"A LUTA DE UM POVO, UM POVO EM LUTA!"

Agência de Notícias Nova Colômbia (em espanhol)

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A violência do Governo Colombiano não soluciona os problemas do Povo, especialmente os problemas dos camponeses.

Pelo contrário, os agrava.


quinta-feira, 22 de março de 2007

Escritórios diplomáticos ou centros de espionagem

“O assunto é bastante sério. Se temos em conta que o governo fascista tem organizado grupos paramilitares coordenados desde suas embaixadas, denominados ´os 100 mil amigos´, a vida de muitos exilados políticos – mais de 60 mil, segundo as Nações Unidas – está em grave risco. Conhecendo a periculosidade dos amigos de Uribe, até a integridade física de funcionários de outros países pode ser afetada dentro e fora da Colômbia”. Escreve Miguel Suárez.


Fernando Araujo, aliás “Chambacú”, hoje ministro de Exteriores, retido pelas FARC como ladrão.



[Miguel Suárez *]

Com base em declarações, nos últimos dias, de altos funcionários do governo da oligarquia colombiana, nas quais acusam como guerrilheiros a exilados colombianos ou, inclusive, catalogam a outros governos como aliados destes, o debate quanto às funções das embaixadas da oligarquia colombiana nos diferentes países do mundo, volta a se colocar sobre a toalha.

O senador Gustavo Petro, do Polo Democrático Alternativo, PDA, denunciou há mais de um ano o caráter paramilitar da diplomacia uribista e o jornalista sueco Dick Emanuelsson, num acertado artigo sobre uma manifestação em Bogotá, organizada pelo governo colombiano contra o governo sueco, tocou a essência do assunto e chamou a investigar esses centros policiais disfarçados de embaixadas.

Dick Emanuelsson escreveu a respeito “Álvaro Uribe nunca ocultou sua intenção de perseguir a todos aqueles que lutam por uma Nova Colômbia com justiça social, não somente na Colômbia, como também no exterior. Por isso, minha recomendação a todos os embaixadores acreditados em Bogotá é propor a seus respectivos governos ordenar uma investigação a fundo das operações realizadas pelos diplomatas colombianos no exterior”.

É que o assunto é bastante sério. Se temos em conta que o governo fascista tem organizado grupos paramilitares coordenados desde suas embaixadas, denominados “os 100 mil amigos”, a vida de muitos exilados políticos – mais de 60 mil, segundo as Nações Unidas – está em grave risco. Conhecendo a periculosidade dos amigos de Uribe, até a integridade física de funcionários de outros países pode ser afetada dentro e fora da Colômbia.

As atividades de espionagem contra os colombianos exilados são estimuladas desde a seção de opinião da mídia oficial dos narcotraficantes e paramilitares, o diário dos Santos, “El Tiempo” desta maneira:

“os colombianos que vivem no estrangeiro para que colaborem, é muito fácil: se em sua universidade vê a publicidade de algum evento no qual claramente se atente contra o país, simplesmente retenha o pôster ou anúncio e leve-o ao consulado da Colômbia mais próximo”.

E é que, ante a constrangedora situação da oligarquia, pretendem calar a todo mundo, até outros governos, como o sueco e o suíço, baseados na espionagem que realizam desde seus centros de espionagem.

Estas atividades violadoras das soberanias de outros países não são novas, porém ultimamente têm tomado uma força extraordinária.

Foram mais de cem os paramilitares que meteram na Venezuela para desestabilizar o governo desse país e para assassinar o presidente Hugo Chávez, encobertos pelo escândalo das bombas contra suas próprias sedes de espionagem em Venezuela, bombas que foram muito certamente colocadas por eles mesmos para distrair a atenção.

Os mexicanos foram os primeiros em saber das atividades de espionagem dessa oligarquia, já que lá funcionava um centro de informação de colombianos que era espionado constantemente pela embaixada.

Depois, quando, logo que um grupo de estudantes mexicanos organizou um ato de solidariedade com o povo colombiano, o embaixador saiu a dizer que as FARC tinham uma embaixada nesse país e contou detalhes da perseguição feita por eles a cidadãos mexicanos. A reação do governo mexicano obrigou a uma desculpa pela atividade de espionagem e ocasionou, em seguida, a saída do chefe dos espiões.

Há alguns dias a senadora Piedad Córdoba participou num Seminário Internacional de Partidos, na Cidade do México, e a embaixada da oligarquia colombiana nesse país, depois de seguir todos os movimentos da senadora, propagou a versão de que as FARC-EP haviam patrocinado o ato, propagaram a versão de que a senadora havia sido convidada pelas FARC e, portanto, parte dessa organização política levantada em armas.

Na Austrália a embaixada da oligarquia colombiana, há alguns anos, investigou a vários colombianos exilados nesse país e, com suas costumeiras montagens, fabricaram supostas provas para processar os colombianos que denunciavam as atrocidades dessa oligarquia.

Na França, onde Uribe nomeou o filho do assassino Alberto Santofimio Botero, um funcionário da embaixada da oligarquia colombiana se infiltrou num ato de denúncia sobre a situação colombiana, fotografando o jornalista expositor, em seguida, camuflando-se entre o público, tratou de interrogá-lo; quando o expositor se deu conta da situação, detiveram ao homem que tinha identificação diplomática da oligarquia colombiana.

Há uns dois anos, o governo fascista, por meio de seu ninho paramilitar com sede em Estocolmo, desde onde coordena a espionagem aos países escandinavos, anunciou que eles haviam investigado a vários membros da organização dinamarquesa “Liberación” [Libertação].

