"A LUTA DE UM POVO, UM POVO EM LUTA!"

Agência de Notícias Nova Colômbia (em espanhol)

Este material pode ser reproduzido livremente, desde que citada a fonte.

A violência do Governo Colombiano não soluciona os problemas do Povo, especialmente os problemas dos camponeses.

Pelo contrário, os agrava.


quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Pedro Juan Moreno Villa pode ter sido assassinado.

de Dick Emanuelsson.

Muitos telefonemas, cartas, mensagens e informações e documentos de fontes que, as vezes, são “plantados” buscando um interesse especial ou pessoal, chegam aos jornalistas.
Por isto, o jornalista deve ser muito minucioso e crítico em suas investigações sob o intento de confirmar a veracidade dos fatos.No caso que se segue consultei e confrontei várias fontes na Colõmbia e no exteriorm chegando a conclus~]ao de que o fato tem credibilidade.

A mensagem

“Te escrevo rapidamente, pois continuo nervosa porque acho que deram-se conta do que estava ocorendo. Este senhor berna voltou a ligá da prisão.
Chama seguidamente e tem seus guardacostas junto com ele, todos vivendo lá para os lados de itagui. E, como te disse ontem, ficaram muito injuriados comigo, pois os ouví falar desse senhor Pedro Juan Moreno que te disseram ter caido do helicóptero, por que aquí se manteve o mistério e não se sabe se o presi uribe deu a ordem, mas que ele sabia e don berna também”.

“Aqui se rouba tudo, tiram as peças sobressalentes dos aviões e helicópteros e as vendem sem importar-lhes que caia com gente dentro, pois a companhia de seguros tem tudo acertado e lhes pagam.Tenho medo de contar isto aos policiais e militares, porque eles vem aquí pelas comissões que trocam pelas peças que eles roubam de seus próprios aviões e helicópteros”.

“Aqui está o pessoal da oficina de envigado [fachada da estrutura narcoparamilitar da máfia, nota do redator], que apoderou-se do eliporto herrera ou seja os capanga de dom berna. E como estão em guerra contra o tal macaco, cuidam muito quando falam na frente dos empregados. Mas, se ouvo, como vou tapar as orelhas?”.

“Há dois dias que levaram os corpos destas garotas para enterrar na fábrica, onde tem o seu próprio cemitério à parte do da catedral. Lá é como um campo de paz, as pessoas crêem que é para orações, mas não. Lá às enterram. Já estão matando até os transportadores, porque não lhes vendem seus negócios. E este governado calado, fazendo-se de louco...Isto esta horrível.”

“Não existe trabalho por lá? Eu estive perguntando em outra paragens, mas não achei nenhum. Mas qualquer coisa melhor, eu vou que me vou. Não aguento esta tensão que está me atingindo os nervos. Eu não disse nada na casa nem ninguém sabe nada.Se puder escrevo amanhã.

Até logo.Nancy”.

Foram estas as palavras, com todos os seus erros ortográficos, parecendo uma pemonição, de uma mensagem de aproximadamente 3621 letras, que escreveu Nancy Ester Zapata Orozco, uma funcionária do aeroporto Olaya Herrera de Medellín a uma fonte vinculada à organizações de direitos humanos que pediu, por razões lógicas, sigilo sobre seu nome.

Os fatos

Em 1° de novembro de 2007 noticiou-se que o cadáver de uma mulher foi encontrado no hangar do Aeroporto Olaya Herrera de Medellín Sob o corpo da vítima havia uma placa, cujo texto dizia: “Aqui não são permitidas sapas”.

Em 28 de dezembro de 2007, o jornal El Tiempo noticiou, sobre o mesmo fato: “Por sapa”. As duas palavras, pintadas em uma cartolina, caíram junto ao corpo de Nancy Esther Zapata. Seu assassinato, segundo as autoridades, é a última manifestação de uma delinquência organizada”.

Em 3 de novembro a revista Cromos publicava uma coluna de Alberto Aguirre: “Em 1º de novembro Nancy Ester Zapata Orozco foi assassinada num hangar do aeroporto Olaya Herrera”.

A Radiosucesos RCN informava: “Está havendo um ajuste de contas da máfia, comentou o comandante da Policía Metropolitana, general Marco Antonio Pedreros, quanto ao assassinato da senhora Nancy Ester Zapata Orozco, ocorrido no Aeroporto Olaya Herrera de Medellín”.

Quem era Nancy Ester Zapata Orozco?

A revista Cromos continua: “A família afirma que Nancy Patricia 'Era uma mulher temente à Deus, que havia entregado sua vida para Cristo a 15 anos'. Era membro de uma Igreja Cristã e estava se preparando para ir, com seus filhos, aos exercícios espeirituais em La Ceja. Tinha 45 anos, quase não tinha amigos e nunca tinha sido rueira. Trabalhava fazia 20 anos numa oficina de reparos de aviões em Olaya, era cumpridora de seus deveres e se preocupava com uma dívida contraída para adquir uma casa própria para ela e sua família. Seria um disparate tratar mulher de tamanha fleuma por “garota de programa”.
Mas era mulher e foi morta: alguma culpa tinha que ter. Vejamos por outro lado, se era mulher e foi morta violentamente, não duvide: ela tinha culpa. Nela se origina a ação do assassino, não no próprio assassino”.


A “reação” das autoridades

A Radiosucesos RCN prossegue:
“O general Marco Antonio Pedreros declarou que não pode ser negado que nos aeroportos funcionam pistas clandestinas para o tráfico de drogas e fez um pedido aos administradores para que haja maior legalidade nos terminais aéreos.
A Associação Colombiana de Usuarios Aeroportuarios condenou o assassinato e exigiu da Aviação Civil, maior controle e segurança para as pessoas que trabalham no terminal aéreo.
Ainda que as autoridades judiciais e a polícia tenaham guardado silêncio sobre o crime que se registrou em 1º de novembro passado, ele alarmou os empregados e usuários do aeroporto que tem se tornado inseguro devido a numerosos assaltos e tentativas de incêndio de hangares. As diretivas do terminal aéreo exigiram uma investigação rápida e eficaz para encontrar os responsáveis pelo homicídio da funcionária Nancy Zapata”.

Por sua vez, o El Tiempo de 28 de dezembro disse:
“São ajustes de contas de movimentos mafiosos, por perda de embarques de drogas e outras circunstâncias', afirma o general Marco Antonio Pedreros, comandante da Polícia do Valle de Aburrá. Segundo o oficial, parte das 210 naves que oferecem vôos privados são dedicadas à negócios ilegais.”

Não obstante, fica claro que Zapata não fazia parte desta engrenagem criminal.'Pelo contrário: aparece como vítima', disse um jornal local.

Ela tinha 45 anos e administrava uma oficina de reparos de aviões no hangar 70, onde mataram-na em 1º de novembro. Lhe acertaram a cabeça com uma arma dotada de silenciador, afirmam os investigadores.

Embora sua família sustente que o fizeram para roubar-lhe 15 milhõs de pesos, o aviso deixado na cena do crime evidencia que a intenção era catigá-la por algo que denunciou”.

O colunista do Cromos é duríssimo com as autoridade policiais, devido a total falta de uma investigação sobre o assassinato. “ Se haviam feito sequer um princípio de investigação? Nadica de nada; nem um cisco. Para que? Não vês que a morta era uma mulher? Se é mulher e aparece morta, a culpa é sua. Dela; não do assassino. E se acomoda o narcotráfico, porque neste lugar – el Olaya – reina o narcotráfico”.

Sapo, ou sapa, é a pessoa que delata. Se foi colocada uma placa na mulher assassinada era por que havia delatado algo ou alguém e pretendia-se advertir à terceiros o que aconteceria se fizessem o mesmo.

A causa seria a mensagem que ela enviou à fonte que a mim fê-la chegar? Não é estranho que as autoridades na Colômbia, e mais ainda en Medellin, se esquivem de sua responsabilidade de investigar, quando não lhes interessa fazê-lo. “Ajuste de contas” é um termo muito apropriado para justifivar os crimes em Medellín e não investigá-los. É bastante claro que cobraram caro à Nancy Ester por ter denunciado algo.

Pedro Juan Moreno Villa

Em 24 de fevereiro de 2006, a revista Semana noticiava: “Pedro Juan Moreno foi um dos homens mais controvertidos da era Uribe. Primeiro como seu mais próximo amigo e confidente e, ao final, como o mais decepcionado dos amigos. A partir da dirção de sua revista La Otra verdad, Pedro Juan Moreno, se fez famoso por suas denuncias contra personagens poderosos da vida pública nacional e que levaram à queda do general Leonardo Gallego, comandante da Polícia de Medellín. Moreno também amargou os dias, no Palacio de Nariño, de Fabio Echeverri Correa, talvés o mais poderoso dos assessores de Álvaro Uribe, e o protagonista por trás dos múltiplos conflitos e pressões que sofreu a ex-ministra de Defesa Martha Lucía Ramírez”.

E segue: “Porém, poucos conheciam a outra face de Pedro Juan Moreno. Além de engenheiro e industrial, foi um homem de negócios de sucesso e herdeiro de uma grande fortuna familiar, que foi crescendo com a aquisição de terras e com seus negócios em vários setores: têxteis, artes gráficas, confecção, construção e uma comercializadora de insumos químicos chamada GMP”.

É importante recordar os fatos: Que a DEA reteve insumos químicos à GMP e que daí surgiu a longa e viceral peleja entre o general Leonardo Gallego y Pedro Juan Moreno. (Leia os detalhes em: http://www.narconews.com/gmpdocumento1.html).

E Uribe?

Numa entrevista concedida em 10 de abril à W radio, o presidente Uribe se refere a Pedro Juan Moreno assim: “Eu o estimei, lhe tive muito carinho, ele se distanciou do Governo, foi mais duro com o Governo, mas procurei nunca lhe responder e tenho minha consciência tranquila de que, por muitos anos, a única voz que defendia a Pedro Juan Moreno quando para ele se voltavam as atenções, foi a minha. Já no dia em que Pedro Juan começou a converter-se no grande acusador do Governo Nacional, já neste dia para alguns setores dos meios de imprensa nacionais, ele deixou de ser vilão e passou a ser heroi”.

Sobre o dia do acidente, a mesma revista Semana informa: “Contudo, as 6:32 da manhâ, o helicóptero BELL 2006 B da empresa Helicargo estaria partindo do aeroporto Olaya Herrera, com destino ao município de Apartadó. As 7:14, entre Dabeiba y Mutatá, o helicóptero perdeu contato com a torre de controle. Após várias horas de sobrevôo sobre as montanhas nubladas e selvagens de Dabeiba, as autoridades da Força Aérea encontraram finalmente a aeronave e o Ministério de Defesa anunciou que nenhum dos quatro tripulantes havía sobrevivido".

Essa investigação “fede”: Felipe Zuleta

Para muitas das fontes colombianas e extrangeiras consultadas, a forma como morreu Pedro Juan Moreno Villa esteve marcada por sérias interrogações. Não só pelo que representava, para a opinião pública, seu enfrentamento com o governo, se não porque poderiam existir outros interessados em silenciá-lo. Por tudo isso, merecia uma séria e profunda investigação, a qual nunca ocorreu.

“Não creio nos resultados da investigação relacionada à morte de Pedro Juan Moreno. Na Colombia há crímes impunes há 20 anos, logo torna-se suspeita a prontidão e eficácia dos investigadores para concluir que Pedro Juan Moreno morreu num acidente. Essa investigación “fede” ao que cheira tudo o que sai do palácio: Podridão. Por mais que suba, mais estrondosa será sua queda.O mal é que, com ele, cairemos os colombianos que nada temos a ver con a máfia”, sentenciou Felipe Zuleta no seu blog na quinta-feira, 21 de diciembre de 2006.

“Aqui se rouba tudo, tiram as peças sobressalentes dos aviões e helicópteros e as vendem sem importar-lhes que caia com gente dentro, pois a companhia de seguros tem tudo acertado e lhes pagam.”, escreveu Nancy Ester em sua mensagem. E ella teria com saber já que, como noticia Cromos: “trabalhava fazia 20 anos numa oficina de reparos de aviões em Olay”.

O silêncio da Aerocivil

Quando consultei várias fontes em Medellín, especializadas em assuntos aeroviários, me disseram que a onda de acidentes aéreos que atravessava a cidade era recorde e que o mais incrível era que todos saíam do Olaya Herrera. Mas o mais preocupante era o silêncio cúmplice da Aerocivil e das demais autoridades. “Desde que Sergio Fajardo tornou-se o governador, tudo aqui tem que ser ocultado porque afeta a imagem dele e da cidade”, afirmaram.

Outro aspecto interessante de tudo isto é que Pedro Juan Moreno tornou-se não só inimigo do governo de Uribe, como também dos militares e policiais. Os quais também tinham, segundo Nancy Ester, negocios escusos: “Tenho medo de contar isto aos policiais e militares, porque eles vem aquí pelas comissões que trocam pelas peças que eles roubam de seus próprios aviões e helicópteros”.

