"A LUTA DE UM POVO, UM POVO EM LUTA!"

Agência de Notícias Nova Colômbia (em espanhol)

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A violência do Governo Colombiano não soluciona os problemas do Povo, especialmente os problemas dos camponeses.

Pelo contrário, os agrava.


quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Resistência contra o saqueio e a espoliação do povo colombiano


Colômbia, um país imensamente rico em biodiversidade, variedade
de climas, riqueza hídrica, subsolo, hidrocarbonetos, produção
agrária e pecuária, com um capitalismo dependente em sua
formação econômica e social, historicamente vinculado ao mercado
mundial de uma maneira irregular, pelo sistema de propriedade,
ao concentrar terras e minas nuns poucos proprietários explorando
força de trabalho barata e qualificada, estruturando assim o capital
dependente com a incidência direta do império estadunidense logra
dominar no econômico, social, político, cultural, ideológico e militar a
nação, com a cumplicidade e complacência da oligarquia local.

A colonização e a subordinação econômica nos levaram à imposição
da devastadora política neoliberal e a configuração de um modelo de
acumulação de capital através do despojo violento da propriedade
agrária que conduziu o país à degradação da soberania, a uma maior
centralização e concentração da riqueza, ao aumento da desigualdade
social, ao desconhecimento das condições laborais, à depredação
socioeconômica, à contínua apropriação da riqueza social e dos frutos
do trabalho mediante o despojo e o deslocamento forçado de milhões
de campesinos e da classe operária, sempre desde o poder e servindo
a seus interesses. As máfias e o paramilitarismo formam o modelo
violento de acumulação e de terror que caracteriza a atual fase
neoliberal do capitalismo.

De fato, nessa nova onda de governos oligárquicos apátridas e
sob os desígnios e as imposições de tratados de livre comércio
tentam apossar-se aprofundando o processo de neoliberalização
da economia, fortalecendo o capital financeiro internacional e
os grandes grupos econômicos, desnacionalizando a economia,
desindustrializando o país e diminuindo a produção agrícola, em
especial a produção de alimentos. Dando todo o apoio e garantias à
monocultura, aos biocombustíveis.

Promoveu na última década a exploração intensiva e a extração
das riquezas em hidrocarbonetos, minerais e fontes de água
acompanhando-a da produção de agro combustíveis em grande
escala, exploração florestal e mega projetos de infraestrutura,
facilitando a exploração a fundo, dando garantias ao capital e aos
investidores para que acedam às concessões sobre os territórios.
E nessa invasão das transnacionais, o governo embusteiro lhes
entregou 30 milhões de hectares para a exploração petroleira, 20.5
milhões de hectares como área estratégica para a exploração e

aproveitamento mineiro sustentável, 12 milhões para a exploração
florestal extrativista, 39.2 milhões para a pecuária extensiva,
3,6 milhões para a produção agrícola em detrimento de extensos
territórios e populações indígenas e campesinas e as consequências
sociais e ambientais de tais políticas. Num país onde 22 milhões
de hectares das melhores terras estão em mãos de 12 mil terra-
tenentes, onde cada latifundiário possui aproximadamente 1.800
hectares cada um, enquanto que 3 milhões de campesinos possuem
2.5 milhões de hectares; ou seja, que cada campesino é dono de 1
hectare de terra para produzir.

E, enquanto se proclama, através de campanhas midiáticas
manipuladoras e mentirosas os avanços das políticas econômicas
do governo e das transnacionais, as falácias e dados falsos sobre
geração de emprego e progresso para as regiões, e com grande
ruído se anuncia a produção de 950 a um milhão de barris diários
de petróleo, de 85 a 90 milhões de toneladas de carvão anuais,
de 72 toneladas de ouro ao ano e seus exagerados lucros, esta
agitação se contrapõe com a verdadeira realidade do país, 30 milhões
de colombianos na pobreza total, 10 milhões de compatriotas na
indigência. A inação e o desemprego a que têm sido submetidas as
pobrezas nacionais e onde os reais índices de pobreza contrastam
com as riquezas e as exorbitantes extravagâncias das elites
governantes.

