"A LUTA DE UM POVO, UM POVO EM LUTA!"

Agência de Notícias Nova Colômbia (em espanhol)

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A violência do Governo Colombiano não soluciona os problemas do Povo, especialmente os problemas dos camponeses.

Pelo contrário, os agrava.


terça-feira, 13 de janeiro de 2009

A crise não vem de fora, mas de dentro do sistema opressor

por Pedro Echeverría V. / México

1 – A alta classe política e empresarial, pagando muito bem aos meios de informação (TV, rádio e imprensa), se encarregaram de difundir que a crise econômica vem de fora e, portanto, eles são bons administradores do país. No México estamos entalados até o pescoço (para não dizer “até a mãe”) com esse argumento que busca enganar e ver a cara de burro do povo. Repetem que a crise vem de fora quando, desde 1982, em particular desde oito anos de governos panistas, a produção, o desemprego e os salários da maioria da população se desintegraram. Quando há mais de 25 anos a migração aos EUA, a chamada delinqüência e a pobreza cresceram o triplo entre 60 milhões de trabalhadores. O que se deve dizer é que sobre nossa profunda crise, ocasionada pela exploração e pelos maus governos, agora se agudiza com outra crise. Como dizem popularmente por aqui: “chove sobre o molhado”.

2 – Quanto mais se repete na TV que “o México não tem nenhuma culpa da crise porque ela vem de fora” o povo pobre ingenuamente recorre mais à sua religião e ao seu Deus para pedir que a crise “que vem” não seja tão severa. Que maravilhoso argumento dos empresários e do governo para que as fábricas e demais negócios despeçam os trabalhadores, os obriguem a não pedir aumentos, impeçam ações de greve e, além disso, tenham todo o pretexto para pedir, após falsear quebras das empresas, o pagamento de resgates milionários permanentes! As crises, pelo contrário, devem ser aproveitadas para organizar o descontentamento dos trabalhadores para enfrentar aos governos e os empresários porque estes, e ninguém mais, são os culpados das contínuas falências do sistema. As crises deveriam ser um bom detonador para a revolução social, mas infelizmente a burguesia conta com melhores elementos de controle político, ideológico e militar.

3 – A crise vem então do céu, ou Deus a enviou como castigo para a tão pecadora humanidade? Vem dos EUA, apesar de ser para seus admiradores e súditos o modelo de democracia e liberdade? Porque não se reconhece que as crises são provocadas pelo mesmo sistema capitalista que em seus afãs de fazer mais negócios, em seu impulso em acumular mais recursos e capital, explora mais e mais aos trabalhadores e, na busca por produzir artigos para vender caro, chega a um momento em que a gente fica sem dinheiro para consumir? Porque se silenciam os investimentos multimilionários em dólares pelos EUA na invasão ao Afeganistão, Iraque, a Gaza, assim como a batalha econômica pelo domínio mundial que os EUA trava com outros países como China, Japão e Europa? Apesar dos EUA tentarem saquear o petróleo desses países, as fortes lutas defensivas dos povos impediram os EUA de recuperar suas perdas.

4 – Nas crises capitalistas (todas as vezes) quase todos perdem, mas há alguns poucos que ganham. Só perdem os pobres, as classes médias e alguns pequenos ricos que não puderam competir ou se equivocaram nos negócios. Mas pergunte aos fabricantes de armas para as guerras, aos compradores de negócios fracassados em falência, aos negociantes de petróleo em baixa, aos que monopolizam e estocam produtos para logo vendê-los caro, aos hábeis donos e jogadores das bolsas de valores que em uma jogada embolsam centenas de milhões, aos altos funcionários políticos (com seus familiares e amigos) que ficam sabendo antes de uma desvalorização ou aos que recebem resgates muito além de suas “perdas”, Nas crises econômicas nem “todos perdem”; não sejamos ingênuos de acreditar nas palavras dos grandes capitalistas e os meios de comunicação que estão a seu serviço. As crises servem para empobrecer mais aos débeis e para que os ricos sejam mais ricos.

5 – Não devemos nos esquecer que no exato momento em que a produção capitalista está em plena marcha, quando se produzem massas sempre crescentes de mercadorias, quando os preços sobem e com eles aumentam os benefícios dos capitalistas, quando a desocupação se reduz e o salário se eleva um pouco, precisamente é quando aparece bruscamente a crise. Então, como escreveu Engels: “o comércio se paralisa, os mercados estão saturados de mercadorias, os produtos (ou mercadorias) se estancam em armazéns abarrotados sem encontrar saída. O dinheiro constante se faz invisível, o crédito desaparece, as fábricas se fecham, as massas operárias carecem de meios de vida, precisamente por haver produzido demasiados meios de vida e todos são quebras, embargos e liquidações. A paralisação dura anos inteiros, as forças produtivas e os produtos estragam e se perdem em massa, até que enfim, pela desvalorização, as massas de mercadorias acumuladas encontram saída e a produção e troca vão se reanimando”.

6 – Ainda que muitos não queiram aceitar ou reconhecê-lo: os governos panistas de Fox e Calderón (tontos, loucos, corruptos, ignorantes, ou o que seja) estreitamente aliados com o PRI, deram tremendos golpes no zapatismo do EZLN, ao lópezobradorismo e à grande luta de Oaxaca. Depois da histórica marcha Chiapas/DF de fevereiro e março de 2001, Fox obrigou ao zapatismo a isolar-se no estado de Chiapas, buscando solucionar seus problemas locais, isolado dos poucos movimentos sociais do país. Por outra parte, López Obrador, depois de ter sido despojado na eleição presidencial por Calderón, agora entrou pela grande porta do PRD e está a ponto de expulsá-lo caso não aceite as condições que serão colocadas pela social-democracia orteguista. Em Oaxaca a repressão brutal de maio/dezembro de 2006, apesar de continuarem os esforços para recuperar aquelas batalhas, desbaratou os avanços que com enormes sacrifícios se haviam conseguido. Se arrancássemos o grande otimismo que ronda nossas análises, reconheceremos a realidade.

7 – Apesar dos terríveis golpes que a esquerda mexicana tem recebido por parte da burguesia, nossa obrigação como lutadores sociais é pararmos novamente para resistir e ganhar batalhas. Não são batalhas de dois ou três anos, são de toda a vida. A crise mundial do capitalismo pode converter-se em uma grande conjuntura para aprofundar a luta de classes. Enquanto a burguesia chama a sua própria classe social opressora, a seus muitos seguidores e busca alianças entre os oportunistas “para unir-se e salvar o país da crise”, os trabalhadores não podemos “jogar a toalha” e sairmos derrotados e reclamando. É necessário aprofundar nossas lutas e evitar deslumbramentos em todo momento, pensando que a burguesia vai cair por seus próprios erros e alguns descalabros; não devemos cair na perigosa emotividade perante alguns atos exitosos que realizamos. É importantíssimo buscar a unidade da classe para levantar nas fábricas, nos campos, nas universidades e nas ruas as lutas sociais. As crises são recorrentes, só poderão desaparecer quando, junto com elas, desaparecer o sistema de exploração.

pedroe@cablered.net.mx