A reportagem da Radiosucesos é clara: “Ainda que as autoridades judiciais e a policía tenham guardado silêncio sobre o crime que se registrou em 1º de novembro passado, ele alarmou os empregados e usuários do aeroporto que tem se tornado inseguro devido a numerosos assaltos e tentativas de incêndio de hangares”.

Isto quer dizer que no Olaya Herrera vem se passando cossas há muito tempo mas as autoridades fizera vista grossa e deixaram os funcionários e usuários à mercê dos criminosos. A não ser que as mesmas autoridades de policía e militares estejam envolvidos no crime de Nancy Ester Zapata Orozco.

O que sabe Uribe?

“Não se sabe se o presi uribe deu a ordem, mas que ele sabia e don berna também”

A mulher assassinada se refería ao presidente Álvaro Uribe? No é claro ese punto. Mas o é enquanto a identificar “don Berna” e que ele, e a quem ela chama de “o presi Uribe”, sabiam sobre o helicóptero de Pedro Juan Moreno Villla e haviam mantido um segredo de como ele caíra, E outra coisa bastante grave: “Don Berna” ou “Adolfo Paz”, como é chamado o narcotraficante Diego Fernando Murillo Bejarano, segue atuando no crime a partir da prisão de Itagüí, exportando cocaína para os Estados Unidos e controlando o Aeroporto Olaya Herrera, pois como informa a revista Semana em 16 de julho de 2007:

“Através da subordinação de grupos e gangues de bairros o pagamento por serviços à delinquência organizada e a conformação de grupos contrainsurgentes, todo coordenado pela chamada “Oficina de Envigado”, codinome “don Berna” consolidou seu projeto paramilitar para lutar contra as milicias da subversão e todo aquele que “tender” para esquerda, assim como atacar toda institução, fundação ou organização que tentar opor-se a seu “projeto” militar, social e político e investigá-lo como narcotraficante, razão pela qual o governo dos Estados Unidos está solicitando sua extradição”.

O El Espectador em 4 de agosto de 2007 afirma: “Ainda que a chamada Oficina de Envigado de Diego Fernando Murillo, vulgo Don Berna, supostamente tenha sido desmontada desde o momento em que o chefe paramilitar se desmobilizou, em Medellín e sua área metropolitana é público e notório que persistem as famosas cobranças por parte desta organização, que sua estrutura permanece intacta, no que pese algunas capturas, e que o tráfico de drogas é o motor de sua atividade terrorista. Ademais, que o silêncio frente a suas atividades ilícitas é a constante se quer-se sobreviver por ali”.

Nancy Ester foi mais contundente: “Aqui está o pessoal da oficina de envigado, que apoderou-se do eliporto herrera ou seja os capanga de dom berna. E como estão em guerra contra o tal macaco, cuidam muito quando falam na frente dos empregados."

É líquido e certo que “Don Berna” está em guerra com “Macaco” e que por isso os separaram por um tempo: um foi mandado para o cárcere de Cómbita e o outro para um barco da Marinha de guerra colombiana. Mas logo “Don Berna” foi, de forma esranha, transladado a Itagüí.

É também muito claro que os narcoparamilitares não estão num verdadeiro lugar de reclusão, pois vivem com seus guardacostas dentro da prisão e saem para a rua sem nenhum problema. Há alguns meses atrás, Ernesto Báez foi visto na rua Junín, no centro de Medellín, na oficina de Ernesto Garcés Soto - transportador e cafeicultor indicado por uma fonte como não alheio aos grupos paramilitares - quando deveria estar na prisão de La Ceja. Isso foi encoberto imediatamente por ordem do prefeito Sergio Fajardo e arrumando a desculpa de que visitava o doutor (sim, estava visitando ao doutor Garcés Soto).

Uribe está com seus dias contados?

Uma das fontes internacionais, ampliamente conhecedora do problema das drogas, afirmou:

“Enquanto George Bush for presidente dos Estados Unidos, “Don Berna” e “Macaco” ficarão na Colombia. Por razões geopolíticas, como combater às FARC, conter Chávez, impedir as mudanças no Equador, Bolivia, Argentina e bloquear o Banco del Sur, Uribe é útil no poder e não lhe incomodarão. Mas quando o governo mudar para os democratas, sua extradição será realizada em questão de horas, e neste dia o mundo saberá quem é Uribe, porque estes delinquentes cantarão como rouxinóis".

Então você crê que Uribe não os extradita por medo de que falem?, perguntei-lhe.

“É óbvio que sim. Uribe ficará no poder por mais um mandato. Zelará por sua segurança e pela de seus amigos. Mas, o governo dos Estados Unidos sabe tudo, mais do que vocês sabem, sobre o presidente Uribe; como sabía de Noriega, de Saddam Hussain e de Pinochet. Quando ele não for mais útil ao gobierno dos Estados Unidos, lhe atacarão sem compaixão. Uribe não é bem visto pelos democratas. Al Gore o demonstrou muito claramente”.

Você crê que Uribe pode estar envolvido na morte de seu amigo Pedro Juan Moreno Villa ou que sabia que ela iria ocorrer?

“Isso não cabe a mim dizer; isso cabe às autoridades colombianas investigar. Mas pelo que tenho lido e perguntado, a investigação foi insuficiente. Havia interesse em sair rápido desse assunto. Não houve nem sequer um informe da “caixa preta”. Os helicópteros, assim como os aviões, também tem “caixa preta”. Agora com o disse a jovem assassinada, tudo isto soa muito estranho. Por desencargo de consciência, seria bom que o presidente Uribe desse oportunidade a uma comissão de investigação independente”.

Mas, segundo você, se “Don Berna” for extraditado, saber-se-á?

“Isso e muito mais. Pedro Juan Moreno Villa sabia muito sobre o passado do presidente Uribe. Eram amigos. Trabalharam juntos no Governo de Antioquia. Na época em que o general Leonardo Gallego era comandante anti-narcóticos, ele confiscou uns insumos para narcóticos de Moreno Villa, que guardou essa vingança contra o general. Quando o general Gallego era Comandante da Policía Metropolitana, o presidente Uribe lhe serviu numa bandeja de prata a Moreno Villa para que se vingasse.”

E como fez isso?

“Deixou que Moreno Villa o atacasse para que lhe destituissem. Normalmente, deveriam promovê-lo ou transferí-lo. Mas não. O deixaron à mercê de Moreno Villa e este se vingou desta forma. Mais tarde, Moreno Villa se afastou do presidente Uribe e adquiriu um periódico chamado “LA OTRA VERDAD” onde contava muitas coisas que incomodavam Uribe e os narcotraficantes. Quando Pedro Juan Moreno Villa morreu no “acidente”, supostamente não encontraram o helicóptero. Quando acharam-o, disseram que não encontravam o corpo. Não deixaram ninguém investigar nem se aproximar de nada.

Se depois, foi uma investigacão arranjada, como foi o que todo o mundo pensou, era porque haviam silenciado a Pedro Juan Moreno Villa?

“Com esta carta da jovem, se confirmou. Igual ocorreu com o comandante do Bloco Metro das Autodefesas, aliás “Duplo Zero” ou “Rodrigo Franco”. Que sempre pedia ao presidente Uribe que lhe explicasse por que o perseguia e permitia o ingresso dos narcotraficantes nos grupos paramilitares. Duplo Zero estava se aproximando da DEA, por isso o mataram depois de localizarem-no triangulando um correio eletrônico e uma chamada que realizou. Tudo foi feito a partir da “Oficina de Envigado”. Uribe, Don Berna e os demais narcos tinham uma forma de legalizá-los e eles o apoiavam na campanha. Por isso se deu o pulo de “Duplo Zero” e por isso o mataram. Também, ocorreu uma matança de dois lugares tenentes dos narcos em La Ceja, porque eles estavam esperando que os extraditassem para continuarem com o negócio."

– Isto é certeza. Referia-se a “Duplo Zero”, uma reportagem publicada pelo Diario El Mundo da Espanha, 31 de março de 2003, que disse: “Para ele, os chamados paramilitares se transformaram nos lacaios dos chefes mafiosos e a guerra que travam já não é para acabar com a guerrilha, mas sim para acumular dinheiro protegendo as plantações e os laboratórios de coca de seus novos amos”.

Ex-agente de segurança do Estado

Sobre a tecnologia da Oficina de Envigado e a vendetta, disse o El Espectador em 4 de agosto de 2007:

“O testemunho contou para este semanário que Rogelio (ex-agente dos organismos de segurança do Estado, agora chefe do narco-paramilitarismo em Medellín) tem se infiltrado tanto nos organismos de segurança, que até tem “uma oficina técnica parecida com as do DAS para triangular chamadas”. Assim localizou Daniel, então seu sócio, em Copacabana (Antioquia) e o conduziu para um fazenda de propriedade da Oficina, situada no caminho da antiga cadeia de La Catedral (célebre por ser o centro de reclusão que lapidou Pablo Escobar), onde acabou com a sua vida”.

“Como em seus inicios, nos anos 80, quando funcionou sub a égide assassina de Pablo Escobar, esta organização mantém seu modus operandi e inspira o mesmo temor de antigamente, com uma exceção: seus principais líderes se renovaram após os assassinatos de seus antecesores, como costuma ocorrer no mundo da máfia. (...) Murillo Bejarano continuava manejando os fios dessa tenebrosa estrutura paramilitar. Esta denuncia está sendo investigada minuciosamente pela promotoria e pela Polícia. Quando comprovar-se sua participacão na morte de Danielito e em quase duas dezenas de assassinatos ocorridos en Medellín e sua área metropolitana no decorrer deste ano, Don Berna poderia perder os beneficios da Lei de Justiça e Paz", afirma o El Espectador de 4 de agosto.

Mas, segundo você, se extraditan “Don Berna” y “Macaco”, saber-se-á de tudo isto?

“Isso e muito mais. “Don Berna”, como as coisas estão lá na Colombia e em Medellín, é mais poderoso que Pablo Escobar. “Macaco” vem a seguir, nas outras regiões. Não há guerrilha em Medellín e não podem jogar-lhe a água suja nela. Por isso se inventou a estória das “quadrilhas emergentes” que são os próprios paramilitares.

Mulheres assassinadas e enterradas na "La Catedral", antiga cadeia de luxo do Chefe do Cartel de Medellín, Pablo Escobar.

Sob a fachada de um centro de oração funciona o mais tenebroso cemitério clandestino de todo o mundo: “La Catedral”. Num sitio da AFP em 25 julho de 2007 se lê:

“BOGOTÁ (AFP) - A antiga penitenciária de Envigado, de onde fugiu em 1992 o chefão colombiano Pablo Escobar, foi entregue em regime de comodato à comunidade dos monges beneditinos que se propõem a utilizá-la como mosteiro e centro de peregrinação, informaram nesta sexta-feira autoridades locais. O sacerdote beneditino Gabriel de Jesús Jaramillo, solicitou a concessão dos terrenos da cadeia que foi abandonada, a qual, nos tempos de Escobar, foi batizada irónicamente como 'La Catedral'.

Jaramillo disse que seu propósito é "mudar o estigma que tem Envigado como um centro do narcotráfico e da violencia, transformando-a em centro de peregrinação e oração".

Funcionarios do municipio de Envigado disseram que a penitenciária será entregue à comunidade de monges, depois do fracasso de vários projetos para convertê-la em centro turístico e um parque natural.

O sacerdote Jaramillo assinalou que erguerá no lugar uma capela em honra da Virgen dos Aflítos, uma invocação de María que surgiu na Alemanha e que é muito popular noutros países de América Latina, particularmente no Brasil”.

Outro Sitio da ACI diz:

“BOGOTÁ, 16 Jul. 07 / 04:23 am (ACI).- A antiga penitenciária do municipio de Envigado, vizinha da cidade colombiana de Medellín, de onde o narcotraficante colombiano Pablo Escobar fugiu em 1992, brevemente se transformará num mosteiro e centro de peregrinação benedictinos, informaram as autoridades locais”.

Disse a mensagem de Nancy Ester:

“A dois dias que levaram os corpos destas garotas para enterrar na fábrica, onde tem o seu próprio cemitério à parte do da catedral. Lá é como um campo de paz, as pessoas crêem que é para orações, mas não. Lá às enterram. Já estão matando até os transportadores, porque não lhes vendem seus negócios. E este governado calado, fazendo-se de louco...Isto esta horrível.”

Várias informações sobre Medellín indicam que a situação está pior do que grave. Os assaltos de rua, os assassinatos de cidadãos indefesos, estupros, tiroteios, etc., são parte do dia à dia dos cidadãos. Já na promotoria se propõe às pessoas que não denunciem porque nada se pode fazer. Mas tudo cai sob um manto de silêncio por ordem do prefeito Sergio Fajardo. Parece que o prefeito de plantão não olha sua cidade por estar se olhando ao espelho e tem deixado seu povo a mercê de “La Oficina” de “Don Berna”.

Segundo as fontes consultadas, no centro atacadista de Itagüí-Medellín, existe um homem a quem apelidara “O Rei da Cebolinha”. Este homem manda assassinar os camponeses que não vendem para ele e vão a vender nos armazéns Exito. Os incêndios nos bares destes armazens, estão ligados a este homem como elo de “La Oficina”. O dos transportadores também foi confirmado. Inclusive, eles pedem que o governo central envie um grupo de investigadores independentes do prefeito Fajardo.