Em nossa suntuosa península da Guajira, onde o sal, o gás e o carvão
abundam como a água na nevada e as riquezas naturais estão na
ordem do dia, onde o estado oligárquico e seus agentes insensíveis
e indolentes predicam que “Há que estimular o investimento, não
estrangulá-lo” e preferem ajoelhar-se indignamente frente às
transnacionais como CCX, Drummond, Anglo Gold, Medoro Resources
etc, que vêm fazendo explorações e aproveitamentos do carvão,
ouro, prata e outros minerais e entregam sem escrúpulos o que
ainda resta destas riquezas que pertencem aos ancestrais habitantes
donos de seus territórios e de tudo o que ali se produz. Porém, são
estes mesmos inescrupulosos funcionários vendidos e sob subornos
os que entregam em concessão essas terras, os que dão as costas a
Guajira e preferem ignorar a profunda pobreza, a seca e o abandono
estatal de península caribenha. São os mesmos empregados indignos
que sob mentiras e armadilhas tentam corromper com dádivas a
consciência dos habitantes guajiros oferecendo-lhes bodes, lã e
quanta esmola, enquanto se subtraem as ínfimas regalias que lhes
deixam as companhias estrangeiras.

A Guajira, que fornece 85% do gás e produz 70% do sal que se
consome em todo o país, a possuidora da maior mina de carvão
a céu aberto no mundo, enfrenta os planos nefastos e criminosos
por parte da oligarquia santanderista e das multinacionais, como
o projeto de desvio de 26 quilômetros do rio Ranchería e seus
afluentes e a remoção de 600 toneladas de camada vegetal com
o agravante que na área se encontram localizadas rancharias
onde habitam comunidades wayus, a instalação de um centro de
exploração de carvão por parte da multinacional CCX numa área a
menos de 1 quilômetro do manancial de Cañaverales, a construção
da via férrea e a passagem de trem para transporte de carvão da
CCX pelos municípios de Distracción e Fonseca, com suas funestas
consequências.

Não podemos sentir-nos orgulhosos de sermos os únicos no mundo
que temos a maior laguna artificial de contaminação, como é a
represa no rio Ranchería. A ameaça se estende também contra uma
das reservas espirituais e culturais de territórios ancestrais e sítios
sagrados onde se mantém a ordem e o equilíbrio do universo e se
materializa o conhecimento e a sabedoria. E é que, como tentáculos,
os executivos e empresários da firma Six Sense, autorizados e
aliados com a burguesia vende pátria, planejam a construção de um
hotel no parque Tayrona, coração da Sierra Nevada de Santa Marta.
Desesperadamente, buscam e reúnem os arhuacos, koguis e wiwas
para convencê-los com suas falsas promessas e oferecimento de
donativos. Haveria que dizer-lhes que essas terras são intocáveis e
inegociáveis, que são os sítios venerados dos verdadeiros Mamos,
seus guardiães de sempre, e que a dita profanação é inviável e
atentam contra os territórios tradicionais, que estes projetos não
contarão jamais com o apoio dos verdadeiros defensores da cultura
tayrona e seus quatro povos indígenas.

É indubitável que fatos tão aberrantes exacerbem os ânimos e
convoque por si sós aos resistentes povos guajiro e cesarense
conformados pelos rebeldes wayus, wiwas, arhuacos, coguis,
kankuamos, sindicalistas, estudantes, educadores e todos os
habitantes patriotas e defensores da soberania, contra a devastação
de seu território e por um novo modelo de vida e de produção.

A desaforada ambição por extrair o mais rápido estas riquezas
levaram a gerar um impacto ambiental irreversível que afeta a todo
o planeta Terra e promete piorar com todos os mega projetos que as
transnacionais planejam desenvolver.

Irmãos de todo o mundo, é hora de dizer basta já à depredação
do planeta e ao saqueio de nossos recursos naturais. Vamos deter
os atentados contra a vida do planeta, lutemos por garantir terra,
água, casa, educação, saúde às gerações futuras e, para isso, é
necessário estabelecer um novo governo para Colômbia, que, junto
aos governos progressistas do mundo, defendamos a Terra.

Que se sinta que nossos filhos e nossos netos são merecedores de
um futuro digno, uma pátria nova, democrática e socialista.

Escrito por

Guerriheira das FARC-EP

Lucía Frank