Comunicado Marcha Patriótica 5 de junho de 2013
Por:
Junta Patriótica Nacional da Marcha Patriótica
O
presidente Juan Manuel Santos, em quem grandes setores do país
depositaram confiança por sua vontade de diálogos de paz, pôs
em perigo a estabilidade da mesa de acordos do Governo Nacional e das
FARC-EP, em Havana, Cuba, que conta com amplo respaldo nacional e
internacional, assim como também as boas relações de amizade e
irmandade tão necessárias com a República Bolivariana de
Venezuela.
Após
a recente visita a Bogotá do vice-presidente dos Estados Unidos, Joe
Biden, se precipitaram perigosos acontecimentos a partir de
declarações e desvairadas posições do presidente Santos.
A
reunião em Cali dos países do Acordo do Pacífico, que reforçam
uma linha direitista e neoliberal na América Latina, que busca
fraturar a tendência predominante a nível continental em favor da
integração regional sem a presença dos Estados Unidos, em ruptura
com os TLCs e a economia de livre mercado neoliberal que favorece o
grande capital e as transnacionais e de aberto desafio à cooperação
e a ajuda mútua que promovem a CELAC, UNASUL, MERCOSUL e ALBA,
instâncias soberanas e autônomas da América Latina e do Caribe.
O
encontro na Casa de Nariño do presidente Juan Manuel Santos com o
ex-candidato da oposição em Venezuela, Henrique Capriles, agora
cabeça visível de um projeto desestabilizador no vizinho e irmão
país, quem não aceita os resultados democráticos das últimas
eleições e a legitimidade do presidente Nicolás Maduro, é um ato
inamistoso e desleal, que, se bem que deve resolver-se pela via
diplomática e do diálogo, deixa em suspeita a confiança que se
havia construído a partir da eficaz e leal colaboração do governo
bolivariano para os diálogos de paz de Havana.
O
anúncio do interesse da Colômbia de subscrever acordos de
cooperação com a OTAN, com a intenção de ingressar ao pacto
militar, herança da “guerra fria” e responsável de muitas
desgraças e atos de agressão em diferentes pontos do planeta,
desnuda o caráter antipatriótico do governo da Colômbia. A
aparente reversão conhecida a posteriori não dissipa as
dúvidas, pois mantém a ideia dos acordos de cooperação que, em
outras latitudes, terminaram com a instalação de bases militares,
neste caso, num continente de paz e de projetos democráticos,
ameaçados pelo interesse da Casa Branca de recuperar uma região que
sempre considerou como seu “quintal”.
Estas
atitudes deixam um manto de desconfiança que faz um profundo estrago
ao processo de paz e ao país. Não será fácil restabelecer um
clima de confiança em suas palavras depois destas atitudes.
Estes
três acontecimentos que modificam os anúncios do presidente Santos
de fazer uma guinada na política exterior, para incorporar-se às
instâncias regionais de cooperação que têm postulados soberanos e
democráticos, unido às concessões à direita e ao militarismo
colombianos que buscam arrebentar os diálogos de paz, estão gerando
crises na mesa de Havana, que há poucos dias conseguiu um histórico
acordo em matéria agrária.
Nesta
direção, Marcha Patriótica reitera o reconhecimento a Nicolás
Maduro como legítimo presidente eleito por voto popular e expressa
ao governo e ao povo de Venezuela nossa solidariedade frente às
tentativas desestabilizadoras. Lamentamos que o governo Santos se
preste e apóie os referidos intentos.
Convocamos
as organizações sociais e populares; aos partidos e movimentos da
esquerda; aos setores democráticos e progressistas do país, a
defender a mesa de Havana, cercando de solidariedade seus resultados
e exigindo gestos de paz contundentes que evitem as crises e os
sobressaltos. A respaldar ao governo legítimo e constitucional do
presidente Nicolás Maduro, tão somente questionado pela atitude
intervencionista dos Estados Unidos, que conta com o respaldo da
agressiva atitude da direita venezuelana, encabeçada por Henrique
Capriles, personagem comprometido com o golpismo e a violência na
pátria de Simón Bolívar.
Há
que cerrar fileiras para evitar o ingresso ou os acordos de
cooperação com a OTAN, bloco militar agressivo e intervencionista.
Significa uma traição do governo de Santos aos postulados
majoritários da América Latina e do Caribe. É uma vergonha no
continente que recorda o qualificativo que a classe dominante
colombiana recebeu de “Caim da América”.
Os
fatos trágicos do conflito colombiano não são desejáveis, por
esta razão insistimos na trégua e no cessar-fogo bilateral para que
os mesmos não alterem o funcionamento da mesa.
Respaldamos
os pronunciamentos dignos e solidários da maioria dos governos e
povos da América Latina. Demandamos a imediata reunião dos partidos
e movimentos do Foro de São Paulo, porque as posturas do presidente
Santos, favoráveis à autoridade de Washington, põem em perigo a
paz em Colômbia e na região, abrem o caminho para uma maior
presença dos Estados Unidos e trata de fraturar todo o espaço que
se ganhou na identidade regional e para um projeto político próprio,
inspirado nas tradições de nossos países e no pensamento
bolivariano e dos próceres de nossas independências que lutaram
pela Pátria Grande.
Marcha
Patriótica
Bogotá
D.C. 5 de junho de 2013