Os crimes cometidos pelos narco-paramilitares são crimes de lesa-humanidade que não tem perdão nem esquecimento. Os relatos macabros são muios. Como esse de que queimam suas vítimas em olarias de Altavista y Guayabal en Medellín, de esquartejamentos e enterros na “La Catedral”.

A seguir o informe de El Espectador de 4 agosto:

“Assim localizou Daniel, então seu sócio, em Copacabana (Antioquia) e o conduziu para um fazenda de propriedade da Oficina, situada no caminho da antiga cadeia de La Catedral (célebre por ser o centro de reclusão que lapidou Pablo Escobar), onde acabou com a sua vida”. Este lugar, já identificado pelas autoridades, é o centro de torturas da organização. 'Lá existe um forno enfeitiçado. Então, logo que a pessoa é esquarejada, a enfiam numas caixas de 50 galões onde caben duas pessoas, mas antes fazem um colchão com pedaços de mantas. Em cima vão os corpos picados junto com uma camada de cola de sapateiro. Tocam fogo em tudo isso e fica ardendo por dois días sem que sobre nada. Logo tiram as cinzas e as jogam estrada a fora', narrou com extrema frieza a testemunha. 'Assim mataram Danielito'.”

Pelos fatos e datas e pela mensagem de Nancy Ester, o comodato é a fachada para ocultar os corpos enterrados das centenas de vítimas que podem estar ali.

Por isso, a situação pessoal em que se encontrava Nancy Ester lhe parecía insuportável:

“Não existe trabalho por lá? Eu estive perguntando em outra paragens, mas não achei nenhum. Mas qualquer coisa melhor, eu vou que me vou. Não aguento esta tensão que está me atingindo os nervos. Eu não disse nada na casa nem ninguém sabe nada.
Se puder escrevo amanã.
Até logoNancy".

Por que não pediu a ajuda da Polícia?

“Uma pergunta que me foi feita a este respeito: E se a mulher tivesse pedido ajuda à polícia e tivesse sido a mesma polícia que à denunciou para “La Oficina”?

Foi por esta sua última mensagem que a mataram? Porque ela disse que policiais e militares iam ali para “cobrar comissão” por “peças”. Com a tecnología que manejam decifraram sua mensagem?

Não seria esse o motivo para que ninguém investigasse a fundo seu assassinato e as mesmas autoridades teriam utilizado seu conhecido “ajuste de contas”?

Segundo a página Judicial do El Espectador, este segundo chefe da Oficina de Envigado “mantém as autoridades em alerta pelo alcance de seus tentáculos sobre membros da Polícia e da promotoria”.

Além de que Rogelio é um homem que conhece o mundo policial, em Medellín florecem os rumores de que Rogelio tem sob suas ordens certa quantidade de policiais. Conta o ex-membro da Oficina de Envigado:

“Cada patrulheiro ganha $2 milhões por mês, o qual passam fazendo requizições em cada esquina, mas não para proteger às pessoas, senão aos ‘paras’”, lembrando tambén que a misma promotoria está infiltrada pela organização mafiosa. Com razão, Nancy Zapata não se atrevía a entrar em contato com autoridades de nenhum tipo para denunciar a corrupção, os roubos e os assassinatos.

Onde Uribe era prefeito

Medellín é a cidade onde Álvaro Uribe Vélez iniciou , na qualidade de prefeito e posteriormente de governador, sua política da “Segurança Democrática”. O que existe hoje, dezembro de 2007, é uma cidade onde reina o terror e o temor em consequencia de que aqui se construiu uma estrutura de Estado mafiosa.

Soa também como ironia da vida, que dentro da mesma mafia se assassinam e se chantajeiam com o passado como arma. Por estes dias revelou-se novamente que o helicóptero do pai de Álvaro Uribe, que foi confiscado no gigantesco complexo cocalero chamado Tranquilandia, comandado por um dos chefes do Cartel de Medellín, Rodríguez Gacha, aliás ‘El Mejicano’, não tinha os papeis de multa do dono, como o atual presidente da República tem sustentado. Agora a “mudança de dono” se reduziu a um simples aviso pago na revista Cromos de 1984.

O então ministro da Justiça, Rodrigo Lara, expressou-se com preocupação pelo confisco deste famoso helicóptero, com as palavras de que esse helicóptero seria sua morte, a qual se confirmou pouco tempo depois quando o ministro foi metralhado com seus três guarda-costas.

Do aeroporto Olaya Herrera também partiu num helicóptero o ex-amigo de Álvaro Uribe, Pedro Juan Moreno Villa, que depois se acidentou. As investigações deste acidente tão pouco foram feitas em profundidade.

Nancy Zapata, uma crente e humilde mulher foi assassinada e parece que sabia que a morte estava próxima. Quiçá, após uma exaustiva investigação sobre sua morte, se poderia encontrar as respostas de muitos outros casos não esclarecidos em torno de Álvaro Uribe.

______
*Jornalista Sueco correspondente para a America Latina.

Texto original: http://www.anncol.nu/index.php?option=com_content&task=view&id=129&Itemid=2

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Simon Trinidad e o Intercâmbio Humanitário


O guerrilheiro das FARC, Simon Trinidad, foi condenado ontem a 60 anos de prisão, o máximo permitido nesse país que não pode condená-lo à prisão perpétua por causa de tratados com a Colômbia.


Mas é como se fosse. Simon Trinidad tem 57 anos e a condenação é praticamente uma condenação à prisão perpétua. Ainda que a Fiscalía gringa, -em seu desejo onírico- planeje uma revisão em 1 ou 2 anos, caso as FARC liberem os três espiões militares estadunidenses em seu poder. Como se fossem as FARC tão ingênuas.


Eles, as FARC, sabem que a extradição de Simón e Sônia ordenada pelo narco-paramilitar presidente colombiano, Álvaro Uribe Vélez, foi como ‘ter lhe trancado por dentro e jogado a chave ao mar’. Mas como Deus sempre se lembra de seus pobrezinhos, e põe em seu caminho a solução, o único caminho e o verdadeiro para a liberação dos dois guerrilheiros é o Intercâmbio Humanitário ou Troca.



“Me dê meus dois guerrilheiros”. “Pegue seus três espiões”. Dê-me e tome. Ou tome e dê-me. Não há outra solução. Se os gringos pensam que assustaram as FARC, acreditamos que estão equivocados. Nunca havíamos visto guerrilheiros com tal firmeza ideológica como a mostrada por Simón e Sônia.



Os guerrilheiros farianos mostraram o que é o templo de um guerrilheiro e a fortaleza que dá a justiça de sua decisão e determinação de lutar com as armas em mãos contra um regime corrompido, narco-paramilitar, como os dos presidentes colombianos, que desde sempre assassinaram os pobres. Porque as FARC são e estão convencidas da justiça de sua luta, e ‘só há uma guerra justa. A do povo contra seus opressores’.


E ali, ontem e hoje, estava a solidariedade internacional com Simón. ‘A solidariedade é a ternura dos povos’.



Queremos que nossos leitores apreciem a opinião das outras agências e meios alternativos em torno do tema:



Caracas, 28 de janeiro de 2008 / A condenação a 60 de prisão que recebeu esta segunda nos Estados Unidos o dirigente das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) Simón Trinidad foi rechaçada por manifestantes congregados fora da Corte Federal do distrito de Columbia, em Washington.


Ricardo Palmera, melhor conhecido como Simón Trinidad foi condenado como autor do seqüestro de três estadunidenses na Colômbia. A sentença, muito superior à condenação entre 63 e 78 meses que havia proposto a defesa, responde à pena solicitada pela Fiscalía. Havia sido extraditado pela Colômbia no dia 31 de dezembro de 2004.


“Estamos aqui para nos opor à condenação de Ricardo Palmera” comentou uma manifestante na frente da Corte Federal. A jovem qualificou o julgamento como ‘ofensa contra o povo colombiano, e uma bofetada em todos os colombianos que acreditam na soberania de seu país’.


Simón Trinidad havia sido extraditado da Colômbia em 2004. E no primeiro julgamento ao qual foi submetido em 2006 por esse mesmo caso, o jurado não chegou à um consenso sobre sua responsabilidade direta no seqüestro dos estadunidenses. O julgamento terminou então em um ‘não veredicto’.


Trinidad é mantido preso em uma cela de confinamento solitário em uma prisão federal nos arredores da cidade de Washington. Não está autorizado a receber visitas de seus familiares nem amigos, como tampouco repórteres de meios de comunicação.
Segundo a agência de notícias ANNCOL, as medidas são tão extremas que nem sequer seu advogado de defesa na Colômbia pôde visitá-lo.


Julgamento político:


Na audiência dessa segunda, logo após escutar a sentença, Simón Trinidad denunciou que o seu foi um julgamento de claro fim político e repudiou as condenações extra-territoriais que realiza a potência norte-americana em nome de uma suposta legalidade.


Trata-se de “uma prática neo-colonial que lesiona a soberania de nosso país”, expressou e assegurou que cumprirá sua pena em nome de seu país, ao somar-se “aos que a história já deu e dará absolvição”.


“Quando me juntei às FARC o fiz consciente de que poderia perder minha vida pela liberdade e luta pela justiça social. Hoje perdi minha liberdade física, mas meus ideais se mantém intactos”, afirmou Trinidad.


O comandante advogou por um Intercâmbio Humanitário em seu país, ao expressar seu sincero desejo de que os estadunidenses detidos voltem às suas casas, sãos e salvos, e se reúnam com suas famílias.


“É meu sincero desejo que Thomas Howes, Marc Gonsalves e Keith Stansell regressem o mais rápido possível sãos e salvos aos seus lugares, junto de seus entes queridos”, afirmou.


O guerrilheiro concluiu sua intervenção clamando: “Viva Manuel Marulanda (o chefe das FARC), vivam as FARC, exército do povo, viva Bolívar cuja espada libertadora segue percorrendo a América”.


Na audiência esteve presente a senadora colombiana Piedad Córdoba, quem junto ao presidente venezuelano, Hugo Chávez, conseguiu que a guerrilha entregasse dois reféns no começo de janeiro.



Ora/VTV/TeleSUR/Efe-Afp-Anncol


O "Senhor Morte"

Já havíamos dito. É mentiroso, esbravejador, fanfarrão e no final de tudo sempre é um covarde. O vimos com ‘o rabo entre as pernas’ na Europa, pedindo ‘apoio para a luta contra o terrorismo’, e apenas chegou à Colômbia e já começou a aprontar.

Quem sabe foi porque chegou ‘com o saco vazio’. Não trouxe nada para Colômbia mas os meios de alienação dizem que foi um tremendo triunfo. Ou quem sabe algum dos generais que lhe disse que era possível. Ou quem sabe foi Zapatero, ou Solana, que lhe sopraram aos ouvidos tamanho despropósito. Seja quem for, o enganaram. Como sempre. Ouvindo os ‘clarins da guerra’ soar se entusiasma e acredita que é verdade a mentira que lhe dizem. E a que ele diz. E a diz.

Desejos oníricos de vencer as FARC. Um ódio visceral que lhe impede de pensar corretamente. Menos governar. Ele fez de tudo menos isso. A menos que entregar a soberania nacional às multinacionais gringas e européias se chame governar. E acredita nas histórias que lhe contaram. Que podiam cercar ‘os acampamentos’ onde estavam os detidos pelas FARC. Ah, que ingenuidade. Podem localizar acampamentos com ajuda dos espiões gringos –dos quais três já estão em poder das FARC-, com tecnologia especial, mas e se nos cercam, nos sitiam, ainda tem alguns problemas. Certo, Juan Manuel?

Porque como disse o general Fernando Tapias: “Se existe uma área geral, demandaria trabalho demais e recursos para definir o ponto exato onde estão. Se conseguirmos, para cercá-los, é necessário um cerco tal que com certeza comprometerá a vida dos seqüestrados”.

E como ele também acredita que Invamer Gallup lhe disse a verdade com as pesquisas de ‘popularidade’, então ele se acha poderoso. Machoman. Superman. Batman. O cavaleiro solitário. O homem-aranha. A mulher maravilha. C.S. (Counter Strike). Far Cry. Crisis. Halo 3. Enfim, todos os ‘super-heróis’ juntos ficam pequenos. Ele joga com seus filhos todos os playstations de guerra. Mas a verdade é que é uma paródia como o “Chapolín Colorado”. ‘Não contavam com minha astúcia’.

E sonha que a comunidade internacional vai fazer o jogo do ‘Senhor Morte”. Ele acredita que tem o poder de convocação que Chávez tem. E mais, ele inveja a Chávez em seu tremendo poder de acompanhamento. Por isso sonha que terá cercada as FARC, em seu acampamento, e chefa a ‘comissão internacional’ para resgatar os detidos em seu poder. E sonha também que os helicópteros voam, pla, pla, pla, e levam os ‘detidos’ e ele se torna o ‘Grande Salvador’, como ‘O Messias’.