Liquidar a Associação Jaime Pardo Leal, da Suécia, tem sido uma obsessão da oligarquia colombiana que, desde sua embaixada, espiona constantemente a seus membros, tratando de intimidá-los.

Por causa da última atividade por eles realizada, o governo fascista, por meio de seu vice-presidente Francisco Santos, delatou publicamente suas atividades, dizendo que eles realizavam investigações contra os membros desta organização, muitos deles, hoje, cidadãos suecos.

Em repetidas ocasiões, fotografaram aos membros da AJPL e seus acompanhantes, aos quais, em muitas ocasiões, acusaram como guerrilheiros que, no idioma deles, são ordens de assassinar, o que tem ocasionado que estes devam tomar medidas de segurança, estando no estrangeiro, tal como se estivessem na Colômbia, para proteger suas vidas, razão pela qual a AJPL denunciou penalmente o governo colombiano.

O passado fim de semana, logo após Francisco Santos acusar o governo sueco como “cúmplice” das FARC, a organização paramilitar “Colombia Herida” [Colômbia Ferida], amparada pelo governo colombiano, organizou uma manifestação frente à embaixada sueca em Bogotá, que é um claro aviso aos funcionários deste país e que põe de manifesto a periculosidade das acusações de Santos.

Logo após a Suécia, se seguiu a Suíça. Segundo o mesmo Francisco Santos, as FARC-EP se movem como Pedro por sua casa, e de novo se delatou ao dizer que eles sabiam que uma alta comandante guerrilheira era a que, desde esse país, coordenava as tarefas dos guerrilheiros, que, segundo se depreende de suas declarações, são os exilados, uns 60 mil, espalhados pelo mundo.

Porém, se a situação é preocupante para os exilados que vivem em países como Suécia, França ou Suíça, onde os governos brindam a estes uma relativa proteção, a situação para os exilados na Espanha é muito preocupante, já que o estado espanhol não proporciona todas estas garantias aos exilados e a embaixada a cargo da senhora Noemi Sanin, antiga opositora a Uribe e aos paramilitares e aliada do congresso espanhol, começou a usar os métodos dos amigos de Uribe, para primeiro atemorizar e, se isto não funciona, muito certamente, o passo seguinte será o mesmo utilizado na Colômbia, matar.

Sob esta tônica, no dia 7 de março, para combater uma concentração do PDA na Porta do Sol de Madri, onde se pedia justiça e se denunciava o “para-uribismo”, a Embaixada da Colômbia distribuiu um obscuro documento que dizia, entre outras coisas:
CONVOCATÓRIA, PELA VIDA, PELA VERDADE, PELA JUSTIÇA E PELA PAZ CONTRA AS FORÇAS ARMADAS REVOLUCIONÁRIAS COLOMBIANAS (FARC).

...COLOMBIANOS, SE QUEREM MAIS VIOLÊNCIA, MAIS MORTE, SEQUESTROS, ASSISTA VOCÊ À CONCENTRAÇÃO DA PORTA DO SOL, NA QUARTA-FEIRA 7. SE, PELO CONTRÁRIO, VOCÊ É UM COLOMBIANO QUE QUER À SUA TERRA E SE SENTE BEM-NASCIDO, E NÃO TEM DÍVIDAS COM A JUSTIÇA, “UNA-SE A NÓS NA PRAÇA DE REPÚBLICA ARGENTINA ÀS 20h, NA QUARTA-FEIRA 7 DE MARÇO EM MADRI”

Então, segundo a señora Naomi Sanin, os membros do PDA, que assistiram à concentração da Puerta del Sol, são guerrilheiros, com o qual, seguindo as diretrizes uribistas aos assassinos na Colômbia, a embaixada em Madri ordena atentar contra os membros do PDA, que denunciam o regime fascista na chamada “Madre Patria” [Mãe Pátria].

Fica, uma vez mais, demonstrada a espionagem exercida pelas embaixadas da oligarquia colombiana contra exilados e governos, assim de como o chamado serviço diplomático desta oligarquia está infestado de terroristas, tal como o demonstra o fato de que tenham exercido ou exerçam como embaixadores: em Israel, Velasco, quem está implicado no massacre de Santo Domingo; o General Mora Rangel, na Coréia, ligado a um grupo paramilitar, implicado no assassinato do jornalista Jaime Garzón, e acusado de ser o autor intelectual do atentado contra Wilson Borja, Salvado Arana ex-embaixador no Chile.

O centro de espionagem parece estar centrado em Paris, em cuja sede estão ou passaram reconhecidos delinqüentes como Santofimio filho, cujo pai Alberto Santofimio está cumprindo condenação pelo assassinato de Galán, o policial, Norman Arango, quem está vinculado nos processos de assassinatos em Sucre, assim como um familiar do Senador Álvaro José García Romero, conformador de grupos paramilitares e organizador de massacres.

Hoje em dia, as embaixadas da oligarquia colombiana, em todo o mundo, são centros de espionagem desde onde se trama atentar contra a vida e integridade dos refugiados políticos, se espiona aos governos e se preparam atos como o que se realizou contra a embaixada sueca em Bogotá, razão pela qual fazemos um chamado a rechaçar esses ninhos de delinqüentes nos diferentes países e, tomando a linha da senadora Piedad Córdoba, a exigir a saída deles de teu país.

*Director de Radio Café Stéreo
http://www.ajpl.nu/radio
info@ajpl.nu

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