctors) há muita memória e das boas. Refiro-me a um recente e bem sucedido estudo analítico de memória histórica na Colômbia, realizado pela investigadora Ingrid Johanna Bolívar (quem também não tem nada de marxista) em uma investigação da Universidade dos Andes e o Centro de Estudos Sócio-culturais e Internacionais, em 2003, intitulado Violência Política e Formação do Estado, onde com este livro de Téllez e muitos outros que cita a bibliografia, mostra como a Polícia conservadora “Chulavita”, logo os “Pássaros” e depois os “Bandoleros” não foram mais que instrumentos locais do domínio e controle político e econômico dos partidos liberal e conservador e ferramentas para o financiamento do poder de uma classe dominante no Estado, a mesma que levou a sociedade colombiana ao despenhadeiro em que se encontra hoje. Não se apurem porque ainda fica muita memória por apagar!



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Inauguram “Radio del Sur”

Amanhã 23 de maio. O ato acontecerá no Teatro Teresa Carreño, de Caracas e contará com a participação de dezenas de rádios latino americanas entre elas a colombiana Radio Café Stereo, que devido à repressão na Colômbia transmite de Estocolmo e se converterá assim na voz do sul no norte.

A rádio dos povos latino-americanos!


[Miguel Suárez]

Para essa quarta, 23 de maio está programado o ato de lançamento oficial da “Radio del Sur” (Rádio do Sul), projeto político comunicacional liderado pelo Estado venezuelano, marcado por sua política exterior que busca consolidar a união, integração e solidariedade entre os povos. A finalidade da emissora é criar uma plataforma comunicacional que impulsione a nova ordem multipolar em contraposição ao poder hegemônico.


No começo, A Radio del Sur se iniciará na Rádio Nacional da Venezuela, país e emissora que impulsionam sua criação e manutenção na rede.


O ato acontecerá no Teatro Teresa Carreño, de Caracas e contará com a participação de dezenas de rádios latino americanas entre elas a colombiana Radio Café Stereo, que devido à repressão na Colômbia transmite de Estocolmo e se converterá assim na voz do sul no norte.


O ato será transmitido ao mundo através de Venezolana de Televisión e pela Internet através do site: www.vtv.gob.ve


As primeiras emissões da Radio del Sur serão na quinta às 9 am (hora de Caracas). O áudio estará na página web www.laradiodelsur.org


Oficialmente o projeto havia sido apresentado quarta 9 de maio pela coordenadora do projeto e Diretora Geral da Rádio Nacional da Venezuela Licenciada, Helena Salcedo no auditório do Ministério do Poder Popular para a Comunicação e a Informação.


Nessa ocasião, a Coordenadora da Radio del Sur Licenciada, Helena Salcedo expôs diante dos meios comunitários assistentes esta iniciativa do Governo Bolivariano da Venezuela cujo propósito central é desenvolver a integração e a solidariedade entre as nações do sul e disse que para isso foram consideradas várias fases de desenvolvimento do projeto que contempla a América do Sul em primeira instância, África numa segunda fase e Ásia e Oceania como terceira etapa.


Radio Café Stéreo estará retransmitindo a primeira transmissão da Radio del Sur e logo seus programas irão se integrando à programação dessa cadeia bolivariana.



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