Mas a verdade é que ele não esperará a ‘comissão internacional’. Ou seus generais. Entrará para ‘resgatar’ os inresgatáveis, os detidos. Mas no ‘fogo-cruzado’, desgraçadamente, eles serão os primeiros a cair.

E se mostrará que é o “Senhor Morte”, o assassino mais impiedoso da Colômbia. Resgatará, mortos, os detidos. Já o prometeu. Mas até agora não pôde cumprí-lo. De quebra, como prova de seu poder maléfico já são 11 assassinados, além de 11.282 assassinatos ‘fora de combate’ atribuídos ao ‘Senhor Morte’. Mas também mais 10 mil de sua própria tropa (mas isso ele não diz e nem o contam).

E apesar de tantas baixas, ainda tem vontade de uma ‘guerra contra Venezuela’. Claro que tanto na guerra interna, como na externa, é manejado como uma marionete pelos Estados Unidos da América do Norte. A noite negra segue... aqui está o ‘Senhor Morte’. Senhor dos infernos...Mas não devemos esquecer:

“Cada cidadão faz a si mesmo responsável de tudo o que seu governo faz: tem que prestar-lhe todo o seu apoio enquanto esse governo vai tomando decisões aceitáveis. Mas no dia em que a equipe que está no poder causa dano à nação, cada um dos cidadãos tem a obrigação de retirar-lhe seu apoio... se a injustiça cometida é intolerável, é um direito e um dever não submeter-se à ela”.

Mohandas Karamchand Gandhi
(Índia 1869-1948)

Popayán: 4 anos de atropelos

Durante quatro anos o Governador do Cauca Juan José Chaux Mosquera aplicou de maneira ultrajante as políticas de privatização e repressão características do Governo de Álvaro Uribe Vélez. Como prêmio para sua atuação violenta, Bogotá o nomeou embaixador na Europa.


Nos primeiros dias do mês de janeiro Juan José Chaux Mosquera, ex-governador do departamento de Cauca, tomou posse de seu cargo como Embaixador dos Países Baixos. Ele assumiu o cargo após a renúncia de Carlos Medellín, em dezembro de 2007. O motivo dessa rápida decisão não é outro senão o eterno compromisso que o ex-governador caucano demonstrou com a Política de Segurança Democrática e em geral com todas as políticas do Presidente Álvaro Uribe Vélez.

Mas, o que fez Juan José Chaux no Cauca para agradar tanto ao Presidente da República?

A primeira coisa que devemos ressaltar sobre o período de Chaux como Governador do Cauca é que a presença de grupos paramilitares, como “os rastroios” e “águias negras”, aumentaram consideravelmente, alcançando a sua consolidação em zonas onde tinham presença. E com eles incrementou o número de pessoas expulsas e deslocadas, em sua maioria estudantes, camponeses e cidadãos; além das constantes ameaças aos diversos setores da oposição.

Durante esse período foram liquidadas a Divisão Departamental de saúde, (deixando sem emprego centenas de pessoas e sem acesso à saúde milhares de habitantes do Departamento) e Centrais elétricas do Cauca (o qual se encontra em processo de venda à entidades privadas); e na lista de liquidação está a Indústria de Licores do Cauca. Como se isso fosse pouco, a Água do Maciço Colombiano foi concedida à engarrafadora de água Cristal. Por outro lado, as mobilizações e expressões de protesto próprias de nosso povo contra as políticas departamentais e nacionais foram reprimidas violentamente por Chaux Mosquera com o Esquadrão Móvel Anti-distúrbios (ESMAD) e as Forças Militares. Estas declarações apresentadas à um diário de circulação local no início de sua campanha pelo governo, já davam conta de seu pensamento guerreirista “Um estado que perde o monopólio das armas é um Estado em crise”. Assim que as recuperações de terra chamadas “Pela Liberação da Mãe Terra” levadas à cabo pelos indígenas caucanos em diferentes zonas do departamento, em outubro de 2005, abril de 2006 e novembro de 2007 foram perseguidas com as violentas ações da força pública.

Nestes acontecimentos as balas oficiais assassinaram Belisario Camayo Güetoto em outubro de 2005, um jovem indígena do Reserva de Caldono, e em Dezembro de 2007 ao jovem de 22 anos de idade Lorenzo Largo Dagua, guarda indígena da reserva de Tacuevó. Os responsáveis dessas mortes se encontram na total impunidade. Em maio de 2006 os departamentos do Cauca, Valle e Nariño se mobilizaram em diferentes zonas como Popayán, El Bordo, Rosas, Santander (Cauca), Remolinos, Tumaco (Nariño) entre outros; contra a Reeleição, o Tratado de Livre Comércio, a Política de Segurança Democrática, pelo direito à vida, à educação e à saúde.

A resposta não podia ser outra senão a brutal arremetida da Força Pública nas diferentes populações mobilizadas por quase 2 semanas. As conseqüências; mais de uma centena de feridos, 1 morto ,Pedro Maurício Poscué, cidadão indígena de Corinto, 10 desaparecidos e muitos outros ameaçados e expulsos posteriormente de seus territórios.

O setor estudantil também sofreu o brutal assalto da força pública, no dia 31 de maio de 2007, quando 16 estudantes da Universidade do Cauca que se encontravam em ocupação Pacífica no Claustro de Santo Domingo, dentro do programa da Assembléia geral permanente estudantil, foram violentamente desalojados, por ordem direta do Presidente da República, com a aprovação de Chaux Mosquera, e com o silêncio da Administração Universitária, violando todas as normas e sobretudo pisoteando a Autonomia Universitária.

A última notícia de Chaux

Como todo o país sabe, o ex-chefe paramilitar Ever Velosa, apelido H.H., confessou livremente diante da Fiscal 17 da Unidade Nacional de Justiça e Paz de Medellín, conhecer pessoalmente e haver se reunido em várias ocasiões com Juan José Chaux, o qual haveria assistido, segundo H.H. à reunião paramilitar. Velosa assegurou que homens de confiança haviam se reunido com conselheiros e aspirantes ao conselho do Município El Tambo afim de que o Grupo Calima apoiasse a candidatura de Chaux Mosquera. Ele por sua vez, admitiu haver se encontrado com os “paras” apenas por razões humanitárias ao servir de mediador para a liberação de um parente.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

O respeito e a defesa à vida

O Intercâmbio Humanitário colocou no centro da vida nacional vários temas ocultos. Temas que os governos oligárquicos, e este do narco-paramilitar presidente não é exceção, tentaram esconder da população.

Em primeiro lugar, temos o respeito e defesa da vida. A oligarquia -e nela englobamos a mafiosa- violou sistematicamente e frequentemente esse direito. A prática do Terrorismo de Estado, que se traduziu em massacres, execuções extrajudiciais e desaparecimentos forçados, demonstra claramente o desrespeito desse direito humano fundamental, porque sem vida é impossível desfrutar dos outros direitos humanos.

Essa violações têm produzido uma orgia de sangue que tomou o território nacional. As cifras são aterradoras pelo desprezo à vida humana por parte do Estado. Desde 1986 até 2006, de Barco até Uribe Vélez (5 mandatos presidenciais), se produziram na Colômbia 3.726 massacres, 8.003 desaparecimentos forçados e 28.245 execuções extrajudiciais (ver abaixo).


Massacres / Desaparecimentos / Execuções

  • BARCO 264 / 500 / S.D
  • GAVIRIA S.D / 674 / 7.865
  • SAMPER 825 / 1.093 / 1.316
  • PASTRANA 2.317 / 4.213 / 13.839
  • URIBE 500 / 1.613 / 5.155


O desrespeito à vida produziu a degradação do conflito colombiano. Degradação que ocorreu por conta da oligarquia. As guerrilhas, especialmente as FARC, têm sido sempre defensoras do direito à vida. Precisamente elas nascem no dia 27 de maio de 1964 vítimas de um ataque militar calculado em 16.000 soldados e utilização da aviação e guerra biológica (‘peste negra’).

E em resposta à essa agressão com a pretensão do extermínio físico dos 48 camponeses marquetalianos, nascem as FARC, que colocou no centro do debate o “respeito do direito à vida”. São as FARC que planejaram desde sempre a busca de uma saída política ao conflito político, social e armado que padece a Colômbia por conta da oligarquia e o império estadunidense. São, incrivelmente, os agredidos, os guerrilheiros, que planejam o respeito do direito à vida e à Paz. Porque as FARC enfrentaram ‘fuzil contra fuzil’ por não haver permitido a oligarquia outra forma de fazer política. As FARC são a conseqüência e o Estado a causa.

Os seguintes presidentes colombianos tomam em suas mãos a guerra declarada às FARC e persistem em suas tentativas do extermínio físico desses lutadores populares. Declararam uma guerra que não terminou. Cada qual coloca seu nome pomposo. Tal como fez o atual presidente colombiano, Álvaro Uribe Vélez, que continua assassinando agora não só aos colombianos -11.282, segundo o Observatório de Direitos Humanos, em seus primeiros 4 anos-, mas que na atual conjuntura não hesita em assassinar também aos próprios funcionários e políticos detidos pelas FARC. Para isso ele leva adiante o Plano Colômbia (Plano Patriota, Plano Consolidação), e nesse ano de 2008 gastará 6.5% do PIB nisso.

Militares e narco-paramilitares, mandados por oligarcas, detentores de terras, ‘classe política’, empresários e máfia, convertem o assassinato na forma para manter-se no poder. Esse assassinato adquire conotações patológicas, doentes, como a figura do ‘assassino da moto-serra’ e os ‘arranca-cabeças’, que inclusive jogavam futebol com as cabeças dos mortos e arrancavam os órgãos genitais das crianças para que ‘morresse a semente’.

Sob uma maniqueísta obrigação constitucional, Uribhitler ordena ‘resgates à sangue e fogo’ e agora a modalidade do ‘cerco de zonas guerrilheiras onde estejam os detidos’. Tal maniqueísmo esquece, conscientemente, que não há bem maior do que a vida humana. E à ela se submetem os outros valores. Nenhum está acima desse.

Definitivamente o Intercâmbio Humanitário, e as FARC, desmascararam a essência do regime uribiano. É totalmente desumano. Está totalmente desumanizado e sua essência é que são “homo sapiens demens”. E sabemos que o ‘demens’ tem toda sua escala de valores alterada. E não haverá tratamento que faça ele voltar à “normalidade”. Quem sabe uma larga estadia em hospital psiquiátrico. Pela vida toda!

Nosso Libertador disse ao general Briceño em carta enviada no dia 1º de janeiro de 1817:

“A fortuna não deve lutar vencedora contra quem a morte não intimida; e a vida não tem preço senão o tanto que é gloriosa.”

Simon Bolívar

Classe política e narco-paramilitarismo



O narco-paramilitarismo é uma política de Estado. Por ser uma política de estado possui íntimos laços com todas as instâncias da sociedade. Militares –seus pais e criadores diretos-, classe política, empresários, máfia, etc.

O narco-paramilitarismo uribista tem Uribhitler até nos ossos. O está asfixiando e provoca nele “choque de trens para tratar de distrair a atenção. Mas, pouco a pouco, as verdades verdadeiras vão aparecendo na superfície. Mas como quando quem fala é um mafioso que favorece à eles, então não criam caso; mas quando não lhes favorece é um ‘delinquente’, então os desqualificam com epítetos. Como fizeram com García.

Salvatore Mancuso ameaçou dizer os nomes dos empresários ligados ao narco-paramilitarismo. Fem com que todos tremessem. Mas ficou na ameaça. Preferiu fazer silêncio ou mandaram ele se calar.

Agora o chefe paramilitar que se chama H.H., ameaça dizer quem são os políticos pertencentes ao narco-paramilitarismo na zona do Valle del Cauca e arredores. Em entrevista dada ao jornal El País de Cali o narco-paramilitar disse muitas coisas, algumas verdades, algumas mentiras, mas leia e tire suas próprias conclusões:

...”Como foram as relações com os políticos do Valle?

...Tínhamos relações com políticos da região. Os políticos nesse país se aliam com quem quer que seja para chegar ao poder. Nós tínhamos um domínio nas comunidades e os ajudávamos para que essa população os apoiasse.

...Entre esses políticos estão pessoas que atualmente desempenham altos cargos no governo e no congresso?

...Claro que sim, mas o direi quando estiver na Justiça através da Lei de Justiça e Paz.

...Em uma de suas versões livres, você falou de Juan José Chaux, ex-governador do Cauca e atual embaixador nos Países Baixos. Que relação ele teve com as auto-defesas?

...Estamos esclarecendo isso com os fiscais e explicar porque aconteceu a reunião de Chaux conosco.

...Essa reunião foi quando era governador?

...Não, antes.

...Você tem falado de uma relação com Bayron Carvajal?

...O conheci quando era capitão em Urabá. Já declarei que ele teve vínculos com as AUC, mas não tenho conhecimento do ocorrido no caso Jamundí.

...Patrulharam ou cometeram crimes?

...Patrulhamos juntos. Contarei quais operações fiz com Bayron, quais houveram baixas e qual foi a relação dele.

...Edith Montilla é uma ex-representante na Câmara del Cauca que você mencionou em sua versão?

...A mencionei porque se reuniu com uns membros das auto-defesas, eu estaria lá, mas não consegui chegar e meus homens se reuniram com ela.

...Você falou que em Urabá, entre 1995 e 1996 houveram 1.200 homicídios. No Valle a situação foi similar?

...Não, em Urabá foi diferente. Ainda que no Valle tenha acontecido também muitas mortes; desde o setor de Barragan até Buga e Bolo Azul, a entrada foi muito difícil.

...Como confirmavam os vínculos com a subversão das pessoas que matavam?

...Através de informação de inteligência e de dados das comunidades. As comunidades também têm responsabilidade em muitos dos erros porque acusavam as pessoas para que nós as matássemos, mas aconteceram casos que, depois de mortos, ficamos sabendo que se tratavam de problemas pessoais.

...Na parte alta de Florida aconteceu o assassinato de um líder indígena com sua esposa e seu filho?

...Não tenho conhecimento desse caso, havia uma orientação de que não se podia fazer nada com as crianças. Mas em muitas oportunidades erros foram cometidos e morreram pessoas que não deviam morrer.

...Quantas fossas existem no Valle?

...Acreditamos que são como 400, mas podem ser mais.

...El País entrevistou paramilitares detidos em Palmira, eles passaram uma lista dos que iam entregar as fossas...

...Falaram de 300 fossas, isso é falso. Estavam montando um negócio e lhes cobraram milhões de pesos caso listassem as fossas. Essa lista está sendo apurada, de 250 que entregaram, ficaram 50 apenas.

...No Valle houveram desmembramentos?

...É uma prática que não é uma orientação da organização, onde se praticou foi por vontade própria do comandante do grupo. No Valle não é uma maioria, mas houveram sim degolados.

...Por que enterravam suas vítimas em não permitiam que seus familiares o encontrassem?

...A prática das fossas comuns começou a ser implementada no país a pedido da Força Pública para que não subissem os índices de mortalidade”.

http://www.prensaescrita.com/diarios.php?codigo=AME&pagina=http://www.elpais.com.co

Diante do fracasso de Motossera Uribe na Europa: Resgate militar à qualquer preço


Os vergonhosos meios de desinformação colombianos estão demonstrando uma vez mais sua incondicional afinidade com o neo-fascismo na Colômbia e seu irrestrito apoio às políticas do Estado narco-terrorista instaurado pelo narco-paramilitar Álvaro Uribe, e nisso se empenharam essa semana toda, chegando ao cúmulo de tentar mudar a realidade do que foi a turnê de “Varito” pela Europa.
Afirmam sem um pingo de vergonha que moroserra-Uribe foi recebido “calorosamente” e não que ele foi escurraçado, como realmente foi em sua tentativa de isolar e condenar as FARC e a Venezuela.

Os propósitos da “improvisada” turnê do “chefe dos chefes” ‘Varito’ Uribe estavam orientados para que alguns países europeus isolassem e questionassem a participação do Presidente da Venezuela, Hugo Chávez, em uma possível comissão de mediação sobre o acordo humanitário entre as FARC e o governo colombiano, sem descartar que ele serviria para acusar uma suposta intromissão deste nos assuntos internos da Colômbia.
Outro objetivo era evitar que as FARC fossem tiradas das “listas de terroristas” imposta pelos E.U.A., a União Européia e o ocidente, e que de quebra não lhes dessem o status de beligerante, já que na Colômbia, segundo o ponto de vista do governo, não existe conflito armado interno, mesmo que esse já tenha 60 anos de enfrentamentos.
E um terceiro objetivo, que França, Espanha e Suíça voltassem a formar o grupo de facilitadores no intercâmbio humanitário dependentes da igreja católica, ou seja, que sirvam de distração, submetidos à manipulação e manuseio de motoserra-Uribe enquanto ele se empenha à fundo no resgate militar à sangue e fogo.

O fracasso de Uribhitler em conquistar os objetivos para o qual havia se porposto é tal que fez com que os meios de des-informação e o governo se empenhassem para afirmar que com a turnê diplomática alcançaram um suposto grande triunfo. Ainda que essa turnê tivesse o propósito apenas de negar, para não dizer esconder, a existência de um grave conflito armado colombiano entre duas partes desafiantes, aconteceu tudo ao contrário. Hoje na arena política mundial apareceu com força o debate sobre o conflito armado colombiano, como nunca antes, no qual umas forças insurgentes enfrentam um governo de duvidosa legalidade e legitimidade, por sua relação com os narco-paramilitares, para comprová-lo basta apenas ler qualquer jornal da Ásia ou da Europa e inclusive dos E.U.A..

Imediatamente viria outra porrada por parte do Presidente Sarkozy ao dizer claramente a Uribe que “para que os esforços de facilitação dos três países – França, Espanha e Suíça – fossem úteis estes deveriam ter garantias de independência e margens de discussão essencial para seu êxito”.

Mas o golpe de misericórdia seria dado pela Chanceler Federal da Suíça, Micheline Calmy-Rey, ao dizer que “seria importante para os três países ter garantia para trabalhar independentemente para oferecer-lhes suficiente espaço de manobra”.

Os meios de des-informação colombianos dizem que Uribe recebeu o apoio de parte da União Européia (UE) para não tirar as FARC da “lista de terroristas” da boca de Javier Solana, representante de Política Exterior e Segurança Comum do Conselho da EU.
Antes de tudo é necessário lembrar que apesar do nome pomposo do cargo de Solana, os países membros da Uniçao Européia até hoje não cederam suas competências em matéria de relações exteriores à EU, isto quer dizer que cada país membro desenvolve suas próprias relações internacionais de acordo com seus próprios interesses. Portanto, temos que saber o que os três países dizem e insinuam sobre estas listas.

As conclusões resultante disso demonstram que existe uma margem de negociação que pode mudar diametralmente a atual condição. Sobre isto podemos citar três elementos diferentes que confirmam o anterior: França abre uma ampla possibilidade de reexaminar o papel das FARC de acordo com seu comportamento, que na linguagem da política internacional significa muitas possibilidades de negociação nas quais por sua vez podem arrastar a UE; quanto à Espanha é necessário ressaltar que pesa a aliança golpista/guerreirista firmada por Uribe com Zapatero/la-Corona/Aznar contra o governo de Chávez, em nenhum momento Zapatero durante toda a rodada de imprensa se referiu às FARC como um grupo terrorista; e para a Suíça as FARC não são uma organização terrorista.

O inquestionável fracasso de Uribe em sua turnê pela Europa fica demonstrado pelas palavras do ministro de Relações Exteriores da França, Bernard Kouchner, ao reiterar esta quinta “que o governo colombiano segue tendo como opção a mediação do presidente venezuelano Hugo Chávez Frías para a liberação dos detidos pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).” E outro elemento que corrobora novamente é a mentirosa e ambígua linguagem militarista de Uribhitler, que assim que chegou à Colômbia ordenou às forças armadas e policiais –e claro aos seus sócios para-militares- que “cerquem sítios onde estão os seqüestrados”, isto não é mais que uma ordem para resgatar militarmente os prisioneiro à sangue e fogo sem importar à eles sua segurança pessoal, nem sua vida.

Deixando manifesto assim que diante do fracasso de Motoserra Uribe na Europa, a única opção válida para ele e seus cúmplices narco-paramilitares é o resgate Militar à qualquer preço, sem importar-lhe ficar como um mentiroso diante da comunidade internacional, nem diante dos países que brindam seus esforços para que se dê um Acordo Humanitário. Motoserra-Uribe dirá que o descrédito não tem importância se ele tem o apoio da Casa Branca e que além disso tem aos seus pés os para-meios de des-informação para que lavem sua ensangüentada imagem e têm a Gallup para que publique pesquisas manipuladas onde o presenteiam com 90% de mentiras à seu favor.

Márquez: Solana é um perverso


Ivan critica seriamente a liderança da Espanha com a visita “relâmpago” de Uribe à Espanha de Franco apesar de estar morto esse ditador. “...E é recebido por Borbón em sua ressaca, também o perverso Solana, e o presidente espanhol, que deveriam se preocupar mais em reconhecer a auto-determinação do país basco ao invés de validar sem-vergonhices.” Finaliza Iván Márquez.


***



A excelente pena de Iván descreve com perfeição a realidade da Colômbia hoje com o reinado de Uribe Vélez. A máfia dirigindo a pátria amada de Bolívar, Colômbia. Uma publicação enviada à ANNCOL. “Don Varito Corleone é a realização do grande sonho do chefe das drogas Pablo Escobar Gaviria, de tomar em suas mãos, o governo e as rendas do poder na Colômbia. E Varito –de Alvarito-, mais exatamente o “Doutor Varito”, era o nome carinhoso, carregado de amor, com que o grande chefe da máfia se referia ao doutor Álvaro Uribe Vélez, atual Presidente da República da Colômbia”, disse. Ainda que Uribe persista em negar seus vínculos com o crime organizado, o certo é que sua margem de manobra para evitar que juntem o criminoso e seus crimes está cada vez menor. Se não fosse pelos E.U.A. há muito tempo esse sujeito estaria preso ou prestando contas com a justiça. “Se sustenta –Varito- contra a ética e o decoro, é graças ao apoio militar e político do governo dos Estados Unidos, do Rei e o governo do Estado Espanhol, ao apoio dos donos da RCN, da Caracol e do diário El Tiempo que o encobrem e o protegem, através da imagem, a voz e as frases da manipulação. Guardam silêncio diante da infinidade de nexos do “doutor Varito” com a máfia e a narco-para-política. Só atacam seus peões e um ou outro de seus aliados; enquanto que resguardam ele em um ninho forrado pelo teflon da infâmia”, escreve Márquez um dos sete membros do Secretariado das Farc. Iván critica seriamente a liderança da Espanha com a visita “relâmpago” de Uribe à Espanha de Franco apesar de estar morto esse ditador. “...E é recebido por Borbón em sua ressaca, também o perverso Solana, e o presidente espanhol, que deveriam se preocupar mais em reconhecer a auto-determinação do país basco ao invés de validar sem-vergonhices.”, dispara Márquez.

domingo, 27 de janeiro de 2008

Entrevista do Semanário VOZ do Partido Comunista Colombiano ao Camarada Raúl

Janeiro, 22

“Ratificamos a vontade política para a troca” disse Raúl Reyes do Secretariado das FARC

Não é fácil chegar a Raúl Reyes, membro do Secretariado das FARC, via correio eletrônico, ainda mais se tratando de uma espécie um pouco parecida com um chat. Muitas voltas e revoltas tiveram que ser dadas. E ficaram registradas no papel algumas respostas indispensáveis sobre o estado de saúde dos detidos e o impacto que geram no país e no mundo as terríveis imagens e cartas das provas de vida. Também alguns temas de longo prazo, que têm a ver com a luta armada e sua perspectiva no processo político colombiano.

A velocidade do tempo colocou esta entrevista sobre o tema da conjuntura, que chamou a atenção do país e do mundo. Colômbia é tão original, tão fora do comum, que produziu notícia no dia 31 de dezembro. Assim o reconheceram os jornalistas estrangeiros localizados em Villavicencio à espera da aparição de Clara Rojas, Consuelo González e o menino Emmanuel.

O Intercâmbio Humanitário não está tão perto como desejávamos. Raúl Reyes reconhece que é assim e que não há contatos com nada, nem em segredo nem em público, como alguns têm dito nos últimos dias. São razões poderosas para que os amigos do acordo humanitário incrementem a ação para a pressão popular, porque seus inimigos pretendem com a marcha do dia quatro de fevereiro abrir o caminho do resgate militar e do terror.

Umas razões

- Por que não se pôde fazer a entrega de Clara Rojas e Consuelo González de Perdomo antes do dia 31 de dezembro?

- Foi impossível entregar as doutoras Clara Rojas e Consuelo González de Perdomo antes do dia 31 de dezembro, como era nosso desejo, por causa dos sangrentos bombardeios e metralhamentos perpetrados pelas tropas do governo de Álvaro Uribe, inimigo declarado do intercâmbio humanitário e das saídas políticas ao conflito interno dos colombianos que deliberadamente nega. Para as FARC o mais importante era cumprir com êxito a oferta de entregar as detidas ao Presidente Hugo Chávez e a senadora Piedad Córdoba, sem descuidar a proteção das vidas dos reféns.

- Consuelo González reconheceu que no dia 30 de dezembro houveram bombardeios onde estavam elas com a comissão das FARC que iria entregá-las. Dessa maneira se contradiz a opinião do presidente Uribe e do general Padilla de Leon. O que você pensa a respeito?

- O presidente da para-política fez tudo o possível para obstruir a liberação das senhoras Clara Rojas e Consuelo González para demonstrar diante do mundo as supostas mentiras e enganos das FARC, posando cinicamente até como defensor do Presidente Bolivariano da Venezuela, este sim em seu sincero empenho para garantir a liberação dos prisioneiros. Com essa artimanha Uribe incrementou as operações militares por terra, água e ar por onde calculava que se deslocava a comissão guerrilheira encarregada de entregar ao senhor Capitão Ramón Rodríguez Chacín as pessoas liberadas unilateralmente. As mesmas senhoras ansiosas para voltar sãs e salvas ao seio de suas famílias escutaram os espantosos estrondos dos bombardeios e os combates com as forças insurgentes das FARC. Enquanto os operativos militares atrasavam o regresso à liberdade das senhoras, o governo do terrorismo de Estado colombiano apoiado em Caracol, RCN, El Tiempo e El País de Espana promovia a mais infame campanha midiática contra o presidente Chávez, os demais governos impulsores da troca e as FARC afim de criar obstáculos ao fortalecimento da exigência da troca.

O caso Emmanuel


-As FARC são acusadas de não haver informado com antecedência a situação do garoto Emmanuel. O que realmente aconteceu?

-Ratifico uma vez mais para os leitores do jornal VOZ e a população colombiana as implicações negativas de submeter um garoto às inclemências da confrontação armada, onde nem sempre se dispõe de alimentos, medicinas e atenção médica adequada. Fora do constante estrondo que produzem os combates, os bombardeios, metralhamentos e sobrevôos de aviões e helicópteros do governo da para-política. Tudo isso colocava em risco a vida do pequeno Emmanuel e a decisão das FARC foi colocá-lo à salvo. Impossível também avisar antecipadamente o lugar onde o garoto estava, quando o povo colombiano é vítima da vilania, das canalhices e das infâmias do governo das oligarquias aliadas às máfias e os falcões da guerra do Pentágono e da Casa Branca.

-A entrega no dia 10 de janeiro gerou um ambiente favorável para o intercâmbio humanitário e alguns dizem que é a demonstração de que não se requer uma zona de despejo. O que as FARC pensam a respeito?

- A entrega unilateral que as FARC fizeram ao presidente Chávez das senhoras, contrária à vontade do mesquinho governo, prova que a imperiosa necessidade do despejo dos dois municípios de Florida e Pradera para concretizar o intercâmbio de prisioneiros em poder de ambas as partes. Seria irresponsável de nossa parte, enviar os porta-vozes encarregados de dialogar com os enviados do governo o acordo que ponha fim ao cativeiro dos que estão nas selvas e nos cárceres do regime e os extraditados Simón e Sonia, sem as garantias solicitadas. Nosso gesto humanitário em nenhum caso se fez produto de uma negociação com o governo de Uribe com quem definitivamente não haverá encontros ou entrevistas na Colômbia nem no exterior sem a existência da zona livre de força pública.

É importante para você a beligerância como planeja o presidente Chávez? Que significado ela tem para as FARC? Acreditam ser possível?

- De fato as FARC são uma força beligerante, reconhecida pelos governos anteriores da Colômbia e do mundo. Basta lembrar o grupo dos dez países facilitadores que o fizeram em representação de mais de 30 governos que apoiaram os diálogos com o governo do presidente Pastrana. A assinatura da Agenda Comum pelo Intercâmbio, que a classe governante não quis executar durante o mesmo governo. A assinatura dos acordos humanitários que possibilitaram a liberação de mais de 300 homens da força pública, a viagem conjunta de porta-vozes das duas partes à Europa e logo a realização da Audiência Pública Internacional na zona de despejo são provas irrefutáveis dessa realidade conhecida e acertadamente analizada pelo presidente Hugo Chávez. Recordemos também as três entrevistas do presidente Pastrana com o comandante-em-Chefe das FARC, camarada Manuel Marulanda. Nenhum chefe de Estado ou de Governo se reúne com organizações terroristas. O problema do governo Uribe é que se assumiu o compromisso de debilitar ou liquidar as FARC com a intervenção do governos dos Estados Unidos e seu vociferado Plano Patriota nutrido do defunto Plano Colômbia, que ao fracassar em seu louco delírio, agora se nega a reconhecer a derrota suja e a da Casa Branca. O fracasso de Uribe em sua guerra contra as FARC é comparável ao indiscutível fracasso no Iraque de George W. Bush que como seu compadre paramilitar tampouco reconhece.

Organização político-militar

Independentemente do que diga Álvaro Uribe, seus escudeiros do Governo da para-política e os partidos da oligarquia, as FARC são uma organização político-militar, com propostas sociais, econômicas e políticas para a paz das maiorias afetadas pelo modelo neoliberal dos impérios. É inquestionável o nascimento do novo Estado Bolivariano, Socialista nas FARC, feito que estimula destacados chefes bolivarianos como o senhor Presidente da República Bolivariana de Venezuela a quem o povo colombiano deve agradecer todos seus esforços por conseguir a liberação dos prisioneiros e trilhar o caminho da reconciliação e paz com justiça social da Colômbia.

As FARC têm vontade política para a troca humanitária? Em que condições? São previsíveis novos atos unilaterais?

- Nas FARC ratificamos diante do mundo nossa absoluta vontade política pela troca, cuja concretização requer de imediato o despejo dos municípios de Florida e Pradera no Valle del Cauca. As FARC em sua condição de organização revolucionária do povo fará tudo p que depender delas para conseguir a liberação dos prisioneiros, começando pelos camaradas guerrilheiros e guerrilheiras injustamente privados de lutar pela justiça social de seu povo.

domingo, 13 de janeiro de 2008

Todo o mundo vê



O mundo todo sabe que é verdade. É necessário dar-lhes o reconhecimento de forças beligerantes –e tirá-los da ‘lista de terroristas’- para pararem de desqualificá-los.



***





Exceto a cúpula enfurnada do poder na Colômbia. Todos enxergam, exceto a cúpula oligárquica –tradicional e mafiosa- que acreditam que a Colômbia é deles e são eles.



Por isso vão logo atacar quem ouse mencionar algo diferente da homogeneização que pretendem implantar à partir dos E.U.A..



Inclusive atacam a Chávez porque ele disse que para alcançar a paz na Colômbia temos que passar pela regularização da guerra. Atacam Chávez, o único que pôde mover o Intercâmbio na Colômbia, porque o governo não está interessado, nem quer realizá-lo, nem tem capacidade de fazê-lo.



E é mentira? Por acaso não é verdade? Todo mundo sabe que é necessário regularizar a guerra, para dialogar posteriormente. E o passo inicial da regularização da guerra é precisamente o Intercâmbio Humanitário.



O mundo todo sabe que é verdade. É necessário dar-lhes o reconhecimento de forças beligerantes –e tirá-los da ‘lista de terroristas’- para pararem de desqualificá-los.



Sendo assim, sentamos todos os colombianos –digo todos, absolutamente todos- para dialogar e buscar a paz e acabar com a guerra fatricida que nos têm imposto a oligarquia e o império.



Devemos nos sentar e olhar nos olhos um do outro, a esquadrinhar na profundidade de nosso ser colombiano, e encontrar esses laços visíveis que nos unem.



Os colombianos seguimos em dívida com Chávez porque está fazendo que de fora com que nós os colombianos olhemos para dentro de nós. Porque é uma simples ação de amor ao seu povo venezuelano: o governo de Uribe –e seus narco-paramilitares- são a ponta da lança que o império usa para agredir a Revolução Bolivariana.



Se a oligarquia não quiser, seguirá uma guerra que roubará a valiosa vida dos filhos do povo –mandados pela oligarquia como “carne de canhão”, a qual será também tremendamente custosa para os bolsos dos setores economicamente mais poderosos. Já Uribe Vélez o disse: entre 1,1 bilhão a 3,4 bilhões, equivalente a 6% do PIB gastos em uma guerra inútil.



E não sabemos se a oligarquia pode, de uma vez, perder tudo nessa aventura guerreirista na qual embarcou.



Todos o vêem. Chávez se alça, se eleva, no continente americano como um homem de Paz. No entanto Uribe se diminui cada dia mais como o homenzinho da guerra. Tire você mesmo as conclusões.






sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Paramilitarismo está vivo na Colômbia

ANNCOL


É a conclusão a que chega a Comissão Colombiana de Juristas. Narco-Parapolíticos presos fizeram campanha a partir de suas celas, contatou essa ONG com status consultivo na ONU. No momento deixemos em “banho maria” a entrega dos três retidos até que o governo Uribe se disponha a possibilitar esta ação humanitária.

Que caminhos encontrarão Chávez, as FARC, os sete países e outros que se somarão para resgatar o filho de Clara do bombardeio imperial.

Agora uma olhada no que está por vir. Ao país e à comunidade internacional enganaram com os diálogos del Ralito. “Eu com eu” é a melhor definição deste circo romano. Disse em seu último informe a Comissão de Juristas, “cerca de 45 congressistas de 16 departamentos do país estão sendo investigados pela Corte Suprema de Justiça e pela Procuradoria Geral da Nação por seus presumidos vínculos com grupos paramilitares”. 17 congressistas narco-paramilitares uribistas estão presos, além de governadores e prefeitos, entre eles seu primo Mario Uribe.

Se todo o aparato estatal está a serviço da narco-para-democracia como também seu sistema penitenciário, “os políticos investigados por supostos vínculos com os paramilitares seguiram fazendo política de dentro de seus locais de reclusão, o que demonstra que muitos deles continuaram exercendo um poder enorme em suas regiões de influência e que as estruturas políticas dos paramilitares se mantêm intactas.

Finalmente este organismo não governamental sentencia, “Tal como restou configurado o mapa político, não se vislumbra então uma mudança na gestão do poder, e como se depreende das investigações judiciais em curso, as corporações públicas estão profundamente infiltradas pelo paramilitarismo.”


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quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Uribe mantém reféns os prisioneiros das FARC

Allende La Paz/ANNCOL


Em uma área de 1.142.000 quilômetros quadrados o governo da Colômbia mantêm cativos os prisioneiros em poder das FARC. É a superfície da Colômbia. E é assim porque impede as FARC de entregá-los à ‘Caravana Humanitária’.

Isso se deduz das últimas ações da administração de Uribe Vélez. Quando as FARC prometeram ao mundo todo a entrega de 2 prisioneiras e de Emmanuel, Uribe fez até o indizível para sabotar a entrega.

Os delegados internacionais suportaram o assédio dos militares que teriam a missão de ‘protegê-los’. Hoje sabemos que eram ‘vigiados’ pelos seus ‘protetores’. Separados em dois grupos. Militares até nos lugares mais inverossímeis, até ao ir fazer suas necessidades mais íntimas. Havia aviões ‘fantasmas’ voando a cada certo tempo rastreando a região (lembre-se que os três espiões militares estadunidenses em poder das FARC foram derrubados de um avião semelhante). Havia escutas nos aposentos.

Enquanto Uribe passeava como um tigre enjaulado em sua propriedade ‘El Ubérrimo’. Toda sua equipe estava ‘elaborando’ como evitar a movimentação das FARC. E o incômodo era maior ao pensar que em Bogotá, no dia seguinte, seria empossado como Prefeito um membro do PDA que havia sido claro em seu pronunciamento a favor do Acordo Humanitário e da Paz com as FARC, eleito contra a vontade do presidente.

Esta era uma operação – desenhada e levada à prática pelos ‘assessores’ estrangeiros – que pretendiam saber para onde se dirigiam as aeronaves que levariam os delegados internacionais. Com o fim de lhes dar o golpe final e assassiná-los, para demonstrar o quanto sanguinárias são as FARC. Assim é o pensamento de Álvaro Uribe Vélez, de seu ministro da Guerra “O Hiena” Santos, de sua corte de eunucos mentais e de seus ‘assessores’ estadunidenses.

Mas como as FARC sabem de tudo e às vezes de algo mais, ou quiçá pelo imponderável que nunca faltam na incerteza de uma vida guerrilheira – ou pelo bombardeio indiscriminado em uma área infestada não por mosquitos, mas pelos 20.000 soldados do estado colombiano, pelas operações militares, se foi atrasando o momento adequado para a entrega das prisioneiras ou retidas.

Diante de tal situação e acreditando que a demora se devia a um estratagema das FARC, o presidente Uribe se atirou e se atirou por inteiro. Não agüentava seu nervosismo. Foi a Villavicencio e lançou ali, diante dos delegados internacionais uma série de estupidez tendente a demonstrar que as FARC são sanguinárias, que não cumprem com sua palavra, para em seguida meter-lhes medo dizendo que o governo não ‘garantiria a segurança na área’, na própria Villavicencio. Uma cidade completamente militarizada! Ou será que o medo os acompanha até nos lugares em que estão rodeados de seus ‘militares’?

O jornal El Clarín informou que o ex-presidente Kirchner disse: “Vós sois audazes! Se essa história chegar a ser falsa vai ser um papelão para vós”. E segundo o diário argentino “o presidente colombiano o olhava impávido e fazia exercícios de relaxamento. Passava a mão por cima da cabeça e esticava o pescoço lentamente, para um lado e para o outro”. Era evidente o estado de tensão em que estava. O stress o teria minado por dentro.

Reféns do governo Uribe. O objetivo de Uribe Vélez não poderia estar mais claro. Sabotar o que deu lugar para a entrega dos prisioneiros. Aquí não foi uma simples batida na mesa de Chávez e Piedad. Não. Aquí lançou um petardo de alto poder. Segundo ele, Emmanuel não estava em poder das FARC.

A pergunta é se não estava em poder das FARC, onde estaria? Segundo Uribe estaria na ICBF. Mas se já teria essa informação, e havia podido verificá-la com a família de Clara mediante provas de DNA, a outra pergunta é “por que Uribe não permitiu a liberação das 2 prisioneiras, Clara e Consuelo?”.

Porque a verdade é que se Emmanuel – suponhamos que seja verdade, pela razão que seja – estava na ICBF, o seguinte objetivo era realmente o resgate das duas mulheres, Clara e Consuelo. E o que fez Uribe Vélez depois de lançar a bomba na mesa dos delegados internacionais? Simples. Se foi. Como o piloto que soltou a bomba contra Hiroshima. Tranquilamente, perversamente.

Com isso está demonstrado que a causa dos prisioneiros em poder das FARC importa a Uribe menos que um pingo. E mais, que as FARC podem fazer com os prisioneiros o que bem entenderem, sem que a administração de Uribe mova um dedo. E se o mover é para apertar o gatilho para assassiná-los, como perversamente estava dentro dos cálculos uribistas e como fez com os deputados do Valle.

Em conseqüência, Clara e Consuelo estavam a um passo da liberdade e agora passaram a ser retidas pela administração de Uribe e têo seu cárcere por todo o território nacional. E se isso ocorre com duas mulheres da própria classe social, que será dos prisioneiros que são ‘bucha de canhão’ – como os militares -? Essa é a verdadeira face de Álvaro Uribe Vélez: Psicopata e sociopata ao mesmo tempo. E ambas as características de uma imensa perversidade.

Nosso Libertador disse em carta a Santander, em 10 de outubro de 1820: “A paz será meu porto, minha glória, minha recompensa, minha esperança, minha fortuna e quanto é preciosa no mundo”.


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O bombardeio de Uribe

ANNCOL


Rodeado por sua Mini-defesa e o alto comando militar assegurou, no último 31 de dezembro, diante dos delegados internacionais – convocados por Hugo Chávez – e diante de mais de uma centena de jornalistas estrangeiros que as Farc demoravam na entrega dos três retidos, Consuelo, Clara e seu filho, porque este último não estaria em seu poder. Ter-se-ia que vê-lo. Colérico. Que papelão! Merecedor de um Óscar pela melhor montagem.

E lançou a ‘bomba’. Emmanuel estava- depois disse ‘estaria’ – na IVBF de Bogotá. Somente quando a comunidade internacional – Chávez entre eles – lhe exigiu se havia feito algum exame de DNA, com calma, e para o qual tiveram todo o tempo do mundo, tomando uma amostra de Iván ou da mãe de Clara, foi quando procederam a fazê-lo. Não antes. Eles já sabem o resultado. Ali estará a mão sinistra dos Estados Unidos. Todos os exames que lhes fizerem demonstrarão que essa criança ‘é Emmanuel’. Haverá consequentemente, dois Emmanuel. Somente sua mãe saberá qual é o verdadeiro, o dela.

Tudo coincide com o livreto de Frank ‘Pinchao’ que escapou das Farc em 28 de abril de 2007. “No nascimento houve um problema com o braço, o tiraram errado, então tiveram que colocar uma tala” contou enquanto exibia um caderno comprado em uma loja de Bogotá. Observem outros detalhes usados nesta novela preparada pela Brigada de ‘Inteligência e Falsos Positivos’.

Mas o ponto não era se Emmanuel estava em poder das FARC, mas torpedear o contato com a comunidade internacional – representada por 8 países -, o qual mostraria a verdadeira dimensão das FARC como organização insurgente beligerante.

Mas isto não se poderia permitir às FARC. Jamais poderia se permitir às FARC mostrar-se como o que são, como forças guerrilheiras, ‘civilizadas’, senão é a ‘golpe de fuzil’, a única linguagem que o império e seus lacaios entendem. A única realidade que entendem.

Esse foi seu verdadeiro objetivo, a mando do governo dos Estados Unidos. Enquanto protegem sua retaguarda: passado-presente narco-paramilitar. Círculo mafioso envolta dele. Enchendo de cocaína a boca do império. Por isso o número 82 é protegido. Porque no final das contas os Estados Unidos e que ‘paga’. Por isso é outra grande mentira. 93% dos recursos do Plano Colômbia são provenientes do Estado colombiano, dos bolsos dos colombianos.

Mas os ares que sopram pela América Latina são ares de revolução e os jovens ocupam uma tribuna muitos especial. Já não engolimos inteiro. Já existem países como Argentina, Brasil, Bolívia, Cuba, Equador, Nicarágua, Venezuela, que avançam em processos populares, de diferentes Graus de intensidade, mas observando nossa própria história, em nossa própria fonte. Eles são nossa própria retaguarda. Nossa própria vanguarda. Não haverá outros.

Na palavra dos justos está a verdade.



Apesar de tudo, continua a esperança

ANNCOL


Depois do ‘bombardeio’ do presidente Uribe contra a liberação dos três prisioneiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) na Colômbia, a Federação internacional de Comitês Ingrid Betancourt (Ficib) declarou em Paris que mantém sua esperança de uma pronta liberação.

“Mantemos a esperança porque todas as portas não foram fechadas. As FARC o dizem, não é possível imediatamente, isto que dizer que será possível nos próximos dias e semanas”, declarou o porta-voz da Ficib, Oliver Roubi, em uma entrevista à rádio France-Inter.

Com esperanzas. “Se bem isto nos preocupa porque levará mais tempo do que o previsto, mantemos a esperança e as famílias mantêm a esperança”, acrescentou Roubi, destacando que a mediação de Chávez deu seus frutos e que a comunidade internacional segue mobilizada.

“O Comitê Internacional da Cruz Vermelha permanece no local e deixa aberta a porta para as FARC, se o desejam, para que a liberação possa efetuar-se imediatamente”, assinalou Roubi.

Também expressou sua surpresa e comoção pela hipótese apresentada por Uribe no sentido de que as FARC não liberaram os prisioneiros porque não teriam a criança em seu poder: “Isto nos deixou chocados tremendamente e nos surpreendeu que haja este tipo de declaração sem haver advertido às famílias”.

“O que lamentamos é que a família de Clara não seja exposta a tanto, que não se tenha assegurado (ter) as provas, porque agora se fará o teste de DNA. Isto deveria ter sido feito antes”, afirmou.

“Imaginem o que pode se passar pela cabeça da mãe de Clara (Rojas) quando ouvir dizerem isso...”, acrescentou. “Não chegamos a definir o que se passou pela cabeça do presidente Uribe para fazer esta declaração, disse Roubi. “Era uma maneira de chamar a atenção dos meios de comunicação?”, questionou.

A pesar de tudo, a esperança não foi perdida. Continua incólume.


Fonte: AFP, VTV, YVKE Mundial, Aporrea

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Agora sim Bogotá tem um verdadeiro prefeito do POLO

ANNCOL



O prefeito de Bogotá, Samuel Moreno, do PDA, foi empossado ontem. Recebeu a faixa das mãos de Luis Eduardo Garzón, prefeito sainte do PDA, que paradoxalmente se encarregou, ele mesmo, de sepultar suas próprias aspirações presidenciais de lançar-se enquanto não terminava o tempo de seu mandato.

Moreno assinalou que “se são muitos os êxitos da administração que hoje termina, são também muitos os desafios que deixa. 1.800.000 bogotanos não têm seguro saúde e o atendimento sanitário para aqueles que não têm, são pontos a se melhorar. Em matéria de educação, devemos avançar desde a cobertura até a qualidade. O caos do trânsito em Bogotá requer medidas urgentes tanto em matéria de gestão do tráfego e melhoria e integração do transporte público, como em matéria de construção e manutenção de vias. Bogotá tem hoje um déficit de 400.000 moradias, escassez de terrenos disponíveis para utilização em moradias de interesse social e um sistema de subsídios eficaz.

…A poluição do ar e das bacias hídricas coloca em sério perigo a sustentabilidade ambiental de Bogotá. Apesar dos avanços, o aumento dos chamados delitos de baixo impacto têm aumentado a percepção de insegurança. Em Bogotá, as famílias mais pobres destinam, para pagar serviços públicos, um percentual de sua renda muitas vezes superior ao que destinam as famílias mais abastadas. Trata-se de uma situação inaceitável à qual devemos resolver prontamente. Diante desta situação, temos que ser muito mais criativos e audazes, e sermos capazes de iniciativas dirigidas a diversificar as fontes de ingressos e multiplicar a capacidade de mobilização de recursos.

Aproveito este esplêndido cenário que tem me dado a vida, para ratificar meus compromisos de campanha, perante todos vocês, solicitar com afinco seu respaldo e pedir a Deus da Colômbia, que nos ilumine para cumprir totalmente minhas obrigações e poder encontrar a reconciliação e a convivência entre todos os filhos desta Pátria imortal. Temos que alcançar não só o acordo humanitário e a liberdade de todos os seqüestrados, mas também selar definitivamente a paz com os que estão em armas a fim de que possamos viver como irmãos, e a nação avance, sem obstáculos, pelas veredas do progresso e da prosperidade.

…A paz é fruto da justiça e está em dar a cada qual o que lhe pertence. Por isso tenho repetido, em vários de meus discursos, que quero uma Bogotá includente, democrática, participativa e justa, onde estejam palpitantes as angustias e as esperanças de seus moradores, onde meu esforço se agigante para alcançar o bem estar e a melhoria de vida que merecem os bogotanos”, sublinhou o prefeito de Bogotá.


Lembremos que Samuel Moreno foi eleito com quase um milhão de votos, dando o PDA um tremendo golpe, entre outros, no presidente da República, Álvaro Uribe Vélez, que fez campanha por Enrique Peñaloza, utilizando recursos do estado para comprar consciências através dos ‘conselhos comunitários’ e ajudas para as famílias. Uribe respondeu com um ‘ataque’ característico e não quis receber o candidato vitorioso, em uma demonstração de como se conduzem as coisas na Colômbia.

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quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Carta do Secretariado da guerrilha das FARC enviada ao presidente Chávez

Agências/Aporrea


Senhor Presidente, as intensas operações militares desencadeadas na zona nos impedem, por ora, de entregar a você Clara Rojas, Emmanuel e a ex-deputada Consuelo González de Perdomo, como era nosso desejo.

***

Comandante Hugo Chávez Frías,

Presidente da República Bolivariana da Venezuela, Caracas.

Ante toda nossa saudação cordial e o reconhecimento da FARC (guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) a sua conseqüente e perseverante gestão humanitária.

Senhor Presidente, as intensas operações militares desencadeadas na zona nos impedem, por ora, de entregar a você Clara Rojas, Emmanuel e a ex-deputada Consuelo González de Perdomo, como era nosso desejo.

Estamos certos que tanto você, os delegados dos governos estrangeiros interessados na troca humanitária, como a opinião pública nacional e internacional entenderão essa situação.

Insistir nisso em tais condições seria por em grave risco a vida das pessoas a serem libertadas, do restante dos prisioneiros de guerra e mesmo dos guerrilheiros designados para cumprir esta missão.

Logo depois da apreensão das provas de vida em Bogotá e da captura dos emissários humanitários, as operações militares na região onde se localizam os prisioneiros se intensificaram.

Tão logo encontremos um lugar que nos dê a certeza da segurança lhe estaremos comunicando para reativar todo o mecanismo para que seja possível o retorno, sãos e salvos, de Clara, Emmanuel e Consuelo, ao seio de suas famílias.

Com sentimentos de consideração e apreço compatriotas.

Do Secretario do Estado Maior das FARC,

Montanhas da Colombia, 30 de Dezembro de 2007.

** Fonte: Portal Aporrea


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A visita de Uribe a Villavicencio: E chegou o “falso Messias”

ANNCOL



Desafortunadamente este senhor é uma ave de mau agouro. O desconfiamos desde o momento do anúncio de sua visita à base de Apiay. Desapareceu o filho de Clara como parte da magia. Lançou uma “cortina de fumaça”, “Emmanuel está abrigado pelo Bem-estar Familiar”.

A que pode ocorrer que as FARC que não reconhecem nenhuma das instituições do Estado iriam confiar na ICBF um filho de um dos seus. Quantas crianças não terão vendido ao exterior, leia-se adoção, esta entidade ligada ao governo. Sua direção deve contar aos colombianos que é sua ligação com o regime.

Sempre tivemos o temor da perseguição. Sabíamos das enormes dificuldades para levar a um final feliz a empreitada. Sabíamos que na área estavam 20.000 soldados – máquinas de matar – dispostos a tudo, como descreveu El Tiempo, colocando uma ênfase mórbida na informação.

Mas ouviu-se dizer que são 20.000 soldados contidos e batidos pelas forças guerrilheiras. E isso eles não perdoam. A eles não importa quantas baixas lhes imponham. Resumindo, os soldados são filhos do povo que se vendem por um mísero salário. Nenhum deles é filho da oligarquia, nenhum filho da oligarquia morrerá na empreitada. Estes são “bucha de canhão”.

Uribe Vélez disse ‘desconhecer’ os combates, mas acredita nos grandes generais. Os mesmos generais que enviavam cocaína aos Estados Unidos (Castro), dos falsos positivos, da cocaína na Alemanha, de Guaitarilla e Jamundí, ods camponeses assassinados e posteriormente apresentados como ‘guerrilheiros apresentados como baixas em combate’, os mesmos que são amigos e patrocinadores dos grupos de narco-paramilitares, hoje comandados por Juan Manuel Santos e por Uribe Vélez.

Com sua língua de fogo confundindo a todos, jogando babas de ódio contra as Farc. Aí se viu seu ódio. Não aceita nem permite que se dê uma ação positiva da insurgência, porque sua aversão visceral o impede.

Mas o povo colombiano, os povos latino-americanos, nos negamos a escutar estas palavras de mentira, de ódio, de rancor. Porque é a palavra do Anticristo. E chegará o apocalipse e com ele os anjos que extinguirão da face da terra seu enorme poder corruptor.

Chegará o dia… Tranqüilos que na palavra do justo está a verdade.
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Lei de trocas é um imperativo humanitário

Por Athemay Sterling*



A troca humanitária de prisioneiros nos conflitos armados tanto internacionais quanto nos internos, mediante acordos entre as partes em conflito através da história, tem sido prática permanente, umas vezes pela aplicação do Ius Cogens[1], da Convenção de Viena[2], da Cláusula Martens[3], dos Protocolos I e II[4] aditivos à Convenção de Genebra[5] e outras vezes através de regulamentos jurídicos e/ou acordos internos e/ou regionais com ou sem mediações.

Somente dois exemplos dos muitos, para demonstrá-lo: um do Século XIX e outro do Século XXI, ilustram esta prática de guerra e de política, ou melhor, dos conflitos como são chamados hoje, exemplos que reafirmam, com sua prática política e necessidade das pessoas, que o intercâmbio Humanitário segue sendo viável juridicamente, necessário socialmente, válido humanitariamente, vigente politicamente e ademais, possível na Colômbia[6].

Um exemplo do Século XIX foi o Tratado de Armistício de Trujillo firmado em Novembro de 1820 entre as Forças Armadas comandadas por Simon Bolívar e as Forças Armadas Espanholas comandadas por Pablo Morillo, para concretizar o Armistício e a Regularização da Guerra, Acordo consagrado posteriormente na chamada Lei da Troca de 1821[7].

Outro exemplo do Século XXI, de hoje já em 2008, é o impulso do Gabinete Ministerial Israelense, no marco do Conflito Israelo-Palestino[8] está considerando mediante um acordo humanitário libertar cerca de 9.000 prisioneiros Palestinos, para obter a libertação de Gilad Shalit que foi capturado em Gaza no ano de 2006[9].

São apenas alguns exemplos da realidade desta prática que contribuiriam para a diminuição da intensidade do conflito na Colômbia.

II

Na Colômbia tem havido inumerável quantidade de propostas para concretizá-lo, também tem havido e existem obstáculos das forças mais atrasadas dentro e fora do Governo, dentro e fora do país que se atravessam cada vez que existem possibilidades de iniciar conversações entre o Estado e a Insurgência Colombiana; a intolerância tem sido uma constante por parte do Governo Colombiano com uma clara referência santanderista[10].

Que o Senhor Presidente Álvaro Uribe Vélez se oponha por todos os meios a concretizar com a insurgência das Farc o intercâmbio humanitário de pessoas privadas de sua liberdade como conseqüência do conflito social e armado na Colômbia e que o governo priorize o resgate violento, militar a sangue e fogo dos prisioneiros da outra parte, é a continuação da contradição, que não foi resolvida, entre o pensamento bolivariano e o santanderista, entre o anfictionismo e o monroísmo, que se resolverá no marco da luta pelo êxito da segunda independência da Colômbia.

A história colombiana hembra que Francisco de Paula Santander boicotando a Proposta humanitária e jurídica da troca impulsionada por Simon Bolívar ordenou fuzilar os prisioneiros realistas indo na contramão de seu mesmo sofisma da hierarquia das Leis sobre a guerra, tal como nos lembra o fragmento do Documento “Dois Séculos de Acordos” do El Espectador que reproduziu Sintrabancol, quando de afirma em 4 de agosto de 2007 que:

“O Libertador Simón Bolívar o tentou em 9 de setembro de 1819, um mês depois da batalha de Boyacá, quando propôs da Juan Sámano, ‘conforme as regras da guerra entre nações civilizadas’, uma troca de prisioneiros para libertar o general Barreiro e toda a sua oficialidade e soldados capturados. ‘Indivíduo por indivíduo, grau por grau, posto por posto’. Assim, argumentando tratar-se de ‘um ato de justiça e necessidade’, o general Santander ordenou fuzilar os prisioneiros. Um ano depois, no auge da campanha militar para libertar a Venezuela, Bolívar insistiu, deta vez perante o chefe colonial Pablo Morillo, propondo-lhe celebrar não só um armistício, mas um Tratado de Regularização da Guerra.

Já eram 10 da noite de 26 de novembro de 1920, dias depois da assinatura de um armistício de seis meses, o próprio Bolívar ajudou a redigir as normas para regularizar a guerra, com ênfase no respeito aos feridos, a proteção aos prisioneiros e a entrega dos cadáveres dos adversários. ‘A troca de prisioneiros será obrigatória e será com a maior brevidade possível’, ressaltou o documento. No dia seguinte, na aldeia de Santana, na metade do caminho entre Trujillo e o posto de Carache, se encontraram Bolívar e Morillo e ratificaram o entendimento. Em fevereiro de 1821 se rompeu o acordo, os exércitos retomaram a guerra e ao amanhecer de 24 de junho de 1821, na batalha de Carabobo, Simon Bolívar selou sua vitória”[11].

III

A pesar de tudo, hoje se abre a esperanza para que do gesto humanitário e unilateral das FARC de liberar e entregar Clara Rojas, Emmanuel seu filho concebido com um guerrilheiro das FARC e a Consuelo de Perdomo ao Presidente da República Bolivariana da Venezuela Hugo Chávez Frías[12] possa concretizar a troca de prisioneiros como manifestou no último 19 de dezembro que o gesto humanitário das Farc deve levar ao intercâmbio humanitário[13], em conversações e negociações diretas entre o Governo e a Insurgência que aconteceria na zona desmilitarizada dos municípios vizinhos de Pradera e Flórida[14].

IV

Mas até que se resolva o atual conflito mediante uma solução política ou da vitória armada total de uma das partes, ou se intensifique de tal maneira que de generalize a privação de liberdade de muitas pessoas como conseqüência do conflito, se requer que através do Legislativo Colombiano tramite uma Lei de Troca permanente, que surja da negociação entre o Estado e a Insurgência, ou que reúna o sentimento de que o Intercâmbio Humanitário não é uma concessão[15], neste conflito que além de social é armado, onde se confrontam umas Forças Armadas Constitucionais vs. Outras Forças Armadas Revolucionárias, além da confrontação que se dá entre o conjunto dos movimentos populares e o Estado que os criminaliza desconhecendo o princípio da distinção entre combatentes e população civil[16].

Por meio da ONG española de Directos Humanos Nizcor se conheceu o documento emitido de Bogotá e proposto por diferentes organizações colombianas de setores sociais, populares, de iniciativas de paz e de direitos humanos na reunião realizada em Londres em 09 e 10 de julho de 2003, onde se afirmou que:

“O presidente Uribe tem declarado publicamente que não crê que o princípio da distinção entre combatentes e população civil tenha vigência na Colômbia. A seu juízo, todos somos combatentes na Colombia, não existe conflito interno de caráter político e a população civil tem não somente o direito como a obrigação de apoiar a força pública e alinhar-se em torno dela na qualidade de combatente. O respeito à distinção entre combatentes e a população civil estabelecida no direito humanitário favoreceria o respeito aos direitos das pessoas civis no conflito armado. Antes de ser um impedimento para o desenvolvimento de políticas estatais é um reconhecimento de grupos armados dissidentes, esse princípio gera obrigações para todos os grupos armados – guerrilhas, Força Pública ou paramilitares, entre elas a obrigação de respeitar a população civil e distingui-la para que esta não acabe assumindo as conseqüências da guerra.”[17]

V

É uma Lei de Troca que regularizaria a guerra como demonstrou Bolívar entre 1819 e 1821 e boicotou Santander. Mas ao final prevaleceu o Direito das Pessoas e os princípios de respeito aos feridos, proteção dos prisioneiros de guerra, entrega de cadáveres e troca obrigatória e rápida de prisioneiros.

É claramente uma proposta humanitária que a Comissão de Paz do Senado da República e da Câmara de Representantes deve avaliar de forma conjunta, discutir e propor para que a próxima legislatura ative e frutifique para o bem da nação e pela diminuição da intensidade do conflito enquanto ele se resolve de uma ou outra maneira.

VI

Recordo que na sede da Universidade de Santiago de Cali, em junho de 2002, conversei com o deputado Dr. Heriberto Sanabria onde disse que: “Conseqüente ao pronunciamento feito pela Associação Nacional de Deputados acerca do exercício que cumpriam, utilizando a iniciativa legislativa, segundo faculta o Artigo 155 da Constituição Política onde se permite que 30% dos deputados do país apresentem projetos de Lei e que sejam tramitados no Congresso em regime de urgência segundo o Artigo 163 da mesma Constituição, conversamos com o Deputado da Assembléia Legislativa vallecaucana, Heriberto Sanabria, a raiz do Projeto de Lei de Intercâmbio Humanitário que apresentarão ao novo Congresso da República em 20 de julho próximo e da reunião que 502 deputados realizarão na Cidade de Cali no próximo 11 e 12 de julho de 2002” documento que se encontra disponível para consulta em http://64.233.169.104/search?q=cache:EB9cWBJfbZQJ:www.exdiputadosvalle.com/Textos/texto7-juridiposiblecanje.doc+juridicamente+si+es+posible+una+politica+de+canje&hl=es&ct=clnk&cd=1


Evoco esta entrevista e conversa que tive com o ex-deputado e hoje Congressista que colabora para que os novos Deputados que serão empossados em janeiro de 2008 tenham para si este exemplo do ano de 2002, e no exercício de suas funções façam também o que lhe for correspondente em prol do Intercâmbio Humanitário.[18]

Já Simón Bolívar deu o exemplo, o sigamos!



*Athemay Sterling: Diretor do Centro de Directos Humanos da Universidade Santiago de Cali, Adrogado Defensor dos Directos Humanos, integrante da Equipe jornalística da VOZ, Subdiretor CPDH e ANDAS Valle, constituinte da Comissão de Impulso ao Intercâmbio Humanitário, professor Universitário, Diretor de Direito Preventivo e Direitos Humanos, escritor, historiador e analista político, ex-conselheiro departamental e assessor de paz, conferencista nacional e internacional sobre Direito Internacional e Direitos Humanos, Direito Internacional Humanitário e Direito Penal Internacional, sobrevivente do genocídio cometido pelo Estado contra o Partido Comunista Colombiano e a União Patriótica, Consultor da Seção América da Federação Sindical Mundial com sede em Havana, Cuba.

http://www.voltairenet.org/article146702.html http://www.partidoverdeoxigeno.com/base/article.php3?id_article=167 ; http://www.la-casa.ca/?q=fr/node/954http://forums.terra.com/foros/noticias/Noticias_C5/Actualidad_Colombiana_F80/El_terrorismo_de_estado_colombiano_no_permite_concretar_el_intercambio_humanitario_P61804/ http://www.rodolfowalsh.org/spip.php?breve4202 http://www.tertulialatina.com/Archivo/index.php?option=com_content&task=view&id=176&Itemid=41http://anncol-brasil.blogspot.com/2007/04/uribe-se-ope-ao-intercmbio.html http://www.elpais.com.co/historico/ene232006/REG/A323N2.html

[11] http://www.sintrabancol.org/index.php?option=com_content&task=view&id=210&Itemid=52

[12] http://www.kaosenlared.net/noticia.php?id_noticia=48679

[13] http://www.abpnoticias.com/boletin_temporal/contenido/articulos/colombia_farc_humanitaria.html; http://www.kaosenlared.net/noticia.php?id_noticia=48034

[14] http://www.rebelion.org/noticia.php?id=60190; http://www.prensarural.org/sterling20050809.htm ; http://banderaroja.blogspot.com/2007/12/colombia-despeje-o-no-despeje-es-la.html

[15] http://virtual.usc.edu.co/derechos/index.php?option=com_content&task=view&id=50 ; http://www.abpnoticias.com/boletin_temporal/contenido/articulos/colombiasindilacion.html ; http://www.milenio.com/tampico/milenio/notaanterior.asp?id=680957 ; http://www.rebelion.org/noticia.php?id=38607

[16] http://www.icrc.org/WEB/SPA/sitespa0.nsf/htmlall/p0904/$File/ICRC_003_0904.PDF!Open

[17] http://www.derechos.org/nizkor/colombia/doc/plan/london.html

[18] http://64.233.169.104/search?q=cache:EB9cWBJfbZQJ:www.exdiputadosvalle.com/Textos/texto7-juridiposiblecanje.doc+juridicamente+si+es+posible+una+politica+de+canje&hl=es&ct=clnk&cd=1
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